sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Arrogância, bloqueios e afins

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Ao PS não bastou passar-lhe pela cabeça indicar Vitalino Canas - personagem que sempre viveu à sombra do partido, a cheirar o tacho, e que acha que isso lhe deu 40 anos de preparação para Juiz do Tribunal Constitucional - insistiu, mesmo depois da natural reacção da opinião pública a tamanha desfaçatez, em levar o seu nome à indispensável votação parlamentar.


Não sei se a isto se chama arrogância, se obstinação fundamentalista. Mas depois da humilhação pública que resultou da votação da Assembleia da República (nem os votos de todos seus deputados conseguiu arregimentar) ouvir a líder parlamentar e número dois do partido, em vez de, com humildade democrática, reconhecer o tiro no pé, dizer que o Parlamento está a bloquear o funcionamento das outras instituições já nem vale a pena procurar adjectivações. 


Palavras para quê? É um artista português, como dizia o velho anúncio. Ou, dito de outra forma, é cada vez mais o regresso do PS em todo o seu esplendor!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Eufemismos*

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O Carnaval já lá vai, e o Entrudo até já foi a enterrar. Guardaram-se umas máscaras, mas ficaram outras, que duram para lá do Carnaval. Mais assustadoras. Que metem mais medo!


Medo é talvez a palavra-chave desta semana. Infundido pelo Covid-19, o nome atribuído ao coronavírus, e pela forma como se está a espalhar. Mas mais ainda pelos mais insondáveis interesses de uma obscura ”indústria” do medo interessada em lançar o pânico como caminho para o caos.


Mas medo também temos quando percebemos que, numa matéria tão decisiva como a localização de um aeroporto, que anda em discussão há dezenas de anos, depois de tudo anunciado, negociado e assinado com pompa e circunstância - mesmo ainda antes de recebidos todos os necessários pareceres, depois emitidos à medida, e os pássaros não são estúpidos - tudo fica bloqueado por uma obscura lei com 10 anos, feita de interesses e objectivos incógnitos, e que ninguém levou a sério.


Medo temos que ter da leviandade com que nos governam. Da leviandade com que um governo quer mudar, à medida, uma lei que lhe não serve. Da leviandade com que a ignorou. E da leviandade com que vem agora dizer que, se não há mudança da lei, não há aeroporto. Nem drama. Nem debates apocalípticos!


Medo, a sério, temos de tanta incompetência e de tamanha irresponsabilidade. Leviandade é eufemismo!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Futebol da treta

Dyego Sousa:


 


Foi a hecatombe. Todas as quatro equipas portuguesas foram varridas da Liga Europa logo à primeira, numa brutal demonstração das fraquezas deste pobrezinho futebol português. E ainda ouvíamos por aí uns iluminados a dizer que a Liga Europa era a competição europeia à medida dos clubes portugueses...


Mas pronto. Aí estão agora todos contentes, limitados à competiçãozinha interna que faz de conta que é competitiva.


Com três equipas a jogar em casa, todas com derrotas tangenciais e com golos marcados fora na primeira mão, apenas o  Benfica não perdeu. Mas não ganhou nada com isso, com um empate a 3 golos, e foi afastado pelo Shaktar Donetz.


Na primeira parte o Benfica conseguiu superiorizar-se claramente ao adversário ucraniano. Fez o primeiro golo - cheio de classe, por Pizzi - bem cedo e ficou logo à frente da eliminatória. Mas por pouco tempo. Logo a seguir, com mais um auto-golo, mais uma vez de Rúben Dias, o Benfica deitou fora a vantagem. Voltou a marcar, na redenção de Rúben Dias, que marcou na sequência de um canto, e saiu para o intervalo com a eliminatória empatada. E sem tirar qualquer vantagem da superioridade que de facto exibiu, e que lhe deveria ter permitido resolver logo ali tudo o que havia para decidir. 


Entrou bem na segunda parte, fez logo o terceiro, numa falha da defesa adversária. E voltou a ter a chave do sucesso na mão. Só que essa vantagem não durou mais de dois minutos. Num canto, e no primeiro remate, o Shaktar fez o segundo golo. Um remate, dois golos. 


É azar? É! E é mais da quando, ao segundo remate, faz o terceiro e o empate final. Um remate feliz, ainda por cima na sequência de um corte em que a bola poderia ter sobrado para qualquer sítio menos para aquele.


Mas a verdade é que na segunda parte o Shaktar fez do jogo o que quis. Sempre com um futebol  superior, estruturado, onde tudo saía com naturalidade, sem esforço. Controlou o ritmo do jogo como bem entendeu, explorou todos os espaços que Benfica concedeu, entrou como e por onde quis, numa banhada monumental de Luís Castro a Bruno Lage. Chegou até a parecer uma equipa do topo do futebol europeu. Que não é, nós é que estamos engolidos pela mediocridade, a anos luz da simples mediania.


O resto são tretas deste futebol da treta!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Parasitas

 


STEPHEN DOUGLAS ATKINSON


 


Parasitas é o nome do filme coreano que arrancou os principais óscares de Hollywood deste ano, o que deixou Trump particularmente irritado. Onde é que já se viu um filme com legendas? - perguntou ele. Que passam tão depressa que nem dá para ler - acreditamos nós que não terá dito, mas terá pensado.


Esta semana tivemos conhecimento de uma publicação científica que dava conta da descoberta de um animal que não precisa de oxigénio para viver. Chama-se, diz a publicação, Henneguya salminicola e vive, como o nome quase deixa adivinhar, alojado no salmão. Mais concretamente nos músculos. É um parasita, com a elegância documentada na foto.. Mas um parasita de última geração: 5.0, para aí... Da geração que terá percebido que podia bem viver sem a maçada de ter que respirar, que será certamente a aspiração máxima de qualquer parasita. A perfeição!


E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? - perguntarão. Nada, à excepção do nome, nada liga o filme à descoberta científica. 


E o que é que tem ver com Trump? Não sei. Mas não ficaria supreendido se ele viesse agora dizer que isto é que são parasitas a sério. Sem legendas. Americanos. Nascidos e descobertos na América. Great again! 


 


 


 

Medo

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O covid-19 tem mantido a sua marcha galopante, arrastando consigo à mesma velocidade uma vaga de medo que hoje condiciona claramente o mundo, com o cancelamento de uma imensa panóplia de acontecimentos mundiais,  e com impacto significativo em  padrões económicos e até sociais. 


A OMS já anunciou que ninguém está preparado para enfrentar o vírus, e que a pandemia está iminente. As infecções espalham-se pelo mundo e, na China, no epicentro de todo este terramoto, tudo saiu já fora de controlo. 


O que se está a passar por estes dias na China poderá vir a passar-se dentro de pouco tempo um pouco por todo o mundo: um autêntico círculo de destruição da capacidade de resposta das estruturas de saúde, onde o vírus surge como uma espécie de íman trágico, a captar e destruir recursos que não só não o conseguem combater, como lhe abrem caminho à sua propagação ao faltarem, e desprotegerem, todos os restantes cuidados básicos e gerais de saúde.   


Cenário mais medonho é difícil, e sabe-se que, em circunstâncias críticas desta natureza, tão - ou mais? - importante como controlar o mal é controlar o medo. Sabemos também que as ditaduras se saem melhor nessas tarefas, lidar com o medo é a sua especialidade. Por isso mais medo ainda com o medo que claramente de lá vem.


O regime chinês fez tudo para controlar tudo. Silenciou, como só estes regimes sabem silenciar. E mesmo assim, provavelmente, nunca da China se soube de tanto medo como agora... 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Hoje era ganhar ... ou ganhar!


 


Era um dos mais importantes jogos desta Liga para o Benfica, este de Barcelos, com o surpreendente Gil Vicente, de Vítor Oliveira. Pelas dificuldades que o Gil coloca aos adversários, especialmente em casa, onde apenas tinha perdido uma vez, num jogo atípico, com o Moreirense. E onde tinha vencido Porto e Sporting. Mas, mais ainda, pelas dificuldades próprias da actualidade do  Benfica, que vinha de quatro jogos sem ganhar e de seis sucessivamente a sofrer golos. 


Pela primeira vez em muitos meses o Benfica entrava em campo sem ocupar o primeiro lugar, e obrigado a recuperá-lo. Não ganhar este jogo significava o adeus à liderança, e muito provavelmente, por muitos jogos que ainda faltem e mesmo que Maio esteja ainda a três meses de distância, o adeus ao título. Porque sabe-se o empolgamento que isso legitimamente daria ao rival do título, e a mossa que um quinto jogo consecutivo sem ganhar, e o rápido esfumar de uma gorda vantagem de sete pontos, faria na equipa.


Hoje não se podia pedir à equipa do Benfica que invertesse o nível exibicional dos últimos jogos, que jogasse bem e que regressasse ao futebol que em Dezembro deslumbrava os adeptos. Hoje exigia-se ao Benfica que ganhasse!


E ganhou. E ganhou bem. Sem mácula, e com justiça. Teve maior domínio  do jogo, mais bola e mais melhores oportunidades de golo, mesmo que não fossem muitas. Mas não jogou bem, é verdade. Mas também não era isso, hoje, que se exigia. Nem poderia ser!


O Benfica entrou bem no jogo, assumindo desde logo o comando das operações. E chegou cedo ao golo, logo aos 15 minutos, por Vinícius, de cabeça, na primeira - se não considerarmos a finalização de Pizzi, logo no início - oportunidade que criou. Que foi certamente a chave do jogo. Muitas das dificuldades da equipa nos últimos jogos, e flagrantemente no da última jornada, com o Braga, nasceram da acentuada quebra de eficácia na finalização.


Com Samaris no onze, o meio campo ganhou segurança e a equipa consistência. E isso foi notório, especialmente na primeira parte, onde a superioridade do Benfica foi mais evidente, mesmo que com poucas oportunidades de golo. Curiosamente a equipa criou mais, e mais claras, oportunidades para chegar ao golo na segunda parte, em que o Gil Vicente dividiu mais o jogo, equilibrando-o durante largos períodos. 


Logo na arranque da segunda parte Carlos Vinícius desperdiçou uma claríssima oportunidade para bisar. A meio da segunda parte, Taarabt abriu o livro e, numa jogada individual espectacular, atirou com estrondo à barra. Pouco antes de sair, esgotado, Vinícius voltou a ser protagonista de mais uma excelente oportunidade e, já na parte final do jogo, foi ainda Cervi, recém entrado para substituir Rafa, a estar perto do golo.


O lado esquerdo da defesa beneficiou muito da presença de Samaris, e hoje esteve  na direita o elo mais fraco. Defensivamente Tomás Tavares passou por muitas dificuldades, mais criadas pelo próprio que pelos adversários. A eficácia do passe melhorou um bocadinho, mas a decisão final, em Pizzi, mas especialmente em Rafa, continua muito abaixo da qualidade aceitável.


Fica a vitória, afinal o que hoje era verdadeiramente inegociável. E a liderança segura por um ponto, até que melhores marés venham.


 

Tragédias

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Passar pela cabeça de alguém propor Vitalino Canas para o Tribunal Constitucional seria um absurdo. Propo-lo mesmo, com todas as letras, é uma tragédia. A tragédia de um PS cavernoso, do vale tudo, incapaz de perceber o que lhe aconteceu e o que aconteceu ao país... Mas acima de tudo a tragédia de um país que não consegue ser levado a sério!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Vasco Pulido Valente (1941-2020)

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Quando tanto se fala de radicais, acaba de desaparecer o mais radical dos portugueses. E muito provavelmente de todos os radicais o mais brilhante!


Vamos ter saudades da inteligência, da perspicácia, da argúcia e do "killer instinct" que, se a política fosse um local bem frequentado, teriam feito de VPV um dos mais extraordinários actores da política portuguesa dos últimos anos.


 

E agora?

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As cinco propostas para a descriminalização da eutanásia apresentadas na Assembleia da República foram todas aprovadas. E por larga maioria!


Segue-se agora uma espécie de fusão entre todas elas e a discussão na especialidade, até à votação final da lei. Depois a bola passa para o Presidente da República, cuja posição sobre a matéria é conhecida. Seguir-se-ão outras coisas, entre elas todas as formas de "dar corda" a um referendo sem "pernas para andar", mas essas não são parte integrante do processo que ontem arrancou. 


Mesmo que sempre tenha dito que não pautaria as suas decisões institucionais pelas suas posições pessoais, ninguém acredita que o Presidente Marcelo não faça tudo o que estiver ao seu alcance para "eutanaziar" a lei. Como sinal político poderá vetá-la, mas lhe serve de nada. Não tem qualquer efeito porque voltaria ao Parlamento para ser facilmente confirmada: a maioria de 2/3 exigida para impor a decisão parlamentar ao veto presidencial, já está reflectida na votação de ontem. Resta-lhe a decisão de a remeter para o Tribunal Constitucional, que não tem o mesmo sinal político do veto - pelo contrário, sugere a lavagem de mãos de Pilatos - mas que lhe poderá deixar algumas remotas expectativas de sucesso. 


Mesmo que poucas, já que, independentemente da posição da maioria dos juízes sobre a matéria,  o Tribunal Constitucional incidirá sobre particulares aspectos técnicos da lei, e não tanto sobre o princípio geral. Se a lei vier bem feita... 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Mais do mesmo


 


Nova derrota, mais dois golos sofridos... em mais dois erros defensivos grosseiros. Que só não foram três, em três erros difíceis de aceitar, porque o VAR estava lá e anulou, por fora de jogo, um terceiro. Que até seria o primeiro, ainda na primeira parte.


Nada de novo, portanto, nesta noite fria na Ucrânia. Os mesmos erros, mesmo que de maneira diferente. As mesmas dificuldades colectivas, a mesma falta de intensidade, e a mesma má forma na maioria dos jogadores. As mesmas opções. E quando não é possível manter as mesmas, nada de novo vem das novas. Como se viu com Florentino, a quem também não seria possível exigir muito mais!


A equipa reage, é certo. Mas nunca age, nunca é pro-activa. Reagiu ao primeiro  golo sofrido, e chegou ao empate, numa bela iniciativa de Tomás Tavares. Estranhamente o árbitro foi ver as imagens e assinalou penalti, bem convertido por Pizzi, anulando o merecido golo do miúdo (na imagem).


Percebeu-se depois que já estaria fora de jogo quando tocou a bola para a baliza, e que antes tinha havido falta para penalti sobre Cervi, com quem executara a tabela final.


A equipa pareceu satisfeita com o empate, e pouco depois foi a vez de Rúben Dias ter mais uma paragem. Duas, foram duas no mesmo lance que deu o golo da vitória ao Shaktar, de Luís Castro. Que naturalmente conhecia perfeitamente o Benfica. Mais a mais este Benfica doente.


Voltou a reagir, mas já não deu para evitar a terceira derrota em quatro jogos. E muito menos para, quatro jogos depois, voltar a fazer aquilo que há poucas semanas só sabia fazer. Ganhar!


A eliminatória permanece aberta, mas se a mentalidade se mantiver não será fácil vencê-la, na próxima semana na Luz. Hoje viram-se alguns sinais de  melhoria, em Ferro, mas especialmente em Grimaldo e Chiquinho. Mas muito pouco para animar as hostes...


 


 

Anda tudo doido...

PSP investiga vídeo de jovem posto à força em frente a tubo de escape


 


A coisa passa-se nas redes sociais, onde se passam hoje todas as coisas: um jovem negro de joelhos, junto à saída de escape de um carro, aparentemente obrigado a inalar todos aqueles fumos e gases que de lá saem ao ritmo de cada pesada no acelerador. Ouvem-se gargalhadas, e ouve-se o nome de Marega. 


Um dia nas redes sociais bastou para pôr ainda em maior alvoroço o alvoroço que já por aí anda. Um dia depois ficou a saber-se que se tratava de uma brincadeira. De uma aposta. E que o jovem negro se tinha disponibilizado de livre vontade para o papel...


Isto anda tudo doido! 


Tudo tão doido que ninguém dá por isso...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Escolhidos a dedo

Foto Posse V Mandato CNECV


 


As posições do Conselho Nacional da Ética e Ciências da Vida (CNECV) dizem-nos sempre muito mais sobre a sua própria composição do que sobre as matérias que apreciam. Temas que dividem os portugueses ao meio são praticamente objecto de unanimidade do Conselho!


Foi assim há pouco mais de um ano sobre a despenalização da morte assistida, e voltou agora - ontem - a ser assim na apreciação das quatro propostas que amanhã estarão em discussão na Assembleia da República. Quando os portugueses, incluindo os médicos, se dividem praticamente ao meio nesta matéria, o CNEV é absolutamente consensual!


Poderíamos pensar que estamos perante um órgão altamente qualificado, composto por filósofos e cientistas altamente dotados e preparados, com uma visão das coisas inalcançável para o comum dos mortais. Mas não. Não estamos. Estamos perante um órgão composto por pessoas escolhidas pela Assembleia da República, pelo Governo e por outras instituições ... Escolhidas a dedo, temos que concluir!


 


 

Ler os outros

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Segurança Nacional - Homeland no título original - é a minha série de culto. Sigo-a desde a primeira temporada, já lá vão uns bons pares de anos e está de volta para a despedida. Não me lembro de alguma vez a ter trazido aqui, e por isso aproveito agora a boleia do Gonn 1000...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Hipocrisia institucional

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Bastaram 24 horas para se perceber que a onda de indignação que se levantou neste início de semana morreu na praia, numa densa espuma de hipocrisia. E que tudo vai continuar na mesma: televisões carregadas de cretinos, e  dirigentes escudados em guardas pretorianas e armados de acéfalos pitbulls da comunicação, continuarão a espalhar ódio e violência, perante os Costas e os Marcelos desta vida apenas disponíveis para lamentar.


Circunscrever o que aconteceu no domingo em Guimarães a uma absoluta manifestação de racismo, e ignorar que é parte do todo que é o intolerável clima de ódio e violência instalado à volta do fenómeno do futebol em Portugal, como está a acontecer, é um acto de capitulação e a maior demonstração da hipocrisia instalada nas Instituições do país! 


 


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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Coitado do senhor...

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Carlos Silva, o líder da UGT, não conseguiu esconder a ciumeira pela proposta de condecoração de Arménio Carlos lançada pelo primeiro-ministro António Costa, e logo carimbada pelo Presidente Marcelo, lá longe, na Índia.


Não é caso para menos: "então ando eu aqui há anos a assinar acordos com o governo e com os patrões, ando eu aqui a segurar a concertação social que o governo tanto aprecia, e à primeira oportunidade, só porque se vai embora e sai de cena, vão condecorar este tipo que esteve sempre do contra, e nunca nem um jeitinho lhes fez"?


Moral da história: há papéis que não servem para mais nada que descartar; os fantoches nunca passam de bonecos de teatro, e  "Roma não paga a traidores"... . Ou não gosta de pagar!


Coitado do senhor...

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Marega

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O racismo chegou oficialmente ao futebol português. Não é a primeira vez que manifestações racistas acontecem nos estádios portugueses. Nunca é à primeira que estas manifestações tomam a dimensão do que aconteceu hoje em Guimarães. 


Hoje, Marega pôs bem à vista a vergonha do racismo. E digo que pôs porque tomou corajosamente a decisão certa de abandonar o campo. E porque o fez expressando toda a sua indignação de uma forma que não permite mais que se continue a fingir que isto não acontece.


Pena que o árbitro, a quem competia agir, e que teve nas mãos a possibilidade de prestar um serviço que prestigiasse a arbitragem e limpasse, por um bocadinho que fosse, a imagem deste triste futebol português, tenha fingido que não percebia o que estava a acontecer.


Pena, já que o árbitro não cumpriu com a sua obrigação, que todos os jogadores, de ambas as equipas, em vez de tentar impedir a saída de Marega, não tenham abandonado o campo com ele.


Pena, muita pena, que da PGR não tenha saído uma ordem para que a Polícia de Guimarães não permitisse a saída de ninguém das bancadas sem primeiro ter identificado os autores do crime.


E pena que tudo continue na mesma, com o ódio a alastrar na sociedade portuguesa e em especial no futebol.


 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

"As grandes equipas não perdem dois jogos seguidos"

Braga vence Benfica na Luz, 65 anos depois, e pode deixar FC Porto a um ponto da liderança


 


O Benfica regressou hoje á Luz, cheia que nem um ovo para ouvir a equipa  dizer que aquilo de sábado já tinha passado, e que iria retomar o rumo vitorioso que seguira durante dezassete jornadas. Pela frente o sensacional Braga do sensacional Rúben Amorim. O mesmo Braga que os rivais insinuam que estende a passadeira ao Benfica.


Logo que o árbitro Hugo Miguel - pela segunda vez em duas semanas na Luz - apitou pela primeira vez o Braga tratou de mostrar que vinha à Luz para jogar à bola e que vinha cheio de confiança, como seria de esperar. Nos primeiros quatro ou cinco minutos parecia que a bola estava apaixonada pelos jogadores do Braga, não os largava e não queria nada com os do Benfica. 


À passagem dos cinco minutos as coisas mudaram, o Benfica pegou no jogo e partiu para uma boa exibição, a prometer fazer na partida aquilo que ultimamente tem feito nos jogos com este adversário. O mote foi dado por Rafa, numa belíssima jogada que deixou a Luz a ver o golo. Sozinho à frente do guarda-redes bracarense desviou-lhe a bola para a baliza, mas esta acabou por sair uns centímetros ao lado do poste direito.


Com esta oportunidade de golo o Benfica partiu para 40 minutos de bom nível, criando e desperdiçando oportunidades de golo. Não quer isto dizer que o jogo tivesse sentido único. Nada disso, o Braga esteve sempre dentro do jogo, e contribuiu sempre para o excelente espectáculo de futebol a que se estava a assistir. Só que, em oportunidades de golo, só dava Benfica.


Esgotados os 45 minutos, já com os dois de compensação dados pelo árbitro a decorrer, o Braga cria a sua primeira oportunidade para marcar. Vlochodimos brilhou pela primeira vez e negou o golo a Fransérgio. Só que, do canto, entre Rúben Dias e Ferro, Palhinha saltou mais alto e marcou.


Injustiça no marcador ao intervalo. Pois, mas sabe-se que o jogo é assim. Não foi a primeira vez, nem será a última, que uma equipa cria uma série de oprtunidades e não marca; e que a outra aproveita a única que tem.


O golo do Braga foi um balde de água gelada que caiu sobre a Luz. Como a equipa de Rúben Amorim estava a jogar, com grande acerto defensivo, com a defesa muito subida e colocando os avançados do Benfica facilmente em fora de jogo, e com a facilidade com que saía para o contra-ataque, percebia-se que não seria tarefa fácil virar o resultado.


Mas as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas, não é?.


Pois, mas aquele empate em Famalicão é que tinha vindo a seguir à derrota... Não importa, as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos para o campeonato. E esta era a crença a que a Luz se queria agarrar ao intervalo.


O Benfica entrou bem na segunda parte, a querer alimentar a fé dos adeptos. E tudo seria provavelmente diferente se o remate de Vinícius, logo aos 4 minutos, tivesse batido na rede em vez de no poste. Percebeu-se aí que, definitivamente, a equipa não estava com aquela pontinha de sorte que era indispensável para ganhar a este Braga. Mesmo que ainda se tivessem sucedido mais duas grandes oportunidades de golo, dez e vinte minutos depois, (Rafa e Pizzi) o futebol do Benfica entrou em rampa descendente, acabando praticamente nessa grande jogada de Pizzi, aos 69 minutos. 


Quando se diz que as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas quer-se dizer que não cometem os mesmos erros duas vezes seguidas. E foi isto que Bruno Lage não conseguiu evitar ao repetir as mesmas três substituições do Dragão. Seferovic, está por demais visto, não vale a pena. E três pontas de lança a atrapalharem-se na frente, sem saber o que fazer e sem gente para lá fazer chegar a bola, é um disparate sem pés nem cabeça.


E por isso a segunda parte acabou por servir apenas para justificar um resultado que ao intervalo era terrivelmente injusto. O Benfica acabou por ter mais oportunidades de golo, mas isso deveu-se apenas à imensa vantagem que trouxera da primeira parte. O Braga acabou mais e melhores remates e por se superiorizar em todas as restantes variáveis do jogo.


E fica a sensação que com a insistência nos mesmos erros, a cheirar a teimosia, Bruno Lage está a criar um Benfica à Rui Vitória ... a precisar de um Bruno Lage. Veremos se vem a tempo de evitar a  eminente tragédia de entregar o campeonato ao Porto!


Perder seis dos 7 pontos de vantagem em apenas dois jogos é simplesmente inacreditável.


A arbitragem foi o costume. Cumpriu a regra: na dúvida sempre contra o Benfica. Mesmo que, verdadeiramente grave e com impacto directo no jogo, "apenas" haja que registar, os 23 minutos,  o cartão vermelho por mostrar a um defesa do Braga por "ceifar" Rafa num ataque prometedor. Mas, como se costuma dizer, não foi pelo árbitro...


 


 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

É aqui que estamos...


Na passada terça-feira o Benfica assegurou a presença na final da Taça de Portugal, a disputar daqui a cerca de três meses e meio, empatando a um golo em Famalicão, depois de ter ganho na Luz, por 3-2.


A estrutura de comunicação do Porto veio de imediato a público proclamar que essa final, daqui a mais de três meses, estava ferida de morte. Que o Benfica  só ia disputar a final porque o terceiro golo que marcara na Luz, no último minuto do jogo, fora obtido por um jogador (força Gabriel, recupera rápido) que, na "isenta e infalível" opinião da comunicação portista, deveria  ter sido expulso algures durante a partida.


No dia seguinte, na quarta-feira, o Porto apurar-se-ia também para a final vencendo por 3-0 o Académico de Viseu, depois de ter empatado em Viseu a um golo. Para isso, marcou o primeiro golo, que desbloqueou bem cedo o jogo, através de um penalti erradamente assinalado pelo árbitro e validado pelo VAR. E o segundo, já a segunda parte ia adiantada através de um fora de jogo de metros.


Este lance começa num canto cobrado pelo Alex Telles, que leva a bola a sobrar para o Nakajima que, com a intenção clara de rematar à baliza, a chuta para a linha lateral. A câmara acompanhou a trajectória da bola e, quando se esperava que ela saísse pela linha lateral, surpreendentemente, vimo-la parar nos pés do marcador do canto, que depois a cruzou para o Zé Luís marcar.


Toda a gente ficou à espera do fora de jogo, era impossível que o Alex Telles, que acabara de marcar o canto, não estivesse adiantado. O árbitro assistente, com tudo a passar-se nas suas barbas, nada assinalou. Esperou-se minuto e meio pela decisão do VAR, e o árbitro acabou a validar o golo. A Sport TV transmitiu apenas uma repetição, mas com a câmara fechada, nunca mostrando a posição do Alex Telles. E as famosas linhas do VAR nunca apareceram.


Hoje foram finalmente reveladas as imagens do lance que não deixam qualquer dúvida sobre o fora de jogo. E perante essas imagens começa a circular a notícia que o VAR não teve acesso a elas, e que teria na altura comunicado ao árbitro que não tinha recebido imagens do lance.


Não, isto não é ironia do destino. Isto é o ponto a que se chegou. Com um árbitro assistente, no jogo de Famalicão, a festejar o golo do empate dos famalicences. Com outro árbitro assistente a não ver um fora de jogo de metros à sua frente. Com o VAR a dizer que não tem imagens. E com a Sport TV a esconder um lance que escandalosamente beneficiava o Porto.


E não se pense que isto aconteceu apenas na quarta-feira passada, no Porto. Não. Isto é o que acontece sucessivamente na Sport TV!


Ficamos à espera do que é que a Federação Portuguesa de Futebol tem a dizer sobre isto. Mas também tínhamos ficado à espera do castigo para o Pepe, e aqui estamos... 


 


 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Referendo *

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Um ano depois de terem chegado à Assembleia da República as propostas dos partidos, e com a discussão e votação marcada para a próxima quinta-feira, a eutanásia regressou ao debate público, agora na versão de batalha política que visa substituir a decisão do Parlamento por uma decisão em referendo.


A Igreja foi quem primeiro saiu a terreiro, tratando de lançar uma petição para a realização do referendo. E avisou que irá começar em campanha já a partir de amanhã, lançada em simultâneo em todos os púlpitos de todas as missas que se realizarem neste país. Depois, nos últimos dias, surgiram Passos Coelho e Cavaco Silva, que dispensam apresentação. No xadrez partidário as posições estão também definidas: Chega, CDS e PCP pelo referendo, todos os restantes contra. 


A posição de cada um perante a eutanásia é uma questão de consciência, formada por um conjunto de factores de natureza cultural, educacional ou outros que decorram de vivências e experiências de vida, em contexto familiar, profissional ou qualquer outro. As posições de consciência de cada um servem para lhe determinar o seu comportamento individual na sociedade que integra, na sua relação com os outros. Servem-lhe para, no exercício dos seus direitos individuais e da sua liberdade pessoal, decidir em cada encruzilhada. Não podem ser objecto de lei, e consequentemente de referendo. Questões de consciência não são referendáveis!


Aos nossos representantes políticos cabe a responsabilidade de tomar decisões políticas. Têm a obrigação de as fundamentar, de as implementar, de sustentar a sua operacionalidade e de velar pela sua aplicação. Aos cidadãos, a cada um de nós, cabe respeitar a lei e a sua própria consciência. E para isso não faltam instrumentos, a começar no estatuto de objecção de consciência. A ninguém, seja de que forma for, poderá ser exigido que faça o que quer que seja nesta matéria contra as suas convicções mais profundas. Mas também ninguém deverá impedir ninguém de o fazer no natural respeito pela lei.


É assim que deve ser em sociedades democráticas e tolerantes.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Covid-19

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O coronavírus ganhou nome oficial, o que não deixa de ser sintomático. Ganhou importância e chama-se agora Covid-19. Mas não ganhou apenas nome, ganhou a dinâmica das pandemias e a dimensão assustadora de números que crescem diariamente em progressão geométrica, refiram-se a novos casos de infecção ou a mortes.


Ganha força a cada dia que passa que o vírus não se deixa apanhar. É enganador e difícil de detectar em fase inicial, dizem os especialistas. 


E os efeitos não param: cancelam-se feiras e grandes eventos internacionais, cancelam-se voos, suspendem-se correios, reforça-se o isolamento e esvai-se qualquer capital de confiança na China. É a maior ameaça à globalização desde que ela se começou a construir, há trinta anos, e o maior revés nas aspirações chinesas de se tornar na maior potência global do planeta. E é a porta aberta para uma nova crise mundial, porventura bem maior que a do subprime, há uma dúzia de anos.


E em Washington ... há Trump ... 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A gorjeta

Jornal i


 


Isabel dos Santos levantou-se, foi-se embora e deixou uns trocos de gorjeta. As autoridades judiciais portuguesas atiraram-se a essas migalhas que nem gatos a bofes, feito com que os jornais enchem as primeiras páginas e as televisões abrem telejornais. 


É que nem reparam que enquanto estão dar este espectáculo estão noticiar que Isabel dos Santos fechou a venda do Eurobic ao galegos da Abanca, e que a EFACEC está a caminho.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

No Jamor! Mas sem brilho...


O Benfica está na final da Taça de Portugal, a disputar no Jamor a 24 de Maio. Mas foi sem brilho que lá chegou.


No jogo desta noite, em Famalicão, o Benfica durou meia hora. Nesse período disputou o jogo, mesmo que rematasse pouco, marcou o golo, por Pizzi, e procurou o segundo, que valia por dois. Porque alargaria a vantagem mas, acima de tudo, porque anularia a vantagem - real - dos dois golos que o Famalicão marcara na Luz. 


Só que essa procura do segundo golo esfumou-se em cinco minutos. O Benfica marcara aos 25 minutos, e à meia hora de jogo voltou ao registo das últimas partidas. A partir daí os jogadores do Benfica pensaram sempre mal, decidiram sempre mal e executaram quase sempre mal enquanto, do outro lado, vimos jogadores sempre mais intensos, mais agressivos e mais decididos.


De tal modo que o Famalicão poderia ter empatado o jogo ainda na primeira parte. Só não o fez porque o Odysseas mostrou que é hoje o único jogador do Benfica em forma. E porque o VAR anulou um golo com três irregularidades (falta sobre Rúben Dias, carga sobre Odysseas e fora de jogo), sem que o árbitro Jorge de Sousa desse por uma, que fosse.


Na segunda parte tudo piorou ainda. Não se pode dizer que foi um Benfica irreconhecível, porque infelizmente é este Benfica que estamos a ver vezes de mais. Bruno Lage pode dispensar a ala direita, porque os adversários só querem saber do lado esquerdo, onde Ferro, sobre brasas, decidamente não atina e Grimaldo deu em coleccionador de "cuecas". Já começa a ter uma boa colecção lá em casa!


O Famalicão acabou por chegar merecidamente ao empate, faltava mais de um quarto de hora para o fim do jogo, e ficava apenas a um golo de vencer a eliminatória. E o Benfica foi empurrado lá para trás, de onde raramente conseguiu sair porque - lá está! - pensava mal, decidia pior e executava ainda pior. Com todo o espaço que o balanceamento ofensivo do adversário permitia, não conseguiu mais que uma oportunidade de golo, desperdiçada por Seferovic, que entrara já em cima do minuto 90.


As coisas não estão muito animadoras. Essa é que é essa!


 

Entretanto, na Irlanda...

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Surpreendendo toda a gente, e até a eles próprios, o Sinn Féin ("nós próprios" na tradução do irlandês) chegou a ser dado como vencedor das eleições do passado fim de semana na República. No fim, contas finais e oficiais, ficou com 37 dos 160 lugares do Parlamento, menos 1 que o Fianna Fáil (Soldados do Destino, centro-direita), e mais 2 que o Fine Gael (Família Irlandesa, liberal), do primeiro-ministro Varadkar.


O Sinn Féin é um dos movimentos políticos mais antigos da Irlanda. Vem do início do século passado, e é, por isso, comum às duas Irlandas. Foi o braço político do IRA, o famoso Exército Republicano Irlandês dos atentados terroristas da segunda metade do século XX, e que, de um lado e do outro da fronteira que fez de Theresa May a primeira víitma do brexit, pugna pela unificação irlandesa. E é de esquerda, centro-esquerda, mais precisamente.


Temos dos irlandeses a ideia de excessivamente conservadores e fortemente condicionados pela religião católica. Liberais na economia e no funcionamento do Estado, e profundamente conservadores nos valores, mesmo que o primeiro-ministro ainda em funções, que perdeu as eleições, seja de origem imigrante (também de origem indiana) e homossexual. Daí que a duplicação do resultado eleitoral do Sinn Féin tenha surpreendido toda a gente. Incluindo eles próprios, que apenas tinham concorrido em alguns círculos eleitorais. Se tivessem apresentado candidaturas em todo o país, e projectando os resultados obtidos onde se apresentaram a votos, teriam alcançado condições para governar sozinhos.


Há quem diga que nada disto tem a ver com o brexit. Pode não ter, mas se não tiver a bota não joga com a perdigota. E a verdade é que vai lá dar... Se a um novo referendo sobre a independência da Escócia se juntar o espectro da reunificação política da ilha sob a bandeira da República, isso é brexit


 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Surpresa nos Óscares

O filme "Parasita" foi consagrado com o Óscar de Melhor Filme.


 


A grande noite já lá vai, e aí estão os óscares entregues. Com a surpresa de não ser americano, nem sequer falado em inglês, o filme mais galardoado e que arrecadou as mais significativas das marcantes estatuetas da Academia de Hollywood.


Parasitas, o filme sul-coreano, conquistou quatro óscares: o de melhor filme estrangeiro, com toda a naturalidade e, com toda a surpresa, os três mais importantes: melhor filme, melhor director, e melhor roteiro original.


Surpresa foi o que não aconteceu no destino final das estatuetas reservadas para os actores: Joaquim Phoenix (Joker) e Brad Pitt (Era uma vez em... Hollywood) ficaram com os de melhores actores, principal e secundário, respectivamente; e Renée Zellweger (Judy) e Laura Dern (Marriage Story), pela mesma ordem, os de melhores actrizes.


Para o ano há mais...


 

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Um clássico dentro do clássico


A expectativa dos benfiquistas em alargar a extraordinária série de vitórias no campeonato, e a ainda mais extraordinária sequência de vitórias fora de casa, e consequentemente a vantagem pontual na tabela classificativa, que praticamente garantiria o título, esbatia-se na degradação do nível exibicional da equipa que se vinha constatando desde o início deste ano, depois da paragem de Dezembro. Mas esbatia-se, acima de tudo, na sequência de golos sofridos nos úlltimos jogos. E esfumou-se na constituição da equipa, sem Cervi, hoje por hoje indispensável no equilíbrio defensivo da ala esquerda.


Por isso o Benfica nunca esteve perto de responder afirmativamente a essa expectativa. Mas poderia não ter perdido este clássico, e pelo menos ter saído hoje do Dragão com a mesma confortável vantagem dos sete pontos com que entrara.


Mas não aconteceu assim e o Benfica perdeu o jogo. Perdeu porque está longe do seu melhor. Porque quase todos os jogadores estão muito abaixo da forma técnica que evidenciavam há mês e meio. Porque, mantendo-se os problemas de organização defensiva, em particular no lado esquerdo, Bruno Lage prescindira de Cervi, que é uma espécie de paracetamol para esse problema. E porque não conseguiu igualar a agressividade competitiva do adversário, perdendo praticamente todas as bolas divididas, quase todos os ressaltos e quase sempre as segundas bolas. 


Mas o jogo não se pode resumir nestas justificações. Tudo isso se passou e influenciou o resultado final, mas o jogo teve mais que contar.


Até pareceu que o Benfica entrou bem no jogo, trocando a bola e fazendo-a circular com rigor e competência. Só que isso durou três ou quatro minutos, e depois a equipa permitiu que o Porto agarrasse o jogo, e chegasse ao golo logo aos 10 minutos. Um golo feliz, já que o remate de Sérgio Oliveira saiu nas orelhas da bola e tornou-se indefensável para Vlachodimos.


O Benfica reagiu bem ao golo, voltou para cima do jogo e oito minutos depois chegou ao empate, por Vinícius, depois de uma excelente jogada de futebol, que teve pelo meio um grande remate de cabeça de Chiquinho e uma grande defesa de Marchesin. Antes, o mesmo Chiquinho já tinha desperdiçado outra oportunidade, que fizera lembrar as circunstâncias do golo do Porto. A diferença foi que a bola espirrou em Pepe, e desviou para as mãos do guarda-redes.


Chegado tão rapidamente ao empate, o  Benfica voltou a entregar o jogo ao Porto. Que voltou a ser feliz, fazendo dois golos em cinco minutos, mesmo no final da primeira parte. Primeiro, o segundo, num penalti de "bola na mão" de Ferro, quando o penalti é para penalizar a "mão na bola". E logo a seguir, o terceiro, num auto-golo de Rúben Dias, em que a bola até nem iria para a baliza se não fosse a infeliz intervenção de Vlachodimos.


Sim, faltou sorte ao Benfica nos três golos sofridos. Mesmo que se possa admitir que o Porto tenha feito por merecer a que lhe calhou.


O Benfica voltou a entrar bem na segunda parte, e a mandar no jogo. Cinco minutos bastaram para Vinícius marcar o segundo, e relançar a discussão do resultado, com mais de 40 minutos para jogar. Mas, mesmo que sempre melhor que na maioria da segunda parte, a equipa não conseguiu prolongar a qualidade desses cinco minutos iniciais.


Provavelmente porque Bruno Lage não terá tomado as melhores decisões nas substituições que foi obrigado a efectuar. E aqui terá que se falar de Soares Dias - um clássico dentro do clássico - o mais habilidoso dos árbitros habilidosos. Tão habilidoso que deixa sempre a ideia que arbitra bem quando, no fundo, influencia o jogo como quer. Hoje, para além do penalti - que não é pouco - foi com faltas e amarelos: um incrível amarelo a Taarabt (que, pela mão de Marega, sem falta nem amarelo, já tinha deixado uns dentes no relvado), a meio da primeira parte, repartido com Octávio, numa daquelas confusões em que o portista é especialista; outro logo a seguir a Weigl, com livre perigoso, numa circunstância em que nem sequer tocou no adversário (Corona mandou-se para o chão), outro para o Ferro, na "bola na mão" do penalti, e ainda outro a Vlachodimos sem que ninguém pecebesse por quê.


A partir daí, para além do condicionamento desses jogadores, centrais na cobertura defensiva, a pressão dos jogadores portistas e do público sobre qualquer falta, ou esboço disso, daqueles jogadores do Benfica foi em crescendo. Quando, por exemplo, Soares, já com amarelo, "mata" um slalom do Rafa, a sair para o ataque, com uma entrada às pernas do 27 sem dó nem piedade. E sem amarelo, o segundo.


Por isso as primeiras duas substituições de Bruno teriam obrigatoriamente que passar pelas saídas precisamente do marroquino e do alemão. Se a de Weigl, por Samaris, não mexeu na estrutura, a de Taarabt, por Seferovic, obrigou Chiquinho a baixar e desiquilibrou claramente a equipa.


Por último, com a lesão de André Almeida, num lace duvidoso dentro da área portista com Alex Telles, Bruno Lage decidiu trocá-lo pelo estreante Diego Souza, deixando a equipa com três pontas de lança ... e totalmente perdida em campo para o ataque final ao empate.


Assim, não!


E agora a liderança está presa por quatro pontos. Apenas dois empates. De que ninguém está livre nos catorze jogos que agora faltam. E o próximo é já com o Braga, de Rúben Amorim, com um futebol que parece geminado com o do Benfica. O do melhor. Escassos dias depois do de Famalicão, onde a equipa vai ter que dar tudo se quiser chegar à final do Jamor. Não é a mesma coisa que receber em casa o Académico de Viseu, até porque os famalicenses pouparam hoje todos os seus titulares, não se importando nada de ser  goleados (7-0) em casa pelo Vitória de Guimarães. 


 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Equívocos*

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O Juiz Carlos Alexandre queria ouvir, pessoalmente e ao vivo, o primeiro-ministro como testemunha no âmbito da instrução do Processo Tancos. Contrariado, teve de lhe colocar as questões por escrito, e aguardar pela mesma forma as respostas, o que acabou de acontecer. 


 E de deixar o juiz muito incomodado, porque o primeiro-ministro publicou no portal do governo as respostas que lhe deu às 100 perguntas que ele colocara … nos jornais. E quer, por isso, que o Ministério Público acuse António Costa do crime de violação do segredo de justiça.   


O Juiz Carlos Alexandre é muito dado a estas coisas, e é se calhar por isso que toca tão fundo no mais profundo do coração das almas do populismo. As perguntas não estão sujeitas a segredo de justiça. Só as respostas... Fazer chegar aos jornais - sempre aos mesmos de sempre, e sempre sem qualquer transparência - as perguntas que fez ao primeiro-ministro, não viola o segredo de justiça. Publicar as respostas, dadas na qualidade de primeiro-ministro, num órgão oficial do governo da República, já viola o segredo de justiça e impõe procedimento criminal.


E, pelo menos a avaliar pela lixeira tribalista das redes sociais, há quem ache que é isto que deve ser a Justiça. Não é. E não é por acaso que os que fazem do populismo bandeira, e os que, por todos os meios, se encarregam de minar a democracia e afrontar os princípios do Estado de Direito, se colam a estas posições e até exactamente a esta figura. É que o princípio de tudo está em tratar de maneira igual o que é igual, princípio que protege e garante a igualdade dos cidadãos perante a lei. Romper com isto, mesmo que pretendendo dar uma ideia de equilíbrio justiceiro pelo desfavorecimento dos mais fortes, mesmo que não se perceba onde proteja os mais fracos, é simplesmente abrir o caminho para a arbitrariedade e para a selva. Onde, depois, tarde de mais, se acabará por ver quem é quem!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Emoção e suspense no Parlamento

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A longa maratona de discussão e aprovação do Orçamento na Assembleia da República, que hoje chega ao fim,  tem sido digna de uma longa metragem de forte carga dramática, com voltas e reviravoltas, emoção e suspense... As últimas cenas estão ainda a ser montadas pela realização e, embora saibamos que nada vai acontecer, estamos ainda na fase em que tudo pode acontecer.


Se isto é assim no primeiro orçamento da legislatura como será no próximo? E no seguinte, se lá chegar?


O PS apostou nesta fórmula. Sem maioria, mas com a arrogância dos vencedores - coisa que não acontecera na anterior legislatura - optou por não querer negociar nada com ninguém e seguir em frente, sozinho. Agora, sujeita-se... 


Não tem por onde estranhar. Nem por onde reclamar contra coligações negativas. É simplesmente assim em todas as democracias parlamentares: quem não tem maioria não pode comportar-se como se a tivesse.


Claro que o PS não joga às escuras. Conhece profundamente o jogo, conhece todas as manhas e blufs que lhe pode aplicar. Primeiro, sabia que a alternativa de direita, dizimada nas eleições, iria entrar em convulsão interna. Agora, sabe que, com o Chega em crescimento acelerado, a última coisa que PSD e CDS quererão é uma crise política no país e eleições antecipadas. E acredita que, à esquerda, as memórias de 1987 e do suicídio do PRD impressionem ainda muita gente.


Por isso continuará a apostar nesta fórmula de fio da navalha, confiando que ninguém se distraia e cometa uma imprudência qualquer, garantindo ainda mais emoção e suspense para as sagas das próximas temporadas.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Imposto(re)s

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Vivemos dias ricos na política portuguesa.


Estamos em Fevereiro e debate-se ainda o Orçamento para 2020, que irá entrar em vigor mais perto do meio do ano do que de qualquer outra coisa.  O presidente fala em alterar a legislação para que as eleições se realizem em Maio ou Junho, e para que o país tenha em todos os anos o seu orçamento em tempo oportuno, e não apenas em três de cada quatro anos.


Em plena recta final do debate parlamentar do Orçamento para 2020, pela boca de alguém que ninguém conhece - o Secretário  de Estado António Mendonça Mendes - o governo, que recusa baixar qualquer imposto que seja, e acabadinho de sair da guerra do IVA da electricidade, vem dizer que para o ano é que é. Que, para o ano, vem aí uma descida de impostos como nunca se viu. Uma enorme descida nos impostos, certamente!


Ainda em ambiente de debate parlamentar do Orçamento, o PSD fez aprovar, com abstenção do PCP e voto contra do PS, uma disposição que obriga o governo a levar a aprovação do Parlamento qualquer nova injecção de capital no Novo Banco que ultrapasse os 850 milhões de euros. Acontece que, pelas normas gerais da execução orçamental, todas as despesas que ultrapassem o orçamentado terão que ser autorizadas pela AR. E acontece que, para o efeito, no Orçamento está uma verba de 600 milhões de euros. Está bonito!


No CDS, Abel Matos  Santos foi finalmente demitido (eufemismo: demitiu-se) da direcção para onde acabara de entrar. Nunca tão pouco foi tanto tempo. Antes de passar o partido para o campo do Chega esta nova rapaziada do CDS terá que abdicar dos seus princípios fundadores e romper com a matriz da democracia cristã. Não vale tudo! 


Entretanto, ontem, em mais um exemplo de dignificação da democracia e de seriedade política, André Ventura não pôs os pés na Assembleia da República, e faltou às votações de aprovação do Orçamento na especialidade, incluindo às das alterações propostas por si próprio na qualidade de deputado único do seu partido. 


É assim: começa-se a falar de impostos e acaba-se a falar de impostores!


 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Electrizante (não) rima com preocupante

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Ao contrário do que se poderia admitir o Benfica está ainda bem longe da final do Jamor, onde não chega há tempo de mais. Depois do que se viu hoje na Luz, não está nada fácil lá chegar.


Ter-se-á que dizer que o que se viu hoje na Luz foi um grande jogo de futebol. Mas não se viu apenas um bom jogo, viu-se muito mais. Viu-se que o Famalicão é uma boa equipa, com bons jogadores, bem trabalhados e muito bem orientados. Já se sabia que assim era, o campeonato tem-no mostrado. Viu-se que o Benfica está a perder consistência, especialmente nas tarefas defensivas, e que são muitos os jogadores que estão bem longe dos seus melhores momentos. Apetece dizer que são todos, e que Taarabt apenas serve para a excepção que confirma a regra.


O Benfica até entrou bem no jogo, a pressionar alto e a condicionar fortemente a ambição deste sensacional Famalicão. Sabe-se que nehuma equipa consegue pressionar alto durante todo o jogo, e por isso as equipas perseguem essa estratégia de jogo para o resolver o mais depressa possível. Para que já esteja resolvido quando não for possível prosseguir com essa atitude pressionante, e geri-lo a partir daí.


Acontece que a pressão do Benfica se esgotou num quarto de hora. Antes de o resolver mas pior: antes mesmo de sequer construir situações que o permitissem começar a resolver.


Passado o primeiro quarto de hora o Famalicão equilibrou o jogo, e chegou mesmo a colocar-se por cima. E foi nesse registo que se atingiu o intervalo.


À entrada para a segunda parte o Benfica voltou a dar a ideia que iria dominar o jogo e começar então a resolvê-lo. Cedo chegou ao golo, ainda dentro dos primeiros dez minutos, e pensou-se que o mais difícil estaria feito.


Puro engano. Menos de outro tanto tempo depois, a fechar o primeiro quarto de hora, o Famalicão empatou, numa boa jogada de contra-ataque idêntica a umas tantas que havia desenhado na primeira parte, e mais umas tantas que haveria de assinar depois. Sempre a aproveitar aquela meia esquerda defensiva do Benfica, onde então estava Ferro, entrado ao intervalo para o lugar de Jardel, que entrara de início. 


O segundo do Famalicão, exactamente no mesmo registo e com os mesmos protagonistas, demorou apenas mais 13 minutos. E o terceiro só não aconteceu porque Vlachodimos o impediu de forma soberba. Teria sido o bom e o bonito se Bruno Lage tivesse insistido em prescindir do seu único verdadeiro guarda-redes, como fizera até aqui.


Bruno Lage teve de esgotar as substituições para fazer entrar os pesos-pesados Rafa e Vinícius, retirando Cervi e Chiquinho, e valeu que o golo do novo empate demorou apenas 5 minutos. Até porque, com a saída  de Cervi, a manta ficara curta, nunca dando para tapar o que Grimaldo e Ferro destapavam.  


No fim, mesmo na última jogada do encontro, no último canto, Gabriel - também ele muito longe do seu melhor - fechou a reviravolta final. E uma vitória que o Benfica poderá ter merecido, mesmo que o Famalicão não tivesse merecido perder.


No próximo sábado é outra coisa. E ninguém irá dar pelas marcas do desgaste que este jogo deixou no corpo e na cabeça dos jogadores do Benfica! 

Em cena: IVA da electricidade

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Parece que caiu finalmente o pano sobre a encenação do IVA na electricidade. Com a dramatização,  Costa & Centeno ganharam a opinião publicada, o PSD vacilou e tudo acaba em bem. Para o governo. Para António Costa, como sempre. Por enquanto ... Nem sempre assim haverá de ser...


Se calhar nem faltará muito para que assim deixe de ser. 


Na oposição, em 2013, em tempos de troika, o PS propunha a descida da taxa do IVA da electricidade para os 13%, coisa que António Costa e o seu governo considera agora, em tempos de excedente orçamental, desastroso e motivo de autêntico colapso nas finanças públicas. Chegado ao governo, em 2015, dois anos depois, António Costa esqueceu-se do IVA da electricidade e lembrou-se do da restauração. E logo no primeiro orçamento opta por transferir a redução a taxa do IVA de 23 para 13% da electricidade para os restaurantes, numa escolha nunca explicada. Porque inexplicável!


Os preços praticados nos restaurantes nunca reflectiram essa redução fiscal, e a medida limitou-se a confortar a margem do negócio da restauração com cerca de 400 milhões de euros por ano. 


Na dramatização que encenou a meias com Centeno, António Costa esqueceu-se disto. E ao esquecer-se disto esqueceu-se até que poderia propor a troca da descida da taxa na electricidade pela subida na da restauração. Esqueceu-se que nós sabemos que governar é fazer opções e esqueceu-se que começamos a perceber que as dele são sempre as mesmas. Que escolhe sempre para o mesmo lado. Ou sempre contra o mesmo lado... 


E é o ambiente. Claro. António Costa decide o aeroporto no Montijo, mas baixar o IVA na electricidade é que faz mal ao ambiente... Um dia destes vai reparar que  as coisas começam a deixar de lhe correr sempre assim tão bem!


 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Uma predestinada

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Poderíamos ter a ideia que a escolha da cabeça de lista do Livre por Lisboa para as legislativas de Outubro passado não teria sido a coisa mais acertada. Mas não. Mesmo que "presunção e água benta cada um tome a que quer", a agora "deputada não inscrita" nasceu para aquilo.


Nasceu para estar na Assembleia da República: "Que ninguém me diga que eu não estou onde devia estar. Eu nasci para estar ali [Parlamento]. Eu vou continuar ali. Eu não me imagino em mais sítio nenhum hoje"!


E por isso prometeu não sair enquanto a sua gaguez não desaparecer da Assembleia, inaugurando um novo conceito de mandato, e quiçá de legislatura.


Uma predestinada, esta Joacine!


 


 


 

domingo, 2 de fevereiro de 2020

Sem (se) entender (com) o jogo

Análise: Lage apostou em Taarabt, o marroquino brilhou, mas o Benfica ainda se assustou


Foi um jogo estranho e muito complicado, este que Benfica e Belenenses SAD disputaram na Luz nesta sexta-feira. A equipa de Petit surpreendeu com uma atitude descomplexada e cheia de atrevimento.


Esteve por cima em muitas fases do jogo. Foi claramente assim na primeria metade da primeira parte, e muito assim em quase toda a segunda parte. Pelo meio houve a noite de Taarabt e três excelentes golos, todos os do Benfica, em três jogadas verdadeiramente espectaculares. Nos dois primeiros, inteirinhas do marroquino que Bruno Lage ressuscitou. No último, mais colectiva: com um passe notável do Rúben Dias, seguida de um toque de calcanhar fabuloso de Vinícius, e concluída com desmarcação e finalização irrepreensível do recém entrado Chiquinho.


Ficou a ideia que o Benfica nunca entendeu o jogo nem nunca se entendeu com o jogo. Foi um jogo com muitos espaços, nunca o Benfica teve um jogo com tanto espaço. E quando há espaço, as equipas com os melhores jogadores encontram o seu paraíso num jogo de futebol. À excepção das jogadas dos golos, o Benfica nunca soube aproveitar os espaços que o jogo lhe concedia. Parecia que desconfiava disso. Talvez por a equipa não estar habituada a isso, fazia lembrar aquele jargão popular: quando a esmola é grande, o pobre desconfia!


E não entendeu claramente aquele jogo.


Mas também não se entendeu com ele. Depois de chegar com alguma facilidade ao 2-0 (muito mais facilidade que no jogo do ano passado, cujo fantasma pairou tanto tempo na Luz) o Benfica veio para a segunda parte como se nada do que acontecera na primeira metade do período inicial tivesse realmente acontecido. E permitiu que a equipa de Petit se mantivesse viva no jogo, a engordar o fantasma da última época, que levou os únicos dois pontos que Bruno Lage deixou fugir.


E nem vale a pena invocar a mentira do penalti que deu o segundo golo ao adversário. Que o árbitro Hugo  Almeida se tenha equivocado, poderá ter que se aceitar. Mesmo que sejam equívocos a mais, pois também já se tinha equivocado num livre perigoso contra o Benfica, com amarelo e tudo para o Pizzi, que nem na sombra no velho e sabido Varela tocara. Rui Oliveira, o VAR, é que não tem desculpa: o único contacto de Rafa com o mesmo Varela, num esboço de tentativa de o agarrar, acontece bem fora da área. Dentro da área apenas acontece que o velho e sabido Varela se manda para o chão!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...