sábado, 31 de janeiro de 2026

João Canijo (19587-2026)

João Canijo, professor da Escola das Artes, vence Urso de Prata em ...


Ainda que depois houvesse um argumento, os filmes, as histórias e os diálogos do cinema de João Canijo nasciam de um trabalho de criação com os actores. Chamavam-lhe por isso um cineasta de actores, mas também de mulheres. De actrizes, mas também por trabalhar com equipas maioritariamente compostas por mulheres.


O reconhecimento internacional chegou tarde, mas chegou. Em 2023, com “Mal Viver”, no Urso de Prata para a melhor realização, em Berlim. 


Partiu de repente, depois de um ataque cardíaco fulminante.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não era fácil a tarefa do Benfica nesta sua segunda visita a Moreira de Cónegos, em cinco dias. Depois da fantástica exibição da última terça-feira, tudo o que hoje o Benfica fizesse estaria sempre prejudicado por uma bitola altíssima e difícil de atingir.


E não era imaginável que a exibição se repetisse. Porque cada jogo é um jogo? Porque não há dois jogos iguais? 


Nada disso, isso não passam de balelas do futebolês. Simplesmente porque não é fácil repetir uma exibição daquelas. 


O jogo de hoje foi na realidade outro jogo. O Moreirense fez tudo para que o Benfica não repetisse esse jogo, tentando sempre possível alongar o jogo, e mesmo parti-lo. E no entanto o desfecho final só não foi o mesmo por circunstâncias meramente acidentais. Entre as quais dois penaltis que ficaram por assinalar contra a equipa minhota.


O próprio golo do Moreirense, do mesmo Iuri Medeiros, na última jogada do desafio, com o Benfica já em descompressão, acabou por enfatizar os circunstancialismos que impediram a repetição do resultado.


E isto diz tudo sobre o momento que o Benfica atravessa. Pode não conseguir atingir sempre o brilhantismo de nota 20. Mas, com os mesmos ou com outros jogadores, mantem-se sempre num plano exibicional que poucos atingem e sempre em alto rendimento! 


No momento em que regressou Gaitan, a ditar o injusto regresso de Carcela ao banco, teme-se pela lesão de Lizandro, ainda antes do regresso de Luisão. Que faria igualmente injusto o regresso ao banco do central argentino... 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Benfica 4 - Real Madrid 2

Vê o golo milagroso de Trubin aos 98 que apurou o Benfica'! | DAZN ...


Metido no meio de uma zona do país que a Kristin virou do avesso, sem serviços públicos, água, luz, comunicações, internet, e entregue às parvoíces desta gente que nos finge governar, que brinca e se diverte a fazer que faz alguma coisa - imaginemos estes incompetentes à frente do país durante a Covid! - não me foi possível escrever o que quer que fosse sobre a épica e gloriosa noite de quarta-feira na Catedral, verdadeiramente contrastante com a noite negra e sofrida vivida nesta região, que é a minha. 


Não vou escrever sobre o jogo, mas não podia passar sem aqui deixar o registo deste resultado para a posteridade: Benfica 4 - Real Madrid 2. Para engalanar ao lado dos 5-3 de Amesterdão, de 2 de Maio de 62, na segunda Taça dos Campeões Europeus; dos 5-1 da Luz, de 24 de Fevereiro de 65, nos quartos de final que nos levariam ao 0-1 da final de S. Siro, com o Inter. Já que os 5-2, também da Luz, na Eusébio Cup, em 2012, não têm o mesmo peso histórico.


Foram quatro golos, podiam ter sido mais. Foi uma noite à Benfica, como há muito se não se vivia. Dizer-se que foi um hino ao futebol é dizer pouco. Foi o futebol na sua expressão mais pura, na sua exuberância máxima. O futebol é isto, não é isto mesmo - aquilo que dele querem fazer!


A paixão do futebol é isto. Depois de tantos golos sofridos nos descontos, depois de tanta desilusão, depois de quatro derrotas nos primeiros quatro jogos. Depois da flagrante falta de sorte em Stamford Bridge, do azar da Luz com o Bayer, e da injustiça da derrota de Turim, um golo no último lance, da cabeça do Trubin, quando nem lhe passava pela cabeça que faltava aquele golo para o milagre do apuramento. 


Agora, no play-off ... voltamos a ter Real Madrid.


É mais difícil? Claro que é. Mas só isso - mais difícil!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não houve tempo a perder. Uma semana depois de terem sido levantadas as sanções o presidente iraniano fecha negócios de dezenas de milhares de milhões por Itália e França. Pelos milhões, e para que nada pudesse beliscar a obscura sensibilidade de Hassan Rouhani, os italianos mandaram tapar todas os nus das obras de arte espalhadas pela capital. Já em França, onde os milhões dos negócios eram ainda mais milhões, com muitos aviões e ainda mais petróleo, o vinho falou mais alto que os nus... E Hollande cancelou o almoço com o comprador de bolsos cheios: não há vinho, não há almoço.


Assim é que é. À italiana é que não: quando se baixa muito mostra-se o cu. Nem precisa de estar nu. Basta não ter cuecas... Mas disso o senhor gosta!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


António Costa - e quase todos nós, afinal - estava convencido que, com tantos e tão graves problemas para resolver - refugiados, Schengen, crescimento económico, terrorismo, sei lá ... - a Europa não nos iria chatear muito. E era bem capaz de deixar passar uma incongruência aqui, um bicada num conceito ali, uma alínea do Tratado Orçamental acolá... Ou até mesmo um errozito qualquer numa ou outra conta de um orçamento cheio de contas difíceis. A tal quadratura do círculo, de que aqui se tem falado...


Afinal, não. Nada disso: a Europa não tem nenhum problema para resolver. O problema único é mesmo umas décimas no défice de um pequeno país que não conta para nada, que tem um quarto dos custos do trabalho da Dinamarca, Suécia ou Bélgica. E menos de metade dos da média europeia.


Poderia pensar-se que a Europa, esta Europa, se preocupa com pintelhos, como diria Catroga, uma autoridade na matéria. Até parece, mas se calhar não é bem assim: os burocratas e mangas de alpaca que, para mal dos nossos pecados, tomaram conta da Europa, estão lá para evitar que aos governos nacionais cheguem ideias que saem fora da cartilha que lhe entregaram para impôr. Nada os preocupa o que se passa na Hungria, e na Polónia, mas... alto lá: Um governo apoiado pela esquerda? Quem autorizou uma coisa dessas? Já não se lembram da Grécia?


É a cartilha a sua razão de ser, nada é mais importante. Nem que à sua volta tudo arda e tudo desapareça na destruição das chamas...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O meu amigo Jorge Tomé disse ontem que lhe parecia que o Banif, a que presidira, tinha sido usado como moeda de troca. Que parecia que há muito estaria prometido ao Santander...


Não disse mais - o  Jorge Tomé para além de extraordinariamente competente, é incondicionalmente institucional. Mas nós podemos especular. Ou nem tanto: apenas lembrar a velha estória dos Swaps da Maria Luís. E vem-nos à memória que a coisa com o Santander era um bocado complicada...


Moeda de troca, Jorge. Bem lembrado... Também há quem diga que uma mão lava a outra...


O Santander está a apresentar lucros de 5,9 mil milhões de euros. A prenda no sapatinho rendeu logo de imediato 4,7% disso: praticamente o dobro do valor simbólico que teve de pagar!

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

António Chainho (1938-2026)

António Chainho apresenta novo espetáculo em Reguengos de Monsaraz ...


António Chainho, o embaixador da guitarra portuguesa, um dos maiores guitarristas de sempre, o mestre, deixou-nos hoje. No dia em que completava 88 anos!

Gostava de ter escrito isto

André Ventura pode continuar a ser líder do Chega se for eleito ...

























"Um homem sem (nenhumas) qualidades?

Conhecemos o currículo deste “rapaz” de 42 anos, o seu percurso académico, a ligação à igreja católica, a “carreira” de “comentador desportivo” e a intervenção política. Percebemos o seu perfil psicológico, a maneira como pensa e aquilo que o move.

Só por patetice ou ignorância é que alguém pode dizer que o “rapaz” é fascista. Dizer isso é tão primário e tão básico que nem merece resposta.

O rapaz tem qualidades?

Tem!

É inteligente, imaginativo, determinado e lutador.

O maior defeito que tem é a hipocrisia. Não acredita em nada do que que diz. Não há ali ódio ao cigano, ao imigrante ou ao “corrupto”. São apenas “alvos” da estratégia do hipócrita para atingir os seus objectivos. Escavando no pior que existe dentro de cada um de nós, fazendo vir ao de cima sentimentos que existiram sempre na comunidade:

A desconfiança contra o estrangeiro, sobretudo o que tem cor de pele diferente e contra os ciganos, que há 500 anos são ostracizados e rejeitados.

Essa é que é essa!

E com estes chavões, rodeado de uma massa amorfa de “militantes, uma salada russa de frustrados, ressabiados, escorraçados, semi-analfabetos, ambiciosos que não olham a meios, e até alguma gente de boa fé, que o seguem com o mesmo entusiasmo, com que idolatram o treinador ou presidente do seu clube da bola, única coisa que lhes interessa, único motivo que anima e dá alegria às suas vidas cinzentas. É uma milícia que suscita mais troça e gargalhadas do que receios ...

Aquela falta de educação, aquela gritaria, aquela permanente contradição, dizendo isto hoje e amanhã o seu contrário, não é inata no rapaz. É falsidade. Bem o “baptizou” o Pedro Abrunhosa: “aldrabão de feira”.

Mas é um fingidor dotado de qualidades.

Tem arregimentado uma espécie de tropa fandanga, que pelos casos, casinhos, notícias e investigações já conhecidos, permite perceber a base sociológica da patusca sucia, a que ele chama “partido” e militantes. É uma “maltinha” que não é flor que se cheire ... Só uma trupe destas, é que está sempre disposta a ir atrás de um demagogo qualquer, que berre muito e lhes prometa tudo. Isto, aquilo e o seu contrário.

Sim meus amigos, repito aquilo que venho escrevendo há vários anos:

Não levo o rapaz da coelhinha a sério. Ali não há nem “fascismo”, nem ódio, nem violência. Há apenas falsidade. Um ego gigantesco, aliado a uma inteligência superior. Um fenómeno merecedor de estudo psicológico.

No dia 8 atingirá a cota máxima, como as barragens neste tempo de tanta chuva. No dia 9 começa o seu princípio do fim.

Vai tentar derrubar o rapaz T6 de Espinho, para provocar eleições antecipadas. Mesmo que o derrube não vai ter sucesso. Subiu ao pico sem ir aos Açores.

E depois aparecerão outros rapazinhos com coelhinhas ou gatinhos, a vender a mesma banha da cobra, a prometer os mesmos impossíveis, a vender raiva e a espalhar ódio. Aos berros!

E não lhes faltarão seguidores. É essa a nossa genuína natureza. Gostamos de andar sempre atrás de alguém… Que berre muito. Quanto mais alto melhor, porque somos duros de ouvido e muito custosos de entender…"







































 




 





 





















Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Cavaco voltou a fazer das suas. Provavelmente para assinalar a eleição do seu sucessor e associar-se, também ele, ao fim da longa noite cavaquista, com mais uma desnecessária afronta institucional e, mais uma vez, em flagrante violação da Constituição.


Pode simplesmente ter sido porque sim. Porque lhe está na massa do sangue. Mas, ao vetar as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez e a lei da adopção por casais do mesmo sexo, depois de esgotado o prazo que a Constituição lhe concede para o efeito, no dia seguinte às eleições, não ficam muitas dúvidas que, não querendo deixar de afrontar a actual maioria parlamentar, não quis que isso atrapalhasse a campanha de ninguém.


Mais uma cavaquice. Não terá sido certamente a última...  Mas antes ainda vai ter que promulgar o que agora vetou!

domingo, 25 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Numa campanha propositadamente despolitizada, despida de conteúdo politico, em que Marcelo inovou transformando-a num case study, apenas Henrique Neto trouxe verdadeiro conteúdo para a discussão política. Mesmo pregando no deserto, e sem um discurso mobilizador e entusiasmente, apresentou ideias e fez propostas.


O eleitorado não valorizou nada disso, nem lhe reconheceu grandes méritos. Como não sou dos que entendem que a culpa está nos eleitores, teve que haver alguma coisa de errado na estratégia de comunicação de Henrique Neto. É o que sucede sempre que as ideias não passam... Outras vezes o problema está nas próprias ideias, que parecendo boas acabam sempre por ter qualquer coisa que as enrola


Curiosamente, o que me parece que falhou em Henrique Neto foi mesmo a substância política. O maior erro esteve em enfileirar no regime despolitizado da campanha, acabando, ao fugir dos partidos, por fugir da política. Estar acima dos partidos é uma coisa, como bem mostrou Marcelo. Eliminar a política, esbater a ideologia, é outra. Incompatível com o debate de ideias, como também - e tão bem - Marcelo explicou! 


Sem equadramento político e doutrinário as ideias, mesmo as melhores, perdem-se. Não valem de nada e acabam no esquecimento colectivo com o rótulo de populismo. O que é uma pena, especialmente quando há tão poucas!


 

Benfica 4 - Estrela (Amadora) 0

Pode ser uma imagem de ‎futebol, futebol e ‎texto que diz "‎Emirate FLTBETTE BETTE 15 0 AMA ए BANJAQU EmOA T N يل ¥時 20 rtcik ©SAGA 86 BC RES JAQUI 81 26‎"‎‎


Não era por ser depois de Turim, nem depois do (triste) episódio de ontem, que o Benfica tinha de ganhar este jogo com o Estrela da Amadora, a contar para a 19ª jornada do campeonato. Tinha de o ganhar porque está, ou deveria estar, sempre obrigado a ganhar todos os jogos. 


Com estes antecedentes, especialmente do último, para além de ganhar, o Benfica tinha de jogar bem, ou, mais realisticamente, o mais perto possível disso. É à volta desta obrigação que me parece ter que girar a análise do jogo desta noite, na Catedral, com os perto de 55 mil nas bancadas, a pior assistência da época, para o campeonato.


Mourinho apresentou quatro alterações no onze inicial, o que não é comum. António Silva regressou ao centro da defesa, ao lado de Otamendi, e em vez do Tomás; Enzo ao meio campo, ao lado de Aursnes, em vez do Barreiro; Lopes Cabral à ala esquerda, na vez de Schjelderup; e, a grande novidade e uma das grandes atracções da noite, Banjaqui, um dos nove jogadores do Benfica campeões do mundo em sub 17, estreou-se a titular, para dar descanso a Dedic. 


Apesar do susto inicial, logo no primeiro minuto - erro de Otamendi, num atraso falhado para Trubin, que o António safou para canto já com a bola a caminho da baliza - o Benfica entrou forte no jogo. De tal forma que o jogo poderia ter ficado muito perto de resolvido logo nos primeiros minutos. Não tanto pelas oportunidades de golo criadas - na verdade apenas uma, no melhor lance de futebol de todo o jogo, com o toque final do Aursnes a acabar a rasar o poste esquerdo da baliza do Renan - mas pelas sucessivas faltas grosseiras com que os jogadores do Estrela responderam à pressão dos do Benfica que, com um árbitro a sério, daqueles que não há cá, teriam certamente causado baixas.


Aos poucos, a partir do primeiro quarto de hora, a intensidade dos jogadores Benfica, e com ela a concentração, começou a baixar e rapidamente a exibição colectiva descampou para o pior do que se tem visto. Os jogadores do Estrela, mesmo sem nunca atingirem níveis sequer aceitáveis, começaram a acreditar que podiam discutir o jogo. Evidentemente que nada disso passava despercebido nas bancadas.


O futebol do Benfica eram cruzamentos que não davam em nada. Era simplesmente cruzar por cruzar. Cruzar para a área com seis ou sete jogadores da Amadora e um do Benfica. Ou para o segundo poste, onde não estava ninguém. Nada de remates, nada da mínima oportunidade para marcar. E nada mais que a excitação que o menino que jogava na lateral direita trazia às bancadas.


Foi assim durante meia hora. Estávamos nisso quando as bancadas assinalaram o minuto 29 para homenagear Feher, no 22º aniversário da sua morte. Até que, em cima do intervalo, num canto cobrado pelo Lopes Cabral, Pavlidis foi lá acima e marcou, de cabeça.


Ao intervalo Mourinho trocou Enzo por Barreiro. E fez bem. Não por já ter um amarelo, que Aursnes também já tinha (ao contrário de Enzo, a evitar um ataque adversário perigoso), mas porque o argentino revelou não ter condições. Nem técnicas, de forma, nem tácticas.


A melhoria foi imediata, até porque logo aos 10 minutos, depois de ter entrado na área, o Lopes Cabral foi travado, com um pisão. E na conversão do penálti Pavlidis fez o segundo golo, com um remate forte e colocado, junto ao ângulo superior esquerdo da baliza. Exactamente, como se percebeu, como tentara em Turim, quando escorregou.


Se o problema tem sido falta de eficácia - e tem - desta vez não havia razão de queixa. Dois golos em três ou quatro oportunidades. Três minutos depois, num lançamento de Trubin, Lopes Cabral isolou-se à frente de Renan, marcou o terceiro e abriu, então sim, definitivamente as portas à exibição, e a emoção saltou para as bancadas.


Se as entradas do Diogo Priostes, mais um dos nossos miúdos, do Rafa - um regresso que, não sendo nem pacífico nem unânime - e, pouco de pois, do Anísio Cabral, o miúdo ponta de lança, também campeão do mundo, fizeram subir o termómetro do entusiasmo, a emoção explodiu ao minuto 84.  Quando se assinalavam os 84 anos que Eusébio hoje celebraria, se não tivesse partido para o quarto anel há 12 anos, feitos há dias. E quando Banjaqui cruzou da direita para o seu colega e amigo Anísio, de cabeça, marcar o quarto golo. Um minuto depois de ter entrado, na primeira vez que tocou na bola!


Momento mágico. Que, mais do que a expressão de goleada que deu ao resultado, teve a magia de fazer crer que o Benfica produziu um jogo de qualidade. De fazer crer que estes jovens, que hoje tanto brilharam, irão ser apostas de curto prazo, em vez de contratações anunciadas todos os dias. Ou de fazer crer que ontem não se passou nada no Seixal. 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Percebemos que há muito boa gente que não percebeu nada disto.


Maria de Belém, e boa parte do aparelho socialista, não percebeu nada disto. "Isto", no caso, é aquilo a muita gente chama "tempo novo". E, ao não perceberem nada disto, só mostraram como é fraca a poderosa ala direita do PS. E os equívocos do aparelhismo...


Para percebermos que também o PC, que costuma perceber tudo depressa, não percebeu nada disto, bastou uma frase. De Jerónimo de Sousa: "Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar". Pois não!


O PSD, não será o PSD profundo mas certamente o PSD mais papista que o Papa - que ainda é Pedro Passos Coelho - que se espalhou pelo comentário das televisões, também não percebeu nada disto. Não percebeu que não há vinganças, que a sociedade portuguesa já acomodou os resultados das legislativas, que Cavaco vai embora, e que Marcelo é outra coisa. Que não tem nada a ver...


Também não percebeu nada disto quem, onde voltam a estar este PSD e o seu permanente parceiro do lado, não percebeu ainda que António Costa nunca perde. O PS perdeu, mas o primeiro-ministro não. De maneira nenhuma, como se perceberia mesmo sem necessidade de o ouvir na noite de ontem.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Sem surpresa, a abstenção continua a crescer e a confirmar o divórcio dos portugueses com a coisa política. Nunca foi tão elevada em eleições (que não em reeleições) presidenciais, e só não se pode dizer que mais de metade dos portugueses desistiu já de participar com o seu voto, porque nestes mais de 50% de abstenção, uma boa parte - à volta de 17 - não é pessoas. É falta de decência técnica!


Sem surpresa, Marcelo ganhou à primeira volta e, sem surpresa, é o próximo Presidente da República. Sem supresa o resultado eleitoral de Sampaio da Nóvoa que, não fosse Marcelo, lhe daria para disputar a eleição à segunda volta. Sem surpresa, a não ser no grau, a severa derrota de Maria de Belém e da ala e dos equívocos que representa no PS. E ainda sem grande surpresa, Marisa Matias confirmou o resultado eleitoral do espaço político que representa, que inquestionavelmente se confirma como terceira força política do desgastado xadrez partidário do país.


Afinal, surpresas apenas duas: o desastre eleitoral do candidato do PC e o êxito eleitoral de uma figura como Tino de Rãs. Surpreendente, o primeiro, porque os comunistas costumam segurar bem os seus voltos. E parece que já não o conseguem... O segundo porque, apesar de fenómenos desta natureza acontecerem com frequência em muitas democracias, tem a surpresa de uma expressão ao nível das candidaturas de Edgar Sllva e de Maria de Belém. De outro campeonato!


Desta noite eleitoral fica sobretudo o insólito de, na RTP, terem sido os próprios candidatos a anunciar a vitória absoluta de Marcelo. Às oito da noite, com a pompa do count down, José Rodrigues dos Santos anunciava o resultado exclusivo da sondagem da Católica à boca das urnas, que, apregoava ele, acertava sempre ... Que afinal, com o seu intervalo de 49 a 52% dos votos para Marcelo, não acrescentava nada às sondagens todas das últimas semanas...


Depois, claro, já todos os candidatos davam os parabéns ao presidente eleito e ainda a RTP estava presa pelo limite inferior da sondagem.  

Bater no fundo

O comunicado do Benfica sobre a entrada de adeptos no Seixal


Acho pouca piada a adeptos de cara tapada a aproximarem-se de centros de treino. Não acho nenhuma quando isso acontece no meu Benfica. E fico deprimido se é esta resposta patética que há para dar.


Está tudo ainda mais errado do que eu pensava. O pior é que ainda não bateu no fundo...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Nota artística, como dizia o outro. Já são raros os passes fahados, e com os jogadores - e o treinador - a transbordar confiança sucedem-se os adornos que abrilhantam o espectáculo. Até os patinhos feios são já belos cisnes, como Pizzi, há muito, e André Almeida, hoje, fazem questão de demonstrar. É do actual Benfica que estou a falar, e em particular da exibição de hoje frente ao Arouca: uma exibição de encher o olho, que só não deu em goleada de sete ou oito porque ... há dias assim: por isto ou por aquilo a bola não entra.


Jonas, que não tem nada a ver com a tempestade que está a varrer os Estados Unidos, e é apenas nome de um dos mais brilhantes jogadores do Benfica, foi a maior vítima de ... de um desses dias assim. De tal forma que, quando finalmente marcou, já o jogo tinha muito mais de uma hora, nem festejou o golo. Mas não foi de raiva, foi mesmo porque depois de ultrapassar a defesa do Arouca teve ainda que vencer a oposição de Mitroglou, que queria o golo para ele. O bis.


Foi isto o jogo: o Benfica a dar espectáculo e a falhar golos, e o Arouca - a dividir a posse de bola, tentando espalhar-se pelo campo todo, é certo -  a perguntar-se como é que se estava a safar de uma goleada das antigas. Estavam nisto quando, no primeiro dos tês minutos de compensação, num canto, marcam o golo. E assim acaba num vulgaríssimo 3-1 um jogo que podia ser de sete ou oito... Tão enganador que até enganou o Lito Vidigal.  

Entretanto, em Davos ...

Global supply volatility ‘no just’ a short shock in 2026


Não sei se em Davos nasceu uma estrela. Sei que, em Davos, o palhaço não foi estrela. Voltou a ser apenas palhaço!


Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, foi a estrela. Deixou claro que a  velha ordem morreu, e não vai voltar. E que isso não é um drama, mas a oportunidade para construirmos algo melhor, mais forte e mais justo. Para deixarmos os poderosos com o seu poder, e construirmos o nosso. Para "deixarmos de fingir", e construirmos "a nossa força em nossa casa", agindo em conjunto.


Davos pode nunca ter servido para nada. Nunca passou de um clube de ricos onde uns ostentaram riqueza e outros esconderam misérias. Pode desta vez, quando tudo bateu no fundo, servir para alguma coisa. Se servir para convencer o resto do mundo, e em particular a Europa, a  "deixar de fingir" já servirá para alguma coisa.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não passa de um esboço o esboço que temos do esboço do Orçamento. Tudo em draft, nada de difinitivo porque isto de quadrar o círculo é sempre muito "não me comprometam".


Diz-se que hoje teremos mais notícias. Vamos aguardar.... Para já sabe-se que, para Bruxelas ver, o défice será de 2,6 e não dos 2,8% das contas do governo. E que também o crescimento económico se retraiu dos dificilmente imagináveis 2,4% para os pouco menos inimagináveis 2,1.


Temos portanto menos crescimento, e por isso menos receita e, ao mesmo tempo, menos cerca de 400 milhões de euros de défice  Só a despesa é a mesma!


Parece que o governo quer resolver esta equação de difícil solução com os combustíveis, e deve ser isto que Mário Centeno acabará ainda hoje por dizer. Se,  com o petróleo a 25 ou a 100 dólares, os preços dos combustíveis são os mesmos, ao menos que dê para baixar o défice.  Depois - naturalmente - das petrolíferas terem reposto as suas margens, como ficamos a saber quando, há dias, Mira Amaral nos explicou que os preços dos combustíveis não acompanham os do crude porque as petrolíferas têm que repôr as suas margens. Que nós nunca percebemos que alguma vez tivessem perdido... Mas isso é problema nosso... E o resto também!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Juventus 2 - Benfica 0

O momento de infelicidade de Pavlidis na marcação do penálti


E pronto ... a Champions também já foi. Fica por aqui, evidentemente que não há milagres!


O Benfica tinha de ganhar esta noite, em Turim, para manter acesa a chama imensa de prosseguir na prova mais importante do futebol de clubes. Não era tarefa fácil, mas até a História ajudava: a Juventus só por uma vez, há para aí 30 anos, lhe ganhara, e nem sequer foi na Champions, e perdera sempre nos últimos anos, e nesta mesma competição.


A História poderia bem ter-se repetido esta noite. O Benfica surgiu no Estádio da Juventus - sem adeptos do Benfica, mais uma vez penalizados pela pirotecnia dos vândalos - com vontade de que se repetisse. Com o mesmo onze de Vila do Conde, o tal com os jogadores nas suas posições, e com dois alas, controlou quase sempre o jogo e dominou-o durante muito tempo.


À pressão e intensidade com que a Juventus entrou, o Benfica respondeu com tranquilidade e concentração. A meio da primeira parte já o Benfica tinha dominado o ímpeto inicial da equipa italiana, e já estava claramente por cima do jogo. Ao intervalo o nulo era já o resultado da falta de eficácia, pois as oportunidades não faltaram.


Mesmo com as alterações de Spalletti, com a entrada ao intervalo de Francisco Conceição, o arranque da segunda parte confirmava a superioridade do Benfica no jogo. Interrompida abruptamente no fim dos primeiros 10 minutos quando, à boa maneira italiana, na primeira vez que a chegou à outra grande-área, marcou. O primeiro, e decisivo, golo da partida.


A Juventus acumulava então erros defensivos, uns atrás do outros, que deixavam Spalletti de mãos na cabeça, e que o Benfica desperdiçava ao mesmo ritmo. Mas marcava ao primeiro erro do Benfica: Tomás Araújo cedeu à pressão de Jonathan David e Thuram, que rematou junto ao poste direito de Trubin, que também não foi alheio ao erro, com a bola a passar-lhe por baixo da mão.


Pouco mais de 5 minutos seria o segundo. Se o primeiro já fora difícil de engolir, este é simplesmente inaceitável ao nível da Champions, com Aursnes a perder o duelo com McKennie e, a partir daí, com (de novo) Jonathan David, os  dois, contra seis do Benfica, a entrarem na área como faca quente em manteiga, e McKennie a entrar até pela baliza dentro.


A ganhar por 2-0, e com meia hora para jogar, à Juventus bastava continuar a ser italiana. E poderia até ter marcado o terceiro, quando o poste e Trubin evitaram um auto-golo da Tomás Araújo, naquele período desnorte que o golo inicial abriu. Mourinho  trocou então Schjelderup e Sudakov por Ivanovic  e Enzo, adiantando Leandro Barreiro, voltou a comandar o jogo, e voltou até  a criar oportunidades para a reviravolta no resultado.


Mas nem um golo conseguiu marcar. Pode sempre falar-se de sorte e azar. A sorte que a uns nunca vira as costas, mas que normalmente falta ao Benfica. A bola no poste, é azar. A escorregadela de Pavlidis que o leva a falhar o penálti, é falta de sorte. Mas não se pode deixar de falar de competência. 


Se naquelas duas ocasiões faltou obviamente sorte, em todas as restantes faltou competência. A decidir, a finalizar e, evidentemente, a defender.


O Benfica fez praticamente o dobro dos remates da Juventus. Teve o dobro dos cantos. Criou bem mais oportunidades de golo. Teve mais bola, fez mais passes, e acertou bastantes mais. Fez menos faltas. Fez tudo melhor, mas não foi mais competente.


Foi essa a marca maior que o Benfica deixou nesta Champions. Raramente foi competente. A falta de competência é, de resto, o drama deste Benfica!

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não é fácil tirar as subvenções vitalícias e a decisão do Tribunal Constitucional da ordem do dia. Porque o assunto choca, e já não é de agora, e  pelo impacto político na campanha eleitoral em curso.


 Mas também por outras razões. Já certamente repararam na muita gente que está a chamar a atenção para o facto dos que agora contestam esta decisão do Tribunal Constitucional serem precisamente os que, antes, aplaudiam as outras. Não há, evidentemente, nenhuma contradição nisso: ninguém está obrigado a concordar sempre com as decisões do Trinunal Constitucional. Está, sim, obrigado a acatar e a cumprir essas determinações. Nada mais que isso. Tudo o que se pretender que vá para além disso não passa de uma tentativa de manipulação da opinião pública, com o objectivo de limpar a governação anterior de todas as inconstitucionalidades e demais desgraças da sua acção.


Não sobrarão grandes dúvidas que, no contexto das presidenciais, é Maria de Belém quem sai mais penalizada. Não sei se a divulgação da notícia no dia do debate geral na RTP é mais que uma coincidência. Nem se ela própria percebeu logo que era o alvo, e se por isso se refugiou no pesar pela morte de Almeida Santos para evitar a presença no debate. Sei é que, se é Maria de Belém quem mais perde, quem mais ganha é Sampaio da Nóvoa. Que, como se viu, aproveitou a oportunidade. Mesmo que mal, acabando até por chamuscar os apoios presidenciais de que tanto diz orgulhar-se.


Entre os apoiantes de Sampaio da Nóvoa, além do mais mandatária para os assuntos constituicionais, está a deputada da mil e uma causas e de opinião desenvolta, Isabel Moreira. Que foi na altura - já lá vai mais de uma ano - quem precisamente deu a cara por tão chocante coisa. Ao lado de Pedro Passos Coelho, Marques Guedes, José Lelo e Couto dos Santos, e que por isso agora está calada. Talvez os portugueses não se esqueçam...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Claro que é escandaloso que o Tribunal Constitucional tenha declarado inconstitucional a norma que suspendera as subvenções vitalícias, sem condição de recurso, aos titulares de cargos políticos. Porque não é de um direito que se trata, é de um previlégio!


Um previlégio que trinta deputados não quiseram perder: 21 do PS e 9 do PSD. A fina flor... Todos e cada um deles em boa companhia, cada um melhor que o outro. Entre eles, e sem surpresa, uma candidata a Presidente da República. Para unir os portugueses...

Presidenciais. E agora?

Presidenciais 2026: Seguro é o candidato mais votado na primeira volta —  idealista/news


Os resultados de ontem não surpreenderam. A pontinha de surpresa só pode caber na expressão da votação em Seguro, ultrapassando os 31%, quando as sondagens se ficavam à volta dos 20. Os 23,5% de Ventura, se bem que também ligeiramente acima dos resultados das sondagens, são perfeitamente naturais. É essa a expressão actual da extrema direita. 


Quer isto dizer que as sondagens andaram sempre certas. Bom, sempre, não. A Intercampus só andou por lá perto na sondagem final, à boca das urnas. Antes, durante a campanha eleitoral, nunca nada bateu certo com as outras.


As sondagens - mas também a percepção que temos, valha lá o que valer - revelam que é grande a taxa de rejeição a Ventura, apesar de todo um percurso de normalização da personagem. Perante os diferentes cenários para a segunda volta, todas as sondagens indicavam que Ventura perderia para todos os hipotéticos adversários. Se não estou em erro, a maior diferença era mesmo registada no confronto com Seguro.


Desconfio que não seja tanto assim, e que as próximas sondagens, que entretanto começarão a surgir para a segunda volta, apontarão para resultados bem mais apertados do que as anteriores sondagens (secundárias) sugeriam. 


O espaço político natural de António José Seguro, incluindo-lhe a esquerda, não valerá neste momento muito mais 35% do eleitorado, traduzindo-se em cerca de 2 milhões e 100 mil votos.


O de Ventura, como já acima me atravessei, não vai além dos 25%. O "fenómeno" Ventura bateu no tecto. Perdeu 111 mil votos em relação às legislativas de Maio. Dos 1.437.881 votos que então lhe valeram 60 deputados, e a segunda maior representação parlamentar, Ventura recolheu agora 1 326 644 votos. 


Não se pode normalmente fazer comparações entre eleições diferentes. Menos ainda quando se colocam em perspectiva eleições de cariz eminentemente pessoal com as de cariz partidário. No caso de André Ventura são a mesma coisa. O Chega é Ventura, nas legislativas e nas autárquicas; e Ventura é o Chega nas presidenciais. E por isso não dúvida que Ventura, por si e pelo fenómeno que representa, já não está a crescer. 


O que não quer dizer que não possa crescer. E muito menos que não vá crescer nesta segunda volta. Vai inevitavelmente, e só não se sabe até onde. Porque a partir daqui entra uma dinâmica em funcionamento. Chame-se-lhe dinâmica de poder, de oportunidade, ou outra coisa qualquer. É um boost que, uma vez activado, vai somar-se ao seu peso específico e determinar o novo valor facial de Ventura. 


Ao deixar fugir-lhe a boca para a verdade, Cotrim de Figueiredo anunciou apoiá-lo na segunda volta. Isto não quererá dizer que os seus 900 mil votos corram direitinhos para Ventura; mas não custa muito admitir que a grande maioria deles siga esse caminho. 


Montenegro veio dizer que a sua área política perdeu e, não estando representada nesta segunda volta, não tem em quem votar. A leitura directa destas palavras é que, entre o democrata e um anti-democrata, não há escolha. Há abstenção, ou voto branco.


Também se sabe que não é assim, e que os 637 mil que votaram na calamitosa candidatura de Marques Mendes irão na sua maioria votar na segunda volta. São os fiéis do partido, mas a maioria não votará em branco. 


Seria provável que a maioria dos quase 700 mil votos em Gouveia e Melo pudesse reverter agora a favor de Seguro. Mesmo que também o almirante achasse ainda cedo para decidir entre o apoio a um democrata e ficar calado, é do destino da maioria destes votos que Seguro fica a depender para assegurar os 800 mil que hoje lhe faltam para derrotar Ventura.


 

Hoje*

Eu, Psicóloga | O que aprendi com a morte da minha mãe – LITORAL CENTRO –  COMUNICAÇÃO E IMAGEM


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


*Publicado todos os anos, neste dia. Hoje!

domingo, 18 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Em 2013, há apenas dois anos, chocáva-nos que apenas trezentas e poucas pessoas, os trezentos e tal mais ricos, detivessem tanta riqueza quanto metade do mundo, a metade mais pobre. Um ano depois esse número baixava para menos de metade e em 2015, dois anos depois, para 62. Nem mais: hoje, os 62 mais ricos do mundo acumulam uma riqueza superior à de metade da população mundial. E, pelo vistos, isso já não choca ninguém. Pelos vistos, o mundo aceita que assim seja. Pelos vistos, o sistema transformou-se num monstro que conseguiu eliminar todos os obstáculos ao seu crescimento ilimitado e à ganância insaciável dos que o dominam. Mas esqueceu-se de um pequeno pormenor: a ganância tornou-o autofágico. É que a distribuição de riqueza  não é apenas um indicador de desenvolvimento. É também um factor central de crescimento económico. E o crescimento económico é o oxigénio do sistema...

sábado, 17 de janeiro de 2026

Rio Ave o - Benfica 2

Brandon Aguilera, Sudakov e João Tomé


Na primeira jornada da segunda volta, e primeira deste novo 2026, em Vila do Conde, provavelmente a melhor exibição do Benfica da época. A primeira meia hora do jogo é certamente do melhor que se viu nesta época.   


O Benfica entrou de forma dominadora no jogo, encostando o Rio Ave lá atrás, fechado num 5X4X1, que na maior parte do tempo eram apenas duas linhas de cinco, bem encostadas uma à outra. A essa fórmula pressionante, asfixiante, e avassaladora, o Benfica acrescentou qualidade de jogo. Muita qualidade, assente na condição técnica dos jogadores e na variabilidade da abordagem ao último reduto adversário.


A isto, à qualidade do futebol que a equipa apresentou, não é - não pode ser, por muito que Mourinho se recuse a admiti-lo, porque isso seria dar a mão à palmatória, coisa de que não gosta mas que, acima de tudo, por esta altura, não quer - alheia nem à circunstância de todos as peças estarem encaixadas nos seus lugares, nem à de, nas faixas laterais, jogarem dois alas.


Às vezes há males que vêm por bem. As lesões de que Mourinho tanto se queixa podem ser um desses males. Repare-se que a ausência de Rios, somada à Enzo, obrigou Aursnes a fixar-se no meio do meio campo, o seis, o pivot, deixando a ala direita. E Barreiro a abandonar a posição 10, ou de segundo avançado, para ser oito; deixando-a para Sudakov, que teve de abandonar a ala esquerda. À falta de outros - Manu, como se viu está longe do que prometera quando chegou, há ano, antes da lesão - tiveram que entrar Schjelderup e Prestiani, dois alas, mesmo que ambos mais talhados para a faixa esquerda.


E foi precisamente à volta de todos estes jogadores, nas posições em que mais rendem, que começou a categorizada exibição do Benfica em Vila do Conde. O resto foi acrescentado pelos dois laterais, Dedic na direita, e Dahl, na esquerda. 


Sudakov, o meu melhor em campo, movimentou-se por todo o campo, ofereceu sempre várias soluções de passe, encontrou todos os espaços que o jogo oferecia, e fez a diferença nas triangulações com Dahl (anulou o André Luís, somou recuperações e iniciou sempre os ataques de forma limpa) e Schjelderup (sempre a encarar o adversário e a decidir com critério, no lance individual, ou no passe a descobrir médios ou o lateral do seu corredor), que fizeram parte do melhor que se viu na primeira meia hora. 


Na ala direita Dedic e Prestiani não foram tão exuberantes, mas nem por isso menos influentes naquele turbilhão de futebol. O argentino só viria a pecar por algum individualismo quando, parecendo obcecado pelo golo, desatou a rematar de toda a maneira e feitio - foi quem mais rematou - frequentemente com algum despropósito.


 Leandro Barreiro, oficialmente o melhor em campo, voltou a assinar uma exibição de grande nível. Dividiu com Aursnes as sucessivas recuperações de bola que permitiram manter a cadência asfixiante do ataque, cumpriu rigorosamente na primeira fase de construção, esteve sempre nos movimentos de chegada à área adversária, e ... marcou o golo.


No primeiro quarto de hora o vendaval de futebol gerou quatro grandes oportunidade que só não deram em golo porque um dos jogadores da equipa sediada em Vila do Conde, Nelson Abbey, fez milagres a impedi-lo; e Pavlidis, Dedic ou Tomás Araújo falharam-no.  A mais incrível, já a exasperar, aconteceu no remate de Schjelderup que levou a bola a saltar do poste para a linha de golo, donde  um tal Petrasso a tirou, sem ter ficado muito claro se não tinha entrado.


Logo a seguir, a fechar o primeiro quarto de hora, à quinta oportunidade de golo, Barreiro marcou finalmente o primeiro. O vendaval de futebol continuou e logo a seguir o árbitro assinalou penálti: depois de ultrapassado pelo Dedic, o defesa do Rio Ave caiu em cima da bola e tocou-a com as duas mãos, uma de cada vez. O VAR reverteu. 


Se fosse ao contrário, ninguém terá dúvidas que o VAR não interviria. De resto não interveio, depois, quando o Barreiro foi pisado dentro da área do Rio Ave.


Se o primeiro golo surgiu um minuto depois daquele momento de frustração da bola que foi tirada de cima da linha de golo, o segundo surgiria um minutominuo depois da frustração da reversão do penálti, quatro minutos depois da jogada do Dedic, que foi o tempo perdido na revisão do VAR, a quebrar o ritmo que o Benfica dava ao jogo. Foi, de novo, Dedic a ir por ali fora e cruzar a bola bem para dentro da área. Desta vez da floresta de penas saiu uma, de um tal Ntoi, que cortou a bola, mas para dentro da baliza.


Ninguém diria que seria aquele auto-golo a fechar o resultado, a meio da primeira parte. Mas foi assim, provavelmente no resultado mais mentiroso deste campeonato. No fim da primeira parte, quinze remates, quase 75% de posse de bola, e nove ou dez oportunidades de golo não tinham dado para mais que dois golos.


O Benfica entrou para a segunda parte no mesmo registo. Nem parecia que tinha havido intervalo. O mesmo futebol, o mesmo domínio, os mesmos remates ... à mesma sem golos. A partir da hora de jogo, com o resultado a manter-se teimosamente, e porque também não era possível manter aquele ritmo durante noventa minutos, o Benfica mudou o chip para modo controle. 


E controlou o jogo. Houve um susto, quando já perto da entrada para o último quarto de hora o Clayton, de resto num excelente remate, mandou a bola para dentro da baliza de Trubin. Estava fora de jogo, por pouco mas, de resto, logo assinalado. Foi o único susto. Logo a seguir Pavlidis - em noite não de golos - voltaria a falhar um golo cantado, a cruzamento de Sidny, já no lugar de Schjelderup. O resto foi domínio e controlo absoluto do jogo, que acabaria, no último lance, com mais uma oportunidade para Pavlidis, que permitiu a última defesa de Miszta.


 


 


 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não sei se, como Obama garante, os Estados Unidos terão por tão certo que o Irão em circunstância alguma venha a usar a bomba atómica. Mas sei, sem qualquer dúvida que, nos tempos que correm nas economias ocidentais, um mercado de 80 milhões de consumidores, ainda por cima alimentado a petróleo, não se pode desprezar. Por muito que sauditas e israelitas se irritem com isso...


Mas, por mera hipocrisia da política externa, por pragamatismo da economia política ou por absoluta convicção, esta é sempre uma boa notícia. A abertura de regimes como o do Irão nunca se fará sem espaço no concerto internacional. E quanto mais fechados sobre si próprios mais perigosos se tornam. E, com armas nucleares, mais ainda... 

Simplesmente estúpido

Maria Corina entrega Nobel da Paz a Trump, mas é ignorada na Casa Branca


Se bem o anunciou, melhor o fez!


Num acto patético, e de despudorada vassalagem, Corina Machado entregou ontem o seu prémio Nobel a Trump, consumando o que estava anunciado


Não sendo possível descortinar qualquer racional, a atitude da senhora só pode ser considerada um acto tresloucado, patético e ridículo. Nem sequer se pode dizer que a senhora se tenha vendido. Nem por milhões, nem por feijões. Não obteve qualquer ganho de causa. Trump não lhe declarou nada e não se comprometeu com mais nada que não continuar a trabalhar com o regime venezuelano, que mantém exactamente como com Maduro. É simplesmente estúpido!


 O Instituto Nobel da Noruega tinha advertido que o prémio "não pode ser revogado, transferido ou partilhado". Não lho podendo retirar, não lhe poupam nos adjectivos: patético, insólito e ridículo!


Corina Machado mostrou que não está à altura de um prémio Nobel. Da Paz ou de qualquer outro. Mas que também não está à altura da condição que levou a que lho atribuíssem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Benfica ganhou hoje na Amoreira, com o Estoril, um dos jogos mais importantes, mas também um dos mais curiosos, desta liga.


Em primeiro lugar há que dizer que poucos jogos terão tido resultados tão mentirosos quanto este. O Benfica ganhou por 2-1 um jogo que dominou por completo, mesmo quando jogou mal, como aconteceu durante mais de metade da primeira parte. Criou uma dezena de oportunidades claras de golo - uma pareceu mais que oportunidade, pareceu mesmo golo e não pode deixar de nos lembrar aquele penalti que o Jorge de Sousa assinalou no passado domingo, em Alvalade - sofreu o golo logo no no início do jogo, no primeiro ataque e no primeiro e único remate do Estoril. Mesmo assim, tem de se dizer que foi Júlio César a salvar a vitória, quando no último lance do jogo fez a sua única defesa, impedindo uma bola desviada de entrar na baliza.


O Benfica entrou bem no jogo, rápido e intenso, a criar logo oportunidades para marcar, incluindo uma bola no ferro. Mas o golo do Estoril quebrou essa dinâmica e a equipa, dominado por completo o jogo, só fazia isso mesmo: ter a bola, mas com pouca utilidade. Especialmente porque Raul Jimenez andava perdido, sem saber o que andava ali a fazer. Tentando fazer o que não sabe nem pode, e abdicando dos espaços onde pode fazer alguma coisa do que sabe, e pode.


De tal forma que se poderá dizer que bastou ao intervalo substituí-lo por Mitroglou para que a segunda parte fosse diferente, e o Benfica pudesse virar o resultado e criar sucessivas ocasiões de golo. E aqui começa o desfile de curiosidades deste jogo. Logo a seguir ao golo do empate, obra do grego, o Benfica estava obrigado a não abrandar, para chegar ao segundo. Ao invés, ao Estoril interessava lançar mão de tudo para quebrar aquele ritmo. O Benfica fez aquilo a que estava obrigado, e na jogada seguinte já estava em cima da baliza adversária, quando, da bancada onde estavam os seus adeptos, saiu uma tocha que quase atingia MItroglou, bem no meio da grande área, que provocou a primeira interrupção do jogo. Dir-se-ia que não faz sentido, mas um imbecil é um imbecil... Não é outra coisa.


Logo a seguir foram os jogadores do Estorill que começaram a provocar interrupções, e por alguns minutos chegou a pensar-se que o Benfica perderia o élan do golo do empate. Nada disso, a equipa voltou a encontrar o ritmo, e acabou por chegar bem cedo ainda ao golo da vitória. E nem sequer a quebra na iluminação, com mais uma interrupção prolongada, impediu o Benfica de voltar a mandar no jogo.  


E aí está o Benfica, bem no centro da discussão do título, a dois pontos da liderança,  já a jogar um futebol de muito boa qualidade, com os jogadores a demonstrarem confiança. E crença, que é fundamental!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Afinal o Alex foi amigo. Deu um fim de semana prolongado aos açoreanos e não quis nada em troca... É danado para fazer amigos, este Alex...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Porto 1 - Benfica 0

As reações à derrota do Benfica: «É o reflexo do estado anímico, o lance do Pavlidis mostra isso»


A maré negra continua, o Benfica está já também fora da Taça e, em Janeiro, já não há com que salvar a época. 


O sorteio não quis nada com o Benfica nesta edição da Taça de Portugal, a segunda mais importante competição do calendário nacional. Foi obrigado a disputar todos os jogo fora de casa, e o dos quartos de final no Dragão. 


Mas, com bolas quentes ou bolas frias, sorteio é sorteio e o Benfica, depois da primeira derrota interna, no inqualificável jogo das meias finais da Taça da Liga com o Braga (que logo a seguir perdeu a final para o Vitória de Guimarães, e hoje foi igualmente eliminado da Taça pelo Fafe, da Liga 3), surgiu no Dragão sem medos, nem complexos.


Deixou isso claro logo que o árbitro Fábio Veríssimo - mais uma provocação do Conselho de Arbitragem, e nem é pela sua história contra o Benfica, é por ser o árbitro que denunciou que as práticas do Porto continuam à maneira antiga, e de daí decorrerem processos ainda em curso - apitou para o início do jogo. 


Pelos recentes impedimentos de Enzo e Otamendi, que se juntaram aos antigos, mas não só, o Benfica surgiu com alterações significativas no onze. António Silva recuperou para alinhar ao lado do Tomás Araújo no centro da defesa, Lopes Cabral estreou-se a titular, na ala esquerda, e Prestiani regressou ao onze inicial para a ala direita, daí saindo, respectivamente, Sudakov, para o banco, e Aursnes, para o meio, ao lado de Rios. 


Justificadas estas alterações: Sudakov não tem intensidade para para, num jogo destes, jogar na ala, como - erradamente, a meu ver - tem vindo a acontecer. E o jogo com o Braga demonstrou que, depois da lesão de há um ano, Manu não está em condições de jogar no lugar do Enzo.


O Porto não surpreendeu, e foi igual ao que tem sido ao longo da época. Uma equipa intensa, com jogadores que correm sem parar, que disputam cada bola como se fosse a última, usando e abusando do confronto físico. Não sei se é este o futebol de Farioli, não tenho dúvidas é que é este o futebol que percebeu que assenta que nem uma luva no Porto. No tal ADN Porto!


E o Benfica não fugiu aos desafios que esse "futebol" lhe apresentava. Teve esse mérito. Não teve medo, e foi se superiorizando. Aos 10 minutos, logo depois da primeira interrupção da partida (choque de cabeças entre Martim Fernandes e Lopes Cabral) criava a primeira oportunidade clara para marcar, num lance antecedido por um penálti, num corte com a mão do Pablo Rosário dentro da área. Só que, como também faz parte da receita deste Porto, há sempre uma oferta qualquer para, à primeira, marcarem.


Assim foi, mais uma vez. Na primeira vez que chegaram perto da baliza de Trubin, o Tomás Araújo cortou o lance com aparente facilidade. Tinha toda a linha lateral à frente, mas a bola acabou a sair pela final. Canto. Até pareceu que, se fosse de alguma forma possível, a bola acabaria até para ir para a baliza, como já aconteceu. Do canto saiu uma bola rasteira que Rios, ao primeiro poste, à vontade, com tudo para a chutar para a frente, com uma rosca, conseguiu voltar a mandá-la para canto. O segundo consecutivo. Marcado desta vez ao segundo poste, onde Aursnes corta novamente para canto. O terceiro, para a marca de penálti, onde o Bednarek, marcado pelo Barreiro, nem teve que saltar para marcar o golo que tudo decidiu.


O Benfica sentiu o golo, e o Porto conseguiu até, logo a seguir, a sua segunda oportunidade de golo de todo o jogo. Valeu Trubin. Mas reagiu rapidamente, e voltou a assumir o domínio do jogo. Frisson, só na baliza de Diogo Costa que, na fase de maior assédio benfiquista, fora de pequena área, abalroou o António Silva.


Quando se esperava pela repetição, a realização da Sport TV preferiu voltar a mostrar o golo do Porto. É assim!


Entretanto o jogo começava a endurecer. Os jogadores do Porto puxavam pelo confronto físico e activavam o lado quezilento do jogo, onde se sentem como peixe na água. É neste quadro que surge a lesão de Rios, que saiu em maca, à beira do intervalo.


Entrou então Sudakov, para o seu verdadeiro lugar, donde saiu o Barreiro, para se juntar a Aursnes. O Benfica melhorou, ainda. E voltaria a estar perto do golo ainda antes do apito para o intervalo, naquele remate do Barreiro, que o Diogo Costa defendeu com o pé, aflitíssimo, para a frente. Em vez de recarregar para dentro da baliza, Dedic chutou para a bancada.


E assim regressou toda a gente aos balneários, onde Fábio Veríssimo teria certamente a passar em loop na televisão a mão do Pablo Rosário na bola, dentro da sua área, ou ataque do Diogo Costa ao António Silva. 


A segunda parte não mudou nada ao jogo. Continuou a dar Benfica, que continuou a somar ataques e remates. Alguns, como os de Tomás Araújo, aos 10  e aos 20 minutos, poderiam ter acabado em golo. A maior, e a derradeira oportunidade que o Benfica teve para marcar, não chegou a ter remate. Corria o minuto 90, e Pavlidis falhou - o remate e o golo - a um metro da baliza.


O Benfica não merecia ter perdido este jogo. Merecia ter passado à meia final da Taça, e ter o privilégio de disputar um jogo em casa. Mas não há vitórias morais. E, se houvesse, nem essas já nos conseguiriam animar.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Depois do que fez - e não fez - com o BES e com o Banif, e dos milhares de milhões que tudo isso custou, custa e vai continuar a custar aos portugueses, o governo de Passos Coelho, há poucos meses e em cima das eleições, reconduziu Carlos Costa na governação do Banco de Portugal. Desde então, falhou a venda do Novo Banco, fez explodir o Banif e, para capitalizar o Novo Banco, não hesitou em deitar a mão a dois mil milhões de obrigações seniores detidas por investidores institucionais, decisão estrategicamente muito arriscada, para não dizer completamente errada, e de duvidosa legalidade, para não dizer muito provavelmente ilegal, como aqui se deu conta no final do ano passado.


Claro que os atingidos não acharam graça nenhuma à brincadeira e, primeiro que tudo - quer dizer, primeiro que a inevitável litigância, ameaçam não financiar mais bancos portugueses, com sérios riscos de o mercado fechar as portas à banca nacional.


Admitia-se, e outra coisa não era de esperar, que tinha sido uma decisão concertada com o governo e respaldada no BCE. Nada disso: primeiro - mas mesmo assim tarde, apenas depois das reacções internacionais  - foi o governo a vir dizer que estava frontalmente contra a medida; e logo depois o BCE veio deixar claro que não apoiou aquela decisão, remetendo-a para a exclusiva responsabilidade do Banco de Portugal.


Como - a não ser em condições muito excepcionais, que nem a excepcional gravidade das asneiras de Carlos Costa contemplam - não se pode demitir o governador do Banco de Portugal, tem que ser o governador do Banco de Portugal a demitir-se. Obviamente... demita-se Sr Carlos Costa! Sabemos que se ganha muito bem, bem mais que o congénere americano, mas também sabemos que as reformas do Banco de Portugal não são nada más... 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

As eleições de ontem

PSD quer PS, mas o diabo está nos detalhes: Lei da Nacionalidade ...


Ontem houve eleições em Portugal. Ninguém deu por nada, mas houve. Não abriram tele-jornais, não vêm nas primeiras páginas dos jornais de hoje, não tiveram direito a qualquer painel de comentadores nas televisões. Foram eleições envergonhadas, mas foram eleições.


Não há regionalização, mas foram eleições regionais. Serviram para eleger as lideranças das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), sem regionalização, um dos veículos da descentralização do poder, que vem ganhando peso nos últimos anos, através da gestão de fundos europeus e, mais recentemente, também da coordenação de políticas públicas regionais.


Estas eleições ocorreram pela primeira vez em 2020, quando o poder central decidiu que, em vez de os nomear directamente, os presidentes das CCDR passariam a ser eleitos por um colégio eleitoral de autarcas (presidentes de câmara, vereadores, deputados municipais e presidentes de Juntas de Freguesia).


Enquanto decidia isso, paralelamente, o poder central - o velho centrão - cozinhava os candidatos, escolhendo quem se apresentaria à votação. Pataca a pataca a mim, PS e PSD dividiriam o bolo entre si. Então, em 2020, os cozinheiros foram António Costa e Rui Rio. Os das de ontem foram, naturalmente, Montenegro e Carneiro. Os eleitores, sempre, os obedientes autarcas dos dois partidos espalhados pelo território de cada CCDR que, como prémio, têm a senha de presença na respectiva Assembleia Municipal, reunida para o acto eleitoral.


Enquanto apontavam numa via democrática, os acordos partidários de Lisboa matavam à nascença a legitimidade democrática. Sob a capa de eleger interlocutores da região junto do governo, os dois partidos continuaram a nomear representantes do governo na região.


As eleições de ontem tiveram um novidade. Pela primeira vez, e apenas numa única CCDR, não há um candidato único.  


À CCDR Norte apresentaram-se dois candidatos: António Cunha, o presidente em funções, ao que se diz credor de excelente desempenho, "eleito" por indicação de Rui Rio, vetado por Montenegro, ficou de fora do acordo partidário deste ano, mas que não desistiu e reuniu as condições para se candidatar; e Álvaro Santos, acabado de chegar à vice-presidência da Câmara de Gaia, candidato de Montenegro.


Ontem, em 278 Assembleias Municipais, cerca 11 mil autarcas prestaram-se a este embuste, a fazer de conta que há democracia, e não "jobs for the boys", nas CCDR.


Na do Norte, António Cunha não foi "eleito". Teve 40% de votos. Os autarcas puderam escolher, e escolheram o boy de Montenegro.


Não admira que as eleições de ontem não tenham sido notícia. Admira é que o embuste que são o não seja!


Depois admiram-se com certas coisas ... Já agora cabe-me dizer que, pelo que me apercebi, apenas os (cinquenta) autarcas do Livre se recusaram a participar no embuste.



 

A percepção é tramada

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Há coisas do diabo. No dia em que Cotrim, acertando em cheio no pé, disse - para, antes de dizer dizer que não sabe o que lhe passou pela cabeça, ter dito que não disse - que poderia votar Ventura na segunda volta, porque nos últimos dias teve a percepção que ele se tinha moderado, nesse mesmo dia, com poucas horas de diferença, Ventura trazia "Deus, pátria e família" de volta à campanha. Porque, esclarecia, "não pode existir medo das palavras". 


Nesse mesmíssimo dia, Montenegro, que fez da percepção a bússola da sua governação (o aumento da insegurança e da criminalidade bem podia ser desmentido pela realidade e pelos dados das polícias, que o que contava era a percepção da opinião pública, lembram-se?), na inauguração da sede da Direcção Executiva do SNS, agarrou na realidade caótica das urgências (esperas de dezenas de horas, ambulâncias paradas porque as macas ficam retidas nos corredores das urgências em vez de lhe serem devolvidas para se voltarem a fazer à estrada, etc.) e transformou-a numa percepção. Uma "percepção de caos" que "não é a realidade".


Quando a percepção é enviesada para o lado que dá jeito, a realidade é só cruel. É o diabo!


 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O último discurso do Estado da União, de Obama, era aguardado com grande expectativa, muita dela alimentada pelo próprio, que o promoveu pessoalmente nas televisões como se de um espectáculo se tratasse. 


Falou de muita coisa: da superpotência mundial que o país é, de política interna, de política externa, do Daesh, de Cuba, de muçulmanos, de economia... E de Guantanamo, que prometeu fechar.


Exactamente o que estão a pensar: Obama entrou na Casa Branca a prometer fechar a prisão que envergonha o país e, dez anos depois, a dez meses de de lá sair, continua a prometer fechá-la.


A política tem coisas que nunca mudam. Onde quer que seja. Por quem quer que seja!

Ímpetos de Nobel

Depois da Casa Branca ter criticado a atribuição do Nobel da Paz a Maria Corina  Machado, defendendo que deveria ter ido para Donald Trump, o Presidente dos  Estados Unidos afirmou que a


“Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros”, comunicou o Instituto Nobel da Noruega, depois de Corina Machado ter anunciado, há precisamente uma semana, na Fox News (pois claro!), que queria entregar e partilhar com Trump o Nobel da Paz que há meses lhe foi atribuído, e há pouco entregue.


E depois de Trump, para quem Corina Machado -  "uma mulher muito simpática", mas que "não tem o apoio nem o respeito do país", nem está qualificada para assumir a liderança da Venezuela - não contou, preferindo Delcy Rodriguez, a vice de Maduro, nem conta, ter revelado que se vai encontrar com ela durante esta semana para dela receber o Prémio Nobel da Paz. "Ouvi dizer que ela queria fazer isto. Seria uma grande honra", disse Trump.


Para os mais impetuosos, que só leram "uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser transferido ou partilhado com terceiros”, chamo a especial atenção para não saltarem "revogado". Pudesse ser revogado e ... quem sabe?


Pode ser que haja menos ímpetos na atribuição dos próximos Nobel da Paz ...


 


 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


É curioso que ainda ninguém se tivesse lembrado que Marcelo se baldou à tropa. Que só agora o tema seja assunto. Normal, à época.


Não que fosse normal, na altura, escapar à guerra colonial. E muito menos à tropa, que sendo a mesma coisa, mas não era bem a mesma coisa... Toda a gente lá ia bater com os costados, sem apelo nem agravo. A não ser que desertasse. Ou que tivesse padrinhos...


E aí está. O que não faltava - não falta, nem nunca faltou - a Marcelo foi padrinho. Nem percebo porque se fala tanto do pai, simples ministro do Ultramar...


Mas, como bem se sabe, isso aqui não interessa nada. Lá para a América é que têm a mania de levar estas coisas a peito...


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


À segunda - e à segunda-feira, pela hora de almoço - lá foi. O jogo jogou-se, e muito bem, e o Benfica ganhou. E muito bem, mesmo com o golo oferecido daquela maneira a manchar um bocadinho uma grande exibição e mais um resultado gordo.


Foi uma boa decisão - pese embora as dificuldades que naturalmente trará ao Nacional para o jogo da Taça, na próxima quarta-feira, mas não podem ser prejudicados sempre os mesmos, que não têm nada a ver com o absurdo horário escolhido para o jogo  - a de continuar o jogo logo no dia seguinte, como já tinha sucedido com o Porto, exactamente nas mesmas condições. Com uma diferença: o árbitro não era Jorge de Sousa, o melhor árbitro português, que não vê os penaltis que todos vemos, mas vê outros, que mais ninguém vê. 


À margem disso, que não é nada marginal, porque apenas por esses problemas de visão do melhor árbitro português - por que é que o melhor àrbitro português é sempre assim? Porque se não for assim nunca será o melhor árbitro português ... - só nesses dois jogos, cada um dos adversários do Benfica na disputa do título arrecadou três pontos a mais, e das muitas incidências do jogo ficou, num terreno impraticável, mais uma promessa de que o melhor futebol de Portugal está a caminho de casa. Como o filho pródigo...


Se calhar é por isso que andam todos tão nervosos. Que a pressão sobre os árbitros, como ainda ontem se presenciou em Alvalade, com o sucesso que se viu, não abranda. E que a estratégia de bullying é para continuar sem ponta de dignidade nem espaço para a vergonha.


 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Depois de já ter perdido os três pontos que, inacreditavelmente, o Braga deixou fugir em Alvalade, o Benfica tinha obrigatoriamente que assegurar os outros três que tinha para disputar na Madeira: na Choupana, onde o nevoeiro é quem mais ordena. 


Não pôde, porque lá esteve  de novo o nevoeiro, pela segunda vez em dois meses, a tornar de balde mais uma viagem do Benfica à pérola do Atlântico.  E lá volta o Benfica a ficar com um jogo a menos e pontos de atraso a mais... É tempo de dizer basta, os orgãos que dirigem o futebol nacional devem ter que fazer alguma coisa sobre a acreditação daquele campo para a competição profissional. Pelo menos durante o inverno...

É ou não é ...

Macau abre concurso para concessão de seis licenças de jogo, válidas por  dez anos


Depois de o governo a ter prorrogado por duas vezes - primeiro por mais três meses que, já mesmo no fim do ano, passaram a quatro -, aguardava-se com alguma expectativa a apresentação das propostas finais ao concurso para as novas concessões dos casinos. 


A prorrogação até pode, se quisermos ser gente de boa vontade, não ter nada a ver com o caso da Spinunviva. A expectativa tem tudo. Só tem!


Montenegro nunca quis prestar - nem prestou - muitos esclarecimentos sobre a Spinunviva, mas deu uma explicação clara sobre o nome da empresa. É um pregão das peixeiras de Espinho.


Pregão puxa pregão, e aí está outro, que também bem podia ser cantado pelas peixeiras das nossas terras piscatórias: "o capitalismo é liiiiiiindo, ó freguesa"!


Tão lindo que, prevendo-se inicialmente uma disputa acesa, em particular por parte de gigantes internacionais do sector, afinal, e segundo o Expresso hoje noticia, tudo acabou com candidaturas únicas em cada uma das zonas de jogo. A cada zona de jogo, apenas uma proposta, sem qualquer concorrência!


A Solverde, o mais importante cliente da Spinunviva, concorreu sozinha à zonas de jogo de Espinho e do Algarve, e manterá os seus quatro casinos (Espinho, e Vilamoura, Portimão e Monte Gordo). Segundo o Expresso a prioridade assumido do seu presidente:  “Manter os casinos na família.”


Digam lá se é ou não é ... cantava Amália ... Se é, ou não é lindo... Se é, ou não é não sei quê ... 


"Ai não, não é ... Pois é"!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


É bullying, o que Jorge Jesus anda fazer com Rui Vitória. Sabe-se que para resolver o problema e acabar com o bullying só há duas formas: enfrentar o bad boy e agarrá-lo pelos colarinhos, mostrando que não tem medo do ilusório valentão; ou transportar a agressão para a dimensão intelectual, e superiorizar-se aí de forma a que o grandalhão vire pequenino, e que o bad boy fique a falar sozinho, até mesmo envergonhado pelo que está a dizer. 


Rui Vitória não faz nenhuma das duas, o que quer dizer que fica em maus lençóis. Por muito que corram em seu socorro, nunca estará a salvo.


Percebeu-se logo que não era tipo para agarrar o bad boy pelo pescoço, e ficou-se à espera que seguisse pela segunda via. Mas não se pode pôr o jogo num tabuleiro que não se domina, porque aí o tiro da vergonha pode sair pela culatra. Tem que se saber muito bem o que se quer dizer e, depois, dizê-lo ainda melhor. Na perfeição. Não saber o que se deve dizer, ou mesmo sabendo-o, não o saber dizer de forma clara, sem engasganços nem dúvidas, estraga tudo. E, francamente, quem não sabe que, em inglês, "one" é muito mais que um algarismo, e que ser "o especial" não tem nada ver com  ser " especial um" - ou dois, ou três - não tem sequer acesso a essa segunda via.


 

As voltas à volta das presidenciais

Tracking Poll, dia 2: Seguro lidera, Ventura sobe e Cotrim agarra Gouveia e  Melo (mas eleitores acham que Mendes é que vai ganhar) - CNN Portugal


A campanha para as presidenciais de daqui a uma semana está no auge, como seria de prever para estes dias, nas vésperas da reunião do Conselho de Estado. As sondagens têm andado às voltas e, como numa nora, quem umas vezes está por baixo, noutras está por cima.


António José Seguro, que há não muitos dias nem no top 4 entrava, já aparece na frente. Se tudo isto das sondagens faz algum sentido, e eu sou dos que entendem que faz - as sondagens, na sua maioria, estão certas, o que não quer dizer que acertem sempre nos resultados no dia da eleição; isso, é outra coisa -, ou Seguro já deu a volta ao voto útil, ou já não precisa dele, e muita gente poderá já dormir descansada na noite do próximo dia 18. A guerra do voto útil está agora marcada para outros terrenos.


Ventura não tem o eleitorado tão fixado quanto seria de prever. Não lhe está fácil repetir o resultado de Maio passado, nas legislativas; e isso poderá, surpreendentemente, afastá-lo da segunda volta, até há pouco tida por assegurada.


Gouveia e Melo é quem apresenta resultados mais voláteis - tanto parece fora da corrida como, logo a seguir, surge bem dentro dela. 


Cotrim e Marques Mendes discutem, é de todo evidente, cada vez mais o mesmo eleitorado. E é aqui, nesta altura do campeonato, o verdadeiro campo de batalha do voto útil. Há aqui um resultado de soma zero: o que Cotrim tem ganhado, tem Marques Mendes perdido!


Marques Mendes que, curiosamente, tinha partido reclamando independência face ao governo, acaba agora a reivindicar - é mesmo o verbo mais apropriado - o papel de maior aliado. O que por este dias se vai vendo é Marques Mendes desesperadamente à procura do colo do governo. Não será exactamente o que mais agradará a Montenegro, que preferiria um candidato presidencial que lhe alargasse a base de apoio, e não um que lha comesse.  


Valha-lhe, a ele, Montenegro, que Cotrim lhe faz o resto, e de forma mais asséptica. Sem as pedras do percurso que Marques Mendes arrasta, para que Gouveia e Melo não deixará de continuar a apontar.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O líder do PSOE, Pedro Sanchez, esteve ontem em Lisboa para - diz-se - aprender com António Costa como se faz esta coisa que os espanhóis já chamam de Pacto à portuguesa. Sabemos como nuestros hermanos, por muito que o escondam, nos invejam em muitas coisas: agora é com esta!


Mas, da mesma forma que desprezam a corrida de toiros à portuguesa, que se lhe não conhece especial apetência pelo cozido à portuguesa, o melhor mesmo é esquecerem esta poção política à portuguesa. Nunca lá conseguirão chegar...


E não é por isto nem por aquilo. É apenas por uma coisa que tem mais de 800 anos, que se chama Nação, e que tem um valor incálculável. Tão alto e tão difícil de calcular que é preciso este tipo de visitas para nos apercebermos dele!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...