domingo, 17 de novembro de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Parece-me que começou bem. Logo na primeira audição do governador do Banco de Portugal na comissão parlamentar de inquérito ao BES aprendemos que “a realidade anda mais depressa que o supervisor”. E que por isso – diz-nos Carlos Costa – o Banco de Portugal falhou!


Com uma declaração destas, de uma das figuras chave do processo, está dado o mote. Se tudo o que lá for dito for tão claro e tão substantivo como esta ideia de que se erra, e se falha, porque a realidade anda depressa de mais, podemos ficar descansados: é a realidade a culpada de tudo!


Ricardo Salgado e os restantes Espírito Santo não têm culpa de nada. O Banco de Portugal fez tudo bem, fez tudo o que tinha de fazer… Do governo, nem falar… O próprio Presidente da República, quando garantia que o banco não tinha problemas, que tinha almofadas para tudo, foi apenas traído por essa danada realidade que também anda mais depressa que ele.


E com razões acrescidas: é que ele já apresenta algumas dificuldades de locomoção. Há muito que percebemos que não lhe é já fácil acompanhar a realidade!


Afinal, se há muito a realidade anda mais depressa que o Presidente, como é que nos podemos surpreender que ande mais depressa que o supervisor? Ou mesmo mais depressa que Ricardo Salgado…

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