terça-feira, 29 de junho de 2010

Mundial da África do Sul #8: Adeus

Por Eduardo Louro


 


Como estava escrito nos astros, a selecção nacional está de regresso a casa. Cumpridos os serviços mínimos mas sem conseguir evitar uma certa frustração…


Carlos Queiroz adoptara uma linguagem de coragem. Revelara uma ambição e mesmo atrevimento de discurso que ninguém lhe reconheceria, ao ponto de prometer conquistas em que mais ninguém acreditava. Mais ninguém tinha razões para acreditar, e quase todos percebíamos que aquela ousadia era como que uma espreitadela furtiva por trás de uma barreira de protecção, aquela que todo o poderio reconhecido à Espanha representava.


Íamos ficando com a ideia que, enquanto toda a gente – Brasil incluído – queria evitar a Espanha, o seleccionador nacional queria mesmo encontrá-la, para nela encontrar a redenção. Claro que ninguém lhe poderia, como não pode, cobrar-lhe a derrota aos pés do campeão europeu, que chegava à África do Sul na pele de favorito-mor à conquista do título mundial.


E no entanto o jogo até começou por correr bem, ficando no ar que a selecção nacional teria as suas hipóteses, que aquilo não eram favas contadas para os nuestros hermanos. Até que, por volta do final do primeiro quarto de hora da segunda parte, os dois treinadores mexeram. Aí veio ao de cima o fado queirosiano: ao mexer estragou, como é hábito. E, como um mal nunca vem só, o espanhol acertou. Em cheio! Porque, com um jogador fixo na área, corpulento e por azar igualzinho àquele que Queiroz acabara de retirar, a Espanha destabilizou a nossa defesa e marcou de imediato, acentuando o controlo do jogo que nunca deixaria fugir.


E pronto. Um ponto final que parece de encomenda: eliminação pela Espanha, com um só golo e, ainda por cima, acabando a jogar com 10!


Um ponto final que permitirá continuar a alimentar muitas mentiras. Apenas desmente a maior de todas: o ranking da FIFA.

2 comentários:

  1. O fora do jogo em que o golo espanhol começou poderá não se repetir no futuro se, como falamos, as novas tecnologias entrem em campo para ajudar o trabalho dos árbitros, assim como o espectáculo.

    Sorte para Benquerença que assim ainda deverá arbitrar mais um jogo.

    Alivia pensar que a contestação ao governo irá aumentar nos próximos dias.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esse fora de jogo é a cereja no topo do bolo. Agora é assim: melhor defesa do campeonato do mundo, com 1 só golo sofrido e, defrontando as duas melhores equipas do mundo, apenas perdemos com uma delas por culpa da arbitragem que nos obrigou a acabar o jogo com menos um, numa expulsão que é um verdadeiro roubo, e validou um golo ilegal. Não fora isso...
      Perfeito!
      E com tantos erros de arbitragem lá está o nosso conterrâneo a postos para chegar ao topo. É bom sinal que tenha ficado de fora da terceira e da quarta rondas, acho eu. Esteve muito bem nos dois jogos que fez e acho que merece chegar pelo menos fazer um jogo dos quartos e depois o jogo do 3º lugar, se não mesmo a final.

      Eliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...