Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour!
Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Oliveira - o recordista da grandes voltas, sem nunca ter desistido - a atacar a corrida logo que foi dada a partida. Sem sucesso. A etapa abriria com Croix de Fers, uma subida de 24 quilómetros, de categoria especial, e com a fuga iniciada por Juan Ayuso (uma das decepções deste Tour), levando consigo o equatoriano Carapaz e o francês Valentin Paret-Peintre, interessados no prémio da montanha. Lá estavam também, entre outros, kuss, Jay Hindlay, e Ben Healy, juntando-se, logo a seguir, Mads Pedersen, na tentativa de assegurar, o que conseguiu, desde logo a camisola verde, dos pontos. ´
Na montanha Carapz começava aqui a desenhar a vitória, passando em primeiro. Seguiu-se, e repetiu-se, no Telegraphe, deixando Valentin Paret-Peintre de dar luta. Apenas o Galibier, no tecto do Tour, a 2.642 metros de altitude, faria reduzir o grupo em fuga. Na frente restavam Carapaz, Kuss, Hindley, Ricitello e Ayuso, com este já a descolar. De novo a passar na frente, equatoriano confirmava que era o rei da montanha. O pelotão estava a 5 minutos, o que deixava Ayuso próximo do pódio.
Nesta altura, a mais de 60 quilómetros da meta, fiel à palavra dada, Pogaçar não abandonava o seu companheiro de equipa, Isaac del Toro. Já sem colegas de equipa, a não ser o mexicano, pegou na corrida, numa imagem inédita em grandes voltas. Mas depressa teve que moderar o ritmo, demasiado para o seu colega.
No início da subida ao Col de la Sarenne, a terceira categoria especial da etapa, Ayuso não resistiu. Na frente apenas Kuss, Carapaz e Hindley, que atacavam e conta-atacavam, até este último ceder. Lá atrás, no grupo do camisola amarela, Paul Seixas, já com Hindley e mais dois colegas de equipa - era o único que, naquela fase da corrida, tinha tamanho apoio -, dá indicações para atacarem, e sufocarem del Toro.
Foi um erro grave de Seixas, e a grande desilusão, apesar dos seus 19 anos, a deixar a dúvida se não será produto do sebastianismo francês, que procura desesperadamente o sucessor de Hinault. Acabou a equipa, acabou ele próprio, e só não perdeu o quarto lugar para Lenny Martinez, mais uma vez às costas de Pogaçar, por escassos segundos.
Na frente, quando seguia com uma vantagem que já não perderia, Kuss caiu. Por duas vezes, na descida, a provar descer não é a sua especialidade. E Carapaz ganhou a sua segunda etapa.
Pogaçar não abandonava del Toro, e Evenepoel aproveitou para ir embora. Foi segundo na etapa, passando ainda o infeliz Kuss. Pagaçar e Isaac del Toro chegaram logo atrás, fraternalmente abraçados, com dois minutos de vantagem sobre Seixas. E o terceiro lugar do pódio garantido. Porque o prometido é devido. E porque assim são os heróis de carne e osso!
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