sábado, 31 de outubro de 2020

Sean Connery (1930-2020)

SEAN CONNERY - RIR É BEM MELHOR!!!


 


Morreu Sean Connery, o melhor James Bond, a melhor pele que foi emprestada ao agente secreto 007 do MI6 britânico, e estrela maior da constelação da sétima arte. 


Morreu Sir Thomas Sean Connery, provavelmente o mais famoso cidadão escocês. Aos 90 anos. "Um rapaz da minha idade" - diria o meu pai. 

Dia mundial da poupança*

Tudo sobre: Dia Mundial da Poupança – Observador


Assinala-se hoje o Dia Mundial da Poupança, sempre transformado numa oportunidade para realçar o papel da poupança na preparação do futuro e, por contraposição, como alerta para os riscos do endividamento.


Poupança e endividamento não são apenas polos opostos de filosofias individuais de vida, são também o paradoxo das economias modernas.


A poupança encontra as suas mais profundas raízes nas velhas sociedades rurais de economia agrícola. As sementeiras fazem-se no Inverno, e as colheitas no Verão. Um período de investimento, na sementeira, e depois, muitos meses depois, o período do rendimento, na colheita. Que teria ser parcimoniosamente gerido para assegurar o necessário para o investimento que garantiria um novo ciclo, e para cumprir com o sustento familiar durante todo um ano. Nascia aí a poupança. 


À medida que as sociedades se iam industrializando, e tornando-se mais urbanas, as pessoas começaram a trocar os campos pelas fábricas, trocando uma “colheita” anual por “colheitas” sucessivas no final de cada semana, ou no final de cada mês. Já não tinham necessidade de poupar. Não tinham de esperar um ano para receber novamente. Podiam gastar, porque no final do mês vinha mais. Haverá outras, mas essa será de resto a principal explicação para que a poupança fosse sempre um conceito mais enraizado nos meios rurais que nos urbanos.


O desenvolvimento económico criou o consumo, que promoveu o negócio financeiro. Para alimentar o desenvolvimento económico já não bastava que as pessoas gastassem tudo o que ganhavam. Era preciso que gastassem mais e mais, sem que se lhes tivesse de pagar mais. E veio o crédito ao consumo, e o endividamento na maior parte das vezes desordenado e suicida.


Até chegarmos à actualidade no paradoxo maior da poupança: poupa mais que menos precisa de poupar. Os que mais precisam de poupar para se precaverem do que está para vir, os de menores rendimentos e de maior incerteza no futuro, simplesmente não o conseguem fazer. Sobra-lhes sempre mês no fim do ordenado.


 


* A minha crónica de ontem na Cister FM

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Símbolos e terrorismo

Ataque a faca deixa 3 mortos em Nice, na França; 1 vítima foi decapitada |  Mundo | G1


 


A França foi de novo vítima de mais um ataque do terrorismo islâmico, agora numa nova onda de ataques solitários a alvos indiscriminados, mas simbólicos.


Este de ontem, na Basílica de Notre-Dame, em Nice - e entre mais duas tentativas, uma em Avignon e outra na própria embaixada francesa na Arábia Saudita -, matando três pessoas, entre as quais uma mulher degolada, é carregado de simbologia. E não é por, numa casa de um Deus, se matar em nome de outro. É pela própria notícia do acto terrorista praticado por um jovem tunisino de 21 anos. Nuns jornais, chegado a França no início do mês. Sem mais. Noutros, aportado em Lampedusa, em mais uma onda de refugiados, antes de entrar em França.


Não faz diferença nenhuma, mas é flagrantemente simbólico.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Inevitavelmente... mais Vieira

Expresso | Luís Filipe Vieira vence as eleições no Benfica


 


Sem surpresa Luís Filipe Vieira foi reeleito para o sexto mandato à frente dos destinos do Benfica. Ganhou uma das mais concorridas eleições da Hstória do Benfica, com uma maioria confortável (62% dos votos). No poder há duas décadas e com o total controlo da máquina, e com uma oposição fragmentada, não poderia ser de outra forma.


Ainda assim muito fez João Noronha Lopes, que chegou aos 34%, dos votos. Votação que certamente o deixaria bem colocado para disputar as próximas eleições, daqui a quatro anos. Já manifestou que não voltará a candidatar-se, mas estamos habituados a que no futebol tudo seja transitório, e nada definitivo.


Rui Gomes da Silva foi verdadeiramente cilindrado, com apenas 1,6% dos votos.  Aqui, sim, temos algo de definitivo. Não tem definitivamente condições para ser Presidente do Benfica, algo que de resto poderia ter percebido há mais tempo.  Depois de um resultado destes ninguém acredita que volte a tentar. Mas sabe-se lá...

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


É o futebolês a regressar aos anglicismos. Sendo a Velha Albion a pátria do futebol não admira que o futebolês de quando em vez entre por esse caminho e vá beber à fonte.


Parece-me que nem sequer lhe fica mal, não vejo nisso qualquer volúpia elitista! Revejo ali a mesma matriz popular do futebol, ao contrário de outros dialectos. Do economês – outra das linguagens em que também dou uns toques –, por exemplo, que tem nos anglicismos a sua imagem de marca. Enfim, embora não pareça – o que mais vemos por aí é discutir economia exactamente como se discute futebol – economia não é futebol!


Pois bem, um hat trick não é nada do outro mundo. Comparado, por exemplo, com o stock options do economês (ouvi hoje mesmo uma a que achei imensa graça: defining moment!), explica-se em duas palavrinhas que toda a gente percebe: três golos!


Não custa nada a explicar. Custa é a fazer: três golos num só jogo não é para todos! Nem para todos os dias!


Quando alguém, algum jogador naturalmente, se cruza com um desses dias está encontrada a tarde ou a noite perfeita. Se isso acontece num jogo importante e de grande visibilidade então estarão irremediavelmente abertas as portas da glória.


Se o hat trick tem toda esta magia imagine-se o póquer. Que tem a particularidade de já não ser um anglicismo mas um termo bem português. Adaptado e bem aceite no regaço da língua portuguesa que o futebolês não enjeitou!


 Este póquer não é esse jogo que agora está na moda, que está a cativar multidões, incluindo algumas estrelas do futebol. Póquer, em futebolês, é marcar quatro golos – quatro – num só jogo! É a glória apenas ao alcance dos predestinados na tarde ou na noite mais que perfeita!


Para se ter uma noção da dimensão do póquer bastará ver que o nosso CR7 apenas conseguiu por uma vez: foi no passado fim-de-semana, quatro golos nos 6 a 1 do Real Madrid frente ao Racing de Santander!


Foi preciso conjugarem-se uma série de variáveis para que a nossa maior estrela alcançasse o seu primeiro póquer. Antes de tudo a sua grande forma com a grande forma da equipa, ou a mão de … Mourinho.


E aí está a dupla portuguesa de maior sucesso mundial: Mourinho e Cristiano Ronaldo, agora juntos numa das mais notáveis instituições mundiais – o Real Madrid! Ambos esta semana indigitados para os prémios de melhor do mundo, que não deverá fugir a Mourinho mas que, graças à falta de liderança e de ambição de Carlos Queirós na errática campanha da África do Sul, deverá fugir ao CR7.


Uma dupla de sucesso que é apenas um exemplo de muitos outros portugueses de alto mérito espalhados por todo o mundo, que nos permitem fazer muitos golos – alguns hat tricks e mesmo um ou outro póquer – no desafio que nos está lançado e que temos que ganhar.


Portugal sempre teve um problema de dirigismo e de lideranças. Não é novidade nem tão pouco um problema sectorial. É um problema transversal na sociedade portuguesa. No futebol temos dirigentes que permitem que o Cristiano Ronaldo veja o prémio de melhor do mundo voar para alguém aqui ao lado. Que se arrastam há anos, sempre os mesmos, a desperdiçar o enorme talento de gerações dos nossos melhores jogadores. Na vida política é o que sabemos e o que constatamos todos os dias: uma casta dirigente instalada, virada para o seu umbigo, impreparada e incapaz, que afasta e empurra os novos valores, para se alimentar de sucessivas fornadas de pseudo quadros criados, à sua imagem e semelhança, nas juventudes partidárias. Na actividade económica, sempre muito dependente e à sombra do Estado, a maioria da classe dirigente vive em regime de pura promiscuidade com a classe política. A mesma gente e as mesmas regras, restando aos novos valores sair do país e colocar o seu conhecimento ao serviço de outros.


Da mesma forma que para as estruturas do futebol se vai já falando em nomes que ainda há pouco tempo passeavam a sua classe pelos relvados europeus, também para a nossa política, e para a nossa economia, é preciso que se comece a falar dos muitos jovens que espalham talento por esse mundo fora.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Hoje é dia de eleições

Guia para as Eleições do Benfica: Tudo o que precisa de saber


 


Hoje é dia de eleições no Benfica. Marcadas para a próxima sexta-feira, foram antecipadas para hoje em função das restrições à mobilidade impostas para o fim de semana. Mais normal seria que fossem adiadas, mas foram antecipadas. Como natural seria que se prolongassem por dois, ou mesmo três dias, para reduzir os riscos de grandes ajuntamentos nestes tempos severos da pandemia.


Natural teria sido também que os benfiquistas tivessem encontrado um candidato que federasse toda a oposição, para seriamente poder desafiar o poder instalado. Há quatro meses, e na única vez que me pronunciei sobre as eleições que se realizam hoje, deixei aqui um manifesto nesse sentido, chamando-lhe "Uma missão para os benfiquistas".


Não aconteceu o que acho que deveria ter acontecido, e hoje são três candidaturas que vão a votos, depois da desistência de mais duas, uma das quais precisamente ontem. A de Bruno Costa Carvalho, por interposta pessoa por não ser candidatável à luz das condições estatutárias inventadas pelo actual poder.  E assim, evidentemente, não se conquista o poder a ninguém. 


Quando eu propunha alguém como Humberto Coelho para congregar a alternativa a LFV era exactamente para evitar que proliferassem candidaturas, todas elas bem abastecidas de egos, que dispersassem votos e favorecessem quem está no poder. E isso só seria evitado com uma personalidade incontroversa, agregadora, prestigiada e com História. 


Mais que os seus deméritos pessoais, Rui Gomes da Silva e de João Noronha Lopes têm o imenso demérito de não terem utilizado o espaço que lhes permitiu as respectivas candidaturas para promoverem uma candidatura vencedora, à volta de uma personalidade unificadora e acima de qualquer suspeita. Não perdem pelos defeitos ou limitações de cada um, pela estratégia que cada um seguiu, ou pelo programa que cada um apresentou. Perdem porque eventualmente qualquer um dos dois perderia. Mas perdem seguramente por serem dois.


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O país vive há muito em autêntica esquizofrenia! Já todos o percebemos, mas esta esquizofrenia orçamental ultrapassa os limites da doença.


A esquizofrenia começa logo quando é o maior partido da oposição que é encurralado no beco da aprovação do orçamento. A oposição, por definição, opõe-se: da oposição só podemos esperar que se oponha.


Só num país esquizofrénico se pode esperar que a oposição não se oponha. Que viabilize a governação colocando-se ao lado do governo! Se isto já é esquizofrénico, empurrar tudo isto para o maior partido da oposição, a quem compete precisamente disputar o poder ao governo, o que será?


Uma esquizofrenia crónica e do mais alto grau!


Mas é ainda esquizofrenia achar que é o orçamento que nos resolve os problemas da gravíssima situação económica, financeira e social em que nos encontramos. Os mercados, esses papões, esperam ansiosamente pela aprovação do orçamento: dêem-lhe um orçamento, por muito mau que seja como é o caso, e tudo fica resolvido. Nada disso! Depois de lhe darem o orçamento tudo volta ao mesmo. Eles, os mercados – esses vilões – percebem que a seguir vem a recessão e, em recessão, aquele maldito défice é uma miragem. Bom, mas depois percebem ainda que não é num orçamento que se podem materializar as políticas que permitam eliminar os grandes estrangulamentos da nossa economia: capacidade de crescimento e competitividade.


Só num país esquizofrénico se acredita que é num orçamento que se resolvem problemas estruturantes desta natureza. Mas acreditar que os outros lá de fora acreditam nisso é doença ainda mais grave. Obviamente!


E o que será se não esquizofrenia, e da grave, ver o ministro das finanças, depois de assumidamente falhadas as negociações com o seu parceiro de desventura, e de todo o dia a produzir declarações concomitantes com esse falhanço, extremando posições ainda mais claramente vir, ao final da noite, lançar um novo desafio à negociação.


Bom, aqui concedo que, embora pareça, poderá não ser esquizofrenia. Poderá nem ser uma doença infantil, mas apenas um jogo infantil. Mais um jogo, logo que perceberam que o ónus da rotura lhes estava a bater à porta!


Mas o PSD também não andou muito longe: afinal nada está rompido, até ao dia da votação está tudo em aberto!


Afinal a rotura das negociações não rompeu coisa nenhuma. Há maior esquizofrenia?

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Depois dos anéis...

Trump afirma que nomeação da juíza Amy Barrett é "dia histórico" para EUA


 


Como se esperava, sem escrúpulos, e senado norte-americano confirmou a nomeação da juíza Amy Barret (ultra-conservadora, de 48 anos) para o Supremo Tribunal, a mais alta instância na América. Com 52 votos dos 53 senadores republicanos, contra 48. Dos senadores democratas, e de uma senadora republicana.


Os senadores republicanos, que em Março de 2016, a mais de sete meses, entendiam ser muito próximo das eleições para nomear um juiz, nomeação que é vitalícia, como se sabe, entendem em 26 de Outubro de 2020 que uma semana é suficientemente longe.


Com mais um atropelo ao espírito democrático, ao equilíbrio e ao bom senso, Trump prepara folgo para o golpe final. Se, perdendo, como é bastante provável, decidir não aceitar os resultados eleitorais, quer ter no Supremo Tribunal a almofada que o acomode. 


E, depois dos anéis, assim se vão também os dedos da democracia americana...


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Mais uma vez o tango não chegou ao fim. Parece que afinal o tipo que descobriu que eram precisos dois para o dançar não aguenta a dança até ao fim.


Porque não sabe ou porque não quer? Por ambas, nem sabe nem quer!


Parece que o Teixeira dos Santos ainda fez um último esforço para o ensinar. Quatro horas de sessão intensiva não foram suficientes… Não é muito estranho, o passado académico indicia algumas dificuldades!


E agora?


Agora volta-se ao princípio: o PSD irá abster-se na votação e viabilizar o orçamento, como não pode deixar de ser.


Valeu a pena toda esta encenação? Vale sempre a pena (não, não é quando a alma não é pequena, porque, alma grande, definitivamente não temos), quando a política é espectáculo. A encenação é fundamental: the show must go on!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Altos e baixos

A BOLA - Benfica soma quinta vitória consecutiva diante do Belenenses SAD  (Liga)


 


Mais um jogo de altos e baixos. Com muitos baixos, este jogo da Luz com a equipa da SAD do Belenenses, ainda sem público. De Luz apagada. Talvez esteja aí, na falta do público, uma razão para estas intermitências exibicionais.


O Benfica voltou a entrar bem, com 10 minutos de alta voltagem. Chegou ao golo bem cedo, logo aos 6 minutos, em mais uma bela jogada concluída com um remate de cabeça de Seferovic, hoje titular, em vez de Waldschemidt, numa equipa com algumas alterações, entre elas com o regresso de Weigl à equipa inicial.


Nesse período o Benfica fez o golo e criou mais três ocasiões de o repetir, com um futebol com muita dinâmica, vivo e pressionante. Depois começou a levantar o pé do acelerador, e quando deu por ela já não tinha pela frente um adversário submetido. E submisso.


Pelo contrário, era já um Belenenses que disputava o jogo no campo todo, que marcava bem os adversários e disputava cada bola, estivesse ela onde estivesse. É certo que só rematou pela primeira vez já bem dentro do último quarto de hora da primeira parte, mas a partir daí tomou-lhe o gosto. O veterano Varela pegava na bola, rematava e chegou até a introduzir a bola na baliza de Vlachodimos. Mas em claro fora de jogo. E o que se pode dizer é que o Belenenses acabou a primeira parte, se não com algum ascendente no jogo, pelo menos com ele equilibrado. E controlado.


O início da segunda parte nem foi até muito diferente, e o risco do golo do empate chegou a passar pelo jogo. Para complicar mais as coisas Grimaldo lesionou-se, à primeira vista de forma grave. Durou até ao fim do primeiro quarto de hora.


A partir daí, e com as entradas de Waldschemidt e Pizzi, o jogo mudou e o Benfica voltou a comandá-lo claramente. Nunca num nível exibicional por aí além, apenas aqui ou além com um ou outro pormenor de classe, ou uma ou outra jogada de bom nível. Construiu então mais duas ou três boas oportunidades de golo, fez mais um golo de Darwin anulado por 11 centímetros de fora de jogo, e chegou finalmente ao segundo, aos 75 minutos, em mais uma preciosidade do jovem uruguaio, a ver por fim validado o seu primeiro golo no campeonato.


No fim fica mais uma vitória justificada, a quinta nas primeiras cinco jornadas do campeonato, coisa que não acontecia há 38 anos, desde Eriksson, em 1982. Não sei é se é mais obra do calendário, se do momento de forma da equipa. Que continua com oscilações a mais. Nenhuma equipa consegue jogar todo o tempo a alto ritmo, e a deslumbrar. Mas passar do oitenta para o oito com tanta frequência durante um jogo, e mesmo que este não tenha sido o mais flagrante, não é das coisas mais entusiasmantes.

Embaraços de um resultado embaraçoso

 


António Costa: “O PS/Açores goza de total autonomia” para a


 


Não sei como classificar a embaraçada reacção de António Costa aos embaraçosos resultados das eleições regionais dos Açores. Mas não encontro melhores adjectivos que patético e cínico. 


Já tínhamos visto muitas vezes o Costa cínico. E algumas vezes tão bem no papel que até lhe chamamos rara habilidade política. O Costa patético é que era raro. Mas começa a surgir-nos à frente com bastante frequência.


Depois de perder a maioria absoluta no Parlamento Regional, com resultados que não deixam vislumbrar maneira de formar qualquer outra, e com memória do que aconteceu nas legislativas de 2015, achar que não há mais nada a dizer que festejar a sétima vitória consecutiva do PS nos Açores não é habilidade política, é cinismo. Fazê-lo como o fez, é ridículo.


Bem podia ter entregado esse papel a outro. Até porque teria sempre a desculpa de ter bem mais que fazer.


 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Há pouco mais de um mês publiquei aqui um post sob o título: “É hoje … é hoje”. Lembrei-me dele porque me estava a preparar para repetir o título quando me recordei que partia de uma história a que não consigo deixar de achar graça e … moral! Gosto especialmente da moral dessa história!


Claro que também me recordo que foi publicado precisamente no dia 9 de Setembro, o tal que era o último em que o Presidente poderia dissolver o parlamento. Eu não estava cá, estava do outro lado do Atlântico, e tinha deixado o post preparado para ser publicado nesse dia. Não que tivesse alguma fezada … Não, exactamente pelo contrário! Porque não queria deixar de assinalar o dia em que o Presidente da República perdia a sua última oportunidade de deixar alguma marca neste mandato, de mostrar que existia e que faz falta ao país.


Pois então, hoje mesmo, no dia em que deveríamos todos festejar o primeiro aniversário deste nosso governo – é verdade, parece que foi há mil anos, mas este governo tomou posse faz hoje precisamente um aninho – e conforme estamos avisados por Marcelo Rebelo de Sousa há um pouco mais de uma semana, vamos receber uma grande notícia: o nosso Presidente vai anunciar a sua recandidatura.


Já sabíamos como tudo isto se cruzava com a novela da aprovação do Orçamento. Mas esta nossa classe dirigente, já que não nos pode dar nada, gosta muito de nos dar o sal e a pimenta com que se condimentam estas coisas. Quando todos nós pensávamos que o desenlace da telenovela ficaria arrumado no fim-de-semana (sim, porque esta gente trabalha: o ministro das finanças está disponível 24 horas por dia e os emissários do Presidente - desculpem, do PSD – não lhe ficam atrás, não há sábados nem domingos) eis que chegamos a hoje mesmo e … nada! Até agora nada está decidido, vejam bem! O próprio Pedro Passos Coelho ainda ontem à noite fazia mais uma prova de vida…e metia mais umas pitadas de sal e uns pacotes de pimenta no caldeirão.


Eu já não tenho dúvidas. A mim já não me enganam mais, não me deixam mais tempo preso neste suspense Hitchcockiano! Logo á noite, às 8 da noite, conforme Marcelo nos segredava, o Presidente não vai apenas anunciar-nos a sua recandidatura. Não, ele vai também anunciar-nos finalmente, e em verdadeira apoteose, com fumo branco a sair do Centro Cultural de Belém (onde mais poderia ser?) que habemus orçamentum!


Já estou a ouvi-lo:


 “Portuguesas e portugueses, venho anunciar-vos que, graças ao meu empenhamento, ao meu esforço e ao da minha Maria, o governo e o principal partido da oposição chegaram a acordo para a aprovação do orçamento que vai salvar Portugal. Agora que já podem dormir descansados, resta-me desejar-vos uma santa noite! Ah…já me esquecia,.. Também vos quero dizer que, depois de ouvir a minha Maria e o Fernando Lima, e de eles me terem dito que ao país não basta este orçamento, é ainda necessário um presidente que seja professor de economia e que saiba despachar orçamentos, decidi candidatar-me às próximas eleições presidenciais e ganhar à primeira volta”. 

domingo, 25 de outubro de 2020

Que Giro!


 


O fantástico Stelvio - não, não é de automóveis que estou a falar - do alto dos seus 2.700 metros de altitude, tirara-lhe a camisola rosa, na quinta feira, e empurrara-o para o quinto lugar da classificação geral, mas não abatera o nosso espectacular João Almeida. Seguiram-se mais duas etapas de alta montanha, onde continuou a mostrar que era dos melhores, sempre na frente, reduzindo ainda alguma da desvantagem que trouxera daquele dia.


A camisola rosa, perdida no Stelvio para Kelderman que o seguia no segundo lugar, apenas se manteve um dia no dorso do holandês. Ontem mudou para o seu companheiro de equipa, o também jovem Jai Hindley, da Sunweb, com o mesmo tempo do também britânico Geoghen Hart, da Ineos.


Hoje, no contra-relógio final, decidia-se a vitória final. Mas decidia-se também o quarto lugar, onde o campeão espanhol de contra-relógio, Pello Bilbao, dispunha de 23 segundos de vantagem para João Almeida. Com prestações de alguma forma modestas dos dois primeiros, a menos modesta foi a de Geoghen Hart, que assim venceu o Giro. Com mais uma excelente prestação, João Almeida foi o quarto, e o melhor entre os dez primeiros do Giro. Superou a desvantagem para o espanhol, ganhou-lhe ainda mais 12 segundos, e alcançou um brilhante quarto lugar final, a apenas 2 minutos e 57 segundos de Geoghegan Hart. O melhor de sempre de um português em Itália. E o terceiro melhor nas grandes competições mundiais, depois do segundo lugar na Vuelta, e do terceiro no Tour, do saudoso Joaquim Agostinho.


Notável também a prestação de Rúben Guerreiro, que ganhou uma etapa e foi ainda o primeiro na classificação da montanha. 


 

Um conto de fadas para a História

F1. Portimão fez Hamilton voar — para sempre


 


Vinte e quatro anos depois a fórmula regressou a Portugal, e estreou-se em Portimão. Não foi na melhor altura, mas foi quando aconteceu. E é sempre melhor que tenha acontecido.


Com público, e com muita coisa a não correr pelo melhor. Que se  portou melhor hoje que ontem, ao que se diz. Muita gente com bilhete terá ficado hoje do lado de fora, talvez para isso. 


Independentemente das dificuldades do público, e com o público, da polémica à volta disso, e das inevitáveis comparações que acabam sempre por evidenciar pesos e medidas diferentes para situações que se pretendam idênticas, mesmo quando o não são, o 17º Grande Prémio de Portugal fixa um marco na História da fórmula 1. Ao vencê-lo Lewis Hamilton conquistou a sua 92ª vitória, batendo o que se julgava ser o inatingível recorde de Michael Schumacher, e ficou a um passo de igualar os sete títulos mundiais do infeliz alemão. 


A corrida começou atribulada, mesmo que sem os incidentes dos últimos grandes prémios. Logo no arranque Verstappen, que partiu da terceira posição, atrás dos dois Mercedes, lançou a confusão. Logo a seguir foram uns pingos de chuva a suscitar alguma prudência aos da frente,  aproveitada por Carlitos Sainz para chegar à liderança, com Hamilton a chegar a andar pelo terceiro lugar. Mas foi sol de pouca dura - e chuva nem chegou a ser - e rapidamente tudo voltou à normalidade. À décima volta já eram os três primeiros da grelha que seguiam na frente, com Bottas a herdar a frente da corrida. E à vigésima já estava tudo como no fim, que era tudo como no início. E como sempre, com o britânico na frente, a dominar completamente a corrida. A da sua 92ª vitória no sua 97ª pole position!


Fantástico este verdadeiro conto de fadas de um menino que nasceu negro e pobre!

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Francesco*

O mito do homossexualismo na Grécia Antiga | Logos Apologetica


Não era propriamente novidade que o Papa Francisco não ignorava a homossexualidade, nem dela se escondia atrás de qualquer dogma. E era até conhecido que, enquanto servia como arcebispo de Buenos Aires, defendeu a união civil para casais homossexuais, mesmo que fugindo sempre a expressões como “casamento” e “família”.


No entanto, na qualidade de Papa, nunca se tinha manifestado tão assertivamente sobre o assunto como o fez agora, num documentário cinematográfico (Francesco) acabado de estrear no Festival de Cinema de Roma, chocando o mundo conservador, e em particular o conservadorismo da Igreja, ao defender uma lei civil que enquadre as uniões entre pessoas do mesmo sexo.


Não é o casamento como sacramento da Igreja, mas o casamento enquanto quadro legal de relacionamento familiar, e o casal de pessoas do mesmo sexo como embrião de uma família. Mesmo que que nunca pronuncie a palavra “casamento”, enfatiza o termo “família: "Os homossexuais têm direito a ter uma família, são filhos de Deus [...]. Ninguém pode ser expulso de uma família, e a vida dessas pessoas não pode se tornar impossível por esse motivo", diz.


É mais uma oportunidade para que a Igreja Católica, pela mão deste Papa, dê mais um passo de aproximação às pessoas e à sua realidade, e se afaste de um mundo de trevas, cada vez mais remetido às profundezas da ignorância e até da barbárie.


Oficialmente a Igreja Católica continua a advogar que a homossexualidade é uma “desordem intrínseca”, e os actos homossexuais pecaminosos. Mas, agora, já sem legitimidade.


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Referências

Todas as notícias de Benfica na Liga Nos


 


A estreia do Benfica nesta edição da Liga Europa, que os seus responsáveis apontam como objectivo para a época, para materializar a sucessivamente adiada conquista europeia, deixa-nos uma série de sensações ambíguas. Principalmente porque o Benfica tanto deu a ideia de uma imensa superioridade sobre o adversário, como deixou vezes de mais uma sensação de incapacidade para afirmar categoricamente essa superioridade anunciada.


Se no último jogo, em Vila do Conde, a equipa tinha manifestado uma solidez assinalável, numa exibição que, mais do que exuberante, foi especialmente sólida, hoje nem foi brilhante, nem sólida. 


A equipa voltou a entrar bem, e marcou cedo, logo aos 7 minutos, num penalti convertido por Pizzi, com homenagem ao infeliz André Almeida. Pela falta de solidez, permitiu o empate, pouco depois. Teve nova oportunidade de tranquilizar com novo golo, o primeiro de Darwin - que já desesperava pelo golo, como claramente se percebeu - mesmo em cima do intervalo. Mas voltou, pelas mesmas razões, a permitir o empate logo no arranque da segunda parte, permitindo que a equipa polaca reforçasse a sua ambição e acreditasse que, apesar da gritante diferença de qualidade, tinha condições para discutir o resultado.


Uma dúzia de minutos depois, Darwin, à craque, voltou a marcar. Que grande golo! Mas nem aí o Benfica conseguiu controlar o jogo, e passou por períodos verdadeiramente complicados, deixando crescer a ideia que o Lech chegaria novamente ao empate. Que não havia duas sem três.


Os erros defensivos, que em Vila do Conde tinha prometido terem ficado para trás, sucediam-se por todo o lado. a ponto de, na parte final e perante tanta desorientação, Jorge Jesus ter de lançar Jardel para o jogo, passando a jogar com cinco defesas. Valeram então as limitações dos jogadores da equipa polaca. E valeu sobretudo o quarto golo, o do hat-trick de Darwin, o homem do jogo, que confirmou a sua anunciada classe, e pôde finalmente bater a sua malapata com o golo.


Foi de resto o melhor que o jogo teve. Teve outras coisas boas. Mas poucas - o resultado, e pouco mais. E teve Otamendi com a braçadeira de capitão, logo que Pizzi saiu, ao intervalo. Estranha-se, mas talvez se entranhe. A falta de referências está a entranhar-se neste Benfica...

Tudo a bater mal

Depois da entrega do Orçamento do Estado, PSD ganha terreno face ao PS – O  Jornal Económico


 


Rui Rio já anunciou que o seu partido vai votar contra o Orçamento. E explicou que, se o primeiro-ministro tinha afirmado claramente que o negociaria o Orçamento à esquerda, e que o governo cairia quando precisasse dos votos do PSD para o fazer passar, não poderia ser de outra maneira. 


Só que, a ser assim, não precisava de todo este tempo para anunciar esta posição. A ser assim, a resposta teria que ter sido imediata. Como não foi, não é assim.


Em resposta, o PS, através do seu secretário-geral adjunto, José Luís Carneiro, acusou o líder do PSD de “ter deixado cair o valor do interesse nacional”. Mas também disse não ter ficado surpreendido, porque isso só prova que o Orçamento é de esquerda.


Com tudo o que era público só tinha que contar com o voto contra do PSD.  Como não foi assim, o que era público não era assim.


Posso até ser eu a não estar bem da cabeça mas, ou é impressão minha, ou já anda tudo a bater mal


 

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Ora aqui está uma expressão capaz de surpreender: máquina de calcular ou calculadora, um verdadeiro sinónimo. Claro que para o futebolês a calculadora não é a mesma coisa que na linguagem comum. Não é aquela coisa agora diabolizada e responsável pela ignorância matemática das nossas crianças que, no seu imenso sentido prático, entenderam simplesmente que, se havia máquinas que resolviam os problemas tão depressa e tão bem, para quê estarem a maçar-se e a gastar energias a decorar coisas tão aborrecidas como a tabuada?


Confesso que acho que quem pensa assim tem razão. Tudo se resume a uma questão de prioridades e … de pragmatismo! Não é seguramente por deixarem de saber cantar a tabuada, simplesmente cantada, de letra estranha e música monocórdica e pobre, que as crianças deixaram de saber matemática. Se isso aconteceu, se deixaram de saber matemática – o que não tenho como adquirido – será por outra razões. As mesmas que, no final das contas, permitiriam aprender a tabuada sem recurso àquela cantilena!


Mas, e retomando o fio à meadaa máquina de calcular comporta uma inequívoca alusão à matemática: fazer contas! Fala-se em máquina de calcular quando, depois de sucessivos desaires, a esperança em atingir os objectivos fixados se reduz a um verdadeiro lugar comum do futebolês: “enquanto for matematicamente possível”!


Acontece com aquelas equipas tipo cigarra, que não querem ser formiguinhas, ou mesmo com aquelas tipo lebre, que só acordam quando vêm a tartaruga já em cima da meta. Não fazem o seu trabalho a tempo e horas, desperdiçam pontos atrás de pontos e … começam a fazer contas. Umas contas invariavelmente curiosas. A maior curiosidade é o seu ponto de partida, verdadeiramente atípico: uma premissa insólita que passa pela expectativa do êxito total no futuro absolutamente contrariada pela realidade histórica do passado recente. A lógica que lhe está subjacente é fantástica: os que perderam jogos atrás de jogos passarão a ganhá-los todos daí para a frente e os que até aí os ganharam todos, uns atrás dos outros, irão passar a perdê-los todos, ou perto disso.


Nós, os portugueses, somos muito dados à matemática. Mas só a esta! Gostamos muito de fazer contas, seja com a selecção seja com o nosso clube do coração, muito na tradição sebastianista que nos marca. Da mesma forma que esperamos que há-de sempre vir alguém para nos resolver os problemas, aqueles que em tempo oportuno não soubemos ou não quisemos ultrapassar – vejam bem que agora, para muitos de nós, até o FMI já nos servia para resolver esta trapalhada em que estamos metidos – também achamos que, através de uma qualquer varinha mágica, é possível inverter todo um trajecto de desempenho.


Este percurso de expectativas, é também ele, curioso. As coisas não estão a correr bem, percebe-se onde aquilo vai parar, mas não há problema: dependemos apenas de nós próprios! As coisas não mudam: deixa de se depender de si próprio e começa a fazer-se contas. De calculadora em punho especula-se sobre as mais disparatadas hipóteses, as tais que garantam o matematicamente possível!


É o que se passa neste momento com o Benfica. Na Liga interna, por força daquele arranque inacreditável, continua a não depender de si próprio, apesar de dentro do matematicamente possível. Ainda estamos longe do fim e, por isso, é cedo para pegar na máquina de calcular!


Na Champions, a três jogos do final desta fase de grupos, é já de máquina de calcular em punho que se conclui que só muito remotamente depende de si própria.


O Benfica da época passada não precisava de usar máquina, desconfio que tenha feito um trabalho diferente e que até tenha aprendido a tabuada. Deslumbrava enquanto este, desiludindo, transforma a época passada num mero ponto de chegada, em vez do ponto de partida que os benfiquistas desejavam!


Tenho uma teoria sobre esta metamorfose, mas fica para outra vez! 

A bem do regime

Rui Rio apoia atuação de Marcelo e António Costa na banca nacional - DV


 


Com os resultados eleitorais de 2015, a esquerda encontrou a oportunidade para dizer ao regime que também contava. E o regime respondeu-lhe que sim. Que contava. Tanto que lhe iria entregar a nobre missão de aprovar orçamentos. 


Emergiu a novidade que viria a ficar conhecida por geringonça, e seguiram-se quatro anos de harmonia, com a esquerda a levar a preceito a missão que lhe fora confiada. Vieram novas eleições e os resultados eleitorais confirmavam a nova fórmula que o regime tinha encontrado.


Mas já não era bem a mesma coisa. A esquerda tinha dúvidas se tinha ganho alguma coisa com a missão, e o governo do PS e de António Costa, inchado com mais umas dúzias de votos, achou que tinha posto aquela tropa em sentido. Impávida e serena à espera de ordens.


A missão reservada à esquerda era a mesma - aprovar os orçamentos - mas agora menos por missão e mais por obrigação. O regime entendeu que era assim. Que António Costa e Rui Rio se entenderiam em tudo o que de fundamental houvesse para decidir, e repartiriam pelos seus dois partidos todas as instituições do Estado, nem que para isso tivessem que inventar os mais fantasiados simulacros, como aconteceu na distribuição das CCDR, para recorrer a exemplo recentíssimo. A esquerda ficava com a obrigação de aprovar os orçamentos, porque o bloco central não é bom para o regime. 


É neste ponto que estamos, no momento em que o regime exige à esquerda que cumpra a missão que à socapa lhe atribuiu.


O regime vive de alternância, mas só tem uma. E por isso tem que a preservar, custe lá o que custar. A bem da Nação. A bem do regime!


E depois admiram-se com os populismos e os extremismos... 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Eduardo Catroga é a personalidade que vai liderar a delegação do PSD nas negociações com o governo. Qual é a novidade?


Bem, não há propriamente novidade: é, finalmente, a entrada em campo de Cavaco.


Estávamos avisados por Marcelo Rebelo de Sousa do anúncio da recandidatura do Presidente: dia 26, no Centro Cultural de Belém! Era evidente que Cavaco não partiria para o anúncio sem o problema do Orçamento resolvido. Era o que faltava… Isto é tudo muito mau mas ainda há coisas que têm de fazer algum sentido!


O que saía da reunião do Conselho Nacional do PSD não parecia muito animador. Pedro Passos Coelho precisava de salvar a face, de encontrar uma saída de que não tivesse de voltar a pedir desculpa. Pôs-se a jeito, e Cavaco encaminhou as coisas para que lhe corressem a jeito! Porque também lhe vinha a jeito…


Escolheu um dos seus para ocupar esta posição central nas negociações. E, evidentemente, nada vai falhar! O orçamento continuará mau. Os problemas continuarão por resolver. A recessão continuará incontornável e o desemprego a aumentar ao ritmo do aumento do nosso empobrecimento. Mas teremos orçamento!


Sabia que seria este o desfecho, há muito que o venho dizendo. A fórmula é que só a descobri no domingo à noite!


Às vezes, apenas às vezes e em certos momentos, os interesses particulares de alguns cruzam-se com os do país. É a nossa sorte, porque a maioria das vezes apenas se cruzam entre si! Entre eles!

Há sempre qualquer coisa a não bater certo

Marcelo Rebelo De Sousa - Leva vacina da gripe sem camisa e vira meme |  VIP.pt


Com as infecções pelo coronavirus a terem já atingido 1% da população, e a baterem recordes desde o início da pandemia,  e com a ameaça do regresso ao confinamento cada vez mais real, o tempo é agora de vacinação contra a gripe.


Foi montada uma vasta campanha de sensibilização para a campanha de vacinação, por fases, de acordo com os segmentos alvo. Primeiro os profissionais de saúde e, depois, os idosos. Arrancou ontem a fase de vacinação dos mais mais velhos, e o presidente da República, como não podia deixar de ser com o Professor Marcelo, correu a vacinar-se em público. Para reforçar a campanha, evidentemente. As imagens não terão sido as mais felizes, e deram mesmo para a inevitável sucessão de memes nas redes sociais, mas o objectivo era o mesmo - mobilizar a população, e particularmente a mais vulnerável, para a vacinação contra a gripe.


Mobilizadas por todas estas campanhas as pessoas começaram a procurar a vacina. Começaram a ligar para os Centros de Saúde, ou para as Unidades Familiares de Saúde, mas do outro lado ninguém atende o telefone. Deslocaram-se pessoalmente, mas só encontraram filas a dobrar o quarteirão. Foram procurar a vacina às farmácias, e ... nada. Tinham recebido uma ínfima percentagem das que haviam encomendado, insuficientes até para o próprio pessoal da farmácia.


É assim. Há sempre coisas que não batem certo. Até numa simples vacina para a gripe. Que, de resto, se não houvesse sempre qualquer coisa a não bater certo, deveria este ano ter menos procura. Se o vírus da gripe se propaga de forma idêntica à do coronavirus, e se temos em vigor uma série de medidas de protecção contra este último, entre as quais o uso da máscara, o natural seria que as pessoas estivessem mais defendidas da gripe que nos anos anteriores. 


 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Indicadores e opções

Eleições gerais na Nova Zelândia adiadas por quatro semanas - Plataforma  Media


 


Este foi um fim-de-semana de eleições em vários países do mundo. Entre eles na Nova Zelândia, onde a primeira-ministra Jacinda Ardern foi reeleita com 50% dos votos, que lhe garantiram a maioria absoluta.


A economia neozelandesa é das mais afectadas pela pandemia. A quebra na actividade económica foi a mais expressiva entre todos os países da OCDE, do primeiro para o segundo trimestre do ano o PIB caiu mais de 12%. As exportações afundaram, e o turismo, a principal actividade económica do país, ficou paralisado com o fecho das fronteiras. E o desemprego cresceu como nunca.


É da teoria política que, em condições económicas desta natureza, não há governo que possa ganhar eleições. E no entanto Jacinda Ardern não só ganhou as eleições como reforçou substancialmente a sua votação. Porque é jovem? Porque rompeu com as velhas e bafientas regras de fazer política? Porque quebrou barreiras entre governantes e governados? Porque protagoniza uma liderança estimulante?


Por tudo isso. Porque foi com com tudo isso que conseguiu os melhores indicadores do planeta nos resultados da pandemia: 1900 casos positivos, e 5 mortos. Num país de 5 milhões de habitantes!


Quando tanto se fala no equilíbrio, e que as medidas de protecção à saúde não podem colocar a economia em causa, Jacinda Ardern não teve dúvidas que a sua prioridade era a saúde. Que se afundasse a economia, se esse era o preço a pagar para combater o vírus.


E os eleitores também não tiveram dúvidas em trocar os maus indicadores económicos pelos excelentes indicadores na pandemia.


Porquê? Porque podem. E esse é o melhor de todos os indicadores!

domingo, 18 de outubro de 2020

Solidez acima de tudo

A BOLA - Benfica vence Rio Ave e reforça liderança (Liga)


 


Não foi uma exibição de nota (artística) 20, mas foi a mais sólida deste campeonato, esta que hoje o Benfica realizou em Vila do Conde. 


Com a possibilidade de, logo à quarta jornada, aumentar a vantagem sobre os principais adversários na luta pelo título, e particularmente para alargar para 5 pontos a diferença para o maior rival nessa compita, o Benfica não vacilou, ao contrário do que acontecera na última jornada. Sabendo bem o que teriam de fazer para contrariar o futebol do Rio Ave, os jogadores iniciaram o jogo com grande pressão sobre a saída de bola do adversário, nunca lhe permitindo qualquer tipo de conforto e, acima de tudo, retirando-lhe a confiança que é sempre a alma de qualquer equipa.


De tal forma que, quando o Rio Ave passou pela primeira vez a linha do meio campo, já perdia por 1-0, com o primeiro golo de Waldschmidt, aos 7 minutos. E nem a primeira contrariedade - e grande - da grave lesão de André Almeida, mesmo que a entrada de Gilberto tenha sido assustadora (acabando por remediar com o decorrer do jogo, e até por convencer os adeptos que poderá ser solução), introduziu qualquer grão de areia na engrenagem da exibição do Benfica.


Nem isso nem o tamanho dos pés dos jogadores do Benfica, grandes demais para o VAR anular dois golos e um penalti. Quando nos atiram para os olhos linhas com foras de jogo de 10 centímetros, como aconteceu no segundo golo anulado, ficamos na dúvida. Presos ao absurdo, mas na dúvida. Quando nos querem impingir linhas de mais de 40 centímetros - 42 e 46, mais precisamente - como aconteceu no primeiro golo anulado, e no penalti transformado em fora de jogo, vemos bem que não vimos nada daquilo.


Apesar de golos e penaltis anulados, de faltas e faltinhas que não matam mas moem, e de amarelos que destabilizam, a equipa nunca se perturbou, manteve o jogo controlado, e prosseguiu sempe na procura do golo. E o segundo, de novo por Waldschmidt, surgiria no período de compensação da primeira parte.


Na segunda parte o Benfica não foi tão pressionante, até porque o Rio Ave, percebendo que não poderia continuar a tentar sair a jogar, passou a optar por um jogo mais directo. Mas nem aí alguma vez perdeu o controlo do jogo, acabando por revelar a solidez que ainda se não tinha visto.


E o terceiro golo, por Gabriel - também ele, e  inesperadamente,  com uma grande exibição - acabaria por, já  aos 86 minutos, dar uma expressão ao resultado mais condizente com aquilo que se passou no jogo.

João Almeida - um campeão!


 


O desporto nacional tem um novo ídolo. É ciclista, é cá da região, e chama-se João Almeida. Mantém a camisola rosa, símbolo da liderança do Giro de Itália, ao fim da segunda semana da competição. E vai passar com ela o último dia de descanso, que é amanhã.


Depois de um contra-relógio sensacional, ontem, em que, com o sexto lugar, ganhou tempo a toda a concorrência, hoje foi dia de sofrimento, do sofrimento dos campeões, na 15.ª etapa, uma duríssima etapa de montanha, entre Rivolto e Piancavallo, na distância de185 km. Hoje, foi de campeão!


No momento decisivo da etapa, a mais de 15 quilómetros da meta, sempre a subir, João Almeida ficou sozinho, sem colegas de equipa para a sempre necessária ajuda, no grupo da frente. A Sunweb, de Wilco Kelderman, um dos candidatos e segundo na geral, atacou a corrida, endureceu-a e construiu um grupo reduzido na frente. Irremediavelmente para trás ficaram todos os grandes nomes do Giro.


O corredor português seguiu montanha acima, agarrado ao grupo, mas sem protecção de qualquer espécie. O grupo acaba reduzido a quatro, Hindley e Kelderman, ambos da Sunweb, e Geoghegan Hart, da Ineos, com João Almeida a acabar por ceder, a cerca de 9 km da meta. A partir daí foi uma luta de campeão contra o tempo. Sozinho, escalada a cima, a ver os segundos a fugir, ora de dentes cerrados, ora de língua de fora.


Sofreu como têm de saber sofrer os campeões. E foi como um grande campeão que chegou à meta, em quarto lugar. Atrás Geoghegan Hart, que ganhou, e de Kelderman, a quem Hindley ofereceu as bonificações da segunda posição, segurando a maglia rosa por 15 segundos.


Aconteça o que acontecer na terceira e última semana, João Almeida é, aos 22 anos, um campeão. Nada apaga o que já fez na sua estreia na elite mundial do ciclismo!


 

sábado, 17 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O primeiro-ministro garante que o Orçamento do Estado para 2011 "protege o País da crise internacional, protege a economia, protege o emprego e protege o modelo social em que queremos viver". Primeiro li no Diário Económico, mais tarde ouvi na Antena 1, e não queria acreditar!


Quando qualquer pessoa com um mínimo de vergonha e de respeito, por si próprio e pelos outros, no lugar dele estaria escondido em casa, donde não sairia por vergonha, Sócrates tem o despudor de proferir declarações deste teor: protege o país, protege o emprego e protege o modelo social!


Ter lata para isto já não é lata, é completo non-sense. Já não é não ter vergonha, é loucura. Já não é faltar ao respeito aos portugueses, é a irresponsabilidade de um inimputável.  


Um orçamento que, independentemente de neste momento – face à ao estado a que este primeiro-ministro, mais que qualquer outro, no fez chegar – ter que ser pouco menos que inquestionável, lança a economia portuguesa numa prolongada recessão (a premissa de 0,2% de crescimento é a mais insustentável das variáveis macroeconómicas). Um orçamento que parte de premissa explícita de aumento do desemprego para uma taxa de 10,9%, que todos percebermos que será ultrapassada. Um orçamento cujo corte na despesa incide apenas em salários e prestações sociais. Um orçamento que penaliza, quer com agravamento fiscal quer com redução de apoios sociais, as famílias logo a partir dos mais baixos rendimentos. Um orçamento, cuja entrega no parlamento constituiu mais uma rábula de descrédito, e que só será viabilizado a partir de uma das mais miseráveis campanhas de pressão e, porque não chamar os bois pelos nomes, de chantagem.


Pois é este orçamento que vai proteger o país, o emprego e o modelo social…


Andam loucos à solta. E perigosos…

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Abanões*

Uso obrigatório da app StayAway Covid divide constitucionalistas - TSF


 


Já ultrapassamos a barreira dos 2 mil infectados por dia, e é a própria ministra da saúde a dizer-nos que estamos a poucos dias de chegar aos 3 mil.


Terá sido isso a fazer sentir ao primeiro-ministro “que era preciso haver um abanão”, palavras com que, numa entrevista ao Público, terá tentado justificar, mais que a declaração do estado de calamidade, algumas medidas altamente controversas com que fez acompanhar essa declaração.


Provavelmente muita gente estará de acordo que é preciso um abanão. E às vezes, momentaneamente, os abanões funcionam. Mas não resolvem nada que passe desse momento, no essencial deixam tudo na mesma. E podem até resultar num empurrão para o desconhecido. Incontrolável.


A ideia de tornar obrigatório o uso de máscara sempre que no espaço público não estejam garantidas as condições de distanciamento entre as pessoas é tolerável. Trata-se de impor o uso de um meio de protecção através da lei, e não é nada de novo. Pelo contrário, para trás há toda uma história de instrumentos de protecção que hoje damos por inquestionáveis, mas que apenas entraram nas nossas rotinas porque tiveram força de lei.


Já a ideia de obrigar a instalar um determinado software no telemóvel de cada um não lembraria a ninguém. A não ser nos regimes totalitários da China ou da Coreia do Norte. Uma coisa é fazer uma campanha, como o primeiro-ministro de resto já tinha feito, para convencer as pessoas a usarem uma aplicação – uma app, como se diz – de livre vontade. Outra é fazer uma lei a obrigar ao seu uso!


Isto não é um abanão. É um empurrão para o escuro. E é, do ponto de vista da democracia e da liberdade, o absurdo. É absurdo no plano dos princípios, porque ofende direitos e liberdades individuais, e é absurdo à luz da realidade porque, no limite, obriga todas as pessoas a possuir equipamentos capazes de receber a aplicação. É uma impraticabilidade, e a impraticabilidade é desde logo absurda. Se seria absurdo obrigar todas as pessoas a usar telemóvel, fosse a que pretexto fosse, mais absurdo será obrigar todas as pessoas a disporem os telefones inteligentes – smart phones, como se diz – que muitas nem sabem usar.


Polícias a vigiar o uso dessa aplicação, e polícias a poder entrar em casa dos cidadãos sem mandato judicial, são apenas dois dos pesadelos deste inaceitável empurrão para o escuro.


Esperemos agora que, no Parlamento, a oposição dê um valente abanão ao governo, e enterre de vez esta ideia absurda e perigosa.


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Campo esticado e jogão de Diogo J


 


Num jogo - de novo em Alvalade e com público (5 mil espectadores pouco participativos) - em que fez coisas muito boas, mas que raramente conseguiu controlar, a selecção nacional cumpriu a sua obrigação de ganhar à Suécia. Como a França também ganhou (2-1), na Croácia, ambas continuam a par no topo da classificação do grupo, mesmo que a selecção nacional continue na liderança, por ter marcado mais golos marcados (9 contra 7 dos franceses) e menos sofridos (apenas 1, contra 3 dos gauleses), coisa que poderá não valer de nada, já que é apenas o último dos factores de desempate.


É frequente que as equipas menos dotadas, como é claramente o caso da actual selecção sueca em relação à portuguesa, encolham o campo para, com ele mais pequeno, mimetizarem as suas fraquezas. Recolhem-se lá atrás, e o jogo decorre em apenas 40 ou 50 metros, com muito menos espaço para o adversário exibir os seus talentos. No jogo de hoje a Suécia fez precisamente o contrário - esticou o campo. 


A equipa nacional nunca se entendeu com isso. Esse posicionamento adiantado dos jogadores suecos resultou, como não poderia deixar de ser, mais espaço para jogar. Só que para o ocupar a equipa sueca apostou em partir o jogo, e criou problemas inesperados aos jogadores portugueses. Um jogo partido é sempre difícil de controlar. Foi o que aconteceu.


Se as coisas correm mal, é o diabo. Valeu que não correram mal. Valeu que a equipa sueca não foi nem feliz nem eficaz, e a melhor qualidade dos jogadores portugueses acabou por resolver o jogo. Mas nem sempre assim sucede.


A selecção nacional chegou ao primeiro golo na sua melhor fase do jogo, por volta dos 20 minutos, quando já emergia a exibição de Diogo J, que assistiu primorosamente Bernardo Silva para um belíssimo golo. O segundo, e primeiro de Diogo J a passe (soberbo)  de Cancelo, chegaria mesmo em cima do intervalo, mas já quando a equipa não tinha o jogo controlado.


Como continuou a não ter na segunda parte. Até chegar ao terceiro golo, de novo do novo jogador do Liverpool, numa espectacular jogada individual depois de um passe científico de Wlliam Carvalho. Faltavam 20 minutos para o fim, e aí sim. A selecção sueca caiu, e a portuguesa pôde finalmente mandar no jogo. E selar com mérito esta importante vitória.


E daqui por um mês tudo se resolverá, quando recebermos a França na Luz. Ou talvez não, se o resultado do passado domingo em Paris se repetir. Mas só nesse caso!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Chegou finalmente o dia da apresentação do Orçamento. Até houve debate na AR, como se tivesse sido realmente entregue. Mas não foi!


Não só não foi como ainda não foi. Já passaram todas as horas apontadas para essa entrega e todas elas falhadas. A última, as vinte e duas e trinta, também já foi queimada!


No Parlamento, um batalhão de jornalistas deixa o país em suspenso por uma pen. A pen com que Teixeira dos Santos haverá de entrar em S. Bento em passo largo e triunfal, vá lá saber-se quando. Provavelmente a mesma pen que também no último orçamento (e não no ano passado, porque o orçamento para 2010 já foi entregue este ano) revelou grandes dificuldades para fazer o percurso entre o Terreiro do Paço e S. Bento. Ou não fosse o governo o mesmo. E as mesmas as trapalhadas!


Depois de um orçamento 1X2 um orçamento Hitchcock: onde o mistério está envolto numa pen!


Ah… que, desta vez e seja lá quando for, a pen venha completa!


 


PS: Uma hora depois lá chegou a pen. Mas incompleta...
Se no último faltavam os mapas agora parece que falta o relatório: precisamente o que reporta as condições macro-económicas, as premissas do orçamento.
São trapalhadas a mais... Iintolerável!


 

Danados prá brincadeira

Joe Berardo transforma estação rodoviária em palácio sem ter licença de  construção | Arrábida | PÚBLICO


 


Joe Berardo continua notícia. Na primeira página do Público é dada conta de mais uma habilidade do senhor comendador. Desta vez em pleno parque da Arrábida, onde transformou uma estação rodoviária num palácio (na imagem). Sem licença de construção. Naquela ... "não tenho medo de ninguém".


Já terá recebido um auto de contra-ordenação do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mas ... que lhe interessa isso... Aquilo nem é dele. O homem até só é proprietário de uma garagem no Funchal...


Os senhores comendadores são danados prá brincadeira.


 

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Desposicionar tem obviamente a ver com posição. Se a palavra existisse na língua portuguesa – se assim fosse o futebolês não teria sentido a necessidade de a criar e, evidentemente, não estaríamos agora aqui a falar dela – estaria certamente agora a ser objecto de tratamento nessa coisa fantástica, de que ouvi falar esta semana pela primeira vez, chamada de português claro.


Pois é, agora surgiu para aí uma empresa – não é uma Fundação nem uma Associação das tais 14 mil já identificadas e que ninguém consegue exterminar – a pugnar pela utilização de uma linguagem clara e acessível. Claro que é uma ideia vinda do exterior (plain language, certificada por uma Plain Language Comission) e, por isso, já com um fortíssimo lobby. O Diário da República, que bem precisava, já vem com as leis traduzidas para português claro! O que não deixará de desposicionar o sistema judicial…


A tradução de desposicionar de futebolês para português claro diria que se trata de tirar da posição, ou mesmo mudar de posição que, por sua vez, corresponde a deslocação!


Ora aqui está a prova provada da falta que nos fazia este português claro


O futebol é um jogo de posições e de espaços, de encontros e desencontros. Os jogadores têm posições e espaços a ocupar e, a partir delas, funções a desempenhar. Há o chamado jogador posicional, aquele limita as suas funções a uma determinada zona do campo. Dali não sai. Dali ninguém o tira!


Mas também há a equipa posicional, a que obedece a uma rígida disciplina posicional, onde os jogadores sabem com rigor os espaços que devem pisar. Os que têm de ocupar para os roubar ao adversário e lhe tapar os caminhos que os possam conduzir à sua baliza. Ao adversário cabe-lhe desposicioná-los, arrancá-los das suas posições e espaços para, ao invés, romper acessos em direcção à baliza protegida. Como facilmente se percebe ganha quem, neste jogo do gato e do rato, conseguir enganar o adversário. Quem se não deixar enganar resiste. Quem não conseguir resistir desposiciona-se, perde as suas posições estratégicas e, como em qualquer batalha, é o descalabro.


Tirar da posição e mudar de posição, como tantas outras expressões já aqui trazidas, não é coisa que se limite ao que se passa dentro do campo de jogo. Fora de campo são muitas as mudanças de posição. E muitas as questões de postura. Ou de compostura. De dirigentes a adeptos.


Paulo Bento, com postura e compostura bem diferentes do seu antecessor – o malfadado Queiroz – colocou os jogadores nas suas posições e voltou a posicionar a selecção na rota do  europeu da Polónia e da Ucrânia. O que levou Gilberto Madaíl a mudar de posição e, agora já numa postura de recandidatura, a reivindicar os méritos da escolha do seleccionador.


Vilas-Boas também mudou de posição sobre a arbitragem do jogo de Guimarães: afinal o penalti que tinha visto não passara de “ilusão de óptica”. Quis fazer passar uma postura de elevação de conduta para, na realidade, marcar posição na inesgotável fórmula da pressão alta sobre a arbitragem. A estratégia é clara: inventa-se um prejuízo da arbitragem sem pés nem cabeça para depois reconhecer o engano; capitaliza-se esta posição de humildade para sustentar outras reclamações sem sentido e desvalorizar, colocando-as ao mesmo nível, as que os adversários legitima e justamente reclamam.


Quem não muda de posição é Luís Filipe Vieira, que continua a defender que os adeptos benfiquistas não devem ocupar qualquer espaço nos campos dos adversários. Mal: porque não faz sentido e porque dificilmente será obedecido.


Duríssima terá que ser a posição da UEFA perante os graves incidentes dos hooligans sérvios em Génova, na Itália. O jogo que não chegou a ser, entre a Itália e a Sérvia, de apuramento para o euro 2012, serviu para uma manifestação de hooliganismo a lembrar que o futebol e o crime não podem continuar a conviver. Há uns anos atrás soube tratar-se do problema inglês; agora terá que ser dada uma resposta exemplar que resolva este e evite outros.


E, já agora, seria bom se alguma coisa se aprendesse para tratar do que aqui se passa. Fora e dentro dos estádios … e em todo o território nacional!

Esclarecedor início da discussão do orçamento

Governo entrega OE 2021. “É um Orçamento sem austeridade, que não  acrescenta crise à crise” | Orçamento do Estado 2021 | PÚBLICO


Durante anos a fio ouvimos críticas severas às tabelas de retenção de IRS para os trabalhadores dependentes, que constituem a maior fatia da colecta desse imposto. A mais assertiva era que se tratava de uma forma abusiva do Estado se financiar nos cidadãos sem pagar nada. De borla.


Ora, uma das medidas do orçamento ontem simbolicamente entregue na Assembleia da República, apresentado esta manhã pelo ministro das finanças, e em discussão durante o próximo mês e meio, vai justamente corrigir esse problema, e aproximar os descontos de cada um à sua realidade contributiva. 


Percebe-se a intenção desta medida. Em tempos difíceis, encontrar uma forma de melhorar a liquidez dos cidadãos. Que não custa dinheiro, e não tem qualquer efeito no défice. Apenas retira ao Estado um financiamento gratuito. Ilógico e até ilegítimo. 


Se o orçamento tem boas notícias - e se calhar tem algumas - esta é uma delas. Mas não. Os que antes achavam aquele modelo de retenção um abuso do Estado sobre os cidadãos, acham agora que corrigir esse abuso é um simples truque para os enganar. E não dizem que o governo vai dar no próximo ano o que não irá dar no seguinte, dizem que vai dar o que vai retirar no ano seguinte. 


Porque em 2021 há eleições (autárquicas) e no ano seguinte ninguém é chamado a votar. Mesmo que o mais provável seja que até haja.


Se este é o pontapé de saída para este jogo de mês e meio que aí vem, estamos já esclarecidos... 


 

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Chegou finalmente o dia do resgate dos mineiros chilenos. Mais cedo, muito mais cedo que as primeiras previsões. À hora que escrevo são já vinte e três os mineiros que abandonaram aquele buraco daquela mina onde passaram os últimos dois meses.


Esta é uma fantástica história de sobrevivência que inevitavelmente será imortalizada pela sétima arte, ao lado de tantas outras não menos épicas histórias da enorme capacidade de resistência humana. É também uma fantástica oportunidade para a Ciência, onde muitos dos seus ramos encontrarão seguramente múltiplas aplicações.


Mas, no meio de uma grande história, de um enorme drama e de tantas lições de vida, surge uma pequena estória bem pitoresca: a de Ionni Barrios, um dos trinta e três mineiros e, se não estou em erro, o vigésimo a ser resgatado.


Ionni tinha uma vida dupla. Casado há vinte e oito anos, dividia as mágoas e as agruras daquela vida de mineiro pela mulher e por uma amante. Vá lá saber-se porquê, o segredo seria desvendado e a estória viria a público precisamente quando o pobre do Ionni vivia este drama a 700 metros de profundidade.


Ao desenvencilhar-se da cápsula que o trazia de regresso à vida percebeu-se que alguma coisa ali não estava tão bem. A exuberância do reencontro era substituída por uma descrição pouco comum. Surge então uma senhora – os mineiros ao chegarem cá acima apenas podem ser recebidos por um único familiar (obviamente que, no meio daquela organização toda, previamente escolhido) – que se aproximou e o abraçou: um simples abraço! Tudo muito comedido, como o Ionni. Era a amante. A mulher, essa, não apareceu!


Agora são duas a disputar a indemnização. Quem sabe se ele não vai querer regressar à mina…

Desportivamente...

João Almeida e Ruben Guerreiro lado a lado numa foto que fica para a  história - Fotogalerias - Jornal Record


 


Este foi um fim de semana fantástico, onde a personalizada exibição da selecção nacional de futebol em Paris será até o menos expressivo dos acontecimentos que o marcaram.


No Giro de Itália, para assinalar uma semana completa de liderança de João Almeida, outro ciclista português, Rúben Guerreiro, resolveu ir por ali acima e ganhar uma das etapas mais difíceis da segunda maior competição mundial, atrás do Tour de France. E os dois portugueses lideram três das quatro classificações individuais de uma prova de ciclismo: a geral e a da juventude, com as camisolas rosa e branca na posse do ciclista das Caldas, e da montanha, com a camisola azul no tronco do corredor do Montijo, que fez parte da sua formação aqui em Alcobaça, no ACC.


Na NBA os Los Angeles Lakers bateram os Miami Heat, na sexta partida das finais, e atingiram o 17º título de campeão norte-americano de basquetebol, o quarto para uma lenda: Le Bron James.


Em França outra lenda nasceu neste domingo: Rafael Nadal, a lenda de Roland Garros. Venceu pela décima terceira vez na catedral da terra batida, fechando com um sensacional ás o terceiro sete (7-5), depois de ter vencido os outros dois por 6-0 e 6-2, com que cilindrou Novak Djokovic, o número um mundial.


E na Alemanha, Lewis Hamilton venceu o Grande Prémio de Eifel, disputado no circuito de Nurburgring, e alcançou a  91ª vitória em Grandes Prémios de Fórmula 1, igualando o recorde de triunfos de Michael Schumacher. Uma lenda a deixar outra para trás.


E outra lenda a deixar-nos: Ângelo, o mítico bicampeão europeu. Um símbolo do Benfica que já não temos!

domingo, 11 de outubro de 2020

Uma selecção respeitada

Desta vez, não houve Éder. Portugal e França seguem 'coladinhos' no topo


 


No cartaz desta terceira jornada do apuramento para a fase final da Liga das Nações sobressaía o confronto entre os campeões do mundo e da Europa. Bastava isso para legitimar grandes  expectativas para este jogo no Stade de France, em Paris. É certo que poderiam baixar significativamente se, em vez de olhar para o jogo sob essa perspectiva, se reparasse que era também uma repetição dessa inesquecível final do Europeu de há cinco anos. 


Desse jogo guardamos na nossa memória a vitória, que deu esse título europeu que Portugal ainda ostenta porque, como se sabe, a competição que deveria ter decorrido no início do último Verão, não se realizou. Mas lembramos também as exibições dessa selecção nacional resultadista, mas pouco brilhante. 


Pois. O jogo de hoje foi um jogo entre o campeão mundial e o campeão europeu. Aquela selecção nacional encolhida, que entrava em campo para se defender do jugo do adversário que dava por adquirido,  quase de subserviência - essa tal que o seleccionador Fernando Santos no "pré-match" distinguiu da humildade, mas que nem sempre é assim tão distinta - já não existe. E se outros méritos este jogo não tivesse tido, bastar-lhe-ia ter permitido chegar a esta conclusão. 


Finalmente a selecção nacional consegue jogar um futebol compatível com a qualidade dos jogadores de que dispõe. Viu-se isso durante toda a primeira parte, onde a selecção nacional assumiu o controlo do jogo, e foi claramente superior à francesa. Não criou grandes oportunidades de golo, é certo. Mas também não as consentiu ao adversário, e teve a bola e jogou-a com qualidade. E impõe respeito aos adversários. Nunca se tinha visto uma selecção francesa entrar num jogo com Portugal com tanto respeito,.


A segunda parte foi diferente. O meio campo da equipa nacional decresceu de rendimento, enquanto os dos franceses evoluiu  em sentido contrário, e os franceses tiveram mais bola, e passaram a estar por cima do jogo. Nunca no entanto a subjugar. E, num jogo com poucas oportunidades de golo, a maior parte delas até acabou por pertencer à selecção portuguesa.


O apuramento para a final a quatro está em aberto.  Nada está decidido e a até Croácia, vice-campeã do mundo, que ganhou à Suécia, tem ainda condições para o discutir. Com as melhores selecções da Europa concentradas em apenas quatro grupos, de que apenas uma se apura, o apuramento terá sempre muito de circunstancial. Bem mais do que isso é a confirmação da selecção portuguesa no topo europeu. Onde afinal já estavam alguns dos seus jogadores.

sábado, 10 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


As empresas de apostas on line não irão deixar passar muito mais tempo sem aproveitar o jogo que apaixona Portugal: chamemos-lhe o orçamento 1X2!


Passará o orçamento? Aceitam-se apostas.


De semana para semana vemos que as tendências se alteram. Se na moda as tendências são marcadas pelos estilistas aqui, neste jogo, quem as marca são evidentemente os analistas políticos e os politólogos, essa nova profissão na moda. Na moda não da moda! E tão nova que o meu processador de texto não a deixa passar sem a assinalar a vermelho!


Ao governo, como às vezes a muitas equipas numa qualquer competição, serve o 1 e o X. Isto é a vitória e o empate, sendo a vitória representada pelo voto a favor e o empate pela abstenção.


Nas últimas semanas as tendências apontavam para o X. Todos apostavam na viabilização do orçamento através da abstenção do PSD. À medida que se caminhava para o final da semana essa tendência ia perdendo força: já ninguém acreditava que Passos Coelho pudesse voltar a dar a mão a Sócrates. Porque Sócrates não se punha sequer a jeito e porque Passos criara as suas próprias amarras.


A pressão do Presidente da República – particularmente interessado no jogo pelas razões conhecidas – já de pouco vale. A de Durão Barroso também de pouco deverá valer: perdeu, a meu ver, autoridade moral para o que quer que seja (veremos se lá mais para a frente, daqui por uns anos, quando ele aí aparecer de saco às costas para apanhar o comboio da presidência da república – se ela ainda existir – ainda nos lembramos disso!) e nem o pomposo chapéu de número 1 da Europa lhe vale. A de Manuela Ferreira Leite, mais uma vez disposta a emular-se pelo amor eterno a Cavaco Silva, apenas vem piorar as coisas: encosta a espada ao pescoço de um Passos Coelho já completamente imobilizado contra a parede a que Sócrates o encostou.


Estávamos nisto, com toda a gente a riscar o X das suas apostas, quando alguém se começa a lembrar que o 1 também é solução. Pois é: se o CDS votar a favor já Passos Coelho poderá salvar a honra (e o resto) do seu convento e o orçamento passar na mesma!


Não acredito nesta aposta. E não é por achar que Paulo Portas não fosse capaz de um qualquer golpe de rins. Não é por isso: é porque me começa a parecer claro que o chumbo do orçamento interessa a Sócrates! Vem mesmo a calhar. Vejam bem, fechem os olhos por um minuto e pensem um bocadinho: então isso não vem mesmo a calhar, não serve que nem uma luva naquela personagem?


É por isso que eu aposto no X. Sócrates encostou toda a gente à parede: o país, a todos nós, ao PSD e a Passos Coelho


Ao PSD interessa agora viabilizar o orçamento. De outra forma, nas mãos de Sócrates e da sua poderosa máquina de comunicação, será inapelavelmente responsabilizado pela crise política e pelas suas consequências económicas, financeiras e sociais. Quando se chegar a Maio, e finalmente às eleições, já ninguém se lembrará de outra coisa que da culpa do PSD naquela situação!


E a Passos Coelho? Bem, isso é outra história. Neste momento os seus interesses não coincidem com os do PSD… E no grupo parlamentar não estão os seus…estão os outros!


Complicado para Passos Coelho? Muito, e isso já se nota. Mas sê-lo-á sempre muito mais para todos nós!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Em futebolês, passar ao lado do jogo não tem a ver nem com o sítio onde se passa. Nem com o local de realização do jogo!


Quando, com um jogo do Sporting a decorrer em Alvalade, no Alvalade XXI, eu passo na segunda circular ali junto ao Campo Grande, não estou a passar ao lado do jogo. No entanto, lá dentro, em pleno campo de jogo, há quem esteja a passar ao lado do jogo.


Fui buscar este exemplo porque não podia ir buscar outro, não fiquem já a pensar que há aqui ponta de maldade. Na realidade também passo muitas vezes na mesma segunda circular, em frente ao Estádio da Luz. Mas nunca quando lá se joga: nessas ocasiões ou estou também lá dentro ou não estou a passar por fora. É certo que acabei há pouco de ouvir a entrevista do presidente do Sporting, que me pareceu estar também a passar ao lado do jogo. Tenho de admitir que me possa ter viciado o raciocínio!


Passar ao lado do jogo é passar pelo jogo sem dar por isso. É andar lá mas a vê-los passar: colegas, adversários e bola! É alhear-se do jogo, ou simplesmente as coisas não lhe correrem de feição. Não saírem… Há dias assim, e às vezes acontece aos melhores.


Quantas vezes o Cristiano Ronaldo passa ao lado do jogo? Muitas. Diria que na selecção é quase sempre. Esperemos agora que, com tantas declarações de amor e provas de confiança do Paulo Bento, as coisas passem a melhorar. Já a partir de hoje com a Dinamarca, que bem necessário é!


Mas nem só os jogadores passam ao lado do jogo. Muita outra gente passa ao lado do jogo em muitas circunstâncias da vida. Mas aqui é mais assobiar para o lado: não tanto a alhearem-se do jogo mas a fingir que não percebem. Não porque não percebam, apenas para ver se os outros não percebem!


No passado fim-de-semana vieram a público mais umas escutas do famoso apito dourado. Pouco acrescentavam ao que já conhecíamos: o mesmo teor, o mesmo vocabulário, os mesmos objectivos, enfim, a mesma vergonha. Uma novidade: desta vez apareciam mesmo altos agentes da Justiça que, se nada de muito comprometedor revelavam directamente, ajudam a perceber muitas coisas. Podem ajudar a perceber por que é que os tribunais ilibaram o que Justiça desportiva condenou. Ou por que é alguém está em Espanha quando é procurado em casa…


À entourage portista, que passa a vida a desvalorizar os factos para salientar a decisão judicial, essa sim, impoluta, definitivamente imparcial e justa e exercida por agentes da justiça a sério, por verdadeiros juízes acima de qualquer suspeita. é que isto não convinha nada. Não gostou que estas escutas viessem a público. E reagiu mal. Muito mal, como aqui se pode ver!


A divulgação das escutas é ilegal! É pidesco! É um atentado! É terrorista!É a inquisição! É um auto de fé!


Foi com estas expressões que o Sr Rui Moreira abandonou um programa de TV: o trio de ataque da RTP!


Quer dizer, para esta gente arregimentada para branquear um longo período de batota no futebol português, não são os factos, que as escutas tornam indesmentíveis, que importam. Não, o que importa é que a sua divulgação é ilegal! Entre a ilegalidade (e a vergonha) dos factos comprovados é mais determinante a ilegalidade de os divulgar. Estranha forma de avaliar a ilegalidade! Ou de passar ao lado do jogo?


Eles querem é levar-nos a passar ao lado deste jogo sujo. Muito sujo e que lhes dá muito trabalho a branquear!

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

"Numa de policial"*

 


 


Processo-crime contra Duarte Lima por homicídio de Rosalina Ribeiro chegou  a Portugal - Cm ao Minuto - Correio da Manhã


 


Ficamos esta semana a saber que o processo-crime instruído no Brasil contra Duarte Lima, acusado do homicídio de Rosalina Ribeiro, companheira do falecido e conhecido empresário Tomé Feteira, aqui da nossa região, foi remetido para Portugal, com pedido de julgamento. A decisão de o enviar para julgamento cabe agora à ministra da Justiça.


Duarte Lima, que foi um dos mais influentes dirigentes políticos do cavaquismo, não dispõe neste momento de grandes argumentos abonatórios. Foi já acusado e julgado por se ter apropriado ilicitamente de cinco milhões de euros que pertenciam à senhora. E está actualmente, e depois de ter esgotado todos os recursos, a cumprir pena de prisão por burla e branqueamento de capitais, num processo que envolve tudo do que de pior pode ter a vigarice e a influência política. E que passa, como não poderia deixar de ser, pelo BPN e pela especulação imobiliária. 


Não tem por isso muito que abone em defesa da sua integridade ética e moral. E o capital de respeito e de solidariedade, e até a admiração que granjeou no seu processo de luta contra um cancro, foi completamente desbaratado.


Mas admitir que tenha sido capaz de ir ao Brasil para matar uma mulher a tiro e deixar o corpo abandonado na beira da estrada, parece coisa de mais. Poderá até haver quem ache que Duarte Lima é capaz disso e de muito mais. Mas num país onde há tanto jagunço, onde por tudo e por nada se encontra gente capaz de matar sem fazer perguntas, onde matar é fácil e é barato, porquê fazê-lo Duarte Lima pelas próprias mãos?


Não parece fazer muito sentido, pois não?


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

É mesmo de política que se fala

Marcelo Rebelo de Sousa: "Que sejam aquilo que são sempre: os melhores" -  Futebol - SAPO Desporto


 


As selecções de futebol de Portugal e Espanha empataram a zero naquele que foi o primeiro jogo de primeiro plano com público nas bancadas. O primeiro ocorrera no passado fim-de-semana, nos Açores, entre o Santa Clara e o Gil Vicente, com 800 espectadores. No de ontem estiveram 2.500, e quase não se  deu por eles...


Desse jogo saiu como notícia que as duas federações ibéricas vão apresentar uma candidatura à realização do campeonato do mundo de futebol em 2030, o que deixa muita gente de cabelos em pé. Até porque os tempos que correm na península não vão muito entusiasmantes.


Não é só pela pandemia. É pelo pantanal político que se vive nos dois países. Cada um com a sua realidade, mas no mesmo terreno escorregadio.


O actual momento político em Portugal, dominado cenário de aprovação do orçamento, e pela escolha do presidente do Tribunal de Contas, não poderia de resto ser mais eloquente. O presidente empurra, empurrou sempre, a aprovação do orçamento para a esquerda, para libertar o PSD para a alternância. Mas reforça institucionalmente o bloco central, reforçando-lhe o poder no aparelho de Estado. 


É assim nas CCDR, divididas, pataca a mim pataca a ti, entre o PS e o PSD, mas depois legitimadas por uma simulação democrática em Assembleias Municipais de ratificação das decisões dos directórios do Bloco Central. E foi assim com a nomeação do novo presidente do Tribunal de Contas que, de nomeado pelo Presidente sob proposta do governo, acabou nomeado pelo Presidente por escolha de Rui Rio.


O presidente, que nesta altura por força do calendário eleitoral não tem praticamente poderes, na realidade põe e dispõe. Põe à esquerda a responsabilidade por assegurar o regime, e dispõe que dele disponha o bloco central. 


 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


 


Em futebolês, passar ao lado do jogo não tem a ver nem com o sítio onde se passa. Nem com o local de realização do jogo!


Quando, com um jogo do Sporting a decorrer em Alvalade, no Alvalade XXI, eu passo na segunda circular ali junto ao Campo Grande, não estou a passar ao lado do jogo. No entanto, lá dentro, em pleno campo de jogo, há quem esteja a passar ao lado do jogo.


Fui buscar este exemplo porque não podia ir buscar outro, não fiquem já a pensar que há aqui ponta de maldade. Na realidade também passo muitas vezes na mesma segunda circular, em frente ao Estádio da Luz. Mas nunca quando lá se joga: nessas ocasiões ou estou também lá dentro ou não estou a passar por fora. É certo que acabei há pouco de ouvir a entrevista do presidente do Sporting, que me pareceu estar também a passar ao lado do jogo. Tenho de admitir que me possa ter viciado o raciocínio!


Passar ao lado do jogo é passar pelo jogo sem dar por isso. É andar lá mas a vê-los passar: colegas, adversários e bola! É alhear-se do jogo, ou simplesmente as coisas não lhe correrem de feição. Não saírem… Há dias assim, e às vezes acontece aos melhores.


Quantas vezes o Cristiano Ronaldo passa ao lado do jogo? Muitas. Diria que na selecção é quase sempre. Esperemos agora que, com tantas declarações de amor e provas de confiança do Paulo Bento, as coisas passem a melhorar. Já a partir de hoje com a Dinamarca, que bem necessário é!


Mas nem só os jogadores passam ao lado do jogo. Muita outra gente passa ao lado do jogo em muitas circunstâncias da vida. Mas aqui é mais assobiar para o lado: não tanto a alhearem-se do jogo mas a fingir que não percebem. Não porque não percebam, apenas para ver se os outros não percebem!


No passado fim-de-semana vieram a público mais umas escutas do famoso apito dourado. Pouco acrescentavam ao que já conhecíamos: o mesmo teor, o mesmo vocabulário, os mesmos objectivos, enfim, a mesma vergonha. Uma novidade: desta vez apareciam mesmo altos agentes da Justiça que, se nada de muito comprometedor revelavam directamente, ajudam a perceber muitas coisas. Podem ajudar a perceber por que é que os tribunais ilibaram o que Justiça desportiva condenou. Ou por que é alguém está em Espanha quando é procurado em casa…


À entourage portista, que passa a vida a desvalorizar os factos para salientar a decisão judicial, essa sim, impoluta, definitivamente imparcial e justa e exercida por agentes da justiça a sério, por verdadeiros juízes acima de qualquer suspeita. é que isto não convinha nada. Não gostou que estas escutas viessem a público. E reagiu mal. Muito mal, como aqui se pode ver!


A divulgação das escutas é ilegal! É pidesco! É um atentado! É terrorista!É a inquisição! É um auto de fé!


Foi com estas expressões que o Sr Rui Moreira abandonou um programa de TV: o trio de ataque da RTP!


Quer dizer, para esta gente arregimentada para branquear um longo período de batota no futebol português, não são os factos, que as escutas tornam indesmentíveis, que importam. Não, o que importa é que a sua divulgação é ilegal! Entre a ilegalidade (e a vergonha) dos factos comprovados é mais determinante a ilegalidade de os divulgar. Estranha forma de avaliar a ilegalidade! Ou de passar ao lado do jogo?


Eles querem é levar-nos a passar ao lado deste jogo sujo. Muito sujo e que lhes dá muito trabalho a branquear!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...