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O primeiro voo do programa de Boris Johnson contratado com o Ruanda para deportar refugiados da Síria, Sudão, Eritreia, Irão e Iraque, que pediam asilo político, foi ontem cancelado por decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDT), que obrigou o avião a permanecer em terra. Mas apenas adiado, nas palavras do próprio primeiro-ministro britânico, e da sua ministra do interior, Priti Patel, autora do programa, desapontada mas não dissuadida: "Recursos legais e alegações de última hora fizeram com que o voo de hoje não tenha podido descolar (...) Não nos dissuadiram de fazer o que é certo (...) a preparação para o próximo voo começa agora". “Se não forem neste voo, irão no próximo” - acrescentou a também irredutível ministra dos negócios estrangeiros, Liz Truss, dada como possível sucessora do acossado Boris Johnson.
Nem que para isso tenham de abandonar o TEDT!
Os líderes da Igreja Anglicana denunciam a "política imoral que envergonha o Reino Unido". O príncipe Carlos acha a ideia "horrorosa". A oposição reprova-a, em bloco. E a imprensa dá conta dos custos absurdos do programa. Mas que importa isso quando, acabado de escapar à tangente a uma moção de censura, com o caos na Irlanda do Norte, e com movimentações na Escócia para um novo referendo à independência, Boris Johnson, vê nas sondagens que apontam no reforço do sentido xenófobo, que alimentou o sim ao Brexit, a forma de salvar a pele?
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