quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Bom 2016!


 


Está a acabar... Mais umas horas e, entre rolhas a saltar, foguetes a ribombar, luzes a voar e copos a tilintar, vai-se desta para melhor. Já toda a gente anda farta dele, mas é sempre assim: os últimos dias já quase não contam para mais nada que não seja para contar os que ainda faltam. Tudo se adia, tudo se empurra para o ano novo, engrossando-lhe as responsabilidades. Porque, ano novo, vida nova... mesmo que a vida seja a mesma de sempre.


Queremos acreditar que naquelas doze passas cabe toda uma vida nova. Que naqueles abraços se abraçam todos os sonhos que se renovam na magia de cada meia noite de 31 de Dezembro... 


Um bom 2016 para todos!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Obrigações seniores: regras novas vícios velhos

Capa do i


 


Perante um problema de capitalização do Novo Banco, o Banco de Portugal decidiu-se pelas regras que o novo ano vai trazer para esta coisa já corriqueira de acudir aos bancos. As novas regras que aí vêm passam genericamente  do bail out (basicamente são os contribuintes a pagar) para o bail in (a factura é basicamente apresentada aos accionistas), e foi isso que o Banco de Portugal - apoiado no BCE - fez, ao capitalizar o Novo Banco em 2 mil milhões de euros com a transferência das obrigações seniores para o BES, banco mau.


Visto assim parece fácil. Parece até que é uma decisão que só peca tardia. Que, se calhar, devia ter sido tomada logo na altura da resolução. Não foi porque, disse-se na altura, era prejudicial ao país: afastava os investidores.


Pois... Mas agora não é assim tão fácil!  Não é, porque o Banco de Portugal não tratou por igual aquilo que é igual: as obrigações séniores são todas iguais, não mudam em função das mãos em que se encontram. O Banco de Portugal apenas deitou mão às obrigações seniores detidas por investidores institucionais - que já não se receia afastar - deixando de fora as dos particulares. Provavelmente porque, em boa parte, se trata dos chamados lesados do BES, acabados de calar justamente com esses títulos...


É mais uma demonstração de como o Banco de Portugal continua a correr atrás dos problemas. Sem conseguir agarrar nenhum, deixando-os fugir todos... E na maior parte das vezes empurrando-os ele próprio, como volta a acontecer agora com a litigância que para aí vem.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Como se diz em machadês cretinos de estimação?

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Decididamente Rui Vitória não se consegue livrar do fantasma de Jesus. Não lhe faltava mais nada: agora ainda tinha de lhe sair na rifa o Manuel Machado, a quem o outro, entre cretinos e vinténs, já tinha dado a volta


Agora é que não há volta a dar: tem mesmo que ligar ao seu antecessor e perguntar-lhe com quantos dedos é que a coisa se resolve.

Esquizofrenia de milhões

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Ora aí está: "Sporting muito perto de acordo de 500 milhões com a NOS"!


Podia lá ser de outra maneira?


 


 


 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Irrevogável: mais uma!

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Paulo Portas tomou mais uma decisão irrevogável: vai abandonar a liderança do CDS e até abandonar a vida política. Sabe-se como Portas é inabalável nas suas decisões, irrevogáveis ou não. Entrou na política partidária activa exactamente logo depois de ter anunciado a sua inabalável decisão de nunca entrar na política. Abandonou decisivamente a liderança do partido para, logo depois, regressar. Demitiu-se irrevogavelmente do governo para, horas depois, revogar a decisão. E subir ao último degrau da escada da governação.


Mais que mais uma dessas decisões a que Portas habituou o país, este é mais um resultado da ruptura que os resultados das eleições de 4 de Outubro provocaram no regime. Só é pena que Portas tenha anunciado esta definitiva decisão apenas depois de se ter assegurado que o caminho estava aberto e desimpedido para a sua corte: os mesmos, chamem-se Nuno Melo ou Cristas, que lhe cederão a cadeira logo que, no mesmo trilho de sempre, lhe apeteça regressar. Depois das poucas pessoas respeitáveis que lá restavam, das poucas com pensamento próprio, terem abandonado o partido...


 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Mais milhões. Muitos milhões...

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Como era previsível, rapidamente Pinto da Costa tratou de bater os 400 milhões do Benfica. Fosse lá como fosse, nesse mundo virtual haveria sempre de encontrar um saco mais largo onde pudesse meter tudo o que lhe permitiisse  ir mais além: 458 milhões, e o número é que interessa!


Com mais este coelho tirado da cartola, Pinto da Costa põe Vieira em sentido e Bruno de Carvalho com a cabeça à roda. Vai precisar de muita imaginação... Mas é justamente isso que menos lhe falta!


A expectativa é grande, porque é dele o  mundo virtual. Daí que até a publicidade estática e o naming do pavilhão possam entrar nas contas... 


 


   

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Boas Festas

Mártires da banca*

Convidada: Clarisse Louro


 


Ia já alta a noite de domingo quando, de repente, o primeiro-ministro nos entrou casa dentro. Não eram horas para boas notícias, as boas notícias têm outras horas. E para a mensagem de Natal era cedo, e tarde, ainda pela hora.


Disse logo ao que vinha, mesmo que começando por simplesmente dizer que o Banif tinha sido vendido. Sabia-se que as propostas de compra tinham sido entregues, como teriam de ter sido, até sexta-feira. Tão rapidamente notícias da venda, não podiam ser boas …


António Costa não disse muito, e pode até dizer-se que nem precisava. Lembramo-nos logo que a meados de Outubro, no meio das reuniões com a coligação PaF, numa entrevista TVI, tinha dito que em “cada nova reunião deixavam cair uma nova surpresa desagradável”. Questionado se vinha aí algo de “grande gravidade económica”, António Costa respondeu que sim. E disse ainda que havia “um limite para a capacidade do Governo omitir e esconder ao país dados sobre a situação efectiva e real em que nos encontramos.” E lembramo-nos também que, logo no dia seguinte, Assunção Cristas foi à mesma TVI chamar tudo a António Costa, acusando-o de “falta de seriedade e honestidade intelectual” e desafiando-o a concretizar, mas isso só nos ajuda a lembrar que o anterior primeiro-ministro garantia que os dinheiros públicos não só não estavam em risco como ainda estava a render bons juros.


O primeiro-ministro não precisou mesmo de nos dizer mais nada para rapidamente ficarmos a saber que a incompetência e a irresponsabilidade de banqueiros e políticos nos iria custar mais três mil milhões de euros. Que cada família portuguesa vai ser chamada a mandar mais mil euros para este poço sem fundo em que se tornou a banca portuguesa. 


E é aqui, neste poço sem fundo, que, a meu ver, vamos encontrar os maiores motivos para a acusação ao anterior governo.


Há evidentemente razões de sobra para acusar o governo anterior de irresponsabilidade e incompetência no estouro do Banif, que nem sequer tem nada a ver com o que se passou no BES: não houve manipulação de informação, nem suspeitas de práticas criminosas. Os auditores avisaram a tempo e a própria Comissão Europeia deu prazos para ser encontrada a solução. O governo sabia que, não fazendo nada, como não fez, se iria chegar exactamente aqui.


Mas é na forma como este governo conseguiu passar estes decisivos quatro anos e meio, exclusivamente preocupado em cortar, privatizar e cobrar impostos, e sem tocar em nenhum dos grandes problemas do país, que reside a fatia maior da sua irresponsabilidade e incompetência. Entre eles ressaltam a reforma do Estado e a do sistema financeiro. Devolveu inclusivamente metade dos 12 mil milhões de euros do fundo de resgate lhe reservara, fazendo de Portugal o único país da Comunidade que não resolveu os problemas do seu sistema financeiro. E dos portugueses os mártires da banca.


 


* Publicado hoje no Diário de Leiria

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Coisas que nunca saberemos. E as que sabemos...

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É hoje notícia, no dia em que será aprovado o orçamento rectificativo que vai acomodar a factura, que o Ministério Público está a analisar a situação do Banif. Que não recebeu qualquer participação, mas que está a analisar "os elementos que têm vindo a público relacionados com a situação do Banif".


Gostaríamos que sim. E que chegasse a conclusões. E que tivesse mão pesada...


Mas sabemos que, mesmo com pessoas como Horta Osório chocadas a clamar por responsabilização, não será assim. E que nem sequer nunca saberemos quem ficou com o dinheiro, quem da gestão aprovou o quê, quem da supervisão negligenciou... Nunca saberemos quem, um a um, aproveitou daquilo que nos é agora exigido que paguemos.


Sabemos é que aquele senhor que se está a despedir de Belém, e a distribuir comendas à pressa, aproveitou justamente esta altura para, depois de Rocha Vieira, condecorar Alberto João Jardim.


O que é que tem a ver? Tem tudo! 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

De Espanha ... só bons ventos!

 



 


Em Espanha, o PP de Rajoy, dos negócios e das negociatas, ganhou as eleições. Não se sabe de que lhe serve, mas para já serviu para fazer de conta que ganhou alguma coisa. Não se sabe bem o quê.


Nada que se não tivesse passado com os seus amigos cá deste lado. Passos Coelho, que não teve uma palavra para dizer aos portugueses sobre o Banif que nos deixou, já correu a dizer que espera bem que os espanhóis deixem governar quem ganhou as eleições. Sobre o Banif é que... nada. Empurrou para a frente a atabalhoada Maria Luís e escondeu-se atrás dela.


A TVI,  há precisamente uma semana, com uma notícia falsa, apressou o afundanço do Banif. E com isso deixou-o mais enfraquecido e mais vulnerável no processo de venda que estava em curso e sob forte pressão de calendário. Não se sabe que proveito disso terá tirado o Santander, mas sabe-se que o banco espanhol ficou com o lombo limpinho do Banif, com activos acima da dezena milhar de milhões de euros, por uns meros 150 milhões. Do resto, de tudo o resto, mandaram-nos a factura. E sabe-se que a TVI é detida pela espanhola PRISA que, por sua vez, é participada pelo Santander.


Se calhar estas coisas não têm nada a ver umas com as outras... E de Espanha só vêm mesmo bons ventos!

domingo, 20 de dezembro de 2015

Intoxicados

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Está resolvido o problema do Banif, em modo misto BES/BPN... O Santander Totta vai ficar com a parte boa da exploração do negócio do banco, com a rede de balcões e com o pessoal por 150 milhões de euros.


Esta é a parte boa das notícias do tal dinheiro que Passos Coelho dizia que estava a render. Disse-o em plena campanha eleitoral, quando há muito sabia que o banco teria de ser vendido até ao final do ano. Fazendo as contas aos 700 milhões de euros que o governo de Passos Coelho lá meteu em capital, e aos 125 que, dos 400 milhões de empréstimos, estavam em atraso, diríamos que nos tinham saído na rifa mais quase 700 milhões. A pagar por nós, com os nossos impostos...


O pior é que há mais 2.255 milhões de euros de activos tóxicos - eufemismo para a massa com que alguns se abotoaram - para juntar à rifa que nos saiu. Tudo o que fica no banco mau - sim, a moda veio para ficar - de que o Estado - todos nós - vai pagar 1.776 milhões e o fundo de resolução - todos os bancos do sistema - os restantes 489 milhões de euros. De que a Caixa Geral de Depósitos, que também nos toca, tem a parte maior.


É esta a nossa sina. É disto que é feita a nossa vida... Mas é bom que se diga, e que todos entendam, que pagamos a taluda do BES porque a propaganda de Passos e Portas não quis que nada perturbasse a saída limpa. E que agora pagamos a do Banif porque a mesma propaganda, e a propaganda dos mesmos, não quis que nada perturbasse a campanha eleitoral que os devia levar a mais quatro anos de governação. Tóxica!


 

Cada vez mais na mesma


Foto daqui


 


O Benfica ganhou por 3-1 ao Rio Ave, com dois golos de Jonas e outros tantos de Raul Jimenez. Pois... a aritmética já não é o que era, e dois e dois já são só três. 


Marcou quatro goios - mesmo que só três tenham contado, porque o árbitro acha que um jogador pode estar em posição de fora de jogo ainda dentro do seu próprio meio campo - teve uma bola na barra, que por sinal daria num excelente golo, do Pizzi, e mais três penaltis por assinalar. Três! Mais três, esta época já se perdeu a conta...


Poderia pensar-se que o árbitro de hoje tinha dificuldade em ver as mãos dos jogadores dentro da área do Rio Ave. Não viu as mãos dos jogadores vestidos de verde, fosse a jogar a bola - duas vezes - fosse a empurrar. Mas ele não quis que pensassemos isso, e fez questão de dizer que não tinha qualquer problema visual com as mãos dos jogadores naquela zona do campo. Para isso assinalou uma mão quando, dentro da área adversária, um jogador do Benfica (Pizzi) dominou a bola com o peito e se preparava para rematar à baliza...


Sendo tudo isto factos, como lhe chamou Rui Vitória, a verdade é que nem estes factos apagam os fracos argumentos do Benfica. Chega até a parecer estranho como é que tão poucos argumentos criam tantos factos.


Se na segunda parte a exibição do Benfica foi ligeiramente além do sofrível, na primeira foi medíocre - um medíocre menos, ali a rasar ao mau -  ao nível da da Madeira, na última terça-feira. E no entanto começou o jogo a ganhar, com um golo logo aos três minutos, numa jogada até bem construída, na segunda vez que chegou à baliza adversária. 


Só que não há volta a dar: se não marca cedo, é a ansiedade, e as coisas não correm; se marca, também não. Dizer que a equipa se intranquiliza é uma falácia, porque só se intranquiliza quem está tranquílo. E a verdade é que não há qualquer mudança de estado, dando a ideia que a equipa entra sem saber o que tem para fazer. Nem o que o esperar do adversário, ficando ainda mais perdida...


E isto, para mal dos nossos pecados, está cada vez mais na mesma.


 

Já não há paciência!


FOTO: LUIS FORRA/LUSA


 


Sócrates foi visitar os amigos que deixou na prisão, em Évora. E os guardas, que tão bem o trataram quando por lá esteve: uma obrigação moral, disse ele. Nada de jogadas...


Suponhamos que sim, que Sócrates não resiste a obrigações morais, que é movido por um inabalável apelo interior ao cumprimento do dever e por uma conduta moral acima de qualquer suspeita. Eu sei que é difícil, mas façamos esse esforço.


Já está?


Então por que é que tem de haver sempre jornais e televisões à volta? Por que raio não consegue reservar-se no cumprimento das suas obrigações morais? Por  que diabo não consegue manter estes seus tão nobres sentimentos na restrita esfera da sua privacidade?


É simples, a resposta: para que esta fotografia pudesse existir e correr mundo. A imagem que faltava - a sair da prisão, pelo seu próprio pé, altivo, a deixar aqueles portões para trás - que nada tem a ver com a sua saída verdadeira saída, num carro celular a caminho da prisão domiciliária. A imagem que, para Sócrates, não tem preço. Pela qual estaria disposto a pagar o que fosse... Conseguiu-a de borla!  


Não sei se Sócrates está convencido que somos todos parvos. Se calhar, está... E lá terá as suas razões... Mas já não há paciência para estes jogos!


 


 

sábado, 19 de dezembro de 2015

Alterações climáticas

Convidado: Luís Fialho de Almeida


A Cimeira de Paris sobre o clima foi um salto qualitativo se comparada com a Cimeira de Copenhaga em 2009, passando a representação de 119 para 195 países, e terminou a com a aprovação de um novo acordo climático global, graças a uma organização mais cuidada, sob a orientação do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius. Entre os termos do acordo e a sua implementação fica a expectativa sobre o empenho dos respectivos países no seu cumprimento, sabendo que é determinante limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC, eliminando gradualmente a utilização de combustíveis fósseis, substituindo-os por energias renováveis e reduzindo drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa, GEE. A meta para a segunda metade deste século será mesmo o abandono dos combustíveis fósseis, e as emissões que restarem serão anuladas, nomeadamente pela absorção por florestas, processo regulado por planos nacionais a apresentar a cada cinco anos.


Houve mais cooperação e mudança de atitudes, nomeadamente dos EUA e da China, naturalmente porque as consequências do aquecimento global são cada vez mais visíveis e assustadoras, a que estas potências não escapam. O Acordo de Paris é mais um passo positivo na caminhada que tem sido demasiado lenta, se considerarmos o percurso desde a Cimeira de Estocolmo em 1972, mas continua a enfrentar as contrariedades dos “interesses” económicos ligados às actividades extractivas, particularmente do petróleo e industriais conexas, os quais se protegem corrompendo as decisões politicas em muitos países para onde se expandem. Do pouco que se sabe do muito que se esconde, muitos são os meandros das ditaduras do petróleo como a Arábia Saudita e o Qatar, financiadores do ISIS, mas também aliados dos EUA e UE. ISIS, que por sua vez rouba o petróleo da Síria e do Iraque e o encaminha através dos portos da Turquia e Israel, ajudando a baixar a factura energética destes e outros países.


Nesta Cimeira nem tudo foi claro: faltam propostas de 11 países, alguns dos quais importantes poluidores; faltam garantias na angariação de fundos de ajuda dos países mais ricos para os países em desenvolvimento, objectivo que era de Copenhaga em 2009, agora reafirmado; falta a identificação dos sectores mais poluentes o que, para alguns, terá sido propositadamente omitida. Mas foi clara, fora da Cimeira, a mobilização mundial sobre as alterações climáticas.


As evidências catastróficas do aquecimento global e os inúmeros trabalhos científicos reclamam medidas urgentes. A ciência refere que a capital de Marrocos, Rabat, espelha hoje a temperatura média anual de Lisboa em 2080, e Vila Real de Trás-os-Montes espelha hoje a temperatura média anual de Londres em 2080, facto que mereceu um artigo do diário britânico The Guardian, em Maio de 2007. Este exercício do investigador Stéphane Hallegatte, publicado na revista cientifica Climatic Change em 2006, sobre a evolução climática para diversas cidades europeias, exemplifica o que nos toca de perto e do que se pode ler em “Portugal a Quente e Frio” de Filomena Naves e Teresa Firmino. A movimentação regional das temperaturas mais altas de Sul para Norte é acompanhada pela migração das populações que desistem dos territórios de origem, cada vez mais desertificados e pobres, como a região subsariana, onde, por vezes, se juntam conflitos locais. A fronteira da pobreza, como a classifica Adriano Moreira, já ultrapassou o Mediterrâneo, transformando este num mar de gente sem futuro.


Segundo a Agência Europeia do Ambiente, Portugal em 2007, no contexto da EU-27 era recordista em ineficiência energética, sendo o país com mais gastos de energia por unidade de PIB. Agora terá de reduzir o consumo de energia em 30% até 2030. Igualmente, tem de reduzir as emissões de GEE entre 30% a 40% e atingir com energias renováveis 40% do consumo final de energia.


A sensibilização para a protecção ambiental tem feito consideráveis progressos, mas falta progredir na necessidade de abrandar a cultura materialista centrada no consumo, no “preço” das coisas, e não no “valor” das coisas, considerando o “valor” na sua dimensão material, humana e ambiental, pelo tributo que trás para a felicidade do ser humano. O Butão, país dos Himalaias, considerado o menos poluente, confrontado com o seu baixo desenvolvimento económico traduzido no “Produto Interno Bruto – PIB”, promoveu outro indicador que, em vez de o despromover no quadro mundial, lhe destacasse positivamente as diferenças na qualidade de vida, ou seja a “Felicidade Interna Bruta – FIB”. A lentidão no assumir de responsabilidades e medidas objectivas deve-se a esta profunda clivagem entre a linha dos interesses e a linha dos valores.


“O efeito de estufa está a aquecer o planeta? Não deixemos ao menos que ele nos derreta a inteligência.” - Luísa Schmidt in País (in)sustentável, pág. 51.


 


 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Uns enganam-se. Outros, não!

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Depois de terem proibido que se falasse em reestruturação da dívida, de devidamente instalado o dogma da austeridade, e de em nome dessas criminosas mentiras se ter destruído um país, o sacro FMI vem agora dizer que foi tudo errado. Não diz que não teve nada a ver com isso, diz que se enganou...


Por cá só temos uma certeza: aos que cá dentro nos fizeram isto, aos fundamentalistas que deixaram o país neste estado, nunca ouviremos dizer nada que se pareça com o que o FMI agora diz. Esses, mesmo com a realidade à frente dos olhos, e vendo que nós vemos que eles estão a ver, continuam por aí a falar de saída limpa...


E boa parte de nós a votar neles...


 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Special questions

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O segundo despedimento de Mourinho pelo Chelsea levanta algumas questões. Por exemplo: será que Abramovich vai voltar à final da Champions?


Será que Mourinho vai ensaiar outro regresso? Para voltar a dizer que lá não é desejado?


Por que será que Luís Filipe Vieira veio pedir paciência aos benfiquistas? 


OK. Esta não vale.


Será que os jogadores gostavam mais da Eva Carneiro que de Mourinho?


Bolas, esta também não... 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Pugilismo e representação


 


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Em Espanha não se sabe no que dá. Se fosse por cá, Rajoy tinha garantida a maioria absoluta... Mas também já havia meio mundo a dizer que aquele puñetazo tinha sido encomendado...


Veja-se só o que rendeu a Marinha Grande, que comparada com Pontevedra é uma brincadeira de crianças.


E não, não é só uma questão de ângulo fotográfico. É a diferença entre um murro que poderá não ter passado de um encontrão, e um puñetazo cheio de estilo. Podemos não ter as aptidões pugilísticas dos nuestros hermanos, mas somos bem melhores na representação!

O costume

Costa chama a si dossier Banif


 


 


"A garantia que posso dar aos contribuintes não é a mesma que posso dar aos depositantes"...


Já estamos habituados. Tão habituados que ninguém estranha... Toda a gente acha normal que, nos bancos, só os contribuintes é que percam. Mas não. Não é normal, e muito menos é aceitável. 


A partir de Janeiro deixará de ser assim... Daí a pressa!


A pressa que Passos e Maria Luís não tiveram quando, em Março, o CEO do Banif lhes disse que era a altura para vender o banco. A resposta foi que não. Que tinham de vender o Novo Banco. Nem um nem outro, como se viu... E como se sente!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Borrada a pintura. Definitivamente...

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Três dias apenas de ter deixado no ar a ideia de que o 35 e o tri seriam possíveis, o Benfica borrou a pintura. E não foi com transpiração...


Como inspiração é coisa que há muito não abunda, o tal jogo em atraso da Madeira que há muito contava com três pontos virtuais deu no primeiro empate do campeonato. E no adeus ao título, ainda antes do Natal.


Porque, mais que os sete pontos de distância para o primeiro, é a descrença. Quando não se joga bem, porque nem sempre se pode jogar bem e porque há relvados, como era o caso, onde isso nem sequer é possível, quando falta qualidade, e quando por falta de inspiração e de estratégia faltam soluções, é no querer, e no crer, que está a chave da vitória. E isso falta ao Benfica de Rui Vitória.


Falta-lhe muita coisa, e quanto mais coisas lhe faltam mais se nota essa falta.  E quando o líder não é ele próprio a imagem da crença e da revolta perante a adversidade, nunca nada disso chega à equipa. Mais a mais sem Luisão...


 

Alguém tem que explicar alguma coisa...

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Ontem, na conferência de homenagem a Silva Lopes organizada pelo Banco de Portugal, falou o Nobel, Krugman, dizendo mais ou menos o mesmo que diz sempre, falou-se naturalmente do homenageado, mas falou-se acima de tudo do Banif. Quem nada teve a dizer sobre o tema foi Passos Coelho e... Carlos Costa.


Evidentemente que se perceberia que - eles ou que quer que fosse - naquelas circunstâncias não falassem sobre o assunto. Mas há formas e formas de não falar sobre as coisas, e a pior é fugir. Fugir configura sempre cobardia. Fugir - literalmente - como fugiram o anterior primeiro ministro e o governador do Banco de Portugal, é apens mais sintomático ainda. Valha que não estava lá a Maria Luís...


Não podem fugir sempre, nem podem fazer como se nada se passe. Alguém tem que explicar alguma coisa. Seja Passos Coelho, Carlos Costa ou Maria Luís. Ou Paulo Portas. Ou - quem sabe? - Nuno Melo, sempre tão assertivo nestas coisas. É já o enésimo banco a rebentar-nos nas mãos, e o problema maior é esse mesmo: é que não é o primeiro, nem o segundo. Já tinham a obrigação de ter aprendido, de saber lidar com estes problemas... De não ser sempre a mesma coisa...


Até porque desta vez - e disso parece que ninguém tem dúvidas - não há nada a apontar à administração executiva do banco. Nem aos auditores...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Até quando?


 


Mais que o copo meio cheio - a Frente Nacional de Marine Le Pen não ganhou em nenhuma da 13 regiões -, ou o copo meio vazio - acabou com o bipartidarismo do sistema político em França, e tem já a expressão eleitoral do PS (28-29%) -, a segunda volta das eleições regionais francesas colocam-nos perante uma dramática interrogação: até quando?


Até quando,  continuará a ser possível mobilizar frentes comuns para barrar a extrema-direita?


Até quando resistirá o dique de protecção eleitoral criado para impedir expressões maioritárias fora do sistema?


Até quando a própria radicalização da direita francesa - bem evidente em Sarkozy por estes dias - resiste a não se confundir com o extremismo xenófobo, e a acabar integrada? 


Até quando será possível evitar que Marine Le Pen chegue à presidência da França?


 


 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Notícias do Sado

 V.Setúbal-Benfica, 2-4 (destaques)


 


O Benfica tinha hoje mais uma prova difícil. Deslocava-se - e sabe-se como este ano se quis criar o mito das deslocações - a Setúbal, a um elogiado Vitória, quinto classificado da Liga. E sem Gaitan, o mais talentoso e o mais influente jogador da equipa.


Não se poderá dizer que passou com distinção. Mas quase, e o quase é afinal o segundo golo que sofreu, já mesmo no fim do jogo. Porque em futebol golear é sempre ganhar com distinção: 4 a 1 é uma coisa, 4 a 2 é outra. Mas ganhou com tranquilidade, sem sobressaltos, e sem que ninguém se lembrasse de Gaitan.


Houve certamente quem se lembrasse de Carcela, que nem assim tem lugar na equipa, e que provavelmente tem guia de marcha já assinada com data de Janeiro. Apenas um carimbo no atestado de incompetência passado às contratações desta época... E houve também quem se lembrasse que afinal Durjcic ainda cá está. E que sabe jogar á bola, coisa que, por exemplo, já ninguém se lembra se o Cristante faz ou não.


A verdade, e voltando a Carcela, é que o Benfica tem hoje três alas a jogar. E um quarto, o Salvio, prestes a regressar. Espera-se e saúda-se... Porque o Pizzi não é, como nunca tinha sido, o oito que o anterior treinador quis que fosse. É, como sempre foi, um ala. Com algumas particularidades, mas um ala. Como se está a ver, transformando-se no jogador com a influência que hoje tem na equipa, quando há pouco era um dos descartáveis, e o exemplo vivo das fraquezas do plantel.


E o oito, claro, já ninguém tem dúvidas: é o miúdo sensação, o Renato Sanches. Quer tudo isto dizer que da cidade do Sado chegaram também hoje boas notícias para o futuro do Benfica neste campeonato. Longe, apesar de tudo, de estar perdido. Com o que se está a ver, e com os desejados regressos do Sálvio e do Nelson Semedo, só fica a faltar, para tratar já em Janeiro - esperemos que finalmente de forma competente - um velho problema na lateral esquerda.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Um esqueleto chamado défice

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Ontem, Cavaco dizia que estávamos no caminho certo, com tudo a correr às mil maravilhas. É só manter o rumo, e deixar seguir em piloto automático... 


Hoje, no fim da reunião do Conselho de Ministros, o ministro das Finanças anunciou que "são necessárias medidas adicionais para cumprir a meta do défice". Que, como se sabe, tem que ficar abaixo dos 3%. Quando o governo anterior a tinha fixado em 2,7%, jurando sempre a pés juntos que esse objectivo nunca estaria em causa.


Se não estava, ficou. E é já o maior e o mais aterrador dos esqueletos que Portas, Passos e Maria Luís deixaram escondidos no armário. 


Na verdade não é nada de surpreendente. Nunca, em nehum dos cinco orçamentos que apresentou, aquela gente conseguiu cumprir o objectivo do défice. E dos outros nem é bom lembrarmo-nos...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Portugal está no caminho certo! Quem diria?

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Já quase tínhamos saudades... Mesmo que não se tenha mantido calado por muito mais que uma semana. Nem sei como iremos passar sem as suas provocações... Sim, porque aquilo que andamos há tanto tempo a ouvir de Cavaco não são simples disparates pronunciados com mais ou menos rancor, e invariavelmente com pouca sensatez e ainda menor consistência. São provocações, é a maneira que ele encontra de se meter connosco. De nos dizer que está vivo e que nós, apesar dele, também. Vamos resistindo...


Diz que estamos no caminho certo, que tivemos uma saída limpa, e só espera que a trajectória de vibrante crescimento que atravessamos se mantenha. Confessou-se invejoso - com inveja dos irlandeses - mas  confessou apenas o menor de todos os seus muitos e enormíssimos pecados. É sempre assim... Quem se confessa faz sempre isso: confessa os pequenos pecados para esconder os grandes!


 

Negócios de ... pneus

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Pois... Já andam nas camisolas do Chelsea, e não será certamente por pouco dinheiro. Agora, depois da Emirates, chegam também à Luz. Exactamente à Luz, à Catedral...


Não é para a baptizar: chama-se naming!


E fala-se em mais 100 milhões, 10 milhões por cada um de 10 anos. Estádio da Luz, Yokohama... Não custa nada a dizer e vale muito dinheiro. É de pneus, e daí?


Lembra-me aquela anedota do tipo que era "apanhado" por marcas e que encontra um amigo que há muitos anos não vê. A partir do "sacramental o que é feito de ti" fala das duas filhas: a Nívea e a Gillette. Quando o outro lhe diz que tem uma filha, que se chama Maria, responde: ah... foste para as bolachas...


Mas se calhar não tem nada a ver... Até porque foi desmentido!

Trump(a)

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É verdade que, de Donald Trump, o candidato à investidura republicana para as presidenciais americanas, já nada nos surpreende. Nem mesmo aquilo que a nossa capacidade de imaginação como, por exemplo, fechar a internet: a "sua" solução para acabar com o radicalismo. Que não o seu próprio, esse nem fechando a internet!


NInguém, por isso, ficou muito surpreendido com a sua proposta de proibir a entrada de muçulmanos na América. As palavras e as ideias de Trump não o desqualificam apenas como "candidato a servir como presidente", na expressão eufemística utilizada pela Casa Branca. Qualificam-no como lixo. Pior que lixo: trampa!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cumpriu-se o destino

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Dividir os pontos com o Atlético de Madrid nesta fase de grupos da Champions seria o melhor que se poderia esperar. À partida dava-se por certo que o primeiro lugar estava reservado para a equipa de Simeone, e que ao Benfica caberia discutir com o Galatasaray o segundo lugar, para garantir o apuramento. 


A brilhante vitória em Madrid, à segunda jornada, alterou as contas e, não tivesse o Benfica perdido - mal, muito mal mesmo, como o prova o facto de ter sido o único jogo que a equipa turca ganhou - o jogo na Turquia, e com isso dividido os pontos também com o Galatasaray, alteraria até o destino escrito nas - pelas - estrelas.


Para alterar o destino, o Benfica não podia perder o jogo de hoje. O empate bastava-lhe, mas percebeu-se a força que o destino tem. Este Benfica pode ganhar um jogo a este Atlético de Madrid, como ganhou. Mas, ganhar dois em dois, é altamente improvável.


O Benfica apenas se superiorizou no primeiro quarto de hora e no último. No primeiro, com o jogo a jeito: calmo, sem intensidade, com a equipa de Madrid na expectativa e o Benfica a segurar a bola - o que é já um avanço - a jogar para os lados. No último, com a revolta daquele menino de 18 anos, que carregou a equipa às costas, com a ajuda do golo de MItroglu. No resto do jogo, simplesmente não houve comparação entre uma equipa de excelentes jogadores - nem só os nomes mais sonantes são jogadores de excelência - que sabe de olhos fechados o que tem para fazer e outra, com dois excelentes jogadores e mais dois ou três bons jogadores, quase sempre perdida à procura do que tem para fazer.


No fim cumpriu-se o destino. E fica o apuramento, apenas manchado pela derrota na Turquia, e a honra de ter rigorosamente dividido o resultado com uma equipa claramente de outra dimensão. 


 

domingo, 6 de dezembro de 2015

Quadratura do círculo

Capa do Público


Aprovado o programa de governo, ultrapassada toda a excitação que marcou este último mês e de regresso à normal espuma dos dias, aí temos António Costa de volta à quadratura do círculo.


Não, não estou a dizer que esteja de regresso a essa velha tertúlia mediática que a televisão herdou da rádio, e donde saiu exactamente para chegar onde está. Não estou a dizer que vá voltar a sentar-se na cadeira que deixou para o Jorge Coelho, onde é bem melhor na arte de mexer os cordelinhos da intriga política. Estou mesmo a falar do velho desígnio do PS que tende a eternizar-se na missão impossível de dar ao círculo a forma de quadrado.


Aí está, logo na primeira entrevista como primeiro-ministro: "Não temos condições para eliminar integralmente a sobretaxa para todos". O problema é que, não eliminar a sobretaxa para todos, é precisamente não eliminar a sobtretaxa. Porque eliminá-la para os 2/3 que pagam 67 cêntimos por ano, não resolve nem uma coisa nem outra. E mantê-la apenas para os 0,23% dos portugueses que têm rendimentos anuais acima dos 80 mil euros não resolve as tais condições financeiras. 


Acreditem que cheguei a pensar que António Costa estivesse decidido a aplicar-se noutros exercícios. Para andar às voltas com a quadratura do círculo mais vale entreter-se com as palavras cruzadas. Pelo menos poupa-nos à demagogia!

Marine Le Pen, sem surpresa...

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Marine Le Pen - diria que sem surpresa - ganhou a primeira volta das regionais francesas. Para agora evitar a tomada do poder pela extrema direita francesa é necessário repetir o que aconteceu há anos, quando o pai ganhou também a primeira volta das presidenciais, obrigando à união da esquerda e da direita na segunda volta.


Dessa vez ganhou Nicolas Sarkozy. Desta vez ... também, ao que parece.


A Frente Nacional da extrema direita xenófoba ganhou agora com 30% dos votos, que na região norte, de Calais, passou dos 40%. Resta saber se por ser a região de origem dos Le Pen, se por ser onde estão instalados os desumanos campos de refugiados...


 


PS: Depois da chamada de atenção num comentário abaixo venho corrigir e apresentar as minhas desculpas: Sarkozy ganhou em 2007, à socialista Ségolène Royal. O episódio referido ocorreu nas eleições anteriores, em 2002 com Chirac. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Só importa o que é importante


 


Pouco importa que o Benfica continue a jogar como tem feito: sem galvanizar, sem intensidade, sem velocidade, sem ritmo. Pouco importa que tudo isso seja aqui ou ali iludido com registos de inegável classe com que Gaitan ou Jonas conseguem encantar a plateia. Pouco importa que o árbitro tenha assinalado dois penaltis a favor do Benfica - tantos quantos tinham sido assinalados nos 11 jogos anteriores - a lembrar a passada segunda-feira passada: um igualzinho àquele que em Braga o árbitro não quis assinalar, e outro que irão querer fazer passar por igulazinho a outro que outro árbitro assinalou em Alvalade ao minuto 94. Mas com o qual pouco tem na realidade a ver...


Nada mais importa quando o miúdo que está a encantar a Luz faz um golão daqueles. O seu primeiro, na sua primeira vez como titular na Catedral. Soberbo: faz esquecer tudo!

Vender a alma ao diabo

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Sempre houve, e continuará a haver, projectos que não vingam. QueImagem relacionada acabam, mais tarde ou mais cedo, por ficar pelo caminho. Mesmo nos jornais, e mesmo que achemos que os jornais são sempre mais qualquer coisa que outro projecto empresarial qualquer. Muitos são os títulos que já não existem se não na nossa memória. Longínqua, como o Século, a República, o Diário de Lisboa, a Capital, o Jornal... Ou mais recente, como o Independente, o Tal e Qual, o 24 Horas… Outros resistem e por aí continuam, mas depois de sucessivas operações de encolhimento – down sizing, como se gosta de dizer – sempre com dezenas ou centenas de jornalistas remetidos ao desemprego.


Quero com isto dizer que o encerramento dos jornais Sol e i, que irá mandar para o desemprego mais de uma centena de pessoas, jornalistas, na sua esmagadora maioria, e que foram os dois grandes projectos editoriais na última década, podem ter sofrido dessas mesmas contingências.


Mas a verdade é que, independentemente dos méritos e deméritos destes dois projectos, tão separados à nascença mas agarradinhos na morte, o negócio dos media mudou radicalmente na década em que apareceram. Saíram a ganhar os consumidores – pelo menos no imediato, ainda é cedo para se fazer essas contas – que passaram a ter à mão, em qualquer lugar, a qualquer hora, e gratuitamente, uma variedade de produtos e conteúdos informativos muito mais alargada. Saiu a perder o lado da oferta. Foi mau para os empresários do negócio, e pior ainda para os trabalhadores: os leitores fugiram, e com eles, evidentemente, fugiram as receitas da publicidade que rentabilizavam o negócio. E não há investidores para negócios que não sejam rentáveis…


A não ser que…


Aí está: a não ser para investir noutra coisa que não seja no negócio. A não ser que, em vez de investir em jornais, se esteja a investir em poder e influência para potenciar outros negócios, abrindo brechas irreparáveis na ética e nos princípios. Com responsabilidades dos investidores, mas também muito frequentemente dos próprios jornalistas. Dos que deixaram de o ser para pura e simplesmente venderem a alma ao diabo, e dos que se viram obrigados a trocar os princípios deontológicos e os valores éticos pelo supremo interesse da defesa do posto de trabalho, que não passa do simples adiamento do despedimento certo!


 


PS: Este artigo da Fernanda Câncio, hoje no Diário de Notícias, talvez ajude a perceber o título. Entristece-me, mas não me mata o orgulho de fazer parte da parte bonita da História do Sol. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

As coisas que se vão sabendo...

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Sempre se vai sabendo cada coisa... Já não bastava inscrições em foruns internacionais que ficaram por fazer, orçamento que teimasse em manter-se em branco, ou sobretaxa a devolver que se evaporasse. Até quadros superiores da adminsitração pública desaparecem, mandados à pressa para a reforma...


Jorge MIguéis - assim se chama o quadro superior do Ministério da Administração Interna responsável pelo funcionamento da máquina eleitoral - foi quase que compulsivamente mandado para a reforma, quando começava a preparar as eleições presidenciais do próximo mês, deixando o lugar vago.


Matos Rosa, o secretário geral do PSD, tinha pedido publicamente a sua demissão num programa de televisão, circunstância que levou Jorge MIguéis a apresentar a demissão à então ministra. Que a não aceitou... Alguém na Segurança Social deu depois um jeitinho.


Vamos continuar a aguardar serenamente por novas revelações. Ainda nem sequer estamos na fase da desminagem...


 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Truques e manhas

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Nota prévia: Não tenho, nem nunca tive, especial simpatia por Maria de Lurdes Rodrigues, que pessoalmente não conheço e que politicamente nunca apreciei particularmente. 


A antiga ministra fora condenada em primeira instância pela contratação dos serviços do advogado João Pedroso, irmão de Paulo Pedroso. Porque a condenação assentava em factos não provados, recorreu para a Relação, que ontem mesmo lhe viria a dar razão: que não poderia ser condenada por factos não provados.


Goste-se ou não da senhora, e acredite-se ou não na sua inocência, estes são os factos conhecidos. Para a máquina que a direita montou nos últimos anos, e que continua a trabalhar a altíssmas rotações, nada disso interessa. Os factos não interessam para nada, como não interessa para nada que o colectivo da Relação tenha sido composto por três juízes. O que interessa é transformar uma decisão colectiva em individual, e depois encontrar umas ligações políticas que convenham à narrativa, por mais remotas que sejam. E isso faz-se com um título, porque só as gordas contam. Nem que depois o corpo da notícia ponha tudo a claro... 


Os meios podem ser novos, mas os truqes e as manhas são bem velhos!


 

Gente séria é outra coisa

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Maria Luís Albuquerque não teve tempo para deixar umas contas, uns simples algarismos alinhavados, sobre o Orçamento de Estado. Mas teve tempo para fazer uns despachos de última hora que confortassem algumas contas... bancárias...


Com um simples despacho da ex-ministra, um acessor lá do gabinete ficou a ganhar mais uns euros jeitosos. Para além de fora de horas, parece que é ainda ilegal... Mas que importa isso? Gente séria é outra coisa!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...