Chegou finalmente o dia do resgate dos mineiros chilenos. Mais cedo, muito mais cedo que as primeiras previsões. À hora que escrevo são já vinte e três os mineiros que abandonaram aquele buraco daquela mina onde passaram os últimos dois meses.
Esta é uma fantástica história de sobrevivência que inevitavelmente será imortalizada pela sétima arte, ao lado de tantas outras não menos épicas histórias da enorme capacidade de resistência humana. É também uma fantástica oportunidade para a Ciência, onde muitos dos seus ramos encontrarão seguramente múltiplas aplicações.
Mas, no meio de uma grande história, de um enorme drama e de tantas lições de vida, surge uma pequena estória bem pitoresca: a de Ionni Barrios, um dos trinta e três mineiros e, se não estou em erro, o vigésimo a ser resgatado.
Ionni tinha uma vida dupla. Casado há vinte e oito anos, dividia as mágoas e as agruras daquela vida de mineiro pela mulher e por uma amante. Vá lá saber-se porquê, o segredo seria desvendado e a estória viria a público precisamente quando o pobre do Ionni vivia este drama a 700 metros de profundidade.
Ao desenvencilhar-se da cápsula que o trazia de regresso à vida percebeu-se que alguma coisa ali não estava tão bem. A exuberância do reencontro era substituída por uma descrição pouco comum. Surge então uma senhora – os mineiros ao chegarem cá acima apenas podem ser recebidos por um único familiar (obviamente que, no meio daquela organização toda, previamente escolhido) – que se aproximou e o abraçou: um simples abraço! Tudo muito comedido, como o Ionni. Era a amante. A mulher, essa, não apareceu!
Agora são duas a disputar a indemnização. Quem sabe se ele não vai querer regressar à mina…

Sem comentários:
Enviar um comentário