segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Bonito. Apetece aplaudir...

 



 


A Assembleia da República deu ontem mais um espectáculo ao país. Em causa estava o protesto pela absurda sentença da Justiça de Angola que condenou a pesadas penas de prisão os 17 jóvens angolanos. 


O PS apresentou um voto de condenação. O Bloco, outro.


O CDS votou contra, provavelmente porque Paulo Portas está agora virado para os negócios. Que, como já se viu, passam por lá, por Angola. PSD também, porque agora vota contra tudo. E o PCP também, porque continua a não perceber que o mundo mudou. Continua convencido que o MPLA ainda é dos seus, que Moscovo ainda é Moscovo e que Putin é o sucessor de Brejnev. 


Como se não bastasse este caldo que chumbou que o voto de condenação do PS, o próprio PS viria ainda a abster-se na votação do do Bloco.


Bonito. Apetece aplaudir... 

A festa era ontem


 


Ontem é que deveria ter sido. Ontem é que era o dia de cantar os parabéns. Foi ontem que o Benfica  fez 112 anos, e era ontem que lá devíamos ter estado, a cantá-los. Os deuses, ou o tempo, ou os aviões, ou lá o que foi, não quiseram que fosse assim. Ficou para hoje, mas hoje já não era dia...


Por isso os parabéns ao Benfica foram curtos, e os golos também. Magro resultado para tantas e tão gordas oportunidades. Mesmo sem que tenha sido o grande jogo  que, se calhar, nunca poderia ter sido. Porque estava muita coisa em jogo... para o próximo jogo.


Mesmo assim deu para confirmar Lindelof, e para mostrar Grimaldo, titular pela primeira vez. Mas também para mostrar como o futebol é tantas vezes injusto: agora com Nelson Semedo. O jogador que era antes de se lesionar, na selecção nacional... E o jogador que não consegue ainda ser... E deu para mais dois golos de Jonas. Mas não deu para Mitroglou continuar a sua extraordinária série de jogos sucessivos a marcar, e fixar um novo máximo. Muito por culpa própria, tantos foram os golos que falhou...


No próximo sábado é que vai ser... Esperemos que voltem os índices de eficácia que decidamente o Benfica perdeu precisamente no jogo em que mais precisava deles. Desde esse jogo com o Porto, nunca mais a equipa regressou aos altos níveis de eficácia que trazia.  


 

Uma espreitadela aos "oscares"

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Não houve grandes supresas na noite em que Hollyood mais se olha ao espelho. Mas não deixou de ser surpreendente que "Mad Max - Estarda da Fúria", fosse o mais oscarizado, mesmo que ofuscado por "O Caso Spotlight", com a notoriedade acrescida que lhe é dada pelo oscar para o melhor filme.


Nenhuma surpresa para os actores: ao fim de 25 anos e de cinco nomeações, Di Caprio levou a estatueta. Pessoalmente, não tenho a certeza que tenha sido quando mais a mereceu, mas confesso que não gostei de "O Renascido" - o filme que mais nomeações ostentava, 13 - e quando assim é fica-se sempre de pé atrás... E Brie Larson (Quarto), que nasceu já Dio Caprio andava nestas andanças, veja-se lá, arrecadou a estatueta para a melhor actriz, confirmando o favoritismo que lhe era atribuído. Mesmo que o meu favoritismo fosse para Jennifer Jason Leihgt ("Os oito odiados", de Tarantino). 


Mas o que eu queria destacar mesmo é o oscar para a melhor música. Porque foi á volta desta categoria que ocorreram os dois mais marcantes momentos da cerimónia/espectáculo. Porque Ennio Morricone merece esta distinção e, aos 87 anos, já era tempo de a receber. Mas também porque gostei muito da banda sonora do filme de Tarantino. Como gostei do filme, como já se percebeu...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Corruptor/corrompido

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A Juíza de Instrução Criminal do Tribunal de Lisboa decidiu pela medida de coacção mais gravosa, alegando perigo de fuga e de "perturbação de aquisição e manutenção de prova", determinando a prisão preventiva do procurador Orlando Figueira. Que já seguiu para Évora, a prisão VIP do regime. Que não a prisão dos VIP´s do regime: a prisão dos VIP´s do regime do regime de VIP´s... 


Corrompido, parece que já há. Em indícios, evidentemente. Corruptor é que não... Se calhar é porque já não há Rui Machete para pedir desculpas...


Há casos em que acontece o contrário. No célebre caso dos submarinos é o contrário: só há corruptor; ninguém foi corrompido... Nunca apareceu. Nunca se deu por ele. Ou por eles...

Dito tudo

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Para o Dono Disto Tudo, Carlos Costa é o Culpado Disto Tudo... E nem parece grande exagero!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Ainda ninguém percebeu que é preciso deitar mão a isto?

 


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O Novo Banco apresentou ontem os resultados de 2015, o primeiro ano completo de actividade: quase mil milhões de euros de prejuízos. No ano anterior, com apenas quatro meses de actividade, os prejuízos tinham atingido quase 500 milhões: 1,5 mil milhões de prejuízos acumulados em menos de ano e meio. A que acescem 2 mil milhões de euros de dívida senior que de lá sairam para o BES, o banco mau. 


Já vai em 3,5 mil milhões de euros. No banco bom, imagine-se o mau... 


A CGD, que continua a acumular prejuízos, não só não devolveu o empréstimo do Estado, como vai ainda precisar e mais capital: 1,5 mil milhões, pelo menos. O BCP lá regressou aos lucros, mas ainda não teve condições para devolver o dinheiro do Estado. E o BPI, em vias de perder o seu braço de Angola, o BFA donde lhe vem 80% dos resultados, tem a sua estrutura accionista em processo de "banificação".


Salva-se o Santander. Mas, esse, quanto mais se "salva", menos se salva o país... Ou perto disso!


 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Surpresas ... ou talvez não!

 


Aí está o primeiro orçamento aprovado pela esquerda, unida. Já não é surpresa, surpresa seria agora se o não fosse. 


Surpresa é ver o liberais como Vítor Bento, e o PCP, do mesmo lado. Se esse lado for o da nacionalização de um banco, não é surpresa encontrar lá o PCP. Supresa é lá estar Vítor Bento. Mas se esse banco for o Novo dito, já com mais de mil milhões de prejuízos acumulados em menos de dois anos, já não é surpresa que lá esteja... Nacionalizar prejuízos - para os liberais - não é bem nacionalizar. Já para o PC, nacionalizar é bom porque sim. Porque lhe está na massa do sangue. E lá se vão as surpresas...


Surpresa também não é o bastonário da Ordem dos Médicos se opor à legalização da eutanásia. Já o sabíamos, mesmo que não saibamos onde acaba a posição pessoal e começa a corporativa. Surpresa é a argumentação rasca. Surpresa é que caia na pantominice de dizer que, com a eutanásia, quem hoje violenta física ou psicologicamente os idosos passaria a matá-los.


É isto que o bastonário está a dizer quando invoca estudos que indicarão que  "um quarto dos idosos é submetido a alguma forma de violência, seja física, seja psicológica”, para concluir que "certamente todos percebemos com facilidade que esses idosos que são submetidos a essas formas de violência, a partir do momento em que seja descriminalizada/ legalizada a eutanásia, vão ser coagidos a optar pela eutanásia".


Surpresa é que pessoas destas não encontrem formas mais sérias de defender as suas ideias.


Mas, surpresa mesmo, é que um alto magistrado do mais importante orgão de investigação de crimes de colarinho branco seja detido por suspeita de corrupção. Ou será que não?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Livro de reclamações

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Dizem os entendidos que Benfica e Porto foram beneficiados num penallti cada um neste último fim de semana. Ambos ganharam e ambos os converteram em golo. No fim das contas, só o do Porto foi objectivamente decisivo na vitória, já que ganhou por um golo (3-2), enquanto o Benfica ganhou por dois (3-1).


Na jornada anterior fora a vez do Sporting sair com benefício idêntico, com o árbitro a punir o adversário com um penalti por uma falta cometida fora da área. Isto para não recuar mais no tempo, e apenas para que fique claro que essas coisas acontecem com alguma frequência. Porque errar, todos erram. Porque esse erros são hoje mais escrutináveis que nunca, e há certamente muita coisa que se vê nas imagens que ao olho humano, no momento, naquela fracção de segundo, não é passível de ser vista.


Mas não é isso que me traz aqui. Melhor: o que me traz aqui só muito remotamente poderá ter alguma coisa a ver com isso. É que uns rapazes de uma claque do Porto, com o respectivo líder à cabeça, voltaram a protagonizar cenas inspiradas na velha Sicília, trazendo-nos de volta tempos que todos julgavamos bem enterrados no passado.


Uma coisa é que não haja praticamente notícia do submundo do crime no Porto que não dê nota de pessoas ligadas aos Super Dragões, deixando bem à vista os cruzamentos entre as claques do futebol e o crime organizado, que nem é novidade nem exclusivo de qualquer uma. Outra é a sua actuação criminosa enquanto tal, enquanto claque, enquanto estrutura institucional apoiada por um clube de futebol. Uma coisa é serem compostas por gente a quem se não conhece profissão, que faz da marginalidade modo de vida. Outra é organizadamente exibirem a intimidação e a chantagem. É espalhar o terror por onde passem e sempre que lhes apeteça. 


Têm agora a palavra as instituições do Estado de Direito. O gangsterismo não pode ficar impune. Onde quer que seja do território nacional. Seja qual for o sector da nossa vida colectiva. 


A GNR tomou conta da ocorrência. Mas o mais provável é que venha concluir mesmo que não passou de um grupo de amigos que numa segunda-feria decidiu ir jantar a uma cidade a 70 ou 80 quilómetros. Que entrou no primeiro restaurante que encontrou, sem qualquer ideia que pudesse ter alguma coisa a ver com o árbitro que terá errado a assinalar um penalti. Um, que não o que beneficiou o seu clube. Que não chamaram "pelo gatuno", mas apenas pelo livro de reclamações... 


Porque, afinal, como se vê pelas televisões e jornais, o que interessa são os penaltis. Isto não tem interesse nenhum!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Encanitado

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Nem sei o que me encanita mais. Se os penaltis do fim de semana vistos aos olhos dos grunhos da bola, se o eurojaoelhar de Passos Coelho, se as preocupações de  Duarte Marques, o de Mação, com a poluição de celuloses no Tejo, se os apelos de Vítor Bento á nacionalização do Novo Banco e ao reforço da banca pública...

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Concentração competitiva: cuidado!

 


 


O Benfica regressou ao campeonato... e ás vitórias no campeonato, num daqueles jogos em que só podia ganhar. Porque tinha de ganhar, se quer ganhar o campeonato nao pode perder mais pontos - pelo menos até ao jogo com o Sporting, depois logo se vê -, e porque foi a única equipa a fazer o que tinha de fazer para ganhar. Mas sabemos que às vezes não se ganham jogos desses...


Em Paços de Ferreira, com os benfiquistas mais uma vez em maioria nas bancadas, e mesmo sem fazer uma exibição de encher o olho, o Benfica voltou a criar muitas oportunidades de golo. Aproveitou apenas três, mas criou muitas mais, num jogo em que o adversário fez três remates à baliza e um golo, por um jóvem (Diogo Jota) que - diz-se - já é jogador do Benfica . Por sinal o melhor do jogo, mas nem por isso menos consentido... 


Com esse golo o Paços chegou ao empate - o Benfica marcara logo aos 13 minutos, por Mitroglou, depois de mais um toque de classe de Jonas - que durou pouco mais que um quarto de hora. Em cima do intervalo o Benfica fez o segundo golo. De penalti. Que não foi na altura contestado, mas que, como sempre, não deixará de o ser por estes dias. Semanas ou até meses, como esperamos... Nas repetições fica a ideia que o Jonas - que foge do contacto físico como o diabo da cruz - evitou o derrube saltando por cima das pernas dos adversários que o tentavam rasteirar. A intenção esteve toda lá, o facto acabou por não acontecer...


Na segunda parte o Benfica geriu o jogo. E a fadiga. E a descompressão, depois de uma série de dois jogos muito exigentes. E os amarelos. E os regressos dos lesionados. E deu para criar mais três ou quatro oportunidades e para a estreia de Lindelof a marcar, na réplica a uma jogada já vista no jogo com o Zenite, então com o Jardel a rematar. Mas ao lado.


No fim fica a ideia de alguma displicência do Benfica, particularmente perceptível logo a seguir ao primeiro golo. Pode ter sido apenas decompressão, mas é bom avisar que facilitar na concentração competitiva é abrir a porta às surpresas...


 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Para inglês ver

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Conhecía-se a despedida à francesa. Agora fica a conhecer-se a despedida à inglesa. É ficar, indo embora. Normal, em quem sempre foi ficando, sem nunca ter propriamente entrado...


Já se percebe bem para que irá servir o referendo. É para inglês ver!


 

Ainda sintomático

 


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Regresso ao sintomático, ao tema dos vídeos de António Costa: o actual primeiro-ministro, como afinal grande parte de nós, não acredita na isenção da comunicação social.


É impressionante o número de opinadores e comentadores instalados no espaço mediático, disfarçados de tudo. De economistas, de politólogos, de sociólogos e, pior que tudo, de ... jornalistas. Quase sempre, e de forma esmagadoramente maioritária, de direita...


Paciência. É a vida... São opções editoriais... São interesses do negócio... Uns gostam, outros não. Mas são comentários e são opiniões. Cada um dá as suas, aqueles vendem-nas... Quem não gosta pode sempre tentar desviar-se, olhar para outro lado... Mesmo que saiba que há sempre uma grande parte que não está em condições de fazer o mesmo.


Outra coisa é o jornalismo. E se poderemos reconhecer legitimidade ao negócio dos media para escolher o alinhamento dos opinadores e comentadores, já temos de considerar absolutamente ilegítimo que desvirtuem o jornalismo. Na sua essência: na ética, na independência e no rigor. No seu profissionalismo.


É aqui que está o verdadeiro problema. Por razões económicas, provavelmente até mais fortes que as ideológicas, o negócio da comunicação social está a acabar com o jornalismo. Sério, responsável e independente.


O jornalismo é caro. Exige profissionais de qualidade e multidisciplinares. E meios, e tempo. Nos espaços de informação, da responsabilidade de jornalistas, exige-se uma abordagem isenta, que explique o que está a acontecer e as consequências do que está a acontecer. E não uma versão convenientemente embalada nas redes sociais e nos gabinetes de comunicação pronta a consumir como instrumento de propaganda. Que é fácil, é barata e ... até acaba por dar milhões...


Qualquer jornalista sabe, ou tem obrigação de saber, que isto não é nem jornalismo nem honesto. Mas tem necessidades mais básicas para satisfazer. E pelo salário hoje tudo se faz. Até pelo que se não recebe, como acontece em tantos e tantos casos. Cada vez mais. Tanto mais que muitos acabam, depois, por ir também vender opiniões afirmadamente disfarçados de jornalistas.


 


 


 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Coisas de um país assim

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Um miúdo de 12 anos - não interessa quem - é chamado a depôr em Tribunal num processo que envolve os pais - não interessa quem - com a natural garantia de que tudo o diga lá fica, e de lá não sai. Na sala de audiências, para além do rapaz, apenas três pessoas: o juiz - ou a juíza, não interessa quem - um representante do Ministério Público e outro do Instituto de Medicina Legal. No dia seguinte, tudo o que o que disse estava escarrapachado nas capas das revistas cor de rosa. Em discurso directo!


Uma menina de ano e meio é resgatada das águas sem vida. A irmã, de três - ou quatro, não interessa - continua por resgatar, depois de três dias de buscas. A mãe, que as deitou ao mar, foi recolhida, levada ao hospital, e depois detida, num cenário arrepiante e num enredo da mais alta miséria humana.


Em 2011, logo que chegou ao governo, Assunção Cristas nomeia um seu colega de partido - John Antunes - por acaso ligado à sua candidatura às legislativas, por Leiria, para a presidência da Parque Expo, com a missão de a liquidar até ao fim de 2013. Em 2016 a missão está por cumprir. A empresa continua de vento em popa a sorver dinheiros públicos, em contratos assinados por ajuste directo. Ainda agora mais dois contratos milionários de acessoria jurídica com gente ilustre do partido que Cristas vai liderar.


O governador do Banco de Portugal, que tem impedido a divulgação de um relatório da Boston Counsulting Group que o responsabiliza por erros graves na condução do processo BES, contratou um secretário de estado do governo que em fim de mandato o reconduziu, para vender o Novo Banco. Para o que acaba de contratar um agonizante banco alemão, juntando - tudo ao molho e fé em Deus - Deutsche Bank, BNP Paribas, TC Capital, o escritório de Vieira de Almeida (sempre em todas) e o próprio ex-secretário de estado, Sérgio Monteiro. Que agora está proibido de contactar com José Veiga, a quem o Banco de portugal proibiu a venda do Banco Internacional de Cabo Verde (Novo Banco), depois do governo a que Sérgio Monteiro pertencia ter mudado a legislação para que o Novo Banco lho pudesse vender. 


Começa a ser difícil acreditar num país assim...


 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Sem que nada se passe...

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Entretanto, do Orçamento de Estado, sem ninguém dar por nada, continua a sair cada vez mais dinheiro por conta do BPN... Daquele que ninguém contesta. Nem Bruxelas, nem Passos, nem Portas, nem Cristas, nem Rangel... Este ano são mais 567 milhões de euros, mais quase 40% que no ano passado. Desde 2012, a soma já vai em 3.020 milhões...


E tudo continua como se nada se passasse... Ninguém está preso. Ninguém é julgado. Nem sequer ninguém sai do PSD... Continuam lá todos...

Acredita mesmo que somos todos parvos...

 



(Roubado daqui)


 Se não, o que é lhe teremos de chamar?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Agarrada ao trilho


 


Foi um Benfica debilitado, ainda com a angústia de sexta-feira à noite, aquele se apresentou na Luz para começar a discutir com o milionário Zenit o acesso aos quartos da Champions.


É certo que a equipa não se descaracterizou, que se manteve fiel à sua matriz, mas sentiu-se alguma tremideira, pelo menos enquanto a equipa treinada por André Vilas Boas e capitaneada por Danny teve forças. Mesmo assim, mesmo enquanto duraram as forças dos colegas de Witsel, Javi Garcia e Garay, só o Benfica criou oportunidades para marcar. Poucas, é verdade, mas foram as que o jogo tinha para dar...


O Benfica teve bola como poucos. E até como em poucos jogos, a rondar uns improváveis 70%. Inimagináveis para um jogo de champions. E á medida que o tempo ia passando ia acentuando a sua superioridade, encostando o adversário lá atrás e criando sucessivas oportunidades para marcar.


Golos é que não, a lembrar a tal sexta à noite. Até que mesmo à beirinha do fim, em cima dos noventa, chegou o golo que deu a vitória. Curiosamente na única oportunidade em que aproveitou uma jogada de bola parada. Nunca em nenhum outro jogo o Benfica tinha estado tão mal nos lances de bola parada, não criando uma única situação perigosa nos inúmeros cantos e livres de que desfrutou.


Sabemos que o um a zero é sempre um resultado simpático neste tipo de competições. Não é um grande resultado mas, para já, é uma vitória moralizadora e capaz de manter a equipa no trilho que trazia. É um resultado que faz de sexta-feira à noite um simples acidente, que não passou de um encontrãozito, insuficente para fazer saltar a equipa do trilho das boas exibições e das vitórias.


Se dá para chegar aos quartos? Isso agora não é o que mais importa.


 

Tudo mal contado

Capa do Jornal Negócios


 


Como os chineses usaram a Azul para entrar na TAP?


Ou como Nielmen usou os chineses para entrar na TAP?


Ou como a TAP, Nielmen, Pedrosa e o governo usaram os chineses para arranjar dinheiro?


Ou como isto anda tudo mal contado?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sintomático

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António Costa entendeu por bem começar a comunicar directamente com os portugueses. Escolheu por meio o vídeo, e as redes sociais como forma. São já conhecidos dois desses vídeos onde, pausada e tranquilamente, o chefe do governo começa por explicar o contexto do OE 2016 e algumas das suas medidas.


Como não poderia deixar de ser, ouviram-se já as mais disparatadas reacções a esta iniciativa. A começar por gente da comunicação, onde houve até quem viesse compará-la às “conversas em família”, de Marcelo Caetano, que nos deixa sempre na dúvida se é ignorância ou simples má-fé. 


Nada contra, por princípio (mesmo reconhecendo alguns riscos), que os mais altos dirigentes do país se dirijam directamente aos cidadãos. Nos tempos que correm, na sociedade da comunicação em que vivemos, isso é cada vez mais normal. E quem o fizer bem, sem manipular conteúdos e meios, sem cassete e sem poluição (os riscos estão aqui), está apenas com os pés bem assentes no presente.


António Costa não está com isto a pretender pôr um pé no futuro. Nem sequer me parece que tenha acordado de uma visão revolucionária. António Costa apenas percebeu o que toda a gente também já percebeu: que não encontra mensageiros na comunicação social, que os media deixaram de ser um intermediário isento e sério da comunicação. Que não passa o que disser, mas o que quiserem fazer passar que disse...


Sempre dado por ter boa imprensa, como um dos políticos com melhores relações pessoais no meio, António Costa não seria certamente a pessoa mais vocacionada para fazer esta ponte, e passar por cima do velho instituto das democracias que é a comunicação social. É por isso ainda mais sintomático que o tenha feito!

Moléstia


 


Passos Coelho não pára de nos surpreender. Quando pensavamos que já tínhamos visto tudo, que tinha esgotado todos os truques, tem sempre um novo coelho pronto a saltar da cartola.


A última não lembraria ao diabo, mas lembrou-lhe a ele: inaugurar uma escola. Nem mais, Pedro Passos Coelho vai hoje inaugurar uma escola. Que na melhor tradição do corta-fitismo, já está a funcionar vai para três anos!


Haveremos ainda de ouvir falar na riqueza simbólica do gesto. Afinal foi ele que ganhou as eleições...


O que é de mais é moléstia, diz o povo. E isto é lata, falta de vergonha, a mais. Esta moléstia raia a loucura...

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Empreendedorismo gourmet

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A propósito desta coisa do Dia dos Namorados, numa das televisões ouvi uma senhora - apetecia-me dizer gaja, mas não digo -  falar de sexo gourmet. Só faltava esta: o gourmet chegar também ao sexo. No meio de tanto disparate percebi que a conversa servia também para promover o livro que a gaja - desculpem, agora não resisti - tinha escrito. Lá estava, bem à vista das câmaras: "O melhor sexo do mundo". Só podia... O título da obra não podia ser outro.


As câmaras são tão insistentes que  para além do "melhor sexo do mundo" vê-se ainda o nome da autora e a profissão: coacher sexual!


Não fazia ideia que o coaching tinha já chegado ao sexo. Admitia que pudesse acontecer o contrário, mas depois da empreendedora inovação do sexo gourmet tudo pode acontecer. Empreendedorismo é isto. Gourmet, também!

Passos Coelho pensa que somos todos parvos. E se calhar somos...

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Pedro Passos Coelho quer explicações sobre o Banif. Mas não dá esplicações sobre o Banif... Nem dá explicações sobre o BES. Nem sobre o BPN. Nem sobre o dinheiro metido na EFISA, do mesmo BPN, para a entregar ao inseparável Miguel Relvas.


Passos Coelho já tinha acabado com a austeridade. E não percebe que o governo possa redistribuir o que não há. Passos Coelho agora é social-democrata...


Passos Coelho pensa que somos todos parvos. E se calhar somos... Se calhar essa é a única coisa certa que lhe passa pela cabeça...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O futebol é isto mesmo...

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O futebol é isto mesmo - diz em futebolês. Não sei se é isto mesmo, sei é que tem muito disto.


O Benfica estava imparável. O Porto de rastos. O Benfica respirava confiança, o Porto desconfiava até da própria sombra. O Benfica, para além de vir a jogar muito bem, evidenciava uma notável eficácia na hora de atirar ao golo. O Porto, mesmo não jogando muito bem, criava muitas oportunidades mas aproveitava poucas.


O início do jogo mostrou bem qual era o ponto de partida de cada uma das equipas. Bem por cima, e com o Porto amedrontado, o Benfica chegou cedo ao golo. Diz-se que, nos clássicos, marcar primeiro é um trunfo forte e, ao fazê-lo, o Benfica ficou com tudo para ganhar o clássico, e enterrrar de vez as aspirações do Porto neste campeonato.


Só que - lá está - o futebol tem muito disto. Na primeira vez que remata à baliza, num remate muito facilitado e onde, depois, Júlio César não fez tudo o que se exegia, o Porto empatou. Nada que assustasse ninguém, a superioridade do Benfica era evidente, mesmo que aquele golo tivesse ressuscitado os jogadores do Porto. E as oportunidades de golo iam-se sucedendo, todas para o lado do Benfica. No fim, contam-se dez!


Não me lembro de um clássico tão desnivelado, e com tantas oportunidades de golo. Só que o invulgar nível de desperdício do Benfica, e a memorável exibição de Casillas, que negou cinco golos em outras tantas defesas soberbas, não permitiram que o resultado traduzisse a enorme superioridade do Benfica neste jogo. 


E vem ao de cima outra velha máxima do futebolês: quem não marca sofre. E lá está outra vez: o futebol tem disto, e foi o Porto a fazer o segundo golo na terceira oportunidade que criou. A segunda tinha acontecido pouco antes, no mesmíssimo contexto de jogo.


E aí o jogo acabou. Os jogadores do Benfica sentiram a injustiça do resultado, e com o desperdício de mais duas oportunidades logo de seguida, deixaram de acreditar. Ao contrário do também habitual, as substituições correram todas mal. A de Salvio, mais do que à procura do milagre, foi apenas para puxar pelos adeptos na expectativa que fossem eles a levantar a equipa para o assalto final.


Nada resultou. Espero que não fiquem marcas. Nem dúvidas na cabeça dos jogadores. Nem na dos adeptos. Não adianta lembrar que com esta derrota o Benfica já só pode aspirar a fazer 25% dos pontos em disputa com os rivais na disputa do disputa do título. Todos os jogos têm a sua história, e essa é apenas a dos números!

O regresso de Schäuble

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Os mercados - ei-los de novo - estão nervosos. E terão razão para isso: por todo o mundo as bolsas caem e os rumores de novas bolhas prontas a rebentar sucedem-se. Na Europa as coisas não estão melhor, antes pelo contrário. Em Espanha - sem governo, nem solução à vista - o IBEX (o índice bolsista da Bolsa de Madrid) já caiu, este ano, mais de cem milhões de euros. Em França, a Societé General, o maior banco francês, afunda-se. E, the last, not the least, nos mercados ninguém acredita na solvência do Deutsche Bank. Isto é, também a poderosa e irrepreensível Alemanha está a assistir ao colapso do seu maior banco.


Não são, pois, poucas as razões de susto para os mercados. Reparo, com surpresa, que nenhuma tem o que quer que seja a ver com Portugal. Alguma coisa me deve ter falhado, porque Herr Schäuble, o visionário ministro das finanças alemão, para gáudio dos seus admiradores em Portugal - na primeira linha dos quais está Passos Coelho, que até já aproveitou a maré - gritou bem alto, e com o habitual dedo (torto) em (pouco) riste, que "Portugal não pode continuar a perturbar os mercados".


É isto a Europa de Schäuble e da direita míope que a está a destruir. Não há qualquer problema económico numa economia que há anos está estagnada e que não encontra saída para o crescimento. Não há problema social que tire o sono a ninguém, quando o desemprego continua sem solução. Não há problemas políticos para resolver em lado nenhum, quando valores democráticos - fundamentos da integração e condição indispensável à adesão - estão postos em causa nalguns países membros. Não há nenhum problema no seu sistema financeiro, quando os seus maiores bancos começam a dar maus sinais. Não há qualquer problema com Schengen. Não há problemas com a Inglaterra. Não há problemas com os milhões de refugiados que estão a entrar pelas suas fronteiras dentro. Não há qualquer problema que regiões do globo estejam a ser destruídas, e a alimentar o infindável surto de refugiados que de lá são obrigados a fugir.


Problema, problema sério, é Portugal. Só porque a maioria dos eleitores disse que a receita do Sr Schäuble, aplicada durante quatro anos, e ao contrário do que ele continua cegamente a garantir, não funcionou. E que, por isso, tinha de ser abandonada!


 


 


 


 


 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Há coisas que nunca mudam...

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Rui Moreira, o presidente da Câmara Municipal do Porto, regressou ao futeboleiro tempo dos que queriam ver Lisboa a arder. Eleito - muito provavelmente - à custa da notoriedade das palavras na bola, no polo oposto ao seu antecessor, e sem oportunidade para abrir as portas e as varandas da câmara aos festejos do seu clube, para por elas entrar o ar que lhe segurará os votos, à falta de outras asas, Rui Moreira agarra-se às da TAP. E pelo caminho vai distribuindo uns pontapés por Lisboa...


Há coisas que nunca mudam...


 


 


 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Dos conselhos aos milionários

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A esquerda é historicamente acusada de reivindicar uma certa superioridade ética e ideológica. E de arrogância, quer na forma como o faz, quer na forma com que se apropria de alguns temas tidos por fracturantes.


Dou por mim muitas vezes a pensar se não terá sido exactamente aqui, nesta acusação - ou na forma como a agarrou -, que a direita começou a ganhar a batalha do combate ideológico. A verdade é que, independentemente de onde e quando começou a ganhar esta batalha, a direita domina hoje o debate ideológico. Para isso muito contribuiram os últimos anos de governação, certamente a mais ideológica da nossa democracia, as novas tecnologias de informação e as novas formas de comunicação - as redes sociais são o que são, mas são ainda o que fizeram a comunicação profissional ser. Os jornais adoptaram os padrões tweeter ou facebook, o toca e foge, o inviesamento, as gordas manipuladas a preceito, sempre ao lado da leitura mais fácil.


Por exemplo: no sábado, no conforto dos militantes do seu partido - que, tendo em consideração o desgaste das últimas semanas, deve ter sido uma coisa parecida com o chegar a casa no fim de um dia complicado e esticar as pernas no sofá, em frente à lareira - António Costa, em evidente descompressão, produziu alguns comentários em torno das consequências fiscais de algumas das medidas do orçamento. Logo foram ridicularizados nos "conselhos de Costa", e potenciados através de página própria no facebook, e logo daí inundaram os jornais, criando uma dinâmica onde já fica difícil saber onde está o ovo e onde está a galinha.


Ontem, em entrevista ao Diário de Notícias, o ministro das finanças, Mário Centeno, perguntado como classificaria alguém que tem um rendimento bruto de 2000 euros por mês, disse: "Lá está, uma pessoa que tem um rendimento bruto de 2000 euros por mês está numa posição da distribuição de quem paga impostos em Portugal, altamente privilegiada. Se isto faz dessa pessoa uma pessoa rica ou não… garanto-lhe que não faz". Para título, para as gordas, o DN foi logo buscar: "Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada". Em menos de um fósforo, nos jornais, televisões e redes sociais o ministro das finanças era acusado de chamar milionário a quem tem um rendimento bruto de dois mil euros mensal...


 


 


 


 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Repor, o mesmo que recuperar...*

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Sempre nos fez muita confusão esta coisa dos preços dos combustíveis. Sempre suspeitamos de coisas estranhas: de cartelização de preços, de falta de transparência. De nos estarem constantemente a ir ao bolso...


Claro que, depois, haveria sempre de surgir qualquer coisa que nos tranquilizasse. Isto não é uma república das bananas nas mãos dos senhores das petrolíferas. Primeiro, e a bem da transparência, vieram uns painéis nas auto estradas com os preços afixados. Eram todos iguaizinhos, mas isso é concorrência. Da melhor... Depois vinha sempre um senhor explicar o pricing da coisa, que dava sempre as contas por certas. Por acaso era um senhor da respectiva associação empresarial, mas isso decorria certamente da complexidade do tema, que obrigava a recorrer a um verdadeiro especialista na coisa. E para explicar a coisa nada melhor que o dono da coisa.


Mesmo assim, depois de tantas vezes explicado que as petrolíferas não tinham nada a ver com os escandalosos preços que víamos estampados nas bombas de gasolina, ninguém percebia como é esses preços não caíam mais que uns meros 10% quando o preço do barril de petróleo caiu dos 130 para os 25 dólares. Há uns dias atrás, um senhor que também sabe muito de petróleo - e não só, até porque é um engenheiro economista -, Mira Amaral, explicava que as petrolíferas estavam a aproveitar os preços do petróleo para repôr margens. Decifrada a linguagem, percebemos que não andavamos muito enganados quando desconfiavamos que eles estavam a ir com toda a força aos nossos bolsos para encherem pornograficamente os deles. 


Ontem soubemos que em 2015 a Galp aumentou os lucros em 71,5%, de 373 para 639 milhões de euros. Ora aí está, concluirá apressadamente o leitor. Enganou-se, não é nada disso: este crescimento de lucros só foi possível - para além dos enormíssimos méritos dos seus gestores, que por isso irão moderadamente receber os mais que justíssimos prémios - graças ao aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil (mérito, muito mérito outra vez para os gestores, que conseguem que corra bem onde tudo corre mal). E claro, mas em muito menor expressão, pela "recuperação das margens de refinação europeias", que Mira Amaral já avisara. Repôr, dizia este. Recuperar, dia a administração da Galp. Nós, sempre distraídos, é que nunca tivemos oportunidade de perceber onde tinham perdido o que agora repuseram. Ou recuperaram...


Se calhar perderam-no num dos muitos aumentos dos impostos a que todos os governos têm lançado mão... Como agora, mais uma vez. Dizem-me aqui que não, que o presidente da Galp já veio dizer que ninguém pode contar com isso. Que impostos, são impostos. Têm mesmo de ser repercutidos no consumidor...


 


* Eu sei que o título é malandro


 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Irrevogável falta de vergonha

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Enquanto a PaF completa e sem excepções - sim, é como uma praga, subsiste mesmo depois de declarada extinta - com Cristas na crista da onda, lançava apelos lancinantes (inclusivamente a partir do Parlamento Europeu, com Paulo Rangel a ultrapassar todos os limites), à Comissão Europeia para que vergasse o governo português ao chumbo do Orçamento,  Paulo Portas pedia "a Bruxelas que não fosse intransigente com Portugal". Em privado, baixinho não fosse alguém ouvir... 


Que irrevogável falta de vergonha!


 

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Incompreensivelmente tarde...

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A ERC demorou muito tempo a perceber que os operadores de televisão andavam a  enganar as pessoas que têm à sua mercê, de frente para o ecrã. Depois de tantos anos - por aqui há muito que denunciamos o escândalo - o regulador oficial descobriu finalmente o que toda a gente tinha todos os dias à frente dos olhos. Mas só agora é que essas "práticas enganosas e agressivas" das televisões começam a ser objecto de sanção.   


Mais vale tarde do que nunca. Mas é muito tarde... Incompreensivelmente tarde!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Isto é de treinador...

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Sendo o primeiro a entrar em cena, ou o último, sempre a mesma resposta. A pressão é apenas a de jogar bem e ganhar. De ganhar bem, por muitos... Categoricamente, sem qualquer sombra de dúvidas. Sem penaltis, nem cotoveladas, nem Tonel... Com tranquilidade, sem confusões no banco. Com árbitros, árbitros assistentes e quartos árbitros em paz... Por três, quatro, cinco ou seis. Jogo após jogo.  


É isto, este Benfica. Uma máquina de jogar bom futebol e de marcar golos. Que pega no jogo logo que a bola sai do centro do campo, tocada pela primeira vez, e empurra o adversário lá para trás, encosta-o às cordas e sufoca-o até que comece a cometer erros. Uma espécie de semear terror para colher medos, numa fantástica história cantada numa bela peça de ópera. 


Olhando para trás, e apenas para os últimos seis anos, que guardam o melhor da História do Benfica do último quarto de século, e imaginarmos qualquer dessas equipas sem Luisão, Gaitan, Salvio e Maxi (era o que havia, não havia Nelson Semedo).  Sem o trinco, fosse lá quem fosse. Sem capitão. Tudo ao mesmo tempo, seria imaginar um cenário de terror. Neste Benfica é apenas mais uma etapa de crescimento, uma oportunidade a dar a novos jogadores, a forma de atingir novos patamares de exigência... Em qualquer desses gloriosos anos, com dois dos três centrais lesionados, recorrer-se-ia sempre a outro dos consagrados. Geralmente recuava o trinco: lembramo-nos de Katsouranis, de Javi e de Fejsa. Neste Benfica, vai-se procurar outro central, tenha lá a idade que tiver. E a experiência que tiver...


Isto, meus amigos, isto é de treinador. Este Benfica, é este Benfica por ser o deste treinador. É mérito indiscutível de Rui Vitória que, à medida que foi - também ele - ganhando confiança, se libertou de tudo o que o peava e se soltou de todas as amarras. Internas e externas!


A propósito: alguém imaginou ver este Mitroglou? Ficou-lhe mesmo bem, este hat-trick do Restelo...


 


PS: Não preciso que ninguém me venha dizer que também eu bati em Rui Vitória. Bem sei que sim. Com a mesma convicção e o mesmo sentido de justiiça com que agora o coloco nos píncaros.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Ora aí está!

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Percebeu-se que algum travão foi posto nas intenções mais agressivas que os mangas de alpaca de Bruxelas apontavam ao Orçamento de Estado, que hoje lhes será entregue. Diz quem sabe que António Costa fez uma espécie de trade off, com um ligeiro e bem burilado fundo de ameaça. Em bom português seria mais ou menos assim: se chateiam muito lixo-vos esse negócio com os ingleses. E siga para Brexit. Não exactamente neste bom e escorreito português, mas na mais arrevesada e conveniente linguagem diplomática.


Entre quem sabe - e quem o diz - está Wolfgang Münchau, o influente jornalista de negócios alemão, que aplaude a forma discreta e eficaz como António Costa soube diplomaticamente mostrar a força que, em determinadas conjunturas, se tem. E acrescenta mesmo que estranho é que os países da Europa do Sul tenham demorado tanto em "defender os seus próprios interesses." 


Ora aí está!


 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Viva o orçamento!

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É hoje aprovado em conselho de ministros o Orçamento de Estado para 2016, o prato principal do menu da direita ressabiada na últimas semanas. Fizeram de tudo: arrasar tudo o que fossem medidas ou contas, liquidar a credibilidade de tudo e de todos, e até anunciaram o colapso eminente de Portugal, geneticamente transformado em Grécia.


Hoje é aprovado - e dada a devida nota de tranquilidade ao ainda Presidente da República - e amanhã será entregue em Bruxelas. Depois, os jornais, jornalistas e comentadores que têm vivido disto, e para isto, vão de férias por uns dias. 


De todo este frenesim, assentada a poeira, ficam a calma e o saber de António Costa, e mais uns impostos para pagar. Desta vez sobre o consumo, que dói menos. Mas dói...


Sobre os combustíveis e sobre os automóveis. Quer dizer, sobre quem usa o automóvel, que somos quase todos. Sobre o tabaco, que não somos quase todos, mas também parece que não somos cada vez menos. Sobre o crédito ao consumo, onde voltamos a ser cada vez mais. 


Também toca à banca, como é de bom tom, mas nem assim deixa de nos tocar a nós. Desses nunca nos livramos, repercutem-nos tudo menos os lucros... E chega-se finalmente aos fundos imobiliários, que deixam de estar isentos de IMI. Ao contrário da Igreja, que continua.


Nunca comem todos. A moralidade anda pelas ruas da amargura...


E por isso as rendas da energia, agora entregues mensalmente aos chineses, continuam intactas. Limpinhas... Poupada é também a grande distribuição, que até o pouco que paga vai pagar à Holanda. Também não adiantaria muito, voltariamos a ser nós a pagar: ou como consumidores, ou como produtores!


Viva o orçamento!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Mais contos de criança

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Ao mesmo tempo que, pela calada da noite - perdão: pelo meio do ruído da campanha eleitoral, no Verão - triplicava o vencimento dos gestores do orgão regulador da navegação aérea, que teria de dar parecer positivo à privatização da TAP, o governo de Passos Coelho vendia a Efisa por 38 milhões de euros, depois de lhe entregar 90 milhões para aumento de capital.


No meio do barulho eleitoral, enquanto anunciava a devolução da sobretaxa, o crescimento imparável da economia e do emprego, e anunciava o fim dos cortes extraordinários, que em Bruxelas garantia serem estruturais, o governo de Passos, Portas e Maria Luís entregava 52 milhões de euros a Miguel Relvas para este lhe fazer o favor de ficar com o antigo banco de investimentos do BPN.


Este é  mais um dos muitos contos de criança de Passos Coelho. A Mariana Mortágua conta-lho com mais - e interessantes - pormenores... Um deles é que Relvas está a pedir ao Banco de Portugal que lhe ateste a sua idoneidade para ser dono de um banco.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O elo mais fraco


 


Todos os governos têm o seu elo mais fraco, que rapidamente se transforma em vítima de uma espécie de bullying. É como que sagrado: se não há um gordo - escanzelado também serve - de óculos de fundo de garrafa, que salta logo à vista, a escolha da vítima não perde por isso. De resto, se não há estereótipo tanto melhor - assim escolhe-se quem mais interessa. Normalmente onde dói mais. Ou onde julgam que provoca mais dor...


Este governo já tem o seu elo mais fraco. Já está escolhido: Mário Centeno, evidentemente!


E a partir daí pouco importa se um dos que mais molha a sopa é até um caixa de óculos baixinho e gordinho... Que é como quem diz: o gajo menos credenciado para a vil tarefa!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Oportunismo: a mais poderosa de todas as tentações!*

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Parece que o PSD está a tentar acertar o passo e corrigir os desvios dos últimos anos. Se assim é, saúdo vivamente a inflexão, que poderá voltar a cativar muita gente que deixou de se rever na deriva liberal populista do partido, capturado num aparelho de interesses dirigido por gente pouco estimulante, para não dizer outra coisa. 


É tempo disso, de regresso à matriz social-democrata. A eleição de Marcelo - mais que a eleição, a forma como foi construída -, por uma lado, e a entrega do CDS ao seu próprio destino - "bem entregue", como se vai vendo pelo discurso de Cristas - constituem a oportunidade para a reconciliação do partido com as ideias da social democracia e para a recuperação de algumas das suas mais produtivas élites.


O problema é fazer isto com as mesmas pessoas. A dificuldade está em acreditar que  quem vai tirar o partido daqui sejam os mesmos que lá o meteram. Pois é: a oportunidade está aí, mas o oportunismo também... 


 


* A expressão até pode ser minha, mas a ideia já nos foi deixada por Agostinho da Silva há muitos, muitos anos.


 

Rendidos à evidência

 


 


Capa do A BolaCapa do RecordCapa do O Jogo


 


É pá... Anda aí tanta gente incomodada com isto... Mesmo daqueles que dizem que não ligam nada a futebol. Não ligam mas ficam muito incomodados. 


Deixem lá. Isso passa... Mais semana menos semana isso acaba por passar.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...