terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo

Por Eduardo Louro



 


Não vale a pena esperar muito deste novo ano, como não valeu a penas esperar muito destes últimos. Mas os últimos dias deste que está acabar deixaram-me a estranha sensação de que já acomodamos a crise, que com ela encontramos formas de convivência. 


Acredito que isso nos possa deixar mais confortados, e que até os votos de feliz ano novo façam algum sentido...

Vai-te embora!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

As últimas imagens e um desenho

Por Eduardo Louro


 Nacional-Benfica: «águias» voltam à ilha (AO VIVO)


 


São sempre as últimas imagens que prevalecem. Não fosse isso e poderíamos dizer que este último Benfica deste aziago 2013 estava a melhorar, e a prometer um melhor 2014.


Assim… Assim, se calhar continuamos a olhar para o ano novo com alguma desconfiança. E a lembrarmo-nos daquele toque fantástico daquele jovem luso-angolano (pensava que já não havia disso) ... que merecia dar golo.


Na primeira parte o Benfica foi melhor que o Nacional, jogou muito mais, e melhor, que o adversário. Não criou muitas oportunidades de golo – nem muitas mais que o adversário, que teve apenas uma - e foi até feliz na forma como chegou ao golo, mas foi claramente superior e ninguém poderá negar a bem aceitável qualidade do futebol apresentado. Que deu até para iludir os pontos fortes da equipa do Funchal, em particular a sua capacidade física.


A equipa do Nacional dispõe de grandes argumentos físicos, e sabe usá-los. Há jogadores que parecem autênticos bulldozers - levam tudo à frente!


Na segunda parte isso veio ao de cima, e os seus jogadores pressionaram muito, e muito em cima, roubando bola e espaços ao Benfica. O jogo passou para uma dimensão física que até aí não conhecera e o Nacional apostou naquilo que em futebolês se chama partir o jogo. Partido, o jogo favorecia essa dimensão física que convinha à equipa da Madeira. No passado, nos últimos três anos, nessas condições o Benfica partia para a goleada e só parava nos quatro, cinco ou seis… Aconteceu até com este mesmo Nacional de Manuel Machado. Agora corre a vestir o fato de macaco, e prepara-se para sofrer!


Entretanto lembrei-me que, já que o Jesus ainda não conseguiu perceber que o Markovic não é um ala, e que por lá o vai deixando apodrecer, o melhor é fazer-lhe um desenho. Como ultimamente o Pacheco Pereira ganhou por aí fama na arte do desenho, resolvi pedir-lhe, a ele que nem gosta nem percebe nada de futebol, que lhe fizesse um. Vamos a ver se resulta!

Força campeão!

Por Eduardo Louro


 


 


Depois de mais de 20 anos a disputar e ganhar corridas de fórmula 1. Depois de milhares de quilómetros a velocidades superiores a 300 km/hora, de ultrapassagens arrepiantes e controversas, sempre no fio da navalha, parecendo submeter a própria vida - e muitas vezes a dos adversários – à vontade de ganhar, acaba por ser na tranquilidade da neve que o mais titulado piloto da especialidade máxima do automobilismo se vai cruzar mais do perto com a morte. A vida tem destas ironias…


 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Jogo grande deu grande jogo

Por Eduardo Louro


 


O jogo grande da Taça da Liga não precisou de jogo ter golos para ser um grande jogo. Às vezes é assim, mesmo sem golos, saem grandes jogos!


Não foi o Chelsea – Liverpool, nem nunca o poderia ser. Mas foi um belo jogo de futebol, onde os lagartos foram muito, mas muito melhores que os andrades. Valeu-lhes um guarda-redes grande, que me parece um grande guarda-redes…

sábado, 28 de dezembro de 2013

Vistos gold - um sucesso!

Por Eduardo Louro


 


 


Paulo Portas – lá estou eu a voltar a Paulo Portas – está encantado com o sucesso dos “seus” vistos gold, que já traz dos seus tempos de MNE, na era AI (antes do irrevogável).


Ao abrigo do programa – que, diz Portas, excedeu largamente os objectivos – foram concedidos perto de 500 vistos – dourados, pois claro – que se traduziram em mais de 300 milhões de euros investidos na compra de casas, que animaram o segmento de luxo do imobiliário.


Isso deixou-o entusiasmado, e bem sabemos do que é capaz um Portas entusiasmado. É até capaz de dizer que “é um sinal muito prático de que Portugal está de volta ao 'GPS' dos países em que é interessante investir"…


E eu que achava que isto é simplesmente um sinal de que o país se transformou numa república das bananas, que o quer é dinheiro, venha ele donde vier. E eu que pensava que isto é um sinal que o dinheiro tudo compra. Que venha quem vier é bem-vindo, desde que tenha dinheiro, evidentemente. E eu que era tentado a admitir que isto é sinal que este é um país onde é fácil lavar dinheiro. E eu que até já pensava que este é um país que mandou os valores às ortigas …


Estava enganado… E fico contente, tão contente como Paulo Portas, por estar enganado! 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Coitado do Paulo Portas

Por Eduardo Louro


 


A notícia é de ontem, mas por falta de disponibilidade só hoje lhe pego. Foi trazida à estampa pelo Diário Económico e dá conta que a rábula da irreversível demissão de Portas, no princípio de Julho, e a crise política que lhe sucedeu, custou ao país 2,3 mil milhões de euros em agravamento de juros.  


Não é exactamente novidade, há muito que corria por aí. Há muito que se atribui a mais esta brincadeira de Portas o momento de viragem no comportamento dos mercados, e de inversão do sentido descendente das taxas de juro. Sempre que se tem falado da saída directa da Irlanda do programa de resgate da troika comparam-se as suas taxas de juro com as portuguesas, e logo vêm à conversa as culpas de Portas.


Não é, evidentemente, aquela que foi apenas mais uma brincadeira de Paulo Portas que tem responsabilidades nisto. É mesmo injusto acusar Paulo Portas de mais esta malfeitoria, quando ele já tem tantas outras .


E não estou a defendê-lo. Até porque não seria fácil!


Quero apenas tentar pôr as coisas no seu lugar, separar o essencial do acessório. A crise política do final do primeiro semestre é da responsabilidade de Portas, isso é indiscutível. Mas surgiu na sequência de uma demissão a sério, realmente irrevogável, daquela que era a primeira e principal figura do governo: a decisiva demissão do decisivo Vítor Gaspar. Decisiva porque era exactamente quem tutelava o governo, e na verdade o representante da troika e dos credores no governo. Mas ainda mais decisivo porque, podendo simplesmente ter-se demitido, optou por explicar claramente porque o fazia: porque ele próprio falhara em toda a linha, mas também porque falhara a política em que tinha acreditado. Disse com todas as letras que a receita estava errada, e que por isso falhara!


Foi isto que foi determinante para os mercados – atenção que mercados e credores não são a mesma coisa - perceberem que o programa não funcionava e que, com ele, o país apenas se afundava cada vez mais. Foi esta declaração pública de falência do programa da troika, pela voz mais autorizada para o fazer, que fez com que as taxas de juros subissem e não mais descessem. E não as rábulas de Portas!


Só que a política se manteve e, pese embora as declarações de negação das cúpulas, especialmente do FMI, o programa da troika e do governo seguiu inalterável o seu rumo, como se Vítor Gaspar não tivesse dito nada do que disse. Era preciso fazer de conta que tudo estava a correr bem e esconder depressa as palavras do Gaspar. Por isso nada melhor que culpar Portas pelo arrepiar de caminho das taxas de juro.


Não é estranho que os comentadores do regime o tenham sacrificado para construir esta história. Estranho é que toda a comunicação social a tenha seguido! 

Mentira sem fronteiras

Por Eduardo Louro


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Uns prometem, outros fazem – bem poderia ser o próximo slogan de Passos Coelho. Pelo andar da carruagem é mesmo bem provável que seja…


Houve quem tivesse prometido 150 mil empregos, mas é Passos - para quem a mentira não tem fronteiras - a criar 120 mil!


 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A decisão da não decisão

Por Eduardo Louro


 


O presidente decidiu não enviar o Orçamento de Estado para o Tribunal Constitucional, para fiscalização preventiva.


Nada de estranho. Já assim foi no passado, e sabemos que Cavaco nada fará que crie dificuldades ao seu governo. Como sabemos que dá importância máxima à entrada em vigor do orçamento a 1 de Janeiro, e importância mínima à alteração dos normativos que fixam prazos absurdos – alguém entenderá por que é que o Orçamento passa mais de um mês no Parlamento? - todos eles cumpridos até ao último dia. Mesmo por ele!


Nem se estranha que o presidente tenha transformado esta decisão numa não decisão, tão avesso que é a tomar decisões: "A Presidência não comenta, uma vez que não há nenhuma decisão presidencial". O problema é que, se não é uma decisão, é um lapso. Um esquecimento. E então o comentário teria de ser: “A Presidência lamenta e pede desculpa mas, sem se aperceber, e porque gosta de esgotar todos os prazos até ao fim – os prazos, mais que para serem cumpridos, fizeram-se para serem usados - deixou escapar o último dia do prazo para enviar o Orçamento para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional”!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O espírito de Natal vai emigrar

Convidado: Luís Fialho de Almeida


Segundo informações postas a circular pelos mensageiros de trincheira - aqueles que, próximos do governo, anunciam novas medidas de austeridade para ver a reação dos governados – Passos Coelho sente-se aliviado com a decisão do Espírito de Natal de emigrar para terras da Escandinávia, onde a democracia é mais sadia. Passos Coelho terá mesmo comentado que dispensa “espíritos que lhe irritem a consciência.


Apanhado numa conversa com o Pai Natal, o Espírito de Natal diz-se desiludido e considera que o actual governo e mesmo Seguro como alternativa, deixam o país sem alma, sem pátria, à deriva. Sente-se cansado de uma evangelização inglória e de manifestações hipócritas de solidariedade e generosidade, desde as elites às bases populares, ambas a organizarem-se em gangs para melhor posicionamento no saque. As elites do capital, manipuladoras dos governos, deitam mão a tudo o que seja estratégico e lucrativo. Na base, os espoliados organizam-se para deitar a mão às migalhas, cegos contra cegos, como no “ensaio da cegueira” de Saramago


Por sua vez o Pai Natal, à beira do desemprego, face ao saldo migratório e redução da natalidade, partilha também a opinião que este país está cada vez mais irrelevante, ponderando, igualmente, emigrar.


Tal como acontece com as decisões do Tribunal Constitucional, Passos Coelho, ainda que mostre o contrário, já preparou cenários alternativos para o Natal de 2014. Segundo as mesmas fontes, Passos pretendia acabar com o feriado do dia de Natal, mas foi contrariado por Paulo Portas, que alertou para a importância da celebração a 25 de Dezembro em todo mundo católico desde o ano 354, por determinação do Papa Libério. Para não afrontar a História e a Igreja, Passos vai optar por um programa (ainda provisório) que aqui se divulga:


Com a emigração do Espírito de Natal e o Pai Natal, a quadra natalícia de 2014, será festejada durante todo mês de Dezembro, ainda que Rui Machete esteja a acompanhar a experiência da Venezuela, para uma eventual antecipação do seu início para Novembro, a fim de dar mais felicidade e paz ao povo que anda muito revoltado.


No dia 1 de Dezembro, - ainda se lembram “Restauração da Independência”? - haverá a abertura oficial da quadra natalícia com o discurso solene de Passos Coelho, que irá ler a mensagem de Natal de Angela Merkel, ladeado pelas fotografias desta e do renovado ministro da austeridade Wolfgang Schäuble. Merkel irá dizer que durante a quadra natalícia todos dias são de festa e trabalho, porque o trabalho liberta – os judeus não esquecem “Arbeit macht frei”. Assim, se formos laboriosos, cumpridores e disciplinados, promete que não nos volta a chamar de PIGS.


No dia 25 de Dezembro, será privilegiada a TVI, que irá dar relevância aos acontecimentos da “casa dos segredos”, para distrair o cidadão mais irreverente que gosta de ouvir as mensagens do Papa Francisco, cada vez mais revolucionário e diz coisas tão blasfemas como “esta economia mata”. Já o nosso cardeal D. Manuel Clemente, fará a sua homilia na Sé de Lisboa, abordando a crise social, mas não terá cobertura televisiva.


No dia 31 de Dezembro, Passos Coelho e Seguro, irão finalmente discutir o pacto de regime do pós troika ou da continuação da mesma, durante o réveillon que irá decorrer na Praia dos Tomates, ficando encarregue de preparar a festa a deputada Teresa Leal Coelho.  No dia 1 de Janeiro, a mensagem de Ano Novo não será de Cavaco Silva, devido a provável indigestão de bolo-rei e dos avisos da Maria, de que não se fala de boca cheia. Será o sempre versátil e irrevogável Paulo Portas, a apresentar os votos de Ano Novo e a fechar a quadra natalícia, já que o dia de Reis será abolido por ser uma afronta à Republica e, do ouro, do incenso e da mirra, apenas o ouro tem particular valor de mercado.


Durante toda a quadra, para que os portugueses trabalhem com alegria, como Merkel recomenda, Passos Coelho fará umaPPP com o Belmiro, o qual garante a presença permanente da Popota, como artista consagrada da rádio e televisão.


Bem Hajam e sejam todos amigos e felizes neste Natal, porque nem tudo é para levar a sério, apesar de nos “tirarem do sério”.

Boas-festas... Bom Natal!

 


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os passos à esquerda

Por Eduardo Louro


 


A esquerda não pára de surpreender. Procura a unidade mas só encontra cisões. Depois do” Livre”, os “3D”. Depois da liderança bicéfala do Bloco, uma liderança rotativa para o Livre… Pode ser que seja assim que se lá vá… Não parece, mas quem sabe?


Pode ser que seja o passo atrás para dar dois à frente, a táctica que Lenine deixou famosa na Nova Política Económica, no início dos anos 20 do século passado!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Não chega lá quem quer...

Por Eduardo Louro


 


 


Não sei se o treinador do Sporting é assim porque o presidente é assado. Mas sei que o Leonardo Jardim, para além de saber do ofício, sabe o que diz. É sensato e sabe comunicar, mesmo que possa não entusiasmar plateias!


Bem sei que se poderá dizer que, quem tem um carroceiro para fazer o trabalho sujo, pode dar-se ao luxo de ser elegante, um gentleman. Que pode até haver ali uma divisão de tarefas, cabendo ao treinador as mais protegidas e ao presidente as de maior exposição e risco.


Mesmo assim não posso deixar de admirar o comportamento de Leonardo Jardim e de verberar o de Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting não está apenas a exagerar, a passar das marcas: está a tornar-se patético!


O Sporting tem sido protagonista dos mais frequentes erros de arbitragem, que lhe têm sido maioritariamente favoráveis. Toda a gente se lembra, entre outras coisas, da série de jogos consecutivos resolvidos em foras de jogo do Montero. Quis o destino que a maior aberração em decisões de arbitragem - um penalti por uma ocorrência fora do rectângulo de jogo - acontecesse num jogo, e em favor, do Sporting, precisamente no último jogo, há uma semana.


Pelo papel que o presidente do Sporting puxou para si, tudo está bem quando beneficia dos erros. Mas tudo passa à maior vergonha, à vergonha de integrar o mundo do futebol - de que não quer abdicar - quando entende que sucede o contrário.


Dirão alguns que assim é com todos. Que não há no futebol ninguém que reconheça quando é beneficiado, que todos apenas saem a terreiro quando se acham prejudicados. É verdade, sem dúvida. Mas ninguém o faz com a ineficácia e o despudor do presidente do Sporting!


Percebe-se onde quer chegar. Mas não chega lá quem quer...

Solstício de Inverno

Por Eduardo Louro


 


 


Hoje é o dia mais pequeno do ano. A partir daqui é sempre a crescer. Até Junho, depois voltam a ser cada dia mais pequenos, sempre a diminuir!


Faz lembrar a nossa economia. É assim que acaba a recessão!


 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Olhe que não, olhe que não...

Por Eduardo Louro


 


 


Com uma primeira parte miserável, mas com Oblak na baliza, e com Jesus a insistir nas mesmas aberrantes opções, com Enzo Perez preso à ala direita, quando no melhor plantel dos últimos 30 anos há carradas de alas, e é ele o único - dos que jogam - com condições para transportar jogo pelo meio e de chegar com a bola de uma área à outra, o Benfica lá ganhou em Setúbal o jogo que, antes da recepção ao Porto, não podia deixar de ganhar.


Melhor o resultado que a exibição, como diz o jargão. Muito melhor, porque se na primeira parte a exibição foi miserável na segunda foi pouco mais que isso. É verdade que foi melhor, mas foi pouco melhor. E durante pouco tempo, porque parece que também os jogadores não estão para se maçar muito.


Ao intervalo, o 11º mais caro treinador do mundo, lá corrigiu o erro que mais gosta de cometer e tirou o Fejsa para entrar o Sljmani para a ala, de lá trazendo o Enzo para a faixa central, onde realmente fazia falta, e as coisas lá tiveram a tal pequena melhoria. Lá surgiu o primeiro remate à baliza (51 minutos!), logo a seguir (aos 54) o primeiro golo (Rodrigo), e os melhores 10 minutos do jogo. Quando o segundo golo apareceu (Lima, de penalti – na primeira parte havia ficado outro por assinalar, bem como um jogador do Vitória por expulsar, por pisar o Gaitan, caído, nas costas) já esse melhor período se tinha esgotado!


Para o 11º treinador mais caro do mundo, que tem à sua disposição o 15º mais caro plantel do planeta, não se passou nada disto: o Benfica fez um grande jogo e a deprimente primeira parte faz parte do plano de jogo!


Olhe que não, olhe que não: o Benfica teve mais uma prestação decepcionante, ao nível dos jogos com o Arouca e com o Olhanense, se não mesmo pior. Não sei se o presidente está muito preocupado com isso, porque fala quando deve estar calado – e fala do que não deve, como se viu pelos jornais de ontem – e está calado quando deve falar. Mas nós estamos, e muito!

Da ameaça à oportunidade

Por Eduardo Louro


 


Passos não apregoa apenas o empreendedorismo prá-frentex, é ele próprio um empreendedor de última geração que vê em cada ameaça uma oportunidade. E um visionário…


A inconstitucionalidade do corte das pensões, a nona vez que o governo é apanhado calças na mão (preparadinho para violar a Constituição), não é uma derrota. Nem sequer um embaraço, é apenas uma ameaça que, como sempre, gera uma oportunidade… Uma oportunidade para deixar tudo na mesma, vendo no acórdão do Tribunal Constitucional aquilo que mais ninguém consegue ver!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Corrupção

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Há temas que são recorrentes, porque os factos a que se referem persistem e agravam-se na sociedade portuguesa. Esta análise é uma síntese dos dados vindos a público e suas interpretações.


No passado dia 3, a Organização Mundial para a Transparência apresentou o relatório sobre o Índice de Percepção de Corrupção (IPC), que revela o agravamento da corrupção em Portugal passando do 25º lugar em 2003, para o 33º. Mais condenável que a posição no ranking, é a tendência de agravamento: pelos seus efeitos na motivação dos contribuintes chamados a pagar todos os desvarios da governação; por colocar em causa a credibilidade do país, nomeadamente perante os investidores externos; e pela imagem negativa que recai sobre os milhões de portugueses espalhados pelo mundo.


No passado dia 9, comemorou-se o dia internacional contra a corrupção. Paulo Morais, vice-presidente da Associação de Transparência e Integridade, em entrevistas na RDP1, assinalou ambas as datas com mimos como estes: “o fenómeno é generalizado na política e na administração pública”, “Há impunidade absoluta em Portugal e mesmo favorecimento da actividade politica ao fenómeno da corrupção, dada a promiscuidade entre negócios e a política”. “Só no Parlamento temos mais de 50 deputados, em 230, que são administradores, directores, consultores, advogados de empresas, que têm grandes negócios com o estado. Estão num duplo papel: devem lealdade ao povo que os elegeu, mas também fidelidade a quem lhes paga”, e disse ainda ”nem todos os políticos são corruptos, talvez uma minoria de 10 a 15%, mas estes mandam em 90% do orçamento do Estado. Os restantes 85% poderão não ser corruptos mas são cúmplices”.


O relatório da Organização Mundial para a Transparência e a opinião de Paulo Morais, levaram-me a rever um estudo no âmbito do projeto Sistema Nacional de Integridade, apresentado em Maio de 2012, do qual retiro algumas conclusões que nada surpreendem:


“Nenhum Governo até hoje estabeleceu, objetivamente, uma política de combate à corrupção no seu programa, limitando-se apenas a considerandos vagos e intenções simbólicas”.“Muitas das leis estão viciadas à nascença, com graves defeitos de conceção e formatação, o que as torna ineficazes”.


“Falta de sancionamento das irregularidades praticadas pelos políticos, pela falta de mecanismos de supervisão e de fiscalização e a quase inexistência de sentenças com penas de prisão efectiva de punição de corrupção”.“Falta de transparência no tocante a rendimentos e a património antes, durante e depois do exercício de cargos governativos”.


“Os gabinetes ministeriais não são solidários com as restrições orçamentais que impõem aos serviços públicos sob a sua tutela e privilegiam o clientelismo, o eleitoralismo e a cunha”. “Opacidade e gastos excessivos ocorrem com os pareceres solicitados a firmas de advogados com relações diretas com alguns membros do governo, em vez de serem solicitados aos departamentos jurídicos da Administração Pública”.Financiamento ilícito de partidos por parte de empresas, garantindo-lhes um acesso privilegiado a decisões políticas”.A independência da comunicação social não é linear e a concentração da propriedade dos media constitui uma preocupação pública”


 


“O relatório sugere que Ministério Público e o Tribunal Constitucional sejam mais ativos na fiscalização das declarações patrimoniais e que o regime de incompatibilidades e a entrega de registos de interesses seja alargado aos membros dos gabinetes ministeriais. Sugere ainda a criação de um “organismo especializado de combate à corrupção”, a "verdadeira despartidarização da Administração Pública" e a descriminalização da difamação, que tem sido um obstáculo à denúncia.”


 


Não fosse este assunto muito grave - pela incidência no sofrimento daqueles que são mais atingidos pela actual crise -, diria que as sugestões do relatório são para rir. Para que não se diga que o Governo é desprovido de senso moral, o Governo não desmente, assina medidas de combate à corrupção, mas não cumpre, não fiscaliza e não pune.


A corrupção é um brutal imposto que nos cai em cima, a ver pelo exemplo do BPN - buraco de 7 mil milhões de euros - e nada se faz para recuperar este e muitos outros activos retirados do orçamento do estado. O agravamento da corrupção acompanha o aumento da riqueza nas mãos dos milionários portugueses, que só no último ano teve um acréscimo de 11%.


O nosso 33º lugar no Índice de Percepção de Corrupção (IPC) ao nível mundial afasta-nos muito da Somália, mas aproxima-nos muito dos mais corruptos da Europa, a par da Espanha onde muitos políticos, autarcas, assessores, gestores tem prisão efectiva e multas pesadas, da Grécia não recomendável, e da Itália cuja máfia gosta de Portugal como refúgio, a ver por alguns casos recentes. É o nosso triste fado. Já no seu tempo, Eça de Queiroz, se zangava: “Portugal não é um País, é um sítio! Ainda por cima, muito mal frequentado!”


O que terá levado muitos portugueses a eleger, num concurso, o Salazar como o “maior português de sempre”? Será que foi Salazar que se impôs, ou foi o povo português que o pediu? Só que num regime autoritário os valores fundamentais - de igualdade, transparência, livre concorrência, imparcialidade, legalidade, integridade - perdem o significado que a democracia lhes dá, valores que esta corrupção não desiste de atacar. Não sou único a dizer: “Mais que uma crise económica, vivemos uma profunda crise moral”.

Inconstitucional!

Por Eduardo Louro


 


O Tribunal Constitucional declarou a inconstitucionalidade dos cortes nas pensões, a que o governo chama convergência. Por unanimidade, quer dizer: sem dúvidas nenhumas!


Não funcionaram as pressões que vieram de todo o lado. A vingança segue dentro de momentos!


 

Ciclo de miséria

Por Eduardo Louro


 


Na Bolívia milhares de crianças manifestaram-se - com graves confrontos com a polícia - contra uma lei que proíbe o trabalho infantil, uma lei agora aprovada que estabelece os 14 anos como idade mínima de entrada no mercado de trabalho. 


Pelas palavras de ordem percebia-se que aquelas crianças reclamavam um direito - o direito ao trabalho - que aquela lei lhes negava. Reclamavam um direito que viola justamente os seus mais básicios direitos, há décadas reconhecidos no mundo dito civilizado. Ouvida pelos repórteres, uma menina explicava que tinha quatro irmãos e que o seu trabalho era indispensável para ajudar os pais a criá-los. Noutras declarações, outros meninos denunciavam que aquela lei condenava as suas famílias a morrer à fome.  


Coisa estranha?


Não. Apenas os paradoxos dos dias que vivemos. Simplesmente o ciclo da miséria... 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O drama do país

Convidada: Clarisse Louro * 


 


Uns nem estudam nem trabalham. São os nem nem!


Outros, estudam mas nem sabem para quê.


Outros estudaram e fazem parte da chamada geração mais qualificada de sempre.


A maioria não tem trabalho e conta para pouco mais que um número - 40%, taxa do desemprego jovem. Correm atrás de um estágio não remunerado que nada lhes acrescenta, de um biscate sazonal no restaurante que já fechou, de uma caixa de supermercado ou de um call center onde ninguém lhes veja a cara…


Boa parte deles já deixou o país, pela porta da emigração indicada pelos que (n)os (des)governam. São muitos dos melhores, que vão entregar a outros o talento e o capital de conhecimento que, num esforço de décadas, em vão o país neles investiu.


Sobrou lugar no mercado de trabalho para alguns. Para uma certa e conhecida rapaziada - uma inexpressiva parte mas nem por isso negligenciável - há sempre um lugar reservado na máquina dos aparelhos partidários. Ou a partir dela. Há muita juventude até nos gabinetes do governo, muitos jovens a entrar todos os dias, como a pouco e pouco vamos percebendo…


E, claro, para alguns jovens muito capazes, os melhores dos melhores, que chegam ao mercado de trabalho com uma enorme vontade de dar o melhor de si, de contribuir para a renovação do país, de ser parte activa na criação de uma sociedade que não lhes corte os sonhos e a vontade de mudar o mundo.


Cedo chocam com a realidade imobilista dos interesses instalados, com o status quo inamovível que não tolera a afronta. Cedo percebem que não são afinal capazes de mudar o mundo, e que, ou se adaptam e se deixam absorver pelo sistema, na certeza de que se virão também a instalar e a perpetuar o inamovível status quo, ou desistem e, desiludidos, desencantados, frustrados e vencidos procuram também eles lá fora o que o país também a eles lhes nega, de uma forma ainda mais violenta e brutal. Não é um país que se adia, é um país que, impedindo a circulação de sangue novo, nega a renovação, negando-se a si próprio.


São estas as linhas que traçam o cenário de drama que hoje marca o país. Um país que desperdiça o maior e mais importante investimento feito nos últimos 40 anos, entregando ao desbarato os cérebros em que tanto investiu, hipoteca irremediavelmente o futuro que durante décadas se julgava estar a construir. Um país que ou empurra para fora, ou castra cá dentro, aqueles que são a alma, a base de sustentação e a mola de desenvolvimento das nações, descarta o futuro.


Um país onde o presente de uns poucos nega futuro de todos, é um país que não faz sentido!


 


 


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Grande chumbo!

Por Eduardo Louro


 


Parece que esta manhã decorreu uma prova de acesso à continuidade do ministro. E parece que Nuno Crato chumbou!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Pantominices

Por Eduardo Louro


 


Ficamos ontem a saber, já sem qualquer dúvida, pela própria boca do Sr Mario Drahgi, que as pantominices e o relógio de count down de Portas não são mais que isso mesmo: pantominices.


A troika não vai embora coisíssima nenhuma e o segundo resgate aí está, travestido de uma coisa qualquer, chame-se-lhe programa cautelar - como o governo gosta -, contrato de seguro - como a ministra das finanças acabou de inventar – ou programa de assistência para a transição, como o número 1 do BCE lhe chamou.


Não há nisto qualquer novidade, há muito que se sabe que assim teria de ser. Vale simplesmente a pena salientar que, ao dizer o que disse agora, Mario Draghi, dilui o álibi do Tribunal Constitucional. O governo – e a troika e tutti quanti, incluindo as últimas imbecilidades e pantominices de Braga de Macedo – tudo tem feito para pressionar e culpar o Tribunal Constitucional. Se ainda há pouco o responsabilizava por um ameaçado segundo resgate, melhor agora o responsabilizaria.


O governo da Irlanda recusou assinar qualquer espécie de programa de transição porque, estando em condições de arriscar directamente os mercados, entendeu que não poderia aceitar as exigências da troika. Não recusou esse programa apenas porque pôde, mas também porque quis. Mas esse é o governo que já negociara um programa com um ajustamento orçamental bem menos exigente e um bem menor poder de destruição social e económica.


Andaram sempre a dizer-nos que Portugal não era a Grécia. Que nos colaríamos à Irlanda para, na carruagem de trás, seguir o mesmo percurso e atingir o mesmo destino. Tretas!


A Irlanda tem, agora que justamente concluiu o programa, acesso aos mercados financeiros a taxas de juro sustentáveis, que rondam os 3%.


Para Portugal as taxas de juro não baixam do dobro disso, e são evidentemente incomportáveis. E não é nem por especulação dos mercados, nem por nenhum Tribunal Constitucional. É porque os mercados perceberam, quando Vítor Gaspar desistiu e reconheceu que falhara, que falhara ele e tudo o que representava, ele e o programa em que acreditara. Porque, ao contrário da Irlanda, a economia foi destruída e não tem condições de crescimento. E porque ninguém consegue pagar uma dívida que, mesmo privatizando tudo o que havia para privatizar – as receitas das privatizações são para abate directo na dívida -, não tem parado de crescer, e já ultrapassa os 130% do PIB. E porque só nestas condições de austeridade, à custa da procura interna - reduzindo importações e aumentando exportações à custa do excesso de produção (face à redução do consumo) de combustíveis - Portugal consegue controlar o défice externo. E porque o país está a envelhecer, sem natalidade e com os jovens a emigrar. E porque o país empobreceu dramaticamente, e perdeu a massa crítica da classe média. E porque tem uma política de redistribuição de rendimento terceiro-mundista…


António José Seguro, passa ao lado de tudo isto, e protesta que o governo está a negociar o programa nas costas e à revelia do PS. Programa que Passos, voltando a mentir, garante ser para um ano … Para que sinta dispensado de tudo e mais alguma coisa. Até de negociar, o que quer que seja, com quem quer que seja… Mesmo que seja o novo programa. E mesmo que seja com a troika, com os técnicos ou com o topo da hierarquia!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Décima avaliação

Por Eduardo Louro


 


Mais do que ficarmos a saber que o país obteve nota positiva na décima avaliação da troika, ficamos a saber que temos dois países e que um deles vai muito bem. É o de Portas, um admirável país novo, que exporta produtos petrolíferos como se tivesse petróleo e que não assenta numa economia de mão-de-obra barata. Um país que diz não aos baixos salários. Que nem sonhávamos existir, mas que nos apresenta tão depressa que quando vamos por ele já passou, já não existe… É tão bom não foi?


Ficamos sem saber qual é que a troika aprovou nesta décima avaliação. Deve ter sido o de Portas…

Habemus ... governo alemão...

Por Eduardo Louro


 


 


Três meses depois das eleições – que se diria se isto acontecesse noutro país europeu, mais a sul – a Alemanha irá finalmente apresentar amanhã o novo governo. Fossem eles mais dados a estas coisas do Natal e dir-se-ia que era a prenda no sapatinho dos alemães. E não só, porque, mesmo não querendo, nestas coisas já somos todos um pouco alemães!


Schauble, o amigo de Gaspar - do Vítor, não é do rei mago - lá continuará a mandar nas finanças de Merkel... Seria caso para dizer que tudo fica na mesma, que a inclusão do SPD na grande coligação não faz diferença nenhuma, até porque, ao que consta, foi encostado à política interna, longe das questões europeias.


Mas não. Já se percebeu que muita coisa mudou, mesmo que por lá nada tenha mudado... 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Lesão oportuna

Por Eduardo Louro


 


O Benfica lá regressou às vitórias, ganhando ao Olhanense, em mais um jogo igual a quase todos já esta época realizados.


Sofreu mais dois golos, que não são apenas mais dois golos: são dois golos que são a primeira vez do Olhanense – ainda não tinha feito dois golos num jogo, foi preciso chegar este Benfica abono de família dos últimos –, que fazem quatro em dois jogos, precisamente contra os últimos da tabela classificativa. E são dois golos iguais a tantos, diria mesmo todos, outros: o primeiro golo na primeira vez que o adversário chega à baliza, e o segundo em mais uma falha do Artur.


E teve mais uma lesão, não há jogo sem lesões dos jogadores do Benfica. Não há lesões boas nem más - as lesões são sempre más – mas há lesões inoportunas, quase todas, e lesões oportunas, daquelas que vêm mesmo a calhar. Quando o treinador é Jorge Jesus há muitas lesões destas, o problema é que também há muitas das outras!


Toda a gente tinha percebido que o Artur é outro dos jogadores que não recuperou do final da época passada. Pior ainda que os outros, porque foi um dos réus daquele final de época, eventualmente pelas atribulações pessoais por que passou. Mas toda a gente tinha também percebido que, para Jesus, era inamovível. Bem o Oblak podia (des)esperar…


Não é esta a primeira lesão oportuna no Benfica, já houve mais, mas esta será provavelmente a mais oportuna de sempre. Que não falte para o jovem promissor guarda-redes a tolerância que tem sobrado para o Artur!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Estranheza

Por Eduardo Louro


 


 


Há poucos dias, na sequência da tomada das escadarias de S. Bento pelos polícias manifestantes, o Director Geral da PSP, Paulo Gomes de seu nome, demitiu-se e foi de imediato substituído exactamente pelo responsável operacional sobre quem deveria cair a responsabilidade por tal acto de sublevação.


Achou-se estranho, aqui mesmo foi dada conta dessa estranheza. O que não se sabia, mas sabe-se hoje, é que foi criado – inventado - um lugar na embaixada portuguesa em Paris para acolher o demitido Paulo Gomes. Chama-se a esse lugar oficial de ligação e tem, ao que se diz, a remuneração mensal de 12 mil euros.


Pode ser que isto tudo faça sentido. Pode até ser que o ministro Miguel Macedo continue a destoar – pela positiva – neste governo. Mas que também isto é estranho, é! 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A entrevista de Passos

Por Eduardo Louro


 


Na entrevista - friendly qb – conjunta à TSF e à TVI Passos disse e contradisse. O que disse e o que já dissera!


Acima de tudo contradisse o “que se lixem as eleições”…

Marcante

Por Eduardo Louro


 


 


Para o marcante Presidente da República que temos tudo é marcante. Agora é a morte de Nelson Mandela que é "o acontecimento mais marcante de sempre"...


A vida de Mandela terá tido algum interesse, mas marcante mesmo é a sua morte. Que seria do mundo se Mandela não tivesse morrido?


Francamente...

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A porta pequena da saída

Por Eduardo Louro


 


Se 10 pontos não chegaram para o Benfica assegurar a continuidade na Champions - mas chegaram ao Olympiacos, porque o Roberto afinal não só dá pontos como dá pontos que valem mais - 12 não foram suficientes ao Nápoles, os mesmos que, no mesmo grupo, garantiram o apuramento do Borússia de Dortmund e do Arsenal.


O Porto ficou por metade: 5 pontos apenas. Tantos quantos o último classificado, o Áustria, mas que valeram mais, não por obra e graça de qualquer Roberto, mas porque quis a sorte que a única vitória do Porto tivesse acontecido em Viena, logo na primeira jornada. E o Zenith segue na Champoions - os regulamentos deviam proibir uma coisa destas - goleado e humilhado em Viena, com apenas mais um ponto – seis. Com uma única vitória, justamente no Dragão, e três empates em casa. Deve o apuramento precisamente a isso, porque os três empates em casa querem dizer que somou um ponto com o Atlético de Madrid, coisa que mais ninguém fez.


Benfica e Porto, ambos cabeças de série na Champions, – foram os únicos cabeças de série a ficar pelo caminho – tiveram o mesmo destino mas escrito por linhas bem diferentes. Na forma e na substância: em casa, o melhor que o Porto conseguiu foi um empate. Que foi o pior que o Benfica fez. Não há portas grandes para sair de uma competição como a Champions, mas foi muito pequena esta por onde o Porto saiu. Mesmo que neste jogo de Madrid se tenha superiorizado na posse de bola, que não tanto nas oportunidades de golo, apesar das quatro bolas nos ferros e do penalti. Melhor na quantidade, porque na qualidade foi pior que a segunda equipa que o Atlético de Madrid apresentou.


A goleada que o Áustria impôs a Hulk e companhia, que tinham entrado à custa do Paços, estreitou ainda mais a pequena porta de saída do Porto. Tão pequena que nem dá para entrar na Liga Europa como cabeça de série, ao contrário do Benfica!

Procura activa de emprego

Por Eduardo Louro


 


Quando, há dias, foi apresentada a plataforma “Uma agenda para Portugal”, dada na altura como a passadeira vermelha estendida a Rui Rio, o ex-presidente da Câmara da Invicta correu a demarcar-se da iniciativa, dizendo-se fora da política, que a única coisa que agora procurava era trabalho. Que não era de famílias e que precisava de se fazer à vida...


A verdade é que, desde aí, não há dia - diria mais, hora que seja - em que se não ouça falar dele: Rui Rio recusa convite de Passos Coelho para o Banco de Fomento; Rui Rio em conferência à porta fechada, iniciativa da plataforma “Uma agenda para Portugal”; Rui Rio quer consensos políticos para "acabar com isto" da dependência do Tribunal Constitucional; Rui Rio propõe que a abstenção eleja cadeiras vazias na Assembleia da República; Rui Rio diz que "temos visto demasiada política na justiça e demasiada justiça na política"; Rui Rio diz que o país corre o risco de caminhar para uma "ditadura sem rosto" ...


Fora da política, aí está ele a fazer-se à vida: um exemplo na procura activa de emprego!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Adeus Champions

Por Eduardo Louro


 


O Benfica jogou bem, ganhou e manteve a invencibilidade na Luz perante equipas francesas, mesmo quando chegou a vez deste super PSG, e chegou aos 10 pontos na tabela classificativa do seu grupo, sempre suficientes para o apuramento. Suficientes também neste grupo, só que foram outros – há 10 pontos e 10 pontos, não são todos iguais!


Os 10 pontos dos gregos do Olympiacos valeram mais do que os do Benfica. Porque tinham lá dentro aqueles 3 pontos que o Roberto lhes deu em Atenas, naquele que continua a ser o melhor jogo do Benfica em toda esta época... Nada a fazer, não há milagres como se sabia. Ou se há foram feitos pelo Roberto!


O Benfica fez um bom jogo, com uma exibição que chegou a empolgar e a roçar o brilhantismo, logo depois daquela vergnha com o Arouca. É bom que os responsáveis pelo futebol do Benfica, a começar no presidente que realmente percebe muito pouco disto, reparem que os jogadores não precisam de nenhuma motivação especial para jogar a Champions, basta-lhes ouvir aquele hino do início dos jogos. Para os outros jogos, com os Aroucas deste campeonato, é que há que ter muita atenção com essas coisas motivacionais. Até porque, se não forem ganhos, nem sequer há Champions! 


 

Cidadania em toda a linha

Por Eduardo Louro


 


 


Chama-se José António Pinto - Chalana para os amigos -, é assistente social numa das freguesias mais pobres do Porto, e é notícia porque rejeitou a medalha que lhe ofereceram. Mas não se limitou a rejeitá-la, explicou, sem papas na língua, porque não a queria. E o que queria em vez dela...


já não é a primeira vez que choca a ordem instalada. Um exemplo, um grande exemplo de cidadania consequente!

Simbologias

Por Eduardo Louro


 Cumprimento durou alguns segundos, durante os quais Obama e o Presidente cubano trocaram breves palavras, na presença de Dilma Rousseff


 


Também isto é obra de Mandela. O cumprimento entre os presidentes americano e cubano nunca teria existido sem Mandela…


Quando Obama se deslocava para a tribuna, para o seu discurso nas cerimónias fúnebres públicas de hoje em Joanesburgo, cruzou-se com Raul de Castro e … apertaram as mãos. Simbólico, não mais que isso. É mais um símbolo!


Não simbólico, apenas curioso que seja Dilma a testemunhar este cumprimento que poderia ser - mas que não será - histórico. Não creio que seja... 


Também simbólica - e preocupante - foi a manifestação pública de hostilidade ao presidente sul africano Jacob Zuma!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dia internacional contra a corrupção

Por Eduardo Louro


 


O novo banco público, dito de fomento, estará de pé no primeiro semestre do próximo ano.


Já há um banco público – a Caixa Geral de Depósitos – que tem tudo para fazer o que deste se pretende, ao que se diz gerir a distribuição dos fundos europeus do novo quadro comunitário que aí vem. Tem mesmo tudo, e seguramente em tudo tem vantagens comparativas com qualquer novo operador. Acresce que também a banca privada pode fazer o mesmo, como de resto o tem feito nos anteriores quadros comunitários.


Se já isto nos pode levar a torcer o nariz ao novo banco do Estado, mais estranho é ainda que esta seja uma iniciativa de um governo que tudo quer tirar do Estado. Que privatiza tudo o que mexe, que acabou de vender os Correios, que são públicos em praticamente todo o mundo, e que pretende mesmo transferir para o sector privado grande parte dos serviços de natureza eminentemente pública, nalguns casos, como os da saúde e da educação, em situações de verdadeira parasitagem.


À partida, o mínimo que se poderia dizer desta ideia que nasceu nestas cabecinhas do governo, a que muito rapidamente deu forma, é que não joga a bota com a perdigota. Não faz sentido!


A menos que pensemos um bocadinho no que pode representar este novo banco. Que comecemos a perceber que vai poder intervir na economia como nenhum outro, porque é muito, mas mesmo muito, o dinheiro que vai ter à disposição, mas porque vai até poder entrar no capital das empresas e na gestão dos próprios projectos. E que percebamos finalmente o imenso pantanal de promiscuidade entre o público e o privado que este banco poderá potenciar…


É isso. Aí está. Para já garante mais uns postos dourados para umas dezenas de boys, cujo pontapé de saída foi dado com a palhaçada – perdoem-me a expressão – do convite a Rui Rio que, como não poderia deixar de ser, recusou. Um convite que diz tudo sobre a falta de escrúpulos que, também a este propósito, passa pela cabeça deste governo.


Não é porque o banco vai ter sede no Porto que Passos Coelho convidou Rui Rio, embora possa ter sido por isso que convidou Paulo Azevedo (portuense deslocado em Lisboa, ex-BCP) o indigitado presidente cujo perfil nada, mas mesmo nada, tem a ver com o de Rui Rio. Não terá certamente sido por isso que o lugar de Franquelim Alves (quem quiser avivar a memória pode fazê-lo aqui e aqui) foi o primeiro a ser reservado, com o seu nome a ser imposto ao presidente, mesmo que esse se chamasse Rui Rio...


Comemora-se hoje o dia internacional contra a corrupção. Não sei porque é que me lembrei disto! 

O sorteio da polémica? Ou a polémica do sorteio?

Por Eduardo Louro


 


Com o sorteio dos grupos para a primeira fase pode dizer-se que arrancou o Campeonato do Mundo do Brasil. Com enorme polémica, com polémica em cima da polémica que normalmente acompanha este tipo de sorteios, raramente claros…


Já há grupos, já há bola – a brasuka – mas ainda não há estádios. Exactamente, ainda há estádios por concluir, o que sendo inédito não parece polémico. Polémica há desde logo na designação dos apresentadores do espectáculo que integra o sorteio, um casal - de marido e mulher, mas não é por aí – de louros, que não de olhos azuis. Diz-se que impostos pela FIFA, de Blatter, que numa atitude racista teria excluído a mais escura tez afro-brasileira.


O centro da polémica está mesmo no coração do sorteio, na constituição dos quatro potes, de oito selecções cada. O primeiro não ofereceria grandes dúvidas, se dúvidas não houvesse na designação dos cabeças de série. Mas há: se a Bélgica, mercê de uma notável fase de apuramento - e de facto, uma grande selecção, de que muito se espera - não fará levantar grandes dúvidas, já ninguém percebe por que carga de água lá está a Suíça. No segundo pote estava o busílis da questão, porque só lá estavam sete, em vez das oito selecções. A oitava seria, de acordo com as regras que sempre vigoraram, a selecção europeia com menor classificação no ranking da FIFA – na circunstância a França. O terceiro pote não suscitaria qualquer problema e o quarto, por contraponto ao segundo, estava no olho do furacão. Ficara com nove selecções, donde uma sairia por sorteio, para completar o tal pote 2, em vez da protegida França.  


Platini pretendia ainda melhor, queria mesmo que, em vez do sorteio com que Blatter brindou a sua França, fosse a Bósnia, na qualidade de debutante, a seguir directamente para esse segundo pote. Não seria nem mais nem menos escandaloso, o escândalo já estava na alteração da regra, que não servia os interesses franceses…


E lá saiu a bola do pote 4, directamente para o 2, sem mais. Para dourar a pílula não foi sequer anunciada a selecção sorteada, como que havendo qualquer coisa a esconder. Perceber-se-ia quase de imediato - sem que nunca fosse anunciado - que a fava tinha saído à Itália, e não à França, como seria escrever direito por linhas tortas. Que, agradecida, acabou por cair no grupo E, de todos claramente o mais fácil, com a Suíça – grupo que tivesse este estranho cabeça de série seria sempre o mais fácil - as Honduras e o Equador. Já à Itália cabe disputar com o Uruguai e a Inglaterra – três galos para apenas dois poleiros - e a Costa Rica, os dois lugares que asseguram a qualificação.


Também a selecção portuguesa tem pela frente tarefa bem difícil, com Alemanha – um dos principais candidatos, seria mesmo o principal se o campeonato se disputasse na Europa -, Gana, a mais poderosa selecção africana, que esteve às portas das meias-finais no último Mundial, na África do Sul, e Estados Unidos, provavelmente o adversário mais acessível. Mas também com deslocações complicadas (Salvador, Manaus e Brasília), em especial a Manaus, na Amazónia, longe de tudo mas perto do inferno, com calor e humidade pouco menos que insuportáveis.


Para que as polémicas não ficassem por aqui, o minuto de silêncio por Mandela não terá passado dos 10 segundos. E ainda um twit que antes do sorteio dava a constituição integral do grupo F, da Argentina. Ou outro que também previra que a fava do pote 2 saía à Itália!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...