domingo, 28 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Acabo de tomar conhecimento desta: as mulheres que tenham interrompido voluntariamente a gravidez, nos termos da lei da respectiva despenalização, têm direito a subsídio de maternidade.


É verdade, este aborto existe! Está plasmado na lei! Alguém escreveu uma barbaridade destas, alguém aprovou uma imbecilidade destas, e alguém promulgou esta aberração!


Impunemente! E sem sombra de pudor...

Parabéns Benfica

Benfica 117.º Aniversário Clube Vídeo - SL Benfica


 


O Benfica comemora hoje 117 anos. Quase um século e um quinto de História de glória, que não é apagada por momentos menos bons, e às vezes até menos dignos dela, como é o presente. 


Celebrar este aniversário é afirmar essa História de glória e chama imensa, e intensa. É também gritar bem alto que esta chama é indestrutível, e que não toleramos mais que uma casta de oportunistas continue a fazer do Benfica o seu bunker de protecção pessoal. E que não permitiremos que ninguém manche de vergonha 117 anos de História do maior e mais glorioso clube de Portugal.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Chama-se Leonardo Jardim, é, como o nome deixa entender, madeirense e foi, até há pouco, treinador do Beira Mar. Na época passada, conduziu a equipa de regresso à I Liga e, sempre com o clube envolvido no meio de problemas organizativos e financeiros sem fim, conseguiu, ao longo desta, estabilizar a equipa em torno de níveis exibicionais bem altos e de resultados francamente positivos, ocupando sempre a primeira metade da tabela classificativa.


Tinha por isso, que não é pouco, dado nas vistas!


No final da passada semana começaram a surgir notícias que davam conta do envolvimento do FC Porto. Que Pinto da Costa, bem à sua maneira, classificava de imbecilidades.


Dizia-se que, também bem à sua maneira, o teria contratado já para a eventualidade do André Vilas Boas sair. Para a hipótese de chegar uma proposta do estrangeiro que o levasse da sua tal cadeira de sonho. Com um plano B, bem à Pinto da Costa: se o rapaz não fosse levado a deixar a sua cadeira de sonho, o destino temporário do madeirense seria Braga.


Uma viagem de Aveiro ao Porto com escala em Braga!


A conversa, ontem mesmo, de Domingos Paciência era um mal encapotado discurso de despedida. Hoje, o Leonardo de Jardim abandonou o Beira Mar!


Contra a vontade do presidente do clube, surpreendido com a decisão do treinador. A notícia correu: “Leonardo Jardim não chegou a acordo com o Beira Mar para a renovação do contrato e rescindiu o contrato”!


Ninguém percebe. Então não chegar a acordo para a renovação do contrato implica rescindir agora o contrato em vigor até ao final desta época? Por que raio rescindir agora um contrato que termina em Junho apenas porque não quis, e dentro de toda a sua legitimidade, renová-lo para além dessa data?


Não bate certo, mas o treinador explicou: “… entendo que é o momento certo para sair do Beira Mar”!


Nem bate certo nem percebemos a explicação!


Enfim, gente extraordinária…

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Acredito que se forem procurar na literatura já disponível sobre o futebolês, ou em qualquer tentativa de dicionário desta linguagem, não encontrarão esta expressão: fazer posse. Já sei que estão a pensar googlar. Tirem o cavalinho da chuva: só encontrarão fazer pose!


Não é a mesma coisa, garanto-vos!


Corro pois o risco de ser acusado de andar para aí a inventar palavras – que não palavrões – e expressões para o futebolês só para alimentar esta rubrica. Garanto que não invento nada! Esta, parece-me, é uma expressão nova. Ouvi-a recentemente da boca de um dos novos agentes do fomento e desenvolvimento desta variante de comunicação – um dos muitos treinadores desempregados que viram comentadores, e donde surgem verdadeiras revelações na arte do futebolês.


Nos primeiros números desta rubrica, onde a bola era rainha, revelava-se o que chamaria de uma certa dimensão erótica da bola. Era o beijo, e em particular a forma como ela, beijando-as, se enrola nas redesOu a bola (parada), a mais apetecível beldade, objecto de abraços, apalpões e ciúmesOu mesmo a segunda bola!


Regressamos a essa dimensão erótica da bola a propósito desta expressão de hoje. Porque tudo começa no próprio acto de possuir a bola. Toda aquela gente, todos e cada um daqueles 22 jovens que por ali andam não sonham com outra coisa que não seja possuí-la. Lutam doidamente pela sua posse, como qualquer macho feroz pela sua fêmea. O tempo do acto de possuir é rigorosamente medido e depois apresentado em estatísticas sob a forma de percentagem: umas vezes bem repartido pelos dois conjuntos, outras com desequilíbrios verdadeiramente obscenos. Veja-se o caso do Barcelona: aquela rapaziada possui a bola com evidente exagero. É sempre bem acima dos 60%, eles possuem tudo e não deixam nada!


Deixemos por agora os catalães e a sua obsessão por possuir a bola e fixemo-nos na dinâmica própria desta linguagem.


Possuir a bola, também em tempos referido como ter a bola em seu poder – notoriamente menos romântica – rapidamente evolui para posse de bola. Depois foi só deixar cair a bola para se fixar na posse.


E surgem a construção em posse, a progressão em posse ou, ainda, a posse e circulação. Até ao novo fazer posse. Isto é o que deveria chamar uma verdadeira língua viva!


Fazer posse é então um neologismo do futebolês utilizado para referir uma circunstância de jogo que passa por possuir a bola por bons períodos de tempo. Por guardá-la para si, trocando-a entre os colegas quase a roçar o despudor. Ou, fugindo a esta carga mais perversa, fazendo-a circular entre os jogadores.


Evidentemente que, como em tudo na vida, não faz posse quem quer. Faz posse quem pode! Quem dispõe de jogadores com capacidade técnica, quem trabalha a cultura de posse e quem respira saúde física e mental.


Se estas condições se não conjugarem ninguém segura a bola. Se falta a condição mental então que a bola queima! Sem condições psicológicas os jogadores não estão seguros de tratar bem a bola  - problemas de adolescência, diria - e querem livrar-se dela o mais rapidamente possível. De qualquer maneira porque ela até lhes queima os pés!


Desconfio que a bola também tenha as suas preferências. Enquanto queima os pés de uns aconchega-se docilmente nos de outros. Enquanto foge que nem o diabo da cruz de gente como Gatuso, Mascherano ou Bruno Alves, corre alegremente para os pés de Messi, Nasri, ou Cristiano Ronaldo. Enquanto se passeia, airosa e obediente, entre Xavi, Iniesta e Messi, foge que nem uma barata tonta de Maniche, Saleiro e Djalo!


Peço desculpa pelo exemplo: as coisas não estão para exemplos destes. Como dizia um amigo e leitor: corre-se um risco de atentado ao pudor!


 

Rafa não merecia a incompetência de Jesus


 


Depois de falhado o acesso à Champions, de perdida a Supertaça, de perdida a Taça da Liga, e de perdido o campeonato, o Benfica acaba de ficar também de fora da Liga Europa, logo na primeira vez a eliminar. Tudo o que havia de objectivos esta época foi irremediavelmente pelo cano abaixo.


Para que não sejam falhados todos os objectivos, a Direcção, através do seu lastimável aparelho de (des)informação, fixa agora como objectivo atingir a final da Taça. A meio da eliminatória que decide esse acesso com uma equipa da II Divisão, e com uma vantagem de  3-1 conquistada no primeiro jogo, fora,  o objectivo definido pela Direcção de Vieira é chegar à final. Não é ganhar o único título que pode conquistar!


Começo por aqui porque esta é a ideia que salta deste jogo em Atenas, casa emprestada do Arsenal para a segunda mão desta (primeira) eliminatória da Liga Europa, que dava o acesso aos oitavos de final da competição. O conformismo e a falta de ambição, e as fasquias rentes ao chão, é o que ressalta deste jogo.


Percebeu-se que apenas se buscava uma derrota honrosa (como se houvesse disso), que permitisse uma espécie de vitória moral com que Jorge Jesus pudesse manter a narrativa da sua irresponsabilidade. Daí que diga que "fizemos um grande jogo".


Não fizeram, nem nada que se pareça. E, pior, quando o jogo lhe ofereceu a possibilidade de o ganharem, e de eliminarem o Arsenal, transformado em gigante pela narrativa de Jesus, tratando o 11º classificado da liga inglesa numa das maiores equipas de Inglaterra, ficaram surpreendidos, sem saber o que fazer.


Durante toda a primeira parte a equipa não finalizou uma única jogada de futebol corrido. Fez dois remates em lances de bola parada. O primeiro aos 35 minutos, numa cabeçada de Vertonghen em resposta a um livre cobrado na direita por Pizzi; e o segundo naquele fantástico livre directo surpreendentemente cobrado por Diogo Gonçalves, que deu no golo do empate, em cima do intervalo.


Em todo o jogo o guarda-redes do Arsenal não fez uma defesa. Uma única. O Benfica fez dois golos nos dois únicos remates enquadrados com a baliza. E só fez mais três remates, todos para fora. Tantos quantas as faltas que fez em todo o jogo, para se ter a ideia da forma como a equipa encarou o jogo. O Arsenal, que pelo seu futebol faz poucas faltas, fez dez!


Isto diz bem do que foi a "grande exibição" que Jorge Jesus reivindica. Não ter sido massacrado, para o treinador do Benfica, foi suficiente.


E no entanto o Benfica teve, primeiro, a vitória na mão e, depois, a eliminatória. E tudo foi cano abaixo, como tem vindo a acontecer ao longo da época. Quando Rafa - o único jogador com o dínamo carregado, e que não merecia de todo este desfecho - fez o segundo golo (caído do céu, é certo, mas era o único que poderia fazer aquele golo), pelo que o Arsenal mostrava, abriram-se as portas da vitória, no jogo e na eliminatória. Que Jorge Jesus não soube manter abertas.


Desde logo com as substituições, ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora da segunda parte, e pouco antes do golo de Rafa. Justificar-se-ia a troca de Seferovic por Darwin que, apesar do seu péssimo momento de forma, é mais adequado àquela função de sozinho lá na frente. É fisicamente mais forte, e mais expedito no remate. Mas as trocas de Taarabt (com o único amarelo do jogo, e desde bem cedo, logo aos 4 minutos, mas se o Benfica não fez faltas...) por Gabriel, e de Pizzi pela nulidade Everton, especialmente esta, foram desastradas.


Tudo o que Everton fez foi participar que nem um juvenil no segundo golo do Arsenal, um daqueles golos que já não se usam. 


O golo da vitória do Arsenal, a três minutos do 90, não foi mais uma crueldade do futebol, como muitos querem fazer crer. Foi apenas uma inevitabilidade na incompetência de Jorge Jesus. Que Rafa não merecia. Nem porventura Weigl, Vertonghen e Otamendi.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Acabo de ouvir, pela boca do bastonário Marinho Pinto, que a Ordem dos Advogados exige a demissão do Director Geral dos Serviços Prisionais e vai accionar criminalmente o Director da Cadeia de Paços de Ferreira e os membros do comando do GISP, pela sua intervenção nessa cadeia em Setembro passado e divulgada esta semana partir de um vídeo publicado pelo jornal Público.


Acusa-os da prática do crime de tratamento cruéis e desumanos e, pelo meio, lá vai denunciando a cultura de repressão do sistema prisional. Em vez da politicamente correcta cultura de sociabilização!


Acho extraordinário!


Se eu e os meus concidadãos – que não o extraordinário Marinho Pinto – não fomos completamente enganado por tudo o que veio a público sobre o assunto, o nosso concidadão preso, coitado, apenas se recusava a abandonar a cela imunda de restos de comida e de dejectos. Os dejectos, para além inundarem a cela, serviam para o recluso – pessoa altamente sociabilizada, é bem de ver – barrar o seu corpo e ainda para arremessar a tudo o que mexesse em direcção à porta. Comportamentos humanamente normais e nada cruéis!


Não sei como é que gente extraordinária como Marinho Pinto resolveria uma situação destas. Sabe-se como a Cadeia de Paços de Ferreira resolveu: com uma intervenção toda ela preparada e devidamente autorizada pela cadeia hierárquica. Por quem de direito!


Claro que o recluso é, embora não pareça, uma pessoa humana. Prezo-me de colocar a exigência pelo respeito da dignidade humana primeiro que tudo. E acima de tudo! E, neste caso, não tenho dúvidas de que lado está… Não é do lado do recluso! Nem é do lado desta gente extraordinária que acha que os mecanismos garantistas não conhecem limites. Nem os do bom senso! E que acha que, entre polícias e ladrões, tem de estar sempre do lado dos ladrões…

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Plano de desconfinamento


Anda aí à solta a febre do desconfinamento. Toda a gente clama pela abertura ... das escola. Curiosamente como há pouco clamava pelo seu encerramento. Se não é esquizofrénico, não anda lá muito longe.

 

Percebe-se, falar das escolas é fofinho, como se a abertura das escolas quisesse dizer que só as crianças desconfinam. Não quer, como se sabe. Os pais vão levar os meninos, mas ninguém acredita muito que não saiam do carro e regressem a casa. Depois vêm os cafés, as pastelarias e os restaurantes (na realidade os sectores mais atingidos, com a hotelaria, a sua irmã gémea). E depois vem o que já todos percebemos, por experiência bem recente. Como veio depois do início do ano lectivo. E como veio depois do Natal... E voltamos ao mesmo.

 

Não. Não podemos voltar mais ao mesmo. E isto tem que ser claro.

 

Outra coisa é estarmos todos fartos disto. Cansados desta porcaria de vida. E é precisarmos todos de ver luzinhas ao fundo deste buraco em que estamos metidos. É aqui que entra o tal plano de desconfinamento, de que fala o Presidente  Marcelo, com António Costa a assobiar para o lado.

 

Percebe-se que o governo nem queira ouvir falar disso. Por ser este governo, e por ter esta oposição. É simples - não me comprometam... É o costume. O governo, este governo, não existe para servir o país. Existe para se gerir a si próprio. E por isso não quer ouvir falar de apresentar um plano de desconfinamento que lhe seria atirado à cara ao primeiro incumprimento. 

 

Mas devia, porque é hoje uma verdadeira prioridade ver a tal luz lá ao fundo. E podia. Um plano de descofinamento, como qualquer plano, teria que ser calendarizado. Obviamente que é aí que está o problema. Mas não teria obrigatoriamente que dar prioridade ao calendário. Nem sequer deveria. Teria que dar prioridade a critérios. Seria simples: quando o país atingir o valor x, y e z nos critérios a, b e c, abrem-se os sectores k,l e m. Pela evolução actual, mantendo as actuais regras de confinamento, poderemos atingir esses valores em x semanas. 

 

Claro, com esses resultados suportados por testes a sério. 

 

Penso eu, mas se calhar estou errado...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O Secretário de Estado do Turismo – Bernardo Trindade – declarou acreditar que Portugal ganha com a situação que se vive no Médio Oriente. Em entrevista ao Jornal de Negócios, mais tarde confirmada pelo menos a uma televisão, este membro do governo não tem dúvidas em afirmar que a instabilidade naquela zona é vantajosa para Portugal. Porque atinge os nossos concorrentes directos...


Com gente extraordinária como esta no governo, com este sentido de oportunidade – o verdadeiro killer instinct empresarial de gente extraordinária com olho para o negócio – difícil é perceber o estado a que este governo deixou que o país chegasse!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


“O regime de Kadhafi acabou”: a frase é do ministro do interior da Líbia, Abdul Fattah Yunnes, em declarações à cadeia de televisão Al Arabiya.


O ministro do interior disse mais: disse que se tinha “juntado à revolução popular em curso no seu país” e disse que tinha ordenado às suas forças para “não apontarem armas aos líbios” …


E disse ainda que Muammar Kadhafi, que foi alvo de uma tentativa de assassínio por parte de um seu ajudante, provavelmente se suicidará!


Esta onda revolucionária árabe não pára de nos surpreender! É dominó atrás de dominó… Já chegou ao coração do regime!


Quem, ainda ontem, depois do discurso ameaçador de Kadhafi a anunciar o genocídio e a ameçar com a guerra civil, seria capaz de prever para hoje estas palavras do ministro do interior?


Mas não foi também depois do discurso de negação de Mubarak que a liberdade e a vitória foram cantadas na Praça Tahrir?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Desconfinamento?

SIC Notícias | Covid-19: Reunião no Infarmed volta a juntar políticos e  especialistas


 


É indesmentível que o confinamento está a dar resultados. Já esses, os resultados, poderão não ser tão indesmentíveis. Ou, pelo menos, mais discutíveis. Por uma razão simples - é que a testagem está a diminuir assustadoramente.


Em meados de Janeiro faziam-se cerca de 70 mil testes por dia. No início deste mês, 50 mil. E na última semana apenas 30 mil, bem menos de metade de há um mês. 


O confinamento está a resultar, mas significativa e expressiva descida da incidência de covid-19 nos últimos 14 dias que hoje sustentou a reunião com o Infamed, não deveria ignorar esta realidade da testagem. E, com um tão lento ritmo de vacinação, não serão muito avisados os apelos ao desconfinamento. Por muito compreensíveis que possam ser. Mais que as duas vozes que no governo se percebem sobre a matéria.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O banho de sangue continua na Líbia, com Kadhafi apostado em repetir Tiananmen.  


O efeito dominó instalou-se na estrutura diplomática do país a partir da posição do embaixador em Nova Deli, de que ontem aqui dei nota. Sucedem-lhe, a começar pelo próprio embaixador na ONU, os embaixadores na Austrália, na Malásia, no Bangladesh... O que, infelizmente, não parece passar para o interior do aparelho de poder instalado no país, ao que parece a resistir à desagregação.  


Efeito dominó não vemos na comunidade internacional, pese embora a ameaça da ONU de considerar a violência em curso sobre a população líbia como crime contra a humanidade. Continuamos a assistir a um silêncio ensurdecedor da União Europeia e dos países membros. Sentimo-nos incomodados pelo silêncio da Europa e pelo silêncio português – agora que Portugal tem assento no Conselho de Segurança da ONU. Sentimo-nos incomodados quando lembramos a recepção dispensada a Kadhafi ainda há pouco, na vergonhosa cimeira de todos os ditadores. Sentimo-nos envergonhados quando revemos as fotografias sorridentes de Amado e Sócrates à volta de um Kadhafi de olhar perdido e lunático. Mas o que sentir quando vemos que o conselheiro pessoal do filho de Kadhafi – Saif Al-Islam – que ontem garantia que iriam “lutar até ao último minuto, até à última munição e até que o último homem esteja de pé” – se dá pelo nome de Tony Blair?


 

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Proezas e azias

Farense 0-0 Benfica: Águia volta a empatar e fica a 15 pontos da liderança


 


De proeza em proeza lá vai o Benfica neste campeonato. Hoje, em Faro, mais uma - conseguiu tornar-se na primeira equipa a não marcar ao Farense.

 

O jogo foi de grande intensidade, de parada e resposta, como os narradores gostam de dizer. E muito rasgadinho, cheio de duelos intensos. Especialmente na primeira parte. Não foi sempre bem jogado, mas foi sempre muito bem disputado

 

Se não se puder dizer que foi uma grande primeira parte, tem de se dizer que foi muita boa, para as circunstâncias. Pelas indicações que a equipa vinha dando sobre a sua condição física não se esperaria que o Benfica tivesse condições para responder à intensidade que foi lançada no jogo.  

 

O Benfica foi então superior, mesmo que o Farense tivesse sempre sido um adversário vivo no jogo. Teve até a primeira oportunidade de golo, negada por Helton Leite, com uma boa defesa. E chegou até a introduzir a bola na baliza do Benfica, mas não valeu, por fora de jogo de Licá. À pele.

 

O Benfica teve mais oportunidades e rematou muito, ao contrário do que tem acontecido. Mas quase sempre para fora do rectângulo da baliza. Na única vez que lá acertou (Everton) o Defendi ... defendeu. Uma grande defesa. De resto só mais uma oportunidade clara, só que em vez de entrar a bola entrou Darwin pela baliza dentro, depois de bater no poste. E os pecados capitais deste futebolzinho de Jorge Jesus. Se calhar não é culpa dele, a linha final é que tem espinhos, e a área adversária queima.

 

A segunda parte foi menos viva, também não era fácil manter o ritmo e a intensidade da primeira. Percebia-se por isso  que Jorge Jesus tivesse que iniciar cedo o jogo duas substituições. Não se imaginaria é que seria sempre para piorar. Ainda não se tinham esgotado os primeiros dez minutos e lá vinham as primeiras: o ineficaz Darwuin era trocado pelo ainda menos eficaz Waldschmidt; e o desastrado  Gilberto pelo mais desastrado Diogo Gonçalves. Pouco mais de cinco minutos depois mais duas trocas, mas também Pizzi e Grimaldo não acrescentaram nada ao que Gabriel e Nuno Tavares tinham feito. E que não tinha sido muito, especialmente o lateral esquerdo. Só mais tarde, já à entrada do último quarto de hora (!!!), é que Jorge Jesus tirou o Everton. Decidiu trocá-lo pelo Cervi, naquela altura do jogo. Ele é que sabe, e pelo ganha, deve saber muito. Mas não o suficiente para perceber que aquele futebol do craque que trouxe da selecção brasileira não é deste tempo. Hoje já não se joga assim.

 

É certo que a equipa criou mais três oportunidades claras de golo - Rafa, logo no início, e salva pelo guarda-redes, depois Seferovic, ao poste, e finalmente Pizzi, ligeiramente ao lado. E que o Farense, que tantas ameaças fizera na primeira parte, só por uma vez, aos 77 minutos, num remate de Ryan Gold, levou perigo à baliza de Helton. Ele andou por lá, à saída dos primeiros dez minutos, mas aí foi o próprio guarda-redes do Benfica a criar as aflições.

 

O treinador do Benfica não percebe o que se está a passar. Diz que é azar, que os jogadores do Benfica não marcam golos porque estão sem sorte. Também não marcam, nem nunca ficam perto disso, nos lances de bola parada. Certamente por azar. 

 

A arbitragem também não ajuda, diz agora Jesus. A arbitragem de hoje de Hugo Miguel teve os seus equívocos, é verdade. Coisa pouca, umas faltas sempre marcadas, e outras nunca marcadas. Uma dessas até acabou bem cedo num amarelo ao Gabriel, que ficou logo condicionado. No resto, cumpriu a lei. Quando o Rafa foi tocado no pé, e com isso derrubado, dentro da área do Farense, limitou-se a cumprir os regulamentos desta liga. Mas pronto, talvez também o Nuno Tavares tenha cometido um penalti estúpido sobre o Licá...

 

Tenho um amigo - sportinguista, mas para o caso não interessa - que diz que deixo transportar para aqui a minha azia. É verdade que não é fácil digerir quinze pontos de diferença. Mas ver o Braga o jogar à bola, como hoje se viu no melhor recital de futebol que esta época se viu em Portugal, e perceber que distância do seu futebol para este do Benfica, não se mede em pontos, mas em anos luz , é que dá azia a sério. Olhar para o Paços e para o que joga, e imaginar como vai ser dura a luta pelo quarto lugar, já só dá para uma ligeira indisposição. Porque essa é apenas mais uma proeza deste arrasador Benfica de Jesus.

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O movimento de contestação popular às ditaduras árabes do médio oriente não pára de engrossar. À medida que engrossa e avança vai deixando menos espaço à surpresa, a ponto de alguns dos regimes agora debaixo de fogo se terem apressado, numa tentativa de jogada de antecipação, a anunciar reformas, aberturas políticas e mesmo melhorias em vencimentos e pensões.


O dominó, no entanto, está em marcha. Mas agora com mais sangue, com as peças a caírem directamente em poças de sangue. Porque desapareceu o factor surpresa e os regimes foram tomando providências, a principal das quais não terá deixado de ser uma especial atenção aos militares que lhes garantem a sobrevivência.


Nos últimos dias assistimos a cenas dramáticas no Bahrein, com apelos desesperados de médicos impotentes para tratar a avalanche de feridos e estropiados que invadia os hospitais. Muitos nem sequer lá chegavam: as forças de segurança tudo faziam para impedir as ambulâncias de prestar auxílio às vítimas!


A proximidade do arranque da primeira etapa do campeonato mundial de fórmula 1, precisamente o Grande Prémio (GP) do Bahrein já no próximo dia 13, terá ajudado a aumentar a carga repressiva com vista a limpar a revolta. Depressa e em força, porque o GP não pode ficar em causa!


Na Líbia a violência tomou proporções ainda mais dramáticas. Kadhafi faz jus à sua fama de mais crápula dos ditadores daquela área do mundo. O louco e excêntrico ditador líbio, que há mais de 40 anos brinca com o Ocidente – que não só sempre lhe perdoou as travessuras como sempre lhe alimentou extravagâncias e caprichos – e rouba o seu povo, a quem condena à ignorância (tem a originalidade de proclamar que a escola não serve para coisa nenhuma, que as crianças, em vez de irem à escola, devem ser postas a trabalhar desde muito novas porque é a trabalhar que aprendem – se uma criança quer ser médico não deve ir estudar, deve ir trabalhar para um hospital que, ao fim de muitos anos, terá adquirido o conhecimento para ser médico) e à miséria.


A tudo deitou mão: polícia, exército, milícias e jagunços! E á medida que as mortes não param de crescer, vítimas de uma maré de violência sem limites, o aparelho de estado líbio começa a dar sinais de desintegração: diplomatas que se demitem e abandonam embaixadas – o embaixador em Nova Deli demitiu-se e garantiu à BBC que Kadhafi está a recorrer a mercenários estrangeiros para matar o seu povo – e, há momentos, era o próprio ministro da justiça a anunciar a demissão em protesto contra a violência repressiva empregue.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Mais um anglicismo do futebolês, a emprestar-lhe um ar cosmopolita: blackout!


Devo dizer que, em jeito de declaração de interesses, que o Quinta Emenda – cujo essência, como se vê aí em cima, assenta na rejeição do direito de ficar calado – não nutre grande simpatia pelo blackout. Recusar ou negar voz não é muito bem visto por aqui!


blackout, e não é por obstinada perseguição que o afirmo, deve estar entre as mais estúpidas, contraproducentes, parolas e reaccionárias atitudes do dirigismo do futebol. Num mundo de comunicação, em que quem não aparece não só esquece – quem não aparece desaparece, deixa de existir – impedir os intervenientes no jogo de o promover e alimentar mediaticamente, é parvo, para utilizar um termo em moda.


Há uma tentação ao blackout a que ninguém tem escapado. Não há aqui quem possa atirar a primeira pedra! Entendendo, como é óbvio, que só quem tem voz pode recusar-se a usá-la. E, no futebol, quem tem voz são os ditos três grandes…


O Porto tem sido useiro e vezeiro a deitar mão ao blackout. Ora em blackout absoluto ora em blackout selectivo! Que é como quem diz, ora de bico calado e não há nada para ninguém, ora quando, como nos porcos de Orwell, uns jornais ou umas televisões são mais iguais que outros.


O Porto, acho que deveria dizer Pinto da Costa, usa este recurso na maioria das vezes por birra. Mas também o usa como arma de mobilização e como instrumento de revolta, como diria agora André Vilas Boas, o novo mestre do boné lá da casa e grande partenaire de Pinto da Costa nesta arte de criar inimigos para manter as hostes fiéis e mobilizadas.


Mas Pinto da Costa não usa o blackout de uma forma assim tão parva quanto possa parecer. Por uma razão simples: é que, também aqui, põe e dispõe conforme muito bem entende! “Agora ninguém fala” – e deixa jornalistas e repórteres pendurados. “Agora quero dizer o que me apetece” – e lá vão todos a correr! O blackout segue dentro de momentos…


Consegue assim como que a quadratura do círculo. Não desaparece!


Aparece e desaparece como que por magia! Ou pela parva figura a que a comunicação social se presta.


De resto a comunicação social, quando se trata de Porto (ou de Pinto da Costa, já não sei bem) presta-se a muitas figuras parvas. Como ainda no passado domingo, logo no fim do jogo com o Braga, quando o Vilas Boas encomendou uma pergunta para poder aproveitar o curto período do flash interview a falar do Benfica. A pergunta lá saiu, mas tão atabalhoada, tão sem jeito que até parecia que o repórter cantarolava os Deolinda: “Que parvo que sou”…


Não admira: a comunicação do Porto esgota-se no Benfica. O Pinto da Costa não consegue construir uma frase que não meta o Benfica. Nem a declamar! O Vilas Boas está igualzinho!


O Sporting também já ensaiou o blackout. Mas nem isso lhe sai bem. Desistiu disso como desistiu de tudo o resto…


O Benfica também não foi nisso muito bem sucedido – nem na iniciativa gémea de convidar os adeptos à abstinência nos jogos fora de casa (fora de casa, mais uma expressão do futebolês que por aqui ainda haverá de passar, que não quer dizer na rua - quer dizer, no caso, fora da Luz) – mas tem a vantagem de ter uma televisão própria. Pode dar-se ao luxo de falar só para a sua TV!


Confesso, aqui que ninguém nos ouve, que o Benfica não faria nada mal se declarasse o balckout do Jesus. Então o homem vem dizer que os alemães estavam a tremer de medo? Depois foi o que se viu – uma primeira parte em que eles, com tanto medo, nem deixaram o Benfica respirar. Agora até já é o Javi Garcia a pôr também o Sporting a tremer…


Tenho uma ideia que, essa sim, justificava os exclusivos da Benfica TV: faziam a dobragem do Jorge Jesus com … sei lá … o José Nuno Martins. Não, o João Gabriel também não!


Ah! E aí está o derbi: sem medo, Javi! Estás cá há muito pouco tempo para saberes o que é um Sporting – Benfica… Ninguém tem medo de ninguém e, por regra, ganha quem está pior!


Claro que é regra haver excepção à regra. É o que vai acontecer!


 

Valeu o resultado


 


Não foi muito diferente o Benfica que hoje se apresentou hoje no Estádio Olímpico de Roma, onde estranhamente - se é que nestes intermináveis tempos da pandemia ainda há coisas para estranhar, em particular no futebol - para disputar o jogo que lhe cabia na condição de visitado, na disputa com o Arsenal pelo acesso aos oitavos de final da Liga Europa. Na realidade o Benfica não dá para mais e, nestas circunstâncias, o que se passou em Toma nem sequer foi das piores coisas que têm acontecido nos últimos (largos) tempos.

 

Quando digo que não foi diferente refiro-me naturalmente ao desempenho da equipa e, em particular, à qualidade do seu jogo. Porque o onze, e a sua disposição em campo, foi diferente. Dssde logo porque se apresentou com três centrais, desta vez a sério, e com a estreia do sebastiânico Lucas Veríssimo. E depois porque jogou sem alas. As faixas laterais seriam teoricamente ocupadas pelos laterais, o Diogo na direita e o Grimaldo na esquerda, para justificar aquela opção táctica pelos três centrais. No meio campo não houve grandes alterações, com Weigl ao lado Taarabt, e Pizzi na ligação à frente, onde reapareceu a dupla Darwin e Waldschemidt.

 

As coisas não começaram a correr muito bem, e percebeu-se facilmente que aquilo não estava trabalhado. E, pior, que os jogadores não conviviam lá muito confortavelmente com o sistema. Mas como a primeira parte foi morna, e na única grande oportunidade, Aubameyang falhou o golo, a equipa lá se foi aguentando.

 

A segunda parte foi mais mexida, e só por isso um bocadinho mais entusiasmante. E cedo, dez minutos depois do regresso dos balneários, chegou ao golo e à vantagem. Não porque, em boa verdade, a justificasse, mas porque felizmente as leis da UEFA não são as da Liga Portuguesa, e lá não é proibido assinalar penaltis a favor do Benfica. Isso. Penalti, Pizzi e golo.

 

O jogo estava então mais equilibrado e poderia admitir-se que, em vantagem, os jogadores do Benfica pudessem reforçar a confiança, e abrirem-se novas perspectivas à equipa. Só que a vantagem durou dois minutos, menos tempo que o necessário para discorrer aquele raciocínio. Envolvimento atacante do Arsenal em cima da área, como em tantas vezes durante o jogo e defesa do Benfica atrapalhada. Pizzi tira a bola mas ela vai bater em Weigl, e ressalta para um adversário, que noutra circunstância até estaria em fora de jogo, cruzamento (de Cedric) para a área, com toda a defesa do Benfica batida, e golo fácil do miúdo Saka.

 

O Benfica ainda conseguiu duas boas oportunidades de golo, numa boa jogada de Rafa (entrara ao intervalo) que a conclui com um excelente remate de trivela. Leno negou o golo. E à entrada do último quarto de hora, dessa vez com o remate de Everton a sair perto do poste, com Leno batido. Mas o Arsenal esteve sempre mais por cima, e criou mais oportunidades.

 

À medida que o jogo se aproximava do fim os jogadores do Benfica iam rebentando, uns atrás dos outros. Valeu o resultado, que não é bom. E valeu que o Arsenal achou que o resultado não estava mal de todo. E que também já não podia muito mais!

O copo a encher

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Há muito que Mamadou Ba se tornou no ódio de estimação da extrema-direita. Adianto que, pessoalmente, não nutro particular simpatia por este activista do SOS Racismo, associação que tem um papel fundamental na percepção e na denúncia do racismo. Não o achar simpático, não empatizar com ele, e entender até que muitas vezes é ele próprio que se põe a jeito, quando opta pelos caminhos mais propícios ao confronto, não limita a minha sintonia com as causas e os valores que estão por trás. Aí não tenho dúvidas nenhumas sobre qual é o meu lado.


Se, episódios como o da vandalização da estátua do Padre António Vieira, acabam por lhe rebentar nas próprias mãos, já a expressão "matar o homem branco", utilizada em contexto de aula como figura de estilo, acabou no aproveitamento abusivo e descontextualizado a que a própria expressão se presta.


A gota final no copo da extrema-direita, vertido na petição pública virtual que exige a sua deportação, caiu da sua reacção às manifestações pelo recente falecimento de Marcelino da Mota onde, na minha opinião, não disse nada mais que a verdade factual: Marcelino da Mata pode ser o militar mais condecorado (pelo Estado Novo, evidentemente) de sempre da tropa portuguesa, mas não deixa de ser a figura mais perversa do exército colonial, a expressão da propaganda colonialista, e uma personagem que falhou o banco do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos para ser julgado por sucessivas violações da Convenção de Genebra.


Este é também um sinal dos tempos que vamos vivendo, onde também o copo do retrocesso, da intolerância e do ódio se está a encher a um ritmo há poucos anos impensável.


 


 


 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Ontem o secretário-geral da OCDE era citado como tendo dito que Portugal e Espanha estavam a fazer um trabalho brilhante na consolidação orçamental e no controlo do endividamento externo. O governo, evidentemente, amplificou estas palavras até ao limite!


Hoje o Diário Económico cita a Reuters, a quem uma fonte da UEM terá referido que "Portugal está a afogar-se, não vai ser capaz de resistir para além do fim de Março” e que já toda a gente tinha percebido isso.


O gabinete do Primeiro-Ministro, evidentemente, negou tudo, garantindo que o país não vai recorrer a ajuda externa.


Marques Mendes, ontem na TVI 24, tinha esse pedido de ajuda por inevitável. Mais, garantia que o governo tinha por clara essa mesma inevitabilidade.


Eu acrescentaria que o governo apenas está à espera de poder retirar as iniciais FMI dessa ajuda. Logo que lhe seja possível camuflá-la como ajuda da UE pedirá essa ajuda. Claro que o próprio pedido também há-de ser travestido!


Até porque o ministro das finanças alemão – em entrevista ao jornal japonês Nikkei, citada pela Reuters, – garante que a Alemanha está disponível para apoiar Portugal desde que o país avance para reformas estruturais. Dava um único exemplo: o corte das pensões dos funcionários públicos. Ora aí está: em reformas estruturais o FMI não faria melhor!


E o BCE lá voltou hoje a comprar mais dívida portuguesa para que os juros não continuassem a disparar.


Entretanto, e sem que nada tenha a ver com isto, Sócrates lança a primeira pedra de uma nova barragem - a de Foz Côa, agora sem gravuras - e anuncia mais uma parcela do paraíso!


Se isto não é o pântano, então o que é o pântano?

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Sou daqueles que olham para o mundo, para as grandes e as pequenas coisas que nos envolvem, cercam e acontecem, à luz de uma certa concepção de relatividade.


Já perceberam que, ao contrário do que o título sugere, não me estou a referir à teoria que elevou Einstein ao topo dos topos reservados aos seres humanos. Refiro-me à dimensão da relatividade das coisas, afinal a mesma noção de relatividade que Einstein enunciava a propósito da sua própria Teoria. Da outra, da famosa Teoria da Relatividade!


Dizia ele, pouco antes da sua morte e projectando-se para além dela, que se a sua Teoria da Relatividade viesse a confirmar-se certa, a Alemanha diria que ele era alemão e a França declará-lo-ia cidadão do mundo. Mas que, se estivesse incorrecta, a França diria que ele era alemão e a Alemanha que ele era judeu!


Penso que encontramos aqui uma outra teoria da relatividade. Que não tendo a relevância científica da outra – que, felizmente para ele, para os alemães, para os franceses e para todos os outros, estava certa – tem a dimensão das coisas simples que se tornam lições de vida.


Olhar o mundo e olharmos para os outros desprendidos do definitivo e do absoluto e presos ao relativismo não nos abre apenas a imaginação. Abre-nos ainda as perspectivas do campo de acção mas, acima de tudo, abre-nos à tolerância.


Nada nos desenvolve mais o espírito de tolerância que a capacidade de relativizar. Nada mais nos aperta, condiciona e limita que a incapacidade de fugirmos ao lado decisivo, incondicional e absoluto de qualquer perspectiva da realidade. A incapacidade de reagir à ditadura do determinismo!


Tudo isto me foi sugerido pelo “O Discurso do Rei”, o filme de Tom Hooper recentemente estreado em Portugal e apontado como a grande estrela da próxima noite dos Óscares. O maior hino à capacidade de relativizar que já testemunhei!


Enquanto o Rei Jorge VI discursava anunciando ao povo a segunda grande guerra, quando as bombas já se ouviam, nos bastidores do discurso, ele próprio e a multidão do seu staf travavam uma batalha muito mais importante.


Quando chegar ao fim de um discurso é mais importante que o seu conteúdo, e quando esse é a segunda guerra mundial, encontramos o melhor exemplo da relatividade das coisas!


A mãe da tolerância, acho eu!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O desleixo do costume. Cada vez mais grave!

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As democracias medem-se pela prática das liberdades e garantias dos cidadãos, pela forma como é legitimado e exercido o poder, pela forma como cuida do desenvolvimento da sociedade, etc ... etc... Mas mede-se acima de tudo pelas suas instituições, porque são essas que, na prática, dão expressão a tudo isso.


É de tal forma assim que, quando circunstancialmente, em qualquer parte do mundo, gera soluções governativas que a podem por em causa, os olhos da opinião pública se viram exactamente para aí. Para a qualidade e as garantias das instituições. Se essa qualidade é reconhecida surge alguma tranquilidade. Se, pelo contrário, as instituições não inspiram essa tranquilidade, teme-se o pior. Trump, nos Estados Unidos, e Bolsonaro, no Brasil são, apesar de tudo, dois bons exemplos disso mesmo.


Em Portugal, o regime democrático não tem sido particularmente cuidadoso com a qualidade das suas instituições. E essa falta de cuidado é porventura o perigo maior para a nossa democracia, e uma das principais causas do crescimento da radicalização da extrema direita, para que ontem alertava um relatório europeu.


Vem isto a propósito da forma como se escolhem em Portugal as pessoas para as instituições. Umas vezes para alimentar clientelas partidárias, outras para pagar favores, outras por simples distribuição tácticas de lugares e, outras ainda, sem que se perceba por quê. Ontem tivemos mais um triste exemplo disso mesmo, com a estória do novo presidente do Tribunal Constitucional (TC) que, francamente, não sei em qual das situações anteriores se enquadra.


Não é mais um fait divers, longe disso.  Há 11 anos, aquando da aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, o novo presidente do TC, de seu nome João Caupers, escreveu uma série de alarvidades sobre a homossexualidade, os homossexuais e o suposto lobi gay onde, a par de uma inaceitável leviandade de abordagem, revelava um pensamento cavernoso, e uma enorme intolerância. 


Dando por óbvio que uma pessoa que pensa dessa forma não pode presidir à instituição que tem por função velar pelo cumprimento de uma Constituição como a portuguesa, só posso aceitar que quem procedeu à sua nomeação não conhecia o seu perfil. Que não era assim tão difícil de descobrir. A comunicação social descobriu-o de imediato.


É mesmo desleixo. O mesmo desleixo de sempre, e que leva à destruição da confiança nas instituições. E, claro, na democracia como fórmula única de sã convivência em sociedade.


 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


A notícia do dia era a revelação do segredo da fórmula da Coca-Cola. Essa fórmula secreta e misteriosa da bebida mais famosa do mundo, que primeiro se estranha e depois se entranha, era finalmente divulgada!


Pobre Coca-Cola Corporation, que será de ti agora? Estou ansioso por ver as cotações da Bolsa… Que será dos próprios americanos, agora que perdem o seu mito maior?


As revelações representam sempre um passo em frente. Seja no que for, uma revelação abre sempre novas portas e novas esperanças. Mas esta não! Seria capaz de afirmar que é o fim do sonho americano…


Este é um golpe mais profundo no que de mais íntimo há num americano. Nem a criminosa destruição das Torres Gémeas… Isto também só pode ser obra do Bin Laden!


Não há dúvida e agora teremos de nos habituar à ideia: chegou ao fim o mais bem guardado segredo do mundo. A partir de agora estamos sujeitos a beber uma coisa qualquer com o mesmo sabor da única e incomparável Coca-Cola!


Eu vi o facsimile da fórmula no Correio da Manhã: um papel amarelo (como convém), manuscrito e mesmo a cheirar a farmácia. E até numa televisão que resolveu almoçar comigo sem eu a convidar eu ouvi a notícia. Que dizia mesmo que na fórmula entravam coentros, coisa que eu pensava servir apenas para a nossa bela cozinha alentejana.


Mas os americanos, pelo menos os de Atlanta, não gostam só dos nossos coentros – também gostam dos nossos provérbios. De um que diz que quem ri por último ri melhor!


E desataram a rir (em último) a dizer que era mentira: afinal é tudo mentira, a fórmula está bem guardada, de boa saúde e recomenda-se!


São danados para a brincadeira estes americanos!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


As recentes e bem sucedidas movimentações populares na Tunísia e no Egipto deixaram muita gente surpreendida. Gente que, no Ocidente e mesmo no nosso país, entendia bem mais cómodo, seguro e interessante manter ditadores no poder, sabendo com o que podia contar, do que correr alguns riscos que poderiam provir da abertura desses regimes.


Sobre esta perspectiva histórica do Ocidente já aqui me pronunciei recorrendo, inclusive, à célebre e notável expressão utilizada por Kissinger. O que hoje me faz voltar ao tema são as opiniões de alguns sectores da nossa opinion making que, partindo eventualmente do mesmo princípio, vêm publicando teorias da desgraça que mais não fazem que desvalorizar aos olhos da opinião pública a enorme importância da queda de Mubarak e da romântica libertação do Egipto a partir da agora famosa Praça Tahrir.


Refiro-me a pessoas como José Pacheco Pereira, Vasco Pulido Valente ou Vasco Graça Moura. Que preferiram amedrontar com o que aí vem, profetizar a desgraça substanciada no que já ameaçavam como a eminência de uma viragem do Egipto para o fundamentalismo islâmico, a exaltar a fantástica oportunidade para nascimento da primeira experiência democrática do mundo árabe.


Esta lamentável, do meu ponto de vista, visão corresponde exactamente à falta de proactividade ocidental na defesa da democracia. Ou talvez pior, a uma certa ideia que a democracia é privilégio de apenas alguns. Nosso, só nós temos direito à democracia e, num sentido mais lato, ao nosso privilegiado modo de vida. Os outros que se lixem…É por isso que as coisas correm tantas vezes mal!


Pela tese dessas pessoas os egípcios estariam já, a esta hora, a dar vivas a Ahmadinejad e dispostos a engrossar as fileiras de Bin Laden. Pois, mas é ao contrário. O que já se vê é o povo do Irão de novo a levantar-se e a acreditar que a hora da sua libertação também poderá estar a chegar!


Vale a pena apostar no povo egípcio. Vale a pena apostar no povo árabe que não poderá estar condenado a escolher entre os ditadores pró-ocidentais e os fundamentalistas islâmicos. Também tem direito a escolher a democracia e o respeito pelos direitos humanos. E, fundamentalmente, pelo reconhecimento dos direitos das mulheres, que só a abertura à democracia poderá promover

domingo, 14 de fevereiro de 2021

A janela

Jorge Jesus:


Cada sinal de melhorias já só serve para aumentar a desilusão. Sempre que se lhe abre uma janela, o Benfica fica sem saber o que fazer.

 

O jogo de hoje em Moreira de Cónegos abria uma janela de oportunidade, não para o relançamento da luta pelo título,  que sobre isso já não há ilusões, mas para a discussão do segundo lugar, que sendo sempre o primeiro dos últimos, dá acesso à Champions. A equipa do Benfica olhou para essa janela e só viu que era uma oportunidade para para se mandar dela abaixo.

 

A equipa surgiu com a surpresa de Helton na baliza, e sem a surpresa de Pizzi no banco. Sem nunca chegar a um nível exibicional que confirmasse as melhorias anunciadas, o Benfica entrou no jogo dando sinal de queria ganhar e aproveitar a janela que se abrira com mais um empate do Porto, na véspera. E para se manter agarrada ao Braga, que ganhara nos Açores, no terceiro lugar. Não jogou propriamente mal, e criou algumas oportunidades de golo, perante um adversário que só defendia em cima da sua baliza.

 

Chegou ao golo aos 25 minutos (Seferovic), quando já o justificava. Continuou a dominar o jogo e o adversário, e poderia ter ampliado o marcador. Não o fez e, em cima do intervalo, aconteceu o que tem sido costume: na primeira vez que o Moreirense chegou à área do Benfica fez golo. Na história desse golo não entra apenas o minuto, o marcador, e o facto de ter sido a primeira chegada da equipa minhota à área adversária.

 

Tem mais história. Começa num lançamento longo para o ponta de lança do Moreirense, sobre a esquerda. Que à vista desarmada estava em claríssimo fora de jogo. Recebeu a bola, fez uma humilhante cueca ao Grimaldo que, quando meio atordoado ainda tentou recuperar a posição, ficou com os braços nas costas do jogador do Moreirense. Que não se fez rogado e caiu bem dentro da área. Penalti!

 

Penalti claro, sem quaisquer dúvidas. Penalti, essa coisa que, ao que se vai vendo, terá de constar de uma qualquer alínea de um qualquer artigo dos regulamentos da Liga proibindo-o sempre que a favor do Benfica.

 

A mão de Grimaldo nas costas do avançado do Moreirense teve intensidade suficiente para o derrubar? Não interessa, a intensidade não se discute. Estava fora de jogo, como as imagens que víamos mostravam claramente? Não, mostraram-nos as imagens do VAR. Estava - não 10 ou 11 - por 46 centímetros em jogo!

 

E lá foi o jogo para intervalo, com 1-1 no marcador.

 

Na segunda parte o jogo foi substancialmente diferente, e acima de tudo muito mais mal jogado. Teve largos momentos, em especial entre os  mais próprios de 60 e os 80 minutos, um "casados-solteiros" do que um jogo de  futebol do sexto mais importante campeonato da Europa. O Moreirense subiu no terreno, e disputou mais o jogo em todos os metros quadrados do terreno. E o Benfica foi cada vez mais caindo na mediocridade habitual do seu futebol, agravando-se com o estoiro físico da maioria dos jogadores. 

 

Mas teve mais histórias. Aos 60 minutos Vertonghen foi carregado dentro da área do Moreirense. Penalti? Não! Para além de estar proibido na tal alínea do tal artigo dos regulamentos da Liga, também aquilo não é falta. Só que minutos depois - que azar! - o Taarabt faz exactamente aquilo a meio do campo e... falta. Já ontem no Dragão víramos o mesmo: uma carga nas costas de um jogador do Boavista dentro da área do Porto, não foi falta. Poucos minutos depois, uma carga igual sobre Corona, a meio do meio campo de ataque portista, já foi falta.

 

Dois minutos depois, o árbitro Manuel Oliveira assinalou penalti, por falta sobre Weigl. Não podia ser, isso é contra os regulamentos da Liga. Mas víamos as imagens, e não tínhamos dúvidas: o defesa do Moreirense empurrou Weigl, mas sem intensidade. A tal. De tal forma que o jogador do Benfica não caiu, como tinha caído o do Moreirense. Desequilibrou-se, apenas. Continuamos a ver as imagens e vemos que acaba por cair, quando leva um toque no pé esquerdo, o que antes o mantinha de pé.

 

Nunca mais vimos essa imagem, a Sport TV fez o favor de não o voltar a mostrar. O VAR chama Manuel Oliveira para ir ver as imagens que tinha para lhe mostrar. E mostrou, só não mostrou a do toque no pé esquerdo do alemão do Benfica. Manuel Oliveira não teve dúvidas que o Weigl o quis enganar, reverteu a decisão do penalti e mostrou-lhe o cartão amarelo, quando o enganador era o VAR. E agora volto ao fora de jogo no lance do penalti que deu o empate ao Moreirense. Depois de ver esta falta de escrúpulo do VAR na manipulação de imagens, nunca mais acredito nas linhas de fora de jogo que nos impingem. E fiquei sem qualquer dúvida que aqueles 46 centímetros com que este VAR validou aquele penalti são uma das mais evidentes mentiras do VAR.

 

E lá seguiu tranquilo. Daí até ao fim foi o resto do calvário que é esta equipa do Benfica atravessa. Podia ter chegado ao golo da vitória, aos 79 minutos, na única jogada de futebol digna desse nome na última meia hora do jogo, concluída com uma excelente cabeçada de Darwin. Que o guarda-redes do Moreirense, evitou com uma defesa incrível. 

 

Os últimos minutos foram apenas penosos, com os jogadores do Benfica de rastos. Já só iam, nunca mais vinham. E o Moreirense só não acabou por ganhar o jogo porque não calhou. 

 

E no entanto Jorge Jesus achou que a equipa fez um grande jogo. O que torna tudo ainda mais preocupante. 

 

O Benfica podia, e devia, ter vencido o jogo. A arbitragem foi o que foi - imagine-se o que por aí iria se o que se passou se tivesse passado com outros -, o erro de Grimaldo é inaceitável, e sabe-se que a equipa não tem condição mental para tanta contrariedade. Posso admitir que, sem o erro de Grimaldo, e sem os erros da arbitragem, tudo poderia ter sido diferente. Mas isso não esconde o estado lastimável deste Benfica, nem a realidade de um Jorge Jesus definitivamente fora de prazo de validade.

 

A janela não serve só para nos mandarmos dela abaixo. Também serve para dizer adeus!

 

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


O INE divulgou hoje que o PIB cresceu, em 2010, 1,4%. Para o que contávamos até não teria sido mau de todo. Por qualquer outra perspectiva é péssimo!


Mas, no último trimestre, o PIB caiu 0,3%. Apesar de um Dezembro sobreaquecido em termos de consumo. Apesar de muita antecipação de consumo para o último mês do ano motivada pelo agravamento dos impostos, de todos os impostos, do início do ano!


Agora é só esperar pela confirmação daquilo que todos vemos à frente dos olhos: a quebra neste primeiro trimestre!


Dois trimestres consecutivos do tal crescimento negativo do economês e aí está a recessão técnica! Logo no início do ano, para que não fiquem dúvidas!


É a notícia do dia dos namorados...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Esta era, em minha opinião, a jornada decisiva do campeonato nacional de futebol (eu sei que já não se chama assim - que é a Liga – mas isto para mim é como o acordo ortográfico: enquanto puder resisto-lhe) desta época.


Ainda faltam onze jornadas mas, esta, a quarta desta segunda volta, poderia deixar, e deixou, a questão do título fechada. Por várias razões:



  • Porque é a quarta, a mesma que na primeira volta, logo no início, com a derrota do Benfica em Guimarães na tal arbitragem do Olegário Benquerença – a terceira nos primeiros quatro jogos – permitia ao Porto a inimaginável vantagem de nove pontos;

  • Porque o Benfica tem vindo sucessivamente a crescer e exibindo um futebol de muito boa qualidade, ao nível do da época passada, vencendo e convencendo, enquanto que o Porto tem vindo em sentido contrário e a acusar a falta de dois dos seus mais determinantes jogadores (o uruguaio Álvaro Pereira e o colombiano Falcao) embora continuando a ganhar;

  • Porque nesta tal quarta jornada o Benfica recebia na Luz o Guimarães, adversário tradicionalmente difícil (ainda na época passada ali ganhara, afastando os da Luz da Taça de Portugal) enquanto o Porto se deslocava a Braga, tida como uma das mais difíceis deslocações, para defrontar uma equipa que, na primeira volta e num grande jogo de futebol, lhes havia feito a vida negra no Dragão;

  • Porque, finalmente, se o Benfica confirmasse a consolidação do seu rendimento, uma carreira totalmente vitoriosa ganharia forma de hipótese credível para o resto da prova. E, se o Porto perdesse o seu primeiro jogo do campeonato, na hipótese anterior, os dragões ficariam com uma margem muito pouco confortável – uma única derrota deixá-los-ia a ver o título desviar de rota.


O Benfica realizou mais uma exibição esplendorosa, porventura a melhor da época, e ganhou por 3-0. Mas depois de o árbitro João Ferreira ter anulado (mal) dois golos – se num, anulado por fora de jogo, se poderá ainda dar algum benefício da dúvida, no outro, o árbitro imaginou qualquer coisa (uma mão, dizem) que ninguém conseguiu descortinar – de duas bolas nos ferros, de um penalti falhado pelo Cardozo (eu bem avisara, no futebolês abaixo) e de três ou quatro defesas impossíveis do Nilson. Ganhou por 3-0 ao quarto classificado mas poderiam muito bem ter sido 8!


O Porto, não jogando bem mas também, por evidente ausência de dificuldades, não tão mal como vinha fazendo nos últimos jogos, ganhou por 2-0 a um Braga já não só longe do da época passada (à medida que a época foi avançando foi-se afastando cada vez mais do brilhante desempenho da última temporada) mas deplorável, que fez dois remates em todo o jogo. Mas, também aqui há mas: com o árbitro Duarte Gomes a perdoar-lhe um penalti a meio da primeira parte, com o primeiro golo a surgir no último minuto dessa primeira parte, de um ressalto resultante de um canto que não existira, e com o segundo, perto dos 70 minutos, marcado em fora de jogo e a resultar de mais um ressalto, desta vez em resultado de um livre contra a barreira por uma falta inexistente, inventada pelo João Moutinho (já perdi a conta aos golos do Porto nestas circunstâncias).


Daí que entenda que esta foi a jornada decisiva para a atribuição do título, como, de resto, se viu nas caras de jogadores, técnicos e dirigentes portistas. Daí as declarações de Vilas Boas no final do jogo na sequência de uma questão colocada pelo jornalista (???) da Sport TV por evidente, indisfarçada e indisfarçável encomenda!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Melhoras que revelam doença


 


É um Benfica em crescendo, este que hoje se apresentou na Amoreira, para dar início à discussão com o Estoril do acesso à final do Jamor. Notam-se - notaram-se - algumas melhoras, mas também se nota que permanecem os pecados capitais do seu futebol. 


Claro que quando a equipa está mal, quando defende mal, quando os jogadores jogam devagar, devagarinho e parados, quando falham passes e recepções, acaba por não revelar tão flagrantemente esses pecados. O que salta aos olhos é a falta de movimentação, a apatia, os erros grosseiros e a descrença. Só quando essas limitações desaparecem é que podemos ver então o resto, aquilo que é mais estrutural no futebol de Jorge Jesus.


Os jogadores não são tão maus como se pinta, e é normal que, contra equipas como esta do Estoril - o tomba-gigantes desta Taça, que se bateu muito bem, que sabe defender como a maioria das equipas da primeira liga e que sai em transições melhor que muitas dessas -, estando a um nível físico, técnico e mental aceitável, a sua valia venha ao de cima. Às vezes podem até dar a ideia que estão a fazer uma bela exibição.


O jogo de hoje no Estoril retrata bem aquilo que quero dizer. 


Comecemos pela entrada no jogo. Nos primeiros dez minutos a bola esteve na posse dos jogadores do Benfica perto de nove. Perto dos 90% a posse de bola. Os jogadores passaram e receberam bem a bola e ela circulava entre eles. Mas nem um remate, o primeiro do jogo foi do Estoril que, nesse período, tiveram a bola cerca de um minuto. Que lhes deu para a recuperar duas ou três vezes e ainda para fazer um remate. Nesse mesmo período o Benfica até criou uma oportunidade clara de golo, quando Darwin surgiu isolado frente ao guarda-redes adversário e tentou passá-lo, para entrar com a bola pela baliza dentro.


Não foi muito diferente o resto da primeira parte. Remates, só de Rafa, hoje claramente infeliz nesse capítulo. Na única vez que acertou na baliza, já na fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, o golo foi anulado, por fora de jogo. Que não pareceu nada, e que mais dúvidas deixou quando as famigeradas linhas deram por 10 centímetros um fora de jogo que o fiscal de linha tinha assinalado com convicção só comparável ao que pareceu ser o erro.


Um futebol que até poderia ter parecido bonito em alguns momentos, mas confrangedoramente estéril. E repetitivo, de passe para o lado e para trás, uma e outra vez, sucessivamente. Alas que em vez de irem à linha de fundo, para abrir espaços, fogem para o meio, onde não os há. Quando lá chegam, ou perdem a bola ou voltam com ela para trás.


Se tinha sido o primeiro a rematar, não admiraria que o Estoril fosse também o primeiro a marcar, precisamente a meio da primeira parte. Bastou-lhe chegar uma vez à área do Benfica, numa jogada, de resto, muito bem concebida. Jorge Jesus chama-lhe azar. Pode até ser, mas aquele futebol é muito propício a azares.


Aí já Rafa rematava. A rasar o poste e à barra. 


O golo intranquilizou os jogadores do Benfica, que pareciam voltar a entrar na espiral de desacerto que parecia ter ficado para trás. Salvaram-se por pouco. Só nos últimos cinco minutos da primeira parte a equipa voltou a mostrar que aparentava melhoras. Primeiro foi Pizzi, com um grande remate à engrada da área, a estar perto do golo. Logo a seguir foi o guarda-redes do Estoril a negar o golo de Darwin. Que finalmente marcou, empatando o jogo, já em cima do minuto 45. 


Na segunda parte o jogo foi mais rasgadinho, e também mais repartido. E começaram as mexidas nas duas equipas que, para o lado benfiquista, desta vez até correram bem, com destaque para Taarabt, Seferovic e Weigl, bem melhores que Gabriel, Pedrinho e Everton, que teimam em desiludir. Para além de refrescarem a equipa.  Poucos minutos depois de entrar em campo Seferovic rematou ao poste, e outros tantos depois, marcou, consumando a reviravolta.


O Estoril subiu no terreno, e passou a deixar mais espaços na suas costas. Os sinais de melhoras também vêm do terceiro golo, com Taarabt justamente a aproveitar esse espaço numa transição rápida, como há muito se não via, para assistir Darwin. A bisar.


O caminho para o Jamor está aberto. Para melhores exibições, também parece. Para o sucesso é que é preciso mais. 


 


 

Brincar à serenidade

Ameaça de morte inscrita na sede da Liga após apelo de Pinto da Costa à serenidade


 


O Porto voltou a não ganhar. Desta vez no jogo da primeira mão das meias finais da Taça, ontem em Braga. Depois de não ter ganhado, no domingo, e também em Braga, o jogo da primeira jornada da segunda volta do campeonato. E de não ter também ganhado o anterior, o último da primeira volta, no Jamor. com o B SAD.


Quando o Porto não ganha, amua. Jogadores e treinador não falam, deixam os jornalistas pendurados. Só falam dirigentes, por ordem hierárquica. O Sérgio Conceição também fala, mas é só para os adversários e para os árbitros. Com a gentileza habitual, e reconhecida.


Na ordem hierárquica dos dirigentes, depois de um tal Francisco J Marques e de Vítor Baía, chegou ontem ao topo. Foi a vez de Pinto da Costa, a última instância da pressão. E fez lembrar Donald Trump e o ataque ao Capitólio. Não quer incitar à violência, não quer incendiar, mas ... Apela à serenidade, mas diz que não pára de receber mensagens dos adeptos, e não sabe o que pode acontecer. Só sabe que "basta"!


Hoje as sedes da Liga e da Federação Portuguesa de Futebol acordaram vandalizadas. Com "basta" e ameaças de morte nas paredes. O árbitro do jogo de ontem, Luís Godinho, foi objecto de ameaças de morte, estendidas à família. E contactos de árbitros e familiares foram durante a noite partilhados nas redes sociais.


É esta a serenidade a que Pinto da Costa ontem apelou. É esta a serenidade que Sérgio Conceição passa sempre que não ganha. E é esta a serenidade que Luís Gonçalves transmite a partir do banco do FC Porto.


Não é a primeira vez que brincam com estas coisas. Espera-se que desta vez haja coragem para acabar com a brincadeira.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Marcação é seguramente palavra do futebolês com mais homófonas.


Há a marcação do campo, melhor, as marcações do campo – porque marcação do campo era aquilo que nós fazíamos para reservar o aluguer de uma campozito qualquer para as nossas peladas de fim-de-semana – que são as quatro linhas que limitam o espaço do jogo, o meio do campo e as áreas: as grandes e as pequenas. Normalmente só ouvimos falar delas no Inverno, quando chove a bom chover e as quatro linhas mais parecem limitar uma piscina que um campo de futebol. Quando não percebemos porque é que uns tipos andam ali a divertir-se à brava a fazer aquaplaning, é porque as marcações estão visíveis. É esse o critério dos árbitros para interromper ou deixar prosseguir um jogo que toda a gente vê que não é jogo nenhum!


Há ainda a marcação entendida como atitude de vigilância sobre o adversário, mas também a marcação como cobrança. Não a cobrança de dívidas – que está pela hora da morte e é hoje em dia umas das tarefas impossíveis que muitos temos pela frente –, nem sequer a cobrança de impostos – a primeira e mais primitiva função do Estado e, diria eu, a única que este governo sabe levar a peito – mas a cobrança do futebolês: a cobrança das faltas, ou a cobrança dos cantos: a marcação da falta ou a marcação do canto. Ambígua e estranha, como convém em futebolês. Porque o jogador só pode marcar a falta se o árbitro a tiver marcado. Como o canto: o jogador só o poderá marcar depois de o árbitro o ter marcado! Pois é, agora marcar é apenas assinalar…


Naturalmente que o jogador só pode cobrar a falta assinalada pelo árbitro. Assinalada para punir uma falta cometida pelo jogador adversário por excessos cometidos na marcação. Ou seja, para confundir um bocadinho: um jogador marca a falta depois da falta ser marcada pelo árbitro; o árbitro marca a falta depois de um jogador fazer falta ao marcar o jogador adversário.


Às vezes não faz falta o jogador fazer falta. Outras faz mesmo falta o jogador fazer falta, como já vimos aqui na falta cirúrgica.


Mas agora também não faz falta falar da falta para falar da marcação. Porque, como aqui há uns anos (lembram-se?) havia vida para além do défice (haver havia, mas viu-se no que deu!), também há mais marcação para além da marcação da falta.


Até porque há marcação à zona e a marcação homem a homem, por muito pouco jeito que isso dê no futebol feminino. A marcação em cima, que nada tem a ver com a marcação apertada! Pode impor-se uma marcação apertada sem estar sempre em cima do adversário. Sem o deixar respirar. Seguindo-o pelo campo todo, para todo o lado: até para a casa de banho!


Há treinadores que dão ordens desse género: sempre a morder-lhe os calcanhares (e às vezes muitas outras coisas) – “ele tem que sentir a tua respiração”. “Nem um palmo lhe podes dar”!


Deve ter sido isso que, em tempos, o treinador do Benfica dizia ao João Pinto: “marca bem em cima do Paulinho Santos, a um jogador desses não podes dar um palmo”! Depois, enfim e como se sabe, o coitado do Paulinho Santos (só o nome diz tudo!), farto de apanhar com o bafo do malandro do João, foi obrigado a reagir: de uma vez partia-lhe o nariz, da outra os dentes… Só não continuou a partir-lhe mais partes do corpo porque o João Pinto foi para o Sporting e, como se sabe, entre o Porto e o Sporting as marcações são bem mais leves!


A marcação à zona conheceu há uns anos atrás uma nova variante: o autocarro, nome de baptismo atribuído por Mourinho. Um padrinho famoso que mantém com o afilhado uma relação ambígua de amor e ódio. Detesta-o nos outros mas adora-o quando é seu. Como há perto de um ano, quando o utilizou em Barcelona parecendo-lhe uma limousine de alto luxo!


marcação das faltas também não vive os melhores dias, já para não falar das que são acompanhadas de cartão. Como no Dragão, na semana passada, quando o árbitro despachou o Coentrão. Ou ainda no domingo passado, em Setúbal quando, ao minuto 90, um tal de Cosme Machado tinha marcado 23 faltas ao Benfica e apenas 8 ao Setúbal: o triplo, dá para acreditar?


marcação de livres, cantos, de bolas paradas em geral é cada vez mais decisiva no futebol actual. O Benfica trabalha bem essas marcações: é raro o jogo em que não lhe rendam pelo menos um golo! A marcação de penaltis é que não é assim tão bem trabalhada. Sabe-se que não é necessário: os árbitros não os marcam. Mas depois, quando para uma qualquer prova secundária lá aparece um árbitro a marcar um ou outro, não se venham queixar…


Vejam o exemplo do Porto: não falha um! É precisamente o contrário do Benfica: os golos de bola parada são todos de penalti. Nem precisam de trabalhar as outras marcações!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Abriu o campeonato das moções de censura. O Bloco de Esquerda apressou-se na conquista do pole position. Razão tinha Paulo Portas quando, sem saber o que havia dizer sobre a matéria, atirou uma das suas: “ as moções de censura apresentam-se, não se anunciam”!


Sabemos que o PC não é muito dado a conselhos do Paulo Portas mas, desta vez, fez mal em não lhe ligar nenhuma… Paciência! Terão que partir em segundo lugar … se chegarem mesmo a arrancar. Agora digam que é azar!


É claro que este é um campeonato virtual, daqueles que, como Jorge Jesus dizia há uns anitos, só na play station!


O Bloco quis ganhar a pole ao PC que, por isso mesmo, não a irá votar: há-de arranjar-se uma boa desculpa, nem que seja uma que os atire para fora da corrida. Claro que o PSD não vai atrás do Bloco, como não iria atrás do PC. O CDS até nem se importaria, mas como não chegaria a lado nenhum, arranjará também uma boa desculpa. O que nem é difícil!


E lá teremos que aguentar o governo até ao fim do ano… Então sim, o Orçamento para o próximo ano resolverá isto… Antes, nem pensar. Porque o PR também não irá querer meter-se nisso. Dará um jeito ou outro, mas nunca mais que isso!

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Foi notícia nas televisões, nos jornais e na blogosfera: chamava-se Augusta Duarte Martinho e estava morta há nove anos, no chão da cozinha do apartamento em que vivera num caixote perdido numa dessas florestas de betão de um dos maiores dormitórios suburbanos de Lisboa.


Na varanda jazia o cão, provavelmente a única companhia da Dª Augusta. Fiel, como só os cães sabem ser. Tão fiel que, ao ver que já não fazia falta, deixou-se morrer também. Fiel e solidário, como são os cães. E como não são as pessoas. Os vizinhos que já não há, os familiares que desapareceram e as outras que não se importam. As outras que engrossam os múltiplos serviços do Estado. Que deviam funcionar e não funcionam!


Nem todos. Há um desses serviços que funciona. Um único, que de nada valeu à Dª Augusta mas sem o qual se não descobriria o seu corpo. Nove anos depois! Chama-se Repartição de Finanças de Sintra e integra-se na Direcção Geral dos Impostos, do Ministério das Finanças!


Nenhum organismo estatal deu pelo desaparecimento da senhora. Nenhum se preocupou. A polícia não a procurou. Nem em casa. Os guardas foram lá mas não arrombaram a porta. Não valia a pena! O Ministério Público nem sequer se incomodou. Mas quando a Dª Augusta, com o seu cadáver em decomposição, deixou de pagar impostos houve alguém que reparou nisso. E a Repartição de Finanças tratou-lhe de tudo, sem que ela tivesse de se incomodar: penhorou-lhe o apartamento e vendeu-lho em praça!


Não fora isso, a extrema eficiência da nossa bem experimentada máquina fiscal, e ainda hoje ninguém saberia que a senhora tinha falecido e que o seu corpo estava em decomposição num andar qualquer de um caixote qualquer numa rua qualquer de uma Rinchoa qualquer!  


Chegamos a este estado: ninguém sabe de ninguém, ninguém se preocupa com ninguém. A não ser para pagar impostos!


Dignidade? Dignidade humana? O que é isso?


Bem pode Sócrates achar que estamos todos contentes porque em Janeiro se cobraram mais 15% de impostos. Só isso conta! Só para isso contamos!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Há 10 anos

10 anos como professor – HOJE! | EvangeBlog


Sócrates apareceu-nos hoje, com aquele seu ar meio trocista meio travesso, a dizer que os portugueses devem estar “…mais seguros, mais tranquilos e mais confiantes para uma boa execução …”! Porque, como triunfante referia, a receita fiscal cresceu em Janeiro 15% relativamente a Janeiro do ano passado. Quer dizer, neste período em que conhecemos não um, não dois, mas três PEC`s, em que subiu escandalosamente tudo o que é imposto e taxa, como é que a receita fiscal não haveria de subir?


Quando, quem é obrigado a pagar paga mais, como é que quem cobra não há-de receber mais?  


Dizer isto aos portugueses, e dizer-lhes que se devem sentir mais “mais seguros, mais tranquilos e mais confiantes ” cheira a puro sadismo.  


A execução orçamental começa bem, sim senhor. Mas pelo lado mais provável, pelo lado sempre mais fácil. Da despesa ainda se não sabe nada. Veremos se daqui a algum tempo Sócrates põe o mesmo ar a dizer-nos que, do lado da despesa, também a execução orçamental começou bem.  


Ah! E já estamos a falar de receita fiscal, soube-se também hoje que a Banca, com lucros muito maiores em 2010 que no ano anterior, pagou menos de metade de IRC que em 2009. Mais exactamente 55% a menos… Vamos lá nós perceber isto! Não será mesmo a gozar connosco?


 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Sacudir culpas


O Benfica ganhou, finalmente. Depois de quatro jogos sem ganhar, que valeram o afastamento da luta pelo título, ganhou. Ao Famalicão, penúltimo classificado, com a pior defesa do campeonato.


Ganhou, mas não foi melhor do que tem sido. Não ganhou por ter sido melhor do que tem sido; ganhou por ter tido a pontinha de sorte que lhe tem faltado. Ganhou porque nos dois primeiros ataques fez três remates e dois golos, o segundo na recarga ao segundo remate, depois de uma grande defesa do guarda-redes do Famalicão. Tudo isto com pouco mais de um minuto de jogo jogado.


Aos seis minutos o Benfica ganhava por dois a zero, mas cinco desses seis minutos foram gastos pelo VAR a validar os golos. Nunca me tinha passado pela cabeça que o VAR também pudesse servir para isso, para uma espécie de pausa técnica a que os treinadores do futebol não podem recorrer. O que pareceu foi que Hugo Miguel, um árbitro com currículo, quis quebrar a avalanche do Benfica e dar oxigénio ao Famalicão.


Não se sabe o que teria acontecido se com aqueles dois golos tivesse acontecido o que seria normal acontecer - bola ao centro, e segue jogo. Sabe-se o que aconteceu. E o que aconteceu foi que os golos não empolgaram os jogadores. Fosse pelo gelo que VAR lhes despejou em cima, fosse porque já nada os empolga.


Porque o jogo acabou por ser o que foi, e não o que eventualmente poderia ter sido sem o saco de gelo despejado pelo VAR, acabam por não ficar grandes dúvidas que o Benfica ganhou porque teve a sorte que não tem tido. Desde logo a sorte de fazer os dois golos do jogo nos três primeiros remates. Ou, na prática, nos dois primeiros remates, dos dois primeiros ataques, nos dois primeiros minutos de jogo jogado.


Mas também porque, depois, a equipa voltou a cair na mediocridade do seu futebol, onde se foi afundando à medida que o tempo ia passando. Passes falhados, incapacidade de ligar as jogadas, perdas de bola, faltas...


Foi sendo assim, e foi mais gritantemente assim na segunda parte. O Famalicão começou a subir no terreno e a discutir o jogo a partir dos vinte minutos no relógio do jogo, e na segunda parte passou mesmo a estar por cima do jogo. E foi então, como já tinha sido nos últimos jogos, que se viu a mediocridade do futebol desta equipa do Benfica. 


Jogando no campo todo, o Famalicão - penúltimo classificado e a pior defesa do campeonato, repito - deixava espaço para os jogadores do Benfica imporem a sua suposta superioridade técnica. Mas o que se viu foi uma completa incapacidade para aproveitar esses espaços, falhando sucessivamente as transições ofensivas. Uma, apenas uma, foi concluída. Mas mais valia que o não tivesse sido - Darwin, numa chocante falta de classe (ou será apenas de confiança?), a dois metros da baliza, completamente escancarada, atirou para as nuvens.


E só não foi a única oportunidade de golo do Benfica na segunda parte porque, já mesmo no fim, o guarda-redes famalicense fez uma grande defesa, a remate de Everton. O cheiro a golo morou sempre na baliza de Vlachodimos, onde o golo não surgiu porque - lá está - a sorte desta vez, ao contrário das outras, não virou costas. Foram cinco as oportunidades que o Famalicão construiu. Quatro na segunda parte. A primeira tinha levado a bola ao poste, ainda antes da meia hora de jogo. 


Cinco oportunidades. Cinco! Ainda se não tinha visto tal coisa na Luz . 


Jorge Jesus resume tudo isto ao covid. Claro que não se pode ignorar o seu efeito devastador na equipa. E menos se pode ignorar que aconteceu, e a dimensão com que aconteceu, depois do jogo no Dragão. É um facto, e factos são factos. Não se pode é justificar o estado a que o futebol do Benfica chegou dessa maneira, até porque o eclipse da equipa já vinha de trás.


Já Otamendi, o capitão e que até marcou hoje o seu primeiro golo de águia ao peito, tem outra opinião. E falou de compromisso, de empenho e de partir para outra, mudar de rumo.


Não, mister. Não é tudo culpa da covid. A catástrofe que se abateu dobre o Benfica é mais da sua responsabilidade do que da covid. E mais ainda de Vieira e de Rui Costa do que sua.


Ontem estava a ver o banho de bola do City ao Liverpool e, extasiado com a classe de João Cancelo e Bernardo Silva, com a imponência de Rúben Dias e com a categoria e segurança de Ederson, via que, ali, numa das duas ou três melhores equipas do mundo, estavam quatro que saíram do Seixal. Quase meia equipa. Daí o pensamento saltou-me para a selecção nacional, e numa das melhores selecções do mundo, conto mais três ou quatro - João Felix, Gonçalo Guedes, Nelson Semedo, André Gomes... Espreitou para grandes equipas europeias - nisto do futebol a Europa é o mundo, o resto é paisagem - e lá estavam Oblak, Witsel, Cristante, Lindelof, Matic, Raúl Jimenez, Di Maria...


Só aqui estão quinze. só nos últimos anos. Dir-me-ão: pois, mas era impossível segurá-los. Não seria possível segurá-los todos, admito, mas não era impossível segurar boa parte deles. Não ter jogadores deste nível, nem os largos  milhares de milhões de euros que eles renderam, é que não deveria ser possível. Mas é a realidade.


Pior só olhar para essa realidade e perceber que disso já não há mais. Já não há no Seixal, nem há já departamento de scouting para os ir buscar fora. 


Sim, é esta a obra feita de Vieira. É este o legado de Vieira, Rui Costa, Jesus e Jorge Mendes... Sem jogadores, sem dinheiro, sem rumo. E sem honra!

A obrigação de Marcelo


É público e notório que o governo está esgotado, e nem é preciso evocar o ministros mais fragilizados, que são já muitos. É hoje praticamente impossível apontar um membro do governo de quem se possa dizer que goza de boa saúde política, e nem mesmo António Costa, que nos momentos mais difíceis sempre conseguiu aguentar com o governo às costas, escapa. Por muito que se esforce em aparentar boa forma, não consegue esconder o esgotamento e a desorientação.


Poderá dizer-se que é da pandemia. Que não é fácil - muito pelo contrário, é muito difícil - governar nas condições que esta pandemia nos impôs. O que ontem parecia uma coisa, hoje é outra. E amanhã outra ainda. O que parecia certo, está depois errado. A realidade ultrapassa-se a si própria a cada passo.  


A pandemia trouxe novos desafios aos governos. A este, como a todos os outros por todo o mundo. Já vai longa, e a luz ao fundo do túnel não passa de uma penumbra invisível. Estamos todos cansados dela, e o governo não é excepção.


Se no entanto desviarmos por um momento os olhos da pandemia, seremos capazes de ver que, mesmo sem pandemia e sem catástrofes, os governos, e muito especialmente os governos do Partido Socialista, costumam esgotar-se mais ou menos por esta fase das suas vidas. Sempre que chegam ao segundo ano do segundo mandato começam a abrir brechas e implodem.


Muito tempo seguido de poder faz mal aos partidos da governação. E pior, faz mal ao país. Lembramo-nos dos governos de Cavaco, e como acabaram, e que Cavaco só não acabou porque ganhou fôlego para uma segunda vida, dez anos depois. Depois veio Guterres, governou quatro anos, mas no segundo ano do mandato seguinte veio o pântano, e foi-se embora. Veio Barroso, e depois Santana Lopes, e nada correu bem. Só deu para chegar a segundo ano... do primeiro mandato. E veio Sócrates, que deu no que deu. E ao segundo ano do segundo mandato rebentou, depois de rebentar com o país.


O esgotamento deste governo de António Costa não é, por isso, nada de anormal. Anormal, só mesmo a pandemia. Está dentro da tendência. 


Com o passar dos anos vêm o deslumbramento e o abuso do poder. E com eles o desrespeito pelos cidadãos e pela sua inteligência. A mentira, e o incumprimento e a manipulação do prometido. 


Tem sido sempre assim. Com esta pandemia passou a ser ainda mais assim. Repare-se no que se passou com o ensino à distância. Em Abril do ano passado António Costa prometia que todas as escolas estariam preparadas para o ensino à distância no início do novo ano letivo. As escolas fecharam há poucas semanas, tarde de mais, e percebeu-se por quê, e regressam hoje as aulas "on line". Soube-se então que os prometidos computadores tinham começado a ser encomendados em Novembro, e que o grosso da encomenda foi mesmo colocado em Janeiro, já com as escola encerradas. 


António Costa diz-nos que o Estado não poupou no combate à pandemia, que o esforço é de 22 mil milhões de euros, qualquer coisa como 11% do PIB. E no entanto sabemos que o governo português é dos que menos investiu no combate à doença e no apoio à economia de toda a União Europeia. É o terceiro que menos gastou. Diz-nos o BCE que nem aos 3% do PIB chegou. O governo fez com a pandemia o que fizera nos anos anteriores com as cativações, com que cumprira os orçamentos. Anunciou fazer, mas não fez. E maquilhou os números, incluindo nos 22 mil milhões euros o valor dos empréstimos bancários em moratória com aval do Estado. Para que os 22 mil milhões euros de António Costa fossem 22 mil milhões euros de verdade seria necessário que ninguém pagasse os empréstimos depois de Setembro, ou lá ainda mais para a frente, como irá ter que ser. Quando se sabe que se o incumprimento passar dos 10% estaremos perante mais uma calamidade.


O exemplo mais flagrante da despudorada manipulação de números nem vem do governo. Vem do próprio partido, e chega-nos no gráfico que divulgou nas redes sociais no final da semana, acima reproduzido. Inacreditável!


Com o governo neste estado, e a oposição ainda pior, sem alternativa para alternância, a democracia portuguesa encontra-se também ela à beira do esgotamento. Talvez por isso um conjunto de personalidades se tenha lembrado de governos de iniciativa presidencial, e tenha decidido pressionar o Presidente Marcelo para entrar nessa aventura. Marcelo fez bem ao rejeitar dar esse passo, de resto de duvidosa constitucionalidade. 


Mas, sem alternativa a este governo, ficou claramente, e aos olhos de toda a gente, obrigado a obrigar António Costa a arrepiar caminho. De que forma, não sei. Mas espero que ele saiba. E que seja bem sucedido!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...