sábado, 29 de setembro de 2012

JÁ NÃO HÁ PACIÊNCIA...

Por Eduardo Louro


 


Já não há paciência para este cavalheiro… Os trabalhadores ganham de mais, os empresários são ignorantes. Só ele, que não tem vergonha – nem por onde ela passe -, que passou pelos sítios menos recomendáveis deste mundo, que governa sem ter de se sujeitar ao mísero ordenado de um ministro, que anda por aí a vender tudo o que mexe, que acumula e mistura interesses privados e públicos é abençoado pela inteligência e clarividência que lhe permitem ver o que mais ninguém vê. Que vê um milagre económico em Portugal, que acha que o equilíbrio das contas externas é uma obra ímpar deste governo de excelência, e não o resultado de uma economia destruída, sem consumo e sem investimento. Que vê reformas sobre reformas levadas a cabo por este governo de acção e de convicções inabaláveis…


É preciso quem o mande calar porque, por ele, não se cala. Nem se enxerga…


 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

FUTEBOLÊS#130 JOGADOR ADAPTADO

Por Eduardo Louro


 


Creio que nunca se falou tanto em adaptação como nos últimos tempos, a propósito de jogadores adaptados.


A adaptação é um processo de convergência com uma nova realidade, de ajustamento físico e mental a um novo meio envolvente. Todos nós, perante uma mudança das condições que nos envolvem, entramos em processos de adaptação. Se mudamos de emprego, temos certamente um processo de adaptação pela frente. Se mudamos de casa não podemos fugir à adaptação a um novo local, a novos vizinhos e até a novas rotinas.


Depois desses múltiplos processos de adaptação passamos a estar adaptados. Adaptados ao novo emprego, à nova casa, aos novos vizinhos…


Os jogadores de futebol também passam por processos de mudança deste tipo, e até com uma frequência bem superior à dos comuns mortais que não fazem de uma bola forma de vida. A mobilidade profissional de um jogador – como de qualquer outro profissional – de futebol é incomparavelmente superior à de qualquer outra actividade.


E no entanto, em futebolês, um jogador adaptado não é um jogador que acabou de passar por um processo de adaptação a um novo clube, a um novo treinador ou a novos colegas. Um jogador adaptado é tão simplesmente um jogador reconvertido. Um jogador de meio campo adaptado a defesa central, um defesa central adaptado a lateral ou um defesa central adaptado a trinco ou a pivô defensivo. Mas o que está mesmo na moda é adaptar alas a defesas laterais!


Estas adaptações resultam de circunstâncias muito diversas. Umas vezes de uma simples coincidência, ou de um acaso, outras de insuficiências de planeamento, outras ainda de insuperáveis dificuldades financeiras que obrigam quem não tem cão a caçar com gato e, finalmente, outras de razões que ninguém consegue entender. E, quando assim é, chamamos-lhe teimosia!


Basta lembrarmo-nos do que Vítor Pereira fez na época passada com o Maicon a lateral direito. Ninguém percebeu. Só podia ser teimosia…


Mas é o Benfica o campeão das adaptações. Sem recuar muito no tempo – e para não ir à mais extraordinária (no sentido de rara, mas também de invulgar eficácia) que me vem à memória quando, há 40 anos atrás, Hagan transformou um dos mais velozes extremos direitos de sempre, Nené, num ponta de lança que, sem sujar os calções, andou mais de uma década a marcar golos de toda a maneira e feitio – lembramo-nos do Miguel, que o Chalana, do dia para a noite, pegando num ala direito mediano, transformou num lateral direito do melhor que chegou a haver por esse mundo fora. E, no Benfica, é Jorge Jesus o mestre das adaptações!


Tudo começou com Coentrão, um rapaz que jogava lá à frente, quando jogava. Porque na maioria das vezes não jogava. Andava mesmo perdido, de Saragoça para Vila do Conde, sem se adaptar nem servir em lado nenhum. De repente, sem lateral esquerdo – uma velha maldição deixada no Benfica, não por Bella Gutman, mas por Lello, esse brasileiro que era uma espécie de Maxi (também ele adaptado, ainda antes da era Jesus) da esquerda e que partiu sem ninguém perceber porquê – o mestre da táctica lança-o a lateral esquerdo. Foi um sucesso e rendeu logo 30 milhões de euros, que o Jorge Jesus transformou num crédito pessoal inesgotável. Ao ponto de nunca mais querer outra vida que fazer adaptações!


Desatou a comprar avançados, à dúzia, só para ter motivo para os adaptar às outras posições de que, assim, com aquela política de aquisições, a equipa ficava carenciada. O mais badalado foi Melgarejo, ou a Melga para facilitar as coisas, um jovem avançado com inegáveis potencialidades que Jesus teimou fazer lateral esquerdo. Nesta altura do campeonato já dá para ver que ainda não conseguiu fazer dele um lateral esquerdo. Mas já conseguiu fazer dele um jogador medíocre, que nada acrescenta à equipa: aquela ala esquerda, com Nolito e Melga, é verdadeiramente assustadora!


Com a inesperada partida de Witsel e Javi Garcia o Jesus esfregou as mãos: aí estavam mais duas oportunidades para o seu dedo milagroso. Matic iria fazer de Javi Garcia, numa adaptação esperada mas, para poder ir mais além, decidiu esquecer-se que Carlos Martins existe e adaptar o ainda inadaptado Enzo Perez a Witsel.

E O DÉFICE CADA VEZ MAIS LONGE...

Por Eduardo Louro


 


O INE divulgou hoje os dados oficiais relativos ao primeiro semestre. O défice – sempre o centro do problema – é ainda superior às piores expectativas que por aí têm circulado (mas ao nível do que por aqui fomos avançando) fixando-se nos 5,6 mil milhões de euros, qualquer coisa como 6,8% do PIB. Os 5%, para que a troika permitiu que resvalasse, são uma miragem… Mesmo com medidas extraordinárias, mesmo transformando a privatização da ANA numa concessão, para que a receita possa abater ao défice em vez de abater directamente na dívida pública!


E, no entanto, continuam a fazer tudo na mesma … À espera que as mesmas medidas, nas mesmas condições, produzam outros resultados e não os mesmos. Mais teimosos que a realidade!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

CADA VEZ MAIS PENOSO...

Por Eduardo Louro


 


Foi a contra gosto que o primeiro-ministro recuou na TSU. Não foi por ter reconhecido o erro, e para o corrigir, que a medida foi parar ao caixote do lixo. Foi simplesmente porque foi obrigado a isso, a contra gosto. E amuado, como se viu!


Passos Coelho amuou, em particular com os empresários. Uns ingratos, acha convictamente. Daí que ontem, no almoço com banqueiros no Estoril – em mais uma penosa deslocação – lhes tenha deixado uma ameaça (a tal lição para o futuro que, em tom ameaçador, não quis concretizar) e uma acusação de cobardia. Foi por cobardia, acha ele, que muitos empresários se colocaram conta a medida. Porque tiveram medo dos seus trabalhadores!


O homem está perdido, não percebe nada do que à sua volta se passa. Mas nem tudo lhe corre mal: a privatização da Caixa Geral de Depósitos, que ainda há poucos dias, no debate quinzenal na Assembleia da República e interpelado por Seguro, era tabu – apesar de toda a gente saber que tinha sido assunto tratado com a troika – aí está, a fazer o seu caminho. Sem que ele tivesse de dizer uma única palavra…


Ainda há coisas que funcionam… Não são as que dependem da acção do governo, mas há sempre muita gente disponível para dar uma mãozinha!


Mãozinha é, de resto, coisa que não falta a este governo. Há sempre uma mãozinha para meter em tudo. Veja-se o rato que a montanha das fundações pariu. Quantas mãozinhas não andaram por ali?


Penoso. Cada vez mais penosos os últimos dias dos governos. De todos!


 

PENOSO

Por Eduardo Louro


 


Cada saída do primeiro-ministro está transformada num calvário, e é já penoso vê-lo cada vez mais sozinho no meio de cada vez mais seguranças.


Há dias escrevia aqui que o governo estava em prisão domiciliária, sem poder ausentar-se dos ministérios. E que, para se deslocar pelo país a fazer de conta que existia, teria de mandar construir túneis e bunkers.


Sem tempo – nem recursos – para isso, o primeiro-ministro optou por, nas suas deslocações, trocar as voltas a toda a gente – entrando pelas portas dos fundos que todos os edifícios têm – e por reforçar os meios de segurança. Ontem, no ISCSP, onde Passos Coelho se deslocou para participar na homenagem a Adriano Moreira, os seguranças não tiveram mãos a medir, chegando ao cúmulo de ameaças sobre um operador de câmara da TVI. Para identificar (?) um miúdo que tinha apupado o chefe do governo viu-se um autêntico batalhão de polícia…


Hoje, numa deslocação para um almoço com empresários em Cascais, as mesmas cenas: segurança reforçada, a trocar as voltas aos jornalistas e a empurrá-los para bem longe do chefe do governo. E apupos da população…


É penoso, o constrangedor paralelo entre os ambientes interiores, onde Passos Coelho discursa – e até se esforça por citar Camões - e os cá de fora, da rua, quando entra e sai!

LER OS OUTROS

Por Eduardo Louro


 


A propósito do inenarrável parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida – hoje o tema do dia – e do discurso do seu obtuso presidente, um tal Miguel Oliveira da Silva, vale a pena ler este belo texto do Fernando  Sousa, no Delito de Opinião.


 


 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CONSELHO DE COORDENAÇÃO DA COLIGAÇÃO

Por Eduardo Louro


 


A semana passada teve dois pontos altos: a reunião do Conselho de Estado, uma mega reunião de oito horas animada pelo desfile de carros alegóricos, e a cimeira entre os partidos da coligação, que haveria de resolver a crise política que Paulo Portas trouxera pelo braço.


Aqui se fez eco do que de relevante saiu desta última, ficando todos a perceber que, com a decisão de apresentarem listas conjuntas para as autárquicas, a crise política estava definitivamente ultrapassada, como o próprio Presidente da República fez questão de anunciar pouco antes do início da reunião do Conselho de Estado.


Tenho de reconhecer que, ao contrário do que maciçamente fez a Comunicação Social, não dei qualquer relevo ao que de realmente importante saiu dessa reunião de reconciliação dos partidos da coligação. Preferi, certamente com algum sectarismo, salientar que o PSD e o CDS ultrapassaram todas as divisões, e resolveram e puseram-se de acordo sobre todos os graves problemas do país, logo que acordaram em concorrer às próximas autárquicas com listas conjuntas. Em vez de, como toda a Comunicação Social, salientar a decisão de criar o CCC. Isso mesmo: o Conselho de Coordenação da Coligação, um órgão que ninguém percebe para que serve, até porque percebemos que o que precisa de coordenação é o governo, e não exactamente a coligação.


Entretanto esperamos pelo anúncio da primeira reunião do CCC. Será na próxima segunda-feira, para … discutir as autárquicas! Está hoje anunciado em tudo o que é Comunicação Social


Engraçado, não é?

terça-feira, 25 de setembro de 2012

PÉS DE BARRO

Por Eduardo Louro


 


Hoje os mitos caem muito depressa. Depressa de mais!


A fotografia correu mundo e virou símbolo. Um símbolo forte, capaz - quem sabe - de concorrer com o cravo vermelho a sair do cano da espingarda…


O imediatismo da sociedade que construímos, a cultura do sucesso fácil, dos Big Brothers, Casas dos Segredos e afins, trataram da sua rápida destruição…


Somos especialistas em revoluções românticas. Mas, mesmo assim, eu sempre tive alguma dificuldade em ver ali o que quer que fosse de revolução… Nem sequer romantismo! Parecia-me mais outras coisas…

VÍRUS DO ÁLVARO

Por Eduardo Louro


 


O vice-chanceler alemão e ministro da economia, Philipp Toesler – um tipo de ar asiático, que de vez em quando diz umas coisas que nos chateiam – encontrou-se hoje com o seu homólogo português - o nosso Álvaro – em Berlim, na abertura da primeira edição do Portugal Plus - uma espécie de bolsa de contactos promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã – e aproveitou para declarar "exemplar para a Europa e para o mundo" a aplicação do programa de ajustamento financeiro em Portugal.


Disse coisas extraordinárias, como: "Apesar de todas as dificuldades, Portugal tem conseguido implementar a consolidação orçamental e as reformas estruturais, um caminho muito difícil, mas que está a ser traçado de forma exemplar para a Europa e para o mundo". Ou "Portugal está a percorrer um caminho extraordinário, e chegou o momento de lhe dar vida económica".


Ouvir, nesta precisa altura, coisas destas do número dois alemão - parceiro de coligação de Merkel – leva qualquer um a, mais que abrir a boca de espanto, começar a coçar na cabeça à procura de explicações.


Como é que, numa altura em que toda a gente percebeu – incluindo a troika, evidentemente, que até teve da dar mais tempo para atingir a meta do défice – que tudo falhou, que falhou o programa, como toda a gente anunciara que falharia, e falhou a sua execução, somos um exemplo para a “Europa e para o mundo”?


Como é que, depois de toda a gente e por todo o lado ter dito que o programa mataria a economia nacional, como matou, é, precisamente agora, que “chegou o momento de lhe dar vida económica”?


Terá isto alguma coisa a ver com a expressão de revolta que os portugueses finalmente conseguiram mostrar ao mundo?


Ou terá o homem simplesmente sido atacado pelo vírus do Álvaro?


Que, como se sabe, é uma bactéria que inverte a realidade para depois a projectar sob a forma de pastéis de nata: bem parecida, doce e quente. E com canela!


Parece-me bem que é isso. O homem foi contagiado e, sob o efeito do vírus do Álvaro, está em Marte. E nem é sequer por a Comissão Europeia ter ainda ontem lembrado, de Bruxelas, que havia lá uma tranche para chegar no início de Outubro… Que só chegará se tudo for cumprido bem direitinho…

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

UM GOVERNO EM PRISÃO DOMICILIÁRIA

Por Eduardo Louro


 


Os ministros, todos sem excepção, são vaiados sempre que saem ao contacto público. Tem sido evidente que passaram a fugir a esse contacto, procurando portas e travessas que os levem aos seus protegidos e bunkerizados destinos sem esse incómodo de enfrentar a população.


Os mais recentes casos vêm precisamente do fim-de-semana. A ministra Assunção Cristas, que há poucos dias escapara a um ovo em Santarém, tinha em Aveiro muita gente à sua espera em protesto. Mas tinha também muita polícia capaz de a encaminhar tranquilamente para o interior do auditório – onde encerraria um seminário alusivo aos 50 anos da PAC – vazio!


Miguel Macedo, o ministro da Administração Interna, deslocou-se a Campia - Vouzela – para inaugurar um edifício do destacamento local dos bombeiros. E lá estava a multidão em protesto… Miguel Macedo, com um estranho sentido de oportunidade, achou por bem dizer que os portugueses são cigarras, em vez de formigas!


Gasolina na fogueira: para quem tem o pelouro dos incêndios não é lá muito abonatório…


O governo está definitivamente de relações cortadas com a população e, a partir de agora, ou todos os seus membros permanecem bloqueados nos seus ministérios – um governo em regime de prisão domiciliária – sem de lá poderem sair, ou passam a mandar construir túneis e bunkers por todo o país – o sector da construção e o emprego agradecem – para que possam manter actos protocolares que lhes alimentam a sensação de estarem vivos. E ministros!


Mas não será certamente fácil de perceber que se possa governar assim.   

domingo, 23 de setembro de 2012

O NOVO CLÁSSICO

Por Eduardo Louro


 


É um novo clássico: o Benfica domina de alto a baixo, as oportunidades de golo sucedem-se, umas atrás das outras ao ritmo das bolas aos postes ou para as nuvens; depois entra em acção o guarda-redes, que defende tudo o que lhe aparece pela frente; e o árbitro, chame-se Xistra ou Hugo Miguel, que faz o resto. O resultado, já se sabe: ou permite a aproximação do Porto ou permite-lhe a fuga.


A história repetiu-se, e é já um clássico. No primeiro quarto de hora do jogo de Coimbra o Benfica podia e devia ter construído o resultado. Aos 4 minutos já Cardozo e Rodrigo – os dois pontas de lança – tinham cada um rematado a sua bola ao poste…


Na primeira vez que a Académica consegue sair da sua área, Xistra tem oportunidade de assinalar um penalti, mesmo que as coisas se tenham passado fora da área. Sem perceberem como, os estudantes estavam a ganhar!


Recolheram aos aposentos, que dizer à sua grande área, e aí valia tudo: até atrasos com os pés, em aflição, para o guarda-redes, que agarrava a bola como se nada fosse com ele. Nem tudo podia valer: um defesa a fazer de guarda-redes tinha mesmo de dar penalti, a única maneira que o Cardozo conhece de marcar golos.


Só que pouco depois a Académica volta a conseguir chegar à área do Benfica. E já se percebeu: o Xistra voltou a ter oportunidade de inventar outro penalti. Desta vez é dentro da área, mas é dentro da área que o Garay corta a bola. Nada mais que isso!


Lá valeu o Lima que, com um belo golo, deixou empatado um jogo que Xistra quis que ficasse assim. Mas, atenção: a equipa de Jorge Jesus foi quase tão incompetente como Carlos Xistra!

FUTEBOLÊS#129 ESQUEMA TÁCTICO

Por Eduardo Louro


 


Depois de uma ausência mais prolongada que o esperado o futebolês regressa, para ficar mais umas semanas. Não regressou com o início das competições da nova época mas, talvez por isso, regressa com uma novidade. De que, provavelmente, muitos dos leitores ainda não deram conta…


Mas vamos por partes. O futebolês é uma língua viva, aberta à dinâmica da comunicação e, muito provavelmente, gerida e administrada por um Conselho de Sábios, sempre atento a necessidades de renovação. Uma coisa assim parecida com o Acordo Ortográfico, só que menos polémica!


Presumo que este Conselho de Sábios tenha trabalhado arduamente durante este defeso que, por culpa do Campeonato da Europa, até foi mais curto que o habitual. Mais exigente ainda, por isso.


Mas valeu a pena, e aí está: Esquema Táctico!


Mas – perguntarão aqueles que ainda não deram por esta expressão na boca dos novos especialistas com que as televisões nos brindaram para esta nova época - o que é isso?


Pois, é nem mais nem menos, que um neologismo para bola parada! Os sábios devem ter achado que era tempo de mandar a bola parada para o baú das velharias, lá bem para o fundo, onde acaba por ir parar tudo o que não consegue resistir aos implacáveis caprichos da moda.


A partir do início desta época desportiva os comentadores – e todos aqueles que de qualquer forma lidam com esta preciosa linguagem – dividem-se em duas categorias: os prá frentex, que elogiarão os esquemas tácticos de Jorge Jesus, e os botas-de-elástico, que continuarão a enfatizar a forma com Jesus trabalha as bolas paradas. Claro que isto é uma forma de expressão, porque, na realidade, os esquemas tácticos ou as bola paradas de Jesus, são chão que já deu uvas: viu-se uma novidade logo no jogo inaugural da liga, com o Braga – de belo desenho, sem dúvida, mas também de grande complexidade, realmente mais esquema táctico que bola parada – mas nem resultou nem se voltou a ver repetida.


Confesso que estou com alguma expectativa em perceber como passarão a ser classificados os penaltis e os livres directos, os que resultam em golo. Antes pertenciam inequivocamente à categoria dos golos de bola parada. Se passarem a ser golos de esquema táctico não bate lá muito certo…


Muitas vezes são golos de esquemas, mas de outros, como o da imagem!


Subsiste outro pequeno problema: é que o esquema táctico conflitua facilmente com o sistema táctico. Nada que um curto período de adaptação não resolva, responderá certamente o Conselho de Sábios, com o apoio de todos os prá frentex


Há sempre resposta para tudo, mesmo que disparatada!

sábado, 22 de setembro de 2012

ADEUS VERÃO...

Por Eduardo Louro


 


Acabamos de nos despedir do Verão: pouco antes das quatro da tarde, chegava o Outono a este hemisfério Norte…


Hoje o dia iguala a noite. A partir daqui é sempre a noite a ganhar, e o dia a perder. Entretanto chegará a hora de Inverno, que mais não fará que anoitecer mais cedo.


É o Verão que mais saudades sempre deixa: o sol, a praia, as festas…


Por que será que me parece que este Verão não está a deixar saudades? E no entanto, com o que para aí vem, não se pode esperar que o próximo seja melhor….


 

É SÓ FUMAÇA...

Por Eduardo Louro


 


Oito horas depois soube-se o que já se soubera três ou quatro horas antes: que não há crise e o povo é sereno! E - já que recorri ao saudoso Pinheiro de Azevedo, nada como continuar a evoca-lo – que é só fumaça


Uma fumaça bem tóxica, que deixa isto com um ar cada vez mais irrespirável…


O poder mediático decidiu que o problema era a taxa social única (TSU). Recuasse-se, ou fizesse-se lá o que se fizesse com o disparate da TSU, e tudo ficaria resolvido. Induzidos por esse movimento, ficamos a conhecer as posições de cada um dos conselheiros sobre a matéria, que não divergia da posição do país.


Havia ainda a questão da crise política, bem à vista de todos e iniludível. Que os partidos da coligação acabaram por resolver com … a apresentação de listas conjuntas às autárquicas. Ultrapassada portanto. Como o Presidente anunciara três ou quatro horas antes do início do Conselho de Estado, desvalorizando-o e esvaziando-o.


Sem crise política para resolver, o Conselho de Estado atirou-se à TSU, como se sabia. O governo, por sua vez, apenas não anunciara já o recuo nesta medida para imputar a decisão ao Conselho de Estado, numa lógica de antes uma derrota que um recuo. Só fumaça, evidentemente!


Que agora permite ao governo regressar à concertação social para negociar os aumentos no IRS pela via de reformulação dos escalões e criar uma sobretaxa sobre metade do subsídio de Natal, com o poder mediático, em coro, a dizer que é a alternativa à medida da TSU. Como esta já o tinha sido relativamente à decisão do Tribunal Constitucional, quando está mais que explicado que nada têm a ver umas com as outras. Mas mantém a fumaça viva …

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O FUNDO É SEMPRE MAIS ABAIXO...

Por Eduardo Louro


 


A Comissão Política Nacional do PSD reuniu e emitiu um comunicado, cuja única relevância era convidar o CDS para uma reunião. O CDS respondeu de pronto e a reunião ocorreu ao início da noite, mas sem Passos Coelho e Paulo Portas. Terminou há pouco também com a emissão de um comunicado, cuja única relevância é dar conta que os dois partidos vão estudar a constituição de listas conjuntas para as próximas autárquicas.


Quer dizer: quando no ar está uma das mais graves crises políticas da nossa História, nas actuais circunstância do país, de consequências imprevisíveis, aberta pelos desvarios da governação e pela irresponsabilidade dos líderes da coligação; quando os dois partidos da coligação ainda numa roda-viva a retirar e a limpar as facas, tudo se resolve com as listas conjuntas para as autárquicas.


Mas será possível que esta gente não dê mesmo mais que isto? Então, depois do que assistiram no sábado e da sondagem hoje publicada – que dá 24 e 7% das intenções de voto respectivamente para o PSD e o CDS, igualando no conjunto as do PS, que nem sequer está a subir – esta gente usa a cabeça, nem que seja por uma única vez?


Com esta gente o fundo é sempre mais abaixo…

BASTA!

Convidada: Clarisse Louro *


 


Uma confusão com o calendário da minha participação neste nosso jornal levou-me a preparar um texto para ser publicado na última edição. Apenas quando me aprestava para o enviar para a Direcção reparei no equívoco: que a data de publicação era esta e não a da semana passada.


Começo por aqui porque grande parte do que então escrevera foi completamente desmentido na precisa semana em que seria lido. E foi-o, de forma arrasadora, no sábado passado!


Quem escreve sabe que nem sempre é fácil mandar para o cesto dos papéis aquilo que se escreveu. Não foi o caso: foi com uma satisfação enorme que enviei aquele meu texto para o lixo!  


Falava sobre a mentira e a tolerância com que nós, portugueses, lidamos com ela. Sobre a passividade, a falta de exigência e a cultura de acomodação que nos caracteriza. Não é que a extraordinária demonstração de mobilização cívica que os portugueses fizeram neste 15 de Setembro tenha funcionado como esponja que apagou aqueles traços da personalidade lusa. Isso não é nem possível nem exigível.


Não é que esta seja uma data regeneradora, o dia em que os portugueses despiram o negro conformismo com que foram talhados ao longo da História e que sacudiram o pesado fardo fatalista que há muito lhe puseram nas costas. Mas pode ser o princípio de qualquer coisa!


Portugal disse BASTA (feliz e premonitória a capa da última edição do Jornal de Leiria que, não por acaso, roubo para título) e gritou-o tão alto que se ouviu pelo mundo fora. E fê-lo com aquele civismo de que só os portugueses são capazes, a lembrar ao mundo, porventura já esquecido, que aqui se fez uma revolução com armas que em vez de balas tinham cravos. Sem divisões, como no primeiro de Maio de 74, sem partidos – antes contra os partidos -, sem sindicatos… Sem máquinas a ditar palavras de ordem, apenas a iniciativa livre e espontânea de portugueses de todas as gerações e de todas as idades, de todas as condições sociais, unidos pela revolta – é certo, e nem de outra forma poderia ser – mas, acima de tudo, por Portugal. Pelo direito a viver na pátria que é sua, que tem que os acolher e não de os expulsar. Por um país que não consentem seja desrespeitado e destruído!


As estruturas orgânicas do país – órgãos de soberania e partidos políticos - que têm a responsabilidade total pelo processo de destruição em curso, não podem fingir que não viram. E os portugueses, todos nós, não podem fingir que não fizeram isto. Não podem ver aqui um ponto de chegada, apenas um ponto de partida. Não podem desmobilizar. Não podem chegar às próximas eleições – sejam elas quais e quando forem – e repetir o passado: ficar em casa ou ir para a praia em vez de votar, seguir acriticamente aquilo que lhe põem à frente, aceitar o que as máquinas partidárias lhes impingem, aceitar que os que lhes mentiram continuem a mentir, permitir que quem os enganou os continue a enganar…


Quebrou-se o mito urbano do protesto inorgânico. O protesto orgânico é, por definição, sectário. Representa interesses de uns e não de todos, divide e não une. Tem o seu espaço, mas não é o espaço comum de todos nós. O protesto não enquadrado poderá resvalar para actos de violência, vem nos livros. Cá estamos nós para negar isso!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

LER OS OUTROS

Por Eduardo Louro


 


Hoje recomendo o Aventar, e este texto de António Fernando Nabais que assino por baixo.

QUENTE...QUENTE...

Por Eduardo Louro


 


Hoje: reunião da Comissão Política Nacional do PSD, para o contra-ataque ao parceiro de coligação;


Amanhã: reunião do Conselho de Ministros, onde se não sabe quem olha de frente para quem, ou mesmo quem tapará a cara;


Sexta, de manhã: debate quinzenal na Assembleia da República, onde se prevê que não seja fácil distinguir maioria e oposição;


Sexta, à tarde: reunião do Conselho de Estado.


Uma semana quente, sem dúvida!


 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

AZAR

Por Eduardo Louro


 


Não tenho paciência para assistir integralmente a qualquer desses programas que as variantes noticiosas das TV´s transmitem na versão de debate do futebol. Mas a verdade é que tento: invariavelmente passo por lá em zaping!


Invariavelmente, também, fico por pouco tempo. É sempre mais do mesmo: debate de baixo nível, confronto de mau gosto, e sectarismo exacerbado. Sempre do mesmo lado, um objectivo único: criar factos, limpar outros, e pressionar. Pressionar e condicionar sempre com o objectivo de criar dividendos para o seu clube, umas vezes com algum talento mas, na maioria delas, com muita arruaça!


Por regra geral o meu Benfica está mal representado. Num caso segue o mesmo caminho da arruaça, joga o mesmo jogo do adversário, mas sem qualquer eficácia – antes pelo contrário – com a agravante de se tratar de alguém com funções directivas no Clube e na SAD. Noutro, com sucessivas substituições nos últimos tempos – vá lá saber-se porquê - os seus representantes têm revelado outra urbanidade mas, ou são mais papistas que o Papa, ou trucidados pelo jogo baixo do adversário. No último, o Benfica está representado pelo mais veterano do ofício: alguém que já passou por tudo o que é programa do género em tudo em que é estação de televisão, sempre em regime de insinuação pessoal à procura nunca se sabe de quê.


Foi aqui que ontem fui parar por breves momentos, que deram para perceber que é o único onde já tem assento o novo grande: o Braga. Uma figura desconhecida – será porventura alguém com méritos públicos, mas eu não conheço – prometia, através de técnicas de guerrilha ou mesmo de terrorismo, entornar o caldo a todo o momento. Vamos ver, mas desconfio que aquilo não vai acabar bem…


Discutia-se na altura Pedro Proença, os seus méritos, e o seu regresso à arbitragem de jogos do Benfica. Curiosamente a única voz crítica para o árbitro saía da boca do sportinguista Eduardo Barroso. Todas as outras cantavam loas a este árbitro, incluído o benfiquista que, claro, aproveitava para se insinuar.


Braguista e portista declaravam com toda a solenidade que não havia qualquer razão para que Pedro Proença não regressasse aos jogos do Benfica. Enquanto o portista garantia que o árbitro em tempo algum prejudicara os da Luz, o novo recruta concedia que tinha havido prejuízo decisivo no tal golo de Maicon e que isso poderia tornar o ambiente da Luz difícil para Proença. O regresso deveria acontecer num jogo fora…


Talvez em Braga, acrescentaria eu!


Confesso que não estranhei nada que Fernando Seara não tenha intervindo para dar a pequena nota que Pedro Proença não prejudicou o Benfica apenas nesse jogo. Que o tem feito flagrantemente em todos os jogos em que tem intervindo nos últimos anos, sem excepção. Que na mesma época passada, no Axa, entre a complacência com o anti-jogo e a dualidade de critèrios, inventou o penalti que garantiu o empate ao Braga. Como inventara o do Dragão quando, um metro à sua frente – exactamente nas mesmas circunstâncias que ditaram o castigo a Jorge Jesus: “não viu porque não quis” – transformou uma simulação de Lizandro no penalti que deu o empate ao FC Porto. Nem que fosse para simplesmente concluir que é um caso de azar. Que Pedro Proença não quer prejudicar o Benfica, tem é azar… Um azar que só lhe bate à porta quando pela frente tem aquelas camisolas encarnadas…


Por mim, que não desejo o azar de ninguém, acho melhor que não volte a arbitrar o Benfica. Que, já que tem o azar de ter estes tipos a defendê-lo nos media, bem dispensa mais azares de Pedro Proença!


 


 

LUÍS GOES (1933-2012)

Por Eduardo Louro


 


Morreu o médico, o autor, o compositor e o músico que mais e melhor cantou Coimbra.


RIP.


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...