quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Há 10 anos

  


Em entrevista ao Jornal de Negócios, Maria Luís Albuquerque, induzida a responder que as actuais circunstâncias da situação económica e financeira do país estariam a abrir as portas a um novo resgate, foi peremptória a demarcar-se da resposta armadilhada: "não colocaria a questão nesses termos".   


Em entrevista á CNBC, questionado directamente sobre a hipótese de um novo resgate, Mário Centeno respondeu "fazer tudo o que for necessário para evitar que Portugal tenha um segundo resgaste". E para que não restassem dúvidas, completou assertivamente: "É a minha principal tarefa" ...


Mais que a  ingenuidade política de Mário Centeno, que explica por que é que Costa lhe dá tão pouca importãncia e não raras vezes o deixa mesmo em situações embaraçosas, o que salta à vista é a pressão á volta do Orçamento de Estado para opróximo ano.


Sabe-se que era aí, no Orçamento, que todos apostavam. Passados que foram os primeiros meses do governo, ultrapassado o fogo do Orçamento (tardio, como sabemos) para este ano, logos as baterias apontaram para o do próximo ano. No próximo é que seria. A geringonça não resistiria aos contornos incontornáveis do próximo orçamento. Em Setembro ou Outubro a coisa sucumbiria de morte natural. E se não fosse assim lá estaria a Europa pronta a deitar tudo a baixo, o que iria dar no mesmo.


Setembro ainda nem a meio vai, mas as indicações que vai dando não apontam para nada disso. A geringonça, mesmo revelando aqui e ali a eventual falta de uma pontinha de óleo, vai-se aguentando bem. Da Europa já se dá conta até de convergência, e aquela reunião dos países do Sul, no final da passada semana, altera por completo o cenário da ameaça europeia.


Perante tudo isso é preciso inventar novos fantasmas, e nada melhor que o fantasma de um novo resgate. Daí a pressa em trazer o tema para a actualidade. E daí razões acrescidas para António Costa ficar zangado com Centeno. Mas zangado a sério, mesmo que - e bem - não o mostre!

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Moreirense 0 - Benfica 4



Foi com uma novidade, e meia, que sem surpresa, o Benfica se apresentou em Moreira de Cónegos para disputar o jogo da terceira do campeonato. Adiado face á participação na fase de acesso à Liga Europa, a que o Benfica foi sujeito.

Uma novidade foi Banjaqui. Não foi surpresa, face à lesão de Bah, no passado sábado, nos Barreiros. Tem que aparecer, e é esta a altura. 

A meia novidade foi a ausência de Sudakov no onze inicial. Meia porque, sendo novidade a ausência de Sudakov, não o foi totalmente a presença de Schjelderup, no seu lugar. Também não foi surpresa, porque a diferença no desempenho de um, e  de outro, vinha sendo gritante. Se era compreensível a aposta no jogador ucraniano para não o deixar cair, não é surpreendente que saia do onze inicial nesta altura. Porque agora isso já não é perder o jogador. E porque a partir de agora as coisas apertam, e tem que jogar (mais) os que têm melhor desempenho.

Com novidade e meia, e com mais um relvado impróprio para jogar futebol. E um Estádio cheio de benfiquistas. E de benfiquismo!

O Benfica fez mais um jogo na linha dos outros que tem feito. Sufocou o Moreirense, como tem sufocado os outros adversários. Desperdiçou oportunidades em séria, como tem acontecido nos restantes jogos. Como tenho dito, isto de marcar ao primeiro remate, à primeira oportunidade, é para os rivais. Antes de marcar, o Benfica tem que passar por remates aos ferros, por grandes defesas dos guarda redes adversários, por remates contra os defesas adversários, que são todos, e por remates a milímetros do alvo.

Antes de marcar, o Benfica tem ainda que passar pela adversidade das arbitragens.

Hoje voltou a ser assim. Antes de marcar, teve de passar por cinco grandes oportunidades de golo. E pela uma arbitragem deplorável de Fábio Veríssimo, e de Rui Costa, no VAR. Antes de marcar teve oportunidades incríveis logo no início, de Rafa e de Schjelderup. Aos 34 minutos, novamente de Rafa e Tomás Araújo, e aos 42 de novo de Schjelderup. Cinco!

Antes de marcar, aos 45 +4, por Pavlidis, num um pênalti claro sobre Lengelet ocorrido 5 minutos antes, que Fábio Veríssimo não quis ver no campo. Que, depois de Rui Costa (o VAR) ser obrigado a chamá-lo a ver as imagens, demorou uma eternidade a confirmar. Antes de marcar esse pênalti, a arbitragem quis reforçar que tudo vai fazer para evitar que o Benfica seja campeão. Não foi só o pênalti sobre Pavlidis que ficou por marcar. Foram faltas. E foram amarelos, que ficaram por mostrar.

Na segunda parte o Benfica avolumou então o resultado. Não que a exibição tenha sido melhor. Melhor foi o índice de aproveitamento. 

Não me pareceu, ao contrário do que se queixou o treinador, que o Moreirense tivesse caído fisicamente. Aconteceu que o Benfica não pode ter sempre o diabo atrás da porta. As exibições de Prestianni e de Schjelderup não podem deixar de produzir resultados. E caiu pelo acumular dos golos. De Schjelderup, numa jogada colectiva sensacional, aos 55 minutos. De Prestianni, em mais uma jogada individual fantástica, à medida da dos Barreiros, quatro minutos depois. E do capitão Aursenes, regressado com as substituições, em mais outra grande jogada colectiva, aos 72.

Mais uma grande exibição. Nada, nem relvados impróprios, nem arbitragens hostis, param este fantástico Benfica!





Há 10 anos

 


Era grande a curiosidade sobre a equipa que Rui Vitória escalonaria para este jogo com o Arouca. Em primeiríssima análise pela forma como constituiria a dupla mais avançada, por força de se encontrarem lesionados todos os quatro pontas de lança do plantel principal. Mas também, e exactamente ao contrário, com os quatro centrais pela primeira vez disponíveis, para saber quais os titulares e, mais, qual deles nem no banco teria lugar. Calhou ao Lindelof, surpreendentemente.


A expectativa criada em torno da dupla acabaria por marcar o jogo. Pela enormidade que Gonçalo Guedes e Rafa jogaram, a parecer que jogavam juntos há muito tempo. Porque o último recruta do Benfica, para além de confirmar todo o seu talento, parecia um tri-campeão; ninguém diria que tinha chegado à equipa de véspera. Porque foi obrigado a sair, lesionado – mais um –, aos 60 minutos, e o jogo não foi mais o mesmo. Mas também porque isso, a ausência dos pontas de lança do Benfica, terá levado o Lito Vidigal a montar uma estratégia que, perante a qualidade dos jogadores do Benfica, e em particular da dupla que Rui Vitória lançou, se viria a revelar suicidária.


O treinador do Arouca, perante um adversário sem pontas de lança, estacionou a equipa à entrada da sua área, no pressuposto que, sem jogadores de área, o Benfica não saberia o que fazer quando lá chegasse. Para, depois, sair em lançamentos longos para o contra ataque, abdicando do jogo no meio campo e do tratamento da bola. A coisa não podia ter corrido pior, e o jogo só não ficou resolvido na primeira meia hora porque o Benfica se ficou pelo golo do Nelson, desperdiçando sucessivas oportunidades, ao ritmo de quase uma por minuto. Tanto desperdício, e meia dúzia de grandes intervenções do seu guarda-redes, evitaram o KO de um Arouca que nunca saiu das cordas. E assim chegou ao intervalo com um resultado que deixava aberto um jogo que deveria estar mais que fechado.


Percebeu-se logo no reinício que o Lito Vidigal emendara a mão. Que o meio campo já entrava na estratégia para a segunda parte. Só que para o Benfica ia dar no mesmo. Continuava a jogar bem e sem dar hipóteses. O segundo golo chegou cedo, mesmo assim antes e depois de mais uma série de novas oportunidades, e o jogo parecia finalmente arrumado. Estávamos nisto quando o árbitro não assinala o penalti sobre o Rafa, e na sequência o Arouca chega lá abaixo e marca. No mesmo minuto o resultado passa de um possível 3-0 para 2-1. E dois ou três minutos depois, Rafa, que mantinha a defesa adversária em estado de pânico permanente, saiu lesionado. E o Arouca galvanizou-se.


Mas só isso. Nada mais do que empertigado, e nem mesmo nos poucos minutos, até à entrada de Samaris, em que o Benfica deixou que o jogo partisse, o Arouca não criou qualquer oportunidade para marcar. Ao contrário, o Benfica prosseguia a sua série de desperdício.


E volto ao princípio: à expectativa sobre a dupla de pontas de lança. Que envolvia mais um miúdo: José Gomes. Pois, entrou já nos descontos e estreou-se, aos 17 anos, na equipa principal do Benfica. E foi dele a penúltima oportunidade de golo do jogo. Ficou a menos de cinco centímetros do golo apoteótico. Como Rafa, por quatro vezes!

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Grande dia no Parlamento



Foi um dia agitado no Parlamento. 

De manhã foi a vez de Luís Neves prestar contas ao Parlamento. Teve inúmeras oportunidades de "dizer o seguinte", mas o "seguinte" não convencia. Luís Neves, a "dizer o seguinte" sem dizer nada, foi igual aos deputados do Chega a dizer lugares-comuns, e falsidades. Com a diferença de serem ditas com a arrogância, e com a impreparação, habituais nestas lides.

Da parte da tarde foi a vez da "moção de censura" do Chega, bem mais agitada. Mas, aí, ninguém se livrou da má figura ...  Excepto o governo, esse fez um figurão, com mais um bónus nas pensões e uma redução no IRS. La mais para a frente. Porque as sondagens assim o exigem!

Grande dia no Parlamento!


Há 10 anos

 


Há pouco mais de um quarto de século a Europa festejou o derrube do muro que chamava da vergonha. Pensava-se então que caíra o último muro que a dividia e com ele o medo. O medo das perseguições, o medo de fugir, o medo da guerra sempre eminente… O medo de novos muros…


Sabemos hoje que, com o muro, caíram muitas coisas. Mas que também se levantaram muitas outras, algumas delas tão ou mais assustadoras do que as que caíram. Estaríamos porém longe de admitir que, depois de caírem fronteiras, seria possível voltar a levantar muros.


Mas eles aí estão, grandes e altos. Intransponíveis. E para ficar…


Primeiro foi a Hungria a anunciar a construção do seu muro, tapando-a da Sérvia. Não ligamos muito, era apenas mais uma extravagância de Viktor Orban, o xenófobo fascista a quem a Europa tudo admite e tudo tolera.


Mas a Áustria, em processo de crescente radicalização extremista onde a xenofobia medra todos os dias, não quis ficar atrás. E anunciou também o seu muro, precisamente na fronteira com a Hungria, de Orban.


Agora é o Reino Unido, que depois de se decidir pelo abandono da União Europeia, acaba de anunciar a construção do seu muro, a fechar a sua única porta de entrada e de saída para o continente, em Calais. A "Grande Muralha de Calais", como já lhe chama a comunicação social britânica vai começar a ser construído ainda este mês e visa impedir o acesso pelo Canal da Mancha.


Depois de se levantarem muros onde antes se derrubaram fronteiras, talvez fizesse mais sentido fecharem o túnel da Mancha. Mas não faz: os ingleses não querem fechar as portas aos seus camiões para a Europa. Querem apenas fechá-las è emigração. E isso faz-se com muros como, do outro lado do Atlântico, proclama Donald Trump, outro produto dos ventos dominantes no tempo que faz. Que faz deste um mundo perdido. Completamente perdido. Por muros. No meio de muros...


segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Desportivismo á moda do Porto

 


O Benfica goleou o Porto, recém chegado à competição maior do futebol feminino, na supertaça feminina, a quem tinha também ganhado a Taça de Portugal. Mas a notícia não é essa!

O Benfica é quem mais títulos conquistou na modalidade, 19. Tem um palmarés invejável, com 1 de campeão da II divisão, onde esteve um ano, como o Porto. Cinco Taças da Liga, consecutivas. Quatro Supertaças. Três Taças de Portugal. E seis Campeonatos Nacionais. Consecutivos. Só falhou um e é o hexacampeão.

A notícia é que, enquanto o Benfica se perfilou, em guarda de honra às atletas do Porto, quando foram receber as medalhas, o Porto recusou-se a fazer o mesmo às atletas do Benfica quando se dirigiam ao palanque serem coroadas vencedoras. Afastou-se e seguiu à distância.

Umas meninas que chegaram agora à primeira divisão. Não há sequer história!

A lufada da ar fresco de Villas Boas nunca foi fresca. Foi, antes, um bafo podre e mal cheiroso. Pior, muito pior, que o do velhinho Pinto da Costa!

Há 10 anos

 



O antigo assessor de Belém, Fernando Lima, para sempre imortalizado no famoso episódio das escutas, decidiu lavar roupa suja em forma de livro. O resultado não podia ser outro: quando o cavaquismo nos mostra o cavaquismo, o cavaquismo é ainda mais deprimente. E cheio de fantasmas!

Há 10 anos

   Em entrevista ao Jornal de Negócios, Maria Luís Albuquerque, induzida a responder que as actuais circunstâncias da situação económica e f...