quinta-feira, 30 de junho de 2022

A lógica da batata quente

Localização novo aeroporto. António Costa determina revogação do despacho  do ministro Pedro Nuno Santos


 


Afinal a lógica é mesmo uma batata. Errar é humano, e os ministros são afinal humanos. E humildes!


Os erros, mesmo que "obviamente graves" corrigem-se. Não se passa nada, e siga a dança... mesmo que com passes trocados, e pares desacertados.


Mais uma trapalhada. E já houve um governo com apoio parlamentar maioritário que caiu de trapalhada. Não é, desta vez, o caso deste. Não quer dizer que não seja na próxima. A batata da lógica fica quente, e a escaldar as mãos de António Costa. Mais ninguém lhe pega.


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Fizemos aqui uma espécie de balanço da primeira fase deste Euro 2012, voltamos a fazê-lo quando o pano caiu sobre os quartos de final. Não há razão para que não o façamos sobre as meias-finais!


A esta competição, marcada por um certo paralelismo com a crise do euro – do outro, que afinal conta bem mais – e da Europa, chegaram em maioria os representantes dos PIIGS, todos representados nesta fase final deste Euro 2012. Na primeira fase caiu apenas um – a Irlanda -, coisa que se repetiu nos quartos de final, com a pobre Grécia a ser expulsa pela implacável Alemanha. Que se viu depois sozinha nas meias-finais rodeada de PIIGS por todos os lados, a reclamarem o protagonismo na bola que a economia e as finanças lhes negam no euro. E dispostos a vingar-se da Alemanha!


Portugal e Espanha, os vizinhos ibéricos em dificuldades, abriram a discussão pela presença na final, num jogo marcado pelo medo, como então aqui se caracterizou. Um medo que pareceu mais evidente na selecção espanhola, que abdicou do seu estilo de jogo habitual, recorrendo como nunca ao improvável jogo directo.


Normalmente, no futebol, quem abdica dos seus princípios de jogo, quem se descaracteriza em função do adversário, é penalizado. Esta é uma regra universal do futebol, sobejamente provada!


Não aconteceu isso desta vez porque os penaltis sorriram-lhe. E ninguém mais se lembrará que foi por essa unha negra que a Espanha chegou à final. Disse-se, e continua a dizer-se, que os espanhóis – que apenas se superiorizaram no prolongamento - ganharam porque tinham mais e melhores opções no banco. A que Del Bosque lançou mão com apurado sentido de oportunidade: no timing certo, as opções certas!


Sendo isto verdade, e tão mais evidente quanto Paulo Bento esteve no lado oposto, no timing – substituições muito tardias - e nas opções, com a entrada de Nelson Oliveira a ser completamente falhada e a de Varela, porque em substituição de Meireles, a esburacar o meio campo, a realidade é que a selecção nacional acabou por perder porque, antes de tudo isso acontecer, não conseguiu ganhar. Portugal podia e devia ter ganhado o jogo nos 90 minutos. Não o tendo feito, não podia ter consentido que o domínio do jogo no prolongamento caísse para o lado dos espanhóis que, fisicamente mais desgastados, fizeram das fraquezas forças. E isto é do domínio mental. O factor mental pesou bem mais que o da qualidade do banco!


Porque falta-nos o hábito de ganhar, a rotina de vencer que faz com que se arrisque quando há que arriscar, que se percebam as dificuldades do adversário e que se entenda que é a altura do ataque fatal. Não é uma só uma questão de ambição – embora também passe por aí – é um problema de instinto. É o nosso fado do quase!


Esta Espanha do tiki-taka nunca como desta vez esteve tão ao alcance de Portugal. Não está, como desde o primeiro dia aqui se defendeu, ao nível de há anos atrás. Nem tem o melhor futebol da Europa!


Na outra meia-final, a imperial Alemanha, super favorita e disposta a impor o seu poder e a sua hegemonia também na Europa do futebol, encontrava-se com uma Itália surpreendente, com um futebol que ganhou atracção sem perder eficácia. E em crescendo, ao contrário do que começava a perceber-se na equipa alemã!


A Itália foi técnica e tacticamente muito superior à Alemanha, superioridade que o resultado não espelha. Por mérito próprio mas também por muito demérito alemão, pelo qual Low é principal responsável. Porque - mais uma vez o medo – abdicou também dos seus princípios de jogo para jogar em função do adversário. E desta vez não houve excepção à regra. Porque, mexendo muito na equipa de jogo para jogo, por ventura em excesso de confiança, lançou-a num processo descendente. E acabou com o fundamental Mario Gomez quando, esquecendo-se que um avançado vive de golos, o colocou de fora no jogo com a Grécia, quando era o melhor marcador em prova. Igualmente incompreensível a sua substituição ao intervalo. Erros a mais, perante um adversário que, ao contrário de Portugal, não está habituado a perdoar!


Ao lado do mérito italiano está, como a outra face da moeda, Prandelli. O treinador que, se não está a revolucionar o futebol da squadra azurri anda lá perto, tal é o salto de qualidade que evidencia. Um tipo de futebol que não abdica da habitual segurança defensiva, mas que defende muito mais alto, permitindo à equipa - e a Pirlo, o maestro e o melhor jogador deste europeu – recuperar a bola em zonas subidas do terreno, já mais perto da baliza contrária, onde depois chega com enorme facilidade. Tudo isto servido por jogadores de alta qualidade, em todos os sectores. E dois génios, um dos quais com muito de louco, de que todos temos um pouco!


Invariavelmente, nos períodos de maior lamaçal no calcio, a squadra azurri ganha o que houver para ganhar. É a minha favorita para amanhã levantar o caneco!

A lógica da falta de lógica

Pedro Nuno Santos. “Se houvesse contradição” com António Costa, “qual seria  o problema?”


No novo aeroporto, em vez de levantarem e aterrarem aviões, há décadas que levantam e aterram trapalhadas. O tráfego é tão intenso que corre o risco de ficar saturado ainda antes de começar a ser construído.


A última era de ontem, antes de hoje, logo pela manhã, chegar mais uma, fresquinha.


Ontem foi publicado um despacho assinado pelo secretário de Estado das Infra-estruturas, Hugo Santos Mendes, do ministério de Pedro Nuno Santos, a determinar o aprontamento do Montijo para 2026, complementado pela construção do de Alcochete, a concluir em 2035, e ainda de mais obras na Portela, que encerraria com a abertura de Alcochete. À noite, o ministro passou pelas televisões a assumir a solução como decisão final. Finalmente!


As críticas não pararam de chover, de todos os lados. Ninguém tinha sido ouvido, e havia leis para alterar. Desde logo a que obrigava a parecer positivo dos municípios envolvidos, que há muito não estavam pelos ajustes. Era a maioria absoluta a funcionar em todo o seu esplendor, apenas uma semana depois do primeiro-ministro ter garantido no parlamento que aguardava a decisão do presidente eleito do PSD, Luís Montenegro, sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa para que houvesse “consenso nacional suficiente” tendo em vista uma decisão “final e irreversível” sobre esta matéria.


Não "batia a bota com a perdigota", mas isso já começa a não surpreender. Surpresa, que também já não surpreende, foi a reviravolta desta manhã, no comunicado publicado pelo gabinete de António Costa: “O primeiro-ministro determinou ao Ministério das Infra-estruturas e da Habitação a revogação do despacho ontem [quarta-feira] publicado sobre o novo aeroporto da região de Lisboa”... e “reafirma que a solução tem de ser negociada e consensualizada com a oposição, em particular com o principal partido da oposição e, em circunstância alguma, sem a devida informação prévia ao Presidente da República”. O remate final do comunicado, para quem pudesse ter ficado com dúvidas sobre mais um episódio da guerra aberta entre Costa e Pedro Nuno Santos, é esclarecedor: “Compete ao primeiro-ministro garantir a unidade, credibilidade e colegialidade da acção governativa..."


Agora é só esperar pela lógica demissão do ministro das Infra-estruturas. Ou, na falta dessa lógica, pela lógica exoneração de Pedro Nuno Santos pelo primeiro-ministro.  Ou ainda que a lógica seja uma batata, que começa a ser a maior lógica deste governo que, tendo tudo para governar com alguma lógica de rumo, prefere  prosseguir a navegação à vista, mesmo que no meio das nuvens.


 


 


 


 

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Enquanto ontem, em Bruxelas, a Itália e a Espanha se juntavam para tratar da vidinha, quer dizer, fazer valer o seu peso e os seus interesses no meio do mar de problemas em que navegam, em Varsóvia também a Itália se juntava à Espanha, marcando encontro para domingo, logo a seguir à cimeira, em Kiev.


Parece que, retida em Bruxelas e impossibilitada de estar em Varsóvia, Angela Merkel chorou.


Portugal não se junta a ninguém. Não se juntou a Itália e foi afastado pela Espanha…


Orgulhosamente sós é mais que uma sina. É um desígnio velho, de que não conseguimos fugir… Como do défice!


Não só não lhe conseguimos fugir, como é ele que foge de nós. Já vai nos 7,9%!


Mas é a chancelerina que chora… De nada nos vale gostarmos de a ver chorar!

terça-feira, 28 de junho de 2022

Tudo bem entregue

Gonçalo Inácio foi testemunha de Tabata: «O Sr. Luís Gonçalves agarrou-me  no pescoço» - Sporting - Jornal Record


 


Quase cinco meses depois daquele Porto-Sporting, de Fevereiro, o Conselho de Disciplina da FPF acabou de anunciar as penas aplicadas a Otávio e Tabata: um jogo de suspensão a cada um e uma multa de 765 euros para cada um.


Nos dias que se seguiram ao destas imagens, chegaram a ser avançadas notícias de penas pesadas. Os jornais diziam que Tabata incorria numa pena de dois meses a dois anos de suspensão. O passar do tempo fez com que não se tivesse passado nada naquele jogo do Dragão. Para a Liga nunca se chegou a passar nada. Para o governo, e para a tutela do Desporto, nada se passou. Não tem que se meter nestas coisas, está tudo bem entregue ...


E está, como se vê!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A Itália empurrou a Alemanha para fora do Euro e, contrariando os desejos de Platini, vai ser ela a disputar a final com a Espanha.


Foi um grande jogo, uma meia-final que pouco teve a ver com a de ontem. Onde a Alemanha, com mais dois dias de recuperação e com muito menos para recuperar – a Itália até vinha de um apuramento através de um prolongamento e de grandes penalidades – como aqui havido sido dito, até entrou melhor no jogo. Mesmo surgindo com alterações ao seu modelo de jogo, em tão evidente quanto surpreendente sinal de receio – não sei se dos italianos se da história - dominou por completo o primeiro quarto de hora, com duas claras oportunidades de golo, a primeira salva por Pilro – começou cedo mais um festival - em cima da linha de golo, logo aos 5 minutos.


Só que o jogo tem seis quartos de hora, e os restantes cinco foram da Itália. Que só fez o seu primeiro remate à baliza de Neuer aos 17 minutos. Mas para fazer o segundo no minuto seguinte e o golo logo no outro a seguir. Em três minutos três remates, um dos quais golo. De Balotelli!


A resposta alemã ao golo só surgiria aos 33 minutos numa excelente iniciativa de Boateng, logo seguida de um grande remate de Kehdira, com uma enorme defesa de Buffon. No minuto seguinte, aos 36, Balotelli deu espectáculo e fez o segundo golo. E continuou o espectáculo, a tirar a camisola – e levar com o amarelo mais estúpido que há no futebol – e, em vez de festejar, a posar para a adoração.


Arrumou com o jogo. Com o jogo e com a Alemanha! Ninguém admitia que a Itália, com dois a zero, pudesse deixar de estar em Kiev, na final do próximo domingo. Ao intervalo os italianos tinham feito quatro remates, todos direitinhos à baliza, e dois golos. Dividiam a posse de bola com os alemães (50-50) e tinham corrido mais!


Ao intervalo, Joaquim Low fez duas substituições. Surpreendentemente trocou Mario Gomez por Klose, ficando sem o melhor goleador do Europeu quando precisava de marcar pelo menos dois golos.


A segunda parte continuou a ser um grande jogo, dos melhores do campeonato. Com o domínio técnico-táctico dos italianos a acentuar-se, sob o comando do melhor jogador presente na Ucrânia e na Polónia: Pilro, evidentemente! Uma, mais uma, exibição de sonho deste extraordinário jogador para que faltam adjectivos. Atenção à bola de ouro! Foi o homem do jogo, apesar de Balotelli que fez os dois golos. E que golos!


A Alemanha reduziria para 2-1, praticamente no último minuto, através de um penalti convertido por Ozil. Mas foi a squadra azurri quem, na sua praia, construiu mais e as melhores oportunidades de golo.


Cumpriu-se a história: a Alemanha nunca ganhou à Itália em jogos oficiais. Coisa de que mais ninguém se consegue orgulhar. E pôs fim a uma série notável de 15 vitórias consecutivas da Alemanha em jogos oficiais!


Quando se admitia que a final fosse discutida entre os apurados do Grupo B, o da morte – porque a Alemanha tinha lugar cativo desde o início – vai afinal ser discutida entre os apurados do grupo C. Não deixa de ser curioso!


Contra todas as expectativas – se bem que, mesmo depois de esmagada pela Rússia em Roma, socorrendo-me da história, lhe tenha aqui entregue uma boa dose de favoritismo – a Itália, que apesar de chegar à final com apenas duas vitórias, apresenta um futebol que foge dos velhos cânones do calcio, será provavelmente o novo campeão europeu!


Que pena Portugal não ter ontem aproveitado a sua oportunidade. Por todos nós e por Platini!

Degradação humana e penas

Direitos da infância: Dilma sanciona Lei da Palmada – Agência Jovem de  Notícias


Na passada semana foi a tragédia da Jéssica, a menina de três anos de Setúbal, onde à repugnância dos crimes directamente ligados à sua morte, se somam indícios de comportamentos igualmente repugnantes da parte da sua família, e todo o manancial de miséria humana que envolveu o caso. Ontem, mais um caso, nos arredores de Lisboa. 


Desta vez o bebé não tem nome. Nasceu de sete meses, em condições ainda não conhecidas, ou tornadas públicas, de uma jovem de 22 anos, que terá ocultado a gravidez. E o próprio parto. O bebé foi despejado num caixote do lixo ... pelo avô. Ainda vivo, tanto quanto terá sido apurado. É difícil, mas não é impossível encontrar motivos para a atitude da jovem mãe. Para a do avô, que não quis ser avô, e que sendo pai também não quis ser pai, é que não se pode encontrar outra justificação que não seja a mais profunda degradação da condição humana.


Há quem entenda que a degradação da condição humana, manifestada nestas formas, ou noutras, se combate com o agravamento das penas. Poderá em certos casos ser condição necessária: nunca, em qualquer caso, é condição suficiente. E nunca, de nenhuma forma, deverá ser alavanca para retrocessos civilizacionais, seja para o regresso a penas extremas há muito abolidas do nosso sistema penal, seja à "vendetta" ou ao "populismo justicialista", não menos degradantes da condição humana. 


Outra coisa é que crimes contra crianças indefesas escapem à pena máxima em cada sistema penal. Não devem!


No Reino Unido, onde vigora a pena de prisão perpétua, mas onde a moldura penal para crimes contra crianças tinha como pena máxima 10 anos de prisão, entra esta semana em vigor a chamada lei "Tony" - por referência a um bebé,  hoje com 7 anos que, com apenas 41 dias foi hospitalizado depois de agredido pelos seus pais biológicos (e por isso condenados aos 10 anos de prisão), e que, seis semanas depois de internado no hospital, acabou amputado de pernas - que revê toda essa moldura penal. Até à própria  prisão perpétua. Que já existia!


 


 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No final do jogo de ontem, conhecido o desfecho da chamada lotaria dos penaltis – não é assim tão lotaria, é última forma de decisão, quando todas as outras falharam, é um ponto alto do espectáculo, e creio mesmo que, a curto prazo, o prolongamento será abolido porque não serve ao espectáculo, e é, cada vez mais, um teste importante à capacidade técnica e mental dos jogadores - quando as câmaras se dividiam entre as caras felizes dos jogadores espanhóis e as de desiludidas dos portugueses, privilegiando evidentemente Cristiano Ronaldo, percebeu-se no seu movimento labial este desabafo: “Que injustiça”!


Que injustiça – a eliminação de Portugal?


Que injustiça – não ter tido a oportunidade de marcar o seu penalti?


Que injustiça – aquele desfecho para ele próprio?


Que injustiça – não ter mais equipa para a sua dimensão?


Provavelmente poderão colocar-se mais hipóteses para interpretar aquele desabafo, mas creio que entre estas quatro estará a sua verdadeira substância.


Eventualmente a maioria achará que ele achava injusto o afastamento da selecção portuguesa da final do europeu. Poderá ter sido isso, mas uma das duas teria de ficar de fora, não poderiam ir ambas à final porque estavam a disputar precisamente esse direito. E não seria, naquela altura, menos injusto que fosse a Espanha a ficar de fora


Poucos acharão que ele terá achado injusto não ter tido oportunidade de marcar o seu penalti. Não sei se a decisão de ficar como marcador do quinto foi decisão sua ou de Paulo Bento. Mas a generalidade das opiniões é que Cristiano Ronaldo quis ficar com a posição de marcador do penalti decisivo, que lhe daria o protagonismo ímpar, a capa de todos os jornais e, evidentemente, um bónus eventualmente decisivo na corrida para a obsessiva bola de ouro. Sendo assim, também aqui não havia injustiça. Houve uma opção!


As duas últimas hipóteses são uma espécie de dois em um. E nelas ele coloca-se acima da equipa, pensa nele e não na equipa. E, paradoxalmente, é aí que ele terá mais razão em lamentar a injustiça…

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A selecção nacional foi afastada da final do campeonato da Europa, no desempate por grandes penalidades. Que é sempre uma questão de sorte e de azar…


Na circunstância da suerte espanhola no decisivo remate de Fabregas, quando a bola, do poste, segue para dentro da baliza; e do azar português, quando a bola rematada por Bruno Alves, da barra segue para fora!


Antes, o Rui Patrício – finalmente com a oportunidade de se mostrar – defendera, com grande brilho, o penalti de Xabi Alonso, hoje um dos melhores dos espanhóis. Alegria de pouca dura porque, logo a seguir, Moutinho – o jogador português que menos merecia que isto lhe acontecesse – marcou muito mal o primeiro (percebe-se, pela história recente, que Paulo Bento não tenha optado por Cristiano Ronaldo para abrir a série) dos penaltis nacionais, e permitiu a defesa de Casillas. E tinha Sérgio Ramos marcado à Panenka, esse sim, mais ou menos à Panenka!


Desconfio que, a partir deste europeu, com o impacto que esta irresponsabilidade teve na viragem do curso dos penaltis, irão multiplicar-se os Panenkas


E, antes de tudo isso, foram 90 minutos de um jogo que esteve longe de ser sequer aceitável. Com duas equipas dominadas pelo medo, às vezes mesmo de pânico. Foi tanto o medo que ambas traíram o seu modelo de jogo, no caso português seja lá isso o que for. Porque na realidade não se percebe bem!


Foi, por isso e não só, a Espanha quem mais infidelidades cometeu. Desde logo com a introdução de Negredo, um ponta de lança com que a equipa não sabe jogar. Mas também não conseguiu impor o seu tiki taka, nem atingir os tais níveis pornográficos de posse de bola (apenas 57%) nem sequer assumir o domínio no jogo. Da selecção nacional ficou a ideia que poderia ter jogado bem melhor, que teve condições para o fazer, e que só não o fez pelo medo que revelou, que não era perspectivável na conferência de imprensa de Paulo Bento na véspera do jogo. Só não diria que se descaracterizou tanto quanto a Espanha porque jogou de forma muito semelhante à dos piores períodos dos jogos anteriores. Aos vinte minutos iniciais do jogo com a República Checa ou a boa parte do jogo com a Dinamarca, com pouco critério no passe e muito chuto para a frente, sem condições de servir os nossos dois melhores jogadores, aqueles que têm condições para desequilibrar.


Portugal perdeu uma boa oportunidade de ganhar à Espanha e de voltar à final de um campeonato da Europa. Porque a Espanha teve muito medo da selecção nacional, porque a Espanha, por via disso e pelo cansaço que evidenciou, foi bem inferior ao que se espera e exige de um campeão do mundo e da Europa. A equipa nacional não aproveitou a oportunidade que Del Bosque e os jogadores espanhóis ofereceram e limitou-se a defender bem e a controlar o jogo. O que umas vezes basta e outras não!


Quando Del Bosque corrigiu - voltou ao seu sistema alérgico a pontas de lança, e tirou do banco as armas que Portugal tinha em campo mas não sabia utilizar (alas velozes e de grande categoria como são Pedro e Navas) - acabou-se. Manteve-se a defender bem – é certo – mas perdeu o controlo do jogo.


Quando se chegou ao prolongamento o jogo já era outro. A selecção espanhola, que sempre deixara a ideia de bem mais fatigada, foi então superior. O que não deixa de ser surpreendente, porque Paulo Bento deixara as substituições para mais tarde. Tarde de mais, mas também infelizes!


Não resultaram, ao contrário das que Del Bosque fez. Que, evidentemente, também tinha no banco opções que nada têm a ver com as de Paulo Bento.


Acabamos derrotados, com honra mas sem glória, pela armada invencível. Que foi apenas espanhola, não teve - como se receou – ajuda decisiva e visível de mais ninguém. O árbitro turco não esteve sempre perfeito – o maior erro terá sido um benefício ao infractor, quando, aos 30 minutos, marcou uma falta sobre Nani quando ele, resistindo, prosseguiu em direcção à baliza ou, dez minutos antes, quando não assinalou outra sobre o mesmo Nani, o melhor da frente na primeira parte, mas a desaparecer depois - mas também não interferiu em favor dos desejos do Sr Platini.


Nem o resultado nem a exibição de hoje retiram o que quer que seja ao que Portugal fez até aqui neste euro. A selecção nacional fez um grande europeu, muito acima do que seria legítimo esperar e muito acima dos seus limites. O que não quer dizer que sejam as melhores as perspectivas que se abrem, ao contrário do que afirmou Paulo Bento no final do jogo…

domingo, 26 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Tinha aqui dito quando escrevia sobre o jogo Itália – Inglaterra, que apurou os transalpinos para as meias-finais deste euro, que Pedro Proença regressaria a casa, depois de mais uma brilhante actuação para a imprensa e comentadores portugueses, mas de nada disso do meu ponto de vista.


Normal seria que assim fosse, que tivesse regressado para umas férias que eu desejaria fossem inspectivas e de auto crítica, na perspectiva de preparar uma nova época em que se esforçasse por ser isento e competente, mas que seriam certamente de deslumbramento e de reforço do seu sentido de parcialidade que lhe acentuarão a sua vocação, natural ou trabalhada, para interferir activamente nas decisões do títulos indígenas. A selecção nacional está envolvida na discussão deste campeonato da Europa e o normal, repito, seria que, independentemente dos juízos que a UEFA e os jornalistas e comentadores nacionais façam da sua competência, ele estivesse naturalmente impedido de arbitrar qualquer dos três jogos que faltam.


Surpreendentemente, ficou! E, com o inglês Howard Webb e com o italiano Nicola Rizzoli, forma o trio de árbitros de prevenção para a final…


O que quer isto dizer?


Simplesmente que, para a UEFA, a hipótese de uma final entre a Itália e Portugal nem sequer se coloca. Quer dizer que o Sr Platini tem a forte convicção que a final é mesmo entre a Alemanha e a Espanha. Que o seu desejo é uma ordem!


Aumentam por isso as razões para a suspeição levantada com a nomeação do turco Cuneyt Çakir para o jogo de hoje com a Espanha. As ligações deste árbitro a Angel Villar - o eterno patrão do futebol espanhol e manobrador mor na UEFA –, neste contexto, cobrem esta nomeação de suspeitas.


Por mim, tenho a forte convicção que há motivo de suspeição. Tão forte como a que tenho que a selecção nacional, daqui a poucas horas, vai conseguir ganhar à Espanha, ao árbitro turco, à UEFA e ao Sr Platini!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A moção de censura do PCP ontem debatida no Parlamento não servia para nada. António José Seguro declarou-a logo inoportuna, mesmo dizendo que o governo merecia censura.


Mas afinal serviu. Serviu para o Pedro Silva Pereira lembrar que a actual direcção do PS é que não serve para nada. Serviu para Pedro Silva Pereira passar um atestado de incompetência a António José Seguro. E serviu para ficarmos a saber que o Socratismo está de volta, mesmo que Sócrates vá renovando matrículas em Paris!

sábado, 25 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Estamos às portas das meias-finais, no meio de dois dias de descanso, sem futebol.


Meias-finais onde Portugal, sendo o primeiro a chegar não deixa de ser considerado um intruso. Um outsider!


Não deixa de ser curioso que tenha sido Laurent Blanc, o seleccionador francês – até por ser francês, com tudo o que é a ideia que temos dos franceses, como o Sr Platini – o único a não o considerar assim, quando, no final do jogo com a Espanha, afirmou que “estavam nas meias-finais as quatro maiores nações do futebol da Europa”.


Por muito simpático que isso seja para Portugal, não corresponde, nem de perto nem de longe, à verdade. Diferente seria se dissesse que estavam as quatro melhores equipas que disputaram este campeonato da Europa. Estão, de facto!


Tudo isto apenas reforça os méritos da selecção nacional e os créditos de Paulo Bento. Ninguém lhes podia pedir tanto, nem ninguém – ou muito poucos – ousou sonhar tão alto. É certo que, lograr o apuramento naquele grupo de qualificação, era por si só qualificante. Muitas eram as vozes que prognosticavam que daquele grupo A sairia o futuro campeão, ou até mesmo os dois finalistas. O grande mérito da selecção nacional está pois na forma como se saiu no chamado grupo da morte e, sobre isso, já aqui se escreveu.


Na realidade, nas meias-finais estão três das quatro grandes nações do futebol europeu. E estão representados três dos quatros principais campeonatos da Europa. Não é a mesma coisa!


Se falarmos nas quatro principais nações do futebol – retribuo, Sr Laurent Blanc – falta lá precisamente a França. Por tudo: pelo número de praticantes, pelo historial de títulos e pela quantidade e qualidade de jogadores de elite que fazem parte da sua História. Se estivermos a falar dos principais campeonatos falta lá a Inglaterra que, tendo na Premiere um dos dois melhores campeonatos, não só da Europa mas do mundo, não tem, nem nunca teve, uma selecção a esse nível. Em qualquer dos casos Portugal é sempre um intruso, e o único dos semi-finalistas virgem em termos de títulos. Todos os outros somam títulos de campeões europeus e mundiais!


Tem uma das quatros melhores selecções da Europa porque tem quatro jogadores do melhor que há no velho continente – um, mesmo o melhor -, mais uns tantos em momento de superação, e um treinador que, apesar de todos os defeitos que possa ter – e tem alguns -, soube pôr a equipa a funcionar. Cheguei a dizer aqui que, sendo este lote de jogadores o menos forte deste século, o todo (a equipa) estava, mesmo assim, abaixo da soma das partes (dos jogadores). E esta era a imagem da selecção à chegada à Polónia, deixada nos jogos disputados neste ano.


Hoje, já ninguém se lembra dessa imagem. O que não é bom, é óptimo!


Hoje o todo vale mais que a soma das partes, o que faz desta selecção uma das melhores equipas nacionais de sempre!  


A Espanha está com naturalidade nesta fase. Tinha colocado os campeões europeus e mundiais logo na segunda linha de favoritos, e é sem surpresa que aqui chegam. Sem o futebol espectacular de há quatro anos mas, mesmo assim, com o seu tiki taka a colocar enormes dificuldades aos adversários que, pelos vistos, ainda não encontraram o antídoto eficaz. Mas, como aqui disse, esse é hoje um instrumento eminentemente defensivo.


A Espanha do um a zero, que cria menos oportunidades de golo e remata pouco, serve-se da pornográfica posse de bola para defender. Por isso sofre poucos golos e, por isso, é proibido deixar que marquem em primeiro lugar. É o que a selecção nacional tem de fazer: impedir que os espanhóis marquem primeiro. E só há uma fórmula para isso: marcar primeiro que eles. Nem Lapalisse diria melhor, não há outra!


O que quer dizer que a equipa nacional tem potenciar todas as suas qualidades e entrar a jogar com o objectivo de marcar. Quanto mais cedo melhor. E não pode, de todo, alterar o que quer que seja que lhe corte ou reduza as suas qualidades.


A selecção francesa – para além das suas debilidades próprias e dos seus problemas internos - deu, nisso, uma boa ajuda. Laurent Blanc tanto se preocupou em contrariar o sistema espanhol que acabou por se descaracterizar por completo, deixando de fora jogadores fundamentais para a identidade da equipa e transformando um dos melhores laterais direitos que passou pelo europeu num médio de marcação.


Na outra meia-final os alemães surgem com alguma vantagem sobre os italianos. Vêm de 15 vitórias (!) sucessivas em jogos oficiais, têm mais dois dias de recuperação que os italianos e muito menos necessidade de recuperar. Porque garantiram o acesso a esta fase com muito mais tranquilidade e com possibilidade de rodar a equipa. E têm muitas mais soluções!


Mas os italianos - que também aqui referenciara de favoritos - quando chegam a esta fase da competição não costumam ficar por aqui. Como se viu no penúltimo mundial quando, na  própria casa alemã, lhe retiraram o pão da boca…


Bem que gostaria de uma final entre Portugal e a Itália. E não era só para chatear o Sr Platini!

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Perante o desvio colossal na receita de impostos com que o ministro das finanças perdeu o pio, o primeiro-ministro veio dizer que “ainda é cedo para estar a falar” em mais medidas de austeridade.


“Ainda é cedo”. Ficamos todos mais descansados! Basta preocuparmo-nos quando chegarem…


Claro que não basta. Que há razões de sobra para estarmos muito mais preocupados. Desde logo porque, quando estávamos fartos de saber que era aqui que tudo isto vinha dar, com o governo e troika a dizerem que estávamos no bom caminho, o primeiro-ministro ainda vem dizer que o Governo está a analisar em que medida a quebra de receitas fiscais pode pôr em causa o objectivo do défice. Objectivo que, reitera, vai ser cumprido!


Analisar em que medida pode pôr em causa o objectivo do défice? Mas está a brincar connosco?


Não há a mínima possibilidade de chegar ao fim do ano com o défice nos 4,5% estabelecidos. Toda a gente o sabe! Nem sequer com mais medidas de austeridade, nem sequer com o novo imposto que encomendaram ao Dr Miguel Cadilhe e que ele quer embrulhar no pacote da dívida e não no do défice. Pela simples razão que, sem ser nas folhas de Excel do Dr Vítor Gaspar, já não há de onde tirar mais!


A única alternativa é pedir à Srª Merkel, nem que seja de joelhos e fazendo uso da condição de aluno obediente - que não de bom aluno, como se diz -, que isso sabemos que Passos Coelho sabe fazer,  que reveja em alta os objectivos do défice que nos fixou para este e para o próximo ano.


Senhor Primeiro-Ministro: pode continuar a dizer que nem mais dinheiro nem mais tempo, pode dizer que está a analisar o que quiser, pode até dizer que a queda nas receitas não põem em causa o défice. Pode dizer todos os disparates que quiser mas, por favor, nas próximas quinta e sexta-feira, não se esqueça de tratar disso com a Srª Merkel. Nem que tenha que ir procurar aquela corda que há 900 anos serviu a Egas Moniz…


Seja um fidalgo, Senhor Primeiro-Ministro!

Quatro meses de guerra

Entenda a crise entre Rússia e Ucrânia e seus efeitos para o mercado –  Thiago de Aragão – Estadão E-Investidor – As principais notícias do mercado  financeiro


Passam hoje quatro meses sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia. Há quatro meses poucos terão admitido que fosse possível aos ucranianos resistirem por tanto tempo, mas todos terão percebido que o mundo mudara nesse 24 de Fevereiro, para nunca mais voltar a ser o mesmo.


Hoje, quatro meses depois, sabe-se apenas que a guerra está para durar. E que o mundo, a mostrar-se cansado da guerra, começa a redesenhar-se.


Com o Conselho Europeu a discutir o alargamento da UE e o estatuto da Ucrânia e da Moldávia, sabendo que terá de abrir essas duas portas em simultâneo, mas também que tem que acelerar todos os processos que estão na fila no resto Balcãs, ou no Cáucaso, tudo regiões complexas e de forte influência histórica e civilizacional  russa. E conhecendo, ou devendo conhecer, o risco dessas decisões, agora a tomar contra o tempo. O tempo que, noutro cenário, permitiria processos intermédios de qualificação institucional que esses países ainda não atingiram, e que agora não há.


Com uma cimeira do G7 perante a novidade de um mundo multipolar que de repente se lhe abriu, e em que a incerteza é o único dado certo. 


E com a NATO a montar quartel-general em Madrid, para começar a decidir novas fronteiras.


Tudo isto a acontecer por estes dias, enquanto a guerra prossegue, inclemente.


Com a Rússia à beira de conquistar o Donbas poderia até admitir-se que pudesse dar por concluída a "sua operação militar especial”. Seria, à luz da apregoada motivação de Putin, uma hipótese provável não fosse o caso de o início da invasão ter explicitado o objectivo Kiev, e a ocupação do poder na capital. Mas poderá também ganhar força de probabilidade à conta justamente desse insucesso inicial.


Soube-se hoje que a Rússia entrou em default, tendo começado a falhar os seus compromissos, e mesmo que se saiba que Putin lida bem com isso, poderia também contribuir para, sentado naquele sucesso militar, dispor o ditador russo a anunciar o fim da "operação militar especial”.   


Mas nem isso significaria o imediato fim da guerra, embora reduzisse certamente a sua intensidade, e permitisse o início de prolongadas negociações. Onde a NATO e a UE poderiam propor o regresso às fronteiras de 23 de Fevereiro, e o envolvimento da ONU na convocação de referendos para definir a soberania dos territórios ocupados. Que Putin dificilmente aceitaria, mas que certamente Zelensky teria de aceitar.


Fora deste cenário, com ou sem declaração do fim da "operação militar especial”, só resta o da guerra prolongada, sabe-se lá por quantos anos. E com que meios. Aí, ficam sem sentido os mapas que por estes dias se estão a traçar na UE e na NATO.


 

Pobre país

És um monstro": PSP trava novas agressões a mãe a pai de Jéssica à saída do  velório em Setúbal - Portugal - Correio da Manhã


O drama da morte da pequenina Jéssica é o retrato do país. Mais pobre em espírito que em qualquer outra coisa. Mais que desqualificado, repugnante. 


Não. Não me refiro apenas às pessoas. Refiro-me acima de tudo às televisões, mais repugnantes que as pessoas.

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


E, ao enésimo dia, o primeiro jogo sem golos. E, ao quarto dos quartos de final, o primeiro prolongamento. E a primeira vez em que a decisão chega dentro do envelope das grandes penalidades.


Apetece-me dizer que ainda bem! Porque se assim não tivesse sido nunca veríamos o fabuloso penalti marcado pelo Pirlo. Valeu a pena esperar mais de duas para assistir àquilo. E não me venham com falta de sentido de responsabilidade. Aquilo é classe pura, e classe é classe. Responsabilidade – ou falta dela – é outra coisa…


Foi à Panenka? Não, foi à Pirlo! E não é preciso registar a marca, porque ninguém consegue copiar… À Panenka, até o Postiga conseguiu: pobres ingleses!


Desculpem, mas tinha de começar por aquele momento único. Agora vamos ao jogo que – apetece-me dizer – pôs frente a frente duas Itálias. A Itália – la vera – e a Inglaterra, italianizada. E o certo é que uma Inglaterra assim obrigou a Itália a ser menos italiana, o que quer dizer: a especular menos e a assumir mais o jogo!


E a Itália até não se deu mal nesse papel contranatura. Posse de bola à Barcelona (64%) e 35 remates (20 na baliza), contra apenas 9 (4 na baliza) dos ingleses. Nada que tenha surpreendido Cesare Prandelli, o seleccionador italiano, como se percebeu quando apresentou uma equipa em plano B, abdicando dos três centrais e dos laterais que servem o plano A. E chamando Balotelli!


A Inglaterra não apresentou novidades, agora que já pode contar com Rooney. E o jogo acabaria por valer pela primeira parte, jogada a grande ritmo e com alta intensidade. O jogo abriu mesmo assim: logo aos três minutos, um grande remate de De Rossi só parou no poste da baliza de Hart e, aos cinco, é Buffon quem, do outro lado, nega um golo feito (Johnson) com uma defesa impossível.


E assim foi a primeira parte, em ritmo vivo, de bola cá bola lá, mais lá – na baliza inglesa – e sempre muito mais trabalhada pela squadra azurra, com Pirlo - imperial, como sempre – e Montolivo no papel de donos da bola. E do jogo!


Do outro lado, Gerrard e Rooney iam dando conta do recado, que é como quem diz: da capacidade de resposta inglesa que mantinha os italianos em sentido.


A segunda parte foi diferente e começou com duas excelentes oportunidades de golo para os italianos, a segunda, aos 52 minutos, foi três em um. Com duas enormes defesas consecutivas de Hart para o terceiro remate sair por cima. Os ingleses só responderam aos 65 minutos por Walcott (no cruzamento) e Carroll, acabadinhos de entrar. Foi o canto do cisne!


A partir daí, com o estoiro de Gerrard – que Hogdson manteve em campo, e percebeu-se porquê – a Inglaterra não quis outra coisa que levar a decisão do jogo para os penaltis. Vá lá saber-se porquê...


Só a Itália parecia querer – e poder – ganhar o jogo, não obstante os 90 minutos se terem esgotado precisamente numa vistosa – como sempre é - bicicleta de Rooney, que até poderia ter saído para a baliza e não por muito por cima da barra. E o prolongamento foi mais do mesmo. Mas ainda mais devagar, porque já não havia quem pudesse com uma gata pelo rabo. E desse período ficam dois registos: um cruzamento de Diamandi a que Nascerino respondeu enfiando a bola na baliza, em fora de jogo milimétrico mas bem assinalado; e mais uma habilidade de Balotelli, ao exigir a cobrança de um livre – mal assinalado por Pedro Proença, que ao terceiro jogo foi obrigado a regressar a casa pelo envolvimento da selecção bacional nas meias-finais - que Pirlo se preparava, como sempre, para marcar. Atirou para as nuvens!


E lá se seguiu para a decisão pelos pontapés de grande penalidade, a tal por que, sem ninguém perceber porquê, os ingleses tanto ansiavam. Só vejo uma razão: o exacerbar de italianismo desta selecção inglesa!


Do período de alta tensão que precede aqueles minutos dramáticos da angústia dos penaltis, vem um enigma: o que terá Buffon ido fazer ao balneário antes de se posicionar na baliza?


Dos penaltis – francamente – nada mais interessa que aquela obra de arte de Pirlo. O resto é a maldição inglesa!


E já que se fala de penaltis, também se deve dizer que Pedro Proença, aos 65 minutos, transformou um puxão de De Rossi a Terry, na área italiana, num livre contra a Inglaterra. Situação que se repetiria aos 83, só que dessa vez não viu. Pelo menos não marcou falta ao inglês!


E pronto: está completo o quadro das meias-finais! E a Itália, com este trabalho suplementar de hoje e menos dois dias de descanso que a Alemanha, é bem capaz de ter dificuldade em evitar que os desejos de Platini sejam uma ordem!

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Que raio de acção!

A BOLA - Rui Costa e Weigl no dérbi de futsal (Benfica)


Julian Weigl é um dos mais enxovalhados jogadores do Benfica. É sempre dele a culpa de todo o mal que acontece. Nunca é o 6 que os entendidos da bola acham que é preciso. Ora porque tem um curto raio de acção, ora porque não se chega à frente.  Está sempre a ser-lhe mostrada a porta de saída, e a ser-lhe atirados à cara os 20 milhões que o Benfica pagou ao Borussia de Dortmund para o contratar, vai para três anos. Como se ele tivesse alguma culpa disso.


Está todos os dias nas primeiras páginas dos jornais na porta de saída. Que nunca se abre - dizem - porque ninguém está disposto a pagar pelo seu passe um valor que permita recuperar o investimento feito vai para três anos, mesmo que o valor de mercado do seu passe (Transfermarket) seja de 22 milhões de euros. 


Hoje volta a estar. Para o voltarem a enxovalhar. Dizem que é o Eintracht Frankfurt, que o quer juntar a Goetz. Mas que não está disposto a loucuras, e que o Benfica ... sim, senhor ... Mas quer recuperar o investimento. Uma loucura, vê-se logo. Num jogador avaliado em 22 milhões de euros. 


Ontem o Benfica disputou na Luz o segundo jogo da final do campeonato de futsal com o Sporting. Não correu bem, os jogadores deram tudo, jogaram mais que o rival, mas  no fim - no prolongamento, exactamente como já sucedera no primeiro jogo, em Alvalade - ganhou o Sporting. É uma espécie de maldição. No futsal, como no hóquei.


Não faltou empenho aos jogadores, nem ambiente no pavilhão. Faltou que as bolas que foram aos ferros entrassem na baliza, e sobraram defesas impossíveis do guarda-redes adversário. Mas não faltou Weigl, o mal amado, a fazer parte daquele ambiente extraordinário. O tal que está na porta de saída, e que julgávamos em férias, estava lá. Tinha acabado de chegar e foi a correr para a Luz, porque lá ia acontecer um jogo importante, noutra modalidade que não a sua, e ele quis dizer o que é o Benfica. E que o seu raio de acção é enorme!


 

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Já há dois dias que estávamos à espera do adversário para as meias-finais. Desconfiávamos que seria a Espanha, mas tivemos que esperar pela confirmação, hoje!


Desembaraçou-se facilmente da França, com dois golos do improvável Xabi Alonso: o primeiro – também improvável - de cabeça e o segundo de penalti. E também improvável, quando por lá estão Iniesta, Xavi ou Torres…


Tinha aqui dito há uns dias que estas duas selecções chegavam aqui com manchas no percurso do apuramento. E que se a mancha que a Espanha trazia seria muito difícil de limpar, a da França não. Isto porque a da Espanha vinha da arbitragem – e ainda amplificada pelas declarações de Platini – enquanto a da França vinha do seu défice exibicional e do banho de bola que a eliminada Suécia lhe deu.


À França, para limpar essa mancha, bastava-lhe hoje uma boa exibição, independentemente do resultado. A Espanha não podia fazer nada …


A França acabou por não limpar nada. Pior: acrescentou ainda mais mancha à mancha!


A Espanha, de novo sem ponta de lança, como no primeiro jogo, com a Itália, dominou completamente o jogo. Mais acentuadamente na primeira parte mas nem por isso menos claramente na segunda. Sempre com o seu tiki taka a funcionar como uma cerzideira, fabricando linhas de passe e espaços que os franceses, sem antídoto, não conseguiam tapar.


Na primeira meia hora do jogo, e o golo de Xabi Alonso aconteceu aos 19 minutos, a França não saiu do seu meio campo. Só a partir dos 30 minutos a França começou a pisar, com alguma consistência, terrenos mais adiantados. Remates só de bola parada e, ainda assim, apenas dois - um à baliza!


Quer isto dizer que a Espanha fez uma grande exibição? Não! De maneira nenhuma, o que ainda penaliza mais a exibição dos franceses. Os espanhóis, depois de se encontrarem a ganhar, limitaram-se a ter a bola – 60% de posse de bola na primeira parte, como habitualmente – e a trocá-la, como só eles sabem, como naquelas brincadeiras da rabia, para trás e para os lados, sem criar oportunidades para marcar.


Era a confirmação do regresso da Espanha campeã do mundo na África do Sul. Da Espanha do um a zero - não era um elogio – que marca um golo e defende-o com unhas e dentes. Só que – e agora é que vem o elogio – da forma mais inteligente, competente e eficaz que há!


A segunda parte não foi mais do que isto, embora a França tenha tido mais bola - no final a posse de bola da Espanha era de apenas 55%, o que é muito pouco para os seus padrões – sem que qualquer das equipas criasse oportunidades para marcar e, à medida que o tempo passava, a darem sinais de contentes com o resultado. A Espanha, porque era a Espanha do um a zero, e a França porque acharia que perder por um é melhor que perder por mais.


O penalti que o árbitro assinalou no último minuto é que veio estragar isto tudo. Se foi o prémio imerecido para os espanhóis, foi o castigo merecido para os franceses!


E pronto, lá temos que nos haver com os nuestros hermanos. E com os desejos de Platini!

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


O ministro Vítor Gaspar anda há pouco tempo nisto mas sabe bem como as coisas se fazem.


Aproveitou a euforia que tomou conta do país, com o apuramento da selecção nacional de futebol para as meias-finais do campeonato e, de mansinho, veio dizer o que há muito andamos todos a dizer. Que temos um grande problema com as receitas fiscais!


Sem quantificar coisa nenhuma veio dizer que há um desvio colossal nas cobranças fiscais e da segurança social. Como se não estivesse – ele e todos nós – farto de saber que assim era!


Como se não soubesse – e não estivéssemos fartos de saber – que não é possível cumprir o défice de 4,5%. Mas reafirmou, uma vez mais, que vamos cumprir. Que vamos cumprir tudo, e que não precisamos nem de mais tempo nem de mais dinheiro!


Mas disse outra coisa fantástica: que o Estado está a gastar menos. Em salários!


Que as despesas com pessoal caíram 7%. O Estado está a gastar menos? Importa-se de repetir?


Não. O Estado continua a gastar mais, como sempre. Só gasta menos em salários porque, como sabemos, rompeu com o contratualizado com os funcionários públicos, baixando-lhe os salários e comendo-lhe os subsídios de férias e Natal. Pelo lado mais fácil, como qualquer dos muitos impostos a que tem lançado mão.


Quer isto dizer – e quis ele dizer – que vem aí mais do mesmo. Como os comentadores do regime têm vindo a preparar…


Coisas de hoje. E de todos os dias!

Sinais de esperança na América do Sul

Boric, Maduro, López Obrador: como Gustavo Petro se compara a outros  líderes da esquerda latino-americana | Mundo | G1


 


No passado domingo, na Colômbia, a terceira maior economia da América do Sul, foi pela primeira vez eleito um presidente de esquerda - Gustavo Petro, de 62 anos, um revolucionário na juventude, exilado e mais tarde regressado para uma carreira política em que foi eleito senador, presidente da câmara municipal da capital, Bogotá e, agora, da República. 


São agora três os países da América do Sul voltada para o Pacífico que no último ano viraram à esquerda. Depois do Peru (Pedro Castillo, de 52 anos) há um ano, do Chile (Gabriel Boric, 36 anos), há dois meses, a Colômbia. 


Têm, todos, pela frente um enorme desafio. O de não desiludir os milhões se sul-americanos fustigados por décadas - séculos! - de pobreza e desigualdade, e os milhões onde, por todo o mundo, se acende uma luz da esperança sempre que por estas paragens alguém emerge das trevas. E o desafio da História, depois das tragédias - cada uma à sua maneira, mas todas trágicas - do Chile de Allende, de Lula, no Brasil, e da Venezuela. 


Que, especialmente os novos presidentes do Chile e da Colômbia, declaradamente se não revejam nos regimes da Venezuela e de Cuba, é motivo de renovada esperança!

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Somos os primeiros. Os primeiros a entrar às portas das meias-finais!


A selecção nacional até voltou a entrar mal. Entrar mal é um eufemismo, porque esteve mal durante toda a primeira parte, apenas disfarçando nos últimos minutos da primeira parte, quando podia até ter marcado naquele remate ao poste de Cristiano Ronaldo. Que, com mais um na segunda parte, à sua conta, já leva quatro. Esse título já ninguém certamente lhe tira!


A equipa não esteve bem, nem perto disso. Quer colectiva quer individualmente, onde apenas Coentrão e Pepe – sempre ele – estiveram em bom nível, apesar de os minutos finais terem dito que Cristiano Ronaldo não estava ali para passar ao lado do jogo. Mal Raul Meireles e, muito mal, João Pereira. E não foi apenas durante os primeiros vinte minutos, como diria Paulo Bento. É certo que é aos 25 minutos que a equipa nacional constrói a sua primeira jogada de ataque, mas logo a seguir surgem os amarelos a Nani e a Veloso. E a única jogada de perigo da equipa checa, através da também única corrida dos 100 metros de Selassie, o tal lateral direito de que aqui falara.


A equipa não conseguia ter bola – apesar de, mesmo assim a equipa ter, pela primeira vez, mais posse de bola (53%) que o adversário – nem criar espaços. A selecção checa tapava todos os caminhos, fechava o jogo e, em pressão alta, tornava o campo bem mais curto. Sem espaço, e falhando mesmo os passes curtos, a equipa portuguesa optava pelo passe longo, mais difícil e invariavelmente condenado ao insucesso.


Na segunda parte tudo foi diferente: como da noite para o dia!


A selecção nacional produziu uma das melhores – se não a melhor – das exibições que alguma equipa realizou neste europeu. Logo no primeiro minuto, Hugo Almeida – que entrara aos 39 minutos da primeira parte para o lugar do lesionado Postiga (talvez a lesão mais oportuna, para não dizer mais desejada – porque isso não faria sentido – pelos adeptos) – teve tudo para fazer golo. E pouco depois era Cristiano Ronaldo a acertar - pela segunda vez no jogo e pela quarta em dois jogos – no poste.


As ocasiões de golo sucediam-se a um ritmo inusitado. Anotei-as, mas seria fastidioso enumerá-las, tantas foram! O golo, esse e como sempre, é que tardava. Aos 58 minutos Hugo Almeida introduziu a bola na baliza de Petr Cech – que, não tendo feito uma exibição do outro mundo, à sua conta negou dois ou três golos – mas em fora de jogo. Ficou a ideia que poderia ter tido essa noção e ter deixado a bola para Ronaldo, em boa posição – e legal – para fazer golo. Surgiria finalmente aos 79 minutos, numa cabeça espectacular do melhor do mundo, antecipando-se ao etíope - que de corredor de fundo passou a polícia – para dar a melhor sequência à excelente jogada de João Moutinho.


A selecção checa, completamente dominada nesta segunda parte – apenas fez uma jogada de contra ataque (59 minutos), por Pilar, em bom estilo, batendo João Pereira e Pepe, que morreria nos pés de Veloso, e fez apenas dois remates em todo o jogo, nenhum deles à baliza – não tinha qualquer capacidade de reacção, e foi Portugal que teve ainda mais três oportunidades para colocar o marcador em números mais próximos daquilo que a exibição justificava, para além de um penalti que, aos 87 minutos, o senhor Webb deveria ter assinalado quando o pobre polícia Selassie, depois de mais um nó do seu fugitivo, o empurrou pelas costas dentro da área.


A qualidade da exibição de Portugal mudou, como disse, do dia para a noite. Como mudaram as de todos os jogadores, mas, especialmente, as de Raul Meireles e João Pereira que, mesmo no fim, não se lembrou que Cech estava na área portuguesa, e não foi expedito a colocar a bola á frente de Ronaldo, na linha de meio campo. Mas também a de João Moutinho, que fez uma segunda parte memorável, ao nível do que de melhor se pode ver. Para a UEFA o homem do jogo voltou a ser Cristiano Ronaldo mas, para mim, foi João Moutinho!


Claro que, quando a equipa joga como o fez na segunda metade deste jogo, Ronaldo brilha ainda mais. E, com a equipa a jogar assim e o melhor do mundo a brilhar desta maneira, não sei se, agora, será mais difícil vencer os espanhóis – se lá chegarem – se os desejos do Sr Platini!

terça-feira, 21 de junho de 2022

A comunicação de Costa

António Costa: “Tem alguma sugestão para fazer para eu afastar alguém” por  casa de corrupção? - CNN Portugal


Ontem, na primeira edição do CNN Portugal Summit, questionado sobre a viabilidade do aumento geral dos salários em 20% nos próximos quatro anos, lançado há uns dias pelo primeiro-ministro, com o objectivo de Portugal atingir, nesse período, a média europeia dos salários no PIB, Mário Centeno, o governador do Banco de Portugal, respondeu com a História. Que esse tinha sido já o crescimento dos salários nos últimos quatro anos. Na primeira fila da plateia, António Costa acenava que sim com a cabeça.


Ainda ninguém percebeu, nem António Costa esclareceu, se esse aumento de 20% que lançou como desafio seria medido em salários reais ou nominais. O que já toda a gente percebeu é que, se for em salários nominais, é neste momento altamente provável que nem chegue para cobrir a inflação. Circunstância em que, em vez de aumentarem, os salários continuarão a cair. Mas aquela tirada de Centeno, que pelo abanar da cabeça, soou a música ao primeiro-ministro, embalou-o para, logo a seguir, proclamar que não compreendia a polémica levantada por aquele desafio, já que era público que isso apenas correspondia ao que já tinha sido conseguido, sem reparar que, sendo assim, a sua proposta não tinha nada de desafiante. Que o desafio que lançara ao país não era desafio nenhum, mas simples bazófia.


A edição de 2022 do “Estado da Nação”, o relatório da anual da Fundação José Neves sobre o estado da educação, do emprego e das competências em Portugal, acabada de sair, conclui que “numa década, o salário médio dos portugueses apenas aumentou para os menos qualificados”. Que o salário real dos portugueses entre 2011 e 2019 caiu 11% nos licenciados e 3% para os que têm o ensino secundário. E apenas aumentou, na ordem dos 5%, para os trabalhadores com o ensino básico,  "muito por força do aumento do salário mínimo". 


Estes dados tratados cientificamente transmitem a realidade do país, e não só não conferem, como contrariam a revelação de Mário Centeno, que embalou o primeiro-ministro para a contradição do penúltimo parágrafo. 


No mesmo palco do CNN Portugal Summit, e com a mesma embalagem, António Costa anunciou um "aumento histórico" das pensões para o próximo ano. E explicou que é o que resulta da lei, e que "a lei é para se cumprir".


A lei faz depender o aumento das pensões do crescimento do PIB e da inflação. O PIB cresceu 4,9% em 2021, o mesmo que se prevê para este ano. E a inflação é o que se vê ... Daí que, sendo "a lei é para se cumprir" - mesmo que o ministro das finanças entenda que não deva ser - António Costa anunciou um "aumento histórico".


o "ECO" faz hoje as contas e conclui que o aumento máximo, nas melhores das hipóteses, para as pensões mais baixas - abaixo dos 947 euros - atinge os 6,9%. Ou seja, o "aumento histórico" será, no máximo - nas pensões de 947 euros - de 65 euros.


Se não estivéssemos já habituados a coisas destas de António Costa, diríamos que é já trabalho do assessor de comunicação que acabou de contratar (já agora, como é que um génio da comunicação, e empresário de sucesso, deixa a sua bem sucedida actividade empresarial para "se empregar" no governo a troco de 2.400 euros líquidos de salário?). Assim apetece perguntar para que é que o primeiro-ministro precisa dele...

Bom dia, Verão

70 Frases de Verão


São 10:14. Está a acontecer o solstício. O Verão começa agora. O dia mais longo do ano já começou: às 6 horas e 12 minutos, e prolonga-se por 14 horas, 52 minutos e 45 segundos, até bem perto das 21:05.


Do Verão é que a gente gosta mesmo. Vá lá ... não estraguem ...

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Depois de quase três semanas cheias de jogos, todos os dias, chegou o primeiro dia de abstémia. Seguem-se, agora, mais quatro dias de futebol: um por dia, nos quartos de final!


Tempo, pois, de balanço. Como nas contas semestrais das empresas!


Dos que aqui considerara favoritos no início, caíram dois: a Holanda, que considerara favorito de primeira linha, e a Rússia, que considerara de terceira linha. De terceira linha, não pela qualidade dos seus jogadores e do seu futebol, mas precisamente pelos habituais percalços competitivos.


A selecção Russa tinha tudo para, desta vez, fintar o destino e confirmar o excelente euro 2008. Tinha jogadores, tinha futebol e tinha equipa! E tinha vantagens comparativas assinaláveis: uma equipa constituída por jogadores que jogam em clubes do campeonato russo - a excepção Ismailov não é sequer relevante, pelo (pouco) que foi utilizado - mas, mais, com 70% de jogadores de um só clube – o Zénitt de Danny – o que, como se sabe, é fundamental numa selecção: pela coesão e pelos automatismos que lhe empresta. Mas, acima de tudo, tinha a vantagem do seu calendário competitivo. Os seus jogadores estão a meio da época, e não no fim, como os restantes, muitos deles com 70 jogos nas pernas. Mas, mais: não só entrou a ganhar – e sabe-se como é importante, neste tipo de competições, entrar a ganhar –, entrou em grande estilo e a golear. Com tudo, mas tudo mesmo, a favor, falhou. Sem desculpa!


A selecção holandesa foi, contudo, mais decepcionante. A mesma equipa que brilhara há dois anos, no Mundial da África do Sul, com o mesmo treinador, recheada de estrelas e com os melhores marcadores das ligas inglesa e alemã, esteve irreconhecível. Terá ficado marcada pela inesperada e injusta derrota no primeiro jogo, com a Dinamarca, tida pelo adversário menos poderoso. Mas, parece-me agora, que esta derrocada holandesa terá começado a desenhar-se há um mês atrás, quando Roben falhou aquele penalti contra Petr Chech na final da Champions. Pode falar-se de egos, de guerra de estrelas, daquela defesa – realmente fraca –, das discutíveis opções do treinador e mesmo daquele primeiro jogo, mas aquilo começou naquela noite de Munique. E só não foi uma saída mais humilhante porque a nossa selecção nacional foi perdulária. Não fora isso e a Holanda ter-se-ia despedido vergada ao peso de uma goleada histórica!


Nas restantes seis selecções que já fizeram as malas e regressaram a casa não há exactamente surpresas. Nem nas da(s) casa(s), mesmo que a Ucrânia tenha sido aviada da maneira que foi. Mas há mais injustiças e coisas esquisitas!


À Croácia, num grupo onde contavam a Espanha e a Itália, ninguém poderia exigir o apuramento. Mas provou merecê-lo. E deixou uma mancha no percurso da Espanha que, em vez de se apagar, será tanto mais viva quanto mais La Roja se aproxime dos desejos de Platini. Que se espera não sejam uma ordem!


Se o apuramento da Grécia só é surpreendente pela forma como aconteceu – Rússia e Grécia seriam sempre as favoritas do grupo A –, já o da República Checa, e com o primeiro lugar, é absolutamente inesperado. Mais ainda depois da imagem que deixou logo no primeiro jogo, goleada pela Rússia. Muito mérito há-de ter tido aquele treinador, que mudou tudo, e conseguiu erguer uma equipa que vai tornar a vida muito difícil à nossa selecção nacional.


No grupo B, onde a nossa selecção não era favorita, tudo se resolveu com a desgraça holandesa. E sobre o feito da nossa selecção – a única que nunca falhou os quartos de final, desde que foram introduzidos, em 1996, com a fase final a ser disputada por 16 selecções - já aqui se falou. A Alemanha apurou-se em primeiro lugar com naturalidade, mas - também ela a acentuar a maldição de Platini – a beneficiar de coisas esquisitas. E como as manchas custam a sair… A verdade é que o principal favorito deste europeu interrompeu, no último jogo com a Dinamarca, o processo ascendente - que lhe é tão habitual, quanto o seu poderio – que se lhe notara no segundo jogo, com a Holanda. E como foi precisamente com a Holanda…


No grupo C, de que se já falou, a Itália confirmou o rótulo de favorito que aqui se havia colado, apesar de Bolotelli, apurando-se sem mácula. Ao contrário da sua acompanhante!


E no grupo D apuraram-se, sem brilho, ingleses e franceses. Os ingleses porque estão longe do brilho – e não é só pela crónica falta de sol pelas suas bandas, é porque lhe faltam artistas -, porque Roy Hodgson está a fazer regredir o futebol da selecção inglesa em algumas dezenas de anos e, the last not the least, pela mais suja das manchas da arbitragem . Os franceses, nem sei bem porquê!


Sei que a derrota e a exibição com a Suécia não só tiraram brilho ao apuramento como, acima de tudo, mancham a imagem desta selecção, que também integrava o lote dos favoritos.


Irão ser duas equipas manchadas – se bem que por razões diferentes – aquelas que fecharão os jogos dos quartos de final. Só a França terá oportunidade de limpar a sua. A Espanha, mesmo que ganhe, não o conseguirá ainda!


A Itália não deverá deixar de mandar os ingleses para casa. Se esta selecção inglesa, apesar de Rooney, não tem futebol para estar entre as oito melhores selecções da Europa, como poderá estar entre as quatro?


O confronto – a palavra não é acidental – entre a Alemanha e a Grécia será muito mais que um jogo de futebol. E, quando assim é, nunca sabemos muito bem no que dará. Mas, por muita vontade que tenha, mesmo com uma alma sem fim, a Grécia, apesar de Fernando Santos, terá muito poucas hipóteses. Seriam sempre muito poucas mas, órfã de pai e herói Karagounis, serão ainda menos.


A selecção nacional é favorita perante os checos. Não há volta a dar! O que não quer dizer que não tenha pela frente uma tarefa bem complicada. E muito menos que ganhe. Para ganhar, a selecção de Portugal terá de abandonar alguns dos genes que carrega no seu ADN. Por exemplo: tem que assumir o jogo o mais cedo possível, na perspectiva de marcar cedo para, depois, poder chegar à sua praia. Quer dizer, para que passem a ser os checos a fazer as despesas da partida, deixando os espaços que façam a praia portuguesa.


Se assim não fizer, se Portugal deixar o jogo correr, haverá de chegar a hora em que os checos, cheios de confiança, começam a carregar em sucessivas avalanches, já sem que os nossos jogadores tenham tempo, nem cabeça, para outra coisa que defender. E pontapé para a frente!


É isto que não pode acontecer. Pela minha parte vou gostar de ver como é que a coisa vai correr ali pelo lado direito da defesa checa, onde mora o etíope Selassie, um dos laterais direitos de que mais gostei. Vê-lo a correr ao lado de CR7 irá ser um espectáculo de atletismo dentro de um jogo futebol!

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Confesso que no apogeu das minhas euroconvicções, quando o meu euroentusiasmo batia recordes e via amanhãs que cantam espalhados pela União Europeia, era federalista. Achava que o projecto europeu desembocaria inevitavelmente aí, e que lá se deveria chegar o mais rapidamente possível.


À medida que a crise se foi instalando na Europa percebi que não havia projecto europeu, que isso não passara da maior mentira da História europeia dos últimos vinte ou trinta anos. A partir de 2009 senti-me abandonado pelo meu euroentusiasmo, e a ideia federalista levou o sumiço do fumo. Sei bem que foi a partir dessa altura que ela mais medrou na sociedade portuguesa. Quando se começou a perceber que as coisas por cá iam correr mal, enquanto lá mais para o centro e o norte da Europa nem tanto, antes pelo contrário, as pessoas começaram a pensar que, perder soberania para manter qualidade de vida, valia a pena. Começaram a pensar que a união política era a fórmula mágica que nos alimentaria a ilusão de sermos ricos!


Enquanto, nas minhas euroconvicções, eu entendia o federalismo como o processo natural do projecto europeu, a maioria entende-o como a sua salvação sebastianista. Não é a mesma coisa!


Ao vermos a abusiva e inqualificável interferência alemã nas eleições do passado domingo na Grécia percebemos que não é a mesma coisa. E quando ouvimos Angela Merkel falar de aprofundamento da união política - por mera coincidência em véspera dos resgates das terceira e quarta economias da união monetária - começamos a perceber o que isso poderá ser!

Eleições em França

Expresso | Eleições em França: votaram 38% dos eleitores a meio da tarde,  sem atingir recorde de abstenção


Macron, reeleito há dois meses, perdeu a maioria parlamentar nas eleições de ontem, onde a abstenção continua a medrar, e a extrema direita saltou para resultados históricos. Ontem, na segunda volta das legislativas francesas, a abstenção passou dos 54%, e o partido de Marine Le Pen passou de 8 para 89 deputados, tornando-se na terceira força política no Parlamento, e no maior partido da oposição.


A coligação "Ensemble", de Macron, elegeu 245 deputados, e ficou a 44 da maioria que lhe permitiria governar sem grande sobressaltos. Assim, não terá tarefa fácil. 


Com 144 deputados eleitos, menos 101 mas a apenas 20 mil votos da coligação de Macron, a aliança de esquerda NUPES (Nova União Popular Ecológica e Social), liderada por Jean-Luc Mélenchon, que reúne o seu partido - "La France Insoumise" - Socialistas, Comunistas e Verdes, foi a segunda força mais votada.  


Macron não vai ter vida fácil. Depois do abalo que destruiu os partidos do sistema de todo o pós-guerra, o xadrez político francês voltou a sofrer novo terramoto. E a tendência de crescimento da extrema direita na Europa recebeu mais um impulso.

domingo, 19 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


No domingo não houve apenas eleições na Grécia. Também houve em França. Como há um mês e pouco atrás… Então, em França votou-se para as presidenciais, para eleger Hollande e, na Grécia, para nada!


Há alguma coisa em comum entre estas duas eleições de domingo? Há, ambas são marcadas por sistemas eleitorais bizarros!


Se na Grécia o sistema dá um bónus de 50 deputados ao partido vencedor – na circunstância o partido da Nova Democracia elegeu 79 deputados e recebeu 50 de bonificação, o que significa que apenas 60% dos seus deputados são eleitos – em França, um partido com 30% dos votos elege mais de 50% dos deputados e outro, com 13%, elege um ou dois. Em França um pequeno partido cresce, cresce e, por mais que cresça, nunca consegue eleger um deputado!


São sistemas eleitorais vocacionados para promover a estabilidade política?


Serão. Mas também para evitar a mudança!


Não é que a democracia esteja em causa. Desde se conheçam as regras, e elas sejam iguais para todos, a formalidade democrática estará assegurada. Mas que estas formas de representação minam a democracia representativa, minam!


É votar para que tudo sempre fique na mesma. Ou perto disso!

sábado, 18 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Espanha e Itália, no grupo C, apuraram-se para os quartos de final. Dos PIIGS, apenas um saiu do Euro. Um I – a Irlanda – mas ficam, ainda assim, PIGS!


Espanha e Itália, como seria de esperar. Mas como podia muito bem não ter acontecido, porque a Croácia demonstrou que nada lhes devia. Não foi inferior à Itália, no jogo anterior, e arrisco a dizer que também não foi inferior à Espanha, no jogo de hoje. Com tudo o que isso possa ter de herético!


A verdade é que o jogo entre espanhóis e croatas não deixou de confirmar a ideia que aqui tinha ficado expressa antes do início da competição: “… não a coloco na primeira linha de favoritismo … porque … já há antídotos para o tiki-taka”. A Espanha não ganhou à Itália, mas aí até há a desculpa de ser o primeiro jogo, e logo com o suposto e confirmado parceiro de apuramento. Como depois goleou a Irlanda, exibindo o seu tiki-taka ao mais alto nível. A deixar a ideia enganadora de que tudo continua na mesma no reino do tiki-taka. Enganadora porque, como se percebeu, com a Irlanda aquilo resulta. Como resulta outra coisa qualquer, como o provaram italianos e croatas.


O jogo foi de grande emoção. Porque ambas se poderiam qualificar – o empate a dois, que desde cedo se percebeu de todo improvável, deixava a Itália de fora – e qualquer delas poderia ficar de fora, cenário que esteve bem nítido até ao fim do jogo. Até ao minuto 88!


A primeira parte foi jogada sob o signo do medo, que é sempre a pior visita que um jogo de futebol pode ter (os árbitros não são visitas…). Repare-se que só aos 12 minutos a Espanha consegui ligar uma jogada e apenas aos 21 conseguiu o primeiro remate do jogo, por Torres. Mesmo assim sem qualquer ângulo, o que quer dizer sem qualquer hipótese de êxito. O primeiro remate da Croácia surgiu quatro minutos depois, com defesa de Casillas. Até ao intervalo poucos mais remates houve e, de oportunidades de golo, nem sombras. Mas aconteceu algo de relevante: no minuto seguinte ao do primeiro remate dos croatas, aos 26, Sérgio Ramos faz penalti sobre Manduzik, que o árbitro alemão (que já havia arbitrado e adulterado o resultado do Polónia - Rússia) resolveu ignorar, provavelmente para retribuir idêntico favor do árbitro espanhol, ontem, no jogo da selecção do seu país com a Dinamarca.


Com os resultados ao intervalo a Itália, que ganhava por um a zero - ainda antes do espectacular golo de Balotelli e de De Rossi lhe ter tapado a boca, para que não fizesse mais asneiras – ocupava o primeiro lugar do grupo.


Percebeu-se logo de entrada que a segunda parte seria diferente. A Croácia estendeu-se no campo e começou a impedir a equipa espanhola de compor o seu jogo. Aos 58 minutos criava a primeira verdadeira oportunidade de golo do jogo, através de uma grande jogada do seu génio criativo: Modric. E aos 65, com duas substituições em simultâneo para alargar a companhia de Mandzukic, Bilic – um grande treinador, a par de Fernando Santos, o melhor no banco - o jogo mudava definitivamente!


A equipa da Croácia tinha de marcar: um golo para ganhar o jogo, ou dois golos para, empatando-o, se qualificar. E o jogo tornou-se emocionante, com a Croácia a partir para a frente mas a dar o espaço que nunca dera aos espanhóis. Ao minuto 79 volta a estar perto do golo, com defesa de Casillas. A Espanha tremia e continuava sem conseguir criar perigo junto à baliza de Pletikosa e, aos 87 minutos, na sequência de um pontapé de canto, o árbitro alemão volta a não assinalar novo penalti contra a Espanha, quando Sergio agarrou Corluka, impedindo-o de dar o melhor destino à bola. No minuto seguinte, aos 88, já com os jogadores da selecção dos Balcãs sem capacidade de recuperação, Fabregas isola Iniesta e Navas, já dentro da área, à frente do pobre do Pletikosa. Dois para um, e o golo de Navas a decidir tudo.


A Croácia caía, mas de pé. A Espanha não ganhou para o susto, e poderia estar a esta hora a fazer as malas. Viu-se livre de um dos adversários mais incómodos (para aquele seu tipo de jogo) e, agora mais importante que isso, vê-se livre de outros que por lá estão. Até à final, se lá chegar! Porque Inglaterra ou Ucrãnia, para já, e Portugal, como espero, depois, – repito, para aquele seu tipo de jogo - são do melhor que lhes poderia calhar!


 

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


A selecção nacional apurou-se para os quartos de final do euro, um feito assinalável. Porque o fez no grupo de apuramento mais difícil – até lhe chamaram grupo da morte, uma expressão de mau gosto para caricaturar as dificuldades – desta competição, onde todos os adversários foram já campeões europeus, todos à sua frente à frente no top ten do ranking da FIFA, que Portugal fecha e, especialmente, porque a equipa não vinha a atravessar uma fase positiva. Se as condições exógenas eram adversas, as da própria equipa não o eram menos, gerando para o exterior a desconfiança que, como se sabe, em Portugal medra facilmente.


O êxito, o sucesso no apuramento para os quartos de final – objectivo sempre afirmado pelo seleccionador – não era tarefa acessível. Não o atingir, não seria uma derrota para a selecção nacional. Derrota seria não ter feito tudo para o atingir. Derrota seria faltar-lhe ambição para o atingir, aceitar a superioridade dos adversários sem a querer discutir. Derrota seria abdicar das suas armas – que as tem e bem poderosas – e limitar-se nas suas potencialidades.


É claro que a selecção nacional não tem o poder de agarrar nos jogos todos e controlá-los. Se o tivesse seria, evidentemente, um dos maiores candidatos a esta como a qualquer outra prova. Vinha deixando a ideia de ser uma equipa reactiva, que ao longo de todos os jogos reagia em vez de agir. Reagiu, defendendo-se, à iniciativa dos alemães no primeiro jogo. E reagiu quando sofreu o golo, mostrando que tinha argumentos para discutir o jogo com aquela que era (e é!) unanimemente apresentada como a melhor equipa em prova. Como acabou por discutir, deixando que a derrota tivesse soado a injustiça. Ganhamos em quase-golos, como aqui referi!


Depois, com a Dinamarca que das vezes que venceu a selecção nacional nunca convenceu, e que, apesar de imediatamente à frente no ranking FIFA, não tinha argumentos para se superiorizar, as coisas começaram a correr bem. Chegou aos golos sem passar pelos quase-golos mas, depois, sem qualquer razão objectiva, abdicou do controlo do jogo, abdicou da ambição e abdicou do seu potencial, acabando por entregar o jogo ao adversário. Só reagiu de pois de tudo ter deitado a perder. Com sorte, mas sem brilho, conseguiu ganhar o jogo que não podia perder.


Hoje, no jogo de todas as decisões, em que nem tudo dependia apenas de si, a selecção pareceu ir pelo mesmo caminho. Não agarrou no jogo e, aos 11 minutos, mercê de um bom golo de Van der Vaart, já perdia. A equipa deixava muitos espaços, com os sectores muitas vezes distantes entre si, e com Raul Meireles a não acertar. Reagiu, mais uma vez!


João Moutinho trocou com Meireles, e passou a jogar mais sobre a esquerda, mais perto de Coentrão. Depois foi apenas o resultado da reacção, as coisas a começaram a sair bem, as conhecidas fragilidades da defesa da selecção holandesa apareceram e, acima de tudo, apareceu Cristiano Ronaldo. Que aos 16 minutos já enviava o seu primeiro remate ao poste da baliza holandesa!


Seguiram-se oportunidades, minuto após minuto, umas atrás das outras numa avalanche de futebol proactivo, sem que a Holanda pudesse activar o seu poderio atacante. Quando, aos 28 minutos, Cristiano Ronaldo – finalmente endiabrado e ao nível do seu estatuto universal - empatou o jogo, já tinham ficado para trás cinco oportunidades para o fazer. Depois, e até ao intervalo, a selecção nacional criaria mais quatro boas ocasiões para voltar a marcar.


Na segunda parte, à excepção dos dois primeiros minutos que ainda fizeram lembrar o início do jogo, só deu Portugal. As ocasiões de golo sucediam-se e Cristiano Ronaldo, Nani, Coentrão e João Moutinho pintavam a manta. O golo da vitória – escassa para tanta superioridade – só surgiria aos 74 minutos. Depois, mais e mais ocasiões de aumentar o marcador, a última das quais ao minuto 90, num grande remate de Ronaldo – o homem do jogo - ao poste, pela segunda vez.


Foi a melhor exibição da selecção nacional – não na prova, que não era difícil – mas dos últimos longos meses. Com todos os jogadores – Raul Meireles, em deficientes condições físicas e a exigir atenção para o próximo jogo, à parte – a subirem de produção. Se Pepe, Coentrão, Nani, e mesmo Veloso, tinham estado sempre em bom nível, hoje juntaram-se-lhe Cristiano Ronaldo – evidentemente –, João Moutinho e João Pereira. Com esta exibição, e com o resgate de Ronaldo, é de acreditar que a selecção possa ultrapassar os checos e chegar às meias-finais, onde provavelmente encontrará a Espanha.


A selecção holandesa – uma das maiores favoritas – foi uma desilusão. Se não merecera perder o primeiro jogo, com a Dinamarca, mas já fora bem derrotada pela Alemanha, nunca havia sido tão claramente dominada como hoje, pela selecção nacional, que a tornou na equipa banal que não é. É o vice-campeão mundial!


E o segundo dos favoritos - com a Rússia - a regressar prematuramente a casa.


O outro dos jogos dos quartos de final que ficou hoje definido colocará frente a frente a Grécia e a Alemanha. Será certamente mais que um jogo de futebol, com uma envolvente única neste euro. E vem-me à memória uma frase batida (não, não é da canção, mas de Bill Shankly): “ O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais que isso…”

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Eficiência

Demissão? Temido garante ″continuar a lutar″ mas resposta ″pertence ao  primeiro-ministro″


Depois do lufa-lufa de segunda-feira, Marta Temido passou dois dias a matutar no problema das urgências. Ontem, ao final do dia, anunciava as soluções que tinha encontrado. Mais ou menos isto: criar uma comissão de acompanhamento e rever as condições de remuneração dos médicos.


A primeira ficou logo resolvida. Tudo o que resolve com a criação de comissões fica resolvido com o seu anúncio. A segunda ficou para resolver hoje, e ficou hoje resolvida: reuniu com os sindicatos dos médicos, e nem deu para começar a conversa. Saíram todos como entraram. Agora é só esperar que passem mais uns dias e que não se volte a falar no assunto.


Mais eficiente não se pode ser. E ainda dizem que o governo é só tangas ...

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Há 10 anos

RECORDAR O NO RECORDAR, ESTA ES LA CUESTIÓN | Alas de escritor


Fala-se da magia do futebol para se referir à beleza do espectáculo que produz, mas, muito mais do que isso, para referir imprevisibilidade que o integra. É por isso que arrasta multidões, desperta paixões como nenhum outro. É por isso que é o desporto-rei!


Quem assistiu ao segundo jogo do euro – Rússia vs República Checa (4-1) – à exuberância da exibição da equipa russa e, por consequência, ao descalabro checo, jamais admitiria que os russos – uma das selecções favoritas – não fossem apurados. E muito menos que os checos não só lograssem o apuramento como terminassem no primeiro lugar do grupo!


Mas que dizer do apuramento da Grécia de Fernando Santos?


Uma equipa que chegava à última jornada com um simples ponto, dizimada nas duas primeiras jornadas, por erros próprios – é certo – mas acima de tudo por um enorme conjunto de azares e por clamorosos e decisivos erros de arbitragem. Tudo o que é infelicidade lhe bateu à porta, a lembrar, como aqui se disse, o que acontece no país!


Há qualquer coisa de especial nesta selecção grega que não podemos certamente desligar da situação de revolta no país por tudo o que lhe tem acontecido. Dir-se-á que não é de agora, que a Grécia foi campeã europeia em 2004 - em Portugal, contra todas as expectativas - quando o país ainda vivia a iludir a realidade e com a crise escondida. Mas não é a mesma coisa!


Em 2004 a Grécia surpreendeu tudo e todos com um futebol retrógrado, o futebol ultra-defensivo e nada atractivo de Rehagel, e com muita sorte pelo meio. Bafejada por uma sorte que, do primeiro ao último jogo, nunca abandonou.


Neste europeu não foi nada que se parecesse. Nem o seu futebol foi ultra-defensivo nem foi a sorte a empurrá-los. Antes pelo contrário, tiveram que lutar contra tudo e também contra a sorte. Foi uma crença enorme, uma mentalidade competitiva incomum, não compaginável com a imagem que dos gregos é dada. Foi uma força de fraquezas feita, como se daí dependesse a redenção da pátria grega!


Ameaçada de expulsão deste euro desde o primeiro dia, diria mesmo que desde o primeiro minuto, a Grécia resistiu e ficou. Não conseguiram pô-la fora!


Gregos: podem votar tranquilamente amanhã. Sem receios, de acordo com a força das vossas convicções porque, do euro, ninguém vos consegue pôr fora!

A selectividade de Boris Johnson nos direitos humanos

 Un tribunal británico autoriza el primer vuelo de deportación de  inmigrantes a Ruanda - Infobae


O primeiro voo do programa de Boris Johnson contratado com o Ruanda para deportar refugiados da Síria, Sudão, Eritreia, Irão e Iraque, que pediam asilo político, foi ontem cancelado por decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDT), que obrigou o avião a permanecer em terra. Mas apenas adiado, nas palavras do próprio primeiro-ministro britânico, e da sua ministra do interior, Priti Patel, autora do programa, desapontada mas não dissuadida: "Recursos legais e alegações de última hora fizeram com que o voo de hoje não tenha podido descolar (...) Não nos dissuadiram de fazer o que é certo (...) a preparação para o próximo voo começa agora". “Se não forem neste voo, irão no próximo” - acrescentou a também irredutível ministra dos negócios estrangeiros, Liz Truss, dada como possível sucessora do acossado Boris Johnson.


Nem que para isso tenham de abandonar o TEDT!


Os líderes da Igreja Anglicana denunciam a "política imoral que envergonha o Reino Unido". O príncipe Carlos acha a ideia "horrorosa". A oposição reprova-a, em bloco. E a imprensa dá conta dos custos absurdos do programa. Mas que importa isso quando, acabado de escapar à tangente a uma moção de censura, com o caos na Irlanda do Norte, e com movimentações na Escócia para um novo referendo à independência, Boris Johnson, vê nas sondagens que apontam no reforço do sentido xenófobo, que alimentou o sim ao Brexit, a forma de salvar a pele?


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...