segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Balelas

Resultado de imagem para cristas


 


Desde as eleições europeias que  Assunção Cristas vive num sentimento de insegurança, que as sondagens só têm agravado. A insegurança é sempre um sentimento desconfortável, que facilmente se transforma em pânico. Particularmente quando o chão foge debaixo dos pés a grande velocidade, como lhe vem acontecendo. Há quatro anos era poder, e há apenas dois julgava ter conquistado Lisboa e o país. Era líder de oposição e haveria de ser primeira-ministra!


Em pouco tempo tudo se alterou, Cristas passou a receber mensagens para se calar, e a sentir-se insegura no terceiro país mais seguro do mundo.


É disto, de balelas, que se faz a campanha eleitoral!


 

sábado, 28 de setembro de 2019

À porta da recuperação?

Resultado de imagem para arbitragem benfica setubal


 


Continua desaparecido, o Benfica de Bruno Lage. Mesmo que hoje, e terminado este ciclo de quatro jogos com adversários da geografia dominante do campeonato - o Minho, com cinco equipas do distrito de Braga, e sete num raio de 30 quilómetros, é a capital da Liga 2019-20 - tenha estado na Luz, diante do Vitória Futebol Clube (também merece ser assim designado), um Benfica um bocadinho melhor que o dos últimos três jogos.


Começou a perceber-se essa ligeira melhoria logo que foi dado o pontapé de saída: mais querer, mais pressão e menos passes errados. Mas só isso, até porque a primeira grande oportunidade foi incrivelmente desperdiçada por Seferovic, mas em fora de jogo. E o primeiro remate - do Benfica e do jogo - surgiu já a primeira parte ia a meio. Finalizações e vislumbre de oportunidades de golo, só mesmo nos minutos finais da primeira parte.


O adversário não facilitava, é certo. Defendia - só defendia - com uma linha de seis à frente do guarda-redes, e logo com outra de quatro dois metros à frente. Nem sequer pressionava para além dessa linha de trinta metros à frente da sua baliza. Nada que, pelas suas palavras, tivesse surpreendido Bruno Lage, que afirmou estar a contar com isso.


E começa por aí o drama deste jogo de hoje. E desta fase que o campeão nacional atravessa. Contra um adversário fechadíssimo lá atrás, e a pensar em apenas defender a sua baliza, a equipa do Benfica, mesmo que prevenida disso, como o seu treinador declarou, escalou Gedson para jogar na frente, ao lado de Seferovic. Quando, no banco, estavam 37 milhões de euros de pontas de lança, contratados esta época...


Não admira por isso que, mesmo jogando um pouquinho melhor que nos últimos jogos, o Benfica tenha chegado ao intervalo com poucas situações de golo criadas, com poucas finalizações e apenas três remates à baliza. 


A segunda parte iniciou-se com Gabriel, no lugar de Fejsa. Na frente, tudo na mesma, e foram até os sadinos, que na primeira não tinham saído do seu meio campo, a fazer os dois primeiros remates à baliza. E criaram até uma oportunidade para marcar, anulada por um excelente corte de Rúben Dias.


Estava já a esgotar-se o primeiro quarto de hora quando Bruno Lage fez entrar o segundo ponta de lança, Carlos Vinícius, em substituição de Pizzi, o mais desaparecido dos mais influentes jogadores do Benfica. Que precisou de menos de cinco minutos para fazer o que ninguém conseguia fazer - o golo. Que acabaria por ser salvador, e dar os três pontos.


A partir daí, e com o jogo dominado e controlado, esperava-se que o Benfica pudesse salvar a exibição e, senão regressar às goleadas perdidas, pelo menos consolidar a vitória. E a festa estaria de volta à Luz, com quase 60 mil nas bancadas, se o árbitro Tiago Martins - que, com Fábio Veríssimo, faz a dupla dos mais fracos e descarados árbitros dos últimos anos - não tivesse refinado a sua evidente acção persecutória. Porque, claro, do VAR já estamos mais que conversados. Estão sobre pressão, como disse o outro...


Para trás tinham ficado um penalti por assinalar sobre Rafa, um cartão vermelho por mostrar a um jogador vitoriano, numa entrada sobre o mesmo Rafa, mais uma escandalosa série de dualidade de critérios, sempre em prejuízo dos mesmos, foras de jogo mal assinalados e até lançamentos laterais trocados. Dava cabo da cabeça dos jogadores encarnados, e á primeira reacção contemplava-os com o cartão amarelo. Foram três, assim. A expulsão de Taarabt, aos 80 minutos, foi apenas "a cereja no topo do bolo". Que acabou com o que se esperava fosse o reaparecimento do Benfica. 


É certo que uma equipa como a do Benfica não pode, mesmo com dez, contra este Vitória, perder o controlo do jogo. Tem, mesmo assim, que ser superior.  Mas tem de também de admitir-se que, mais que a inferioridade numérica, tenha sido a adversidade da arbitragem a pesar sobre os jogadores.


Se é da adversidade que vem a força, pode até ser que esta encomenda tenha vindo por bem, e esteja por aí a chave da porta da recuperação.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Um mundo perigoso*

Resultado de imagem para tribo do preconceito


 


Regresso aos sinais dos tempos que vivemos. Tempos estranhos, carregados de preconceitos que subvertem os verdadeiros problemas do nosso mundo, particularmente nas sociedades desenvolvidas, autenticamente viradas do avesso.


Na semana passada fomos surpreendidos com um estranho autoflagelo do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, uma das vedetas da actual política internacional. Em plena campanha eleitoral, também no Canadá, veio a lume uma fotografia de uma festa de finalistas, há para aí uns 30 anos, em que o jovem Trudeau surgia maquilhado de escuro, num disfarce de Aladino, logo usada pela paranóia instalada dos tempos que correm para ser acusado de racista.


Quando se esperaria uma reacção de denúncia da infundada e abusiva acusação, completamente contra-senso, foi o próprio Trudeau que veio de imediato assinar por baixo, publicamente mostrar arrependimento e pedir desculpa pelo acto cometido na juventude, e do qual se sentia profundamente envergonhado.


Aquele acto de contrição, de violento autoflagelo, era ainda mais paranóico que a acusação inicial. E por isso mais chocante!


Trudeau não pedia desculpa por um acto racista que ninguém de bom senso reconhece, e que bem sabe não cometeu. Reagia apenas ao medo que marca os tempos que correm, num acto de tremenda cobardia perante essa tenebrosa tribo do preconceito politicamente correcto. Trudeau não a combateu, como a condição de líder mundial lhe impunha, juntou-se a ela e deu-lhe ainda mais força.


Não admira por isso que no início desta semana tivemos assistido a mais uma demonstração desta força das trevas. Desta vez a desdita caiu que nem uma bomba em cima do Bernardo Silva, a estrela da selecção nacional de futebol e do Manchester City, e por sinal uma joia de moço. Limitou-se a uma brincadeira, no Twitter, com um seu colega de equipa e amigo, o francês Mendy – negro, evidentemente - prontamente correspondida pelo seu interlocutor, usando uma imagem de um boneco negro de uma conhecida marca de chocolates.


A turba não perdoou, e saltou em comentários enfurecidos e queixas e denúncias por todo o lado. O rapaz apagou o que escrevera, mas já não lhe valeu de nada. A Federação inglesa abriu um inquérito por comportamento racista. Diz-se que poderá ser castigado com 7 jogos de suspensão!


Parece que estamos mesmo a viver o fim do mundo.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Marotas e marotos

Resultado de imagem para marotas e marotos


 


 


A ASAE chegou a uma livraria dos Olivais e apreendeu um livro. O único exemplar disponível do "Gémeas marotas", um livro publicado nos anos 1970 e reeditado em 2012, de autor desconhecido que assina pelo pseudónimo de Brick Duna, que contas estórias eróticas de duas gémeas - "marotas", já se vê .


Tem inegáveis semelhanças gráficas com os livros da coelhinha Miffy, do holandês Dick Bruna - cujo nome é também puxado para o pseudónimo, como é de evidente e óbvia prova -, e é por isso confundível à vista com um livro infantil. No entanto, na livraria onde foi apreendido o seu exemplar único estava, como, contam outros livreiros, sempre esteve ao longo dos anos em que o tiveram à venda, na secção para adultos, longe portanto do acesso a crianças.  


Perante o que pareceria o mais estúpido acto de censura, a acção da ASAE aparece a ser justificada por questões de direitos de autor, justificação não menos estúpida. Se apreender por acto de censura um exemplar único de um livro publicado há quase 50 anos é absurdo; não o é menos admitir que o holandês, falecido há dois anos, ou quem o representa, demorasse 50 anos a perceber que alguém lhe estava a violar direitos de autor. A própria editora do holandês veio já negar qualquer iniciativa desse tipo, até porque simplesmente desconhecia a existência do livro em causa.


Diz-se agora que a iniciativa foi do Ministério Público ... E que isto acontece semanas depois do padre Gonçalo Portocarrero de Almada, em acção missionária permanente no Observador, a propósito de nada que viesse a propósito, ter dado expressão à sua revolta contra as "gémeas marotas". Provavelmente com a autoridade de quem nasceu na Holanda, e apoquentado com os direitos de autor de um cidadão holandês... Ou simplesmente um maroto como outros!


 

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Apelo desesperado

Resultado de imagem para procura-se


 


Desapareceu há um mês, sem deixar rasto, equipa de futebol conhecida pela qualidade, variedade e velocidade do seu jogo e pela pressão alta sobre os adversários, que sucessivamente caíam a seus pés, invariavelmente goleados. Responde pelo nome de "Benfica de Bruno Lage".


Há quem tenha julgado avistá-la nos últimos dias, entre Lisboa e o Minho, mas foi sempre falso alarme. Diz quem se aproximou que, abordada, confidenciou identificar-se por "Benfica de Rui Vitória".


Não desistiremos de te procurar. Volta depressa. Há um 38 à tua espera!

Centenos

Resultado de imagem para centeno e sarmento


 


Depois de ter percebido que tinha elevado Centeno à categoria de marca, Rui Rio quis emendar a mão. Quando as coisas até parecem estar a recompor-se, simplesmente inverter tudo, virar a coisa do avesso, e  trocar Centeno por Sarmento, não seria grande ideia. Nem suficiente, e decidiu acrescentar-lhe um passo, propondo um debate a dois. Entre os dois Centenos, que já pretendia entre os dois Sarmentos.


E tratou logo de adiantar que quer o seu Centeno quer o seu Sarmento já tinham aceitado!


Para quem não acredita em sondagens - evidentemente que ainda está para nascer quem acredite em sondagens desfavoráveis -  nos últimos dias, à entrada do período oficial da campanha, as coisas parecem claramente mais bem encaminhadas para Rui Rio. Ganhou novo ânimo, e isso nota-se. De tal forma que até já teve que encontrar, à última da hora, um ministro das finanças  ... 


O Centeno que nunca lhe tinha feito falta!


 

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Imagem de marca

Resultado de imagem para o meu centeno


 


Conhecem-se marcas que, de tão enraizadas nos consumidores, se confundem com os próprios produtos. Digamos que é o estado supremo da imagem de marca, quando ela atinge a sua dimensão máxima de comunicação. Todos nos lembramos daquela coisa com que fazemos a barba e a que chamamos Gillette. Da esferográfica descartável, a que chamamos BIC. Da caixa de plástico a que chamamos Tupperware. Da pastilha elástica a que chamamos Chiclets. Do todo-o-terreno a que chamamos Jeep. Do Post-it, do Kleenex, ou até da recente UBER...


Este fenómeno de comunicação e marketing acontece frequentemente à primeira marca a identificar uma necessidade, e a oportunidade de negócio que lhe está associada, e a apresentar a respectiva solução. Quando uma marca cria um novo produto para um novo mercado.


O que não se conhecia, e ficou desde ontem a conhecer-se, é que este fenómeno também acontece na política, e em particular na governação. O produto ministro das finanças chama-se agora Centeno!


 

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Já chegamos à Madeira?


(FOTO LUCILIA MONTEIRO)


 


O PSD ganhou as eleições regionais na Madeira à rasquinha. Perdeu a maioria absoluta, que mantinha desde sempre - há 43 anos, tantos quantos conta a História do estatuto autonómico - e apenas vai conseguir manter o poder porque, coligado com o CDS, tem mais um deputado que a esquerda. Ganhou à rasquinha e mantém o poder à rasquinha!


E no entanto, para Miguel Albuquerque foi uma vitória clara, inequívoca e estrondosa. 


Mas nem assim o líder regional do partido e do governo conseguiu arrebatar o prémio do absurdo da noite eleitoral. O "non sense" absoluto ficaria mesmo para o apelo de Paulo Cafôfo ao CDS, e ao pleno da coligação negativa. Para o número 1 da lista do PS geringonça é coisa do passado. Agora é preciso passar para a geringonça com piruetas e mortais encarpados à retaguarda.


Já chegamos à Madeira?


 


PS: "Já chegamos à Madeira", vulgarmente utilizada em expressão de espanto, surpresa ou até de absurdo, é uma velha expressão mas não uma expressão velha. É bem nova. Há quem diga que decorre de se fazer no Funchal a primeira escala no transporte dos militares para a guerra colonial. Aí saídos, e pela primeira vez soltos das amarras da família e da ordem militar, os mancebos explodiam. Quando regressavam ao barco não eram mais os mesmos. E a ordem e o aprumo de até aí transformavam-se em caos para o resto da viagem.

sábado, 21 de setembro de 2019

Remontada de última hora

Resultado de imagem para moreirense benfica 2019


Fotografia: LUSA


O Benfica voltou à competição interna, e voltou à equipa A para o nosso campenato. Mas nem por isso mais inspirado!


Mesmo assim, com pouca inspiração, e nem sempre com muita transpiração, ganhou este jogo em Moreira de Cónegos, com uma remontada no marcador nos últimos cinco minutos. E talvez não o tenha merecido ganhar, mesmo que todas as varíáveis estastísticas que medem o jogo lhe tenham sido todas favoráveis: 60% de posse de bola, o dobro dos ataques, e mais do que isso nos remates, e mais oportunidades de golo. 


Mas não foi a equipa que melhor jogou, as estatísticas nem sempre dizem toda a verdade do jogo.


O Moreirense entrou mehor no jogo, pressionante sobre a bola e os adversários, e ocupando todos os espaços do campo que, como se sabe, naquele campo são menos que noutros. E praticamente dominou o jogo no primeiro quarto de hora. Esse período acabaria no entanto com a única oportunidade golo a pertencer ao Benfica, desperdiçada por Pizzi, precisamente aos 15 minutos. 


Seguiram-se 20 a 25 minutos em que o Benfica se superiorizou claramente no jogo, chegando a ter períodos de verdadeira asfixia. E quando se pensava que estava encontrada a fórmula para mandar no jogo e construir a vitória, viu-se que não. O Moreirense recompôs-se e voltou a encontrar a sua zona de conforto no jogo, donde não voltaria a sair até ao final da primeira parte.


Como nos últimos jogos as segundas partes têm sido invariavelmente melhores que as primeiras, esperava-se um Benfica melhor para depois do intervalo. Só que a equipa entrou como que apostada em dar uma prenda ao Moreirense. De tal forma que o golo dos minhotos, logo dois minutos depois do reinício, não apanhou ninguém de surpresa. É que naquele reinício os jogadores do Benfica não conseguiram sair da frente da sua baliza - cada vez que iam a sair, perdiam a bola.


Com o golo sofrido, e com aquela incapacidade de sair com a bola, o futebol do Benfica perdeu-se, e esqueceu-se de todas as ideias que lhe têm sido habituais. Apenas Rafa pegava no jogo e, com Taarabt, na equipa. Nada mais funcionava, e Bruno Lage parecia sem capacidade de reacção.


Apenas aos 66 minutos tirou Fejsa, que já nada acrescenta à equipa, para estrear o regressado Gedson, já que Samaris, sabe-se lá porquê, está desaparecido. E só dez minutos depois, Pizzi, a quem nada saía bem, para entrar Caio.


Querendo ficar-se apenas por dois, e não podendo ir além de três, os que sairam tinham de ser aqueles. E, pelos que estavam no banco, os que entraram dificilmente poderiam ser outros. Ou seja, substituições bem feitas, mesmo que não tenham resultado, como nada no Benfica estava a resultar. 


Poderia ter entrado Jota, que sempre tem mais minutos de jogo que qualquer dos outros. Mas esse ficou para o fim, estando já junto à linha lateral, para entrar, quando em plena fase de desespero, mais com o coração do que com a cabeça, mesmo que tenha sido de cabeça, o Benfica chegou ao empate, por Rafa - quem mais? - ao minuto 85. Rafa ... de cabeça!


E se Jota estava para entrar para procurar o empate, encontrou, três minutos depois de ter entrado, o golo da vitória num cruzamento perfeito para a cabeça de Seferovic, que fez explodir a onda vermelha em Moreira de Cónegos.


 Seferovic voltou aos golos, fez saltar a festa e, ao contrário da última vez, festejou como deve ser. Agora falta Raul De Tomás ... completamente engolido por uma espiral depressiva. Começou por não marcar, mas jogar. Passou a não marcar, nem jogar. E já vai em não marcar, não jogar ... e a atrapalhar.

Benfica europeu

Resultado de imagem para bernardo silva joão cancelo e ederson


 


Mais uma extraordinária exibição do Manchester City de Guardiola, numa goleada por números invulgares na Premier League: 8-0, frente ao Watford, agora de Quiqe Flores. Com um improvável hat-trick- o primeiro da sua carreira - de Bernardo Silva,  numa exibição memorável.


É, sem dúvida, o melhor plantel do futebol mundial, este do City. Com, pelo menos, dois jogadores para cada posição onde é difícil perceber qual é o melhor, à excepção do guarda-redes Ederson, e de Bernardo Silva e Kevin de Bruyne, sem essa estafada estória do melhor do mundo, dois jogadores do top five mundial.


É curioso que, quando falamos nos três jogadores ímpares deste City, dois deles sejam da formação do Benfica. E que, na equipa deste fabuloso plantel, três tenham a mesma origem. E digo que é curioso porque mostra o melhor e o pior da discutida estratégia do Benfica.


O melhor, porque é sinal inequívoco do sucesso da formação que se faz no Seixal. E o pior, porque é o sinal, não menos inequívoco como, apenas com um pouco de parcimónia na ânsia vendedora, estaria tão à mão uma grande equipa, verdadeiramente competitiva no panorama internacional. 


Ou como, nesta estória do Benfica europeu, teria sido possível passar das palavras aos actos!


 

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Sinal de alarme*

Resultado de imagem para sinal de alarme


Há pouco mais de uma semana uma freira de 61 anos morreu, em S. João da Madeira, vítima de um violento e hediondo crime.


Maria Antónia Pinho – a Irmã Tona – para além de conhecida pela sua intervenção social, era ainda reconhecida por uma alegria contagiante e pelo ar radical que lhe era emprestado pela mota em que se fazia sempre deslocar.


Em liberdade condicional desde Maio, depois de cumprir parte da pena de 16 anos a que fora condenado, com novo mandato de captura já emitido mas por executar, e inscrito num centro de recuperação de toxicodependentes em que Irmã Tona exercia voluntariado, o homem atraíra a freira a sua casa, a pretexto de lhe oferecer um café, em agradecimento por uma boleia que ela lhe tinha dado.


Não sei se lhe chegou a servir o café, sabe-se que tentou violá-la em vida e que, não tendo conseguir vencer a resistência da pobre senhora, a matou para a violar depois de morta.


A notícia passou num ou noutro jornal. Mas despercebida. Não tive qualquer percepção de a ter visto passar nas rádios nem nas televisões, e não se viu no país nenhum tipo de indignação. O país, que tão rápido é geralmente a indignar-se em choque contra actos criminosos deste tipo, atrás dos directos das televisões, desta vez não reagiu.


Indignado com esta passividade do pais perante tão hediondo crime, o Bispo do Porto tornou pública há dois dias uma veemente nota de indignação, acusando a opinião pública, e as instituições do país, pela irrelevância que lhe deram, e pelas responsabilidades que objectivamente lhes cabem neste desfecho trágico.


A reacção que se conhece a esta tomada de posição pública do Bispo não poderia ser mais chocante. A resposta foi simples e brutal. Não, não foi por se tratar de uma freira, como apontara o Bispo. Ninguém se indignou - responderam grupos visados - porque o caso simplesmente não existiu nas redes sociais.


É isto. É este o tempo que vivemos. Sem redes sociais não há opinião pública. Não é a comunicação social que forma a opinião pública, são as redes sociais. A comunicação social demitiu-se da sua função, e segue ela também as redes sociais. Se não tem impacto nas redes sociais, não é notícia. Não tem importância!


Acreditem, isto é o pior que nos podia acontecer. Deixar a opinião pública à mercê da informação mais primária e manipulável é o que de pior pode acontecer a uma sociedade. As consequências vão ser ainda mais graves. E vamos pagá-las todas. Mais cedo do que poderemos estar a pensar!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Matérias altamente inflamáveis

Imagem relacionada


 


De tão inflamáveis, as golas pegaram fogo ao governo. As labaredas poderão nem ir ainda muito altas,  mas lá que arde, arde.


O assunto parecia entretanto esquecido, e já ninguém se lembrava de todos os resultados da ânsia propagandista do ministro Eduardo Cabrita, agora também Secretário de Estado. Nem ele próprio se lembraria que havia anunciado ter pedido um inquérito à Inspecção-Geral da Administração Interna.


Ontem, de manhã, o Secretário de Estado José Artur Neves apresentou finalmente o pedido de exoneração, por motivos pessoais. Logo a seguir sabia-se que fora constituído arguido... Motivos mais pessoais não podia haver! 


O primeiro-ministro tinha pedido um parecer à PGR. Aí está a resposta!


 

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Correu mal... mais uma vez!


 


Desde o anúncio da constituição da equipa, se não mesmo desde sábado, que se percebeu que a estreia na Champions não podia correr se não mal.


O que não se percebe é que se anuncie aos sete ventos um Benfica europeu, e depois, chega-se ao primeiro jogo da Champions, e é isto que se vê: uma equipa que estreia quatro ou cinco jogadores, quase todos sem qualquer minuto em jogos oficiais nesta época.


O que terá passado pela cabeça de Bruno Lage? Provavelmente qualquer coisa parecida com o que passou pela cabeça de Seferovic... 


Triste de mais!


Num grupo tão equilibrado como este, entrar a perder, em casa, é escancarar as portas para o regresso ao triste destino das últimas épocas. E a confirmação que, para quem manda no Benfica, a Champions só interessa para ir buscar os milhões da participação. O resto que se lixe!


 


 

A longa História de esqueletos escondidos

Resultado de imagem para esqueletos de modena eram homens


Daqui


Em 2009 foi descoberta uma necrópole na cidade italiana de Modena, onde foram encontrados dois esqueletos de mãos dadas. Para a arqueologia, e acima de tudo para o turismo, ficavam "os amantes de Modena", um casal unido pelas mãos entrelaçadas que milhares de anos depois se continuava a olhar com transbordante ternura.


Acabou agora, dez anos depois, por se descobrir que afinal eram homens. Diz-se que foram os avanços científicos dos últimos dez anos que permitiram esta redescoberta. Não sei, não... Quando se fala de esqueletos escondidos entramos numa longa História, mais marcada por outros avanços que propriamente pelos científicos...


 


 


 

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O debate... e as pequenas coisas

Resultado de imagem para debate costa rio


 


Não sei se Rui Rio ganhou o debate - e até tendo a achar que sim, na medida em que superou as expectativas gerais - mas não tenho dúvida que ganhou o pós-debate: "combinamos que não falaríamos no fim, e eu cumpro"!


António Costa veio depois e falou. E por isso perdeu. Não cumpriu!


Sabe-se que a nossa política não prima pela valorização do cumprimento. Mas, ao falar - rompendo um compromisso - sem dizer nada, Costa perdeu mesmo! 


Acho eu... que valorizo estas pequenas coisas... Nem sempre assim tão pequenas, mas enfim...

Política e entertainment

Resultado de imagem para debate costa rio legislativas 2019


 


 


Encerra-se hoje este ciclo de debates a dois na pré-campanha, uma espécie de "must" da política espectáculo. Cabe, evidentemente, a António Costa e a Rui Rio, no papel de cabeças de cartaz, fecharem este ciclo de entertainement, fazendo deste o momento mais alto da programação.


Não admira por isso que o espectáculo dobre em tempo, e tenha transmissão directa, em horário nobre, em todos os canais de televisão. Sempre que contracenaram com os restantes nomes em cartaz, ou estes entre si, o espectáculo teve a duração de meia-hora, e passou nos canais de cabo dos três principais operadores de televisão, incluindo o público. Hoje os espectáculo é de uma hora, e todas as televisões o querem transmitir, mesmo à hora da telenovela...


De tanto recorrer às técnicas de marketing, e por tanto procurar o foco dos media, não é estranho que  a política tenha acabado num produto de marketing mediático. 

sábado, 14 de setembro de 2019

Fraquinho. Viva às atenuantes!

Resultado de imagem para penalti benfica gil


 


Vimos habituados a goleadas e a grandes exibições. Hoje, na Luz - não cheia, como habitual, mas com 55 mil nas bancadas -, frente ao regressado Gil Vicente, do excelente Vítor Oliveira nem goleada, nem exibição.


Foi fraquinha, a exibição do Benfica, e curto o resultado (2-0), esta noite. E, ao contrário do que vinha sucedendo, foi sempre a cair. E a segunda parte, habitualmente melhor, foi ainda pior que a primeira. E no entanto as dificuldades colocadas pelo adversário foram bem maiores na primeira que na segunda parte, o que, parecendo que não, aumenta a decepção com a exibição.


A ideia de jogo esteve lá, os processos também, mas faltou velocidade. E quando falta velocidade, cai a intensidade. E sem intensidade, a vida fica bem mais fácil para os adversários. Especialmente quando trazem a lição bem estudada, e defendem bem como, sem surpresa, o Gil Vicente se apresentou hoje na Luz.


É razão para apreensões? Creio que não. Há atenuantes: pior que jogar o jogo imediato ao regresso da paragem para as selecções, só um jogo que sucede a essa paragem e antecede um jogo da Champions. E, se este é o jogo de estreia, pior ainda!


A este contexto, e a esta fraca exibição, acrescem algumas decisões pouco acertadas da parte da equipa, e evidentemente de Bruno Lage. Os dois avançados continuam sem marcar, e sabe-se como isso mexe com a cabeça dos jogadores. E isso deve preocupar o treinador. Por isso, e não por Pizzi ter falhado, teria de ser Raúl de Tomás (parece que os adversários fazem auto-golo só para que os avançados do Benfica não marquem) o escolhido para marcar o penalti logo nos primeiros minutos do jogo. Considero esta falha mais grave do que a questão da posição táctica do espanhol (voltou a ter apontamentos de inequívoca classe) que, mantendo-se a dupla com Seferovic, nunca poderá ser ele o primeiro avançado. 


Com muito menos importância, mas mesmo assim a merecer reparo, foi a  frustrada entrada do miúdo de Peniche. Se a ideia era a de estrear o Tomás na primeira equipa, e na Liga, a substituição não podia ter ficado à espera do minuto 90. 


E sobre o jogo não há mesmo muito para dizer. A não ser que Taarabt voltou a ser o homem do jogo, pela segunda vez consecutiva, no segundo jogo na condição de titular. E acreditar que, a um mau ensaio, corresponda um boa estreia!


 

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Doce e amargo*

Resultado de imagem para méqui brasil


 


De vez em quando há notícias a que, à partida, não prestaríamos sequer atenção, mas que acabam por não nos deixar virar-lhes as costas. Foi o que aconteceu com esta, que não tem nada a ver com a língua portuguesa, mas tem tudo a ver com a língua portuguesa.


Dizia em letras gordas: "No Brasil, gigante da fast food McDonald´s também se chama “Méqui””. E era ilustrada por uma fotografia de uma loja em que, no reclamo, “Méqui” surgia ao lado do conhecido duplo arco (que também sugere o “M”, de McDonald´s). Irresistível!


Fui ler e percebi que se tratava de uma arrojada campanha de marketing deste gigante da globalização, presente em 200 países do mundo e que serve diariamente 70 milhões de clientes, em cerca de 40 mil estabelecimentos. E percebi que a McDonald´s percebeu o jeito que os brasileiros têm para pôr açúcar na língua portuguesa, acrescentando-lhe a musicalidade e a competência expressiva que a transformam numa das mais bonitas – se não mesmo a mais bonita - língua da humanidade. E percebi que percebeu como isso lhe poderia ser útil como instrumento de fidelização à marca.


As opções eram muitas – “Mecão”, “Mecoso”, “Mequizinho”… - mas ficou “Méqui, a meu ver o mais representativo deste gingar da língua, para dar nome a duas lojas, uma em S. Paulo e outra no Rio de Janeiro


Como comecei por dizer, uma notícia que não tem nada a ver com a língua portuguesa, tem tudo a ver com a língua portuguesa. Com a sua dimensão mundial, com a flexibilidade que o Brasil lhe acrescenta todos os dias, e com um potencial afectivo que não escapa aos criativos do Marketing da expressão máxima da globalização onde, por definição, tudo se guia por padrões tão estandardizados quanto o próprio modelo de negócio com que, em 50 anos, conquistaram o mundo.


E lê-se na notícia que não tencionam ficar por aqui. Que, num um mercado mais apetitoso que um Big Mac, o português adocicado faz bem ao negócio.


Acabamos de ler a notícia e ficamos a pensar na triste figura de uns quantos que, sem mais nada em que pensar, um dia se lembraram de parir um acordo ortográfico. Não devem fazer bem ideia do que é uma língua como a portuguesa, mas acham-se especialistas. Já lá vão quase 30 anos, e ainda não perceberam que azedou. Amarga. Sabe mal. Nem se pode cheirar!


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Princípios, fins e fronteiras

Resultado de imagem para fronteiras


 


Quando a dúvida que paira sobre as eleições do próximo dia 6 é se o PS alcança ou não a maioria absoluta, e sabendo-se que alcançá-la é o objectivo maior do partido, é curioso que, em nenhuma ocasião, António Costa enuncie esse objectivo. Antes pelo contrário, como se viu nas declarações que provocaram mais um ataque de ira a Sócrates.


Depois de esgotados os debates a dois com os  partidos com que poderá ter de se entender na eventualidade de não atingir a maioria absoluta, concluídos ontem com o líder do PAN, não fica qualquer dúvida que António Costa adoptou sempre um comportamento consistente com essa atitude. O debate com qualquer dos três opositores - mesmo com Catarina Martins, que era onde o risco de descambar era claramente maior - foi sempre uma conversa amena e nunca um confronto. A expressão mais marcante de todo esse ambiente é do próprio António Costa: "se fui eu que abri esta porta, não faz sentido que seja eu a fechá-la".


Mas isto é António Costa. Outras vozes no PS dizem coisas exactamente opostas. Nem é necessário ir lá mais atrás buscar declarações inflamadas do Carlos César; ainda ontem, no Parlamento, um desconhecido deputado da Madeira (coisas da insularidade, quem sabe?) proclamava que “o que precisamos mesmo é podermos governar sem empecilhos”. 


Mas se nos lembrarmos que ainda há pouco tempo António Costa dava o braço ao PCP e empurrava o Bloco para longe: "o PCP é um verdadeiro partido de massas, enquanto que o Bloco é um partido de mass media"; ou anunciava  - agora ele - o diabo, enrolado na bandeira da ingovernabilidade que se levantaria a partir de um bom resultado do Bloco, somos bem capazes de acabar a dar razão a um dos populistas-mor nesta disputa eleitoral que diz que António Costa não tem princípios, tem fins.


São, de resto, coisas destas que acabam sempre a baralhar as fronteiras do populismo. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Dear Ursula

Resultado de imagem para nova comissão europeia


 


Não sei qual virá a ser o desempenho de Ursula von der Leyen, a nova Presidente da Comissão Europeia, sei apenas que não lhe será muito difícil fazer melhor que os seus dois últimos antecessores. E sei também que não há milagres...


Mas - confesso - fiquei impressionado com a sua entrada. Pode não ter qualquer significado,  nem romper com coisa nenhuma, mas escrever uma carta a cada comissário a dizer-lhes quais são as suas atribuições, o que têm para fazer no seu mandato, é diferente de um simples despacho de delegação de competências. É diferente de um caderno de encargos. É a assertividade da job description num registo intimista, completamente descolado da fria tecnocracia de Bruxelas.


Não passará provavelmente de um toque pessoal, que em nada venha alterar a vista do poder a partir de Bruxelas.  Mas fica sempre alguma esperança que seja desta que alguma coisa comece a mudar nas estruturas do poder da UE e na sua relação com os europeus. Na democracia europeia, que é disso que se trata!


E que tem de ser o alfa e o ómega da defesa do modo de vida europeu, enunciado como desígnio desta comissão. Sem democracia não há modo de vida europeu, e isso tem que ser absolutamente inequívoco no funcionamento da União.


Ah... não falei de Elisa Ferreira? 


Pois não!


 


 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Bem encaminhado

Lituânia 1-5 Portugal: 'Show' de Ronaldo coloca Seleção mais perto do Europeu


 


A selecção nacional cumpriu hoje a sua obrigação em Vilnius e "despachou" a selecção da Lituânia com uma goleada (5-1), acertando o passo para o apuramento para a fase final do Euro 2020. Que, sem nunca ter estado em causa, também não tinha começado muito bem, com dois empates em casa nos dois primeiros jogos, contra os dois principais adversários no apuramento.


A obrigação foi cumprida, no fim fica a goleada, mas nem tudo foi bom. Depois de marcar cedo, logo no arranque do jogo, de penalti e ainda sem muito ter feito para isso, os jogadores portugueses deverão ter pensado que ... estava feito. Não era preciso fazer mais nada. 


Enganaram-se, como sempre acontece neste jogo de que tanto gostamos. E as coisas complicaram-se, tanto quanto é possível que uma equipa tão fraca como este adversário de hoje, complique. Os lituanos empataram - num canto, só podia, mesmo que uma equipa como esta nossa selecção não possa sofrer dois golos em pontapés de canto em dois jogos consecutivos - e, como corriam mais e os jogadores portugueses o permitiram, levaram o empate até para lá da hora de jogo, já bem dentro da segunda parte.


É certo que a entrada para a segunda parte revelou que os jogadores tinham percebido que teriam de mudar de registo. E de mudar o jogo. Mas foi aquele golo ao minuto 62 que mudou tudo. Porque acabou com o empate, mas acima de tudo pela forma como aconteceu, com a bola a fugir das mãos para as costas do guarda-redes, e daí para dentro da baliza. Contou - claro - e contou para Cristiano Ronaldo. Que faria ainda o terceiro e o quarto, antes de sair, na segunda substituição (Gonçalo Guedes) de Fernando Santos. Na primeira, quando as coisas ainda estavam cinzentas e o jogo empatado, tinha tirado Bruno Fernandes - não é para meter veneno em ninguém, mas talvez as dificuldades na selecção expliquem algumas coisas que alguns dizem inexplicáveis - para fazer entrar Rafa. Também essa alteração contribuiu para mudar o jogo.


E com Bernardo Silva a espalhar perfume pelo campo, e João Félix à procura do seu primeiro golo na selecção A - e como tentou, e como o guarda-redes sempre lha negou - acabou por ser William Carvalho a marcar de novo - dois golos em dois jogos - e a fechar as contas. Finalmente bem encaminhadas, para concluir como iniciamos.   


  

Livre concorrência por memória. Ou para memória?

Resultado de imagem para multas à banca


 


Apetece dizer: até que enfim!


Até que enfim, que alguém neste país ousou afrontar a banca. Habituados a ver o país pôr e a banca dispor, habituados a que nada falte aos bancos, sempre com todos os cuidados, não vão eles constiparem-se, é com surpresa que vemos a Autoridade da Concorrência puni-los (14 bancos, ao todo) sem dó nem piedade - mais de 225 milhões de euros de coimas - por cartelização do mercado no crédito à habitação, no crédito ao consumo e no crédito a empresas. Durante uma década, que já terminou há quase outra...


Pois! Já ninguém se lembra. Os decisores já são outros, as administrações já são outras, e até, na sua maioria, são já outros os bancos. Não serve de atenuante, mas serve de reclamante...


Qualquer dia, lá para daqui a uma década, é bem possível que a Autoridade da Concorrência comece a desconfiar das gasolineiras... 

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Diálogos curtos

Resultado de imagem para diálogos curtos


 


- Rui Rio afirmou que não se sente particularmente entusiasmado pela função de deputado. Está a dar mais um tiro no pé?


- Não. Está a ser totalmente sincero, e a reproduzir mais um momento de honestidade.


- E isso é bom para a política?


- Claro que não. Por isso é que, a seguir, haverá de vir dizer que não foi nada disso que disse...

sábado, 7 de setembro de 2019

Servia um jogo. Mas foram três!

Resultado de imagem para servia portugal


(Foto ANTÓNIO COTRIM/LUSA)


A selecção nacional acabou de conquistar em Belgrado o único resultado que lhe SERVIA, numa exibição que, não tendo sido brilhante, teve momentos suficientemente brilhantes para garantir a vitória.


O jogo teve várias caras. Parece até difícil caberem num único jogo tantos jogos diferentes.


Na primeira metade da primeira parte foi um jogo entre duas equipas de níveis completamente diferentes, e de aspirações antagónicas. Como se costuma dizer um jogo entre uma equipa grande e outra pequena. A equipa portuguesa era a grande, e parecia dominar por completo o jogo, com 75% de posse de bola. A da Sérvia era a pequena, apenas preocupada em defender, sem sair do seu meio campo. 


Pode parecer paradoxal, mas a verdade é que a equipa nacional jogou pouco bem esse jogo. Teve a bola mas não fez nada de interessante com ela. Nem um remate, nem uma oportunidade para marcar. Nada, e o jogo acabou empatado, a zero. Como não poderia deixar de ter sido!


Ao entrar na segunda metade da primeira parte iniciou-se outro jogo, com duas equipas completamente diferentes. Se o anterior não tinha corrido bem, este esteve bem perto de correr ainda pior, com a selecção sérvia a superiorizar-se a olhos vistos. Partiu para a frente e mostrou que possui jogadores para jogar este jogo, e não o anterior. A equipa portuguesa passou por alguns maus bocados, mas nem tudo foi mau: mesmo á beirinha do fim o guarda-redes sérvio chocou com um colega, e a bola ficou ali á frente de Wiliam Carvalho, em cima da linha de golo. Foi só empurrar e, na primeira oportunidade, um golo. O da vitória. Nesse jogo.


Com a segunda parte iniciou-se outro jogo, aquele que verdadeiramente todos estávamos à espera. Incluindo Fernando Santos, surpreendido no primeiro pelo adversário e, no segundo, pelo primeiro.


E aí, sim. A equipa portuguesa fez finalmente um bom jogo, e deixou claramente vincada a superioridade sobre um adversário cheio de bons jogadores, mesmo que nenhum de verdadeira excelência, que se aproxime dos nossos melhores.


Cedo, Gonçalo Guedes - de novo aposta do seleccionador, em detrimento de João Félix, mantendo a mesma equipa que há três meses venceu a final da Liga das Nações -, depois de Cristiano Ronaldo ter ameaçado por duas vezes, com a bola a sair escassos centimetros ao lado do poste direito do guarda-redes, já claramente batido, fez o primeiro golo deste jogo, e o segundo no agregado. E que golo!  


Tudo parecia resolvido, mas dez minutos depois, num canto, a defesa portuguesa devolveu a gentileza do fim da primeira parte. Com o golo a Sérvia cresceu, e poderia até ter chegado ao empate, pouco depois, negado por Rui Patrício. Outro tanto tempo depois, Cristiano Ronaldo marcou o seu golo da ordem, a concluir com classe mais uma excelente jogada de futebol. Que, com VAR, teria sido provavelmente anulado.


De novo com um resultado confortável a equipa jogava então bem, e controlava verdadeiramente o jogo. Só que, cinco minutos depois... mais um brinde, e a Sérvia chegava ao segundo golo, só não voltando a lançar a dúvida no resultado porque, no minuto seguinte, Bernardo Silva - o melhor dos melhores - fechou-o, com a classe. 


Faltavam 4 minutos para os 90, e o jogo já só teria para mostrar a qualidade de João Félix, que substituíra Gonçalo Guedes, em duas ou três ocasiões. 


No fim deste último dos três jogos num jogo só, ficam quatro golos em quatro remates enquadrados com a baliza. Pobre guarda-redes!


O resultado poderia até ser mais desnivelado. Mas isso só se não tivessem acontecido os tais erros defensivos...   

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A política a aquecer. Como o tempo...*

Resultado de imagem para pré campanha legislativas 2019


 


Com o fim das férias, e a subida da temperatura, a actividade política explodiu. De um dia para o outro, de repente, e sem a ponte que as rentrées sempre abrem, o país deu por si rodeado de entrevistas e debates por todos os lados. Sim, que já não se fazem reentrés como antigamente, e até o mítico Pontal do PSD, onde confluía a fina flor do partido devidamente bronzeada, acabou de vez. Vai valendo o Chão da Lagoa, mas isso fica lá na Madeira, e foi sempre uma espécie de festa particular do Alberto João …


Claro que as eleições estão aí à porta, a um mês de distância. E para nós, um mês, em eleições, é muito pouco tempo. É muito curto, é já aqui. Nada que se pareça com os ingleses, que ainda não sabem se vão ter eleições para a semana…


Se os ingleses não precisam de grande preparação, e muito menos de grande conversa para ir votar, nós nem com grande conversa lá vamos. Talvez seja por isso, para nos mobilizar, que a campanha, ou a pré-campanha, nos entra em casa já todos os dias. Os telejornais já não despregam dos líderes partidários, atrás deles por todo o lado e, no resto, se não há debate a dois, há entrevista a um.


Nem sei se tanta coisa, assim de repente, não acabará por ser demais… Talvez não. Pelo menos para o pessoal mais ligado à oposição, que andava desesperado com o desaparecimento da sua gente. Pelo menos agora pode vê-la todos os dias… Ali, no duro. Ombro a ombro com os demais, a disputar cada minuto de luz e câmara, a cantar e a saltar. E sempre, sempre com alguma coisa na ponta da língua para dizer… Mesmo que, frequentemente e sem tempo para as pensar, acabem por sair umas coisas disparatadas e sem grande sentido. Já as começamos a ouvir!


Como há quem pense que o importante é que se fale de si, nem que seja para dizer mal, na política pensa-se que o importante é falar. Nunca estar calado, falar sempre. Nem que seja a dizer asneiras… 


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O mestre ou artista?

Resultado de imagem para entrevista antónio costa sic


 


A histérica reacção de Sócrates às palavras de António Costa sobre as maiorias absolutas ("os portugueses não gostam de maiorias absolutas"), em carta publicada no passado fim de semana no Expresso, foi levada  a crédito da sorte política do actual primeiro-ministro. Para António Costa, nesta altura, nada melhor que a hostilidade expressa de Sócrates.


Na entrevista de ontem à noite à SIC o tema veio a terreiro, tendo António Costa respondido que não quis atingir José Sócrates: “Não me passou isso pela cabeça”.


Poderia parecer que, com esta resposta - em vez de, por exemplo "cada um faz as interpretações que quer" - , estaria a desbaratar a vantagem que é ter Sócrates do lado de lá. Mas não está. Dando por certo que essa é uma vantagem que já ninguém lhe tira, com esta resposta Costa quis reduzir Sócrates à inexistência. 


É por estas e por outras que lhe chamam mestre. Poderá nem ser um mestre na política, mas é um mestre na arte do jogo político. A dúvida é se a isto se chama mestre, ou se chama artista.


 


 

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Brexit - o axioma!

Resultado de imagem para manifestações contra o brexit


 


Diz-se que, afinal, o Parlamento atrapalhou as contas de Boris Johnson. Não sei se atrapalhou. Impediu-o de avançar com a saída sem acordo e, acima de tudo, impediu-o até de a utilizar como arma negocial com a União Europeia.


Como não creio que se possa acusar os deputados britânicos de impor limites à defesa dos interesses do país, tenho de concluir que entendem que seria uma arma muito perigosa nas mãos daquele primeiro-ministro. Acho que os deputados fizeram bem, o que não quer dizer que Boris Johnson tenha saído definitivamente derrotado.


Da mesma forma que nada do seu plano poder ficou ganho quando avançou para a suspensão do Parlamento, também agora nada ficou decididamente perdido. Pelo contrário, foi até um passo importante para chegar às eleições antecipadas, afinal o grande objectivo do projecto de poder do exuberante primeiro-ministro inglês. Mesmo que, ao anunciar a sua necessidade, tenha dito que era contra a sua vontade, que não as queria. 


Acontece que convocar eleições não é prerrogativa incondicional do primeiro-ministro. Terão que ser convocadas por dois terços dos deputados (434 dos 650) ou, em alternativa, na sequência de uma moção de censura. E nenhuma destas condições estão já aqui ao virar da esquina.


No meio disto tudo, a maior vitória de Boris Johnson é, por mais paradoxal que possa parecer, a consolidação do brexit. Quando continua em causa na sociedade britânica, deixou de estar em dúvida na agenda política, e passou a axiomático. Apenas se discute se com, ou sem acordo!


 

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Abertura dos debates no fecho do mercado

Resultado de imagem para debate costa jeronimo


 


Arrancaram os debates televisivos com vista para as legislativas que aí vêm. O  pontapé de saída foi dado por António Costa e Jerónimo de Sousa, e a coisa foi morna, e até desinteressante.


Ninguém se quis meter em alhadas, tudo muito cordato e ... sem golpes baixos, nem entradas por trás. Até parecia que queriam despachar aquilo porque, importante mesmo, era o fecho do mercado. Da bola, porque o das patetices nunca fecha!


 

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Manipulações

Resultado de imagem para manipulação


 


Há quem diga por aí que as sondagens merecem tanto crédito quanto os "twittes" que a TVI utilizou para avaliar as entrevistas de António Costa e da Catarina Martins, os #CostaBem #CostaMal e #CatarinaBem #CatarinaMal.


Pode até ser que sim, mas o que querem é que pareça que sim. Pretender comparar resultados obtidos através de técnicas e métodos científicos - há sempre que se atreva a manipular alguma coisa, mas nunca todos manipulam tudo - com resultados expressos através das redes sociais, muitos deles obtidos através de perfis criados exclusivamente para o efeito, e falsos, é da mais grosseira e despudorada manipulação que já se vai vendo por aí. 


 


 

domingo, 1 de setembro de 2019

Sem xistradas

Resultado de imagem para braga - benfica


 


Depois da derrota da semana passada, ainda por digerir, o Benfica tinha hoje uma deslocação a Braga, sempre difícil, ao contrário do que alguns por aí gostam de dizer. E que o Benfica tem sabido, nos últimos anos, parecer fácil. Como hoje voltou a acontecer, a jogar contra um grande Braga, como tinha deixado patente há duas semanas em Alvalade, e há quatro dias, em Moscovo. Sem que ninguém lho facilite, jogando contra um adversário completo e inteiro. Sem que lhe seja dada a benesse de jogar contra dez desde os primeiros segundos do jogo, ou contra nove, se e quando o jogo pudesse começar a ficar complicado. Sem xistradas!


O Benfica entrou muito bem no jogo Os primeiros sinais foram de uma equipa confiante, fiel ao seu modelo de jogo e pronta a instalar o seu futebol de qualidade no relvado. Pouco depois dos primeiros momentos do jogo o Braga começou a engasgar o futebol dos campeões nacionais, passando a jogar com pressão sobre os jogadores adversários em todas as zonas do campo, a começar mesmo em cima da área benfiquista. Foi no entanto sol de pouca dura, porque rapidamente o Benfica tomou conta do meio campo - com Taarabt e Florentino em grande plano - e do jogo. Que poderia ter ficado resolvido na primeira parte, com ocasiões suficientes para chegar ao intervalo com uma goleada, apenas retardada porque os dois avançados do Benfica continuam de costas voltadas para o golo, falhando sucessivamente aquilo a que se chama "golos feitos". Uma mala-pata que certamente um dia destes vai acabar.


O golo único da primeira parte, de Pizzi, de penálti, a meio desse período do jogo, foi muito pouco para as cinco ou seis oportunidades claras que o Benfica então criou. Contra uma única do Braga, num remate ao poste de Ricardo Horta, na sequência de um livre por uma das muitas faltas que o árbitro Nuno Almeida assinalava cada vez que Taarabt disputava uma bola. Com tanta convicção que até lhe deu um amarelo pela sucessão de faltas que só ele via.


Sá Pinto percebeu e sentiu esse domínio do Benfica e mexeu na equipa na entrada para a segunda parte, com duas substituições, tirando Galeno e Hassan e fazendo entrar Murillo e Rui Fonte.


Mas nem deu para ver no que dariam. O Benfica entrou para repor a verdade no marcador, e não deu qualquer hipótese de reacção ao Braga. E logo na de saída de bola, pegou nela e desenhou uma grande jogada de futebol, culminada no excelente cruzamento do regressado André Almeida - que falta tem feito naquela ala direita! - para uma não menos excelente desmarcação de Pizzi, concluída num grande golo.


Quatro minutos depois, ainda dentro dos primeiros 5 da segunda parte, o Benfica chegou ao terceiro. Mais uma bela jogada, com um grande trabalho de Seferovic, a dar o golo a RDT. Só que - está visto - ninguém quer que os avançados do Benfica marquem, e o Bruno Viana antecipou-se ao avançado espanhol, roubando-lhe o golo que tanto persegue. Exactamente como um quarto de hora depois, então a passe de Jota - que tinha entrado a substituir o avançado espanhol -, foi o Ricardo Esgaio a roubar o golo a Seferovic que fechou o resultado.


A partir daí, e quando se esperava que o novo trio de ataque - Jota, Vinícius e Caio - quisesse fazer miséria no resultado, o Benfica alternou espaços de asfixia sobre a baliza de Matheus com outros de clemência, acabando até por ser nesse período que Odysseas foi chamado a duas grandes defesas, mantendo a baliza a zeros.


No fim, fica mais um grande resultado - mesmo que escasso para as oportunidades criadas, e mesmo com os avançados de novo em branco - em mais uma visita ao Minho. E a forte convicção que na semana passada apenas aconteceu um acidente de percurso.


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...