terça-feira, 29 de novembro de 2016

E por que não ficam para amanhã?

 


Imagem relacionada


 


Se calhar não havia melhor maneira de assinalar o regresso do feriado do 1º de Dezembro que uma visita - em grande e "à séria", à boa maneira antiga, com o povo na rua a gritar vivas ao rei e piropos à rainha - dos reis de Espanha. 


Já agora: e por que não ficam para amanhã? 


Bebiam mais um copo e sempre davam algum salero às comemorações oficiais. E assistiam até ao desfile nacional das bandas filarmónicas. O que - quem sabe? - levaria até a RTP à sua transmissão em directo... E, veja-se bem as voltas que isso daria, a encher a alma do José Ribeiro e Castro...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Isto é manha

 


 


Imagem relacionada


 


"António Domingues deixa a presidência da Caixa Geral de Depósitos por achar que o banco está a ser usado como arma política. A SIC sabe que a saída não se deve à polémica com as declarações de património, que até já entregou no Tribunal Constitucional, mas sim ao que considera ser a falta de apoio de governo".


É disto que vemos todos os dias. E a isto chamam informação. Chamam-lhe até informação de referência. 


O presidente demissionário da Caixa deixou claro que "o banco está a ser usado como arma política", como de resto toda a gente tem percebido. À falta de argumentos, como se tem visto, o PSD não tem tido outro assunto para o circo que faz da política. Mas nada disto tem importância nenhuma, porque a SIC sabe que António Domingues apenas se queixa da falta de apoio do governo. Mesmo que tenha acabado de acabar de dizer que não tinha sido de nada disso que ele se tinha queixado!


Em bom rigor, isto nem é falta de rigor. É manha!


 


 

Já nada limpa nada!

Imagem relacionada


 


Agora já entregaram... Quer dizer: alguns entregaram, não se sabe quantos. Nem quem. Mas a notícia aí está, destinada a limpar qualquer coisa...


Não limpa nada. Esta é uma fotografia onde todos ficam mal. Fica mal o governo, fica mal o primeiro-ministro. Fica mal o ministro das finanças. Ficam mal os administradores da Caixa. Fica mal Passos, que já não fica bem em nenhuma. Ficam mal uns esganiçados deputados da oposição. Não há quem se possa ver... Nem o presidente Marcelo escapa.


Mal fica também a Caixa. Mas não é só na fotografia...


Já nada limpa nada!

domingo, 27 de novembro de 2016

As costas de Costa

Imagem relacionada


 


António Costa não quis comentar a demissão de António Domingues. Não devia. Estava  mesmo obrigado a fazê-lo. Fosse onde fosse. Fosse em que circunstâncias fosse. 


Já tinha conhecimento da demissão desde a passada sexta-feira, e tinha obrigatoriamente de estar preparado para ser questionado onde quer que fosse. Este não é um fait divers, é o mais importante problema do país neste momento!


Há momentos em que um primeiro-ministro não pode virar costas.

Cardápio inejável

 


 


O Benfica ganhou por 3-0 ao Moreirense, no jogo da décima primeira jornada, hoje disputado na Luz, de novo de casa cheia.


Começo por aqui, pelo resultado, porque se fala por aí muito de eficácia. Os três golos que o Benfica marcou, representam menos de um terço das ocasiões que criou, coeficiente que nem foge muito dos padrões normais, em especial nos jogos deste tipo. O que quer dizer que para ganhar estes jogos, que são para os candidatos ao título a imensa maioria deles, é preciso volume e qualidade de jogo capazes de criar sucessivas oportunidades de golo. Criar uma, duas ou três é curto... Simplesmente porque desperdiçar duas ou três oportunidades por jogo é normal.   


Enfiada a carapuça por quem a deve enfiar, este jogo foi um postal ilustrado do que são os jogos na Luz neste campeonato. Um adversário com os jogadores todos lá atrás, em cima da baliza. Que correm até poder atrás da bola, que entram sem dó sobre os jogadores do Benfica, e que queimam tempo desde o primeiro minuto. E um relógio inclemente e determinado em chegar ao minuto 90.


Perante este cenário, o Benfica entra forte. Se as coisas correm bem, e nas primeiras duas ou três oportunidades chega ao golo, o jogo abre, as oportunidades sucedem-se e os golos surgem à cadência dos índices normais de aproveitamento.


Não aconteceu assim neste jogo. Nem mesmo depois do primeiro golo - que só chegou aos 32 minutos, em mais uma bela jogada concluída, com classe, por Pizzi - o Moreirense alterou a sua postura. Continuou exactamente na mesma, como se o resultado se mantivesse em branco.


E o Benfica abriu o compêndio, donde saiu um invejável cardápio de soluções para este tipo de problemas. Ora acelerando pelos alas até à linha de fundo, ora entrando em tabelas pelo centro. Ora tranquilamente fazendo circular a bola, ora com desmarcações entre as linhas de defesa do adversário. Ora transportando a bola desde trás, ora com surpreendentes lançamentos longos a rasgar a defesa contrária. Tudo isto com o cerebral do Pizzi ao botão do comando!


E foi assim que as oportunidades foram surgindo ao longo dos 90 minutos. Como nem todas podem ser aproveitadas, só deu em três golos. Pizzi – tinha de ser – bisou. Raul Gimenez fechou!


Para que nada faltasse no postal ilustrado até as lesões lá estão. Desta vez a fava saiu ao Eliseu, deixando o Benfica sem lateral esquerdo. Mas há André Almeida. Sempre disponível para tudo, e sempre ao mais alto nível.


Alguém se lembrou que só tinha ainda jogado 28 minutos nesta época?       


 


 


 


 


 


 

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro (1926-2016)

Imagem relacionada


 


Morreu o rosto da revolução. Um mito que inspirou sonhos e frustrações, alentos e desalentos, vitórias e fracassos. Paixões e ódios. Se procurarmos na História um rosto para a revolução talvez não econtremos outro mais icónico. Um símbolo de luta e de resistência que marcou gerações... E a História. Que dele fará o julgamento final.


Só Ela tem essa competência! 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Sintomas

Resultado de imagem para democracia americana


 


Só agora terminou a contagem dos votos dos americanos nas eleições presidenciais. E com algumas novidades. E até algumas surpresas!


Não é novidade que Hillary Clinton foi mais votada que o presidente eleito. Soube-se logo na própria noite das eleições. O que é novidade é a expressão dessa diferença, a favor da candidata derrotada. Mais que novidade, é até surpresa tenha obtido mais dois milhões de votos que Trump.


Mesmo ainda antes de conhecida em toda a sua extensão, esta circunstância tinha já suscitado uma petição dirigida ao colégio eleitoral, assinada de imediato por milhões de americanos, para que os grandes eleitores não respeitassem o mandato do Estado que representam, mas o do voto popular. Para que, no próximo dia 19 de Dezembro votassem no candidato efectivamente mais votado, o que a Constituição americana prevê mediante o pagamento de uma multa. Que os subscritores se dispunham a pagar…


Agora, um grupo de reputados especialistas em informática emitiu um relatório que sugere que o voto electrónico em três estados que deram a vitória a Trump teria sido manipulado, conclusão a que chegaram depois de análise estatística aos votos contados através de sistemas informáticos e aos contados por métodos tradicionais. E entregou-o à equipa de Hillary Clinton com a recomendação de impugnar os resultados e de requerer a recontagem dos votos.


São já muitos, e muito visíveis, os sintomas de que a maior democracia do mundo está doente. Bem sei que há gente que gosta de dizer que há quem diagnostique estas doenças sempre que os resultados não convergem com as suas opções. Mas se isso não for reduzir os problemas a uma expressão tão simples que os desvirtua, é apenas retórica descartável!

Acabem lá com a brincadeira!

Imagem relacionada


 


António Domingues participou nas reuniões com Bruxelas para negociação do processo de recapitalização da Caixa .Mas sem acesso a informação privilegiada. Quer dizer: o então administrador do BPI esteve em Bruxelas mas sem  saber o que lá estava a fazer!


Façam-nos um favor: deixem de brincar connosco e arrumem com isso de vez!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Quando uma hora de recital não basta

Besiktas-Benfica, 3-3 (crónica) 


 


Não bastou uma hora de recital, com autêntico futebol de Champions, para o Benfica selar já hoje, na Turquia, a passagem aos oitavos de final da maior competição de futebol de clubes do mundo.


Na primeira parte foi o explendor, com o Benfica a mandar completamente no jogo, a jogar um futebol que só está ao alcance dos melhores. Ao fim dos primeiros 30 minutos já ganhava por 3-0, com os jogadores da equipa turca de cabeça perdida, mais não fazendo que castigar os do Benfica com sucessivas entradas duras, que o árbitro ia deixando passar sem penalização disciplinar.


A segunda parte arrancou dentro do mesmo cenário, com o Benfica a desperdiçar oportunidades flagrantes de marcar o quarto. Que não de matar o jogo, como se diz e como disse o próprio Rui Vitória, porque um jogo com 3-0 tem que estar morto, não pode ser de outra forma.


Esperava-se o 4-0, não se pressentia o 3-1 em lado nenhum. E os jogadores do Benfica sentiram isso... E deslumbraram-se. Não há outra explicação!


À entradada última meia hora, no primeiro remate do Besiktas à baliza de Ederson - um remate espectacular, sem dúvida, mas com o marcador em posição de fora de jogo, ilegal, portanto - aconteceu mesmo o inesperado golo.


E o jogo mudou, logo aí. Não mudou radicalmente, o Benfica construiu ainda mais uma ou duas oportunidades de chegar finalmente ao quarto, mas mudou. Naquele ambiente não podia ser de outra forma. Mas mudou radicalmente quando, aos 83 minutos, sem nunhuma necessidade nem nemhuma pressão, Lindelof jogou a bola com a mão, ainda dentro da área, quando saía para o contra-ataque. Adivinhava-se já nova oportunidade golo para o Benfica quando o árbitro, provavelmente alertado pelo seu auxiliar, apitou para a marca de penalti. Que Quaresma - bem pode dizer que gosta de jogar contra o Benfica, o que ele gosta é de bater em tudo o que seja jogador encarnado, como hoje se voltou a ver, sempre com a complacência do árbitro - converteu no 3-2.


Percebeu-se que dificilmente o Benfica conseguiria evitar o empate. Que chegou em cima dos 90, como já sucedera na Luz...


Uma exibição de luxo, como aquela que o Benfica fizera ao longo de uma hora, não merecia tão inglório desfecho. Melhor dito: uma hora daquelas não merecia aquela meia hora. Quem faz o que os jogadores do Benfica fizeram em dois terços do jogo só pode estar envergonhado pelo que (não) fez no último terço!


 

Empreendedorismo

Imagem relacionada


 


Aí está mais um exemplo de um dos primeiros mandamentos do empreendedorismo: "faz de cada ameaça uma oportunidade". Vem do México, e do sector da construção civil, com uma construtora a apressar-se a oferecer os seus serviços a Trump para a construção do muro. Daquele muro!


Sabendo-se que Paulo Portas centrou a sua actividade neste sector de actividade, na América Latina, e em particular no país dos mariachis, desconfiamos logo que esta seja uma das empresas que serve. Não sei se aqui há dedo de Paulo Portas, mas lá que cheira a Portas, cheira...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

TPP

 


Resultado de imagem para acordo de associação transpacífico


 


Sem surpresa, Trump anunciou que vai retirar os Estados Unidos do Acordo de Associação Transpacífico. Tinha deixado claro na campanha que se opunha a este como a todos os acordos desta natureza, e é conhecido que defende o proteccionismo económico, barreiras e até muros... Não surpreende por isso que tenha começado por deixar cair este  acordo que, sendo um instrumento de globalização,  tinha por objectivo responder ao crescimento da influência da China no Pacífico. E que aguardava ainda ratificação pelo Congresso.


O proteccionismo é o oposto à globalização que, ideologicamente, aproxima campos ideologicamente opostos. Mesmo que nuns a ideologia se resuma a "sol na eira e chuva no nabal". Que, como se sabe, deixa de se chamar ideologia para se passar a chamar pragmatismo. Ou real politik, que é a mesma coisa: mandar os princípios às malvas...


Mas não costuma ser fácil reverter processos históricos!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Sinais dos tempos

Resultado de imagem para avenida da liberdade número de porta do diário de notícias


 


Hoje, as portas do número 266 (e 266 A) da Avenida da Liberdade estão fechadas. Sem grande alarido, sem sombra de contestação - apenas aqui e ali alguma consternação - o Diário de Notícias deixou a casa que sempre foi sua, no topo da mais bonita e famosa avenida da capital.


Quis quem pode que fosse tempo do mais histórico dos jornais portugueses deixar o belo e emblemático edifício, prémio Valmor, contruído em 1940 - pela primeira vez, em toda a Península Ibérica, foi construído um edifício propositadadamente para sede de um jornal - para o entregar à especulação imobiliária.


Já há dezena e meia de anos, no início do século, tinham querido. Só que, então, não puderam. Então, os cidadãos deste país, com os jornalistas do DN à frente, não lho permitiram...


Hoje tudo é diferente. Os jornalistas do DN são diferentes e, depois dos sucessivos despedimentos colectivos, são acima de tudo muito menos. Podem menos, mas também querem menos. Como todos nós, afinal...


Sinais dos tempos que correm! 

sábado, 19 de novembro de 2016

A Taça merece luxos destes...

Benfica-Marítimo, 6-0


 


A Taça tembém merece este Benfica. A Taça também merece este futebol!


Que fantástica exibição fez o Benfica!


O Marítimo não teve tempo para nada. Entrou como é costume entrarem os adversários do Benfica, com uma ideia de pressionar logo na primeira zona de construção, coisa que, como se sabe, é possível fazer enquanto há pernas e pulmão..Tem esse problema: não é possível fazer durante todo o tempo. Mas tem outro: se a equipa consegue ultrapassar essa zona de pressão fica logo em vantagem, porque os adversários ficaram para trás, e já sem condições de recuperar.


Foi o que aconteceu logo após a bola de saída. O Benfica saiu da pressão que o Marítimo montou, passando pela teia montada como cão por vinha vindimada, e fez logo o primeiro golo. E o Marítimo ficou ali, como quem fica a meio da ponte: sem saber muito bem se devia cumprir o plano de voo que trazia. Percebeu-se que o abandonou, não voltou a pressionar alto e aconchegou-se lá atrás, a ver jogar o Benfica.


E o que viu... E o que vimos... Que jogo!


A primeira parte foi absolutamente espectacular, com um futebol de ataque permanente, com soluções para todos os problemas, em jogadas a um ou dois toques, numa dinâmica verdadeiramente extraordinária. A ponto de, ao intervalo, apenas os números surpreenderem: três golos para tanto futebol era surpreendente. Tão surpreendente como as estatísticas de posse de bola: não dá para acreditar nos 72%  apresentados. Pelo que víramos, não dava para acreditar em tudo o que fosse menos de 90% ...


A segunda parte, meso sem nunca ter baixado do exigível a uma grande exibição, não teve o mesmo nível. Mas teve o mesmo número de golos, que fizeram subir o resultado para a meia dúzia - todos de rara beleza, incluindo o quinto, de penalti -, o maior resultado da época. A condizer com a melhor exibição da temporada. E a deixar excelentes indicações para o que aí vem. Em especial para o que aí vem já na quarta-feira, na Turquia.


 


 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Caldo explosivo*

Imagem relacionada


 


Ainda as televisões se entretinham, e entretinham os portugueses, com sucessivos folhetins da entrega e captura do fugitivo mais famoso dos últimos tempos quando, de repente, lançam o país em mais uma repugnante novela, a partir de inacreditáveis imagens captadas nas profundezas de um estádio de futebol.


Dir-se-á que são notícia e que, sendo notícia, teriam que ser divulgadas. Será que é assim?  


Vamos lá por partes: essas imagens, que a todos nos deveriam envergonhar, e em especial aos protagonistas, foram obtidas a partir de câmaras de vigilância instaladas no local. Que teriam de ser requisitadas pelas entidades com competência para julgar os factos que tinham chegado ao conhecimento público. Exactamente para isso: para analisar, julgar e punir o que se apurasse ter acontecido. E que estavam à guarda do proprietário dos respectivos equipamentos e instalações: exactamente uma das partes. É, por isso, tudo menos normal que tenham ido parar às mãos de uma estação de televisão. Normal seria que, apenas e só, tivessem ido direitinhas, e na íntegra, parar às mãos da entidade competente para julgar os factos. Depois de as ter solicitado, evidentemente...


Este simples raciocínio deixa claro, e sem grandes dúvidas, que a divulgação dessas imagens não tem nada a ver com notícia. Tem a ver com interesses particulares. Nunca, em nenhuma circunstância, são interesses particulares a determinar o que é notícia. Apenas a relevância para o interesse público justifica a notícia!


Os interesses particulares são evidentes: de um lado uma das partes, que as selecciona e entrega em favor da sua posição de parte; do outro uma estação televisiva, que quer tirar partido em audiências da sua divulgação em exclusivo, mesmo que prestando-se a todo o tipo de manipulação, em violação clara dos deveres de ética e de deontologia.


Seguiu-se depois a esquizofrenia do absurdo à volta dessas imagens. Promovida pela mesma estação e por todas as outras, transformando-as no assunto mais importante do país, com infindáveis comentários e debates, cada um mais imbecil que o outro. Com comentadores e paineleiros para todos os gostos, cada um mais deprimente que o do lado. As redes sociais fizeram o resto e o país parou: não se falou, e não de fala, noutra coisa. A cega e acéfala clubite é apenas a pitada de tempero final neste caldo de cultura explosivo. 


A conclusão é simples: pior que os energúmenos que protagonizam aquelas imagens, só as televisões que moldam em segredo este país. Os resultados já estão aí, à vista. O sucesso do populismo é feito deste caldo!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

"Pós-verdade"

Resultado de imagem para pós-verdade


 


"Pós-verdade" é a palavra do ano de 2016. Não poderia ter sido encontrada melhor palavra para reflectir a realidade que vivemos.


Pós-verdade é a mentira que nos chega de cada verdade. É a mentira que nos contam da própria verdade que estamos até a ver. É a mentira em que as estruturas de comunicação nos enfiam permanentemente. É a mentira feita à medida dos interesses, construída por gente sem escrúpulos. 


Pós-verdade não é sequer a sofisticação da mentira. É, pelo contrário, a redução à sua expressão mais básica e mais simples. É a linguagem do populismo!

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Notícias... Das boas!

Capa do Jornal Negócios


 


Quando, na semana passada, surgiram boas notícias sobre o desemprego, António Costa rejubilou mas adiantou logo que estariam a chegar, na próxima semana - que é esta -, mais boas notícias. E melhores!


Toda a gente se pôs a advinhar, mas ninguém acertou. Os analistas achavam que a queda do desemprego não fazia sentido (agora já não cai por via administrativa, já lá vai esse tempo, o efeito já se perdeu) sem que ninguém se lembrasse que poderia fazer sentido se a economia estivesse a crescer mais do que se dizia. E foi por isso com grande surpresa que ontem foram recebidos os dados do INE sobre o crescimento económico no terceiro trimestre: 1,6%!


Mais que o número - 1,6 é naturalmente curto para as necessidades, mas inquestionavelmente grande e significativo para a História deste século - o que impressiona é que, de repente, a economia portuguesa passou a ser a que mais cresceu na União Europeia.


Sabendo-se que o crescimento económico era a maior dificuldade do país, a maior dor de cabeça do governo e a pedra mais à mão da direita na oposição, estes dados, para além de constituírem uma grande notícia para o país, são obviamente uma excelente notícia para o governo. 


Boa notícia é também que não se viu o governo embandeirar em arco. Não me parece que, passe embora o aproveitamento que disso fez para alargar a corda a Centeno (se fosse no futebol seria certo que Mário Centeno estaria despedido: quando o presidente apresenta publicamente votos de confiança no treinador, é invariavelmente sinal que estará na rua em pouco tempo), António Costa tenha exagerado nos festejos.


Que não seja notícia de primeira página de qualquer jornal é que já não é sequer notícia. É assim. De todos, apenas o Jornal de Negócios traz o tema para capa. Mas apenas o tema, que não a notícia: "Economia acelera com exportações e turismo". Nada de confusões!


Se a notícia fosse exactamente ao contrário era ver as capas dos jornais: "Portugal é quem menos cresce na Europa"; ou "Economia não descola"; ou tantos outros títulos do género...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A tragédia vai ganhando forma

Imagem relacionada


 


Enquanto por cá, depois de tanto tempo escondida, a nossa direita formiguinha vai agora tentando dar por normal a vitória de Trump, ao mesmo tempo que lhe lava a imagem, como ontem aqui deixei nota e como hoje o mestre Ferreira Ferrnandes deixa também perceber na sua crónica no Diário de Notícias, por lá a tragédia confirma-se a cada um dos poucos dias que vão passando. 


Não é só que Trump confirme todas as alarvidades de que usou e abusou durante a campanha. A única das suas promessas/ameaças que deixou cair é justamente a prisão de Hillary: afinal decidiu que não a quer prejudicar... É o que vamos conhecendo da constituição da sua equipa!


Para braço direito, para estratega da Casa Branca, Trump escolheu Steve Bannon, a quem já recorrera para a recta final da campanha, o homem da bandeira da “supremacia branca”, tido pelo “político operacional mais perigoso da América”, que o Ku Klux Klan acaba de classificar de "excelente" escolha. 


Ao contrário do que nos querem fazer crer, a tragédia vai ganhando forma...


 

domingo, 13 de novembro de 2016

Cromos

 


Imagem relacionada


 


Não deixa de ser curioso reparar como a direita portuguesa, primeiro timidamentemas mas já de "peito feito", passou a defender o recém eleito presidente americano.


No início, não se percebe se por pudor e por medo, Trump era o que é: era mau. Não que fosse aquilo que é - em boa verdade, a direita mais conservadora e radical não aprecia especialmente  adjectivações como xenófobo, racista ou fascista - mas porque era ... um horror. Que coisa, credo...


Assim que foram conhecidos os resultados, e confirmada a tragédia, a direita deixou de ver "horror" na coisa e começou a ensaiar os primeiros saltos mortais do descaramento. O primeiro a chegar-se à frente foi justamente Passos Coelho.


Sem surpresa. Ele está na primeira lnha sempre que a causa passe por mandar os princípos para as ortigas . Ou por torcer a coluna vertebral!


Agora é ver como por aí corre, livre e desimpedida, a propaganda de Trump. Que dentro de pouco tempo substituirá Salazar na caderneta dos cromos que a direita  portuguesa impinge ao imaginário popular: o que Portugal precisa é de um Trump...


Mai nada... o resto é conversa!

Do susto à goleada

Resultado de imagem para portugal letonia


 


A jogar pouco, às vezes muito pouco, a selecção nacional chegou a ver-se aflita para ganhar à selecção da Letónia, que não jogou nada.


Sem intensidade, sem velocidade e sem imaginação, durante toda a primeira parte a selecção foi sempre demasiado repetitiva e previsível. Valeu um penalti - discutível - que o guarda-redes da Letónia quase defendia. porque a selecção nacional não criou verdadeiras ocasiões de golo.


Sem mexer na equipa, mantendo tudo na mesma, contra um adversário que defendia com dez, com as duas linhas muito juntas, a primeira metade da segunda parte foi apenas a continuação da primeira. Tudo igual; sem ocasiões de golo e também com um penalti. Que desta vez Cristiano Ronaldo falhou... Com bastante azar, diga-se. Se no primeiro o guarda-redes quase denfendera, neste foi completamente enganado. A bola foi ao poste, correu pela linha de golo, foi bater no guarda-redes, no chão, lá do outro lado, e acabou por sair...


Toda a gente então se lembrou que um azar nunca vem só, coisa que não demoraria nada a confirmar-se. Numa das poucas vezes que os jogadores da Letónia remataram à baliza de Patrício ... golo e ... empate.  Faltavam pouco mais de 20 minutos para jogar, e de repente ... o susto. Dos grandes!


Valeu que Quaresma já estava em campo, e no minuto seguinte já estava a cruzar com "conta, peso e medida" - como dantes se dizia - para o improvável Wiliam Carvalho desfazer o empate. Não sobrou tempo para sustos. Sobrou foi para Quaresma continuar a levar à equipa aquilo que ela não tinha. 


E então sim, surgiram oportunidades de golo em catadupla. E mais dois golos. E no fim um 4-1 mais que justificado, e aceitável face à diferença entre as duas equipas e à moral do jogo. 

Paris, 13 de Novembro de 2015 - proibido esquecer!

Resultado de imagem para atentados paris

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Leonard Cohen (1934-2016)

 


Resultado de imagem para leonard cohen


 


2016 está absolutamente insaciável, e disposto a continuar levar-nos os nomes maiores da música dos nossos tempos.


Acaba de nos levar mais um dos maiores de todos. Leonard Cohen não era só um grande cantor, de estilo único. Nem apenas um grande compositor. Nem tão só o melhor escritor de canções. Era tudo junto, mas era ainda um grande escritor e um enorme poeta!


Judeu, como o próprio nome deixa perceber, tornou-se budista. A dimensão espiritual que introduziu na sua vida e a intensidade amorosa com que a viveu, constituem a marca da sua arte. Foi homem de muitas mulheres e de muitos amores, que lhe marcaram também as canções:  "Chelsea Hotel No. 2" foi escrita para uma delas - a mítica Janis Joplin; "So Long, Marianne", para outra - a norueguesa Marianne Ihlen, recentemente falecida (em Julho), a quem declarou "amor sem fim".

Perplexidade*

Imagem relacionada


 


O mundo continua perplexo com a eleição de Donald Trump. Indignado, revoltado mesmo: como é possível que os americanos tenham entregue os comandos do ainda mais influente país do mundo a um aventureiro, populista, arruaceiro, racista, xenófobo, fascista, retrógrado, reaccionário e, depois de tudo isso, ignorante e incapaz?


Como é possível que os mais excluídos dos americanos, as minorias, tenham votado em quem, de forma clara e repetida, garantiu perseguir sem tréguas? Como é possível que os americanos acreditem em quem mente com tanta falta de pudor? Como é possível que os americanos acreditem que alguém lhes resolve os problemas sem lhes apresentar soluções?


Pode dizer-se que é porque Hilllary Clinton não era apenas um candidata que não entusiasmava ninguém. Era mesmo a pior candidata possível, e o melhor adversário que Trump poderia desejar. Pode dizer-se que é o resultado da decadência das democracias ocidentais. Dos valores que se permitiram perder. Do vazio de respostas de um sistema que perdeu regras e limites. Do esgotamento das elites políticas, acomodadas no seu conforto ao sofrimento dos outros… E em grande parte corruptas.


Pode dizer-se tudo isso e muito mais. Mas pode também dizer-se que a América é isto mesmo. Que há na América duas Américas: uma, moderna e de vanguarda, da ciência, das universidades, da inovação, da tecnologia; e outra profundamente retrógrada, atrasada, com séculos de atraso, e fechada ao e do mundo. Ou que o sistema eleitoral – que curiosamente não se vê muito questionado – está ultrapassado e desfasado da actual realidade sociológica...


Há 16 anos, Al Gore ganhou claramente em votos, mas quem foi eleito foi Bush (filho). Agora, Hillary foi humilhada pelos resultados eleitorais. E no entanto, mesmo assim, foi a mais votada!


   * Da minha crónica de hoje na Cister FM


 


 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

"Inacreditável" - disse o próprio Trump

Imagem relacionada


 


Ninguém quer acreditar, mas é verdade...


Apetece odiar os americanos, porque "isto" não é só com eles. Mas não vale a pena ...


Vale antes a pena pensar como é possível que a uma personalidade com a dimensão de Obama suceda um tipo tão reles como Trump. Porque, aí, encontramos política: a derrota da política!


Hillary só ganharia a Trump ... E Trump só ganharia a Clinton, dizia-se aqui ontem. A verdade é que Hillary nem a Trump ganhou... Numa televisão qualquer ouvi um americano qualquer dizer que tinha sido a vitória do bem sobre o mal. E para que não restassem dúvidas sobre a sua opinião, concluiu:"Clinton é uma pessoa má"!


Para os mais distraídos, para os que teimam em não perceber que, com Trump, o mundo se tornou num sítio bem mais perigoso, é ver donde vêm as reacções de júbilo: Marine Le Pen, Victor Orban, Vladimir Putin... 


 


 

História mal contada (II)

Imagem relacionada


 


O homem mais procurado do país entregou-se a ... Sandra Felgueiras. Exactamente: nem mais, nem menos. Entregou-se na televisão. Na televisão certa, à jornalista certa. 


Exactamente quatro semanas depois.


Tudo a preceito, numa história mal contada. Mal contada desde a primeira palavra que foi ouvida. Não é de agora....  


Esperemos pelos próximos capítulos. Com grande curiosidade sobre o papel que está reservado à GNR.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

De coração nas mãos

Imagem relacionada


 


Decide-se hoje: Hillary ou Trump. 


Dois candidatos que não entusiasmam muita gente, nem lá nem no resto do mundo. Verdadeiro entusiasmo, de resto, só Trump desperta. Mas apenas por lá. 


Uma coisa é certa: Trump é o melhor adversário que Hillary Clinton poderia desejar. E, curiosamente, o inverso também é verdadeiro.


Clinton pode ganhar. São maiores a suas possibilidades, apesar de tudo. Mas muito provavelmente não ganharia a nenhum outro adversário ... convencional, digamos assim. Se ganhar, Hillary não ganhará pelos seus méritos. Ganhará porque é preciso evitar que um tipo como Trump ganhe.


Trump pode não ganhar. Mas - cruzemos os dedos - tem ainda algumas possibilidades de vir a ganhar. Contra outro candidato - já não diria contra qualquer outro, mas contra outro candidato menos comprometido com o sistema, mais transparente, mais de carne e osso e menos de plástico - já não teria qualquer possibilidade. 


E assim cá estamos de coração nas mãos. À espera... Apenas á espera, mas sem conseguir evitar roer as unhas...


 

domingo, 6 de novembro de 2016

O paradoxo e o galo de Barcelos

Imagem relacionada


 


Arranca hoje o Web Summit, esse grande acontecimento do empreendedorismo que, garantem-nos, vai mudar a face de Portugal.


Eu, que até gosto de acreditar, quero acreditar que sim. Que Lisboa vai ser a capital mundial das start ups e do empreendorismo. Que Portugal se vai transformar numa gigantesca plataforma digital capaz de "parir" os mais inacreditáveis e inovadores negócios. E que, para ilustrar tudo isso, nada melhor que o gigante (aí está, tudo em grande...) galo de Barcelos da Joana Vasconcelos.


Só me faz alguma confusão é que isto reúna tanta gente em Lisboa. Bem sei que Lisboa é linda, cheia de luz, de sol e coisas boas para comer. Mas... Caramba, nestas coisas das plataformas não se faz tudo a partir do sofá de cada um, atrás de um "webinar" qualquer?   


Parece-me um paradoxo maior que o galo. Ou que o do galo?

O outro lado do minuto 92


 


O Benfica chegou ao clássico sem os seus dois melhores jogadores nesta época   e sem o seu melhor jogador das duas últimas: Fejsa e Grimaldo são, sem qualquer dúvida, actualmente os dois jogadores mais influentes na equipa, como Jonas foi o melhor e o mais influente na conquista dos dois últimos campeonatos. E sem Jardel. E sem Rafa. Cinco, ao todo, só para falar dos que ficaram. Porque os que sairam já só fazem parte da História, noutros lados é que ainda fazem parte das "estórias"... 


Para agravar todo este negro panorama, ainda  se não tinha chegado aos 10 minutos de jogo e já o Benfica perdia o capitão Luisão. Mais uma lesão!


Fosse por isso ou por outra coisa qualquer a verdade é que o Benfica não entrou lá muito bem no jogo. Deu muito espaço aos jogadores do Porto, abdicou da sua habitual pressão alta (a falta que faz Fejsa para fazer isso) e permitiu sempre que os jogadores adversários chegassem primeiro à bola e ganhassem sempre as bolas divididas. Por isso, porque o Porto recuperava a bola com muita facilidade, e muitas das vezes ainda muito próximo da baliza do Benfica, conseguiu mais volume de jogo. Muito mais ataques, mais remates e um pouco mais de posse de bola.


Mesmo assim, e mesmo com o Porto a fazer a sua melhor exibição da época, a grande oportunidade de golo é do Benfica, perto do fim da primeira parte, quando a bola bateu no poste e não entrou.


A segunda parte foi, e teria de ser, completamente diferente. Desde logo porque o Porto não conseguiria - isso é evidente - manter o mesmo ritmo e a mesma pressão. Mas como o Porto chegou ao golo logo no reinício - num frango de Ederson, também acontece - e a partir daí só quis defender o resultado, o jogo mudou mais ainda.


A novidade é que o Benfica passou para cima no jogo abdicando daquilo que é o seu modelo de jogo. Mais uma vez o efeito das muitas ausências, e mais uma vez o dedo de Rui Viitória. Já não é só o "joga o Manel", expressão que pelos vistos só se aplica na Luz. Joga o Manel e joga-se de outra maneira. Rui Vitória abdicou dos alas, e com as duas substituições que podia fazer, reforçou o meio campo - com a entrada André Horta, dando rumo à exibição de Pizzi, que até aí o não tinha, e fazendo crescer a de Samaris - e o ataque, com a entrada do Raúl Gimenez.


Não se pode dizer que o novo jogo do Benfica tenha rendido muitas oportunidades de golo. Mas encostou o Porto lá atrás. E quando assim acontece o golo começa a espreitar. Acabou por chegar ao minuto 92. Ironicamente!


O árbitro que o Porto escolheu para o jogo - foi assim, não há como fugir disso - foi igual a ele próprio: habilidoso. Artur Soares Dias é um bom árbitro, mas é sempre habilidoso. Os jogadores do Porto puderam fazer o que quiseram para ver se o penalti caía do céu. Ou para aumentar o pecúlio que os seus comentadores apresentam diariamente nas televisões. Puderam entrar sobre os jogadores do Benfica sem qualquer limite, a lembrar Fernando Couto e tantos outros do género. E até Casillas pôde perder o tempo que quis, ao contrário do Ederson, que viu logo o amarelo.


Nada de grave. Mas alguma habilidade...        

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Aurica*

Imagem relacionada


 


Provavelmente ninguém deu pela notícia, mas ela andou por aí. E dizia que dois cientistas portugueses e um australiano (vá lá, vale a pena dizer-vos os nomes, pelo menos dos portugueses – chamam-se João Duarte e Filipe Rosas, e são geólogos) tinham descoberto que está em formação um novo continente.


Um super continente que resultará do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico, e que juntará a América e a Austrália. E, não fosse alguém apropriar-se da descoberta, deram-lhe logo um nome. Não se pode dizer que seja um prodígio de imaginação: chamaram-lhe Aurica – Au, de Austrália, e Rica, de América.


Como bons portugueses poderiam ter-lhe chamado Amália. Mas não, ficou Aurica.


Não sabemos se registaram a patente. Terão achado que não valia a pena: afinal isso é coisa para acontecer daqui por 300 milhões de anos. E nessa altura já ninguém se lembrará destes deles. Nem com patente!


A ciência tem destas coisas. Isto é que é visão de longo prazo… E as notícias são para isso mesmo, para nos dar conta dessa visão tão à frente. E dos nomes que as pessoas escolhem para as suas descobertas. Mas eu teria gostado mais de Amália!


Aurica?


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

O cheque no caixão

Imagem relacionada


 


Afinal a administração da Caixa não tem problema nenhum em entregar a declaração de património. O problema está na sua divulgação... Só se for no fim do mandato!


Percebe-se agora que sempre tenham feito questão de dizer que as declarações estavam entregues e fechadas num cofre, ao que se diz da própria Caixa.


Faz lembrar uma daquelas muitas histórias da substituição do dinheiro pelo cheque no caixão do defunto prestes a ser enterrado ... 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

"Um presidente não deveria dizer isto"

Imagem relacionada


 


Sabíamos que a França não cumpria o Tratado Orçamental e que daí não vinha mal ao mundo. Sabíamos, pela voz de Juncker, que a França podia violar o défice porque...era a França. Já o radical Dombrovskis era mais sofisticado, e explicava que a França escapava às sanções porque, incumprindo, é certo, tinha para ali umas virtudes no défice estrutural. Que depois já não precisava de explicar...


Ficamos agora a saber que era Juncker quem estava mais perto da verdade. Que a França pode fazer o que quiser com o défice, sem sofrer quaisquer sanções, porque é a França. Porque é grande e acha que não tem nada que ficar sujeita a regras. Isso é para os pequenos e fracos. Mas não lhe bastava achar isso, era ainda preciso impôr isso aos outros.


E é por aí que ficamos a saber que as coisas são assim. Os homens pequeninos não são capazes de permancer enfiados nos seus corpos pequeninos. A Hollande, um dos mais puros exemplares do homem pequenino, não bastava ter imposto aos outros a prerrogativa de não cumprir as regras. Tinha de se saber que tinha sido ele, e mais ninguém, o autor de tamanha proeza. Tinha de se saber que só ele estava à altura de impôr a grandeza resplandescente da França...


Para que tudo se soubesse e nada da grandeza do homem pequenino se perdesse, nada melhor que pôr tudo em livro. O título não podia ser melhor: "Um presidente não deveria dizer isto"!


Uma vergonha, esta Europa...

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A vergonha que faz de nós liliputianos

Imagem relacionada


 


A integração da Guiné Equatorial, do ditador Obiang, na CPLP não é apenas a maior vergonha de sempre da política externa portuguesa. É, em cada cimeira, o descrédito total dos nossos orgãos de soberania, seja quem for que em cada momento os esteja a ocupar... Nem Marcelo, nem António Costa -  dois dos políticos com maior capacidade para lidar com  o incómodo político -  consequem esconder o desconforto e evitar o constragimento que os encolhe.


A viagem de Obiang até Fátima, em 2017, confirme-se ou não, já provou isso mesmo. Que até Marcelo e Costa perdem todo o jeito que incontestavelmente têm para a política... E ficam pequeninos. Liliputianos!

Cumprir a obrigação sem obrigação de fazer contas

Resultado de imagem para benfica dinamo kiev


 


O Benfica cumpriu com a sua obrigação de ganhar ao Dínamo de Kiev, na Luz, e já divide a liderança no grupo com o Nápoles.


Começar assim poderia até sugerir que não há grande mérito nisso. Mas não é isso. Cumprir com uma obrigação é sempre meritório, não é fácil, e nem todos o conseguem. Como tantas e tantas vezes se vê no futebol. 


E hoje viu-se que não foi fácil para o Benfica cumprir com a sua obrigação. O campeão ucraniano apresentou-se na Luz com uma excelente organização e tacticamente muito bem, com a lição bem estudada. A explicar o que os resultados deixavam perceber: que é bem melhor fora que em casa.


Na primeira parte o projecto funcionou, com a equipa muito subida, a encurtar o campo, e uma pressão muito forte sobre o portador da bola, com os jogadores a desdobrarem-se, sempre com mais que um jogador sobre o adversário que tinha a bola, de forma a evitar o um contra um, onde a superior qualidade dos jogadores do Benfica desequilibraria as coisas.


Sabe-se que isto tem um problema: provoca um forte desgaste físico, que mais tarde ou mais cedo haverá de aparecer na factura. O problema complicar-se-ia ainda mais quando o Benfica chegou ao golo no último minuto da primeira parte. Antes de esgotado o prazo de validade daquela estratégia.


Daí que não admire nada que a segunda parte tenha sido bem diferente. O jogo já exigia ao Dinamo de Kiev outra postura em campo, e a factura do esforço dispendido aparecia a pagamento. O Benfica foi então dominador e criou sucessivas oportunidades de golo.


Só que... desperdiçou-as todas. E esse desperdício voltou a mudar o jogo, e trouxe de novo a equipa da capital ucraniana para a discussão do jogo. Especialmente depois de Ederson ter defendido o penalti que infantilmente permitiu, ao não evitar o truque do Derlis Gonzalez – o paraguaio formado no Benfica revelou-se um especialista na arte de enganar o árbitro, e deve ter ficado com muitos amigos na Luz... –, percebeu-se que Rui Vitória ficou sem saber muito bem se deveria continuar a insistir na procura do segundo golo, correndo o risco de, mantendo-se a onda de desperdício, vir a ser surpreendido pelas saídas rápidas, sempre para o flanco contrário, que o adversário usava - e abusava - ou se, pelo contrário, deveria começar a fechar a porta. Acabou por se decidir pela segunda.


Agora é fácil dizer-se que decidiu bem. Porque correu bem. Tudo teria de resto corrido bem não fosse a lesão, que parece grave, de Fejsa, a trave mestra da equipa, numa entrada inaceitável de um jogador ucraniano, que só poderia ser sancionada com cartão vermelho. O árbitro – que estranhamente, e ao contrário do que é corrente, assinalou faltas dentro da área que não assinalava noutras zonas do campo – nem falta assinalou. O que não o impediu de, depois, mostrar o amarelo.


Foi grande a superioridade do Benfica, que mais uma vez ficou por reflectir no marcador. O jogo ficou bem longe de se resumir ao aproveitar ou desperdiçar um penalti. Isso foi um incidente, um pormenor no jogo, que não no resultado. A centésima vitória do Benfica em jogos da maior cometição de futebol do mundo, que assegura desde já a continuidade nas competições da Europa!


Falta agora garantir os oitavos da Champions. E nem é preciso fazer contas para o primeiro lugar no grupo. Nem sequer ganhar os dois jogos que falta disputar!     


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...