sábado, 28 de fevereiro de 2026

Guerra "nova" no Médio Oriente

Israel x Irã: o que se sabe até agora sobre o ataque israelense na ...


Prometeu paz, e reclamou o Nobel da especialidade. Há dois dias, num fidelcastroniano discurso do Estado da Nação, ao chorrilho de mentiras acrescentou a de ter acabado com oito guerras. Na realidade, atacou seis países em pouco mais de um ano de mandato. Hoje voltou ao Irão, em grande escala, num ataque a meias com Netanyahu - farinha do mesmo saco -, com consequências previsíveis, mas também muitas imprevisíveis


 Trump prometeu aos americanos que os Estados Unidos não seriam mais o polícia do mundo e que não envolveria mais o país em acções militares externas. Ensinou-nos António Aleixo que "para a mentira ser segura, e atingir profundidade, tem que trazer à mistura, qualquer coisa de verdade". Na "verdade" Trump não fez do país o polícia, mas o ladrão do mundo.


 Mais uma vez Portugal faz de cúmplice. Se calhar pior, de cobardolas. Quando o governo português, pela boca de Paulo Rangel, afirma que os  norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar as Lages sem Portugal ter de ter conhecimento" está só a ser cobardolas. Quando diz que "é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”, está a mentir, tal e qual como Trump.


Não só não é assim que está no Tratado - não sendo uma operação da NATO os EUA têm que pedir autorização prévia para a utilização da base, que é território nacional - como não é o que está a acontecer em todas bases europeias. Os ingleses e os espanhóis não se prestaram à vassalagem!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Não houve grandes supresas na noite em que Hollyood mais se olha ao espelho. Mas não deixou de ser surpreendente que "Mad Max - Estarda da Fúria", fosse o mais oscarizado, mesmo que ofuscado por "O Caso Spotlight", com a notoriedade acrescida que lhe é dada pelo oscar para o melhor filme.


Nenhuma surpresa para os actores: ao fim de 25 anos e de cinco nomeações, Di Caprio levou a estatueta. Pessoalmente, não tenho a certeza que tenha sido quando mais a mereceu, mas confesso que não gostei de "O Renascido" - o filme que mais nomeações ostentava, 13 - e quando assim é fica-se sempre de pé atrás... E Brie Larson (Quarto), que nasceu já Dio Caprio andava nestas andanças, veja-se lá, arrecadou a estatueta para a melhor actriz, confirmando o favoritismo que lhe era atribuído. Mesmo que o meu favoritismo fosse para Jennifer Jason Leihgt ("Os oito odiados", de Tarantino). 


Mas o que eu queria destacar mesmo é o oscar para a melhor música. Porque foi á volta desta categoria que ocorreram os dois mais marcantes momentos da cerimónia/espectáculo. Porque Ennio Morricone merece esta distinção e, aos 87 anos, já era tempo de a receber. Mas também porque gostei muito da banda sonora do filme de Tarantino. Como gostei do filme, como já se percebeu...

Paradoxos

Passos Coelho mantém silêncio para a segunda volta – Observador


Passos Coelho está de volta. Dez anos depois!


Não exactamente os mesmos virtuosos 10 anos de António José Seguro, mas também 10 anos depois. A diferença é que, para Seguro, foram 10 anos de travessia do deserto, enquanto que, para Passos, foram 10 anos a atravessar ... o nevoeiro.


Há outra diferença: o sucesso do regresso de Seguro resulta de circunstâncias conjunturais; o de Passos, a ser atingido, resultará, também de circunstâncias, mas estruturais. Seguro beneficiou da conjuntura interna do PS, e da conjuntura de canibalização de candidaturas no espaço da direita. Passos conta beneficiar do sebastianismo, que é estrutural neste jardim à beira-mar plantado.


Passos acredita firmemente que cinquenta anos [de democracia] não tenham sido suficientes para o país se libertar da figura do homem providencial, de vida sóbria, que há-de voltar numa manhã de nevoeiro para pôr ordem nisto. E fazer todas as reformas. Ao mesmo tempo que acredita que 10 anos tenham sido suficientes para o país se esquecer que não fez reforma nenhuma, que apenas cortou, mesmo sem nunca cortar a direito.


É o paradoxo de Passos, no país dos paradoxos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A Juíza de Instrução Criminal do Tribunal de Lisboa decidiu pela medida de coacção mais gravosa, alegando perigo de fuga e de "perturbação de aquisição e manutenção de prova", determinando a prisão preventiva do procurador Orlando Figueira. Que já seguiu para Évora, a prisão VIP do regime. Que não a prisão dos VIP´s do regime: a prisão dos VIP´s do regime do regime de VIP´s... 


Corrompido, parece que já há. Em indícios, evidentemente. Corruptor é que não... Se calhar é porque já não há Rui Machete para pedir desculpas...


Há casos em que acontece o contrário. No célebre caso dos submarinos é o contrário: só há corruptor; ninguém foi corrompido... Nunca apareceu. Nunca se deu por ele. Ou por eles...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Real Madrid 2 - Benfica 1

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Foi um grande Benfica, este que esta noite foi ao Barnabéu discutir a passagem aos oitavos de final da Champions, depois de todas as dificuldades que advieram daquele maldito jogo da primeira mão, na semana passada, na Luz.


Prestiani, ao contrário de Vinícius, Valverde e Carreras - que, sim, deviam estar impedidos de ter jogado (MBappé também, mas não pôde jogar por lesão) - ficou de fora, por estranha, mas acertada, decisão da UEFA. Estranha porque é uma pena sem culpa provada, mas acertada porque poupou o jogador - e o resto da equipa - ao previsível suplício que seria jogar ali.


No seu lugar jogou Rios. Na sua vez, e no seu lugar. E não se saiu nada mal. De resto, tudo igual ao que tem sido a equipa base, com o Tomás ao lado do Otamendi, o Dedic de volta à direita, e Dahl do outro lado. Com Aursnes e Barreiro, no meio, Rafa atrás do Pavlidis, e Schjelderup  na esquerda.


Foram estes que entraram a mandar no jogo, e a deixar os galácticos de Florentino Pérez a vê-los jogar. E a ouvir "Benfiiiica". "Força Benfica" ... As estrofes do hino também ouviram, mas acredito que não tenham percebido. Mas perceberam que aqueles quatro mil que, ao que consta, terão passados das boas para lá chegarem, lançavam para o campo a chama imensa que calava os mais de 80 mil que eles queriam ouvir.


Era um Benfica autoritário que o golo de Rafa, logo aos 14 minutos, chegou sem grande surpresa. Era o que se esperava, já ao quarto remate à baliza de Courtois. O que não se esperava era que, apenas dois minutos depois, no primeiro remate, o Real Madrid empatasse.


Não se esperava porque os jogadores do Benfica estavam a fazer tudo bem. Mas sabe-se que, contra jogadores daqueles, não se pode errar. Nunca perdoam. E Valverde (a aproveitar o espaço) e Tchouaméni (no remate de enorme categoria, com a bola a mais parecer ter sido impulsionada por uma raquete que por um pé) não perdoaram o erro de Otamendi, que falhou um passe numa saída para o ataque, com a equipa desprevenida. Desbalançada!


O golo do empate teve forte impacto no resto da primeira parte. O Benfica sentiu-o como um murro no estômago; os espanhóis como uma transfusão de sangue. E, até ao intervalo, o jogo - um grande jogo - que só tinha um sentido, passou a ser dividido. 


Já não era apenas o Benfica a mandar no jogo, e a criar situações de golo. Rios esteve muito perto do golo, que Courtois negou, com uma defesa absolutamente fantástica. E o Arda Guler, o turco puto maravilha, chegou mesmo a meter a bola na baliza de Trubin, num lance muito feio, que o VAR reverteu por fora de jogo. Muito feio porque Otamendi e Trubin (no chão, com a bola a li à frente, demorou uma eternidade a mexer-se, permitindo que o miúdo chegasse primeiro à bola, e a empurrasse para a baliza).


Na segunda parte o Benfica voltou a crescer, a ser melhor, e a criar situações de golo sucessivamente desperdiçadas, entre elas a trivela de Rafa que levou a bola à trave da baliza de Courtois. Até novo erro, e novamente fatal. A dez minutos dos noventa. Desta vez foi o Tomás Araújo, em posição atacante, já com o Benfica desesperado à procura do golo sempre adiado, a perder a bola ao tentar um passe numa zona impossível. Valverde voltou a não perdoar, e abriu o campo para Vinícius correr sozinho por ali fora, até bater Trubin, com um passe de classe para dentro da baliza. E deixar a eliminatória resolvida!


O Benfica foi melhor equipa na maior parte do jogo, e até melhor no cômputo da eliminatória. Mas, na Champions, no fim, ainda são os melhores jogadores que decidem as coisas. Se calhar, os erros dos jogadores do Benfica que terminaram nos golos do adversário não seriam cometidos pelos do Real Madrid. Muito provavelmente, os jogadores do Benfica não teriam aproveitado esses erros, se tivessem sido ao contrário. E, seguramente, os galácticos jogadores de Florentino Pérez teriam marcado quatro ou cinco golo s nas oito oportunidades de golo que o Benfica criou no Santiago Barnabéu.


 De resto, já em Lisboa tinha sido assim. Com aquele golo só ao alcance dos melhores entre os melhores. Mesmo que se chame Vini Jr!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Novo Banco apresentou ontem os resultados de 2015, o primeiro ano completo de actividade: quase mil milhões de euros de prejuízos. No ano anterior, com apenas quatro meses de actividade, os prejuízos tinham atingido quase 500 milhões: 1,5 mil milhões de prejuízos acumulados em menos de ano e meio. A que acescem 2 mil milhões de euros de dívida senior que de lá sairam para o BES, o banco mau. 


Já vai em 3,5 mil milhões de euros. No banco bom, imagine-se o mau... 


A CGD, que continua a acumular prejuízos, não só não devolveu o empréstimo do Estado, como vai ainda precisar e mais capital: 1,5 mil milhões, pelo menos. O BCP lá regressou aos lucros, mas ainda não teve condições para devolver o dinheiro do Estado. E o BPI, em vias de perder o seu braço de Angola, o BFA donde lhe vem 80% dos resultados, tem a sua estrutura accionista em processo de "banificação".


Salva-se o Santander. Mas, esse, quanto mais se "salva", menos se salva o país... Ou perto disso!


 

Ucrânia - quatro anos

UCRÂNIA: Quatro anos de apoio constante da Fundação AIS a um país devastado  pela guerra - Fundação AIS


Passam hoje 4 anos sobre a invasão da Ucrânia que, discursando às massas ucranianas, convidando-as a receberem as tropas russas de braços abertos, e a saudarem a união, Putin dava por consumada num fim de semana.


A Ucrânia resistiu. O fim de semana, as semanas, os meses, os anos. A Rússia insistiu, e o passeio de fim de semana tornou-se num conflito já mais longo que o da II Guerra Mundial. 


De um lado, na luta patriótica, a resistência tenaz de um povo. Do outro, a "carne para canhão" recrutada à força nas regiões mais longínquas do império, comprada a mercenários, ou servida por ditadores como Kim Jong-un. E todos os meses Putin precisa de mais 40 mil soldados para abastecer a linha da frente da guerra, numa espiral de perdas humanas de imprevisíveis consequências demográficas. 


E assim vai em quatro anos, a guerra dos quatro dias ... de Putin. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Aí está o primeiro orçamento aprovado pela esquerda, unida. Já não é surpresa, surpresa seria agora se o não fosse. 


Surpresa é ver o liberais como Vítor Bento, e o PCP, do mesmo lado. Se esse lado for o da nacionalização de um banco, não é surpresa encontrar lá o PCP. Supresa é lá estar Vítor Bento. Mas se esse banco for o Novo dito, já com mais de mil milhões de prejuízos acumulados em menos de dois anos, já não é surpresa que lá esteja... Nacionalizar prejuízos - para os liberais - não é bem nacionalizar. Já para o PC, nacionalizar é bom porque sim. Porque lhe está na massa do sangue. E lá se vão as surpresas...


Surpresa também não é o bastonário da Ordem dos Médicos se opor à legalização da eutanásia. Já o sabíamos, mesmo que não saibamos onde acaba a posição pessoal e começa a corporativa. Surpresa é a argumentação rasca. Surpresa é que caia na pantominice de dizer que, com a eutanásia, quem hoje violenta física ou psicologicamente os idosos passaria a matá-los.


É isto que o bastonário está a dizer quando invoca estudos que indicarão que  "um quarto dos idosos é submetido a alguma forma de violência, seja física, seja psicológica”, para concluir que "certamente todos percebemos com facilidade que esses idosos que são submetidos a essas formas de violência, a partir do momento em que seja descriminalizada/ legalizada a eutanásia, vão ser coagidos a optar pela eutanásia".


Surpresa é que pessoas destas não encontrem formas mais sérias de defender as suas ideias.


Mas, surpresa mesmo, é que um alto magistrado do mais importante orgão de investigação de crimes de colarinho branco seja detido por suspeita de corrupção. Ou será que não?


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Dizem os entendidos que Benfica e Porto foram beneficiados num penallti cada um neste último fim de semana. Ambos ganharam e ambos os converteram em golo. No fim das contas, só o do Porto foi objectivamente decisivo na vitória, já que ganhou por um golo (3-2), enquanto o Benfica ganhou por dois (3-1).


Na jornada anterior fora a vez do Sporting sair com benefício idêntico, com o árbitro a punir o adversário com um penalti por uma falta cometida fora da área. Isto para não recuar mais no tempo, e apenas para que fique claro que essas coisas acontecem com alguma frequência. Porque errar, todos erram. Porque esse erros são hoje mais escrutináveis que nunca, e há certamente muita coisa que se vê nas imagens que ao olho humano, no momento, naquela fracção de segundo, não é passível de ser vista.


Mas não é isso que me traz aqui. Melhor: o que me traz aqui só muito remotamente poderá ter alguma coisa a ver com isso. É que uns rapazes de uma claque do Porto, com o respectivo líder à cabeça, voltaram a protagonizar cenas inspiradas na velha Sicília, trazendo-nos de volta tempos que todos julgavamos bem enterrados no passado.


Uma coisa é que não haja praticamente notícia do submundo do crime no Porto que não dê nota de pessoas ligadas aos Super Dragões, deixando bem à vista os cruzamentos entre as claques do futebol e o crime organizado, que nem é novidade nem exclusivo de qualquer uma. Outra é a sua actuação criminosa enquanto tal, enquanto claque, enquanto estrutura institucional apoiada por um clube de futebol. Uma coisa é serem compostas por gente a quem se não conhece profissão, que faz da marginalidade modo de vida. Outra é organizadamente exibirem a intimidação e a chantagem. É espalhar o terror por onde passem e sempre que lhes apeteça. 


Têm agora a palavra as instituições do Estado de Direito. O gangsterismo não pode ficar impune. Onde quer que seja do território nacional. Seja qual for o sector da nossa vida colectiva. 


A GNR tomou conta da ocorrência. Mas o mais provável é que venha concluir mesmo que não passou de um grupo de amigos que numa segunda-feria decidiu ir jantar a uma cidade a 70 ou 80 quilómetros. Que entrou no primeiro restaurante que encontrou, sem qualquer ideia que pudesse ter alguma coisa a ver com o árbitro que terá errado a assinalar um penalti. Um, que não o que beneficiou o seu clube. Que não chamaram "pelo gatuno", mas apenas pelo livro de reclamações... 


Porque, afinal, como se vê pelas televisões e jornais, o que interessa são os penaltis. Isto não tem interesse nenhum!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Nem sei o que me encanita mais. Se os penaltis do fim de semana vistos aos olhos dos grunhos da bola, se o euroajoelhar de Passos Coelho, se as preocupações de  Duarte Marques, o de Mação, com a poluição de celuloses no Tejo, se os apelos de Vítor Bento á nacionalização do Novo Banco e ao reforço da banca pública...

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Benfica 3 - AFS 0


Depois de uma semana complicada, no intervalo da eliminatória com o Real Madrid e no meio de mais um ataque miserável, o Benfica, com muitas novidades, regressou à Luz para cumprir, com o AVS, AFS ou lá o que é, o jogo da 23ª jornada do campeonato. Os benfiquistas responderam às exigências do momento, com sessenta mil nas bancadas, praticamente a esgotar a Catedral.


A primeira novidade foi o novo equipamento que, diz o Marketing, resulta de uma parceria entre a Adidas, Whils - o criativo - e o SL Benfica. Diz que representa o futebol de rua, mas não faço ideia como. É trabalhado sobre o preto, é capaz de vender bem, mas ... a camisola do Glorioso é vermelha. A segunda foi a revolução no onze, cheio de novidades.


Bah regressou, finalmente. Depois daquele maldito jogo com o Moreirense  de 9 de Fevereiro do ano passado, que o atirou, a ele e ao Manu, para um inferno de mais de um ano. O seu colega de infortúnio regressou mais cedo mas, como se está a ver, não foi um regresso. E que regresso, a marcar o primeiro golo, que deu o tom à excelente exibição da primeira parte. E que golo, a lembrar-nos como é competente a concluir dentro da área.


Do outro, na esquerda, a novidade foi a primeira titularidade do José Neto, aos 17 anos. E que estreia, esta do jogador mais novo do campeonato. Ao nível do "melhor em campo", condição que disputou com Schjelderup, o colega de ala, com quem se entendeu às mil maravilhas


No meio do campo a novidade foi a reposição da dupla Enzo-Rios, interrompida já lá vão uns meses. 


Na frente a novidade foi o Lopes Cabral na ala direita. Que, na sociedade com Bah, não conseguiu igualar o sucesso do outro lado. Ao todo seis novidades. Apenas Trubin, Otamendi, Rafa, Pavlidis e Schjelderup transitaram do jogo com o Real Madrid. E destes apenas Trubin cumpriu os 90 minutos.


Sudakov - mialgia lombar - entra para a contabilidade das lesões, que se começava a desvanecer.


A primeira parte, já o deixei perceber, resultou numa exibição muito conseguida, com os golos a aparecerem à cadência de cada quarto de hora. O primeiro, de Bah, surgiu ao segundo remate, na recarga ao remate de Pavlidis, o primeiro do jogo, já passava dos 11 minutos. O segundo, numa bela execução de Enzo, na sequência de um dos muitos cantos, à volta da meia hora. O último, já perto do fim da primeira parte, numa grande jogada de futebol, toda ela espectáculo. Que não podia acabar na excelente defesa do excelente (à sua conta safou seis ou sete golos) Adriel  ao excelente remate do Schjelderup. Na direita, em vez da recarga para a baliza, Lopes Cabral cruzou a bola bem para dentro da área para Rafa, de letra, marcar um golo de grande espectáculo. O seu primeiro, neste regresso. Pena que não tivesse festejado, mas o Rafa é assim mesmo. Parece que está sempre zangado com o mundo.


Com a vantagem de três golos, na segunda parte José Mourinho acabou por gerir a equipa. Trocou logo no intervalo Otamendi por Tomás Araújo. Mas, mesmo que o jogo se tenha tornado menos interessante, não foi por falta de tentativas (23 remates), nem de oportunidades (14) que o resultado se não alterou mais.


Mourinho fez entrar ainda Lukébakio (o jogo não estava a seu jeito), Ivanovic, Anísio Cabral e Diogo Prioste. Nenhum deslumbrou: o miúdo não chegou sequer a ter oportunidade para repetir os anteriores feitos; e Ivanovic, de novo na ala esquerda (entrou para o lugar de  Schjelderup) mostrou, mais uma vez, vontade de aparecer em jogo. Mas só isso.


No fim, num jogo tranquilo, a maior novidade acaba por ser o jejum de Pavlidis. Jogou muito bem, como é regra, mas não está feliz na finalização. E teve dois grandes adversários - o guarda-redes Adriel, que lhe defendeu tudo o que rematou à sua baliza, e o árbitro, um tal Miguel Fonseca, que poode ser o mais novo, mas é da velha guarda. Viu bem um penálti - igualzinho ao do Francisco Moura, que deu o empate ao Sporting no Dragão - mas não quis que Pavlidis o marcasse. No VAR, um tal Paulo Barradas, só confirmou que é muito difícil assinalar penáltis a favor do Benfica, como Mourinho diz, e os jornais dito desportivos propositadamente confundem.

Limites do limite de idade

   Rui Moreira sucede a Manuel Lobo Antunes como representante português na  OCDE - Expresso


Diz o Diário de Notícias que Rui Moreira, de 69 anos, o anterior presidente da Câmara do Porto e mandatário da candidatura presidencial de Marques Mendes, foi escolhido por Montenegro para embaixador de Portugal na OCDE, onde irá substituir Manuel Lobo Antunes, um diplomata de carreira, de 67 anos, em funções desde 29 de Março de 2022, que deixa o cargo por limite de idade


Bem sabemos que nem todos envelhecemos da mesma maneira. Que ninguém dá 69 anos ao Rui Moreira, que nem um cabelo branco tem para apresentar. E que, claro, quem envelhece ao nosso lado, envelhece sempre menos!


 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Petição pública sobre o fim dos blogues no Sapo

aqui tinha referido - en passant e tratando-o por despejo - o anunciado encerramento da plataforma de alojamento de blogues do Sapo. Não tinha ainda referido, porque tencionava dedicar um texto ao assunto, que o anunciado encerramento anuncia ainda o apagamento de todos arquivos, ou seja a destruição de vinte anos de conteúdos da blogosfera.


Acabo de tomar conhecimento, e logo assinar, de uma Petição Pública "Pela salvaguarda do SAPO Blogs, da soberania digital, e da memória cultural portuguesa", dirigida às MEO – Serviços de Comunicações e Multimédia, S.A.; Altice Portugal; Direcção do SAPO; Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM); Ministério da Cultura, suportada no texto seguinte:


"O anunciado encerramento do SAPO Blogs levanta questões que vão além da mera extinção dum serviço técnico.
Durante mais de duas décadas, esta plataforma constituiu um espaço de expressão escrita livre, acessível, e não mediado por algoritmos de visibilidade. Milhares de cidadãos portugueses publicaram, numa plataforma portuguesa, textos de natureza literária, ensaística, autobiográfica, crítica, e cívica. Trata-se de um património digital significativo, que foi produzido fora dos circuitos editoriais tradicionais e das grandes plataformas comerciais internacionais.
Tem vindo a aumentar a consciencialização crítica face à dependência europeia, e portuguesa, de infraestruturas digitais controladas por empresas tecnológicas estrangeiras, maioritariamente americanas. A perda de plataformas nacionais de publicação independente como o SAPO Blogs representa não apenas um empobrecimento cultural, mas também uma fragilização da autonomia digital, da diversidade de expressão, e da memória democrática."


Deixo o convite aos leitores do Quinta Emenda -  agradecendo desde já a todos os que o aceitarem - que se queiram associar a esta petição, sinalizando que a assinatura carece de ser confirmada após a recepção de uma mensagem por correio electrónico da plataforma que alberga a petição.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O Benfica regressou ao campeonato... e ás vitórias no campeonato, num daqueles jogos em que só podia ganhar. Porque tinha de ganhar, se quer ganhar o campeonato nao pode perder mais pontos - pelo menos até ao jogo com o Sporting, depois logo se vê -, e porque foi a única equipa a fazer o que tinha de fazer para ganhar. Mas sabemos que às vezes não se ganham jogos desses...


Em Paços de Ferreira, com os benfiquistas mais uma vez em maioria nas bancadas, e mesmo sem fazer uma exibição de encher o olho, o Benfica voltou a criar muitas oportunidades de golo. Aproveitou apenas três, mas criou muitas mais, num jogo em que o adversário fez três remates à baliza e um golo, por um jóvem (Diogo Jota) que - diz-se - já é jogador do Benfica . Por sinal o melhor do jogo, mas nem por isso menos consentido... 


Com esse golo o Paços chegou ao empate - o Benfica marcara logo aos 13 minutos, por Mitroglou, depois de mais um toque de classe de Jonas - que durou pouco mais que um quarto de hora. Em cima do intervalo o Benfica fez o segundo golo. De penalti. Que não foi na altura contestado, mas que, como sempre, não deixará de o ser por estes dias. Semanas ou até meses, como esperamos... Nas repetições fica a ideia que o Jonas - que foge do contacto físico como o diabo da cruz - evitou o derrube saltando por cima das pernas dos adversários que o tentavam rasteirar. A intenção esteve toda lá, o facto acabou por não acontecer...


Na segunda parte o Benfica geriu o jogo. E a fadiga. E a descompressão, depois de uma série de dois jogos muito exigentes. E os amarelos. E os regressos dos lesionados. E deu para criar mais três ou quatro oportunidades e para a estreia de Lindelof a marcar, na réplica a uma jogada já vista no jogo com o Zenite, então com o Jardel a rematar. Mas ao lado.


No fim fica a ideia de alguma displicência do Benfica, particularmente perceptível logo a seguir ao primeiro golo. Pode ter sido apenas decompressão, mas é bom avisar que facilitar na concentração competitiva é abrir a porta às surpresas...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Racismo é coisa séria

                                                Capa Jornal Record    Capa Jornal A Bola


Racismo é coisa séria. Das mais sérias das coisas sérias. O racismo não é para brincar, é para combater, sem tréguas.


Racismo é uma coisa. Dois jogadores de futebol a trocarem insultos e provocações no decurso de um jogo de futebol, é outra. É por isso que Vinícius Jr, o talentoso jogador brasileiro do Real Madrid, na passada terça-feira, no Estádio da Luz, brincou com o racismo.


As provocações - a adversários, ao público, e até aos colegas e treinadores - que esse jogador recorrentemente repete nos mais diversos estádios, e a forma de estar (em campo) em gozo,  chacota e falta de respeito, não decorrem de qualquer característica rácica. Decorrem apenas do seu carácter, do seu desprezo pelos valores do desporto e, em última análise, da sua (falta de) educação.


A reacção  - de adversários, do público - a essas provocações, e a essa forma de estar em campo, pode expressar conteúdos racistas?


Pode, não o nego. Mas nem sempre!


Ao contrário do que sucede na reacção do público, ninguém sabe o que Prestiani, um puto argentino de 19 anos, realmente disse ao Vinícius na terça-feira à noite, depois do golo do brasileiro. Alguma coisa foi. O miúdo não diz se lhe chamou "filho da puta", "cabrão", "filho de um corno", "maricas" (essa também seria complicada!) ... Sabe-se que o galáctico brasileiro correu para o árbitro a denunciar ter sido o proibido "mono". E que Mbappé, o seu galáctico  colega, no fim do jogo, veio dizer que ouviu a palavra proibida repetida cinco vezes. Mesmo que não haja imagens que mostrem que alguma vez ele possa ter estado em condições de as poder ouvir. 


E sabe-se que, por cá, bem como pelo mundo fora, não só ninguém dá o benefício da dúvida ao miúdo argentino, como decidiram - todos - que a razão por que ninguém sabe o que ele disse, é a mesma que os leva a garantir o que disse. Porque tapou a boca - como se houvesse alguém num campo de futebol que fale sem esconder a boca -, com a camisola, e não há registo sonoro, não se sabe o que disse; pela mesmíssima razão não há dúvida sobre o que disse!


Por amor de Deus: racismo é coisa séria. Que meninos mimados, que ganham largas dezenas de milhões de euros por ano, e vivem em torres de marfim, se aproveitem dele para os seus caprichos é um insulto a todas as verdadeiras vítimas de racismo que sofrem pelo mundo fora.


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Regresso ao sintomático, ao tema dos vídeos de António Costa: o actual primeiro-ministro, como afinal grande parte de nós, não acredita na isenção da comunicação social.


É impressionante o número de opinadores e comentadores instalados no espaço mediático, disfarçados de tudo. De economistas, de politólogos, de sociólogos e, pior que tudo, de ... jornalistas. Quase sempre, e de forma esmagadoramente maioritária, de direita...


Paciência. É a vida... São opções editoriais... São interesses do negócio... Uns gostam, outros não. Mas são comentários e são opiniões. Cada um dá as suas, aqueles vendem-nas... Quem não gosta pode sempre tentar desviar-se, olhar para outro lado... Mesmo que saiba que há sempre uma grande parte que não está em condições de fazer o mesmo.


Outra coisa é o jornalismo. E se poderemos reconhecer legitimidade ao negócio dos media para escolher o alinhamento dos opinadores e comentadores, já temos de considerar absolutamente ilegítimo que desvirtuem o jornalismo. Na sua essência: na ética, na independência e no rigor. No seu profissionalismo.


É aqui que está o verdadeiro problema. Por razões económicas, provavelmente até mais fortes que as ideológicas, o negócio da comunicação social está a acabar com o jornalismo. Sério, responsável e independente.


O jornalismo é caro. Exige profissionais de qualidade e multidisciplinares. E meios, e tempo. Nos espaços de informação, da responsabilidade de jornalistas, exige-se uma abordagem isenta, que explique o que está a acontecer e as consequências do que está a acontecer. E não uma versão convenientemente embalada nas redes sociais e nos gabinetes de comunicação pronta a consumir como instrumento de propaganda. Que é fácil, é barata e ... até acaba por dar milhões...


Qualquer jornalista sabe, ou tem obrigação de saber, que isto não é nem jornalismo nem honesto. Mas tem necessidades mais básicas para satisfazer. E pelo salário hoje tudo se faz. Até pelo que se não recebe, como acontece em tantos e tantos casos. Cada vez mais. Tanto mais que muitos acabam, depois, por ir também vender opiniões afirmadamente disfarçados de jornalistas.

Jesse Jackson (1941-2026)

Rev. Jesse Jackson, noted civil rights and political trailblazer ...


Não se pode dizer - nem ele nunca o reclamou - que tenha sido o herdeiro político de Martin Luther King, de quem foi discípulo, mas foi um dos mais proeminentes líderes de direitos civis que lhe sucedeu.


Senador (na década de 90 do século passado), lançou-se por duas vezes em corridas presidenciais. Ficou-se sempre pelas primárias do Partido Democrata: em 1984, quando se ficou pelo terceiro lugar na disputa ganha por Walter Mondale, na reeleição de Regan; e em 1988, quando ficou atrás de Micael Dukakis, na primeira eleição de George Bush. Mas abriu o caminho à eleição de Obama, vinte anos depois.


Jesse Jackson ficará para a História como um dos activistas afro-americanos mais influentes do seu tempo, e uma referência da luta pelos direitos humanos, e contra a descriminação racial.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Um miúdo de 12 anos - não interessa quem - é chamado a depôr em Tribunal num processo que envolve os pais - não interessa quem - com a natural garantia de que tudo o diga lá fica, e de lá não sai. Na sala de audiências, para além do rapaz, apenas três pessoas: o juiz - ou a juíza, não interessa quem - um representante do Ministério Público e outro do Instituto de Medicina Legal. No dia seguinte, tudo o que o que disse estava escarrapachado nas capas das revistas cor de rosa. Em discurso directo!


Uma menina de ano e meio é resgatada das águas sem vida. A irmã, de três - ou quatro, não interessa - continua por resgatar, depois de três dias de buscas. A mãe, que as deitou ao mar, foi recolhida, levada ao hospital, e depois detida, num cenário arrepiante e num enredo da mais alta miséria humana.


Em 2011, logo que chegou ao governo, Assunção Cristas nomeia um seu colega de partido - John Antunes - por acaso ligado à sua candidatura às legislativas, por Leiria, para a presidência da Parque Expo, com a missão de a liquidar até ao fim de 2013. Em 2016 a missão está por cumprir. A empresa continua de vento em popa a sorver dinheiros públicos, em contratos assinados por ajuste directo. Ainda agora mais dois contratos milionários de acessoria jurídica com gente ilustre do partido que Cristas vai liderar.


O governador do Banco de Portugal, que tem impedido a divulgação de um relatório da Boston Counsulting Group que o responsabiliza por erros graves na condução do processo BES, contratou um secretário de estado do governo que em fim de mandato o reconduziu, para vender o Novo Banco. Para o que acaba de contratar um agonizante banco alemão, juntando - tudo ao molho e fé em Deus - Deutsche Bank, BNP Paribas, TC Capital, o escritório de Vieira de Almeida (sempre em todas) e o próprio ex-secretário de estado, Sérgio Monteiro. Que agora está proibido de contactar com José Veiga, a quem o Banco de portugal proibiu a venda do Banco Internacional de Cabo Verde (Novo Banco), depois do governo a que Sérgio Monteiro pertencia ter mudado a legislação para que o Novo Banco lho pudesse vender. 


Começa a ser difícil acreditar num país assim...


 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Benfica 0 - Real Madrid 1

Imagem de contexto do artigo Vinícius Jr. pronuncia-se sobre caso com Prestianni: "Racistas são, acima de tudo, cobardes"


Catedral cheia que nem um ovo, com 66.387 adeptos nas bancadas, o novo recorde de assistência no actual Estádio da Luz. A noite era para isso, o programa era apelativo e aquela noite épica foi apenas há três semanas.


Não há dois jogos iguais, como sabemos das profundezas do futebolês, e por isso ninguém esperava que Real Madrid e Benfica repetissem o mesmo jogo, os mesmos defeitos e as mesmas virtudes. Pelo contrário, pelas exibições da equipa de Arbeloa de então para cá, período em que inclusivamente subiu à liderança da La Liga, esperava-se um Real Madrid mais sólido, mais consistente, mais intenso, e com os jogadores mais solidários.


E foi esse mesmo Real Madrid que vimos na Luz, tornando desde logo impossível que víssemos o mesmo Benfica. Não foi, nem poderia nessas circunstâncias ser o mesmo. Foi um bom Benfica enquanto pôde, mas nunca foi, nem nunca poderia ter sido, o Benfica brilhante de há duas semanas.


Já com quase todos os jogadores recuperados, Mourinho fez regressar ao onze inicial Dedic e Aursnes. De resto tudo igual, incluindo os dois alas, Prestiani e Schjelderup, e Rafa atrás de Pavlidis. E a equipa entrou bem no jogo, dividindo-o durante a primeira meia hora, mesmo em regime de alternância - ora atacas tu, ora ataco eu. Posse de bola repartida, ataques e remates repartidos, e até ocasiões de golo repartidas, uma para cada lado, mesmo que a de Aursnes, aos 24 minutos, com grande defesa de Courtois, tenha sido bem maior que o remate de Vinicius que saiu ao lado da baliza de Trubin, 4 minutos antes.


O Real Madrid assentou o seu desempenho no quarteto de meio campo, agora bem articulado com os quatro defesas, do melhor que há. Lá estavam dois bulldozers que tapavam todos os espaços, e ganhavam quase todoas as segundas bolas, Camavinga e Tchouameni, um todo o terreno, Valverde, que faz tudo e ainda descobre e inventa espaços, e um artístico Arda Guller, que varia jogo, abre espaços e remata. Os dois da frente ainda começaram a participar no processo de recuperação, mas depressa se deixaram disso. 


Os outros oito que corram para trás, que eles só sabem correr para a frente. E sabem que os outros bastam.


E foi assim que no último quarto de hora da primeira parte a equipa de Arbeloa começou a ganhar ascendência. Empurrado lá para trás, e sem conseguir sair com bola, o Benfica começou a passar mal. E o melhor que poderia esperar era mesmo o apito para o intervalo.


A segunda parte parecia arrancar em moldes diferentes. O intervalo tinha dado ao Benfica o oxigénio que lhe faltara nos últimos minutos da primeira, e parecia que teríamos a alternância de volta. Só que, na primeira saída para o ataque, estavam jogados 5 minutos, Mbappé arrancou e  Vinicius inventou um golo. Do outro mundo!


Depois aconteceu o que é frequente acontecer quando Vinicius faz destas coisas. Quando faz destes golos do outro mundo, em vez de os celebrar, entra pelos caminhos da provocação. Reza a história que, depois, as bancadas respondem com manifestações racistas. Desta vez nada veio das bancadas; viu-se Vinicius a correr para o árbitro a dizer que o Prestiani lhe tinha chamado macaco.


O jogo esteve interrompido perto de 10 minutos - diz-se que é do protocolo - e quando foi retomado passou a ser outra coisa. Nessa, nunca mais o Benfica conseguiu pôr em causa o controlo que o Real Madrid impôs ao jogo.


Com meia hora para jogar Rios e Sudakov entraram para substituir Rafa (sempre atropelado pelos bulldozers) e Schjelderup, o Benfica apenas equilibrou mais o meio campo, mas não alterou nem o  ritmo nem o caminho que o jogo tinha tomado. Tal como, menos de 10 minutos depois, as entradas de Sidny, e do regressado Lukebakio, para substituírem Aursnes e Prestiani (confirme-se ou não a acusação, nunca sairá bem desta situação), mesmo que tenham trazido mais alguma profundidade ao futebol que o Benfica estava a apresentar.


Mais uma vez há razões de queixa da arbitragem. O francês François Letexier poupou amarelos, que se justificavam, aos jogadores do Real que ficariam fora da segunda mão. Poupou o segundo amarelo, e a consequente expulsão, a Vinicius. E poupou o vermelho directo ao Valverde, por óbvia e clara agressão ao Dahl. 


E pronto, o destino da eliminatória estará traçado. Mas, se calhar, nem é isso que mais importará!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Entretanto, do Orçamento de Estado, sem ninguém dar por nada, continua a sair cada vez mais dinheiro por conta do BPN... Daquele que ninguém contesta. Nem Bruxelas, nem Passos, nem Portas, nem Cristas, nem Rangel... Este ano são mais 567 milhões de euros, mais quase 40% que no ano passado. Desde 2012, a soma já vai em 3.020 milhões...


E tudo continua como se nada se passasse... Ninguém está preso. Ninguém é julgado. Nem sequer ninguém sai do PSD... Continuam lá todos...

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Foi um Benfica debilitado, ainda com a angústia de sexta-feira à noite, aquele se apresentou na Luz para começar a discutir com o milionário Zenit o acesso aos quartos da Champions.


É certo que a equipa não se descaracterizou, que se manteve fiel à sua matriz, mas sentiu-se alguma tremideira, pelo menos enquanto a equipa treinada por André Vilas Boas e capitaneada por Danny teve forças. Mesmo assim, mesmo enquanto duraram as forças dos colegas de Witsel, Javi Garcia e Garay, só o Benfica criou oportunidades para marcar. Poucas, é verdade, mas foram as que o jogo tinha para dar...


O Benfica teve bola como poucos. E até como em poucos jogos, a rondar uns improváveis 70%. Inimagináveis para um jogo de champions. E á medida que o tempo ia passando ia acentuando a sua superioridade, encostando o adversário lá atrás e criando sucessivas oportunidades para marcar.


Golos é que não, a lembrar a tal sexta à noite. Até que mesmo à beirinha do fim, em cima dos noventa, chegou o golo que deu a vitória. Curiosamente na única oportunidade em que aproveitou uma jogada de bola parada. Nunca em nenhum outro jogo o Benfica tinha estado tão mal nos lances de bola parada, não criando uma única situação perigosa nos inúmeros cantos e livres de que desfrutou.


Sabemos que o um a zero é sempre um resultado simpático neste tipo de competições. Não é um grande resultado mas, para já, é uma vitória moralizadora e capaz de manter a equipa no trilho que trazia. É um resultado que faz de sexta-feira à noite um simples acidente, que não passou de um encontrãozito, insuficente para fazer saltar a equipa do trilho das boas exibições e das vitórias.


Se dá para chegar aos quartos? Isso agora não é o que mais importa.


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


António Costa entendeu por bem começar a comunicar directamente com os portugueses. Escolheu por meio o vídeo, e as redes sociais como forma. São já conhecidos dois desses vídeos onde, pausada e tranquilamente, o chefe do governo começa por explicar o contexto do OE 2016 e algumas das suas medidas.


Como não poderia deixar de ser, ouviram-se já as mais disparatadas reacções a esta iniciativa. A começar por gente da comunicação, onde houve até quem viesse compará-la às “conversas em família”, de Marcelo Caetano, que nos deixa sempre na dúvida se é ignorância ou simples má-fé. 


Nada contra, por princípio (mesmo reconhecendo alguns riscos), que os mais altos dirigentes do país se dirijam directamente aos cidadãos. Nos tempos que correm, na sociedade da comunicação em que vivemos, isso é cada vez mais normal. E quem o fizer bem, sem manipular conteúdos e meios, sem cassete e sem poluição (os riscos estão aqui), está apenas com os pés bem assentes no presente.


António Costa não está com isto a pretender pôr um pé no futuro. Nem sequer me parece que tenha acordado de uma visão revolucionária. António Costa apenas percebeu o que toda a gente também já percebeu: que não encontra mensageiros na comunicação social, que os media deixaram de ser um intermediário isento e sério da comunicação. Que não passa o que disser, mas o que quiserem fazer passar que disse...


Sempre dado por ter boa imprensa, como um dos políticos com melhores relações pessoais no meio, António Costa não seria certamente a pessoa mais vocacionada para fazer esta ponte, e passar por cima do velho instituto das democracias que é a comunicação social. É por isso ainda mais sintomático que o tenha feito!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Passos Coelho não pára de nos surpreender. Quando pensavamos que já tínhamos visto tudo, que tinha esgotado todos os truques, tem sempre um novo coelho pronto a saltar da cartola.


A última não lembraria ao diabo, mas lembrou-lhe a ele: inaugurar uma escola. Nem mais, Pedro Passos Coelho vai hoje inaugurar uma escola. Que na melhor tradição do corta-fitismo, já está a funcionar vai para três anos!


Haveremos ainda de ouvir falar na riqueza simbólica do gesto. Afinal foi ele que ganhou as eleições...


O que é de mais é moléstia, diz o povo. E isto é lata, falta de vergonha, a mais. Esta moléstia raia a loucura...

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Pedro Passos Coelho quer explicações sobre o Banif. Mas não dá esplicações sobre o Banif... Nem dá explicações sobre o BES. Nem sobre o BPN. Nem sobre o dinheiro metido na EFISA, do mesmo BPN, para a entregar ao inseparável Miguel Relvas.


Passos Coelho já tinha acabado com a austeridade. E não percebe que o governo possa redistribuir o que não há. Passos Coelho agora é social-democrata...


Passos Coelho pensa que somos todos parvos. E se calhar somos... Se calhar essa é a única coisa certa que lhe passa pela cabeça...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Santa Clara 1 - Benfica 2

Prestianni e Pavlidis


O Benfica abriu a 22ª jornada do campeonato na deslocação a S. Miguel, para defrontar o Santa Clara num campo de todo impróprio para um jogo da maior competição do futebol nacional. Não tem nada a ver com o temporal, nem sequer com a chuva. É mesmo do campo, sem condições!


O Santa Clara, esta equipa que vimos hoje, também não foi muito melhor. Se vale o que se viu neste jogo, agora sob o comando de Petit, tem poucas condições para justificar a manutenção no escalão principal do nosso pobre futebol. Não tem campo, mas também não teve futebol para isso.


De tudo isso não tem o Benfica culpa. Só tem que jogar nos campos que há, contra os adversários que há. E, vamos percebendo, não com os árbitros que há, mas com os que querem que haja para arbitrar os seus jogos.


Por exemplo, percebemos na passada segunda-feira, que o Luís Godinho é capaz de ser um bom árbitro. O que lhe vimos no clássico do Dragão, onde foi o melhor em campo, deixou-nos perceber que tudo o que faz nos jogos do Benfica é mesmo, e só, porque quer. Não é que não saiba!


É bem capaz de suceder a mesma coisa com o António Nobre, o árbitro desta noite nos Açores. Se calhar sabe arbitrar, sabe como se faz. Mas com o Benfica ... não quer.


Então não é que o tipo que, naquele jogo com o Arouca da época passada, quando o Otamendi levou com uma joelhada na cabeça, no último minuto, marcou penálti contra o Benfica -"rasteirou o atacante com a cabeça"- e decidiu esse campeonato, não conseguiu  marcar nenhum dos três - Prestiani, Barreiro e Pavlidis - flagrantes no jogo de hoje?


Falar das arbitragens do Benfica, está visto, é chover no molhado. E de chuva estamos todos fartos. Por isso falemos do jogo, mesmo que dele não haja muito, de bom, para dizer.


Com Aursnes a juntar-se às baixas, que continuam altas, Enzo regressou à titularidade, já recuperado. E formou com Barreiro a dupla de meio campo. A outra novidade foi o regresso de Tomás Araújo à velha conhecida posição de lateral direito. Onde não esteve nada mal, mesmo que cedo tenha dado sinais de alguns problemas num joelho. De resto, no onze, tudo na mesma, já com Rafa definitivamente no lugar de Sudakov.


As péssimas condições do relvado tornavam virtualmente impossível um jogo de qualidade. Ainda assim o Benfica foi fazendo o que pôde para atingir aquele padrão mínimo de qualidade sem o qual é difícil ganhar um jogo. Cumpriu os mínimos, e isso, pela fraca qualidade apresentada pelo adversário, foi suficiente para, mesmo sem grande exuberância, garantir o controlo total do jogo.  


Logo aos 6 minutos Rafa, assistido por Pavlidis, poderia ter marcado, não tivesse a bola saído ligeiramente ao lado do poste direito do guarda-redes Gabriel Batista. À passagem do primeiro quarto de hora Pavlidis respondeu de, e com, cabeça ao cruzamento do Tomás Araújo, e abriu o marcador. Cinco minutos depois Gabriel Batista negou o golo a Rafa. E aos 38 minutos Pavlidis, espectacular, fez tudo bem no lado esquerdo e cruzou tenso, para Prestiani marcar o segundo, já perto da boca da baliza.


A eficácia - o grande problema da equipa - desta vez era um bom indicador. Quatro oportunidades - grandes oportunidades -, em três remates à baliza, dois golos.


O domínio do jogo, aliado a bons níveis de eficácia, apontavam para, finalmente, um jogo tranquilo e para um resultado expressivo. Essa era a perspectiva que passava para a segunda parte.


Só que ainda não foi desta. No primeiro minuto, ao primeiro canto, que seria o único em todo o jogo, na primeira vez que a bola levou o caminho da baliza do Benfica, num frango monumental do guarda-redes ucraniano, o Santa Clara marcou. Isto sim, é eficácia. Nenhuma oportunidade criada, um único remate, num único canto, e um golo. A bola, vinda da cabeça do Gonçalo Paciência, chegou morta às mãos de Trubin que, completamente desconcentrado, porventura esquecido que, ali, o terreno era o mesmo que tinha encontrado na outra baliza - onde ele tinha escorregado sempre que quis pontapear a bola -, não a protegeu com o corpo, e deixou-a escapar entre as mãos.


Isto, coisas destas, costumam correr mal. De repente, no primeiro minuto, o resultado ficava ali à mão, à diferença de um golo. Para que corresse mal, o Benfica fez a sua parte. Faltou ao Santa Clara fazer a sua. 
Tudo o que de bom o Benfica tinha para dar ao jogo tinha sido dado na primeira parte. Na segunda não foi o Benfica que controlou o jogo, foi a incapacidade do Santa Clara que fez com lhe sobrasse o controlo do jogo. Só por isso, por essa incapacidade, nunca, apesar do resultado, o fantasma dos empates andou por ali.


O estado do campo desculpa muitas coisas. O jogo com o Real Madrid, dentro de quatro dias, explicará outras. Ainda assim, a segunda parte do Benfica foi inaceitável, com a equipa constantemente a desperdiçar, não oportunidades de golo, que dessas nem uma, mas a desperdiçar jogo. Tudo o que jogo dava, o Benfica desperdiçava. Nem um remate à baliza. Foi confrangedor!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


O futebol é isto mesmo - diz em futebolês. Não sei se é isto mesmo, sei é que tem muito disto.


O Benfica estava imparável. O Porto de rastos. O Benfica respirava confiança, o Porto desconfiava até da própria sombra. O Benfica, para além de vir a jogar muito bem, evidenciava uma notável eficácia na hora de atirar ao golo. O Porto, mesmo não jogando muito bem, criava muitas oportunidades mas aproveitava poucas.


O início do jogo mostrou bem qual era o ponto de partida de cada uma das equipas. Bem por cima, e com o Porto amedrontado, o Benfica chegou cedo ao golo. Diz-se que, nos clássicos, marcar primeiro é um trunfo forte e, ao fazê-lo, o Benfica ficou com tudo para ganhar o clássico, e enterrrar de vez as aspirações do Porto neste campeonato.


Só que - lá está - o futebol tem muito disto. Na primeira vez que remata à baliza, num remate muito facilitado e onde, depois, Júlio César não fez tudo o que se exegia, o Porto empatou. Nada que assustasse ninguém, a superioridade do Benfica era evidente, mesmo que aquele golo tivesse ressuscitado os jogadores do Porto. E as oportunidades de golo iam-se sucedendo, todas para o lado do Benfica. No fim, contam-se dez!


Não me lembro de um clássico tão desnivelado, e com tantas oportunidades de golo. Só que o invulgar nível de desperdício do Benfica, e a memorável exibição de Casillas, que negou cinco golos em outras tantas defesas soberbas, não permitiram que o resultado traduzisse a enorme superioridade do Benfica neste jogo. 


E vem ao de cima outra velha máxima do futebolês: quem não marca sofre. E lá está outra vez: o futebol tem disto, e foi o Porto a fazer o segundo golo na terceira oportunidade que criou. A segunda tinha acontecido pouco antes, no mesmíssimo contexto de jogo.


E aí o jogo acabou. Os jogadores do Benfica sentiram a injustiça do resultado, e com o desperdício de mais duas oportunidades logo de seguida, deixaram de acreditar. Ao contrário do também habitual, as substituições correram todas mal. A de Salvio, mais do que à procura do milagre, foi apenas para puxar pelos adeptos na expectativa que fossem eles a levantar a equipa para o assalto final.


Nada resultou. Espero que não fiquem marcas. Nem dúvidas na cabeça dos jogadores. Nem na dos adeptos. Não adianta lembrar que com esta derrota o Benfica já só pode aspirar a fazer 25% dos pontos em disputa com os rivais na disputa do disputa do título. Todos os jogos têm a sua história, e essa é apenas a dos números!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Maldição do MAI

Montenegro alerta para possibilidade novas rupturas no Mondego - Renascença


O primeiro-ministro, e agora, depois da demissão de Maria Lúcia Amaraltambém MAI, debaixo de chuva, depois de o dique do Rio Mondego ter rebentado, mas ainda antes de ter ruído o troço da A1, admitindo que se estava no limiar da capacidade para conter as águas do Rio Mondego, garantia que estava a ser feito tudo o que podia ser feito: Do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e do ponto de vista da nossa interacção com os nossos vizinhos espanhóis" ...


O Mondego nasce na Serra da Estrela, e desagua na Figueira da Foz. Só se percebe que "os nossos vizinhos espanhóis" entrem aqui por maldição do MAI. Se calhar, ainda assim, a menor das maldições que se estão a abater sobre o país.

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Os mercados - ei-los de novo - estão nervosos. E terão razão para isso: por todo o mundo as bolsas caem e os rumores de novas bolhas prontas a rebentar sucedem-se. Na Europa as coisas não estão melhor, antes pelo contrário. Em Espanha - sem governo, nem solução à vista - o IBEX (o índice bolsista da Bolsa de Madrid) já caiu, este ano, mais de cem milhões de euros. Em França, a Societé General, o maior banco francês, afunda-se. E, the last, not the least, nos mercados ninguém acredita na solvência do Deutsche Bank. Isto é, também a poderosa e irrepreensível Alemanha está a assistir ao colapso do seu maior banco.


Não são, pois, poucas as razões de susto para os mercados. Reparo, com surpresa, que nenhuma tem o que quer que seja a ver com Portugal. Alguma coisa me deve ter falhado, porque Herr Schäuble, o visionário ministro das finanças alemão, para gáudio dos seus admiradores em Portugal - na primeira linha dos quais está Passos Coelho, que até já aproveitou a maré - gritou bem alto, e com o habitual dedo (torto) em (pouco) riste, que "Portugal não pode continuar a perturbar os mercados".


É isto a Europa de Schäuble e da direita míope que a está a destruir. Não há qualquer problema económico numa economia que há anos está estagnada e que não encontra saída para o crescimento. Não há problema social que tire o sono a ninguém, quando o desemprego continua sem solução. Não há problemas políticos para resolver em lado nenhum, quando valores democráticos - fundamentos da integração e condição indispensável à adesão - estão postos em causa nalguns países membros. Não há nenhum problema no seu sistema financeiro, quando os seus maiores bancos começam a dar maus sinais. Não há qualquer problema com Schengen. Não há problemas com a Inglaterra. Não há problemas com os milhões de refugiados que estão a entrar pelas suas fronteiras dentro. Não há qualquer problema que regiões do globo estejam a ser destruídas, e a alimentar o infindável surto de refugiados que de lá são obrigados a fugir.


Problema, problema sério, é Portugal. Só porque a maioria dos eleitores disse que a receita do Sr Schäuble, aplicada durante quatro anos, e ao contrário do que ele continua cegamente a garantir, não funcionou. E que, por isso, tinha de ser abandonada!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Mas o que é isto?

Forças Armadas só aceleraram com pedidos das câmaras afetadas e não da ANEPC


Foto: Expresso


Quando vi estas imagens pensei que tinha havido um golpe de Estado, e que eu não tinha dado por nada.


- Num dia votamos numas das mais importantes eleições da democracia, e logo a seguir temos uma coisa destas nas televisões?


- Mas o que é isto?


Afinal não era nada ... Foi apenas o Presidente, de saída, a ser Marcelo; e os militares a serem mais marcelistas que o Marcelo. Mas lá que fez lembrar a América latina, fez!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Rui Moreira, o presidente da Câmara Municipal do Porto, regressou ao futeboleiro tempo dos que queriam ver Lisboa a arder. Eleito - muito provavelmente - à custa da notoriedade das palavras na bola, no polo oposto ao seu antecessor, e sem oportunidade para abrir as portas e as varandas da câmara aos festejos do seu clube, para por elas entrar o ar que lhe segurará os votos, à falta de outras asas, Rui Moreira agarra-se às da TAP. E pelo caminho vai distribuindo uns pontapés por Lisboa...


Há coisas que nunca mudam...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Bem-vindos, amigos lagartos!


Ao intervalo do jogo com o Braga tinham deixado um vídeo na cabine do árbitro, a passar as imagens de lances do primeiro tempo, repetidamente e sem poder ser desligado. Foi um mero lapso: as imagens dos lances polémicos se destinavam exclusivamente à análise interna dos seus técnicos; e a reprodução no balneário da equipa de arbitragem terá ocorrido por por engano.


Ontem decoraram as paredes do balneário do adversário com recortes do jornal oficioso, a exaltar as conquistas do clube, mas não foi canalhice: as imagens estavam lá para servir os visitantes. Não esses visitantes, que ocupam o balneário, mas os outros, os visitantes do estádio.


 Ligaram o ar condicionado do balneário com a temperatura no máximo, e esconderam o comando, mas não foi grunhisse. Isso era no tempo da creolina. Aquela era apenas a temperatura recomendada para aquela zona.


Se calhar, depois de marcarem, esconderam as bolas, e os cones, à volta do campo para tornar a coisa mais divertida, como antes faziam com bolas de golfe. Se calhar não roubaram a toalha ao guarda-redes, levaram-na para a trocar por uma lavada. Se calhar colocaram cortinas, e colunas de som, em cima dos adeptos adversários, não para abafar os seus cânticos, mas para os proteger dos filhos da puta dos outros. Sorte a deles, que não foram obrigados a ficar a despirem-se a descalçarem-se à entrada, para entrar só na segunda parte. Se calhar foi por lapso, a pensar que era noite de S. João, que foram estoirar foguetes durante a madrugada para a frente do hotel.


É isto. Palermo continua Palermo, só mudou o padrinho. Só que havia quem não soubesse. Quem pensasse que a grunhisse e a canalhice era só para os outros. Bem-vindos a Palermo, amigos lagartos!

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A esquerda é historicamente acusada de reivindicar uma certa superioridade ética e ideológica. E de arrogância, quer na forma como o faz, quer na forma com que se apropria de alguns temas tidos por fracturantes.


Dou por mim muitas vezes a pensar se não terá sido exactamente aqui, nesta acusação - ou na forma como a agarrou -, que a direita começou a ganhar a batalha do combate ideológico. A verdade é que, independentemente de onde e quando começou a ganhar esta batalha, a direita domina hoje o debate ideológico. Para isso muito contribuiram os últimos anos de governação, certamente a mais ideológica da nossa democracia, as novas tecnologias de informação e as novas formas de comunicação - as redes sociais são o que são, mas são ainda o que fizeram a comunicação profissional ser. Os jornais adoptaram os padrões tweeter ou facebook, o toca e foge, o inviesamento, as gordas manipuladas a preceito, sempre ao lado da leitura mais fácil.


Por exemplo: no sábado, no conforto dos militantes do seu partido - que, tendo em consideração o desgaste das últimas semanas, deve ter sido uma coisa parecida com o chegar a casa no fim de um dia complicado e esticar as pernas no sofá, em frente à lareira - António Costa, em evidente descompressão, produziu alguns comentários em torno das consequências fiscais de algumas das medidas do orçamento. Logo foram ridicularizados nos "conselhos de Costa", e potenciados através de página própria no facebook, e logo daí inundaram os jornais, criando uma dinâmica onde já fica difícil saber onde está o ovo e onde está a galinha.


Ontem, em entrevista ao Diário de Notícias, o ministro das finanças, Mário Centeno, perguntado como classificaria alguém que tem um rendimento bruto de 2000 euros por mês, disse: "Lá está, uma pessoa que tem um rendimento bruto de 2000 euros por mês está numa posição da distribuição de quem paga impostos em Portugal, altamente privilegiada. Se isto faz dessa pessoa uma pessoa rica ou não… garanto-lhe que não faz". Para título, para as gordas, o DN foi logo buscar: "Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada". Em menos de um fósforo, nos jornais, televisões e redes sociais o ministro das finanças era acusado de chamar milionário a quem tem um rendimento bruto de dois mil euros mensal...

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O canto do cisne

Presidenciais 2026: Tudo sobre a segunda volta das eleições ao minuto ...


Sou dos que acreditam que as eleições de ontem, na segunda volta das presidenciais, ficarão a constituir um marco da nossa democracia.


Em primeiro lugar pela participação eleitoral. Não foi estrondosa, nada que se parecesse com a de  há 40 anos. Mas, nestas circunstâncias - a quase certa vitória antecipada de um dos candidatos; no meio de uma catástrofe, que impediu muita gente de votar (em 20 freguesias, em oito municípios, num total de 36.852 eleitores inscritos não se pôde votar), e desmotivava muito mais; numa sequência de eleições anteriores com registos crescentes da abstenção; e com um dos candidatos a apelar ao seu adiamento - o povo foi às urnas num número muito próximo do da primeira volta, e superior ao das presidenciais dos últimos 15 anos.


Esta foi a primeira derrota do André Ventura, anunciada quando ainda faltava uma hora para o fecho das urnas, enquanto ele entrava para a missa, rodeado de câmaras de televisão e de microfones.


 Depois, mais ainda que a expressiva vitória de António José Seguro, a sua história. Entrou na corrida com 6% nas sondagens, sozinho, sem despertar nenhuma onda de entusiasmo em qualquer segmento da sociedade portuguesa, e acaba como o português mais votado de sempre.   


Visto como cinzento, e incapaz de mobilizar quem quer que seja, bastou-lhe apresentar-se como o moderado que procura consensos, exactamente ao contrário do seu adversário, para atingir este resultado histórico, passando do 1.755.764 votos da primeira volta para os 3.482.491que, quando ainda faltam votar quase 40 mil eleitores, o tornam no português mais votado de sempre.


Quer isto dizer - contas feitas aos resultados dos restantes candidatos na primeira volta - que  cerca de um milhão e meio de eleitores que votaram à direita na primeira volta, votando agora em Seguro, rejeitaram André Ventura, e tudo o que ele representa. E isto não pode deixar de ter consequências políticas profundas.


André Ventura reteve os votos que obteve há três semanas, mas teve um crescimento anémico nos restantes eleitores da direita. E não consegue por isso - a não ser que minta! - assumir-se como líder da direita. 


 Apressou-se a sublinhar que tem uma percentagem superior à obtida pela AD nas legislativas do ano passado, o que acontece por centésimas. Mas com menos 270 mil votos, em número absoluto. Não lidera a direita, lidera a extrema-direita. Que só venceu em Elvas e em São Vicente, e que em foi passada a ferro em Lisboa e no Porto.


Atingiu provavelmente o limite superior do seu potencial crescimento. Daqui para a frente, no quadro de estabilidade agora configurado, e sem eleições à vista, como Seguro apontou no seu discurso de vitória, se Montenegro deixar de continuar a fazer asneiras, e começar finalmente a governar, será sempre a cair.


Ontem o cisne cantou!


 

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Sempre nos fez muita confusão esta coisa dos preços dos combustíveis. Sempre suspeitamos de coisas estranhas: de cartelização de preços, de falta de transparência. De nos estarem constantemente a ir ao bolso...


Claro que, depois, haveria sempre de surgir qualquer coisa que nos tranquilizasse. Isto não é uma república das bananas nas mãos dos senhores das petrolíferas. Primeiro, e a bem da transparência, vieram uns painéis nas auto estradas com os preços afixados. Eram todos iguaizinhos, mas isso é concorrência. Da melhor... Depois vinha sempre um senhor explicar o pricing da coisa, que dava sempre as contas por certas. Por acaso era um senhor da respectiva associação empresarial, mas isso decorria certamente da complexidade do tema, que obrigava a recorrer a um verdadeiro especialista na coisa. E para explicar a coisa nada melhor que o dono da coisa.


Mesmo assim, depois de tantas vezes explicado que as petrolíferas não tinham nada a ver com os escandalosos preços que víamos estampados nas bombas de gasolina, ninguém percebia como é esses preços não caíam mais que uns meros 10% quando o preço do barril de petróleo caiu dos 130 para os 25 dólares. Há uns dias atrás, um senhor que também sabe muito de petróleo - e não só, até porque é um engenheiro economista -, Mira Amaral, explicava que as petrolíferas estavam a aproveitar os preços do petróleo para repôr margens. Decifrada a linguagem, percebemos que não andavamos muito enganados quando desconfiavamos que eles estavam a ir com toda a força aos nossos bolsos para encherem pornograficamente os deles. 


Ontem soubemos que em 2015 a Galp aumentou os lucros em 71,5%, de 373 para 639 milhões de euros. Ora aí está, concluirá apressadamente o leitor. Enganou-se, não é nada disso: este crescimento de lucros só foi possível - para além dos enormíssimos méritos dos seus gestores, que por isso irão moderadamente receber os mais que justíssimos prémios - graças ao aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil (mérito, muito mérito outra vez para os gestores, que conseguem que corra bem onde tudo corre mal). E claro, mas em muito menor expressão, pela "recuperação das margens de refinação europeias", que Mira Amaral já avisara. Repôr, dizia este. Recuperar, dia a administração da Galp. Nós, sempre distraídos, é que nunca tivemos oportunidade de perceber onde tinham perdido o que agora repuseram. Ou recuperaram...


Se calhar perderam-no num dos muitos aumentos dos impostos a que todos os governos têm lançado mão... Como agora, mais uma vez. Dizem-me aqui que não, que o presidente da Galp já veio dizer que ninguém pode contar com isso. Que impostos, são impostos. Têm mesmo de ser repercutidos no consumidor...


 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Benfica 2 - Alverca 1

A festa de Anísio Cabral


Em plena crise nacional, em resultado do comboio de tempestades que tem assolado o país, em dia de eleições, e noite eleitoral, o Benfica recebeu o Alverca na Luz, com menos de 50 mil nas bancadas, na verdade pouco mais de 49 mil, a mais fraca casa da época. 


Todos os jogos são difíceis para o Benfica. E quando o não são a equipa encarrega-se de os tornar. Não sei bem se este era à partida um jogo difícil; sei que o foi, e sei que, se não o fosse, o Benfica tratou de o tornar muito difícil.


A equipa - com a novidade de Lopes Cabral na lateral direita da defesa, e de Rafa no lugar de Sudakov - entrou bem. Decidida e pressionante. Sol de pouca dura. Marcou - excelente execução de Rafa (o toque de classe que faltava) no remate defendido pelo Matheus Mendes (defendeu tudo, e por isso o meu melhor em campo), na recarga de Schjelderup - cedo mas rapidamente se acomodou e baixou a velocidade, a pressão, a intensidade e até a concentração, acabando por dar 45 minutos de avanço ao Alverca. Que, sem grande surpresa, deve até dizer-se, empatou um quarto de hora depois. 


É certo que, mesmo assim, o Benfica poderia ter saído a ganhar para o intervalo. Dispôs, ainda assim, de oportunidades para isso. Ao intervalo já o Matheus Mendes era forte candidato a melhor em campo, e já se podia falar de mais uma noite de desperdício de Pavlidis e seus pares. Mas também é certo que o Chiquinho - mais um bom jogador que, depois de andar sem sucesso pelos principais campeonatos europeus (Premier League La Liga), o Alverca recuperou - pintou a manta e fez a cabeça em água ao Lopes Cabral. Que ainda não deve saber a quem terá que agradecer por ao intervalo ele ter ficado no balneário. 


Era claro que para ganhar o jogo o Benfica teria que surgir bem diferente na segunda parte. Os primeiros minutos não auguravam nada de bom, mas rapidamente, com outra velocidade e outra intensidade, a equipa empurrou o adversário para a sua área e passou a asfixiá-lo, lá atrás. 


Cheirava a golo. Alguma vez todo aquele desperdício teria de acabar. Alguma vez o árbitro haveria de assinalar o penálti a que sucessivamente fazia vista grossa.


O golo que se cheirava chegou precisamente quando se esgotava o primeiro quarto de hora. Festejou Pavlidis, festejamos todos mas, sem que ninguém percebesse por quê, a bola não ia ao centro. Largos minutos depois o árbitro anunciava a anulação do golo, por Pavlidis ter tocado a bola com a mão. Afinal, o golo que há tanto se aguardava em função daquele sufoco todo, apenas serviu de bandeira branca ao Alverca. Aquela longa interrupção só serviu para desligar o interruptor do sufoco, e ligar, no máximo, o da ansiedade.


Os remates sucediam-se - foram 29, nunca o Alverca tinha consentido tanto - ao ritmo do desperdício. O árbitro continuava a fazer vista grossa a faltas, dentro e fora da área de rigor do Alverca. O VAR, um tal João Casegas, que viu tão bem a tal mão do Pavlidis, nunca mais viu nada. Minto: viu que foi fora da área, uma falta bem lá dentro, desta vez sobre o Barreiro, que mais uma vez o Bruno Costa não quis ver.


Até que, ao minuto 85, e quando o Alverca já respirava, Mourinho, que apenas - e já tarde, se bem que se compreenda - tinha lançado Sudakov, por troca com o Lopes Cabral, com Prestiani a ficar com toda a ala direita, lançou Bruma e Anísio para o lugar dos dois alas. Bruma, para nada - mais uma vez não acrescentou absolutamente nada. Anísio, o miúdo de 17 anos, para de imediato, exactamente como naquele minuto 84 da sua estreia, com um soberbo golpe de cabeça ao cruzamento do Dahl, marcar o golo.


Que tanto fugira, e que garantia uma vitória arrancada a ferros! 

Expressivamente Seguro

Presidenciais. Seguro aconselha "prudência" com gastos na defesa ...


Sem surpresa, António José Seguro acaba de ser eleito Presidente da República. Sem grande surpresa, com uma votação muito expressiva, à volta dos 70%. Com alguma surpresa, mas ainda assim nem muita, os portugueses acorreram massivamente às urnas. A abstenção, no território nacional, que é o que conta nas actuais circunstâncias, quando delas quiseram fazer valer o (legalmente impossível, mas tentado justamente para abrir brechas no cumprimento da legalidade) adiamento das eleições, foi baixa, provavelmente abaixo dos 40%.


André Ventura, e tudo o que representa, foi claramente rejeitado. Manteve o seu eleitorado, como era esperado e natural. Mas não o alargou, e não ganhou legitimidade para a liderança da direita que tanto reclama. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Enquanto a PaF completa e sem excepções - sim, é como uma praga, subsiste mesmo depois de declarada extinta - com Cristas na crista da onda, lançava apelos lancinantes (inclusivamente a partir do Parlamento Europeu, com Paulo Rangel a ultrapassar todos os limites), à Comissão Europeia para que vergasse o governo português ao chumbo do Orçamento,  Paulo Portas pedia "a Bruxelas que não fosse intransigente com Portugal". Em privado, baixinho não fosse alguém ouvir... 


Que irrevogável falta de vergonha!

Joana Lopes (1938-2026)

Entre as brumas da memória


Uma coisa é os blogues desaparecerem por cansaço, por terem ficado fora de moda, ou até por despejo, porque as plataformas que os alojaram terem decidido que não estavam mais para isso, como sucedeu no Sapo, que vai despejar todos os seus inquilinos, a grande maioria, entre eles este humilde Quinta Emenda, desde os primórdios da blogosfera. Outra, bem diferente, é desaparecer quem lhes deu vida e alma. 


Já aqui lamentamos muitos desses desaparecimentos e muitas dessas perdas. Hoje, entre as brumas da memória, desapareceu mais um nome grande da blogosfera - Joana Lopes. Vai fazer muita falta!


 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


A ERC demorou muito tempo a perceber que os operadores de televisão andavam a  enganar as pessoas que têm à sua mercê, de frente para o ecrã. Depois de tantos anos - por aqui há muito que denunciamos o escândalo - o regulador oficial descobriu finalmente o que toda a gente tinha todos os dias à frente dos olhos. Mas só agora é que essas "práticas enganosas e agressivas" das televisões começam a ser objecto de sanção.   


Mais vale tarde do que nunca. Mas é muito tarde... Incompreensivelmente tarde!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Há 10 anos

Acredite...: sem olhar pra trás...


Sendo o primeiro a entrar em cena, ou o último, sempre a mesma resposta. A pressão é apenas a de jogar bem e ganhar. De ganhar bem, por muitos... Categoricamente, sem qualquer sombra de dúvidas. Sem penaltis, nem cotoveladas, nem Tonel... Com tranquilidade, sem confusões no banco. Com árbitros, árbitros assistentes e quartos árbitros em paz... Por três, quatro, cinco ou seis. Jogo após jogo.  


É isto, este Benfica. Uma máquina de jogar bom futebol e de marcar golos. Que pega no jogo logo que a bola sai do centro do campo, tocada pela primeira vez, e empurra o adversário lá para trás, encosta-o às cordas e sufoca-o até que comece a cometer erros. Uma espécie de semear terror para colher medos, numa fantástica história cantada numa bela peça de ópera. 


Olhando para trás, e apenas para os últimos seis anos, que guardam o melhor da História do Benfica do último quarto de século, e imaginarmos qualquer dessas equipas sem Luisão, Gaitan, Salvio e Maxi (era o que havia, não havia Nelson Semedo).  Sem o trinco, fosse lá quem fosse. Sem capitão. Tudo ao mesmo tempo, seria imaginar um cenário de terror. Neste Benfica é apenas mais uma etapa de crescimento, uma oportunidade a dar a novos jogadores, a forma de atingir novos patamares de exigência... Em qualquer desses gloriosos anos, com dois dos três centrais lesionados, recorrer-se-ia sempre a outro dos consagrados. Geralmente recuava o trinco: lembramo-nos de Katsouranis, de Javi e de Fejsa. Neste Benfica, vai-se procurar outro central, tenha lá a idade que tiver. E a experiência que tiver...


Isto, meus amigos, isto é de treinador. Este Benfica, é este Benfica por ser o deste treinador. É mérito indiscutível de Rui Vitória que, à medida que foi - também ele - ganhando confiança, se libertou de tudo o que o peava e se soltou de todas as amarras. Internas e externas!


A propósito: alguém imaginou ver este Mitroglou? Ficou-lhe mesmo bem, este hat-trick do Restelo...


 

Tragédias

Visão | Tempestade Kristin: Relatos de um Portugal abandonado


Passa já uma semana sobre uma das maiores catástrofes climatéricas que se abateu sobre o país, na tempestade a que deram o nome de Kristin - que sucedeu à Ingrid e à Joseph -, e estamos já no meio de outra, a Leonardo. Ainda não é a distância para se lhe escrever a História, mas já dá para para muita história.


Tudo começou com um "sms" banal - "vento intenso, fique atento, siga as recomendações" -, a que foi dada exactamente a importância das coisas banais - nenhuma. O "sms" era dirigido à população em geral que, ao não lhe ligar coisa nenhuma, foi apanhada desprevenida.


Já isso foi mau. Pior é que o Governo, a Protecção Civil, e os Autarcas não estavam mais prevenidos. Se os estivessem nem o "sms" teria sido aquele.


O primeiro-ministro preocupa-se com imigrantes, segurança e impostos. Está cá "para resolver os problemas das pessoas", desde que não decorram de catástrofes, bem entendido, e para a evangélica missão de levar os portugueses à "superação", sob a inspiração de CR7. As questões climáticas, de que já ouviu vagamente falar, ficam para os activistas.


A Protecção Civil é o brinquedo que os Governos preservam religiosamente para os seus boys. Cada vez que o brinquedo muda de mãos, chamam-lhe reestruturação. Como os boys são muitos, muda muitas vezes. Está em permanente reestruturação, e não pode estar preparada para muito mais que emitir um "sms" manhoso.


O governo não foi apanhado de calças na mão. Foi apanhado nu, e assim vai ficar. 


Maria Lúcia Amaral, a ministra (zombie) da Administração Interna será para sempre o rosto da barata tonta que nos surgiu em forma de governo. Depois de dias de desaparecimento, apareceu-nos a dizer que vinha de um "estado invisível", sem saber o que tinha falhado, para entrar definitivamente no anedotário nacional com a "cena" da "aprendizagem colectiva".  


António Leitão Amaro, o ministro da Presidência, não lhe quis ficar atrás, e acentuou a imagem de indigência do governo, naquele vídeo a auto-promover-se, cheio de si, no meio da tragédia.


Seguiu-se Nuno Melo, o Ministro da Defesa, como se de um desfile se tratasse. As Forças Armadas não foram tidas nem achadas na prevenção, nem na intervenção no cenário de crise. Mas o ministro apareceu a mostrar-se ao lado de um mini-contigente militar, num terreno que nada tinha a ver com qualquer cenário de crise. Garantida a fotografia, logo que o contingente de jornalistas e repórteres destroçou, o ministro desapareceu. O ministro e os militares, que ninguém viu mais por ali, porventura mobilizados para a festa de aniversário que um sargento, na missão de sacrifício que tanto sensibilizou o ministro, havia trocado por tão imperativo sentido patriótico.  


Manuel Castro Almeida, o Ministro da Economia, e dos fundos europeus, também quis dar o seu contributo. Falou das ajudas às pessoas - do pacote de 2,5 mil milhões para acudir a famílias, empresas e autarquias que, após uns dias a patinar, e depois de ligar para Bruxelas, Montenegro anunciara -, que estariam disponíveis lá para o final do mês. Até lá as famílias têm o “ordenado do mês passado", ainda fresquinho.


Também Luís Montenegro se quis associar à realidade alternativa que os seus ministros apresentaram ao país: não houve mortes, houve apenas pessoas "que não evitaram a trágica consequência de perder a vida". 


Uma tragédia dentro da tragédia. Dentro de muitas tragédias ...


Da tragédia do Siresp, a rede de comunicações de emergência do Estado que soma tragédias a cada tragédia. Da tragédia do falhanço completo dos monopólios e oligopólios da electricidade e das comunicações, magras no investimento e gordas nos resultados e nos dividendos. Da tragédia do abandono do interior, mais gritante a cada tragédia. Da trágica ideia de um Estado que falha sempre que não pode falhar.


Só faltava que, com tanta tragédia, tão à flor da pele, as eleições do próximo domingo revelassem mais uma - a tragédia de um povo definitivamente vencido pela descrença e pelo obscurantismo


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...