domingo, 25 de janeiro de 2026

Benfica 4 - Estrela (Amadora) 0

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Não era por ser depois de Turim, nem depois do (triste) episódio de ontem, que o Benfica tinha de ganhar este jogo com o Estrela da Amadora, a contar para a 19ª jornada do campeonato. Tinha de o ganhar porque está, ou deveria estar, sempre obrigado a ganhar todos os jogos. 


Com estes antecedentes, especialmente do último, para além de ganhar, o Benfica tinha de jogar bem, ou, mais realisticamente, o mais perto possível disso. É à volta desta obrigação que me parece ter que girar a análise do jogo desta noite, na Catedral, com os perto de 55 mil nas bancadas, a pior assistência da época, para o campeonato.


Mourinho apresentou quatro alterações no onze inicial, o que não é comum. António Silva regressou ao centro da defesa, ao lado de Otamendi, e em vez do Tomás; Enzo ao meio campo, ao lado de Aursnes, em vez do Barreiro; Lopes Cabral à ala esquerda, na vez de Schjelderup; e, a grande novidade e uma das grandes atracções da noite, Banjaqui, um dos nove jogadores do Benfica campeões do mundo em sub 17, estreou-se a titular, para dar descanso a Dedic. 


Apesar do susto inicial, logo no primeiro minuto - erro de Otamendi, num atraso falhado para Trubin, que o António safou para canto já com a bola a caminho da baliza - o Benfica entrou forte no jogo. De tal forma que o jogo poderia ter ficado muito perto de resolvido logo nos primeiros minutos. Não tanto pelas oportunidades de golo criadas - na verdade apenas uma, no melhor lance de futebol de todo o jogo, com o toque final do Aursnes a acabar a rasar o poste esquerdo da baliza do Renan - mas pelas sucessivas faltas grosseiras com que os jogadores do Estrela responderam à pressão dos do Benfica que, com um árbitro a sério, daqueles que não há cá, teriam certamente causado baixas.


Aos poucos, a partir do primeiro quarto de hora, a intensidade dos jogadores Benfica, e com ela a concentração, começou a baixar e rapidamente a exibição colectiva descampou para o pior do que se tem visto. Os jogadores do Estrela, mesmo sem nunca atingirem níveis sequer aceitáveis, começaram a acreditar que podiam discutir o jogo. Evidentemente que nada disso passava despercebido nas bancadas.


O futebol do Benfica eram cruzamentos que não davam em nada. Era simplesmente cruzar por cruzar. Cruzar para a área com seis ou sete jogadores da Amadora e um do Benfica. Ou para o segundo poste, onde não estava ninguém. Nada de remates, nada da mínima oportunidade para marcar. E nada mais que a excitação que o menino que jogava na lateral direita trazia às bancadas.


Foi assim durante meia hora. Estávamos nisso quando as bancadas assinalaram o minuto 29 para homenagear Feher, no 22º aniversário da sua morte. Até que, em cima do intervalo, num canto cobrado pelo Lopes Cabral, Pavlidis foi lá acima e marcou, de cabeça.


Ao intervalo Mourinho trocou Enzo por Barreiro. E fez bem. Não por já ter um amarelo, que Aursnes também já tinha (ao contrário de Enzo, a evitar um ataque adversário perigoso), mas porque o argentino revelou não ter condições. Nem técnicas, de forma, nem tácticas.


A melhoria foi imediata, até porque logo aos 10 minutos, depois de ter entrado na área, o Lopes Cabral foi travado, com um pisão. E na conversão do penálti Pavlidis fez o segundo golo, com um remate forte e colocado, junto ao ângulo superior esquerdo da baliza. Exactamente, como se percebeu, como tentara em Turim, quando escorregou.


Se o problema tem sido falta de eficácia - e tem - desta vez não havia razão de queixa. Dois golos em três ou quatro oportunidades. Três minutos depois, num lançamento de Trubin, Lopes Cabral isolou-se à frente de Renan, marcou o terceiro e abriu, então sim, definitivamente as portas à exibição, e a emoção saltou para as bancadas.


Se as entradas do Diogo Priostes, mais um dos nossos miúdos, do Rafa - um regresso que, não sendo nem pacífico nem unânime - e, pouco de pois, do Anísio Cabral, o miúdo ponta de lança, também campeão do mundo, fizeram subir o termómetro do entusiasmo, a emoção explodiu ao minuto 84.  Quando se assinalavam os 84 anos que Eusébio hoje celebraria, se não tivesse partido para o quarto anel há 12 anos, feitos há dias. E quando Banjaqui cruzou da direita para o seu colega e amigo Anísio, de cabeça, marcar o quarto golo. Um minuto depois de ter entrado, na primeira vez que tocou na bola!


Momento mágico. Que, mais do que a expressão de goleada que deu ao resultado, teve a magia de fazer crer que o Benfica produziu um jogo de qualidade. De fazer crer que estes jovens, que hoje tanto brilharam, irão ser apostas de curto prazo, em vez de contratações anunciadas todos os dias. Ou de fazer crer que ontem não se passou nada no Seixal. 

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