sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Abriu-se a porta que não deveria ser aberta*

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Quando há mais de 20 anos ouvimos falar da ovelha Dolly, e soubemos do primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta, percebemos que, mais cedo ou mais tarde, viriam aí problemas.


Aquela ovelha simpática, entretanto já desaparecida, nascida e criada na Escócia abria uma porta que todos sabíamos onde acabaria por dar. Não sabemos quantos entretanto tenham tentado passar por essa porta, porque muitos certamente que o fizeram em silêncio. Sabemos agora que um cientista chinês, formado em universidades americanas e entretanto regressado à China, garante ter conseguido fazer nascer os primeiros bebés, dois gémeos, geneticamente manipulados em laboratório. E afirma estar já em curso uma terceira gravidez a partir de embriões alterados laboratorialmente.


A notícia surgiu no início da semana mas, estranhamente, não teve especial repercussão mediática. Mas sabe-se como é a agenda mediática nos dias que correm…


A ocorrência não está confirmada – nem negada – por qualquer entidade independente, e o resultado do estudo não foi publicado em qualquer revista científica. Mas isso não tem se não a ver com as reservas éticas da comunidade científica internacional. Isso não é mais que a mola de resistência que a comunidade científica aplicou à tal porta.


A modificação de genes de embriões humanos é proibida em muitas partes do mundo. Mas, nem isso garante nada, nem o é em muitas outras. Como na China… A ética tem fronteiras que nunca deveriam ser passadas e portas que nunca se deveriam abrir. Mas há sempre fronteiras fechadas à ética e de portas abertas a todos os horrores de que possam de alguma forma aproveitar.


Abriu-se na China – dá vontade de perguntar: onde mais poderia ter sido? - a porta que não se podia abrir, mas que há 20 anos se sabia poder vir a ser aberta. O que aí vem não cabe sequer na imensidão do cinismo do cientista chinês quando, no fim, afirma que, agora, cabe à sociedade “decidir o que fazer de seguida”.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Pântano

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Demitido, e readmitido num par de horas, Rui Vitória é o rosto de Luís Filipe Vieira no pântano que criou na Luz, e onde enfiou o Benfica. Um pântano fatal, donde ninguém sai com vida. Um pântano de interesses e mentiras, onde tudo conta menos o próprio Benfica.  


Neste momento não resta a Luís Filipe Vieira outra saída que não seja apresentar a sua própria demissão. Noutro caso, ficam os benfiquistas obrigados a impor-lha!

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

ELE, NÃO!

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Ele, não!


Não, porque não tem, nem nunca teve estatuto comportamental para ser o treinador do Benfica.


Não, porque saiu por não encaixar no modelo do Benfica.


Não, porque não conseguiu passar para o Sporting sem trair o Benfica.


Não, porque foi aliado activo de Bruno de Carvalho nos mais vis ataques ao Benfica.


Não, porque não é um ganhador. Apenas ganhou no Benfica, com os maiores investimentos de sempre e, mesmo assim, perdendo para dois treinadores acabados de chegar.


Não, porque os benfiquistas têm memória.


Não, porque os benfiquistas prezam a honra.


Não, porque os benfiquistas não o querem de volta.


Não, porque o Benfica precisa, mais do que nunca, de estar unido.


Não! Ele não. Ele divide irremediavelmente o Benfica. Ele é, com o Benfica à beira do abismo, o empurrão final!

Especial, na especialidade...


 


No Parlamento lá se continua a votar o orçamento na especialidade, às voltas com as milhentas propostas de alteração especiais. Depois dos professores, no primeiro dia, ontem a estrela foi a tourada do IVA a promover uma nova maioria, juntando agora muito juntinhos PSD, CDS e PCP.   


No PS, com a tão discutida liberdade de voto, afinal não se passou nada. Passou-se que ficou sozinho, mas inteiro.


Tourada vai ser se, depois, os preços dos espectáculos ficam na mesma. 


O que se pode dizer é que, depois da aprovação do Orçamento na generalidade - onde a guerrilha interna no PSD voltou a dar sinal de vida, fazendo saber que o Feliciano Barreiras Duarte (aí está ele outra vez) votou (contra, naturalmente) sem lá estar -  só se voltou a dar pela geringonça nos impostos sobre os combustíveis, que a oposição pretendia baixar.


No resto, tudo deu para fazer maiorias. E com tudo se fizeram maiorias. Dois exemplos apenas: PS e PSD fizeram maioria para impedir que os escalões de IRS fossem actualizados de acordo com a taxa de inflação. E PSD, CDS Bloco e PCP voltaram a fazer maioria para impedir - vejam bem - o aumento da tributação dos carros das empresas, os chamados carros de função.


Então? Mas não é isto é muito mais especial sem maiorias absolutas? E não tem muito mais graça?


 


 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Catástrofe em Munique

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Rui Vitória não é apenas boa pessoa e bom chefe de família. É também solidário como ninguém.


O treinador do Bayern estava de malas aviadas. O aviso tinha sido claro, se não ganhasse hoje ao Benfica, tinha o dedo de Hoeness a apontar-lhe a porta de saída. Ora, Rui Vitória não é homem para ver um colega em perigo sem lhe dar a mão. É mais dado a "abono dos pobres" ... e até dos ricos. Porque ele quer é fazer o bem, sem olhar a quem.


Rui Vitória tem é de ser bombeiro, é aí que realiza toda a sua dimensão humanista, é aí que projecta todas as suas nobres qualidades. Treinador de futebol é que não. Não nasceu para esta vida.


Hoje, em Munique, aconteceu simplesmente mais uma noite de terror. Mais uma jornada de destruição do nome, do prestígio e do património do Benfica. Uma catástrofe...


 

O tempo contado nas contas da política

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No primeiro dia do debate na especialidade do Orçamento, uma maioria parlamentar que fez o pleno contra o PS, aprovou as propostas do CDS e do PSD que obrigam o governo a fazer "marcha atrás" na sua posição sobre o tempo de serviço dos professores. 


É velha a questão da legitimidade dos professores, tão velha como a questão de quem paga a crise, que já aqui trouxe por diversas ocasiões. Deixemos-las por isso de lado porque, agora, em causa está importância eleitoral dos professores, e as voltas que isso provoca nos partidos políticos.


As posições do Bloco e do PC, suportes do governo, eram e são conhecidas. Não quer dizer que passem à margem do peso eleitoral desta categoria profissional - não passam, evidentemente -, mas estão sempre do mesmo lado e, bem ou mal, não interessa para o caso, estão e têm estado sempre do lado dos professores.


Coisa completamente diferente acontece com o PSD e o CDS. O que está em causa é até repor o que eles próprios tiraram quando governaram. O que estão a dizer é que estão a exigir que outros paguem uma dívida que eles fizeram. Eles, que sempre se opuseram à política de reposições e reversões deste governo, fazendo até delas motivo de regresso do diabo.


Isto é despudoradamente hipócrita, mas é assim que se faz política. E mais assim, ainda, em Portugal. Não sei se os professores ganharam alguma coisa com esta decisão no Parlamento, que não lhes traz nada de concreto, mas não tenho dúvidas que o governo, sem ter que dar nada, perdeu muito. Não lhe podia sair pior que ter de lidar com este tema durante todo um ano, com duas eleições pelo meio!


 

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Aterrador!

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Li isto e fiquei arrepiado. Sem pinga de sangue...


Um cientista chinês - o nome é o que menos interessa - afirmou ter criado os primeiros bebés geneticamente manipulados. E como quem acaba de criar um monstro, rematou: "A sociedade decidirá o que fazer a seguir"!


Na prática, disse: "já está, agora façam disto o que entenderem"!


Aterrador!


 

Bernardo Bertolucci (1941-2018)

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Chegou o último dia do último ... Mestre italiano. O poeta que se fez maestro do cinema!

domingo, 25 de novembro de 2018

Desporto a alto nível

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Acaba de terminar, de forma espectacular, o grande prémio do Abu Dhabi, e com ele a septuagésima edição do campeonato do nundo de fórmula um. 


Nada estava já em disputa. Lewis Hamilton tinha já assegurado o título de pilotos, na antepenúltima etapa, no México. O quinto, como Fangio, só atrás de Schumcher, com sete. E a Mercedes também já confirmara o título de construtores no último grande prémio,  no Brasil.


Hamilton voltou a ganhar, com Vettel na segunda posição, como na classificação final do campeonato, e o extraordinário e irreverente Verstappen em terceiro, quarto no campeonato, atrás de Raikkonen.


Este campeonato do mundo foi espectacular, teve de tudo o que um grande espectáculo de automobilismo tem que ter. Emoção, coragem, força mental, sangue frio, estratégia, sorte e azar, que também fazem parte do desporto. E se Hamilton foi quem teve mais disto tudo, Verstappen, o autor das mais fantásticas recuperações ao longo da época foi, de longe, quem mais aportou  emoção,  coragem, sangue frio e ... até loucura e mau feitio. Um grande campeão na forja, sem dúvida!


Mas, o que mais de espectacular teve este último grande prémio da época, que já nada tinha para decidir, foi a despedida de Fernando Alonso, o decano campeão e provavelmente o exemplo máximo desta disciplina de élite do que é estar no sítio certo na hora errada. Concluída a última volta da corrida, não sei se programado, se espontâneo - pouco importa -, os dois primeiros esperaram por Alonso e fizeram uma derradeira volta em escolta, ao logo da qual brindaram o público com séries de manobras espectaculares acabada num abraço a três, no mais arrepiante gesto desportivo numa das mais competitivas modalidades individuais do desporto mundial, num abraço que unia os três campeões mundiais que terminaram a corrida. Faltou Raikkonen, o quarto campeão, que não pôde terminar o grande prémio. Não fosse isso, e teria sido ainda mais bonito!


Como bonito foi o desportivismo entre os dois grandes rivais dos últimos anos - Hamilton e Vettel. Bonito como foi juntar-se-lhes Verstappen, o fantástico bad boy!


Para a próxima época a fórmula entra mais pobre, com menos um campeão. Já só três!


 


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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Notícias da guerrilha

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A guerra de guerrilha instalada no PSD à volta de Rui Rio está a evoluir para uma verdadeira guerra civil, de consequências imprevisíveis. Como todos fazíamos ideia, mais password menos password, mais login menos login, as presenças fantasma dos deputados, ou o seu particular dom da ubiquidade, numa linguagem mais maneirinha, não são um exclusivo do deputado José Silvano e, aberta a caixa, de lá haveria muitos nomes para saltar. 


Não deixa de ser curioso que os dois primeiros a surgir sejam precisamente o do Duarte Marques, apenas o deputado em funções mais apertadamente ligado à anterior liderança, e o de José Matos Rosa, nem mais nem menos que "o José Silvano" de Passos. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Sem retorno

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Não tem explicação a forma sofrida, confrangedora e medíocre como o Benfica, na Luz com um quarto de casa, conseguiu eliminar, da Taça de Portugal, o Arouca - nos últimos lugares na tabela classificativa da segunda divisão - no último dos cinco minutos de compensação.


Nada no Benfica tem explicação. Se tivesse, alguém teria de explicar as contratações para esta época. Porque, ou não tinham a mínima qualidade para jogar no Benfica - já nem se fala em acrescentar valor à fraca equipa da época passada - ou, se a tinham, o Rui Vitória transformou-se numa máquina de destruição de valor.


Como nada tem explicação, temos que admitir o pior dos dois mundos: a famosa estrutura, a tal que vai dez anos à frente, soube gastar dinheiro mas não soube contratar jogadores; e Rui Vitória fez o resto, dando cabo deles.


Chegou a pensar-se que Jorge Jesus poderia esta semana ter voltado a dar uma ajuda a Rui Vitória, como acontecera na sua primeira época, em 2015. A entrevista do antigo e futuro - lagarto, lagarto, lagarto... - treinador do Benfica poderia ter o mesmo efeito que tinham tido as suas declarações na altura. Então serviram para unir toda a gente à volta do treinador, empurrando sensacionalmente a equipa para o tri. 


Sabia-se que Rui Vitória há muito que está esgotado, agora percebe-se que é um esgotamento irreversível, nem já Jorge Jesus o consegue recuperar. 


O processo de destruição que Rui Vitória tem em curso no Benfica tem que ser travado de imediato. É por demais evidente que não tem retorno!


Os jogadores não sabem o que fazer em campo, juntam-se aos montes sem saber nem por nem para onde correr. Não há sequer equipa, e por isso nem se pode dizer que a equipa não sabe defender nem atacar. Pode apenas dizer-se que os jogadores não sabem defender nem atacar.


Os erros, sempre os mesmos, estão a repetir-se em todos os jogos. O que quer dizer que o treinador não os sabe corrigir, já que nem se pode acreditar que não os consiga identificar, mesmo que só isso se possa concluir das suas declarações no final da cada jogo.


Os lances de bola parada, decisivos e uma espécie de último recurso quando o futebol corrido não sai bem, são uma coisa confrangedora. Sempre a mesma coisa, e a mais básica. Nada que revele treino, nada preparado, a pura rotina do "vira o disco e toca a mesma".


Não é que o Benfica não tenha treinador. Tem é um treinador esgotado, de cabeça perdida, e em quem ninguém confia. A começar nos jogadores e acabar nele próprio!


Luís Filipe Vieira, ocupadíssimo a contratar advogados e a tentar salvar a pele, ainda não teve tempo nem preocupação para perceber isso. Quanto mais para dar explicações...


 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

A visita mais desejada

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Finalmente!


Aí está a visita mais aguardada do século. E a mais desejada... Se fosse noutros tempos hoje não havia escola...


Vamos ver se Portugal já é prioridade. Ou se Marcelo, que já disse estar ansioso para vistar Angola, mas que "a casamento e baptizado não vás sem ser convidado", terá mesmo que se fazer ao convite. 


Daí não vai António Costa cair... Já lá foi, quase que sem ser convidado, como se percebeu pelos irritantes  jeans.

Um país que é isto!

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A tragédia põe sempre as fragilidades a nu. É assim com as pessoas, e é assim com as sociedades e com os países.


Andamos todos a pensar que Portugal se mostra na Websummit, nos hotéis, nos alojamentos locais ou até nos tuck tucks, mas Portugal mostra-se a cada tragédia. É aí que chocamos de frente com a verdadeira imagem do país, que rapidamente reconhecemos.


Voltou a mostrar-se nestes dias, com grande violência. Voltamos a ver Portugal numa aldeia de Trás-os-Montes onde, num casebre forrado a miséria, para não morrerem de frio, cinco pessoas morreram afogadas em monóxido de carbono. No dia seguinte lá estava de novo a mostrar-se, agora no não menos profundo Alentejo, no que restava de uma estrada que, comida por gigantescos buracos abertos por anos de rebentamentos de misturas explosivas de interesses privados e incúria pública, deixou de resistir. Ruiu de vez, e enterrou a 100 metros de profundidade máquinas, carros e vidas humanas. Pelo menos, mais outras cinco.


Não adianta esconder nada, nem protestar que não se pode dizer que Portugal é só isto. Basta que seja isto para que dificilmente Portugal seja mais que isto!


 


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terça-feira, 20 de novembro de 2018

O último a saber...

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, anda a promover uma candidatura conjunta de Espanha, Portugal e Marrocos à organização do campeonato do mundo de futebol de 2030. Ontem esteve em Rabat, a convencer o primeiro-ministro Al Othmani, e o rei Mohamed VI que, ao que diz, receberam bem a proposta.


O governo português diz que não sabe da nada... E no pasa nada ...  Quer dizer: a Espanha quer, Marrocos não se importa e Portugal nem tem que ter nada a ver com o assunto... 


Mais uma vez, António Costa  é o último a saber. E, mais uma vez, parece que não se importa muito com isso!


 

Já não se fazem revoluções como antigamente


 


De repente, no fim-de-semana, deparamo-nos com um gigantesco movimento social em França que trouxe para a rua centenas de milhares de franceses, dispostos a bloquear o país. Envergam coletes amarelos, o "gilet jaune", como que a assinalar o tom de emergência do protesto. Ou a sua espontaneidade: não precisa de qualquer forma de organização, e o simples colete de segurança que são obrigados a trazer no carro serve-lhes perfeitamente de traje de propósito.


É um movimento popular, espontâneo e inorgânico, como é próprio dos tempos que correm. Sem cadeia de comando, sem receber ordens de ninguém, e sem parceiro de diálogo. Apenas a polícia, para negociar um corredor aqui, ou outro ali.


Não me parece que seja surpreendente. Pelo contrário, é uma daquelas coisas que muita gente estava à espera que acontecesse. É daquelas coisas cujos contornos vislumbramos com grande frequência nas redes sociais, em esboços que percebemos que podem engrossar e ganhar forma. 

Em causa estão os aumentos nos preços dos combustíveis, mas poderia estar outra coisa qualquer. Motivos não faltam. Os agentes do poder político tudo têm feito para que não faltem motivos de revolta às suas gentes. E têm-no até feito com arrogância, com muita arrogância para que a revolta seja ainda maior!

Numa reportagem que passou numa televisão, um sujeito já bem entrado na idade, com ar de quem estava ali a assistir aos acontecimentos na primeira fila, dizia com uma admirável tranquilidade: "sabe, quando eles não fazem as reformas que têm para fazer, terá que ser a revolução a fazer o que não foi feito". 

Imaginei-o 50 anos mais novo. Imaginei-o naquele Maio de 68, a exigir razoavelmente o impossível e a proibir que fosse proibido. E imaginei-me a dizer-lhe que as revoluções já não são o que eram. Que já não se fazem revoluções como antigamente ... 


 


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Calamidade

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Os incêndios trouxeram o Apocalipse à Califórnia. Só neste que desde 8 de Novembro lavra a norte, que já devorou a cidade de Paradise, e que não será possível de controlar antes do final do mês, os números são verdadeiramente apocalípticos: 76 mortos, à espera da actualização pelos mais de 1300 desaparecidos; 12 mil edifícios destruídos; e 60 mil desalojados.


À voracidade das chamas acresce a voracidade do fumo, que transformou já o norte da Califórnia na região com piores níveis de poluição no mundo, acima de muitas das mais sobre-poluídas cidades da China ou da Índia.


Há muito que os especialistas dizem que as alterações climáticas fizeram aumentar a temperatura média,  aumentando os riscos de incêndio, e secaram os solos,  agravando-lhe as consequências. E os Estado Unidos são, depois da China, quem mais contribui para o aquecimento global. 


Já depois de ter admitido que o aquecimento global “pode ter contribuído um pouco” para a progressão fulgurante das chamas, interrogado por um jornalista se mantinha as suas convicções sobre as alterações climáticas, Trump garantiu que sim, que eram bem firmes e que ... traria de volta o bom clima à América.


É isto. A calamidade é também isto!


 


 

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Doce-amargo*

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Resultado de imagem para alcobaça câmara raimundo & maiaHoje deveria falar só de coisas doces, tão doces como as que por cá temos em exposição desde ontem e até domingo. Porque é de doces, e dos melhores, que se trata… Mas também porque é um dos mais bem conseguidos eventos de promoção da nossa terra, que verdadeiramente projecta Alcobaça no país… e no mundo. Porque hoje as coisas são assim, correm mundo com grande facilidade.


Pena é aquela porta de entrada por onde todos os anos recebemos os milhares de visitantes que o evento chama. Pena é aquele penoso corredor entre o parque de estacionamento e o acesso à nossa melhor sala de visitas, que temos de fingir que não vemos.


De tanto fingir que não vemos, parece-me até que já não vemos mesmo. Que aquelas montanhas de silvas entre escombros fazem já parte do nosso património, uma coisa assim como … o castelo. Mas mais pitoresca…


Não adianta continuar a fingir que aquelas ruínas não nos enchem de vergonha na mesma conta em que se enchem de silvas. Nem podemos ignorar que, com coisa tão amarga à entrada para a sala de visitas, dificilmente a “cidade dos doces conventuais” poderá “dar lugar ao amor”.


Esta é a vigésima edição deste prestigiado acontecimento, que sempre conviveu com aquela desgraça urbana. Vinte anos, é muito tempo, como dizia a canção. É uma geração… Há gente nasceu, cresceu e se fez homens e mulheres sem conhecer ali outra coisa.


Creio que a “Mostra internacional de doces & licores conventuais” não pode continuar a conviver com esta vergonha. Deixava por isso aqui um desafio à Câmara Municipal: uma proposta simples, mas séria. Propunha simplesmente que, no anúncio da próxima edição, na XXI Mostra internacional de doces & licores conventuais, em todos os cartazes e folhetos promocionais, a Câmara Municipal pedisse desculpa aos alcobacenses e aos visitantes, e garantisse que estava empenhada, e a desenvolver todos os esforços, para encontrar uma solução. 


Basta isto. Bastando, evidentemente, que sobre vergonha para não repetir os cartazes por mais vinte anos.


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM


 


 


 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Surpresas e perturbações

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De repente, sem que nada o fizesse o prever, governo e Partido Socialista chocaram com grande aparato em plena Assembleia da República. A causa do acidente - a taxa de IVA nas touradas - é ainda mais surpreendente,  Manuel Alegre que me perdoe.


A proposta do governo já tinha obrigado António Costa a explicar por que, há uns anos, então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tinha homenageado um forcado numa tourada no Campo Pequeno. E ninguém deixou que se esquecesse dos argumentos então utilizados, muito virados para as coisas da tradição da arte taurina.


Agora obriga António Costa a dizer-se "muito surpreendido", e deixa-o num caminho estreito e sem grandes escapatórias. Ninguém acredita que, quando no Largo do Rato e em S.Bento não se pensa noutra coisa que em eleições, o líder parlamentar do PS - olha quem!- possa ter feito uma coisa dessas sem falar com o primeiro-ministro.


Só que isso deixa um cheiro a charlatanice verdadeiramente insuportável.


Mas há sempre a hipótese de, com um certo esforço, fugirmos dele, desse cheiro, e acabarmos a acreditar na sinceridade da surpresa de António Costa e, por consequência, no desmando em que surpreendentemente acaba de cair o Partido Socialista.


Só que isso obriga-nos a concluir que a convenção do Bloco do passado fim-de-semana deixou o PS seriamente perturbado. 

UPSSS! Perdão!


Afinal havia um passo intercalar no processo de votação do blogue do ano que, certamente por erro meu, me escapou e, de ontem para hoje, a lista de doze passou a lista de cinco, que deixou o Quinta Emenda de fora.


Afinal, percebi apenas agora que o processo de votação de que resultou a nomeação do Quinta Emenda tinha terminado em 1 de Novembro. Ou seja a mobilização agora suscitada foi lançada fora de prazo. O que não percebi, mas também não irei tentar perceber - porque as coisas têm a importância que têm, e não mais do que isso -, é que ontem tenha sido apresentada a lista dos doze nomeados, por ordem aleatória os dos doze mais votados na votação inicial, e sem outra indicação que não fosse que,  hoje, se iniciaria a votação. E que, hoje, a lista estivesse reduzida a cinco com a explicação que eram os cinco mais votados naquela mesma votação.


Porque alguma culpa terei obrigatoriamente que ter nesta confusão, as minhas desculpas. As minhas desculpas também pelas falsas expectativas que involuntariamente criei. E o meu muito obrigado pelas manifestações que recebi e pelo entusiasmo que me transmitiram, e que não cai em saco roto.


Nem sempre é tudo mau. Foi bom saber que um blogue individual como é este, sem qualquer iniciativa promocional e sem qualquer mobilização, é espontaneamente apontado pelos leitores como um dos  doze melhores. 


 


 


 

XX Mostra internacional de doces e licores conventuais de Alcobaça

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Aí está!


Está mesmo a começar. E acaba já no domingo!


Depois não digam que não avisei...


 


 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Irreversível, com ou sem luz!


 


Uma luz ao fundo do Brexit... E parece verde: Londres e Bruxelas chegaram a acordo. 


Tudo resolvido? Nada disso. Obtido o acordo de Londres, falta o acordo em Londres. 


Mas não haja dúvidas: o caminho é estreito, e não permite inversão de marcha. Não há por onde voltar atrás, agora é sempre a andar, mesmo que devagar. Mas sempre em frente, ao contrário do que muita gente chegou a pensar!


 


 


 

Sapos do ano

Texto alt automático indisponível.


 


O Quinta Emenda integra a lista de doze nomeados para o melhor blogue do ano, na categoria de política e economia, uma iniciativa Sapos do Ano.


Desde já os agradecimentos à Magda Pais e ao David Marinho, pela iniciativa, e aos leitores, que trouxeram o Quinta Emenda até aqui. As votações começam amanhã e decorrem durante um mês.


E, claro - se não forem os leitores a votar no Quinta Emenda quem o fará? -, fico à espera do seu voto! 


 

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Gentileza

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Quando é dedicado um dia específico àquilo que deve ser um comportamento natural no normal e quotidiano relacionamento entre as pessoas, alguma coisa está errada. 


Hoje é o dia internacional da gentileza. Os nossos dias estão a ser feitos de muitas coisas erradas... Se calhar até há muita gente a correr para a Wikipedia para saber o que é isto da gentileza...


Por mim, agradeço-vos a gentileza, e despeço-me até ao dia da boa educação.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Gente perigosa

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Às 11 horas do dia 11 do mês 11, há 100 anos, assinou-se o armstício que colocaria fim à guerra que, feita para que não houvesse mais guerras, acabaria apenas por ser a primeira guerra mundial. Comemorou-se ontem em Paris, para onde convergiram os chefes de Estado dos países envolvidos com juras de promessas de paz em tempos pouco dados a isso. A paz e a promessas... 


Há 100 anos, bastaram vinte para eclodir a seguinte, e ainda mais violenta, que começaram a desenhar em cima das assinaturas do armistício. Hoje... não estava lá gente menos perigosa...


 

domingo, 11 de novembro de 2018

O diabo não está sempre atrás da porta. Mas os fantasmas não saem de lá!


 


Para o Benfica este jogo de hoje em Tondela era de tudo ou nada, absolutamente decisivo para o seu futuro neste campeonato, com tudo o que isso pesava no actual estado mental da equipa.


Os primeiros dados não eram nada animadores: chuva intensa e relvado alagado, não deixavam as melhores perpectivas para o jogo, e o apito inicial piorava-as. O tondela atirou-se ao Benfica que nem gatos a bofes, e chegou ao golo de imediato. O golo mais rápido desta Liga!


Pior. O Grimaldo foi batido que nem um principiante e foi Conti a marcar na própria baliza. Dois jogadores da defesa logo em cheque, E que jogadores... O que estava no ponto mira dos adeptos, pelas suas declarações no final do último jogo, com o Ajax; e o entra e sai, o regressado Conti, agora pela expulsão de Jardel. Cuja última imagem era a da sua participação no golo em Amsterdão.


Os jogadores do Tondela sentiam que era o momento de deixar o adversário KO, e não deixavam sair os do Benfica do seu meio campo. Valeu que Conti imitou Amsterdão, invetendo agora a ordem, e tirou da baliza o que já era o segundo. E valeu que aconteceu o que não tem sido habitual e, aos 9 minutos, na primeira vez que conseguiu chegar à área adversária, o Benfica chegou ao empate, por Jonas, a revelar uma eficácia que não mais voltaria a confirmar.


Não deu para perceber se o golo catapultaria a equipa para o ataque, à procura do segundo. Se isso passou pela cabeça dos jogadores não teve tempo de lá permanecer, porque os imbecis das tochas trataram de interromper o jogo, dando tempo ao adversário para se recompor do golpe. Tão difícil de perceber como é que estes imbecis continuam com portas abertas nos campos de futebol, é perceber como continuam a deixar entrar aqueles artifícios.


Aos poucos o Benfica começou a superiorizar-se mas, aí, regressou a falta de esclarecimento, e de categoria, na finalização, com especial relevo para o inevitável Rafa. Mas também Pizi, Cervi e Jonas.


Na segunda parte a equipa entrou melhor, e até o futebol passou a ser outro. Ao contrário do jogo directo da primeira parte, o Benfica passou a apresentar um futebol mais ligado, mais perto do padrão da equipa. O latreral direito do Tondela, para aí à décima falta, viu finalmente o cartão amarelo. E dois minutos depois, à décima segunda, cerca dos 10 minutos da segunda parte, o vermelho. E o Tondela passou a jogar com dez.


Mesmo assim, se se tivesse repetido o que aconteceu nos dois jogos anteriores, com o Belenses e com o Moreirense, e o Tondela tivesse marcado nas duas ocasiões de que dispôs, dificilmente o Benfica conseguiria fugir à sua triste sina. Nem sempre o diabo está atrás da porta...


A reviravolta chegou com o golo de Seferovic, entrado pouco antes, para o lugar de Cervi. E de novo tochas... Valeu o VAR para que as tochas não voltassem a aparecer no terceiro, que Rafa nem festejou, julgando-se em fora de jogo. Quando surgiu a confirmação da legalidade do terceiro já não era a mesma coisa...


A exibição não afastou fantasmas, o processo defensivo e a finalização continuam a fazer arrepiar os adeptos. Mas vêm aí duas semanas de interregno, que poderão fazer bem Rui Vitória...


Entretanto, em Alvalade mais do que um jogo de futebol, acontecem escândalos e(m) cadeia. Lá dentro, e lá fora ... Mas só os que estão lá fora é que vão dentro!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Hoje, em Berlim...

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Celebram-se hoje os 29 anos da queda do muro de Berlim, o melhor motivo para festejarmos a liberdade.


Mas passam, também hoje, 80 anos sobre a fatídica noite de cristal. Na mesma Berlim!


Em 9 de Novembro de 1938 as tropas de choque do regime nazi espalharam o terror pela capital, iluminada pelo fogo de tudo o que incendiaram depois de espancar, atacar e destruir, de sinagogas a livrarias, tudo o que pudesse "cheirar"a judeu. 


Hoje, 9 de Novembro de 2018, um tribunal de Berlim revogou a decisão do vereador da segurança, que proibira uma manifestação convocada pelos neonazis da Wir für Deutschland ("Nós pela Alemanha") para evocarem o acontecimento. Hoje, um tribunal de Berlim autorizou a comemoração da Kristallnacht, a noite em que Hitler deu o pontapé de saída para o extermínio de 6 milhões de judeus!


A História tem destas coisas

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Tema da semana*

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Tenho para mim que, como a natureza tem horror ao vazio, a política tem horror à seriedade e à ética.


Sempre que alguém aparece na política a invocá-las … corre mal. Há sempre alguma coisa que salta das entranhas da política para lhe dar cabo das ideias.


Repare-se em Rui Rio. Tenho-o, como - creio – a generalidade das pessoas, por uma pessoa séria, que coloca a honra e a honestidade no topo da sua pirâmide de valores. Fez disso, e de uma auréola de competência e de independência, trazida da presidência da Câmara Municipal do Porto, os atributos de legitimação das suas ambições políticas. E chegou, assim, à liderança do maior partido português (na perspectiva da representação parlamentar), anunciando um banho de ética.


A primeira coisa que fez foi escolher para Secretário-Geral do partido, o responsável pelo funcionamento da máquina partidária, Feliciano Barreiras Duarte, logo à perna com uma série de aldrabices curriculares muito próprias dos aldrabões, especialmente na política. Como se não bastasse, logo a seguir, foi denunciado por aldrabice na morada, muito comum na actividade política, onde as pessoas não moram onde moram mas onde dá mais subsídio morar.     


Depois de deixar que o problema se arrastasse de forma penosa durante tempo de mais, sempre a tentar justificar o injustificável, Rui Rio substituiu-o por José Silvano, trocando um carreirista dos corredores do partido por um transmontano rijo e sério.


Deu no que deu. Só não aldrabou na morada porque não precisava. De resto, valeu tudo. E Rui Rio volta a assobiar para o lado, chamando-lhes “questiúnculas” de “pequena política”, encharcado até aos ossos pela água suja do seu banho de ética.


É isto: a política tem horror à seriedade e à ética, o mesmo que Aristóteles descobriu na natureza pelo vazio.  


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Fora de prazo

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Rui Rio, metido em mais um beco sem saída, desta vez no beco do Silvano, diz que a sua palavra não é como o iogurte. 


Pode não ser, a validade o iogurte é mesmo muito curta. O problema de Rui Rio pode não ser de validade, mas de prescrição. O Rui Rio que enfrentou o PS do Porto, e que se impôs ao poder do FCP e de Pinto da Costa, prescreveu ao fim de uma década... 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O primeiro adeus


 


Como era previsível o Benfica está, mais uma vez, afastado dos oitavos de final da Champions. Não é uma questão matemática ... É simplesmente uma questão de tempo. Na próxima ronda tudo ficará arrumado!


É o primeiro adeus no Benfica. Espera-se agora pelo segundo...


Com o povo benfiquista ainda sem voltar costas - mais de cinquenta mil de novo na Luz - o Benfica não foi além do empate, num jogo que tinha obrigatoriamente que ganhar. Não foi um grande jogo, mas foi sempre um jogo de grande intensidade.


Começou em ritmo estonteante, com o Ajax a pressionar no campo todo, e o Benfica a tentar responder na mesma moeda. Foi assim durante toda a primeira metade da primeira parte. Depois o ritmo baixou. Quer dizer, o Ajax baixou o ritmo.


O Benfica chegou ao golo, a beira dos 30 minutos, num erro - ou dois - do guarda-redes dos holandeses, quando era a equipa que mais tinha feito por isso. Mesmo que o jogo estivesse equilibrado, e assim continuasse até ao intervalo. Mas com três grandes sustos: as lesões de Jonas (numa carga do central holandês para vermelho, que nem amarelo mereceu) e de Salvio (sozinho) e, mesmo nos últimos segundos, um golo feito do Ajax. Pela primeira vez nos últimos jogos, o Benfica teve um momento de sorte.


Na segunda parte o jogo foi diferente, e o Benfica esteve bem pior. E rapidamente o Ajax chegou ao empate que se vinha advinhando, numa bela jogada de futebol concluída com alguma sorte, mas também com alguma imperícia do Rúben Dias e do Odysseas.


No fim, nos dois últimos remates do jogo, faltou sorte ao Benfica. Faltou precisamente ao Benfica a sorte que o Ajax teve há duas semanas, quando marcou no último remate através de um ressalto em Grimaldo. Desta vez, no último remate do jogo, o Gabriel rematou a dois metros da baliza aberta e o guarda-redes conseguiu esticar o pé e evitar o golo.


O Benfica poderia ter ganho o jogo, como também poderia ter ganho o de Amsterdão. Teve ocasiões para isso, e não teve pontinha de sorte. É certo. Mas não é menos certo que, no que toca a jogar a bola, a distância entre este Benfica e este Ajax é maior que a que separa Lisboa de Amsterdão.


A verdade é que a segunda parte mostrou a enorme a diferença entre o futebol colectivo do Ajax e o futebol desgarrado do Benfica, feito das arrancadas do Grimaldo, do Cervi e do Rafa. E das faltas de Sferovic. E quando assim é nem sobra muito jeito para falar de sorte, de azar e de arbitragens!


 

E o algodão ficou amarelo ...

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O algodão não engana... Mas também não desenganou por completo. Os americanos mostraram um cartão amarelo a Trump, mas nem foi muito alaranjado. 


Os democratas ganharam claramente a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso, por onde tem de passar todo o processo legislativo. E isso vai atrapalhar a agenda de Trump, mas vai também permitir o avanço em muitas investigações incómodas para o actual presidente, como as ligações e as interferências do regime de Putin na sua eleição e o seu cadastro fiscal. E ganharam mais governadores estaduais. Mas os republicanos mantiveram, e até reforçaram, a sua posição no Senado, a câmara alta, o que obriga a muita concertação no processo legislativo.


Trump não foi plebiscitado, antes pelo contrário, foi admoestado. Mas também não ficou erguida uma barreira à sua reeleição. Nem do lado democrata emergiu um adversário de peso, até porque a estrela ascendente, Beto O´Rourke, perdeu a corrida para o Senado, no Texas, para o poderoso Ted Cruz. Se as declarações de Trump tivessem alguma vez alguma justificação, diria que talvez tenha sido por isto que tenha escrito no seu twitter: "Tremendous success tonight. Thank you all!".


 


 


 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Teste do algodão

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Hoje há eleições nos Estados Unidos. A meio do mandato, Trump quis fazer delas um plebiscito, como expressamente confirmou, e um trampolim para a reeleição. Para isso empenhou-se e comprometeu-se integralmente com a campanha, o que quer rigorosamente dizer que mentiu, manipulou e forjou como se não houvesse amanhã.


O reportório não é novo, nem traz sequer nada de novo: amedrontar os eleitores, incutir-lhes muito medo com a invasão do país por um gigantesco bando de sul-americanos criminosos, terroristas, traficantes de droga, violadores e assassinos, e avisar que só não ganhará se houver fraude eleitoral. Novo é que, agora, milhares de pessoas a fugir da miséria a que foram condenados por governantes corruptos que sucessivas administrações americanas plantaram e suportaram, engrossam uma caravana que atravessa o México em direcção a norte, à fronteira onde Trump colocou 15 mil soldados com ordem para matar. 


Hoje os americanos vão dizer se a eleição de Trump, há dois anos, foi um acidente, ou se, fechando-se sobre si próprios, fecharam definitivamente a América ao mundo. É uma espécie de teste do algodão!


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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Um clássico

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Embora só amanhã comece a bombar, aí está a Web Summit. À terceira, a maior. Os números não mentem: 70 mil. São setenta mil os participantes desta orgia de empreendedorismo, numa epidemia de tecnologia.


E a melhor, diz a promoção. 


Estava tudo preparado para ser recebida com uma greve no Metro, naquilo que começa a tornar-se um clássico. Já nem parecia possível inaugurar uma edição da Web Summit sem greve no Metro, mas aconteceu. Se calhar porque "Lisboa é bonita para andar a pé", como diz o boss. Fica-lhe bem, Lisboa também faz tudo para que nada lhe falte...

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Há coisas que não vale a pena prolongar


 


Tudo começou direitinho. A águia Vitória tardou um bocadinho, mas fez o seu papel e chegou ao seu destino -  dos Vitória, foi a única a fazê-lo -, o adversário não chateou com a escolha de campo, a moeda caiu para o lado de Jardel - e foi a única coisa que lhe saiu bem -, Jonas estava finalmente de regresso à titularidade e, qual cereja no topo do bolo, marcou, a passe do João Félix, logo no primeiro ataque à baliza adversária, ainda o relógio não tinha chegado ao segundo minuto.


Foi com este arranque perfeito que o Benfica surgiu hoje na Luz, longe das enchentes de há semanas - elas não matam, mas moem - mas, mesmo assim, com quase cinquenta mil, para defrontar o Moreirense. Mas foi também este arranque perfeito que a equipa do Benfica tratou de dinamitar de imediato.


O golo madrugador, o centésimo de Jonas no campeonato português, em vez de libertar a equipa, em vez de apaziguar a ânsia do golo que fugia, e de atemorizar o adversário, deixou a equipa a dormir. Logo. De imediato!


E passou a ver-se em campo uma equipa que não dava espaços à outra, e usava  magistralmente os que a outra lhe oferecia. Uma equipa colectivamente muito melhor, e até - juraríamos - com melhores jogadores individuais. Só que essa equipa era a que tinha chegado de Moreira de Cónegos!


Foi assim durante toda a primeira parte. Passava pouco da meia hora de jogo e já o Moreirense ganhava por 3-1. Em pouco mais de uma hora, as primeiras meias-horas dos dois últimos jogos, o Benfica sofria cinco golos, tantos como nos anteriores sete jogos do campeonato. Todos eles inaceitáveis numa equipa da dimensão da do Benfica, e todos eles a revelarem o estado de esgotamento a que a equipa chegou.


O esgotado futebolzinho de Rui Vitória é isto. Quando tudo corria bem, os golos apareciam e as fragilidades disfarçavam-se. Mas à menor contrariedade é o descalabro. E hoje já todos os treinadores conhecem esse futebolzinho, e sabem como contrariá-lo... É o descalabro a suceder-se sucessivamente, já com toda a gente sabe como lançar a equipa do Benfia no caos.


E então é vê-la perdida em campo, sem perceber o que lhe está a acontecer, ora agarrada  a um futebol estéril de passes para o lado e para trás, incapaz de um rasgo, de uma rotura, ora perdida no pontapé para frente, a entregar sucessivamente a bola à defesa adversária. 


Há coisas que não vale a pena prolongar. Isto é uma delas! 


 


 

Medonho*

 


 


 


 


 


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Esta bem poderia ser a semana dos horrores. Começou com o diabo disfarçado de eleições no Brasil, e continuou com os horrores de tudo o que se disse e escreveu a esse propósito, ainda antes de começarem os horrores propriamente ditos. Que aí virão, certamente.


Passou pela esperada aprovação do Orçamento de Estado, para uns, cheio de horrores a que chamam eleitoralismo. Mas sem o diabo, essa figura central do horror tão anunciada para esta legislatura, definitivamente afastada. Se não apareceu nesta semana de diabos e diabretes, é porque já não vai aparecer.


E acabou – está a acabar – com o Halloween, essa orgia de horror que os Celtas criaram na sua passagem de ano, acreditando que a fronteira entre um ano e o seguinte, com o frio do Outono, fazia tremer a própria fronteira entre mortos e vivos, e que a diáspora irlandesa levou para a América, para aí transformar num festival de entretenimento exportado para todo o mundo com grande sucesso comercial, como aconteceu com praticamente tudo. Nada que o Papa Gregório IV conseguisse abalar com a introdução do Dia de Todos os Santos que hoje só quase leva a romagens aos cemitérios, também elas revestidas de boa carga comercial.


Em tempo de fake news, esta semana comemorou a primeira de que há registo, marcada, como não poderia deixar de ser, pelo terror, numa brincadeira sem consequências. Há oitenta anos, comemorados agora, Orson Wells interrompeu a emissão radiofónica da CBS para noticiar que os marcianos estavam a invadir New Jersey, lançando milhões de pessoas no pânico.


Dos marcianos temo-nos livrado. Das fake news, já com consequências, e terríveis, não. Invadiram-nos por todos os lados, espalhando terror à conta do mais tenebroso invasor da Humanidade que se dá pelo nome de ignorância. Essa sim, medonha!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...