sexta-feira, 31 de outubro de 2014

À rasquinha...

Por Eduardo Louro


 Os encarnados venceram o Arouca e lideram o campeonato com 19 pontos.


O Benfica ganhou ao Rio Ave, esta noite na Luz. À rasquinha, à rasquinha, à rasquinha… Como já tinha sido em todos os outros que ganhou na Catedral, mesmo naquele que goleou o Arouca. No outro, com o Sporting, como se sabe não ganhou…


Mereceu ganhar, sem dúvida. Mas podia não ter ganho, e se isso tivesse acontecido até nem se poderia falar de escândalo. E nem é pelo golo anulado ao Rio Ave, bem anulado porque o marcador estava adiantado, na circunstância em relação à linha da bola. Porque até esse golo poderia não ter sido anulado, a deslocação é milimétrica. É mesmo por aquilo que foi o jogo!


Que foi mais do mesmo. Qualquer treinador sabe já bloquear o Benfica, e o Pedro Martins não fez mais do que todos os outros estão a fazer: pressão sobre a bola, superioridade no meio campo e, depois, quando um ou outro jogador do Benfica, pela sua qualidade, consegue romper aquela teia, falta. Feia, se tiver que ser feia. Subtil, se puder ser assim. Simples!


As coisas hoje agravaram-se com a ausência do Gaitan. E do Eliseu, percebendo-se que afinal o Benfica mandou o Siqueira embora sem ter qualquer alternativa. E por isso jogou o André Almeida. E mal, ao contrário do que é costume. Mas a verdade é que alguma vez, numa das inúmeras posições que lhe exigem, haverá de jogar mal!


Faz pena ver aquela camisola com o número 7. Lembrarmo-nos do que é a história daquela camisola, e lembrarmo-nos dela nos últimos 6 ou 7 anos… Se aquele grego jogasse com outro número, aquilo custar-nos-ia bem menos!


E já que se fala no 7, terá de se falar no 11. O que é que se passa com o Lima?


Finito? Não, mas precisa de descansar uns tempos. No banco ou na bancada, tem mesmo é que descansar!


Talisca na ala é outra que não lembraria ao diabo. Sabemos que não havia Gaitan, nem Olá John. Mas havia outros, Talisca ali é que não. É que ali nem joga nem marca. Só faz impressão.


Ao intervalo entrou o Gaitan e lá foi então ele para o meio. E marcou o golo que valeu a vitória. Da única maneira que havia para bater o guarda-redes do Rio Ave. Com um remate em banana, que o contornasse.


Anda muita gente admirada com a veia goleadora do miúdo brasileiro que o Jesus diz que descobriu. Mas não há nada que admirar: para marcar golos é preciso rematar, e no Benfica só ele remata. Mais ninguém, e por isso mais ninguém pode marcar.


É de deixar os cabelos em pé: a bola anda de jogador para jogador, dentro ou à entrada da área, para trás e para a frente, para a direita e para a esquerda. Rematar é que não. E como não há remate, a bola tem forçosamente que acabar no adversário. E, depois de perdida e com os jogadores todos na frente, envolvidos no processo de ataque, o adversário sai rápido em contra-ataque e lá entramos todos em taquicardia.


Pronto. As coisas estão assim, neste pé. O que é havemos de fazer? Talvez … esperar por Janeiro, que é quando habitualmente o Benfica de Jorge Jesus começa a jogar a sério!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Atrapalhados

Por Eduardo Louro


 



Há muito que este governo bateu o recorde de trapalhadas do governo de Santana Lopes, a que há 10 anos o presidente Jorge Sampaio teve de colocar ponto final. Como Passos Coelho também há muito percebeu que é um tipo com mais sorte que Santana -  o menino guerreiro é mesmo um mal amado, agora até há um tipo que, só para o deixar a salivar, não aparece a reclamar os 190 milhões do euromilhões - e que pode continuar a somar trapalhadas, já sabemos que irá continuar assim até às eleições.


Passos já diz uma coisa de manhã e outra à tarde, uma numa semana e outra na seguinte. Mas hoje foi mais longe: num discurso escrito, repunha os salários dos funcionários públicos em 2016 como, de resto, determinou o Tribunal Constitucional. Logo a seguir, meia hora depois, nada disso, e garantia que encontraria formas  para que esses salários fossem apenas repostos, ao tal ritmo de 20% ao ano, em 2019. E mesmo assim ainda há quem venha dizer que se há coisa de que não podem acusá-lo é de falta de coerência. Francamente!


Não menos trapalhada foi ouvir também hoje Paulo Portas, na conferência dos 25 anos do Diário Económico, dizer que, por ele, a reforma do Estado está feita. Fez o trabalho que lhe competia: fez o guião e apresentou-o em conselho de ministros. Que gora é com os ministros!


Para qualificar esta trapalhada não é preciso lembrar que o governo está a chegar ao fim do mandato sem ter tocado o que quer que fosse na estrutura e organização do Estado. Nem sequer é preciso lembrarmo-nos desse famoso guião. Basta recordar que o tema da reforma do Estado foi agora recuperado justamente por Passos Coelho para, na sucessão das picardias destas últimas semanas, entalar Paulo Portas. E reforçar o estado deprimente da coligação!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Amigo de fazer negócios

Por Eduardo Louro



 


Pires de Lima anda com Paulo Portas pelo México onde, para além de levarem umas tampas do ora mais rico do mundo - que já é outra vez - ora ex-mais rico do mundo - o mexicano Carlos Slim, ali sempre lado a lado com Bill Gates - vão mandando umas bocas sobre tudo e mais alguma coisa. Claro que a coisa que mais os preocupa é mesmo essa da coligação para as eleições que aí vêm, tudo o resto são coisas à volta dessa coisa... É de tal forma assim que Pires de Lima já não faz outra coisa que entrar na onda de Portas, e adoptou já aquele registo estridente pouco dado à seriredade e ao rigor.


Foi nesse registo que veio hoje anunciar que Portugal surge em 25º lugar nos melhores países para fazer negócios: “É muito importante conhecer hoje que Portugal progrediu do 31º para o 25º lugar no ranking ‘Doing Business’. Que "o país é mais amigo de fazer negócio", à frente de meio mundo. Claro que não explicou as razões dessa classificação. Que não disse que "o país é mais amigo de fazer negócio" porque  o IRS não pára de subir enquanto o IRC desce. Porque os despedimentos são mais fáceis e muito mais baratos. Porque as horas extraordinárias são mais baratas e os salários são mais baixos. Muito menos que o país pode ser "amigo de fazer negócios", mas que tem uma enorme dificuldade em ser amigo dos portugueses, na linha da teoria do líder parlamentar do PSD, segundo a qual o país está melhor, os portugueses é que ainda não.


Nada disso vale coisa nenhuma, o que lhe importa é cavalgar a onda de Portas e, à toa, concluir que "nós, portugueses, somos melhores a fazer negócios ... do que estas nações, com as quais gostamos de nos comparar”. Mesmo que na verdade, nesse mesmo ranking ‘Doing Business’, do Banco Mundial, Portugal tenha, pelo contrário, caído do 23º lugar (do ano passado) para o 25º, como é explicado no Observador!


É que, com estes critérios que tanto orgulham Pires de Lima, haverá sempre mais e mais países amigos de fazer negócio... 


 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Mais notícias de empreendedorismo

Por Eduardo Louro


 



 


Manuel Pinho, o antigo ministro da economia de José Sócrates traído por aquele gesto aqui de cima - lembram-se? - e exemplar dessa espécie nada rara e longe da extinção que corria do BES para o governo e vice-versa, exige agora, nessa mesma condição, qualquer coisa como 2 milhões de euros por conta de uma reforma antecipada prometida por Ricardo Salgado. Tudo isto  porque, no início do ano, foi interrompido o pagamento de um salário mensal (14 meses por ano) bruto de 39 mil euros. Que recebia por contrapartida de nada, de trabalho nenhum, pago por uma holding sem actividade - BES África, que detinha o BES Angola, donde voaram os tais 6 mil milhões de euros.


Não se sabe se com ou sem o conhecimento de Pinho, que há uns anos está a dar aulas de energias renováveis nos EUA!


O que se sabe é que vai processar o banco para receber esse valor. Não se sabe bem qual, mas desconfio que seja o bom... O novo, aquele que nós pagamos!

Que se lixem as eleições

Por Eduardo Louro


 


 


Em estado de choque com o golpe do BES, e ainda com tanta coisa por saber… Com a PT a seguir a toda a velocidade na enxurrada que provocou, e com milhares de empresas penduradas no crédito que se evaporou… E com apenas dois terços da banca a responder positivamente aos testes de stress do BCE, Passos Coelho não tem dúvidas que a banca portuguesa tem feito um grande trabalho e "está em mehores condições que muitos outros bancos".


O que vale é que, na senda daquela de ter exigido aos comentadores que peçam desculpa aos portugueses, voltou hoje a dizer que só aqueles que não querem ver é que não concluirão que o país está melhor, e que  “estamos hoje todos em melhores condições para responder às necessidades e aos desafios do futuro”. É que assim ficamos todos muito mais descansados!


E se o homem não quisesse que se lixassem as eleições?

domingo, 26 de outubro de 2014

Dilma

Por Eduardo Louro


 


 



 


Confirmaram-se as sondagens e Dilma ganhou dentro da margem de erro que sustentava o empate técnico para que apontavam. Ou, dito de outra forma, com um pouco menos que 52% dos votos (obrigatórios) dos brasileiros, Dilma Roussef está reeleita presidente do Brasil!

O efeito champions

Por Eduardo Louro


 


 


Quem viu a primeira meia hora deste jogo de Braga não julgaria possível que acabasse como acabou. O que se viu foi o Benfica a jogar – e a jogar bem – e o Braga a fazer faltas!


Aos vinte minutos já o Benfica podia ter o jogo resolvido, e o Braga devia estar a jogar com menos um. Mas nem o Benfica concretizou em golos as oportunidades que criou, nem o árbitro expulsou o Danilo, mostrando-lhe o primeiro amarelo quando deveria estar a mostrar-lhe o segundo. Que acabaria por ver só quando o jogo estava a acabar!


O Benfica fez, nesse período, o que de melhor se viu fazer nesta época. O problema foi perceber-se que isso foi muito mais demérito do adversário que mérito próprio. Foi perceber-se que tudo aquilo saía bem porque o Braga estava perdido no campo e dava todos os espaços para Gaitan, Enzo, Talisca e Salvio fazerem tudo o que sabem. E sabe-se que Gaitan sabe muito…


Por volta da meia hora de jogo, um alívio da defesa daria num contra ataque que, no primeiro remate do Braga, deu o empate. E a partir daí toda a superioridade do Benfica se esfumou, começando a perceber-se que as coisas não iam correr bem. Este era um jogo de champions, tinha Jorge Jesus avisado. Esse é o problema, os jogos da champions... Mas não, era um jogo da liga portuguesa e apenas a segunda dificuldade que o calendário apresentava! 


Se o último quarto de hora da primeira parte deixava perceber isto, o primeiro da segunda confirmava-o, e o cheiro a golo mudou de baliza. O Benfica desapareceu do jogo e só voltaria a criar oportunidades de golo quando já estava a perder, e mais de 80 minutos de jogo tinham passado.


É certo que até ao apito final do árbitro – que fez uma arbitragem desastrada deixando, entre uma infinidade de erros, passar em claro penaltis para ambos os lados, e uma agressão do Ruben Micael – criou oportunidades suficientes para ganhar o jogo. Mas era tarde…


Mas ficou muito por fazer para ganhar este jogo. Especialmente da parte de Jorge Jesus, que levou um banho do Sérgio Conceição.  O efeito champions não se fez sentir apenas nas pernas dos jogadores, em especial nas de Gaitan e Salvio, fez-se sentir também na cabeça. Especialmente na do treinador!


O que não ficou por fazer foi aquilo que já é habitual em Braga: confusão. A confusão que fez com que nos 6 minutos de compensação praticamente não se jogasse mais que um!  


 

sábado, 25 de outubro de 2014

Com tanta coisa para mudar...

Por Eduardo Louro



 


... Muda-se a hora para não mudar mais nada...

O cheiro a eleições

Por Eduardo Louro


 


 


Passos Coelho está imparável!


Até aqui limitava-se a fazer como o tal tipo em contra mão na auto-estrada, achando que ele ia bem e todos os outros mal. Agora vai mais longe e quer que todos os outros invertam o sentido, sigam atrás dele e lhe peçam desculpa por se terem enganado!


Se já vai nisto, onde irá chegar quando o cheiro a eleições se começar a tornar mais intenso?

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Testes de stress na banca

Por Eduardo Louro


Já se conhecem os resultados dos testes de stress aos bancos europeus que o BCE se prepara para apresentar amanhã. E confirma-se que o Millennium BCP não passou. Que será um dos 25 bancos europeus em que o BCE vê fraquezas...


Até aí, nada de mais. Toda agente sabe com aquele que era o maior banco privado nacional andou com grande falta de ar. Que, quer Passos Coelho quer Maria Luís Albuquerque, digam que os três bancos nacionais sujeitos aos testes estão bem e recomendam-se, também não admira. Já ninguém os leva a sério, e a falar de bancos ainda menos...


Se calhar é por isso que nem se dão ao trabalho de esclarecer que os testes se reportam à data de 31 de Dezembro do ano passado. E que o MBCP já aumentou o capital - em 2.250 milhões -durante este ano!


Importa é saber se é suficiente. E isso não pode o BCE deixar de fazer saber...

O cúmulo da distracção

Por Eduardo Louro



 


É o cúmulo da distracção este senhor Lopetegui. É tão distraído que hoje veio pedir para o assobiarem a ele e deixarem de assobiar aos jogadores!


Semelhante só o tipo que ia na auto-estrada e, ao ouvir no rádio que ia um condutor em contra-mão, logo se apressou a dizer: "um, não... vão muitos!"


 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Em busca do protagonismo perdido

Por Eduardo Louro



 


Rui Machete andava desolado com tanto esquecimento, tão afastado que andava das primeiras páginas dos jornais, e não disfarçava mesmo uma pontinha de inveja dos seus colegas da Educação e da Justiça.


Entendeu que chegara a altura de dizer basta, e se bem o pensou melhor o fez: sem mais nem menos, sem que se saiba porquê nem para quê, desata a efabular sobre umas raparigas portuguesas que pretenderiam abandonar os terroristas do Estado Islâmico. E os seus noivos e maridos...


Como se tratasse de uma história de revista cor de rosa, e não, a existir para além da cabeça do ministro, da mais sensível matéria de Estado!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Ser melhor, ou poder ser melhor...

Por Eduardo Louro


 Mónaco – SL Benfica, 0-0: Nulo mantém-se ao intervalo!


E ao terceiro jogo o Benfica somou o primeiro ponto desta Champions. Se nos dois jogos anteriores tinha ficado a ideia que, não o tendo sido, poderia ser melhor, neste o Benfica foi mesmo melhor!


Foi melhor durante dois terços do jogo, foi muito melhor que o Mónaco durante toda a segunda parte, até ter ficado a jogar com 10, à entrada do último quarto de hora, por expulsão (vermelho directo inaceitável, que reflectiu bem a dualidade de critérios disciplinares do árbitro polaco, sempre em prejuízo do Benfica) do Lizandro Lopez. Só que, mesmo tendo sido melhor, não foi – longe disso – brilhante. Nem avassalador!


Foi melhor, e isso deveria ter sido suficiente para ganhar o jogo. Mas não foi, porque não aproveitou as quatro ou cinco boas oportunidades de golo que construiu, o que também não surpreende ninguém. O Lima continua de costas voltadas para o golo, e não se vê forma de marcar. Também já se percebeu que o Talisca, que por cá ainda vai marcando, está ainda muito verde para a Champions, onde parece outro jogador. E como o Jonas não está inscrito, não se vislumbra quem possa quem marque golos.


E assim, sendo umas vezes melhor e podendo-o vir a ser noutras, se mantêm abertas algumas janelas para o sucesso. Porque o Mónaco é claramente a equipa menos forte do grupo, e ocupa a segunda posição por ter ganho em casa aos alemães das aspirinas um jogo em que foram simplesmente massacrados. E o Zénite é o que se conhece…


Pudesse o Benfica contar com o Enzo ao nível da época passada e tudo ainda seria possível…


Uma nota final para a reacção do país à arbitragem do jogo do Sporting, na véspera. O Sporting perdeu o jogo à conta de um penalti mal assinalado pelo árbitro. À berinha do fim do encontro. Mesmo que condenável, e aqui mesmo condenado sem qualquer reserva,, não foi mais que isso. A imprensa portuguesa pintou as primeiras páginas de indignação – valeu tudo – e as televisões não lhe ficaram muito atrás…


E nós a lembrarmo-nos, já para não ir mais atrás, da arbitragem de Turim, no jogo das meias-finais com a Juventus, no ano passado. Ou do que disseram a imprensa e as televisões espanholas da escandalosa arbitragem da final (também) de Turim, com o Sevilha, há apenas 5 meses, e do que foram as primeiras páginas dos mesmíssimos jornais que hoje escrevem “ROUBO”. Escolheram até um herói para a primeira página, sem uma palavrinha sequer para a batota que, sucessiva e impunemente, o árbitro lhe permitiu!


 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

A Europa da Champions... E de Barroso... do Sporting!

Por Eduardo Louro


 


No regresso da Champions em noite de terça-feira o Sporting perdeu, e queimou praticamente todas as hipóteses de seguir em frente para os oitavos, lá para Fevereiro. Ao contrário, o Porto ganhou e praticamente garantiu o apuramento.


Perdeu o Sporting, com alguma falta da sorte que acompanhou o Porto – e Lopetegui, em particular –, mas objectivamente com um penalti inventado ao minuto 90 por um membro da equipa de arbitragem russa. Da terra da Gazprom, um patrocinador oficial da Champions, mas também do Schalke… Foi como designar um russo para arbitrar uma partida do Zénite!


E ganhou o Porto, depois de uma primeira parte aceitável mas muito premiada. Desde logo com um golo no último minuto, depois dos bascos – e aqui a expressão é utilizada com toda a propriedade – terem enviado uma bola ao poste e do árbitro ter deixado por assinalar um penalti cometido pelo holandês do Barreiro.


E com uma segunda parte que só não foi desastrada porque, depois da primeira meia hora em que os bascos fizeram de Sporting e dominaram por completo o jogo, Lopetegui, para acalmar o Dragão, teve de lançar mão de Quaresma. Que na primeira vez que tocou na bola teve a sorte de fazer golo, num frango monumental do guarda-redes basco.


E como tudo está bem quando acaba bem… Bendito sorteio!


E por falar em acabar…Quem também acabou foi Durão Barroso, que até é do Sporting. Até pode ter acabado bem, nem aí é que nada está bem… E lembrarmo-nos que já lá vão mais de 10 anos desde que se foi, eufórico que nem um excêntrico do euromilhões, deixando-nos entregue ao Santana Lopes… Também do Sporting!


 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Um orçamento eleitoralista

Por Eduardo Louro


 


 


O orçamento acabado de apresentar é tão mau que os mais próximos do governo, não podendo deixar de dizer mal mas tendo de limitar os danos, tiveram de procurar afincadamente um aspecto positivo a salientar. Depois de muito procurarem, descobriram: eureka, não é eleitoralista!


E então começaram a dizer que, “… bom, não terá outros, mas este orçamento tem pelo menos o mérito de não ser eleitoralista”!


A ideia começou a passar. Também não foi feita para outra coisa, foi exactamente para fazer caminho… Caminho eleitoral, evidentemente!


A verdade é que dificilmente encontraremos um orçamento mais eleitoralista. Este orçamento para 2015 é a prova provada do completo falhanço da governação. Ao fim de quatro anos o governo não tem qualquer resultado para apresentar. Não atingiu qualquer dos objectivos parciais em nenhum dos anos que passaram, foram todos sucessivamente falhados e revistos – nunca nenhum governo apresentou tantos orçamentos rectificativos – e, no fim da uma governação em que mais não fez que martirizar largas faixas da sociedade e dizimar outras, sobrecarregar os portugueses com impostos como nunca ninguém tinha visto e destruir uma grande parte da economia e vender a outra ao estrangeiro, não tem mais nada para oferecer aos portugueses que exactamente o mesmo.


Passos Coelho não poderia nunca apresentar um orçamento com medidas classificáveis de eleitoralistas, como por exemplo baixar os impostos – que Paulo Portas, preocupado com a sua reputação, ia reclamando – porque simplesmente não sabe governar de outra maneira. Tem, antes, absoluta necessidade de os continuar a aumentar!


Por isso não baixa quaisquer impostos – à excepção do IRC, mais do que para confirmar a regra, para supostamente fazer doutrina –, faz aquele número do crédito fiscal com a sobretaxa do IRS, em que, se fosse minimamente sério – que não é – ficaria com uma receita que obrigaria o governo seguinte a devolver. E tira do orçamento aquilo a que chama fiscalidade verde para disfarçar um novo colossal aumento de impostos!


O espírito ecologista do governo, desaparecido durante quatro anos, surge no momento em que lhe descobre a melhor forma de continuar a aumentar impostos em ano eleitoral!


Não é por coerência que Passos Coelho impõe um orçamento destes. Não é porque, ao contrário do que a máquina da propaganda pôs a correr, depois de pedidos tamanhos sacrifícios aos portugueses, fosse difícil explicar que já não eram necessários. Não. Isso explicaria o governo com o maior das facilidades. A única coerência de Passos está no guião que tem para governar, ele não conhece outra maneira de fazer as coisas. Por isso, logo que a troika partiu o governo ficou perdido, como que órfão, desorientado, sem saber o que fazer. Por isso, ao contrário do que teria de ser normal, o governo teve a vida facilitada enquanto a troika cá esteve – era assim que eles lhe mandavam fazer, e o governo fazia – e muito dificultada depois do 1640 de Portas.


O orçamento é este por incapacidade. E pelo eleitoralismo que a quer esconder!

domingo, 19 de outubro de 2014

Pantominices

Por Eduardo Louro


PORTAS VISEU


 


Afinal Paulo Portas preferia a redução da sobretaxa em 1%.  Poderia até ser melhor para a sua reputação... Mas, francamente, o que é que é isso da reputação para - como se percebeu claramente neste fim-de-semana em Viseu, na comemoração dos 40 anos do partido - o pantomineiro-mor da política nacional?

Cabeça à roda, ou a prémio?

Por Eduardo Louro



 


Com tanta rotação já não se percebe se a cabeça de Lopetegui anda à roda ou se está a prémio. È que já não tem grandes amigos ali pelo Dragão… E se há sítios onde fazem falta, aquele é um deles. Que o diga Co Adriaanse...

sábado, 18 de outubro de 2014

Um orçamento bom para a reputação!

Por Eduardo Louro


 


Finalmente ouviu-se Paulo Portas falar do Orçamento. Não para nos dizer que as teses do Partido dos Contribuintes não conseguiram fazer vencimento. Tão pouco para falar do impacto do Orçamento na lavoura. E nem sequer para exaltar o Orçamento da libertação. Que agora é que é, agora que recuperamos a nossa soberania naquele 1640 de 17 de Maio, já podemos ser donos do nosso destino. E do nosso Orçamento…


Nada disso, Portas falou  para dizer que "o Orçamento para 2015 é financeiramente inédito". Fomos procurar no discurso a clarificação de tão brilhante conclusão e percebemos que é financeiramente inédito porque é a primeira vez, em 40 anos, que o Orçamento tem um défice abaixo dos 3%. Fomos mais longe, àprocura de descobrir ali algo da recuperação da nossa soberania, e percebemos que isso é o que de mais relevante o Orçamento tem, porque é essa a fronteira que separa os países com défice excessivo dos que deixam de tê-lo. E a conclusão final, verdadeiramente épica, está logo a seguir: "Não é bom para a reputação ter um défice acima!...


Falou tarde. Mas quando falou, falou. Bravo Paulo Portas! 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A segunda vitória de Costa

Por Eduardo Louro


Sondagem DN: PS no limiar da maioria absoluta


 


As sondagens já dão 45% das intenções de voto ao PS, naquilo que é a segunda vitória de António Costa. Que acaba com todas as dúvidas, se é que alguma ainda existia!


Esta seria sempre uma boa notícia. Porque assegura a governabilidade - talvez melhor: uma solução governativa - e afasta qualquer cenário de crise política que, em cima da crise económica, financeira e social que teimosamente continua a agravar-se, se tornaria ainda mais dramática para o país. E porque assegura a sobrevivência do regime, que muitos julgavam impossível.


É a alternância a funcionar, é a democracia... Mas não sei se é a esperança. Não sei se não será uma das últimas válvulas de segurança do sistema. Se olharmos para os últimos 20 anos está lá tudo: a um governo rebentado por todas as costuras do cavaquismo, sucedeu na alternância a esperança de Guterres. Que sucedeu a si próprio, para rebentar também logo a seguir. E logo voltou a alternância pela mão de Durão Barroso e de Santana, que rapidamente implodiu. E a alternância trouxe Sócrates e uma esperança cheia de maioria absoluta. Para depois repetir, em pior, tudo o que ficara para trás. E voltar de novo a alternância, agora com Passos e Portas -  repetente e sempre na sombra - a fazer ainda pior que os anteriores, e que só não implodiu como o de Santana por contar com a cumplicidade de um Presidente da República da mesma cor.


Diz-se por aí que a António Costa tudo foi cair no colo. Que não precisou, nem precisa, de se mexer. Até pode ser assim... Mas, da mesma forma que lhe coube a enorme responsabilidade de transformar o PS na alternativa que com Seguro nunca seria, cabe-lhe agora a ainda maior responsabilidade de romper com este ciclo, e fazer da alternância um meio e não um fim. 


Pode sempre acreditar-se que, decididamente, os portugueses são de memória curta. Mas isso pode ser arriscado!

Um governo irónico

Por Eduardo Louro



 


No meio disto tudo, um Secretário de Estado do Ministério da Educação demite-se por ... plágio. Rapidamente foram identificados os motivos pessoais: plágio!


Nada mais irónico. No coração da maior crise de sempre no Ministério da Educação, a única demissão acontece por plágio... Este governo já só dá para rir!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lição de empreendedorismo

Por Eduardo Louro



Vitor Bento entrou para o Banco de Portugal, por convite, em 1980. Durante 20 anos foi lá, ou a partir de lá, que fez a sua vida. Como tantos outros - algumas dezenas - ia ocupando altos cargos do aparelho de Estado e regressando ao porto de abrigo. Em 2000 pediu licença sem vencimento -  o que não foi impedimento para continuar a ser promovido, por mérito... - para ir dirigir a SIBS, entre outras coisas a sociedade gestora do Multibanco, donde, como se sabe saiu para a liderança pós Ricardo Salgado do BES. 


Feitas as contas, e com a perspectiva de longa vida naquelas funções, pediu a reforma antecipada - coisa, como se sabe, vedada ao comum dos portugueses - do Banco de Portugal, que o governador, Carlos Costa, aprovou de imediato.


Entretanto o BES passou a Novo Banco e o que era a perspectiva de funções tipo Duracel rapidamente passou para tipo pilhas das lojas de chineses. Vítor Bento não gostou e veio-se embora!


Foi então que se lembrou que não tinha tido tempo de assinar os papéis que Carlos Costa tinha despachado sobre a sua reforma. E que não seriam as férias que lhe dariam agora esse tempo... Regressado de férias, apresentou-se às portas do Banco de Portugal. Para assinar os papéis da reforma, estará o leitor a pensar... Enganou-se. Apenas e tão só para regressar a um lugar que tinha deixado há 14 anos, e ocupar as funções a que entretanto, e sem lá estar, fora promovido... Para regressar a um lugar que por direito é seu!


É tão fácil declarar extintos os direitos adquiridos. E mandar empreender... E acusar toda a gente de viver acima das possibilidades... E apontar o dedo aos preguiçosos que se habituaram a viver à sombra do Estado... E é tão bom ser liberal!


 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Orçamento, burros e cenouras

Por Eduardo Louro


 A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, chega ao Parlamento para entregar o documento do OE2015


 


Aí está o Orçamento do próximo ano, acabadinho de sair do forno… A ministra Maria Luís acabou de o apresentar ao público!


Crescimento do PIB em 1,5% e défice em 2,7%. Diferente dos 2,5% comprometidos com a Troika… Mas as contas já são outras, disse ela. Estes 2,7% são melhores que os anteriores 2,5%. Quer ela dizer que, em valores absolutos, este défice é inferior ao acordado com a Troika!


Uma das maiores expectativas virava-se para o IRS. Até pelo braço de ferro que o CDS ensaiou… Não ganhou nada com isso. Nem nós. Não ganhamos nada com isso…


Mas o governo quer convencer-nos que sim, dizendo que irá desagravar a sobretaxa de IRS se a cobrança fiscal ultrapassar as previsões da receita no orçamento. O que passaria o desagravamento para 2016, já com outro governo. Mas desta mesma maioria, garantiu a ministra. Que assim adiantava já que o CDS está pelos ajustes, que a coligação não está em causa para a próxima legislatura…


Em boa verdade não arrisca muito. Claro que o CDS não tem alternativa, e por isso Passos Coelho e Maria Luís fazem, como fizeram nesta matéria, do CDS gato-sapato. Já quando garante que continuam governo, não se trata de arriscar. É conversa fiada!


Agora só fica a faltar ouvir o que Paulo Portas terá para dizer. Se calhar vem, mesmo assim, dizer que é graças ao CDS que os portugueses irão pagar menos IRS em 2016. Mas nem assim lá chega!


O governo promete devolver em crédito fiscal em 2016 o que receber para além do previsto. Ora, o que está previsto é uma receita fiscal que cresce 4,7% relativamente a este ano, que é só o melhor ano de sempre. Nunca o Estado arrecadou tanto em impostos. Há ainda margem para cobrar mais? Não parece! E se repararmos que o PIB cresce 1,5% – não cresce, mas é o que está no Orçamento – será sério estimar que a receita fiscal cresça mais do triplo?


Não parece. Quer apenas dizer que, esgotados os Audis, o governo vai passar a oferecer burros aos portugueses… Em 2016, porque em 2015 só lhe dá a cenoura!


 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Nem sempre o diabo está atrás da porta

Por Eduardo Louro


 


 


Às vezes é assim. Às vezes a sorte espreita, nem sempre o diabo está atrás da porta…


A selecção nacional hoje ganhou na Dinamarca, com um golo caído do céu – dos pés de Quaresma e da cabeça de Cristiano Ronaldo (pelo menos foi ele a fazer a festa) – nos últimos segundos dos cinco minutos de compensação, um jogo que esteve longe de ser bonito. Mas que não deixou de ser interessante, pelo menos do ponto de vista de análise.


Quer dizer: não foi bonito de ver, mas foi interessante de analisar!


A selecção nacional, em fase de assimilação de um novo esquema táctico – Fernando Santos abandonou o estafado 4x3x3 de Paulo Bento e acredita, como muito boa gente, que 4x4x2 em losango é o sistema táctico que mais se adequa à realidade actual do futebol português, que não tem pontas de lança – revelou grande anarquia durante o jogo. Temos que entender isso com alguma naturalidade, porque não é fácil alterar o sistema de jogo de uma selecção em tão pouco tempo.


A selecção deixou esticar o jogo, os sectores ficaram mais distantes uns dos outros, e a equipa teve grandes dificuldades em ligar o jogo e, assim, impor a superior capacidade técnica dos jogadores portugueses. Foi assim que o jogo acabou por cair para o lado que mais favorecia os dinamarqueses, obrigando a equipa nacional a jogar com as armas do adversário, em vez das suas. Foi sempre assim, e foi tanto assim que a Dinamarca teve sempre muito mais bola, ultrapassando em muito os 60% durante toda a primeira parte, e fixando – se, no final, lá bem perto.


Afinal, quando tudo parecia que iria dar certo, as contas saíram furadas aos nórdicos, que acabaram por morrer com os ferros com que têm matado! A selecção, agora de Fernando Santos – homem de fé, como é sabido –, acabou, quase que por milagre, por resolver o jogo nos últimos momentos, exactamente como a Dinamarca fizera nos dois jogos anteriores. Foi assim que ganhou à Arménia e foi assim que evitou no passado sábado a derrota com a Albânia. A tal!


Se esta exibição de hoje, muito abaixo da de sábado, contra a França, não permite grandes euforias, o resultado deixa a qualificação totalmente em aberto. Se chegou a parecer que a qualificação era uma questão de determinismo, agora é só uma questão de ser jogada!


 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

domingo, 12 de outubro de 2014

Ginásios do pensamento

Convidado: Luís Fialho de Almeida


A “educação”, como um dos pilares fundamentais do funcionamento de uma sociedade, interessa a todo o cidadão, mas sofre de enorme turbulência, a ver: pela sempre tardia e errática colocação de professores; pelo encerramento de escolas; pelos métodos de ensino sempre em mutação; pelas incapacidades e desculpas do ministro. Nas minhas deambulações por estas matérias encontrei algo de original no nome: “ginásios do pensamento”, estes considerados como oficinas de pensamento crítico e criativo junto de crianças e jovens.


Joana Rita de Sousa, responsável do projecto “Filosofia e Criatividade”, utiliza a expressão em título para designar o trabalho de filosofia para crianças, orientado sobretudo para o questionamento, perpetuando a “idade dos porquês”, num processo de treinamento envolvendo também os pais e educadores. Esclarece que a filosofia para crianças “promove a existência de cidadãos incómodos, capazes de questionar o que se passa à sua volta, de criticar e sugerir alternativas. Este treino torna o pensamento mais forte, flexível e resistente, tal como pretendemos um corpo forte, flexível e resistente quando vamos ou inscrevemos as nossas crianças num ginásio”.


A importância que relevo desta matéria e as extrapolações que dela faço por minha conta e risco, advém da discussão ocorrida, há já algum tempo, em torno da eventual retirada da filosofia dos programas do ensino obrigatório. As ditaduras e as democracias decadentes favorecem todos os mecanismos de formação e informação que inibam os cidadãos de pensar, porque pensar é perigoso. Para Kant “uma filosofia é um por à prova, uma crítica, pensar é criticar, sempre…”


Para Bertrand Russel, a característica essencial da filosofia, que a torna um estudo diferente da ciência, é a crítica. “A filosofia examina criticamente os princípios usados na ciência e na vida quotidiana; procura inconsistências que possam existir nestes princípios, e só os aceita quando, em resultado de um inquérito crítico, não surgiu qualquer razão para os rejeitar…”


Com a deriva da democracia portuguesa, os políticos da nova geração procuram um certo regresso ao “passado” que não viveram, mas estão certos que lhes assegura melhor futuro. “Passado”, que dispensava a grande maioria das pessoas de se interrogarem sobre o que era realmente bem e o que era mal. Em regimes de natureza autocrática, nada melhor do que governar para uma massa popular ignara, que não questiona e se contenta com a massificação de entretenimentos televisivos e outros, que lhe estimulam apenas as emoções mais primárias.


Aldous Huxley, na sua interpretação da história, constata que grandes figuras na liderança dos povos não apelaram à razão: mas aos instintos, às paixões, exemplificando com Lutero - apaixonado, impetuoso, violento - em contraponto a Erasmo, homem sensato e de razão, mas sem a capacidade de manipular e conduzir as massas.


A nossa comunicação social, por orientação política naturalmente discreta ou por objectivos comerciais, tudo faz para - sem esforço e explorando as emoções - mobilizar a atenção das audiências, evitando que se despertem pensamentos, questionamentos, exigências e perturbações na estabilidade social.


Ao longo da nossa democracia assistimos a uma degradação na tolerância à livre opinião nos grandes meios da comunicação social, controlados pelo poder político, por grupos económicos, ou por ambos, procurando manipular a informação em função dos seus interesses. Jornalistas, analistas e comentadores mais ligados às áreas políticas e sociais, fora do jugo partidário ou de qualquer grande grupo de interesses, têm sido afastados dos meios de comunicação de maior audiência (televisão e rádio), remetendo-os para meios de menor visibilidade. O exercício da cidadania da razão que se recuse ao servilismo é sempre incómodo em qualquer organização pública ou privada.


O pensamento virado para as ideologias também já pouco interessa. Nada de fascismo, comunismo, socialismo ou social-democracia, porque hoje a ideologia é a dos mercados, é o dinheiro, e o pensamento único emana das orientações político-económicas da Alemanha, Banco Mundial, FMI, BCE, OMC e OCDE.


O livre pensamento é, talvez, o melhor exercício de liberdade, mas a sua expressão exterior colide com os exercícios e interesses de outros e daí os inevitáveis conflitos. Hoje, face aos tempos e ideologias correntes, é de enorme utilidade exercitar as técnicas do pensamento para a sobrevivência em meios dominados pelos espertalhaços que reduzem a ética e a moral à “lei” que se fabrica, que se manipula e contorna.


“Ginásios do pensamento” ou quaisquer metodologias orientadas para a expressão livre do pensamento esclarecido, serão sempre projectos educacionais condicionados, na sua amplitude, aos ditames da tutela da educação que estará vigilante para punir todo o processo que promova a instabilidade do Sistema, ou seja: cidadãos criativos para a produtividade, sim! Incómodos, não!

Orçamento

Por Eduardo Louro


 


 


 


Reunião do Conselho de Ministros


 


A reunião do conselho de ministros durou 18 horas. Diz-se que Orçamento do Estado para 2015 foi aprovado já de madrugada, às 3 da manhã... Tretas... Às 9 da noite, com o conselho de ministros em intervalo para a bola, já o Marques Mendes o punha cá fora!


 

sábado, 11 de outubro de 2014

Uma selecção capaz de voltar a ser respeitada

Por Eduardo Louro


 


A selecção nacional de futebol voltou a perder (1-2) com a França. Nada de anormal, é a nona derrota consecutiva com a selecção gaulesa, a quem Portugal não ganha há perto de 40 anos!


Voltou a ser uma derrota que fica atravessada, aqui em cima, como uma espinha… O que também não deixa de ser normal, todos nos lembramos dos europeus de França 84 e da Bélgica/Holanda 2000, ou do mundial da Alemanha 2006…


Deste jogo de hoje – e sem que ache que há vitórias morais, que não há – fica a ideia de uma selecção recuperada, capaz de, se não chegar às grandes vitórias, a que de resto nunca chegou, de recuperar o prestígio perdido no Brasil e voltar a ser respeitada. Bateu-se de igual para igual com uma das melhores quatro selecções mundiais da actualidade – provavelmente a melhor num índice juventude/qualidade – e perdeu o jogo porque, mais que entrar mal, cometeu erros circunstanciais que resultaram em golo!


É pois uma derrota que, para além de não custar pontos, não afectará a equipa nem beliscará a empatia – agora tão em voga – com o seleccionador Fernando Santos. Os jogadores são outros, mesmo os que são os mesmos, nada tendo a ver com os últimos meses!


Dos que são mesmo outros, Cedric teve dificuldades, mas enquanto não houver Sílvio não há grandes alternativas. Eliseu foi igual a ele próprio, com as virtudes e os defeitos que se lhe reconhecem no Benfica, mas o lugar é de Coentrão. O Tiago e o André Gomes estiveram bem quando no mesmo espaço - a posição oito. O lugar seis é não é a casa do Tiago. O Quaresma e o Ricardo Carvalho entraram bem, e confirmou-se o acerto da decisão politica da convocatória de ambos. Não se pode dizer que o Danny não tenha justificado o regresso, mas confirmou a sua história na selecção. Czar na Rússia e plebeu em Portugal!


 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Nobel da Paz

Por Eduardo Louro


Indiano de 60 anos e paquistanesa de 17 partilham o Nobel da Paz deste ano


(foto daqui)


 


Sem surpresa, Malala, a jovem paquistanesa que depois de heroína se tornou a maior activista do direito à educação é, aos 17 anos, Prémio Nobel da Paz. Parece até injusto que deixe para segundo plano o indiano Kailash Satyarthi, activista dos direitos das crianças, e em particular no combate ao trabalho infantil, que com ela partilha o prémio. Que raramente terá sido atribuído com tanta propriedade!


 


 


 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Porta pequena, cheque grande

Por Eduardo Louro


 



 


Zeinal Bava já saiu da OI. Com um cheque de 5,4 milhões de euros...


À PT saiu muito mais caro, sem dúvida. Teria poupado uns bons milhares de milhões se tivesse feito o mesmo que os brasileiros, se lhe tem entregue um cheque idêntico há 14 ou 15 anos, como agora uns meses depois de ter entrado!


Mas isso só torna maior o escândalo em que isto tudo de tornou...


Dizia  que “ter sucesso é errar menos”. Não terá dificuldade em encontrar outra forma de explicar o sucesso. Por exemplo: ter sucesso é sair pela porta pequena com um cheque grande!

Uma questão de futuro político

Por Eduardo Louro


 


António José Seguro surpreendeu muita gente ao demitir-se sucessivamente de todos os cargos políticos que ocupava. Começou por se demitir do Conselho de Estado e a acabou a abandonar o lugar de deputado que ocupava na Assembleia da República e anunciar que ficaria de fora, no próximo Congresso do partido. Que iria regressar à Universidade, disse…


Ora isto quer dizer que Seguro acredita que tem futuro político. Poderia parecer que, quem como ele nunca fez mais nada que política, nas actuais circunstâncias, optasse por se sentar na última fila da bancada parlamentar à espera das próximas eleições e da generosidade do novo líder. É por acreditar que não está acabado para a política, é – creio eu – mais por ambição que por dignidade e sentido ético, que Seguro optou por se afastar desta maneira. É porque sabe que só assim poderá marcar um lugar para o futuro!


Seguro acredita que sobrevive a António Costa, ao contrário de Passos Coelho. Que não só não acredita que lhe sobreviva como não acredita que tenha qualquer futuro político.


Só assim se percebe que mantenha no governo a incompetência que tomou conta dos ministérios da Justiça e da Educação. E que, em vez de, depois do enigmático anúncio de que iria (como Seguro) voltar à Universidade, desejar boa viagem a Nuno Crato, tenha vindo a correr esclarecer que “ senhor ministro da Educação e Ciência há-de um dia regressar à sua universidade, como ele próprio disse, mas não será agora.” 


Não deixa de ser curioso que, quando António José Seguro, o seu adversário sempre dado por incompetente, mostra competência, Passos Coelho, ao mostrar que não consegue perceber que a sua obrigação não é segurar ministros, dê a sua maior prova de incompetência. Segurar Portas, há um ano e picos, não tem nada a ver com segurar qualquer ministro noutra altura qualquer. Nessa altura, para a sua estratégia, foi bom. Agora, é desastroso! 


 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vergonha de ser português

Por Eduardo Louro


 


 


 


 



 


Não é apenas por falta de emprego que milhares de portugueses saem cada vez mais do país. Também é por coisas como as que se contam no texto anterior. E no anterior. E em tantos outros, por aí abaixo. É por tudo isto que, como o Jorge Fiel, cada vez mais portugueses têm vergonha de ser portugueses... E por isso desistem de Portugal. E também por isso partem, deixando os que cá ficam cada vez mais envergonhados disso!

E passou a haver outras coisas para contar... (XI)

Por Eduardo Louro


 


 


 



É verdade. Continua a haver sempre coisas novas para contar sobre o que aqui chamamos Bescândalo. Novas e cada vez mais graves!


Hoje soube-se que, afinal, de acordo as informações oficiais que constam do ‘site' da Concorrência europeia, o pedido de resolução foi feito à poderosa Direcção Geral da Concorrência Europeia (DGComp) na quarta-feira, 30 de Agosto, no próprio dia da publicação das contas do primeiro semestre do Banco, que precipitaram tudo. Muito antes portanto da decisão do Banco de Portugal ser conhecida, no domingo, 3 de Agosto, e antes das acções do banco terem sido suspensas pela CMVM, na sexta-feira, 1 de Agosto. Por feeling, sem qualquer informação institucional, como também já se sabe. E antes ainda de Marques Mendes saber e divulgar isto tudo...


Quer dizer que durante três dias se transaccionaram acções do BES com gente a saber que iriam perder todo o valor, e muita gente, sem saber de nada, a perder centenas de milhões de euros. E é mais um, em cima da imensa sucessão de escândalos em que o BES se tornou.


O governo preparou tudo. O conselho de ministros reuniu e preparou toda a legislação necessária à resolução. Mas sempre disse que não sabia de nada. Agora é ainda pior: o pedido de resolução foi enviado às instâncias europeias ainda antes disso tudo, mas ninguém sabe quem o enviou. Interrogada hoje na Assembleia da República, a ministra Maria de Lurdes Albuquerque garantiu, a lembrar os episódios dos Swaps, que os contactos do governo com Bruxelas se iniciaram no sábado, 2 de Agosto. E mandou que perguntassem à Direcção Geral de Concorrência, exactamente como o governador do Banco de Portugal, que diz que "o processo só pode ser explicado pela DGCom".


E isto, pelos vistos, é tolerável!


 


 


 

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Histórias de uma multinacional portuguesa

Por Eduardo Louro


 


Há pouco tempo a PT era aquilo que seria a primeira multinacional portuguesa a sério. Uma empresa genuinamente portuguesa, moderna e inovadora, que inventara o pré-pago – um mimo – aberta para o mundo e disposta a abraçá-lo.


A sua gestão era glorificada, com títulos e prémios à escala mundial, nunca vistos em Portugal. Zeinal Bava, o prodígio da gestão, era disputado por todo o mundo!


Resistira à espanhola Telefónica, tendo apenas de lhe entregar a brasileira Vivo, mas à custa de muitos milhões: 7,5 mil milhões! Resistiria depois à bem portuguesa Sonae, mesmo que tendo de queimar em dividendos muitos dos muitos milhões da Vivo. Para se voltar de novo para o Brasil onde, perdido o lombo suculento, ainda havia umas peles. Como a OI.


Mas não se atirou às peles, entregou-se às peles… Salvava-se o gestor prodígio e, há precisamente um ano, era assinado o acordo para a fusão com a OiI, de que haveria de resultar a CorpCo que, sob a liderança do génio de Bava, se propunha tornar num player mundial, numa multinacional brasileira gigante no mundo global das telecomunicações.


Sabe-se o que aconteceu depois. Os galardoados prodígios da gestão afinal estavam enrolados com os Espírito Santo e quando isso se descobriu lá se foram não apenas os 900 milhões de euros mas também todas as auréolas. E pior – a respeitabilidade!


E aquilo que era há pouco o maior projecto multinacional da economia portuguesa vai simplesmente desaparecer. Não desaparece nas condições que o Grupo Espírito Santo desapareceu, mas desaparece exactamente como desapareceu o grupo com que se deixou prostituir. Talvez por isso a OI queira hoje misturar-se com os italianos da TIM, descartar a PT e devolver Bava à procedência.


E hoje a notícia é que a OI quer vender a PT – para ter almofada para a italiana – e que os franceses da Altice a querem comprar. E que por isso as acções até estão a subir!


Ah… o grupo francês da Altice é o dono da ONI e da Cabovisão. E vem-nos à memória, não uma frase batida - como na canção - mas uma OPA batida. Que a gestão da PT, à custa de uns muitos milhões, repeliu há pouco mais de sete anos. Engraçado!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O ministro Crato ainda não se demitiu?

Por Eduardo Louro


Mas está à espera de quêO que é que ainda falta?

Dia negro na fórmula 1

Por Eduardo Louro


  



 


O dia de ontem ficará assinalado como mais um dia trágico da fórmula 1, mesmo que a morte não tenha regressado à pista. Mesmo que a última morte em competição, a do saudoso e mítico Senna, tenha já mais de 20 anos...


O francês Jules Bianchi, de 25 anos, está entre a vida e a morte depois de ontem ter sido vítima em Sususka, no Grande Prémio do Japão, de um dos mais estúpidos acidentes da fórmula 1. E o antigo piloto Andrea de Cesaris, de 55 anos e retirado há vinte, faleceu vítima de uma acidente de mota!


 

De Tiririca a Jardel

Por Eduardo Louro



 


Afinal Marina - com 21% dos votos - ficou de fora, não se cumprindo o anunciado duelo feminino pelo melhor lugar no Planalto.


Dilma chegou aos 41%, número que poderá não esticar o suficiente na segunda volta se, como se especula, Marina der o seu apoio a Aécio Neves, permitindo ao candidato do PSD saltar dos seus actuais e surpreendentes 33% para a vitória, que colocará um ponto final em 12 anos de PTismo


A notícia no entanto é a eleição de Mário Jardel. Isso mesmo: Jardel é agora deputado estadual do Rio Grande do Sul. Jardel, o cara de direita porque com ele é tudo a direito, fez como o Tiririca e já tem ocupação. Antes de dar para rir, deve dar para pensar!


No Brasil há círculos uninominais... E o voto é obrigatório!

domingo, 5 de outubro de 2014

Talisca resolve

Por Eduardo Louro


 


No último fim de semana o Benfica partiu para a Alemanha cedo de mais. Partiu quando ainda estava no Estoril. Hoje percebeu-se que se atrasou na chegada, que ficou por lá mais uns dias…


Hoje na Luz, mesmo que com três ou quatro alterações, foi o Benfica ainda em Leverkusen que se apresentou para defrontar o Arouca, que durante muito tempo pareceu uma grande potência do futebol indígena, que só precisou de se encolher nos primeiros cindo minutos do jogo.


Ia já alta a segunda parte quando o Benfica começou a chegar ao jogo, um jogo que se não via forma de desbloquear. Até porque também não havia forma de jogar contra dez, o Bruno Amaro saiu por ordem do seu treinador e não pela do árbitro, como há muito deveria ter sucedido…


Estávamos nisto, e a entrar no último quarto de hora, quando surgiu o primeiro golo, que embalaria finalmente a equipa para uma exibição condigna e para uma goleada que nunca os mais optimistas se atreveriam a prever. Foi de Talisca, como não podia deixar de ser. Porque até aí só o Dartagnan – que é já o melhor marcador do campeonato – rematava à baliza. Mas também porque, sem Enzo Perez e já sem o Gaitan, em evidente deficiente condição física, em campo, só o Talisca poderia desequilibrar rompendo como rompeu pelo centro do terreno.


A partir daí os golos sucederam-se ao ritmo de um a cada três minutos. E de repente foram quatro… Se não houver, como não houve – antes pelo contrário – influência directa da arbitragem não há resultados mentirosos. Por isso este não é um resultado mentiroso, mas é um resultado que só espelha a verdade de uma parte do jogo. A verdade do jogo todo não foi 4-0 ou, como se diz em futebolês, o resultado foi bem melhor que a exibição!


Para além do resultado – e de um bom resultado, a igualar o do Sporting e a colocar a imprensa em sentido –, deste jogo ficam as três estreias, todas a deixarem boas expectativas aos adeptos.


Lizandro estreou-se jogando de início a substituir o Jardel. Era certamente a estreia mais reclamada pelos adeptos, e deixou a ideia que é bem melhor jogador que o brasileiro.


Jonas entrou nos minutos finais da primeira parte para substituir o lesionado Lima, com quem partilha muitas das principais características, e marcou um golo, coisa que este ano está muito difícil para o parceiro de Rodrigo da última época.


A última estreia foi de Pizzi, que entrou já na parte final a substituir o Derlei – que não se estreou a jogar, e que bem jogou, mas a marcar – depois de ter sido chamado para o derradeiro período de desespero que o golo de Talisca dispensou, ainda a tempo de intervir no último golo.

5 de Outubro

Por Eduardo Louro



Já não é feriado. Mas é domingo... O que, ao contrário do discurso do Presidente, dá para disfarçar... 


E dia em que o maior país de língua portuguesa vai a voltos, à escolha de um presidente, que será presidenta. No país do samba, muitas vezes de uma nota só, exactamente como o discurso do presidente que em má hora por cá escolhemos.


Um discurso de uma nota só, a de um esgotado apelo ao consenso para o qual há muito perdeu legitimidade. Tanto mais quanto mais insiste em ignorar as suas imensas responsabilidades no estado a que o país chegou!


Para Cavaco todos são responsáveis pelo que de mau aconteceu e acontece no país. Menos ele próprio e o governo que apoia... Estranho!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Os regressos de Fernando Santos

Por Eduardo Louro


 A convocatória do novo seleccionador nacional de futebol surpreendeu meio mundo. Terá indignado um quarto e agradado a outro quarto…


É uma convocatória alargada – 24 jogadores – como se tratasse de uma convocatória para uma fase final, e isso, como primeira convocatória deste seleccionador, compreende-se perfeitamente. E explicará que comporte seis jogadores do Sporting – uma das surpresas, que indignará muita gente e agradará aos sportinguistas –, algumas estreias – José Fonte e Ivo Pinto – que não cabem exactamente no conceito de renovação, que de todo não serve de mote nem alimenta a convocatória, e muitos regressos.


Foquemo-nos nos regressos, em boa verdade, a par das mais que justificadas ausências do Miguel Veloso, do Raul Meireles, do João Pereira ou do Eduardo, o mais picante da convocatória. E deixemos de lado o regresso de Eliseu, que o simples facto de estar a jogar no Benfica torna normal, para nos determos nos de Dany, Quaresma, Tiago e Ricardo Carvalho, que desde logo terão, no mínimo, soado a murros no estômago do Paulo Bento.


Destes, o regresso de Quaresma acabará por ser o mais pacífico. Traduz uma opção política, natural também numa primeira convocatória. É dar mais uma oportunidade ao Quaresma, para que dela ele faça o que entender, e assim resolver um problema que tem sido sempre incómodo. Se o jogador a agarrar está tudo resolvido. Se a deitar fora também!


Por isso se percebe. E se justifica!


O de Dany justifica-se perfeitamente porque é neste momento um dos melhores 10 que por aí andam, mesmo que, recorde-se, nunca tenha atingido na selecção o alto nível que apresenta no seu clube. Para além disso percebia-se claramente que só o mau feitio de Paulo Bento o mantinha afastado da selecção, onde tanta falta fez no Brasil.


O afastamento de Tiago da selecção não tem nada a ver com Paulo Bento. O mesmo não se pode dizer por não ter regressado, que não pode deixar de ser levado a débito do mau feitio do ex-seleccionador. Toda a gente percebeu, e o próprio Tiago ainda primeiro que todos, que há quatro anos atrás a sua carreira dava todos os sinais de ter entrado na sua decisiva fase descendente. Deixara de ser titular na selecção e terá entendido que, a ter de deixar a selecção, sairia pelo seu pé. Uma decisão legítima!


É nesta altura, e não noutra qualquer, como o anterior seleccionador deixou que se confundisse, e como muita gente tenta confundir, que Paulo Bento o tenta demover dessa decisão, com as tais deslocações a Madrid. Só que Simeone não mudou apenas a vida do Atlético de Madrid, mudou também a de Tiago. Não lhe deu um novo fôlego, deu-lhe uma nova vida tornando-o, depois dos 30, num jogador como nunca antes tinha sido. Com esta nova realidade o Tiago estava evidentemente disposto a regressar, disso deu por diversas vezes sinal, e a selecção só tinha evidentemente a ganhar com o seu regresso. Mas aí já o seleccionador punha o seu mau feitio acima dos interesses da selecção.


O regresso de Tiago, mais que justificado, é a mais merecida bofetada em Paulo Bento!


É diferente o regresso do Ricardo Carvalho, por muito que o mesmo mau feitio possa ter sido responsável pela irreflectida atitude do jogador. Nenhuma condenação pode ser eterna, por isso não há prisão perpétua em Portugal. O que neste caso deveria ter sido amplamente divulgado, e não o foi, era o castigo aplicado pela FPF pelo comportamento de grave indisciplina do Ricardo Carvalho. Um, dois ou três anos de castigo, fosse lá o que fosse, estaria já cumprido. O jogador teria pago pelo seu erro e, mesmo aos 36 anos, estaria em condições de ser convocado. Estranho é que só hoje se tenha sabido que o jogador foi castigado por um ano!


Entendia-se que Paulo Bento nunca o convocasse, tinha com ele um problema pessoal que ia para além do castigo aplicado. Da mesma forma que se entende que Fernando Santos não tenha qualquer objecção à sua convocação. Que provavelmente justificará por política de pacificação!


Veremos se lhe dará a titularidade. Apostaria que não!

Unificação?

Por Eduardo Louro


António Costa venceu as primárias com dois terços dos votos.


António Costa um terço da Direcção do Grupo Parlamentar a Seguro


António Costa garante um terço de Seguristas nas listas para a Comissão Política e Comissão Nacional.


Ferro Rodrigues vence eleição para liderança do grupo parlamentar com 69% dos votos...


Unificação? Sim, unificação aritmética: 2/3+1/3=1!

Encruzilhada

Por Eduardo Louro


 


 


 



 


O estatuto especial de Hong Kong, desenhado pelas autoridades inglesas e chinesas no quadro da devolução daquele território à soberania chinesa está, desassete anos depois, aparentemente esgotado. A população quer mais, quer escolher os seus governantes sem qualquer tipo de condicionalismo. Quer democracia, mesmo a sério, e por isso está há muitos dias na rua...


Por enquanto o movimento atravessa a sua fase romântica. Já conhecida por revolução dos chapéus (arma de defesa contra o gás lacrimogénio), a emergência da liderança de um rapaz de 17 anos - Joshua Wong - acentua-lhe o romantismo. Mas não deixa de colocar a  China perante uma encruzilhada em que reprimir os protestos, seguindo a sua matriz natural, será pôr tudo em causa; mas também acolher as reivindicações do território, poderá pôr tudo em causa.


E tudo é mesmo tudo. Desde logo aquela base programática de um país e dois regimes em que a China pretende sustentar a sua condição de superpotência!


Para já o regime parece apostar no tempo, confiando que o tempo se encarregue de vencer,  pelo cansaço, os protestos. As notícias de hoje dão conta de confrontos entre manifestantes e opositores, provavelmente induzidos e provocados, justamente para acelerar o poder do tempo.


 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Gratidão alemã

Por Eduardo Louro



Os alemães sabem o que é gratidão. Estão tão gratos a Passos Coelho que não perderam a oportunidade de provar que é normal trabalhar de graça... Mais comedidos, é certo, que uma refeição quente, três garrafas de cerveja e cigarros não é bem o mesmo que viagens e almoços... 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dores de cabeça que já dão um problema mental

Por Eduardo Louro


 


Sabemos desde o sorteio que, nesta edição da Champions, a sorte não estava muito disposta em sentar-se ao lado do Benfica. Quando o Bate Borisov ou Maribor aqui se chama Mónaco, está tudo dito…


No primeiro jogo, há duas semanas na Luz com o Zénite, houve aqueles vinte minutos iniciais. E aquele Hulk, que fica endiabrado quando pela frente lhe aparece o Benfica. Depois a equipa reagiu, os adeptos gostaram e aplaudiram e, no fim, até ficou a ideia que aquela derrota não passaria de um incidente, perfeitamente remediável no jogo de retribuição, em S.Petersburgo. E até já hoje em Leverkusen com a equipa das aspirinas…  


Afinal… nada disso. Só dores de cabeça, sem aspirinas que lhe valham. Dores de cabeça que já dão num sério problema mental com a Champions!


Com Jesus tem sido sempre assim. Dá a ideia que ele acha que nunca tem equipa para a Champions, quando a ideia que deixa é que é ele que não é treinador de Champions. Hoje o Benfica foi completamente trucidado, com duas agravantes para Jorge Jesus: a primeira é que a equipa foi “comida” exactamente da mesma forma que o fora pelo Zénite, naquela primeira meia hora de há duas semanas, sempre atropelada na faixa central do meio campo; e a segunda é que o Leverkusen jogou exactamente como joga sempre. É aquela a sua forma de jogar: pressão alta, grande povoamento da faixa central, com as alas abertas para os laterais, marcações impiedosas e ritmo altíssimo enquanto a capacidade física der!


É inacreditável, mas Jorge Jesus não teve resposta para isso. E a equipa afundou-se, perante um adversário que em valores individuais não lhe é de maneira nenhuma superior. Bem, de maneira nenhuma, tenho que confessar, é um exagero…


Porque, 15 milhões depois, o melhor trinco de que a equipa dispõe – quando permanecem lesionados Fejsa e Ruben Amorin – ainda é o André Almeida. Porque a equipa continua sem guarda-redes: o Júlio César foi a parte mais activa do primeiro golo, meteu dó no segundo e foi simplesmente humilhado no terceiro. E porque o Eliseu é um especialista em pirotecnia: apreciamos as suas bombas, mas preferíamos que fosse, se não especialista, pelo menos competente a defender!


Jorge Jesus já diz que a final da Liga Europa é mais importante que os quartos da Champions. O costume… Se calhar é por isso que ainda há dois anos - lá está, a contar para a Liga Europa - ganhou os dois jogos ao adversário de hoje... Até pode ser, mesmo que financeiramente – e é em dinheirinho que o ordenado lhe é pago – seja muito menos rentável. O problema é que assim nem sequer vai entrar na Liga Europa, quanto mais chegar à final!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...