Jogo da 10ª jornada da Liga, à segunda-feira. Não foi, nem será, o primeiro - é até o quarto - mas hoje notou-se mais. A assistência esteve bem abaixo da normal, bem abaixo dos 60 mil, nesta recepção ao Alverca.
Que foi um adversário incómodo. E perigoso. Um adversário que jogou, que assumiu a superioridade do Benfica, mas também a discussão do resultado. O mais ousado adversário que o Benfica encontrou até hoje, na Luz.
Uma equipa joga o que a outra deixa. É uma velha frase do futebolês, mantém-se sempre válida. A qualidade de jogo do Alverca determinou muito da exibição do Benfica. Mas também a desinspiração do Benfica contribuiu para a exibição do Alverca.
Percebeu-se desde cedo - com uma camisola nova, a reencarnada, sem os nomes dos jogadores, como à época - a falta de energia e de inspiração dos jogadores do Benfica, Prestinani à parte. Lukebakio, hoje titular, até começou bem. E o Benfica começou o jogo a explorar seu lado, jogando maioritariamente pelo a ala direita. Depois passou a insistir na outra ala, com Shjelderup também titular, e Prestianni no meio, a 10. Lukebaquio começou a decair, e Shjelderup nunca chegou verdadeiramente a carburar.
O Benfica tentou tudo, mas nada saía bem, por mais que tentasse. Ao intervalo muito poucos remates - três - e nenhuma verdadeira oportunidade de golo. Não era habitual. A situação mais perigosa coube ao Alverca, num livre lateral muito bem marcado que o Samuel defendeu, com grande dificuldade e, na recarga deu golo.
Anulado. Bem anulado, foi marcado em fora de jogo. Mas o tempo de espera, e os 5 centímetros do fora de jogo, não têm explicação. E enervaram a plateia. Mais ainda, pouco depois, ao não ser marcado penálti, por volta da meia hora, sobre Pavlidis, empurrado quando saltava a uma bola, na sequência de um pontapé de canto.
Três erros do árbitro, e nenhum em favor do Benfica: um canto por assinalar, e um cartão amarelo por mostrar a um jogador do Alverca, num pontapé a Aursnes. Para o que estamos habituados não é mau.
Na segunda parte as coisas melhoraram. Mas também pioraram.
A entrada, ao intervalo, de Echeverri em vez de Shjelderup foi decisiva. Prestianni passou declaradamente para a ala esquerda, e melhorou significativamente a fraca prestação do norueguês. E o novo craque argentino, no meio, desiquilibrou tanto como Prestianni.
Foi ele que sofreu a falta que deu o penálti que Pavlidis converteu no único golo da partida. Passe em rotura, a abrir na área, e carrinho deslizante do defesa do Alverca quando o miúdo cortou a bola para dentro. Contacto e derrube inevitáveis!
Em vantagem o Benfica tranquilizou o seu jogo. Mas não se tranquilizou muito. O Benfica teve quatro oportunidades para, mais em transição, resolver o jogo. Mas havia sempre alguma coisa que corria mal.
O resultado era mínimo, e o Alverca nunca desistiu do jogo. Dá para perguntar onde anda andava este Alverca. Que equipa era esta?
Já jogara muito bem, na primeira jornada, com o Porto. Um jogo que merecia ganhar. Mas fora há muito. Contra o Sporting, já não se vira. Mas contra o Benfica, é sempre assim, foi apenas o adversário mais difícil que apareceu na Luz.
Não criou qualquer oportunidade de golo, para além do lance que acabaria no golo em fora de jogo, na primeira parte. Mas rematou muito, tanto como o Benfica, e manteve sempre a plateia da Luz de credo na boca. Que foi inexcedível no apoio à equipa, percebendo as suas dificuldades, e que há jogos assim.
Mas é também com jogos assim que se ganham campeonatos!