
Aí estão as primeiras sondagens a sério para as eleições presidenciais, daqui a pouco mais de um mês. Sem surpresas, não há um único resultado que não esteja alinhado com aquilo que é a sensibilidade comum.
Os 68% de intenções voto em Marcelo estão dentro das expectativas, provavelmente no seu limite superior. A dúvida será se ainda tem margem de progressão para se chegar ao resultado canhão de Mário Soares em 1991. Não me parece que tenha, como disse parece-me que este resultado estará já no limite superior daquilo que é expectável.
Os 5% de Marisa Matias e de João Ferreira também não surpreendem. Não que os candidatos não possam valer mais - e João Ferreira, o mais bem preparado a seguir ao Presidente recandidato, vale claramente mais - mas porque esta ideia de candidaturas meramente partidárias é chão que já deu uvas. O eleitorado é cada mais volátil, e não aprecia que os partidos se envolvam desta forma numas eleições que são unipessoais. Não surpreendem ainda porque os de João Ferreira não andam assim tão longe do actual potencial eleitoral do PCP. E os de Marisa Matias são provavelmente o mais fiel barómetro da volatilidade do eleitorado do Bloco de Esquerda. O Bloco tanto pode valer 10 a 12% numa conjuntura favorável, em que tudo corra bem e seja bem feito, como metade em circunstâncias contrárias. Como é claramente a conjuntura política actual, e como é o caso da incompreensível repetição da candidatura de Marisa Matias, um déjà vu que não tem nada de novo para acrescentar.
Resta assim a disputa pelo segundo lugar, para já de Ana Gomes, com 13% das intenções de voto, com com o aliciante de saber se, a confirmar-se a 24 de Janeiro, André Ventura, agora apenas com 8%, vai cumprir a promessa de se demitir da liderança do Chega. Desconfiamos que não, que ensaiará mais uma manobra de diversão para não cumprir coisa nenhuma dizendo que tudo cumpre, mas será sempre mais bonito ficarmos com certezas do que com desconfianças.
Perante este cenário dir-se-ia que a esquerda se deveria unir à volta da candidata Ana Gomes (se outras razões não houvesse até para desmascarar Andé Ventura), e que o PCP e o Bloco deveriam abdicar das suas candidaturas. Não creio que haja grandes condições para isso. A figura de Ana Gomes, o seu populismo, o seu discurso, e a sua imagem pouco institucional, por uma lado, e a forma desastrada como está a conduzir a campanha, por outro, tornam muito difícil a marcha-atrás dos dois partidos.
E simplesmente desmascarar André Ventura, o único que sai sempre a ganhar desta campanha, não constituirá motivação suficiente. Já o medo do resultado de Marisa Matias poderá levar o Bloco de Esquerda a dar esse passo sozinho. Também porque, dos dois, será o que menos anti-corpos encontra em Ana Gomes.
Excelente análise, subscrevo inteiramente.
ResponderEliminarSó um reparo: «André Ventura, agora apenas com 8%» - apenas? Já é demais! Espero que seja o máximo dos máximos. Ou ele já teve mais?
Já, Cristina. Já se encheram primeiras páginas com sondagens que lhe dariam mais de 20%. É por isso que comecei por referir tratar-se das "primeiras sondagens a sério para as eleições presidenciais".Mas tem razão: 8% é demais. E tanto demais quanto vem de 1%, há pouco mais de um ano.
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ResponderEliminarEu acho que se dá muito tempo de antena ao André Ventura.