terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Delacção premiada

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Ontem à noite, num zapping pelas televisões à procura de alguma coisa que me captasse a atenção, parei no Prós e Contras, que raramente me faz parar por mais de cinco minutos.


Discutia-se a delacção premiada e, ontem, parei um pouco mais. O suficiente para perceber as partes em confronto, e que a doença maniqueísta do programa da Dª Fátima não tem cura. Aquilo é - era – simples: advogados contra, e procuradores a favor.


Os interesses corporativos dos advogados estariam em oposição a tudo o que rompa com as ortodoxias das formalidades processuais, e em particular com os rituais de recurso. É disso que vivem.


Então nada mais fácil que colocar procuradores do ministério público do outro, interessados em encontrar mecanismos que lhe facilitem a vida. Exactamente assim, com os interesses corporativos, a vida de cada uma das partes, no centro da questão.


 O que está em causa é muito mais que uma questão corporativa. Não são as questões corporativas que nos preocupam, não é isso que nos interssa. O problema é que facilitar a investigação a acusação é tornar a justiça mais célere. E que é esse justamente o seu maior problema nos tempos que correm. E sendo esse o maior problema da nossa Justiça, é esse um dos mais importantes problemas de um Estado de Direito como o nosso.


É que, tal como a liberdade – outro dos direitos sagrados – de uns acaba onde começa a dos outros, também os direitos e as garantias individuais confrontam os colectivos. Uma sociedade democrática não resiste ao persistente atropelamento colectivo por indivíduos que, na CGD, no BES, no Banif, no BPN, no BPP, na PT, nos partidos e nos governos, tomam para si os benefícios de tudo para, depois, não prestarem contas a ninguém e limitarem-se a apresentar a factura para pagamento.


Não dá para ficar mais preso a princípios e escolas se são sempre os mesmos e únicos interesses a ser defendidos. Não dá para catalogar estes instrumentos de terceiro-mundistas quando não há nada mais terceiro-mundista que a corrupção!


      


 


 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

"And the winner is"...

 


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O guião dos óscares fazia desta uma noite demolidora para Trump. Nada se sobreporia ao tiro ao boneco. Afinal, e no final, as voltas foram trocadas. E a noite dos òscares de 2017 será lembrada por aquela em que a última e mais importante das estatuetas foi apanhada em contra-mão.


Tudo, ao que consta, por culpa da PrieceWaterhouseCoopers, a quem já não bastavam os imbróglios do dever do ofício... Alguém terá rido no fim. E o último a rir foi.... " and the winner is"...


 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Deixem-se lá de coisas obsoletas

 


Benfica 3-1 Chaves


 


Grande jogo na Luz, nesta noite de sexta-feira, já de Carnaval, de novo com mais de 50 mil nas bancadas. Que sofreram a bom sofrer, desta vez.


Foi um jogo intenso, bem jogado e com muita, muita emoção. O Benfica sofreu, e fez sofrer os adeptos, por culpa própria, mas também muito por culpa de um excelente Chaves, que joga á bola como gente grande.


Que começou o jogo justamente a explicar isso, que sabe jogar à bola, e foi durante todo o primeiro quarto de hora bem melhor que o Benfica, que falhava no meio campo e falhava nos centrais, que não atinavam na linha do fora de jogo. O Benfica chegaria no entanto ao golo pouco depois de esgotado esse período, na segunda vez – a primeira tinha sido logo na saída de bola – que rematou à baliza da equipa flaviense, e passaria então a mandar no jogo.


Teve então vinte minutos de boa qualidade, com o seu futebol habitual, mas deixando sempre a ideia de muita parra para pouca uva. Por isto ou por aquilo – quase sempre velocidade a menos e hesitações a mais – as sucessivas vagas de futebol atacante do Benfica ficavam bem longe de atingir os objectivos. Nem grandes oportunidades, quanto mais golos.


Depois percebeu-se que o Benfica tinha voltado a trazer o interruptor para o jogo. E que o utilizava com alguma frequência, ligando-se e desligando-se do jogo com total despropósito. O Chaves chegaria ao empate mesmo à saída para o intervalo, e deixaria claro que este era um jogo com tudo para ficar muito perigoso.   


Com o segundo golo, em mais uma grande jogada de futebol concluída pelo Rafa, logo no início da segunda parte, o Benfica voltou ao grande futebol. Voltaram a suceder-se as vagas de ataque, com os jogadores do Chaves a terem de correr atrás da bola, agora a circular com mais velocidade entre os jogadores do Benfica, já com Jonas em campo. A equipa era agora mais consequente, e as oportunidades de golo sucediam-se. Os golos é que não, porque os remates invariavelmente não acertavam com a baliza.


Com o passar dos minutos, e a bola sem entrar, os jogadores da equipa transmontana começaram a acreditar cada vez mais. E como sabem jogar à bola, e o Benfica ainda lá tinha o interruptor, nos últimos dez minutos as coisas complicaram-se. Mas pelo meio pairou sempre a ideia que este era um jogo bem mais complicado do que, a cada momento, parecia. Só deixou de ser assim no minuto 89, quando o Mitroglou – em grande forma, com mais uma bela exibição – bisou e fez finalmente o terceiro.


E lá continuamos na frente. Mas é bom que esqueçam os interuptores. Estão obsoletos, agora usam-se sensores. 

"A vida correu-me bem"!

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"A vida correu-me bem" - se procurarmos uma frase com a fotografia de Cavaco não encontramos melhor. Tão pequena e com tanto Cavaco lá dentro. Se não estiver lá todo, não falta muito...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Viva o Zeca!

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Marcou como ninguém a música portuguesa. Sem ele, o panorama musical português seria outra coisa que não o que é. E seria certamente bem menos interessante.


Influenciou gerações. E continua, 30 anos depois, a influenciar gerações. É um dos maiores nomes cultura portuguesa, e uma figura incontornável do Portugal do século XX.


O escritor, o compositor, o músico, o intérprete, o criador, o cidadão de corpo inteiro e exemplo de intervenção cívica partiu há 30 anos. O Zeca morreu há 30 anos. Viva o Zeca!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Mais um buraco negro

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Ficamos ontem a saber que, enquanto éramos espremidos até não mais termos para dar, em colossais aumentos de impostos que "ai aguentamos, aguentamos", e a troika por cá andava para tudo encobrir, 10 mil milhões de euros voavam para offshores com a complacência da máquina fiscal de Paulo Núncio, a mesma que nos penhorava até as cuecas.


E ficamos a saber que ficamos a saber isto porque passaram a ser publicadas umas estatísticas que no governo dos senhores Passos e Portas, no ministério das finanças do senhor Vítor Gaspar e da Senhora Maria Luís, o senhor secretário de estado Paulo Núncio, muito dado a tratamentos VIP, tinha deixado de publicar. E entre as últimas publicadas e as primeiras vindas a público, pela mão do actual ministério das finanças do senhor Mário Centeno, que os comparsas da senhora Maria Luís e do senhor Palulo Núncio querem demitir por causa de uns sms, havia um hiato de 10 mil milhões. Um buraco bem negro de 10 mil milhões!


Um buraco negro que mais negra faz a história daqueles quatro negros anos...

Saia mais uma comissão de inquérito

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É tal o sucesso deste governo que disparou por toda a Europa o interesse nesta solução governativa. De todo o lado chega gente para observar a geringonça, in loco, e já perguntam se não dá para exportar.


Mérito dos portugueses - sem dúvida - mas há muito que agradecer à Europa, em especial à Comissão Europeia e ... ao Sr Schauble. A publicidade do Sr Moscovici foi importante para este sucesso mas, decisiva... decisiva foi a boca calada do Sr Schauble. Que bem merece uma comissão de inquérito... Força,  senhores!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Logo eu, que nem sou de palavrões...

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É notável como, tão pouco tempo depois, tantos "mijam" em cima das "convicções"  de Passos, Portas e companhia limitada. Tão pouco tempo depois está demonstrado que destruir o país foi uma opção. Que havia alternativas, e que a TINA era apenas a puta de serviço.


Ou como, em tão pouco tempo, reestruturar a dívida é mesmo a grande prioridade do país... Dá vontade de começar para aqui a soltar palavrões e de não parar mais.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O jogo chave e a chave do jogo

 


 Mitroglou


 


Este era um dos jogos chave deste campeonato. Não tanto por ser em Braga, nem por ser já um clássico de elevado grau de dificuldade para o Benfica, até porque este Braga está muito à imagem de Jorge Simão: é mais bazófia. Este era, para o Benfica, um dos mais decisivos jogos deste campeonato mais pelas circunstâncias externas do que pelo próprio jogo.


No estado em que as coisas estão, nesta altura do campeonato – aqui a expressão ganha todo o propósito –, as fichas caíam todas em cima deste jogo. O Porto, jogando na sexta-feira, tinha ganho e passaria para a frente desde que o Benfica não ganhasse. A actualidade da arbitragem, a fustigar sistematicamente o Benfica desde a última jornada da primeira volta e a beneficiar o Porto, muitas vezes de forma escandalosa, também faz das coisas o que elas são.


E vale a pena começar por aí. Esta XXII segunda jornada confirmou tudo o que tem vindo a acontecer desde o início do ano. Começou logo pelas nomeações, com o árbitro que abriu as hostilidades – Luís Ferreira, o tal dos três golos do Boavista – posto a dirigir o jogo do Porto, com o Tondela, e com o que expulsou e fez castigar Rui Vitória, Tiago Martins, mandado para Braga. E o que se viu no Porto foi por demais escandaloso, com o árbitro a desbloquear, nos últimos minutos da primeira parte, um jogo que não estava a correr de feição. Depois de lhes perdoar ao Porto um penalti claro, ofereceu-lhe um, inexistente. Depois de evitar a expulsão ao central portista, Filipe, expulsou um jogador do Tondela, numa jogada em que não só não cometeu nenhuma infracção como foi até agredido. Jogar contra dez já faz parte do guião do Porto. Já em Braga, nos primeiros vinte minutos do jogo, o árbitro não veria dois penaltis a favor do Benfica – carga sobre o Salvio dentro da área e, depois, um corte de um defesa bracarense com a mão – mas veria um fora de jogo inexistente para anular um golo limpo a Mitroglou.


Por todo este estado de coisas, que pelos vistos está para ficar, para o Benfica, até ao fim, todos são jogos chave.


O Benfica entrou bem, a fazer lembrar o jogo da época passada, que ficou resolvido nos primeiros vinte minutos, mesmo que sem a mesma exuberância. Foi, mesmo assim, o melhor período da equipa e não tivesse sido o já referido dedo do árbitro – não se ficou por aí, por duas vezes interrompeu ao Benfica lances prometedores, como agora se diz, para assinalar faltas ocorridas lá atrás, em benefício claro ao infractor – o jogo teria voltado a ficar resolvido bem cedo.


Mas como os penaltis não foram assinalados, o golo de Mitroglou não valeu e noutra ocasião o grego, só com o guarda-redes pela frente, na pequena área, rematou por cima, o jogo fechou-se. O Benfica, sempre com muito mais bola, não voltaria a ter grandes ocasiões para marcar. Nem o Braga, com uma única oportunidade em todo o jogo, no remate de Bataglia ao poste.


A segunda parte continuou intensa, com tudo – espaço e bola – muito disputado. O jogo, nem sempre bonito, manteve-se aberto. E emotivo. E sem que se vislumbrassem grandes desequilíbrios, nem mesmo quando o jogo começou a ficar mais partido, nem grande inspiração nos principais artistas, o nulo era uma ameaça séria.


Faltavam dez minutos para os noventa quando, de quem menos se esperaria, saiu o lance de génio que resolveu o jogo. Surpresa só pela forma com “despachou” quatro defesas contrários dentro da área, porque na verdade só Mitroglou tinha a chave do jogo. Só ele podia marcar: o Benfica jogou muito, mas rematou pouco. Bem mais rematou o Braga, que jogou muito menos!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Manual de política*

 


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 O folhetim da breve passagem de António Domingues pela Caixa Geral de Depósitos é todo ele um manual da forma de fazer política em Portugal.


Pela primeira vez um governo quis nomear uma administração profissional para a Caixa, à margem do comissariado político. Para aceitar o convite, o gestor escolhido impôs condições que chocavam com o quadro legal vigente. O governo fez tudo para satisfazer essas exigências, incluindo uma lei à medida, preparada pelos próprios advogados do dito gestor.


A lei, face aos objectivos que perseguia, foi mal feita e não resultou. Não conseguiu, nem podia, isentar os gestores da apresentação ao Tribunal Constitucional das declarações de património e rendimentos.


O gestor não gostou, e o governo não clarificou. O gestor demitiu-se e o governo nomeou novo gestor, por acaso, mas certamente que não, um ex-ministro do governo anterior. O assunto devia ter ficado aqui resolvido.


Não ficou. O gestor demissionário não se calou e disse que lhe tinha sido prometida a dispensa das tais declarações. O primeiro-ministro, e o líder parlamentar do partido do governo, apressaram-se a negá-lo. O ministro das finanças, com pouco jeito para a política, ficou entalado, e não teve outra alternativa que secundá-los.


A Caixa tem finalmente uma administração a funcionar. E o país boas notícias: o mais baixo défice de sempre em democracia, desemprego a cair, crescimento económico acima de todas as previsões, e até fortes aplausos de Bruxelas. E um Presidente da República em lua de mel com o governo.


Demasiado para uma oposição à espera do diabo, apostada no quanto pior, melhor. Vai daí e atira-se ao ministro das finanças, como gato a bofes.


É verdade: mentiu. Ou omitiu, que vai dar ao mesmo.


Mas, não mentem todos os políticos - por causa dos eleitores -, como disse o deputado do CDS que agora quer processar criminalmente Mário Centeno? Não mentiu Pedro Passos Coelho a torto e a direito? Não mentiu Maria Luís Albuquerque nos Swaps? Não mentiu Paulo Portas na demissão irrevogável? Não mentiram todos na saída limpa?


Os actos medem-se, acima de tudo, pelas suas consequências. Quais as consequências de Mário Centeno ter mentido?


Zero. Nada. Nem mesmo a perda do belíssimo emprego de António Domingues…


Quais as consequências dos swaps? Quanto custam? Quais as consequências da irrevogável demissão de Portas? Quanto se pagou pelo imediato aumento dos juros? Quantos milhares de milhões foram com Banif, na saída limpa? E no atraso na própria recapitalização da Caixa, agora em curso?


Pois… Estamos entendidos. É assim a política em Portugal…


 


* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister

O país das televisões está a arder

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O mais baixo défice de sempre em democracia, desemprego a cair, crescimento económico acima de todas as previsões, e até fortes aplausos de Bruxelas. E um Presidente da República enamorado pelo governo. Demasiado para uma oposição à espera do diabo, apostada no quanto pior, melhor.


Isto tinha que acabar. O CDS vai até às últimas consequências. O PSD rasga as vestes pela verdade. E até um presidente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito se demite. O país das televisões está a arder. Esperemos que não pegue fogo ao outro...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os "sms"

 


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O último capítulo deste folhetim que estamos a acompanhar chama-se SMS. Foram os "sms" trocados entre Centeno e Domingues, que António Lobo Xavier levou a Marcelo, que levaram à alteração e ao endurecimento da posição do presidente. Não tendo aparecido o tal documento assinado em que Marcelo respaldava a sua defesa do ministro das finanças, apareceram os "sms". 


E com eles mais dois bons motivos para nos envergonharmos das élites da nossa praça.


No Parlamento, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa, logo os deputados do CDS e do PSD exigiram também que lhe fossem entregues. A direita entende que a CPI, cujo objecto é apurar os erros na gestão da Caixa nos 10 anos anteriores a 2015, precisa dos "sms" trocados entre o actual ministro das finanças e o indigitado presidente da Caixa em 2016. Não interessa, disso nada se sabe, o que aconteceu aos 3 mil milhões de euros que a Caixa fez desaparecer em calotes. Não interessa aos senhores deputados quem se abotoou com o dinheiro, quem autorizou esses créditos, com que garantias... Não os preocupa que, mais uma vez, sejamos chamados a pagá-los. Interessa-lhes e preocupa-os os "sms"!


Interessa-lhes tanto que não resistiram a chamá-los para onde não eram chamados, quando podiam - e podem - pedi-los a António Domingues, mais que disponível para lhes entregar toda a documentação trocada com Mário Centeno.


Mas este espisódio dos "sms" não mostra só o que são realmente os interesses representados nas comissões parlamentares de inquérito, sejam elas quais forem. Mostram-nos também como se tratam as coisas entre as élites que mandam no regime. António Domingues já tinha deixado uma imagem pouco respeitável em todo este processo. Não é a conivência de Mário Centeno, e do primeiro-ministro, como é evidente, que altera essa imagem: exigir prerrogativas especiais e leis à medida, mesmo que contra a lei, não é a melhor carta de apresentação. Ao utilizar o seu amigo António Lobo Xavier para entregar os "sms" ao Presidente da Reública volta a portar-se mal. E a deixar também mal o seu amigo, que se permitiu prestar-se a esse papel... De resto, há muito anunciado. Ou ameaçado?


 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Sangue, suor e lágrimas

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Grande ambiente na Luz, à Champions. Grande jogo, intenso até mais não. Sofrido até não poder ser mais, neste regresso da Champions, no 500º jogo oficial de Luisão com o manto sagrado colado ao corpo.


O Borussia Dortmund é uma grande equipa, e tem um grande futebol, com uma dinâmica praticamente imparável. Ao Benfica restou resistir, sofrer e, tanto quanto possível, contrariar aquele futebol demolidor.


O Benfica sabia ao que vinha. Sabia que logo que a equipa alemã impusesse o seu futebol ficaria difícil contrariá-lo. E sabia que só tomando conta do jogo, e impondo o seu futebol próprio futebol, poderia retardar a entrada em funcionamento da máquina alemã.


Conseguiu-o durante os primeiros dez minutos, chegando a deixar pensar que conseguiria verdadeiramente discutir o jogo em todas as sua vertentes. E em todo o campo.


A verdade é que os restantes 35 minutos da primeira parte mostraram que não. O Dortmund encostou a equipa benfiquista à sua área, como no pugilismo se encosta o adversário às cordas. O Benfica não conseguia secar a fonte do futebol alemão, que alimentava as torrentes de ataque que apanhavam a equipa lá atrás, com as sucessivas vagas a rebentarem-lhe em cima.


Na segunda parte Rui Vitória deu a volta a este estado de coisas. Com a saída de Carrillo - não por ser Carrillo, nem porque estivesse pior que os outros - e a entrada de Filipe Augusto (o Samaris a perder espaço) permitiu que Pizzi subisse no terreno e, mesmo sem a secar, condicionar a nascente do futebol do Borussia, ali pelos lados do central Bartra. E assim o Benfica voltou a entrar melhor, voltou a discutir o jogo e, com a sorte que nestas coisas faz sempre falta, chega ao golo.


Este período voltou a não durar mais que dez minutos. Mas a torrente do futebol alemão nunca mais foi a mesma. E depois surgiu Ederson em todo o seu explendor, defendendo tudo. Até um penalti. E garantindo um resultado que é tão obviamente bom quanto provavelmente insuficiente para repetir os quartos de final da época passada.   


No fim ficou uma alegria imensa. Como a chama. E as lágrimas do capitão, do senhor 500, a juntar ao suor de todos, e ao sangue de Lindelof e Ederson...


 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Último capítulo?

 


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Como era bom de ver, e ontem aqui previra, o presidente Marcelo ganhou protagonismo no folhetim que há semanas domina os tops mediáticos. Não esperava que fosse tão cedo, ainda no mesmo dia, mas não havia volta a dar: depois de "picado" daquela  forma pelo verdadeiro argumentista da coisa, o presidente teria de sair a terreiro. Não podia ser de outra maneira, e lá teve Mário Centeno de se prestar àquela figura.


O diabo - que afinal existe, mesmo que não esteja de muito boas relações com Passos Coelho - é que de Bruxelas vem música, da melhor, para os ouvidos de António Costa e Centeno. O diabo parte mesmo de Bruxelas, mas vai na direcção errada: ninguém imaginaria que em tão pouco tempo as coisas ficassem viradas do avesso.


Bem podem berrar os vazios e estridentes rapazolas do CDS e do PSD. Bem podem colunistas e comentadores não falar de outra coisa. Bem pode até o presidente, "picado", fazer agora umas ameaçazitas. Enquanto Bruxelas mantiver este sentido de oportunidade Centeno pode dormir descansado. E até finalmente sonhar com o último episódio do folhetim que tanto tem excitado as élites da opinião publicada...

Mais um capítulo ou um capítulo a mais?

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Quando julgávamos que o último capítulo da novela da contratação de António Domingues para a administração da Caixa Geral de Depósitos se intitulava "mentiu/não mentiu", ou "há documentos escritos/ não há documentos escritos", eis que, para segurar audiências e aprofundar o suspense, o argumentista acaba de lhe acrescentar mais um: "O Governo manipulou a data de publicação do decreto-lei".


A forma como tem dirigido a telenovela revela o dedo apurado argumentista. Um verdadeiro mestre: quem é que acredita que só agora, no ponto mais alto do capítulo ainda em cena, Marques Mendes tivesse reparado que o D.L nº 39/2016 fora aprovado em Conselho de MInistros em 8 de Junho, promulgado pelo Presidente em 21 de Junho, e apenas publicado no Diáro da República em 28 de Julho?


É certo que o guião ajuda. E ajuda especialmente na parte em que Antóno Costa, a quem se exigia muito mais dedo para a ética política do que para a habilidade politiqueira, perdendo todas as oportunidades para a introdução de um ponto de ordem na mesa deste descalabro, abriu caminho à bola de neve, cada vez mais difícil de parar.


Já ninguém consegue dizer que este seja o último capítulo da telenovela. Não me parece, e admito até que nas cenas dos próximos capítulos surja uma personagem com mais protagonismo. Basta que lhe apresentem uma assinatura num papel...


Os erros pagam-se. E este só não sairá muito mais caro porque, mesmo com o seu exército espalhado pelas televisões e  jornais, a oposição se resume àqueles vinte minutos dominicais de Marques Mendes. E aos seus interesses políticos pessoais...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Benfica alarga vantagem para 4 pontos

André Carrillo faz o 3-0 no jogo frente ao Arouca


 


Exactamente. Assim mesmo. Depois do que se viu na semana passada, amanhã os jornais não poderão deixar de se cobrir de títulos como este. Esperemos para ver...


Dito isto, já se pode dizer que o melhor futebol que o país tem para mostrar está de volta. O jogo do passado domingo já o tinha deixado perceber. O de hoje, desta noite gelada de sexta-feira - que certamente explica a menor assistência do campeonato, apenas 47 mil pessoas na Luz - confirmou que o Benfica não deixou fugir o perfume do seu futebol. A primeira parte foi de autêntico explendor na relva, com Carrillo - pela primeira vez titular no campeonato - Zivkovic, Jonas e Nelson Semedo a recitarem futebol. 


O Benfica entrou na partida determinado, com todos os jogadores concentrados e focados, a gerir na perfeição os ritmos do jogo e a variá-lo com critério. O Arouca - de Lito Vidigal, ao que se diz de partida, não resistindo ao chamamento de Israel - foi de imediato encostado lá atrás, donde não conseguia sair. Seguiu-se um curto período de abrandamento, que permitiu ao Arouca subir um bocadinho e deixar perceber que pretendia fazer o que todos querem fazer na Luz: pressionar no campo todo, condicionar a saída de bola e tentar engasgar a construção do Benfica.


Só que, na tal gestão dos ritmos do jogo, o Benfica rapidamente voltava a imobilizar o adversário lá atrás. Percebia-se que o golo estava a espreitar. Apareceu, foi muito festejado, mas viria a ser anulado, a fazer lembrar o terceiro golo do Boavista do fatídico último jogo da primeira volta, mas em versão bem menos exuberante. Isso mesmo, o critério é só um. E simples: se, em fora de jogo possicional, um jogador se faz ao lance, é fora de jogo se der golo para o Benfica. Já não o é se der golo contra o Benfica.


Pouco depois, Mitroglou voltaria a acertar na baliza, de cabeça, a passe de Jonas, em mais uma espectacular jogada de futebol. Ia a primeira parte a meio e não havia como anulá-lo. Menos de 10 minutos depois, numa jogada colectiva ainda mais bonita, o grego bisou.


Em noite de lua cheia, a Luz resplandecia de futebol. De repente, o caso Mateus: Ederson sai da baliza e vai disputar a bola com o conhecido angolano do Arouca, a meio do meio campo. Chuta a bola que, azar dos azares, vai bater no Eliseu, que vinha em corrida, e segue em direcção à baliza, enquanto o guarda-redes do Benfica acaba a chocar com o adversário. O jogo prossegue, Lindelof recupera a bola bem antes que ela se cruzasse com a baliza e, por ordem do fiscal de linha, o árbitro interrompe o jogo expulsa o guarda-redes. Como se o árbitro assistente - é assim que se chama, não é fiscal de linha -, que não veria, bem à sua frente, uns minutos depois, uma agressão com o cotovelo a Lindelof, tivesse visto a bola ser jogada pelo avançado do Arouca, e como se ele tivesse ficado isolado, em condições de fazer golo. Inacreditável!


Não houve eclipse. Nem da Luz, nem do bom futebol, porque já se viu que não é por aí. A Luz reacendeu-se, e reacendeu-se ainda mais quando o árbitro apitou para intervalo depois de mais uma falta sobre Carrillo, junto à àrea adversária, que o árbitro assinalou sem que permitisse cobrar o livre. E o bom futebol, evidentemente que com novas nouances, regressou para a segunda parte com os 10 jogadores do Benfica. 


E para que não ficassem dúvidas, logo no início, Carrillo assinou a obra de arte que fixaria o resultado final. A fasquia da qualidade dos golos tinha vindo a subir e estava bem alta: o terceiro não podia ser outra coisa que uma obra prima.


Valeu a pena esperar por Carrillo!


 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Voltas trocadas*

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Passam amanhã 10 anos sobre o referendo que permitiu rever a legislação da despenalização da interrupção voluntária da gravidez – IVG, ou mais popularmente o aborto -, depois de, em 1998, num domingo Verão em que, reza a História, as pessoas preferiram a praia à assembleia de voto, tudo ter ficado na mesma.


Na mesma, era legislação de 1984 - nos países mais desenvolvidos datava do início do século - que cobria apenas situações de violação e de risco de vida para a mãe.


Dez anos é já tempo suficiente para fazer balanço, agora que há registos oficiais. O Balanço tem muitos números. Para não ser fastidioso detenhamo-nos em dois:



  • Em 2015 as ocorrências de IVG foram 10% inferiores às de 2008, primeiro ano de vigência da lei;

  • Entre 2001 e 2007 morreram 14 mulheres em resultado de aborto provocado; entre 2008 e 2012, uma; depois de 2012, nenhuma.


Há outros dados, como, por exemplo, que são as mulheres desempregadas que mais recorrem à IVG. Ou que são raros os casos de reincidência. Ou ainda que a maioria é por medicação, e não por intervenção cirúrgica. Ou que aumentou significativamente o recurso a métodos anticoncepcionais…


São os dados que permitem conclusões. E a primeira – se não a maior de todas – é a má-fé de todos os que quiseram, e continuam a querer, confundir a defesa da despenalização com a defesa do acto. Defender a despenalização foi e é ser contra o aborto, ao contrário do que se quis e quer fazer crer. A despenalização é um factor crítico de saúde pública que combateu o aborto, não o promoveu!


 


* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister  

Inevitável


 


 


Com a OPA lançada sobre o BPI, o banco catalão La Caixa ficou com 85% do BPI. Com isto o BPI salta do PSI 20 e as poucas acçoes dos poucos que ainda as retivereram cairam hoje a pique. Inevitavelmente!


Tão inevitável como a saída directamente para a prateleira de Fernando Ulrich, o tal do "ai aguenta, aguenta"... Artur Santos Silva já lá estava. 


Mas isto é também o fim da banca nacional privada, três décadas depois do seu (re)nascimento. Com o BCP entregue aos chineses, o SantanderTotta aos espanhóis, e o BES destruído no Novo Banco a entregar a quem o quiser, na esfera privada do sistema financeiro nacional subsistem agora dois pequenos bancos nacionais, ainda assim de características particulares, como são o Montepio e o Crédito Agrícola. E sabe-se lá por quanto tempo...


Os centros de decisão da banca estão fora do país, por muito que os catalães se esforcem em dizer o contrário em bom português, mesmo que disso não tenham conseguido convencer Artur Santos Silva.


 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Inexpugnável

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Há muito que se percebeu, sem que se perceba por quê, que o Acordo Ortográfico é para ficar. Inamovível. 


Ja tudo foi tentado, os resultados são sempre os mesmos: nada. Não se mexe!


A última iniciativa para o arrumar na prateleira dos actos (actos, pois claro) falhados veio da Academia das Ciências. E veio em pezinhos de lã, sem o radicalismo "mate-se e enterre-se o aborto ortográfico" mas, antes,  como um apelo à introdução do bom senso no Acordo. Claro que ia dar no mesmo: introduzir-lhe o bom senso que não tem, é acabar com ele. Mas é a política, e a política é assim...


O problema é que à política sabe a política responder melhor que ninguém. E se o Parlamento disse "mata-se", logo o governo  acrescentou: "esfola-se"!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

As opiniões do Conselho de Opinião

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Raramente nos apercebemos dos inúmeros orgãos e orgãozinhos que gravitam à volta do país institucional. Não nos apercebermos da sua existência não lhes reduz a importância, e muito menos reduz à insignificância as pessoas que os compõem.


A estação pública de Radiodifusão está há mais de 6 meses sem provedor do ouvinte porque o Conselho de Opinião da RTP deu opinião negativa sobre todos os nomes que lhe foram apresentados. Ninguém servia, por mais prestigiado e conhecedor da matéria que fosse. Foi-lhe proposto Joaquim Vieira, não serviu. Como não serviu, foi então proposto João Paulo Guerra, mais uma figura, como a anterior, acima de qualquer suspeita, prestigiada e competente. Também não serviu ao colectivo dos 31 senhores e senhoras que constituem este órgão consagrado nos estatutos da Rádio e Televisão de Portigal, que alberga gente que ninguém conhece de lado nenhum misturada com gente que todos conhecemos de gingeira.


Vetado o nome de Joaquim Vieira, o Conselho de Administração (CA) da RTP nem pediu explicações e apresentou de imediato a alternativa João Paulo Guerra, dispensando assim o douto Conselho de Opinião (CO) de justificar a sua decisão. O diabo é que - e na verdade já era demais - não voltou a apresentar novo nome e, nos termos da lei, o CO teria que justificar - no prazo de 30 dias - a sua opinião. Teria que explicar por que é que, na sua opinião, João Paulo Guerra não servia. Pelos vistos não foi capaz, como provavelmente também não teria sido capaz de justificar por que não tinha antes aceitado Joaquim Vieira.


Para uma Rádio pública, o provedor do ouvinte tem um papel importante, tão importante quanto a importância que tem ouvir o ouvinte, em rádio o princípio e o fim de tudo. Já o Conselho de Opinião, se nem as suas opiniões consegue justificar, não passa de mais um orgãozinho que não serve para coisa nenhuma.


Já agora votos de um bom mandato para o João Paulo Guerra. Que não merecia passar por isto.  Nem o Joaquim Vieira...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Grandeza e América

 


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Trump diz querer fazer a América great again. Again? 


A América continua grande na sua grandeza, como esta noite tivemos oportunidade de voltar a confirmar.


Repare-se que, parando por uma final final de uma competição desportiva, consegue fazer passar a ideia que, com ela, o mundo pára também. Que consegue fazer isso à volta de um jogo que mais ninguém percebe, e a que mais ninguém acha piada nehuma. E que ainda conseguem fazer do intervalo do dito o mais importante de tudo... 


O resultado, quem ganhou ou quem perdeu o jogo - que pela primeira vez obrigou a prolongamento, onde os Patriots acabaram por ganhar aos Falcons (até nos nomes há América) - não interessa a ninguém. O que importa é quais foram os cinco melhores anúncios do intervalo. E quanto custaram.  E, desta vez, se a Lady Gaga afrontou ou não o Sr Trump...


Se isto não é grandeza, é de certeza América!

Firme na frente

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Pela primeira vez neste campeonato a Luz contou menos de 50 mil espectadores. Em regra as assistências têm andado pelos 60 mil, mas este é também o preço da oscilação que afectou a equipa nas duas últimas semanas. Mesmo assim nada de significativo, basta reparar que mesmo assim esteve mais gente hoje na Luz que ontem no Dragão, num clássico decisivo para ambos.


Comecei pela moldura humana de hoje na Luz porque, nas condições especiais deste regresso a casa, à terceira jornada da segunda volta, era importante ver como reagia o público a um Benfica a lamber as feridas e, pela primeira vez em 15 jornadas e muitos meses, a entrar em campo sem estar no lugar mais alto da classificação. A verdade é que a resposta dos benfiquistas foi clara no apoio à equipa. Não é por aí... Não irá ser por aí!


Nem por aí nem por outro lado qualquer, apetece já adiantar que esta é a conclusão final do jogo.


Os primeiros vinte minutos não surpreenderam ninguém. O Nacional começou por fazer aquilo que é já clássico, pressão sobre a bola, bloco curto, bem junto e grande intensidade física na disputa dos lances. Nada de novo, todos os adversários do Benfica há muito fazem assim, sem grandes resultados, como se tem visto. As excepções, que só confirmam a regra, aconteceram apenas quando o Benfica não foi minimamente eficaz na concretização das oportunidades de golo que sempre criou.


Por isso, se os primeiros vinte minutos não surpreenderam ninguém, os restantes setenta também não. A não ser os que esperavam que a equipa não conseguisse sarar as feridas abertas nas últimas duas semanas. Quando Jonas, aos 26 minutos, fez o primeiro golo percebeu-se que não havia mais fantasmas, e que a normalidade estava de regresso. E com ela o melhor futebol que se pratica neste campeonato, mesmo que aqui e ali com alguma timidez.


O segundo, ainda por Jonas e de grande execução, surgiu pouco depois, à entrada dos últimos 10 minutos da primeira parte, quando no relvado já se desenhavam jogadas do melhor futebol que por cá se vê.


A segunda parte - que daria apenas mais um golo, de Mitroglou, assistido por Rafa em mais uma brilhante jogada de futebol, seria de confirmação. De confirmação do regresso da equipa ao bom futebol, e da confirmação de que a arbitragem está mesmo apostada em apertar. Nem é necessário falar se há um ou dois penaltis por assinalar, basta falar da incrível dualidade do critério disciplinar do árbitro. A equipa do Nacional não poderia acabar o jogo com mais de oito jogadores em campo. Mas acabou inteirinha, mesmo que o seu capitão devesse ter sido expulso em três ocasiões distintas. Numa delas mandou o Sálvio de regresso ao estaleiro, numa entrada violenta, e por trás, quando o argentino se isolava a caminho da área.


O Benfica não recuperou a liderança. Manteve-a.  Mantém-na desde a quinta jornada. Sem a folga a que estávamos habituados, mais apertada agora, na diferença mínima. E por isso tudo vai apertar ainda mais... Mas também não irá ser por aí!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

É pá, façam um "intervalozinho"!

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Numa altura em que se renova a ofensiva da comunicação social arregimentada pela direita, agora ela própria a evocar o diabo que o Pedro, como na história do lobo, tantas vezes anunciou, bater com cabeça todos os dias contra as paredes que dividem as casas do governo e dos seus suportes parlamentares não é, se calhar, uma ideia muito brilhante.


Quando se multiplicam as doutas opiniões do pessoal que procura encravar a geringonça, dizendo-a esgotada, esgotadas que, no papel e apenas aí, estão as reposições, em vez de estarem a trabalhar em novas convergências, em tantas áreas em que convergir é possível, os partidos da maioria parlamentar parecem mais interessados em empenhar-se no que os divide.


Não parece a coisa mais útil. Nem sequer minimamente inteligente, mas eles lá sabem... Ou não!


À TSU seguiram-se as férias. E hoje já aí está a nacionalização do Novo Banco. Dá vontade de lhes dizer: é pá, façam um intervalozinho!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Temas que vão e que vêm

 


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Há dias que não se fala de outra coisa. A eutanásia, a morte assistida, a boa morte ou a morte sem sofrimento atrós e intolerável há muito que é um dos principais temas das sociedades actuais. Em Portugal, tem dias. Está na ordem do dia, depois passa, e não se fala mais nisso para, meses ou anos volvidos, regressar em força até desaparecer novamente.


Há assuntos que vão e vêm. Que não enfrentamos, que entregamos ao tempo para que seja ela a resolver. Umas vezes não resolve nada, outras resolve mesmo. A maior parte das vezes tarde demais para muita gente...


Estamos aqui, na fase do regresso em força até que volte a desaparecer. A não ser que a disparatada ideia de Assunção Cristas de a submeter a referendo ganhe pernas. Mal por mal, mais vale deixar isto entregue ao tempo... Que sempre dá para as televisões irem ganhando uns trocos. Sem vergonha nem pudor!


 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Tiros no pé

 


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Com a esquerda francesa no estado comatoso em que Hollande a deixou, já se via François Fillon no papel de Chirac, em 2002: a congregar a resistência à extrema direita lepeniana, e a salvar uma vez mais o regime. Incapaz de se salvar por si mesmo, como se está a ver...


Fillon está a ser investigado por ter contratado a mulher e os filhos para seus assistentes pessoais no Parlamento francês, quando deputado, e já disse que retirará a sua candidatura se vier a ser acusado pela Justiça. Não percebeu que já não tem condições de se opôr a Marine Le Pen. Que, acusado ou não, já não descola da imagem do establishment que manda a ética às ortigas sempre que em causa estão os seus interesses pessoais. E os dos seus. E que é isso justamente o maior trunfo do populismo!


Ao candidatar-se sem dar uma vista de olhos à sua folha de serviço, François Fillon não fez mais que dar mais um valente empurrão a Le Pen. Que já não lhe fazia grande falta...


 


 


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...