terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ENTREGAR O OURO AO BANDIDO

 


Por Eduardo Louro


 



 


 


  


O que eu não consigo perceber é como é que o Ruben Amorim foi parar ao Braga!


Não havia mais ninguém, em Portugal ou no estrangeiro, que o quisesse?


Para o Braga? Por que carga de água?


E nem é tanto porque seja um concorrente. É pelas poucas vergonhas que sistematicamente se passam nos jogos com o Braga. Pela pressão, pela hostilidade, pelas inventonas que armam, pelos cortes de energia… É pelo alinhamento óbvio e evidente – autêntico conluio - com principal rival do Benfica…


Não faz o mínimo sentido! Pode resultar das relações entre os presidentes do Benfica e do Braga, mas essas são relações que nenhum benfiquista entende. Poderão defender interesses particulares ou empresariais de Luís Filipe Vieira, mas não os do Benfica, certamente!


Para os benfiquistas isto é apenas entregar o ouro ao bandido!


 

YANNIK DJALÓ

Por Eduardo Louro


  


Confesso que nunca acreditei muito naquelas notícias que davam o Benfica como interessado na contratação do Yannik Djaló. Pensava eu: se o rapaz só jogava bem contra o Benfica, ao contratá-lo retirava-lhe a única oportunidade de, pelo menos uma vez, jogar alguma coisa de jeito!


Afinal enganei-me! Enganei-me eu e enganou-se aquela malta do Sporting…Que, agora, quer inventar uma nova guerra com o Benfica, vá lá saber-se porquê! Desconfio que seja para encontrar pretexto para não pagar a factura da despesa do fogo posto nas bancadas da Catedral!


Mas pronto. O Yannik já lá está e o Jorge Jesus garante que irá fazer dele uma estrela mundial. Eu, que bem vi o que ele faz do Fábio Coentrão, sou levado a creditar. Já o estou a ver a partir tudo por aquela ala esquerda, diagonal para o centro, remate potente e colocado e … golo! E, olhando para o camarote, lá vejo a Luciana Abreu e a pequena Lyonce Viiktórya, equipadas a rigor a festejar o mesmo golo que eu…


Vejam bem o que o Benfica faz!


 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SERÁ ESTA A CIMEIRA DECISIVA?

Por Eduardo Louro


  


Depois de uma reunião extraordinária, outra reunião extraordinária. Ainda não tinha acabado a reunião extraordinária do Conselho Europeu de hoje – a tal onde, para além do acordo do sobre o novo pacto orçamental, se iria finalmente falar de crescimento económico e de desemprego - e já estava marcada uma cimeira extraordinária de chefes de Estado e Governo para logo a seguir. Non stop!


Nada como assim. Pelo menos não fica tempo para anunciar mais uma cimeira decisiva. E, se calhar, esta é que é mesma decisiva: a Grécia recusou – só podia – a ignóbil proposta alemã, e agora não tem como deixar de esperar pela retaliação. E Portugal, como se está a ver pelo galopante crescimento do risco de incumprimento, pelos máximos históricos das taxas de juro e pela imprensa internacional destes últimos dias - depois do Wall Street Journal, agora o Financial Times -, deverá comer por tabela.


 

É NOTÍCIA!

Por Eduardo Louro


  


É notícia: o Porto perdeu!


É notícia porque perde poucas vezes. Porque, mesmo perdendo poucas vezes, essas acontecem noutras competições. Rarissimamente no campeonato, ou na liga, como agora se chama. É ainda notícia porque, nesta competição, não perdia há 55 jogos e estava às portas de igualar o histórico registo do Benfica: 56 jogos sem perder, uma notável e irrepetível série iniciada à sexta jornada da época de 1976/77, prolongada por toda a época seguinte – época em que, com o mesmo número de pontos mas menor diferença de golos, veria o título fugir-lhe precisamente para o Porto, então o primeiro em 19 anos - e interrompida na primeira jornada da de 1978/79. E, claro, é ainda notícia porque deixa o Benfica fugir!


Na liga, e até ontem, o Porto ia conseguindo fugir do buraco, fundo e negro, onde já tinha caído em S. Petersburgo, em Coimbra ou em Limassol. Não convencia ninguém, mas lá ia ganhando, agarrado àquela ideia de igualar - e quiçá bater – aquele assinalável registo do Benfica. Já tinham arranjado maneira de somar alhos com bugalhos – campeonatos a somar com supertaças José Pratas, como se estivesse a somar a mesma coisa – para atingir o número de títulos do rival. Bater agora aquele registo seria a última credencial para reescrever a História!


 

domingo, 29 de janeiro de 2012

A LEI de GRESHAM, MOEDAS E TROCOS

Por Eduardo Louro


  


Alguém disse, referindo-se a uma lei de alguém e para entalar outro alguém, que a “má moeda tende a expulsar a boa moeda”.


Também o mau Moedas tende a expulsar o bom Moedas. Se é que existe… Não serão apenas trocos?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FUTEBOLÊS#110 PRIMEIRO POSTE

Por Eduardo Louro


 


Os postes fazem parte da baliza. Cada uma tem dois e, ao contrário da inseparável trave – que tanto lhe chamam trave, como travessa, travessão ou barra – respondem sempre e só pelo nome de poste.


Tempos houve em que eram de madeira, bem facetados, uns paralelepípedos longuilíneos. Outros, quando a bola se jogava nas ruas, em que nem passavam a barreira do virtual, quando quaisquer duas pequenas pedras davam para assinalar os dois únicos limites físicos de uma baliza, com postes e barra virtuais, imaginados a partir daquelas duas pedras. São, de há uns tempos a esta parte, em tubos metálicos redondos. Pintados de branco, como sempre…


Nada disto tem, em futebolês, especial relevância. Não é a isso que se dedica nem é com isso que se preocupa. Os postes estão lá para realizar a sua função, o que, para o futebolês é perfeitamente secundário!


O que para o futebolês é fundamental é perceber que, numa bola parada ofensiva, é decisivo colocar alguém ao primeiro poste que possa desviar a bola para um companheiro que entre ao segundo poste. Porque, assim, desposiciona a defesa adversária, irremediavelmente batida pelo desvio ao primeiro poste! Ou que, a defender um canto, não se deve descurar a cobertura ao primeiro poste. Ou mesmo a ambos, com um jogador bem encostado a cada um deles!


Ou ainda que, se o atacante está descaído para a direita, deve tentar colocar a bola no segundo poste. Porque o guarda-redes adversário terá a preocupação de tapar ao primeiro poste: quer dizer, por ali ela não passa. Neste caso ao segundo poste também se chama poste mais distante, sendo que o mais próximo é o primeiro poste!


Naturalmente que o mais fácil é rematar ao primeiro poste. Apenas os mais dotados conseguem, com êxito, rematar ao segundo poste. Através da trivela ou da folha seca porque, de outra forma, o mais certo é a bola acabar por sair mais perto da linha lateral do que do segundo poste.


Curiosamente estes dois postes deixam de ser o primeiro e o segundo para passarem simplesmente a ser o direito ou o esquerdo quando a referência é o seu mais fiel companheiro: o guarda-redes. Ninguém convive tão de perto com os postes como o guarda-redes, há ali uma intimidade óbvia e cumplicidades evidentes que constituirão razão suficiente para um tratamento diferenciado. Daí que, quando a referência é o guarda-redes, a bola não sai ao lado do segundo poste. Nem entrou junto ao primeiro poste. A bola saiu ao lado do poste direito do guarda-redes, ou entrou junto ao poste esquerdo


Se a bola vai ao poste, e se afasta das redes, é o romance entre o poste e o guarda-redes na sua maior exaltação. Já se do poste ela ressalta para dentro da baliza, alguma coisa de errado se terá passado entre ambos. Mas, em qualquer dos casos, a bola bateu no poste … direito. Ou no esquerdo. Nunca no primeiro ou no segundo poste!


Alguma coisa de errado se terá também passado à volta do jogo deste fim-de-semana entre o Feirense e o Benfica. Consta que o Feirense, para maximizar a receita do jogo e aproveitar da melhor forma o autêntico abono de família que são as visitas do Benfica, solicitou à Liga que o jogo se realizasse em Aveiro onde, de resto, a equipa tem jogado por ter o seu estádio em obras. Consta que a Liga não aceitou essa pretensão do clube de Vila da Feira, coisa que terá algo de errado. Ou que não se percebe. Ou que talvez se perceba de dermos ouvidos a um boato que por aí circula: que alguém terá oferecido ao Feirense o montante de compensação da receita. O que até explicaria os exorbitantes mais de 25 euros que cada adepto do Benfica terá de desembolsar para assistir ao jogo…


Enfim, outros postes… E outros romances!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XV

Por Eduardo Louro


  


Luís Amado banqueiro? Nunca me passaria pela cabeça…


O Vara também foi, claro… Então percebeu-se: era Sócrates quem nomeava!


Aqui são os accionistas… Serão também chineses?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DESNORTE

Por Eduardo Louro


  


Na semana passada falou-se de ponto de viragem. Nesta diz-se que é preciso um segundo plano de resgate!


Na semana passada achamos estranha aquela mensagem de optimismo do ministro das finanças. Até porque, na anterior, ele mesmo tinha entrado naquela rábula do défice para este ano, no meio da qual eram, e logo deixavam de ser, necessárias adicionais medidas de austeridade.


De fora, dizem-nos que isto não está a correr bem. Antes pelo contrário! Di-lo a imprensa internacional, dizem-no os organismos internacionais e di-lo o risco de bancarrota do país que não pára de subir e já vai nos 67%. De dentro, do governo, começa a perceber-se um forte desnorte, com o primeiro-ministro a garantir que não há nada para renegociar e o ministro das finanças a irritar-se com as questões – já não dá aquelas respostas pausadas, como que a fazer o desenho para os atrasados mentais perceberem – e a deixá-las sem resposta. Tem que ser o ministro da economia – o super acossado Álvaro, vejam bem - a dar a cara e a dizer qualquer coisa. Pouca coisa e nada de relevante!


Os sinais que vêm da União Europeia também não ajudam. Ouvir agora o Sr Olli Rhen - porque começa a ver as barbas a arder – dizer que a solução da crise passa pelo crescimento económico, é desarmante!


O país está sem sentido. Em pleno ciclo vicioso da austeridade e da recessão - há muito e por muita gente avisado – e sem saídas à vista, o país precisava, mais do que nunca, de uma referência. Uma referência que, no xadrez político nacional, só pode encontrar-se no Presidente da República!


Se há alturas em que se sente a falta institucional do Presidente esta é, sem dúvida, uma delas. Não é para promulgar leis e decretos, para cortar fitas ou para discursar no 25 de Abril, no10 de Junho e no 5 de Outubro que o PR faz falta. Faz falta, e tem oportunidade de justificar e honrar a função e o título de mais alta figura do Estado, nestas alturas, quando o país está perdido, sem sentido e sem destino…


Pois é! Quando o país olha à volta e procura o Presidente o que é que encontra?


Encontra um Presidente kamikaze. Um Presidente que mais parece o comandante Schettino do Costa Concórdia – a sua estória das reformas, na forma e no tempo, tem lá tudo o que foi o indigno comportamento de Schettino – que abandona as suas responsabilidades e trai a sua honra porque, em vez de último é, sem olhar a meios e sem escrúpulos de qualquer espécie, o primeiro objecto do seu pensamento. Encontra um Presidente desrespeitado porque sucessivamente se não se deu ao respeito. Um Presidente achincalhado, literalmente de mão estendida, na valeta ou à porta do metro!


Sou um velho crítico de Cavaco, nunca lhe apreciei a forma e raramente me revi no conteúdo, mas não é por isso que não repudio os abusos de que sua imagem vem sendo objecto. Mas, mais que repudiar na simples esfera dos sentimentos ou do bom gosto, repudio esta degradação da imagem do presidente pelo que contribui para o desnorte do país.


Os portugueses – os que votaram em Cavaco há apenas um ano, os que nem sequer quiseram dar ao trabalho ir votar (não nos esqueçamos dos 56% de abstenção) ou os que já assinaram a petição para a sua demissão – não conseguem olhar para aquelas imagens e, ao mesmo tempo, acreditar que está ali o seu porto seguro, a referência que procuram, alguém capaz de desenhar pequenos mas decisivos pontos de equilíbrio na sociedade portuguesa.


Cavaco fez tudo para merecer isto! Se calhar nós também…


 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

DO PESADELO AO SONHO

 


Por Eduardo Louro


 


 


'Remontada' esteve perto, mas é Barça a seguir em frente (SAPO)


 


O Real Madrid por pouco não conseguiu a remontada e foi afastado da Taça do Rei pelo Barcelona. O costume, dirá quem não viu o jogo!


Não. Nada disso!


Estou em crer que hoje Mourinho libertou-se de um fantasma que o perseguia há dois anos. Desde aquela noite em que, com o autocarro neroazurri à frente da baliza, em Campo Nou qualificou o Inter para a final da champions, que viria a ganhar. Era esse fantasma que o levava a inventar sempre que defrontava o arqui-rival, transformando uma grande equipa de futebol num grupo de rapazes em pânico…


Nos jogos anteriores vimos sempre um Real Madrid derrotado e sem nada fazer para merecer a sorte que tinha. Hoje assistimos a um grande jogo onde o Madrid tudo fez para merecer a sorte que não teve… Com coragem, com classe, com vontade e capacidade para claramente vencer um adversário que antes achava imbatível. Que apenas não venceu por factores externos ao jogo. Mais que as contingências da sorte e do azar - o azar de uma bola na barra que cai na linha de golo e sai, de dois golos sofridos nos últimos dois minutos da primeira parte, de forma pouco mais que acidental – fez-se sentir uma arbitragem claramente adversa: um golo mal anulado logo no início do segundo tempo e um penalti claro (mão de Abidal na grande área) por assinalar!


Mourinho hoje ganhou, mesmo sem que tivesse ganho. Morreu na praia mas de pé, com honra e dignidade. E deixou claro que hoje ganhou o campeonato! Desde que não tenha nenhuma recaída, que não deixe que o fantasma volte a ganhar vida!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

PARABÉNS EUSÉBIO!

Por Eduardo Louro


        


Eusébio celebra 70 anos. É hoje o dia em que o rei faz anos


Setenta anos de vida são sempre 70 anos, uma idade redonda e bonita. Depois de uns dias mais complicados, depois de um duplo internamento hospitalar num curto espaço de tempo, este é certamente um aniversário especial!


Muitos anos de vida para a lenda imortal do Benfica, imortalizado nesta estátua mas também no coração dos benfiquistas...


 


 


 


 

COISAS INTRAGÁVEIS IV

Por Eduardo Louro


  


A estória conta-se em poucas palavras: Miguel Relvas levou a Fátima Campos Ferreira a Angola para, daí, a RTP emitir um programa lamentável, a lembrar um, designado de “25 milhões de portugueses”, que a RTP exibia há mais de 40 anos. Algumas pessoas desmascararam a manipulação descarada de Relvas e condenaram o servilismo da RTP que, sem olhar a custos e numa altura destas, se apressou a fazer a vontade ao patrão.  Uma dessas pessoas – Pedro Rosa Mendes – fê-lo em plena Antena 1, num espaço de opinião - Este Tempo – que partilhava com mais quatro cronistas. Hoje, Este Tempo acabou!


Calou-se Pedro Rosa Mendes e calaram-se os restantes quatro colegas. Não sem que a cronista de hoje – Raquel Freire – deixasse ao auditório e ao país o seu grito de revolta que aqui trago através, e com a devida vénia, do Aventar. Vale a pena ouvir...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O ANO DO DRAGÃO?

Por Eduardo Louro


  


Ouvi dizer por aí que este é o ano do dragão. Que começa hoje!


Nah!!! Há aqui alguma coisa que não bate certo: este é o ano do Benfica! Depois do que se viu ontem, alguém tem dúvidas?


Não vale a pena dizerem que começa hoje e que acaba a 9 de Fevereiro de 2013. Nada disso, é o ano do Benfica, começou no início de Agosto e acaba lá para meados de Maio…


O ano do dragão? Essa agora…

domingo, 22 de janeiro de 2012

O POVO AGUENTA

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


Em 1968, Urbano Tavares Rodrigues, preso pela PIDE em Caxias, sujeito a tortura até à exaustão, é submetido a exame de um médico de serviço que confirmou - “ele aguenta! aguenta! continuem que o gajo aguenta - Só muito mais tarde outro médico atestou que aquelas condições, a continuarem, conduziriam à morte do recluso.


Vem este facto a propósito da tortura a que nos encontramos sujeitos com os agravamentos sucessivos: fiscais, económicos e sociais, dia após dia, a penalizar sempre os mais fragilizados e a arruinar gradualmente a classe média, num processo suicida a caminho de um eventual abismo, mas que a governação, chama antes, o vislumbre da luz ao fundo do túnel e início do caminho para a recuperação.


Nesta prisão onde nos meteram e nos metemos – Sim! dizem-nos que o Povo também é culpado, porque vive acima das possibilidades – o Povo aguenta! Paga mais impostos, perde benefícios, e não tem alternativa, porque não tem sedes de empresas na Holanda ou Luxemburgo, nem recursos financeiros em paraísos fiscais, nem segurança laboral devido às reformas estruturais e à democratização da economia, que o governo diz necessárias como resultado do acordo assinado com a troika. Além de tudo isto, o Povo tem de pagar o valor de mercado ou de conveniência política!? de Eduardo Catroga, os desvarios de Alberto João Jardim, entre muitos outros. 


Nesta prisão, não de muros e grades, mas de circunstâncias, falta é o médico que ateste o nosso limite de resistência. O Presidente da República mostra fraqueza no discurso ditado por uma consciência pesada pela sua governação no passado, o que não lhe favorece a referência aos bons princípios do seu cargo: a ética, a moral, a equidade na repartição de sacrifícios e recomendações para a recuperação económica e bem-estar social. Preocupa-se no discurso mas não actua! A troika, por sua vez, vai-nos sugando até á ultima gota de sangue, até à devolução do ultimo euro emprestado com elevados juros, independentemente de quem fica pelo caminho, de quem emigra, de quem fica desempregado, de quem passa fome, de quem entrou em depressão ou lhe falta a saúde e não tem dinheiro para se tratar, de quem salta para marginalidade e, simultaneamente, estende a mão ao apoio social, enquanto houver.


A propósito de apoio social, apelo à maioria dos trabalhadores e pensionistas que procuram sobreviver com modestos recursos, para fazermos uma colecta e ajudar o Presidente da Republica cujos rendimentos não lhe chegam para as despesas, tendo de recorrer às poupanças que ele ainda consegue ter, e como os pobres são sempre solidários - por favor, ajudem o homem!


Muito poucos falam na Islândia! Ao que consta, o povo revoltou-se e saiu à rua exigindo do governo de coligação a investigação dos crimes que levaram o país à falência e disseram não ao resgate dos bancos. O governo aceitou mudanças constitucionais e a criação de uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, representantes das diversas actividades, profissões, organizações cívicas e sindicais. A revolta da cidadania islandesa em 2008, foi silenciada na Europa para evitar alastramentos, mas permitiu um crescimento de 2,1% em 2011, e espera-se um crescimento de 1,5% em 2012, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. – para nós, parece ficção!


Na Islândia os culpados vão para a cadeia, aqui vão de férias com chorudas remunerações.


As crises interessam sempre a alguém! E o Povo aguenta!


 

JOSÉ RIBEIRO VIEIRA

Por Eduardo Louro


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Despedimo-nos hoje do Engº Ribeiro Vieira, um empreendedor, empresário e gestor de excepção, mas também um activista militante da intervenção cívica. Homem da cultura e dos jornais, eclético como ninguém. Homem de projectos que não podia desaparecer tão cedo, ainda com tantos para juntar aos muitos a que deu corpo e vida. Homem de muitos amigos, que hoje se juntaram para o último adeus!


Leiria, a região e o país perderam um dos seus melhores! Logo quando dele mais precisávamos…

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

FUTEBOLÊS#109 DAR MINUTOS

Por Eduardo Louro


 


Costuma dizer-se - e com mais acuidade nestes tempos que correm, nesta cultura do individualismo, do salve-se quem puder sem olhar nem a meios nem a fins – que ninguém dá nada a ninguém. Não há almoços grátis, como se diz na moderna terminologia desta sociedade armada ao fino, sendo que o fino, agora, é este ar executivo e tecnocrático onde o almoço atinge um estatuto verdadeiramente iconográfico.


Se assim é, se o tempo é de ninguém dar nada a ninguém, como é que se dão minutos, sendo que minutos são tempo, e tempo é outra das coisas que, no tempo que é este, ninguém tem. Muito menos para dar!


Poderíamos ser levados a pensar que se trataria daqueles trinta minutos de que tanto se tem falado. Mas não é, porque aí falava-se de dar meia hora!


Que, no fim, ninguém acabou por dar. E não foi exactamente por ninguém dar nada a ninguém porque, quando são obrigadas, as pessoas dão … tudo. Umas dão tudo para que outras não dêem nada, como acabou de se ver por aí!


Bom, mas isto é política, coisa a que o futebolês não passa muito cartão. Aqui dão-se minutos a jogadores: minutos de jogo que, para boa parte de jogadores, são preciosos. São a oportunidade por que esperam há meses…


No futebol há uma dinâmica de construção das equipas, como aqui já referi numa ou noutra oportunidade. No início, no arranque da época é o plantel, com o objectivo de dois jogadores para cada posição. Segue-se, com o arranque das competições oficiais, a construção da equipa. O onze titular assume uma prioridade absoluta, sendo certo que enquanto o treinador não estabilizar na constituição da equipa, não encontrar o seu onze, fica exposto e vulnerável à crítica, coisa de que ninguém gosta. Passados os primeiros quatro ou cinco meses de competição, os jogadores do onze titular começam a precisar de descanso. Estão rebentados! Enquanto descansam há que recorrer aos outros que, coitados, ou passaram estes meses todos a sarrafar o rabo pelo banco ou no ginásio a curar lesões graves e prolongadas. Que precisam de minutos, de competição menos exigente para atingir um ritmo competitivo mínimo que lhe permita substituir os mais cansados.


É neste período do ano que surgem as oportunidades para – como também se diz – rodar jogadores. Com a Taça da Liga e com a Taça de Portugal surgem as competições para os treinadores darem minutos aos jogadores. Na maioria dos casos os resultados não são muito entusiasmantes e, não raramente, os treinadores acabam por ter de recorrer aos artistas principais para resolver os problemas que adversários de segunda linha colocam a jogadores também de segunda linha. Mas pronto, os minutos não ficaram por dar, como é obrigatório nesta altura. Porque, quando essas competições chegarem às suas fases finais, acabou-se a rotação. Então aquilo é mesmo para ganhar!


Quem foge um bocado a este estereótipo é o Sporting. Sempre diferente!


Ali não há minutos para dar a ninguém. Mas a verdade é que também não há um onze daqueles de caras. Sempre das mesmas caras… Mais parece que o Domingos não tem feito mais nada que dar minutos. A Bojinov, a Polga, a Carriço, a Rodriguez… Alguns levam isto mesmo muito a sério, como o Bojinov que achou que, se lhe davam minutos, também lhe poderiam dar um penalti a marcar. Agora acabou-se: nem penaltis nem minutos, apenas o papel de bode expiatório.


Na Taça da Liga, onde festejou já dois empates – com o Rio Ave e o Moreirense – para se parecer com os mais directos rivais, Domingos rodou … o guarda-redes. Que, por acaso ou não, salvou a equipa de duas derrotas e de um humilhante adeus à Taça da Liga, e, ou muito me engano, mas é mesmo melhor que o outro, que até defende a baliza da selecção nacional.

PONTO DE VIRAGEM

Por Eduardo Louro


  


As duas centrais sindicais estão em guerra. Já lá vai o tempo em que dirimiam argumentos por alturas do primeiro de Maio, disputando terreiros e números, agora é mesmo nos tribunais…


O que a concertação desconsertou! Quando se abusa no fazer de conta nada se conserta e tudo se desconserta. Podem continuar a chamar-lhe dia histórico, e a fazer de conta que é mesmo histórico…


Bastou o austero e contido ministro das finanças ontem afirmar que estaríamos perto do ponto de viragem para que o primeiro-ministro, embalado pelo bem sucedido acontecimento histórico, viesse hoje dizer que este era o ano da viragem. Enquanto isto os indicadores de conjuntura do Banco de Portugal hoje tornados públicos dão conta, em Dezembro, dos piores resultados desde 1978. No mês do consumo, no Natal, o consumo privado registava a pior leitura em mais de 30 anos. Até se poderia falar em viragem se tantos outros antes o não tivessem feito, sempre com os resultados conhecidos!


Lá para a Madeira Jardim recusa-se a assinar a certidão de óbito do jardinismo. Custa a perceber para onde quererá levar aquele braço de ferro, se é que ainda não percebeu que já não tem tempo para fazer bluf.


O Banco de Portugal, para além de emitir boletins, também diz que não tem nada a ver com o que se passa no país. Que os cortes levam ao descontentamento e são injustos para os seus trabalhadores. E que compensa os cortes nos subsídios de natal e férias com o corte numa catrefada de benefícios – direitos adquiridos, bem entendido – como subsídio para a compra de livros, férias extra em função da antiguidade ou empréstimos em conta para a compra de segunda casa.


O Presidente da República, que como se sabe teve que optar e, tendo de o fazer, optou pelas pensões de reforma deitando fora o ordenado, está preocupado. É que as pensões já lhe não chegam para as despesas!


Uma dessas pensões – que nem sabe de quanto é - é precisamente do Banco de Portugal. Que, por isso mesmo, e para ver se dá para equilibrar com as despesas, não irá ser amputada dos dois meses… A outra é da Gulbenkian, e desta já sabe o valor: 1.300 euros! Parecida com a da mulher! Sobrevivem ambos porque são muito poupados!


No meio disto tudo ainda há 56% de portugueses que acreditam no velho jargão de Churchil. Que acham que a democracia é o melhor para Portugal. Os outros, não! Acham que isto precisa mesmo é de ditadores. Presumo que assumidos, sem disfarces…


Quando se atingem números destes parece mesmo que estamos a chegar a um ponto de viragem…


 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

HOJE

 


Por Eduardo Louro


  


Os dias, mesmo quando correm todos iguais, não são todos iguais. São curtos e cinzentos no Inverno e longos e luminosos no Verão. Sucedem-se no calendário sem que nada os distinga!


Mas nunca são todos iguais… Os dias são o que são, não têm identidade. Somos nós que lha damos, pelo que nos recordam e pelo que nos marcam!


O sol dá-lhes o brilho que as nuvens logo lhes roubam. E o calor que foge da chuva e do frio. Mas é a memória, a nossa memória, que faz a identidade de cada dia. O frio ou a chuva e o sol ou o calor mexem com a nossa disposição – versão light do nosso estado de alma –, com a forma como, logo pela manhã, encaramos mais um dia que temos para agarrar. Mas é a nossa memória que talha a marca que timbra os nossos dias. E que faz com que nalguns se nos tolham os movimentos e se nos arrefeça a alma… Que alguns, por mais que brilhe o sol, nunca deixem de ser cinzentos e frios. De reflexão, de memórias e de muita saudade!


Não, os dias não são todos iguais. Hoje é um dia diferente dos outros. Diferente, muito diferente do de ontem. Diferente do de amanhã!


Como canta o Rui Veloso: “… para mim hoje é Janeiro, está um frio de rachar…”


 


 


 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E O PESADELO CONTINUA...

Por Eduardo Louro 


 


Pepe Guardiola e o Barcelona continuam a fazer a vida negra a Mourinho e ao Real Madrid: um autêntico pesadelo sem fim! Sem fim e sem pausas…


O Barcelona faz do Santiago Barnabéu a casa assombrada dos madrlilistas. Em vez de entrarem com a confiança e o conforto de quem entra em casa, quando do outro lado está o Barça, os jogadores de branco entram borrados de medo, assustadíssimos e vêm fantasmas por todo o lado. Nada os tranquiliza, nem mesmo quando, como aconteceu hoje e já acontecera no último jogo – há pouco mais de um mês, que não consigo deixar de recordar aqui – os deuses estão a seu lado. Pura e simplesmente bloqueiam, como bloqueia o seu líder!


Mourinho transforma-se, como transforma a equipa, nestes jogos. Antes, durante e depois do jogo…


Desta vez, antes do jogo, optou por desvalorizar a Copa do Rei. Que não era importante, tinha sido importante no ano passado – único troféu conquistado, no único jogo que ganhou ao Barcelona – porque era um título que o Real há muito não ganhava. Este ano já não tem importância nenhuma…


Depois, já no jogo, abdica de todos os princípios do seu jogo e, ao atípico mas estandardizado 3X6X1 do adversário, reage com uma espécie de 7X3X0. A equipa fez um único remate em toda a primeira parte: o feliz remate de Cristiano Ronaldo, que deu o golo! No jogo todo fez três,  dois da segunda parte, um ao poste e outro para as núvens.


Um suplício bem evidente nas caras dos jogadores, vergados ao peso da superioridade (mas de 70% de posse de bola) de um adversário que lhes rouba o brilho e os transforma todos em jogadores mais que vulgares. Todos, não. O Pepe não se transforma num jogador vulgar, transforma-se numa besta!


Francamente: não consigo perceber como é que esse tipo tem permissão para continuar a pisar… relvados! As imagens televisivas estão aí: não servem para nada?


E o pesadelo continua. Na próxima semana há mais!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CONCERTAÇÃO SOCIAL

Por Eduardo Louro 


 


Foi uma maratona, das grandes. Durou até alta madrugada e ganharam todos, como é costume: ganhou o governo porque dialoga e negoceia - imagem de que, nesta altura do campeonato, precisa tanto como de pão para a boca -; ganhou a UGT porque ganhou a meia hora e sempre lá vai dizendo que, sem a sua intervenção, ter-se-ia regressado ao tempo da escravatura; ganharam todas as Confederações Patronais, porque são elas próprias a dizer que ganhamos todos (e eu que sempre pensara que isso não existia, que quando uns ganham outros têm de perder); e até ganhou a CGTP, que abandonando aquilo logo à partida, ganhou em tempo e descanso. E, de fora, pode sempre continuar a dizer que o acordo é um regresso ao feudalismo e que a luta continua… e tal.


Não tenho dúvida nenhuma que a concertação e o diálogo social são instrumentos essenciais da democracia. Nenhuma dúvida a esse respeito!


Mais que as minhas dúvidas, as minhas preocupações surgem quando se começa a perceber que também estes instrumentos, a exemplo de tantos outros, contribuem decisivamente para o faz de conta. Já só praticamente se faz de conta…


Ontem falava aqui da integração das pontes nas férias, dessa falsa questão que empregados e empregadores há muito tinham resolvido em sede da verdadeira concertação social que se faz diariamente na gestão das empresas. Hoje pegaria noutra grande medida: a penalização das faltas – dois dias de salário – não justificadas em pontes ou junto ao fim de semana!


Olhando para a importância atribuída a esta medida só podemos concluir que Portugal tem um problema gravíssimo de absentismo. Reparando na distinção, concluiríamos que haverá gente que falta ao trabalho para prolongar feriados e fins-de-semana. Em princípio gente mais abastada, porque prolongar estes períodos de descanso para ficar em casa não é muito compreensível.


Que o absentismo é um factor de bloqueamento da competitividade não há dúvida nenhuma. Que o país já passou por esse problema, também não. Que, nesta altura, esse seja um problema sério da nossa economia é que não. E que seja uma prática dos trabalhadores mais bem pagos e, por consequência, dos de maiores níveis de responsabildiade, não faz sentido. De todo!


E já vão duas. Duas medidas de papel, a realidade já lá não está!


Mas pronto: faz-se de conta que estes é que são os problemas da nossa competitividade. Faz-se de conta que se resolvem. E faz-se de conta que as reformas estruturais que o país não pode mais adiar são as que têm a ver com o factor trabalho: reforme-se a legislação laboral que ficam resolvidos os problemas da concorrência, da justiça, da energia, da fiscalidade, do crédito, do licenciamento, da regulação, da burocracia, da corrupção…


 

COISAS DA PUBLICIDADE II

Por Eduardo Louro 


 Ande de Vespa com o Expresso   


A nova campanha do Expresso provocou algum desconforto nalguns sectores da sociedade. Em particular à esquerda, esta ideia de fura greves não é muito bem vista!


Havia alternativas menos fracturantes... E de bem maior concertação!


Sinal dos tempos, é o que é! 


 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

COISAS INTRAGÁVEIS III

Por Eduardo Louro 


 Proposta do Governo reduz férias voluntárias a 18 dias em 2012 (DE)


Continua a decorrer a reunião de concertação social para discutir as medidas de competitividade que nos ajudarão a sair deste buraco onde estamos metidos. Lá está a nata nacional – responsáveis máximos de patrões e trabalhadores e os principais ministros do governo, os superministros – a discutir os grandes problemas que afectam a economia nacional e bloqueiam o nosso futuro.


Como, por exemplo, a inclusão das pontes no calendário de férias! Como se essa não fosse uma prática antiga e mais do que instalada no sector privado da economia, perfeitamente aceite e percebida pelos trabalhadores. Em trinta e muitos anos de actividade profissional à frente de empresas privadas, não encontrei uma única onde o calendário de pontes não fosse estabelecido com o orçamento anual e tido em consideração na programação das férias, sempre com o acordo dos trabalhadores. Contra a lei? Talvez, mas a favor de empresas e trabalhadores, verdadeiramente concertados!


As nossas elites – a nata – andam distraídas. Ou são loiras! Com tantos e tão sérios problemas para resolver, a nata discute um problema que não existe e faz disso a coisa mais importante deste mundo!  


Acordem meus senhores: esse problema não existe. Álvaro, isso é como os pastéis de nata, já está! Já toda a gente faz isso, como já toda a gente come natas por esse mundo fora.


Devia ser de outra maneira? Deveria, mas quando a nata é assim…

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

FUTEBOLÊS#108 CAMPO INCLINADO

Por Eduardo Louro


 


Longe vão os tempos em que qualquer sítio era bom para jogar à bola. Jogava-se na rua, nas calçadas mais íngremes, no empedrado dos largos das igrejas, numas nesgas de terreno roubados ao mato… Sem qualquer preocupação com a inclinação, com os buracos, com as pedras, com os rasgões – nas calças ou nos joelhos – e, muito menos, com o árbitro. Que pura e simplesmente não era para ali chamado!


Hoje já não há disso. O chamado futebol de rua acabou, e não há autarquia que não tenha para oferecer aos seus munícipes uns quantos campos relvados, mais uns tantos sintéticos e ainda o seu polidesportivo. Sim, que nisso em auto-estradas, ninguém nos leva a palma!


Hoje só se joga à bola a sério e em belíssimos tapetes verdes. Direitinhos, sem buracos nem desníveis … E no entanto muitas vezes mais inclinados que a mais inclinada calçada das nossas terras. Mais inclinados que os acessos aos castelos das nossas vilas e cidades!


Por erro de engenharia ou de topografia? Não, apenas porque há forças que se encarregam de empurrar o jogo num certo lado do campo. Não são forças ocultas, mas são forças de bloqueio: bloqueiam um lado para desbloquear o outro!


É o árbitro – a equipa de arbitragem, para ser mais rigoroso – que dispõe dessa força. Que consegue empurrar uma equipa e mantê-la lá atrás. Lá em baixo! Com grande dificuldade em subir, enquanto a equipa adversária apenas tem que descer e cair-lhe em cima. E, como sabemos, a descer todos os anjos ajudam!


O processo de inclinação do campo é de fácil execução. Começa frequentemente pela expulsão de um jogador e passa, depois, por descobrir umas faltas sempre que a equipa pretenda sair em transição ofensiva. Uns foras de jogo milimétricos também dão jeito. Ajuda, ainda, o recurso ao cartão amarelo e a marcação de uma falta ao mínimo sopro, sempre bem perto da grande área, lá ao fundo.


Não deixa de ser curioso que um dos mais inclinados campos da actualidade seja também o mais verde. Um tapete verde como poucos! Um verde intenso, tão intenso que deixa verde tudo o que por lá passa. Não importa com que cor se lá entre, o certo é que de lá se sai verde!


As botas dos jogadores ficavam verdes. As luvas do guarda-redes, os calções e as camisolas pareciam pinturas alusivas à Primavera, tanto era o verde. Um verde que sujava e que não poderia, por isso, ser obra dos verdes. Dos ecologistas.


Era certamente obra de outros verdes, subitamente dados às artes. De repente apresentavam uma nova tendência, uma variante artística de recuperação da arte rupestre: as pinturas de paredes de nova geração! Uma variante pós-moderna, que recupera para os murais, depois dos motivos políticos do PREC, que atingem o auge na escola MRPP, e dos de protesto da nova vaga dos indignados, a recuperação da temática da caça e da guerra da primitiva arte rupestre!


O entusiasmo foi tal que das paredes passaram para a areia. Não para a variante da escultura, com obras de arte a encherem as nossas praias durante todo o Verão, mas ainda na disciplina da pintura. Pintar a areia era, agora, o último grito da pintura contemporânea!


Um regalo para a vista: onde antes víamos um rectângulo de areia salpicado por uns pequenos canteiros de relva mal semeada, vemos agora um lindo tapete verde que, visto pela televisão, em nada se distingue dos bem cuidados tapetes verdes dos grandes estádios, como o da Luz, sempre tido por referência, como se sabe.


Finalmente, depois de sete anos e outras tantas substituições do relvado, aí estava a solução. Mais que uma solução: uma saída artística que permitiu ainda aperfeiçoar a natural inclinação do campo, que tanto trabalho dera a construir!


Pena que os resultados não acompanhem tamanha inspiração artística. Mas não se pode ter tudo. Não se pode ter artistas plásticos a destilar talento pelas paredes dos balneários e pela areia do campo, talentosos cientistas da basculação hidráulica a queimar neurónios no desenvolvimento das melhores técnicas de inclinação e, ao mesmo tempo, jogadores talentosos, capazes de encher de magia, de classe, de golos e de glória aquele monte de areia de verde pintado!


 

COISAS INTRAGÁVEIS II

Por Eduardo Louro 


 


Sem mais comentários remeto-vos para estes dois textos. Mais coisas intragáveis deste regime - no caso a mesma – vistas por duas pessoas que normalmente vêm as coisas por prismas bem distintos: Daniel Oliveira, no Arrastão e Rui Rocha, no Delito de Opinião!


Vale a pena ler e continuar a seguir esta lista de coisas intragáveis…


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...