quarta-feira, 30 de junho de 2010

Golden Share: a tal

Por Eduardo Louro


 


 


A assembleia-geral da PT recusou a oferta da Telefónica para a compra da sua participação na brasileira Vivo.


Esta é a boa notícia. Sabendo-se da relevância estratégica que esta operadora móvel num dos grandes mercados emergentes tem para a PT, para além do peso extraordinário que tem na sua conta de exploração, esta é sempre uma boa notícia para o país. Talvez hoje seja mesmo um bocadinho mais boa notícia: afinal sempre é uma vitória sobre os espanhóis, no dia da ressaca da derrota da nossa selecção.


A má notícia é que esta vitória portuguesa, afinal como a de ontem dos espanhóis, resulta, em certa maneira, de dedo alheio ao próprio jogo. Não é exactamente uma vitória limpa! E se no jogo de ontem acabou por nem se salientar muito a irregularidade do golo da vitória espanhola, tão convincente ela fora, na nossa vitória de hoje parece-me que não será bem assim.


Como se esperava, a imensa maioria dos accionistas – perto dos dois terços – aceitou a oferta espanhola, uma oferta já quase irrecusável e que, poucas horas antes, subiria ainda generosamente para os 7,15 mil milhões de euros. Para se ter uma ideia do valor desta oferta – por 30% da Vivo, é bom não esquecer – basta dizer que é praticamente o valor da PT, com Vivo e tudo! Como se esperava, esses accionistas, ávidos de liquidez e de mais valias, estavam-se nas tintas para a importância estratégica da participação na Vivo para a PT.


É aí que surge a tão famosa golden share do Estado, que para tanta trapalhada tem servido. Que, por ser apenas golden e não se traduzir em número de acções, teve o mérito de nem por um minuto fazer o governo pensar no défice. Tivesse expressão material e nem o governo certamente resistiria a tão generosa oferta. O accionista Estado, fazendo uso da prerrogativa dourada, inviabilizou a venda e terá salvado uma PT de verdadeira dimensão internacional, com tudo o que isso representa para a economia nacional. Que é muito!


Pela primeira vez tivemos oportunidade de observar a verdadeira dimensão de uma golden share: a defesa do interesse nacional. Até aqui apenas tínhamos assistido à sua manipulação a partir dos interesses particulares de tutelas e clientelas.


Teríamos todas as razões para saudar agora aquilo que em tantas ocasiões condenamos, não tivessemos, como acima já deixei perceber, de duvidar da legalidade da sua utilização. É que, para além da perseguição de Bruxelas às golden share do Estado Português (e não só), que se lhe não retira legitimidade retira-lhe eficácia, tudo aponta para que nesta assembleia-geral, convocada extraordinariamente para este efeito, á luz dos estatutos, ela não seja utilizável. Mas isso fica para a guerra jurídica que certamente aí virá!


 

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #8: Adeus

Por Eduardo Louro


 


Como estava escrito nos astros, a selecção nacional está de regresso a casa. Cumpridos os serviços mínimos mas sem conseguir evitar uma certa frustração…


Carlos Queiroz adoptara uma linguagem de coragem. Revelara uma ambição e mesmo atrevimento de discurso que ninguém lhe reconheceria, ao ponto de prometer conquistas em que mais ninguém acreditava. Mais ninguém tinha razões para acreditar, e quase todos percebíamos que aquela ousadia era como que uma espreitadela furtiva por trás de uma barreira de protecção, aquela que todo o poderio reconhecido à Espanha representava.


Íamos ficando com a ideia que, enquanto toda a gente – Brasil incluído – queria evitar a Espanha, o seleccionador nacional queria mesmo encontrá-la, para nela encontrar a redenção. Claro que ninguém lhe poderia, como não pode, cobrar-lhe a derrota aos pés do campeão europeu, que chegava à África do Sul na pele de favorito-mor à conquista do título mundial.


E no entanto o jogo até começou por correr bem, ficando no ar que a selecção nacional teria as suas hipóteses, que aquilo não eram favas contadas para os nuestros hermanos. Até que, por volta do final do primeiro quarto de hora da segunda parte, os dois treinadores mexeram. Aí veio ao de cima o fado queirosiano: ao mexer estragou, como é hábito. E, como um mal nunca vem só, o espanhol acertou. Em cheio! Porque, com um jogador fixo na área, corpulento e por azar igualzinho àquele que Queiroz acabara de retirar, a Espanha destabilizou a nossa defesa e marcou de imediato, acentuando o controlo do jogo que nunca deixaria fugir.


E pronto. Um ponto final que parece de encomenda: eliminação pela Espanha, com um só golo e, ainda por cima, acabando a jogar com 10!


Um ponto final que permitirá continuar a alimentar muitas mentiras. Apenas desmente a maior de todas: o ranking da FIFA.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #7: Arbitragem - Dia Negro ou Dia Zero?

Por Eduardo Louro


 



As arbitragens até nem vinham mal de todo. O pano não era do melhor – não se podendo, por isso, dizer que no melhor pano cai a nódoa – mas lá iam levando a água ao moinho. Até ontem!


Começou no Argentina – México: quando, surpreendentemente, o México dominava o jogo e se impunha à agora super favorita equipa alvi-celeste do agora grande seleccionador Maradona, a arbitragem de uma equipa italiana, liderada por um tipo com um certo ar de vaidoso, valida um golo argentino obtido a partir de um dos mais escandalosos foras de jogo de que há memória. A partir daí, e com mais um erro grosseiro, desta vez de um defesa mexicano, a Argentina ganharia (3-1) e garantiria o acesso aos quartos de final, onde irá encontrar o seu parceiro de sorte.


Precisamente a Alemanha que, no segundo jogo do dia – provavelmente o melhor jogo da prova até agora – beneficia do que será o mais escandaloso erro de arbitragem num campeonato do mundo. Desta vez é uma equipa de arbitragem uruguaia que invalida um golo da Inglaterra quando toda a gente viu a bola bem dentro da baliza. O golo que consumaria uma recuperação notável da equipa inglesa de 0-2 para 2-2, numa altura fundamental do jogo. A Alemanha acabaria por, numa estratégia de contra-ataque que, assim, pôde sempre manter, ganhar o jogo (4-1) e chegar aos quartos de final.


Vêm-nos há memória os erros em anteriores campeonatos do mundo. Lembramo-nos do Mundial de Inglaterra de 1966, onde a Alemanha perdeu a final precisamente para a mesma Inglaterra com um golo que não o teria sido. Mas desse ainda hoje ninguém tem certezas. Com dois erros tão escandalosos como os de ontem é que não há memória…


Veremos até que ponto este mundial não ficará marcado pela questão da arbitragem. A França já aqui chegara através do benefício de um outro erro grosseiro. Pagou com uma participação lastimável, como vimos. Agora, com os dois beneficiados a defrontarem-se entre si, apenas um deles irá pagar! O outro chegará sempre a um dos melhores quatro lugares.


Meios auxiliares de decisão para as equipas de arbitragem por recurso às novas tecnologias disponíveis? Claro que sim, a decisão do recorrer a essas tecnologias não pode sequer ser questionada! Guardem-se as questões apenas para o quando e o como!


 

sábado, 26 de junho de 2010

Futebolês #31 Balneário

Por Eduardo Louro


Em futebolês balneário é muito mais que o simples balneário.


Aquele local bem pouco confortável (acho eu!) cheio de cacifos, bancos, bancadas e estrados, humidades e vapores por todos os lados, e de tipos (perdoem-me mas apenas conheço balneários masculinos) nus e seminus, com ou sem toalhas enroladas à cintura, e cheiros de todos os tipos ganha, em futebolês, uma outra dimensão. É a dimensão mítica, ou mesmo sagrada, do balneário enquanto expoente máximo da intimidade do corpo colectivo que é uma equipa.


Em futebolês o balneário é um estado de espírito, o estado de alma de um colectivo mobilizado em torno do objectivo de ganhar. É o factor crítico de sucesso!


Sem um bom balneário o êxito nunca passa de miragem. E um bom balneário, como bem se percebe, nada tem a ver com a qualidade das instalações do dito. Tem apenas a ver com o espírito de equipa, com a união e a mobilização da equipa em torno dos objectivos estabelecidos, sejam estes proclamados aos sete ventos ou simplesmente sussurrados baixinho no coração daquele espaço íntimo que é também o balneário.


O balneário é tão determinante factor de sucesso que torna perpassa para a avaliação do jogador. Chegada a hora de assinar um bom contrato, ou de ser eleito para o que quer que seja, em particular, agora que estamos em tempo de selecções, de convocatória para uma selecção nacional, o factor balneário pesa e de que maneira.


Há jogadores que vêm goradas as expectativas que o seu potencial técnico legitimaria por um rótulo de não recomendado que alguém colou ao seu comportamento de balneário. São múltiplos os exemplos de grandes jogadores que, por fama de destabilizadores de balneário, acabam por ser proscritos.


Muitas das vezes ninguém percebe por que é que um jogador de evidentes dotes para o exercício bem sucedido da actividade desaparece de repente. Aí vem-nos logo o balneário à cabeça! Às vezes injustamente, mas é assim.


Mas também há muitos outros jogadores que nem precisam de saber jogar à bola, tal é a fama da sua influência no balneário. Têm lugar cativo em muitas equipas, e uma enorme resistência ao peso dos anos, que lhes é garantido por esse rótulo de qualidade. Ainda nos lembramos da convocatória para o último Mundial, na Alemanha, quando Scolari levou o segundo ou o terceiro guarda-redes do Porto – o Nuno que, ao contrário do Beto na convocatória para este mundial, que como por milagre surgiu a jogar nos últimos jogos do campeonato, não fizera então um único jogo – precisamente por essa qualidade.


Não há responsável de uma equipa de futebol que não persiga o ideal do bom balneário. Quando as coisas não correm bem a primeira prioridade é logo enunciada: blindar o balneário!


O que é isso? Colocar portas blindadas no balneário?


Não. É preservar o balneário, o espírito de equipa, de qualquer tipo de influência externa. Tornar grupo impenetrável, sem dar qualquer oportunidade a pretensos destabilizadores. São várias as técnicas de blindagem: a mais usada é a da criação de um inimigo externo.


Inventa-se um inimigo e já está! Tudo unido e mobilizado… Depois é só alimentá-lo, ou criar outro e outro…


Mas o balneário também tem os seus bufos, aqueles que profanam o seu sacrário. Quando se descobrem os bufos de balneário é que tudo tudo se complica. Acreditem que há jogadores que são contratados para isso mesmo, e não para jogar à bola.


Ao que se presta um balneário!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Casamento de conveniência

Por Eduardo Louro


 


Os dois maiores partidos portugueses, que invariavelmente nos têm governado desde que há eleições livres em Portugal, vivem uma relação inimaginável há bem pouco tempo. Não se pode falar em casamento (até porque seria entre entidades do mesmo género, o que levantaria sérios problemas ao Presidente da República) porque não há papéis assinados, mas poderá falar-se de união de facto. De conveniência, bem entendido.


Ainda bem que não há casamento porque seria mais um com divórcio anunciado. Apesar de tudo sempre somos mais tolerantes com a união de facto! E a própria separação é um pouco menos traumática…


A verdade é que é uma relação estável. Até ao próximo Verão este idílio será mantido. Apaixonante e fortemente alicerçado no maior dos amores: a conveniência. O melhor de todos os cimentos, que lhe garante uma esperança de vida nunca inferior a um ano. Pelo menos durante os próximos 12 meses nada haverá que os separe. Para os tempos que correm…


Veja-se só a forma como, ainda agora, estão envolvidos à volta das SCUT´s…


Mas o mais significativo dos sinais exteriores harmonia conjugal, de fazer inveja a qualquer casal que já dobrou as bodas de prata, vem da Comissão de Inquérito Parlamentar ao chamado negócio PT/TVI. Que não servia para nada (como não serviu), como eu referia aqui pouco depois do seu nascimento.


O PSD de Manuela Ferreira Leite, que arrancou com a comissão, pretendia que dela resultasse uma espécie de impeachment ao primeiro-ministro: a conclusão de que mentira ao parlamento, que sustentaria uma moção de censura. O PSD de Pedro Passos Coelho, que nem queria ouvir falar em mentir, tratou de usar Mota Amaral para deixar Pacheco Pereira a falar sozinho em mentiras e verdades inconvenientes.


Apenas Pacheco Pereira concluiu que o primeiro-ministro mentiu ao parlamento. O relatório oficial conclui que o primeiro-ministro sabia do negócio quando disse no parlamento que o desconhecia. Mas não conclui que mentiu, o que é extraordinário.


Mais extraordinário, em nome do sucesso desta união de conveniência, foi ver Passos Coelho, que ignorou Pacheco Pereira, empurrar para Mota Amaral as culpas por não lhes ter permitido chegar às conclusões … de Pacheco Pereira!


E não menos extraordinário é o primeiro-ministro, sustentado pelas teses dos deputados socialistas de “absoluto fracasso” e de inexistência de “uma única prova”, mas esquecendo que daqui a três ou quatro meses toda a gente conhecerá o conteúdo das escutas, vir exigir que lhe seja apresentado um pedido de desculpas.


Assim nem precisam de aconselhamento matrimonial…

quarta-feira, 23 de junho de 2010

terça-feira, 22 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #6: Au revoir

Por Eduardo Louro


 



Feitas as contas do primeiro dos grupos desta fase inicial da prova e fechado o grupo A da selecção da casa, a França, derrotada no último jogo pelos Bafana-Bafana, regressa a casa sem honra nem glória. Pior, vergada ao peso de uma participação verdadeiramente vergonhosa, no plano desportivo mas também no plano social. Com um único ponto, mercê de um empate com o Uruguai – primeiro classificado do grupo – logo na primeira jornada, duas derrotas e apenas um golo marcado. E com um comportamento social vergonhoso: discussões, expulsões, greves e ameaças de toda a ordem.


Uma participação amaldiçoada, uma maldição lançada pela Irlanda, injusta e batoteiramente afastada deste mundial pela escandalosa mão de Henry e pelo peso institucional da França (n`est ce pas Monsieur Michel Platini?) apadrinhado pelos superiores interesses da FIFA. Mas também amaldiçoada por um treinador arrogante, antipático e deselegante, capaz de resumir uma das maiores potências do futebol mundial  a um grupo de jogadores incapazes, contestatários e indisciplinados.


Como disse Zidane, este mundial será lembrado pelo vencedor e pela selecção francesa que se recusou a treinar!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #5: Ketchup

Isto é futebol (SAPO)


Ao segundo jogo a goleada, a lembrar a feliz imagem que o Cristiano Ronaldo tinha lançado: “os golos são como o ketchup, às vezes saem todos de uma vez”.



Uma goleada que chegou com o Verão, que se apresentou precisamente à hora em que se ouvia o hino nacional. Uma boa hora, como se viu quando reparamos que, pela primeira vez de há muito a esta parte, todos os jogadores o cantaram. Percebeu-se então que na Cidade do Cabo, naquele Green Point onde ainda ninguém ganhara – e já lá tinham jogado a Itália e a Inglaterra, entre outros – as coisas podiam correr bem: que aquela Coreia do Norte se transformaria também de Tormenta em Boa Esperança.


Fica o resultado, sete a zero que já não se usam, num jogo com uma segunda parte imprópria de uma fase final do Campeonato do Mundo de Futebol. E ficam algumas coisas boas: um resultado moralizador, que esperemos possa tranquilizar aquela gente, o regresso de CR aos golos pela selecção, um golo que fugia e que os ferros das balizas lhe iam negando mas que acabou por surgir num movimento invulgar e com uma coreografia espantosa e, finalmente, a feliz exibição de Tiago, coroada com dois golos e a permitir perspectivar a eventual substituição de Deco que, afinal e como se viu, é agora premente.


Mas também ficam algumas coisas más, que seria bom não tapar com este resultado: o completo desperdício das situações de bola parada, com os cantos sucessivamente mal marcados (ao primeiro poste e por baixo) e a falta de soluções testadas e trabalhadas para a cobrança dos livres; a posição de lateral direito que continua por resolver depois de testadas as soluções Paulo Ferreira e Miguel, este hoje claramente o elo mais fraco da equipa, a pedir agora que se experimente a solução Ruben Amorim e, ainda, o definitivo atestado de incapacidade de Pepe pois, de outra forma, não se percebe que, chegada a hora das substituições, não tenha sido utilizado.


Ah! Repararam que o Simão esboçou o festejo do seu golo com o gesto do anúncio publicitário àquela rede de fast food que ele promove? Não passou de um esboço ou foram as câmaras de televisão que se desviaram? Um tema que não será pacífico…


 

domingo, 20 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #4: Brasil soma e segue

A selecção brasileira tem praticamente assegurado o apuramento para os oitavos de final. Resta saber se quererá (ou poderá) tentar fugir ao primeiro lugar no grupo, para eventualmente se desviar da Espanha.


Vitória clara (3-1) num jogo que esperemos sirva para Carlos Queirós perceber que quando se joga para ganhar é mais provável que se ganhe. O Brasil jogou para ganhar e deixou a Costa de Marfim sem argumentos…


Claro que o árbitro, um francês com uma actuação ao nível do da sua selecção, deu uma ajuda. Como que para justificar a mão do Henry com que a selecção francesa havia sido apurada, também permitiu que Luís Fabiano, no segundo golo, jogasse a bola com a mão. Não uma mas duas vezes! Hilariante foi vê-lo a explicar ao jogador que não tinha jogado a bola com a mão mas com o peito. Fantástico!


 


 

Ziguezagues

Concluídas as cerimónias fúnebres de José Saramago, não há como deixar de notar a ausência do Presidente da República.


Não é que seja indesculpável. Indesculpáveis são as desculpas que apresentou: que não era amigo pessoal do único prémio Nobel da literatura de língua portuguesa, a quem não conhecia pessoalmente, e que tinha compromissos familiares, estes um curto período de férias nos Açores que teria prometido à família. Isto é que, mais que indesculpável, é cínico!


Não vale sequer a pena estar a procurar argumentos que fundamentem a obrigação da presença do Presidente da República, por minimalista que fosse essa participação, no funeral de José Saramago.


Obviamente que quando o país decreta o luto nacional, promulgado pelo Presidente da República, a sua presença nas cerimónias fúnebres nada tem a ver com as relações pessoais entre o titular do cargo mais alto magistrado da nação e o defunto. Como é evidentemente óbvio que, sendo essa a obrigação do Presidente, não é aceitável que a descarte por meras circunstâncias de interesse pessoal, como um fim-de-semana de férias na” lindíssima ilha de S. Miguel”.


O que Cavaco quis fazer, e aqui refiro-me ao cidadão, por acaso e ao que tudo indica, recandidato nas próximas presidenciais, na sua condição de Presidente da República, foi compensar o seu acto de promulgação do chamado casamento gay. O que Cavaco quis foi acalmar os movimentos à direita que, na sequência daquele erro imperdoável, procuram desenfreadamente um candidato em que se revejam.


O que Cavaco fez foi prosseguir o seu caminho ziguezagueante em direcção à reeleição. Com tanto ziguezague é muito provável que se perca: que se perca de si próprio (de tanto se negar, como aqui referia há duas ou três semanas) e que se perca daquilo que tem sido o destino de todos os seus antecessores.


Este, de resto, um medo que o tem perseguido ao longo destes últimos quatro anos, de que nunca se conseguiu libertar!


 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu o nosso NOBEL


 


Morreu José Saramago! Já se pode dizer bem dele...

Futebolês #30 Magia


Magia não é algo que apenas encante crianças e que preencha os seus reinos de fantasias. Nada que se esgote num coelho tirado da cartola num qualquer palco da mais popular das feiras ou da mais elegante sala de espectáculos. Nada que se esgote na imaginação de cada um, que espera encontrar magia em cada esquina da vida para manter vivas todas as ilusões da criança que, lá bem no fundo, ninguém quer deixar de ser.


No futebol e na sua linguagem a magia em nada difere disto, ou não fosse o futebol isto mesmo, como invariavelmente dizem os artistas da bola quando pretendem explicar qualquer coisa que, ou não tem explicação ou, a tê-la, não sabem ou não querem dá-la.


Com uma diferença, é que no futebol a magia é espalhada pela relva. Espalhar magia pela relva não está ao alcance de qualquer um: apenas dos mágicos, dos grandes fantasistas. Nem está propriamente  ao alcance de todos os grandes talentos. Os talentos de que foram dotados bastam para os tornar grandes artistas, grandes estrelas e mesmo foras de série, mas não são suficientes para os catapultar para o Olimpo dos mágicos.


São muitos os exemplos de grandes foras de série que não atingiram a dimensão de mágicos. Podem ser grandes patrões, grandes maestros e grandes criativos, mas não são mágicos!


Magia espalhou Di Maria esta época pelos palcos deste país, ao ponto de deixar Mourinho hipnotizado e louco por o levar para Madrid. E ao ponto de ficar ele próprio encantado com tanta ilusão… Magia a sério continua Messi a espalhar por todos os relvados do mundo. Esse sim, o maior mágico em actividade!


Em Portugal, apesar da fama de grandes criativos (e não apenas no futebol!), mágico mesmo e reconhecido como tal, só há um: Deco! Já lá vão uns anitos mas todos nos lembramos daqueles cartazes exibidos nas Antas e já no Dragão: o nosso mágico, podia ler-se por baixo daquela imagem de Deco com cartola e tudo!


Pois o nosso mágico, que o nosso país empurrou para o estrelato mundial – pela formação e desenvolvimento que lhe permitiu, pela nacionalidade que lhe emprestou, e que lhe abriu as portas das melhores equipas da Europa, pelo seu estatuto de cidadão comunitário, e as de uma das selecções mais fortes do seu tempo (quando as da selecção brasileira nunca se lhe abriram) – anunciara há poucos meses que iria abandonar a selecção nacional. O que seria natural, até pela sua idade. O que já não seria natural é que o fizesse envolto em expressões de muito pouco apreço pela nação que o acolheu e de despropositada reafirmação do seu brasileirismo. Que, não sendo natural, cheirou a provocação!


O nosso mágico passou toda a época sem jogar, entre os bancos das clínicas e o banco de suplentes. Naturalmente sem ritmo de jogo para entrar num campeonato do mundo e, dada a  sua idade, sem condições para atingir os níveis de desempenho que a selecção requer e necessita. Mesmo assim o seleccionador Carlos Queirós não hesitou em convocá-lo. E não se limitou a convocá-lo, tratou de lhe dar um estatuto superior ao deixar de convocar qualquer alternativa: nem Carlos Martins, nem João Moutinho, nem Nuno Assis!


Errou Carlos Queirós, como parece continuar a errar em quase todos os capítulos desta nossa presença na África do Sul. Mas não merecia que a primeira pedra (e que pedra!) lhe fosse lançada precisamente pelo mágico. Que, não tendo arte para a transformar em flores, lenços ou simples rolos de papel colorido, ensaiou um passe de mágica pouco convincente e nada credível. Um número falhado, desastrado mesmo!


Não pôde, como muitas vezes fazem, negar as declarações proferidas. A televisão, e em directo, não permite o mesmo que os jornais! Nem que se roubem os gravadores! Retratou-se, mas ninguém o levou a sério. Afinal nem sequer pode invocar que foi a quente. A quente passou ele pelo banco, direito ao balneário. Aí teve bem tempo de refrescar tudo o que estivesse quente, antes de lhe colocarem um microfone à frente.


O que ficou claro é que, depois da mal contada história do Nani, muitas mais histórias ficam para contar. A Saltillo (México 86) e à Coreia 2002  juntar-se-á mais uma página negra: África do Sul 2010.


É pena, mas são estes os mágicos que temos!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Preso por ter cão e preso por não ter

O euro continua em perda e as dificuldades de financiamento continuam a aumentar, em especial para a Grécia, Espanha e Portugal. As notações de rating continuam em queda livre, tendo mesmo a da Grécia caído para o nível mais baixo: lixo. Espanha e Portugal pagam agora taxas de juro inimagináveis há apenas três ou quatro meses e começam a enfrentar sérias dificuldades na colocação de dívida!


Em Portugal discute-se se não seria preferível chamar já o FMI. Há os que defendem que solicitar já essa intervenção permitiria o acesso a melhores condições de financiamento – a Grécia, por essa via, tem já taxas de juro mais baixas que as de Portugal! Vêem ainda nessa intervenção a oportunidade para endurecer as medidas de austeridade e, nela, o caminho mais rápido para a consolidação orçamental e para o saneamento das finanças públicas. Os que lhe opõem não apresentam outros argumentos que não sejam os que se prendem com a imagem do país, isto é, preocupam-se apenas em proteger a imagem do fidalgo arruinado.


Desgraçadamente é isto que se discute. Uns com a obsessão da imagem, uma obsessão infelizmente profundamente enraizada na sociedade portuguesa, e responsável por tanta da nossa miséria humana (ainda esta semana era noticiado que muitos portugueses preferem começar a cortar pelos medicamentos e pela alimentação antes de abdicar de telemóveis, canais de tv por cabo e mesmo de automóveis). Outros porque preferem trocar a verdade da realidade pela de manuais desactualizados.


Por que é que a chamada pressão dos mercados, que supostamente abrandaria com o anúncio de medidas de austeridade, de medidas de excepção suficientemente capazes de impor os sacrifícios exigidos como se os mercados fossem monstros vorazes ávidos de sangue (e de suor e de lágrimas), afinal não abrandou?


Porque, logo depois do anúncio dessas medidas, os mercados concluíram que elas não só impediam o crescimento como iriam alimentar uma espiral de retracção económica de consequências ainda mais gravosas. Perceberam que elas não resolviam os problemas, que os agravavam!


Coisa que, cegos pelo medo, governantes e elites não vêem. Ou fingem não ver, por falta de coragem para enfrentar a realidade. E preferem continuar a pensar e agir exclusivamente na lógica de alimentar o tal monstro voraz – oferecer-lhe em sacrifício cada vez mais inocentes – ignorando uma realidade circular em que se é preso por ter cão e por não o ter: se não são duros nas medidas não estão a enfrentar eficazmente os problemas; mas se o são estão a liquidar a economia e, com isso, sem qualquer possibilidade de resolver os mesmíssimos problemas.


E assim lá continuamos, nós e uma Europa cada vez mais anã (já não apenas um mas dois anões), a afundar-nos cada vez mais, assobiando para o ar enquanto vamos inventando novas medidas que achamos que acalmam os mercados!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #3: A surpresa

A primeira jornada acaba de terminar com a surpreendente derrota da Espanha frente à Suiça (0-1) e com um bom jogo de futebol.


Esta é uma surpresa que nem de encomenda para selecção portuguesa! Parece-me bem que, a partir de agora, o Brasil não vai querer ganhar o grupo…


Grande vitória da Suiça que, inesperadamente, abre uma enorme janela de oportunidade à nossa tão debilitada selecção!


 


 

terça-feira, 15 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #2: O primeiro jogo

E ao quinto dia a selecção começou a jogar!


Jogo pobre, na linha da maioria dos que o antecederam, mas ainda mais lento.


A Costa do Marfim nem parecia uma equipa africana (o dedo de Erickson): muito disciplinada e tacticamente adulta. A selecção nacional esteve bem fraquinha, a fazer corar de vergonha as estatísticas da FIFA, as tais que a colocam como a terceira melhor selecção do mundo…


Jogadores descrentes, sem confiança e, também me pareceu, sem força. Nem anímica nem física. Na primeira parte um único remate: ao poste, mas único! Na segunda só mais quatro, e apenas um enquadrado com a baliza.


A selecção não resolveu o que era complicado e complicou o que era simples, acabando com o credo na boca.


Esperemos por melhores dias! 


 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #1: A estreia

Esperei pela primeira intervenção portuguesa no Mundial da África do Sul para trazer aqui ao Quinta Emenda uma primeira espreitadela sobre o acontecimento que está a dominar a atenção mundial e, se não a fazer esquecer a crise, a passá-la para segundo plano.


Ao contrário do que alguns possam estar a pensar Portugal estreou-se hoje. Quando amanhã a selecção nacional se estrear em Port Elizabeth – um porto inventado logo ao virar da esquina do Cabo das Tormentas, já da Boa Esperança, por Bartolomeu Dias, o Navegador, não um daqueles navegadores que amanhã carregarão com o peso de toda uma nação que continua, como sempre, à espera que sejam onze rapazes a correr atrás de uma bola a expiar-lhe os pecados e a alimentar-lhe a ilusão – já o fará depois de outra equipa portuguesa: a equipa de arbitragem de Olegário Benquerença.


A prova já vai no seu quarto dia, o que já dá para algumas notas.


A primeira para provar como o destino é muitas das vezes cruel. Um acidente roubaria a vida à bisneta de Nelson Mandela, roubando-lhe, assim e também, a oportunidade de, apesar do seu estado de saúde, presidir à inauguração oficial do Campeonato do Mundo de Futebol, a prova máxima do futebol mundial que ele, de forma decisiva, ajudara a trazer pela primeira vez para a sua África e para a sua África do Sul. E roubando ao futebol a oportunidade de ser abençoado por um dos maiores vultos da humanidade do século XX!


A segunda nota vai, como não podia deixar de ser, para as vuvuzelas. Essa praga que se assemelha a um enorme enxame em incansável, laboriosa e frenética actividade. Um ruído insuportável que a tudo se sobrepõe, alterando por completo o habitat dos estádios de futebol: não há mais cânticos, palmas ou bruás! Todos os dias se diz que a FIFA irá proibir a sua utilização mas a verdade é que, dia após dia, ali está aquele ruído monocórdico, entediante … e que faz sono!


Como os jogos, e entraria na terceira nota, não têm sido nada de por aí além, também eles suficientemente entediantes – o que leva a questionar a forma como se disputam as fases iniciais deste tipo de provas (a “poule” torna os jogos demasiado fechados, onde o medo de perder se sobrepõe à vontade de ganhar, dando em espectáculos de qualidade nada condizente com a grandeza da competição) – aquilo dá mesmo sono.


O que é mau porque, adormecendo-se, perdem-se o que têm sido as excelentes realizações televisivas – a quarta nota. As transmissões televisivas têm sido realmente de grande qualidade e, essas sim, de grande espectáculo, mesmo quando o espectáculo não ajuda…


A quinta e última nota vai para as selecções africanas. O factor continentalidade não tem funcionado e os seus resultados não têm sido famosos, quando apenas falta entrar uma em acção: precisamente a Costa do Marfim, que amanhã defronta Portugal. Esperemos que se confirme a tendência e que se mantenha solteira a vitória do Gana, a quem já ouvi chamar a Itália africana.


Mas voltemos à estreia portuguesa (e leiriense) para assinalar o excelente desempenho da equipa de Olegário Benquerença no Camarões 0 – Japão 1. O jogo, talvez o que melhor ilustre todas as anteriores notas – espectáculo fraco e sub rendimento da equipa africana, recheada de estrelas – não foi complicado e Olegário teve o enorme mérito de não o complicar ele próprio. Belo desempenho a abrir boas perspectivas para o resto da prova: mais duas ou três nomeações, de preferência para jogos de grande impacto…

Futebolês:o prometido é devido

O prometido é devido. Pelo menos por aqui no Quinta Emenda


Não é que estejamos muito habituados a que se cumpram as promessas! E não é só na política, já o Carlos Tê, aqui há uns anos, punha o Rui Veloso a queixar-se disso mesmo. Lembram-se? Ela tinha-lhe prometido tirar o vestido mas … não cumpriu!


Como prometera na apresentação aqui estão disponíveis os trinta números do futebolês que haviam sido publicados no Vila Forte. Aqui ao lado, à esquerda, estão os links para alguns jornais e revistas, para alguns blogues, que não só não se calam como falam bem alto, e para o Futebolês. Basta um click e lá estão todos, seguidinhos… Para ler, ir lendo ou reler. E comentar. E sugerir!


Entretanto será esta semana retomada a publicação normal do Futebolês, aqui no Quinta Emenda. Com um número por semana: o 31 está aí por estes dias…


 

domingo, 13 de junho de 2010

Imagens e memórias

O direito de permanecer calado não se opõe ao direito de falar, ao direito à livre expressão. São direitos complementares que se enquadram no valor supremo da liberdade e conceitos que dão o mote, neste caso não à, mas ao Quinta Emenda.


Em jeito de complemento da apresentação do Quinta Emenda, já que ontem, por muito que possa ter passado despercebido, falei do que pomposamente chamaria enquadramento editorial, hoje falarei do que, não menos pomposamente, chamaria de enquadramento gráfico. Que tem muito a ver com o que atrás ficou escrito: com o direito à opinião e à sua livre expressão!


Para as novas gerações soará a estranho enfatizar-se uma coisa que, para elas, é básica e tão natural como o ar que respiram. É fantástico que assim seja, mas não é de mais recordar-lhes que nem sempre assim foi.


Eu, que vivi tempos em que assim não era, sou profundamente marcado por esses direitos de liberdade. E fiquei marcado por imagens, fotográficas ou apenas escritas, do meu livro de inglês do quarto ou quinto ano do liceu – confesso que já não consigo precisar –, o que, para os mais novos, corresponderia ao actual oitavo ou nono ano. Naquele tempo, e estou a falar do final dos anos sessenta, enquanto aprendíamos o b-a-ba da língua inglesa, os programas assumiam um enquadramento temático: primeiro um enquadramento marcadamente cultural e civilizacional (Shakespeare, Charles Dickens, hábitos e costumes, etc,), depois, no então sexto ano (agora décimo), a História de Inglaterra e, no sétimo e último ano do liceu, a História americana. O ensino das línguas, como de resto todo o ensino, era então substancialmente diferente do das últimas três décadas: o francês, hoje praticamente desaparecido, era obrigatório do primeiro ao quinto ano (nono), estendendo-se ao dois últimos anos do liceu apenas para os que seguiam a via – então designada de alínea, por correspondência à sua definição num qualquer decreto – de românicas. O inglês entrava apenas no então chamado segundo ciclo – do terceiro ao quinto ano. Nos sexto e sétimo estava reservado a apenas algumas das vias, das já referidas alíneas: germânicas e económicas, entre mais uma ou outra.


Voltando às imagens que acima referia, a que mais me marcou era mesmo a dos  speakers`corner do Hyde Park, em Londres! Independente do romantismo que possa arrastar, a verdade é que naquela altura, pelos meus 14 anos, aquela ideia de se poder desatar a discursar, a botar opinião sobre o que quer que fosse, mesmo dizer mal do governo, fez-me perceber a importância da liberdade de expressão. Coisa que, no Portugal de então, nem pelo pensamento podia passar!


Na primeira oportunidade que tive de visitar Londres fui, primeiro e antes de tudo, direitinho a Hyde Park. E lá estavam os speakers`corner, ainda com speakers! Ainda e sempre, no meu imaginário, o mais belo local de culto da liberdade da liberdade de expressão.


Poderia ser outro o enquadramento gráfico deste nosso Quinta Emenda?


 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Quando uns se calam...

A quinta emenda à constituição dos Estado Unidos da América reconhece aos americanos um direito fundamental: o de ficarem calados! E esse não é um direito menor, não senhor! É um dos mais importantes direitos de cidadania. Que o digam os que passaram por Guantânamo, que não eram cidadãos americanos…


A mim, que felizmente não passei por lá, não me apetece ficar calado. E por isso aqui estou!


Apareci por aqui através do Vila Forte (1), um blogue onde eu andava feliz e contente quando, mesmo não sendo americano, decidiu invocar o direito que a quinta emenda lhe confere: calar-se! Como a mim não me apetecia ficar calado… aqui estou. A solo, por enquanto!


Não é fácil nem difícil manter sozinho um blogue com um mínimo de interesse. É impossível! Por isso o Quinta Emenda só pode não ter o mínimo de interesse, apesar dos meus esforços. Não me obrigo a ter coisas novas todos os dias, mas tentarei que todos os dias se note que o autor passou por aqui. Nem que seja um simples gesto de picar o ponto, como a gente vê em algum funcionalismo público. E irei dar sequência a uma rubrica que vinha mantendo no Vila Forte: o Futebolês (2).


O Quinta Emenda nasce hoje!


Porquê hoje?


Porque é o day after do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, do dia em que soubemos, pela mais alta voz regime, que o país não é sustentável? Porque é o dia de arranque do Campeonato Mundial de Futebol, o primeiro em África e o das intoleráveis vuvuzelas? Porque é um dia capicua, e eu gosto de capicuas como de pão com manteiga dos dois lados?


Por tudo isto e por nada disto. Porque hoje perdi um familiar que muito amo. Porque hoje se calou para sempre uma das vozes da minha vida…


 


(1) Tudo se mantém. Com uma excepção: deixei de fumar. Fiz bem! 


(2) Estão publicadas 30 edições disponíveis através de link aqui ao lado disponível dentro de dias. 


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...