domingo, 31 de agosto de 2025

Alverca 1-Benfica 2


E Alverca tão perto da Amadora ...


O relvado de Alverca também não está assim tão longe do da Amadora. Para além disso, do mau relvado, o campo está minado. De resto isto está mesmo tudo minado... Bem fez o Bruno Lage em falar seco com a Sport TV, o VAR informal deste futebol cá do burgo. O VAR paralelo. Eles sabem tão bem o que fazem que até recearam que ele não comparecesse na conferência de imprensa. Fez quase tudo mal em Alverca mas, isso, fez bem.


O Benfica entrou no jogo com quatro alterações, relativamente ao jogo da passada quarta-feira. Inevitável a ausência de Akturkoglu, que já saiu, a ditar a entrada de Schjelderup no onze inicial. Depois, o Samuel regressou à baliza (e de que maneira!), saindo Trubin, Tomás Araújo, no lugar de António Silva, e Ivanovic na frente, no de Pavlidis. Barreiro manteve-se ali atrás do ponta de lança, vá lá perceber-se por quê.


E entrou bem. Logo aos 5 minutos, cinco minutos de domínio absoluto, na primeira oportunidade, Schjelderup marcou. E o golo mudou alguma coisa. Em relação aos 5 minutos iniciais mudou tudo. 


O Benfica passou a jogar a ritmo de peladinha, de treino. Um treino de rabia. O que o Benfica passou a fazer foi isso, rabiar o Alverca. A bola circulava de um para outro jogador, ao primeiro, no máximo segundo toque; e os jogadores do Alverca corriam que nem loucos atrás dela ... e dos jogadores adversários. Não havia qualquer objectividade naquele jogo do Benfica; o objectivo esgotava-se na mera posse de bola, em mantê-la simplesmente para a manter. Bola para o lado e para trás. Quando ia para a frente, era para voltar para trás.


Pode chamar-se a isto domínio absoluto do jogo. Não me parece que seja. Até porque, de cada vez que os jogadores do Alverca conseguiam apanhar a bola, de tempos a tempos, o ritmo era outro. Invariavelmente por Chiquinho, regressado à Liga portuguesa depois da aventura inglesa, transitavam rapidamente até à baliza do excelente Samuel. Que teve de mostrar trabalho. E do bom!


Como a defesa do Benfica, com Tomás Araújo sempre em bom nível, e Samuel sempre seguro e tranquilo, dava conta do recado aquilo só era enfadonho. Não era perigoso. 


Com 70% de posse estéril de bola, o Benfica acabou por marcar o segundo golo à terceira oportunidade, já em cima do intervalo, considerando a segunda naquele remate de Rios, em que a bola roçou o poste. Mas para isso foi preciso que o Dedic rompesse com aquele paradigma, ao romper pela área adversária fora, como já nos habituou, e marcar um golo de classe.


Os primeiros minutos da segunda parte apontavam para um jogo diferente. Com o Alverca mais subido, o Benfica ocupava melhor todos os sectores do campo e ficava mais confortável no controlo do jogo.


Só que o árbitro José Bessa, do Porto - claro -, não estava muito virado para aí. Ele, que na primeira parte, quando os jogadores do Alverca desesperados atrás da bola e das canelas dos adversários, só vira razão para amarelar, ainda bem cedo, Dedic, agora apitava a cada sopro dos vermelhos, e desatava a distribuir-lhe amarelos.  


E assim foi correndo a primeira metade da segunda parte. A uma oportunidade do Alverca, negada por uma grande defesa do Samuel, respondia o Benfica com outra, no remate ao poste de Schjelderup. O resto era faltas e amarelos. Oito amarelos e um vermelho para o Benfica. Três, para o Alverca. 


A segunda metade iniciou-se com a expulsão de Dedic. Bruno Lage, prevenindo, tinha retirado Rios, aproveitando para a despedida de Florentino, que já nem regressou com os colegas. Não fez o mesmo com Dedic e, à primeira oportunidade, José Bessa pô-lo na rua. A falta foi estúpida, e desnecessária. E não era para amarelo!


A partir daí o Benfica caiu no caos. O Benfica, com 10, tem que ter condições para jogar com o Alverca. Conseguiu-o com o Fenerbahçe. Se o Farioli, ao que disse, preparou os seus jogadores para jogarem em Alvalade com menos um, por ser esse o paradigma do Sporting, Bruno Lage tem que passar a fazer o mesmo. Porque está tudo armadilhado.


Podemos perceber que os jogadores dentro do campo sintam a inclinação. Mas é muito difícil aceitar uma estratégia com toda a gente a defender dentro da área, com a única preocupação de, sucessivamente, chutar a bola para longe. Sem que as costas folgassem enquanto o pau ia e vinha. Antes entregando sempre a bola ao adversário, logo ali, para ter o pau sempre colado às costas.


Foi assim que o Benfica entrou em sofrimento, nele arrastando os adeptos. Foi assim que sofreu o golo, num lance que começa numa carga sobre Samuel, ignorada pelo tal José Bessa, e ... pelo VAR paralelo. Na ressaca a bola volta a entrar na área, e ia até tranquilamente até às mãos do guarda-redes do Benfica, quando Otamendi, também ele obcecado pelo pontapé para a frente, falhou e deixou a bola mesmo a jeito do Davy Gui autenticamente fuzilar Samuel. Que não merecia ser ele a sofrer o primeiro golo da época do Benfica!

Há 10 anos

 


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Paulo Rangel consegui neste fim de semana sair daquela zona cinzenta, onde tão bem se mexe, para entrar decidida e espalhafatosamente no circo da demogogia e do cinismo político montado por Passos Coelho e Paulo Portas.


Travestido de actor - não poderei dizer de professor porque, como dizia o Joaquim Vieira, na sua vasta experiência universitária, quer a receber quer a dar aulas, nunca viu professores serem aplaudidos no fim da aula, quanto mais no fim de cada frase, acrescentaria eu - Paulo Rangel foi ao tempo de antena do PSD, a que pomposamente chamaram Universidade de Verão, dizer o que Passos Coelho não quer dizer mas quer que seja dito.


Imagem relacionadaNão sei se este Rangel, de Passos, é tão diferente do Rangel de Ferreira Leite quanto são, ou estão, eles um do outro. Sei é que entre o Rangel que discutiu a liderança com Passos e o Rangel às ordens de Passos há diferenças bem evidentes ...


Não sei por quê, mas o outro tinha aspecto mais saudável!

sábado, 30 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Ora aí está! Já se sabia que perante o descalabro que vai ser a venda a qualquer preço do Novo Banco, o governo iria passar a culpa toda para o governador do Banco de Portugal. Como a desgraça está aí, e só faltam dois dias para ser conhecida, Passos Coelho não perdeu tempo a lavar as mãos. Não tem nada a ver com isso. Isso é tudo com o senhor governador...


Nada que o senhor governador não mereça. Mas também nada que deixe ninguém surpreendido!

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


"Temos que trabalhar mais nos treinos" - disse Samaris no final do jogo. Não sei se há neste expressão alguma traição da língua onde o grego dá os primeiros passos, com excelente desenvoltura, diga-se de passagem, porque não estamos nada habituados a que os jogadores de futebol cheguem a Portugal e se esforcem para falar a nossa língua. Também não sei se o tal sms - "mister, desde que foi embora que isto é um descanso" - existiu, e se, tendo existido, tenha sido enviado pelo Samaris.


Mas sei que precisam mesmo de trabalhar mais nos treinos. E melhor. Porque continua sem se ver fio de jogo, continua sem se ver intensidade, continuam sem se ver automatismos... Não se percebe a estratégia, e nem sequer nas bolas paradas se percebe que haja trabalho. E se a equipa não sabe defender - e não sabe - e se é por aí que, dizem os entendidos, se começa o trabalho, então não há mesmo dúvida que é preciso trabalhar mais nos treinos. Mas muito mais!


Mas também precisam de trabalhar mais nos jogos. Têm que correr pelo menos tanto como os adversários, têm de chegar a cada bola pelo menos ao mesmo tempo que o adversário e, fazendo pelo menos isso, têm de meter o pé com, pelo menos, a mesma intensidade do adversário.


E já que começamos com uma declaração, falta também trabalhar isso: a comunicação. O discurso numa equipa como o Benfica não pode ser o mesmo que numa equipa como o Guimarães. Pela simples razão que treinar o Benfica não tem nada a ver com treinar o Guimarães... Porque é o diabo quando se começa a perceber que há ali uma ligação qualquer entre a moleza do discurso e a moleza da atitude da equipa...


E não adianta dizer-se que "sou assim" e "não mudo"... Isso era a cantiga da Gabriela, não sei se se lembram. Essa não é música para os nossos ouvidos. Quando a equipa é prejudicada pelas arbitragens, como foi em Aveiro na semana passada, com um penalti e um golo anulado que dariam os três pontos, e como voltou a ser hoje, com um golo em fora de jogo, que só não levou dois pontos porque não calhou, tem de haver alguma coisa a dizer. Pela simples razão que são essas as regras instaladas no jogo em Portugal, como de resto se vê todos os dias... E, muito provavelmente, agora mais do que nunca...


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Santana Lopes anunciou que não é candidato à Presidência da República. E eu a pensar que só se anunciavam candidaturas...


Pensava mal, já percebi. Tanto que - acredito agora - não será o único a fazê-lo. Seguir-se-ão outros... Espero é que sejam mais sensatos na justificação, para não deixarem a ideia que primeiro respondem a um arrebatador chamamento interior, e só depois caem na real dos seus deveres e das suas responsabilidades... Pelos vistos só agora, depois de um arrebatamento de vários meses, Santana Lopes deu conta dos seus "deveres enquanto Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa" e das suas "responsabilidades profissionais"...


Há pessoas que para se manterem vivas precisam que se fale delas todos os dias... Pedro Santana Lopes é uma delas, pouco se importando que seja para dizer bem ou para dizer mal. É preciso é falem dele. É uma questão de sobrevivência... 


E em sobrevivência é ele especialista. Um dia destes ainda será o presidente nacional da protecção civil, se é que isso existe.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Benfica 3 (perdão: 1) - Fenerbahçe 0

A ironia do destino: Akturkoglu marca golo que derrota Fenerbahçe e coloca Benfica na fase de Liga da Champions


Catedral cheia, cheia de 65 mil, a vibrar para atacar o último degrau de acesso à Champions. A vibrar tanto que até a águia Vitória se assustou, e enrolou o voo.


O Benfica, com a equipa habitual, com Akturkoglu, e com Barreiro - que não foi surpresa no onze, só foi surpresa na exibição, absolutamente fantástica durante toda a primeira  parte -, entrou de mãos dadas com os 65 mil nas bancadas, disposta a saltar para cima do Fenerbahçe para, dali, atacar esse último degrau.


Bruno Lage, que não é realmente grande especialista em comunicação, tinha falado desta ligação entre a equipa e as bancadas da Luz estabelecendo uma dicotomia entre emoção e razão. À emoção vinda das bancadas juntou a equipa a razão trazida para o jogo. E lá se juntaram ambas, razão e emoção, numa noite memorável, e numa das mais categóricas exibições dos últimos tempos.


O Benfica - reconheceu Mourinho, referindo-se à primeira parte do jogo - não foi melhor; foi muito melhor. E foi. Na primeira parte, de forma absolutamente esmagadora. Mas também na segunda, só que sem ser esmagador.


O jogo começou logo com o grito de golo a soltar-se das 65 mil gargantas, a dar o mote para o que seriam aqueles 45 minutos de futebol demolidor, feito de razão e paixão. Bola recuperada em zona adiantada, Pavlidis assiste para a desmarcação e o remate de Barreiro, na cara do golo. Era golo, era golo ... mas Livakovic fez valer a sua enorme categoria para uma defesa incrível.


Não tardaria muito para se voltar a gritar golo, e festejá-lo a preceito. O relógio assinalava 11 minutos e, desta vez, não havia Livakovic que valesse. Canto do lado direito, cobrado por Dahl, com António Silva, bem no centro da área, a desviar de cabeça para Pavlidis desviar para dentro da baliza.


Não valeu Livakovic, mas valeu outro croata - o árbitro Slavko Vincic, que tinha sido anunciado como amigo de Mourinho, que não lhe poupara elogios. Que, depois de ter apontado para o centro do campo, e depois de prolongada espera pela confirmação do golo, se deslocou ao monitor para de lá vir com a decisão de anular o golo, conforme Mourinho se apressara a reclamar. Assinalou um livre indirecto, que tanto poderá querer dizer que, ou houve um fora de jogo (no caso de Barreiro, que não tocou na bola, nem interferiu em coisa nenhuma e, mais ainda, nada provou que estivesse e fora de jogo), ou qualquer falta por "jogo perigoso", que nenhuma imagem valida. 


Portanto, golo anulado só porque sim. Porque Mourinho pediu, e o árbitro é amigo dele. Ao que dizem...


Nada que fizesse o Benfica parar, e muito menos desanimar. Por isso continuou, impávido e racional, a desbaratar a equipa turca. Bastaram mais 11 minutos para a cena se repetir. Desta vez é na magistral cobrança de um livre, na esquerda, que Akturkoglu coloca a bola ao segundo poste, onde surge Barreiro a finalizar com qualidade para o fundo da baliza de Livakovic.


Desta vez foi o próprio árbitro a anular de imediato o golo. Como ninguém viu razão para isso, ela ficou à mercê da imaginação de cada um. E, como se sabe, a imaginação dá para tudo. Dá para dizer que o Barreiro terá empurrado o Brown antes de rematar; ou até que o Otamendi terá bloqueado a acção da defesa de um defesa do Fenerbahçe. 


Portanto, novo golo anulado novamente só porque sim. Desta vez Mourinho nem teve que pedir,  o árbitro é amigo ...


Novamente, o Benfica continuou. A ganhar todos os duelos, a mandar no jogo ... Os jogadores do Fenerbahçe respondiam com faltas duras. Os do Benfica com sucessivas oportunidades para voltar a marcar. Só o conseguiu por uma vez, 11 minutos depois do segundo, e apenas 5 depois de se ter voltado a gritar golo, quando Pavlidis falhou clamorosamente o golo que Akturkoglu lhe tinha oferecido. Ao terceiro golo - que tinha de ser marcado por Akturkoglu, depois de tudo o que se passou não podia ser de outra forma, num grande remate, a concluir uma jogada com créditos a atribuir a Aursenes e a Barreiro  - já não dava para anular ...


O intervalo não chegaria sem mais duas grandes oportunidades de golo, ambas criadas por Barreiro, o jogador mais influente da primeira parte. Uma, desperdiçou ele próprio, a outra foi mais um desperdício de Pavlidis. Chegaria sim com uma das maiores mentiras escritas no resultado!


Na segunda parte o jogo mudou um pouco de tom. O Benfica continuava dominador, mas reduzia a intensidade posta no jogo. Os jogadores da equipa turca aumentaram a agressividade e a dureza, com a complacência do árbitro amigo, em acentuado desnorte. Ainda assim continuou a única equipa a criar oportunidades para alterar o marcador. E só um guarda-redes tinha trabalho - Livakovic. Que, à saída do primeiro quarto de hora, voltaria a fazer uma defesa notável, a negar o golo a António Silva.


A meio da segunda parte Mourinho fez duas substituições (Muldur e Archie Brown por Aydin e John Durán) que deram algum fôlego à sua equipa, permitindo-lhe equilibrar o jogo durante cerca de 10 minutos. Não mais. Valeram-lhe, esses 10 minutos, um remate de cabeça tipo chouriço que levou a bola, caprichosamente, a esbarrar no ângulo superior direito da baliza de Trubin (não fez uma única defesa!), um remate de cabeça de Talisca por cima da barra, e outro, de pé direito, ao lado do poste direito. 


A oito minutos do fim Talisca imitou Florentino, na primeira mão, e fez duas faltas para amarelo em três minutos. Nem um árbitro amigo o salvaria da expulsão, que ditaria o baixar final de braços do Fenerbahçe.


O homem do jogo foi Richard Rios, com um nível exibicional simétrico ao de Barreiro. Enorme na primeira parte, mas caiu bastante na segunda.


No fim fez-se a festa na Luz. Merecidíssima. O Benfica está onde tem que estar. Na Champions, entre os melhores!

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não acho piada nenhuma que chamem porta 18 a uma operação policial. Pior ainda quando essa é a porta da minha Catedral... Por onde, dizem, entrariam diariamente bandos de colombianos para fazer negócio... 


Não acho grande piada a que funcionários do meu clube andem envolvidos em negócios com colombianos. Até achava, se não tivessemos a experiência de os ver fugir todos lá mais para cima...


Mas também - confesso - não seria a coisa que mais me preocupasse. Afinal ninguém nunca poderá dizer que está livre de ter um empregado qualquer que se possa dedicar a negócios com colombianos. Também - se calhar, digo eu - ninguém poderá dizer que consegue controlar todas as portas de todas as instalações, mais a mais  quando se trata de uma catedral aberta a tantos fiéis. E infiéis...


Não me choca que só tenhamos tido conta da notícia um mês depois, mesmo que não tenha achado piada nenhuma às primeiras reacções. Um pecado desses, numa catedral destas, deveria chegar de imediato ao conhecimento dos fiéis, mas concedo que até se possam levantar valores mais altos.


O que me choca é que, um mês depois, quando se soube, o presidente do meu clube se venha dizer chocado. Deve ter sido um choque daqueles: um mês depois ainda está em choque... Não admira, conforme ele próprio explica, conhecia o José Carriço - assim se chama o sujeito do negócio colombiano - há muito. Era pessoa de sua confiança, foi o seu motorista durante muito tempo!


E o que verdadeiramente me preocupa é que, no meu clube, um tipo qualquer passe directamente de motorista do presidente a diretor. Aprecio e defendo a mobilidade social, tanto na sociedade como nas organizações. Acho fantásticas aquelas histórias do antigamente, de gente que chegava paquete aos 14 anos e saía presidente da empresa, aos 70.  


Mas, francamente: de motorista do presidente a director do Departamento de Apoio aos Jogadores, faz-me alguma impressão. Preocupa-me mesmo! 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Lembro-me do deslumbramento com que, em criança, ouvia os mais velhos narrarem episódios e histórias de vida de há (havia) vinte, trinta anos. O tempo é das coisas mais objectivas, mais facilmente medíveis e por isso das mais absolutas, mas a noção que dele temos é a coisa mais relativa que a vida tem.


Em criança sentimo-nos esmagados pelo tempo. Se temos seis ou sete anos, ouvir falar de vinte remete-nos para uma dimensão avassaladora do tempo. Depois, os anos vão passando e só começamos a dar conta disso quando as nossas próprias recordações começam a comportar essa dimensão do tempo. E quando percebemos que as décadas começam a encurtar de forma quase assustadora: se da primeira pouco damos conta, bem sabemos como a segunda nunca mais passa, parece ela que tem os esmagadores trinta ou quarenta anos do tempo das histórias que ouvíamos. Os vinte anos  nunca mais vêm, mesmo com os dezoito a darem uma boa ajuda. A terceira já é bem mais curta, mas ainda dá - dava, já não sei se dá - para muita e muita coisa, e a terceira talvez esteja na medida. A quarta já tem bem menos de dez anos, e a partir daí os anos passam a meses...


Tudo isto me vem à cabeça neste dia em que me lembro que há cinquenta anos, em convalescença de uma intervenção cirúrgica à garganta, perdi o meu tio mais novo num estúpido - como todos - acidente de viação. Era o meu tio mais novo, e por isso o mais próximo de mim. Mas também o meu ídolo, o meu confidente, o meu amigo. 


Fazia 26 anos nesse 26 de Agosto de 1965. Estava a meio da primeira década a sério, ainda sem tempo para perceber como é traiçoeiro o tempo.


Há cinquenta anos... Há cinquenta anos, ainda a meio das férias grandes, a mais de um mês de entrar para o mundo novo do liceu, morreu o meu tio Manel. Nem sequer fui ao seu funeral... Não que fosse criança - nesse tempo a morte não era escondida às crianças, mas também eu já não queria ser criança. Foi a garganta que não aguentou a dor que vinha do coração!

sábado, 23 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Afinal a Comissão Europeia não tem nada a ver com o negócio da venda da TAP. Diz que que não se ocupa de peanuts, que o negócio não é suficientemente grande para lhe merecer atenção. Sardinhas sim, negócios de sardinhas já lhe interessam...


Poderíamos facilmente achar normal que lhes interessasse apenas os grandes negócios. Com um bocadinho de mais esforço poderíamos até achar normal que lhes interessasse sardinhas, e que não se preocupem nada com negócios de aviação. O que não é nada normal é que o Sr David Neeleman não soubesse nada disso, dando-se ao trabalho de engendrar um negócio com o Sr Humberto Pedrosa para enganar quem não precisava de ser enganado.


É já público, e por isso não estou a cometer nenhuma inconfidência - nem sequer a trair a confidencialidade com que, em tempo útil, fui informado da marosca - que os 49% das acções do Sr Neeleman no consórcio Atlantic Gateway, a quem o governo entregou a TAP, valem 95% do investimento e 74,5% dos interesses, seja em dividendos, seja na liquidação. E que o Sr Humberto Pedrosa até não se fez pagar mal para fazer o papel que fez: afinal consegue quintuplicar em interesses o valor do investimento. Com 5% de investimento - que, mesmo assim, foi pedir ao Estado - adquire uma posição que lhe garante 24,5% da empresa de que detém 51% das acções.


Poderia perceber-se que o Sr David Neeleman tanto quis enganar que acabou ele próprio enganado. Poderia, mas é apenas mais uma coisa que é capaz de não ser normal .


Com tanta coisa pouco normal neste "quem engana quem" acabamos por desfiar o novelo. E não é com grande o risco de nos enganarmos que chegamos à conclusão que um "quem" é o governo e o outro somos todos nós. Que o Sr David Neeleman não foi nada enganado, foi simplesmente aconselhado pelo governo a fazer assim. 


 

Benfica 3 - Tondela 0


Mais de 60 mil na Luz - de novo - para a estreia do Benfica, à terceira jornada deste campeonato 2025-2026. Pelo calendário  - que, ao contrário do que acontece com os principais rivais, vem repetidamente sorteando a primeira jornada do Benfica em casa, para que a última seja fora - a estreia teria acontecido há duas semanas, com o Rio Ave, jogo que, pela participação na pré-eliminatória de apuramento para a Chamipons, foi adiado para daqui a um mês.


Mais de 60 mil em festa. Porque é assim, vamos à Luz pelo coração e para fazer a festa. A reacção de cada um ao jogo pode ser muito diferente, mas festa é festa. E a Luz é festa, depois vem o jogo. Desta vez, com alguma surpresa, com Samuel Soares na baliza, e Trubin no banco; com Tomás Araújo, em estreia na época, ao lado de Otamendi, e António Silva no banco; com Obrador e sem Dahl. E, já agora, com Schjelderup de regresso aos titulares, com Aktürkoğlu de regresso ao banco, como tem sido habitual. Quatro alterações na equipa que há três dias jogara em Istambul.


O jogo não foi diferente do que têm sido os outros jogos do Benfica. O da Amadora, há uma semana, é outra história. O batatal onde foi disputado não dava para muito mais, e há sempre jogos assim. Não foi diferente porque este Benfica é isto, e não há volta a dar. É uma equipa de transições, não é de empurrar o adversário lá para trás, para o asfixiar em ondas sucessivas de ataque continuado.


Este é um jogo que cabe bem naquela coisa do copo meio-cheio ou meio-vazio. 


Na primeira parte foi mais meio-cheio, apesar de uns 10 minutos mais desconfortáveis, ali à entrada do segundo quarto de hora. Muita bola (67% posse de bola), muitos remates (11) e muitas oportunidades de golo. Mas apenas dois golos. Dois bons golos, ambos em remates dentro da área, no mesmo lado direito, já de ângulo apertado, em duas belíssimas jogadas de futebol.


O primeiro surgiu de um excelente slalom de Dedic - daqueles que nos empolgam, e que desequilibram os adversários - culminado com uma abertura espectacular, para Ivanovic rematar para o lado direito do Bernardo Lopes, o excelente guarda-redes do Tondela (evitou quatro ou cinco golos), que naturalmente tapara o seu lado esquerdo. O segundo, 10 minutos depois, surgiu de uma combinação, em rápidas de trocas de bola, de primeira, entre Pavlidis e Schjelderup, culminada com a abertura do norueguês para a direita onde surgiu o seu compatriota Aursenes a rematar - uma bomba - de baixo para cima, indefensável.


Na segunda parte mais meio-vazio. A equipa manteve praticamente a mesma posse de bola, rematou praticamente o mesmo número de vezes (chegou ao fim com 21 remates), e criou o mesmo de oportunidades - mais de uma dúzia em todo o jogo -, mas falhava mais passes e falhava mais decisões. O Pavlidis ainda lá poderia estar a esta hora a rematar que não marcava.


Nas substituições (Schjelderup por Aktürkoğlu; Obrador por Dahl; Dedic por Prestiani; Ivanovic por Barreiro; e Enzo por Florentino) Bruno Lage poupou-o, e a equipa tudo fazia para lhe oferecer o golo, mas estava escrito que não era noite do grego. E foi Prestiani - também já merecia um golo - a marcar o terceiro, e a entrar na festa, já em cima dos seis minutos de compensação dados por Anzhony Rodrigues. Um árbitro desconhecido, novo mas igual aos outros. E também fraquinho!


Só uma achega - final - para o meio-cheio. Esta equipa do Tondela, em Braga, aos 10 minutos do jogo da primeira jornada, já poderia estar a ganhar por 3-0. Acabou a perder pelo mesmo resultado de hoje, na Luz - sofreu o primeiro golo a meio da primeira parte, num canto, da primeira vez em que os de Braga chegaram à baliza do Bernardo Lopes; o segundo, de penálti (manhoso); e o terceiro também no fim do período de compensação - mas criou mais do dobro das ocasiões de golo do Braga.


 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Quando trinta remates e uma dúzia de oportunidades não chegam para fazer um golo sequer... não se pode falar apenas de azar. Nem  se pode falar do penalti que ficou por assinalar, na melhor fase do Benfica, a última meia hora da primeira parte. Nem de durante muito tempo mais parecer um jogo de andebol que de futebol...Não tem nada a ver com o árbitro, nem com jogar a bola á mão - tem apenas a ver com a forma como o Arouca se posicionava no campo.


Tem de se falar de incompetência. Porque só por incompetência, depois dos adversários terem feito o que tinham feito, se pode fazer ainda pior. 


Uma lástima!


Só falta dizer que não se perdeu com uma equipa qualquer... Perdeu-se para o líder do campeonato... Mas cuidado: assim o colinho pode perder-se!


 

De mal a pior

Luís Montenegro preside ao Conselho de Ministros extraordinário sobre incêndios, na Câmara de Viseu


 


De gravata preta, depois da festa do Pontal e das férias, Luís Montenegro apareceu nas televisões a pedir desculpa por alguma coisa que pudesse ter corrido mal. Não é que tivesse essa percepção, mas admitia que algumas pessoas a tivessem. Pelo caminho, e para trocar as voltas às percepções, propagandeou uma quantidade de medidas de apoio às populações assoladas pelos incêndios, com destaque para a isenção de taxas moderadoras no SNS, que já não existem desde maio de 2022.


De mal, a pior!


Para as televisões tudo se resume a um problema de comunicação do governo. Afinal, Montenegro queria referir-se às taxas moderadoras sem referenciação prévia. 


Mas não. Se calhar o único problema que o governo não tem é o da comunicação. Está entregue ao António Cunha Vaz e, ao contrário da grande maioria do governo, esse é um profissional competente. Claro que também tem férias, e certamente também em Agosto...


O problema do governo é a competência. O problema do governo são as baratas tontas que por lá andam. Já o problema de nos tomar por parvos é nosso. Não é do governo!

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Há 10 anos

 


Acredite...: sem olhar pra trás...


Por este ano já se acabou a sardinha... Não, não acabou a época da sardinhada. Até ao fim do Verão ainda haverá por aí umas sardinhadas... Com sardinha espanhola, e ainda mais cara...


Também é para isto que serve o bom aluno... convenientemente confundido com o aluno obediente, que come e cala. Que, no fim de contas, é o que importa: para isto e para outras coisas semelhantes!


Por isso a ministra Cristas diz que tem de ser assim. que o que tem que ser tem muita força. Que temos de cumprir, se não no futuro teremos ainda quotas menores... É assim. Sempre foi assim... É sempre esta a história do bom aluno!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Parece mesmo que António Costa ainda não percebeu grande coisa do que aconteceu aos socialistas e social-democratas por essa Europa fora. Não percebeu que o virus que Blair deixou na social democracia europeia tomou conta dos seus partidos de bandeira. Não percebeu o que aconteceu aos seus congéneres gregos, espanhois ou franceses... Não percebeu sequer grande coisa do que aconteceu ao partido que quis liderar, não se sabe agora bem para quê...


E, sem perceber nada disso, não percebe grande coisa do que está a acontecer. Não percebe as sondagens e não percebe, de todo, que o caminho mais rápido para o quer que seja é sempre uma linha recta. Não percebe que curvas, desvios e ziguezagues tornam sempre a coisa mais difícil...


E quem não percebe isso não consegue perceber que o mínimo  que a despropositada colagem a Manuela Ferreira Leite lhe poderia valer era mesmo ser acusado de não dizer coisa com coisa por quem não diz coisa com coisa. Que não é grande coisa... Pelo menos quando a coisa é confiança!

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Fenerbahçe 0 - Benfica 0


Benfica e Fenerbahçe não tiveram mesmo sorte no sorteio que alinhou os jogos do play-off da Champions, que definem o acesso à fase de liga. Quis a sorte, ou lá o que é, que tivessem de decidir entre si quem vai ter acesso aos 75 milhões de euros que estão em jogo, que é, mais coisa, menos coisa, aquilo a que poderão aspirar. São, de longe, as duas melhores equipas deste play-off , e uma delas vai ficar de fora, quando lá entrarão, garantidamente o Bodoe/Glimt (Noruega), certamente o Qarabag (Azerbaijão) ou, provavelmente, equipas como o Kairat Almaty (Cazaquistão), ou o Pafos (Chipre). 


Nesta primeira mão, em Istambul, disputou-se um jogo de futebol num tabuleiro de xadrez.


Tudo começou com a novela da contratação de Akturkoglu, que o Fenerbahçe utilizou para destabilizar o Benfica, numa manobra bem ao jeito de Mourinho, tenha ele tido ou não intervenção directa no processo. Desta vez ninguém estava a dormir no Benfica que, percebendo a manobra, e sem grandes alaridos, tratou de escalar a equipa com Akturkoglu e mais 10.


Para além da entrada do internacional turco, no lugar de Ivanovic, Bruno Lage jogou ainda com a de Florentino, na vez de Schjelderup, partindo para a colocação das peças no tabuleiro. Mourinho manteve a fórmula que tão bem resultara com o Feyenoord, mantendo o onze com que goleara a formação neerlandesa no acesso a este play-off , e que o tinha deixado de peito cheio.


Poderia pensar-se que Bruno Lage até poderia ganhar um jogo de futebol a Moutinho. Que lhe ganhasse um jogo de xadrez, poucos admitiriam. Mas foi isso que aconteceu: transformaram o jogo de futebol num de xadrez, e Lage ganhou.


O Benfica teve sempre mais bola e conseguia anular as iniciativas ofensivas da equipa de Mourinho. Dominou e controlou o jogo. Sempre. Percebia-se que todos aqueles equilíbrios só deixariam de funcionar se um qualquer grão de areia que ali entrasse. A não acontecer qualquer incidente que perturbasse aquela harmonia - não, não era um grande jogo aquele que a equipa estava a fazer, era o jogo necessário e, nessa medida, perfeito - o Benfica só poderia ganhar aquele jogo. 


Foi esse o sentimento durante mais de uma hora de jogo. O Benfica tinha mais posse de bola, toinha a iniciativa do jogo, e era a única equipa a criar a ideia que, em qualquer momento, poderia chegar ao golo.


A meio da segunda parte Bruno Lage lançou Ivanovic para o lugar de Barrenechea, que viera amarelado da primeira parte. Uma substituição que, ao mesmo tempo que precavia o risco de um segundo amarelo, relançava as peças do tabuleiro para o formato comum. A ideia que ficava era que, ganha a primeira batalha, a do equilíbrio e do controlo do jogo, passava para a segunda, a de o ganhar.


Parecia perfeito. Mas o incidente que se temia aconteceu a 20 minutos do fim. Em apenas dois minutos Florentino viu dois amarelos. O primeiro sem qualquer razão, nem falta fez. Apenas porque  os jogadores da equipa turca tinham apostado tudo no condicionamento do árbitro, forçando a nota a cada falta, ou a cada simples contacto (o lado do xadrez de Mourinho). Só que injustos ou injustificados, ou não, os amarelos contam da mesma maneira, e não é aceitável que, dois minutos depois de levar um amarelo, um jogador pense, sequer, em agarrar um adversário que lhe vai fugir.


A jogar com 10, e com tanto tempo para jogar, pensou-se que todos os equilíbrios ficariam desfeitos. Bruno Lage voltou ao tabuleiro de xadrez e, lançando Leandro Barreiro e Tiago Gouveia, retirando Akturkoglu e Pavlidis, regressou à fórmula inicial (Aursenes derivou para direita para o centro do meio campo). Com menos um era impossível dominar o jogo, mas era possível controlá-lo.


E foi isso que aconteceu, com sucesso, até ao fim do jogo. Até porque no segundo incidente, no que seria um frango descomunal de Trubin, o golo de En-Nesyri foi imediatamente invalidado por fora de jogo.


Quando, daqui a uma semana, as equipas se voltarem a encontrar na Luz, para aí se decidir tudo, será um outro jogo. Certamente difícil, porque este Fenerbahçe tem muitos bons jogadores. E cada vez mais. Hoje já teve mais Nelson Semedo. Na próxima semana terá ainda mais um ou dois.


E queria ainda ter Akturkoglu, por tudo isso a figura do jogo desta noite.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Há dias dizia aqui que provavelmente António Costa seria um tipo com azar. Hoje já poderei deixar o provável de lado. Definitivamente: Costa é um tipo com azar!


No dia em que decide marcar esta agenda morna de um Agosto também pouco mais que isso, eis que Sócrates regressa com mais uma carta a abafar-lhe  "o quanto, o quando e o como". E não é apenas mais uma carta, é uma carta na mouche, a recentrar o seu caso na política, voltando a reclamar a condição de preso político.


O político preso volta a atacar. Como diz a Ana Sá Lopes, no facebook: "António Costa é capaz de aguentar 200 seguristas, a candidatura de Maria de Belém, etc. É mais complicado para o sucesso eleitoral enfrentar as "cartas amigas" da prisão de Évora. Esqueçam Seguro e os seguristas: a campanha de vingança contra o PS está a ser feita por Sócrates".


E ainda vem aí o dia 9 de Setembro... Se não é a tempestade perfeita é um sério desafio à lei de Murphy.

Deprimente

Luís Filipe Vieira em DIRETO


Foi deplorável o que a TVI/CNN fez da entrevista a Luís Filipe Vieira. Tão deplorável como a própria prestação do agora formalmente candidato à presidência do Benfica.


Que claramente ainda não percebeu o que lhe aconteceu. Que vive preso no passado, amarrado a um tempo que já não é. Sem perceber que o passado é só isso, ficou para trás e dele já nada sobra. Nem perceber que já não se comem gelados com a testa.


Deprimente. De mais!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Duzentos e sete mil empregos!


Bem sei que não é uma promessa. É um compromisso. Mas será que ninguém se lembra dos 150 mil de há seis anos?


Bem sei que o toda a gente acha que o emprego é o abre-te Sésamo da gruta do voto. Por isso é tão grande a manipulação que o governo e a coligação fazem desses números... Mas era mesmo necessário seguir uma fórmula que por sinal até correu tão mal?


Claro que temos de saudar estas coisas de "O Quanto, o Quando e o Como". E, claro, falar de "quanto" sem falar de quanto emprego era deixar de fora o maior dos quantos. Com o "quando" pacífico, e os outros quantos nos 118% do PIB para a dívida e no 1,4% para o défice, é no "como" que poderá estar o diabo. Tanto maior quando falta o maior quanto do como... 


Quanto crescimento?

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

O que é que mudou?


Influenciadores digitais e a extrema-direita brasileira | Heinrich Böll ...


Sociólogos, politólogos e, mais ainda, tudólogos, dizem-nos que o eleitorado português mudou completamente nos últimos anos. Mas será que mudou assim tanto? Não terão sido outras coisas que mudaram? 



O manifesto ódio ao imigrante que cresceu na sociedade portuguesa, e que por estes dias, na sequência da fiscalização da Lei dos Estrangeiros por parte do Tribunal Constitucional, e do desembarque dos migrantes marroquinos - daquele barco de madeira, de 5 metros, que aportou à praia da Boca do Rio, em Vila do Bispo -, se tornou avassalador, atingiria esta dimensão se não tivesse sido cirurgicamente cultivado através de partilhas das coisas mais absurdas nas redes sociais, onde se "informa" uma vasta legião de incultos, mas também muito ditos letrados?


Por que é que este país "informado" nas redes sociais, se revela altamente chocado com a pressão dos imigrantes sobre a habitação, o custo de vida e os serviços públicos; mas já não fica incomodado com os nómadas digitais (com regimes fiscais em que pagam metade dos impostos da classe média portuguesa), com os titulares de vistos gold das mais diversas proveniências, quando - esses sim - tomam conta da oferta de habitação, desencadeiam a hiper-inflação nos preços dos restaurantes, e disputam serviços públicos?


Por que é que este país "informado" nas redes sociais se revolta contra a concessão da nacionalidade a quem cá vem fazer o que os portugueses já não fazem, para si nem para os outros, mas nada se incomoda com a nacionalidade atribuída - vendida por um punhado de euros, dólares, reais ou rublos - a quem nada contribui para o futuro do país e, tendo dinheiro, não tem, e dificilmente poderá vir a ter, alguma ligação emocional a Portugal?


Estas últimas questões são meramente retóricas, para ajudar a responder à primeira. Sem as redes sociais e as suas dinâmicas a projecção do(s) sectarismo(s) não seria a mesma. Projectados e instalados no eleitorado passam rapidamente a produto com mercado!


O eleitorado não mudou. O que mudou foi o que foi posto à disposição do eleitorado!


Há uns anos nem o eleitorado tinha à disposição um espaço político de direita, extrema e radical; nem a extrema direita tinha espaço para ocupar. As redes sociais quebraram esta espécie de círculo  vicioso. 


A partir daí tudo mudou. Mercado gera mercado. E concorrência, que alarga mercado.


André Ventura foi um caso de sucesso, vindo do PSD, como do PSD vieram quase todos os que o acompanham, quase todos por "desemprego". Vindo de um longo jejum de poder, e ele acedendo com frágeis minorias, enquanto ao lado o Chega engordava, o PSD no governo passou a apostar naquele mercado.


Por razões de sobrevivência, mas também porque as bases do partido - é mais o que une as bases do PSD e do Chega, do que aquilo que as separa - contaminaram a cúpula.


As bases do PSD nunca foram muito diferentes do que são hoje. Com ou sem Chega. As elites é que mudaram muito. E não foi apenas no PSD. Foi em todo o lado.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Na primeira privatização do resto das privatizações  - ou, como diria Sérgio Godinho, neste primeiro dia do resto da sua vida - 14 aeroportos passaram do Estado grego para o capital alemão. Poderia chamar-se-lhe ironia do destino...


Mas aqui não há ironia. Só há mesmo destino!

domingo, 17 de agosto de 2025

Volta a Portugal 2025

Artem Nych deve hoje revalidar o título na 86.ª edição da Volta


A dois anos de celebrar o centenário, acabou de terminar a 86ª Volta a Portugal em bicicleta.


Ainda com o rótulo de maior acontecimento desportivo anual do país, a Volta já não é o que era. Não o será mais, afundada na terceira divisão do ciclismo internacional, com equipas nacionais com pouca qualidade, porque demasiadas para os recursos disponíveis, e estrangeiras ainda com menos, porque a falta de qualidade promove falta de qualidade. 


Basta lembrar que a Volta a Dinamarca, que decorreu em simultâneo e que ainda há poucos anos não conseguia concorrer com a portuguesa, contou com grandes nomes do pelotão internacional, desde logo com os principais dinamarqueses. 


Faltando qualidade, falta espectacularidade à Volta. Faltando isso, começa a faltar-lhe público. E faltando-lhe público, faltam-lhe os patrocinadores que é quem, no final de contas, faz a roda girar. Foi nisto que deu a batota com que o FC Porto e a W52 minaram o ciclismo português durante uma série de anos!


A subida à Senhora da Graça já não alimenta paixões. A subida à Torre já não produz heróis. Joaquim Gomes - creio que no seu último ano de mandato na organização da Volta - este ano ainda lhe juntou Montejunto, mas nem mais uma montanha lhe deu mais alma.


Foi ontem, na 9ª e penúltima etapa que, 42 anos depois, a Volta teve uma chagada na montanha mais alta do Oeste. Com partida aqui à porta, em Alcobaça, 52 anos depois da última vez, ainda no tempo em que o local de chegada de uma etapa era o mesmo da partida da seguinte. E no tempo em que Joaquim Agostinho vestia a camisola amarela na primeira etapa e nunca mais a despia. 


Nesse ano, em 1973, e pela segunda vez na sua carreira (a primeira tinha acontecido em 1969, com a vitória a ser atribuída a Joaquim Andrade) seria desqualificado e posteriormente declarado vencedor o espanhol Jesus Manzaneque, que havia ficado a quinze minutos.


Na Volta que temos, e nesta que hoje terminou em Lisboa, com um contra-relógio de 16 quilómetros, ganho por Rafael Reis, da Anicolor/Tien 21, que ganhara já o prólogo (ganhou à entrada e à saída, e foi o único corredor da equipa que dominou por completo, e ganhou a Volta individual e colectivamente, a vencer em etapas), o russo Artem Nich repetiu o triunfo do ano passado. Com 1 minuto e 15 segundos de vantagem sobre o francês Alexis Guerin, seu companheiro na Anicolor/Tien 21, e 1 minuto e 51 segundos sobre o sul-africano Byron Munton, da Feirense/Beeceler, que ocuparam o pódio.


Quatro portugueses apenas nos 10 primeiros. Tiago Antunes, da Efapel, no quinto lugar, foi o melhor. Os restantes foram Pedro Silva (Anicolor/Tien 21), logo a seguir, e Emanuel Duarte (Credibom/LA Alumínios/Marcos Car) e Lucas Lopes (Rádio Popular/Paredes/Boavista), o vencedor da juventude, já no fim da lista.


As designações das equipas portuguesas dão a ideia do problema dos patrocinadores. Apenas uma equipa, a Efapel, ostenta apenas uma marca. Praticamente todas apresentam três marcas, circunstância em que são virtualmente impossíveis ganhos de notoriedade que permitam rentabilizar qualquer investimento digno desse nome.


As equipas estrangeiras, que não enfermam desse mal, vêm para ganhar etapas. E ganharam a grande maioria delas. Note-se como a portuguesa Anicolor/Tien 21, que dominou a Volta como quis, apenas ganhou pelo Rafael Reis, a abrir (no prólogo) e a fechar (no mini-contra-relógio). Artem Nich ganhou a Volta sem ganhar qualquer etapa, bastando-lhe três segundos lugares (em Fafe, na Torre, e no contra-relógio de hoje) e um terceiro, na Senhora da Graça.


E foi isto a Volta a Portugal 2025. Não muito diferente da anterior, nem certamente da próxima.


 

sábado, 16 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Maria de Belém é quem é. Maria, que já é de Belém, é candidata a Belém porque o aparelho assim quer. Não entusiasma ninguém, mas enerva muita gente... E se calhar separa águas!


Os dois candidatos da sua área política reagiram. Henrique Neto com toda a legitimidade, e ragiu bem na entrevista ao i. Sampaio da Nóvoa sem qualquer legitimidade, e reagiu mal na entrevista ao Expresso.


Sampaio da Nóvo devia ter ficado calado, e falou. Henrique Neto não podia ter ficado calado, e falou. Henrique Neto ganhou. Sampaio da Nóvoa perdeu. O problema é que voltou a perder... O problema é que cada vez que fala perde sempre mais do que ganha!


 

Estrela da Amadora 0 - Benfica 1

Estrela falhou, o Benfica não. Penálti de Pavlidis dá os primeiros pontos aos Encarnados na I Liga


Para se estrearem no campeonato, os jogadores do Benfica entraram no campo do Estrela da Amadora com a estranha dupla tarefa de cuidar da relva e jogar à bola. Deram prioridade à primeira, a que lançaram mãos logo no período de aquecimento. Em vez dos exercícios habituais de aquecimento os jogadores fizeram movimentos de calcanhar, a acalcar a relva, e abominais, a levantar e voltar a colocar pedaços de relva.


Que se disputem jogos de futebol em campos destes é apenas uma das muitas bizarrias desta Liga de Futebol Profissional!


Claro que, depois, não ficou fácil aos jogadores do Benfica jogar à bola. Passaram o tempo com um olho no burro e outro no cigano: um olho na relva e outro na bola. Para os jogadores do Estrela não fazia grande diferença. Só precisavam da relva para se deitarem,  a bola andava pelo ar.


E o jogo não saiu disto, com o Benfica incapaz - impossibilitado - de jogar o que pode e sabe, e com o Estrela da Amadora a jogar com as armas que tem, incluindo aquele relvado, e a impor as condições em que teria de ser disputado. Percebeu-se tudo isso desde o apito inicial do árbitro Hélder Carvalho, também ele um velho conhecido para os lados da Luz, com a entrada forte do Estrela, que se prolongou pelos 10 minutos iniciais.


 A partir daí o Benfica passou a ter a bola, a construir o possível, e a justificar o golo. Que poderia ter surgido ainda antes do primeiro quarto de hora, num penálti que nem o árbitro nem o VAR quiseram assinalar. Porque ver, viram. Toda a gente viu o defesa do Estrela atropelar Otamendi, e impedi-lo de cabecear a bola para a baliza. Eles não poderiam ter deixado de ver. 


Logo a seguir poderia ter surgido no remate de Dahl, a rasar o poste direito do Renan. Ou no desvio, de calcanhar, de Pavlidis, ao cruzamento/remate de Aursenes. Ou no remate de Richard Ríos, que Ivanovic, à pivot de futsal, lhe preparou. Ou quando, já nos minutos finais, Luan Patrick, um dos três centrais do Estrela, se lançou a tempo de desviar para cima da barra o remate, de golo cantado, de Schjelderup.


Mas também é certo que, por uma ou duas vezes, o golo poderia ter surgido para os amadorenses. 


A segunda parte só foi diferente porque foi pior para o Benfica. Uma grande oportunidade - mentirosa - logo no arranque daria o mote. Mentirosa porque nasceu de um fora de jogo mal assinalado a Dahl, de uma falta mal assinalada a Otamendi, no corte do respectivo livre, e acabou na recarga - a um disparate de Trubin - falhada, em fora de jogo.


Logo a seguir a esse lance mentiroso, e quando o Estrela esteva por cima, surgiu o penálti - desta vez o árbitro viu o empurrão a Ivanovic - com que Pavlidis estabeleceria o resultado final. Depois disso, do golo, apenas por duas vezes o Benfica criou reais condições de voltar a marcar, já à entrada do último quarto de hora. Na última, a remate de Ivanovic, o Renan fez a defesa do jogo.


Tudo o resto só deu Estrela. E Benfica a pôr-se a jeito, a ficar a mercê da sorte e do azar. Normalmente, quando se deixam as coisas nesse campo, corre mal. Hoje não foi assim. Aquele chapéu de Kikas, já depois dos 90, a aproveitar mais um erro, perfeitamente evitável, de Dedic e António Silva, só não levou dois pontos mesmo por sorte.


Esta é claramente a pior exibição do Benfica da época. Tem atenuantes, mas a forma como a equipa se pôs a jeito dos imponderáveis é preocupante.


 

Fernando Cruz (1940-2025)

 


Paris.canal-historiqueil y a 52 ans : Fernando Cruz, du Benfica ...


Uma grande glória do Benfica, e um dos que o fez Glorioso. Cruz, um daqueles que antes quebrar que torcer, conquistou duas Taças dos Clubes Campeões Europeus, oito Campeonatos e três Taças de Portugal. 


É mais um da geração de ouro que parte. Que descanse em paz, lá quinto anel.


ANOTANDO FÚTBOL *: BENFICA * PARTE 3

O Alasca que os pariu

Trump Putin cimeira


Falava-se de um dia histórico, e de um acontecimento capaz de passar a figurar ao lado dos que marcam a História da Humanidade. Não foi nada disso. Na realidade, nada aconteceu no Alasca!


Os grandes acontecimentos têm sempre que ter por trás grandes homens, grandes figuras da História. Putin e Trump não o são, nem nunca o serão. Putin não passa de um reles ditador, e Trump de um megalómano lunático. E estúpido. Imbecil!


As grandes cimeiras são preparadas. Com técnicos, diplomatas e políticos. Os líderes, os grandes líderes, chegam às cimeiras com tudo preparado, só para a fotografia, o aperto de mão e a assinatura. Não são entregues aos amigos. Impreparados e apenas interessados em massajar o ego do chefe.


A cimeira de Anchorage não passou de uma operação de marketing pessoal rasca. Se alguém ganhou alguma coisa com ela foi Putin, dominante no discurso de nada dizer, e especialista em deixar tudo na mesma. Para Trump nada mais conta que o seu umbigo e, na avaliação que faz de si próprio, ganha sempre. Mesmo que faça as mais ridículas figuras de parvo. Como voltou a ser o caso. 


O mundo perdeu. Perdeu uma oportunidade para acabar com uma guerra injusta. Perdeu uma oportunidade de manifestar decência. E perdeu mais uma oportunidade garantir que a Ucrânia conta!


Não foi o Alasca que pariu o rato. Ele já anda aí há muito...

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O futebol é isto mesmo. É o mais comum dos lugares comuns do futebolês, mas é ainda a expressão mais expressiva do não sei quê de especial que há no futebol. E que faz dele o mais apaixonante dos jogos, o que mais emoções desperta, e que mais multidões arrasta.


O jogo com que o Benfica se estreou no campeonato, à procura do tri que foge há perto de 40 anos, e do 35º, a primeira vitória da época, não só cabe nesta velha expressão do futebolês como a enche por completo.


À entrada do último quarto de hora, o jogo resumia-se a três grandes intervenções do guarda-redes Júlio Cèsar, e a uma bola na trave da baliza do Estoril (Luisão), adensando as núvens de dúvidas que, mais altas que a águia, sobrevoavam o Estádio da Luz. Os jogadores do Estoril eram sempre mais rápidos e mais, muito mais agressivos. Pressionavam pelo campo todo. Alto e baixo, em toda a linha... Faltas sobre faltas, em todo o lado, logo à saída da área até em cima da baliza do Benfica. Obrigavam os adversários a errar, o que até nem parecia muito difícil, lançando aqui e ali o pânico na sua grande área. De vez em quando os bi-campeões nacionais conseguiam fugir da teia e lá criavam uma ou outra oportunidade, logo desperdiçada... Nunca conseguindo fugir à ideia de uma equipa mole, presa de movimentos, sem chama e sem agressividade.


De repente sai Pizzi, acabado de realizar um passe soberbo, e entra o já mal amado Talisca. E sai o Ola a quem toda a gente quer dizer adeus, para entrar ... Victor Andrade, o miúdo brasileiro - a crescer há três anos entre os juniores e a B - que fora a grande surpreza da convocatória. Parecia que não tinha nada para dar certo, mas tudo mudou. Entra o primeiro golo - quando Mitroglou finalmente acertou na baliza - e o Estoril, então já preso por arames, rebenta. O que saía mal passou a sair bem, a exibição solta-se e a goleada nasce. E até o menino que é já a nossa menina dos olhos marca!


E acaba em apoteose o que, tão pouco tempo antes, parecia só poder acabar mal. E acaba no maior resultado da abertura do campeonato aquilo que, tão pouco tempo antes, ameaçava poder ser a maior surpresa do dia um desta liga 2015-2016. E acaba com mais uma demonstração de bom senso, equilíbrio e categoria de Rui Vitória. 


Fico com a impressão que, deste, nunca terei vergonha!


Não sei se tudo está bem quando acaba bem. Sei que acabou bem... E como acabou bem, começou bem esta caminhada á procura do tri.

Percepções por perceber

Discurso de Montenegro no Pontal marca rentrée política do PSD - Postal


No mundo de percepções em que decidiu fingir governar, Montenegro deixou ontem, na festa do Pontal, que toda a gente percebesse que ele não percebe que o país está perceber que ele não percebe nada do que está a acontecer.


Novas percepções aí virão, certamente!

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Já se viu de tudo no Pontal. No Pontal mesmo, e no Pontal reciclado de calçadão, na inóspita Quarteira. Desta vez viu-se que dificilmente o país encontraria dupla mais sinistra!

Aljubarrota - 14 de Agosto de 1385

História Espetacular: Batalha de Aljubarrota


Há 640 anos, neste dia, pelo final da tarde, aqui mesmo ao lado, as tropas comandadas por D. João I e pelo seu Condestável, Nuno Álvares Pereira, derrotavam o exército castelhano, comandado por outro João I, o de Castela, confirmando a independência de Portugal no complexo xadrez político da Península Ibérica.


 Chamaram-lhe a batalha real - justamente pelos dois exércitos serem comandados pelos respectivos reis - mas a História chamou-lhe batalha de Aljubarrota. Por, naquela altura, pertencer a terras de Aljubarrota o campo, que passou a chamar-se de S. Jorge, onde a batalha decorreu.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A notícia chegou logo a seguir à derrota na supertaça, ainda não se sabia que o treinador do Sporting andava a mandar sms aos jogadores do Benfica: o Benfica contratou ao Atlético de Madrid "meio" Raul Jimenez (a outra metade é de Jorge Mendes, e ficara já tratada no casamento) por 9 milhões de euros, o que projecta o valor do passe para 18 milhões de euros, e assim na contratação mais cara de sempre do Benfica.


O ponta de lança mexicano fora contratado há um ano pelos colchoneros por 10 milhões de euros. Jogou pouco mais de meia dúzia de jogos - foi titular em cinco - e marcou um golo, pelo que o clube com que Luís Filipe Vieira gosta de negociar decidiu prescindir dos seus serviços. Chegou a ser anunciado no West Ham, por empréstimo, por 2 milhões de euros... Mas para LFV valorizou-se, e o seu passe passou a valer quase o dobro. Daí que se tenha chegado à frente, impedido o empréstimo ao clube inglês, e rematado mais um sensacional negócio com o Atlético de Madrid. Depois de ter retirado Simão a Fernando Santos já com o campeonato a arrancar, para vender em saldo, com a garantia de que viriam não sei quantos jogadores, que se devem ter perdido pelo caminho, porque nunca ninguém os viu... Depois de Reyes, que vinha por 2 milhões de euros e que depois de cá passar uma época já eram afinal 10 milhões... Depois de Salvio por cá ter passado, regressado, e tendo que ser dispensado por excesso de extra-comunitários, voltar como a contratação mais cara de sempre, por 14 milhões de euros... Depois dos sensacionais, duas vezes sensacionais, quase 9 milhões de euros por Roberto,  e depois de Oblak - das duas, uma: ou foi hostil, como se quis fazer crer, e não podia haver mais negócios; ou foi apenas mais um negócio favorável aos espanhóis disfarçado de TINA (there is no alternative) -   há apenas um ano, eis mais um misterioso negócio. De um jogador que, sem jogar, se valoriza praticamente para o dobro!


Daí a necessidade de mais uma habilidade, para transformar mais um negócio manhoso num grande negócio, quase épico. E então arranjam-se umas dificuldades de última hora, à "Atlético de Madrid", só ultrapassáveis pela habitual mestria e sagacidade do grande timoneiro, sem qualquer substância mas que deixem bem clara a valorização da mercadoria.


E assim, quando o treinador do Sporting já dizia que os sms não contavam para nada, que o que contava era a supertaça no museu, não era mais um negócio manhoso, mas mais um grande negócio com o Atlético de Madrid & Jorge Mendes, já com "call options" mirabolantes que só revelam o desconforto dos madrilenos por tão grande perda. E, como não podia deixar de ser, com uma menção específica dos espanhóis ao duro que é sempre negociar com o Benfica...


Pronto. Pronto para a fotografia...

Descaramento

Luís Montenegro inaugurou hoje um conjunto de 49 fogos na freguesia de Montenegro, para realojar famílias da praia de Faro, cujas habitações vão ser demolidas.


Bem sei que estamos em plena silly season, aquele período do ano em que, mesmo que tudo aconteça, não acontece nada.


Acontecem incêndios por todo o interior do norte e centro do país. Acontece que o país arde como sempre, mas mais que quase sempre. Mais de 6 mil incêndios já destruíram mais de 63 mil hectares de floresta. Acontecem situações dramáticas, casas a arder, aldeias isoladas pelas chamas, pessoas evacuadas e pessoas fechadas em igrejas, à espera que o fogo passe. Acontece porque nas televisões não acontece mais nada; se não, não acontecia.


Como não acontece, para o governo. Nem uma palavra. Nem do secretário de Estado, nem da ministra, nem do primeiro-ministro. No final da semana passada ouviu-se a ministra, para declarar o estado de alerta. Ontem, quando o silêncio era ensurdecedor, de repente, o primeiro-ministro surge nos ecrãs das televisões. 


- Finalmente o chefe do governo vai falar ao país - pensou-se. 


Falou. E despachou o assunto: o estado de alerta é prolongado por mais 48 horas, até ao fim da próxima sexta-feira. Assunto despachado, virou-se para o que era importante, e o que, afinal, o trazia ali - a Faro, bronzeado, de férias, a dois dias do Pontal, o arranque simbólico para a vitória do PSD nas autárquicas -, era a entrega de 26 casas, que o ministro das infra-estruturas, também presente, tal como a do ambiente, designou  de "um novo projecto de arrendamento apoiado pelo Município de Faro, que dá o exemplo de não virar as costas aos problemas, mas sim de procurar e implementar soluções". E que Montenegro classificou de "ajuda às famílias, oferecendo uma casa com dignidade, com possibilidade de se projectarem e desenvolverem sonhos".


Ao que chega o descaramento!


Não, o descaramento não está apenas em não haver secretário de Estado, nem ministra, nem primeiro-ministro para falar dos incêndios que assolam o país; mas haver dois ministros e o primeiro-ministro para entregar 26 casas. Nem na "ajuda às famílias para desenvolverem sonhos". Está, com as autárquicas à porta, em apresentá-las como exemplo de que o Município de Faro, em vez de "virar as costas aos problemas, procura implementar soluções". 


Na verdade as 26 casas fazem parte de um programa de 49, lançado há mais de dois anos pelo anterior governo, e financiado pelo PRR, para realojar famílias de pescadores que aceitem a demolição das suas habitações na Praia de Faro. Que, na verdade, até agora, apenas 26 dessas famílias aceitaram.


Mas governar por percepções também é isto. Não é apenas procurar soluções manhosas para problemas que não existem. E, pelo que se vai percebendo, resulta!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Chocante. Não encontro outra palavra para descrever as imagens do primeiro dia de férias do primeiro-ministro, que acabam de passar na televisão. 


O forte dispositivo policial de todos os últimos quatro anos, que o mantinha longe do contacto e dos olhos de toda a gente, é agora substituído por câmaras de televisão a captar beijinhos e abraços a tudo o que é povo. E o percurso até à praia, outrora escondido por um cordão policial, é agora um caminho livre, percorrido pausadamente de mão dada com a mulher, de cabeça destapada, amparada a uma canadiana...


Não pode valer tudo! Não devia valer tudo... 

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Uma questão de tempos

Dupla norueguesa faz estragos e Benfica vence Nice por 2-0. Segue-se o Fenerbahçe de Mourinho


O Nice entrou a todo o gás, não tanto como se não houvesse amanhã, mas como se não houvesse mais jogo. E pareceu que não era mal visto, que tinham razão.


De facto o Benfica não estava ali para lhe dar muito mais tempo. A equipa francesa fez bem em aproveitar aqueles primeiros três a quatro minutos iniciais, porque não teve nem tempo nem oportunidade para mais.


A partir daí o Benfica passou a dominar o jogo a seu bel prazer, com um futebol variado e vistoso, com oportunidades de golo e com golos. Deu gosto ver. Ora em lançamentos à distância, ora em construção e em tabelas, o Benfica destruía por completo a organização defensiva dos rapazes que vieram da Côte d´Azur. O resto era asfixia pura, com recuperações de bola logo à saída de bola, em cima da grande área adversária. Tudo isto sem uma falta - na primeira parte, com quase 70% de posse de bola - o Benfica não fez uma única falta. Nove a zero em faltas, ganhava o Nice!


Os golos, os dois da primeira parte, limitaram-se a certificar dois momentos que ilustram a exuberância do jogo benfiquista. O primeiro, ainda na primeira metade do primeiro tempo, tem a emoldurá-lo um passe longo de Enzo, a lançar Schjelderup, no lado esquerdo, uma recepção espectacular do miúdo norueguês, no peito, assistência para a recepção orientada de Aursnes, a deixar batido o defesa adversário, para o remate com o pé contrário. O segundo culmina uma extraordinária jogada colectiva (mais de vinte toques na bola), concluída com Dedic a partir para cima de dois adversários, junto à linha final para, de calcanhar, deixar a bola para trás para, de primeira, agora ao contrário, Aursenes  assistir Schjelderup que, de primeira, atirou para a baliza.


Tudo perfeito! No primeiro golo, teria de ser assim, como foi. Se Aursenes tivesse rematado de primeira, o defesa adversário teria bloqueado o remate (como fizeram tantas vezes!). No segundo, se não tivesse rematado de primeira, o guarda-redes teria tido tempo de lá chegar.


A segunda parte foi vítima da primeira. Os jogadores vieram dos balneários com alguma - diria que bastante - displicência. Não tinha de ser assim, nem é tolerável que volte a ser assim, mas sabemos que isso acontece frequentemente em circunstâncias destas. 


Os primeiros 10 minutos foram francamente maus, e o Nice aproveitou para pressionar e ter bola. Mas só isso, sem qualquer perigo para a baliza de Trubin.  Mas sabe-se como é frequentemente difícil reverter este estado de coisas. Bruno Lage pensou fazê-lo com as substituições, mas antes delas, aos 63 minutos, já as coisas estavam a mudar. Quando Ivanovic, Enzo e Schjelderup saíram, já o mote da viragem tinha sido dado pelo remate à barra do jovem norueguês.


O Benfica voltou ao comando do jogo, e a criar situações para marcar. Mas, em vez do futebol associativo da primeira parte, agora mais através de acções individuais, especialmente de Prestianni. Depois passou a deixar correr o jogo, que manteve sob total controlo. Já em puro modo de controlo ainda entraram Henrique Araújo e, depois, Akturkoglu, este para o aplauso a Aursenes, o melhor em campo. Mas não só, também para garantir que ficasse impedido de jogar pelo Fernerbaçe, de Mourinho, o adversário (de respeito) no play-off que se segue. Foi como matar dois coelhos de uma só cajadada: fica disponível para fechar o negócio com os turcos, evitando que se pudesse gorar, e garantido que não poderá repetir o que, há uns anos, em 2020, em tempo de Covid, Živković fez ao marcar o golo do PAOK, então de Abel Ferreira, que nos eliminou nesta terceira pré-eliminatória da Champions.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Maria de Belém prova duas coisas: que os aparelhos partidários torcem mas não quebram ("antes quebrar que torcer" é coisa para outra massa); e que Costa é mais parecido com Seguro do que alguma vez alguém pensou.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Provavelmente António Costa é um tipo com azar, a quem tudo acaba sempre por correr mal. Não vale a pena recuar muito para ilustrar esta ideia, todos se lembram como foi desejado, dentro e fora do seu partido, e como era limpo e sorridente o horizonte à sua frente. E no que deu pouco tempo depois, logo que a coisa apertou e o tempo fugiu...


Mas não há melhor ilustração para a falta de estrelinha de Costa do que esta estória dos cartazes que, pelos vistos, não tem culpados. Mesmo que o Ascenso Simões se tenha finalmente demitido...


Basta ver como a polémica que desencadearam deu cabo, destruiu por completo, apagou, aquilo que eram as mensagens mais fortes que a campanha eleitoral tinha para fazer passar. O desemprego e a precaridade não são apenas o maior legado que esta governação deixa ao país. São também as maiores feridas abertas na sociedade portuguesa, que não podem simplesmente ser arredadas da campanha eleitoral só porque acabaram vertidas nuns cartazes manhosos, mas acima de tudo orfãos!


 

sábado, 9 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A supertaça não é do nosso campeonato. Não é por acaso que o mais titulado dos clubes portugueses é apenas o terceiro neste troféu híbrido, sem personalidade própria. Nem sequer sabe a que época pertence, nunca se sabe se é o último da época velha, se o primeiro da nova. É apenas um jogo de pré-época. O que conta é o que aí vem, a partir da próxima semana…


Tretas. Não é nada disso!


Este jogo, esta supertaça, era muito importante. Como importante foi aquela daquele Verão de 2010, quando o então treinador do Benfica não teve a perspicácia para perceber que era decisivo ganhar àquele Porto, do debutante André Vilas Boas. E nem é preciso explicar por quê.


Fora isso, fora a importância que este jogo tinha para cada uma das equipas, este não foi um Benfica – Sporting muito diferente dos outros.


Um dérbi, sempre equilibrado, que se decide por pormenores – desta vez um remate que encontra um calcanhar e trai o guarda-redes. Com um grande ambiente, com intensidade, vibrante e inevitavelmente com erros de arbitragem, alguns bem graves e com consequência no resultado. Mais grosseiro que os foras de jogo que deram na anulação de um golo para cada lado, foi o penalti por assinalar sobre o Gaitan.


À parte tudo isto, Octávio já morde. O treinador do Sporting já faz arruaça. E o Sporting já exibiu o patrocinador das suas camisolas: só tiveram que as vestir ao contrário, mas deve ser por causa das bruxas!


No que toca a postura, Rui Vitória goleou. Só que isso não anima ninguém. E o problema é esse mesmo - entusiasmo. É que também o futebol do Benfica não entusiasma ninguém.


Não precisava apenas de provar ao treinador adversário – não; não é de elegância no trato e boa educação – que afinal não deixou tudo na mesma. Não precisava apenas de mostrar que o Nelson Semedo já nasceu dez vezes. Não precisava apenas de mostrar que o Lisandro é um grande central, ou que o Gonçalo Guedes pode lutar por um lugar. Precisava ainda de mostrar que o Olá John não tem cabimento, e que o Talisca faz parte de outro filme, às vezes de terror. Mas acima de tudo precisava de apresentar um futebol que sirva de contrapeso ao seu discurso, que nos faça vibrar. Precisava de soprar na chama imensa, que está a apagar-se!

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Está decidida 77ª Volta a Portugal em bicicleta. Ainda não a tinha aqui trazido, mas não significa que não a tenha acompanhado, como sempre. Desta vez até talvez mais, tive até oportunidade de acompanhar um corredor no contra-relógio de hoje - o Mika, o Micael Isidoro que fez a maior parte da sua formação cá em Alcobaça.


E amanhã - mais logo, melhor dizendo - lá estarei em Vila Franca, e depois no Marquês, a fechar a Volta. É isso, quando as coisas correm bem vou no mesmo ano duas vezes ao Marquês... Este ano correu bem!


O galego Gustavo Veloso, que ganhou o contra-relógio, vai ganhar a sua segunda Volta a Portugal, consecutiva. Foi o melhor no contra-relógio, à frente do excelente José Gonçalves, que vinha apenas para preparar a Vuelta mas acabou por fazer uma grande Volta. Foi a segunda etapa ganha pelo galego, depois de ter ganhado em Oliveira de Azeméis, na polémica desclassificação do José Gonçalves, que assim perdeu a segunda vitória, depois de ter ganhado na véspera, no alto de Santa Luzia, em Viana do Castelo.


Ganhar o contra-relógio, entre a praia do Pedrogão e Leiria, com um pouco mais de 34 quilómetros, foi como que colocar o selo de mérito na vitória de Veloso. Vestiu a amarela logo na segunda etapa, e nunca mais a largou. Porque a verdade é que contou sempre com uma súper equipa, pronta a defendê-lo incondicionalmente. Porque verdade é que o seu colega de equipa, e também amigo e galego, Delio Fernandez, segundo classificado antes do contra-relógio, tinha até aí sido mais brilhante. Esteve sempre ao seu lado e ainda teve tempo de ganhar duas etapas, a última a sempre raínha, a da Torre, na Serra da Estrela.


Mesmo que nunca se saiba se a ganharia se não fossem da mesma equipa... A lembrar que o Filipe Cardoso, mesmo que brilhante na etapa da Senhora da Graça, também não a ganharia se, em vez do Joni Brandão, seu colega da Efapel, tivesse sido outro a chegar-lhe aos calcanhares, mesmo em cima da meta.


À partida para o contra-relógio desenhava-se um pódio todo ele galego. O Gustavo era o favorito, mas logo atrás perfilava-se o seu amigo, e também galego, Alejandro Marque - vencedor em 2013 e ausente no ano passado - que era quarto da geral, poucos segundos atrás do Joni Brandão. E o Delio dificilmente se deixaria afundar...


Afinal o português da Efapel fez uma boa prova - décimo, pouco perdendo para Marque (que subiu a terceiro) - e conseguiu, por escassos 7 segundos, subir ao segundo lugar da geral, e ao pobre do Delio Fernandez, depois de uma volta fantástica, tudo correu mal no contra-relógio. Até uma varia que, mais que o tempo, lhe roubou a moral!


E foram estas as figuras desta Volta a Portugal, mesmo que o Bruno Silva tenha ganhado a classificação da montanha. Sem que nunca ninguém o tenha visto na Senhora da Graça, na Serra da Estrela, nem sequer nas etapas que terminavam em chegadas inclinadas...

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O melhor mesmo é não encomendarem mais cartazes... Pronto, não dáNão há um que dê certo...


Talvez fosse tempo de pedir responsabilidades a alguém. Se calhar, não. NInguém é responsável por nada...


Convém que não se esqueçam que esse cheiro a irresponsabllidade se pega ao corpo e não o larga mais. Aquilo não sai, não há água de colónia nem desodorizante que valha.


Depois admirem-se...

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


 


Não deixa de ser curioso que o FMI, dos dias depois, tenha vindo confirmar o que a UTAO tinha dito sobre a execução orçamental. Se não o fez palavra por palavra, fê-lo ideia por ideia, tema por tema. Por exemplo, que o aumento da receita em IVA, sem negar o aumento do consumo, se deve ao abrandamento nos reembolsos... E que a meta da cobrança fiscal não será atingida.


Mas não deixa também de ser curioso que o PS exulte com estes reparos. Que em vez de aproveitar para questionar o paradigma, o PS o aproveite para colher dividendos no debate eleitoralista, sem qualquer referência à  austeridade que o FMI continua a impôr e a ver como inquestionável solução, e não como problema. E que lhe irá cair em cima se vier a ser governo... 


Quando, para reagir a este relatório do FMI, João Galamba se lmita a dizer que  "Parece que o FMI ficou agora surpreendido com o eleitoralismo do Governo e da maioria" , o PS limita-se a chafurdar na pantominice eleitoralista.


Pior que isso - valha a verdade - faz ainda o governo. O ministro Poiares Maduro teve a lata de responder que mais medidas de austeridade só depois das eleições!

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Boas perspectivas


O Benfica sai de Nice com esta terceira eliminatória de acesso à Liga dos Campeões bem encaminhada. Mas não resolvida, como bem poderia ter ficado, tal foi a superioridade demonstrada ao longo de todo o jogo, e tantas foram as oportunidades de golo que criou.


O Benfica entrou em campo - com o jogo bem preparado, deve desde já dizer-se - com duas novidades na equipa, em relação ao jogo da Supertaça, com o Sporting: Akturkoglu, lesionado e, ao que se diz, já de malas feitas para Istambul, para o Fenerbaçe, de Mourinho, e Leandro Barreiro, foram substituídos por Schjelderup e Ivanovic.


A primeira sensação terá sido mesmo a estreia do avançado croata, acabado de chegar. Jogar fora, num jogo desta responsabilidade, e apresentar uma equipa com dois avançados, com um deles acabado de chegar, não é propriamente dos livros. Nos livros é mais ao contrário!


Com dois avançados da conhecida qualidade de Pavlidis, e da demonstrada qualidade, e do valor de investimento, de Ivanovic, não há volta a dar: é 4-4-2, e pronto!


E foi assim, neste sistema mandado para a frente, que o Benfica entrou, pegou de imediato no jogo, começou a dominá-lo, e criou logo duas excelentes oportunidades para marcar (Schjelderup e Otamendi, esta com Ivanovic a impedir a entrada da bola, e ainda por cima em fora-de-jogo). O domínio do Benfica nesta fase - em boa verdade durante praticamente toda a primeira parte - não era, no entanto, completamente tranquilizador. O Nice apostava tudo no contra-ataque, nas saídas rápidas, aproveitando a qualidade de passe, na maioria das vezes de primeira, dos jogadores do seu meio-campo, a velocidade dos seus avançados e o espaço que o Benfica deixava nas costas. 


Conseguia-o poucas vezes. A pressão do Benfica matava à nascença essas intenções na maioria dos casos. E, nas poucas vezes em que conseguiu concretizar essas intenções, bateu no equilíbrio defensivo do Benfica, praticamente irrepreensível durante todo o jogo. 


Ainda assim, quanto mais o Benfica se atrasasse no golo, mais cresceria esse risco. E a verdade é que, apesar das quatro ou cinco oportunidades para marcar, o intervalo chegou sem golos.


A entrada na segunda parte parecia alterar esse registo do jogo. O Nice surgiu mais adiantado no campo, e parecia não vir para continuar lá atrás, à espera. Jogava-se apenas há 4 minutos quando o Clauss entrou em slalom pela área dentro e rematou para defesa de Trubin.


Foi a única oportunidade de golo do Nice. Logo a seguir, menos de 3 minutos depois, o Benfica marcou. Ivanovic, assistido por Aursenes - grande jogo, e grande envolvimento na jogada - marcou, na estreia. E, como se imaginava, ideia que já vinha da primeira parte, o jogo mudou completamente de registo. O jogo no campo todo permitia ao Benfica o domínio seguro, já sem ter que correr riscos de espaço para o contra-ataque adversário. 


E assim foi. O Benfica passou a dominar tranquilamente o jogo, e pôde juntar mais quatro ou cinco oportunidades de golo às outras tantas da primeira parte. Apenas concretizou uma única, no grande golo de Florentino (entrara para o último quarto de hora, com Henrique Araújo e Barreiro; 10  minutos antes entra Prestiani) já perto dos 90 minutos.


Sem ter feito um jogo do outro mundo, foi uma bela exibição colectiva do Benfica, com muitas boas exibições individuais. A abrir as portas do play-off - no Feyenoord-Fenerbaçe (2-1), donde sairá o adversário, as coisas também não estão resolvidas - mas, acima de tudo, a deixar boas indicações para o que aí vem.

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...