
Mais de 60 mil na Luz, numa segunda-feira de chuva copiosa, agravada por mais um balde de água fria. Gelada!
Com Otamendi e Rios de fora, pelos castigos de Famalicão, Mourinho tentou manter tudo igual com a chamada ao onze do Tomás e do Rafa. Para as suas posições, um na defesa e o outro atrás do ponta de lança, de novo Ivanovic. Barreiro, que vinha ocupando a posição do Rafa, recuou para o lado de Aursnes, onda não estava Rios. E a equipa entrou bem, muito bem até.
Logo aos 25 segundos valeu o corte de Gabri Martínez a roubar o golo a Prestianni, no primeiro acorde de Schjelderup. Aos 3 minutos Ivanovic marcou mesmo. Mas começou a festança. O golo foi anulado por fora de jogo. De 4 centímetros. Que não convenceram ninguém. Vendo as imagens ... não me lixem, ali houve mão ... no frame!
O Braga estava atordoado, foi às cordas, cambaleou, mas reagiu. E rapidamente o jogo passou a ser uma coisa que o Braga tentava adormecer, e Schjelderup acordar. Sim, só Schjelderup fazia tudo para não deixar adormecer o jogo.
A primeira parte acabaria por se resumir a um jogo que o Braga procurava adormecer e o Schjelderup espevitar. O Braga, procurando manter a bola e queimar o máximo de tempo possível. Schjelderup procurando romper com ela pela área adversária dentro, contornando quem lhe aparecesse pela frente, até a entregar para alguém falhar na cara do golo, ou alguém sobrar para a impedir de chegar à baliza. Desse despique resultou um jogo com poucas faltas (5 assinaladas ao Braga, e duas ao Benfica, uma das quais apenas para que o João Pinheiro pudesse impedir uma perigosa jogada de ataque, porque foi limpo o corte do Tomás que ia isolar o Prestianni), com mais bola para o Benfica, mais remates e ... quatro oportunidades de golo. Para o Braga só bola - nem um remate à baliza e, naturalmente, nem um cheiro sequer a golo.
Com o Benfica a reclamar penálti - bola na mão do Gabri Martinez, mas só porque contra o Casa Pia, o tal Gustavo Correia assinalou uma igualzinha ao António Silva - acabava a primeira parte.
A segunda iniciar-se-ia com o golo de Rafa - celebrado à moda de Pizi, que anunciou o fim da carreira para o próximo jogo, na Amoreira, precisamente com o Benfica - logo na bola de saída. Pelo que se vira na primeira, este golo madrugador só poderia embalar o Benfica para uma exibição segura e autoritária. Não passava outra ideia pelas bancadas.
Nada disso. Na resposta ao golo, no primeiro remate à baliza, o Braga repôs o empate e deixou tudo na mesma. O Benfica melhorou. Schjelderup continuava endiabrado, mas já não ia sozinho. Os remates aumentaram de ritmo. E as oportunidades de golo sucediam-se.
Esgotado o primeiro quarto de hora, Mourinho trocou Ivanovic por Pavlidis. No banco, por andar de voltas trocadas com o golo, bastaram-lhe dois minutos para marcar. Mais uma brilhante jogada do Schjelderup, a servir-lhe o golo de bandeja. Festa no relvado e nas bancadas.
Por pouco tempo. Sem que ninguém percebesse o que se estava a passar, do VAR (o conhecido Luís Ferreira; o quarto árbitro era o conhecidíssimo Fábio Melo, tudo gente escolhida a dedo) vem a ordem de anulação do golo. Diz - o que parece que ainda ninguém conseguiu confirmar - que Schjelderup cruzou a bola depois de ter saído pela linha final. Totalmente, como mandam as regras.
E tudo voltava ao mesmo, com o Braga, sempre que podia, a procurar esconder a bola. E com o (excelente) guarda-redes Horniceck a continuar a queimar tempo.
José Mourinho tirou Leandro Barreiro para apostar em Lukebakio. Correu o risco de descompor o meio campo, mas a hora era de aperto. E lá voltou João Pinheiro a ser protagonista. Faltavam pouco mais de 10 minutos para o jogo acabar quando, para não marcar o penálti por derrube de Dorgeles a Pavlidis, assinalou uma falta, que não existiu, de Prestianni sobre Lagerbielke.
Depois de mais três oportunidade de golo (duas de Pavlidis e outra de António Silva) em pouco mais de 5 minutos, a dois dos 90, quando era suposto o Benfica estar com tudo em cima da área adversária, é o Braga que troca a bola junto à outra área. De repente Gorby enche o pé e, do meio da rua, marca um grande golo - o segundo, ao segundo remate.
Já das bancadas a esvaziarem saíam assobios e gritos de demissão para Rui Costa quando, aos dois dos seis minutos de compensação, Schjelderup caiu, pisado, na área. João Pinheiro foi chamado pelo VAR e lá assinalou a grande penalidade. Com que Pavlidis resgatou o empate.
O segundo consecutivo, que entrega a presença da Champions ao Sporting. Que ganhou em Vila do Conde, onde começou a perder, empatou com mais um penálti manhoso, passou para a frente com um auto-golo de "apanhados" e, já contra nove, marcou mais dois golos.
Não há dúvida que a história destes dois últimos jogos, que decidiram o assunto Champions, é a história dos últimos campeonatos. Imagino como estas histórias entram na cabeça dos jogadores. E não gosto nada do "põem-se a jeito", seja no que for. Mas nenhuma equipa do Benfica pode reagir à inferioridade numérica como aconteceu há uma semana em Famalicão. Nem, a precisar absolutamente de ganhar, como neste jogo de hoje, a dois minutos do fim pode permitir outra situação de jogo que não seja a de asfixiar o adversário em cima da sua baliza.