sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


António Costa tem todo o direito de pedir maioria basoluta. É legítimo, e até oportuno, que o faça ao encerrar o congresso. Mas... sustentado em méritos próprios... Através de chantagem ou de ameaça é que não!


Não é democraticamente aceitável que António Costa peça ao eleitorado uma maioria absoluta argumentando que, se assim não for, o país perderá um ou dois meses a negociar uma coligação, prolongando a agonia da governação deste governo. Isso não argumento, é ameaça!

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Pedro Passos Coelho continua, nesta altura do campeonato - voltou a fazê-lo nesta entrevista à RTP - a reclamar entendimentos com o PS, vá lá saber-se por quê. Mas, sobre o entendimento alcançado sobre os subsídios vitalícios dos detentores de cargos políticos, nada... António Costa, voltou hoje a dizê-lo em pleno congresso, nem quer ouvir falar disso. Mas, da mesma forma, faz de conta que não se passou nada nessa tentativa concertada de repôr aqueles subsídios. 


Talvez porque a Isabel Moreira, estranhamente quem mais colocara o pescoço no cepo, já tratou de matar e enterrar o assunto ... 


 

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Beneficiando de informação previlegiada decide comprar os terrenos onde irão ser construídas as instalações do IPO. Ali para Oeiras, que tem bons ares... E como essa de ir ao Totta é do passado, foi ao BPN dos amigos e criou o homeland. A coisa deu para o torto, o IPO ainda continua em Palhavã e os terrenos deixaram de valer um chavo...


Não há problema... O BPN era para isto mesmo, que se lixe a pátria (homeland). Não havia ninguém para matar... E Duarte Lima foi hoje condenado a dez anos de prisão e a devolver uma pequena parte do dinheiro. Agora há que passar aos outros... Faltam tantos!

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Emoções fortes no Mónaco


Jogo de emoções fortes, no Mónaco. Se o futebol é emoção, este jogo da terceira vitória do Benfica nesta edição da Champions, foi um grande jogo de futebol. Cinco golos já são garantia de emoção e espectáculo. Quando os golos dão voltas e reviravoltas ao marcador, mais ainda. Há quem lhes chame "jogos de loucos"!


Esperava-se um bom jogo: o Mónaco é uma equipa cheia de jovens com imenso talento, que circula muito bem a bola - estava no top da posse de bola na Champions - , mas também a mais eficaz nas chamadas transições rápidas. Ao fim das anteriores quatro jornadas estava no topo da classificação, só com vitórias (incluindo uma sobre o Barcelona) e apenas um empate. E o actual estado de forma do Benfica, é garantia de qualidade de futebol. 


O Mónaco entrou a confirmar tudo o que se esperava e, cedo, logo aos 13 minutos, na segunda das duas oportunidades que criou, marcou. O Benfica, que pareceu ter entrado adormecido, reagiu ao golo, e não só equilibrou rapidamente o jogo como passou para cima. Até ao intervalo só o Benfica criou oportunidades, e bem poderia ter marcado por mais que uma vez. Di Maria, isolado, aos 37 minutos, Otamendi, no minuto seguinte, e Aktürkoğlu aos 40, dispuseram de excelentes condições para marcar.


Com Florentino amarelado logo aos cinco minutos, e Carreras à meia hora, os jogadores do Mónaco - que são novos mas não inocentes - carregaram sobre eles à procura do segundo amarelo. Fossem os senhores da Sport TV os árbitros e bem que o teriam conseguido.


Esperava-se que ao intervalo Bruno Lage retirasse o Florentino, já que para Carreras não tinha alternativa se não arriscar. Mas não, e vieram os mesmos onze para a segunda parte. Tinha razão, Bruno Lage, como se veria logo que o retirou do campo.


A segunda parte arrancou com a loucura ao mais alto expoente. Embolo rodou sobre Otamendi e atirou ao poste. Na resposta, num erro clamoroso do defesa brasileiro Caio Henrique, Pavlidis empatou. Dois minutos depois, em contra-ataque, o Mónaco voltou a marcar. O golo de Akliouche seria anulado pelo VAR, por fora de jogo do marcador. Imediatamente a seguir, com uma defesa enorme, o guarda-redes Majecki evitou novo golo de Pavlidis. E quatro minutos depois Bah marcou um belo golo, depois de um recital de Di Maria. O golo seria também anulado pelo VAR por fora de jogo milimétrico de Di Maria.


Tudo isto em 10 minutos. Mas logo a seguir, aos 13 - ou aos 58 - o cutelo do segundo amarelo caiu mas sobre a cabeça do defesa central Singo. Como o jogo estava, e com superioridade numérica, só se podia esperar pelo cheque mate do Benfica.


Mas não. O treinador do Mónaco mexeu na equipa e conseguiu dar-lhe equilíbrio. Bruno Lage reagiu a seguir, tirando finalmente Florentino, porventura a pensar que poderia passar pela cabeça do árbitro equilibrar as coisas em campo. Dois minutos depois de Florentino sair, aos 67, na posição onde ele já não estava, e com a defesa do Benfica paralisada não se sabe por quê, surgiu Magassa a rematar à vontade, e a marcar o segundo do Mónaco.


A equipa não conseguia tirar qualquer vantagem da superioridade numérica. Pelo contrário, o Mónaco estava tão por cima do jogo quanto estivera no primeiro quarto de hora do desafio. Os adeptos - entre eles os maluquinhos das tochas, a voltarem a fazer merda  -, em maioria no Estádio Luís II, iam puxando pela equipa, mas ela tardava em responder.


Até que, de repente, por obra e génio de Di Maria, Cabral voou para a bola, empatou o jogo, e deixou ver que ainda era possível ganhar aquele jogo. E foi. Bastaram quatro minutos, já com Leandro Barreiro em campo, a substituir Aursenes (foi quem mais acusou a saída de Florentino) para Di Maria (o homem do jogo, para a UEFA e para toda a gente) voltar a repetir génio e arte para, num golpe de cabeça perfeito, Amdouni marcar o terceiro.


Da vitória. Justa e justificada. O Benfica foi melhor. Teve mais bola que a equipa com mais bola da Champions até aqui. Atacou o dobro. Rematou o dobro. E teve mais do dobro das oportunidades de golo.

É só uma dúvida

Decisão de Gouveia e Melo não trava Marques Mendes


As presidenciais começam a mexer, e os motores a aquecer. O Tó Zé Seguro deu à costa, dez anos depois, e diz que sim, que vai a jogo. Não convence muita gente, há os que preferem o Centeno. Que não diz, mas também vai a jogo. E ainda poderá surgir Guterres, que as coisas não lhe estão a correr pelo melhor lá por Nova Iorque.


O Marques Mendes há anos que prepara a coisa, seguindo à risca o road map de Marcelo. E o Santana Lopes, já se sabe, é danado para a brincadeira.


No meio disto tudo está o almirante Gouveia e Melo, conhecido por ter posto na ordem uma campanha de vacinação. E como o que a malta gosta é de quem os ponha na ordem, as sondagens dão-no já por imbatível.


Não se lhe conhece uma ideia. Se calhar não tem mesmo uma sequer. É lamentável - dir-se-á - que se possa eleger um Presidente da República sem se lhe conhecer uma ideia. Ser militar também não será dos mais saudáveis sinais. Não sei é se isto diz mais sobres os portugueses se sobre todos os outros candidatos já perfilados.


Mas é só uma dúvida. 

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Não gostei da entrevista do primeiro-ministro e, francamente, não gostei do entrevistador. Não trouxe nada de novo, e creio que o João Adelino Faria ficou muito aquém do que, no momento actual, se exigia. Talvez por a entrevista ter sido agendada – e pensada – antes dos últimos acontecimentos…


Não me interessa muito que o primeiro-ministro tenha confirmado a participação do governo na resolução do BES, desmentindo a ministra das finanças. Nem que recupere o tema do enriquecimento ilícito, o que acho muito bem. Mas acharia ainda melhor que a maioria aproveitasse para, desta vez, tratar seriamente do assunto evitando introduzir-lhe, propositadamente ou não, inconstitucionalidades e impraticabilidades.


Também não me interessa muito que tenha enviado o recado para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao BES. A conclusão que pediu à CPI já estava encomendada, já se sabia que não havia qualquer falha de supervisão do Banco de Portugal. E que a resolução era a única solução possível, na linha do guião da inevitabilidade que o governo apregoa.


Mas já me interessa, e preocupa, que Passos Coelho, na sua velha retórica de colocar o público contra o privado, ache que a corrupção é própria e exclusiva do que é público. E que por isso não há corrupção no que aconteceu no BPN, no BPP ou no BES… E por isso criar a confusão entre intervenção do Estado e a corrupção. E achar que evitar a destruição da PT seria criar condições para a corrupção… Coisa com que a política dos vistos gold não tem nada a ver...


Não me interessa, nem me preocupa, que Passos Coelho ache que o país lhe deve gratidão, e que não pode ser ingrato nas próximas eleições. Mas já me interessa e preocupa que queira que os portugueses julguem que tudo está resolvido, quando continuam sem emprego, sem os salários e as pensões que lhe tiraram, sem património que lhes valha, e afogados em impostos e em dívidas. Sem que isso tenha resolvido coisa nenhuma…  

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Entre muitas coisas imperceptíveis, outras sem qualquer sentido e até recados para o juiz, e com ar de quem queria bater nos jornalistas todos, percebeu-se que Mário Soares, à saída da visita que fez a Sócrates esta manhã, disse que "toda a gente acredita na inocência neste país" e que "os malandros estão a combater um homem que foi um primeiro-ministro exemplar!»


Não sei o que mais incomoda: se aquilo que se percebeu, se o que não deu sequer para perceber. Se o que se percebeu pode até gerar indignação, o que se não percebeu só dá pena ...

Nem com rosas

AO MINUTO | Aguiar-Branco lembra que "Soares foi fixe" e o "legado" que  deixou. Marcelo defende que "não existe contradição" em evocar o 25 de  novembro e o 25 de Abril - CNN Portugal


Com o PSD meio envergonhado por ter permitido aquilo, e a IL a fazer daquilo apenas e só uma birra, a "sessão solene de comemoração do 25 de Novembro" acabou por transformar a Assembleia da República numa taberna.


Não é a primeira vez que o Parlamento faz de taberna, mas é a primeira vez que faz de taberna solene, decorada com rosas brancas. O taberneiro, esse é sempre o mesmo. Sem solenidade, nem rosas!  

Há 10 anos

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Parece evidente que a Justiça entrou numa nova fase.  Não sei se decorre da mudança na Procuradoria Geral da República. Ou se, por outro lado, terá alguma coisa a ver com a percepção, por parte do poder judicial e perante a degradação geral das instituições, que teria de assumir as suas responsablidades perante o país. Que tinha de dar um sinal de esperança aos portugueses. Poderá ter tudo a ver com tudo isso, como poderá não ter nada a ver com isso... Não importa, o que importa e é inegável, é que a Justiça perdeu o medo de afrontar os poderosos. E que isso abre uma nova era!


Esta é uma mudança que tem de se saudar. Por muito que choque muita gente, que preferiria manter a paz podre, continuando a varrer toda a porcaria para debaixo do tapete.


Como Clara Ferreira Alves, aterrorizada  com esta "Justiça de terceiro mundo" que "ataca o regime e o que ele representa", sem cuidar de exactamente do ponto a que o regime chegou. E do que representa ... Como Pedro Adão e Silva, que diz que "temos na sociedade portuguesa um exercício de poder da parte das magistraturas com muita arrogância e que questiona os alicerces do Estado democrático", sem questionar o estado em que estão esses alicerces. Ou como o anterior PGR, Pinto Monteiro, que ao explicar a infeliz coincidência do seu almoço da semana passada com Sócrates, diz que "está a haver um aproveitamento político num caso jurídico" e que há agora "uma promiscuidade entre política e justiça", quando não enxerga que é ele próprio que surge aos olhos dos portugueses como agente principal dessa promiscuidade.
Claro que há problemas. Claro que não é aceitável que continuemos a assistir a fugas de informação. Não é admissível que certos orgãos de comunicação social - sempre os mesmos - tenham acesso a informação que deveria estar protegida. Não é tolerável que estações de televisão assistam à detenção, nem que um jornal tivesse uma edição especial pronta a sair. Também não é de bom gosto que as televisões façam disto uma telenovela, e disso já a Justiça não tem culpa nenhuma. Mas não se tome a núvem por Juno!


E acima de tudo desmacare-se quem usa as tribunas de opinião e uma suposta isenção jornalística para virar tudo ao contrário. Que é o que fazem Clara Ferreira Alves e Pedro Adão e Silva, que chegou há momentos, na SIC Notícias, ao desplante de afirmar que, ao decretar a prisão preventiva para Sòcrates, o juiz estava a negar-lhe a presunção da inocência e a afirmar a presunção da culpa!

domingo, 24 de novembro de 2024

Mitos do 25 de Novembro

Comemorações do 25 de Novembro: Livre "encosta" PSD à extrema-direita, CDS  fala em "concretização" de


Do processo histórico que se sucedeu ao derrube do regime ditatorial velho de 48 anos, iniciado com o golpe de Estado de 25 de Abril 1974, é parte marcante um período de dois anos que poderemos dar por concluído com as primeiras eleições legislativas, em 25 de Abril de 1976. 


Nesse curto período - mas riquíssimo como nenhum outro na História de Portugal - qualquer historiador encontrará sete datas marcantes: 25 de Abril de 1974, naturalmente, 28 de Setembro do mesmo ano, 11 de Março, 25 de Abril e 25 de Novembro de 1975,  e 2 e 25 de Abril de 1976. 


Se retirarmos, não por critérios de importância, mas apenas de organização de ideias, 25 de Abril de 1975, data das primeiras eleições livres em Portugal, com 97% da participação eleitoral, para eleger a Assembleia Constituinte; 2 de Abril de 1976, data de aprovação da Constituição, e 25 de Abril de 1976, data das primeiras eleições legislativas, restam as quatro que mais associamos a momentos do processo histórico do 25 de Abril: o próprio 25 de Abril, o 28 de Setembro, o 11 de Março e o 25 de Novembro.


Em 25 de Abril de 1974 mudou tudo. Caiu todo um regime, e com ele caiu tudo o que o sustentava, mas também tudo o que ele sustentava. Não sobrou nada. Não é por muitos anos depois termos vindo a perceber que tanta coisa afinal tinha ficado, que deixa de ser verdade que, naquele momento, caiu tudo. 


Em 28 de Setembro de 1974 - na segunda (a primeira já tinha levado à queda do I governo Provisório, em 11 de Julho) tentativa de Spínola de tomar conta o regime - caiu o Presidente da República e o governo, o II Provisório. 


Em 11 de Março de 1975 - mais uma vez Spínola, desta em explícito golpe militar -  mudou muita coisa. Acabou a Junta de Salvação Nacional, substituída pelo Conselho da Revolução. Foram decretadas as nacionalizações (banca, seguros e principais empresas industriais), avançou a reforma agrária, e voltou a mudar o governo. Do III para o IV provisório.


Em 25 de Novembro de 1975 não mudou nada. Foi a única destas datas em que nada mudou!


Com o 11 de Março abriu-se o PREC (Processo Revolucionário em Curso). As nacionalizações, a reforma agrária, as ocupações (de terras, mas também de empresas), e a rua - as manifestações populares -  eram a expressão da revolução, em contra-mão com os resultados das eleições constituintes. 


Desta contradição surgiu o "Verão quente", em que o país se dividiu perigosamente ao meio. Sedes dos partidos alinhados com o PREC, e em especial do PCP, eram incendiadas por todo o Norte e Centro do país. Mário Soares assumiu a liderança política da oposição ao governo de Vasco Gonçalves, exigindo a sua demissão. Retirou o PS do então do IV governo provisório, levando à sua queda e substituição pelo V, ainda e sempre chefiado por Vasco Gonçalves, já sem PS e PPD (na forma, também sem o PCP), em 8 de Agosto. Utilizou também a "rua", e fez daquele comício da Fonte Luminosa, em 19 de Junho de 1975, que encheu toda a Alameda D. Afonso Henriques, a demonstração que tinha o poder dos votos, mas também o da mobilização popular.


Em 7 de Agosto um grupo de militares do Conselho da Revolução - o grupo dos 9, liderado por Melo Antunes, e que integrava Vasco Lourenço, Pezarat Correia, Franco Charais, Canto e Castro, Costa Neves, Sousa e Castro, Vítor Alves e Vítor Crespo - publicou um documento ("documento dos nove", também chamado "documento Melo Antunes") que rapidamente alcançou amplo apoio militar. Defendia um MFA isento relativamente aos partidos, e a criação de um amplo bloco social de apoio de um projecto nacional de transição para o socialismo. Era a resposta ao Documento "Aliança Povo/MFA", apresentado um mês antes, que acelerava "a via revolucionária".


O amplo consenso militar do "documento dos nove" - e a ampla expressão eleitoral do apoio político que se lhe juntou - teve consequências praticamente imediatas. Em 19 de Setembro Vasco Gonçalves foi demitido e foi empossado o VI Governo Provisório, chefiado por Pinheiro de Azevedo. Depois, Otelo Saraiva de Carvalho foi substituído no Comando da Região Militar de Lisboa por Vasco Lourenço. As restantes já eram comandadas por membros do grupo dos nove.


Na realidade o que havia a mudar, já estava mudado. Em 25 de Novembro de 1975 nada mudou. Emergiu Ramalho Eanes, até aí uma personagem desconhecida, e dir-se-á que não foi pouco.


Mas também na altura não foi muito. É ele próprio que em entrevista escrita ao Sol diz que o seu protagonismo se esgota no clássico aforismo: "O homem é o homem e a sua circunstância". Melo Antunes tinha-lhe pedido para preparar uma operação militar para a eventualidade de - algures no processo - ser necessário algum tipo de intervenção. Nunca foi, como ele próprio conta, com tudo a ser sempre resolvido com civilidade entre Costa Gomes, o Presidente da República, Otelo e Melo Antunes.


Sim, o Jaime Neves saiu com os comandos e os seus chaimites da Amadora, e passeou ali pela Ajuda, em frente ao quartel da Polícia Militar, comandado pelo major Tomé. E houve até um morto. Mas nem Eanes consegue explicar o que se passou.


Pode ser que amanhã, na sessão solene que a direita conseguiu impor na Assembleia da República para assinalar pela primeira vez esta data, alguém o consiga explicar alguma coisa. 


Mas não será fácil. O mais provável é que tudo se fique pela velha e esgotada narrativa. Porque, e é o insuspeito Miguel Pinheiro que todos os partidos da direita decidiram adulterar a História para ganhar uma bandeira. Ou o ainda menos insuspeito Jaime Nogueira Pinto a dizer que, se “a História é feita pelos vencedores”,  o 25 de Novembro é a excepção que confirma a regra.


Pode ser que alguém lembre a esta gente, amanhã solenemente engalanada, que logo a seguir, apenas quatro meses depois, foi aprovada a Constituição que no artigo 1º enunciava o empenho de Portugal na construção de uma sociedade sem classes, e no 2º vinculava o Estado ao objetivo de assegurar a transição para o socialismo.

Tetra Verstappen

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Em Las Vegas, a duas corridas do fim, Verstappen sagrou-se campeão do mundo de Fórmula 1, e assegurou o seu quarto título mundial. Longe, bem longe, do brilho dos dois últimos - porque o primeiro ... foi o que foi - e a confirmar a mudança dos ventos que se começaram a sentir há já algum tempo, e mais ainda a partir da primeira metade da temporada.


Não foi melhor que quinto na corrida, completamente dominada pelos Mercedes, com Russel (que partira da pole) e Hamilton (apenas oitavo na grelha de partida) a fazerem a dobradinha. E a Ferrari a colocar os dois carros a seguir, com Sainz (a fechar o pódio) e Leclerc de candeias às avessas. 


Poderá não ser o fim do reinado de Verstappen, mesmo que pelo menos a interrupção pareça nesta altura inevitável, mas será certamente o fim de ciclo da Red Bull, com os motores Honda. Mesmo que matematicamente não se possa ainda dizer que já tenha perdido título de construtores, a verdade é que improvável, se não impossível, superar a Mclaren e a Ferrari. E já só fica à frente da Mercedes pelo que foi a primeira metade do campeonato.


 


 

sábado, 23 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Vivemos tempos verdadeiramente incríveis, em que tudo acontece. Repare-se que até Passos Coelho está preocupado com a destribuição do rendimento... 


Incrível! Quem diria?


Ontem, Passos garantia que os políticos não são todos iguais... Queria ele, ainda a cambalear pela saída de gatas da Tecnoforma, dizer - para bom entendedor ... - que os primeiro-ministros não são todos iguais. Hoje diz que "quer democratizar a riqueza", que quer contrariar a tendência de concentração da riqueza num "núcleo mais restrito" de cidadãos. E que quando aumenta o IRS e baixa o IRC está apenas a criar condições para criar mais riqueza para, depois, a distribuir melhor.


Sabe-a toda... Que se lixem as eleições...

Sete (de) golos!


Sete! O 7 de Cardoso. O 7 de Nené, e dos 77 anos que a Luz lhe festejou esta noite. Sete (de) golos!


Foi com sete golos ao Estrela da Amadora que o Benfica selou a passagem aos oitavos de final da Taça, que um destes dias - não se sabe quando - terá que ir disputar a Faro. Com sete golos e com um recital de magia do mago Di Maria. 


Em pouco mais de uma hora em campo - saiu aos 65 minutos, com Bah e Aursenes, para ser substituído por Amdouni, enquanto entravam, em estreia, Leandro (o miúdo em que Lage aposta para lateral direito), e Kokçu (que viria a encher o campo) distribuiu magia e tratou sozinho do marcador. Marcou o primeiro logo aos 2 minutos para, outros dois depois, construir um dos melhores monumentos da sua monumental carreira: primeiro, com um toque, na recepção da bola, fê-la passar por cima do adversário que o marcava; depois, em acto contínuo, todo no ar, rematou-a de bicicleta para o fundo da baliza. Foi preciso pouco mais de 10 minutos para marcar o terceiro, e fechar o mais rápido hat-trick da carreira. 


Depois foram muitos minutos sem mais golos. Com muitas oportunidades, mas sem golos. Falhava Arthur Cabral. Tanto que parecia já um "caso perdido". Falhava Beste, que falhava também a exibição, e já não regressou do intervalo. Veio Aktürkoğlu. Defendia Meixedo, o jovem guarda-redes do Estrela.


Aproximava-se a hora de jogo, e era tempo de Di Maria descansar. E assim foi. Não sem, antes, assistir Aktürkoğlu para o quarto, na mais bonita jogada de todo o desafio. Arthur Cabral continuava desesperadamente a falhar golos feitos. A cada falhanço Bruno Lage pedia aplausos às bancadas, que não tinham como não responder. Percebeu-se que tinha prevista a entrada de Pavlidis, mas não quis. Não podia tirar o 9 do jogo naquelas condições.


O quinto lá chegou, já á entrada dos últimos 10 minutos. Mas por Amdouni, o 7, após um passe fenomenal de Kokçu. 


De repente, nos últimos quatro minutos, Arthur Cabral quebrou o enguiço. E de que maneira: de bicicleta. A segunda do espectáculo. Nem festejou, mas festejaram os colegas, e as bancadas. Já em cima do minuto 90 faria o bis e, aí sim, festejou.


E foi assim a festa do(s) sete. Cantaram-se os parabéns ao 7 que marcava golos sem sujar os calções. Desconfio que Di Maria, o 11, não sabe cantar. E que se tenha limitado a fazer o que sabe para dar os parabéns ao Nené.


E, já agora, parabéns também ao Bruno Lage!

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Corre por aí uma histeria que tende a dividir o mundo entre bons - os que presumem a inocência (de Sócrates, na circunstância) - e maus, os outros, os que não assumem essa presunção. Nessa corrente, os primeiros, os bons, são cidadãos de corpo inteiro, gente de bem, da cidadania. Os outros são justicialistas, justiceiros ou mesmo, mais que para rimar, arruaceiros. Gente quase desprezível...


Como (quase) sempre que se trata de classificar comportamentos à luz do politicamente correcto, confunde-se tudo. A presunção da inocência é um princípio da aplicação da justiça, é um referencial ético e profissional para o agente judiciário. Como, por exemplo, na dúvida, pró réu. Em caso de dúvida o juiz tem de decidir em função dos interesses do réu. São dois princípios basilares da aplicação da justiça, que o juiz tem que observar mesmo que contra a sua opinião pessoal, o seu feeling. Mas são apenas isso: princípios a ter em conta no acto de aplicação da justica!


Traduzem certamente valores civilizacionais, mas não são em si mesmo valores. Falar da presunção da inocência até que a sentença transite em julgado, assim mesmo, com o conceito jurídico do trânsito em julgado, é coisa da Justiça. Presumir da inocência ou da culpa, assim mesmo, sem mais nada, resulta da opinião que cada um faça perante um caso em concreto, de  um juízo de valor que será consequência de um conjunto de factores, variável para cada um. Quando ontem aqui referi que, na sequência de acontecimentos que atingiram o país por estes dias, não havia espaço para a presunção de inocência, estava exactamente a dizer que dificilmente a opinião dos portugueses presumiria a inocência de Sócrates. E isso não tem nada a ver com outro tempo que não seja o momento actual.


Quando alguém presume a inocência ou a culpa de outrém fá-lo independentemente da sentença condenatória, ou de ter ou não transitado em julgado. Fá-lo, bem ou mal, pelo julgamento pessoal que faz dos factos que conhece. Por exemplo, eu continuo a presumir a inocência do Carlos Cruz no caso Casa Pia. E no entanto ele está preso, a cumprir pena (já agora vale a pena, agora que, cumprida metade da pena, se prevê na sua libertação, referir a violência de um sistema que, para essa libertação condicional, obriga à manifestação de arrependimento e, com isso, à assunção definitiva da culpa)!


Não deixa até de ter uma certa graça que, muitos do que agora mais falam de presunção de inocência de Sócrates sejam dos que mais, antes, o acusavam. Disto e de muito mais... Mas também isto é muito do país que somos!


 

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Que nós não aceitemos que João Soares não aceite "a prisão ("que pudicamente" designam por detenção") de um antigo primeiro-ministro a não ser "por crime de sangue, em flagrante delito", é uma coisa. Que, ao contrário de João Soares, achemos que um ex-primeiro-ministro é um cidadão como todos os outros, que pode ser preso como qualquer um, e sem qualquer prerrogativa de casta, é uma coisa. E por sinal a mesma. 


Outra coisa, e bem diferente, é acharmos que prender alguém à entrada para um avião, a sair do país, é a mesma coisa que prender alguém á saída do avião, a chegar ao país. Quem está a sair do país pode estar a fugir. Quem está a entrar no país não pode estar a fugir...


 


Prender alguém na manga do avião, a embarcar é, ou pode ser compreensível. Prender quem quer que seja na manga do avião, a desembarcar, é incompreensível. Mas o que é que havemos de dizer de prender alguém que está a chegar ao país, na manga do avião, e na presença das câmaras de uma estação de televisão?


Acho que só podemos dizer que não é a Justiça a funcionar.... É outra coisa qualquer a funcionar. Espero bem que seja apenas o lado folclórico que por vezes a Justiça gosta de mostrar. Recuso-me, para já, a alinhar em teorias da conspiração ... Mesmo  que seja dos que não presumem inocência nenhuma - cada um presume o que quer, a Justiça é que tem de funcionar sob esse princípio - e que, como esta semana foi dito na comissão de inquérito ao BES, ache que, apesar de tudo, a procissão ainda vai no adro.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Depois da indignação ter tomado conta do país, PSD e PS retiraram a inqualificável proposta de reposição das subvenções vitalícias a ex-políticos, que devia ser votada esta manhã no Parlamento, evitando assim um dos mais revoltantes escândalos desta parceria política que há décadas vem destruindo o país.


Neste processo tenho de saudar boa parte dos deputados do PSD, foi de lá que se começaram a ouvir as vozes que se juntavam às da esquerda parlamentar. E tenho que lamentar o comportamento dos socialistas, quase todos Josés Lellos... Nem a mais que tudo Isabel Moreira escapou. Lamentável!


Talvez os portugueses não se esqueçam...

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Há 10 anos

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A RTP, que havia abandonado a disputa pelas transmissões de futebol em 2012 em obediência a princípios de rigor orçamental impostos pelo governo, regressa em força três anos depois. O governo é o mesmo, as exigências de contenção que se colocam à estação pública são as mesmas... Há aqui qualquer coisa que não se percebe!


Não se consegue perceber que a RTP, para transmitir os jogos da liga dos campeões nos próximos 3 anos, tenha avançado com uma proposta de 18 milhões de euros, bem acima do respectivo valor de mercado. 40% acima, ao que diz a concorrência!


Mas o que, por maior esforço que façamos, não se consegue mesmo perceber é que o presidente do conselho de administração, e comissário permanente do governo, recuse qualquer explicação e tenha a lata de dizer que qualquer comentário sobre o assunto compete à parte editorial. Alberto da Ponte chuta mesmo ostensivamente para canto: "eu não vou comentar isso, nem pouco mais ou menos"...


Então um negócio destes é uma questão editorial? Mas está tudo maluco? Ou será que isto é uma mensagem subliminar do governo, com uma mistura de marketing da cerveja, cozinhada ente Alberto da Ponte e Pires de Lima, para que os portugueses acreditem mesmo nos milagres que propagandeiam?

Há 10 anos

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Maria Luís Albuquerque tem uma relação complicada com o parlamento. De cada vez que lá é chamada a uma comissão qualquer, seja comissão especializada, seja comissão de inquérito, a senhora descola da verdade, contradiz o que antes dissera, joga com as palavras e percorre novos caminhos de semântica. Tem sido sempre assim. Quem não se lembra dos swaps?


Ouvida hoje na comissão parlamentar de inquérito sobre o BES, Maria Luís Albuquerque desdisse o que antes dissera. Quem garantira que os portugueses não seriam, em situação alguma, chamados a pagar a factura do BES, disse agora que "a procissão ainda vai no adro". E que não corremos apenas sérios riscos de pagar o que vier a caber à CGD (claro que pagamos tudo em comissões e coisas que tais, o que couber à Caixa e o que couber aos outros). Que corremos também o risco - e esse é ainda muito maior - de ser chamados a pagar tudo o que aí vier de toda litigância esperada, alguma já anunciada. Porque "vivermos, felizmente, num estado de Direito", concluiu a ministra...


E não parou de meter os pés pelas mãos. Na decisão da resolução, com que nada teve a ver, mas que aprovou. No plano de recapitalzação pública que Vítor Bento lhe apresentou, que sempre negou, transformando-o numa simples reunião para “clarificação das novas regras europeias (de capitalização de bancos pelos Estados), porque por vezes as regras europeias mudam e as pessoas podem não ter conhecimento”. E que agora, na comissão, em mais um exercício de semântica ao nível do do tempo verbal de Crato, diz que Vítor Bento não lhe pediu a recapitalização - perguntou-lhe se seria possível!

Mil dias de guerra, o Pedro e o lobo

Biden autoriza Ucrânia a atacar Russia com mísseis de longo alcance dos EUA


Contam-se hoje mil dias de guerra na Ucrânia, a partir daquela madrugada de quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2002, em que a Rússia deu início à invasão do território ucraniano. Era, para Putin, coisa para arrumar no fim-de-semana. Para a maioria dos analistas ocidentais, em quatro dias as tropas russas estariam em kiev.


Já somam mil!


Não terá sido - imagino eu - para assinalar esta contagem redonda que Joe Biden deu luz verde à Ucrânia para utilizar armas americanas de longo alcance, capazes de atingir território russo. Se os mil dias não eram a oportunidade, tudo indica que os 60 que lhe restam de presidência menos a seriam.


Putin respondeu com um documento que, alterando a doutrina do uso de armas nucleares, define que (i) um ataque com armamento convencional, se apoiado por potência nuclear, pode justificar o uso de armas nucleares pela Rússia; e (ii) que qualquer agressão contra a Rússia por um país membro de uma coligação será considerada agressão de toda a coligação. Isto é, Putin voltou a ameaçar com o uso do nuclear, e começa a parecer Pedro na sua história do lobo.


Não se faz ideia se Biden acertou alguma coisa com Trump. Não parece, mas nunca se sabe... Sabe-se que com a União Europeia, não. Porque aí ninguém se entende. Só a França admite poder vir a seguir essa ideia. Alemanha e Itália recusam-na liminarmente, e aos outros nem a questão se põe: simplesmente não possuem armas dessas. Que a UE - Josep Borrell -  diga que concorda com a utilização de mísseis de longo alcance por parte de Kiev é apenas uma opinião. Que não vale nada!


Mil dias é muito tempo. Em guerra, é ainda mais. E no entanto ainda ninguém fala de paz. O problema é mesmo a história do Pedro e do lobo. Se continuarem a deixar passar muitos mais dias, haverá um em que o lobo vem mesmo!


 


 

domingo, 17 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Parece-me que começou bem. Logo na primeira audição do governador do Banco de Portugal na comissão parlamentar de inquérito ao BES aprendemos que “a realidade anda mais depressa que o supervisor”. E que por isso – diz-nos Carlos Costa – o Banco de Portugal falhou!


Com uma declaração destas, de uma das figuras chave do processo, está dado o mote. Se tudo o que lá for dito for tão claro e tão substantivo como esta ideia de que se erra, e se falha, porque a realidade anda depressa de mais, podemos ficar descansados: é a realidade a culpada de tudo!


Ricardo Salgado e os restantes Espírito Santo não têm culpa de nada. O Banco de Portugal fez tudo bem, fez tudo o que tinha de fazer… Do governo, nem falar… O próprio Presidente da República, quando garantia que o banco não tinha problemas, que tinha almofadas para tudo, foi apenas traído por essa danada realidade que também anda mais depressa que ele.


E com razões acrescidas: é que ele já apresenta algumas dificuldades de locomoção. Há muito que percebemos que não lhe é já fácil acompanhar a realidade!


Afinal, se há muito a realidade anda mais depressa que o Presidente, como é que nos podemos surpreender que ande mais depressa que o supervisor? Ou mesmo mais depressa que Ricardo Salgado…

Há 10 anos

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Não sei se Miguel Macedo era um dos melhores ministros deste governo. Acredito que sim, e pelo que se conhece de todos os outros, é muito provável que sim. Não tenho grandes dúvidas que, de todo o governo, só dois ministros se aproveitam.


Miguel Macedo é um deles. O outro - e não sei se será uma questão de apelidos - é Paulo Macedo, ministro da saúde. Talvez pela forma como se soube preservar, e não tanto pelas facilidades da pasta - a administração interna não é uma pasta fácil, o ministro é que teve certamente o mérito de o fazer parecer -, Miguel Macedo esteve menos exposto e, por isso, menos sujeito a desgaste. As condições climatéricas, ajudando a fazer deste ano um dos mais tranquílos em matéria de incêndios, ajudaram-no bastante. Mas também não esquecemos que o ano passado foi sujeito a um dos mais difíceis de sempre. Nunca os incêndios tinham sido tão dramáticos, nem nunca tinham provocado tantas vítimas mortais entre os bombeiros. E nem assim Miguel Macedo saiu muito chamuscado pelas chamas...


Tem que ter, evidentemente, competência e carácter, atributos que hoje poucos reconhecerão à generalidade dos membros do executivo. E por isso, ao contrário de muitos dos seus colegas em circunstâncias de responsabilidades directas muito mais graves, não só reconheceu que não poderia continuar em funções depois do que foi conhecido no processo dos vistos dourados, como não se dispôs a fazer o frete ao primeiro-ministro, que queria mantê-lo a todo o custo, metendo-o no saco dos Cratos, das Teixeiras da Cruz e de outros que tais.


Mas Miguel Macedo não deixou deixou nesta sua demissão apenas uma nota de carácter. Deixou ainda uma de inteligência e de sentido de oportunidade política, tornando-se porventura no único ministro deste governo com futuro político asseguardo. A médio, ou mesmo a curto prazo!

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Acho sempre alguma graça a esta gente graúda da política que tem a lata de vir a público dizer que não tem nada a ver com empresas de que são sócios. Parecem aquele tipo de pessoas que dantes surgiam nos concursos de televisão sem nunca terem enviado os cupões. Eram sempre outros que os tinham enviado em seu nome...


As sociedades existem, e existem mesmo para aquilo que parece, ali, o que parece, é. Eles são sócios, mas nunca sabem de nada. No caso de Marques Mendes - vejam bem - até pensava que a empresa tinha fechado. 


São mesmo sócios especiais. Tão especiais que até acham que as sua empresas podem fechar sem que eles saibam!

Celeste Caeiro (1933-2024)

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Não sei se toda a gente sabe quem é Celeste Caeiro, hoje falecida. Mas toda a gente sabe que o cravo vermelho é o símbolo de Abril. 


Este é o da minha neta, da Emília - hoje com doze, completados há uma semana - pintado aos 6 anos. Sem a Dª Celeste, por acaso nascida poucos dias depois da minha mãe, se ter lembrado de distribuir pelos soldados, ali pelo Rossio, os cravos comprados para celebrar o primeiro aniversário do "Sir", o restaurante em que trabalhava, na Rua Braancamp, que o patrão - por causa da revolução o restaurante não iria sequer abrir - lhe mandara devolver à Ribeira, o 25 de Abril não teria sido a mesma coisa. 


Sem a Dª Celeste, não teria sido a Revolução dos Cravos. Nem eu teria esta pintura da minha neta...

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Na semana passada falei aqui de palermices, para manifestar a minha desilusão com o José Nuno Martins, um profissional da comunicação da minha geração que me habituei a admirar e respeitar. Terminava dizendo que "ninguém está imune ao erro" e que a diferença não se faz entre quem erra e quem não erra, mas "entre quem assume e enfrenta os erros e quem se julga acima deles". E rematei que ao José Nuno Martins cabia "pedir desculpa e demitir-se da direcção do jornal do Benfica". 


Penitencio-me, também eu, pelo excesso: basta pedir desculpa. Com a elegância das pessoas educadas, e com a humildade das pessoas de bem.


E foi precisamente isso que o José Nuno Marins fez, na primeira oportunidade que teve, no mesmo local, no mesmo espaço de comunicação. No programa Benfica 10 Horas, da BTV, nestes termos: 



  • "Na semana passada fui muito incorreto, mesmo grosseiro. Não é meu hábito usar linguagem imprópria. Envergonhei-me do que disse e hoje tenho de pedir desculpa às pessoas que magoei, de modo involuntário".

  • "Magoei três pessoas. O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho e o seu ilustre sócio Rogério Alves, que não são pessoas das minhas relações nem havia motivo para qualquer ofensa sobre elas, e Diamantino Miranda, meu amigo há anos, acerca de quem usei linguagem que não é própria, e deixo-lhe um abraço sentido".

  • "Não posso criticar quem usa petardos para depois usar expressões incorretas e tão simbolicamente explosivas como um petardo. Espero não voltar a repetir. Essa não é a maneira de defender o Benfica".


Este sim. Este é o José Nuno Martins que eu conheço... De novo de cabeça levantada á frente do jornal do nosso clube do coração!

As escolhas de Trump

 


Trump escolhe lealdade e habilidade na TV para nomear gabinete | Mundo |  Valor Econômico


Logo que se ficou a saber que Trump, depois de ter sido o 45º,  seria o 47º Presidente dos Estados Unidos da América, dizia eu aqui que não era "apenas POTUS";  que era "também juiz e júri de todos os seus processos judiciais", "administrador de todas as suas falências" e que logo se veria o que mais iria ser. 


Então e não é que começou logo por aí?


Trump não se limitou a fazer da fidelidade critério único da sua escolha para preencher o aparelho de Estado. Fê-lo ainda para matar qualquer potencial foco de resistência ao seu poder absoluto no seu próprio partido. E escolheu a dedo.


As escolhas até hoje conhecidas, donde sobressaía Pete Hegseth, veterano de guerra e apresentador da Fox News para a Defesa, mas também com jeito para o negócio de armas, já eram isso. A dedo!


Hoje ficou a saber-se que Matt Gaetz vai ser o Procurador Geral - ou ministro (que lá se chama secretário) de Justiça, que é a mesma coisa. Não havia melhor forma de Trump resolver todos os seus processos judiciais que entregar a pasta da Justiça a quem também tenha problema desses para resolver. E que Tulsi Gabbard, antiga democrata convertida às teorias da conspiração, e militante das fake news, vai mandar nas secretas (DNI), em todas as 18 agências de inteligência do país. 


 


 

Aí está a 26ª


 


Bem sei que hoje é o Dia Mundial da diabetes. Mas isto é único, e só acontece uma vez por ano!

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Já se começou a perceber aquilo que, pela minha parte, mais temia: que António Costa vai recolocar o PS no poder para repetir o que para trás foi feito. Para simplesmente manter a alternância, perpetuando os erros, mesmo que com muito menos espaço para errar.


Arriscamo-nos seriamente a prosseguir um ciclo inimaginável, que começou no início do século, em que cada governo é pior que o anterior. Pensávamos que não podia haver pior governo que o de Santana Lopes. Mas veio Sócrates que, depois de resistir a um primeiro mandato, que começara a prometer muito e acabara a anunciar o que aí vinha, acabou a meio do segundo, atolado em mentira e incompetência, deixando o país entregue aos credores, já na pele do mais odiado primeiro-ministro e de pior governo da história da democracia. E veio Passos Coelho, mentindo em tudo e a todos. E, depois de Sócrates nos mostrar que era possível ser pior que Santana, prova-nos que é ainda possível ser pior que Sócrates.


Custa-nos a crer que seja possível pior que Passos e Portas …e Pires de Lima… Não julgamos isso possível, mas também já percebemos que, nisto, não há impossíveis!


A primeira mensagem deste risco foi-nos dada pelo novo líder da bancada parlamentar, logo que iniciou funções. Ferro Rodrigues, que tinha sido um dos subscritores do chamado Manifesto dos 74, cujo objectivo era justamente trazer a reestruturação da dívida para a discussão pública, e em especial para a Assembleia da República, tratou de se demarcar logo que o assunto da dívida lá chegou, conduzindo o PS para a abstenção e acabando logo ali com a discussão.


Sobre o tema, que é central para o país, nem mais uma palavra. António Costa, que até pela sua morfologia não podia continuar a tentar passar entre os pingos da chuva, tinha que dizer alguma coisa. Conseguiu apresentar esta semana a sua moção estratégica ao congresso sem se molhar, sem dizer nada. E mesmo na “Agenda para a Década”, supostamente com medidas e propostas concretas para um horizonte temporal de dez anos, continua a fugir a este problema central. 


Renegociar ou reestruturar são palavras proibidas. Constata o “elevado grau de endividamento do país” e diz que o país tem de tomar iniciativas de “redução sustentada do impacto do endividamento, seja na construção de instrumentos que estimulem a procura e o investimento europeu em paralelo à promoção da coesão interna da UE”. Se bem entendo isto, quer dizer que o problema da dívida, como de resto todos os outros no discurso de António Costa, se resolve com crescimento (“procura” e “investimento”) - como se o crescimento económico seja algo que se decreta, um meio, e não um fim - e com boa vontade da UE. Se a experiência nos diz que da boa vontade da UE não há muito a esperar, a ciência económica diz-nos que a dívida – os juros – impede o crescimento! 


Não quero com isto dizer que António Costa deveria andar por aí a dizer que a primeira coisa a fazer quando chegasse ao poder seria renegociar da dívida. Quero apenas dizer que, fugir desta forma do problema maior do país, é sinal de incapacidade de mudar o que quer que seja. O problema é que agora, sem mudar nada, não fica tudo na mesma. Fica muito pior!

Fim de linha para Miguel Albuquerque

Miguel Albuquerque oficializa renúncia à presidência do Governo da Madeira


Depois de Alberto João Jardim lhe apontar o dedo da rua - "a Madeira não pode ficar refém de um homem só", declarou, alto e bom som - Miguel Albuquerque já não tinha por onde se segurar. Agora, que o JPP (Juntos pelo Povo, o terceiro partido na Madeira, com nove deputados) anunciou que também vai votar a favor da moção de censura, do Chega, depois de nove anos agarrado ao poder, está a cair desamparado.


Menos de seis meses depois das últimas eleições, oito meses depois das penúltimas. 


Miguel Albuquerque quis ser Jardim. Só que não é Jardim quem quer. É quem pode, e já nem Jardim pode. Nem quer!

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Há 10 anos

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Os vistos gold de Paulo Portas tinham tudo para dar mal. Quando "não importa quem é, importa que tenha dinheiro" - "que não importa nada donde venha" - escancaram-se as portas à corrupção. E corrupção gera corrupção!


As detenções do director do SEF (Manuel Jarmela Palos) e do Presidente dos Registos e Notariado (António Figueiredo), organismos centrais do processo, apenas confirmam o inevitável. Parece que cobravam 10% de comissão!


Mas há mais. Tem de haver... Nas lixeiras e estrumeiras  as bactérias crescem rapidamente e multiplicam-se a grande velocidade. Ao contrário do que diz Paulo Portas, os vistos gold não trazem investidores para o país. Trazem estrumeiras!


No dicionário diz que é o local onde se acumula, prepara ou fermenta o esterco...


 


PS: Para já, 3 horas depois da publicação deste texto e das primeiras notícias terem vindo a público, já há um terceiro alto funcionário do Estado detido - a secretária geral do Ministério da Justiça, Maria Antónia Anes. Oito outras pessoas da administração pública foram também já detidas. Havia mais... Tinha de haver mais. Provavelmente mais ainda!

Há 10 anos

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A destruição da PT é um escândalo que nada fica a dever ao escândalo BES. A administração da PT não tem menos responsabilidades criminais que a do BES. Terá se calhar até mais. Se outras razões não houvesse – e há, desde logo porque o valor que destruiu foi superior ao que destruído pela do BES – bastaria a forma como enganou os accionistas. A administração da PT, Zeinal Bava, propôs aos accionistas uma operação de fusão com a OI. Mas, em vez da fusão aprovada pelos accionistas, o que Zeinal Bava fez foi vender ao desbarato a empresa – não exactamente a empresa, mas os seus activos, o que ainda é pior – à OI a que, entretanto, já presidia, deixando aos brasileiros a oportunidade, logo aproveitada, de realizar as correspondentes mais valias. A que Zeinal Bava quis fazer crer que se opunha, abandonando os brasileiros depois de receber a devida comissão!


Que perante tudo isto o governo diga que não tem nada a fazer, que temos de deixar o mercado funcionar – gostava de perceber onde é que o mercado funcionou em todo o processo que ficou para trás – é pactuar com o crime. Que o Presidente da República – que, como um botão, só conhece duas posições: on e off, para cima ou para baixo; avisei, ou o não tenho nada a ver com isso – tenha falado no assunto, mas sem uma palavra sobre a condecoração que concedeu aos gestores que agora condena, é a prova que, em Portugal, o crime compensa sempre!

Ministros a comunicar

Montenegro segura Margarida Blasco. Remodelação não está em cima da mesa –  Observador


O ministro dos Assuntos Parlamentares garantiu na Assembleia da República que o governo não quer uma "RTP obesa, quer uma RTP musculada". Por isso tira-lhe a publicidade, que aquilo é só gordura. 


O governo está muito preocupado com a saúde da televisão pública. Com a das privadas não. Está-se nas tintas. Que engordem à vontade. Se não se cuidam, o problema é delas. 


Com a saúde, e com a imagem. Quer uma RTP esquelética, mas com músculos para a vista. Já para as privadas, gordura é formosura! 


Já o ministro dos Negócios Estrangeiros foi à WebbSummit - ontem aberta com o espalhafato do costume, mesmo que dos espalhafatosos do costume só tenha restado Carlos Moedas - para falar de equilíbrios entre tecnologia, confiança e os valores democráticos. Era mesmo isso que constava do título da sessão -  “Equilibrar tecnologia, confiança e os valores democráticos”. 


Pois... mas Paulo Rangel achou que tinha mais graça falar de regulação. E alertar aquela gente para "a desvantagem europeia de regular em demasia". Pois é ... não é assim, com regulações que a gente lá vai.


Isto só lá vai é com cada um fazer o que lhe der na gana. E com televisões privadas feias de gordas!


E estes são os ministros que sabem comunicar. Dos outros - pronto! - das outras, nem é bom falar!

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Há 10 anos

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De vez em quando Cavaco aparece. Dá à costa e diz coisas... Fala de bom senso, o bom senso de que ele próprio se acha referência. Desta vez, cheio de bom senso, convidou "os portugueses a olhar para as dificuldades com um sorriso". E, a transbordar de bom senso, lançou a grande questão, "a pergunta que todos os portugueses têm o direito de colocar": "o que é que andaram a fazer os accionistas e os gestores da PT"?


Ó Senhor Presidente, quando coloca a questão dessa forma, talvez não esteja a dar o melhor exemplo de bom senso... Eu daria uma ajuda e sugerir-lhe-ia que reformulasse "a pergunta que todos os portugueses têm o direito de colocar": o que é que andou a fazer o Senhor Presidente quando no último 10 de Junho, há precisamente 5 meses, condecorava esses mesmos gestores?


Ah... Andava preocupado com a reacção vagal... 


 

domingo, 10 de novembro de 2024

Mais que três pontos. E muito mais que a imbecilidade das tochas!


Noite de festa, de verdadeira loucura na Luz, cheia - à beira dos 65 mil - para assistir ao mais desequilibrado dos clássicos dos últimos largos anos.


Foi festa porque o Benfica jogou à Benfica, como prometera Bruno Lage. Quando isso acontece há festa na Luz, mesmo que uns imbecis a queiram estragar.


O Benfica desta noite, na Luz, não foi apenas uma equipa a jogar bem, e a dominar claramente o Porto, que não é coisa a que estejamos muito habituados. Foi uma equipa inabalável, à prova de bala. E isso, depois do que aconteceu na passada quarta-feira, em Munique, é sensacional!


No fim, depois de um jogo em que o Benfica dispôs do Porto como bem entendeu, e goleou por 4-1, ninguém se lembra dos contratempos que atingiram a equipa. Não foram poucos, e a equipa passou por eles como se nada fosse.


O Benfica entrou bem no jogo, demonstrando que não estava ali com medo de nada, nem de ninguém. Só que logo os energúmenos das tochas fizeram parar o jogo, interrompendo aquela entrada.


Logo que a fumarada desanuviou, o jogo foi retomado, a equipa voltou a agarrar no jogo, e Di Maria poderia ter marcado. Pouco depois, pelos 18 minutos, o árbitro, João Pinheiro - pois, já não há Artur Soares Dias - resolveu apitar para assinalar uma falta sobre Aktürkoglu, já depois de ele se ter desembaraçado do adversário faltoso, se isolar na área portista e assistir Pavlidis para marcar. Um golo bonito, com o avançado grego a picar a bola sobre Diogo Costa. As leis do jogo mandam deixar seguir a jogada, até ao seu desfecho. Mas mandam também não beneficiar o infractor. João Pinheiro esteve-se nas tintas para isso tudo, e o golo não contou. Nem pôde sequer chegar ao VAR. No livre que João Pinheiro assinalou para evitar o primeiro golo do Benfica, foi Diogo Costa a evitá-lo, com uma grande defesa. Mas a equipa não descompensou, e continuou a jogar bem.


E lá chegou o golo, ainda antes da meia hora, por Carreras, que minutos antes parecia ter sido atirado para fora do jogo, com um pé em muito mau estado. E o Benfica continuou, cada vez mais a acentuar a sua superioridade no jogo. Mas o segundo golo não chegava. Aos 40 minutos o remate de Pavlidis levou a bola a bater no poste, e a sair para a frente, em vez de entrar.


Estávamos nisto quando os imbecis das tochas voltaram a aparecer, e a fazer voltar a parar o jogo. Ainda a fumarada estava no ar, e já em cima do intervalo, Otamendi cometeu uma hesitação de principiante, Trubin foi enganado - mas não o poderia ter sido - e ambos ofereceram o golo do empate ao Samu.


E o jogo, que poderia já estar resolvido no marcador, foi para intervalo empatado.


Poderia pensar-se que o Porto aproveitaria o empate que lhe caíra do céu para surgir na segunda parte a discutir o jogo, olhos nos olhos. Nada disso, o Benfica de hoje nunca se deixou abater, e arrancou ainda mais forte. E mais dominador.


O segundo golo não tardou muito. Nem 10 minutos. Grande passe de Aursenes, e desmarcação e finalização sublime de Di Maria. E o Benfica continuou a não deixar Diogo Costa em paz. Cinco minutos depois marcou o terceiro, em mais um lance de compêndio: Tomás Araújo, num grande passe em profundidade lançou Bah, que cruzou para Pavlidis surgir desmarcado na cara de Diogo Costa, a desviar para o funda da baliza. Há quem diga que foi Nehuén Pérez que introduziu a bola dentro da própria baliza, para tirar o golo ao avançado grego.


O quarto foi sendo adiado por mais vinte minutos. Surgiu aos 80 minutos quando, aflito, o Varela acertou com um pontapé no pescoço do Otamendi. Penálti - apenas o segundo do Benfica no campeonato - cobrado magistralmente por Di Maria. João Pinheiro esqueceu-se do segundo amarelo a Varela, que o punha na rua.


Não foram poucos os contratempos, como vimos. E o mais frequente nestes clássicos é vermos a equipa sossobrar-lhes. É por isso que esta vitória, com esta exibição, com esta demonstração de personalidade, e com esta goleada, vale mais que os três pontos de qualquer das outras. 


O que não vale - não pode mesmo valer - é a impunidade dos imbecis das tochas. É da maior urgência resolver isso. E começa a não ser aceitável que não se resolva!


 

sábado, 9 de novembro de 2024

Há 10 anos

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À medida que o Benfica vai fugindo na classificação as nomenklaturas sportinguista e portista acentuam a pressão sobre as arbitragens, alegando prejuízos próprios e reclamando de benefícios alheios. 


Ambos os lados contam com orquestras bem afinadas, com algumas particularidades, mas não mais que isso. Na orquestra portista a batuta está entregue ao treinador Lopetegui, que não perde um único ponto que não seja por responsabilidade dos homens do apito. Atingiu já o ridículo de nem dentro da própria orquestra ser levado a sério, o que, convenhamos, não é fácil.  Mas é assim, e ainda ontem assim foi, quando reclamou um penalti por uma bola na barriga de um jogador do Estoril, mas já estava muito longe para ver o penalti que o seu guarda-redes cometeu e o árbitro assinalou.  Não é por culpa dele que não fazemos a mínima ideia do que achou do outro, que o árbitro não assinalou na primeira parte, quando aos 30 minutos o Casemiro deu no pé do Kuca para que não chutasse para golo. Isso não sabemos porque ninguém lhe perguntou. É que há perguntas que não se fazem ao treinador do Porto...


Mas não precisou que ninguém lhe perguntasse para dizer que viu o jogo do Benfica. E para dizer que os árbitros dão uns pontitos ao Benfica que tiram ao Porto, e que é isso que faz a diferença na classificação.


E lá entra no peditório também a orquestra leonina. Curiosamente com o treinador Marco Silva, que começara por garantir que não contassem para ele para esse peditório, a empunhar também a batuta. Foi também o árbitro que não deixou que ganhassem ao Paços, ao anular um golo, já nos descontos (já devia saber que isso de golos nos minutos 92,93 ou 94 é só com o Porto), por fora de jogo, ao Montero. Que não estava. Poder-se-ia pensar que se tratava de acertar contas antigas, que depois de tantos golos marcados em fora de jogo, chegara a vez de lhe apresentar a factura. Mas não. Não era nada disso, apenas aconteceu que o Slimani, em posição de fora de jogo, intreveio na jogada movimentando-se para a bola. Mas disso já ninguém da orquestra se apercebeu!


É de resto um problema comum a ambas as orquestras. É um problema de falta de atenção. Por exemplo, com mais um bocadinho de atenção, teriam percebido que não é evidente nenhum fora de jogo no segundo golo do Benfica, ontem na Madeira. A Sport TV bem se esforçou para encontrar alguma coisa que pudesse tirar as dúvidas, mas não consegiu. Paciência... Claro que, depois, conseguiu mostrar uma falta assinalada a um jogador do Nacional que, com o jogo interrompido, enviou ainda a bola para a baliza, sem ver amarelo nem nada... Pois, o árbitro assinalou, e bem, uma falta e não um fora de jogo que, esse sim, seria mal assinalado. O que o árbitro viu, como toda a gente podia ter visto, foi o (outro) jogador do Nacional ganhar a disputa da bola de pé em riste. Em falta, portanto... Punível com livre indirecto, como no fora de jogo.


Claro que os comentadores da Sport TV podiam ter deixado tudo claro. Podiam... mas não era a mesma coisa! Já não dava para o peditório que está em curso...

Há 10 anos

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Foi há 25 anos... O muro caiu e o mundo mudou!


Caiu o muro, porque tinha de cair. Porque era da vergonha. Não tinha alicerces para se segurar. Não tinha, de todo, alicerces. Fora construido ao contrário, para evitar que pessoas fugissem para o leste, quando as pessoas queriam fugir do leste... 


E o mundo mudou. Mais do que talvez se esperasse, porque às vezes há equilíbrios que resultam de desiquilíbrios...


O muro caiu, o mundo mudou e a globalização fez o resto!

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

É isto a hipocrisia

O que se sabe sobre o ataque contra torcedores de clube israelense na  Holanda que autoridades dizem ser antissemita


Israel é um país do médio oriente, no continente asiático, que se localiza ao longo da costa oriental do Mediterrâneo, e faz fronteira com o Líbano (a Norte), a Síria (a Nordeste), a Jordânia e a Cisjordânia (a leste), o Egipto e a Faixa de Gaza (a Sudoeste). A Sul tem também uma fronteira marítima, com o Mar Vermelho.


Não importa agora por que razões, nem a velha relação promiscua entre a política e as instituições do futebol, FIFA e a UEFA decidiram que Israel era um país europeu. Os seus clubes de futebol disputam as competições da UEFA, e a sua selecção nacional compete no quadro das competições da FIFA e da UEFA na Europa.


Ontem disputou-se em Amesterdão um jogo de futebol entre o Ajax e o Maccabi - Telaviv, a contar para a quarta jornada da Liga Europa. Os adeptos israelitas foram vistos a retirar bandeiras palestinianas de janelas de casas particulares, e vistos e ouvidos, no estádio e pelas ruas, em cânticos inaceitáveis contra os palestinianos, e os árabes em geral. Entre eles cantavam que "não há escolas em Gaza, porque não há crianças em Gaza".


Há muita gente na Europa - por mim espero que seja uma grande maioria, mas só isso - que acha que a matança de Nethanyahu em Gaza não é tolerável. E que por isso aproveitará a presença de equipas israelitas para manifestar que a opinião pública europeia, ao contrário dos seus representantes políticos, não se limita a assobiar para o lado enquanto Nethanyahu mata e destrói tudo à volta. Protesta e revolta-se contra isso!


O confronto entre uns e outros era inevitável, e houve pancadaria. Da grossa. Mas que os palestinianos de Gaza mediriam certamente por uma brincadeira.


A Presidente da Câmara de Amesterdão, lamentando os confrontos, referiu essa inevitabilidade a partir das provocações dos adeptos israelitas. O primeiro-ministro Dick Schoof, declarou-se  "horrorizado pelos ataques anti-semitas contra cidadãos israelitas". E apressou-se a ligar a Netanyahu, garantindo-lhe que "os responsáveis vão ser identificados e julgados". O Rei, Guilherme Alexandre, também lhe ligou, a expressar-lhe “horror profundo". Disse até que "falhámos para com a comunidade judaica neerlandesa na Segunda Guerra Mundial, e na noite passada voltamos a falhar”!


O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também só viu violência em Amesterdão contra os adeptos israelitas, e uma "inaceitável manifestação de anti-semitismo ou racismo”. Tal e qual o governo português, com Paulo Rangel a condenar "veementemente os actos de violência contra cidadãos israelitas" em Amesterdão. E, claro, também o anti-semitismo.


Era isto só que queria dizer .... É isto a hipocrisia, não é preciso dizer muito mais!


 

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


"Se virarmos as costas à política, esta ficará nas mãos das pessoas piores".


 


Mário Vargas Llosa. in Revista do Expresso deste sábado

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Com o deprimente show  - para não lhe chamar palhaçada - de Pires de Lima na Assembleia da República não ficamos apenas a saber que na sequência da irreversível demissão de Portas, em meados do ano passado, se perdeu um bom e credível gestor para se ganhar mais um péssimo e pouco credível ministro. Ficamos também a saber que Pires de Lima já sabe que, no fim da legislatura, Portas vai embora. E, mais: que ficará ele no seu lugar! 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Noite negra em Munique


O Benfica perdeu (0-1) em Munique, com o Bayern. Dito - ou visto - assim, nada de anormal. Afinal nunca, na longa história de confrontos entre ambos os emblemas, o Benfica tinha ganhado ao Bayern. Mesmo que este, como a própria classificação demonstra, e o jogo tenha confirmado, não seja neste momento o papão que por hábito é. Dito - ou visto - assim, este era um jogo de que se não esperaria muito para uma trajectória aceitável nesta "Champions". Mau mesmo tinha sido perder, na Luz, com o Feyenoord.


Só que o Benfica não perdeu apenas um jogo, por um só golo, na casa de um dos convencionados mais poderosos adversários. Perdeu um treinador, perdeu certamente alguns jogadores. E perdeu a crença em tudo o que tinha acreditado ter sido até aqui construído por Bruno Lage.


O onze anunciado denunciava que Bruno Lage ia abdicar dos conceitos básicos da equipa. Não se percebia como é que teria tido tempo para trabalhar aquele 5x4x1, independentemente de também se não compreender os jogadores escalados. Cedo se percebeu que aquilo não era mais que um exercício experimental de falta de ambição, de falta de capacidade e de falta de personalidade de Bruno Lage.


Com uma estratégia miserável, que depois do jogo o treinador não conseguiu explicar a ninguém,  como, antes, também não conseguira explicar aos jogadores, o Benfica foi apenas a imagem de uma exibição humilhante. Dificilmente deixaria de perder o jogo, como sempre acontece a quem apenas tem medo de perder. Mesmo que o golo de Musiala não tivesse acontecido, e no fim se tivesse salvado o empate, esta exibição nunca deixaria de envergonhar o nome do Benfica.


Há coisas que não voltam atrás, nem se limpam. Não sei se hoje Bruno Lage perdeu os adeptos. Não tenho dúvidas que perdeu os jogadores!


O que se passou com os adeptos do Benfica, que provocaram a paralisação do metro, e a evacuação de uma estação, por uso de material pirotécnico, e levou a atrasar num quarto de hora o início do jogo, só torna mais negra esta noite de Munique.

"Primeiro estranha-se, depois entranha-se"

Ações sobem e euro cai com declaração de vitória de Trump | Euronews


... E ganhou Trump ...


Agora não é apenas POTUS. Para já é também juiz e júri de todos os seus processos judiciais. E administrador de todas as suas falências. Logo se verá o que mais irá ser. Com o Senado e a Câmara dos Representantes também no bolso, será certamente muitas mais coisas.


É assim, à americana: "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Primeiro, a simples candidatura de uma personagem como Trump, parecia anedótico. Depois, a possibilidade de ganhar uma eleição, não passava de ficção. Depois ganhou. E perdeu, sem qualquer hipótese de se voltar a candidatar. Mas voltou. Entranhou-se e voltou a ganhar.


E andamos nós a querer perceber isto...

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Há muito quem, de ambos os lados, entenda que rivalidade a sério é entre Benfica e Sporting que, ao contrário do que muitos pensam, vem do ciclismo - dos intensos duelos entre Trindade e Nicolau - e não do futebol. Às vezes, e com a hegemonia portista dos últimos 20 anos, não se dava muito por ela, mas ressurgiu em força a partir do momento em que na cadeira mais alta de Alvalade se sentou este presidente/adepto/rambo. 


Basta à massa adepta leonina, vulgo lagartagem, imaginar que está na mó de cima para já ninguém os poder aturar. É verdade!


Por exemplo, para a lagartagem, não importa nada que o golo anulado ao Rio Ave na última jornada tivesse sido obtido em fora de jogo. E portanto bem anulado. Não, o que importa é que o árbitro assistente estava mal colocado, e que por isso não tinha condições de ajuizar correctamente. Também não importa nada que, tendo de tomar uma decisão, e com 50% de probabilidades de tomar a certa, tenha acertado. O que importa é que de maneira nenhuma queria que o golo fosse validado.


Ou ainda agora nesta jornada da champions. Não lhes interessa nada que o Jardel tenha sido empurrado dentro da área, ali à frente do árbitro de baliza, sem que o árbitro tenha assinalado a falta. O que para a lagartagem importa é que o defesa do Benfica, como fazem todos os jogadores naquelas circunstâncias, muitas vezes para pressionar o árbitro a assinalar a falta, fez duas tentativas de agarrar a bola e, tocando-lhe, fez penalti que o árbitro não assinalou. Mesmo tratando-se de um jogo da champions, para a lagartagem não conta o erro do árbitro ao não assinalar a falta sobre o Jardel, que tudo teria resolvido. Só conta que, depois, houve penalti… Como no penúltima jogo da Liga, em Braga, não conta que o árbitro tenha deixado passar um fora de jogo flagrantíssimo, só conta que, depois, porque erradamente deixou prosseguir a jogada, houve motivo para penalti na área do Benfica. 


Tudo isto não é mais que pequenos episódios, sinais da rivalidade e da clubite que leva os adeptos a ver tudo com óculos de lentes pintadas com as suas cores. Não tem importância nenhuma... São palermices toleráveis. Que os adeptos, de um e outro lado, muitas vezes amigos e até familiares, se piquem, é normal. Os adeptos também servem para isso!


Que, aqui, eu diga que o Bruno de Carvalho não se sabe comportar, que é um presidente, adepto e membro da claque, com a mania que é Rambo, que dispara para todo o lado incluindo o próprio pé, é uma coisa. Outra, completamente diferente, seria entrar na ofensa pessoal. E outra ainda, já intolerável, seria fazê-lo numa qualquer qualidade de representação institucional do meu clube que se sobreporia á minha simples qualidade de adepto. Foi isso que o José Nuno Martins, director do jornal do Benfica, fez ao chamar palerma ao presidente do Sporting.


E isso eu não aceito. O José Nuno Martins é, para além de benfiquista e de director do jornal do nosso clube, uma referência da comunicação da minha geração. É um profissional da comunicação que me habituei a admirar e a respeitar, mas que agora foi, ele sim, um palerma. 


Ninguém está imune ao erro. Todos erramos. A diferença não está por isso entre quem erra e quem não erra - está entre quem assume e enfrenta os erros e quem se julga acima deles. Ao José Nuno Martins cabem agora duas simples atitudes: pedir desculpa e demitir-se da direcção do jornal do Benfica. Depois, se assim o entender, pode continuar a chamar palerma ao presidente do Sporting!

Dia de voto na América

Eleições EUA 2024: como desfecho da disputa Trump x Kamala pode mudar o  mundo - BBC News Brasil


Os americanos vão hoje votar. Muitos, cerca de 80 milhões, já o fizeram antecipadamente. Muitos deles por medo, por medo do que possa hoje vir a acontecer. Vidros à prova de bala, e mesas de aço, nos locais de voto não previnem, apenas. Também assustam.


Está tudo empatado, dizem as sondagens. Não há certezas sobre nada. Esta é a regra, que não tem uma, mas duas excepções. A primeira é a certeza que Trump declarará a vitória logo que as urnas fechem. A segunda é que, contados os voltos, sabe-se lá quando, se kamala Harris ganhar Trump reclamará fraude, e nunca reconhecerá a derrota. 


E muito provavelmente apresentar-se-á em Janeiro no Capitólio com os seus cruzados para tomar posse.

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


É chocante a forma como o governo de Timor-Leste expulsou os magistrados portugueses. A não ser que estivéssemos perante comportamentos criminosos ou inaceitáveis, Portugal não mereceria este tipo de tratamento. O que Portugal, enquanto estado e país, e os portugueses fizeram por Timor e pelos timorenses, não merecia uma hostilidade destas. Portugal e os portugueses não mereciam que um governo liderado por alguém que alcandoraram à condição de herói expulsasse cooperantes portugueses como se de criminosos se tratasse. Portugal e os portugueses não mereciam que alguém a quem concedeu todas as honras não saiba agora honrar nenhuma delas.


Mas, acima de tudo, depois de tudo o que fizeram por tão justa e nobre causa, não mereciam que Timor e os seus heróis que fizemos nossos, subvertessem tão depressa princípios básicos da democracia como o da separação de poderes. Não mereciam que lá se instalasse um poder político capaz de tomar por refém o poder jurídico, logo que alguns interesses fossem incomodados. Interesses ilegítimos de timorenses mas, acima de todos, interesses australianos!


Por muito que possamos sentir que Portugal nunca foi capaz de, em Timor, dar seguimento ao gigantesco trabalho diplomático que desenvolveu. Por muito que saibamos que nunca foi capaz de transportar para Timor a influência única e decisiva que teve na libertação dos timorenses. E por muito que, por isso mesmo, tenhamos que reconhecer culpas próprias, não podemos deixar sem resposta uma atitude destas do poder político de Dili.


Para mal dos nossos pecados, o governo que temos, nem para isso dá!

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Quincy Jones (1933-2024)

Quincy Jones dies: Music titan produced Michael Jackson's 'Thriller' among  others | AP News


 


Morreu Mr Music!

Desespero a explodir em raiva

Lama, lágrimas, insultos e carga de cavalaria: as imagens da revolta da  população na visita dos reis de Espanha e Pedro Sánchez a Valência -  Expresso


O DANA matou no Levante espanhol centenas de pessoas - mais de duas centenas já conhecidas, mas certamente com muitas ainda por encontrar entre os desaparecidos -, deixou mais de quatro mil feridos, e milhares de outras lançadas no caos e no pânico, sem telecomunicações, sem estradas, sem pontes, sem casa, sem nada de tudo o que lhes tinha demorado toda uma vida a construir.


Ao desespero da tragédia os valencianos juntavam o desespero do abandono, na lama. Desespero aproveitado para transformar em raiva. 


E a dor e o luto explodiram em raiva nas ruas - que tanta gente de boa vontade se esforçava em limpar - cheias de lama. De lama barrenta, misturada com os destroços da tragédia, e de lama humana misturada com os destroços de Abascal.


Os reis de Espanha, Filipe e Letizia, apanhados na raiva, levaram com lama. Resistiram o que puderam, o suficiente para fazer resistir a dignidade do Estado. Pedro Sánchez, o presidente do governo teve de recuar. E de fugir. Das pedras e da raiva.


Não consta que Carlos Mazón, presidente do Governo Regional, generalizadamente acusado de, antes, nada avisar e, depois, nada fazer - nem sequer para pedir ajuda - tenha sido atingido pela raiva. É capaz de ser mero acaso ... 

domingo, 3 de novembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Ontem à noite, num frente a frente na SIC Notícias, a propósito da situação actual da PT e em particular da oferta dos franceses da Altice, Diogo Feio – dirigente do CDS (utilizo a expressão apenas por simplificação de linguagem, porque o CDS não tem dirigentes, tem um que dirige e depois uma larga primeira fila de abanadores de cabeça) e apoiante, claro, do governo – não teve mais para dizer que os accionistas estavam radiantes com a oferta. Que não percebia que mal poderia haver na actual situação da PT, e muito menos na proposta, quando os accionistas estavam felicíssimos.


Este governo é exactamente isto. Uma mistura explosiva de ignorância com confusão de interesses. Dos interesses imediatos e primários de accionistas com os do país!


Para esta gente, ignorante e incapaz de ver para além da ponta do seu nariz, o que lhe parece que é bom para patrões e accionistas é bom para o país!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...