quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A orquestra continua a tocar...

Por Eduardo Louro


 


O Tesouro americano diz que é a Alemanha a culpada de tudo o que se está a passar no sul da Europa. Que, para acumular excedentes, não hesitou em impor as políticas austeritárias que destruíram as economias portuguesa, espanhola e italiana.


Álvaro Santos Pereira, recuperando o pio diz, agora já do lado de fora, que a austeridade pode levar ao surgimento de ditaduras na Europa e que a dívida portuguesa só poderá ser paga se renegociada para prazos de pagamento de 40 ou 50 anos.


Mas na Assembleia da República, no dia 1 da discussão do Orçamento, a ministra das finanças diz que está tudo bem. Que tudo estava certo, que tudo correu bem, e que só há que apertar mais um bocadinho. Que já só falta um último esforço, que estamos lá, na praia. Até já ela fala em baixar impostos, para não deixar Paulo Portas a falar sozinho… Porque 2015 está já aí!


Por isso aí está uma gigantesca onda de optimismo que sai da maioria e do governo como se fossem o canhão da Nazaré. Que estamos a sair da recessão e que o desemprego está baixar, dizem eles, sem cuidar de perceber que alguma vez a economia teria de parar de cair, que há sempre um fundo, por mais fundo que seja. E escondendo que o desemprego continua a subir e não a descer. Que descem apenas os números – e muito pouco - porque Portugal atingiu os mais altos níveis de emigração dos últimos 40 anos. Chamam-lhe até milagre, mas as pessoas não estão a sair do desemprego, estão a abandonar o país que as abandonou!


E esta não tem nada a ver com aquela emigração analfabeta e desqualificada das décadas de 60 e 70 do século passado, que não perdia os laços com o país, e de que a economia e as finanças do país tanto beneficiaram. Esta é uma emigração que deixa o país muito mais pobre e ineficiente. Agora sai gente em cuja educação o país investiu muito. Gente – e veja-se o absurdo – que o país impede de retribuir o que lhe deu, e que prefere entregar de bandeja aos outros.


Dos que cá ficam, uns morrem; outros não podem ter muitos filhos e outros não podem sequer ter filhos… Portugal perdeu o ano passado mais de 55 mil habitantes, vai continuar assim, a perder-se…


Mas ninguém se importa. Há ainda muita gente a achar melodiosa e a deliciar-se com a música que a orquestra continua a tocar… 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Guião para o faz de conta

Por Eduardo Louro


 


Mas foi por isto que esperamos este tempo todo? Foi esta mão cheia de nada que foi tantas vezes anunciada e outras tantas adiada?


Não. Este é apenas mais um episódio da guerra na coligação… Há um ano falava-se de refundação – de repente tudo se refundava, fosse lá isso o que fosse. Havia um corte de 4 mil milhões a fazer e nada como refundar o Estado para resolver o problema… E Passos passou a batata quente para as mãos de Portas.


A tarefa era de monta. E de montra, coisa que ele sempre procura. Só depois percebeu que a bata queimava mesmo, e passou a fugir com o rabo à seringa. Foi fugindo até Passos o encurralar e, bem encostado à parede, saiu-se com isto. Isto a que todos os partidos reagiram menos justamente o PSD! 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Cristiano Ronaldo 10 - Blatter 0

Por Eduardo Louro


 


 


Na FIFA e na UEFA nada tem consequências, nunca sobra sequer uma pontinha que seja de dignidade e nunca ninguém assume responsabilidades. Blatter e Platini são inimputáveis. Salvam-se os resultados morais:Cristiano Ronaldo 10 - Blatter 0!


 

O Estado deste governo

Por Eduardo Louro


 


Se não bastasse a sucessão de disparates, sem sequer intervalo, deste governo aí teríamos as jornadas parlamentares da maioria a provar que isto não tem mesmo cura. E se não bastassem as jornadas parlamentares, aí estaria o regresso em grande da ministra Assunção Cristas.


Como se nada mais preocupasse o país, como se de um país sem qualquer problema se tratasse, a ministra chega de licença de parto e entende que tem que se meter com os animais que as pessoas têm em casa


Este é, decididamente, um governo de loucos. Um governo que diz querer tirar o Estado de tudo, mas depois põe o Estado a meter o nariz em tudo. Na véspera - será que é desta? - da apresentação do guião da reforma do Estado - que o chefe da ministra está para apresentar desde Fevereiro - nada melhor...

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Emoçoes fortes

Por Eduardo Louro


 
Surfista Maya Gabeira sofre acidente na Nazaré


 


Dia de emoções fortes na Nazaré. Porque as ondas não faltaram ao encontro. Porque o surfista brasileiro Carlos Burle poderá ter batido hoje o recorde de Garrett Mcnamara. Mas, acima de tudo porque, antes, salvou a compatriota Maya Gabeira (na foto) da morte...


A jovem brasileira caiu quando, pouco de pois das 7 da manhã, surfava uma onda gigante. Foi recuperada das águas, inconsciente, a partir da intervenção corajosa e arriscada do seu colega. Partiu um tornoselo, nada mais. Felizmente!


Mcnamara não foi à àgua - vai estar por cá ainda todo o próximo mês - e percebe-se que está aberta a caça ao seu recorde. Se não caiu irá certamente cair, batido por um ou por outro. Ou por ele próprio!

domingo, 27 de outubro de 2013

(Quase) Tudo como dantes...

Por Eduardo Louro


 


 


Foi com o padrão qualitativo habitual desta época que o Benfica defrontou hoje o Nacional. Foi com bem mais tranquilidade que o habitual nesta época que o ganhou. Sem nunca ter jogado realmente bem – a excelente jogada de futebol que culminou no primeiro golo foi a excepção que confirma a regra –, sem nunca ter exercido um domínio acentuado sobre o adversário, e sem nunca ter tido o controlo absoluto do jogo, a verdade é que nunca pelo estádio passou qualquer ideia de que a vitória pudesse estar ameaçada. Porque o primeiro golo surgiu relativamente cedo e o segundo logo no arranque da segunda parte, mas também porque a equipa da Madeira nunca pareceu muito capaz de complicar a vida ao Benfica. Por nada mais!


Foi pois mais uma oportunidade perdida para uma primeira exibição que animasse as hostes benfiquistas e, tão ou mais importante, que animasse os jogadores, que os fizesse acreditar. E, já agora, que pudesse dar algum ânimo também a um Jorge Jesus renegerado. Pelo menos a crer naquele extraordinário e inesperado abraço ao surpreendido treinador adversário, certamente a pensar que "um vintém é um vintém e um cretino é um cretino", mas venha de lá esse abraço que isto já fede!


No resto, e à parte a estreia do miúdo Ivan Cavaleiro – nunca se saberá se é resultado de opção convicta de Jesus, e portanto de mais um sintoma do seu processo de regeneração, se de outra coisa qualquer – que, à falta de melhor, é o motivo de galvanização das bancadas, (quase) tudo como dantes. Até a lesão de Siqueira. Já começa a ser difícil contá-los todos… E impossível compreender!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Padrinho à espanhola

Por Eduardo Louro


 


Diz-se que é à espanhola mas acontece na China… Cada vez mais onde tudo acontece!


 

A Catedral:10 anos

Por Eduardo Louro


  


 


Um orgulho igual à chama: enorme. A Bela, com o grande se não de apenas dois campeonatos...


À atenção de quem de direito: cuidado, a Catedral anda a ficar muito despida. Para 10 anos não é muito aconselhável e, com o inverno à porta, pode dar em gripe, se não mesmo em pneumonia.


Parabéns Catedral!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Foi convidado ...não...

Por Eduardo Louro


 


 


Como constava do alinhamento todos apareceram, ninguém faltou ao chamamento. E o chamamento também não faltou, veio de todos os lados, até da mais alta voz do lado de lá do Atlântico: “tem que voltar a politicar”!


Vieram todos? Seguramente que não. Houve quem achasse mais seguro ficar em casa: por causa da chuva!


Como se diz do lado de lá do Atlântico: foi convidado... não!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Problemas com o tempo

Por Eduardo Louro


 LC: Benfica-Olympiakos, 1-1 (destaques)


 


Perto de três semanas depois a equipa do Benfica continua sem melhoras. Há problemas que só o tempo resolve, não adianta procurar soluções. E há outros que o tempo pode não resolver, mas ajuda.


Não são desses, ao contrário do que muita gente pretendia convencer, os problemas do Benfica. O tempo não os resolve nem sequer os ajuda a resolver, pelo contrário: agrava-os!


Por isso, três semanas depois, o Benfica apresenta os mesmos problemas: não tem futebol, não pressiona, não tem capacidade física nem anímica, não crê nem quer.


Não é de tempo o problema do Benfica, mesmo que tenha sido o tempo a resolver hoje as coisas. Mas outro tempo, o temporal que se abateu sobre Lisboa. O tempo e um guarda-redes de outro tempo…


Não fora o tempo que impediu que se jogasse futebol no relvado da Luz durante praticamente toda a segunda parte, e o facto de o guarda-redes Roberto estar agora do outro lado – mau seria que quem tanto prejudicou não encontrasse forma de minimamente se redimir – e o Benfica não teria evitado mais uma derrota que comprometeria decisivamente a continuidade na Champions.


Sim, porque enquanto foi possível jogar a bola o Olimpiakos foi sempre superior. Sim, porque este jogo era mesmo decisivo, como o treinador espanhol (Mitchel) da equipa grega bem salientou.


Este jogo era decisivo, e como ficou empatado, o próximo, em Atenas, também o é. Como o seguinte, em Bruxelas… 


Só não o era, e compreende-se que o não fosse, para o treinador do Benfica: Jesus nunca ganha os jogos decisivos, por isso trata de os desvalorizar. O problema é que agora já nem sequer ganha os que o não são.


Como problema é que, agora, desvaloriza jogadores a um ritmo superior ao que antes valorizava. Problemas que o tempo não resolve. Agrava!


 


 

Lembrar D. Juan Carlos de Borbon y Borbon

Por Eduardo Louro


 


 


Não vou procurar mais adjectivos para Alexandre Soares dos Santos, nem sequer alinhar nos impropérios que o senhor, se não merece, está mesmo a pedir. Não sei nem quero saber se o senhor acha que dar trabalho a uns milhares de portugueses e (não) pagar impostos na Holanda lhe dá o direito de dizer umas alarvidades de vez em quando. Mas sou forçado a admitir que a idade não perdoa: então não é que o senhor já só consegue pensar no jeito que lhe dá que as pessoas trabalhem 7 dia por semana, sem se lembrar do jeito que lhe dá o negócio que faz ao fim de semana?


O rei Juan Carlos, a quem a idade também já vai fazendo das suas, deixou famosa uma expressão que vem mesmo a calhar...

Um grande trabalho

Por Eduardo Louro


 


Muito e diversificado foi o que se escreveu sobre a entrevista de José Sócrates ao Expresso. Escreveu-se, como sempre, contra e a favor de Sócrates. Escreveu-se em função dos pontos de partida (e de chegada) de cada um perante uma das mais controversas figuras da vida política nacional.


Escreveu-se sobre a hipocrisia política, em que é mestre. Sobre a habilidade para contornar o que incomoda, e até para mentir, no que não fica atrás. Mas, mais que tudo, sobre uma imprevisível e irreconhecível linguagem, bem mais que informal, a sugerir a descolagem de uma imagem pública desgastada por uma figura política odiada, para abrir espaço a uma personagem distendida, que lhe abra umas frestas por onde entrem alguns raios de popularidade, indispensáveis mesmo a quem diz não pretender voltar aos favores do povo.


Mas pouco ou nada se escreveu sobre o trabalho jornalístico de excelência da Clara Ferreira Alves, um incontornável trabalho de referência na especialidade. Quando em qualquer escola de jornalismo se ensinar entrevista na variante de peça escrita, mesmo que muitos possam achar que contrarie e fira princípios de isenção e de imparcialidade jornalística, este trabalho terá que lá estar.


É verdade - não é neutro, nem sequer isento. É mesmo empenhado, é envolvido, e às vezes quase militante, sem nunca o chegar a ser…


Mas, para apesar de tudo isso ser um grande trabalho, tem mesmo que ser um enorme trabalho!


 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Programa cautelar

Por Eduardo Louro


 


António Pires de Lima, actual ministro da economia e ex-ministro da economia do novo ciclo, do CDS, anunciou em Londres que Portugal está a preparar o programa cautelar para começar a negociar no início de 2014.


Moreira da Silva, actual ministro do ambiente, da ordenação do território e da energia, e ex-Marco António Costa do PSD, diz que sabe o que é um programa de resgate, que é aquilo a que Portugal está sujeito até Julho do próximo ano, mas que não sabe o que é um programa cautelar. E reforça:  "Essa notícia deve ser clarificada. Programa cautelar é uma definição que ainda não existe no espaço público e por isso não me quero pronunciar".


Quer dizer: o programa cautelar - que Moreira da Silva nem sabe o que é - existe no governo, não existe é no espaço público. E quando vier a existir, Moreira da SIlva diz que não será o CDS a dar-lhe existência. Continua bem a coligação. De boa saúde, recomenda-se...


Entretanto, à cautela, Carlos Moedas reforça a equipa de "acompanhamento da execução de medidas do memorando". Com dois especialistas, de 21 e 22 anos, de "excelentes currículos académicos" e vasta experiência profissional:um estágio profissional de 3 meses no Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e Emprego!


Não há programa cautelar que nos resgate a esta gente!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Cinema de urgência - Doclisboa

Por Eduardo Louro


 



 


Mais informações aqui.

Que se lixe...

Por Eduardo Louro


 


Também fomos enganadosQue se lixe!


 

Hoje...

Por Eduardo Louro


 


... Hoje cantou-se Grândola no Funchal. Fez-se festa na tomada de posse do novo presidente da Câmara, falou-se de mudança e de Primavera. Falou-se de cidadania e cantou-se que o povo é quem mais ordena dentro de ti … ó cidade. No Funchal, na Madeira…


Em Lisboa, uma bancária de 50 anos  e de apelido a condizer, cansada do anonimato, para se dar a conhecer decidiu agradecer não se sabe bem o quê à troika. Coitada, não sabe cantar…

Saiu a fava!

Por Eduardo Louro


 


 


Enquanto a selecção nacional devia procurar alcançar a qualificação directa para o Brasil, a mensagem era que não havia problema nenhum, que o segundo lugar também dava… Keep calm, no pasa nada...


Lá chegados, começaram os problemas. Começou afinal a perceber-se que não era bem assim, que chegar ao play-off não significava mais que disputar com um adversário o direito a chegar ao Brasil. E foi essa ideia – disputar com um adversário – que levou a consciencializar que já não havia Bósnias, o sparring partner das últimas qualificações. E mais: que não havia Bósnia porque já lá estava, no Brasil. Porque, depois de anos a ficar de fora, percebeu que chegar ao play-off não era chegar aos palcos das fases finais. E por isso tratou de ganhar o seu grupo, deixando à selecção da Grécia – de Fernando Santos – as preocupações com o apuramento fora de horas.


A França é que não – dizia Cristiano Ronaldo e diziam todos. Portugal, não – diziam alguns dos franceses, que não Ribery. Depois de três vezes despachada – uma por Platini e duas por Zidane - achava-se que a selecção portuguesa evitaria por isso mesmo a equipa francesa, graças ao mesmo mas agora outro Platini.


A Islândia é que dava jeito, dizia-se. Era a prenda no bolo onde a fava, contando com a mãozinha do francês que manda na UEFA e quer mandar na FIFA, era agora a Suécia. De Ibrahimovich, o cada vez mais especialista em golos incrivelmente espectaculares!


E foi mesmo, para que ninguém mais se esqueça que o play-off é um caminho suplementar para o Brasil e não um simples carimbo para retardatários.


Ah… o brinde – a Islândia – saiu à Croácia. A França também se não pode queixar – calhou-lhe em sorte a Ucrânia. O resto fica por conta da Grécia e da Roménia! 

domingo, 20 de outubro de 2013

Constitucionalidades

Por Eduardo Louro


 


Procuramos incluir o mínimo de questões com polémica” – diz Passos Coelho. Sempre bem sucedido, sempre a atingir objectivos…


E convencido: “está convencido que as soluções que encontrou são soluções que estão de acordo com a nossa prática constitucional”. Naturalmente: a sua prática constitucional é ignorar a Constituição!


Tudo isto no Panamá, ao lado do presidente que ia dizendo que fiscalização preventiva do orçamento é que não. Não foi assim o ano passado, não será assim este ano.


Ah! E sobre aquele funcionário da Comissão Europeia nem uma palavra... Não tem importância nenhuma!


 


 

sábado, 19 de outubro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Rostos portugueses

Por Eduardo Louro


     


 


A Comissão Europeia advertiu o Tribunal Constitucional que “esta não é a altura certa para se envolver em activismos políticos”. É a Comissão Europeia, o órgão mais ilegítimo e anti-democrático da União Europeia, a imiscuir-se na política interna de um país membro, a violar um dos princípios da sua própria constituição e a promover a violação do princípio da separação de poderes num Estado de Direito, justamente o primeiro e fundamental requisito para a adesão.


Mas a Comissão Europeia tem rosto, e estes são rostos portugueses!


São cidadãos portugueses que estão – não sei se em vão – a usar o nome da Comissão Europeia para ilegitimamente e de forma absolutamente intolerável pressionar o Tribunal Constitucional. Durão Barroso deu o exemplo, a ajudar-nos a lembrar da importância de ter um português ano topo da União Europeia. Como o exemplo veio de cima, os funcionários correm a imitá-lo.


Este podia chamar-se Miguel Vasconcelos, mas chama-se Luiz Pessoa e é o chefe da representação da Comissão Europeia em Portugal. E deveria evitar aproximar-se das janelas...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Aconteceu no oeste...

Por Eduardo Louro


 Passos e a 'nova bandeira' nacional inventada pelo México


 


A quem não respeita o país qualquer bandeira serve.


Não é apenas a esfera armilar, assente numa superfície branca. Nem os sete castelos interiores, nem os escudetes... Tudo é deslavado, incluindo um primeiro-ministro fora de validade!


Aconteceu no oeste... Lá longe, no México, onde estas coisas podem até não ter assim tanta importância. Mas não deixam de se notar. E de doer!

Dois perigosos agitadores...

Por Eduardo Louro


... conhecidos pelo seu radicalismo revolucionário, admitem que a actual situação política, e em particular este orçamento, desemboque numa revolta popular

Vozes

Por Eduardo Louro


 


 


Mário Soares segue e soma, sem sequer uma pausa para descanso. Não fosse isso, a deixar a ideia que dispara em todas as direcções e sobre tudo o que mexa, e seria bem maior o peso daquilo que diz.


Não fosse isso – isso e alguns flancos pouco protegidos que fazem com que se multipliquem os anticorpos – e o regime abanaria quando diz que os membros do governo são delinquentes, e que devem ser julgados. Não fosse isso e, como escreve hoje Fernando Dacosta no i, Mário Soares seria o líder da oposição que falta ao país. Não fosse isso, isso e o capital político que desperdiçou nas lutas eleitorais em que, fora de tempo e de nexo, se envolveu depois do seu último mandato presidencial, e seria a voz da ressonância do protesto português.


Não fosse isso e o eco da sua pergunta de hoje - “Porque é que o Presidente da República não é julgado pelo BPN?” - seria equivalente ao estrondo da própria pergunta...


É certamente inédito que, dentro do mesmo regime, um ex-presidente da república chame delinquentes aos membros do governo, reclame o seu julgamento e sugira que há também razões para levar a julgamento o presidente da república em exercício.


Se da parte do governo não veio qualquer reacção, já Cavaco reagiu de imediato, reiterando  “que a única relação que teve com o BPN foi a de depositante”. Mas acrescentando mais uma razão para ser levado a julgamento: por mentir e enganar os portugueses que, como se sabe, não é em Portugal razão para tanto.


Porque, como está farto de saber que nós sabemos, ele não foi um simples depositante. Foi accionista, teve acções, por convite e sem preço de referência da Sociedade Lusa de Negócios, não cotada em bolsa. Lucrou - o lucro não é condenável, mas o lucro anormal é suspeito – em muito com isso. Porque, como ele está farto de saber que nós sabemos, Oliveira e Costa e Dias Loureiro quando fundaram aquela associação criminosa com nome de banco já não eram, como ele diz, ministros dos seus governos. Mas foi à sombra dos seus governos, do partido que liderava e contando com a sua protecção – como ficou mais que evidente na forma como aguentou Dias Loureiro no Conselho de Estado – que o fizeram. As acções que lhe foram parar às mãos reflectem isso mesmo: a sua sombra protectora!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...