sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Futebolês #95 CHICOTADA PSICOLÓGICA

Por Eduardo Louro


 


É uma das expressões do futebolês mais vulgarizadas. A chicotada psicológica é uma chicotada aplicada ao treinador na expectativa que produza efeitos psicológicos nos jogadores, que lhes dê a volta ao estado anímico.


Tem, como não podia deixar de ser – o futebol(ês) é isto mesmo – o seu lado anacrónico: o acto não produz os seus efeitos sobre o sujeito mas sim em terceiros. O treinador é que é chicoteado para que os jogadores emendem caminho. Ou os jogadores é que andam por maus caminhos mas o treinador é que leva o castigo.


Tem uma explicação simples: o treinador é só um; os jogadores são às dezenas. E outra, também pouco complicada: por cada treinador empregado há no mínimo dez à espreita, à espera e a fazer figas para que as coisas lhe corram mal. Mal surge a oportunidade e lá está um disposto as dar o seu cunho pessoal, a fazer crer que a equipa vai passar a ganhar os jogos todos e a injectar moral naqueles jogadores como se de penicilina se tratasse.


Uma vez por outra a coisa até resulta, e é isso que dá força à chicotada psicológica. Ninguém se lembra das vezes em que tudo fica na mesma, essas não contam para nada. Em memória ficam as que resultam!


Em menos de dois meses de competição muitas foram já as chicotadas. A primeira deu-se em Guimarães, logo na segunda das seis jornadas já cumpridas, quando o mestre do verbo – com uma linguagem própria, o já famoso machadês, que ameaça a hegemonia do futebolês – foi trocado pelo que estava em Paços de Ferreira donde, por causa de um boné ridículo que são obrigados a usar, estão todos doidinhos para fugir.


Esta mudança de Paços de Ferreira para Guimarães começa já a tornar-se um clássico. Não fosse o Sporting, entretanto e sem saber muito bem como, ter desatado a marcar golos no primeiro minuto e a conseguir aguentar-se nos restantes oitenta e muitos, e já começávamos a ver o tipo que veio da capital do móvel, sem aquecer o lugar na capital da cutelaria (será que ainda é ou já só sobra o mito?), a caminho de Alvalade…


Em Leiria mora – mas não joga – o campeão das chicotadas. Já vai no terceiro treinador, agora o velho Manuel Cajuda – dois regressos, o seu próprio regresso a Leiria e o regresso de Bartolomeu a treinadores feitos -, depois da chamada ao castigo (vingança antiga?) de um homem da casa - o pobre do Vítor Pontes - que viu o sonho de voltar ao trabalho depois de tantos anos de desemprego esfumar-se em apenas 17 dias.


Mas o chicote não pára, continua no ar, ameaçador. Agora que o Domingos Paciência parece tê-lo afastado para o lado, lá está ele bem à vista em Vila do Conde – o chicote não sabe o que é gratidão, não é Carlos Brito? – e, de novo, em Paços de Ferreira, onde o novo portador do boné (o boné – outro boné - era a imagem de marca do Pedroto, o Zé do Boné como, entre outras coisas, lhe chamavam) ainda não conseguiu um pontinho sequer. Mais escondido, mas nem por isso menos à mão de semear, está ele no Dragão.


Sim, sim! O Vítor Pereira já tem as costas a jeito, não vá a solidariedade portista de Coimbra falhar desta vez. E pode muito bem falhar, porque já se diz que na calha estará mesmo o rapaz de Coimbra. É que o Porto já lhe tomou o gosto, foi de lá que veio o último, o da cadeira de sonho… Que tão rapidamente deixaria vazia, e com tanto vazio à volta!


Creio que Vítor Pereira já pouco poderá fazer para fugir do chicote. Está perdido e sem Norte; o que o Norte não perdoa!


Não basta querer parecer. Se fosse assim - como ele afinal pensava que era - haveria mais Mourinhos e mesmo Vilas Boas. Há realmente muita coisa que o ainda treinador do Porto não sabe. A começar pelo princípio de Peter, tão simples e tão velho…


 


 


 


 

DÉFICE DO I SEMESTRE: HERANÇA E DOTE

Por Eduardo Louro 


 


O INE divulgou hoje as contas do primeiro semestre, com o défice a cifrar-se nos 8,3% do PIB, longe, bem longe, dos 5,9 a que estamos obrigados e que o governo jura cumprir. Preocupante? Acho que sim!


Mas também não deixa de ser divertido. Para a maioria aqui está a pesada herança, a tal que jamais seria evocada, em carne e osso. Para o PS aqui está a Madeira e os desvarios de Jardim! Não é uma herança, é um dote!


 

DUDA GUENNES (1937-2011)

Por Eduardo Louro 


 


Partiu hoje o brasileiro mais português de Portugal, como gostava de se identificar. Duda Guennes era o estrangeiro (mas pouco) que durante mais tempo manteve uma coluna regular na imprensa nacional.


Assinava, desde 1980, uma coluna – Meu Brasil brasileiro, que viria a editar em livro – em A Bola onde, todos os sábados e durante mais de 30 anos, me deliciava com as venturas e desventuras de um dos povos que mais estórias tem para contar, contadas como só ele sabia.


Por razões que aqui confidenciei deixei há cerca de um ano de ser leitor habitual de A Bola. Confesso que só ao sábado era tentado por um certo arrependimento, quando me lembrava das suas crónicas e sentia a sua falta.


Acabaram as razões que me poderiam alguma vez levar a quebrar aquele compromisso!


 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

QUANDO A IMPUNIDADE COMEÇA A SAIR CARA

Por Eduardo Louro 


 


Por que será que o Fucile, que por cá leva um amarelo de vez em quando, nas competições europeias está sempre na rua?


Acho que o Porto deveria começar a pensar seriamente se o crime compensa.  Quer dizer, se a impunidade que goza por cá não lhe sai cara na Europa! É que o clima já não está para sol na eira e chuva no nabal!


 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

BEM APARECIDO, MAL RESOLVIDO

Por Eduardo Louro 


 


Dizia-se que o Ministro da Economia andava desaparecido. E ouvia-se responder que estava a trabalhar. A trabalhar muito, sem abandonar o ministério, à procura de soluções para a nossa pobre economia, presume-se.


Entretanto, por necessidade ou por disponibilidade – vá lá saber-se –, o ministro apareceu. Como apareceu com programas e projectos para tanta coisa podemos concluir que aquele recolhimento deu os seus frutos, e que apareceu agora para os comunicar.


Tenho algumas dúvidas que assim tenha sido. Não é por nada, é apenas porque ele apareceu a dizer o que todos os seus antecessores disseram. E como é fácil de ver, para descobrir o que os outros já tinham descoberto, não era preciso tanto recolhimento. E depois, logo a seguir, percebemos que tanto recolhimento afastou-o da realidade. Esqueceu-se que não há dinheiro!


Mas, como os seus antecessores, veio anunciar dinheiro e mais dinheiro para cima dos problemas. São 100 milhões para um programa para desempregados há mais de seis meses, são apoios à internacionalização das empresas e são alterações ao capital de risco público para financiar isto tudo. E são duas linhas de velocidade alta para levar daqui os nossos produtos, de comboio, depressa e bem. Quantos milhões? Não se sabe, mas talvez os mesmos do TGV, ou por aí perto…


Eu bem desconfiava que naquela conversa de Madrid, quando ele disse que a decisão sobre o TGV seria anunciada em Setembro, havia gato escondido com rabo de fora. Os dinheiros de Bruxelas vêm à mesma, seja para TGV ou para outra coisa. Desde que meta carris, e os comboios que lá têm para nos vender, o dinheiro vem à mesma. E a parte que nos toca logo se vê. Até porque havia muitas indemnizações para pagar…


E anunciou um grande investimento de uma das grandes multinacionais. Mas nada mais disse, é segredo. E há afinal muita gente interessada em investir em Portugal… Já não vêm é a tempo de nos ajudar a resistir ao agravamento da depressão no próximo ano!


 


 

AGRICULTURA E DISTRIBUIÇÃO

Por Luís Fialho de Almeida


 


Na actual situação económica e de futuro incerto, é fundamental assegurar as necessidades básicas, nomeadamente a produção de bens alimentares e a sua distribuição junto dos consumidores, para que estes lhes tenham acesso a preços justos, com a garantia de qualidade e de segurança alimentar. Por isso, volto a falar do sector primário, que aliás está na ordem no dia e foi tema dominante no Prós e Contras da RTP 1 do passado dia 19, agora com representantes da produção, da distribuição e do poder político.


A produção, hoje dependente da grande distribuição para chegar ao consumidor, não se vê compensada do seu esforço e reclama clareza e equidade na distribuição do rendimento na cadeia de valor. Neste processo, sabemos que os organismos próprios do estado não deviam ficar alheios e inactivos e, sabemos também, como foi referido, que as margens de lucro das grandes superfícies subiram de 15% para 30%. Do ponto de vista das economias de escala a concentração de serviços é benéfica, mas da excessiva concentração e do efeito de monopólio não seria de esperar outra coisa. Como dizia o outro: “é a economia burro”!


As grandes superfícies asseguram cerca de 85% da distribuição do que consumimos e, a crer nos anúncios diários e permanentes com que as duas principais cadeias de distribuição nos massacram todo o santo dia, defendem a produção nacional. Mas ficamos a saber que a fruta do pomar nacional, o pescado das nossas águas e muitos outros produtos nacionais não representam mais de 50% dos congéneres que vendem. E que contínua a não haver qualquer restrição à importação, nomeadamente através do agravamento da taxa do IVA para produtos importados, que o são, em muitos casos, de países que utilizam mão-de-obra ao nível da escravatura e sem encargos ambientais.


A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição – APED, desvia a atenção para o facto de termos um parque de distribuição ao nível do que de melhor há no mundo, e do que isso representa em termos de modernidade e de criação de postos de trabalho. Obviamente que o esmagamento das margens de lucro de quem produz e os postos de trabalho que se perdem na produção e na pequena distribuição, passa a assunto secundário.


Do ponto de vista da modernidade do sector da distribuição, outros países preferem ser menos modernos mas mais competitivos, mantendo uma diversidade de estruturas, deste da loja de bairro à grande superfície, reconhecendo nas pequenas e médias empresas, forte potencial para a vitalidade económica dos respectivos países. No exemplo inglês, o estado está empenhado em ajudar as pequenas e médias empresas e, entre outras medidas, produz legislação em matéria económica, ouvindo previamente e de forma eficaz os representantes dessa mesmas pequenas e médias empresas.


Pelo nosso lado, e nesta matéria, seremos dos mais modernos do mundo, mas eventualmente mais pobres e, aparentemente, mais felizes, induzidos por uma publicidade a tornar-se doentia, mas usufruindo nos espaços comerciais de um clima de festa, com muita cor, musica e ambiente climatizado, que nos picos de Verão e de Inverno dão jeito para matar o tempo e, porque no fundo, até gostamos de ser seduzidos e tentados pelo consumo.


O actual poder político, representado pela jovem ministra Assunção Cristas, prometeu, tal como fizeram os seus antecessores, sentar à mesma mesa os diversos sectores. Mas é pouco, como se tem revelado, como é pouco colocar a tónica do ministério na gestão do PRODER e na afectação dos fundos financeiros comunitários e nacionais ao sector primário. Qualquer sector que tenha escoamento da produção e a remuneração compensadora do seu esforço, será investidor e inovador, mesmo sem grandes recursos financeiros externos. O exemplo dos jovens agricultores no debate foi claro, e serve também para o Sr. Presidente da Republica, preocupado que diz estar com a falta de jovens na agricultura (2% com menos de 35 anos). Mais do que recursos financeiros, faltam políticas para o sector ajustadas à nossa realidade.


É pertinente assumir a necessidade de remunerar o serviço que os agricultores prestam á sociedade, nomeadamente em matéria alimentar e ambiental. Mas também a necessidade de outros modelos de distribuição alimentar, já que este cresceu desmesuradamente e não nasceu naturalmente da fusão do retalho. E ainda a necessidade de conhecimento, como gerador de inovação e desenvolvimento, já que o Estado tem deixado cair as estruturas de investigação e de experimentação, deixando os agricultores entregues à sua sorte e na dependência do que o mercado vende.


Se o poder político continuar a dar importância ao sector, apenas no programa e no discurso mas não na atitude, então que dedique antes particular atenção ao controle do défice, coisa que também não tem feito, atendendo que só o défice com a Madeira (5.8 mil milhões), BPN (4.5 mil milhões) e Administração Local (7 a 8 mil milhões), para não falar da REFER, CP, RTP, parcerias público privadas e muitas outras situações - que se conhecem ou ainda por descobrir - dariam para cobrir o défice alimentar (3.5 mil milhões o que importamos anualmente com alimentos), durante cerca de 5 anos.


Da análise do que tem vindo a debate, particularmente importante para a tutela política e para salvaguarda da reserva estratégica alimentar do país, há que tirar conclusões lúcidas e tomar medidas sensatas, coisa que os hipermercados não vendem.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

SATÉLITE, VAQUINHAS E BURACOS

Por Eduardo Louro 


 


Parece que ainda ninguém sabe onde acabou por cair o satélite da NASA, de 6 toneladas, e que responde pelo nome de UARS.


Fazia-me alguma confusão - mesmo alguns arrepios - pensar num monstro de 6 toneladas a cair algures, fosse lá onde fosse. Seria um azar do caraças se aquilo caísse num qualquer aglomerado populacional, mas nunca se sabe. Depois lembrei-me que poderia cair numa ilha, e isso é que seria um buraco… Ou ilha ao fundo!  


Primeiro ouviu-se dizer que teria caído algures em África. Boato! Garantem agora que caiu lá para os lados do Pacífico, e que algumas peças terão atingido o Canadá.


Foi um alívio. Só de pensar o que seria daquelas vaquinhas que riem, todas atrás umas das outras a fazer as delícias do nosso presidente, se tivesse caído no meio do Atlântico… Ou das obras que seriam destruídas ainda por inaugurar. Que buraco!


Ah! E sabem o que é que o UARS andou a fazer lá por cima antes de se estatelar? Andou por lá uns 20 anos a medir a química da parte superior da atmosfera e serviu para medir um buraco. O do ozono, claro!


Vamos a ver se o outro, por cá, será medido em menos tempo. Já percebemos é que não o será até ao próximo dia 9


 

domingo, 25 de setembro de 2011

DEMOCRACIA E LIMITAÇÃO DE MANDATOS

Por Eduardo Louro 


 


Quando a Madeira já chegou à Madeira discute-se a falta de uma disposição de limitação de mandatos. Houvesse limitação de mandatos e há muito que Jardim teria deixado de brincar connosco, diz-se. Ou teria ido pregar para uma outra qualquer freguesia, eventualmente com muito menos brinquedos!  


Num país que foi outrora pátria de amanhãs que cantam há uma democracia com limitação de mandatos. A presidência daquela República está limitada a dois mandatos de quatro anos, como mandam as boas regras da democracia!


Alguém neste país terá provavelmente entendido que os mandatos eram curtos, que quatro anos é pouco tempo para executar obra e construir a felicidade do povo. Foi decidido aumentá-los para seis anos, a nova periodicidade do próximo mandato. É aceitável e já assim é nalguns países, que não são menos democráticos por isso.


Este país de que vos falo é, como já terá dado para perceber, a Rússia. Que vai a eleições presidenciais em Março do próximo ano, que também já foi o país dos czares, e que, desde a queda do império soviético, descobriu uma democracia muito particular: a czardemocracia!


É simples: o czar é primeiro entronado e depois eleito. A seguir escolhe um secretário e, como bom czar que é, nomeia-o primeiro-ministro. Esgota os seus mandatos e troca com o secretário: passa ele a primeiro-ministro e manda votar no secretário para a presidência que, esgotados os dois mandatos, lhe devolve de novo a presidência, entretanto com mandatos constitucionalmente mais alargados. Tudo constitucional. Tudo democrático, tudo decidido pelo povo eleitor!


Houvesse limitação de mandatos nas regiões autónomas e teria sido o Alberto João a descobrir esta fórmula mágica da democracia, roubando a patente a Putin. O Mr Dupont e o Mr Dupond seriam Vladimir Alberto João Putin e Dimitri Jaime Ramos Medvedev!


Quando as coisas são como são e o povo é como é, isso da limitação de mandatos, como diria a outra, não interessa nada!


 


 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Futebolês #94 JOGAR PARA O RESULTADO

Por Eduardo Louro


  


O jogo joga-se, evidentemente. Enquanto se joga vai-se construindo o resultado do jogo e, no fim, lá estará o resultado final. Dito assim, jogar para o resultado parece não fazer muito sentido. Ou é um pleonasmo ou um absoluto non sense!  


Mas, como por aqui se tem abundantemente demonstrado, o futebolês tem esta particular vocação de dar sentido ao que não parece tê-lo e de deixar claro o que parece ininteligível.


A essa coisa de o jogo se ir jogando e no final lá estar o resultado, o futebolês também dá nome: chama-lhe jogar o jogo pelo jogo. Não fosse em futebolês e aí estaria mais um non sense!


 Do que ficou dito se percebe que jogar o jogo pelo jogo é uma coisa. Outra é jogar para o resultado. Jogar o jogo pelo jogo não significa desprezar o resultado porque esse, evidentemente, é sempre e incondicionalmente o mais importante do jogo. Ninguém se importa muito se a sua equipa jogou bem – embora seja naturalmente sempre preferível a jogar mal –; importa é ganhar! Daí que jogar o jogo pelo jogo seja uma expressão rara na linguagem dos adeptos e frequente na dos treinadores … Mais frequente quando perdem. Quando dizem que viemos jogar o jogo pelo jogo, sem nada a perder é porque … perderam! Se ganharam não vieram jogar o jogo pelo jogo, vieram com ambição de ganhar!


Por isso, e sem tretas, toda a gente joga para o resultado. Com as armas que cada um tem, como é natural. Uns jogam para o resultado com anti-jogo, com matreirice e a chutar a bola para onde estão virados. Outros com nota artística, como Jorge Jesus gosta de dizer.


Foi, de resto, o que fez neste jogo do Dragão com o Porto. Jogou para o resultado – e nem sempre com nota artística -, jogou claramente para o empate quando, com outra postura e nas actuais circunstâncias deveria ter jogado para ganhar.


O que o Benfica fez é aquilo que, em futebolês, uns dizem correr atrás do prejuízo e, outros, correr atrás do resultado. A perder, o Benfica tomou a iniciativa de jogo – mais uma expressão futebolesa - e correu à procura do golo. Não se julgue que esta afirmação decorre apenas da reacção aos golos marcados, naquela atitude típica de recuar a equipa depois de marcar. Se na primeira vez que chegou ao empate não houve sequer tempo para perceber a reacção táctica – o Porto regressou à vantagem dois minutos depois – já após a marcação do segundo golo se percebeu uma atitude de recuo, bem expressa com a entrada de Matic para a saída de Cardozo, num momento do jogo em que o Benfica estava claramente por cima. Competia-lhe a ambição de acentuar essa conjuntura de superioridade. Como lhe teria competido entrar de outra maneira no jogo e não ter permitido que o Porto dominasse como dominou a primeira parte. Não que tivesse entrado com medo – não se percebeu isso, como se percebeu noutras ocasiões – mas porque ficou claro que, querendo, poderia estar por cima do jogo. Poderia ter mandado claramente no jogo em vez de, simplesmente, o pretender controlar. Lá atrás!


Mas este foi um jogo bem diferente dos dos últimos anos. Bem diferente dos do ano passado, com bolas de golfe, pedras e isqueiros a voar para o relvado. Foi anunciado que estaria por lá gente da UEFA. A observar o árbitro, mas, já que lá estavam, observariam o que lhes fosse dado a observar…


Esperemos que não tenha sido por isso que este tenha sido um jogo normal, sem incidentes e bem longe do clima de terror que tem marcado os últimos jogos do Benfica no Dragão. Gostaria de acreditar que tenha sido porque as coisas mudaram mesmo, mas as declarações do treinador e dos jogadores do Porto no final do jogo não mo permitem. Até pela forma como se viu terem sido ensaiadas!


Quando o Fucile passou todo o jogo a teatralizar simulando agressões, aproveitar uma dessas ocasiões - que o árbitro, por ser já a terceira ou quarta, puniria com um amarelo – para reclamar da arbitragem e do resultado não passa de mais um dos habituais incêndios em que alicerça a sua estratégia de jogar para o resultado! Ou de construir resultados…


 


 


 

COMO PILATOS, OU TALVEZ NÃO

Por Eduardo Louro 


 


Ontem, numa prisão do estado americano da Georgia, foi executado o cidadão norte-americano Troy Davis que, durante os mais de vinte anos que passou no corredor da morte, jurou a sua inocência na morte de um polícia à paisana, em 1989, de que era acusado. Sucederam-se os recursos, os apelos e as petições, e as provas irrefutáveis nunca apareceram – arma do crime, que nunca foi encontrada, impressões digitais, etc. –; mas a sentença permaneceu, implacável, até à sua execução. Ontem!


É chocante. Porque a pena de morte choca e porque choca ainda mais numa sociedade como a americana, esse farol da liberdade e da democracia apontado ao mundo e paradigma de civilização e do desenvolvimento. Mas também pela frieza de uma pena de morte aplicada numa condenação sem objectivas e irrefutáveis provas de culpa.


Várias foram as personalidades que pediram clemência e reclamaram o indulto desta pena: actores e actrizes de HollWood, o ex-presidente Jimmy Carter e até o papa Bento XVI. O presidente Obama, chamado a intervir, fez como Pilatos. Que não tinham nada a ver com aquilo, que era assunto do Estado da Georgia e não da competência do seu poder federal!


Não sei quantas pessoas terão sido executadas durante o mandato de Obama, mas sei que a esperança que o mundo depositou em Obama não encaixa nesta indiferença. Sei que o Obama que lava as mãos desta maneira nãos a pode voltar a mostrar ao mundo. Porque estão sujas!


Hoje, na assembleia-geral da ONU, a Palestina pede o reconhecimento do seu Estado como o 194º membro da Organização. É minha convicção que, no actual momento histórico e sem me deter em argumentações que seriam fáceis de encontrar, porque esse não é agora o objectivo,  seria fácil votar este pedido de adesão, um dos maiores, se não os maior, contributos para a solução do eterno problema do médio oriente que, como todos já percebemos, há muito que deixou de se limitar àquela zona do globo.


Mas os EUA não o permitem e Obama veio explicar que é preciso negociar primeiro. Não diz é o que é há a negociar quando, como todos sabemos, o que está em causa são os colonatos que Israel instalou e que continua a instalar. E que, enquanto contar, como conta, com a protecção americana, continuará a expandir sem nada negociar.


Quando Obama anuncia o veto e diz que preciso, primeiro, negociar, está a lavar as mãos, exactamente como fez perante a execução de Troy Davis! E, como aí, a trair a esperança dos que vibraram com a sua vitória eleitoral há apenas três anos!


Há três anos o mundo elegeu Obama. Pode ser que daqui por pouco mais de um ano os americanos o reelejam!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

EM ESTADO BIPOLAR

 Por Clarisse Louro *


 


Às vezes acontecem dias destes em que balançamos entre a tristeza e a alegria, entre o mau e o bom humor, entre a ansiedade e a paz tranquila, entre o desespero e a esperança.


Hoje é um desses dias. Na ordem do dia está o buraco da Madeira com toda a legião de discursos deprimentes que, como a própria ilha, lhe são adjacentes.


A começar pelo discurso do próprio Alberto João Jardim. Se sempre foi absolutamente impróprio para consumo agora, quando o mínimo que se exigiria seria algum decoro e algum recato, é verdadeiramente vergonhoso. Percebe-se que resulta, como sempre resultou. Percebe-se que o mestre da demagogia e do populismo está a abusar desses trunfos para radicalizar e dramatizar o discurso, usando registo que melhor domina para colocar o jogo no campo onde se sente como peixe na água. E percebe-se que o eleitorado não estará em condições de o julgar e que a democracia sairá penalizada.


A continuar no discurso ambíguo ditado por uma bacoca solidariedade partidária vocacionada para uma indisfarçável tentação de branqueamento, e passando pelo discurso de arremesso de quem está cheio de telhados de vidro. Contribuindo, todos, para reforçar aquele reduto de demagogia e populismo onde Jardim ergue as suas trincheiras, afinal as trincheiras onde todos se arrumam para que nada de substancial mude.


Mas é também o dia da reabertura das aulas no Instituto Politécnico. Já se nota outra cidade, mais viva e mais rica pela vida que estes milhares de jovens lhe empresta. Jovens em quem entusiasticamente acredito. Jovens com muita qualidade, ao contrário do que por aí se diz, e que bem podem garantir o futuro deste país.


Para além dos que conheço por força da minha actividade profissional tenho ainda muitas outras oportunidades de continuar a percepcionar a qualidade da nossa juventude. Desde logo como mãe, pelo que vejo nas minhas filhas e pelo que vejo através delas, do seu desempenho e pelo de muitos dos seus colegas e amigos. Mas também como membro da comunidade Rotary – particularmente atenta aos jovens e aos seus desempenhos - onde tenho o privilégio de conhecer e contactar com jovens verdadeiramente excepcionais, como os que vamos agora homenagear no Rotary Club de Porto de Mós.


Como Samuel Martins, um jovem já laureado com diversos prémios nacionais e internacionais, Licenciado em Engenharia Física Tecnológica com 19 valores pelo Instituto Superior Técnico (IST) e Doutorado (aprovado com distinção) em Física Computacional pelo mesmo IST e pela University of California Los Angeles e quadro (Associado Senior) de uma das mais prestigiadas consultoras internacionais – a Mackinsey.


Claro que com jovens destes temos mais razões para acreditar no nosso futuro, no futuro desta nossa tão maltratada terra. Mas temos ainda mais razões para nos envergonharmos do país que lhe deixamos. Um país onde muitos deles não irão caber!


Algo de muito errado se passa quando um país consegue formar gente desta qualidade e, depois, não tem lugar para eles. Algo de muito errado se passa quando um dos países que mais gasta em Educação forma gente para exportar.


Algo de muito errado se passa quando é gente muito medíocre que diz a gente desta qualidade que o país não conta com eles…Ou que eles não contam para o país… Ou que lhes fecha as portas na cara…


Pois é. Por mais voltas que dê não consigo largar este meu estado bipolar! Tão bipolar como este Estado que faz destas coisas!


 


* Publicado hoje no Jornal de Leiria


 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A ENTREVISTA DO PRIMEIRO MINISTRO

Por Eduardo Louro    


 


Gostei de ouvir o primeiro-ministro, quero dizer, gostei da maior parte do que ouvi. Há muitas coisas que não ouvi e que gostaria de ter ouvido. Mas como não ouvi…


Gostei de ouvir o que disse sobre Alberto João Jardim e a Madeira, gostei de ouvir o que disse do TGV e gostei de ouvir o que disse da TSU, aqui sim, uma novidade. Já não gostei de ouvir o que disse da RTP, nem das restantes privatizações, embora nada do que disse tenha sido novidade.


Sobre a Madeira foi claro, claro como nunca ninguém havia sido. Também nunca se tinha chegado tão longe, é verdade. Mas, em perfeita igualdade de circunstâncias, compare-se com o Presidente...


Acabou com as dúvidas que o ministro da economia tinha permitido sobre o TGV. Percebemos que está ali uma solução que não é tão radical como se anunciara, que há ali pontes para unir interesses. De cá, de Madrid e de Bruxelas… Não há TGV mas também não acabou esse mundo!


Não há a redução da TSU que o memorando da troika previa, com compensação fiscal através dos aumentos do IVA, como muito boa gente vinha defendendo e que me causava verdadeiros arrepios. Mas há – poderá haver – redução da TSU para as empresas que criem emprego. Isso sim, faz sentido!


Justificou a privatização da RTP com o colossal volume de despesa da estação pública, mas avança com uma opção de privatização que não faz sentido: privatiza o que gera receitas para manter a despesa em poder do Estado. Mantém a despesa e mantém uma estrutura assente no compadrio partidário!


É certo que não esperava novidades sobre o calendário de privatizações já tornado público. Mas não me parece bem que se avance com a privatização das principais participações do Estado nesta conjuntura altamente negativa e complexa. Não é esta a altura para vender posições como as da Galp ou da EDP. Ou para vender empresas como a REN, a TAP e a ANA. Parece-me mal a anunciada receita esperada de 7 mil milhões de euros. Mal por ser anunciada e mal, muito mal, por ser escassa. Dá para pagar uns juros, nada mais. Lembramo-nos bem que esse foi o valor por que a PT vendeu a sua posição na VIVO à Telefonica. É pouco, não é?


Evidentemente que não me surpreendo com a possibilidade de ter que voltar a negociar com a troika. O primeiro-ministro é realista ao prevê-lo e é sério ao admiti-lo já. Mas não o devia dizer!


 

ESTAMOS FALIDOS! AI ESTAMOS... ESTAMOS ...

Por Eduardo Louro


 Soares dos Santos: "Estamos falidos" (DE)


Estamos falidos! Este homem não pára de nos surpreender…


Vejam só a profundidade: “Estamos falidos e quando se está falido, está-se falido. Não vale a pena andar-se a discutir…”


Pelo que se vê acho que o verbo deveria ser outro. De Janeiro a Janeiro. E rimava!


 


 


 


 

ESTRANHO SILÊNCIO

Por Eduardo Louro


 


Enquanto o Tribunal de Contas descobria mais um buraco de 220 milhões na Madeira – o verdadeiro buraco apenas será conhecido no pós Jardim, seja lá isso quando for – o Presidente da República reuniu-se ontem com o Primeiro-ministro. Para falar da Madeira, como foi anunciado e como não poderia deixar de ser!


Nada se soube. Já tínhamos ouvido o chefe do governo sobre a matéria - ainda esperamos para ver o que se irá passar na campanha eleitoral – mas do Presidente não tínhamos ouvido uma palavra. E continuamos sem ouvir…


É bem capaz de aproveitar a visita a algumas ilhas dos Açores para, agitando bem, misturando e embrulhando e voltando a embrulhar, se referir ao assunto. Mas fica tarde! E trapalhão!


Estranho silêncio este. É o Presidente regressado ao Sr Silva…


 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

FPF

Por Eduardo Louro


 


Fernando Gomes é candidato à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). É Pinto da Costa no seu melhor!


Enquanto Godinho Lopes – o Sporting também no seu melhor – para se negar a apoiar o seu antecessor Filipe Soares Franco anunciava o apoio a quem nem sequer candidato era, com Luís Filipe Vieira atado a um pseudo-calculista Fernando Seara, que não ata nem desata e que anda sempre atrás dos acontecimentos, Pinto da Costa, enquanto ia dizendo que não tinha nem queria ter nada a ver com isso, arregimentava as tropas para estenderem a passadeira ao seu óbvio candidato. De passadeira estendida, Fernando Gomes limita-se a pisá-la...


Diziam que, como sempre no passado, Pinto da Costa “apenas” estaria interessado na comissão de arbitragem e na comissão disciplinar… Não, não ele quer tudo. A melhor maneira de mandar naqueles dois órgãos vitais é mesmo mandar em tudo! É que agora as coisas são ligeiramente diferentes, e só Fernando Gomes lhe garante o pleno.


Isto não é para amadores!

domingo, 18 de setembro de 2011

DIZ-SE QUE

Por Eduardo Louro


  


Alberto João Jardim poderá vir a ser processado criminalmente. Quem o diz é Marcelo Rebelo de Sousa!


Eu também acho e acho mais: acho que deve, e que teria que ser! Mas também sei que não vai passar-se nada… Tão certo como ele voltar a ganhar as eleições com uma maioria ainda maior!


Estou é com uma curiosidade do tamanho do buraco para ver quem é que vai aparecer na campanha eleitoral ao lado dele. É que o Passos Coelho está anunciado… Mas amanhã vai falar com o Presidente…


 


 


 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Futebolês #93 VAGABUNDO

Por Eduardo Louro


  


Vagabundo é alguém que não leva uma vida certinha claramente sedeada e centrada na sua casa. É alguém que vagueia de rua em rua ou de lugar em lugar. Um nómada, sem casa e sem abrigo, que vive de pequenos trabalhos que encontra. Ou de esmolas, variante então conhecida por mendigo, mais fixo e menos itinerante.


Pelo que se vê a condição de vagabundo não será das mais lisonjeiras. Mas piora bastante quando se passa da dimensão mais ou menos objectiva do dicionário para uma dimensão conceptual mais alargada. Aí o termo ganha contornos de verdadeiro insulto, atingindo o seu apogeu no Brasil, onde vagabundo é mesmo do piorio!


Por cá, mesmo não sendo tão chocante, não é epíteto recomendável: não deixa de ser um vadio que passa pelo lado de fora da sociedade, um marginal! Nem mesmo indo procurar um sentido romântico – o gosto pela aventura, pelo risco e por experiências novas ou a ânsia de viajar e conhecer mundo – se consegue esconder, ou mesmo disfarçar, o lado sombrio do vagabundo. Sempre ligado à exclusão e à pobreza muito antes de lhe descobrir qualquer lado romântico!


Precisamente o inverso do que acontece no futebolês, onde os vagabundos são normalmente os mais fascinantes, os mais interessantes, os mais românticos e até os mais ricos. Quase sempre ricos, eventualmente bonitos e, sempre, grandes jogadores, precisamente os atributos que Cristiano Ronaldo reivindicou para si próprio esta semana, dentro da sua já habitual modéstia.


Uma equipa de futebol obedece, cada vez mais, a uma forte cadeia de comando assente numa disciplina forte, mesmo espartana. Os treinadores exigem que os jogadores cumpram as instruções que lhes fornecem, aquilo a que gostam de chamar disciplina táctica. Não se cansam de exaltar a disciplina da equipa e de invariavelmente lhe atribuir os louros do sucesso. Não admira, porque com isso estão a valorizar-se a si próprios. Ninguém está disposto a deixar os seus créditos por mãos alheias, a deixar para os outros aquilo que quer fazer seu, e os treinadores não fogem a essa regra. Se os objectivos foram atingidos o mérito é seu: os jogadores cumpriram à risca as instruções que levaram para dentro do campo - dizem invariavelmente! Ou fomos rigorosos e disciplinados.


Esta disciplina corresponde à antítese do vagabundo.  Agarra o jogador à sua casa, na circunstância a sua casa táctica, o espaço natural onde o treinador o obriga a viver. Mas há sempre espaço para o vagabundo, o jogador que tem um estatuto que obriga o treinador a libertar-lhe as amarras. O jogador que não quer nem precisa de casa, de que conhece apenas a porta de saída!


A condição de vagabundo é genética, e a mais apetecida. Nasce com o jogador, quando se vê jogador já se sente vagabundo. Depois há os que justificam essa condição e a impõem a quem quer que seja e os que, pelo contrário, se querem vingar naquela vida têm que abandonar aquele lado rebelde e tornarem-se autênticos meninos de coro. Nem pensar em xixi fora do penico!


Mesmo assim ainda são muitos os que ousam explorar os caminhos da rebeldia – a maioria das vezes mal sucedidos - e poucos os verdadeiros e consequentes vagabundos. As grandes equipas têm naturalmente lugar para um vagabundo, daqueles mesmo à séria. As médias, mais porque querem imitar as grandes que por outra razão, entregam esse estatuto a um ou outro mais rebelde. Só as pequenas, os mais humildes, é que, ironicamente, não têm vagabundos: não se podem dar a esses luxos, ali é mesmo para cada um cumprir rigorosamente o que lhe está destinado pelo treinador.


Rebeldes, ou simples atrevidos, há muitos. Vagabundos é que não! Vemos um em Barcelona – Messi, pois claro – que até parece rodeado de alguns rebeldes. Pura ilusão, apenas habitam casas maiores. Não saem de casa, não senhor! E vemos outro em Manchester, Rooney, que acaba precisamente de conquistar esse estatuto. E está a levar isso tão a sério que até já tem cabelo, pronto a crescer para lhe dar style! Em Madrid, onde ainda há poucos anos morava um dos maiores (Zidane, evidentemente), Cristiano Ronaldo não é exactamente um vagabundo, não que alguém lhe negue esse estatuto. É mesmo ele que, de tão disciplinado que é, tem dificuldade em adaptar-se ao papel.


A verdade é que estas são as três melhores equipas do mundo. E teremos muita dificuldade em encontrar mais vagabundos.


 


 

O REGABOFE DE JARDIM

Por Eduardo Louro


 


O Banco de Portugal e o INE revelaram um buraco superior a mil e cem milhões de euros nas contas da Madeira, que o Jardim andava a esconder desde 2008.


A notícia está a correr mundo que, enquanto pergunta como é possível, apresenta um Alberto João Jardim como um rebelde que brinca com o seu partido e com os portugueses. Como é possível - agora pergunto eu - que um tipo destes goze (é o termo exacto, ele goza com todos nós) com todos nós durante tantos e tantos anos?


O buraco da Madeira, descoberto nos últimos dias, já vai em mil e seiscentos milhões de euros. Isto é, depois do que todos anos extorquiu (é também o termo certo) do orçamento nacional, e depois de um dívida que ninguém quer quantificar - o próprio Jardim diz que não sabe nem quer saber, e a maioria parlamentar recusou um pedido de auditoria externa - mas que se diz ultrapassar os 8 mil milhões de euros, aparecem agora mais 1,6 milhões para pagar. É esta a factura do regabofe de Jardim nos últimos quase 40 anos!


Perante isto Jardim faz de tolo. Não há problema nenhum, o problema é que há eleições, diz com a irresponsabilidade que lhe alimentaram. Passos Coelho limita-se a dizer que é grave mas que é um problema do PSD Madeira, do governo regional e dos madeirenses. Que não é um problema do governo nacional! Nem do PSD nacional! O Presidente da República – o Sr Silva, lembram-se? - diz que é um problema que o governo está a tratar. Sem mais!


Isto está bonito…


 


 


 

EUROBONDS E PROBLEMAS DE COLUNA

Por Eduardo Louro


 


A discussão sobre as eurobonds já vai longa, tão longa que vai chegar atrasada, apesar de o nosso primeiro-ministro, ao ensaiar a explicação do inexplicável, afirmar categoricamente que a questão não é para se colocar agora.


As chamadas eurobonds – dívida europeia, títulos do tesouro comuns, em substituição da dívida de cada um dos países membros - que cada vez mais gente defende como a única forma de começar a atacar o problema do financiamento das economias da união e de salvação do euro, interessam, em primeira análise, aos países que estão com problemas com as respectivas dívidas soberanas – que são cada vez mais, como se vem vendo – e não interessam aos que (ainda) não têm dificuldades de financiamento. Uma dívida comum misturaria bons, médios e maus devedores, isto é, misturaria os triple A das notações de risco, com os doble A e os lixos, como é o nosso caso. A taxa de juro resultaria disto mesmo, beneficiando largamente Portugal e penalizando a Alemanha. E a Suécia, e a Finlândia…


O recurso a esta solução há um ano atrás, por exemplo, - e já nem seria pedir muito em termos de liderança e de capacidade de antecipar os acontecimentos, pois teria já sido depois da falência da Grécia – teria sido muito eficaz e evitado muitos problemas. O primeiro, como é bom de ver, seria o das taxas de juro. Que seriam bem mais leves, penalizando bem menos, também, os países mais fortes. O que quer dizer que as suas opiniões públicas não ofereceriam, nem de perto nem de longe, a mesma resistência à sua implementação. Hoje, como é igualmente bom de ver, com a degradação deste último ano – Grécia, Irlanda e Portugal intervencionados, Espanha e Itália lá bem perto, e mais uns tantos com as barbas de molho – as taxas de juros serão já bem menos interessantes. Foi mau para todos, para os que têm problemas porque ganham bem menos com a solução e para os que os não têm porque perdem bem mais!


Tarde, e a más horas, mas a questão continua em cima da mesa, não se vendo qualquer alternativa. As barricadas erguidas de um lado e de outro da discussão não se podem resumir às que resultam dos interesses mais primários de cada uma das partes: alemães e nórdicos porque perdem e os outros porque ganham. Há uma outra barricada onde todos cabem: é onde estão os que querem defender a União e a sua moeda, os que acreditam que este continente não tem futuro – nem sequer paz – se retroceder no processo de integração. Os que entendem que esta é a altura de avançar e não de recuar e que percebem agora que há que avançar a todo o vapor para a união política!


Nesta última barricada é que está o velho problema da construção europeia. As elites sabem que é ali que terão de estar, mas não sabem como convencer disso os seus eleitorados! Faltam lideres que não fiquem reféns dos resultados das próximas eleições, que não despegam umas das outras pelo calendário fora.


Finalmente a Comissão Europeia percebeu isto e acaba de afirmar, alto e em bom som, que é para avançar com as eurobonds. Durão Barroso anunciou-o no Parlamento Europeu e o aplauso geral dos deputados permitiu-nos medir a sua aceitação.


Merkel continua intransigente, com medo das eleições. Achamos que não está à altura das responsabilidades, mas percebemo-la.


O nosso governo, uma das partes mais interessadas, estava naturalmente a favor do recurso às eurobonds. Paulo Portas chegou até a manifestar-se de uma forma deveras peculiar:"eu, como português, obviamente estou interessado na ideia dos Eurobonds. Admito que se fosse alemão teria algumas dúvidas". Passos Coelho, contudo, mudaria de opinião logo que chegou a Berlim para se avistar com a chancelerina. Ninguém percebe como é que o chefe do governo de Portugal poderá estar contra e, por mais voltas que dermos, não conseguimos encontrar outra explicação que um grave problema de coluna vertebral. Questionado no parlamento, a resposta sairia atabalhoada e sem convicção. Própria de quem tem problemas de coluna!


O que lhe vale é que o Durão Barroso sabe bem o que isso é. Por isso desculpa-o, não tenho dúvidas!


 


 


 


 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

PLENO NA (LIGA) EUROPA

Por Eduardo Louro


 


O Sporting entrou em grande na Liga Europa, com uma vitória por dois a zero sobre o Zurique, nada que a sua história recente fizesse prever.


Para inverter o péssimo ciclo de resultados e exibições o Sporting recorreu à inversão de papéis. Fez de adversário, enquanto o adversário fez de Sporting. Já o árbitro fez de árbitro, nada mais.


Levou tão a sério esta inversão de papéis que, no equipamento, nem uma risquinha verde. Nada, só preto e branco! O resto foi fácil: foi marcar um golo daqueles que ninguém, excepto eles próprios, sofre. E aproveitar bem todas as oportunidades enquanto o adversário, à Sporting, ia mandando bolas aos ferros – duas no poste e uma na barra – e falhando golos uns atrás dos outros!


Não sei se terá alguma coisa a ver com este pontapé na crise, mas a verdade é que o Sporting tem agora um capitão daqueles que são autênticos líderes e exemplo para os colegas: João Pereira, nem mais!


Alguém imaginaria este índio das barracas (era assim que os lagartos lhe chamavam nos seus gloriosos tempos) capitão de uma equipa, qualquer que ela fosse? Não, mas do Sporting, é que nem a mente mais imaginativa e fantasiosa!


E alguém imaginaria que o Sporting fosse João Pereira e mais 10? Também não, mas parece que é mesmo assim!


O Rui Patrício é que não atina com os atrasos dos colegas. Seria bom que não levasse muito mais tempo a aprender que não pode jogar a bola com as mãos. É que nem todos acertam no poste, como já deveria ter aprendido em Paços de Ferreira!


Também o Braga fez jus à sua condição de último finalista da prova ganhando – aí sim, sem espinhas – aos ingleses da segunda divisão que tinham atirado com o Nacional para fora da prova. A superioridade do Braga apenas salienta as fragilidades dos madeirenses, bem evidenciadas neste início do campeonato.


Continuamos bem melhor nesta Europa que na outra!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

AGORA SIM, É A CHAMPIONS

 


 


Por Eduardo Louro


Diabos saem do Inferno com empate (SAPO) 


Grande noite na Luz. O regresso do Benfica à alta roda do futebol europeu teve de tudo – ou quase – para ser também o regresso das grandes noites europeias à Luz. Um adversário de grande categoria, um jogo bem jogado, com bom futebol por todos os lados, dois grandes golos e público e entusiasmo de braço dado. Como é bonito o Estádio da Luz cheio!


O resultado? Não foi mau, mas foi o pior de tudo… Um empate com o todo-poderoso Manchester United não é, nesta fase da prova, um mau resultado. Mas o jogo poderia ter dado mais ao Benfica!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

TSU, FINALMENTE!

Por Eduardo Louro


 


Andávamos nós ainda todos entretidos a discutir a bondade da redução da Taxa Social Única (TSU), já com toda a gente convencida, incluindo o ministro das finanças, que não é grande ideia quando, de repente, vem o FMI dizer que é para reduzir em oito pontos percentuais. Ponto final. Para que não haja dúvidas!


E dentro de dias terão cá uma equipa para cuidar que a medida fique mesmo no orçamento - que nos vêm ajudar a fazer - a apresentar em Outubro, para que não subsista qualquer dúvida sobre quem manda.


Mas mandam mal, como está mais que provado. Quando se andam anos e anos a mandar mal sujeitamo-nos a isto: a ser mandados de fora. Mal, à mesma, mas de fora. E sem piar!


Esta medida, que a troika aponta como a chave da competitividade da nossa economia, não resolve coisa nenhuma. Porque não tem expressão enquanto factor de redução de custos de produção.


É para aplicar à totalidade das empresas e não apenas às exportadoras. É para aplicar ao sector da distribuição e a todas as empresas que vivem à sombra da enorme bananeira que é o Estado, que as ajudam a fixar os preços dos bens e serviços, que exploram em regime de monopólio, como bem querem e lhes apetece.


Isto deverá retirar aos fundos da segurança social qualquer coisa como 3,2 mil milhões euros por ano, que terão que ser compensados de alguma forma. Diz-se que é no IVA. Cada ponto percentual de corte na TSU obriga a um acréscimo do dobro na taxa de IVA. Dois pontos percentuais,  dezasseis!


Agora imagine-se o que isso representa para a economia e na sociedade. No consumo. Na recessão. Na economia paralela. Na quebra de receita fiscal e no agravamento do défice. Que depois vão pretender compensar com mais impostos, voltando tudo ao início. Ao círculo vicioso!


Sei bem que virão uns entendidos dizer que é bom, porque reduz as importações. E com as exportações a aumentar ficamos com o défice externo resolvido. Coitados…


Bom, coitados é de nós!


 

MISS UNIVERSO

Por Eduardo Louro


 leila lopes miss universo 2011 miss angola (Foto: Divulgação)


Nunca liguei muito a concursos de Miss. De Portugal lembro-me apenas de um nome: Ana Maria Lucas. Desculpem, lembrei-me de outro: Ana Wilson, em 1982.


Da primeira, em 1970, lembro-me porque sim. Se calhar por na altura ter sido um acontecimento e, por isso e pela minha idade, ter capturado a minha atenção. Porque pouco depois casou com o Carlos Mendes, e eu achei que ele era um felizardo. Casar com uma miss não era para todos… E, sem dúvida porque, sem que nunca tenha percebido por que carga de água, ainda hoje não se fala de Miss Portugal sem falar de Ana Maria Lucas. Da segunda, da Ana Wilson, lembro-me porque é filha do velho capitão Mário Wilson – personalidade cara a qualquer benfiquista como eu – irmã do Pedro, que havia sido meu colega na faculdade e sobrinha do Guilherme, do Dr Guilherme Wilson, um amigo e colega de sardinhada, infelizmente já desaparecido. E sei que foi miss em 1982 porque foi quando nasceu a minha filha mais nova!


De Miss Universo é que não conheço qualquer nome. Tenho apenas a ideia – que nem sequer sei se tem assim tanta aderência à realidade – que a Miss Universo é, quase que invariavelmente, venezuelana. Mesmo sem ir fazer qualquer pesquisa – que poderia até contrariar esta minha tese, e depois era uma chatice - diria que a Venezuela lidera destacada o ranking de produtores de Miss Universo. Desconfio que tenha sido por isso que, ao que soube, Portugal tenha este ano concorrido precisamente com uma venezuelana. Não acredito que nós mandemos para lá Magalhães para que eles nos mandem beldades para cá. Nos negócios com exterior ficamos sempre mal, não era agora com o Chavez que mudávamos isso!


Vem tudo isto a propósito de a nova Miss Universo falar português e ser angolana – Leila Lopes, de 25 anos. Não sei se o Hugo Chavez terá passado o segredo para José Eduardo dos Santos – eles que têm tanto em comum … como petróleo, por exemplo – mas, francamente, eu não imaginava uma Miss Universo angolana. Não porque não haja mulheres bonitas em Angola, mas porque sempre me pareceu que para atingir essa qualificação ser bonita é apenas uma de muitas condições… Que pensava não existirem em Angola!


 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

MEMÓRIAS DO CONGRESSO DA AMNÉSIA

Por Eduardo Louro


 Ver imagem em tamanho real


E pronto. Foi mais um congresso do PS, o segundo em menos de 6 meses. Em cinco, o último – em que toda aquela gente se reuniu para exaltar Sócrates - foi há precisamente cinco meses. E no entanto parece que foi já há tanto tempo… Tanto que já ninguém se lembra!


Este congresso apenas não ficará na memória de toda a gente como o congresso da amnésia porque houve alguém que se lembrou de alguma coisa. Não fosse António José Seguro – que também já não se lembrava que tinha passado os três dias daquele fim-de-semana do princípio de Abril agachado atrás dos arbustos – lembrar-se de umas palavras de Almeida Santos há muitos anos e estaríamos a gora a falar de um congresso de esquecidos. E para esquecer!


Mas não, o novo líder guardara, bem e durante muitos tempo, umas palavrinhas do velho presidente para, agora e ali, lhas devolver: “Caro António, ainda vamos ouvir falar muito de si!” O que se faz por um elogio…


No último congresso elogios ao querido líder foi coisa que não faltou. Foi de mais, foi moléstia! Quem não se lembra do arrebatador Zé do António Vitorino? Desta vez o líder se os quis teve mesmo que deitar mão ao faça você mesmo. Nem que para isso tivesse que romper com a amnésia geral do congresso. E que prognosticar um grande futuro a Almeida Santos … o novo presidente honorário!


De resto, nem tudo foi mau. Ficamos a saber "que as pessoas estão primeiro" e que o PS recusa a política de soundbytes e da televisão. Como se viu logo no arranque...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Futebolês #92 BANANA

Por Eduardo Louro


  


Banana é fruta, como sabemos. E fruta, como também sabemos, entrou há uns anos no léxico do futebol e, daí, directamente para o futebolês. Como não podia deixar de ser…


Não sei se essa fruta tinha ou não banana, mas acredito que sim porque era fruta tropical. Que, sem banana, fica assim meio coxa. E fruta coxa não era a mais indicada para o efeito!


Há no entanto no futebol mais banana para além da fruta. Que não tem mesmo nada a ver com fruta e menos ainda com aquela fruta desse lado negro e batoteiro do futebol. Tem, pelo contrário, apenas a ver com o lado puro do jogo e com a sua incomparável estética.


Banana é aquele remate com a parte interior do pé que leva a bola a descrever uma curva. A curva da banana! É a curva inversa à da trivela, que já aqui trouxemos. É como uma irmã gémea da folha seca, de que também já falamos, e resulta num efeito espectacular pela forma como a bola contorna e ultrapassa os obstáculos que lhe tolhem o destino. Seja a barreira colocada à frente da baliza na cobrança de um livre ou apenas o guarda-redes que cobre por completo o ângulo, que é como quem diz que tapa o caminho mais próximo entre a bola e a baliza. Já sabemos da geometria que é uma linha recta a que determina a menor distância entre dois pontos. Daí a necessidade de recorrer à banana, porque o caminho mais curto está tapado!


Temos pois, no futebolês, banana na fruta da bandeja mais negra do futebol e banana como um dos mais espectaculares e eficazes gestos técnicos. E temos muitos bananastansos - no futebol!


O Capdevilla, por exemplo. Até poderá não ser exactamente um banana, mas não tenho dúvidas que se sente um banana. Eu fico apenas abananado: um tipo que é campeão do mundo e da Europa fica de fora por troca com o Jardel? Já não falo das outras contas, de estrangeiros e nacionais, e da formação. Essas ainda se aceitariam, embora se lamente que não tenham sido feitas mais cedo, no tempo próprio, antes, evidentemente, de negociar as contratações. Porque era nessa altura que se faziam contas: aos portugueses, aos da formação e aos outros. Ver capa do RecordAssim já não ficaríamos abananados com a inscrição do César Peixoto na Champions, que não está inscrito na Liga nacional e com quem o Benfica não conta. Mas que conta para as contas com que a UEFA se deixa enganar. Outro banana!


Ver capa da BolaQuem não é nada banana é Luisão. Que rima com espertalhão, o que quer dizer que há bananas por aí. É como uma moeda: se numa face está um espertalhão na outra está um banana!


Arranjou maneira de assegurar um ordenado do outro mundo até aos 35 anos. Ao que se diz pôs mais 600 mil euros por ano em cima do que já ganhava, que já de há uns anos a esta parte, sempre com a mesma estratégia, cuidava de rever anualmente. Agora não quer outra coisa que acabar a carreira no Benfica (pudera!), exalta a paixão de Jorge Jesus pelo Benfica e o carinho especial que tem pelo presidente. E, claro, aquilo que disse há dois meses quando regressou a Lisboa foi mal interpretado. Não era nada daquilo que queria dizer … e nós sentimo-nos um bocado bananas!


O Pedro Caixinha também me pareceu um bocado banana. A forma como pôs a equipa (União de Leiria) a jogar com o Porto é de um banana. Ou de outra coisa pior. Não esperou muito pela resposta e mandaram-no pregar aquele sermão - meio tolo e megalómano - para outra freguesia. Dentro de dias aí o teremos como comentador encartado nessas televisões todas, até porque houve um lugar que ficou vago.


Mas se tivesse que eleger o maior banana do nosso futebol não teria dúvidas: Ricardo Carvalho!


Não é um anjinho, é um banana!


 


 

PÍLULA

Por Eduardo Louro


 


É fantástica a forma como na sociedade portuguesa se reage às iniciativas de mudança.


Todos sabemos (saberemos?) o estado em que se encontra o país e da incontornável exigência de equilibrar as contas: públicas e privadas, de empresas e de particulares. É a impiedosa austeridade a impor os rigores da poupança, por iniciativa consciente e delirada, ou em consequência da quebra do rendimento disponível porque os impostos levam cada vez mais!


O governo, nesta missão (impossível?) de procurar equilibrar as contas públicas tem, sem dúvida, feito algumas coisas criticáveis. E tem, como exaustivamente aqui se tem repetido, comunicado mal. Começou por aumentar – algumas vezes brutalmente – impostos, sempre o mais fácil mas também, sempre, uma solução que se esgota. Levantaram-se todas as vozes, entre as quais esta, porque o governo, na senda de todos os que o antecederam e em particular o último, apenas tinha olhos para o lado da receita. A despesa, por falta de coragem ou por sobreposição de interesses, ficava de fora!


Depois – e mais uma vez por deficiente estratégia de comunicação – na passada semana começaram a surgir notícias de cortes - no caso na saúde - que implicavam directamente os mais sobrecarregados pelos aumentos dos impostos. Criticáveis portanto, e tanto mais quanto coincidiam com a eliminação da dedução fiscal das despesas com a mesma saúde e com a educação, esses então a atingir mesmo os mais sacrificados dos sacrificados em IRS.


Esta estratégia – que alguns defendem como um princípio de sagacidade política (fazer o mal todo de uma vez e distribuir o bem criteriosamente ao longo do tempo) – provocou uma onda de justificadíssima contestação: controlada e, por enquanto, limitada aos espaços de opinião. Só que esta contestação abre o caminho a outras. Umas legítimas e outras nem por isso! E, mais do que isso, abre o caminho à contestação a tudo, incluindo a medidas amplamente justificadas nas actuais circunstâncias, ou mesmo em qualquer outra.


É o caso das medidas ontem anunciadas pelo ministro da saúde – a verdade é que parece que, bem numas vezes e menos bem noutras, este é um dos poucos ministro a fazer pela vida – e, em particular, o fim da comparticipação da pílula contraceptiva. Uma medida que me parece perfeitamente razoável tendo em conta que ela é fornecida gratuitamente nos centros de saúde. Deixa de ser comparticipada em regime de livre aquisição – chamemos-lhe assim - na farmácia, mas há uma alternativa, por acaso mais favorável. Claro que este regime que agora deixa de ser comparticipado não dispensava a receita médica e uma consulta médica a pagar, circunstância que já levava grande parte das mulheres a adquiri-la sem comparticipação.


O que muda, portanto? Pouco. Muito pouco, mesmo na poupança! Mas é uma medida com o seu quê de pedagógico e de moralização que, a penalizar alguém, talvez apenas os laboratórios farmacêuticos, o mais forte dos lóbis que se mexem no sector!


Mas vimos reacções de todos os tipos e para todos os gostos. Umas apenas caricatas. Como, por exemplo a de Helena Roseta, para quem a medida representa um retrocesso de 40 anos no processo de emancipação da mulher, quando, se não estou em erro, a venda da pílula sem receita era precisamente uma das clássicas reivindicações das mulheres. E outras pouco responsáveis, como a da Ordem dos Médicos para quem a medida põe em causa o funcionamento dos centros de saúde. E há até quem veja os hospitais cheios com mulheres a interromper a gravidez…


O país, agora e mais do que nunca, precisa de distinguir o certo do errado, o fundamental do acessório, o útil do inútil. Para que não se meta tudo no mesmo saco faz falta um forte sentido crítico e dispensa-se a demagogia. Mas o que mais vamos vendo é uma crítica demagógica e arregimentada por preconceitos, ideológicos ou outros, e por opções político-partidárias que se misturam, confundem e abrem caminho para os que fazem exercício crítico na exclusiva defesa de interesses corporativos e de lóbi.


 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

CORTAR DESPESA

Por Eduardo Louro


 


A discussão do corte na despesa está na ordem do dia. Logo a seguir virá a desastrada comunicação do governo – sintomático é, indiscutivelmente, o sucessivo anúncio de grandes cortes na despesa para, na realidade, anunciar novos aumentos de impostos – que contribui para acentuar a percepção das suas dificuldades em atacar a despesa.


O tema, que tem sido aqui abundantemente abordado, ganha mais expressão nas palavras do ministro das finanças quando diz os cortes na “despesa precisam de tempo” ou que “é fundamentalmente diferente anunciar cortes na despesa ou efectivar cortes na despesa”. Mesmo dizendo-o em entrevistas confusas e pouco menos que desastradas - Mário Soares dizia ontem à noite, no Casino da Figueira, que não entende o que diz nem onde quer chegar este político ocasional, mas o que quer dizer é outra coisa – isso não deixa de ser verdade. Só que não é uma verdade de hoje…


Há menos de um mês – e este é apenas um exemplo – congratulamo-nos com o anúncio do encerramento da Parque Expo, uma medida que caberá num anunciado e esperado programa de acção sobre aquelas 14 mil entidades, entre sociedades, institutos e fundações, que foram descobertas nos últimos dias do governo anterior.


Hoje dou com uma notícia que dava conta que governo escolhera um novo presidente para a Parque Expo e fiquei incomodado. Olhei melhor e percebi que não era possível encerrar a empresa antes de 2013. Mas percebi mesmo!


Percebi ainda que o Conselho de Administração da Parque Expo tinha já concluído o mandato no ano passado. Era necessário substituí-lo. E, para aquela missão, conveniente! O governo convidou o director financeiro para presidir à nova administração, o que parece fazer sentido.


Aqui está um exemplo das dificuldades que há nestas coisas. Uma decisão que, apesar de implementada de imediato, leva mais de dois anos a concretizar. Nem todos os casos serão desta dimensão, mas estaremos a falar de um entre 14 mil casos… Mas isto, claro, não tem nada a ver com erros de comunicação. Nem com opções políticas! Nem com o facto de nada sabermos dos outros 13.999!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

UMA BOA ESCOLHA

 


Por Eduardo Louro


 


 


 


Maria de Belém Roseira será a presidente – não presidenta – do PS. Acho bem! 


Mais do que a primeira mulher a presidir ao PS… é uma senhora a presidir ao PS. Esteve bem António José Seguro nesta escolha e esteve bem a nova entourage socialista a confirmá-la. Belém fica bem no Rato! Também cor-de-rosa!


 


 


 


 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

ANTES DA ARQUITECTURA

Por Eduardo Louro


 


 


O Quinta Emenda quer dar as boas vindas a um novo blogue que acaba de nascer. Responde por Antes da Arquitectura, é feito por um arquitecto – o Ricardo Sousa Lopes - e, como o próprio nome indica dedica-se a isso mesmo: á Arquitectura!


Ao que diz, e ao que também o nome sugere, preocupa-se com o Antes da Arquitectura. Com a vida do projecto antes de o ser, com o que fica antes - ou atrás - dos primeiros traços!


Cá estaremos para o ir acompanhando. E votos de longa vida e de sucesso!


Convido-vos a dar uma espreitadela: façam favor, é por aqui!


 


 

POR ESTAS E POR OUTRAS

Por Eduardo Louro


 


As notícias que o Expresso tem vindo a divulgar sobre os serviços secretos da República impõem-nos a maior preocupação. Pelos factos divulgados, pela noção que nos dá de mais um Estado dentro do Estado – a falta de transparência na organização das estruturas de poder leva-nos a descobrir cada vez mais situações destas, de órgãos de poder acima da lei e de estruturas de poder impassíveis de escrutínio democrático – e, acima de tudo, pelo sentimento de impunidade que percebemos ter tomado conta da sociedade portuguesa.


Como se sabe, a figura central desta novela é, desde que foi estreada com o caso Bairrão, Silva Carvalho, o espião que deixou a Direcção do SIED para integrar os quadros da Ongoing, vá lá saber-se por e para quê. Tenho dado voltas à cabeça para tentar perceber por que razão um especialista de serviços secretos se há-de transformar num alvo apetecível e num quadro interessante para uma empresa privada – mesmo que algo estranha - e não cheguei a nenhuma conclusão que me acalmasse a inquietação.


No último sábado mais uma revelação, bem na sequência dos capítulos anteriores. Desta vez o tal Silva Carvalho tinha pedido aos serviços secretos que antes chefiara para investigarem um cidadão madeirense, por acaso produtor de vinho na Madeira. Concluía-se que esse pedido de investigação tinha sido requerido ao ex-espião, e agora quadro da Ongoig, por um dos seus novos colegas - presidente da filial angolana – que havia casado com a ex-mulher daquele cidadão madeirense.


Fantástico! Um tipo acha que, apenas porque o outro foi marido daquela que é agora a sua mulher, torna-se interessante obter informações sobre a vida dele. Não se sabe por nem para quê, mas também não é da nossa conta. Coisas pessoais, da vida privada! Traumas, quem sabe?


Mas não recorre a um detective privado, nem sequer a uma dessas empresas especializadas em bisbilhotar a vida e as contas de cada um de nós. Não! Ele sabe, ou acha, que tem agora alguém na empresa que lhe trata disso de borla! Que põe os serviços secretos do país a tratar-lhe do assunto!


Tê-lo-á em grande conta! Sem dúvida! Acha que alguém que ocupou um dos mais altos - e de maior responsabilidade – cargos dos serviços secretos do Estado não terá pejo em recorrer a pessoas e meios desses serviços para lhe satisfazer um capricho. E em grande conta terá ainda a empresa que lhe paga o ordenado, capaz de contratar um tipo que se presta a essas coisas…


Pior que isto é impossível. Mora neste episódio deste folhetim das secretas o que de pior mina e corrói a sociedade portuguesa!


Um tipo que se transfere dos serviços secretos do Estado para uma empresa privada disponível para tudo: se está disponível para estes caprichos é óbvio que não conhece limites à utilização de eventuais segredos de Estado. Os mesmos que a maioria parlamentar invoca para não permitir a audição dos responsáveis por esta escandalosa pouca-vergonha…


E um outro tipo que acha que os Serviços Secretos do Estado devem ser postos ao serviço dos seus caprichos. Um tipo com um conceito de cidadania notável que se acha um rei nesta república das bananas!


Estes sim, são os males que nos tolhem o desenvolvimento. Bem podem inventar mais impostos, bem podem rapar todo o nosso ordenado no fim do mês que não resolvem coisa nenhuma… Infelizmente sabemos bem que é mais fácil lançar impostos que acabar com gente e com coisas destas!


 


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...