Depois de uma semana complicada, no intervalo da eliminatória com o Real Madrid e no meio de mais um ataque miserável, o Benfica, com muitas novidades, regressou à Luz para cumprir, com o AVS, AFS ou lá o que é, o jogo da 23ª jornada do campeonato. Os benfiquistas responderam às exigências do momento, com sessenta mil nas bancadas, praticamente a esgotar a Catedral.
A primeira novidade foi o novo equipamento que, diz o Marketing, resulta de uma parceria entre a Adidas, Whils - o criativo - e o SL Benfica. Diz que representa o futebol de rua, mas não faço ideia como. É trabalhado sobre o preto, é capaz de vender bem, mas ... a camisola do Glorioso é vermelha. A segunda foi a revolução no onze, cheio de novidades.
Bah regressou, finalmente. Depois daquele maldito jogo com o Moreirense de 9 de Fevereiro do ano passado, que o atirou, a ele e ao Manu, para um inferno de mais de um ano. O seu colega de infortúnio regressou mais cedo mas, como se está a ver, não foi um regresso. E que regresso, a marcar o primeiro golo, que deu o tom à excelente exibição da primeira parte. E que golo, a lembrar-nos como é competente a concluir dentro da área.
Do outro, na esquerda, a novidade foi a primeira titularidade do José Neto, aos 17 anos. E que estreia, esta do jogador mais novo do campeonato. Ao nível do "melhor em campo", condição que disputou com Schjelderup, o colega de ala, com quem se entendeu às mil maravilhas.
No meio do campo a novidade foi a reposição da dupla Enzo-Rios, interrompida já lá vão uns meses.
Na frente a novidade foi o Lopes Cabral na ala direita. Que, na sociedade com Bah, não conseguiu igualar o sucesso do outro lado. Ao todo seis novidades. Apenas Trubin, Otamendi, Rafa, Pavlidis e Schjelderup transitaram do jogo com o Real Madrid. E destes apenas Trubin cumpriu os 90 minutos.
Sudakov - mialgia lombar - entra para a contabilidade das lesões, que se começava a desvanecer.
A primeira parte, já o deixei perceber, resultou numa exibição muito conseguida, com os golos a aparecerem à cadência de cada quarto de hora. O primeiro, de Bah, surgiu ao segundo remate, na recarga ao remate de Pavlidis, o primeiro do jogo, já passava dos 11 minutos. O segundo, numa bela execução de Enzo, na sequência de um dos muitos cantos, à volta da meia hora. O último, já perto do fim da primeira parte, numa grande jogada de futebol, toda ela espectáculo. Que não podia acabar na excelente defesa do excelente (à sua conta safou seis ou sete golos) Adriel ao excelente remate do Schjelderup. Na direita, em vez da recarga para a baliza, Lopes Cabral cruzou a bola bem para dentro da área para Rafa, de letra, marcar um golo de grande espectáculo. O seu primeiro, neste regresso. Pena que não tivesse festejado, mas o Rafa é assim mesmo. Parece que está sempre zangado com o mundo.
Com a vantagem de três golos, na segunda parte José Mourinho acabou por gerir a equipa. Trocou logo no intervalo Otamendi por Tomás Araújo. Mas, mesmo que o jogo se tenha tornado menos interessante, não foi por falta de tentativas (23 remates), nem de oportunidades (14) que o resultado se não alterou mais.
Mourinho fez entrar ainda Lukébakio (o jogo não estava a seu jeito), Ivanovic, Anísio Cabral e Diogo Prioste. Nenhum deslumbrou: o miúdo não chegou sequer a ter oportunidade para repetir os anteriores feitos; e Ivanovic, de novo na ala esquerda (entrou para o lugar de Schjelderup) mostrou, mais uma vez, vontade de aparecer em jogo. Mas só isso.
No fim, num jogo tranquilo, a maior novidade acaba por ser o jejum de Pavlidis. Jogou muito bem, como é regra, mas não está feliz na finalização. E teve dois grandes adversários - o guarda-redes Adriel, que lhe defendeu tudo o que rematou à sua baliza, e o árbitro, um tal Miguel Fonseca, que poode ser o mais novo, mas é da velha guarda. Viu bem um penálti - igualzinho ao do Francisco Moura, que deu o empate ao Sporting no Dragão - mas não quis que Pavlidis o marcasse. No VAR, um tal Paulo Barradas, só confirmou que é muito difícil assinalar penáltis a favor do Benfica, como Mourinho diz, e os jornais dito desportivos propositadamente confundem.
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