sábado, 31 de agosto de 2013

Dérbi... sem milagres

Por Eduardo Louro


 Lutaram muito mas só deu empate em Alvalade


 


Não correu bem, e lá ficaram mais dois pontos. Já são cinco, em apenas três jornadas…


O Benfica não entrou bem no jogo, e sabia-se que o Sporting, pela embalagem que trazia e pela fé que por lá se instalou, iria apostar tudo na alvorada do jogo. Sofreu o golo muito cedo, e ainda por cima precedido de fora de jogo. Depois, a trave, a impedir o golo de Rodrigo e …três lesões, a obrigarem a esgotar as substituições muito cedo, não é o que de melhor se possa desejar. Mesmo que no reverso uma tenha trazido Markovic, e outra Cardozo. Depois ainda veio a segunda parte, com o Benfica quase sempre por cima, mas … bem que o Rui Patrício já podia ter ido embora… A obra prima de um génio que deu o empate e o penalti – Cardozo agarrado (tipo gravata) na área - que o árbitro não quis assinalar.


Ah… E Cardozo… Pois, não há milagres todos os dias!


Já agora: alguém me sabe dizer por que é que o Markovic não é titular? 

A Constituição e o Estado de Direito

Por Eduardo Louro


 


Como se esperava, Pedro Passos Coelho ameaça com um segundo resgate: "Se não formos capazes nos próximos meses de sinalizar aos nossos credores esta reforma estrutural do Estado que garanta que a despesa baixa de uma forma sustentada, o que acontecerá é que não estaremos em condições de prosseguir o nosso caminho sem mais financiamento, sem um segundo programa que garante ao País os meios que ele precisa", declarou tendo como pano de fundo a decisão do Tribunal Constitucional e aquilo que considera ser a sua visão restritiva da Constituição.


Passos Coelho chegou à liderança do PSD e logo anunciou como prioritária a necessidade de rever a Constituição, coisa que, como bem nos lembramos, foi então considerada completamente despropositada. O país não via nisso qualquer prioridade e percebia-se que se tratava de preconceito ideológico.


A verdade é que nada fez para encontrar o necessário consenso para essa revisão. Mas não é menos verdade que decidiu governar como se o tivesse feito, o que quer apenas dizer que, nada tendo feito para a rever, resolveu ignorá-la. Entendendo ainda que todos os órgãos de soberania deveriam fazer exactamente o mesmo.


Mas não pode ser assim. Por muito que lhe custe um Estado de Direito não é isso!


O primeiro-ministro tem de entender que esta Constituição tem que ser respeitada e que, se não lhe serve, tem de promover a sua revisão. A não ser que opte assumidamente pelo golpe de Estado. Não pode é pretender governar um Estado de Direito em ambiente de golpe de Estado!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Circo da tragédia

Por Eduardo Louro


 


 


Não sei nada de incêndios. Por isso não vou escrever sobre o que (não) sei de incêndios. Apenas sei que devastam o país ano após ano, consumindo bens e vidas. E que, este ano, já muitas foram as vidas que levaram. Vidas de jovens, muito jovens na sua maioria, que um dia decidiram colocá-las ao serviço dos outros e que, por isso mesmo, são vidas que valem mais. E que deveriam valer de mais para serem perdidas desta forma!


E sei que atingem Portugal como nenhum outro país. E bem sei que isso não se deve a razões exclusivamente climatéricas, porque não têm, nem de perto nem de longe, a mesma expressão nos outros países do Sul da Europa, com condições climatéricas idênticas.


Sei pouco de políticas de solos e de florestas, mas sei que as espécies autóctones vêm nas últimas décadas sendo substituídas por eucaliptos. Sei que os eucaliptos servem a indústria da celulose, e que esta representa interesses fortíssimos que facilmente tomam conta dos governos. E que isso se nota à vista desarmada, a todo o pé de passada. Sei que a política de desenvolvimento do país o inclinou para o litoral, desprezando e desertificando o interior. Acabando as pessoas, acabou a pastorícia e o amanho da terra, e destruíram-se os equilíbrios que preveniam incêndios


Sei que o país pouco investe na prevenção, enquanto consome cada vez mais recursos no combate aos incêndios. Que, apesar de todos reclamarem sempre mais, o país já gasta o que pode e o que não pode nesta tragédia que se repete todos os verões, à volta da qual florescem actividades e interesses que não podem ser ignorados. Há uma economia do fogo que vive disto e que nem sempre será inocente. Sei - sabemos – que mesmo na Organização que é os bombeiros, há estruturas de interesses, mesmo que mesquinhos como sucede na maior parte das vezes. Que uma coisa são os bombeiros, os jovens, os homens e as mulheres que colocam as suas vidas ao serviço da comunidade, de comunidades que muitas vezes nem sequer são as suas, e outra sãos as suas estruturas de cúpula.


Sei – sabemos – que há criminosos à solta. Uns porque nunca são apanhados, outros porque logo são libertados.


Mas o que sei mesmo é que não podemos continuar a aceitar que tudo continue na mesma, ano após ano. Não podemos continuar impávidos e serenos à espera que em Julho e Agosto tudo se repita. Com televisões a fazerem da tragédia espectáculo, políticos bronzeados a repetirem os mesmos lugares comuns, e diferentes estruturas operacionais a digladiarem-se na praça pública, resumindo esta tragédia a um circo que no Verão desce à cidade.


 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

E se isto acabasse justamente onde começa...

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Obsessão

Por Eduardo Louro


 


O Tribunal Constitucional chumbou a mobilidade na função pública. De pouco valeu o Pontal de Passos Coelho!


Isto sucede no mesmo dia em que se soube que o governo deturpou a realidade salarial que informou ao FMI com o fito único de sustentar a premência de novas reduções, coisa que, como se sabe, é música para os ouvidos daquele parceiro da troika.


O problema disto é que, quando o governo diz que não tem alternativas para reduzir a despesa, já ninguém vai acreditar. Toda a gente achará que o governo tem apenas uma obsessão: lixar todos os que vivem do seu salário. Comparada com esta, a da Constituição é apenas uma brincadeira que o governo já não dispensa.


 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

I have a dream

Por Eduardo Louro


 


 


“I have a dream. Eu tenho um sonho no qual a América vai verdadeiramente viver o seu ideal de que todos os homens foram criados da mesma maneira… Eu tenho o sonho de que os meus quatro filhos vivam um dia num país no qual não sejam julgados pela cor da pele, mas sim pelo teor do seu carácter”…


Não sei se este discurso mudou o mundo. Mas não tenho qualquer dúvida que não seria o mesmo se Martin Luther King não tivesse proferido este manifesto cívico e democrático, hino á tolerância e à convivência.


Um ano depois, em 1964, seria distinguido com o Nobel da Paz. E cinco anos depois, a 4 de Abril de 1968, seria assassinado. Porque, na altura, também para o FBI, era negro mais perigoso para o futuro americano…


Hoje, 50 anos depois, será um presidente negro a assinalar esta data. No mesmo local, do alto do Lincoln Memorial, em Washington…


 

Revisita à lei de Gresham

Por Eduardo Louro


 


O Secretário de Estado Carlos Moedas deu hoje uma aula na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, a lembrar Vítor Gaspar, que imitou quase na perfeição.


Falou, claro, sobre a dívida: que é para pagar - “as dívidas têm que ser todas pagas, os países têm que pagar as dívidas e é importantíssimo que isso fique claro, que o esforço que os portugueses estão a fazer é para termos essa credibilidade”, disse.


Mas não falou claro sobre a dívida, contra a qual nada tem. “Que é necessária”, que “sempre se trabalhou com dívida”, mas “não pode ser é uma dívida em excesso”. Rematando que, “como tudo na vida, nada em excesso é bom”.


Claro que isto não é falar claro, nem sobre a dívida nem sobre excessos. Até porque os excessos não estão só na dívida. Que é para pagar mas que, na prática, a teoria de Moedas (e de Gaspar, e de Albuquerque, e de Passos, e de tuti quanti) só tem feito aumentar. 


Bom, mas lá temos nós de revisitar a lei de Gresham: e este é apenas a má Moedas. A boa Moedas é que continua sem aparecer…

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Um mal nunca vem só

 


Por Eduardo Louro


 


Há anos que o Pedro Proença faz o Benfica pagar por alegadamente ser benfiquista. Pelo que se vai percebendo vêm aí mais uns anos de pesadas facturas, agora por ter ido dar aulas ao Seixal…


Um mal nunca vem só. Bem feito – diria eu!

domingo, 25 de agosto de 2013

Emoções fortes

Por Eduardo Louro


 


O jogo de hoje na Luz iria sempre ser histórico. Pela primeira vez um clube assumia a responsabilidade de transmitir um jogo do campeonato nacional pela sua própria televisão. Era a primeira transmissão da Benfica TV de um jogo do campeonato nacional, cortando definitivamente com o eterno monopólio de Joaquim Oliveira. E, começando por aí, cumpre elogiar, elogiada que há muito está a decisão, a transmissão, um trabalho de grande qualidade e profissionalismo. E de grande independência, com o profissionalismo a que o Hélder Conduto já nos habituou, a pedir meças à concorrência. De tal forma que nem uma arbitragem de fraquíssima qualidade de um dos mais incompetentes árbitros nacionais, que prejudicou grandemente o Benfica, mereceu qualquer reparo…


Mas será certamente histórico por outras razões. Não tanto pela forma épica como o resultado foi invertido, com dois golos em dois dos quatro minutos de compensação, mas pelo que essa reviravolta poderá significar. E pelas manifestações que provocou!


Não adianta sequer falar muito do jogo que, na realidade, não surpreendeu muito. O Gil jogou como se esperava que fizesse, mesmo que não tivesse enveredado por uma estratégia ultra-defensiva e mesmo que nem tivesse tido necessidade de, à sua escala e nesse modelo, jogar bem. Também o Benfica não conseguiu superar as expectativas, bem baixas por esta altura.


A pedaços – pequenos – o Benfica jogou com alguma qualidade, o suficiente para criar muitas oportunidades de golo que especialmente Lima e Rodrigo iam desperdiçando. Mas nem foi constante nem nunca chegou a ser brilhante!


Não é pois pela exibição que se poderá esperar que hoje tenha sido o dia D, de mudança. É pela mensagem de união que saiu de dentro da equipa, é pela nota que a equipa quis dar de estar com o treinador, e é ainda pela inédita atitude de Jesus com Maxi Pereira. Corresponda tudo isto à realidade ou não passe tudo isto de uma grande encenação!


Tenho algumas dúvidas que os jogadores estejam assim tanto com o treinador. Tenho as mesmas dúvidas que Jorge Jesus se comporte agora com todos os jogadores como se comportou hoje com Maxi Pereira. Não sou um crente destas coisas, mas também não é isso agora o que mais conta. O que conta é que todos, jogadores e treinador, tenham tomado consciência que a coisa não está para braços de ferro, que não há nada para forçar, que, se são estes jogadores e este treinador a ir até ao fim, têm todos que se comportar dentro dos padrões de respeito que a grandeza do Benfica exige.


E não há dúvida nenhuma que, mesmo que não morram de amores uns pelos outros, o sentimento que hoje todos manifestaram é um forte contributo para o espírito de equipa indispensável ao sucesso. Que o carinho e apoio que os colegas dispensaram ao Maxi, seguindo o mote dado pelo treinador - um indicador que contrasta com o que se viu no passado com Ola John, Carlos Martins ou Enzo Perez – revela grande solidariedade e um espírito de balneário que se dava por perdido.


Claro que é especulativo dizer que isto se deve ao facto Luís Filipe Vieira ter dado à costa. Mas não há grandes dúvidas que, sendo o presidente o responsável pela inaceitável continuidade de Jesus, era mais inaceitável ainda que agora se escondesse, que não deixasse claro que o treinador não ficaria abandonado e cada vez mais fragilizado. É verdade que não deixou nada disso assim tão claro, como se percebeu ao voltar a agitar o fantasma de Fernando Santos, mas basta dizer qualquer coisa… E aparecer, mesmo que tarde e a más horas!


Mesmo que não queira perceber que são benfiquistas que sofrem aqueles que hoje estão descontentes com a sua gestão. São benfiquistas dos 83% que o elegeram, dos que enchem o estádio, dos que pagam as quotas e dos que deitaram fora o comando…

Chiado: 25 anos

Por Eduardo Louro


 



 

sábado, 24 de agosto de 2013

Gestão fantasmagórica

Por Eduardo Louro


 


Luís Filipe Vieira renovou o contrato com Jorge Jesus com medo de um fantasma: o fantasma de Jesus no Porto. Com os resultados que estão à vista. Que o levam a segurar agora o treinador com o fantasma de Fernando Santos. Já começa a sustentar a sua própria presidência com o fantasma de Vale e Azevedo. 


É fantasmagórica, esta gestão de Luís Filipe Vieira!

Ler os outros

Por Eduardo Louro


 


Fernando Madrinha, hoje no Expresso:


 


“Há tempos, depois de ter pago com atraso de um ano o Imposto único Automóvel, a funcionária das Finanças disse-me, muito séria, para guardar os documentos nos quatro anos seguintes. Estranhei a recomendação, mas guardei os papéis. Também os do IRS têm que ser mantidos durante cinco anos, prazo em que prescrevem eventuais processos. Já os documentos de trabalho dos inspectores de Finanças sobre os swap foram destruídos ao fim de apenas três anos. O meu IUC e o meu IRS são mais importantes e sensíveis para as Finanças do que os negócios manhosos com a banca, feitos por gestores públicos geniais como Maria Luís Albuquerque, e que somam prejuízos de milhares de milhões para o Estado. Estamos sempre a aprender.”


 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Respeito. Ao menos isso...

Por Eduardo Louro


 


Esta é uma notícia verdadeiramente fantástica. Nenhuma outra diria tanto sobre o estado a que chegou o Benfica!


É simples: se foi o Benfica a escolher Pedro Proença, fica tudo dito sobre a organização da SAD; se foi o Conselho de Arbitragem, fica tudo dito sobre o respeito que o Benfica lhe merece.


E é sempre assim: não merece respeito quem não se sabe dar a ele. Ao respeito, o princípio e o fim de todas as coisas…

"Que se lixem as eleições"!

Por Eduardo Louro


 Diário de Notícias


 


"Cortes na despesa só vão ser revelados após autárquicas"!


Já a oitava avaliação da troika tinha sido adiada para depois das eleições. Que, por sua vez, tinham sido marcadas para o mais cedo possível, para que o orçamento, também ele, só viesse depois.


"Que se lixem as eleições"! Tão querido, o menino Pedrinho...

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Encontros*

Por Eduardo Louro


 


Aquele fim de tarde fazia daquela sexta-feira um dia diferente.


Acabara de enviar para Londres os últimos relatórios mensais e, pela primeira vez em muitos meses, nada havia que a deixasse agarrada àquela secretária por mais tempo. Noutras vezes arranjava sempre desculpa para ficar. Nem que tivesse que inventar trabalho!


Também isso tornava diferente aquele fim de tarde …


Júlia é, aos 34 anos, top executive de uma multinacional de entretenimento, com notável capacidade de trabalho e enorme dedicação à empresa, que transformou em primeira opção de vida. Não admira, o trabalho garante-lhe o que de melhor espera da vida: remuneração confortável e deslocações constantes pelos vários cantos do mundo. Dá-lhe dinheiro e mundo, o mundo que nunca tivera. E poder, o poder que sempre procurara…


Retira o blaser Twist Storytailors que lhe alivia o ar executivo e lhe acentua o toque cosmopolita e veste-o por cima da camisa Manege, da mesma griffe. Pega na Louis Vuitton e sai do gabinete, decidida, em direcção à portaria, como se soubesse bem ao que e para onde ia. Não sabia!


Mas não desceu ao piso do parque de estacionamento para pegar no carro. Saiu e atravessou a pé as três ruas até uma esplanada à beira-rio, emoldurada pelo sol, já baixo. Escolheu uma mesa donde podia ver o sol a procurar o colo do rio, mas também o largo corredor de acesso que acabara de percorrer. Dali podia assistir ao lento curvar do sol sobre o rio, como que projectando timidamente a boca para um beijo de ardente paixão. Mas também apreciar o movimento das pessoas que entram e saem, observá-las mais ou menos discretamente…


A simples constatação destes súbitos e improváveis focos de interesse surpreendiam-na. Não era dada a observar as pessoas, isso não lhe interessava. Não se envolvia com ninguém. Muito menos era dada a romantismos de pôr-do-sol.  


Tinha o que queria da vida, era independente e bem sucedida. Nunca fora dada a romances! Na adolescência, o corpo escanzelado e sem formas e a cicatriz labial não a ajudavam nada na aproximação aos rapazes. Afastavam-na dos rapazes e aproximavam-na dos livros. Encontrou na escola, e nos padrões de alto rendimento que desenvolveu, a forma de afirmação que taparia a entrada a tudo o que fosse trauma ou frustração. Habituou-se a ser a melhor e a viver para isso: na escola, na faculdade e no trabalho. Foi tanto assim que não percebeu que o seu corpo foi ganhando formas e o seu rosto beleza. Que até a cicatriz desaparecera e era agora um must sexy


Voltou com o copo do gin tónico à boca, como que querendo bruscamente interromper o destino daquele desfile introspectivo. O sol caía já nos braços do rio, enrolados num beijo que a enchia de inveja. Olhou à volta como que procurando um olhar com que se cruzasse. Nada… Nem um olhar perdido!


Sentia-se pela primeira vez sozinha. O amargo tomou-lhe conta da boca! Não era do gin, que ainda segundos antes tão bem lhe soubera: era o sabor da solidão que, como nunca, experimentava pela primeira vez.


De repente, saída da entranha mais profunda do seu ser, surgia alguém: virou-se e, surpreendida, encontrava-se de frente consigo própria.


Jurou que nunca mais se deixaria só. Tirou o espelho da mala e olhou-se como se estivesse a ver-se pela primeira vez: olhos doces e lábios finos - a que a discreta cicatriz da fenda labial acrescenta invulgar sensualidade – e uma força insuspeita, toda ela coragem e determinação…


 


* Reposição do texto inicialmente publicado aqui

Sexo, de novo!

Por Eduardo Louro


 


 


À falta de tema, ou à falta de melhor, a coisa aqui descambou para sexo. Acontece aos melhores, mesmo que não seja o caso…


Depois das "garagens do sexo", vamos para exames à virgindade. Agora é na Indonésia onde, provavelmente entre os exames de admissão ao ensino superior, surge agora um exame à virgindade. Isso: nem mais nem menos!


A justificação não deixa de ser interessante: o aumento da prostituição, mas também o aumento do sexo antes do casamento.


Na Indonésia, o maior país muçulmano. O país do Islão moderado. Que faria se não fosse...


É claro que isto não tem nada a ver com sexo... foi apenas chamariz. Isto trata de direitos humanos, de dignidade e de civilização!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

"Garagens do sexo"

Por Eduardo Louro


 


Em Zurique, na Suíça, foi encontrada uma resposta para a prostituição de rua. "Da rua para a garagem" poderia ser o slogan...


Não sei porquê, mas sinto aqui alguma inspiração lusa. Qualquer coisa entre Monsanto e Quim Barreiros!

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O costume

Por Eduardo Louro


 


O Benfica começou o campeonato como de costume. Como de costume, não ganhou!


Se é costume, é normal, dir-se-á. E o que é normal é isso mesmo, normal. Nada de anormal, pois, nesta derrota na Madeira – onde não era normal perder. Afinal já há aqui qualquer coisa de anormal…


O problema é que, toda a gente sabia, o Benfica que Luís Filipe Vieira quis que continuasse a ser o de Jesus, estava proibido de começar mal este campeonato. A equipa, e principalmente o seu treinador, depois do desastre do final da época passada, não tinha margem de erro. Esse era, de resto, um dos principais riscos da insensata decisão de renovar com Jorge Jesus!


Os níveis de confiança da equipa saíram da época passada no ground zero. Percebeu-se que as férias não tinham permitido aos jogadores fazer o luto. Mais, que a equipa, graças á continuidade de Jesus, e concomitantemente à abstrusa gestão do caso Cardozo, não tinha fechado a época anterior. Que a pré-época foi simplesmente a sua continuação, sem sequer um intervalo!


Sendo o costume, esta derrota inaugural do Benfica nunca não poderá ser aceite com normalidade. Esta é uma derrota que confirma a lei de Murphy, que há tempo aqui ando a invocar.


Este é o ano decisivo para Luís Filipe Vieira. É o campeonato que o Benfica não pode perder, porque será o tetra do Porto e a porta aberta para o segundo penta. Mas, acima de tudo, porque, agora, com esta estratégia televisiva – que sempre apoiei e apoio - tem todos os ovos no mesmo cesto. Os resultados – e as exibições, e a mobilização dos benfiquistas – já não ditam apenas o sucesso e o insucesso desportivo, passam também a ditar grande parte do sucesso e do insucesso da estratégia da Benfica TV, agora crítica na conta de exploração.


Por isso menos se percebe ainda a aposta na continuidade de Jesus. Mas menos ainda se entende o desaparecimento do presidente. Que não aparece a dar a cara pelos negócios esquisitos – chamemos-lhe assim, quando falamos de Roberto e Pizzi, e mesmo de Fariña - e que não apareceu para resolver a tempo a situação de Cardozo. Por isso não se percebe que, tendo o Benfica que vender como se sabe que tem, o campeonato se tenha iniciado sem uma única venda efectuada. Com a mesma equipa da época passada, sabendo que, dentro de duas semanas, quando os ponteiros do relógio de aproximarem da meia-noite do último dia de Agosto, três ou quatro desses jogadores irão ter de sair, então pelo preço da uva mijona. Ou talvez não, como já viu pelo Roberto!


Por isso se não percebe a “ruicostização” de José Eduardo Moniz, a deixar perceber que LFV entendeu que seria muito mais útil como golpe no coração da oposição do que como mais-valia de gestão, em particular na estratégia para a Benfica TV (prometo voltar ao tema).


Mas não foi só a derrota do Benfica que foi o costume na abertura deste campeonato que não pode perder. E que o Porto, em sentido contrário, também não!


Como de costume, o Porto vendeu bem e na altura certa, dando até para segurar o Jakson. E, ao que parece, não se enganou nas compras. Trocou de treinador, mostrando que ali é acessório o que no Benfica é fundamental. E, porque é de manhã que se começa o dia, mostrou, como de costume, quem manda. Quem põe e dispõe de tudo o que, acessório, pormenor ou detalhe, é decisivo no desequilíbrio dos pratos da balança.


Pinto da Costa - que está sempre presente, como ainda ontem, em Setúbal, muita gente se lembrou logo que os factos lhe avivaram a memória – sabe que, neste arranque de época, como no de há três anos (quando o imperativo era impedir o bi do Benfica), é preciso que as coisas comecem logo a correr mal. E muito bem ao Porto!


As nomeações do super dragão Jorge Sousa para os Barreiros e de Capela – triturado pela máquina portista depois do derbi da Luz, era, em razão do poder, a carta segura - para o Bonfim, aí estavam para mostrar urbi et orbi que, como de costume, não brincam em serviço. E, claro, cada um fez o melhor que pôde. E Capela pôde muito… Fartou-se de poder!


Luís Filipe Vieira, esse, tem mais que fazer… Mesmo que afogado num mar de cumplicidades!

sábado, 17 de agosto de 2013

75ª Volta a Portugal

Por Eduardo Louro


 


 


A 75ª edição da Volta a Portugal teve hoje o seu penúltimo mas decisivo dia. Hoje, com o contra-relógio que ligou o Sabugal à Guarda, conheceram-se as últimas decisões da Volta deste ano. Amanhã, como sempre acontece, será a última etapa, a da consagração. Já mais nada acontecerá até Viseu!


Ao longo destes onze dias não a trouxe aqui, o que não significa que, como amante do ciclismo, pudesse ter deixado de a acompanhar. Esta não era só a edição diamante da Volta, era também a do esperado regresso das vitórias portuguesas, depois do longo reinado do agora retirado David Blanco. Quase português, mas galego!


Mas ainda não foi desta que um ciclista português voltou a ganhar a Volta. Nem foi esta que acabou com o domínio galego, os espanhóis que mais portugueses são. E, no entanto, nunca antes – nos últimos anos, bem entendido – tantas e tamanhas oportunidades houve…


Esta foi, antes de mais, uma Volta estranha. Aconteceu de tudo. Logo na primeira etapa, no prólogo – um contra-relógio por equipas no coração da baixa lisboeta, de apenas cinco quilómetros – um dos favoritos (Edgar Pinto) furou e perdeu quase 1 minuto, deixando-o desde logo em maus lençóis. Na seguinte, o insólito: um ciclista asiático, quando seguia isolado com uma vantagem de mais de 11 minutos decidiu parar e aproveitar esse tempo para fazer uma refeição tranquila, à sombra da ponte de um viaduto. Logo a seguir, na terceira etapa, à chegada ao Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, os dois ciclistas que sprintavam para a meta seguiram o caminho errado e acabaram no chão, longe da meta.


O mais estranho, no entanto, prende-se com as opções de corrida da mais bem apetrechada equipa do pelotão – a Efapel/Glassdrive, de Carlos Pereira (na foto). Bem apetrechada - de mais - com demasiados corredores capazes de ganhar. Nunca se percebeu: estava em tudo o que mexia. Punha corredores em fuga para, depois, lhe mover perseguição. Mais do que uma estratégia, a ideia fixa de entregar a Volta a Rui Sousa, era obsessão. Que deu muito maus resultados!   


Na etapa para Oliveira do Bairro, logo a seguir à da Senhora da Graça, em mais uma das coisas estranhas desta Volta, a LA Alumínios/Antarte, para vingar a derrota da véspera de Hugo Sabido – o segundo do ano passado e um dos principais favoritos – colocou sete dos seus nove corredores em fuga. Nesse grupo, que chegou a ter quinze minutos de vantagem, estavam quatro corredores da equipa de Carlos Pereira, sem que lá estivesse nenhum dos adversários. Podia ali ter ganho a Volta, deixando irremediavelmente para traz os corredores da Ofm/Quinta da Lixa – uma equipa em estreia, que teve uma Volta descansada, limitando-se a vê-los lançar os foguetes e correr atrás das canas – mas não. Na frente não fazia nada para ajudar na fuga e, atrás, rebocava o pelotão. Porque era lá que estava o Rui Sousa!


A cena voltaria a repetir-se na véspera da subida à Torre, já na Serra da Estrela. Nas Penhas Douradas era o Nuno Ribeiro – então sexto ou sétimo classificado, vencedor da Volta de há dez anos e grande trepador - quem seguia numa fuga com mais de 10 minutos. Dava-lhe para ganhar a Volta, mas não era o Rui Sousa, e o senhor Carlos Pereira põe a equipa a anular a fuga.


Ontem, na subida à Torre, era então o dia de Rui Sousa, que desde a Senhora da Graça seguia em segundo, exactamente com o mesmo tempo do camisola amarela, o espanhol Sergio Pardilla. Vestiu aí a camisola amarela mas, ironicamente, perdeu aí a Volta. Porque nem ganhou a etapa - voltou, como nos três últimos anos, a ser segundo, atrás de Gustavo Veloso, um dos galegos da Ofm/Quinta da Lixa, que passou para segundo, a apenas 6 segundos – nem ganhou tempo suficiente para se defender do outro, Alejandro Marque. Um contra-relogista, que hoje se superiorizou a ambos, ganhando 36 segundos ao seu colega de equipa (e amigo) e 1minuto e 28 ao Rui Sousa. E ganhou a Volta com 4 - a menor diferença de sempre, creio mesmo que em qualquer prova do género - e 50 segundos de vantagem, respectivamente.


Com o português, também pelo terceiro ano consecutivo, a ser terceiro na Volta a Portugal. É um lugar-comum dizer-se, nos desportos colectivos, que, quando ganham, são os atletas a ganhar e, quando perdem, são os treinadores a perder. Carlos Pereira também o disse - a excepção é Jorge Jesus, mas isso é no futebol – mas, para além de o dizer, deveria tê-lo sentido. Porque foi!


E permitiu que a equipa de José Barros, logo na estreia, ficasse com os dois primeiros lugares da Volta e arrecadasse a maior parte das vitórias em etapas. Restou-lhe a vitória por equipas, e por escassos 11 segundos. Fraco pecúlio para quem teve tudo para ganhar!  

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pontal sem ponta por onde se lhe pegue

Por Eduardo Louro


 


O discurso do Pontal de Pedro Passos Coelho, de hoje, teve quase tudo menos o que deveria ter. A começar pelo mais importante: honestidade intelectual. Mas também coerência e rigor!


Dir-me-ão que não é isso que se espera no Pontal e, por muito que me custe, terei de concordar. Pois, mas faltou-lhe também o que, no Pontal, mais se espera: entusiasmo, mobilização e festa!


O momento político era propício a uma grande festa, mas ela não apareceu.


No resto, no que realmente importa, uma enorme falta de honestidade intelectual e uma incorrigível propensão para a manipulação – muitas vezes chocante - da realidade. Só isso explica que os principais riscos que o país actualmente corre sejam a evolução da economia europeia, a execução orçamental e o Tribunal Constitucional. Se a evocação do primeiro serve apenas para aligeirar responsabilidades, e a do segundo para valorizar o óbvio, já a do terceiro não passa de mais uma inaceitável pressão sobre o Tribunal Constitucional. Que apenas confirma que Passos Coelho vive aterrorizado com a elementar obrigação de cumprir a Constituição!


 

Coisas nossas

Por Eduardo Louro


 


 


Não há muito a fazer. Somos assim…


De vez em quando resolvemos procurar D. Sebastião no local mais improvável!


Agora é este, e tem nome de poeta...


 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Dever e temer

Por Eduardo Louro


 


 


Este ano foram notícia os meios de segurança mobilizados para as férias dos políticos no Algarve. A esses meios acresceram ainda os seguranças que normalmente lhes estão afectos e que vão sendo notícia nas mais diversas circunstâncias.


Como se tudo isso não bastasse, ainda foi notícia uma afliçãozita Jorge Sampaio nas águas de uma das praias de Lagos, que contou, também ela, com a participação dessas personagens. Não que tenha constado que o tivessem ajudado a livrar-se da corrente que contrariava a sua vontade de sair da água – aí não lhe valeram de nada – mas porque, rezava a notícia, logo que chegou à areia, desapareceu levado justamente pelos seguranças. E pronto, lá ficava toda a gente a saber que até um antigo presidente, que não faz mal a ninguém nem a quem ninguém quer fazer mal, também vai de férias para o Algarve com seguranças.


Reconheço alguma dificuldade em aplicar aos políticos, mesmo que na reforma, aquele princípio popular de quem não deve não teme. Até porque se houvesse algum que não devesse, é tanto o que todos os outros devem, que nunca daria para lhe garantir grande coisa…


Na realidade devem, e tanto, que só podem temer. Como também diz o povo, quem tem cu tem medo. E eles não têm cara, mas cu não lhes falta. Por isso demos de barato que têm de andar acompanhados por quem lhes defenda a cara que não têm, o cu que têm de sobra, e o resto da carcaça…Mas mandaria o mais elementar bom senso que não os exibissem!


Não lhes nego o direito ao quotidiano de férias do comum dos cidadãos. Mas não me parece aceitável que exerçam esse direito afrontando os outros com exibicionismos bacocos de tipos musculados com ar de agente secreto de trazer por casa.


Partilhei – não partilhei coisa nenhuma, fui obrigado a conviver com isso - o meu espaço de férias com um ministro, e nem sequer interessa identificá-lo, que se achava no direito - que, como referi, lhe não nego - de fazer tudo o que, por exemplo, eu fazia. Mas, francamente! Chegar à esplanada com quatro rapagões, que ficam ali especados… Andar no supermercado mais preocupado em olhar à volta (ou em ser visto?) do que para as prateleiras, sob o olhar dos mesmos quatro, também eles a parecerem mais interessados em ser vistos que em ver, não é fazer o que faz o cidadão comum. É outra coisa qualquer, é uma espécie de novo-riquismo que lhes retira de cara o que lhes acrescenta de cu!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O embuste sem fronteiras

Por Eduardo Louro


 


O primeiro-ministro norueguês, o trabalhista Jens Stoltenberg, de novo candidato nas eleições de 9 de Setembro, foi notícia por se ter disfarçado de taxista, supostamente com a intenção de recolher as reacções dos passageiros à política e ao desempenho do seu governo.


O vídeo gravado na circunstância foi divulgado e suscitou as melhores reacções. Na Noruega mas também pelo mundo fora, sempre disponível para aplaudir a cultura cívica nórdica, a transparência e a ética que fazem da política na Europa do Norte, e em especial na Escandinávia, o modelo de salvação dos sistemas democráticos que agonizam no resto da Europa, e mesmo do mundo.


Soube-se pouco de pois que os passageiros eram figurantes, que foram seleccionados e pagos para executar o papel. Que foi um embuste e que, afinal, também por lá, a ética e a transparência já conheceram melhores dias. Que, por lá, ética e transparência, não fogem muito do que por cá se diz de riqueza e santidade: é sempre menos de metade!


O que não quer dizer que não haja, mesmo assim, muito a aprender com eles… Não será é em matéria de táxis!


 

domingo, 11 de agosto de 2013

As boas notícias que (não) chegam...

Por Eduardo Louro


 


O desemprego baixou no segundo trimestre. Vamos deixar de lado se baixou muito pouco, e se o que baixou foi à conta de salários ainda inferiores ao salário mínimo.


As exportações continuaram a crescer, bem para além do que se estava à espera, e Maio foi o melhor mês de sempre no que toca a volume de transacções para o exterior. E admite-se mesmo que a economia esteja a sair da recessão!


Ora tudo isto são boas notícias, mesmo que não tão boas quanto gostaríamos que fossem. A quebra do desemprego pode resultar apenas de fenómenos de sazonalidade, de contratos de curtíssima duração que, passado o Verão, devolvem ao desemprego os números assustadores de sempre. E traduziu-se apenas nos salários mais baixos, deixando a ideia que a economia que pode estar a sair da recessão vai fazê-lo em novas bases. Em especial na base de salários baixos – ainda mais baixos!


Mas têm que ser boas notícias, porque é de boas notícias que também a economia vive. É de optimismo, que gera confiança, que a retoma se faz.


Pena é que o governo nada contribua para isso. Que, quando saem estas notícias, em vez de as potenciar, esteja paralisado por ministros e secretários de estado enterrados em aldrabices. Que, antes de serem demitidos, não poderiam ter sido admitidos. Que, quando há notícias destas para dar, dê as de cortes de pensões. E as das excepções, porque, afinal, os cortes nunca são para todos. E deixe intactas as imoralidades que todos conhecemos…


 

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Em circuito fechado

Por Eduardo Louro


 


 


Para a sua própria substituição a ministra, enterrada nos swaps até às orelhas, escolheu alguém tão enterrado quanto ela. Que se manteve um mês em funções, sob fogo cerrado. Até à demissão, sem uma palavra da ministra – uma única!


Talvez por isso seja a própria ministra a substituí-lo, o que quer dizer que se substitui a si própria. Isto começa finalmente a fazer algum sentido... É a coesão, em circuito fechado...


Ninguém consegue ver é como é que isto pode chegar a 2015.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Surreal

Por Eduardo Louro


Arrisco garantir que, desde o longínquo Verão (quente) de 1993 - há 20 anos -, o Benfica não passa por uma pré-época tão estranha. Foi, e continua a ser, Cardozo. Foi, e é, Oblak. Foi Roberto, que afinal regressara sem que ninguém soubesse, para voltar a ser vendido por mais milhões que ninguém percebe, transformados em metade do passe de um jogador que nem chega a entrar no Seixal: Pizzi, um jogador de 12 milhões de euros que pretendia continuar no futebol espanhol. E que, talvez por isso, foi direitinho ao Espanhol, de Barcelona.


São os números que se anunciam ter de ser feitos em vendas... E é - sem que nada nos faça supor que se fique por aqui - Fariña, o jovem (22 anos) e promisor médio argentino contratado há menos de um mês - dizia-se que em saldo por estar em final de contrato - por 2,3 milhões de euros. Que, se calhar por ter dito que "o Benfica é o maior clube da Europa", foi, sem ter feito um único de tantos jogos de pré-época, emprestado para... o Dubai. Exactamente, nem mais nem menos que para o Banyas Futebol Club, onde irá evidentemente encontrar as melhores condições de progressão e crescimento para valorizar um jovém de 22 anos...


Surreal!


Continua a desafiar-se a lei de Murphy... Dir-se-á que esse Verão quente de há vinte anos acabou em título. É verdade. Tão verdade como ter sido o do canto do cisne: o último do tempo em que o Benfica ganhava, e o primeiro (de três, em 20 anos) do tempo em que deixou de ganhar...

Com papas e bolos...

Por Eduardo Louro


 


“Vai passar muito tempo até que tenha vontade de voltar à vida política”


Espero que seja mesmo muito. E que passe bem mais até que nós tenhamos vontade de o ver de volta... E que a memória dos portugueses deixe de ser curta!

Insólito. Mas há coisas mais desagradáveis...

Por Eduardo Louro


 


Agora é que é razão para dizer que "as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas"...


Mas convenhamos que não será completamente desagradável desmentir a própria morte!  

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O efeito dominó

Por Eduardo Louro


 


O governo, ao contrário do que prometera no briefing de ontem, não tirou tudo a limpo. Borrou ainda mais a pintura, mesmo  que para o secretário de estado desse no mesmo. Demitiu-se. Obviamente!


Não podia ser de outra forma, mesmo que Joaquim Pais Jorge continue a pretender trocar as voltas à verdade, como faz na carta - que também não é carta de demissão – que tornou pública, supostamente a justificar a decisão. E é uma demissão que apenas pecou por tardia!


Em boa verdade o pecado capital está antes, na nomeação. Na escolha que a ministra das finanças fez para se fazer substituir a si própria. Pecado que, não houvesse outras razões - e há -, seria suficiente para arrastar também a sua queda.


De resto é hoje claro que apenas o efeito dominó impede a queda da ministra: justamente a peça que, tombando, arrastaria na queda o primeiro-ministro, e naturalmente o sólido e coeso governo que formalmente lidera. Por isso, e só por isso, não tombou já!


 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Tirar tudo a limpo

Por Eduardo Louro


 


Depois de tudo o que se tem visto no Mi(ni)stério dos Swaps, das velhas trapalhadas swapeiras da ministra das finanças e das mais novas, que não menos trapalhonas, trapalhadas do novo secretário de estado do tesouro, o governo fez hoje um briefing intercalar para anunciar que vai tirar tudo a limpo.


Um dos homens dos briefings - o outro deve estar de férias - veio dizer que vai esclarecer tudo até ao fim do dia. O mesmo que há dois ou três dias dava tudo por esclarecido e arrumado. Não havia qualquer razão para alimentar a polémica


Este Verão não tem silly season. E desconfio que Manta Rota, mesmo que as notícias lá não cheguem, como já deu para perceber que não chegam, não seja dos sítios mais traquílos deste Verão!


Se tirarem tudo a limpo ... Valha-nos que ninguém está interessado nisso...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

RIGOR DAS PALAVRAS E SWAPS

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Na generalidade das situações, o discurso político é apresentado: redondo, inócuo, inatacável, ardiloso, evasivo, determinado e convincente, politicamente correcto, empolgante para apelar às palmas nos comícios. Deve parecer sábio o que não tem fundamento, parecer sensato o irresponsável, parecer de causa pública, social ou de estado o que é meramente de interesse muito restrito. Recorre-se a conceitos de sentido amplo e elástico que sirvam para tudo, como o canivete suíço, utilizando palavras sempre disponíveis, que se ajustem às conveniências e não comprometam, porque os valores e o sentido que encerram não são mensuráveis.


Consciência, moral, ética, verdade, mentira, seriedade, rigor, sentido de estado, competência, mérito, responsabilidade, equidade, justiça, honestidade, corrupção ou gestão criativa e, mais recentemente, o irrevogável de Paulo Portas, são exemplos, entre muitos outros. Utilizam-se as virtudes dos conceitos para encobrir o condenável ou para representar o seu contrário. Ao observador, de acordo com o seu carácter e matriz educacional, compete avaliar o valor ou o sentido das palavras quando utilizadas pelo canalha ou pelo virtuoso,


No discurso interessa juntar às palavras credíveis, o tom convincente, sério, preciso, claro e sereno, porque não haverá polígrafos para avaliar do rigor dos conceitos através de alguma métrica. A métrica é apenas gestual, fica na postura. Veja-se um discurso televisivo, mas retire-se o som.


Talvez se possa falar de métrica nas folhas Excel dos tecnocratas das finanças, onde os números se alinham sem honra nem glória e nos tem levado à desgraça. Alguns dos conceitos que exemplifiquei não são finitos como os números, tem dimensão humana e espiritual, mas são banalizados e canibalizados pela classe politica.


Sobre o rigor do conceito e da palavra dada, apetece recorrer ao saber dos sábios - sábios de saber feito pelo tempo, conhecimento e inteligência, mesmo sem canudo académico, mas de ideia precisa e palavra curta.


Num encontro casual de rua, um homem que há muito não via cumprimenta-me calorosamente, recordando a minha meninice quando carregava comigo no colo. Fez-me uma breve síntese do estado da sua família, do presente e como vê o futuro incerto e sombrio. Diz-se desiludido com o comportamento daqueles que governam em nosso nome, desbaratando recursos e valores, desacreditando a democracia pela fadiga que trazem ao sistema partidário. Sente-se cansado das notícias do estado da nação e dos discursos que lhe invadem a solidão da recente viuvez, deixando-lhe amargura em vez de companhia grata.


Exemplificou-me com a constante austeridade a oprimir os mais indefesos - no seu caso, idoso e reformado - para que os mais afortunados não baixem a sua taxa de acumulação de riqueza. Reconhece, como ganho da democracia, a melhor repartição dos benefícios sociais, mas que agora se perde com a socialização dos prejuízos do sistema financeiro, centrado na banca especulativa e fraudulenta, lesiva dos interesses daqueles que nela confiam. Mas aos bancos o Estado deita mão, mesmo deixando falir milhares de empresas e retirando aos indefesos que, assim, pagam os devaneios financeiros aos quais os governantes se ligam - “A tirania sobre os indefesos é um acto de cobardia” – disse.


Sobre a actual polémica dos swaps, de quem mente e não mente, do sentido da verdade e da mentira, da seriedade e responsabilidade nos cargos da governação ao contratar seguros de risco de crédito em condições danosas para o interesse público, o meu interlocutor - homem do campo com 86 anos e muitas rugas lavradas pelas intempéries da vida e a enorme sabedoria que Saramago reconhecia ao avô ribatejano que não sabia ler nem escrever - rematava “no passado, os HOMENS agarravam-se pela palavra dada, hoje, esta gente agarra-se pelos cornos!”- caso para dizer, Swaps para quê?


Falou ainda de outras preocupações que são comuns a todos nós e, a terminar, agradeceu a minha atenção, dizendo - “com a minha idade a vida já nos ensinou muito, só que ninguém nos pergunta nada, especialmente esta rapaziada iluminada que nos governa e dos velhos só quer o voto”

sábado, 3 de agosto de 2013

Dar a volta à lei de Murphy

Por Eduardo Louro


 



 


 


E ao primeiro jogo em casa…chegaram os assobios. O pior dos cenários que a decisão de renovar com Jorge Jesus previsivelmente arrastaria começa a ganhar forma.


A partir de agora é obrigatório contrariar a lei de Murphy! 

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Requentado

Por Eduardo Louro


 


 Diário de Notícias


 


Rui Machete, para além de presidir a um dos principais órgãos sociais da sociedade detentora do BPN, também comprou o vendeu acções com a normalíssima margem de 150%. Como Cavaco!


Requentado - portanto - como diz o Pedro Lomba, o novo homem dos briefings do governo. Quer ele dizer que não há nada de novo. E tem razão: no BPN já nada nos surpreende. Nem sequer nos surpreende que todos continuem a ter a lata de afirmar que comprar e vender acções é a coisa mais normal deste mundo. Escondendo que é assim em Bolsa, mas que não é assim no caso. Escondendo que 150% de margem, em transacções directas com o presidente do banco, fora de bolsa, repito, não tem nada de normal. Escondendo que nestas transacções participaram as grandes figuras do partido, com Cavaco à cabeça. E escondendo, por fim, que o dinheiro que toda essa gente ganhou – de boa fé, sem fazerem ideia nenhuma que aquilo era uma gigantesca vigarice – é o que nos anda agora a ser tirado do bolso!


Miguel Relvas regressou à ribalta. Foi curto o período de nojo. Passos Coelho resolveu arranjar-lhe um cargo: Alto Comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa! Dizem por aí - más línguas, certamente - que o homem não é lá muito perfeito no uso da língua portuguesa, que se baralha um bocado na conjugação dos verbos. Mas que importância tem isso?


Passos pode partir descansado para Manta Rota: o povo é sereno. O Portas, para além de por cá ficar a segurar as pontaspaga as favas e o Seguro, coitado... Nem assim lá vai!


Sem requinte, tudo requentado.

Ler os outros

Por Eduardo Louro


 Hoje recomendo "O ministro que não era", do Gabriel Silva, no Blasfémias.


 


 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Mi(ni)stério dos Swaps

Por Eduardo Louro


 


O Ministério da Finanças vai ter de mudar o nome para Mi(ni)stério dos Swaps.


A ministra agora já diz que o secretário de estado do governo anterior, que antes não tinha dito nem passado nada, afinal não lhe apresentou foi solução nenhuma. E o novo secretário de estado - Joaquim Pais Jorge, que justamente a substituiu quando ela subiu a ministra - afinal ainda quis impingir mais uns swaps marados ao governo anterior, para esconder umas coisas...


Vamos ver se percebo. Quando rebentou esta estória o governo correu com os secretários de estado que tinham responsabilidades na coisa. Todos, menos esta senhora, que ensinou Economia a Passos, na Lusíada e a quem é entregue a responsabilidade pelo inquérito à coisa. A senhora, enterrada até às orelhas na coisa, é promovida a ministra e ... quem é que convida para o lugar que vai deixar vago?


Um vendedor de swaps, pois claro!


Assim vão as coisas no Mi(ni)stério dos Swaps...

Jogo sujo

 Convidada: Clarisse Louro *


 


Os partidos políticos são indispensáveis à democracia, disso ninguém tem dúvidas. Mas também ninguém tem dúvidas da sua contribuição negativa para a actual imagem da democracia no nosso país. Ninguém tem dúvidas de que têm sido precisamente os partidos os maiores responsáveis pelo descrédito em que caiu o regime e, com ele, a democracia que com ele se confunde. Curiosamente também por responsabilidade dos partidos, que nunca pareceram muito interessados em discernir entre regime e democracia!


Os principais bloqueamentos da sociedade portuguesa passam por aí: pelos partidos e pelo regime. A principal reforma de que o pais carece passa por aí – pelos partidos e pelo regime, entendido como todo o sistema político e o seu modo de funcionamento.


Tem-se por adquirido que é total o peso dos partidos nas eleições nacionais, nas legislativas, e quase residual nas autárquicas. Que nestas prevalece a proximidade, a relação e o contacto directo entre eleitores e eleitos, condições que fazem com que as pessoas se sobreponham aos partidos. Não é bem assim!


Não disponho de dados que me permitam fundamentar esta opinião, mas parece-me mesmo – por sensibilidade e intuição – que vem sendo cada vez menos assim. Que cada vez mais são os directórios partidários – nas suas diferentes estruturas – a, sempre que chega a vez das ansiadas listas das candidaturas autárquicas, baralhar, partir e dar. O sucesso das candidaturas independentes não só não consegue iludir esta realidade como, acima de tudo, a confirma. É que a esmagadora maioria destas candidaturas vem dos partidos, das suas lutas intestinas e das suas roturas. Não vêm da sociedade civil.


Estas autárquicas que aí vêm têm confirmado isto mesmo. Com os partidos a insistirem, para além do razoável e do aceitável, nas candidaturas de legalidade duvidosa, empurrando para os tribunais o que cabe à política. Com estruturas locais dos partidos a imporem candidaturas que resultam das relações de poder saídas de lutas internas. À revelia do desempenho e da capacidade de quem já deu provas, gerando mais e mais falsas listas de independentes. De tudo isto se tem passado um pouco por todo o país, tocando praticamente a todos os partidos. Seguramente a todos os que têm implantação autárquica!


Em Leiria, também o PSD navegou nestas águas. Só que aqui, provavelmente por efeito da Ribeira dos Milagres, em águas muito sujas. E porque há muito sujas, nauseabundas. De cheiro insuportável!


Sabe-se que o PSD é tradicionalmente um partido com muitos partidos lá dentro. E que são frequentes actos desavindos entre eles. Há muito que se sabe que há em Leiria um PSD dividido em dois. E que, o que tem o poder, na comissão política concelhia, não tem feito lá muito bem ao outro, pondo em causa o todo. Que joga um jogo que nunca parece limpo, sempre com mangas que escondem alguma coisa. Desta vez, ao contrário da última, escolheu o candidato. Um candidato pouco provável, diria quem olhasse de fora. Tão pouco provável que levaria a pensar numa escolha para não agitar outras águas. E que alguma coisa ficava na manga, para jogar mais tarde, quando chega o tempo de ser o tempo quem mais ordena…


E assim foi. Assim mesmo, sujo e feio!


Ao candidato nada mais restou que recusar o papel de fantoche que pretendiam reservar-lhe e bater com a porta. Em nome da dignidade. Pessoal, porque a do partido já não tem salvação!


 


 * Publicado hoje no Jornal de Leiria

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...