Por Eduardo Louro
Aproveitem bem. É que este acabou-se. Para ano já não há!
Por Eduardo Louro
Aproveitem bem. É que este acabou-se. Para ano já não há!
Por Eduardo Louro
A entrevista do primeiro-ministro foi formalmente certinha. Pedro Passos Coelho é um entrevistado sereno e tranquilo. Transmite um ar de seriedade e de sinceridade que, conjuntamente com a serenidade, a tranquilidade e mesmo alguma simpatia em doses Q B, o coloca nas antípodas do tom arrogante e conflituoso de Sócrates, que em vez de responder às perguntas do entrevistador debitava apenas um discurso formatado e repetitivo e, também por isso, digno de pouco (ou nenhum) crédito. Pese embora a utilização de uma linguagem tecnocrática, que não ajudou na entrevista, Passos Coelho passa bem em televisão, como se sabe!
Deixando de lado a forma e virando-me para a substância diria que não houve novidades. É certo que pareceu indicar uma mudança de discurso quanto ao papel do BCE, que nesta altura do campeonato nem aquece nem arrefece. E que disse que havia um plano para a saída do euro, que não sei se será realismo se sinal descrença. Mas não teve medo de o afirmar, o que me parece reforçar os créditos da seriedade da sua comunicação!
Claro que com este cenário nem sequer vale a pena enfatizar o facto de, enquanto declarava que o orçamento hoje aprovado era o mais difícil de sempre, adiantar que mais e mais gravosas medidas de austeridade estarão a caminho… Quer dizer, o inferno que nos espera é bem pior do que aquele que se espreita a partir do orçamento!
Também não se fala de economia. Nem das inadiáveis reformas estruturais. Mas que importa tudo isso se nem sabemos se daqui por duas semanas ainda existe euro! Assim é conversa fiada…
Por Eduardo Louro
Acaba de ser aprovado o Orçamento de Estado para 2012. Agora é que vamos ver como elas mordem...
Por Eduardo Louro
Portugal não tem grandes tradições senatoriais. Desde logo porque não tem um Senado e, sem Senado, não há senadores… Mas, a exemplo de outros países que também não dispõem de uma câmara alta entre as suas instituições, há figuras que, pelo seu passado, adquirem um estatuto de grande peso específico na nossa sociedade.
Mário Soares, mas também Freitas do Amaral, serão provavelmente as figuras nacionais que mais atributos apresentam para reivindicar esse estatuto. É certo que não basta reivindicá-lo e que há quem trate melhor ou menos bem desse papel.
O atributo primeiro para garantir e sustentar esse papel é a autoridade, uma autoridade que decorre da própria história pessoal. Depois virá a independência. E depois mais uma série de outros, entre as quais uma adequada gestão do discurso e, especialmente, uma certa contenção.
Não vislumbrando muitas outras, também não me parece que as duas figuras que se digladiaram em 1986 sejam exactamente os melhores exemplos de gestão desse estatuto. Desbaratam frequentemente atributos, por actos, incongruências e, às vezes, por omissões. Por coincidência ou não, são ambos hoje notícia!
Freitas do Amaral pelas suas referências à ditadura europeia: a Europa é hoje um conjunto de democracias governada em ditadura – afirmou. Mário Soares, pelo seu apelo à revolução: se a Europa não muda terá de haver uma revolução – expressou hoje em entrevista ao jornal i.
Uma matriz comum – a Europa – sobre o mesmo pano de fundo: o afundamento do projecto europeu. E uma linguagem também comum na falta de rigor e mesmo numa certa leviandade. É certo que no actual drama em que a Europa de transformou não será fácil encontrar um discurso lúcido e coerente. O desespero grassa em Portugal e por essa Europa fora, sem saídas à vista. Nem os mais optimistas conseguem vislumbrar outro cenário que não o fim deste projecto europeu, a implosão de um espaço que se tinha como adquirido de paz, progresso económico e social e de liberdade. Mas, daí até justificar tudo com as actuais lideranças alemã e francesa, ou encontrar a saída através de uma revolução – que teria de ser pan-europeia e que ninguém faz a mínima ideia do que poderia ser – vai uma grande distância. Que não está ao alcance de nenhum senador!
O beco sem saída a que chegamos foi projectado há muito tempo. Pela mão de alguns dos que hoje, para estes senadores e não só, são os grandes impulsionadores do projecto europeu. Quando Helmut Khol e Miterrand resolveram que uma mão - a unificação alemã – lavava a outra - a moeda única -, e Jacques Delors decidiu dar gás a um euro artificial sem olhar aos cuidados que vozes avisadas lhe recomendavam. Nessa altura, quando, como sempre, em cima da mesa estavam os interesses alemães – com o mesmo miúdo atrás, como agora Freitas refere – ninguém falou em ditadura. Nem ninguém se lembrou da democracia, deixando estas coisas sempre à margem da consulta dos europeus que, então, não contavam para nada. A Europa tinha verdadeiros líderes, elites de grande craveira. Para quê a democracia?
E se alguém tivesse o arrojo de submeter as decisões democráticas do eixo franco-alemão – então constituído por gente de bem – ao veredicto popular já sabia que o teria de fazer tantas vezes quantas as necessárias para as sufragar. Nem que para isso fosse necessário lançar mão de chantagens de toda a ordem. Tudo muito democrático e sem necessidade de revolução nenhuma!
Por Eduardo Louro
Godinho Lopes, o presidente do Sporting, não sabe quem lançou o fogo à bancada da Luz. Como já o seu vice, estando lá – in loco – também não sabia. Mas sabe que vai pedir um inquérito à Liga, porque tem registos de ocorrências graves junto ao balneário que envolvem Luís Filipe Vieira, o presidente do Benfica.
No Dragão, o narrador da TVI em serviço – o jornalista Valdemar Duarte - foi insultado por Pinto da Costa, presidente do FC Porto, e agredido por um elemento do satf portista.
Os chamados comentadores, que representam os clubes nos painéis dos múltiplos programas que enchem o espaço mediático, não comentam nem esclarecem coisa nenhuma. São apenas caixas de ressonância de tudo isto, amplificando tudo o que de pior fazem e dizem os respectivos dirigentes, de quem são meras correias de transmissão!
Gosto muito de futebol Mas não tolero este futebol desta gente …
Por Eduardo Louro
Depois do flamenco e do tango é a vez do fado. Esta é também uma herança de Amália!
Por Eduardo Louro
Poderá não ter sido um grande jogo, mas foi um jogo grande!
Como aqui tinha antecipado, o árbitro cumpriu a nova lei do futebol que proíbe os adversários do Sporting de jogar com 11. De resto, um grande ambiente! Nota alta para o Benfica, que ganhou um jogo tão difícil quanto importante. E nota também alta para a equipa do Sporting – que demonstrou claramente ter condições para disputar o título – e para os adeptos do Benfica e do Sporting que conviveram saudavelmente nas bancadas da Luz (á minha volta havia quase tantos sportinguistas – alguns deles conhecidas figuras públicas - como benfiquistas, desfrutamos juntos do jogo e das suas incidências e, no final, despedimo-nos com todo o fair play) a provar que, fora do enquadramento das direcções dos clubes e das claques, o ambiente que se vive no futebol chega até a ser afectuoso.
A nota negra viria – pois claro - das claques sportiguistas que resolveram, sob a passividade cúmplice das autoridades, incendiar toda a zona onde estavam instalados, precisamente a polémica zona de protecção agora criada. Uma zona de protecção que faz todo o sentido ( e é utilizada nos mais modernos estádios da Europa) quando se fala de grupos de adeptos organizados – sempre claques, como se sabe – e que os responsáveis do Sporting começaram por incendiar bem antes de aqueles energúmenos terem desatado a pegar fogo nas cadeiras, no final do jogo. Antes, bem antes do fim do jogo, já aquela gente havia partido tudo o que era vitrina naquela zona!
Antes, mais de três semanas antes do jogo, já os dirigentes sportinguistas começavam a criar matéria inflamável quando, de forma absolutamente gratuita e infundada, como se provaria com a devolução de bilhetes enviados pelo Benfica, reclamavam 10 mil ingressos, bem acima do que as regras da Liga prevêem e do que a história e o bom senso justificavam.
Mal está esta classe de dirigentes que pensa que pode viver disto… Estou certo que os sportinguistas que foram meus vizinhos de circunstância, e com quem tive o gosto de partilhar aquelas duas horas, ficaram envergonhados!
Por Eduardo Louro
Com esta expressão de hoje – colado à linha – o futebolês regressa ao non sense. Ao indecifrável e ininteligível noutra linguagem!
Para complicar avancemos com o sinónimo: encostado à linha! Pois é: colado à linha e encostado à linha é exactamente a mesma coisa!
Se a ideia de alguma coisa colada a uma linha ainda poderá fazer algum sentido, a de encostado à linha é que não tem ponta por onde se pegue. Ninguém se encosta a uma linha. É virtualmente impossível! Acresce que, colado ou encostado – que não são sequer coisas semelhantes, são a mesma – induzem uma ideia de estaticismo. De ausência completa de movimento: colado, está preso – incapaz de se movimentar – e, encostado, está parado – sem vontade nenhuma de se movimentar!
No entanto a expressão – uma ou outra, é indiferente porque são absolutamente sinónimas – aplica-se para identificar movimentos. Certamente a mais movimentada das movimentações dos jogadores. Há jogadores que desempenham as suas acções bem no meio do campo, mais atrás, mais à frente ou mesmo mais no meio, mas sempre na faixa central do terreno, como se diz em futebolês. Há outros que, como também se deve dizer, o fazem nas faixas laterais. São, na designação moderna, os alas - antigamente dizia-se que eram extremos, talvez menos apropriado ainda – ou os defesas laterais, cada vez menos defesas e cada vez mais laterais. Há alas que, jogando nas faixas laterais, flectem para o centro. Fazem as hoje tão faladas diagonais, saindo da linha para o centro, seja à procura de oportunidade de remate seja para desposicionar a defesa adversária. E há os que, nunca – bem, não exageremos, quase nunca – largam a linha lateral – à esquerda ou à direita - que assinala o comprimento (105 metros ) daquele rectângulo. Pois, são esses! São esses que correm que nem uns perdidos ao longo desses 105 metros de quem, no entanto, se diz estarem encostados ou colados à linha!
Classicamente - à maneira dos antigos extremos - os jogadores encostam-se à linha por estratégia de ataque. Para alargar mais o campo e correrem até à linha de fundo para, daí, colocarem a bola de frente para os seus colegas em movimento atacante. Eram jogadores que faziam poucos golos mas muitas assistências. Actualmente os treinadores colocam jogadores colados à linha mais por razões defensivas do que outras; mais com a ideia de impedir o avanço dos laterais contrários e de, assim, dificultar o alargamento circunstancial da capacidade ofensiva do adversário, do que por qualquer outra.
No derbi de logo à noite iremos certamente ver comportamentos distintos dos diferentes alas. No Benfica, os dois alas não jogam exactamente colados à linha. Gaitan e Bruno César – e o mesmo se passa com Nolito – nem se encostam nem se colam às linhas, partem da linha em diagonal para o centro, onde fazem o último passe ou mesmo o remate.
O Sporting joga apenas com um verdadeiro ala: Capel, à esquerda. Esse sim, sempre colado à linha. Como poucos e como já não se vê! É daqueles bem à antiga, que põem a cabeça em baixo, fecham os olhos e lá vão eles…a correr que nem doidos. Para nada, na grande maioria das vezes…Mas os adeptos do Sporting apreciam o estilo. Na direita não tem um ala puro, excepto quando coloca em jogo aquele miúdo peruano - Carrillo, se não estou em erro (não sou muito bom a fixar os nomes de alguns jogadores) – já naquela parte do jogo em que estão a jogar contra 10.
Espero bem que logo à noite na Luz não tenha sequer a oportunidade de ver o tal miúdo na ala direita. Sei bem que é difícil, porque dá-me a impressão que há um regulamento qualquer na Liga que impede o Sporting de jogar contra 11… Os árbitros apenas cumprem a lei. Nada mais!
E, claro, verei o Capel colado à linha… Mas sempre a correr atrás do Maxi Pereira!
Do outro lado Gaitan. Que não jogará colado à linha, mas que terá que se preocupar em escapar às pisadelas do outro Pereira. Pisadelas e não só, o rapaz tem um reportório inesgotável…
Por Eduardo Louro
Foi há 36 anos. Para uns esta é a data maior da democracia, a data que supera a do 25 de Abril. Para outros esta é a data que começou a matá-lo…
Há História para (quase) todos os gostos…
Por Eduardo Louro
A greve geral deste dia 24, que acaba de chegar ao fim, não foi muito diferente das outras. A mesma data - 24 de Novembro – do ano passado. A mesma repetição, até à exaustão, da legitimidade do respectivo direito. Toda a gente acha que a greve é um direito indiscutível, inalienável e que tem que ser respeitado.
Toda a gente acha que a greve é um direito respeitável, mas… Pelo que se viu por aí fora há sempre um mas, toda a gente tem uma mas a acrescentar. Que, mais ou menos atabalhoado, mais ou menos engasgado, serve tão simplesmente para dizer que o direito à greve existe mas não devia existir! Tal e qual!
Verdadeira novidade foi a ausência da famosa e clássica guerra dos números. Já diz o povo: para teimar são precisos dois! Como para dançar o tango, como dizia o outro… Os sindicatos não deixaram os seus créditos por mãos alheias – as coisas também não estão para isso – e, sem abdicar do seu papel, partiram para a luta. E não fizeram a coisa por menos: mais de 90%! O governo ainda deu mostras de ir a jogo – logo pela manhã já estava de peio feito e de provocação em grande estilo a anunciar os seus 3,6% - mas, depois, o patrão Relvas deu meia volta e mandou recolher. Não entramos nessa guerra – sentenciou. E pronto, não há discussão, ninguém teima e não há guerra!
Não será certamente novidade que muita gente que achava que deveria ter feito greve tenha ido trabalhar. Como não é novidade nenhuma que a adesão à greve tenha sido grande no sector público e muito reduzida no sector privado. O que de algum modo terá suavizado os terríveis prejuízos para o país…
Se a mobilização para a greve advém das dificílimas condições de vida impostas aos portugueses – não importa se com ou sem alternativas, e nem sequer se com ou sem enquadramento no manifesto do Dr Soares – é claro que, da imensa e esmagadora maioria dos portugueses que vive os mais duros dias das suas vidas, grande parte estaria disponível para aderir à greve. Razões não lhes faltam! Muitos – muitos mesmo – não o fizeram porque não podem sequer prescindir do salário que perderiam. Outros não o fizeram por conflito de interesses. Pela consciência – particularmente no sector privado - de que o seu direito legítimo de fazer greve conflituava com o interesse da empresa que lhe garante o sustento ou - mesmo no sector público – de que o exercício desse seu direito prejudicava outros concidadãos.
É natural que a adesão se tenha concentrado no sector público. É historicamente assim. É aí que se concentram os trabalhadores – não digo os portugueses – mais penalizados e é aí, apesar de tudo e sem paradoxos, que ainda poderá residir alguma capacidade para perder um dia de salário. Vamos a ver se isto não dá mais umas ideias ao governo, acabando por descobrir que, afinal, ainda há lá mais uns trocos para sacar!
O resto são posições ideológicas. Os que são contra as greves. Porque sim! Os que as vêm como o remédio para todos os males. Ou os que as delas têm uma visão meramente instrumental. Os dos mas e até os que acham que a chinesa Dagong e a americana Fitch acabam de baixar o rating da República (mais um lixo) precisamente por causa da greve.
Há gente que não percebe que as sociedades precisam de válvulas de escape. E que, nas actuais circunstâncias, é fundamental que a mais que justificada indignação esteja institucionalmente enquadrada. Para que incidentes sem expressão - como simples actos de vandalismo em meia dúzia de locais (entre os quais algumas repartições de finanças) ou os incidentes do final do dia junto ao palácio de S. Bento – não venham abrir caminho a fenómenos de contestação difusos e inorgânicos, que facilmente degeneram em descontrolada violência social.
Por Eduardo Louro
Ainda não apareceu aqui ninguém para abrir o estabelecimento. Está tudo em greve, certamente. Adesão:100%!
Por Eduardo Louro
Vítor Pereira, já com a cabeça no cepo, conseguiu ver o cutelo passar ao lado. Enquanto o pau vai e vem folgam as costas, diz o povo, e pensará o macambúzio treinador portista. Ou … desta já me safei!
O Leonardo Jardim pode esperar… Ainda vai ao Dragão como treinador do Braga!
Por Eduardo Louro
O Benfica já lá está. Nos oitavos de final da Champions, por onde não andava há uns tempos! Uma saudação aos oitavos vinda desde Manchester, a very british hello…
Foi sofrido, é certo, mas é assim que as coisas sabem sempre melhor. Não foi uma grande exibição mas foi um jogo bem conseguido que garantiu muitas coisas: o apuramento, que era o mais importante, e a invencibilidade na época, que é sempre notável. O Benfica continua sem perder qualquer jogo oficial, provavelmente a única na Europa a este nível de competição!
Mas nem tudo são rosas e há a lamentar a lesão de Luisão. Mais que qualquer outra coisa. Mais, muito mais, que o golo do empate dos ingleses, obtido em fora de jogo. Irregular, portanto!
E o Teatro dos Sonhos calou-se para ouvir cantar Benfica. Foi bonito!
Por Eduardo Louro
Vasco Polido Valente, em entrevista ao Público:
“ Foi Cavaco quem empurrou o carrinho pela encosta abaixo”!
Nunca estive tão de acordo com VPV... Que faz hoje 70 anos. Parabéns, também por isso!
Convidado: Luís Fialho de Almeida
Aproveitando a sugestão aqui abaixo deixada, visitei a XIII Mostra de Doces e Licores Conventuais no Mosteiro de Alcobaça, evento que mobiliza todos os sentidos, para deleite de um ambiente monástico que mistura o virtuosismo do celestial com a sensualidade do profano. Que nos convida ao pecado e ao devaneio pelas barrigas de freira, maminhas de noviça, papos de anjo, toucinho-do-céu, beijinhos de freira, pecados de anjo, pecados de freira, divina gula…. E tantas e tantas mais tentações!
Os conventos nunca estiveram isentos destes e outros pecados, sendo consentidos alguns prazeres que notificaram mestres da arte da gastronomia e da doçaria. Entreguemo-nos pois ao pecado da gula sem que o peso da culpa que nos leve, sem mais, aos infernos.
Terminamos a visita saindo dos claustros do mosteiro pela porta que dá acesso à sala dos reis, e desta à nave da igreja de Santa Maria, onde nos deixamos elevar com as linhas arquitectónicas do gótico e as ressonâncias dos cânticos litúrgicos. Assim, apaziguamos o sentido de culpa, redimimos os pecadilhos cometidos ali ao lado e saímos com a promessa de moderação… Até daqui a um ano, até à próxima mostra de doces conventuais, mantendo a esperança que as sanções da troika e a mediocridade da governação nos não retirem por inteiro o acesso ao prazer de viver.
Por Eduardo Louro
O António José, Seguro de que é gente extraordinária, lembrou-se agora de perguntar pela legitimidade democrática da troika.
Extraordinárias perguntas, de gente extraordinária!
Por Eduardo Louro
O doce gosto do pecado, bem à vista de Pedro e Inês...
Por Eduardo LouroÉ frequente encontrar expressões do futebolês exactamente iguais às do português corrente. Nunca querem dizer o mesmo, têm significados completamente distintos. Poderíamos dizer que são expressões homófonas, que é coisa que não existe mas poderia muito bem existir!
Grupo de trabalho é uma expressão frequente na linguagem portuguesa. Por tudo e por nada em Portugal se cria um grupo de trabalho. É, muitas vezes, o primeiro passo para se não fazer nada, mas isso são contas de outro rosário. Com pior fama só mesmo as comissões parlamentares de inquérito. Não sei se será por isso – por nem sempre dar os melhores resultados, como ainda esta semana foi o caso do do serviço público de rádio e televisão, ou simplesmente pela moda dos anglicismos - que se tenha começado a substituir o grupo de trabalho por task force!
O grupo de trabalho é, em linguagem corrente, marcado pelo circunstancialismo. Cria-se um grupo de trabalho para uma tarefa específica – daí que a expressão inglesa faça mesmo sentido – que se esgota com a própria tarefa. Já em futebolês o grupo de trabalho é permanente. Não é um grupo construído para desempenhar uma determinada tarefa, mas um conjunto de equipas multidisciplinares integradas numa organização com missão, objectivos e estratégia.
Em futebolês o grupo de trabalho integra os jogadores - o plantel - e as equipas técnica, médica e administrativa, donde emerge o treinador com uma liderança absoluta. Seja na estrutura inglesa, onde o treinador – coach - é substituído pelo manager (o líder da organização que integra grupo de trabalho – Mourinho, no Real Madrid, para atingir esse desiderato não descansou enquanto não afastou o director desportivo, Jorge Valdano) seja na estrutura à portuguesa, que espalhou directores desportivos por tudo o que é sítio, mas quem manda é o treinador.
Em qualquer circunstância é claro que plantel e treinador são as peças fundamentais e a chave do grupo de trabalho. O resto, quanto menor visibilidade menor. Pede-se-lhe descrição e eficácia!
Vejamos o caso da selecção nacional. Porque está em alta, agora que tem na mão o guest card dos convidados de última hora para a festa de Junho na Polónia e na Ucrãnia, e porque, estando integrada numa organização de grande dimensão e dispondo de todas as estruturas, é actualmente um dos mais flagrantes exemplos do poder absoluto do treinador. No grupo de trabalho está lá tudo: um vice-presidente da Federação, um director desportivo, um departamento médico, etc.. Mas quem manda é o Paulo Bento! Para o bem e para o mal. Demasiadas vezes para o mal…e sempre em nome da defesa do grupo de trabalho! No futebol toda a gente põe a defesa do grupo de trabalho acima de tudo...
Para defender o grupo de trabalho foi inflexível com Ricardo Carvalho. Mas o grupo de trabalho é que deveria ter evitado o caso Ricardo Carvalho. Deveria haver lá gente que percebesse que a corda estava a esticar para intervir antes que ela partisse. Com Bosingwa deveria ter sucedido o mesmo. Logo que se percebeu que havia mosquitos por cordas alguém deveria ter actuado.
Quando, na terça-feira, Paulo Bento não resistiu ao inebriante odor do sucesso para desferir o golpe final nos dois proscritos, mostrou que não sabe liderar. Mostrou que poderá ser um bom sargentão, mas nunca um líder natural e, por muito que esta opinião vá contra a corrente, terá hipotecado um futuro de sucesso. Porque, hoje, a linha que separa a capacidade de liderança do autoritarismo gratuito é a mesma que separa o sucesso do insucesso.
O plantel da selecção nacional é a única estrutura do grupo de trabalho que não pertence à Federação. Os jogadores não são propriedade da Federação, chegam lá por empréstimo. Mas constituem os principais activos de alguns dos maiores clubes do mundo. Ora, com a sua história no Sporting e com estas posições na selecção, que grande clube poderá estar interessado em lhe entregar a gestão dos seus principais activos?
Se o caso Ricardo Carvalho se precipitou rapidamente, deixando a Paulo Bento pouca margem de gestão, já no de Bosingwa teve todo o tempo e toda a tranquilidade. Tudo começa em Fevereiro. Há um mês Paulo Bento diz que tem dois laterais direitos melhores, sabendo que toda a gente percebia o tamanho da mentira. Logo depois comunica: com ele, Bosingwa nunca mais. Finalmente, já em festejos do apuramento, explica: porque simulou uma lesão para não jogar no particular com a Argentina, em Fevereiro. Depois do jogador provar, e do médico do grupo de trabalho ter confirmado, que nada lhe permitia concluir da simulação da lesão, de ter exigido um pedido de desculpas e de, por fim, dizer que com com este seleccionador não voltará a jogar na selecção, Paulo Bento tem a lata de dizer que, com esta declaração, o Bosingwa é que se afastou a ele próprio da selecção.
Paulo Bento transformou-se, dentro e fora do jogo, num novo Scolari. Duro que nem o sargentão, desenvolve uma estratégia de grupo baseada na cumplicidade alimentada a fidelidade canina. Teimoso e fechado que nem o sargentão, concentra-se nos jogadores em vez dos conceitos de jogo. Arregaça as mangas e, incapaz na planificação técnica e táctica aposta no conflito e nas emoções. Tal como no declínio de Scolari…
Por Eduardo Louro
A troika é, como se sabe, uma emanação do FMI. A Comissão Europeia e o BCE não estão lá a fazer outra coisa que compor o ramalhete: não têm experiência nestas coisas, acabam agora de entrar nestas andanças!
Das ondas levantadas pela conferência de imprensa de anteontem – que Ulrich pretende agora proibir – e da entrevista do representante do FMI, o dinamarquês Paul Thomsen, à RTP, os media escolheram surfar a da redução de salários no sector privado. Viram ali a onda gigante da Nazaré, da semana passada!
O assunto não constava no texto oficial da troika, mas não foi poupado em tudo o que foi intervenção pública. Na conferência da CIP de ontem – onde tanta coisa importante foi dita, como, por exemplo, Belmiro de Azevedo a dizer que já não acredita neste governo nem neste presidente, ou Fernando Ulrich a dizer o que disse mas, mais importante, a dizer (o que não disse) que a economia não vai poder contar com crédito no próximo ano – aquela confederação patronal não se mostrou nada entusiasmada com o assunto. Importante, na sua perspectiva, é a flexibilidade de gestão do banco de horas resultante da meia hora diária de trabalho adicional. O primeiro-ministro, em Angola, chutou para canto. Oficialmente o assunto não existe! Os opinion maker oficiais do regime vêm a correr desvalorizar o assunto. Com duas correntes: uma que argumenta que isso já foi feito no sector privado e outra que garante não se justificar fazer o que os outros dizem que já foi feito, porque é o prémio de risco do sector. Quer dizer, os trabalhadores do sector privado pagam tudo com língua de palmo através do risco de desemprego. Os do sector público, imunes ao desemprego, é que têm de se contentar com a baixa de salários! Que, ainda por cima, é corte de despesa!
Não é, evidentemente, porque toda a gente esteja contra esta ideia de baixar salários no sector privado que a medida não tem pernas para andar. Ou que a troika não a inclua nos relatórios oficiais. É apenas porque, provocando quebras de receita (IRS e Segurança Social) cavaria mais fundo o buraco orçamental.
O FMI assenta a sua receita na desvalorização cambial. Sempre assim foi, e nunca, até agora, encontrara situações como esta. Não tem plano B! Por isso procura a competitividade nunca através da valorização do que quer que seja mas da desvalorização de tudo o que tenha à mão. E, à falta de moeda, lá vêm os salários em primeiro lugar!
Perguntar-se-á: então mas se, mesmo que funcionários de sétima linha - como o presidente do BPI lhes chama - estes técnicos da troika sabem que aumenta o défice, por que carga de água não resistem a insistir na redução dos salários do sector privado?
É que, como na parábola do escorpião, está-lhe na massa do sangue. A resposta é exactamente a mesma do escorpião para o sapo: porque sou um escorpião e essa é a minha natureza!
Por Eduardo Louro
Acredito que o processo no Brasil, pelo assassínio da senhora Rosalina, tenha feito acelerar o processo BPN em Portugal que levou à detenção de Duarte Lima e do filho, Pedro Lima. Já agora, gostaria de acreditar que este processo permitisse acelerar tantos outros, fios do mesmo novelo.
A começar pelo BPN – já que está à mão – de que se não ouve falar há muito tempo. É que, se tempos houve em que ouvíamos dizer que o coitado do Oliveira e Costa iria pagar as favas sozinho, agora, que já saiu da prisão, já nada se ouve. O outro lá saiu do Conselho de Estado, mas só isso…
E pelo BPP. Mas também que alguém se lembre que o Isaltino continua a brincar aos recursos, já depois do Tribunal Constitucional vir dizer que já não há nada por onde recorrer. E que deixem de haver escutas invalidadas, buscas ilegais e tantas outras irregularidades formais destinadas a que nada disto dê em nada…
É que o país não está exactamente para isso… As coisas não estão muito a jeito de tudo isso continuar a dar em nada!
O país exige, mais do que nunca, ética, vergonha na cara e respeito! Puxe-se o novelo, até ao fim!
Por Eduardo Louro
Vejam só onde isto chegou. Decididamente a banca portuguesa está farta da troika e já diz dela o que Maomé não diria do toucinho.
Um dia destes estão a falar com o Otelo…
Por Eduardo Louro
A troika acaba de nos passar no segundo exame trimestral, fazendo uma avaliação positiva da implementação do programa de resgate financeiro e abrindo, assim, caminho a mais uma tranche de 8 mil milhões. Que há-de chegar lá para finais de Dezembro!
Na longa conferência de imprensa onde comunicou os resultados a troika fez alguns alertas. O principal terá sido que os resultados do programa estarão postos em causa se não houver crescimento económico. Como toda a gente percebe, apesar de não parecer!
Isto deixa de ser um simples alerta – um aviso à Cavaco, para depois vir dizer “eu bem avisei” – para passar a ser um sério aviso. E muito preocupante, porque não se vê como seja possível crescimento económico no meio deste mar de medidas recessivas. A não ser que acreditemos que o crescimento económico está assegurado pelas exportações que, de repente, crescem sem limite porque, com a baixa generalizada de salários, o país é acometido de um súbito surto de competitividade. E que acreditemos que há capacidade instalada para tal. E que os nossos mercados estão, também eles, a crescer desmesuradamente…
Por Eduardo Louro
Quando se nomeia um grupo de estudo sobre qualquer coisa é condição sine qua non que as pessoas escolhidas detenham conhecimentos profundos da coisa. Que sejam especialistas! Se não, não vale a pena!
Claro que ser especialista numa coisa – na circunstância em serviço público de rádio televisão – não implica abstenção ideológica. E as convicções ideológicas de cada um influenciam, naturalmente, a sua visão das coisas. Na razão inversa da sua especificidade técnica, é certo, mas nunca lhe ficando indiferente. Daí que a constituição de um grupo de trabalho deva incluir especialistas e, tanto quanto possível, de suficiente amplitude ideológica.
Ora, o que se passou com o Grupo de Estudo do Serviço Público de Rádio e Televisão, foi bem diferente. Apenas dois especialistas na matéria: um demitiu-se e o outro, reconhecendo-se-lhe competências, está mais virado para o conflito e para o ajuste de contas. Num grupo presidido por um Professor de Gestão mais conhecido pelo seu referencial ideológico que propriamente por outras razões, não admira que o Relatório final seja uma coisa pouco menos que ridícula.
Ninguém, seja qual for a sua posição perante a rádio e a televisão pública, reconheceu qualquer mérito àquele Relatório. Nenhuma ideia estruturante, apenas ideias preconceituosas. E disparates, muitos disparates!
Sou, como tenho por diversas vezes manifestado, favorável à privatização da RTP. E entendo que o serviço público – um serviço público a sério - deveria ser objecto de contratualização com os diferentes operadores como contrapartida da atribuição das respectivas licenças. Não sou um especialista e tenho esta posição apenas por razões pragmáticas, à cabeça das quais está logo a utilização da RTP como o covil de favores políticos, onde cabe sempre mais um.
Talvez por isso me sinta confortável na denúncia do embuste que é este Serviço Público de João Duque. Serviço Público e João Duque são, de resto, de convivência difícil!
Por Eduardo Louro
E pronto lá vamos nós ao europeu do leste, na Polónia e na Ucrânia. Bem à portuguesa, bem sofrido, bem já no fim…
É a nossa sina, o que é que se há-de fazer?
O jogo de hoje, a última oportunidade que tínhamos de lá estar em Junho, permitiu-nos rever o filme de todo o apuramento: uma superioridade imensa que às vezes parecia não servir para nada, a troca das voltas da sorte e do azar, momentos de altíssima concentração logo seguidos de outros de completa descompressão, sempre penalizadores e, finalmente, golos, espectáculo e festa. Atravessamos ao longo deste jogo todos os momentos da fase de apuramento: o espectro do primeiro jogo – o inacreditável empate a 4 com o Chipre –, o azar do jogo na Noruega, a desconcentração dos dois últimos jogos - com a Islândia e com a Dinamarca – e o brilhantismo dos jogos caseiros com a Dinamarca e a Noruega.
Durante a maior parte do tempo a selecção jogou 10. Jogar com 10 não ajuda, convém não esquecer. Paulo Bento insiste em jogar com dez. Coloca sistematicamente o número 23 na ficha de jogo, manda mesmo uma camisola com esse número para dentro do campo, mas … quem jogue à bola é que não!
Mas é nestas coisas que o futebol é o que é. Isto mesmo! À entrada do último quarto de hora toca pela primeira vez na bola e… golo. Pouco depois, na segunda vez que toca na bola, o segundo golo. Em paralelo com o adversário, que fez dois golos nas duas vezes que rematou à baliza. Mas que também não jogou nada. Não deu para perceber que equipa é esta da Bósnia, que nem de perto nem de longe, conseguiu justificar o receio que por aí se vendeu. Nem as estatísticas que ostentava! Nem as dificuldades que impusera à selecção francesa!
Ah! E um grande Cristiano Ronaldo. Hoje foi tudo nesta equipa…
Por Eduardo Louro
É frequente associar a criminalidade à crise. Há aqui um certo dedo ideológico, que tende a apontar no sentido de que as pessoas, uma vez penalizadas pelas agruras da crise – o desemprego, a redução dos apoios sociais, etc. – procuram satisfazer as suas necessidades básicas através de actividades criminosas. De criminalidade violenta!
Vejo este título do Público e não consigo fugir a uma breve reflexão sobre o assunto. Se é certo que esta ideia de associar a criminalidade à crise tem o seu quê de ideológico, não o é menos que uma certa ideia de facilitismo – no sentido de encontrar respostas fáceis, um tanto ou quanto primárias - instalada na sociedade portuguesa favorece esta interpretação.
A ideia de que o crime aumenta à medida que aumentam as dificuldades da vida não é aceitável. No entanto ela está instalada, e é dada como certa em determinadas realidades.
É frequente ouvirmos técnicos de Serviços Sociais deixarem-nos uma ideia de que há subsídios que têm de ser mantidos para comprar certas condições de convivência que nos garantam a paz e a tranquilidade que asseguram a nossa vida social. Não sei de onde veio essa ideia, mas sei que essa é uma forma de nos convencer a todos de que esse dinheiro é bem empregue. Que não é um dinheiro destinado a financiar modos de vida marginais mas um dinheiro destinado a pagar um direito como os outros. Como pagamos o direito à saúde ou á educação, pagamos o direito à segurança, só que por duas vias: pela da política activa de segurança e pela da subsidiação social. Nessa medida isso é como que um imposto que organizações criminosas implantam nos territórios que dominam.
Evidentemente que, nestas circunstâncias, o aumento da criminalidade não tem nada a ver com a crise. A criminalidade está lá, latente, e nós apenas a contemos enquanto tivermos condições para pagar o tributo - a chantagem. Aqueles que a crise violenta, os mais pobres e os desempregados que todos os dias engrossam a fila dos deserdados do sistema, não têm nada a ver com o aumento da criminalidade. São gente séria que não merece o que lhe está acontecer, quanto mais ser ainda vítima destes anátemas!
O crime não tem ideologia!
Convidado: Luís Fialho de Almeida
Decorre na Gulbenkian a exposição sobre o tema “A Natureza-Morta na Europa”, séculos XIX-XX, referente ao período de 1840, data do surgimento da fotografia, até 1955, data da morte de Calouste Gulbenkian. Em 1839-1840, com o início da fotografia, a pintura liberta-se da necessidade da representação rigorosa das coisas e dos factos, passando para novas formas experimentais com o uso da luz, da cor e das formas, explorando novos meios e tecnicas. Neste período, a natureza-morta foi campo fértil, designadamente para os impressionistas.
A exposição, composta por 93 obras de 70 artistas - como Matisse, Cezánne, Bonnard, Van Gogh, Braque, Manet, Monet, Picasso, Gauguin, Dalí, e ainda os portugueses Eduardo Viana, Amadeo de Sousa-Cardoso, Mário Eloy e Vieira da Silva - permite-nos outras visões e leituras numa abordagem diversa para a expressão dos objectos, e uma outra compreensão da realidade.
Bem estruturada do ponto de vista didáctico, percorremos esta exposição com enorme liberdade interpretativa das criações expostas, algumas das quais, ainda que tangencialmente, tocam outras correntes, como o cubismo e o surrealismo.
Depois de ter efectuado a visita, e dada a oportunidade rara de estar perante os originais de tantos e ilustres artistas, venho partilhar convosco esta nota, para que não percam interessantes momentos de aprendizagem da estética da representação.
Por Eduardo LouroUm jogo não é rasgado - ou rasgadinho como também se diz em futebolês – quando se rasga o que quer que seja: camisolas, calções ou qualquer outra parte do equipamento.
O que não quer dizer que não se rasguem camisolas na sequência de jogos rasgadinhos. Ainda nos lembramos de um célebre jogo em Alvalade em que a camisola do Rui Jorge – hoje seleccionador nacional da equipa de sub 21 (acredito que se tenha deixado de lhe chamar esperanças por disso haver cada vez menos) – foi rasgada precisamente depois de um jogo rasgadinho entre o Sporting e o Porto. Coisas de outros tempos, que não exactamente de outro Mourinho, e muito menos de um outro Porto…
Começa-se a perceber que um jogo é rasgadinho quando é muito disputado, quando se luta palmo a palmo pela posse da bola, quando o empenhamento dos jogadores é máximo, sem regatear esforço nem suor. Quando comem a relva, que é mais uma expressão de futebolês. Pois, mas não chega. Para jogo rasgadinho falta ainda qualquer coisa. Falta entrar com tudo – outra – que quer dizer entrar à bola e/ou ao adversário – e mais outra – naquela zona de red line que fica entre o excesso de dureza (também chamada virilidade, que é coisa que não se percebe bem, até porque, ao contrário do que se diz, o futebol já não é só um jogo de homens) e a violência. Faltam picardias e jogo maldoso, ainda e mais uma expressão de futebolês.
Um jogo rasgadinho é pois muito mais que um jogo de futebol. É um jogo de futebol mas com ingredientes complementares: pancadaria, grosseria, ausência completa de respeito pelo que seja e por quem quer que seja. É o jogo rasteiro e cheio de truques baixos onde o fair play nem sequer é uma treta…
Quer dizer, é o pior do que de pior o futebol tem. E, no entanto, em vez de se chamar isso mesmo – o pior do que de pior o futebol tem – chama-se-lhe rasgadinho. Assim mesmo, com diminutivo carinhoso e tudo!
Já há muito que estamos habituados aos famosos jogos rasgadinhos entre Porto e Benfica. Aqui ou ali também alguma coisa rasgadinha nos jogos entre o Benfica e o Sporting ou entre o Porto e o Sporting. Rasgadinhos pela certa eram os Porto-Benfica, assim mesmo, os jogos nas Antas ou no Dragão, que se não ficavam, nem se continuam a ficar, pelo espaço limitado pelas quatro linhas. Lembramos do Paulinho Santos (o que sofreu o coitado do João Pinto), do Jorge Costa (parece que não conseguiu perder esses hábitos e agora, lá pela Roménia, quem paga é a mulher) ou, mais recentemente, do Bruno Alves, do Fucile, e sei lá mais quem…
De repente, de há três ou quatro anos para cá, surgiu o mais rasgadinho dos rasgadinhos. É já um clássico! É o Braga-Benfica, como já perceberam. Braga era, e não vejo por que tenha deixado de ser, uma região de forte implantação benfiquista. O Sporting de Braga era um clube que, como a generalidade dos restantes, mantinha boas relações com o Benfica: recebia bem – lembro-me da festa do título de 1994, no antigo Estádio 1º de Maio , que quase parecia a Luz – e era tradicionalmente um dos seus principais clubes fornecedores. E o Benfica foi sempre o seu principal cliente.
Era uma situação que não interessava às ambições hegemónicas de Pinto da Costa, que não descansou enquanto não tratou de inverter, exportando para Braga toda a tecnologia e o know how dos jogos rasgadinhos, para transformar a Pedreira num inferno alimentado pelo fogo do Dragão. Em poucos anos o recinto dos bracarenses transformou-se no mais hostil – e aqui a hostilidade é mero eufemismo de terror - dos ambientes que o Benfica visita, e os jogos passaram a ser os mais condicionados de todos os que o Benfica tem de disputar.
Este último, do passado domingo, foi apenas mais um. Onde se viu o que nunca tinha sido visto: três cortes de energia - que levaram uma primeira parte digna de Guiness, de quase noventa minutos jogados em suaves prestações - mais uma arbitragem deplorável, corte de água quente nos balneários… a culminar numa absurda, extemporânea e inacreditável tentativa de acusação de Alan – um especialista, com tirocínio tirado no Dragão - de racismo a Javi Garcia. Tudo sem o mínimo sinal de interesse da Liga!
Sei que alguns poderão argumentar foi a partir desta metamorfose que o Braga se guindou a um novo patamar competitivo. Como, se assim fosse, os fins justificassem os meios!
Mas nem sequer é bem assim. Apenas nas duas últimas épocas o Braga teve desempenhos acima do que serão as suas prestações normais em função das condições de que dispõe: na última por força da verdadeiramente excepcional presença na final da Liga Europa e, na anterior, por força de um também excepcional segundo lugar na liga. Ambos circunstancias e dificilmente repetíveis!
O que é claro e visível é a satelização face ao Porto. Sem qualquer dimensão comercial – o Braga entretanto deixou cair a formação e, sem jogadores para vender, tornou-se não num entreposto mas num laboratório de ensaios de treinadores e de dirigentes para o Porto - e com óbvia submissão competitiva nos jogos entre si.
PS: Escrevo antes do jogo da selecção nacional na Bósnia. Pelo que se tem visto – desde a imposição de um campo inacreditável para este nível de competição, à perseguição aos jogadores portugueses, em particular Cristiano Ronaldo - espera-se também um jogo rasgadinho.
Por Eduardo Louro
Os nossos banqueiros fizeram tudo e mais alguma coisa para impedir o apoio do Estado à recapitalização dos seus bancos. Tudo menos o que deveriam fazer: procurarem eles próprios, e junto dos seus accionistas, os capitais de que necessitam. Até chegaram ao ponto de dizer que não precisavam …
Agora vão pôr o Estado em tribunal!
Ainda todos nos lembramos que foram eles – os mesmíssimos banqueiros – que encostaram o Sócrates à parede e o obrigaram a não adiar mais o pedido de resgate. Foram eles quem, objectivamente, mandou vir a troika: à noite disseram que tinha que ser e, de manhã, cá estavam eles! Agora põem o Estado em tribunal por cumprir aquilo a que está obrigado por força do mesmíssimo acordo de resgate que eles próprios reclamaram…
Ironias!
Por Eduardo Louro
O governo manifestou-se disponível para negociar o Orçamento de Estado para 2012 com a oposição. Almofadas à parte, o governo já mostrou receptividade às propostas do PSD Madeira para alteração da lei das finanças regionais em sede de discussão na especialidade!
Por Eduardo Louro
Há muito que se ouve falar na Europa a duas velocidades. Ou, numa linguagem ciclística, no pelotão da frente, deixando perceber que para trás vão ficando outros.
Sempre percebemos que era assim, que havia uma Europa rica, uma outra assim-assim, e a pobre. Onde sempre soubemos que estávamos e de onde chegamos a pensar que iríamos sair, não por qualquer esforço de recolagem mas porque, aquando do alargamento a leste, olhámos para trás e vimos que estava achegar um novo pelotão que nos deixava aquele conforto ilusório de não ser último. Mas, sem pernas para aquela pedalada, limitamo-nos a, um a um, vê-los passar todos.
Com a chegada do euro, e com o estatuto de fundador, voltamos a encher o peito e a sentirmo-nos lá à frente. Essa poderia até ter sido uma boa oportunidade para um último esforço de recolagem, como acontece àqueles ciclistas que, de repente e depois de uma curva, avistam o pelotão da frente e, indo buscar forças onde nem imaginam que existam, se lançam num esforço gigantesco para se lhes juntar. Mas não a aproveitamos! Em vez disso relaxamos ainda mais, convencidos que seriam eles a esperar por nós para depois nos rebocarem.
Esta situação de corrida deixou agora de ser circunstancial para passar a ser irreversível. Merkel e Sarkozy – e acredito mesmo que mais Sarkozy, preocupado que está em manter o periclitante triple A da França, vital para as suas aspirações eleitorais – estão a preparar-se para se livrarem dos grupos atrasados, restringindo o euro ao pelotão da frente, para o qual convidarão um restrito grupo dos seus melhores aguadeiros. Nove ao todo, onde parece que a Espanha será o único corpo estranho. Talvez pelo peso do seu ciclismo, quem sabe?
É sintomático que sejam os responsáveis institucionais da Europa – os presidentes da comissão (Barroso), do eurogrupo (Junker, que ainda ontem cá em Lisboa jurava que o euro não existia sem Portugal) e do conselho (Von Rompuy) – a negar a constituição deste clube do euro. Logo eles que foram os primeiros a ser engolidos pela dupla que veio para a frente tomar conta da corrida…
Por Eduardo Louro
Está mais viva do que nunca a discussão sobre a compatibilidade entre o capitalismo e a democracia. Se até há pouco esta era uma discussão particular de alguma esquerda, hoje atravessa claramente vários quadrantes ideológicos.
Uma discussão interessante - sem dúvida – que gostaria de ver mais debatida!
Pouca gente põe hoje em causa que o capitalismo tenha sido o sistema económico mais capaz de gerar desenvolvimento, progresso e bem-estar social. Não foi apenas a falência do sistema das chamadas economias planificadas da esfera da antiga União Soviética nem, noutra medida, a do sistema chinês, que se encarregou de esvaziar a legião de opositores convictos do capitalismo. Mesmo depois de tecnicamente falido o modelo económico soviético conseguiu segurar os seus adeptos enquanto subsistiu o modelo político. É a queda do Muro de Berlim que acaba por soterrar a maior parte dos últimos resistentes anti-capitalistas!
Mas é também este o acontecimento histórico que mais concorreu para que o mundo e o capitalismo sejam hoje o que são. Para que tenham chegado até aqui, ao ponto em que esta discussão faz todo o sentido e à qual chegarão muitos dos que tinham ficado soterrados nos escombros do Muro.
A(s) democracia(s) e o capitalismo nasceram e desenvolveram-se a par e passo. Factores demográficos e económicos – mas também a necessidade de gerar sólidos e verdadeiros argumentos de combate ao regime inimigo, de criar as hoje chamadas vantagens comparativas – reforçaram-nos a ambos, especialmente com o desenvolvimento do welfare state. O hoje tão atacado Estado Social!
Não é mera coincidência que este capitalismo actual, nascido da queda do muro e da globalização, seja posto em causa e acusado de inimigo da democracia quando, precisamente, põe em causa e começa a destruir o Estado Social.
Quando ouvimos as pessoas queixarem-se de que isto é uma ditadura ou que a democracia está doente, é disto que se está a falar. Quando ouvimos, no discurso das elites, dizer-se que falta política ou que é necessário o regresso da política, também não é de nada de muito diferente que se está a falar. É a democracia posta em causa, seja quando se corta nos benefícios sociais ligados ao bem-estar das populações, seja quando a realidade impõe decisões à margem do processo e da discussão política!
Repare-se no recente caso do referendo grego – e ignorem-se, embora se não deva, as circunstâncias em que foi decidido e anunciado – e veja-se como não houve política nem democracia a funcionar. Apenas a realidade dos factos a obrigar o primeiro-ministro grego a meter a viola no saco e até a demitir-se.
Evidentemente que a realidade, a nua e crua realidade da globalização, ganha a força de um tsunami que tudo leva à frente, onde o capitalismo se sente como peixe na água. Sem pátria, o capitalismo desloca-se sem qualquer tipo de preocupações com a democracia e exclusivamente focado no mercado.
Às velhas democracias ocidentais, e em particular à Europa, exige-se que trate de acelerar e explicar muito bem essa tese do regresso à política. Que não pode querer dizer outra coisa que não o regresso de gente capaz, competente e independente dos poderes económico e financeiro! Gente séria e de vistas largas que regenere a democracia. Porque, por muito emirjam novas e grandes economias, mesmo estando a China a sentar-se na cadeira da maior potência mundial, o mercado das democracias ocidentais ainda continua a ser o mais apetecível. Mas, acima de tudo, porque este modo de vida agora posto em causa continua a constituir o farol iluminado para onde o resto do mundo dirige os olhos.
O problema é encontrar mestres para esta obra!
Por Eduardo Louro
Mais de 140 mil famílias já deixaram de pagar o crédito à habitação. Considerando todos os tipos de crédito o número cresce para perto de 700 mil!
Isto traz-me à memória este spot publicitário: aqui vou ser feliz. Foi há tão pouco tempo e os bancos tinham tudo para nos dar! Até a felicidade... garantida! Foi há tão pouco tempo... E toda a gente acreditava... que aqui iria ser feliz!
Por Eduardo Louro
Bosingwa – titularíssimo no Chelsea – não é opção para a selecção porque, para Paulo Bento, está a léguas da qualidade do João Pereira (que não é bom, é bestial, como ontem mais uma vez demonstrou, ao pisar selvaticamente o adversário) e de Sílvio.
Danny - vá lá, desta vez veio cá – estava lesionado, regressou à Rússia e, para o seu lugar, chega da Grécia o Vieirinha: um médio de ataque. Faz sentido! O lateral direito Sílvio, que é melhor que Bosingwa mas não tão bom como João Pereira, também chegou lesionado. Para o seu lugar Paulo Bento chamou o Eliseu, do Málaga, que é um lateral esquerdo adaptado… E que fez aquela exibição na Dinamarca! Não faz sentido substituir um lateral direito por um esquerdino que, às vezes, se adapta a lateral esquerdo. É absurdo!
Grande futebol este nosso, que permite que as birras de um seleccionador deixem de fora dois dos melhores do mundo nas sua posições. Um dos melhores laterais direitos do mundo e um dos melhores centrais do planeta, que jogam em duas das mais fortes equipas do futebol mundial, estão capturados numa teia de birras!
Por Eduardo Louro
“Para este prémio não precisei de votos de ninguém” – Cristiano Ronaldo, ao receber a Bota de Ouro, o troféu para o melhor marcador da Europa, que conquistou com os seus impressionantes 40 golos na Liga Espanhola.
A resposta de luva branca a mais uma das patetices de Carlos Queiroz, que garantia esta semana votar em Messi, na sua qualidade de seleccionador do Irão, na votação para o melhor do mundo!
Por Eduardo Louro

Não é por este ser o Futebolês nº 100, que não a centésima edição – essa foi na passada semana, como se viu – que vou inventar o que quer que seja.
Inventar é o expoente máximo do processo criativo e o ponto de partida para os maiores saltos da civilização e da História da Humanidade. Se no português corrente a palavra é frequentemente usada em circunstâncias que pouco têm a ver com essa super dimensão criativa servindo, ao contrário, para caricaturar muitas das fraquezas humanas, no Futebolês restringe-se praticamente à caricatura do ridículo.
Os jogadores ainda conseguem inventar alguma coisa de jeito. Embora em regra saia asneira, e se exponham ao ridículo quando inventam, alguns jogadores conseguem por vezes inventar coisas fantásticas: um golo, um passe, um remate, uma finta ou um drible, e até espaços. Os grandes jogadores, os Messis, os Ronaldos e mais um ou outro fazem-no naturalmente com mais frequência. Outros, eventualmente de menor capacidade inventiva, não lhes querendo ficar atrás, inventam penaltis. Nas garagens das Antas, e agora nas do Dragão, trabalha-se afincadamente nestas invenções, com preciosas colaborações de alguma gente de fora. Agora também em Alvalade há jogadores com esses atributos inventivos. Bem úteis, como se tem visto, para garantir notáveis séries de vitórias… Parou na décima, mas apenas porque encontraram um adversário romeno de respeito, daqueles que só o nome deixa os adversários a tremer!
Os treinadores é que, coitados, não têm sorte nenhuma. Para eles inventar é mesmo asneirar! “Lá está o JJ a inventar” – é frequente ouvir-se na Luz. E sai asneira!
Nem vale a pena lembrar algumas das suas mais famosas invenções… Quem não lhe fica muito atrás nesta arte de inventar é o Paulo Bento. Mas inventam de forma muito diferente. Enquanto Jorge Jesus inventa em cima das suas próprias sebentas de mago da táctica, e a partir de congeminações que só ele consegue perceber, Paulo Bento é bem mais linear: inventa exclusivamente a partir da sua teimosia. Enquanto toda a gente percebe o Paulo Bento a inventar, ninguém consegue apanhar a ideia quando o Jesus inventa!
Ninguém percebeu qual foi a ideia de lançar o miúdo - Luís Martins - num jogo decisivo da Champions. A ideia até se percebia, o que se não percebia muito bem era que fosse lançado às feras assim, sem qualquer ensaio em competição, quando não faltaram oportunidades: um jogo da taça e dois do campeonato. Mas o que se não percebeu de todo foi a sua substituição, que tinha deixado programada: mais uma invenção!
Já, por exemplo, toda a gente percebeu quando Paulo Bento inventa, não um, mas dois laterais direitos melhores que Bosingwa. É uma birra teimosa e está tudo dito! Não sabemos o que é que o Bosingwa terá feito ao Paulo Bento, mas sabemos que o seleccionador não vai com a cara dele. E por isso inventa um Sílvio e um João Pereira melhores, nem que para isso tenha que inventar critérios… Condição mental, não é?
Mas é a Vítor Pereira que eu tiro o chapéu. E não pensem que é por ele ter inventado a maneira de transformar uma grande equipa do futebol europeu num conjunto de jogadores perdidos dentro do campo, que nem a uma equipa de Chipre consegue ganhar. Não é por isso, até porque ele também conseguiu inventar maneira de, por cá, mesmo sem jogar nada, continuar a ganhar. Coisa que, como em Paulo Bento, também não temos grande dificuldade em perceber…
Não! É por uma invenção á séria, o tal expoente máximo do processo criativo de que falava acima, bem enquadrada numa estratégia de criação de valor. Inventar por inventar não tem grande sentido; inventar apenas contribui para os grandes saltos civilizacionais num quadrado estratégico sustentado. Sabe-se que Vítor Pereira desenhou um quadro estratégico que tem por objectivo exclusivo salvar a pele, tudo vai dar aí. Lançou-se à sua matriz SWOT e, no lado das ameaças – o lado das oportunidades ainda está em branco – lá estava, logo em cima, o problema de mexer na equipa. As substituições, onde nunca acertava! Foi aí que nasceu a sua grande invenção, que há-de revolucionar o futebol mundial e cuja patente já registou. Que, como todas as grandes invenções que revolucionaram a civilização, nasce de uma ideia muito simples. Esta: “sendo o meu problema acertar nas substituições, resolvo-o se deixar de fora os três melhores jogadores. Quando tiver que fazer substituições, saia quem sair, os que entram são sempre melhores”!
E pronto, era só passar a deixar de fora o Guarin, o João Moutinho e o James. Brilhante! Como é que ninguém se tinha lembrado disto antes?
Por Eduardo Louro
O bluff - ou o ensaio de roleta de russa, como também lhe chamei - de Papandreou chegou ao fim, como ontem aqui avançava. Aquilo que alguns socialistas da nossa praça se apressaram a louvar – Manuel Maria Carrilho achou mesmo que se tratou de uma jogada de mestre – não passou, afinal, de um tiro de canhão nos próprios pés.
Percebeu-se que, por trás do espalhafatoso anúncio do referendo ao acordo que tinha acabado de assinar com a UE, Papandreou não tinha outras preocupações que não as da sua própria sobrevivência política, como facilmente se percebe quando, agora, recusa demitir-se e abrir caminho a uma outra qualquer espécie de solução governativa. Aquilo que poderia estar sustentado pelos mais elogiáveis princípios da democracia – sempre arredados do processo europeu – da liberdade e da dignidade dos povos não passava, afinal, de uma das mais simples manobras do cardápio da baixa política.
Foi grande o susto! Espera-se que se tirem sérias conclusões. Se foi assim com a Grécia, o que será com a Itália? E com a Espanha? E com a Bélgica? E (com Itália e a Bélgica) com a França?
A Europa poderá ter aproveitado alguma coisa com este susto, porque viu bem ali à mão aquilo que, sem lideranças, fazia por não ver, preocupado que estava cada um com a sua vidinha.
A Grécia nada ganhou com este disparate de Papandreou. A nível interno – independentemente do que mais logo aconteça no Parlamento, com a votação da moção de confiança, e do que seja o futuro político de Papandreou, a sua grande preocupação, mas de mais ninguém – as condições pioram significativamente. A rua terá naturalmente argumentos mais fortes e decisivos para aumentar a contestação. O povo, depois de prometido o referendo, sente-se enganado e traído, mais uma vez. E o poder político mais desacreditado ainda: toneladas de gasolina lançadas naquelas ruas que há muito estão a arder!
Mas também no plano externo a Grécia sai a perder. Perde qualquer réstia de margem de manobra, porque agora só pode contar com a desconfiança dos parceiros. E assinou a guia de marcha para a saída do euro! Que sendo dolorosa poderá vir a ser a menos má de todas as dores…
Papandreou brincou com o fogo, coisa que hoje na Grécia é muito, muito perigosa!
Por Eduardo Louro
O referendo grego abortou! Se era um bluff para consumo interno (envolver a oposição conservadora) parece que resultou. Mas, bluff ou não, o mundo tremeu! E a Europa nunca mais será a mesma… Haverá um antes e um depois do susto!
Por Eduardo Louro
Quando anteontem comprei os jornais e vi a capa falsa a remeter para uma campanha que vinha sendo anunciada - com o qb de suspense - nem queria acreditar: “Está no PAP”, com três humoristas engravatados com ar de banqueiros. Era a Caixa Geral de Depósitos - o banco público – a vender um produto financeiro de poupança e era a primeira imagem de uma campanha que vira anunciada com uns trocadilhos que remetiam para uma troika qualquer.
Nunca imaginei que, numa altura destas, pudesse ser o que realmente é. A falsa capa de jornal já deixava perceber o que aí viria e não legitimava grandes expectativas. O spot televisivo fez o resto: pior não podia ser! A campanha deixava de ser inoportuna para passar a ser ridícula!
Ridícula na ideia – numa altura destas, promover produtos financeiros com humoristas, é mesmo para rir – e ridícula no discurso. E de mau gosto! Há, nesta altura, coisas com que se não deve brincar! E o banco público teria de ser o primeiro a perceber isso. Lá porque o desgraçado do BCP tem o Mourinho a dizer que é o melhor treinador do mundo, e o BES o Cristiano Ronaldo a dizer que nunca hesita, a Caixa não teria que inventar uma campanha destas. Por decoro e ética, é certo, mas acima de tudo porque nem sequer precisa!
Numa altura em que se cortam salários para recapitalizar a banca não fica fácil de entender que os bancos – e agora nem sequer faz sentido distinguir entre público e privados, porque mexem com os nossos bolsos exactamente da mesma maneira – gastem dinheiro desta forma. É de mau gosto! Tão mau gosto quanto o da própria coisa…
Por Eduardo Louro
Não tenho tido oportunidade de me aperceber das opiniões publicadas sobre a decisão do governo grego de submeter a referendo o plano de apoio financeiro comunitário, mas não me custa nada admitir que as opiniões se dividirão. Que haverá quem ache que Papandreou assumiu uma atitude com tanto de cobardia quanto de ingratidão, como quem ache que assumiu a única atitude que lhe era possível tomar: procurar a legitimidade democrática para suportar um dos mais violentos ataques à soberania e à dignidade de um povo! Que haverá quem o ache um louco e quem o ache muito esperto!
Sou dos que acham que, na realidade, não lhe restavam muitas alternativas. E também dos que acham que a democracia é sempre solução! E que os problemas crescem desmesuradamente quando se escondem dela!
Mas o ponto que me traz aqui não é esse exactamente esse. É a ironia da história!
É muito provável que o “não” ao pacote saia vencedor deste referendo, com o consequente abandono da moeda europeia e o regresso à velhinha dracma. E que os gregos venham a cair num buraco muito negro, com o empobrecimento imediato brutal e a garantia da perda contínua de poder de compra, com taxas de inflação verdadeiramente assustadoras. Cairão num inferno profundo, do qual nunca se saberá quando sairão!
Circunstâncias em que o euro, muito provavelmente, implodirá. Dificilmente resistirá a esta desgraça mas, se o conseguir, o sistema financeiro europeu sofrerá um abalo do qual demorará muitos anos a recompor-se!
Toda a gente perde. E muito! E é a vitória definitiva do espírito punitivo que marcou a estratégia que a UE escolheu para fazer frente à crise das dívidas soberanas. É a punição da Grécia por todos os seus abusos, ao longo de anos e anos. Mas também a punição da União Europeia pelas suas hesitações, pela falta de capacidade de decisão e pela ausência de liderança!
Por Eduardo Louro
Não foi ontem. Foi hoje, logo aos primeiros minutos deste primeiro dia de Novembro!
Um dia que não foi apenas mais um dia, foi o dia em que fiquei avô. Um dia longo, de uma felicidade imensa que me deixa sem palavras… Apenas a desfrutar. E como desfrutei…
Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...