quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Adeus 2020

Adeus 2020 de 31 Dez 2020 - RTP Play - RTP


Foi mau de mais este ano que nos roubou os abraços e os beijinhos. Até os apertos de mão.  As mãos desapareceram serviram apenas para ser lavadas, muito e muitas vezes ao dia, Para o ritual de desinfecção à entrada e à saída de um lugar qualquer. E para teclar,  enfiando-nos num mundo digital onde todos julgam acima de tudo e de todos, fazendo de mentiras verdades universais, de ligeiras impressões convicções inabaláveis, construído de certezas absolutas em cima da mais insolente ignorância.


Guardaremos dele más memórias. É inevitável. Mas também é justo que o lembremos por ter sido o ano em que, em poucos meses, o mundo deu ao mundo uma vacina que tínhamos por tarefa de muitos anos. E o ano em que Trump foi corrido da Casa Branca, mesmo que permaneça ainda dentro muitas outras casas de muitas cores. Todas desbotadas!


E se um dia a História nos vier dizer que a humanidade aprendeu alguma coisa com este ano, poderemos então lembrá-lo como o início de uma nova era na nossa relação com o nosso habitat natural É esse um dos poucos sinais da esperança que poderemos levar deste ano noite de 2020.


E a de que 2021 seja melhor. Terá de ser!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


O ano está a chegar ao fim! Está por um fio…


O futebol tem um calendário diferente. O ano chama-se época e o calendário não tem dias, semanas e meses: tem a sequência ordenada dos jogos, distribuída por duas voltas que quase dividem o ano ao meio. Quase, porque a primeira volta, por cá, acaba já por Janeiro dentro. Vai de Agosto a Janeiro. Não tem grande importância mas sempre atribui um título: o de campeão de Inverno!


A segunda volta prolonga-se até Maio, fechando-se a época com a final da Taça. É assim em praticamente toda a Europa: a excepção é a Rússia, pouco dada aos usos e costumes ocidentais.


Depois vêm as férias. E a agitação do defeso – um paradoxo, o defeso que supõe acalmia, interregno e pausa para limpar armas, é afinal um tempo de grande intensidade – das contratações que irão alimentar todas as aspirações da nova época. Das falhadas e das concretizadas!


De dois em dois anos Junho é mês de selecções, em campeonatos ora da Europa ora do Mundo. Julho é mês da preparação e de afinação física, técnica e táctica da equipa. E em Agosto há o reveillon: o início do novo ano, a nova época que arranca com a Supertaça, a tal que este ano tramou o Benfica.


É assim há muito tempo! Dá a ideia que o calendário civil terá sentido alguma inveja disto e, por isso, arranjou forma de encontrar alguma da graça da passagem do ano do futebol. Da passagem da época!


Arranjaram-se umas férias para o Natal, coisa a que apenas os ingleses, que nisto do futebol são os alemães da economia, souberam resistir. E introduziu-se-lhe o melhor da festa. Que não é o fogo de artifício, são mesmo as contratações. A abertura do mercado de Inverno reproduzia nesta altura do ano o maior factor de agitação do defeso de Junho e Julho.


É evidentemente um segundo mercado: uma réplica do original mas nem por isso coisa despicienda. Os jornais que o digam: chamam-lhe um figo!


E como o que vende é o Benfica … está tudo dito. Se em Junho e Julho todos os dias entram e saem dezenas de jogadores, em Dezembro e Janeiro a coisa não lhe fica muito atrás. Já perdi a conta aos jogadores que estão a caminho do Benfica, aos que estão mesmo prontos a assinar, vindos de todos os cantos do mundo. Uns mais cantos que outros: a Argentina é que é agora o canto – o canto dos cantos!


A maior estrela desta telenovela - vem não vem, por 10, por 11 ou por 12 milhões -, é um tal de Funes Mori. Argentino e craque, como não podia deixar de ser! Pela minha parte já nem aguento tanto suspense


No sentido inverso há o David Luiz. Dantes era o Luisão, mas esse já passou de moda. In mesmo é o rapaz dos caracóis: ora sai por 20 milhões ora não sai e fica à espera do Verão e de um mercado mais aquecido. E o Fábio Coentrão: é o Real Madrid, é o Manchester United, é o Barcelona…


Mas há ainda a outra parte da festa. É como que a outra face da moeda das férias de Natal: o regresso dos jogadores. Compreende-se: por lá é tempo de Verão, sol, praia, bikinis …e regressar a este frio e a esta chuva não é a melhor coisa do mundo. Daí que haja sempre uma outra telenovela. Brasileira, claro! Bom este ano até é mais paraguaia: o actor principal foi o Cardoso. Do Benfica, pois então!


Já regressou mas é como se lá estivesse. Por culpa da gripe A, que afinal anda por aí…


E agora deixem-me confessar-vos um feito: neste último Futebolês do ano consegui a proeza de não utilizar uma única palavra em futebolês. Mas, como isso vai contra os Estatutos, a época faz esse papel. De acordo?


E pronto. Apresso-me a desejar a todos um Bom Ano. Bem sei que é um desejo muito difícil de concretizar, mas se o fizer já – e daí me ter apressado – antes que passe a meia-noite, sei que pelo menos ainda não paga imposto!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


É estranho. Muito estranho! De um momento para o outro o quarto poder resolveu que o BPN existe.


Explico melhor: o BPN está definitivamente instalado na campanha eleitoral. Não é o que possam estar a pensar: isso foi na campanha de há cinco anos atrás, nas últimas presidenciais! Nessa altura é que estava a financiar a campanha de um dos candidatos. Do que ganhou!


Esclarecido que não é por estar a financiar a campanha de ninguém – afinal enquanto lá não pusermos mais os tais 500 milhões não há dinheiro nem para mandar cantar um cego (que me perdoem os invisuais e os mais puristas, mas é uma expressão corrente do tempo em que as sensibilidades não eram tão susceptíveis ao politicamente correcto) – resta dizer que é por, finalmente, ter sido aceite como matéria de campanha.


Nem mais! O poder mediático, que tinha classificado a matéria como campanha suja, inaceitável e intolerável num estado de direito democrático, afinal já entende que é matéria definitivamente instalada na campanha eleitoral. E mais: quando há poucos dias era a honorabilidade do presidente candidato que estava a ser atacada por terroristas, agora já é matéria incómoda para o mesmo presidente candidato.


Mas então a que se deve tão surpreendente reviravolta?


É simples: é que agora foi o candidato Manuel Alegre – como não poderia deixar de ser mas, mesmo assim, com muito pouco jeito, como que também a medo – a introduzir a questão no debate de ontem. A diferença é só esta: outro qualquer candidato, daqueles que só existem para atrapalhar, não pode falar do caso BPN. Manuel Alegre, um candidato com cheiro a poder, já pode. É assim que funciona o quarto poder!


Pronto, agora que já se pode falar do BPN, por muito que incomode o presidente candidato – coisa que evidentemente incomoda tanto o poder mediático instituído – já posso dizer que acho muito estranho que Cavaco Silva remeta a explicação do famoso e super lucrativo negócio das acções da SLN (sociedade detentora do BPN) para as suas declarações de IRS. E que acho muito estranho que nenhum jornalista até hoje ache isso estranho: que nem um único se atreva a dizer-lhe que a declaração de IRS não explica nada disso, que apenas explica que pagou os impostos sobre o rendimento anormal do negócio. Mas que também acho estranho que Cavaco Silva seja tão crítico com a actual gestão do BPN – dando até o exemplo dos bancos ingleses, numa desajeitada e inaceitável tentativa de misturar alhos com bugalhos, o conhecido gesto de atirar areia para os olhos – e não tenha uma única palavra para a gestão criminosa do passado.


Acho estranho e deplorável. É que não é apenas por parecer que protege os seus compagnons de route agora trazidos à condição de prováveis criminosos. É que permitiu ao governo sair em socorro da gestão da CGD no BPN, esquecendo a responsabilidade pela desastrosa decisão da nacionalização. Que nem um euro custaria aos contribuintes, lembram-se?


 


PS: Já depois da publicação deste post a administração da CGD emitiu um comunicado obedecendo a uma ordem dada publicamente pelo governo (bem ouvi, esta tarde, Pedro Silva Pereira dar a ordem, em defesa da honra).


Nem o governo mandou, nem a administração da CGD entendeu necessário, emitir qualquer comunicado a explicar por que não se consegue vender o BPN. Nem a explicar por que é que pedem agora mais 500 milhões, quando a irregularidade de capital é de uma ordem 5 ou 6 vezes maior. Nem quando e como é que este pesadelo vai acabar!


É por isto que eu acho que Cavaco Silva foi um mau presidente, é um mau candidato e voltará a ser, infelizmente, um mau presidente. Porque, sucessivamente, não resolve coisa nenhuma e promove este tipo de coisas!

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Fantasmas

Benfica Portimonense Raio-X Liga NOS - SL Benfica


 


Depois da derrota na Supertaça com o Porto, e face ao baixíssimo nível exibicional que a equipa vem apresentando, o último jogo do Benfica neste ano negro era aguardado com grande expectativa. Não se esperaria que a equipa surgisse confiante e capaz de fazer um grande jogo, mas havia que ver que resposta era a equipa capaz de dar à derrota da passada quarta-feira.


O adversário, o Portimonense, era - e é - apenas o último classificado do campeonato, que de resto disputa por ter sido repescado na sequência da desqualificação do Vitória de Setúbal, não era assustador. Mas nem era preciso, este Benfica tem em si mesmo fantasmas de grande capacidade assustadora.


O início da partida foi uma agradável surpresa. A equipa do Benfica, mesmo desfalcada de sete jogadores, a maioria deles por efeitos da covid, e repetindo o mesmo onze da Supertaça, entrou bem, não aparentando grandes medos, e a desenvolver algumas boas jogadas. E o Portimonense parecia estar ali para não assustar ninguém.


O primeiro golo, a culminar uma bonita jogada de futebol, e alcançado pelo Darwin, que já não marcava há mais de dois meses, teve tudo para lançar a equipa para a exibição que tarda. Mas não, ainda não passara o primeiro quarto de hora, e a reacção que permitiu ao adversário indiciava que não seria assim. Já o Portimonense não era uma adversário (a)batido quando, dez minutos depois, ainda apenas com metade da primeira parte jogada, em mais uma bonita jogada de futebol, apesar de um certo atabalhoamento na parte final, o Benfica voltou a marcar, desta vez por Rafa, com uma boa primeira parte.


Mais uma vez não soube capitalizar o golo, e foi o Portimonense a reforçar a sua presença no jogo. A superioridade do Benfica começou a esfumar-se, e quando o árbitro apitou para o intervalo já a equipa algarvia era a melhor sobre o relvado. Sem criar oportunidades de golo, é certo, mas já com a posse de bola equilibrada - 50% para cada lado.


A segunda parte iniciou-se como terminara a primeira, com o Portimonense por cima do jogo, acumulando posse de bola, e dominando o jogo. De novo sem criar ocasiões de golo, mas melhor em todos os capítulos do jogo. Mesmo assim foram do Benfica as duas oportunidades de golo. Primeiro, logos aos dez minutos, num remate ao poste de Darwin. E pouco depois num remate de cabeça de Otamendi, na sequência de um canto. Contra uma, apenas, do Portimonense. Que atacava e deixava espaços que o Benfica, pelo velho problema dos passes falhados e das decisões erradas, nunca foi capaz de aproveitar.


A incapacidade do Benfica nas transições ficou exemplarmente traduzida numa jogada em que até foi assinalado - mal ou bem, agora não interessa - fora de jogo a Darwin. Que, isolado frente ao guarda-redes, não só não teve arte nem engenho para o bater, acabando por o contornar até ficar sem ângulo a rematar para a bancada. Tudo isto sem que nem um só jogador do Benfica tivesse aparecido para lhe dar qualquer alternativa, todos lá atrás, sem passarem a linha do meio campo.


Valeu que o - inevitável, percebia-se - golo do Portimonense chegou apenas no primeiro dos 5 minutos de compensação, com Jorge Jesus a meter defesas (Ferro) e médios (Samaris) para segurar o resultado. Que foi a única coisa que se salvou deste jogo triste. Muito triste, como todo o ano.


E ninguém espera que o que aí vem seja melhor. Nada indica que o seja. Os jogadores são fantasmas de si próprios, e nada muda só porque muda o ano.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Os preparativos para o novo ano estão em ritmo acelerado. É normal, já só faltam dois dias…


A nova taxa de IVA está prontinha… o novo Código Contributivo já espreita por trás da cortina... os cortes de salários estão mais que preparados! Os aumentos de portagens, transportes, água, electricidade, telefones e sei lá mais o quê … estão aí! Já ao virar de sábado para domingo!


Faltavam as novas taxas moderadoras do Serviço Nacional de Saúde. Porque já só faltam dois dias o governo acabou de publicar as respectivas portarias: uma vergonha, conforme nos conta o Rui Rocha no Delito de Opinião!


Pois bem, enquanto isso o big brother da SIBS – não sei se já tinham percebido que o cartão multibanco é uma espécie de câmara oculta que, mesmo sem nos mandar sorrir, nos expõe por completo borrifando-se para a nossa intimidade – diz que neste Natal se gastaram mais não sei quantos milhões. Os stands de automóveis estão em rotura de stocks, as agências de viagens não têm mãos a medir para pôr esta malta a passar o ano por esse mundo fora – com os mais exóticos destinos já esgotados –, o Algarve está cheio (de portugueses, porque os outros pensam em poupar uns cêntimos) para a passagem de ano e até os saldos são um êxito que espanta os próprios relações públicas das grandes marcas.


Quem é que pode entender este país?


Assim já se entende que Sócrates possa fazer tudo o que faz e continuar a ter lata para se dizer o grande defensor do estado social. E vamos percebendo que ele possa, rapidamente e com a maior desfaçatez, despir o fato de coveiro (do estado social) para vestir o camuflado de tropa de elite que defende o estado esquizofrénico do país.


Um fraco rei faz fraca a forte gente: dizia-nos Camões! Há muito que não somos forte gente, tantos têm sido os fracos reis, mas … caramba! Se isto não é esquizofrenia o que será?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Os primeiros

Está concluído”. O relato da primeira vacina contra a covid-19 administrada  em Portugal – Observador


 


Margaret Keenan, de 90 anos - Maggie para os amigos - tornou-se na primeira pessoa no mundo a tomar a vacina contra a covid-19. Foi em Coventry, no Reino Unido, tornando-se naturalmente a primeira cidadã britânica a ser vacinada. 


A enfermeira Sandra Lindsay, ainda jovem, foi a primeira pessoa a receber a vacina nos Estados Unidos.


Na Alemanha foi também uma mulher, Edith Kwoizalla, de 101 anos e residente numa casa de repouso, num lar, como cá se diz, a primeira pessoa a ser vacinada.


Já na República Checa foi um homem, de 66 anos. Andrej Babis, por acaso o primeiro-ministro. Não tem nada a ver com as suas posições sobre o Estado de Direito, a igualdade de género e essas coisas que lhe merecem pouco apreço. Apenas por ser quem é. É que  viu "uma senhora dizer na televisão que não ia ser vacinada enquanto o primeiro-ministro não fosse”... 


Como se vê, são vários os critérios. Todos defensáveis. Até o do chefe do governo checo.


Em Portugal esse lugar na História foi ocupado por António Sarmento, de 65 anos, um infecciologista do Hospital de São João, no Porto. Aqui não é o critério, também ele certamente defensável, que impressiona. O que não passa despercebido é que, mais ou menos desnudada, a moda lançada pelo Presidente Marcelo na vacina da gripe pegou. 


Ou não fosse Marcelo o mais velho influencer do reino.


Presidente Marcelo garante que há vacinas contra a gripe para todos - Viver  com Saúde - Correio da Manhã


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A actual situação política, económica e social do país faz convergir os portugueses na responsabilização da classe política. Na descredibilização dos partidos e do próprio sistema político. Hoje os portugueses não têm dúvidas em apontar os partidos, e em particular os partidos do sistema ou do arco do poder, como os grandes culpados da situação a que o país chegou.


Os sucessivos escândalos que envolvem a classe política – desde a óbvia corrupção, confirmada ou apenas suspeita, à cadeia de favorecimentos à volta do poder, passando pela incompetência nas decisões – mais não fazem que agravar a perspectiva que os portugueses têm dos políticos.


Isto é, nós portugueses não só responsabilizamos a classe política clássica, do governo à oposição, pelo buraco em que o país está metido como, dada a conta em que os temos, ainda lhes não reconhecemos qualquer capacidade para nos tirarem desse buraco.


E, no entanto, pelo que vamos vendo pelas sondagens, tudo indica que o comportamento dos portugueses, na hora de fazer uso do mais decisivo instrumento que a democracia lhes disponibiliza, se dispõem a entregar o seu voto como se nada disso fosse verdade. Parece que, ao contrário do que se passou há pouco mais de um ano, penalizam um pouco mais o governo, é certo. E premeiam o principal partido da oposição, contrariando o discurso generalizado, como se o nosso sistema político mais não seja mais que um circuito de vasos comunicantes. Fazem como precisamente sempre fizeram até aqui!


Entretanto, e perante o tsunami de sacrifícios exigidos sempre aos mesmos, lado a lado com os milhões que se enterram no BPN, ou com a antecipação dos milhares de milhões de dividendos para fugir aos impostos do próximo ano, alguns tentam dar umas alfinetadas. Tentam espevitar uma imensa mole humana meia anestesiada, que acusam de mansos e incapazes de vencer a inércia para se mexerem e protestar. Dar um safanão em tudo isto. Gritar bem alto e esbracejar para que eles vejam que existimos e que somos capazes de muito mais do que simplesmente aguentar com a carga que nos põem em cima.


É neste quadro que decorre a campanha para as próximas eleições presidenciais, supostamente um período de intenso debate.


E o que vemos?


Vemos a comunicação social a levar ao colo o actual Presidente da República e candidato maior do regime. Vemos os media a estabelecer as balizas do discurso da campanha exactamente à medida dos poderes presidenciais: se alguém toca num qualquer problema é logo acusado de ignorante ou mesmo de demagogo, porque bem sabe que aquilo não cabe nos poderes do presidente. Como se ao eleitorado não interesse saber o que pensa um candidato dos problemas do país. Como se as decisões do presidente, dentro da sua esfera de poderes, se não enquadrem num pensamento político, em opções ideológicas ou simplesmente em valores.


Vemos que o caso BPN, mesmo que plenamente justificado pela actualidade – início do julgamento, insucesso da operação de venda, insucesso da gestão após nacionalização, mais 500 milhões para as aflições (apenas para mais uma aflição, porque não cobre sequer um terço do valor negativo dos capitais próprios, portanto não resolve problema nenhum) – não pode ser trazido a debate. Que é jogo sujo, populismo, demagogia … É até tiro no pé!


E vemos o único candidato vindo de fora do sistema, aquele que parecia ter todas as condições (um assinalável capital de prestígio e um total descomprometimento com o sistema) para protagonizar uma candidatura de rotura e de esperança numa nova forma de fazer política e de, em última instância, fazer implodir o edifício velho e caduco que alberga este sistema político podre, doente e viciado tornar-se, num ápice, parecido com os outros. Com os mesmos tiques, praticamente o mesmo discurso, os mesmos truques…


Vemos uma esperança transformar-se numa desilusão. E a comunicação social a falar de falta de experiência política sempre à luz de um padrão que segue um guião amarrotado, bafiento e falido!

domingo, 27 de dezembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Rui Tavares é deputado no Parlamento Europeu. Foi eleito pelo Bloco de Esquerda nas últimas eleições, em Junho de 2009: precisamente o terceiro e último a ser eleito, num ambiente de suspense, surpresa e, finalmente, festa!


Pouco depois de chegar a Estrasburgo, no final do seu primeiro ano de mandato, soube-se da sua intenção de oferecer parte do seu salário de deputado europeu – um salário suficientemente generoso que, em tempo de constituição das listas para essas eleições, transforma as sedes partidárias em verdadeiros sacos de gatos assanhados – para bolsas de estudo. Não sei – nem me interessa – se essa decisão teve alguma coisa a ver com o cenário de suspense daquela noite eleitoral, ou mesmo com a surpresa desse êxito eleitoral decorrente de uma eleição à partida tida como muito pouco provável. Sei é que ainda há pessoas que têm da vida uma visão diferente daquela que faz carreira.


Soubemos agora, e apenas seis meses depois, em plena semana de Natal que, prescindindo de um quarto do seu salário, financiou quatro projectos de investigação de outros tantos jovens concidadãos. Ficamos a saber que o Rui Tavares, licenciado em História da Arte e a terminar um doutoramento em Paris (sobre a censura no tempo de Marquês de Pombal) é um político que cumpre o que promete – o que, como sabemos, devendo ser a coisa mais natural é a mais extraordinária do mundo. E que cumpre a partir do seu próprio bolso, o que é ainda mais extraordinário! Mas mais: ao que parece não pretende tirar dividendos políticos disso!


Simplesmente – ao que diz – ajuda porque quer, porque pode e porque acha que é seu dever. Diz que não quer outra leitura para além dessa. E que não está fazer nada que não lhe tenham já feito, ele próprio bolseiro da Fundação da Ciência e Tecnologia e licenciado na qualidade de ex-bolseiro da Universidade Nova!


Mas ficamos a saber mais: ficamos a saber que a ideia lançou amarras. Que outros políticos lhe seguiram as pisadas? Não! Evidentemente que não! Mas que três elementos dos Gato Fedorento se lhe associaram permitindo duplicar o valor das bolsas!


Tudo isto sem parangonas. E, sem que queira dar o exemplo, seja de facto o exemplo! Nem que seja apenas o exemplo de que “eles” não “são todos iguais”. Ou que não “querem todos o mesmo”

sábado, 26 de dezembro de 2020

Vacina na mão

SIC Notícias | Covid-19. Primeiro lote de vacinas já está em Portugal


 


Já está à mão. Está já na mão da ministra da saúde (garanto - esta mão é de Marta Temido). Não precisamos de a sentir nas nossas mãos para sentir que muito está nas nossas mãos. Mais do que provavelmente nesta pandemia alguma vez esteve!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Feliz Natal

Texto de caligrafia de natal feliz em português. feliz natal | Vetor Premium


 


Com muita saúde. Para todos, Para os que lêm e comentam, para os que lêm e não comentam, para os que comentam mas não lêm... E para os que insultam.Também são gente, mesmo que às vezes não pareça.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


No futebol também há Natal. Já o inverso não é verdadeiro: No Natal (não) há futebol!


Em Portugal, ao contrário de Inglaterra, onde o dia de Natal – o chamado boxing day – assume a expressão máxima do futebol como espectáculo de família, o futebol mete mesmo férias. Logo que começa a cheirar a filhós ou a bolo-rei é vê-los a partir… Para o Brasil, para a Argentina, já é para todos os destinos da América do Sul. Nos aeroportos a azáfama é grande! Maior só mesmo no regresso, quando aos regressados se juntam mais uns quantos que, pela chamada janela de Inverno, vêm alimentar sonhos de uns e matar os de outros!


As férias tornam-se sempre num marco. Sejam elas quais forem há sempre um antes e um depois de férias. É assim na actividade escolar, é assim na actividade económica e, claro, é assim no futebol. Por isso o Natal é mesmo um marco mais importante do que o final da primeira volta, que acontece umas semanas depois. De resto, e estando cumprida a 14ª jornada da I Liga, portanto a uma desse marco que assinala exactamente o meio da prova, não se compreende muito bem que não tenha sido feito um esforço para acertar os dois calendários. Se não se faz esse esforço é mesmo para não retira ao Natal o papel principal. São os treinadores que não chegam ao Natal… São os campeões encontrados no Natal… E ninguém fala no treinador que não chega ao fim da primeira volta. Nem do campeão da primeira volta!


Este ano os treinadores resistiram bem ao Natal. Mas tudo tem uma explicação.


No Sporting, apesar da crise crónica, o Paulo Sérgio lá se foi aguentando. Dificilmente poderia ser de outra forma: já tinham pago ao Guimarães para o trazer; voltar a pagar para o mandar passar o Natal a casa era despesa a mais. Mas não foi por isso que deixaram de assinalar esta quadra: se no ano passado fora assinalada com a chegada de um novo treinador (o hoje comentador televisivo Carlos Carvalhal) este ano, na impossibilidade de repetir a cena, chega um director geral. É tudo em grande. Não fazem a coisa por menos: um director geral – José Peyroteu Couceiro – para cima de um director desportivo!


Não há Natal sem Jesus. E sem Jesus não há salvação, quem o diz é Pinto da Costa. Por isso no Benfica o treinador teria sempre de chegar ao Natal, por muito que as coisas estivessem complicadas. Como estiveram… Quem não chegou ao Natal foi a águia, a Vitória. Que é bem pior que perder um treinador, mesmo que se chame Jesus. Treinador é fácil de substituir, há logo mais de 100 a apertar o nó da gravata e a esticar o pescoço. É rei morto rei posto! Águias é que não há por aí à mão…E aqui que ninguém nos ouve, com a qualidade do futebol apresentado este ano, a melhor parte do espectáculo era mesmo, em grande parte das vezes, o voo da Vitória. Raramente televisionado, o que constituía fortíssimo atractivo à presença na Luz!


O treinador do Porto é normalmente menos vulnerável ao Natal. Quando o é é-o logo em dose dupla. Ou tripla! Para o Porto Natal joga mais com campeão. É mais dado a isso de campeão no Natal!


No FCP é assim: ou é ou não é, não há cá meias tintas. As coisas são tão bem feitas que produzem resultados imediatos. Nem sequer a curto prazo, é logo: tiro e queda! Veja-se bem: esta época à 4ª jornada já estava tudo arrumado. Nove pontos de avanço permitiram-lhe gerir as outras dez jornadas nas calmas – um penalti aqui outro acolá – e chegar ao Natal com oito. Bem dizia o Pinto da Costa que no ano passado se distraíram…


Bom Natal para todos!


 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Manhas, circunstâncias e o resto


 


Com uma arbitragem manhosa, e contra um adversário manhoso, em que cada jogador tem a sua manha, a disputa desta Supertaça não era tarefa fácil para este Benfica.


Aos manhosos que já tinha, o Porto acrescentou este ano um manhoso especialista na manha penaltis. São uns atrás dos outros, já nem têm conta. As arbitragens manhosas fazem o resto. Na realidade nem é preciso que o Taremi aprofunde muitos os seus talentos na arte de enganar os árbitros. Eles gostam. Hoje nem precisou de procurar no baú a mais requintada das suas habilidades. Se já foram marcados penaltis por Marega chutar contra as pernas do adversário, porque é que não haveria de de ser marcado por atirar a perna para cima do guarda-redes?


Nas leis do jogo, penalti é quando o guarda-redes se atira para cima do adversário. Nas leis da manha basta que o avançado se atire para cima do guarda-redes. Nos foras de jogo também não há nada que a manha não resolva. Arranjam-se sempre as linhas manhosas.


Foi isto a primeira parte. Pouco futebol e muita manha. Daí um manhoso 1-0 ao intervalo, a condicionar decisivamente o resto do jogo.


A segunda parte teve menos manha e mais jogo. A começar logo no arranque pela falta de manha de Darwin, que  surgiu isolado frente a Marchesin e saltou por cima do guarda redes, e da perna que ele levantou bem alto, para evitar o contacto. Manha que já não faltou ao Corona - o tal que, por falar em manhas, estava em dúvida para o jogo, como o Octávio - quando despachou a bola a toda a pressa depois de a ter ajeitado com o braço dentro da área, na sequência da cobrança do livre de Grimaldo que levou a bola aos ferros. Nem ao árbitro Hugo Miguel, que não viu. Nem tinha visto que a falta de Sérgio Oliveira, de que resultou esse livre, teria que ter dado o segundo amarelo.


Depois das manhas, uma espécie de ambiente geral, há as circunstâncias próprias do jogo. O lance do penalti manhoso sucedeu a uma transição rápida do Rafa que, em vez de escolher entre por pelo menos duas opções de passe que tinha, optou por seguir sozinho com a bola até a perder, à entrada da área portista. E o lance do segundo golo, já no fim do jogo, resultou de mais um passe falhado de Taarabt, com a equipa toda lançada para o ataque, à procura do empate.


Depois do ambiente, e das circunstâncias, há o que resta do jogo. O que foi jogado. E aí viu-se sempre um Porto mais forte, mais trabalhado, a jogar mais e muito mais competitivo. E viu-se um Benfica que nem aquele seu futebolzinho foi capaz de ensaiar. Que nunca conseguiu fazer três passes seguidos, e que se limitou a chutar a bola para a frente, à espera que o Darwin a agarrasse. Que em todo o jogo construiu e finalizou uma única jogada, concluída pelo Grimaldo, com uma grande defesa de Marchesin, logo a seguir ao penalti do golo de Porto. E que, para além dessa oportunidade de golo, apenas criou perigo nos dois livres do lateral esquerdo espanhol, o tal da bola nos ferros e, antes, no outro bem defendido pelo guarda redes portista.


Muito pouco. Tão pouco quanto é o pouco que vai valendo este Benfica de Jorge Jesus e Vieira. 


O Porto fez muito mais? Não. Mas nem precisou para ganhar claramente o jogo, arrecadar mais um troféu, e ferir o Benfica mais uma vez. Vamos ver com consequências para o resto da época, e para os próximos confrontos. Pela experiência, não serão difíceis de adivinhar!


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Confesso que assisti a poucos debates entre os candidatos às presidenciais. Nunca me senti decididamente motivado para isso. Nem suficientemente entusiasmado ao ponto de alterar o que quer que fosse das minhas rotinas para não perder pitada.


Parece-me que não estarei sozinho. Pelo menos estou acompanhado pelo novo candidato José Pinto Coelho: chegou hoje – precisamente um mês antes das eleições, o que mostra que nunca é tarde para apresentar uma candidatura – e diz que não perde nada por ter chegado atrasado aos debates: porque ninguém lhes liga nenhuma. Os próprios comentadores televisivos também lhes apontam falta de audiências e são unânimes a reconhecer que estão a passar ao lado dos portugueses.


Mas tenho-os acompanhado. À distância, mas sem os perder de vista: dou uma espreitadela aos debates (debates sobre os debates, mas é assim mesmo), leio o que se escreve e, claro, não perco o campeonato dos debates – quem ganha e quem perde! Um campeonato, pelo menos o que passa na televisão, também viciado, onde os árbitros são tudo menos imparciais.


Para não fugir à regra também não vi o de hoje: entre Cavaco Silva e Defensor de Moura. Mas vi o pós-debate, aquela coisa que parece copiada do futebol, do flash interview!


E, nesse flash interview, vi um Cavaco Silva extraordinariamente nervoso, a dizer coisas com pouco sentido. Percebi logo que alguma coisa tinha corrido mal. Ou talvez não, afinal o presidente candidato tem dito coisas com pouco sentido. Com pouco sentido entre si e com pouco a ver com a realidade: com o que fez, com o que não fez e com o que diz. Por exemplo, ainda hoje se soube que afinal o candidato que diz que nem vai ter outdoors para poupar nos gastos da campanha é o que, com grande diferença para o segundo (Manuel Alegre), mais dinheiro gasta.


Mas o que é poderia ter enervado tanto um Cavaco com sondagens cada vez mais favoráveis e nitidamente trazido ao colo pelos media?


Ah! Afinal foi o Defensor de Moura – que se candidatou para se pôr em bicos de pés (Cavaco dixit) – que se pôs a falar do BPN: dos amigos e das acções. Pois! Foi isso que enervou o candidato – que não é político, recorde-se – que qualquer um só consegue igualar em honestidade depois de nascer duas vezes!


É por essas e por outras que não tenho dúvidas em afirmar que, apesar de só hoje chegar a terreiro, e lá bem longe, no meio do Atlântico, o madeirense José Pinto Coelho foi o único candidato a dizer alguma coisa de jeito. Começou por dizer que, depois de 48 anos de fascismo salazarista e de 35 de fascismo jardinista, era tempo de os madeirenses terem direito à democracia. E depois comparou-se ao Andorinhas de Cristiano Ronaldo. Sabe que vai defrontar os grandes e perder por 10 ou 20 a zero, mas vai enfrentá-los. Assim é que é!

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Ironias


 


É irónico que nesta altura seja uma nova estirpe do covid, acabadinha de chegar, a dar-nos uma imagem do Brexit. Sem acordo, agora mesmo a esfumar-se, depois de queimados todos os prazos, incluindo os que já estavam fora de prazo


Irónico não será que Marcelo Rebelo de Sousa, depois de passar todo o mandato a fazer-se à fotografia e ao voto para a reeleição, agora venha dizer que não há mensagem de Natal do Presidente da República porque poderia ser interpretada como campanha eleitoral. É outra coisa qualquer, menos ironia.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Acerta sempre!

SIC Notícias | Medidas para o Natal são "contraditórias" e "arriscadas" ,  diz Marques Mendes


 


Marques Mendes ganha bom dinheiro a fazer-nos crer que passeia por todos os corredores, que tem as melhores informações, que os seus informadores são a própria fonte da informação, e que se pode deitar a avinhar tudo.


Acerta sempre. É como aquele velho médico, no tempo em que não havia ecografia, que acertava sempre no sexo dos bebés das grávidas que o consultavam.


- "É um menino. Registo já aqui na agenda".


E escrevia menina. Se fosse um menino ninguém lhe perguntava por contas, e tinha acertado, Se fosse menina era tudo confusão na cabeça daquela mãe, porque ele até tinha escrito...


- "Lembras-te que eu escrevi. É tudo confusão tua, olha e vê bem o que aqui está escrito".


Ontem avançou que [Pedro Passos Coelho] "mais ano, menos ano vai fazer o regresso à vida política activa" ... Não sabe bem é se será para chefiar um governo ou para a Presidência da República.


No espaço de uma semana tivemos a reaparição de Durão Barroso, Santana Lopes, Cavaco e... Passos Coelho. É gente a mais para tão curto espaço de tempo.


O homem da Goldman Sachs já não tem ilusões. Aparece porque gosta de aparecer e porque isso lhe dá importância. Estará provavelmente cheio de massa, mas não tem capital político. Poderia até dizer-se que está politicamente falido.


Santana Lopes também não tem um chavo de capital político, as sua ilusões é que parecem um gato, com 7 vidas. Mas mais moderadas, basta-lhe uma Câmara Municipal, pequena que seja. E para isso basta-lhe aparecer a correr para os braços de Rio.


Cavaco precisa de fazer prova de vida de tempos a tempos. E é hoje uma múmia política.


Sobra Pedro Passos Coelho. E sobram os aplausos e as saudações que vieram de todo o lado direito do sistema. Tudo isso depois de André Ventura, o homem providencial, ter anunciado que com Passos é que era...


Está a nascer um bebé. E, convenhamos, Marques Mendes desta vez não quis deitar-se a avinhar se é menino ou menina. Quis dar o também o seu empurrãozinho ao carrinho.

domingo, 20 de dezembro de 2020

A segunda equipa que melhor joga

Benfica vence Gil Vicente em Barcelos por 2-0 e chega ao Natal no segundo  lugar da Liga a dois pontos do Sporting – Observador


"A segunda melhor equipa a jogar futebol em Portugal" continua com dificuldades. Ganhou, voltou a ganhar, e até não sofreu golos, o que é uma raridade. E por isso continua a ser segunda melhor nesse ranking de qualidade desse jogo jogado de que não percebemos nada.


Dizer que esta deslocação a Barcelos representava mais uma tarefa difícil para esta equipa do Benfica não é sequer um lugar comum. Difíceis têm sido todos os jogos, onde quer que se disputem, e contra qualquer adversário. Todos os adversários sabem que o segundo melhor futebol nacional é aquilo, e sabem como contrariá-lo. O Gil Vicente não era diferente, mais a mais com um treinador que até já tinha jogado com o Benfica, ainda que no tempo em tudo era um pouco novidade.


A primeira parte foi, pois, mais do mesmo. Aquele futebol repetitivo, feito de passes - falhados, muitas vezes - para o lado e para trás, sempre a afunilar, e a esbarrar nas defesas adversárias, sempre a parecer que têm mais jogadores em campo. Com os jogadores do Benfica a regredirem, em vez de progredirem, à medida que o tempo passa, como por exemplo Darwin. Que já não tem nada a ver com aquele jogador excitante que há dois meses rompia, corria, assistia e marcava. Hoje não tomou uma decisão acertada - finalizava quando era para assistir, e assistia quando era para finaliza. Sempre mal, fosse a assistir, fosse a finalizar. E assim se esfumaram as (poucas) oportunidades de golo criadas, sem que causasse grande surpresa que a mais clara situação de golo tenha pertencido ao Gil Vicente.


Só não fica assim contada a história da primeira parte porque, mesmo em cima do minuto 45, aconteceu a expulsão de um dos defesas da equipa de Barcelos, num segundo amarelo que chegou com uns minutos atrasado. Uns minutos e um penalti atrasado.


Cedo na segunda parte se percebeu que nem a superioridade numérica ajudava grande coisa. E foi o Gil Vicente a criar as mais iminentes ocasiões de golo. Aos pares, quer dizer, na ressaca de cada uma surgiu uma nova.


Depois do primeiro par (grande defesa de Vlachodimos, e remate à barra, no canto), logo a seguir, o Benfica marcou. O remate de cabeça de Everton ia para o guarda redes, mas um defesa gilista imitou o avançado benfiquista e replicou o remate. De cima para baixo, colocando a bola definitivamente fora da rota do seu guarda-redes. Estava-se no fim do primeiro quarto de hora, e no melhor período do Gil, que logo a seguir teve novo par de oportunidades para marcar, mas foi o Benfica a voltar a chegar ao golo, pela segunda vez em seis minutos. Este todo de Everton, depois de uma boa jogada, com a bola a chegar à linha final, como tinha sucedido no primeiro golo, e como raramente sucedeu no jogo.


E aí sim. O Gil ficou derrotado, a superioridade numérica ficou então a notar-se, e o Benfica pôde finalmente controlar e dominar o jogo. Então sim, com aquele futebol de passe para trás e para o lado a fazer algum sentido.


Não vão lá muito bem as equipas do melhor futebol em Portugal. A melhor, ontem, só com uma grande ajuda da arbitragem ganhou o seu jogo. À terceira melhor bastava-lhe uma, mas teve duas.


Isto vai bonito, vai...

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Partiu o último de uma geração ímpar no jornalismo português, do jornalismo desportivo e de A Bola: Aurélio Márcio deixou-nos, aos 91 anos!


Com Vítor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Alfredo Farinha e Homero Serpa constituiu a geração que se seguiu aos fundadores de A Bola. A geração que deu asas à criação de Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis e Afonso de Melo e que lhe acrescentou a qualidade que fez de A Bola uma referência prestigiada da História do jornalismo nacional.


Uma geração de jornalistas que soube, como poucos, cuidar da pátria de Pessoa. Com quem também uma geração de portugueses aprendeu a ler e a escrever. E a gostar de futebol... E de tantas outras coisas!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Uma prenda de Natal*

Sinais positivos na procura de vacina contra a Covid-19 | Internacional –  Alemanha, Europa, África | DW | 16.07.2020


A pandemia está, em Portugal, na Europa e no mundo, a atingir os seus números mais impressionantes, em níveis incomparavelmente superiores aos da primeira vaga. Esta dinâmica, e as circunstâncias do Natal e do fim de ano que aí estão, fazem prever números ainda mais devastadores para o início do ano.


É assim por toda a Europa, onde cada vez mais países se fecham em confinamento total, e por todo o mundo. É assim também por cá, onde acaba de ser renovado estado de emergência. Pela sétima vez, e agora para o período de 24 de Dezembro a 7 de Janeiro.


 Sabemos que a carta-branca dada para o Natal se mantém no baralho. Que o governo só puxou do travão de mão para a passagem de ano.


Sabemos que Macron, o presidente francês, está infectado. E que estaria já infectado quando manteve encontros com outros líderes europeus, incluindo o nosso primeiro-ministro. 


É este o cenário com que nos confrontamos. Só não percebe a gravidade quem não consegue perceber nada. Só não vê, quem não quer ver.


Entretanto a vacina está aí. A vacinação já se iniciou no Reino Unido, na semana passada. E, nesta que hoje acaba, nos Estados Unidos. A Agência Europeia do Medicamento prepara-se para autorizar, já na semana que se vai iniciar, a aplicação de uma das vacinas, a da Pfizer. Também em Portugal, e na Europa, a vacinação vai arrancar ainda neste ano, mais cedo do que as melhores previsões de há poucos dias.


Um estudo de opinião publicado esta semana nos jornais indicava que apenas 61% dos portugueses estão dispostos a tomar a vacina, uma percentagem que não abre as melhores expectativas para a criação da imunidade. Outras partes do mundo haverá onde a resistência à vacinação será bem superior, especialmente entre os mais vulneráveis à desinformação e às teorias negacionistas.


Quer isto dizer que, depois da extraordinária rapidez com que a Ciência nos garantiu a vacina, e depois do heroísmo dos milhares de homens e mulheres que se disponibilizaram a testá-la, há na humanidade gente que, recusando vacinar-se, põe em causa todo esse esforço.


Claro que nenhum Estado deve ter o poder de obrigar os seus cidadãos a vacinarem-se. Num Estado de Direito Democrático isso não tem cabimento. Mas compete a cada Estado, é sua obrigação, promover o sentido cívico da vacinação, e desenvolver nas populações a consciência que a vacinação é uma responsabilidade de cidadania.


A duas semanas do início da vacinação, e com 40% da população sem interesse em vacinar-se, era importante que estivesse em preparação uma sólida, e para isso bem segmentada, campanha de mobilização para esta responsabilidade cívica que nos obriga a todos nós. Talvez fosse a melhor prenda para este Natal…  


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Diz-se que a essência da técnica no futebol se encontra no passe e na recepção. Quer dizer, aquelas fintas mirabolantes e aqueles toques malabaristas, que tantas vezes tanto impressionam, são meros acessórios. Secundários, como tudo o que é acessório! O que verdadeiramente conta, o que faz realmente a diferença, é a precisão no passe. O passe para o sítio certo: nem mais, nem menos. Mas também o passe de rotura ou, como agora se gosta de dizer, fracturante: que rompa com a estrutura do adversário, que surpreenda e que desequilibre.


O passe longo, a romper e a desequilibrar, só rompe e só desequilibra se for bem feito. Se houver precisão! Porque, se não houver, é apenas uma maneira simples de perder a bola, pouco se distinguindo de um qualquer charuto. Que, em futebolês, nada tem a ver com o puro, o habano, que faz as minhas delícias, mas apenas com uma das maiores agressões de que a bola é vítima quando, em aflição, o jogador apenas a quer despachar, livrar-se dela sem qualquer sentido e para bem longe!


Depois do passe vem a recepção. Compreende-se bem: de nada vale um passe brilhante se, depois, quando a bola atinge o destinatário, este não lhe der a devida sequência. E a sequência imediata é, evidentemente, a recepção. É preciso saber receber bem a bola, e bem sabemos que receber bem é uma arte!


Mas para jogar futebol não basta a técnica. Não basta ser tecnicamente dotado para ser competente. É necessária, como em tudo, inteligência.


É verdade! Quem diria? O jogador de futebol tem que ser inteligente… Há inteligência de passe, evidentemente! Há inteligência na deslocação, no movimento para ir receber o passe. Na desmarcação, como se diz em futebolês! E há inteligência na recepção, que mais não é que definir a melhor sequência a dar à bola: um novo passe, um drible ou um remate.


É isto a recepção orientada: receber a bola sabendo já o que vai fazer com ela e, dessa forma, orientar todo o movimento para o passo seguinte.


É aqui que encontro um dos maiores encantos do jogo. Porque, sendo o futebol um jogo de dinâmica colectiva, saber antecipadamente o que fazer da bola implica saber o que vai fazer o colega que em cada momento a tem em seu poder. E o que vai fazer o outro, o próximo.


É pensamento estratégico no seu melhor. Que requer muita competência, a melhor combinação de trabalho e inteligência.


Perdoem-me a insistência, mas é isto que encontramos no actual Barcelona: não só a mais fantástica máquina de produzir um futebol fantástico, mas também uma das mais fabulosas marcas da actualidade, gerida com grande competência.


Estive lá no passado fim-de-semana, precisamente quando ficamos a saber que os exóticos organizadores do Mundial de 2022 irão pagar 170 milhões de euros para ocupar aquele espaço das camisolas que um dia, numa das mais inteligentes decisões estratégicas, foi entregue gratuitamente à Unicef. E assisti a um espectáculo bem diferente daqueles a que estou habituado a ver por cá. E não me refiro – claro – ao espectáculo de futebol propriamente dito: esse não é passível de qualquer tipo de comparação. Refiro-me a um estádio cheio que nem um ovo. Sem claques! Com muitas mulheres e crianças: um espelho de uma nova realidade de famílias mono parentais. Com muitas mães a vibrar com os seus filhos com os espectáculos de Camp Nou. Refiro-me a um ambiente único onde mais de cem mil se limitam a aplaudir os artistas: como na ópera. Ou no ténis! Não há gritos, nem berros, nem protestos. Apenas palmas que passam para o relvado a premiar cada lance, entrecortadas de quando em vez por um espaçado e uníssono Baaaaarça!   


E, no fim, aquela multidão feliz e deleitada inunda toda uma comunidade disposta a partir para uma nova semana de trabalho com a confiança e o optimismo de quem vive nos píncaros da auto-estima. Que chuta para bem longe a depressão colectiva que as nuvens carregadas da crise teimam em arrastar!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Valham-nos os penaltis

Benfica vence Guimarães nos penáltis e está na 'final four' da Taça da Liga  - Desporto - SAPO 24


Valeram-nos os penaltis. O penalti meio caído do céu, mas inequívoco, que deu o empate. E os quatro, em quatro, todos magistralmente convertidos (contra apenas um, em três) que resolveram depois o desempate. Não fora isso e, pelo segundo ano consecutivo, seria o Guimarães, e não o Benfica a marcar presença na final a quatro, no próximo mês, em Leiria.


Valeram os penaltis, porque, no resto, está tudo igual neste futebol do Benfica de Jorge Jesus. Na última das suas tiradas tinha dito que "tanto fazia que defendessem com cinco, como com seis, como com quantos quisessem" quando, na realidade, tanto faz que os adversários joguem com um avançado, com dois ou sem nenhum. Marcam sempre, nem precisam de atacar. Basta-lhes passarem uma vez da linha do meio campo para facilmente colocarem quatro ou cinco jogadores para fazer golo.


Repetiu-se hoje mas uma vez. Na primeira vez que o Vitória passou do meio campo, foram cinco jogadores contra apenas dois do Benfica, e no primeiro remate fez o golo.


Depois foi o costume. O mesmo futebol lento e previsível, com os jogadores a falharem passes uns atrás dos outros, a baterem numa muralha defensiva onde havia sempre três jogadores vimaranenses para um do Benfica.


Porque eles jogavam com mais, e não apenas com os 11 permitidos?


Não, embora parecesse. Apenas porque aquele futebol estereotipado, lento, sem criatividade, e com sucessiva repetição dos mesmos processos, permitia aos adversários estar sempre em maioria onde quer que a bola estivesse.


É verdade que o Benfica, pelo que fez na segunda parte, depois das substituições (João Ferreira? O que é isso mister?) fez por merecer o apuramento. Criou oportunidades de golo suficientes para ganhar claramente o jogo, e esta equipa de Guimarães é fraquinha, é mesmo das mais fracas dos últimos anos.


Mas é assim que vai este futebol do Benfica. E disto não passa!

Presidenciais em movimento

Presidenciais 2021 - Entrevistas Episódio 2 - de 15 Dez 2020 - RTP Play -  RTP


 


Aí estão as primeiras sondagens a sério para as eleições presidenciais, daqui a pouco mais de um mês. Sem surpresas, não há um único resultado que não esteja alinhado com aquilo que é a sensibilidade comum.


Os 68% de intenções voto em Marcelo estão dentro das expectativas, provavelmente no seu limite superior. A dúvida será se ainda tem margem de progressão para se chegar ao resultado canhão de Mário Soares em 1991. Não me parece que tenha, como disse parece-me que este resultado estará já no limite superior daquilo que é expectável.


Os 5% de Marisa Matias e de João Ferreira também não surpreendem. Não que os candidatos não possam valer mais - e João Ferreira, o mais bem preparado a seguir ao Presidente recandidato, vale claramente mais - mas porque esta ideia de candidaturas meramente partidárias é chão que já deu uvas. O eleitorado é cada mais volátil, e não aprecia que os partidos se envolvam desta forma numas eleições que são unipessoais. Não surpreendem ainda porque os de João Ferreira não andam assim tão longe do actual potencial eleitoral do PCP. E os de Marisa Matias são provavelmente o mais fiel barómetro da volatilidade do eleitorado do Bloco de Esquerda. O Bloco tanto pode valer 10 a 12% numa conjuntura favorável, em que tudo corra bem e seja bem feito, como metade em circunstâncias contrárias. Como é claramente a conjuntura política actual, e como é o caso da incompreensível repetição da candidatura de Marisa Matias, um déjà vu que não tem nada de novo para acrescentar.


Resta assim a disputa pelo segundo lugar, para já de Ana Gomes, com 13% das intenções de voto, com com o aliciante de saber se, a confirmar-se a 24 de Janeiro, André Ventura, agora apenas com 8%, vai cumprir a promessa de se demitir da liderança do Chega. Desconfiamos que não, que ensaiará mais uma manobra de diversão para não cumprir coisa nenhuma dizendo que tudo cumpre, mas será sempre mais bonito ficarmos com certezas do que com desconfianças.


Perante este cenário dir-se-ia que a esquerda se deveria unir à volta da candidata Ana Gomes (se outras razões não houvesse até para desmascarar Andé Ventura), e que o PCP e o Bloco deveriam abdicar das suas candidaturas. Não creio que haja grandes condições para isso. A figura de Ana Gomes, o seu populismo, o seu discurso, e a sua imagem pouco institucional, por uma lado, e a forma desastrada como está a conduzir a campanha, por outro, tornam muito difícil a marcha-atrás dos dois partidos. 


E simplesmente desmascarar André Ventura, o único que sai sempre a ganhar desta campanha, não constituirá motivação suficiente. Já o medo do resultado de Marisa Matias poderá levar o Bloco de Esquerda  a dar esse passo sozinho. Também porque, dos dois, será o que menos anti-corpos encontra em Ana Gomes.


 


 

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Biden - 46º Presidente dos EUA

Presidente eleito Biden pede ″plano robusto″ para recuperar economia  norte-americana - DV


 


Só agora, com os 302 votos dos delegados do Colégio Eleitoral - a que faltam ainda os quatro do Havai, ainda por depositar mas igualmente a favor da candidatura democrata - está verdadeiramente confirmada a eleição de Byden como 46º Presidente dos Estados Unidos da América. 


Nas contas finais Biden ficou com 306 votos, Trump com 232, e tudo ficou finalmente arrumado. Chegou a temer-se que não fosse assim. As movimentações de rua dos activistas de Trump dos últimos dias, insistindo na sucessivamente derrotada tese das eleições fraudulentas, poderiam fazer supor tentativas desesperadas de impedir a normalização democrática, e a paz. 


Pode agora dizer-se que Trump foi derrotado. O trumpismo, é que não. Continua aí. Por todo o lado e por muito tempo...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Caneladas debaixo da mesa


 


Uma coisa é eu achar que, na sequência do assassinato vergonhoso daquele cidadão ucraniano às mãos de uns torcionários do SEF,  Eduardo Cabrita há muito que deveria estar fora do governo. Em boa verdade nunca lá deveria ter entrado, nem ele nem mais uns tantos, como por exemplo o Sr Augusto Santos Silva. Outra coisa é o Presidente da República achar o mesmo.


É que, eu, digo o que acho e ... nada. Não tem problema nenhum. Marcelo, não. Não diz nada mas desata às caneladas por baixo da mesa. Ontem fê-lo sem grande descrição e nenhuma reserva. Primeiro mandou recado pelo Marques Mendes, e depois meteu mesmo ao barulho, e com estrondo, o Director Nacional da PSP. Que, ou não está bom da cabeça. ou foi incumbido pelo Presidente de acabar com o SEF e incluir as suas estruturas na PSP. Deu até as boas-vindas ao pessoal, garantindo-lhes que seriam bem acolhidos e tratados...


Ouvimo-lo todos. E, mesmo com algumas dificuldades no português, percebemos bem que aquilo não era nenhuma opinião pessoal. Era ele a levar a sério, como não poderia deixar de levar, uma ordem do Presidente. Que tinha por objectivo queimar o ministro e chamuscar seriamente o chefe do governo, a quem "inúmeras vezes" terá falado do assunto.


Bem pode agora o ministro espernear ... A António Costa só lhe faltava mais esta. Mas pôs-se a jeito, e quase dá para, como antigamente, dizer que só se perdem as que caírem no chão.


 


 

domingo, 13 de dezembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


O Presidente Cavaco Silva voltou a promulgar uma lei vergonhosa – a lei do financiamento partidário – que, curiosamente e num momento como o actual, é o esplendor do regime no seu pior: esta partidocracia que federa os interesses asfixiantes do centrão, justamente o maior responsável pelo estado do país.


Choca-me que o Presidente tenha promulgado, ao contrário do que obviamente devia, uma lei inaceitável e inoportuna. Talvez não lhe tenham sido apresentadas muitas outras, tão inoportunas e tão inaceitáveis, em que o dever de veto fosse tão óbvio, e onde o país pudesse perceber para que serve de facto o Presidente. Mas o que eu não consigo mesmo perceber, nem sequer aceitar, é que, mais uma vez, ele venha dizer que promulgou mas não concorda.


Já assim fizera com a chamada lei do casamento gay. Tacticismo puro, disse-se então. A tão portuguesa esperteza de matar dois coelhos com uma paulada: não afrontaria o loby gay e a esquerda em geral e, expressando o dito sentimento da sua consciência, passaria a mão pelo pêlo ao seu eleitorado natural.


Discordo em absoluto desta tese. Para mim não mata dois coelhos nenhuns: deixa-os fugir a ambos! Por mim não permitiria sequer que a mão se aproximasse do meu pêlo. Para mim isso é uma grande falta de respeito pelo eleitorado. Para além de evidente traição, Cavaco menospreza o seu eleitorado, passando-lhe um autêntico atestado de menoridade. Porque a mensagem é esta: o voto deles está seguro. “Faça eu o que fizer eles lá estão, sempre caninamente fiéis”!


Agora voltou a fazê-lo. Só que desta vez no tabuleiro colocou outras peças. São outros interesses! Mas a mesma estratégia: promulga e não afronta os seus interesses e os dos partidos em que se apoia (sim, apoia-se também no PS e, no fim de contas, quem é que o PS no fundo apoia?), mas diz que discorda para que, mesmo na pele do mais antigo de todos os políticos no poder – está na actividade política há mais de 30 anos –, possa continuar a dizer que não é político profissional e, com toda a candura, que está acima dos partidos. Para o eleitorado não concorda com a lei. Para as máquinas partidárias concorda, aplaude e promulga. Que é afinal o que realmente conta!


Podem achar que não, mas eu acho que há aqui um problema qualquer. E antigo… E é de carácter! Que joga com outro, também bem antigo: a curtíssima memória dos portugueses!

Goleada, mas ...

Benfica goleia Vilafranquense e segue na Taça de Portugal: veja o resumo -  O Jogo


 


O Benfica apurou-se com naturalidade para os oitavos de final da Taça de Portugal, ao vencer, na Luz, o Vilafranquense, de João Tralhão, por 5-0. 


Uma vitória folgada num jogo fácil, e com alguma história. Ou histórias. A começar na história dos cinco golos, todos muito bonitos, especialmente bonito o último. Que foi o primeiro de Pedrinho - um grande golo. Já o primeiro tinha também sido o primeiro de Gonçalo Ramos.


No espaço de quatro minutos, os que antecederam o primeiro quarto de hora de jogo, o Benfica marcou três golos. Que têm história comum na particularidade de terem resultado de jogadas que não fazem normalmente parte do cardápio de Jorge Jesus. E que tanta falta fazem ao pobre e estereotipado futebol que a equipa tem apresentado.


Refiro-me ao jogo vertical e ao cruzamento a partir da ala, dois dos instrumentos para abrir defesas. Os três primeiros golos, nesse espaço de quatro minutos, e ainda um remate à barra do Gonçalo Ramos, resultaram desse futebol, e surpreenderam o Vilafranquense. Que estava à espera daquele jogo interior invariavelmente afunilado para o centro da área. E não teve de esperar muito, porque depois desses excepcionais quatro minutos, ele apareceu. Com os resultados que se conhecem, e que se voltaram a ver. O azar da equipa da Segunda Liga é que já perdia por três. E ainda por cima, logo de enfiada.


Na primeira parte o Benfica ainda disfarçou esse futebol estereotipado, ineficaz e que diria mesmo que já não se usa. Marcou mais um golo, no bis de Seferovic, e deu um tom agradável à exibição, pesem embora as debilidades do adversário. Na segunda parte, e em cima do quatro a zero, voltou o tal futebol. E talvez não surpreenda que só deu para mais um golo, por acaso resultante da inspiração individual do Pedrinho naquele momento.


E poderia ter voltado a sofrer golos, porque a transição defensiva, mesmo com um adversário deste nível, voltou a ser aquilo que tem sido. Só não aconteceram porque, por duas vezes, a bola bateu nos ferros, e não nas redes. Mesmo que da primeira vez, na barra, tenha resultado da conversão ilegal de um livre indirecto dentro da área (mais um erro de Otamendi, a deixar seguir a bola, e do guarda-redes Helton a agarrá-la com a mão, que vinha de um atraso do Nuno Tavares), que foi executado como livre directo, dado que a bola não rolou, foi apenas pisada. A segunda resultou de um contra-ataque, e teria sido até mais um excelente golo no jogo.


O cinco a zero não é enganador face à realidade do jogo. Mas, pelo adversário, e pela insistência nas mesmas debilidades, não justifica qualquer optimismo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Pânico sem botão*


Há nove meses, ao entrar no nosso país, um cidadão ucraniano foi selvaticamente assassinado nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) do aeroporto de Lisboa, oficialmente designado de Centro de Instalação Temporária do Aeroporto de Lisboa.


Segundo o despacho de acusação, depois de algemado, o homem foi violentamente agredido a pontapé, a murro e à bastonada, até à morte. Escondida por todos os envolvidos, e por todos os que os envolvidos envolveram, a ponto de ter chegado ao Ministério Público como causada por doença súbita.


Aos poucos, foram-se conhecendo as circunstâncias deste crime de Estado próprio das mais sanguinárias ditaduras, sempre escondido pelas autoridades portuguesas. A julgamento em Tribunal chegam apenas três arguidos, acusados directos dos actos do sinistro assassínio que cobre de vergonha Portugal e os portugueses, colocados ao nível da mais repugnante barbárie. A viúva diz apenas que sente ódio sempre que vê o nome de Portugal!


As altas estruturas do SEF e da sua tutela no governo, que tudo fizeram por esconder tão inqualificável violação dos direitos humanos, passam ao lado de qualquer responsabilização. Soube-se apenas agora da demissão da directora geral do SEF, uma demissão premiada com um alto e bem remunerado cargo na estrutura diplomática do país em Londres. E soube-se igualmente agora que o governo vai promover uma restruturação daquela polícia com vista a separar as funções policiais das administrativas colocando, para isso, na sua chefia mais um boy que lá estava à mão. E mandando instalar um botão de pânico.


Que ficará mesmo à mão de qualquer outro cidadão amarrado de pés e mãos que tenha a infeliz sorte daquele imigrante ucraniano. Um botão que não serve ao ministro Eduardo Cabrita, em pânico para se segurar num lugar que por dever de consciência já deveria ter abandonado. Se a tiver, o que de todo não parece!


* Da minha crónica de hoje na Cister Fm


 


 

Paolo Rossi (1956-2020)

Carrasco do Brasil em 1982, Paolo Rossi morre aos 64 anos


 


Quando em 1986 Maradona ganhou sozinho o Campeonato do Mundo para a Argentina, já quatro anos antes Paolo Rossi, noutro estilo e noutra dimensão, tinha feito o mesmo - ganhara sozinho, em Espanha, o Campeonato do Mundo para a Itália.


Bastou-lhe, para isso, marcar seis golos. Três deles, no mais espectacular hat-trick da História dos mundiais de futebol, eliminou o Brasil (3-2) nos quartos de final a mais fantástica equipa da História do futebol. Dois logo a seguir, meias-finais, no 2-0 à Polónia. E um na final, no 3-1 à Alemanha. Só aí não foi o único responsável pelo resultado.


Foi um extraordinário jogador de futebol. Bola de ouro, em 1982, naturalmente... Controverso, a ponto de ter estado suspenso nos dois anos anteriores, devido a envolvimento em esquemas de apostas. Mas ficará para sempre conhecido como o carrasco da melhor equipa de futebol de sempre.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


circulação, em futebolês, nada tem a ver com ruas, estradas ou auto-estradas. Ou com peões, motas e carros. Ou com engarrafamentos. Refere-se à bola e à forma como ela evolui no tapete verde ao sabor dos movimentos dos jogadores.


Fazer circulação quer apenas dizer que uma equipa consegue fazer passar bola sucessivamente pelos seus jogadores. Aos adversários apenas é dada a cheirar!


Nesse sentido tem alguma coisa a ver com posse, outra das expressões do futebolês.


Uma equipa que privilegie a posse, como se diz, faz circulação. Quer dizer: desenvolve o seu processo de construção a partir de uma filosofia de posse e circulação, ao contrário de uma equipa que assente o seu jogo no passe longo ou no contra ataque a partir de transições rápidas (100% futebolês)!


Evidentemente que o actual expoente máximo da circulação de bola é o Barcelona, seguido pelo Arsenal. Fazem as delícias do espectador e, atrevo-me a dizê-lo, da própria bola. Que se delicia com a forma como é tratada por gente daquela categoria: Messi, Xavi, Iniesta, Nasri, Fabregas ou Van Persie são de um cavalheirismo ímpar no tratamento da bola. Fazem-na feliz!


Não faz circulação quem quer. Fá-la quem tiver, na quantidade necessária, jogadores de enormíssima qualidade para o fazer. Como são, entre outros, aqueles três primeiros – todos às ordens do mestre Pepe Guardiola – que esgotam a short list de onde sairá o melhor do mundo a anunciar daqui a poucas semanas, no início do ano.


Como também se consegue perceber, dispor de um conjunto de jogadores de altíssima categoria, sendo condição necessária não é, no entanto, suficiente: falta o mentor da filosofia de jogo, o treinador. Se não pertencer à escola que faz da circulação uma ideia de jogo, não conseguirá construir uma equipa capaz de fazer da posse e da circulação da bola um espectáculo ímpar como é um jogo de futebol. De ataque e de golos!


Essa é a escola que, com pequenas variantes, encontramos em Barcelona e em Londres e que se exibem para o mundo a partir do Nou Camp e do Emirates Stadium, sob as batutas de Guardiola e de Wenger! E que há 40 anos nasceu em Amsterdão!


Que a selecção espanhola, campeã da Europa e do Mundo, importou da Catalunha. Como a holandesa de há trinta e muitos anos, a laranja mecânica do então futebol total de Rinus Michels, importou do Ajax de Amsterdão.


Em Portugal a circulação parece que não é a mesma coisa. Não encontramos exemplos desta nobre dimensão do jogo, apesar de ainda recentemente a nossa selecção ter engasgado a circulação espanhola, como que a lembrar os engulhos da introdução de portagens nas SCUT. Mas isso foi uma ocorrência. Apesar de saborosa uma mera ocorrência!


Por cá a circulação tem mais a ver com jornais do que com a bola -se calhar não é por acaso que a circulação, no caso a circulação paga, seja utilizada na avaliação de desempenho comercial dos jornais – tem a ver a forma como se põem a circular notícias com objectivos de uma precisão cirúrgica!


Que o Benfica vai mal todos sabemos. O tema tem sido aqui frequentemente abordado ao longo desta época, desde Agosto.


O que se calhar nem todos sabemos é das notícias postas a circular com o objectivo, único e preciso, de aprofundar esse estado depressivo. De carregar bem para baixo!


Agora são as contratações de Janeiro. Nomes e mais nomes, todos os dias!


Com que objectivo? Com dois: destabilizar a equipa e desmobilizar os adeptos, com os inevitáveis falhanços!


A última destas notícias então é fantástica: dava conta que Kleber, jogador do Marítimo por empréstimo do Atlético Mineiro, chegaria ao Benfica já em Janeiro. Toda a gente sabe que a transferência deste jogador para o FC Porto é assunto arrumado desde o Verão passado. Que só não se concretizou na altura por falta do acordo com o Marítimo, circunstância que levou o jogador, em retaliação, a adiar sucessivamente o seu regresso ao Funchal.


circulação desta notícia, cuja origem é bem fácil de identificar – difícil mesmo é perceber a facilidade com que lhe foi dada cobertura –, conseguia juntar um terceiro àqueles dois objectivos: exaltar mais uma banhada do FC Porto nesta guerra das contratações.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Cada vez que abre a boca...

Vídeo: Jorge Jesus - «Hoje qualquer coisa que se diga contra um negro é  racismo» - Visão de Mercado


 


O futebol ficou mais uma vez manchado por mais um episódio racista. Aconteceu no desafio entre o PSG e o Instanbul Basaksehir, e foi protagonizado por um elemento da equipa de arbitragem romena, tendo por alvo o treinador adjunto da equipa turca, o camaronês Pierre Webó.


Decorria o minuto treze de jogo, e os jogadores de ambas as equipa decidiram abandonar o relvado. O acontecimento correu mundo, a UEFA, condenou veementemente o acontecimento e marcou o jogo para esta tarde, com nova equipa de arbitragem. O PSG ganhou por 5-1 e apurou-se para os oitavos de final da Champions, empurrando o Manchester United para fora da competição.


Mas isso é o que menos importa nestas circunstâncias. O jogo de hoje iniciou-se com uma impressionante manifestação contra o racismo das três equipas em campo, e esse foi o tom de toda a gente do futebol mundial durante todo o dia. Com uma excepção - Jorge Jesus. Que, instado a comentar o sucedido na conferência de imprensa do pré-match relativo ao jogo de amanhã, na Bélgica, respondeu com uma série de chocantes alarvidades que me abstenho de reproduzir.


Não acredito que Jorge Jesus seja misógino, que disse nem saber o que é. Acredito que não saiba, e que isso nem conste do seu vocabulário. Talvez não saiba também o que é racismo, e mesmo assim acredito que não seja racista. É simplesmente um ignorante que não se sabe comportar. E burro, porque nunca aprende nada. Como é que lhe poderia ter passado pela cabeça alguma vez treinar uma equipa de um grande clube europeu, e ganhar a Champions?


Infelizmente é com as cores do Benfica no corpo que acontecem as mais graves manifestações da sua ignorância, e que mais expressão dá à sua dimensão troglodita. E não há nada que apague isso!


Acredito que, com um Presidente à altura do Benfica, à saída da conferência de imprensa teria um dedo a apontar-lhe a porta da rua.

Um exemplo de cinismo político

Primeira versão do plano de reestruturação da TAP pronta em dois meses |  TVI24


 


O governo reuniu-se ontem à noite para analisar, e aprovar, o Plano de Reestruturação da TAP, a entregar amanhã em Bruxelas.


O Plano, bom ou mau - não é o que aqui está em causa - foi desenvolvido pela empresa, como se sabe em  modo de gestão interino. É contestado pelos sindicatos - dirão que seria sempre, qualquer que fosse, mas para o efeito é também indiferente -, que dizem não ter sido ouvidos, e que entendem que está erradamente enquadrado. Que a TAP deveria nesta altura estar enquadrada nos apoios que as suas concorrentes estão a receber no quadro da pandemia (recorde-se que a União Europeia impede o acesso a esses apoios a empresas que já tivessem problemas anteriormente ao início da pandemia, mas também que esses problemas são mais iguais para uns que para outros), e que só o não está por prévia opção do governo. E, tanto quanto se sabe, prevê a redução da frota de 105 para 88 aviões, o despedimento de 2.000 trabalhadores, redução da massa salarial em 25%, e mais 1.600 milhões de dinheiros públicos, que acrescem aos 1.200 milhões já injectados neste ano.


O governo fez entretanto saber que o Plano será submetido a aprovação no Parlamento. Lá para Fevereiro... Porque - justificam - não dispondo o governo de maioria absoluta é preciso envolver os partidos com representação parlamentar na aprovação do deste Plano. À primeira vista, aos olhos mais descuidados, pareceria uma posição prudente, sensata, responsável e democrática. 


Não é, no entanto e mais uma vez, muito mais que puro cinismo político. A esquerda, que certamente viabilizaria as injecções de capital, nunca aprovará um Plano que tenha despedimentos, e neste despedem-se 2.000 trabalhadores. E a direita, que facilmente aceitará os despedimentos, reagirá negativamente às necessidades de mais dinheiro do Estado.


Alguém vai ter de engolir sapos. Ou não, e ficar com o ónus da falência da TAP. António Costa e o seu governo é que não têm nada a ver com o que venha a suceder. Lavaram as mãos!


Isto não é alta política. É simplesmente o cinismo da política.


PS: Nada disto tem alguma coisa a ver com a minha posição sobre a situação da TAP, que aqui expressei em diversas ocasiões. Como nesta, por exemplo.


 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

John Lennon

5 músicas de John Lennon mais ouvidas no Spotify | CLAUDIA


 


Passam hoje 40 anos sobre a morte de John Lennon, uma das lendas do século XX. Tantos quanto tinha então de vida.


Na noite de 8 de Dezembro de 1980, pelas 22 e 52, segundo o relatório da polícia, Lennon voltava a casa. Subia os degraus de acesso à porta de entrada quando foi alvejado com cinco tiros, disparados por um fã lunático - Mark Chapman. 


Com a morte de Lennon desapareceu de vez, dez anos depois da dissolução, a esperança sempre adiada de uma reaparição dos Beatles, por uma única ocasião que fosse. 


Ficou a lenda, para a eternidade. Como sempre acontece "àqueles que por obras valerosas se vão da lei da morte libertando"...


 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Sem que o esteja anunciado anuncia-se para o primeiro trimestre do novo ano um novo jornal. Ano novo, jornal novo: um semanário! Promovido, ao que se diz, pelo famoso Rui Pedro Soares, dirigido por Emídio Rangel e pronto a fazer cumprir um velho desígnio do PS, tantas vezes perseguido, outras tantas atingido e outras tantas ainda falido.


Mas assim é que é: quem quer controlar jornais ou fá-los ou compra-os! O Rui Pedro Soares, para não falhar este desígnio, aposta nos dois tabuleiros: quer comprar o SOL, ao que se diz em troca da indemnização que reclama, mas, prevenindo qualquer eventual insucesso nesta pretensão, avança no plano B e vai fazer o seu próprio jornal!


Não tenho dúvidas sobre o sucesso do projecto. Por uma lado um eminente gestor – o boy Rui Pedro – e, por outro, um senhor comunicação que lançou a TSF e a SIC e recuperou a RTP! Uma dupla perfeita e … de sucesso!


Ao primeiro, capacidade empresarial não falta. Como se viu na PT, onde foi o verdadeiro mentor da ambiciosa estratégia de desenvolvimento empresarial a partir da decisiva aposta na indústria de conteúdos de que a TVI era, obviamente (e apenas!!!) o principal pilar. Nem sequer capacidade de gestão, como se viu no Tagus Park. Nem capacidade financeira, depois do curto mas intenso processo de acumulação de capital que a sua passagem pela administração da PT lhe proporcionou – ao que se diz 1,533 milhões em salários em 2009 acrescidos de 1,8 milhões de indemnização pelo abandono prematuro do Conselho de Administração.


Ao segundo, a Emídio Rangel, não lhe falta perfil. Ao profundo conhecimento operacional acumulado em jornais, rádio e televisão, juntou as recentes aptidões de comentador e defensor oficial da situação. É o dois em um do projecto!


Só há um pormenor, um pequeno problema. Não, não é o facto do negócio de jornais ser um quase ilimitado sorvedouro de recursos, porque dinheiro, para estas coisas, nunca será problema: ninguém liga nenhuma ao Eric Cantona. É o mercado! Ou será que, também para estas coisas, nunca haverá crise? Que haverá sempre os mesmos do costume dispostos a assegurar muitas páginas de publicidade?


Afinal os negócios não estão parados. E há apetites insaciáveis!

Natal dos Hospitais...

Natal dos Hospitais – MaisOpinião


António Costa puxou dos óculos da política que tem sempre à mão, olhou com atenção, falou com Marcelo, e decidiu que os portugueses podiam festejar o Natal. Foi avisando, foi fazendo até uns trocadilhos com a partilha própria desta época, mas preferiu ser popular a prudente.


Ou, visto de outra forma, confiar no sentido de responsabildade dos portugueses, tratar-nos como adultos responsáveis, em vez de crianças inconscientes. 


Para nós, é mais fácil apostar na primeira hipótese. Embora mais bonito acreditar na segunda. Para os esgotados profissionais de saúde que vivem no inferno dos hospitais, em guerra com um vírus que continua a trocar-lhes as voltas, que não têm pontes, nem férias, nem a maioria deles Natal, é igual. Sabem que é para eles que sempre acaba por sobrar...


E parece que a RTP também já garantiu que há Natal dos Hospitais...


 


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Segundo o Diário Económico de hoje o primeiro-ministro José Sócrates admite reforma das leis laborais. Entrando na notícia fica a saber-se que “o primeiro-ministro promete revelar em breve pormenores sobre a reforma do mercado de trabalho, uma das recomendações de Bruxelas”.


Ainda há bem poucos dias Sócrates jurava a pés juntos que não havia nada a mexer neste domínio. Que a reforma da legislação laboral já havia sido feita!


Estamos, evidentemente, habituadíssimos a que este primeiro-ministro diga uma coisa e, logo a seguir, o seu contrário. O que por aí não faltam é vídeos e recortes de jornais a ilustrar este mimetismo camaleónico da personagem!


Não é portanto esse o ponto: já não vale a pena bater mais no ceguinho!


É outro… Ou outros! É que não somos nós a decidir o que quer que seja, é que perdemos completamente a soberania. Perdemos a vergonha, perdemos a cara e, claro, perdemos a coluna vertebral.


A Europa – esta actual União Europeia (UE) – é que decide o que temos ou não temos de fazer. E depois comunica-nos as decisões de uma maneira verdadeiramente extraordinária: quando decidiu que a Irlanda teria recorrer ao fundo europeu FMI(zado), e à sua receita associada, diz-nos que a Irlanda decidiu pedir ajuda! Quando chama a Bruxelas o nosso ministro das finanças para lhe dar ordens diz que o governo lhes apresentou um sério programa de reformas. Quando decide, com critérios e bases técnicas insondáveis – ninguém consegue perceber qualquer relação causa/efeito entre esta crise, seja ela nacional, internacional ou lá o que quiserem, e a legislação laboral –, que Portugal tem que liberalizar o despedimento individual (é só isso que, como é evidente, está em causa) faz uma mera recomendação.


E quando recusamos aumentar o salário mínimo em 25 euros mensais – para uns míseros 500 euros –, à revelia de tudo o que há muito estava acordado entre os parceiros sociais e da sua própria vontade, sim mesmo contra a vontade das entidades patronais, e à revelia do mais elementar bom senso, fazemo-lo com medo, sim com medo, da reacção da UE.


Claro que, chegados onde chegamos, todos percebemos que há facturas a pagar. Percebemos que não é em vão que se fazem tantas asneiras como temos feito, ou como temos permitido que fizessem. Percebemos, caídos no desgoverno em que caímos, que temos inevitavelmente de perder soberania. Muitos, nas actuais condições, até o desejam: creio que, entre os portugueses, nunca terão sido tantos os federalistas.


Mas o que não percebemos é que essa perda de soberania seja apenas isso. Sem nada em troca e apenas, mais uma vez e como sempre, um mero exercício de humilhação!


Tão esquisito quanto as coisas esquisitas que de lá vêm…

domingo, 6 de dezembro de 2020

Atestado de incapacidade


 


Esperava-se que este jogo da nona jornada, na Luz pudesse confirmar a retoma exibicional e competitiva do Benfica, mau grado o adversário ser o Paços, de Pepa, o quinto classificado, a fazer uma excelente época e a jogar bom futebol.


Afinal o jogo só confirmou o bom trabalho que Pepa está a fazer em Paços de Ferreira. E, pelo contrário, mostrou que não há retoma nenhuma no Benfica. Que os problemas continuam todos lá, e que, pelos vistos, Jorge Jesus, em vez de os resolver, agrava-os.


É certo que o Benfica ganhou, e que voltou a virar um resultado negativo. Como certo é que o golo do Paços que cedo (24 minutos) o deixou à frente do marcador foi irregular, e deveria ter sido anulado. Pelo árbitro, Rui Costa, ou pelo VAR, o provadamente incompetente Bruno Esteves. É também certo que o Benfica teve duas bolas nos ferros, num remate de Pizi ao poste, no lance anterior ao golo do Paços, e noutro de Darwin, à barra, pouco depois do golo do empate, de Rafa. E que criou sete oportunidades claras de golo, duas delas também a seguir a esse golo.


Mas o Paços também criou quatro oportunidades de golo. E fez mais remates (15, contra 11 do Benfica) e mais remates à baliza - cinco, contra quatro. E, acima de tudo, ganhou quase todos os duelos individuais, ganhou quase todas as segundas bolas. E, no últimos minutos, quando o Benfica só tinha que carregar sobre o adversário e procurar com alma a vitória, foi o Paços que mandou no jogo.


O golo de Luca Waldschmidt, da vitória no último lance do desafio, não resultou da alma e da crença da equipa. Simplesmente caiu do céu, quando ninguém acreditava que aquele jogo pudesse ser ganho.


A partir dos primeiros dez minutos do jogo o Paços controlou o jogo, e passou a jogar de igual para igual, mostrando que basta uma boa organização em campo, ocupar bem os espaços e disputar todas as bolas para engasgar o futebol do Benfica. Tem sido assim, e pelos vistos assim irá continuar a ser, evidenciando os desequilíbrios tácticos da equipa e os do plantel. E das opções de Jorge Jesus.


Hoje, sem Grimaldo, ao que parece lesionado no aquecimento, o Benfica não teve laterais. O Gilberto até fez a assistência para o primeiro golo, e outra em que Seferovic, na cara do guarda-redes, atirou ao lado. Mas foi de uma incompetência atroz no passe e na recepção, a perder bolas consecutivamente linha lateral, ora caricatamente a deixar a bola a passar por baixo dos pés, ora a deixá-la fugir, ora a enviá-la directamente para fora. E o Nuno Tavares foi aflitivo.  Quando passou do meio campo, passava ele, mas a bola não. Vinha para trás.


Sem laterais a ocuparem as faixas, restou jogar pelo meio, e ficou mais fácil para o Paços defender. Falhar passes, como falharam os jogadores do meio campo, ficou mais fácil para o Paços atacar. Foi assim neste jogo, como foi assim noutros. E como continuará a ser, por simples determinismo.


 


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


A Câmara Municipal, o Governo Civil e o Instituto Politécnico, todos de Leiria, aproveitaram a passada sexta-feira, dia 3 – Dia Internacional da Pessoa com Deficiência – para realizar a I Gala da Inclusão: uma iniciativa a todos os títulos meritória para, a partir de Leiria, sensibilizar a sociedade para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência mas igualmente portadoras de múltiplas capacidades e virtudes. E, acima de tudo, credoras de respeito e dos mais variados factores de dignidade.


Foi bonito ver sair de Leiria um exemplo destes, virado para a realidade global da inclusão que, como tudo, começa nas crianças, e passa pelas acessibilidades, e pela educação. E pela formação! Mas que passa por muito mais: passa por nós, passa pela nossa própria sensibilização e pelo combate ao preconceito!


Foi bonito saber que em Leiria, no Instituto Politécnico, há quem se preocupe seriamente com estas coisas. Que há um Centro de Recursos de Inclusão Digital (CRID) que produz um fantástico trabalho em prole da inclusão. E que lançou uma campanha – “mil sorrisos, mil brinquedos” – através da qual uma enorme quantidade de brinquedos convencionais foi convenientemente adaptada à utilização por crianças portadoras de deficiência.


Foi bonito de ver a distribuição destes brinquedos por diferentes delegações de todo o país da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral.


Foi bonito saber que já há em Portugal empresas e organizações que dizem não ao preconceito e que promovem de facto a inclusão, cruzando muitas vezes empreendedorismo e pioneirismo.


E foi bonito de ver, como não podia deixar de ser, o espectáculo transmitido em áudio descrição e interpretado em linguagem gestual. Fiquei a perceber que é possível cantar em linguagem gestual, o que é absolutamente extraordinário. Que nem a surdez impede que se apreciem a música e as canções do David Fonseca!


 


PS: Para que conste, os galardões foram atribuídos ao grupo Impresa (comunicação), à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD (Curso de Engenharia de Reabilitação), grupo Auchan (boas práticas), World Bike Tour (desporto), ZON Lusomundo (acessibilidades) e Alunos da Escola Superior de Tecnologia e Gestão – ESTG do IPL (mérito regional, pela campanha “mil sorrisos, mil brinquedos”).

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...