quinta-feira, 14 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Passos Coelho telefonou para a Comissão Europeia, a pedir-lhe que não aplique sanções ao país por défice excessivo. Maria Luís Albuquerque escreveu-lhe uma carta... Assunção Cristas não telefonou nem escreveu. Diz que o governo tudo em mãos tudo o que necessita para levar Bruxelas a declarar que o défice é inferior a 3%...

É a popular - já passou Passos em popularidade - líder centrista a fazer aquele número de circo que anunciado sob o rufar dos tambores como "mais difícil ainda": "minhas senhoras e meus senhores, meninas e meninos, e agora, pela primeira vez, nunca antes visto, Assunção Cristas, mais difícil ainda, num arrojado e inédito número, passa a ferro de uma só vez Passos e Albuquerque..."

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Na minha crónica de hoje na Cister FM, que a seguir  repoduzo, retomo o TTIP.

"... Trata-se de um acordo de comércio livre, que anda a ser negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos há perto de três anos e que visa criar a maior zona de comércio livre deste lado do mundo, a que chamamos Ocidente. Com inequívocos benefícios de centenas de milhares de milhões de euros para as economias da União Europeia, dos Estados Unidos da América, e até para o resto do mundo, dizem os seus defensores.

Nada disso, diz quem se lhe opõe: este acordo tem apenas por objecto eliminar o papel do Estado, seja na prestação de serviços públicos básicos, seja na regulação. Tem por objectivo maximizar as trocas entre a União Europeia e os Estados Unidos e reduzir tudo o que lhes possa constituir obstáculo.  

Curiosamente, se procurarmos na Wikipedia, a primeira frase que encontramos para definir este acordo é esta: “O tratado visa impedir a interferência dos Estados entre os países aderentes…” Sabendo da tendência simplificadora de todas as enciclopédias, não deixa de ser curioso que esta que agora temos tão à mão, à simples distância de um clique, comece exactamente por aí: o traço de maior identidade do TTIP é justamente o da eliminação do Estado como obstáculo aos negócios.

Não menos curioso será reparar como, para os seus defensores, todos ganham. E muito. E tanto… “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia” – diz-se por cá…

O secretismo que tem envolvido as negociações do acordo é outro dos pontos de clivagem entre quem o defende e quem o denuncia. Dizem os seus defensores que é raro – praticamente impossível – haver transparência na discussão de acordos de comércio. Pelo contrário, o padrão é o sigilo. Torna-se complicado garantir os interesses específicos das partes quando todas as posições são do conhecimento público.

É verdade que sim. E é por isso que política é uma coisa, e negócios são outra. O mal está quando os negócios querem tomar conta da política, introduzindo-lhe as suas regras. O segredo poderá continuar a ser a alma do negócio, mas a da política é a transparência. Não dá para conciliar!

Negócios em áreas como a alimentação, o ambiente, a saúde, a privacidade na internet, e a regulação financeira, por exemplo, são mais que negócios: são o nosso modo de vida. E o nosso modo de vida é política. Nada é mais política do que a forma que escolhemos para viver colectivamente…

Por isso o tema está em discussão em toda a Europa. Por isso mais de três milhões de alemães subscreveram uma petição para que o Acordo não seja assinado. Por isso, depois de, na semana passada, o Green Peace ter divulgado umas dezenas de páginas secretas do Acordo, o próprio governo francês ameaçou suspender a sua participação nas negociações.

Importa discutir se o acordo favorece as grandes empresas americanas e europeias, estrangula e sufoca as pequenas, se lança no desemprego mais de 600 mil europeus, ou se vai generalizadamente empobrecer a população europeia. Mas importa ainda mais discutir se não vai acabar com o maior património do Ocidente: a democracia. A forma de governação democrática que é a essência do modo de vida ocidental.

Em Portugal a discussão vai curta. E atrasada, como sempre".

terça-feira, 12 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

A votação que destituirá Dilma, a esta hora, ainda não aconteceu. Mas já são conhecidos os resultados: os senadores, um a um, comunicaram antes o seu voto ao “A Folha de São Paulo”. Mais tarde, lá para o final da manhã, Michel Temer será notificado para formar governo. Que já formou e que já está anunciado...

É assim, no Brasil...

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Benfica 2 - Braga 2

Mais de 60 mil na Luz, numa segunda-feira de chuva copiosa, agravada por mais um balde de água fria. Gelada!

Com Otamendi e Rios de fora, pelos castigos de Famalicão, Mourinho tentou manter tudo igual com a chamada ao onze do Tomás e do Rafa. Para as suas posições, um na defesa e o outro atrás do ponta de lança, de novo Ivanovic. Barreiro, que vinha ocupando a posição do Rafa, recuou para o lado de Aursnes, onda não estava Rios. E a equipa entrou bem, muito bem até.

Logo aos 25 segundos valeu o corte de Gabri Martínez a roubar o golo a Prestianni, no primeiro acorde de Schjelderup. Aos 3 minutos Ivanovic marcou mesmo. Mas começou a festança. O golo foi anulado por fora de jogo. De 4 centímetros. Que não convenceram ninguém. Vendo as imagens ... não me lixem, ali houve mão ... no frame!

O Braga estava atordoado, foi às cordas, cambaleou, mas reagiu. E rapidamente o jogo passou a ser uma coisa que o Braga tentava adormecer, e Schjelderup acordar. Sim, só Schjelderup fazia tudo para não deixar adormecer o jogo.

A primeira parte acabaria por se resumir a um jogo que o Braga procurava adormecer e o Schjelderup espevitar. O Braga, procurando manter a bola e queimar o máximo de tempo possível. Schjelderup procurando romper com ela pela área adversária dentro, contornando quem lhe aparecesse pela frente, até a entregar para alguém falhar na cara do golo, ou alguém sobrar para a impedir de chegar à baliza. Desse despique resultou um jogo com poucas faltas (5 assinaladas ao Braga, e duas ao Benfica, uma das quais apenas para que o João Pinheiro pudesse impedir uma perigosa jogada de ataque, porque foi limpo o corte do Tomás que ia isolar o Prestianni), com mais bola para o Benfica, mais remates e ... quatro oportunidades de golo. Para o Braga só bola - nem um remate à baliza e, naturalmente, nem um cheiro sequer a golo. 

Com o Benfica a reclamar penálti - bola na mão do Gabri Martinez, mas só porque contra o Casa Pia, o tal Gustavo Correia assinalou uma igualzinha ao António Silva - acabava a primeira parte.

A segunda iniciar-se-ia com o golo de Rafa - celebrado à moda de Pizi, que anunciou o fim da carreira para o próximo jogo, na Amoreira, precisamente com o Benfica - logo na bola de saída. Pelo que se vira na primeira, este golo madrugador só poderia embalar o Benfica para uma exibição segura e autoritária. Não passava outra ideia pelas bancadas.

Nada disso. Na resposta ao golo, no primeiro remate à baliza, o Braga repôs o empate e deixou tudo na mesma. O Benfica melhorou. Schjelderup continuava endiabrado, mas já não ia sozinho. Os remates aumentaram de ritmo. E as oportunidades de golo sucediam-se. 

Esgotado o primeiro quarto de hora, Mourinho trocou Ivanovic por Pavlidis. No banco, por andar de voltas trocadas com o golo, bastaram-lhe dois minutos para marcar. Mais uma brilhante jogada do Schjelderup, a servir-lhe o golo de bandeja. Festa no relvado e nas bancadas. 

Por pouco tempo. Sem que ninguém percebesse o que se estava a passar, do VAR (o conhecido Luís Ferreira; o quarto árbitro era o conhecidíssimo Fábio Melo, tudo gente escolhida a dedo) vem a ordem de anulação do golo. Diz - o que parece que ainda ninguém conseguiu confirmar - que Schjelderup cruzou a bola depois de ter saído pela linha final. Totalmente, como mandam as regras.

E tudo voltava ao mesmo, com o Braga, sempre que podia, a procurar esconder a bola. E com o (excelente) guarda-redes Horniceck a continuar a queimar tempo.

José Mourinho tirou Leandro Barreiro para apostar em Lukebakio. Correu o risco de descompor o meio campo, mas a hora era de aperto. E lá voltou João Pinheiro a ser protagonista. Faltavam pouco mais de 10 minutos para o jogo acabar quando, para não marcar o penálti por derrube de Dorgeles a Pavlidis, assinalou uma falta, que não existiu, de Prestianni sobre Lagerbielke.

Depois de mais três oportunidade de golo (duas de Pavlidis e outra de António Silva) em pouco mais de 5 minutos, a dois dos 90, quando era suposto o Benfica estar com tudo em cima da área adversária, é o Braga que troca a bola junto à outra área. De repente Gorby enche o pé e, do meio da rua, marca um grande golo - o segundo, ao segundo remate. 

Já das bancadas a esvaziarem saíam assobios e  gritos de demissão para Rui Costa quando, aos dois dos seis minutos de compensação, Schjelderup caiu, pisado, na área. João Pinheiro foi chamado pelo VAR e lá assinalou a grande penalidade. Com que Pavlidis resgatou o empate.

O segundo consecutivo, que entrega a presença da Champions ao Sporting. Que ganhou em Vila do Conde, onde começou a perder, empatou com mais um penálti manhoso, passou para a frente com um auto-golo de "apanhados" e, já contra nove, marcou mais dois golos.

Não há dúvida que a história destes dois últimos jogos, que decidiram o assunto Champions, é a história dos últimos campeonatos. Imagino como estas histórias entram na cabeça dos jogadores. E não gosto nada do "põem-se a jeito", seja no que for. Mas nenhuma equipa do Benfica pode reagir à inferioridade numérica como aconteceu há uma semana em Famalicão. Nem, a precisar absolutamente de ganhar, como neste jogo de hoje, a dois minutos do fim pode permitir outra situação de jogo que não seja a de asfixiar o adversário em cima da sua baliza. 

Entre os pingos da ignorância

Quadro Decorativo Podium Pingos Gotas Da Água 70X40Cm - Quadro ...

Depois de convocar um debate no parlamento sobre as forças de segurança, por não gostar do que o ministro da Administração Interna disse [sobre os acontecimentos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto] e de para lá chamar os polícias, e depois de se prontificar a aprovar o "pacote laboral" em troca da redução da idade da reforma, porque o Tribunal Constitucional, por unanimidade, declarou que retirar a nacionalidade portuguesa a um imigrante em razão de crimes cometidos é inconstitucional, e devolveu ao Parlamento o respectivo projecto legal, Ventura diz que vai sujeitar a matéria a referendo.

Numa mesma semana, com três rajadas nos pés, Ventura acelerou o seu próprio processo de exterminação.

Não tem outra saída. Perdeu definitivamente qualquer réstia de credibilidade, e resigna-se a apostar sobreviver entre os pingos da ignorância. 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

O debate da Educação chega esta tarde ao Parlamento. Só que não é de Educação que se trata, é de negócios!

Quando o anterior governo alterou o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, eliminando a obrigatoriedade de os contratos estarem dependentes da carência de oferta pública, permitindo assim que o ensino privado crescesse que nem cogumelos lado a lado com escola públicas, não estava a cuidar de Educação. Estava a cuidar de negócios. Quando Passos Coelho fala de "um produto de oferta educativa fechado” não está a falar de educação. Está a falar de negócios.

Está a falar de um negócio onde se movimenta uma grande parte da própria classe política da área do poder. O que serve para explicar como tão pouca gente - são no total 80 as escolas que recebem os oitenta e tal mil euros por turma, mas não serão muito mais de meia dúzia as empresas que as detêm - consegue fazer tanto barulho. 

Na realidade o governo não está fazer nada mais que repôr a mais simples condição higiénica do negócio, que o anterior cirurgicamente eliminou: o Estado contrata o que precisa, não pode estar obrigado a contratar o que não precisa. E não pode estar refém dos interesses particulares de quem quer que seja!  

domingo, 10 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

A política no Brasil presta-se a tudo. Até à comparação com o sexo cunicular. Dilma, e os seus, devem ter atingido o climax na experiência do "é tão bom, não foi"?

sábado, 9 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Poderia pensar-se que a categórica vitória do Benfica, ontem na Madeira, tivesse finalmente o condão de colocar algum tino nas cabeças dos sportinguistas mais desatinados. Pura ilusão. Nem assim.

Ontem, um deles, na estação pública de televisão, bem pago e normalmente mais bem bebido, não se limitou a defender a "estratégia da mala". Foi mais longe e ofereceu ele próprio, à sua conta, do seu bolso, mil euros aos jogadores do Nacional.

Hoje, na sua habitual homilia "facebookiana" diária, o líder e o mais desatinado dos desatinados, começa a semana com a denúncia da "escandalosa" pressão benfiquista para a não menos escandalosa não nomeação do árbitro Hugo Miguel. Veja-se só o escândalo: o Benfica está a movimentar todas as sua sinistras influências para que, para o seu último jogo, não seja nomeado o árbitro que Bruno de Carvalho gostaria que fosse nomeado.

Verdadeiro escândalo. Absolutamente inaceitável. Onde é que já se viu uma coisa destas?

Não faço a mínima ideia se Benfica está a mexer uma palha que seja para que o Hugo Miguel não "caia" na Luz. Não tenho dúvidas que este é ainda um árbitro da velha guarda. E não me esqueço das suas arbitragens nos dois últimos campeonatos que o Benfica perdeu. Nem da do último dia do último deles, o tal do minuto 92, naquele Paços - Porto final, quando logo no início arrancou um penalti numa falta a meio campo. Não fosse o diabo tecê-las...

Mas estou verdadeiramente escandalizado. Quem se acha esta gente do Benfica para - se for o caso, bem entendido - não acatar a legitimidade soberana de Bruno de Carvalho para escolher os árbitros para os jogos do adversário?

Sim, porque o problema já só está na escolha dos árbitros para o Benfica. Para os do Sporting já todos servem... Porque no futebol, em Portugal, o crime compensa. Continua a compensar.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

O PSD assinalou hoje o seu 42º aniversário juntando, no Porto, mas à volta do Marão, duas das suas maiores caras de pau: Durão Barroso e, evidentemente, Pedro Passos Coelho. 

Durão Barroso virou-se para o Marão porque o governo português não só não convidou ninguém da União Europeia para a inauguração, como, ainda por cima, não lhe agradece, curvado, os 88 milhões de euros que, para a obra, de lá vieram. Passos, porque não quis por lá aparecer como ex-primeiro ministro, nem - garantiu - apareceria mesmo que fosse primeiro-ministro. Porque, jurou a pés juntos, nunca andou por aí a inaugurar nada enquanto foi chefe do governo... Tinha mais que fazer.

Barroso, com aquela cara de pau torneada por 10 anos de Comissão Europeia, não quis saber quem foi e quem não foi convidado. Achou apenas que aquilo encaixava no seu discurso e na sua dama. Passos, com aquela cara de pau que nunca cora de vergonha, esqueceu-se que, à falta de grandes obras, inaugurava a eito tudo que lhe aparecesse á frente. Até aquela escola que o presidente da Câmara  de Paredes foi descobrir para lhe dar a inaugurar. Para que pudesse continuar a fazer de conta que ainda era primeiro ministro ...

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Neste tão badalado jogo da Madeira, o Benfica fez questão de demonstrar por que vai ser, com toda a justiça, de novo campeão. Por causa das dúvidas…

Nem entrou bem no jogo. A velocidade e a intensidade com que entrou não eram suficientes para agarrar um jogo que não se podia dar ao luxo de não ganhar. Coisa temporária, que rapidamente se resolveu. Pouco a pouco o Benfica soube levar ao jogo tudo aquilo que ele pedia. À meia hora de jogo a equipa já asfixiava o Marítimo, encostado à sua baliza. Já tinha uma bola no ferro, com mais magia do Jonas, e o árbitro já tinha feito vista grossa a dois lances para penalti, um deles com o cúmulo de um amarelo - decisivo - ao Renato Sanches. Para controlar danos, o Marítimo começou a deitar mão ao antijogo que se tem visto aos adversários do Benfica, lançando jogadores para o chão, uns atrás dos outros. E contou com a preciosa ajuda do Renato Sanches. Porque a do sucessor do Olegário Benquerença já vinha de trás, do tal penalti não assinalado com cúmulo em amarelo. A expulsão do miúdo, a sete ou oito minutos do intervalo, colocava ponto final no sufoco do Benfica. Que não na imensa superioridade do Benfica. Nem na crença benfiquista!

Com dez, na segunda parte, o Benfica dominou por completo o jogo. Noutro registo, sem sufocos nem asfixias, o Benfica marcou por duas vezes, teve mais uma bola no ferro, e criou mais três ou quatro oportunidades claríssimas de golo. Numa delas o Pizzi cometeu a proeza de acertar no guarda redes deitado no chão… E o tal discípulo de Benquerença deixou ainda passar mais um penalti sobre o Mitroglou.

Isto é “à campeão”. Isto é de campeões… Com mala ou sem mala. Com dez ou com onze. Com o campo encharcado – com os jogadores a escorregarem pelo campo encharcado, ao intervalo voltaram abrir as torneiras – ou seco. Contra tudo e todos, esta sensacional equipa do Benfica esteve-se nas tintas para as contrariedades. Foi-se ao jogo e ganhou-o com toda a clareza.

E vai certamente ser campeão, tricampeão, 39 anos depois… E vai certamente festejar o 35 no próximo domingo!

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Chamar as coisas pelos nomes

Ministro admite mais polícias detidos hoje no caso de alegada tortura em  esquadra de Lisboa - Rádio Festival

Na sequência de novas diligências sobre o já conhecido caso da tortura nas esquadras da PSP do Rato e do Bairro Alto, a Polícia deteve ontem mais 16 suspeitos, 15 polícias e um civil.

Os detidos estão indiciados por crimes de tortura grave, violação, abuso de poder, agressões físicas, humilhações e episódios de extrema violência que, pelos vídeos e outros conteúdos relacionados que fizeram circular por dois grupos de polícias, com mais de 70 elementos, praticados “por mero prazer na humilhação das vítimas". Todas detidas no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto, e extremamente vulneráveis: toxicodependentes, sem-abrigo, imigrantes indocumentados, ou suspeitos de pequenos delitos. 

Finalmente há um ministro da Administração Interna no governo de Portugal. Há muito que não havia, e por isso crimes tão repugnantes iam, desde Eduardo Cabrita (inclusive), sendo varridos para debaixo do tapete. Nem nome tinham!

Luís Neves chama as coisas pelos nomes, faz o que tem de ser feito, e diz o que tem de ser dito. Que para comportamentos dolosos só há o caminho da expulsão. Que quem pisa o risco da dignidade humana não tem lugar na polícia. Que será firme em relação a comportamentos desviantes dos polícias.

O natural seria que estivéssemos todos de acordo que, como lhe compete, o ministro da Administração Interna está a defender a decência, o estado de direito, e a dignidade. Dos cidadãos, e da polícia. 

Há quem não esteja: André Ventura. Que entende que o ministro da Administração Interna não está a defender nada, mas apenas a atacar. Os polícias, claro! 

Para ele o ministro não só ataca os polícias como, ainda por cima, "faz gala" nisso. E, vai daí, convocou de imediato uma conferência de imprensa para anunciar que convocou, para a próxima semana, um debate no parlamento sobre as forças de segurança.

Sem surpresa, convocou também os polícias.

É evidente que é tudo ao contrário do que diz.

Que não é a praticar crimes, nas esquadras ou onde quer que seja, que a polícia ganha autoridade. É o contrário.

Que não é expurgando-a de criminosos que se lhe retira autoridade. É o contrário.

Que não é a sancionar comportamentos desviantes que "estamos a dar a entender que todo o comportamento da polícia é desviante". É o contrário.

Ele sabe é que assim que tem engordado o partido. E acredita que assim o continuará a engordar. Mas desconfio que esteja enganado!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

É hoje inaugurado o túnel do Marão, ligando finalmente em condições decentes o porto de Leixões a Vila Real, a Bragança, a Espanha...

Cai uma fronteira, deixa de fazer sentido falar em para lá do Marão. Não quer dizer que lá deixem de mandar os que lá estão. Que mandem. Que continuem a mandar, agora que certamente ficam com melhores condições para isso. Para outro mandar, aberto em vez de fechado!

António Costa leva muitos convidados à inauguração. Convidou muita gente, e naturalmente convidou os seus dois últimos antecessores: Sócrates, com quem a obra se iniciou (não faz sentido dizer "que a iniciou"), e Passos Coelho, com quem teve continuidade, (não faz sentido dizer "que a continuou"), depois de alguns soluços.

Passos recusou. Só vai a inaugurações como personagem principal. Nem que seja a escolas há muito a funcionar, em tempo de resistência activa à realidade. Sócrates aceitou, sem hesitar. E lá estará, encantado, nas suas sete quintas.

Mandam os que lá estão... E os que lá estiveram? Não deixará de ser curioso: Passos recusa-se a ser ex-primeiro-ministro. Sócrates não quer que se esqueça sua condição de ex-primeiro ministro!

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...

Paul Krugman voltou a passar por cá. E a defender as teses da anti-austeridade, a apontar o dedo ao fundamentalismo (político) económico reinante na União Europeia e, de uma forma geral, a dar cobertura à política económica do governo.

Apontou os dois maiores riscos da economia portuguesa: o envelhecimento da população - com o que representa de encargos, e com o que dificulta a inovação e o consumo - e a emigração, a caixa da emigração jovem que se abriu nos últimos quatro anos.

Na realidade entendo que Krugman se referia às duas maiores ameaças que pairam sobre a nossa economia e a nossa sociedade: a natalidade - hoje, mais uma vez, em discussão na Assembleia da República - e a emigração. O resto são tretas, modas, ou o que lhe queiram chamar.

O problema, como se qualquer deles não fosse suficientemente grave, é que ambos convergem para o mesmo ponto: o envelhecimento da população. Se, não nascendo gente nova, a população envelhece, envelhece ainda mais quando os mais novos partem, ficando apenas os mais velhos.

Fomentar a natalidade e estancar a emigração - é um fenómeno de pura aberração que um país pobre gaste recursos a formar pessoas para entregar aos países mais ricos - não é uma mera decisão política. Tem que ser, sem qualquer sombra de dúvida, o principal objectivo estratégico do país. Mas, aí está: sem crescimento económico não vale sequer a pena enunciá-lo. 

 

As arbitragens do Benfica

Mourinho com dois reforços de peso para o Benfica – Famalicão ...


Depois de uns meses em "pousio", após a final da Taça de Portugal, vai para um ano - o maior escândalo da História do futebol português, superando qualquer episódio do "apito dourado" - o Conselho de Arbitragem (CA) tratou do regresso cirúrgico de Luís Godinho e Tiago Martins. E em Braga, primeiro, e Tondela, um mês depois, encarregaram-se de dois empates que, objectivamente, retiraram quatro pontos ao Benfica.


O primeiro a regressar foi Tiago Martins, no 2-2 de Braga, pelo Natal, com o árbitro João Gonçalves, do Porto, o do canto fantasma que deu três pontos ao Sporting nos Açores, outro dos especialistas para arbitrar o Benfica (basta lembrar, só no último campeonato, o AFS-Benfica, o Benfica-Famalicão e o Estoril-Benfica). Num jogo com uma assombrosa segunda parte do Benfica, João Gonçalves e Tiago Martins anularam o golo (da vitória) de Dahl, já no último quarto de hora alegando, em clara e óbvia mentira, uma falta anterior de Rios.


Depois veio Luís Godinho, no 0-0 em Tondela, num jogo - logo a seguir ao da épica vitória sobre o Real Madrid - em que o Benfica sufocou o adversário durante os 90 minutos. Que, agora com Manuel Mota (outra das armas do CA para atingir o Benfica) no VAR, começou por tudo permitir aos jogadores da casa, escusando-se mesmo a expulsar Maviram, que aos 8 minutos já deveria estar na rua; e reverteu, com clara e óbvia mentira na justificação que "após revisão o jogador não comete falta", um penálti, à beira do intervalo.


A nomeação de Gustavo Correia (do Porto) para o Famalicão - Benfica do sábado passado é provocatória e insultuosa. Mas é muito mais que isso.


Porque, sendo o árbitro que assinalou o penálti a António Silva, por uma bola que lhe ressaltou da perna para o braço, que acabaria no empate da Luz, com o Casa Pia. E que não assinalou a óbvia e clara mão na bola, neste jogo, do Rodrigo Pinheiro (jogador da formação do Porto que tudo fez, e a tudo escapou, para ser expulso). Que já não vira o primeiro penálti a favor do Benfica. Que inventou o canto que deu no golo que fixou o empate final. E que acrescentou 16 minutos de tempo extra quando o Benfica estava em evidentes dificuldades. É o árbitro que, nas nomeações para a Primeira Liga, o CA ditou para dois jogos consecutivos do Famalicão.


Depois de o ter nomeado para o Famalicão - Moreirense, o CA entendeu por bem nomeá-lo para o Famalicão - Benfica, o primeiro dos últimos três jogos decisivos para o Benfica manter a posição de acesso à Liga dos Campeões. E juntar-lhe, no VAR, Rui Oliveira, conotado com os super-dragões, e com um folha de serviço igualmente repleta de arbitragens infames.


Em jogos em que o Benfica fez a sua parte, em que fez o que lhe competia para ganhar com mérito e competência - não contando os que empatou por culpa própria, ou por mérito do adversário -, só nestas nomeações cirúrgicas, ficaram oito pontos. A que há a somar os dois daquele penálti de Diogo Costa, já no fim do clássico, na Luz, a que o João Pinheiro fechou os olhos. Façam-se as contas, e veja-se no que dava!


Ora, isto vai muito para além do insulto e da provocação. Isto é um sistema instalado num edifício que começa na promoção dos árbitros (e afins), passa pelas suas nomeações e termina no branqueamento das suas actuações no espaço mediático de que o Benfica está afastado. 


Edifício para que Rui Costa olha como boi para palácio


Como acertadamente escreve o João Gabriel "as arbitragens não foram azar nem coincidência", mas "consequência". O mesmo se pode dizer da hostilidade e perseguição da imprensa. Porque, como também bem escreve, "... o Benfica desapareceu dos centros de poder. Onde antes se via influência, hoje vê-se ausência".



 

domingo, 3 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Pronto: a Comissão Europeia disse. E disse que as previsões do governo estão exageradas e, como gosta de amedrontar, que a coisa pode ser grave. Que o défice será este ano de 2,7%, em vez dos 2,2% do governo. Porém, bem dentro, pois, e pela primeira vez, das regras do Tratado Orçamental... Isto não disse.


Coisa que, para Maria Luís Albuquerque, com a autoridade de quem sucessivamente falhou todas as metas, é a prova provada que são necessárias as tão reclamadas medidas adicionais. Para Assunção Cristas, é a garantia que as contas do governo não batem certo, que  "Infelizmente não há uma semana que passe que não haja alertas", e que vem aí o apocalipse. E para o presidente Marcelo, lá por terras de Moçambique, é simplesmente uma excelente notícia: não se lembra há muito tempo de um défice tão baixo em Portugal.


Irradiações. Cada um irradia o que quer. E o que pode. Já o presidente irradia o que deve irradiar. Por muito que isso custe ao Passos Coelho... E à Maria Luís. E à Assunção... 

sábado, 2 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Leicester acaba de se sagrar campeão inglês. O Leicester é um clube pequeno de uma pequena cidade inglesa, que na época passada escapou à tangente da descida de divisão. 


No início desta época começou a surgir à frente dos Arsenal, dos Liverpool, dos Chelsea, dos Manhester United, dos Manchester City... Ninguém ligou muito, são comuns alguns fogachos do tipo. São os chamados primeiros milhos, que são para os pardais. Só que os meses foram passando, a equipa não desarmava e, surpresa das surpresas, de lá brotavam três ou quatro dos melhores jogadores da Liga inglesa, a de maior visibilidade mundial, porventura a de maior densidade de súper-estrelas por metro quadrado de relvado. E quando deram por isso o mundo inteiro era fox, tudo era Leicester. Até a Rainha. Até os príncipes...


Entre quaisquer David e Golias, somos invariavelmente pelos David. Quando o David enfrenta não um, mas mais de uma mão cheia deles, somos ainda mais. Deixamos todos de ser do United, do Liverpool, do Arsenal ou do Chelsea e passamos todos a ser Leicester.


Para que toda esta história seja ainda mais fantástica só faltava a fantástica história do seu treinador. Claudio Ranieri é um sexagenário treinador italiano a quem a sorte da vida nunca virou costas. Ou terá virado mesmo, provavelmente da forma mais inclemente que tem de virar as costas. Passou a vida de fracasso em fracasso, sempre com uma nova oportunidade depois de cada desaire. Numa sucessão rara de invejáveis oportunidades passou pelos maiores clubes italianos, por Espanha, por Inglaterra e por França. Sempre com os melhores jogadores à sua diposição.


Quando Abramovich comprou o Chelsea, e enceheu a equipa de craques, foi nele que pensou para chegar ao sucesso. Falhou... e seguiu-se-lhe Mourinho, com o êxito que se conhece. Um outro miionário russo quis fazer o mesmo com o Mónaco. Lembrou-se também de Ranieri. Voltou a falhar...


Fernando Santos deixou o comando da selecção grega, sempre presente nas fases finais das grandes competições, e até campeã europeia. Em 2004, por cá, como nos lembramos todos. Pois... lá chegou nova oportunidade para o italiano. E, pela primeira vez nas últimas décadas, a Grécia falhou um apuramento. E logo no mais fácil e aberto de todos, como era o do europeu que aí vem. Até com as Ilhas Faroe conseguiu perder... Novo fracasso, agora com mais estrondo ainda. Nada que impedisse um modesto clube inglês, acabadinho de se livrar da descida de divisão, de o contratar. Pedia-lhe pouca coisa: que aguentasse a equipa no principal escalão do futebol inglês.


Foi campeão. Pela primeira vez, aos 64 anos. Com jogadores que ninguém conhecia, e que hoje são titulares da selecção inglesa. E estão nas listas de compras dos Golias todos, com preços com zeros que nunca mais acabam...


E o Tom Hanks ganhou uma fortuna. Apostou 100 libras no Leicester... Há histórias fantásticas, não há?

Famalicão 2 - Benfica 2


O Benfica entrou em Famalicão com vontade, e qualidade, de resolver depressa, e bem, a primeira das três ultimas dificuldades deste campeonato.


O onze era o esperado, mesmo com Ivanovic na frente, em vez de Pavlidis. E a entrada não deu qualquer chance às dificuldades agendadas - ao Famalicão, na luta pelo quinto lugar, e credor dos mais elogios da opinião publicada; e ao Gustavo Correia, mais uma vez encomendado. 


Impondo pressão intensa sobre o adversário o Benfica entrou a dominar o jogo por completo, a criar ocasiões de golo, e a marcar. Depressa e bem fez os dois golos - nos primeiros 19 minutos - que marcavam o resultado ao intervalo. 


O melhor que o Famalicão tirava da primeira parte era precisamente o resultado. Aquele 0-2 era um doce. O Benfica perdoava-lhe mais dois ou três golos, e o Gustavo Correia deixava-lhe um penálti por assinalar, e a clara mensagem que poderia continuar a arrear a preceito que nada de mal lhe aconteceria.


A segunda parte arrancou no mesmo sentido - controlo absoluto do jogo pelo Benfica. Dá-se então o golpe de teatro: inexplicavelmente, num lance no meio campo contrário, depois de cortar a bola, Otamendi deixa o pé na canela de um adversário. O Gustavo Correira mostrou-lhe o amarelo, mas o Rui Oliveira, o VAR que não quis ver a mão do defesa do Famalicão, antes do intervalo, viu bem que era para vermelho.


O Benfica não sabe jogar com 10. Está mais que demonstrado. Recuou, como sempre faz, e não mais conseguiu fazer outra coisa que defender ... e pontapé para a frente. 


O Famalicão nem teve que esperar muito, tudo lhe aparecia no colo. Dez minutos depois, a bola desviou no infeliz Dedic, traiu Trubin ... e golo. Mais 10 minutos e, num canto inventado por Gustavo Correia, empatou. E o Benfica a ver...


E assim continuou. Pelos 12 minutos que faltavam para os 90, e pelos 15 de compensação que o Gustavo Correia deu ao jogo.


No fim foi apenas mais um empate. Igual a tantos dos outros, com responsabilidades próprias - é inaceitável o erro de Otamendi; como inaceitável é que a equipa não consiga jogar em inferioridade numérica - e com uma arbitragem daquelas a que estamos habituados. 


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Está pela hora da morte, o preço das vitórias do Benfica. A coisa está tão afinada que, com os outros ou com estes - o Benfica apresentou-se ao jogo de hoje com uma segunda equipa, mantendo apenas os três titulares que o regulamento obriga: o guarda-redes Ederson, e os miúdos Lindelof e Renato Sanches - nada se altera na equipa. Nem o fio de jogo, nem a dinâmica, nem o ritmo. Nem os golos de Jimenez e de Jonas, que lá teve de entrar. E, como não podia deixar de ser, nem o tal o preço alto a que andam por esta altura as vitórias do Benfica. Quase tão alto como, pelo que se vai percebendo, o preço do empate que corre aí pelo mercado...


E pronto, no dia em que o Leicester - no sofá - celebra a inédita e espectacular conquista do título inglês, e no dia do regresso do velho capitão (não; não é Mário Wilson, é mesmo o Luisão), o Benfica apurou-se para a sua sétima final da Taça da Liga, desta vez chamada CTT. Só faltou a duas!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O TTIP é a prova provada que o imperialismo existe, está vivo e de boa saúde. Só não se recomenda...


O que é mesmo muito recomendável é que as pessoas não ignorem o que se está a pasar. Depois de muitos alertas,  aí está o Greenpeace com  mais um. Dois milhões de europeus já assinaram uma petição contra este chamado acordo transatlântico... É pouco. É preciso mais. Já não basta reclamar contra o secretismo que tem envolvido as negociações. Agora é preciso evitar que a União Europeia assine essa coisa!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...