segunda-feira, 29 de junho de 2015

Saque, dizem eles...

Por Eduardo Louro



 


As privatizações da EDP e da REN foram um saque, concluem os juízes do Tribunal de Contas. O país foi saqueado pelo seu próprio governo, que vendeu mal. Vendeu barato, e acima de tudo vendeu o que não deveria ter vendido. Como se tudo isso não bastasse, contratou mal os intermediários que escolheu para a venda. Pior: permitiu até que a mesma entidade trabalhasse para os dois lados. Que acessorasse o vendedor e o comprador!


Perante tudo isto Passos só tem para responder que o Tribunal de Contas não fez as contas todas... Não está mal lembrado!

Apenas mais uma...

Por Eduardo Louro



 


Ora aí está a última pérola de Cavaco, que não perde uma oportunidade para vincar o seu sentido de responsabilidade e a amplitude de uma visão política ímpar, só ao alcance dos grandes homens de Estado.


"Se a Grécia sair ficam dezoito" - é tudo o que Cavaco tem a dizer sobre o momento que se vive na Europa. Para quem nunca se enganava e raramente tinha dúvidas, é capaz de ser pouco. Para quem não acerta uma, é apenas ... mais uma!

Provérbio grego

Por Eduardo Louro


 


"Quem está molhado não tem medo da chuva"!


 


 


 


 

domingo, 28 de junho de 2015

O costume

 


Por Eduardo Louro



 


Nem mesmo com as costas quentes (de Bruxelas) - é cada escaldão! - nem com os favores das sondagens, o governo de Passos e Portas, e Paula Teixeira da Cruz e Pires de Lima, está com grande fezada. Eles sabem bem o que fizeram... Por isso o melhor é mandar abrir as embaixadas que fechou, para lá começar a colocar boa parte dos boys que chamou para a tachada destes quatro anos de biqueira larga.


E como cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, nada como deitar mão à máquina do Estado para fazer o trabalhinho que compete à máquina do(s) partido(s). Até porque a mão de obra é a mesma... 


E para não ficar para trás, Pires de Lima fez, e logo a seguir, o que a sua colega da Justiça, e de coligação, já tinha feito. O que só prova que a coligação funciona. E a sintonia é tão grande que até as desculpas são as mesmas...


Mau de mais? Não, simplesmente o costume!

sábado, 27 de junho de 2015

E no fim...

Por Eduardo Louro



 


A notícia não é que a selecção nacional de futebol de sub 21 está na final do campeonato da Europa, que se está a disputar na República Checa. Notícia mesmo é que se apurou para a final esmagando a selecção alemã, a tal que se tinha em conta de grande favorita. Notícia é que "no fim não ganharam os alemães". Notícia é que, no fim, os alemães foram goleados por cinco a zero... E pelo meio levaram um banho de bola dos antigos. Daqueles que já nem se usam, que deixaram os alemães de olhos trocados, a precisarem de sair a correr para o oftalmologista...


 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

XXIII Cistermúsica

Por Eduardo Louro



 


Aí está mais um Cistermúsica. É um mês - certinho -  inteiro a encher Alcobaça de música, e a assinalar os 25 anos do mosteiro enquanto património da humanidade. Acabou de abrir, em grande estilo, com 180 músicos em palco ás voltas com Carmina Burano, a obra prima de Carl Orff. A obra prima do século XX, levada a palco praticamente com a prata da casa. Bem cuidada, e em grande forma!


Vai ser assim, até 26 de Julho, o encontro anual de Alcobaça com a grande música!

O relativismo do tempo

Por Eduardo Louro


 


 


Os dias passam e a situação grega mantém-se. Perde-se tempo apenas para ganhar tempo. O tempo necessário ás causas que estão em causa: as eleições em Portugal e Espanha, e também as outras que pela Europa fora se seguem… E a renovação do mandato da senhora Lagarde!


É isto e só isto que está em causa, o resto é folclore. Para safarem os seus tachos, bem colados uns aos outros pelo sacro pensamento único, esta gente miserável e ignorante que hoje manda na Europa, e em boa parte do mundo, está-se nas tintas para qualquer tipo futuro que não seja o dos seus umbigos.


Saiu-lhes muita coisa furada, e por isso hoje já só perdem tempo para ganhar tempo. Sempre pensaram que a esta hora já o governo grego teria capitulado em toda a linha, já estava a caminho da rua, e de regresso estariam os seus velhos aliados e amigos da Nova Democracia e do Pasok, justamente quem trouxe a Grécia até aqui.  Não aconteceu assim, e o tempo que andaram a perder, para ganhar, não é afinal se não tempo: iniludível e irreversível, como mais nada na vida.


Por isso 30 de Junho é, e nunca deixará de ser, 30 de Junho. Mas incumprimento já não é default. Porque há que continuar a perder tempo a ganhar tempo. Há quem lhe chame fritar em lume brando... 


 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Como eles se seguem...

Por Eduardo Louro


 


Capa do Correio da Manhã


Pois... Por causa de Relvas 151 perderam a licenciatura. Mas o próprio, lui même, himself, não. Nem vai perder, garante: já prescreveu!


Na altura a Lusófona recusou cumprir a ordem do Ministério de lhe anular o diploma, e o processo seguiu para tribunal. Quando, agora, a Universidade que Crato não fecha porque há eleições por aí, lhe pediu o diploma de volta, foi Relvas quem o recusou: há que esperar pela decisão do Tribunal, argumentou.  Há que esperar ainda mais... Em três anos o processo simplesmente não se mexeu no tribunal: parece que está exactamente no mesmo sítio onde foi deixado!


Já não vão a tempo... É assim: safam-se sempre. O crime compensa, mas só e sempre aos mesmos. Os outros ainda têm vergonha, e no limite são apanhados por aí. 


 


História desconhecida de Marco António CostaEstes, os mesmos de sempre, como não têm vergonha, nem por aí os agarram. 


E como eles se sucedem... Ou se seguem... Não sei se vem a propósito, mas parece que finalmente alguém se interessou pela "estória" do alpinista político!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Trágico!

Por Eduardo Louro


 


 


Já não bastava a tragédia de a Europa ter evitado a tragédia de expulsar a Grécia do euro com a tragédia de a manter no euro. Ainda faltava a tragédia do FMI. Trágico!


 


 


 


 

Vale tudo!

Por Eduardo Louro



 


Os exames estão mais fáceis, diz-se por aí. Ontem, o de Matemática foi o mais acessível dos últimos anos, e é certo que as médias do bicho de sete cabeças vão subir.


A abertura das aulas, o eterno bicho de sete cabeças do Ministério, vai ser adiada.


Quem é que diz que a Educação se não pode cruzar com o curto prazo?


Em tempo de eleições pode-se tudo. Vale tudo!

terça-feira, 23 de junho de 2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Vemos, ouvimos e lemos... Não podemos ignorar!

Por Eduardo Louro



 


Da investigação do DIAP nada se sabe. E do próprio sabe-se que anunciou reagir com uma queixa crime. Que é figura central do programa eleitoral da coligação, que vai de vento em popa ao comando da máquina de propaganda, e que se pavoneia pelas televisões com a maior das caras de pau... 


Já o que se sabe de Paulo Vieira da Silva é assustador. É de aterrorizar... e não dá para passar ao lado e fingir que não se vê . Como diz a canção: "vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar". O Ministério Público não pode ignorar...


Há que urgentemente apurar a verdade. Assustadora, seja ela qual for...


Não é menos assustador se for tudo mentira!


 


 

A crise do sistema partidário: IV* – a reforma

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Factos e opiniões a que não ficamos indiferentes:


António Coutinho - director do Instituto Gulbenkian de Ciência de 1998-2012, professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa, mais de 450 publicações e um dos cem cientistas mais influentes e citados do mundo (in Institute for Scientific Information) - reconhece a urgência de alterar o processo representativo do povo (RDP2, Quinta Essência, 03.06.2011). “Os partidos são uma espécie de cancro da democracia. A relação entre os partidos e o eleitorado fica contaminada quando há uma relação de interesse no voto das pessoas a quem os partidos falam. Há uma raiz demagógica nessa relação, sempre que a representatividade se faça pelo voto partidário. A melhor representação de uma população numa Assembleia representativa do país é uma amostra ao acaso, cujo numero de representantes é tecnicamente possível encontrar de acordo com a dimensão do país, para que, à semelhança dos júris dos tribunais americanos, não legislando, decidam. Aos partidos cabe a nobre missão de educar e convencer as pessoas das suas razões e princípios que consideram mais pertinentes, para que os representantes tomem as melhores decisões”.


É intencional trazer para esta análise a opinião de um cidadão insuspeito, que não é político de carreira nem politólogo, mas credível na carreira profissional, cientifica e no pensamento. Não comento o modelo e a sua viabilidade, mas reforço a urgência do debate como se reconhecia em Agosto de 2014, com o “Manifesto dos 30” apelando à reforma urgente do sistema partidário, ainda que mais centrada no sistema eleitoral e na transparência do financiamento dos partidos. Na esteira deste “Manifesto” vem Cavaco Silva em Outubro de 2014, aquando das comemorações da implantação da Republica, alertar para o risco de implosão do sistema partidário, reconhecendo a insatisfação dos portugueses com a democracia, mas logo centrando o seu apelo na “cultura de compromisso entre os agentes políticos indispensável à estabilidade governativa” (…não seria de esperar outra coisa). António Costa, na mesma circunstância, centra-se na necessidade de diálogo democrático (…nada de compromissos), apesar do seu antecessor António José Seguro ter lançado para debate a reforma do sistema eleitoral.


Creio que a dinâmica das sociedades no mundo actual impõe uma nova visão sobre os modelos de representatividade democrática. É pertinente e urgente que venham a debate modelos que revitalizem a representatividade do sistema partidário, que no formato actual já leva cerca de 300 anos, perante o descrédito generalizado, aqui e em muitos outros países, cristalizando a sempre referida afirmação de Churchill “A democracia é a pior forma de governo, à excepção de todas as outras” 


Quanto à missão dos partidos políticos, de acordo com as suas bases ideológicas que os caracterizam de “direita“ ou de “esquerda”, há hoje condicionalismos que os inibem ou favorecem: Assiste-se à elevada dependência dos credores internacionais, das políticas europeias, e das imposições económicas do mercado global, nomeadamente com a supremacia de muitas multinacionais sobre os próprios estados - em Portugal reforçada com a alienação de empresas estratégicas - deslocalizando-se com frequência os centros de produção e do emprego. A riqueza concentra-se e a pobreza generaliza-se. Neste cenário a “esquerda” tem perdido vitalidade no combate e, por cá, como vemos nas candidaturas às próximas eleições legislativas, a “direita” une-se, a “esquerda” divide-se.


Também, do ponto de vista ideológico, se tem assistido à falência das ideologias de “esquerda”, após a queda da ex-URSS, e das alterações na China após Mao Tsé-Tung, enquanto o liberalismo capitalista vai galopando. E nós? Assistimos e constatamos, tal como Churchill (novamente), “A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias”.


Mas ainda acredito que a rendição é a pior das atitudes.


* Último da série de quatro textos

domingo, 21 de junho de 2015

A crise do sistema partidário: III* – o sebastianismo

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Factos e opiniões a que não ficamos indiferentes:


Já ouvi dizer que a democracia é mais cara que a ditadura. Não sei se é verdade, face a tantos regimes totalitários altamente espoliadores. Em contrapartida às inúmeras vantagens da democracia temos, pelo lado perverso, os custos do sistema partidário que sustenta a avidez das clientelas. Não advogo qualquer regime totalitário, por isso me preocupa o mau uso que se faz deste sistema democrático.


Também se diz que há muita gente séria na política, mas era importante saber o que podem fazer e quando decidem tomar posições públicas corajosas para sanear o sistema político partidário. Ver roubar e nada fazer é ser cúmplice.


Do que atrás referi, interrogo: será que estamos amarrados ao vaticínio histórico de Júlio César? “Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar”. Povo que em cada acto eleitoral vive o espirito do sebastianismo, esperando alguém messiânico que das brumas, das névoas ou dos “nóvoas” vai chegar para cuidar de nós, e de nós vai fazer um nobre e valente povo capaz grandes feitos universais? As excepções à mediania: como Mourinho, Cristiano Ronaldo, Saramago, e muitos outros da história recente e remota, são bandeiras nas suas áreas específicas, mas insuficientes no apelo para as causas da res publica. Com o desaparecimento de alguns fundadores da democracia perdem-se algumas boas referências e o comportamento da actual classe politica não promove o interesse dos jovens pela política. 


Para quê uma boa formação académica e um notável currículo nas actividades empresariais, cientificas, sociais ou culturais? A assessoria aos gabinetes ministeriais é assegurada por jovens recém-licenciados, de filiação e fidelidade partidária, que cumpram e concordem. A assessoria do que é complexo encomenda-se fora, àqueles juristas ou advogados muito sabidos que, face ao assunto em apreço, perguntam: “quer um parecer para dizer sim, dizer não ou nim?” 


Mas como ter melhores políticos? Falta formação cívica, democrática e humana a quem governa a sociedade e esta é formada por pessoas. Em qualquer regime empresarial ou societário há que eleger equipas de forte liderança assente em virtudes e competências, e são estas que devem ser potenciadas, minimizando os defeitos que todas as pessoas têm. Mas há quem dentro dos partidos recorra ao aperfeiçoamento pessoal. A liberalização ideológica do sistema democrático trouxe-nos muitas oportunidades à escola da democracia, desde a doutrina mais social à “esquerda” até à doutrina mais moral à “direita”, ainda que, por vezes, impregnada de conceitos carentes de renovação.


Também nas diversas correntes religiosas e ordens iniciáticas, da Opus Dei á Maçonaria, podemos encontrar princípios de teorização sobre o aperfeiçoamento pessoal com vista ao “Homem Novo”. Sabemos como estas correntes influenciam o poder governativo, mas delas conhecemos resultados práticos pouco recomendáveis. A elas recorrem clientelas partidárias, fortalecendo solidariedades e, pelas sacrossantas e inquestionáveis virtudes, branqueiam-se as canalhices. Naturalmente que o processo de aperfeiçoamento é um caminho, e a perfeição como objectivo é uma utopia. Assim, a construção do ser humano é um processo contínuo de aperfeiçoamento, sujeito, por isso, a tentações, erros e pecados, mas também ao divino perdão. Errar é humano e progredir na vida político partidária é sinal de astúcia.


Diz-se muito mal da classe política. “Não à cultura do bota-abaixo”, disse Sócrates, não o grego, o nosso. “Não contem comigo para semear o desânimo e o pessimismo, deixo isso aos profissionais de descrença e aos profetas do miserabilismo”, disse Cavaco Silva no 10 de Junho. “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” dizia Sophia de Mello Breyner Andresen e canta Francisco Fanhais.


* Terceiro de uma série de quatro textos

Solstício de Verão

 


Por Eduardo Louro


 


Declara-se oficialmente aberto o Verão!


Desfrutem. Divirtam.se…Bem sei que já começaram ontem, para não perder tempo.


As noites são curtas...mas quentes e boas. Como as castanhas, de que já ninguém se quer lembrar. Os dias são grandes: o de hoje é maior. Dão para tudo... Dariam, se não se gastasse boa parte dele para acrescentar ao que falta da noite. Ou ao que a noite faz faltar...


Para os outros, lá de baixo...Temos pena, mas agora é a nossa vez!

A crise do sistema partidário: II* – o poder sedutor

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Factos e opiniões a que não ficamos indiferentes:


Facilmente se constata como na administração do Estado o primado da política partidária prevalece sobre a competência. Como afirmou Maria Filomena Mónica “Não queremos premiar os melhores, porque não queremos punir os piores”. O capitão Salgueiro Maia, numa entrevista dada em 1991, declarou: “Os nossos políticos têm uma grande preocupação em serem bem reformados e uma preocupação nula em serem bem formados.” Para Robert-Louis Stevenson (escritor, 1850-1894), “a política talvez seja a única profissão para a qual não se julga necessária preparação”


Manuel Sobrinho Simões – professor catedrático e director do IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto) – no DN a 14.03.2013, disse que Portugal continua a ser vítima do conflito de interesses que grassa entre as conveniências dos partidos e dos políticos e as necessidades do país e dos portugueses.


Na opinião de Miguel de Sousa Tavares, (SIC, 25.11.2014), “há muita coisa errada na forma como se faz politica hoje em dia. Não é o regime democrático que está errado, não são as instituições e as leis que estão erradas. É o sistema de representação partidária, é o pessoal político cada vez pior. É difícil fazer chegar pessoas de valor sérias, honestas, com sentido de serviço público”.


São as multinacionais que procuram os melhores nas universidades de reconhecido mérito, e são elas que detém cada vez mais o poder e, por isso, dominam o poder político e nos governam. Os políticos de carreira partidária, mesmo pouco competentes, basta fazerem-lhes as vontades, porque delas dependem os financiamentos dos partidos e delas se espera um bom lugar numa administração qualquer, após os cargos de ministros ou secretários de estado, desde que não atrapalhem os objectivos empresarias e ajudem no tráfico de influências, matéria de que a experiência partidária lhes deu larga preparação.


Não têm sido os partidos maioritários, PSD e PS, a que por vezes se junta o CDS, os que se mostram mais ofendidos com os escândalos do BES, ou com a ausência de significativas reformas estruturais exigidas pela troika sobre os encargos com as PPP, com as rendas e os lucros da EDP. As estruturas e bases partidárias habituaram-se às benesses do estado e ao financiamento de grupos económicos e financeiros que passam a mandar, ficando os partidos reféns. Quem paga manda! Assim, estabelecem-se relações incestuosas comprometedoras que desacreditam quem está na política, acentuando-se a corrupção e, com ela, a crise politica, financeira, económica, social e moral. É a crise do próprio regime democrático e com ela o divórcio entre os cidadãos e o poder político no qual deixam de acreditar. Que não tem melhor retrato que o elevado nível da abstenção em actos eleitorais!


Os partidos abandonam o seu importante papel de serviço cívico na desejável democracia participativa para dar prioridade às estratégias de acesso aos diversos patamares do poder. O poder é sedutor e á medida que se sobe na escalada do poder o número de portas que se abre é sempre maior. O deslumbramento perante a visão do que se alcança é estonteante, como reconhecia João Cravinho à jornalista Ana Sá Lopes – quando, nos anos noventa, esta o interrogou sobre o facto de estar a fazer campanha eleitoral por António Guterres, apesar da divergência estratégica que tinha com este – tendo-lhe dito: ”O poder tem um cheiro absolutamente irresistível, inebriante, sedutor”.


* Segundo de uma série de quatro textos

sábado, 20 de junho de 2015

A crise do sistema partidário: I *- Onde estão?

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Não é possível fugir às questões políticas, particularmente porque se aproximam dois importantes actos eleitorais - legislativas e presidenciais - oportunidades para o cidadão formalmente se manifestar. O simples acto de viver é um acto político e a ciência política é indispensável, remontando aos primórdios da vida em sociedade, como lembrava o político e escritor mexicano Torres Bodet, diretor-geral da UNESCO entre 1948 e 1952, “A reunião dos homens em sociedade fez nascer a ciência politica”. Também para Marcel Prélot, “ciência politica e ciência económica sempre andaram ligadas”. (in Ensaio Sobre a Filosofia do Poder, 1968)


Factos e opiniões a que não ficamos indiferentes:


De acordo com o tribunal constitucional, até á presente data, são cerca de 22 os partidos inscritos para participar nas próximas eleições legislativas, numero record considerando um máximo de 17 inscritos desde de 1975. Sinal de vitalidade democrática? Ou insatisfação dos eleitores pelos actuais partidos e figuras políticas? Não se espera redução da abstenção e haverá uma maior dispersão de votos. Na opinião da politóloga Marina Costa Lobo (jornal Público 19.05.2015),“há uma desconfiança nata e forte em relação aos partidos políticos, que um partido mesmo novo, tem dificuldade em ultrapassar. Como pode fazê-lo? Com uma liderança forte”


A opinião é válida, mas insuficiente, considerando que um líder tem de ser forte e credível na competência, particularmente evidente nas eleições presidenciais. Nas legislativas, além do candidato a 1º ministro há toda uma equipa que o eleitorado espera que reúna as melhores pessoas, pois serão elas a tomar as decisões. Mas os partidos não tem que escolher os melhores, escolhem quem querem, não sendo relevante a capacidade e o mérito de quem vai para deputado ou para o governo, na generalidade dos casos do desconhecimento do eleitor.


Recordo António Guterres, pessoa que considero bem formada e competente. O seu discurso fluente, politicamente correcto, por vezes tecnicamente com gaffes (caso do valor PIB para a saúde), arrebatou o eleitorado, mas as suas bases governativas e partidárias minaram a sua credibilidade e deixaram-no no meio do pântano. Por fim, para amigo e companheiro preferia o Padre Milícias.


Os partidos procuram sempre um líder credível que convença o eleitorado e que sirva de pára-raios às clientelas partidárias. Recorro a Lídia Jorge (in Combateremos a Sombra, 2007) ao evocar o efeito de pára-raios e gaiola de Faraday. “Sob a saia do cone de protecção encimado por alguém que seja sério ou se declare sério, líder ou com potencial de líder, abrigam-se imediatamente todo o tipo de gente, não sendo excepção: os corruptos, os falsários”. No dizer desta escritora “quanto mais um dirigente se declara inviolável na sua conduta, mais os atrai para o seu cone protector. Fica a dúvida até que ponto o inviolável é cego ou o permite por conivência.”


Em Julho de 2011, Mário Soares, sobre a necessidade de refundar o partido, reconhecia que este alberga gente mais preocupada com os benefícios e vantagens para uso próprio, não dignificando o que é dignificante na política.


Para António Barreto, na TVI, Olhos nos Olhos, de 30.03.2015, “o actual sistema democrático rege-se pelo governo de todos para todos, mas não é o governo dos melhores. A gestão dos representantes no parlamento é dos partidos. Podem coexistir bons e maus. Este sistema não favorece a competitividade da competência e do mérito”.


Nicolau Santos, no Expresso, Economia, de 16.05.2015, caracteriza o programa eleitoral que gostaria que algum partido apresentasse para receber o seu voto. Mas, pergunto eu, de que serve um boa partitura e um bom instrumento se não há intérpretes à altura para um desempenho rigoroso, com verdade e competência? Onde estão eles?


 


* Primeiro de uma série de quatro textos

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Há um país...

Por Eduardo Louro


 


 


Toda a gente está procupadíssima com o fim da linha da Grécia. O mundo inquieta-se, de lés a lés. Sobressaltado e consciente do que aí vem...


Toda a gente?


Não é bem assim. Há um país onde não é de todo assim. Há um país que tem um primeiro ministro que não está preocupado, que diz que o país que governa tem condições para passar despreocupadamente ao lado de tudo isso. E que tem uma ministra das finanças que, da mesma forma, garante que não há crise. Que tem os cofres cheios... E que tem um presidente que não tem dúvida nenhuma que  o seu país "e a zona euro têm capacidade para conter efeitos de um acidente com um país do euro"...


Um presidente que é conhecido por nunca ter dúvidas, e que raramente se engana. Como ainda há menos de um ano provava, garantindo que um dos principais bancos do seu país não tinha problemas, tinha almofadas.


Falta-me dizer que temos a sorte de sermos cidadãos desse país. Esse país é que tem o azar de estar nas mãos dessa gente... 

Mais uma brincadeira de crianças

Por Eduardo Louro



 


Exigem-lhes mais, sempre mais, porque o sacrifício liberta, e a punição purifica... Exigiram-lhes que cortassem 400 milhões de euros nas pensões mais baixas, onde já cortaram 48%. O governo grego, aquele bando de malfeitores irresponsáveis, propôs-lhes mais uma brincadeira de crianças : trocar esse corte nas pensões por corte de igual valor no orçamento da defesa. A instituição europeia até achou que poderia ser... A instituição americana é que ... nem pensar: "temos armas para vender"!


De repente a instituição europeia lembrou-se que afinal a Alemanha também. Pronto, não se fala mais nisso!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dia S

Por Eduardo Louro



 


Depois de tantos dias D para a Grécia, poucos acreditarão que hoje é que é. Que hoje é que é mesmo o dia D para a Grécia... D de desastre, ou S de saída... Mas também de shame: shame of you. Shame of all of you!


 

A Europa dos muros

Por Eduardo Louro



 


Foi a este ponto que chegou a Europa unida e única. À Europa da moeda única, que passou a Europa do pensamento único. A que não admite desvios, torcendo e esmagando quem desalinhe: o camion a acelerar em direcção ao Mini. À Europa de Schengen, que depois de derrubar fronteiras ergue muros... Atrás do que esconde ideias que a civilização condenou há três quartos de século. 


É esta a Europa que demorou 50 anos a construir e apenas 5 a destruir. A Europa dos muros... A Europa do muro que caiu para que outros se reergam!

terça-feira, 16 de junho de 2015

Corrupção: o que parece é!

Por Eduardo Louro



 


Há coisas que têm um valor absoluto. Valem o que valem pelo que realmente valem e não pelo que parecem valer. Outras, pelo contrário, valem mais pelo que parecem. Não é o que realmente valem que conta, mas o que representam.


Vem isto a propósito de uma das notícias do dia, que dá Portugal na quinta posição na tabela dos países mais corruptos. À sua frente, na listas dos mais corruptos, apenas Croácia, Quénia, Eslovénia e Sérvia. Logo atrás, mas ainda assim menos corruptos, Índia e Ucrânia.


Olhamos para isto e todos temos a convicção que não bate certo. Que a corrupção não é maior em Portugal que na Ucrânia. Ou que em Angola, ou que na generalidade dos países africanos. Vamos ler melhor a notícia e percebemos que essa lista resulta de um inquérito a trabalhadores dos diversos países levado a cabo pela consultora Ernest & Young. Percebemos que não resulta de um corruptómetro qualquer, mas apenas da percepção que as pessoas, neste caso os trabalhadores, têm sobre os níveis de corrupção nas suas empresas.


E voltamos ao princípio: não estamos perante um valor absoluto, medido por um qualquer corruptómetro, seja lá isso fôr, mas perante uma percepção da coisa. Não pelo que é mas pelo que parece que é!


Ora, a corrupção é em si mesma o maior cancro de uma sociedade. Mas a percepção que dela a sociedade tem é bem mais devastadora, capaz até de destruir uma civilização. É por isso que pouco importa se a Ucrânia, ou um qualquer país africano, é mais corrupto que o nosso. Importa, evidentemente que sim, se o inquérito tem algum tipo de valor científico e se, em razão disso, o destaque dado à notícia é jornalisticamente sério. Importa até que o rigor da notícia seja aqui bem maior do que na anterior.


Mas a corrupção não deixa de ser corrupção conforme é praticada nos gabinetes das empresas ou nos da administração pública. Corrupção é corrupção, onde quer  que seja. E o que realmente conta é que há portugueses convencidos que vivem num país mais corrupto que a Ucrânia. O que é verdadeiramente dramático é que haja portugueses com a ideia que o seu país é mais corrupto que uma qualquer cleptocracia africana. Que essa ideia lhe seja transmitida pela própria empresa onde trabalham só agrava ainda mais a dimensão do problema. Porque o torna mais próximo, mais sentido e mais percepcionado. Porque, aí, o que parece, é. Percepção e realidade estão sobrepostas...


E isso é o fim da linha!

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Nas asas do pêlo do cão

Por Eduardo Louro


Jornal de Notícias


 


Ninguém tem dúvidas que a privatização da TAP foi sempre - e continua a ser - das coisas mais opacas deste governo. Ou pelo menos só tem dúvidas quem quer. 


Nada foi público. Mas concluída a operação - dada por concluída, porque o que neste momento existe é uma promessa de venda - algumas coisas se vão sabendo. Umas mais estranhas que outras...


Era estranho que a parte minoritária do consórcio é que soubesse de aviões. Era estranho que o senhor da Barraqueiro estivesse a pensar que a TAP era a Carris. Mas deixou de ser estranho quando o senhor que sabe de aviões ainda não abriu a boca e o senhor que sabe de autocarros já está a dizer que o que a TAP mais precisa é de um patrão como ele. E quando aproveitou para escalrecer isso mesmo ao Secretário de Estado Sérgio Monteiro, que não estava enganado, e que aí estaria pronto também para a Carris, o Metro e a Transtejo. Que os saldos não ficariam na loja...


Estranha não é a notícia que faz capa no JN, que dá conta que os novos donos da TAP vão vender aviões (da TAP) para financiar o negócio que fizeram com Pires de Lima. Nem estranho nem novidade, negócios em Portugal é sempre assim: com o pêlo do mesmo cão. Simples, tão simples como o ovo de Colombo: vendem-se os aviões, recebe-se o dinheiro, e depois alugam-se. E paga-se a renda...


Há para aí um século que isto se faz em Portugal. Chamam-lhe leaseback, e não é pelo novo acordo ortográfico...


É assim o fabuloso negócio que deixou Cavaco aliviado, e todo o governo entusiasmado com as asas que deu à TAP. Que Maria Luís Albuquerque, muito satisfeita, garantiu que colocaria "valores muito significativos na TAP" porque o objetivo nunca foi o encaixe financeiro para o Estado mas, sempre, encontrar "investidores que possam colocar na empresa os meios de que precisa para ultrapassar as dificuldades que tem, que são conhecidas"...


Estranho - ou talvez não - é que toda a gente queira fazer parecer isto normal! 

domingo, 14 de junho de 2015

A ocasião faz o ladrão...

Por Eduardo Louro


 


A selecção nacional de futebol de sub vinte foi afastada nos quartos de final do campeonato do mundo, na Nova Zelândia, depois de na marcação de pontapés de grande penalidades (apenas converteu uma, a primeira), pelo Brasil, que aqui chegara depois de, pela mesma forma, ter afastado o Uruguai. Num jogo em que foi muito superior, e desperdiçou seis claríssimas ocasiões de golo, entre as quais uma bola que saiu depois da bater na parte interior do poste  nos quartos de final. 


A ocasião faz o ladrão...Não faz golo. E os brasileiros roubaram as legítimas esperanças que a selecção portuguesa tinha de voltar a chegar ao título, vinte e quatro anos depois. Nunca, na história da competição, uma selecção portuguesa nesta categoria fora tão superior à do Brasil. Em todos os aspectos de jogo, incluindo comportamento e desportivismo.


Merecem os  nossos parabéns, estes jovens orientados pelo gélido (e competente) Hélio Sousa, ele próprio campeão de mundo da categoria.

sábado, 13 de junho de 2015

Ó Sr Engenheiro...

Por Eduardo Louro


 


 


 


Sr Engenheiro - isto não vai fácil para a classe - se continuar a dizer que em França, no próximo ano, é para ganhar, arrisca-se a deixar de ser o homem sério, sereno e sensato em que o tínhamos para passar a ser mais um pantomineiro. E olhe que disso já temos muito por aí...


É certo que a selecção nacional irá lá estar. Depois da vitória de hoje na Arménia isso é já garantido. Mas - e já que Fernando Santos é um fervoroso crente - valha-nos Deus!


Não foi a selecção que ganhou. Foi Cristiano Ronaldo, com três golos. Dois deles com tanto demérito da defesa adversária como mérito - e classe - dele.


A selecção foi Ronaldo, Rui Patrício e Tiago. Ronaldo a fazer e Rui Patrício e Tago a desfazer... Foi por pouco, por muito pouco, que o Cristiano lhes levou a melhor. O resto foi o eterno erro de casting que é Danny, e a displicência de sempre. E muitas vezes um banho de bola dos arménios, onde Mkhitaryan, o tal que joga no Dortmund, foi apenas assombroso. Que jogador!  


 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Foi há 30 anos...

Por Eduardo Louro



 


... Nem tudo correu bem, algumas coisas correram mesmo muito mal... E estão aí, bem fresquinhas... Muita coisa deveria ter sido feita de outra maneira...


Fomos inundados pelo novo riquismo, e tudo chegou a parecer demasiado fácil. Houve até quem tenha chegado a pensar que era o Brasil que estava de volta, duzentos anos depois. Houve bebedeira ... e ressaca, como nunca pode deixar de ser. Porque a conta aparece sempre, não há almoços grátis, como diz o outro...


Mas no fim de contas os mais superaram os menos. E o país hoje, 30 anos depois, não é o mesmo. Por muito que mantenha velhos tiques. Por muito que olhando para os antigos retratos queirosianos nos pareça que está tudo na mesma... 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Vale sempre a pena estender a mão...

Por Eduardo Louro


 


 


Dez milhões? Ainda bem que os compradores da TAP foram sensíveis aos apelos última hora de Pires Lima… 


Aquilo foi um bocado patético. Parecia a das taxinhas, mas valeu a pena… Ó se valeu!


Vale sempre a pena estender a mão... Cai sempre uma moedinha!


 

Vitórias anunciadas

Por Eduardo Louro



 


Ora bolas... Quando pensava que a notícia do dia seria o quinto aniversário do Quinta Emenda, lá vêm a da privatização da TAP e a da contratação do novo treinador do Benfica. Ainda se fosem grandes novidades...


Mas nem isso. São duas daquelas notícias que se não existissem passavamos bem sem elas.


Da privatização da transportadora aérea já ninguém há muito duvidava. Pelo menos desde que o ministro Pires de Lima disse, há para aí nove meses, que privatizar a TAP nesta legislatura seria uma vitória. Depois disso, está visto... Numa altura destas, com o governo a bombar - Portas dixit - em plena campanha eleitoral, não pode haver outra coisa que vitórias.


Esta é portanto a notícia de uma vitória anunciada. A outra é a de um Vitória anunciado... Tão anunciado que nem se percebe por que é haveria de ser notícia guardada precisamente para hoje. 


E quanto a voos... Acho que serão bem mais altos os do Vitória. Nas asas da Vitória, porque as do Neeleman ainda podem levar com chumbo...


 


 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

E vão cinco ...

Por Eduardo Louro



 


E pronto... Já lá vão cinco anos. Conclui-se hoje o quinto da Quinta... Do Quinta Emenda!

Dez 10 de Junho

Por Eduardo Louro



 


Confesso que nunca fui muito entusiasta do 10 de Junho. Acho que faz todo o sentido comemorar Camões: um génio e um patriota. Temos o dever de celebrar os nossos génios, os melhores de nós, e a obrigação de enaltecer os patriotas, por muito que as qualificações possam ser discutíveis. Porque se génio, é génio, seja em que circunstância for, já patriota não é bem assim. Tem mais a ver com o sabor das marés...


Camões é, e representa o suficiente para merecer um dia, numa altura em que há dias para tudo, mesmo que se cortem os feriados. Não era preciso meter mais no mesmo saco.


Dia de Portugal? Dia das comunidades? Lembram-se que também já foi dia da raça? 


É isso mesmo. Serve para tudo, até para o piorio...


Depois, as condecorações fizeram o resto... Fizeram deste um dia com demasiado cheiro a mofo, o dia de comemorar o regime. O dia em que o regime olha para o seu umbigo. O velho dia da raça, sempre ao serviço da ideologia do regime... Os últimos dez 10 de Junho têm sido isso. Porque Cavaco é isso!


Este de hoje é o último destes últimos dez 10 de Junho. E nessa medida um alívio...


Não será certamente o último 10 de Junho a cheirar a mofo, mas desejo que seja o último que o Presidente da República utilize para pagar favores. O último em que o inquilino de Belém agracia os que o ajudaram a lá chegar. O último em que distribui comendas por quem lhe limpou o caminho... Ou por renomados malfeitores. E o último em que o Presidente da República faça descarada e despudoradamente campanha eleitoral em favor dos seus!


Que este tenha sido o último 10 de Junho igual aos outros. Mesmo que desta vez tenham sido os militares a desmaiar...


 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Com decoração

Por Eduardo Louro



 


Cavaco vai hoje condecorar Teixeira dos Santos... E, se nos lembrarmos bem, razões não lhe faltam. 


A propósito: a qual deles se destina este cartaz de Lamego? Ou será a ambos? 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Mitos urbanos

Por Eduardo Louro



 


Abriu a época da caça aos mitos urbanos. A partir de agora vai ser cada tiro ... cada mito urbano.


Brincadeiras de crianças...


 

Inigmas

Por Eduardo Louro



 


Francisco Assis voltou... Voltou de novo, voltou mais uma vez... Fosse porque lá estava António Capucho, e ele não ser homem de deixar protagonismos por mãos alheias, fosse simplesmente poque ele é mesmo assim. Como o mar, de ir e voltar... Nunca importando muito como vai, e menos ainda como volta.


Há dois anos atrás defendia uma coligação com a direita. A única possível, garantia, e insurgia-se contra o extremismo da linguagem contra o governo, enquanto exultava com a perspectiva do maior protagonismo de Portas no processo de coordenação política do governo. Há apenas seis meses abandonou o congresso... Não se revia no partido, aquilo era tudo muita esquerda...


Agora voltou na convenção, e o governo já é a direita extremista com quem se não pode estabelecer compromissos. E não é de agora, é de há muito: "Não pode haver compromissos com quem há muito se excluiu deles"!


Não mudou de ideias, jura. Pode ser que não, e que nós é que andemos todos a dormir...


Quando reparei, depois do inevitável beliscão para confirmar que estava acordado, dei por mim a pensar que nos estão sempre a dizer que é na cabeça deste homem que mora o mais sólido pensamento do PS...


Porquê? É que gosto mesmo de inigmas...


 

domingo, 7 de junho de 2015

Notícias do "alpinista político"

Por Eduardo Louro


Capa do Correio da Manhã


 


Entretanto continua a "arrotar postas de pescada" a torto e a direito... E até Marques Mendes o dá como indispensável ao futuro líder do partido... 


O Ministério Público está a investigar, acreditamos nós. Não sabemos de nada, mas isso é o segredo de justiça. Que, ao contrário do que é habitual, deve estar agora a funcionar.

sábado, 6 de junho de 2015

Barça, naturalmente...

Por Eduardo Louro


 



 


Justificando o favoritismo o Barça ganhou á Juve e conquistou a Champions. A quinta da sua história na competição, uma história que começou em 1961, justamente quando disputou, e perdeu, com o Benfica a sua primeira final. Uma história que só começou a conhecer a glória das vitórias há pouco mais de 20 anos…


Foi um grande jogo de futebol como, com Iniesta, Xavi – em jogo de despedida -, Messi, Neymar, Suarez e Companhia, de um lado, e Buffon, Pirlo, Pogba, Tevez, Morata e Companhia, do outro, teria de ser. Grandes jogadores dão grandes espectáculos de futebol. Vale a pena carregar ali em cima e ver o primeiro golo, logos aos 4 minutos…


Ganhou o Barcelona, como ganhou tudo o que este ano tinha para ganhar. Porque é de novo a melhor equipa de futebol do planeta. Sem precisar dos golos de Messi: três, e nenhum da sua estrela maior. Se não é inédito, não estará muito longe…


 

Portugal atrás. À frente estão outras coisas...

Por Eduardo Louro



 


A coligação já tem nome. Demorou, não era fácil a tarefa dos markteers, usada e abusada que estava a sigla AD,da velha Aliança Democrática de Sá Carneiro e Freitas do Amaral (ou de Adelino Amaro da Costa?).


Mas chegou, mesmo que atrasada: "Portugal à frente", mesmo que atrás do tempo. Do ponto de vista do puro marketing até poderá nem ser mal escolhido. Estar à frente é sempre mobilizador, estar à frente é sempre meio caminho para chegar à frente. Lá diz o povo:"candeia que vai à frente alumia duas vezes"!


O problema é quando se tem que contextualizar. O problema é quando se sai do marketing puro e abstrato para um marketing de contexto. Aí, "Portugal à frente" deixa sempre Portugal atrás. Cada vez mais atrás em tudo. Cada vez mais atrás em todos os índices de desenvolvimento, cada vez mais atrás nas estatísticas internacionais. Cada vez mais atrás, cada vez mais pobre, cada vez mais velho, cada vez mais isolado, cada vez mais longe ...


Os markteers que se chegaram à frente poderão até ter pensado noutro contexto. Terão talvez pretendido deixar a ideia que a coligação resultava de um imperativo de colocar "Portugal à frente" dos interesses das partes. À frente dos interesses do PSD e do CDS, de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. 


Seria bonito. Talvez até comovente, mas não cola. A única coisa que nesta coligação não deixa dúvida nenhuma é o particular interesse que nela têm ambos os líderes. Não só pela forma como potencia em mandatos os resultados eleitorais de ambos, mas porque é o cimento que nesta altura pode segurar alguma coisa. O que os segura ao poder, que é a única coisa que mantém Passos e Portas agarrados. Pouco interessados em colocar "Portugal à frente" mas muito interessados em manter Portugal atrás deles! 


À frente só mesmo a braguilha aberta...

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Nunca direi nada disso...

Por Eduardo Louro


 Resultado de imagem para bruno de carvalho jorge jesus


 


No epicentro do terramoto que tomou conta da segunda circular está agora Marco Silva.  Porque, empurrado em Alvalade para a porta pequena, acaba por sair pela maior que por lá está. Uma porta tão grande que deixa ver tudo lá para dentro. Deixa ver o carácter de muita gente, em especial daqueles que, depois oito ou nove meses de perseguições e rasteiras, não hesitaram em humilhar o treinador que a tudo resistiu, e a tudo respondeu com enorme senso e profissionalismo, com um miserável processo disciplinar.


Mas também porque, como já toda a gente percebeu, passou a ser uma séria opção para o Benfica. Luís Filipe Vieira, num cenário – de compromisso ou não – em que Jorge Jesus seguia a sua vida em França, tinha tudo, ou se calhar mais ainda, apontado para Rui Vitória. Com Jorge Jesus a assinar com o Sporting – independentemente da (falta de) lisura com que fez tudo – tudo se altera. O que era a (correcta) posição de Luís Filipe Vieira de não afrontar o velho rival deixou de ter razão de ser.  Com Marco Silva na rua, e livre, não há razão nenhuma para que não seja uma opção alternativa, ou concorrente, com a de Rui Vitória. Antes pelo contrário. Mesmo sem atitudes revanchistas, que essas nem são próprias dos verdadeiramente grandes nem levam a lado nenhum.


Por isso não acho piada nenhuma às reacções do João Gabriel. Não acho graça nenhuma à ideia peregrina, que passou pela cabeça de alguém da Megastore, de retirar Jorge Jesus da fotografia do título.


Nem irei dizer, apesar de disso estar profundamente convencido, que o Bruno de Carvalho é definitivamente o Vale Azevedo do Sporting. Nem que as relações com Jorge Jesus resistam muito mais que um par de meses. E que ambos têm boas razões para desconfiar um do outro: nem é preciso que olhem para as costas de ninguém, basta-lhes olharem-se um ao outro…


Não. Nunca direi nada disso... E nunca, para nunca ser, crucificarei Jesus!


 


 


 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O flop

Por Eduardo Louro



 


O cenário estava bem montado e o acontecimento tinha sido bem promovido. A motivação era óbvia: não seria tapar a de tapar o sol com uma peneira, mas a de tapar com uma peneira o tiro no pé da ministra das finanças. 


Mas não passou disso, de um cenário bem montado para um acontecimento bem promovido. Durante mais de uma hora, Portas e Passos Coelho encarregaram-se de explicar, como só eles sabem, a roçar o penoso, que não tinham nada para dizer. Que tinham percebido que teriam de fazer alguma coisa, mas que não faziam ideia do que haveriam de fazer...


Chegaram sem nada, sem o trabalho de casa feito. Como os cábulas. Como os incompetentes... Tanto que nem nome ainda conseguiram dar à coligação. Era o mínimo!


Como sempre, têm sorte. A espectacular travessia que Jorge Jesus fez na segunda circular abafou-lhe por completo o flop. 


 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Vitória de Pirro

Por Eduardo Louro


 


 


Afinal Blatter não resistiu mais que uns poucos pares de horas à farsa que fora a sua última reeleição. Nã0 quis aceitar os conselhos do seu amigo Platini – também não será exactamente flor que se cheire muito bem, mas será, como afinal estaria há muito escrito nas estrelas, o seu sucessor –, e escolheu acelerar contra o muro. Espetou-se com toda a violência. E muito depressa!


Foi uma vitória de Pirro. Como reconheceu no discurso de resignação, consigo estavam apenas os delegados que no bolso tinham um cartão de voto. Contra si estava, e está, toda a gente do futebol: jogadores, treinadores e público. Mas também patrocinadores.


Percebeu isto tarde de mais. Infelizmente, para ele… Mas especialmente para o futebol. Que já não tem por onde fugir dos interesses geopolíticos que determinaram a atribuição do próximo campeonato do mundo. Nem dos outros, mais insondáveis ainda, que dominaram a entrega do seguinte, numa autêntica subversão do próprio futebol, para inventar a aberração que é um campeonato do mundo de Inverno, jogado a temperaturas acima dos 40 graus!  


 Agora... claro: que seja investigado. Que seja tudo investigado!


 

Tudo certo

Por Eduardo Louro



 


Já aqui tínhamos dado conta da indepedência do funcionamento do Estado. Não é só com este governo, mas em moldes especialmente grosseiros com este governo. Da forma como, contra os cidadãos, inverte o ónus da prova. Ou como é o pessoal da administração interna que comanda os inquéritos às polícias. Ou como é o das finanças a inquirir os actos do pessoal das finanças, e de como "no fim bate tudo certo".


Mas quando em causa está pessoal que é mais que pessoal vai-se directamente ao mais restrito círculo pessoal. Por isso o inquérito sbre as listas VIP foi comandado por uma senhora que era, até há bem pouco tempo, adjunta do secretário de Estado da Admnistração Pública, colega de Paulo Núncio. E do mesmo Ministério das Finanças... 


Tudo compatível. Tudo bate certo!


 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Diabruras divinais

Por Eduardo Louro



 


Deus criou todas as coisas. E é infinitamente bom... Nem nada faz de errado. O demónio é uma coisa. Má, do piorio: é o diabo!


Como é que se resolve isto?


É fácil. Aquele senhor padre do Observador explica tudo: " O mal, como entidade, é uma contradição, porque a realidade do mal é a do não-ser, pelo que o mal absoluto seria o nada e o nada ... não é".


Não dá para perceber? Então ele explica como quem faz o desenho: 


"Deus não cria coisas más, logo todas a criaturas são ontologicamente boas. A bondade do diabo, que foi criado anjo bom, é uma evidência metafísica, que só poderia ser negada pela hipótese de um Deus mau, o que seria, mais uma vez, uma evidente contradição". Ou em síntese: "Que o demónio tenha essa bondade original não impede, contudo, que faça o mal".


Estamos sempre a aprender...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...