quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Os "sms"

 


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O último capítulo deste folhetim que estamos a acompanhar chama-se SMS. Foram os "sms" trocados entre Centeno e Domingues, que António Lobo Xavier levou a Marcelo, que levaram à alteração e ao endurecimento da posição do presidente. Não tendo aparecido o tal documento assinado em que Marcelo respaldava a sua defesa do ministro das finanças, apareceram os "sms". 


E com eles mais dois bons motivos para nos envergonharmos das élites da nossa praça.


No Parlamento, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Caixa, logo os deputados do CDS e do PSD exigiram também que lhe fossem entregues. A direita entende que a CPI, cujo objecto é apurar os erros na gestão da Caixa nos 10 anos anteriores a 2015, precisa dos "sms" trocados entre o actual ministro das finanças e o indigitado presidente da Caixa em 2016. Não interessa, disso nada se sabe, o que aconteceu aos 3 mil milhões de euros que a Caixa fez desaparecer em calotes. Não interessa aos senhores deputados quem se abotoou com o dinheiro, quem autorizou esses créditos, com que garantias... Não os preocupa que, mais uma vez, sejamos chamados a pagá-los. Interessa-lhes e preocupa-os os "sms"!


Interessa-lhes tanto que não resistiram a chamá-los para onde não eram chamados, quando podiam - e podem - pedi-los a António Domingues, mais que disponível para lhes entregar toda a documentação trocada com Mário Centeno.


Mas este espisódio dos "sms" não mostra só o que são realmente os interesses representados nas comissões parlamentares de inquérito, sejam elas quais forem. Mostram-nos também como se tratam as coisas entre as élites que mandam no regime. António Domingues já tinha deixado uma imagem pouco respeitável em todo este processo. Não é a conivência de Mário Centeno, e do primeiro-ministro, como é evidente, que altera essa imagem: exigir prerrogativas especiais e leis à medida, mesmo que contra a lei, não é a melhor carta de apresentação. Ao utilizar o seu amigo António Lobo Xavier para entregar os "sms" ao Presidente da Reública volta a portar-se mal. E a deixar também mal o seu amigo, que se permitiu prestar-se a esse papel... De resto, há muito anunciado. Ou ameaçado?


 

3 comentários:

  1. Os paf's são todos uma grande m€rda!

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  2. "Se me tivessem tirado um "tacho" de 30 mil mínimo mensal, eu também ficaria ressabiado, e tentaria por tudo a "vingança". "
    Este é afinal o pensamento do ser humano, quando a casa do meu vizinho arde, enfim que pena, desde que não pegue fogo na minha.
    Este folhetim da CGD versus Centeno, Geringonça, Presidente Marcelo, PS, PCP, BE, PPD e CDS já cheira demais a chiqueiro.
    E o PPD e CDS continuam a agitar a lama como se não tivessem culpa também neste processo, pois podiam ter resolvido a situação quando "mandavam" nos destinos de Portugal, mas em nome de uma "Saída Limpa" arrumaram o assunto para debaixo do tapete.
    Mais um "bom" costume português.
    Acontece que todos sabemos que nada é Irrevogável.
    O futuro ninguém conhece, mas com estes "politicos" vai ser certamente um futuro negro.

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  3. O facto de o PSD e CDS continuarem a insistir neste assunto da mentira do ministro das finanças e do primeiro-ministro não significa, ao contrário do que afirma, que estes já não estejam interessados no objecto desta C.I.P. Estão, com certeza! Mas isso não invalida que deixem de ter interesse nas aldrabices dum P.M. que quis criar uma lei de excepção para ter uma CGD em tudo igual aos bancos privados! para isso, não é necessário um banco público, que nos últimos 12 anos, entre mais e menos-valias, custou aos contribuintes mais de 7 mil milhões. Não fora a oposição (mesmo a que apoia o governo) e lá teria passado tal esperteza dum partido e do seu magnifico líder, que conforme as conveniências, ora acorda à esquerda, ora acorda à direita! E ainda nos quer enganar com essa estória do défice, que só foi conseguido com cortes cegos no SNS, na educação, nos transportes públicos, etc., à custa da captura política da extrema esquerda que deixou de se indignar (in)explicavelmente, porque se comporta como um sindicato que só se preocupa com os funcionários públicos e nunca com os cidadãos como um todo - mas isso é mais uma perversão das elites de esquerda. Quanto ao desempenho da economia, nem vale a pena perder tempo: passar o anterior mandato a berrar contra o mau desempenho do governo porque a economia crescia muito poucochinho e agora atirar-nos areia prós olhos com o lero-lero de que esta cresceu acima de todas as expectativas, quando, afinal, só cresceu 1.4%, menos do que em 2015 quando cresceu 1.6%

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