sábado, 25 de julho de 2026

Tour de France - V

 


Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour!

Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Oliveira - o recordista da grandes voltas, sem nunca ter desistido - a atacar a corrida logo que foi dada a partida. Sem sucesso. A etapa abriria com Croix de Fers, uma subida de 24 quilómetros, de categoria especial, e com a fuga iniciada por Juan Ayuso (uma das decepções deste Tour), levando consigo o equatoriano Carapaz e o francês Valentin Paret-Peintre, interessados no prémio da montanha. Lá estavam também, entre outros, kuss, Jay Hindlay, e Ben Healy, juntando-se, logo a seguir, Mads Pedersen, na tentativa de assegurar, o que conseguiu, desde logo a camisola verde, dos pontos. ´

Na montanha Carapz começava aqui a desenhar a vitória, passando em primeiro. Seguiu-se, e repetiu-se, no Telegraphe, deixando Valentin Paret-Peintre de dar luta. Apenas o Galibier, no tecto do Tour, a 2.642 metros de altitude, faria reduzir o grupo em fuga. Na frente restavam Carapaz, Kuss, Hindley, Ricitello e Ayuso, com este já a descolar. De novo a passar na frente, equatoriano confirmava que era o rei da montanha. O pelotão estava a 5 minutos, o que deixava Ayuso próximo do pódio.

Nesta altura, a mais de 60 quilómetros da meta, fiel à palavra dada, Pogaçar não abandonava o seu companheiro de equipa, Isaac del Toro. Já sem colegas de equipa, a não ser o mexicano, pegou na corrida, numa imagem inédita em grandes voltas. Mas depressa teve que moderar o ritmo, demasiado para o seu colega.

No início da subida ao Col de la Sarenne, a terceira categoria especial da etapa, Ayuso não resistiu. Na frente apenas Kuss, Carapaz e Hindley, que atacavam e conta-atacavam, até este último ceder. Lá atrás, no grupo do camisola amarela, Paul Seixas, já com Hindley e mais dois colegas de equipa - era o único que, naquela fase da corrida, tinha tamanho apoio -, dá indicações para atacarem, e sufocarem del Toro. 

Foi um erro grave de Seixas, e a grande desilusão, apesar dos seus 19 anos, a deixar a dúvida se não será produto do sebastianismo francês, que procura desesperadamente o sucessor de Hinault. Acabou a equipa, acabou ele próprio, e só não perdeu o quarto lugar para Lenny Martinez, mais uma vez às costas de Pogaçar, por escassos segundos. 

Na frente, quando seguia com uma vantagem que já não perderia, Kuss caiu. Por duas vezes, na descida, a provar descer não é a sua especialidade. E Carapaz ganhou a sua segunda etapa. 

Pogaçar não abandonava del Toro, e Evenepoel aproveitou para ir embora. Foi segundo na etapa, passando ainda o infeliz Kuss. Pagaçar e Isaac del Toro chegaram logo atrás, fraternalmente abraçados, com dois minutos de vantagem sobre Seixas. E o terceiro lugar do pódio garantido. Porque o prometido é devido. E porque assim são os heróis de carne e osso!



Há 10 anos

 


A saga das sanções continua. Esgotado todo o material de propaganda, sem mais nada à mão - não que tudo corra às mil maravilhas, apenas porque, apesar de tudo e de todos os esforços em contrário a geringonça lá vai andando, saltando obstáculos e cumprindo metas - a entourage pafista agarra-se às sanções da Europa. Já nem lhes importa que já toda a gente saiba que o incumprimento a sancionar é todo seu. Do seu Passos Coelho, da sua Maria Luís, do seu Paulo Portas, e da sua saída limpa. Nem lhes importa que venham as próprias instituições europeias desmenti-los...


No fim de semana que deixamos para trás, a notícia era o congelamento dos fundos europeus. Nada mais que 16, como se vê na primeira página do Público, de ontem. 


E como se viu em praticamente toda a imprensa. E na televisão. A Europa desmentiu, disse que era tudo mentira. Mas ninguém lhe deu muita atenção. E, no Público, nem sequer foi notícia. Foi olimpicamente ignorada!


Não sei se o presidente Marcelo não deveria chamar hoje mais gente a Belém. Se o objectivo é pôr alguma ordem na casa, não sei ... não!


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Tour de France - IV

 


O Tour chegou ao Alpes, com a chegada ao Alpe D´Huez. Amanhã, na etapa Rainha, há nova passagem por lá.

Na terça-feira, após o segundo dia de descanso, correu-se o contra-relógio (pouco mais de 26 quilómetros) em Évien-les-Bains, conhecida pelas suas águas minerais, nas margens do Lago Lemano, na Alta Saboia. Evenpoel foi o mais rápido, alcançando a sua vitória na presente edição do Tour, e provavelmente a última. Mas por pouco, com a escassa vantagem de 28 segundos sobre Pogaçar. Os restantes seis, dos 8 primeiros, ficaram entre 1 e 2 minutos, sendo que Skjelmose, Seixas e Isaac del Toro, terceiro, quarto, e quinto, ficaram separados por 17 segundos, numa etapa marcada pela queda, e desistência, de Lipowitz, o quinto da geral, com o mesmo tempo de Paul Seixas, e a fazer também um excelente contra-relógio, à altura do acidente.

Seguiu-se uma das poucas etapas de roladores, conquistada pelo belga Philipsen, até às etapas finais de montanha. Ontem o equatoriano Carapaz, ele que vinha sendo um dos grandes animadores da prova, depois de tanto porfiar, venceu merecidamente.

Que as coisas não estavam a correr muito bem à UAE, percebia-se. Ontem tinha abandonado Brandon McNulty. Falava-se à boca pequena num vírus que, a atingir a equipa, afectaria inevitavelmente Pogaçãr. Não se notou nada.

Na frente, na fuga, vinha um numeroso grupo de corredores, muitas primeiras figuras de proa. Entre elas Lenny Martnez, o mais bem classificado, e "malandro" da fuga, o que haveria de seguir sempre na roda que mais lhe conviesse. Também Carapz, de novo, Kuss, os resistentes, e Pidcock, Ben Healey, Ben O` Connor e Valentin Paret-Peintre, à procura de pontos para a montanha, ele que era o portador da respectiva camisola, "emprestada" por Pogaçar. 

A vantagem chegou a quase 4 minutos e meio. Parecia impossível de anular, mas para Pogaçar não há impossíveis.

Na frente ficaram Carapaz, Kuss e Martinez, sempre na roda. A 13 quilómetros da meta Pogaçar atacou, e foi galgando diferenças. Na frente Carapaz ficou sozinho, porque Martinez, sabendo que Pogaçar lá vinha, preferiu esperar por, para depois o levar à frente. Assim foi!

Quando Pogaçar alcançou o francês, levou-o de boleia até Carapaz. Foi já dentro do quilómetro que desferiu o golpe final. Ninguém o conseguiu acompanhar, e Pogaçar chegou à quinta vitória nesta edição, e à 26ª no Tour, aproximando-se de Hinault (28), Merckx (34) e Cavendish (35).


quinta-feira, 23 de julho de 2026

Há 10 anos

 


Os amigos de Cavaco resolveram homenageá-lo, num almoço. No dia em que se comemoraram os 40 anos do primeiro governo constitucional. Com... Mário Soares...


Um simples almoço, pouca coisa para quem se tem em tanto. Mas a gente sabe por que foi... Os amigos, mesmo que poucos, são para as ocasiões.  E ficou o aviso, pela voz - uma das poucas do cavaquismo ainda em estado de uso - de Leonor Beleza: a coisa à séria, à grande, vem aí!


Já não digo nada: há gente capaz de tudo... 


Por hoje, o homem só disse que foi "presidente no tempo certo". E, com a presunção  que se lhe conhece, que não havia ninguém com melhores condições para isso. Presunção - diz o povo - é como a água benta... Ou será como o pão de ló?


Ficamos agora à espera que, na próxima, possa explicar aquela coisa das escutas. Porque as outras ele não vai explicar nunca...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Luís Represas (1956-2026)



E as casas abriram as janelas só para te ouvir cantar ...


  

Há 10 anos

 

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Os dois grandes acontecimentos que dominaram o final da semana passada voltaram a evidenciar os sinais preocupantes que marcam o jornalismo e a indústria da comunicação em geral.


As redes sociais minaram o jornalismo, e o jornalismo deixou-se minar por elas, mandando às malvas os valores, os critérios, e os princípios que constituíam a deontologia com que se faziam e davam notícias.


Quando a CMTV – o mais flagrante dos exemplos disso mesmo – transmitiu imagens vivas da agonia e da morte em Nice, não estava a noticiar coisa nenhuma. Quando um “jornalista” – que nunca pode ser digno dessa designação – da TF2, de microfone em riste e câmara apontada pergunta, a um homem junto ao cadáver da mulher, o que sente, não está a relatar um facto. E muito menos a fazer notícia.


Quando as televisões, na noite de sexta-feira, cobrindo as incidências do suposto golpe de estado na Turquia, noticiavam, tudo numa mesma e única hora, que Erdogan tinha pedido asilo político à Alemanha, que a Alemanha o recusara, e que estava a aterrar em Teerão, depois do Irão ter aceite conceder-lhe asilo político, não estavam nada preocupadas com factos. Nem com rigor. E nem sequer com o mínimo sentido crítico, ou com o mais elementar bom senso, que desde logo denunciava a impossibilidade factual do que estavam a noticiar.


A informação rigorosa e objectiva é tudo o que o mundo hoje mais precisa. Mas é precisamente quando é mais desprezada e negligenciada, para dar lugar ao voyeurismo e á exploração emocional dos sentimentos mais básicos das pessoas, impedindo-lhes ou limitando-lhes seriamente qualquer a capacidade da reflexão serena sobre os factos.


Isto mata a nossa civilização. Isto só ajuda os inimigos da nossa forma de vida. Isto ajuda terrorismo. E o terrorismo conta com esta ajuda. Porque isto orienta reacções xenófobas e de descriminação étnica, que acabam por entregar o poder a radicais racistas e nacionalistas. Que, depois, pressionam, perseguem e isolam minorias, quaisquer que sejam, atirando-as para para a marginalidade, para o pântano social, numa espiral de radicalização que alimentam, para dela se alimentarem...


terça-feira, 21 de julho de 2026

Os campeões do século

 


Vi e ouvi várias vezes a referência à fúria espanhola. A imprensa era useira e vezeira nesta referência. Tudo servia de contra-ponto à fúria espanhola, e no entanto ela não existe há de vinte anos.

Há muito que não faz parte do futebol espanhol, que a substituiu pelo "tiki-taka", nas suas diferentes formulações. O futebol espanhol criou uma identidade, mais universal que a célebre fúria, assente no desenvolvimento da capacidade técnica, na recepção e passe e na ocupação dos espaços. E, para isso, quando a discussão se fazia à volta da fisicalidade do jogo, dispensou a capacidade física dos jogadores, para privilegiar a sua capacidade técnica e a sua inteligência.

E, com essas valências, a Espanha criou um modelo de jogo. Com altos e baixos - muitos mais altos que baixos - não abdicou dele, comum a todas as selecções, desde os escalões mais baixos. E foi-lhe fiel, treinador atrás de treinador. De Luís Aragonés, Vicente del Bosque, e Luís Enrique, até Luís de la Fuente, com as breves, e menos conseguidas, passagens de Julen Lupetegui e Fernando Hierro, este interinamente, durante o mundial da Rússia. 

Os resultados estão à vista: em 20 anos dois campeonatos do mundo, e três da Europa, e tornou-se na grande potência deste século. Por muito que até pareça, não possui, como nunca teve, as grandes vedetas do futebol mundial. O Real Madrid, das grandes vedetas internacionais, não tinha um único jogador entre os convocados. Nenhum dos campeões do mundo é figura incontornável de qualquer grande clube europeu. Nem Rodri o é no Manchester City. Nem Cucurella, no Chelsea. Nem Merino, um suplente, no Arsenal. Tem os principais guarda redes Liga Inglesa, mas o dono da baliza joga na Real Sociedad.

Mas tem uma grande equipa. A melhor. "Só" porque têm uma ideia. E a preserva!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...