sábado, 29 de abril de 2017

"O importante é ganhar"!


 


"O importante é ganhar"!


Esta é a mãe de todas as expressões quando a qualidade não satisfaz. Disse-o Rui Vitória no final do jogo de hoje, repetiram-no certamente mais alguns milhares, e sentiram-no hoje milhões de benfiquistas.


A partida de hoje com o Estoril, percebêmo-lo ao longo do jogo, tinha uma carga muito superior àquilo se supunha. É preciso também perceber isso para perceber as dificuldades que o Benfica hoje sentiu.


A Luz esteve de novo cheia que nem um ovo, não cabia mais ninguém. Os benfiquistas querem o tetra, e não querem que nada falte à equipa. Isso ajuda - e muito -, mas também pesa. O Estoril continua a trazer o rótulo de 2013, que até pode parecer que já perdeu a validade. Mas está lá, por muito amarelecido que vá ficando. E estava ainda bem fresco na memória de todos o 3-3 do jogo da Taça, há poucas semanas. E a qualidade da exibição do Estoril!


Tudo isto pode servir de explicação para a fraca qualidade do Benfica desta tarde. Mas não se pode esquecer a exibição do Estoril. Porque só joga assim quem sabe. Não é por mais isto ou mais aquilo, nem porque "saíu", até porque foi já uma repetição. É porque sabe!


Não me esqueço que, em tempos, considerei o Pedro Emanuel o pior treinador da I Liga depois de Ulisses Morais. Admito que pudesse estar errado, mas o que me parece notório e evidente é que a sua passagem pela diáspora lhe deve ter feito muito bem. Ter passado por onde passou, ter andado por onde andou depois de cá ter saído, terá feito dele um novo treinador. E registo isso com todo o apreço, porque este Estoril faz lembrar o de Marco Silva. E isso não é nada pouco!


Salientado todo o mérito do Estoril e do seu treinador, também não se pode deixar de salientar o demérito do Benfica. Uma coisa e outra ficaram bem evidentes durante a segunda parte do jogo. Houve certamente muita gente que, ao aperceber-se da relação dos jogadores com a bola, julgou que estavam com as camisolas trocadas. Durante muitos minutos, aquelas tarefas simples, mas básicas, da recepção e do controlo da bola, do passe ou da ocupação do espaço, em que os melhores serão sempre melhores, qualquer um diria que os melhores vestiam de amarelo.


A primeira parte do Benfica já tinha estado longe de entusiasmar. O Estoril começou por "embalar" o jogo e lançá-lo assim em "modo entretém". Não era um jogo entretido, como diria o Quinito, mas era um jogo para entreter os jogadores do Benfica. Foi assim durante quase toda a primeira meia hora, até o Benfica marcar, aos 28 minutos. Por Jonas, de penalti - claro - cometido sobre o Nelson Semedo. Depois, sim. O Benfica teve um bom quarto de hora final, e podia ter arrumado com o jogo: Cervi, a um metro da linha de golo fez o mais difícil - não acertou na baliza. Mas também Salvio. E até Mitroglou, mesmo que só se tivesse dado por ele no momento em que foi substituído por Jimenez.


O início da segunda parte foi... o costume. Mas em pior. Há muito que o Benfica entra mal na segunda parte, mas tem sempre saído depressa dessa entrada. Três, quatro, cinco minutos têm sido suficientes. Hoje "a coisa" durou um quarto de hora, tornou-se num verdadeiro terror - o Estoril teve duas bolas nos ferros e mais outras duas oportunidades para marcar -, e só acabou com o mais que esperado golo do empate. Que seria desfeito seis minutos depois, com mais um grande golo de Jonas, no único remate do Benfica de fora da área!


E aí esteve mais uma explicação para o que se passou neste jogo, mas também nalguns outros. Parece que os jogadores estão convencidos que, para marcar, é preciso entrar com a bola pela baliza dentro. Mesmo que esteja protegida por nove ou dez adversários. Outra esteve na incapacidade para aproveitar os espaços que o Estoril deixou livres sempre que se adiantou no terreno. E foram muitas vezes, e durante muito tempo. E a lembrar-mo-nos de Rafa... E de outras opções de Rui Vitória. Como a titularidade de Salvio. Como a opção por Carrillo, e a não opção por Zivkovic. Ou como - hoje - a insistência em Mitroglou. Mas isto já são as irresistíveis tentações do treinador de bancada...


O importante foi ganhar. E que faltam três. E que, se não há dois jogos iguais, é difícil que haja três!


 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Entretenham-se, meninos entretenham-se...

 


 


 


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PS, saliento, Partido Socialista, e Bloco apresentam hoje um estudo com uma proposta para a reestruturação da dívida, sem fazer grandes ondas. Nada de cortes em dívida nenhuma, apenas alargar prazos e reduzir taxas de juro, mas sempre sem tocar, nem com uma pena, na dívida do FMI. Nem da que está em posse de particulares.


É obra de geringonça, sem dúvida. Onde o PS continua a seguir viagem; o governo é que nem está já aí...


 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Levar a sério...

                                             Capa do A BolaCapa do Record


 


O Presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) reuniu ontem com os presidentes do Porto e do Sporting. Não se sabe nada do que se passou. Sabe-se é que o presidente do Sporting está castigado pelo Conselho de Disciplina da  FPF. Está suspenso do exercício das suas funções. 


Poderia simplesmente ter por lá passado para beber um copo com Fernado Gomes. E com o Pedro Proença, que também lá estava. Convidado na qualidade de Presidente da Liga, tal como Bruno de Carvalho, convidado na de Presidente do Sporting. Qualidade que a FPF, por castigo, lhe suspendeu!


Não se sabe nada do que lá se passou... Mas alguém falou do que lá se poderá ter passado. É verdade que não falou ninguém que pudesse falar, até porque tudo aquilo parecia envolvido em grande secretismo. Mas falou exactamente o único que não poderia falar, para dizer que abordou a violência associada ao futebol, e que pediu o regresso dos sumaríssimos... 


Quando nem a Federação se leva a sério... 


 A propósito - e não é que os jornais em causa mereçam, também eles, ser levados a sério - veja-se como é para levar a sério o que  os jogadores, sem falar, dizem. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Está tudo doido?

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É notícia que anda aí pelas redes sociais um "jogo" que destroi a auto-estima dos jovens, desafia-os à automutilação e acaba a lançá-los para o suicídio.


No meio do disparate em que se tornaram os dias que vivemos, a notícia até nem surpreende muito. O que surpreende é vermos alguns especialistas - há sempre especialistas com opiniões muito especializadas sobre estas notícias - justificarem o sucesso do "jogo" com a particular apetência dos jovens pela auto-flagelação, para infligirem dor a si próprios com o fim de avaliarem a sua própria resistência a diferentes níveis da dita.


Jovens a quem ninguém pode tocar, que cresceram sem uma palmada, nem no momento certo nem no errado, súper protegidos, gostam de testar a dor? E por isso se entregam a "jogos" que lhes manipulam o corpo e a mente até à destruição total?


Mas está tudo doido?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Cravo vermelho

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Em cada 25 de Abril os portugueses dividem-se entre os que usam e não usam cravo na lapela, que em tempos usaram gravata preta. As coisas evoluem, e surgiu o cravo na mão, uma espécie de terceira via, uma bissectriz traçada por Marcelo... Who else?  

segunda-feira, 24 de abril de 2017

25 de Abril

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Normalidade e previsibilidade

 


 


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Os resultados de ontem em França, na primeira volta das determinantes presidenciais francesas, representam com que um regresso à normalidade, mesmo que eles representem uma enorme e profunda brecha na normalidade.


Parece um pardoxo, mas se calhar não é. Se substituirmos normalidade por previsibilidade, teremos a resposta. 


Os resultados de ontem confirmam a rotura do sistema partidário francês, tal qual o entendíamos nos últimos 50 anos, e mostram uma outra França, definitivamente afastada de França de Giscard d`Éstaing, de Miterrand e de Chirac. E mais ainda dos seus fracos e fracassados sucedâneos dos últimos anos. A normalidade está no facto deste corte com a nomalidade estar completamente assimilado, previsto nas sondagens dos últimos meses, e por isso dado por adquirido. E o regresso à normalidade é o regresso das sondagens ao seu papel, coisa que já se começava a dar por perdida. E só apreciamos a previsibilidade, e deixamos de a considerar uma chatice, quando sentimos o desconforto de a ver fugir... e de a perder!


 

sábado, 22 de abril de 2017

Vamos falar de penaltis?

 


 


Vamos então começar por falar de penaltis. Não que seja uma conversa que aprecie especialmente, mas porque, na conversa que não despega para destabilizar o Benfica e influenciar ambientes e decisores, foi o tema desta semana, com muita conversa falada e escrita, com relógios e contas aos dias, minutos e segundos que tinham passado sobre o último penalti assinalado contra o Benfica.


Por isso, ou por outra razão qualquer, o Ederson, que se esquecera da prudência no balneário, encarregou-se de acabar com a conversa, cometendo o penalti mais patético da sua vida. Que Artur Soares Dias viu e assinalou. E Adrien converteu, permitindo ao Sporting entrar a ganhar.   


Talvez por causa do relógio, daquele relógio, o árbitro viu esse logo no início do jogo, mas não viu – e não é a primeira vez que, em Alvalade, não vê penaltis a favor do Benfica, é já tão clássico como o próprio derbi – três, claríssimos, a favor do Benfica: primeiro sobre o Grimaldo, logo a seguir sobre o Lindelof e, uns minutos depois, sobre o Rafa.


Para acabar com a conversa dos penaltis queria dizer que achei bem que o Rui Vitória não se tivesse escudado na arbitragem do melhor árbitro português – não há dúvida que o Benfica nunca tem sorte com “os melhores árbitros portugueses” – e mesmo sem que haja memória de uma arbitragem que nega três penaltis tão óbvios numa só partida, não o referiu no final do jogo. O diabo é que a comunicação do Sporting, e o treinador Jorge Jesus, aproveitaram isso para concluir que, se ninguém falou nos penaltis, é porque não existiram.


Ponto final. No “fair play”, e nos penaltis. Também!


O Sporting aproveitou o élan do golo na abertura do jogo para agarrar o jogo. E agarrou, mas por pouco tempo. Passados que foram os primeiros dez minutos, o Benfica passou a mandar no jogo. Não criou muitas oportunidades de golo – é certo, tão certo quanto certo é que muitas foram evitadas com faltas, entre as quais aquelas três dentro da área de que não volto a falar – mas dominou todas as vertentes do jogo. Apenas nas faltas cometidas – e assinaladas – o Sporting se superiorizou.


Mesmo notando-se – e bem – a falta de Jonas, mais uma vez de fora, sem recuperar, o Benfica jogou mais, e melhor, com as arrancadas de Nelson Semedo e Grimaldo, sempre sob a batuta de Pizzi. O Sporting defendia-se como podia, especialmente com Wlliam, Bruno César e Alain Ruiz a usarem e abusarem de sucessivas faltas.


A qualidade do jogo do Benfica, e o seu domínio na partida, não deixava no entanto os benfiquistas tranquilos para a segunda parte. Porque há muito que o Benfica não consegue manter o seu melhor nível durante os 90 minutos, e porque atravessa uma fase em que entra sempre mal na segunda parte. Há muitos jogos que é assim. E porque, finalmente, nunca neste campeonato o Benfica conseguiu virar o resultado: sempre que esteve a perder, o melhor que conseguiu foi empatar.


Os primeiros minutos da segunda parte começaram logo por confirmar uma das maldições. O Benfica entrou mal, e o Sporting poderia ter marcado. Cumprida essa “formalidade” – são sempre três a cinco minutos, alguns deles com maus resultados, como aconteceu com o Porto, na Luz – o Benfica voltou a pegar no jogo.


O Rui Patrício foi adiando o golo do empate até minuto 66. Aí, já depois de, nas mesmas circunstâncias, Grimaldo ter obrigado o guarda-redes do Sporting a uma grande defesa, na superior cobrança de um livre directo, o insuspeito Lindelof fez o “golão” do empate.


Os últimos jogos já nos tinham trazido duas boas notícias: o regresso dos golos de bola parada e, finalmente com a cabeça arrumada e limpa das confusões das transferências, o “regresso” de Lindelof à sua condição de jogador de top. O minuto 66 foi de confirmação dessas duas grandes notícias. Uma confirmação ao estilo dois em um!


Atingido o empate, o Benfica acentuou a pressão sobre a grande área do rival, que passou por momentos difíceis. Depois, aconteceu o que sempre acontece quando nada resulta dessa atitude mais ambiciosa, mas também de maior risco. É a velha máxima do futebol:”quando não dá para ganhar, pelo menos não percas”.


E Rui Vitória optou por segurar o empate. Que, provavelmente, deixa tudo como estava há duas semanas. Mas com dois jogos a menos por disputar.


Já só faltam quatro jogos. Já só faltam quatro vitórias!


 


 


 

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Há ano e meio a enganar a realidade

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E de repente o PSD regressou em força ao equívoco dos resultados das últimas eleições, já lá vai ano e meio. Maria Luís Albuquerque disse ainda ontem, no Parlamento, que os portugueses escolheram outro primeiro-ministro. Luís Montenegro não fala de outra coisa, e completamente perdido num ressabiamento que empurra a realidade para bem longe, propõe mudanças no sistema eleitoral que premeiem o partido mais votado com um bónus suplementar de deputados. Não se sabe se os cinquenta da Grécia, mas admite-se que, com o relógio político parado desde Outubro de 2015, o bónus eleitoral de Montenegro se fique pelo número exacto de deputados que tivesse dado a Passos Coelho a legitimidade de continuar a usar a bandeira na lapela do casaco. Teriam bastado 9, o que daria para arredondar para 10!


E assim, enganando-se a eles próprios, acham que conseguem enganar a realidade... E até a "morte"...


 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Cara de pau

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Depois de dois anos a fazer o que fez no Ministério das Finanças, ao serviço do FMI e do Sr Schauble, Vítor Gaspar recebeu como prémio um lugar de Director Geral naquele gigante institucional que baralha, parte e dá na economia política mundial.


Ao abandonar a pasta, ao contrário - então, como ainda agora, quatro anos depois - de todos os seus colegas de governo, de partido e de coligação reconheceu que falhara. Isso ficou claro, e escrito na carta de demissão.


Não ficou claro, Vítor Gaspar não explicou se, por tudo ter dado dado errado, ou se por tudo estar errado. Uma coisa é dar errado: por esta ou aquela circunstância, mais ou menos imponderável, acabar por correr mal aquilo que tinha tudo para correr bem Outra, bem diferente, é o que está errado. O que está errado nunca pode dar certo.


Quatro anos depois, o autor do colossal aumento de impostos, vem finalmente explicar que correu mal porque estava errado. Fê-lo em Washington, ao explicar ao mundo "os cinco princípios orientadores da política orçamental”. A política orçamental, diz Vítor Gaspar e com ele o FMI, deve ser (i) "contracíclica", (ii) "amiga do crescimento", (iii) "inclusiva", (iv) "suportada pela real capacidade fiscal", e (v) "conduzida com prudência". 


A política orçamental que Vítor Gaspar seguiu, e que Passos Coelho fez prosseguir com quem escolheu para lhe suceder, não respeitou nenhum e violou cada um destes cinco princípios. Num ciclo recessivo aprofundou a recessão, a tal espiral recessiva que nem a Cavaco escapou. Sacralizou a austeridade, acentuando a recessão, impedindo o crescimento, e agravando a exclusão, quer pelos cortes nas contribuições sociais e nos principais serviços publicos, quer pelo - também colossal - agravamento da desigualdade social. E decretou o "colossal aumento de impostos", lançando uma política de saque fiscal indiferente à real capacidade da economia. Tudo ao contrário, tudo perigoso... No mínimo, tudo imprudente!


No fim, o que surpreende é que não há surpresa. Estamos fartos de assistir a números destes no FMI, seja dizendo hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, seja dizendo hoje que foi mal feito aquilo que ontem mandaram fazer. Sempre com grande cara de pau. A mesma com que Vítor Gaspar não tem vergonha nenhuma de se apresentar agora, como se tudo não tivesse passado de umas simples experiências com ratinhos num laboratório qualquer.


 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Quem está com quem

 


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Assunção Cristas acha que "a política é importante para saber quem está com quem". Para "saber quem está com quem", importante é o buraco da fechadura. As redes sociais também dão... Que reuniões de vizinhas, já não há...


A política? 


Bem me parecia que a Drª Assunção não fazia bem ideia do que é isso da política. Que ela achava que era uma espécie de circo, um espectáculo permanente e ambulante, com a tenda montada onde desse mais jeito, já tínhamos percebido. Não admitiríamos  é que achasse que é uma coisa assim tão "cusca".


Quer dizer, reparando bem, desde que Portas lhe abriu a porta do Caldas, a coscuvilhice sempre por lá fez vida... 


 


 

Chuva de pedras

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Os spin doctors da direita passista e pafista deixaram definitivamente de fazer de conta que toleravam o Presidente da República.


Bastou cair uma avioneta em Tires... onde morreram cinco pessoas. O Observador atirou a primeira pedra. A partir daí não mais parou de chover pedrada: foi torrencial! 


Será assim tão diferente do que para aí vai com os imbecis das claques dos clubes?  

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O novo sultão

 


 


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Erdogan ganhou o referendo na Turquia. À tangente, e perdendo nas maiores cidades, mas ganhou. Mais que ter ganho, importa que Erdogan declarou ter ganho, e isso faz toda a diferença. Tanta que a recontagem exigida pela oposição, que garante terem sido introduzidos largos milhares de boletins de voto irregulares, cai na irrelevância a que já ficou condenada.


Erdogan vai passar agora, depois de 14 anos no poder, a dispor de poderes absolutos. A função de  primeiro-ministro será extinta, e passará ele a nomear ministros, a aprovar o orçamento, a declarar o estado de emergência, a demitir o Parlamento e a dominar as nomeações para o sistema judicial, no culminar do projecto de sultanato há muito em construção, e acelerado pelo encenado golpe de Estado do passado mês de Julho.


 

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Espero que tenham percebido...

 Benfica-Marítimo, 3-0 (resultado final)


 


Luz cheia de luz, de cor - mesmo que só vermelho - e de gente. Estádio cheio, como sempre. Entre os 57.064 espectadores, dois muito especiais: duas debutantes, de 3 e 5 anos. Vibrantes, como toda aquela fantástica moldura humana!


O Benfica entrou a surpreender o Marítimo. O bem sucedido treinador da equipa madeirense tinha afirmado que o Benfica é avassalador nos primeiros quinze a vinte minutos. E que era por isso fundamental apostar tudo nesse período. Que, evitar aí o golo do Benfica, era o primeiro passo para levar pontos da Luz. Talvez por isso, para surpreender o adversário, o Benfica não quis atirar-se para cima da equipa insular, hoje de amarelo, logo que o árbitro apitou. Nem nesse momento nem nos 10 minutos que se lhe seguiram....


Os jogadores do Marítimo devem ter ficado baralhados, pensando que tinham sido enganados pelo treinador. Aquilo não era avalanche nenhuma. Baralhados os jogadores adversários, o Benfica abriu então o livro e deu início, com 10 minutos de atraso, ao prometido assalto avassalador. Que não durou apenas os quinze ou vinte minutos que o treinador Daniel Ramos tinha na estratégia. Foram 35 minutos de sufoco, com as oportunidades de golo a sucederem-se a um ritmo diabólico.


O golo tardou, é certo, mas percebia-se que teria de chegar, mais minuto, menos minuto. Chegou aos 34 minutos, em mais uma fantástica jogada do Rafa, concluída num auto-golo do Luís Martins. Inevitável. Pouco antes, em circunstâncias praticamente iguais, o guarda-redes conseguira o milagre de evitar o golo. E depois, já na segunda parte, só os deuses da fortuna evitaram que mais uma intercepção de uma jogada de golo acabasse na baliza do Charles.


No minuto seguinte Jonas fez o segundo. E dez minutos depois o terceiro!


Podiam ter sido mais, muitos mais, mas o resultado acabou por ficar por aqui. A exibição é que não. Foi muito mais que o resultado, a explicar, especialmente àqueles benfiquistas que na semana passada já se tinham esquecido da exibição com o Porto, que há jogos no campeonato em que não é possível jogar bem. Que a equipa joga à bola, que o futebol de qualidade está lá. Mas há jogos - campos pequenos, jogo eminentemente físico, com ressaltos e mais ressaltos e adversários, como que possuídos, a correrem atrás de tudo o que mexe - em que não é possível mostrá-lo.


A equipa hoje explicou isto muito bem explicadinho. Espero que todos tenham percebido!


Não falei da segunda parte. Mas também não há muito para dizer. Sem repetir aqueles fantástcos 35 minutos, o Benfica controlou um jogo que estava então fácil. O Marítimo pôde respirar, e sem nunca dividir o jogo - nem uma oportunidade para a estatística, que seja -, adiantou-se mais um pouco no campo. E pisou já terrenos que nunca antes pisara. Mas só isso.


Só porque Mitroglou - hoje em dia de desentendimento com o golo, desperdiçou umas cinco oportunidades de golo feito - e Salvio desaproveitaram as oportunidades que o génio de Rafa lhes entregou, é que a segunda parte não repetiu os três da primeira.


Ah... Já me esquecia... Espero também que tenham percebido que o Rafa foi - é - brilhante. E que Lindelof está de volta à sua enorme categoria. E que isso é, nesta altura, muito importante!


E que foi o jogo 100 de Rui Vitória no Benfica. E que faltam cinco. Só cinco finais!


 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Que diabo...

 


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 Quando um grupo, um partido, uma seita ou seja lá o que for, não concebe outra posição que a do contra, teimosamente amuado nas suas limitações e obstinandamente contra tudo e contra todos, nada lhe corre bem. E tudo corre bem aos outros...


O governo chegou a acordo com o Santander, sobre os ruinosos swaps contratados pelas empresas públicas de transportes, que galopavam recursos perdidos nos tribunais de Londres (primeira derrota de Passos Coelho que, por tudo, queria ficar  nos tribunais nacionais). Pagamos, custa-nos dinheiro, mas não havia volta a dar. E resolveu-se, com um desfecho bem melhor do que certamente resultaria da sentença judicial...


Com um banco a operar em Portugal com a dimensão do Santander qualquer outra saída que não a negociação era, evidentemente, absurda. 


Que posição tomou imediatamente o PSD? 


Dizer, através do inefável deputado Leitão Amaro, que a culpa de tudo isso era de um governo do PS. Não teve outro ponto de observação, nem ao de leve se relacionou com os factos. Que aí estão, claros e insofismáveis: três quartos (75%) dos 2,648 mil milhões de euros de perdas concentraram-se nas empresas dos Metros de Lisboa e do Porto, e os respectivos contratos estão assinados por boys do PSD. Alguns com lugar no governo de Passos, pelas mãos de Maria Luís Albuquerque, também ela com assinatura reconhecida nos contratados pela Refer, e de Marco António Costa, que também passara pela administração do Metro do Porto.   


Por isso bufam de raiva no dia em que o défice é fixado em 2%, em que a Universidade Católica aponta para um crescimento de 2.4% e em que o governo apronta o PEC a entregar em Bruxelas com um défice de 1%.


Que diabo... Nem o diabo...


 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Dulcineia numa espiral de euforia

 


 


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Passos Coelho continua a surpreender toda a gente ao continuar a negar a realidade e a chamar pelo diabo, deixando a ideia de cada vez mais isolado, entrincheirado numa espécie de resistência quixostesca.


A entrevista à SIC, na semana passada, puxou pelo D. Quixote que há em Passos. E puxou tanto que trouxe agarrada a Dulcineia, travestida de Rui Ramos. Não faltam preciosidades à preciosa Dulcineia, que acha que hoje o país vive uma espiral de euforia mais perniciosa que a espiral recessiva dos tempos do seu nobre cavaleiro. E que não tem dúvidas que o facto de o país estar melhor é, não só uma, mas a maior vitória de Passos Coelho. 


É "pelos três anos de ajustamento, em que só ele acreditou", que o país hoje está, mais do que melhor, eufórico. Só os mais de 4 anos - que, de tão bons, a Dulcineia pareceram apenas 3 - de empobrecimento, de desregulação social, de agravamento das desigualdades, e de inércia sobre o sistema financeiro, a correr alegremente para o abismo, permitiriam - afinal - que um governo que não ganhou eleições - aí está o Moínho das Tormentas - trouxesse aos portugueses, mais do que a simples alegria de viver, uma "espiral de euforia".


Força D. Quixote, continua determinado na tua trincheira, que a tua Dulcineia cá continua à tua espera. E vai olhando pelo Rocinante,  que o Sancho Pança não dá para esse peditório e há muito que deu à sola...

Decorar não é agir!

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Assinalam-se hoje os 100 dias de Guterres como Secretário Geral da ONU. Ontem viram-se algumas críticas à sua (in)acção, em especial da parte de uma directora da Amnistia Internacional, que falou mesmo de "completa inacção". 


Ontem, também, reunidos em Madrid, os primeiros ministros dos sete países europeus do Sul, entre os quais naturalmente António Costa, apressaram-se a revelar "compreensão" pelo ataque americano à Síria. "Compreensão" complementada pela advertência que "não pode haver solução militar para o conflito".


Se "compreender" um ataque militar num "conflito que não pode ter solução militar", é obra; "compreender" o brusco e unilateral ataque americano, sem "compreender" os interesses e as motivações pessoais de Trump, não o é menos. E vem isto de pequenos países do marginalizado sul da Europa, bem longe de serem potências instaladas, que ainda há semanas, o melhor que tinham para dizer de Trump era falar de um burgesso mentalmente instável.


Por isso, e voltando ao princípio, pode ser fácil acusar Guterres de completa inacção. Mas a verdade é que, como estávamos fartos de saber, ninguém liga nenhuma ao lugar que ocupa. É uma figura decorativa que às vezes dá jeito ter à mão. Mais nada, e sem novidade nenhuma. Decorar não é agir!

domingo, 9 de abril de 2017

Manhas

Capa do Correio da Manhã


 


Não sei, nem me interessa, se o idoso tomou viagra para tentar conseguir matar a mulher. Ou se tomou viagra, e depois tentou matar a mulher para, já despachado, sair a correr a desfrutar da sua nova condição de viúvo. Sei apenas que é mais um disparate, mais um título sem pés nem cabeça do manhoso CM: Cheio de Manha!


 


Capa do Jornal Negócios


 


Não sei a que "resposta do governo" se referem as parangonas, mas sei que as letras pequeninas que estão por baixo, que aqui o leitor conseguirá ler, dão conta do que de mais importante o senhor disse: "excedente da Alemanha é tão preocupante como as dívidas do sul". Mas sei que essa declaração não alimenta a manha. 


 Jornal de Negócios e Correio da Manhã: a mesma manha. E o mesmo dono. Certamente por acaso...

Se este era o mais fácil...


 


O jogo desta noite em Moreira de Cónegos não foi apenas o primeiro dos sete últimos jogos deste campeonato que, para chegar ao tetra, o Benfica não pode deixar de ganhar. Foi muito mais do que isso, até porque, como diziam os entendidos, este era o mais fácil desses sete. 


É caso para dizer que, se este era o mais fácil, nem quero saber o que aí está para vir.


O jogo começou como tem começado a maioria dos que o Benfica tem disputado. É já um clássico: adversário fechadinho lá atrás, todos muitos juntos, sem sobrar espaço para jogar à bola nos últimos 30 metros do campo. E com os jogadores a correrem como nunca, a disputar cada bola como se fosse a última. Até aí nada de novo!


E o que houve de novo nem sequer foi novidade. A dimensão física para que o Moreirense empurrou o jogo, que levou a que os seus jogadores ganhassem praticamente todos os ressaltos, e quase todas as bolas divididas, não foi grande novidade. Como não foi novidade nehuma que os jogadores do Moreirense complementassem essas tarefas com o recurso a faltas sucessivas, quase sempre duras, dentro daquela visão de canela até ao pescoço que o Petit tem do futebol.


O jogo foi todo ele assim, nunca permitindo que o Benfica gozasse do mínimo de conforto. A verdade é que se o Moreirense fazia o seu papel, o Benfica, hoje com os importantes regressos de Fejsa e Grimaldo, nem tanto. Não fez tudo para conquistar esse conforto. Teve muita bola, mas poucas oportunidades de golo. Valeu, já a chegar ao final da primeira parte, o aproveitamento de um lance de bola parada, coisa que, como se sabe, é esta época uma verdadeira raridade.


Na segunda parte, mesmo que sempre em cima das mesmas bases, o jogo foi bem diferente. Foi mais selvagem, mais partido e menos controlável ainda. O Moreirense, mantendo aquelas bases do jogo, só tinha a ganhar em alargar a sua área de influência no campo. Passou a discutir o jogo no campo todo e teve duas ou três oportunidades que poderiam ter dado ao jogo outro resultado. Só no último quarto de hora, e em especial depois da entrada de Samaris, em substituição do Jonas, o Benfica controlou verdadeiramente o jogo, começando finalmente a ganhar corpo a ideia que os três pontos não fugiriam. 


Não fugiram, permitindo aos jornais e às televisões voltarem a falar do regresso do Benfica à liderança. Quando lá está, e de lá não sai, desde a quinta jornada. Já lá vão vinte e três. E oito meses!


 


    

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Terrível!

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Não há muito a fazer. O terror(ismo) descobriu uma nova arma, que passa em todas as fronteiras, que escapa a todos os controlos. E que não mata nem aterroriza menos que qualquer bomba à cintura, ou que qualquer metralhadora...


Depois de Nice, Berlim e Londres, chegou a vez de Estocolmo. É terrível! 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Hoje, o mundo acordou mais perigoso!

 


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Não sei se hoje é o dia em que a política externa de Trump, se é que existia, mudou. Sei que o ataque americano desta madrugada na Síria é, mais que um enfrentamento, um afrontamento a Putin. Tido por aliado de Trump. Que, por sua vez, só apontava para a China quando lhe falavam de inimigos geo-estratégicos. E que acontece poucas horas antes de receber o líder chinês, com os olhos postos em Pyongyang...


Mas sei que o mundo hoje acordou mais perigoso!

Visto, não arrumado...*

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O tema dos bancos - do sistema financeiro – voltou às primeiras páginas, curiosamente quando, olhando para a agenda política, o vemos assinalado com este símbolo de visto, que dá os assuntos como resolvidos.


Quer o Presidente da República quer o governo, dão como concluída e arrumada a questão. E com sucesso! O presidente ainda há um ou dois dias atrás salientava o notável trabalho feito em apenas oito meses…


Na verdade não está concluída. E muito menos arrumada…


Dificilmente se arruma um tema onde já enterramos 13 mil milhões de euros. E onde, só o Novo Banco, o banco bom do BES – recorde-se – lhe vai acrescentar mais 11 mil milhões de euros. Onde nem a péssima – mas, ao que dizem sem alternativa - solução que foi encontrada está, mesmo assim, dada por adquirida.


Onde está ainda a recapitalização da Caixa Geral e Depósitos, a passar pelo pagamento de juros de quase 11%. E onde, já não dá mais para esconder, continua o problema Montepio por resolver.


Um problema com cada vez mais semelhanças com o BES. Na altura o Banco estava bem, os problemas estavam apenas no grupo, dizia então toda a gente, do Presidente da República ao primeiro-ministro, dos ministros aos jornalistas da especialidade. Agora inverte-se a relação, mas não é muito diferente o que se ouve… Mesmo que Mário Centeno não tenha embarcado, respondendo que confiava no seu trabalho, quando questionado se confiava no Montepio.


Parece-me no entanto que a mais preocupante semelhança está na obsessão do Banco de Portugal pela marca. Não se percebe por que decidiu impedir o banco de utilizar a marca Montepio, e obrigando-o a procurar uma nova e retirando-lhe, sem que se perceba por quê, provavelmente o seu maior activo.


Já assim tinha acontecido com o BES quando, na resolução, o Banco de Portugal destruiu e deitou fora uma marca avaliada em centenas de milhões de euros, que substituiu por uma marca transitória, uma ideia que choca de frente e com violência contra os mais elementares princípios do marketing e da comunicação.


Parece que não aprendeu nada, este governador do Banco de Portugal... E, esse, é outro problema!


 


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Fitas e fiteiros

Leitão Amaro acusa o PS de tentar "boicotar" a verdade.


 


É um bocado como o ovo e a galinha: não se sabe quem surgiu primeiro. Não sei se é o futebol que copia a política se, pelo contrário, é a poítica que copia o tutebol. No seu pior, evidentemente.


Quando olhamos para a fita que o PSD ontem fez no Parlamento fica-nos a ideia que a política anda a ver muito futebol. E que o deputado António Leitão Amaro - os outros dois, só mesmo na fotografia lhe ficam atrás - se fosse jogador de futebol, estava sempre no chão. Ora a rebolar-se e a contorcer-se, ora esticadinho, depois de um mergulho a preceito...  


Mas é bem possível que estas fitas venham muito de trás, e que só mais tarde tenham sido importadas para os relvados. O desporto, e o futebol em particular, era antigamente uma escola de virtudes... Coisa que não consta que a política alguma vez tenha sido!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Tragédias

Imagem relacionada O Ministério Público arquivou o processo que indiciava Dias Loureiro e Oliveia e Costa de crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada.


Era um dos muitos processos envolvidos na mega fraude do BPN, e aquele que mais  publicamente expusera o comendador, ex-ministro e ex-conselheiro de Estado (tudo obra de Cavaco Silva, como se sabe, há bem pouco abençoada por Passos Coelho, como também se sabe), responsável pelo desaparecimento de milhões de euros do BPN/SLN, envolvendo a venda de uma sociedade (REDAL) em Marrocos, e a aquisição de uma participação numa outra de Porto Rico (Biometrics).


O Ministério Público deu como provado  tratar-de uma engenharia financeira extremamente complexa, de decisões e práticas de gestão que suscitaram suspeitas sérias sobre os reais fundamentos dos negócios, que  envolveram pagamento de comissões não justificadas, tudo com a subtracção de milhões de euros ao BPN, aravés de crédito concedido a sociedades instrumentais ou de capital para a Biometrics.


Nada disso, no entanto, é suficiente para produzir acusação. No despacho de arquivamento, o Ministério Público garante não ter sido possível identificar, "de forma conclusiva, todos os factos suscetíveis de integrar os crimes imputados aos arguidos". 


O cidadão comum olha para isto e percebe que o Ministério Público é muito competente. Tão competente que é capaz de perceber, decifrar e até provar complexas engenharias financeiras, de descobrir burlas, burlões e comissões. Até pode perceber que, depois, não consiga provar "de forma conclusiva todos os factos". Mas, nem um? Nem um único facto que sustente uma única acusação, de um único crime?


Com franqueza....


É esta a nossa tragédia. A dos sírios é certamente pior


 


 


 


 

terça-feira, 4 de abril de 2017

O escorpião

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O Presidente Marcelo comenta tudo o que lhe apresentarem à frente, a propósito ou a despropósito. Não vira a cara a nada!


Claro que às vezes corre mal.  Mas não há muito a fazer, aquilo está-lhe na massa do sangue, é como o escorpião da estória...


Repare.se como comentou de caras, sem protecções nem desvios, a notícia de 1º de Abril do Expresso, a tal que dava Centeno como sondado para substituir o tal Sr Dijsselbloem. Mandou-se de cabeça.


Ou, depois, com todos os cuidados, sobre o Novo Banco, declarou que Podem ficar descansados de que a solução encontrada, que é na linha do Governo anterior, é de não haver garantia do Estado, não haver responsabilidade do Estado, mas do fundo de resolução".


Com todo o cuidado, tranquilizou toda a gente e juntou na solução o governo actual e o anterior. E destrunfou Passos e Cristas que, depois de esconderem a banca da troika, de esconderem o BES de toda a gente por causa da saída limpa, e de renovarem o mandato do governador do Banco de Portugal, para se esconderem atrás dele sem comprometerem a campanha eleitoral, queriam agora convencer o pessoal que não têm nada a ver com isto, que é tudo obra do governo socialista.


Mesmo assim, no fim, não conseguiu resistir a pôr as mãos no lume pela solução, no que toca à protecção dos contribuintes. Tal e qual como tinha tinha dito que Centeno fazia cá muita falta... Está-lhe na massa do sangue, não há nada a fazer...


 


 


 


 


 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

As previsões da Drª Teodora

 


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O problema não é que a prestigiada Drª Teodora não consiga dizer que se enganou. Nem que não acha graça nenhuma a este governo. O problema também não é que a Drª Teodora ache que melhor seria que não saíssemos do procedimento por défice excessivo, poque "seria péssimo lá voltar a entrar no ano seguinte ”. O problema é que a Drª Teodora aponta para este ano um défice de 1,7%.


Isso é que nos deixa em pânico. Que não sejamos capazes de articular a sua previsão com o risco de regresso ao défice excessivo, não nos preocupa nada. Isso faz parte das nossas limitações naturais. E contra elas não há nada a fazer...


 

domingo, 2 de abril de 2017

O preço da impunidade

 



 


A selvática agressão ao árbitro por parte de um jogador do Canelas, no jogo de hoje com a equipa do Rio Tinto, a contar para um campeonato distrital do Porto, chocou o país. Mas não o surpreendeu, ou pelo menos não surpreendeu a parte do país que mais de perto acompanha estas coisas da bola índígena.


Diria mesmo que este era um acto anunciado pelo ambiente de impunidade instalado á volta do futebol em geral, e em particular pela impunidade na equipa de futebol do Canelas, patrocinado pela Associação de Futebol do Porto.


Esta equipa é constituída por elementos dos Súper Dragões, e tem como capitão precisamente o líder da claque que, dentro do mesmo ambiente de impunidade e de branqueamento, vem gradulamente assumindo crescente protagonismo no miserável panorama do futebol português, com o ponto alto nos últimos dias. 


Há muito que correm imagens da violência em que os jogadores do Canelas transformaram o que deveriam ser apenas jogos de futebol. A tal ponto que quase todos os adversários que disputam essa competição distrital passaram a recusar-se a comparecer aos seus jogos. Com isso, o Canelas, com sucessivas vitórias por falta de comparência, comanda e domina a classificação.


Tudo e sempre com a complacência da Associação de Futebol do Porto, de Lourenço Pinto. A impunidade deu nisto, na maior vergonha do futebol português. A mesma impunidade que marca grande parte da actividade dos Súper Dragões. E ainda a mesma com que o seu líder relata em livro as aventuras de terror que tem espalhado pelo país. 

sábado, 1 de abril de 2017

O clássico da "fezada" no dia das mentiras


 


Em dia das mentiras, no clássico a mentira foi o resultado. Tudo o resto foi verdade!


Foi verdade que o Benfica foi melhor. Foi melhor quando foi melhor, quer dizer, o melhor do Benfica foi melhor que o melhor do Porto. E foi melhor durante muito mais tempo. Foi melhor porque teve muito mais domínio, e foi melhor em todas as variáveis que medem o jogo. E criou muito mais oportunidades de golo!


É esta verdade que faz a mentira do resultado. Só e apenas!


Foi verdade - é verdade - que o Porto festejou o empate como se fosse uma vitória que lhe desse o título. Mas a verdade é que não se percebe por quê. A única explicação é o alívio por não terem perdido o jogo!


Em matéria de festejos, nota máxima para Maxi Pereira. É verdade que, por respeito ao passado, há jogadores que não festejam os golos quando marcam aos seus antigos clubes. Maxi não é dado a esses sentimentos: festejou o golo que marcou, festejou os golos que Casillas negou, e festejou como ninguém o empate. E fez muito bem!


Os inusitados festejos do Porto, a terem explicação, trazem-nos à memória a época passada. O Benfica também estava a um ponto do Sporting, e à  partida para o jogo de Alvalade não havia benfiquista que não considerasse que o empate, nesse jogo, seria um bom resultado. Acreditavam no calendário, e o do Benfica era teoricamente bem mais fácil que o do Sporting. Que, recordo, teria de jogar no Dragão e em Braga. Provou-se que, tivesse o Benfica logrado o tal empate que era bom resultado, e não teria sido campeão. Porque, e faltavam então muito mais jogos que agora, nem um nem outro desperdiçaram um ponto que fosse.


Independentemente das verdades e das mentiras este jogo foi um bom espectáculo de futebol. Bem jogado, num estádio bonito e cheio que nem um ovo. O Porto mostrou algum medo, ao contrário do que vinha apregoando. Reforçou o meio campo, e como só podem jogar onze, jogou com um único ponta de lança, deixando o André Silva no banco. E quando entrou foi para Soares sair. Não admirou por isso que o Benfica tenha entrado dominador, e chegado bem cedo ao golo, na transformação de um penalti - indiscutível e indiscutido - assinalado logo aos cinco minutos.


O golo obrigou o Porto a alterar as ideias. E conseguiu reagir, equilibrando o jogo a partir do equlíbrio na disputa da bola, sempre com muito recurso à falta. O primeiro remate do Porto só chegou perto da meia hora, e o Benfica nunca perdeu o controlo do jogo.


Não deu para perceber se o Porto entrou melhor na segunda parte. Pela simples razão que o Benfica entrou desastradamente. Foram três minutos inacreditáveis, em que o Benfica não acertou um passe. Foram apenas três minutos, é certo. Mas foram o suficiente para sofrer o golo do empate. Um golo inacreditável, como inacreditáveis foram aqueles primeiros três minutos. Que o Benfica pagou bem caro!


Depois, de imediato, o Benfica voltou à mó de cima e partiu para uns restantes 42 minutos de muito bom nível. Com uma equipa a querer ganhar e a outra a não querer mais que não perder. Com uma equipa a somar oportunidades de golo e a outra a somar entradas duras para parar os adversários.


Os golos é que não voltaram. Porque Casillas repetiu a exibição do ano passado, porque Luisão - mais uma grande exibição do velho capitão - , Jonas, Pizzi e Mitroglou foram perdulários, e porque, quando não era nem uma coisa nem outra, lá esteve a pontinha de sorte. Que faz parte do jogo!


E no fim o Porto fez a festa.... Quando continua em segundo e já não depende de si próprio. Mas lá que há lá fezada, há!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...