sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Brexit day*

Resultado de imagem para dia de brexit"


 


Chegou hoje finalmente o dia do brexit. É irreversível, a partir de hoje os britânicos não fazem mais parte da União Europeia, um clube onde – pensava-se – só havia quem quisesse entrar.


Os ingleses, que sempre desempenharam o papel principal na História da Europa, e particularmente decisivo no desfecho das duas grandes guerras que rebentaram no continente, e se espalharam pelo mundo, no primeiro terço do século passado, nunca foram verdadeiros entusiastas da integração europeia.


Mesmo que tenha sido Churchill, no final da guerra, a lançar a ideia, a verdade é que se pôs de fora logo que ela ganhou forma (mesmo que seja também verdade que De Gaule sempre lhes fechou a porta), e o Reino Unido já não integrou o restrito grupo dos fundadores da Europa. Entraria mais tarde, em Janeiro de 1973, com a Irlanda e a Dinamarca, e foram 47 anos de permanente turbulência, com um pé fora e outro dentro. E sempre fora da união monetária, a que recusou determinantemente aderir.


Os despojos do seu vasto império colonial, reunidos na Commonwealth, e a imponente praça financeira da sua capital, sustentaram-lhe sempre o pé que deixava de fora, pelo que um desfecho como este teria sempre o condão de não surpreender muita gente.


No entanto parece claro que não seria esta a melhor altura. Porque a Europa se encontra num período de irreversível perda de relevância no contexto mundial, mas também porque esta é uma decisão das gerações britânicas mais velhas, em choque frontal com a vontade dos mais novos.


O Brexit, cujas reais consequências ninguém neste momento consegue avaliar em toda a sua extensão, e baseado em mentiras, falsidades e manipulações várias, surge em pleno contraciclo. Em contraciclo com a dinâmica da História que se vai fazendo neste primeiro quartel do primeiro século do milénio mas, acima de tudo, em contraciclo com a dinâmica natural da própria sociedade britânica.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Hora de brexit

 


 


Resultado de imagem para brexit parlamento europeu


 


Com o coronavírus no topo da actualidade, o troglodita André Ventura na capa de jornais internacionais por sugerir a deportação de uma deputada - e o seu partido a subir que nem um balão fugido das mãos de uma criança -, e o IVA da electricidade a dar choque, quase não se deu conta que o brexit está finalmente aí. Irreversível!


Ontem foi dia de despedidas no Parlamento Europeu. De festa, para Farage e o seu séquito, a jurar nunca mais voltar. De angústia para os outros, e particularmente para os escoceses, já anunciarem que vão ter saudades... Como as fotos sugerem.


Segue-se uma nova Europa, se não mesmo um novo mundo!


Curioso é que, de adiamento em adiamento, a data do brexit tenha ficado a coincidir com a do fecho do mercado de inverno do futebol. E por isso chega finalmente ao fim a novela Bruno Fernandes, que acaba por entrar em Inglaterra quando ela própria está a sair. O que, podendo deixar a ideia de algum desencontro,  não quer evidentemente dizer nada.


Boa sorte, Bruno!


 


Resultado de imagem para brexit parlamento europeu


 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

"Acordo do século"

Diário de Notícias


 


Para Trump tudo serve para desviar a atenção do julgamento do impeachement em curso no Senado, onde, ao contrário de todas as expectativas, as coisas não estão a correr nada bem. Os "republicanos" dispunham de maioria para tudo, inclusivamente para impedir novos e decisivos testemunhos, como o de John Bolton... Só que já há alguns senadores republicanos a achar que ele tem coisas importantes para dizer...


Agora tirou da cartola, e chamou "acordo do século", a um programa sem pés nem cabeça para a paz entre Israel e a Palestina, de uma incompetência em toda a linha. Defende a criação do Estado palestiniano, mas sem mexer nos territórios ocupados... E propõe a capital da Palestina para Jerusalém leste - onde "os Estados Unidos da América abrirão orgulhosamente a sua embaixada" - ao mesmo tempo que reafirma uma Jerusalém una e indivisível. Para onde Trump transferiu a embaixada há dois ou três meses...

Ler os outros

ventura.jpg


 


Vale a pena ler no Delito de Opinião o que o JPT escreve sobre André Ventura. Mais que um bom postal, é um bom retrato. 


A fotografia documenta tudo, e também vem de lá.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Dúvida e campanha

Diário de Notícias


 


Mais do que a dúvida, campanha está lançada. Denunciante, ou criminoso?


Criminoso? Certamente! 


Denunciante? Poderá ser que sim, poderá provavelmente vir a sê-lo, mas não o é!


O Luanda Leaks é, para já, a onda que os advogados de Rui Pinto estão a cavalgar para lançar a dúvida e a campanha. Uma coisa é certa: Rui Pinto não ficou a ser conhecido por ser denunciante. Ficou a ser conhecido, saltou para as primeiras páginas dos jornais e para os ecrans das televisões pela prática de actos criminosos. Não fez uma única denúncia, nem em qualquer circunstância entregou o que quer que fosse à Justiça!


 


 


 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Notícias de morte

Resultado de imagem para auschwitz


 


Se passam hoje 75 anos sobre a libertação de Auschwitz, a maior vergonha e o maior pesadelo da humanidade, de ontem saltaram duas notícias para o topo da actualidade: a trágica morte de Kobe Bryant e o congresso do CDS, com outra morte, mesmo que menos dramática - a do portismo.


A morte em todas elas, o que faz delas notícias de morte. 


O maior campo de concentração e de extermínio do regime nazi de Hitler foi libertado há precisamente 75 anos, e a data é hoje assinalada com uma cerimónia no local a que, para além de chefes de Estado e embaixadores de todo o mundo, conta ainda com a presença de 200 sobreviventes daquele terrível espaço de morte.


Tivemos conhecimento da morte de Kobe Bryant ontem à noite, e surgiu-nos como aquelas notícias em que não queremos acreditar. É assim que sempre reagimos às notícias da morte de uma lenda, daqueles que temos por imortais, como era o caso desta estrela maior da NBA.


Do congresso do CDS saiu o anúncio do nascimento um novo partido por morte de outro, do velho CDS. Dizem que é um novo CDS a renascer das cinzas do velho CDS. Pode ser, mas a mim parece-me que o novo é mais velho que o velho!


Poderão ter morrido alguns "ismos", já a cair de maduros. Mas morreu também o CDS que desempenhou um papel histórico na democracia portuguesa enquanto tampão da extrema-direita anti-democrática. O que aí vem agora é um partido com ar de muito à frente virado muito para trás. Um partido com um presente acantonado no passado, articulando pensamento retrógrado com linguagem actual, e altamente centrado no culto ao líder. 


 

domingo, 26 de janeiro de 2020

Demonstração de categoria

Benfica vence Paços de Ferreira e vai em 18 vitórias seguidas fora


 


A fantástica carreira do Benfica nesta liga não lança apenas a crise sobre o seu principal opositor na disputa do título, e no seu futebol de pontapé para a frente, que os especialistas do comentário da bola douram, chamando-lhe "futebol em busca permanente da profundidade". Projecta também sobre os restantes adversários a dúvida sobre a melhor forma de o enfrentar: se recorrer a uma estratégia ultra-defensiva, posicionando os seus jogadores junto à sua grande-área, com duas linhas de cinco muito juntas; ou se discutir o jogo no campo todo, pressionando os jogadores do Benfica logo a partir da saída em construção.


Concluindo facilmente que todos os adversários do Benfica que optaram por se acantonar lá atrás acabaram sempre por perder, Pepa optou por experimentar a outra alternativa neste jogo de hoje em Paços de Ferreira. Com jogadores de alta compleição física, e rijos, o treinador do Paços entendeu que, com esses argumentos, poderia "engasgar" a máquina benfiquista, e decidiu disputar o jogo no campo todo.


E fez bem. Não ganhou, mas ficou o futebol a ganhar, transformando o jogo numa partida viva, muito disputada e bem jogada. Na primeira parte, muito bem jogada mesmo. Porque o Benfica pôde apresentar o seu bom futebol habitual, e o Paços não estragou. Pelo contrário, valorizou também a partida.


A dúvida no resultado, e em particular sobre o vencedor do jogo, não permaneceu muito tempo no estádio. Durou menos tempo que a surpresa pela postura pacence em campo. Viu-se logo no início da partida que, com surpresa, o Paços atacava e, sem surpresa, o Benfica criava oportunidades de golo. Que o Benfica anulava com facilidade todos os ataques do adversário, e concluia com finalização todos os que construía.


Foi sempre assim, e ainda mais assim durante toda a primeira parte. Quando Rafa, aos 38 minutos, concluiu no primeiro golo uma espectacular assistência de Rúben Dias, com uma grande execução - mais uma - já tinham ficado para trás cinco oprtunidades claras para marcar, entre as quais um remate à barra, logo aos 10 minutos, para além de um golo anulado pelo VAR, aos 18, com um alegado fora de jogo no iníco da jogada, que no campo e na televisão ninguém viu, mas que as linhas manhosas acabaram por apurar ser por 4 centímetros. 


 O escasso 0-1 ao intervalo não tinha nada a ver com o recital que o Benfica deixara no campo.


Na segunda parte a qualidade baixou um pouco, mas o figurino do jogo não. Logo aos dois minutos, novo passe a rasgar do central, desta vez de Ferro, e de novo para Rafa, que assistiu Vinícius para o segundo. E pouco depois mais um golo anulado pelo VAR, desta vez num fora de jogo que parecia claro mas que, afinal, pelas mesmas linhas manhosas, voltava a ser à pele. E mais umas tantas oportunidades desperdiçadas, entre as quais uma de Seferovic (que entrara para substituir Vinícius) que irá certamente para os apanhados desta Liga.


Fica um jogo difícil que o Benfica tornou fácil, com uma grande demonstração de categoria. Pela qualidade exibcional mas, a cima de tudo, pela capacidade de resposta a uma situação que não estaria certamente no plano de voo para esta partida. Basta reparar que os golos nascem nos centrais. Ou que o Paços até teve mais posse de bola durante todo o jogo! 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

O irritante*

Resultado de imagem para irritante manuel vicente


 


Esta semana não se falou de outra coisa. As revelações do Luanda Leaks, Isabel dos Santos e as suas empresas, os seus investimentos e os seus amigos em Portugal, dominaram completamente a agenda mediática.


E no entanto ninguém abriu a boa de espanto quando, mesmo no fim do fim-de-semana, se começou a ouvir falar do que saltava do Luanda Leaks.


Que a filha de José Eduardo dos Santos utilizou o poder do pai, velho de 40 anos, para canalizar dinheiro do Estado Angolano para os seus próprios negócios era um dado mais do que adquirido. E conhecido de toda a gente. Desde os que a acompanhavam aos que lhe foram estendendo as passadeiras.


Mas em Portugal nunca ninguém deu importância a isso. Importante foi sempre o dinheiro que Isabel dos Santos trazia. De onde vinha e com aqui chegara não interessava a ninguém. Nem aos parceiros de negócios, nem aos reguladores, nem ao poder político, nem à Justiça.


Não se pode dizer que, de repente, na segunda-feira, tudo mudou. É verdade que vimos de imediato muita da nossa melhor gente a saltar fora, como ratos a abandonar o navio. Mas já tudo vinha mudando desde que o poder mudou de mãos em Angola, e se percebeu que Isabel dos Santos ficara do lado de fora.


Porque é sempre disso que se trata. Da posição relativa face ao poder em Angola. Em Portugal, governos, elites e instituições serviram reverencialmente José Eduardo dos Santos, o seu regime e a sua gente, exactamente como agora fazem com o poder instalado em Luanda.


Tudo que não seja assim, é “irritante”. Como lhe chamou o próprio primeiro-ministro quando, há ano e meio, ou por aí, resumiu a isso a insistência da Justiça portuguesa em julgar Manuel Vicente, em contramão com o poder de Luanda, que o mantinha no lado de dentro.


Não deixa de ser curioso que tenha acabado de aterrar em Lisboa Hélder Pitta Grós, o general que é Procurador-Geral da República de Angola, justamente o rosto do finca-pé do “irritante”. Vem agora pedir a colaboração das autoridades portuguesas na investigação a Isabel dos Santos.


Irritante, irritante mesmo, será se não aproveitarem para lhe perguntar como é que vai por lá o tão requisitado processo de Manuel Vicente…


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 

Jogada de mestre?

capa Jornal i


 


Faz título de capa nos jornais, corre nas redes sociais ... e é uma séria tentativa da oposição interna do PS entalar António Costa.


Devo dizer que sou de opinião que Ana Gomes poderia ser uma boa candidata às presidenciais. Seria garantia certa de animação da campanha e, acima de tudo, não deixaria exclusivamente nas mãos do populismo de direita, em particular, o tema da corrupção. Não tenho grandes dúvidas que nunca seria uma boa presidenta, mas isso são contas de outro rosário!


Mas, como ela própria deixou claro na entrevista ao Vítor Gonçalves (uma no cravo, outra na ferradura) que ontem passou na RTP, não será a candidata socialista às próximas presidenciais. Não que não quisesse - percebeu-se que a ideia era do seu profundo agrado - mas porque, como referiu expressamente, António Costa nunca o permitiria. 


Estando completamente fora de causa que Ana Gomes possa ser a candidata socialista às próximas presidenciais, não está no entanto minimamente em causa que possa ser candidata. Basta que António Costa, como evidentemente pretende, e como é do seu particular interesse estratégico, apoie a recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Expressa ou implicitamente. 


É por isso que, do ponto de vista da oposição interna a António Costa, lançar Ana Gomes é uma jogada de mestre, ou não muito longe disso. Até porque, na lista dos promotores da ideia, é tão natural ver o meu conterrâneo Daniel Adrião, como extraordinário e anti-natura ver o de Francisco Assis!


 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O preço da frustração

Resultado de imagem para mathieu esgaio


 


O primeiro jogo da chamada "final four" da Taça da Liga, a última deste "pacote" disputada em Braga, esteve muito longe da festa anunciada, a começar pela adesão do público - apenas 10 mil espectadores no Estádio - e a acabar num final à sul-americana.


Depois do golo da vitória do Braga (2-1), ao minuto 90, Mathieu, o defesa francês do Sporting que apontara o golo da sua equipa, e que acabara de ser batido nas alturas pelo Paulinho naquele golo, de cabeça perdida, parte em direcção ao Ricardo Esgaio, já sem bola, e pontapeia-o. De imediato toda a gente saltou do banco bracarense, revoltada com a atitude do francês e, em resposta, o mesmo sucedeu no banco sportinguista. No fim de cinco minutos à sul-americana, tudo acabou com não sei quantos amarelos e mais dois vermelhos, curiosamente para os dois Eduardo, que estavam nos dois bancos.


Se há jogadores que fervem em pouca água, que, mais maldosos ou menos maldosos, estão sempre prontos para a confusão, Mathieu não é um desses. Pelo contrário, é um jogador maduro (também já tem idade para isso), tranquílo, de quem nunca se esperaria uma reacção daquelas. Como de resto demonstrou, numa atitude de rara nobreza, ao deslocar-se ao balneário do adversário e pedir desculpa pelo seu acto irreflectido.


Mathieu é um dos três melhores jogadores do actual Sporting, e um dos poucos com competência e classe para sustentar as ambições do clube e dos seus adeptos. E o último a ceder à frustração!


A frustração pela sua competência não ser suficiente para compensar a incapacidade alheia. E a frustração pelo caos que o rodeia tornar irrelevante o seu valor e o seu esforço. Não, Silas, o Mathieu não "se sentiu injustiçado". Simplesmente não resistiu mais à sua frustração!


A mesma frustração que faz com que Acuña (mesmo que este seja dos tais "mauzinhos", que fervem em pouca água) passe quase tantos jogos fora como a jogar, e que só não suceda o mesmo com Bruno Fernandes por mera complacência dos árbitros que, rendidos ao seu estatuto de estrela da equipa, tudo lhe permitem.


Ontem foi a vez de, com a nobreza que os outros não têm, Mathieu pagar o preço da frustração. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Os distraídos de sempre

Resultado de imagem para isabel dos santos e as elites portuguesas


 


Sem surpresa, o Luanda Leaks volta a mostrar-nos a verdadeira face das nossas elites e das nossas instituições. De repente, percebemos que tudo o que todos nós, simples cidadãos comuns, há muito tínhamos percebido, é uma enorme surpresa para quem tem por responsabilidade tomar conta disto.


Portugal constituiu uma plataforma decisiva no processo de enriquecimento ilícito e despudorado de Isabel dos Santos. Lavando-lhe, por um lado, o dinheiro e dando-lhe, por outro, credibilidade internacional. Todos sabemos como o país se pôs de cócoras perante o dinheiro da elite corrupta angolana, é coisa tão recente que nem é preciso apelar à memória. O país precisava de dinheiro, e sabe-se como, em Portugal, a necessidade de dinheiro corre em sentido contrário ao da vergonha. Quanto maior é a necessidade de dinheiro menor é a vergonha!


Por isso, os  que ajudaram Isabel dos Santos a lavar o dinheiro e a imagem, e que foram os facilitadores da sua projecção internacional, vendendo uma história de sucesso em vez de mais uma história de corrupção num país africano pobre, são os mesmos que hoje suspiram ais de preocupação ou anunciam aos sete ventos o corte de relações comerciais. 


Curioso é que, por exemplo, o Banco de Portugal (sempre o Banco de Portugal!), para além de nunca se ter preocupado com a origem dos capitais que cá chegavam, nunca tenha encontrado qualquer problema no facto do banco de Isabel dos Santos ser presidido pelo ministro das finanças que lho entregou nas condições que todos nos lembramos. Ex-ministro que ontem foi dos primeiros a anunciar o corte de relações com a patroa, sem que ninguém saiba muito bem o que isso quer dizer...


 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Luanda Leaks

Resultado de imagem para luanda leaks portugueses envolvidos


 


Num fim de semana cheio e intenso - também desportivamente, mas esse não é para aqui chamado -, que parecia ter o seu ponto alto nas directas do PSD, onde a confirmação de Rui Rio não  parece nada acabar com o clima de guerrilha interna há muito instalado no partido, o melhor estava reservado para o fim. É normalmente assim!


A divulgação dos dados encontrados pela investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas, já conhecida por Luanda Leaks, acabou por fechar o fim de semana lá bem em cima. Não é que nunca tenhamos ouvido falar em qualquer das situações agora reveladas; a maior parte do que acaba de ser revelado não é novidade, e muito menos surpresa. Mas uma coisa é a percepção pelo rumor, outra é a revelação de dados investigados e confirmados, com nomes, números e datas. Mesmo que, como já vimos noutras investigações do mesmo Consórcio, e noutros Leaks, muita coisa acabe por dar em pouco mais que nada. 


Para já, Isabel dos Santos já não vai a Davos. Foi-lhe retirado o convite. E provavelmente terá que rapidamente se afastar de todos investimentos em que o seu nome não esteja escondido atrás de complexas e espessas teias de holdings e off-shores.


Até porque não foi apanhada desprevenida. Percebe-se isso quando, uma mulher que sempre fugiu da exposição mediática, que nunca se deixou aproximar de jornalistas, e que fez de fotógrafos verdadeiros inimigos, reage de imediato no Twitter, mesmo que recorrendo a velhas e gastas acusações de racismo e colonialismo. Como já se tinha percebido pela entrevista à RTP, a primeira de toda a sua vida, difundida na passada quarta-feira, onde nos deixara com uma ideia de fuga para a frente com o alto patrocínio da televisão pública portuguesa.


 

sábado, 18 de janeiro de 2020

Hoje

Resultado de imagem para uma estrela no céu


 


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


Hoje, é assim há onze anos... Há já onze anos que esta saudade cresce. Sem fim!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Dérbi em dia de recordes

Rafa decide o dérbi e deixa Benfica com sete pontos de vantagem na liderança


 


Metade do campeonato já lá vai. Para as quatro principais equipas do panorama nacional, provavelmente as quatro primeiras da classificação quando tudo acabar, lá para Maio, a primeira volta deste campeonato terminou hoje.


E de que maneira!


Com um dérbi, que não é só de Lisboa. É o dérbi. Desta vez em Alvalade, onde o Benfica entrou depois do Porto ter jogado e perdido, no Dragão, com o Braga, e portanto com a possibilidade de alargar para 7 pontos a sua vantagem para o segundo.


Não terá sido por isso, pelo menos a crer nas palavras de Bruno Lage - que disse que os jogadores, tal como ele próprio, apenas tinham tomado conhecimento do resultado do Dragão ao intervalo -. que o Benfica entrou pressionante e intenso no jogo. Mas foi assim que a equipa surgiu no jogo, mandão.


Na primeira meia hora só deu Benfica. Mas não deu golos, e até poderia ter dado um para o Sporting, num remate ao poste de Rafael Camacho, aos 25 minutos. Toda essa superioridade no jogo não deu golos porque os jogadores mais decisivos na fabricação de golos, como Pizzi, Vinícius, Chiquinho ou Grimaldo, estão agora longe da forma de há umas semanas, antes da paragem. E como a equipa não remata de fora da área - parece que a ordem é entrar com a bola pela baliza dentro - é preciso que os jogadores estejam todos no top de forma, para que o passe saia no ponto, o drible na medida certa e o faro de golo em alto grau de apuro.


No último quarto de hora, abandonada a pressão e a intensidade que não tinha dado golos, e que não pode durar sempre, o Sporting começou a libertar-se desse domínio e a ficar perto de equilibrar o jogo, muito à custa de um jogo esticado a partir dos passes longos, principalmente de Bruno Fernandes, que agora já pode partir para Manchester.


A segunda parte começou mal. Pior era difícil. Os energúmenos do costume, que há em todos os clubes, resolveram começar a despejar tochas e petardos para o relvado, mesmo para cima da baliza do seu próprio guarda-redes. O jogo tardou, primeiro, a recomeçar e, depois, a ganhar ritmo, e interesse.


O Benfica nunca mais voltou à superioridade da primeira parte, mas fazia sempre melhor o que havia a fazer. A superioridade individual dos jogadores do Benfica vinha sempre ao de cima, e mais ao de cima veio quando, aos 64 minutos, o regressado Rafa, inspirado, entrou para o lugar do discreto Chiquinho.


Bastaram-lhe 6 minutos para fazer o que ninguém tinha conseguido - o golo. Havia ainda muito tempo para jogar - Hugo MIguel, o árbitro, de que ainda não falei, e de quem não há nada a dizer, porque não tem nada a ver que o Jorge de Sousa, no VAR, tenha demorado alguns cinco minutos para validar um golo sem mácula,  deu 10 minutos de tempo extra - mas percebeu-se que o Sporting não tinha argumentos para fazer perigar a vitória do Benfica. E que corria riscos de voltar a sofrer, como viria a acontecer já perto do fim, em mais um golo de Rafa, de excelente execução, que selaria a excelente e porventura decisiva vitória benfiquista. Que, na última jornada de uma primeira volta marcada por recordes (recorde de pontos, recorde de vitórias, e recorde de vitórias sucessivas fora de casa), deixa o Benfica numa liderança com 7 pontos de vantagem. Tantos quantos há um ano tinha de desvantagem. Acho que ninguém se esquece! 


 


 

De morrer a rir

            capa Correio da Manhãcapa Públicocapa Jornal de Notícias


 


Hoje é notícia as buscas no Montepio, e muitas das irregularidades apontadas a Tomás Correia que têm barbas. Créditos sem garantias, fraudes em aumentos de capital e ... José Guilherme, que deu prendas a Ricardo Salgado com dinheiro que foi buscar ao Montepio. E é notícia que o governo se prepara para injectar no Novo Banco os últimos 1.400 milhões de euros. Sabíamos que o Orçamento que ainda está por aprovar contava com metade disso, mas parece que a ideia do governo é acabar com isto, e entregar de vez tudo o que, à luz dos brilhantes negócios daquele Sr Sérgio Monteiro, de que já ninguém fala, ainda falta para que a Lone Star venda o Banco, ganhe muito dinheiro e morra a rir de nós todos. Como riu Berardo e anda certamente a rir José Guilherme há uma porrada de anos.


Porque isto é mesmo de morrer a rir...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Czar da República

Resultado de imagem para czar putin


 


Sem lata para continuar a saga de Mr Dupont e Mr Dupond, como já aqui lhe chamei, com a rotação entre a chefia do governo e a da República para contornar a limitação de mandatos, Putin parte para outra. E começa logo por descartar o seu Mr Dupond, o seu peão Medvedev, agora na chefia do governo. 


Parece assim, mas talvez não seja bem assim. Putin não estará propriamente a deitar Medvdev fora, nem sequer a pedir-lhe um último sacrifício. É preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma, e Putin quer mude muita coisa para que tudo fique ainda mais na mesma. Muda, para já, o governo. E depois muda a constituição, retirando poderes ao Presidente, que já não será ele, mas o que lhe suceder em 2024, e que não será mais Medvedev. O que está por saber é que figura institucional inventará para si próprio para receber esses poderes que, obviamente, que não vão para a Duma (o parlamento) como pretendeu Putin que ficasse subentendido.


Talvez czar da República não ficasse mal...

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Objectivo(s) conseguido(s)

Seferovic salta do banco para colocar Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal


 


Já não dá para disfarçar o cerco que se aperta à volta do Benfica. É a calendarização dos jogos, são as consecutivas nomeações cirúrgicas dos árbitros, seja para o campo seja para o VAR, e são, por fim, os seus desempenhos. A seguir a Carlos Xistra, há quatro dias, hoje Artur Soares Dias, que há os mesmos quatro dias, desbloqueou o jogo ao Porto, validando inacreditavelmente o golo que o resolveu, e começou a resolver o próximo, com o Braga, expulsando o Corona, para trocar esse jogo com o de hoje, com o Varzim, para a Taça.


É impossível dizer o que quer que seja deste jogo sem falar de Artur Soares Dias e de Tiago Martins, o VAR, outra escolha cirúrgica. Começaram logo por transformar um hipotético 2-1 no 1-2 quando decidiram não assinalar o penalti claríssimo sobre o Chequinho, na sequência do que o Rio Ave saiu em contra-ataque para fazer o segundo golo. Por marcar ficaram mais três penaltis a favor do Benfica. Um que Soares Dias, bem posicionado, sem nada a tapar-lhe a visibilidade, assinalou sobre Taarabt, mas que Tiago Martins fez reverter, sem qualquer dificuldade em convencer o árbitro de campo, que nem precisou de recorrer às imagens para reconhecer que afinal se havia equivocado. Outro sobre Pizzi, e outro ainda quando um defesa do Rio Ave desviou para a barra, com o cotovelo, um remate de Chiquinho.


Dêm-se as voltas que se derem, foi assim. E mesmo assim foi um bom jogo de futebol, com o must da emoção que, assim, o resultado lhe acrescentou. 


O Rio Ave joga bem, já se sabe. E chegou ao golo logo a abrir, aos 3 minutos, na cobrança de um livre directo, depois de uma falta sem nexo de Rúben Dias. Mais uma. Percebeu-se logo que tudo seria muito difícil. E foi, mais ainda por tudo o que acima foi dito. O Benfica reagiu bem ao golo madrugador e chegou ao empate, por Cervi, dez minutos depois. Só que à meia hora de jogo, no tal contra-ataque depois do penalti sobre o Chiquinho, o Rio Ave voltou a marcar (assinalar a grande penalidade implicaria anular o golo) , e a passar para a frente do marcador.


O Benfica não fez uma grande exibição. Com o abaixamento de forma de Pizzi e de Carlos Vinícius é difícil a equipa fazer melhor. Mas também não jogou mal, longe disso. Voltou a lutar contra a adversidade, com todos os jogadores a darem o máximo, cheios de alma, e criou mais de meia dúzia de oportunidades claras de golo.


A segunda parte foi de pressão constante, encostando o Rio Ave lá atrás, completamente sufocado. Seferovic entrou já passava da hora de jogo, e desta vez foi descisivo: em sete minutos (64 e 71) virou o resultado, com dois bons golos, especialmente o da vitória, numa grande execução.


O Benfica segue com mérito para as meias finais da Taça. Mas foi um jogo de enorme desgaste, que deixará certamente marcas para o dérbi, daqui a menos de 72 horas. Poucos acreditarão que o objectivo não fosse esse!

O ano da Justiça

Imagem relacionada


 


Há poucos dias, antes da entrada no ano novo e quando toda a gente era auscultada sobre a adivinhação do que aí viria, dizia-se que 2020 seria o ano da Justiça. Não que se quisesse dizer que este fosse o ano em que, por obra e graça do que quer que fosse, tudo passaria a funcionar bem. Apenas porque este tem de ser o ano do "sim ou sopas" para processos judiciais de grande exposição mediática, dos que se arrastam há demasiados anos, como o Monte Branco, a Operação Marquês ou BES, aos mais recentes, como Tancos, Alcochete ou Rui Pinto.


Ao 14º dia do ano, à entrada para a sua segunda semana, os jornais de hoje parecem querer confirmar essa ideia, que este ano é que é. Com mais ou menos parangonas todos aparecem hoje nos jornais. Todos hoje são notícia. Até a Operação Marquês, há muito com paradeiro desconhecido, mesmo que a notícia seja apenas que Joaquim Barroca, o ex-presidente do ex-Grupo Lena, vai ser ouvido daqui a um mês e tal... Pode estar em profunda agonia, mas ainda está vivo... Refiro-me ao processo, naturalmente. 


 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Más sensações ... e maus sintomas

Resultado de imagem para benfica aves 2020


 


As más sensações para o jogo desta noite, na Luz, começaram a desenhar-se bem antes do seu início. Começaram logo que foi conhecido o árbitro: o nome de Carlos Xistra gera de imediato ansiedade. Está no seu último ano, mas ainda temos que levar com ele... E agravaram-se com a constituição da equipa, com quatro alterações em relação ao jogo anterior, que já não tinha sido famoso.


Dessas quatro alterações só uma era esperada, porque obrigatória, pelo quinto amarelo que Tarabt havia pedido no fim do jogo em Guimarães. Esperada também era a substituição, notava-se uma certa pressa para a estreia de Weigl, e notou-se que foi apressada. A de Tomás Tavares pelo capitão André Almeida poderá perceber-se, mas o miúdo estava a jogar muito bem. As outras duas, Seferovic em vez de Vinícius e Jota na de Cervi, é que não lembrariam a ninguém.


Com o apito inicial de Xistra as más sensações passaram a ganhar a vida. E que vida!


Os jogadores do Benfica entraram a dormir, convencidos que para ganhar ao último classificado bastava estarem lá. Foi assim durante vinte minutos, e quando acordaram estavam a perder. 


É certo que, depois, passaram 70 minutos em cima da baliza do Desportivo das Aves. Mas raramente a jogar bem. Jogaram muito e correram ainda mais. Não lhes faltou vontade, nem garra, nem regatearam gota de suor, mas aos adversários também não. E como a inspiração nunca apareceu, o jogo passou a oferecer dificuldades que durante muito tempo pareciam inultrapassáveis.


Os remates sucediam-se - foram 34, mais um máximo da competição - mas a bola saía invariavelmente uns centímetros ao lado, ou por cima, da baliza. Quando iam à baliza lá estava o guarda-redes avense, o francês Bernardeau, a defender o possível e o impossível. Defendeu 10 remates, outro recorde desta Liga. E quando lá não estava ele, estava lá outro. E outro...


No início da segunda parte, já com Vinícius no lugar de Jota, quando a nulidade fora, e continuava  a ser, Seferovic, tudo parecia piorar ainda, com Xistra, à Xistra, a expulsar o André Almeida. Valeu o VAR, que viu o que todos víramos: que o capitão do Benfica, mesmo que com uma entrada imprudente, nem tinha tocado no adversário. A decisão foi revertida, e evitaram-se males maiores.


O golo do empate lá acabou por aparecer à entrada do último quarto de hora, num penalti (já tinha ficado outro por marcar aos 38 minutos da primeira parte) sobre Vinícius, que Pizzi converteu. E o da vitória - finalmente - já no minuto 89, em mais um bom trabalho do avançado brasileiro (o que é que terá passado pela cabeça de Bruno Lage para o deixar no banco?) a deixar a bola para André Almeida a fazer passar por baixo do corpo do guarda-redes, deixando a Luz, incansável no apoio à equipa, em ambiente de perfeita loucura.


Sintomático, tanto quanto os vinte minutos iniciais, foi que o Benfica não conseguiu controlar o jogo nos 5 minutos de compensação, permitindo duas ou três jogadas perigosas ao adversário, que poderiam até ter roubado uma vitória que tanto tinha custado a conquistar. E que foi, com os três pontos que vale, iguaizinhos aos das grandes vitórias com grandes exibições, a melhor coisa que ficou deste jogo de más sensações. E de sintomas preocupantes para esta altura do campeonato... 


 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Oito minutos de pose*

Resultado de imagem para trump em cuecas


 


Dificilmente se poderia admitir uma primeira semana do ano mais agitada. Trump achou que, com um impeachment em curso e a dez meses das eleições, o melhor que tinha a fazer era incendiar o Médio Oriente e deixá-lo arder como arde a Austrália.


Sem consultar as instituições, sem estratégia e sem justificação, mandou assassinar altas figuras da estrutura militar do Irão, entre as quais o General Soleimani, mais que uma proeminência do regime, o número dois da teocracia no poder. Acto contínuo disse ao mundo que, para fazer a guerra, não precisava de consultar ninguém. Que lhe bastava informar pelo seu twitter, e que já tinha definidos 52 alvos iranianos, entre os quais lugares históricos e património da humanidade, para atacar em caso de retaliação iraniana. Que, timidamente é certo, aconteceu logo de seguida, com o ataque às bases americanas em Bagdad. Obra das milícias iraquianas, que não exactamente do Irão, mas daria no mesmo…


É então que, pela primeira vez, num mandato que vai já no último ano, com uma assertividade sem paralelo, e em apenas oito minutos, a América apresenta ao mundo o seu famoso sistema de checks & balances.


Oito minutos foi quanto durou esta demonstração. Foi o tempo que Trump demorou a ler o discurso que lhe mandaram ler. Oito minutos de Trump em pose de Estado, mesmo que em cuecas!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM


 

Checks and balances

Resultado de imagem para trump sentido de estado


 


A eleição de Trump para o topo do poder na maior potência mundial foi vista com preocupação em grande parte do planeta, mas nunca como uma irremediável catástrofe. É que a opinião pública mundial acreditava na rede de checks & balances do sistema político americano, uma democracia institucionalmente bem dotada, ao contrário, por exemplo, do que aconteceria depois no Brasil, com a eleição de Bolsonaro.


À entrada do último ano do mandato, e mesmo com um processo de empeachement em curso, haveria certamente quem pudesse duvidar desta fé no funcionamento das instituições americanas, e quem achasse que Trump fez, e fará, tudo o que lhe apeteceu, e lhe apetecer, e ainda lhe sobrou, e sobrará, tempo. 


Oito minutos bastaram para convencer os últimos resistentes. Foi quanto durou o discurso de Trump de ontem. Um discurso - ninguém terá dúvidas - que não escreveu. Um discurso que lhe mandaram ler, e que leu a preceito e com inatacável pose de Estado. Oito minutos em que saíram da boca de Trump palavras que ninguém acreditaria vir a ouvir, numa postura de todo incomportável com a figura.


Depois dos ataques de anteontem à noite, à hora a que fora assassinado o general Soleimani, às bases americanas no Iraque, esperava-se que tivesse sido dado o mote para a retaliação que Trump desejaria, e para a uma escalada de violência no Médio Oriente de limites incontroláveis. Inesperadamente, em vez de um Trump furioso a confirmar os 52 alvos iranianos a atingir, incluindo as relíquias históricas e de património da humanidade, que anunciara na véspera, surge um presidente americano a dizer que os Estados Unidos "estão disponíveis para abraçar a paz com aqueles que a procuram", a desejar um "óptimo futuro" para o Irão, e até a falar num regresso ao acordo nuclear que unilateralmente rasgou.


Poderão dizer que nada disto passa da mais profunda hipocrisia. Mas não é isso que está em causa, e a hipocrisia é parte integrante da política. Em causa está apenas que a intensa pressão interna e internacional obrigaram Trump, num Momento Histórico decisivo, a fazer tudo ao contrário do que naturalmente, por si só, faria.


Desta vez os checks & balances levaram o presidente americano a evitar a guerra que Donald Trump irresponsavelmente precipitara. Não é coisa pouca!


 


 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Pronto. Já há planeta B!

Resultado de imagem para toi 700d nasa


 


Chama-se  "TOI 700 d" - parece nome de modelo de automóvel, é certo, mas foi o que se arranjou para este novo planeta -  fica aqui mesmo à mão, a uns simpáticos cem anos-luz de distância, tem mais (20%) ou menos a dimensão da terra, e parece que está à nossa espera.


Dirão uns: à espera que demos cabo dele. Outros, dirão: alto. Parou tudo! Bem nos parecia que não havia problema, e que quando este acabasse haveria de aparecer outro.

Não havia necessidade...

Resultado de imagem para crimes e racismo


 


No final do ano, no preciso espaço de uma semana, dois jovens, um cabo-verdeano e outro português, foram assassinados na rua.


O português, de 24 anos, a 28 de Dezembro, no Campo Grande, em Lisboa, por um grupo de três jovens guineenses, com idades entre os 16 e os 20 anos, apunhalado nas costas depois de ter reagido ao assalto que esteve na origem do crime.  Perdeu a vida no local e foi logo notícia nos jornais e televisões.


O cabo-verdeano, de 21 anos, a 21 de Dezembro, em Bragança, brutalmente agredido na cabeça à saída de um local de diversão nocturna, numa rixa em que, com mais dois amigos e compatriotas, se viu envolvido com um grupo de portugueses. No alarme dado aos bombeiros o jovem caído inanimado no chão foi referenciado como profundamente embriagado. Estava sim às portas da morte, já tapadas para a saída. Morreu a 31 de Dezembro, e foi então notícia nos jornais e nas televisões.


As duas lamentáveis ocorrências, bem como os crimes praticados, não têm qualquer relação entre si. As circunstâncias em que ocorreram são tão distintas como a geografia em que aconteceram. Em Lisboa, aconteceu um assalto numa zona em que acontecem todas as noites. Ao que se sabe, o jovem assaltado era praticante de karaté, e isso não deve ter ajudado nada... Em Bragança, os contornos do crime não estão ainda bem definidos, mas o que se conhece aponta para a futilidade de um simples encosto numa rapariga provocado por uma escorregadela na fila para a caixa, com uma "espera" na saída.


O que não impediu que rapidamente os activistas do costume corressem a rotular o crime de Bragança de racismo, em mais um "tiro no pé", ajudado também pelas autoridades de Cabo Verde que, esquecendo-se que o crime de Bragança só se tornou crime, e depois notícia, com a morte do jovem, a 31 de Dezembro, vieram apresentar críticas ao tratamento mediático do tema, em evidente contraponto com a relevância informativa dada ao crime do Campo Grande. 


A luta contra o racismo não é isto. Este tipo de reacções apenas contribuem para extremar posições, tornar mais difícil o combate ao preconceito, e engrossar as correntes xenófobas e racistas. Que - já se está a ver - ficam com mais uma "pérola" para usar: "há racismo quando brancos matam um preto, mas já não há quando são pretos a matar um branco". 


Não havia necessidade...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Irresponsabilidade premiada

Resultado de imagem para trump não precisa do senado, apenas do seu twitter


 


Como facilmente se previa Trump incendiou o Médio Oriente e colocou o mundo ocidental sob novas ameaças com enorme potencial devastador, tanto mais graves quanto mais evidente se torna a irresponsabilidade que sustenta a escalada de ameaças do presidente americano.


Trump nunca teve a noção da responsabilidade de presidir à maior potência mundial. Sempre achou que a Casa Branca seria um brinquedo com que gostaria de brincar. Por isso a sua relação com a mentira nunca foi nada que verdadeiramente o incomodasse, e revelou-se um mentiroso compulsivo. Por isso a sua relação com as instituições foi sempre secundarizada e o seu sentido do dever uma simples miragem. Por isso Trump acha que não precisa da aprovação do Congresso para desencadear operações de guerra, bastando-lhe anunciá-las no seu Twitter.


E é este homem que a América vai voltar a eleger lá mais para o final do ano. Ou, mais dramático ainda, é assim, é por fazer tudo isto assim, que Trump conta que a América o reconduza para novo mandato na Casa Branca!


 

sábado, 4 de janeiro de 2020

Regressos e pirómanos


Foi difícil este jogo de Guimarães, no arranque do ano e no regresso do campeonato, quase um mês depois. Seria sempre difícil, porque nunca é fácil jogar na cidade-berço, e porque este Vitória, de Ivo Vieira, joga muito, como se sabe. Mas não teria sido certamente tão difícil se o Benfica tivesse regressado desta paragem com o mesmo nível de qualidade exibicional das últimas jornadas.


O Benfica de Dezembro, antes da paragem, teria colocado outra qualidade em campo, teria jogado bem mais e teria ganhado melhor. Não regressou o Benfica exuberante, dos grandes jogos e das goleadas. Valeu no entanto outro regresso, o regressou do outro Benfica, de Setembro e Outubro que, mesmo sem jogar bem, foi ganhando jogos.


Que o primeiro dos regressos não iria acontecer, percebeu-se logo no início do jogo. O segundo regresso só se confirmaria naturalmente no fim, mesmo que se começasse a admiti-lo a partir do meio da primeira parte.


No primeiro quarto de hora da partida o Benfica não conseguiu ligar o jogo. Defendia bem, e recuperava rapidamente a bola, mas perdia-a logo de seguida. E nem se pode dizer que a perdesse em resultado da pressão exercida pelos jogadores vimaranenses, porque não eram os jogadores adversários a conquistá-la. Eram os jogadores do Benfica que a perdiam sucessivamente por passes errados - ora entregando a bola directamente ao adversário, ora atirando-a para fora.


Daí que se sucedessem os ataques do Vitória sem que o Benfica praticamente passasse da linha de meio campo. Na primeira vez que conseguiu concluir uma jogada o Benfica marcou, ia a primeira parte a meio. E a partir daí o jogo mudou!


Não quero com isto dizer, como atrás deixo claro,  que o Benfica passou a mandar no jogo e que o Vitória desapareceu. Nada disso. Mudou porque os jogadores do Benfica perceberam que a noite não era de gala, mas apenas de trabalho. E, claro, também ajudou que Gabriel e Tarabt tivessem subido de produção.


E dedicaram-se ao trabalho. Até ao fim do jogo, defendendo aquele golo do Cervi que mudara o jogo. E, sendo que as últimas imagens são as que ficam, as últimas claras oportunidades de golo até são do Benfica.


No fim fica uma vitória muito importante num jogo bastante competitivo, mas nem por isso bem jogado, e com um grande ambiente nas bancadas, estragado por algumas bestas que acham que as cadeiras não servem apenas para sentar o rabo, e que um jogo de futebol é um festival de pirotecnia.


Se não se percebe a existência de adeptos pirómanos, também se não percebe como é que, com tanta revista à entrada, é possível que tenha entrado no estádio material pirotécnico que daria para animar uma das muitas festas de passagem de ano que acabamos de celebrar.


Não será provavelmente difícil identificar estes incendiários e impedi-los de entrar nos estádios. Já aos outros, não menos pirómanos, que vêm penalti no lance do Rúben Dias, não se lhes pode fazer nada se não deixá-los a falar sozinhos. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Começa perigoso, este 2020!

Resultado de imagem para ataque à embaixada americana em bagdad


 


2020 ameaça tornar-se mais perigoso do que poderia parecer, por mais previsível que fosse que, em ano de eleições, Trump desatasse aos disparates. 


Sabia-se que Trump não precisaria de grandes pretextos para começar a brincar com o fogo, convencido do ganho eleitoral que, em pleno processo de impeachement, daí retira. Nem de muito espaço, nem de muito tempo: bastou-lhe o Iraque, e três ou quatro dias. A 29 de Dezembro, um ataque aéreo matou 25 combatentes do Hezbollah Kata'ib, uma milícia pró-iraniana. Em resposta, no último dia do ano, quando regressavam dos funerais, manifestantes cercaram a embaixada, atacaram com pedras, grafitaram paredes ... e lá estava o pretexto por que Trump ansiava - um ataque à América. 


Esta noite, o major-general Qasem Soleimani, tido por número dois da hierarquia militar do regime iraniano, e mais quatro altos quadros militares foram mortos num ataque com drones, à saída do Aeroporto Internacional de Bagdad, já confirmado pelo Departamento de Defesa Americano.


 Ali Khameinei promete vingança. Para dançar o tango são sempre precisos dois ... Olha que dois!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O regime

Resultado de imagem para mensagem de ano novo de marcelo


 


Que a principal figura do regime defenda precisamente o regime, é a coisa mais natural desta vida. Ao apelar, como voltou a fazer na sua mensagem de Ano Novo, a um governo dialogante, e especialmente  dialogante à esquerda para aí procurar o apoio parlamentar que lhe falta, e a uma oposição forte à direita, o Presidente está acima de tudo a defender o regime.


Quem não morre de amores pelo regime não acha grande graça às repetitivas palavras de Marcelo. E isso notou-se logo, sem surpresas. Que o PSD não tenha encontrado nada para dizer já quase não é surpresa... 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Humano

Resultado de imagem para papa francisco


 


O Papa Francisco voltou a revelar o seu humanismo. Confirmou que o Papa não é infalível, e que erra como qualquer um de nós. E que não tem paciência infinita. E reconheceu isto tudo... 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...