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segunda-feira, 31 de maio de 2021
A selecção maravilha não maravilhou
Um vício
O título poderá remeter para o dia mundial sem tabaco, que hoje se assinala. Mas é outro o tema.
Quando a Primavera começa a aquecer e a anunciar que o Verão está à porta, neste ano 2 da pandemia, e Portugal reforça a sua condição de destino turístico privilegiado, agora reforçado pelas condições sanitárias que o diferenciam, percebemos melhor por que o produto turístico nacional nunca será um produto distinto, destinado a consumidores de maior exigência, de carteira mais recheada, e naturalmente de maior retorno.
Percebemos que competimos apenas no domínio do turismo de massas, afinal aquele que nos trouxe até aqui, num modelo em que o país acabou por se viciar, tudo permitindo em cedência ao vício.
Percebemos isto na abertura do país, e do Algarve em particular, há duas ou três semanas. E percebemos isto com as imagens do Porto dos últimos dias. Mas percebemos quanto isso é irreversível quando vemos a indústria a digladiar-se com promoções, e um país de cócoras, tolerando o intolerável, e incapaz de fazer cumprir aos que recebe a lei a que obriga quem cá está. Que recorda a todos os nacionais, até personalizadamente, por sms, mas que não se preocupa em dar a conhecer em momento algum aos que nos visitam.
Ainda ontem, numa reportagem passada numa televisão, pudemos ver no acesso a uma praia algarvia, lado a lado, pessoas com e sem máscara. Estendido o microfone a duas destas, duas cidadãs inglesas, responderam desconhecer ser obrigatório o seu uso. Mas que também não fazia grande diferença, porque simplesmente nunca a usariam.
Tínhamos tudo para ser um destino turístico de excelência. Mas preferimos sempre o mais imediato, e mais fácil. Estamos viciados nisso.
domingo, 30 de maio de 2021
Há 10 anos
Escrevi aqui há tempos que este é um ano de cinquentenários: tão rico e tão determinante foi o ano de 1961 na História recente deste país que parece sempre adiado.
Assinala-se hoje mais uma efeméride: faz hoje 50 anos que o Benfica conquistou a primeira Taça dos Campeões Europeus! Que tirou o futebol português do anonimato, levando-o até ao topo do futebol europeu e mundial, inaugurando uma década dourada com seis presenças, cinco delas consecutivas, na final da mais importante competição do futebol mundial de clubes!
Foi a 31 de Maio de 1961, no Wankdorf Stadium em Berna, que um desconhecido Benfica dos desconhecidos Cavèm, Cruz, Costa Pereira, Neto, Germano, Santana, Águas, Coluna, Mário João, José Augusto ou Ângelo, derrotou o todo-poderoso Barcelona das super estrelas húngaras – Kubala, Kocis e Czibor – de Luís Suárez e de Evaristo, o brasileiro.
Nesta vitória, por 3-2, o Benfica começou a perder - golo de Kocsis, aos 20 minutos – mas logo deu a volta ao resultado com o 1-1 do capitão José Águas e o 2-1 através de um auto-golo do guarda-redes catalão – Ramallets. Na segunda parte, aos 55 minutos foi Coluna – o monstro sagrado – a marcar o 3-1. Depois… bom, depois foi sofrer a bom sofrer! Sofrimento que o golo final de Czibor, a um quarto de hora do fim, só fez aumentar.
Nasceu aqui, em Berna há 50 anos, e ainda sem Eusébio – o King -, uma das melhores equipas de sempre e a melhor equipa europeia daquela década.
Ai que saudades!
sábado, 29 de maio de 2021
Há 10 anos
As circunstâncias em que o Fábio Coentrão foi arregimentado por Sócrates para a campanha, abordadas no texto abaixo, trazem-nos obrigatoriamente à memória a campanha eleitoral de 2009, quando foi Luís Figo a entrar na mesma campanha.
Claro que o Luís Figo não é Coentrão. Apesar de craque e de disputado pelos maiores clubes do mundo, o Fábio é o miúdo de Caxinas, um meio pobre e de pescadores. Por isso surge na campanha de forma também completamente distinta da de Figo: logo á partida, e tanto quanto se saiba e seja possível saber, sem dinheiro. Depois, o ambiente: o requintado pequeno almoço com Figo num hotel de 5 estrelas deu agora lugar a uma sucessiva série de efusivos abraços (e autógrafos para os filhos) no meio das massas e da confusão. Enquanto Figo sabia muito bem ao que vinha – às massas– Coentrão parecia não saber bem o que lhe tinha acontecido no meio das massas… Uma simples questão de massas!
Meios (e métodos) diferentes – muito diferentes - para o mesmo fim. Agora, Fábio Coentrão, rapaz humilde trazido de borla para a fogueira por um cacique local. Então, Figo, conhecido por pesetero, recrutado à custa do dinheiro do Tagus Park – que, como não poderia deixar de ser, era o dinheiro dos nossos impostos, coisa que Figo viria depois a alegar desconhecer, circunstância que, segundo consta, lhe viria a ser muito útil para se safar de males maiores – e de um cacique dos negócios, dos altos negócios: o génio Rui Pedro Soares!
Ambos se terão arrependido. Mas Figo ter-se-á arrependido menos: ele não resiste - nem se arrepende – quando lhe acenam com uns trocos, venham de onde vierem!
Agora até da Tchetchénia! O grande líder tchetcheno, o presidente daquela república russa - Ramzam Kadirov - quis inaugurar na capital – Grosni – um estádio em homenagem ao seu convertido pai, de quem herdou a presidência. A partir de convites pessoais constituiu duas equipas: de um lado, uma selecção de políticos e atletas russos e, do outro, velhas glórias do futebol mundial, a quem pagou prémios que variaram entre os dez mil e o milhão de euros!
Claro que Figo lá estava, não podia faltar! Entre outros, de menos nome, lá estavam também Maradona, Papin, Baresi e Barthez. Apesar de tudo, numa altura destas, antes por lá que por cá…
Tuchel … e muito mais

O Chelsea é o novo campeão europeu, tirando autenticamente o pão da boca do Manchester City, de Pepe Guardiola, nesta final do Porto. Se não a final que mais nos envergonha, a que mais nos diminui enquanto cidadãos portugueses.
O único jogo de futebol em Portugal com público em quase um ano e meio. A única vez em que, durante a pandemia, um estádio português pôde receber adeptos. Pessoas de primeira, estrangeiras, num espectáculo lamentável de uma cidade cheia de pessoas, de primeira, com capacidade para não cumprir as regras que se aplicam aos portugueses. De segunda.
E isso, se não envergonha todos os portugueses, diminui-nos na condição de cidadãos de segunda na sua terra. O que não é exactamente novidade, é até coisa muito generalizada. Não sei que consequências terá, mas imagino que nada fique como antes. E que a autoridade de quem tem que a ter deixe de ser o que deveria ser. Dois pesos e duas medidas é sempre o maior tumor do exercício de autoridade. Qualquer que seja.
Mas houve jogo. O Porto encheu-se de ingleses, praticaram os desacatos do costume, mas vendeu-se muita cerveja e as caixas registadoras tilintaram como se fossem slot machines a anunciar jackpot.
E no jogo o Chelsea ganhou. Entupiu completamente a máquina de Guardiola, e adiou o mais sério sonho do City se tornar campeão europeu pela primeira vez. Por isto ou por aquilo, com mais ou menos escândalo, a equipa de Pepe Guardiola que há anos se entretém a espalhar bom futebol, ficava sempre pelo caminho na Champions. Desta vez chegara com brilhantismo à final, pela primeira vez. Era desta.
Não foi. E não foi porque o futebol capaz de ganhar a Champions já não é, há anos, o futebol romântico. É o futebol de alta intensidade e do rigor. É o futebol regermanizado.
O Chelsea de Tuchel é, e foi, isso. Altíssima intensidade, rigor defensivo e insuperável espírito colectivo. E assim foi melhor que o City. Sem surpresa, até porque ganhara os dois últimos jogos que tinham disputado.
A conquista do Chelsea, a segunda - curiosamente ambas em épocas em que a meio mudou de treinador (em 2012, tinha sido com Di Matteo, que substituíra André Vilas Boas) - não foi, assim, surpreendente. E não tem paralelo com a primeira, quando ganhou (ao Bayern) sendo claramente inferior ao adversário. Surpreendente é a volta que Tuchel deu à equipa que, com os mesmos jogadores, não tem nada, mas mesmo nada, a ver com a que Lampard lhe deixou em Janeiro. Há quatro meses!
Ouvimos os treinadores em Portugal dizer que não têm tempo para treinar em competição. Que é apenas jogar e recuperar. E depois vemos um treinador pegar numa equipa a meio da época, com uma carga competitiva que não tem sequer comparação, ter tempo para mudar do avesso o futebol de uma equipa. E ganhar, com todo o mérito, a maior competição mundial!
Surpresa? Sim, mas na enorme competência de Tuchel.
Cada vez que voltarmos a ouvir um treinador português dizer que só tem tempo para treinar na pré-época, e quando tem um jogo para disputar por semana, deveria haver sempre alguém a perguntar-lhe se já ouviu falar em Tuchel.
sexta-feira, 28 de maio de 2021
Há 10 anos
Assistimos ontem a uma entrada por trás, sem bola, muito feia e muito grave: para vermelho directo! Não, não foi em Wembley na final da Liga dos Campeões: aí foi um jogo limpo e sem casos, um hino ao futebol e ao fair play, como aqui no texto abaixo deixo perceber. Esta passou-se em Vila do Conde e foi às pernas do Fábio Coentrão!
Sabia-se que a máquina do PS de Sócrates tinha desenvolvido todos os esforços para, precisamente ontem em Vila do Conde, poder usar a imagem deste jogador do Benfica e um dos grandes ídolos do futebol nacional da actualidade. Sabe-se que ele resistiu como resiste em campo, esgueirando-se aos adversários e fugindo-lhes em direcção à linha final por entre fintas, simulações e mudanças de velocidade.
Eis se não quando, já na linha final e quando se preparava para o cruzamento letal, surge por trás Mário de Almeida – o jurássico presidente da Câmara de Vila do Conde que, com Mesquita Machado, em Braga, é o dinossauro dos dinossauros do caciquismo do PS – e lhe dá um toque subtil que lhe provoca o desequilíbrio fatal. É então que surge Sócrates e, sem dó nem piedade, lhe dá a sério o golpe (baixo) final!
O pobre do Fábio bem dizia que aquilo não era apoio nenhum, que só estava ali por causa do presidente… Que o presidente da câmara lhe tinha pedido muito. Tanto que ele não conseguiu dizer que não!
Mas qual quê? Para Sócrates não há dó nem piedade: exibiu-o até ao tutano! E, despudoradamente, proclamou o apoio de Coentrão como se não houvesse amanhã. Mesmo com ele ali ao lado a dizer que não estava ali para o apoiar, mas apenas porque o presidente lhe pedira. Mesmo que, perguntado se iria votar Sócrates, respondesse que não queria saber de política…
Sócrates não tem mesmo vergonha! Cartão vermelho, já!
A roleta continua a girar
O Novo Banco, como se não bastasse já o que herdara agravou, só depois da venda à Lone Star, as imparidades em 40%, conforme noticia hoje o Expresso. Não surpreende, com a carteira de clientes desfeita depois do desastre do BES, e com a reputação pelas ruas da amargura, para conquistar quota de mercado, teve de correr mais riscos.
Quem acompanha estas coisas mais de perto percebia que isso estava a acontecer, que o Novo Banco ia entrando pelas portas por onde os outros estavam a sair. E que isso não iria dar bom resultado.
Como, depois de todas as comissões de inquérito e auditorias, o contrato com a Lone Star continua guardado no mais profundo dos segredos, é bem provável que, para além dos velhos calotes que têm desfilado em pessoa pela Assembleia da República patrocinados por Ricardo Salgado, estejamos também a pagar os novos calotes que porventura por lá irão desfilar daqui a uns anos. Poucos, provavelmente.
quinta-feira, 27 de maio de 2021
Há 10 anos
Assistimos a uma das melhores finais de todos os tempos e de todas as competições. Esta final da Champions de 2011 entrará directamente para a História!
E, para ganhar a melhor final de sempre, nada melhor que a melhor equipa de futebol de sempre! Fantástico!
Todos os que gostamos de futebol – condição que tem de nos transformar em admiradores deste dream team – este sim – do Barcelona – esperávamos este jogo com grande expectativa: frente ao futebol de sonho do Barça estava o futebol completo do Manchester United, o futebol de posse e do campo todo que Sir Alex Ferguson produz há muitos anos em Old Traford sob patente há muito registada. No fundo muitos esperavam que a equipa de Nani, Rooney e Gigs pudesse travar esta portentosa máquina de futebol de Messi, Xavi, Iniesta e por aí fora.
Mas o United mais não conseguiu engasgar a máquina blau grana nos primeiros dez minutos e dar um sinal de digna revolta nos últimos dez, com apenas quatro remates e um único direito à baliza de Valdez: o do golo. Nos restantes 80% do jogo só deu Barcelona, num show de bola inesquecível, com os habituais e inacreditáveis níveis de posse de bola, a obrigar os red devils a correr atrás da bola, todos bem juntinhos e em cima da sua área!
Ganhou o Barça e ganhou bem. Ganhou Guardiola e os seus jogadores. Mas ganhou um em especial: Abidal, que ainda há dois meses descobria que tinha um cancro no estômago! Em apenas dois meses foi ao fundo e levantou-se ainda a tempo de disputar a final mais desejada e de conquistar o mais importante troféu de clubes do mundo.
Quem também teve aqui uma pequenina vitória foi Mourinho: o único treinador que consegue, apesar de tudo, dar mais luta a este invencível Barça. No ano passado conseguiu empurrá-los para fora da final e, neste, foi claramente o osso mais duro de roer…
Há 10 anos
O futebol está cheio de cambalhotas.
Há as cambalhotas no marcador, aquilo a que os espanhóis chamam remontada, que o futebolês também adoptou, mas que também conhecemos por reviravoltas no resultado: quando o resultado é invertido, quando uma derrota vira vitória, como diriam os brasileiros. Acontece num jogo, numa eliminatória ou mesmo numa curta poule de apuramento de uma fase de grupos disputada por poucas equipas. Raramente numa prova longa, onde é a regularidade a ditar leis. Às vezes acontecem daqueles jogos épicos onde se viram resultados negativos em três ou quatro golos, transformando derrotas pesadas em vitórias verdadeiramente sensacionais. Como épicos são ainda os jogos que provocam uma cambalhota numa eliminatória, que permitem ganhar uma eliminatória claramente perdida.
Há as cambalhotas no marcador mas também as cambalhotas do marcador: as cambalhotas com que os marcadores festejam os seus golos. Sim, há jogadores que escolhem a cambalhota para celebrar o golo: uns dançam, outros saltam e outros ainda desenham corações. Há ainda os que, quando estão com azia, mandam calar os adeptos. E há estes, os que os comemoram com saltos mortais: as mesmíssimas cambalhotas que, há já uns anos, Hugo Sanchez – um lendário mexicano que jogou no Real Madrid, co-recordista de golos marcados no campeonato espanhol, o tal recorde (38 golos) que Cristiano Ronaldo acabou precisamente de bater – introduziu nos festejos do golo e de que Nani – ao que parece por ser especialista em capoeira – é hoje o expoente máximo, mesmo contrariando Alex Ferguson que, pelos vistos, não é grande entusiasta desta forma de celebrar.
No nosso futebol – como em muitas outras vertentes da sociedade portuguesa, não fossem os portugueses gente muito dada à acrobacia – há outras cambalhotas. Cambalhotas fora do relvado! E há quem pretenda forçar cambalhotas: são tão especialistas neste género acrobático que querem generalizar a sua prática e impô-la a outros.
São cambalhotas que, de tão forçadas, são condenadas ao fracasso. É, por exemplo, a pretensa cambalhota na contabilização dos títulos.
As estruturas de mobilização e arregimentação ideológica do Porto, sempre em alta actividade mediática, tentaram criar a cambalhota nos títulos: por força de tal cambalhota o Benfica via esvair-se a enorme e impressionante vantagem de títulos que tinha face ao Porto. Benfica e Porto estavam agora, depois da vitória do último domingo na Taça – o quarto título de uma época que ainda bem que terminou – empatados com, salvo erro, 69 títulos. Empatados? Empatados não, porque isso seria com a Taça Latina de 1950, e essa não conta para nada – não é oficial - como logo conseguiram esclarecer através de uma nota da FIFA que ninguém viu mas que a agência Lusa jura existir.
Não há cambalhota nenhuma! Gostariam que houvesse, mas não há. Porque tudo tem as suas regras: uma delas aprendemos na escola, logo na primeira classe – perdoem-me a terminologia, mas é a do meu tempo – e diz que não se podem somar alhos com bugalhos. Somar supertaças com campeonatos nacionais não dá, não é? Uma coisa é um título atribuído por se ter ganho um jogo, um único jogo - e de preparação - de início de época. Outra, completamente diferente, é ganhar um campeonato de 30 jogos. Como diferente é um título ganho depois de ultrapassar cinco ou seis adversários em sucessivas eliminatórias. Pois é, o que soma são campeonatos nacionais: o Benfica tem 32 e o Porto 25. E o Sporting 18! E Taças de Portugal, que o Benfica conquistou por 27 vezes, o Porto por 20 e o Sporting por 19. E Taças da Liga: 3 do Benfica e nenhuma para os seus rivais. E Taças dos Campeões, com dois triunfos para cada um: Benfica e Porto. E a Taça das Taças, que apenas o Sporting, e por uma única vez, conquistou. E a Taça UEFA/ Liga Europa, que apenas o Porto conquistou, por duas vezes: a última na passada semana. E ainda a Taça Latina, que apenas o Benfica ganhou - por uma única vez – e que, sendo a precursora da Taça dos Campeões, não soma com mais coisa nenhuma mas também não desaparece. Como também não desaparecem os dois títulos intercontinentais – mais um título de um só jogo, a que a Toyota deitou a mão para não deixar cair nas profundezas do desinteresse - que apenas o Porto conquistou, em duas ocasiões!
Isto não se pode somar tudo. Daria uma grande caldeirada, com cada coisa a cair para seu lado, com tudo estatelado no chão numa cambalhota falhada!
Mel e moscas

Movimento Europa e Liberdade é o nome apelativo que foi encontrado, de sigla sugestiva: MEL. É com mel que se apanham moscas. Mel sugere também pote, aquilo a que toda a gente quer deitar a mão.
Apesar do nome apelativo, de sigla fácil e sugestiva, toda a gente prefere chamá-lo de "congresso das direitas". Assim, no plural. Porque há várias, não há uma só direita. Nem com mel conseguem fazer uma única.
Poderia ser esse o objectivo, pelos vistos falhado. É com mel que se apanham moscas, só que as moscas mudam. O resto é que não!
Rui Rio esteve presente pela primeira vez. Era a estrela desejada, com honras de encerramento. Mas o desejado é Passos Coelho, a estrela que brilha sem precisar de ser brilhante. Nem sequer de falar. Porque, lá está ... só as moscas mudam.
Mas Rio acabou a dizer que estava ali, mas que seu partido não é de direita. Ou o que dele resta, e que lhe foge entre os dedos. Não estava lá, pois, pela direita. Só pelo mel. Ou seria pelo pote?
Sim, porque mel, o Chega não tem certamente. Só moscas.
quarta-feira, 26 de maio de 2021
Há 10 anos
A notícia foi tornada pública no passado fim-de-semana: Almerindo Marques, que renunciara ao cargo de Presidente da Estradas de Portugal em Março - renunciara, não terminara -, vai, dois meses depois, presidir à Opway.
À partida esta seria uma notícia normal. Não é comum aos 72 anos, mas mudar de emprego não pode deixar de ser uma coisa normal. Por isso nem notícia seria. Não o é! E por isso é notícia…
A Opway é uma construtora do Grupo Espírito Santo (GES) que, com a Mota Engil, domina a Ascendi, a rainha das PPP nas estradas. A Ascendi, que reúne dois dos principais donos de Portugal – a expressão é de Louçã (num livro recentemente publicado) mas cada vez mais parece apropriada: o GES, de Ricardo Salgado e a Mota Engil, de Jorge Coelho. A quem a Estradas de Portugal, em completa rotura financeira, acabara de garantir mais 5,4 mil milhões de euros em rendas em PPP nas estradas. Sim, em rendas, porque não depende do número de carros em circulação.
Tudo isto na mesma altura em que o Tribunal de Contas arrasa as PPP nas estradas, e em particular nas SCUTS, denunciando vultuosos danos para o erário público. Para todos nós!
O Jornal de Leiria de hoje publica também a notícia. Porque é notícia. Porque continua notícia, mas também porque Almerrindo Marques é uma personalidade do concelho de Leiria que, naturalmente, a região acarinha. Disse a este jornal: “terminei as minhas funções na Estradas de Portugal e vou trabalhar noutra empresa”, acrescentando que “nada mais” teria a acrescentar. Não é notícia, quis ele dizer!
Ao i – um jornal também com ligações (de capital) à região – declarou-se “tranquilo quanto às relações entre a construtora que vai dirigir e a empresa pública de que foi presidente desde 2007”. Acrescentou ainda que são “poucas as ligações” entre as duas empresas e que “quem não deve não teme”. É notícia, mas sem importância, quis agora ele dizer!
É claro que é notícia. E das más! Porque, como à mulher de César, não basta ser sério. Há que parecê-lo. E aqui não parece. O que é pena, porque Almerindo Marques tem 72 anos, uma carreira notável como gestor e cidadão, e uma imagem acima de qualquer suspeita a defender. Que, vá lá saber-se porquê, não soube defender!
terça-feira, 25 de maio de 2021
Há 10 anos
Não fosse dramática a situação que atravessamos e esta campanha eleitoral seria motivo de hilariante gargalhada colectiva capaz de se ouvir no outro lado do mundo.
Ninguém fala dos juros que não vamos ser capazes de pagar, da recessão de dois anos que temos pela frente ou da catástrofe da Grécia, a mostrar-nos -a cores e ao vivo – o futuro que temos como certo já ao virar da esquina. Ninguém nos diz nada sobre o caminho que esta União Europeia está a tomar, agora pendurada das garras da Alemanha de Merkl. Ninguém se preocupa com o que tem vindo a lume sobre as SCUTS e as suas PPP. Sobre a estratégia para vencer a batalha da produtividade que nos garanta capacidade competitiva para poder crescer, nada! Ninguém se preocupa com isso… Brincam com a já famosa taxa social única (TSU), que a troika impôs sem que, pelos vistos, o governo tenha dado conta. Que o PS diz que é coisa para pensar lá mais para a frente, que agora o que importa é saber onde é que o PSD vai buscar o financiamento para a redução que propõe: se à cerveja, se ao vinho ou se a tudo o que mexa. Que o PSD quer baixar em quatro pontos, mas sem dizer como nem quando. Porque não sabe ou porque não quer que ninguém saiba! Sobre o que o CDS não sabe nada nem quer saber, porque a chuva, mesmo de pingo grosso como a destas trovoadas que por aqui andam, nem sempre molha: às vezes consegue passar-se entre os pingos mais grossos!
Não! Importante mesmo é falar da despenalização do aborto… Este é que é o grande problema do país, já todos o tínhamos percebido!
E pronto, lá foi introduzido mais ruído nesta campanha…
Que toda esta cambada que por aí anda em desfile pelo país entre em delírio e aproveite estes dislates para subir o patamar da barulheira, para que o ruído abafe tudo e não deixe ouvir nem discutir nada do que importa, a gente ainda percebe. O que a gente não percebe é que haja um jornalista – mesmo que da Rádio Renascença - que ache importante esclarecer agora, nesta altura, a questão do aborto. Mas o que a gente não entende de todo é que Pedro Passos Coelho não consiga perceber que só tinha uma resposta a dar. Esta e mais nenhuma: “ A questão da IVG não está neste momento na ordem do dia, passe à pergunta seguinte…”
Já basta de se pôr a jeito! Um dia destes deixamo-lo cair do colo…
Coisas extraordinárias

Um caça soviético MiG-29 interceptou, e forçou a aterrar em Minsk, um avião da Ryanair que, num voo de Atenas para Vilinius, atravessava espaço aéreo bielorrusso.
O pretexto anunciado foi a existência de uma bomba a bordo; o real foi o de deter um jovem bielorrusso, de 26 anos, conhecido opositor ao regime de Lukashenko desde a adolescência.
Aconteceu no domingo. Ontem, o jovem Roman Protasevich, jornalista e blogger, surgiu nas televisões a confessar os crimes de que o regime de Lukashenko o acusa, e declarar-se muito bem tratado pelas autoridades bielorrussas.
Um acto de pirataria aérea, uma detenção/rapto, e a exibição do prisioneiro a confessar aquilo de que é acusado e estar a ser muito bem tratado. Vemos isto em filmes e, aqui e ali, nos múltiplos cenários do terrorismo internacional. Praticado por um Estado é outra coisa.
Sabemos que Lukashenko é capaz disto e de muito mais. E que hoje a Bielorrússia não passa de um Estado pária. Que o PCP - sabemos também, embora sem o conseguirmos perceber - defende. Como defende o regime de Putin, que o sustenta. De tal forma que ontem, ao comentar o tema no canal de notícias da RTP, uma certamente ilustre representante do partido, não podendo fugir a um esboço de condenação do acto, encontrou um "mas". É sempre nos "mas" que está o busílis da questão.
O "mas" é que o jovem bielorrusso capturado é um agitador da extrema-direita nazi. E, aí está, isso legitima tudo. Até que isso, no mínimo isso, não seja exactamente Lukashenko. E Putin, evidentemente.
Não vale mesmo a pena tentar perceber esta coisa extraordinária do alinhamento internacional do PCP. É tempo perdido, e nunca encontraremos neurónios suficientes para tão gigantesca tarefa.
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Há 10 anos
Sabemos que as nomeações de última hora são prática corrente entre os que nos têm governado. Chegada a hora de fazer as malas é um ver se te avias a nomear os últimos boys, para lhes assegurar um tacho mesmo antes de meter a chave à porta. Ou nem isso, nem se dão ao trabalho de a fechar: isso é coisa que deixam para quem vier atrás!
Tem sido assim - há muito que é assim – sem que ninguém se importe muito com isso…
O assunto foi hoje tema de campanha: Pedro Passos Coelho, pelo vistos com inside information, tomou conhecimento de que o governo, demissionário e em gestão, estava já a proceder a nomeações destas, de última hora. Claro, entrou pela campanha dentro como manteiga em pão quente: Passos Coelho a denunciar, Sócrates a negar e Passos a ter de confirmar.
Tudo bem esmiuçado, na confirmação surgem os mails do governo para a INCM com instruções claras: impedir que as nomeações fossem publicadas no Diário da República antes das eleições!
Não só se confirmavam as nomeações como se ficava a saber que o governo as queria esconder até às eleições. Perante os factos, o governo – através do Secretário de Estado da Presidência – confirmava as nomeações: apenas seis, e indispensáveis, garantia!
Contra factos não há argumentos, não é?
Não, com Sócrates há argumentos mesmo contra factos! Mais uma vez, mandando às malvas o mais elementar sentido de respeito pela inteligência dos portugueses – já não me restam dúvidas que, no país que Sócrates fantasia, os portugueses são burros – vem dizer perante as câmaras que afinal estava a ser acusado de cumprir o seu dever, precisamente o de impedir as nomeações.
Que Sócrates não tem vergonha já todos o sabemos. Que não tem respeito por nós e pela nossa inteligência, também já o sabíamos. Mas, eu, por mim, não imaginava que ele fosse capaz de ter a lata de, em frente à câmara e ao jornalista – na circunstância Carlos Daniel, um jornalista respeitado e competente - fazer esta figura. De manipular grosseiramente os factos e falar por cima e à revelia do jornalista, para confundir impedimento da publicação das nomeações com impedimento das próprias nomeações.
Isto é charlatanice pura!
Como previa no texto anterior isto é o “vale tudo”. E, agora que as sondagens indicam claramente a descolagem do PSD, as coisas ainda vão piorar. Sócrates, que tudo fez para se manter bem agarrado ao poder, entrará agora em desespero total!
domingo, 23 de maio de 2021
Zero. Bola, como ele gosta dizer...
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Campeãs - mas mais apetecia dizer "campeonas"!
Há 10 anos
Já deu para perceber que para Sócrates, nesta campanha, vale tudo. Já se tinha percebido que para ele vale mesmo tudo, que é dos que não olham a meios para atingir os seus fins. Se isso não fizer parte do seu ADN faz pelo menos parte da sua história pessoal. Não é preciso recordar nenhuma das múltiplas trapalhadas que lhe ensombram o currículo para perceber isso!
Não tenho grandes dúvidas que nestas duas últimas semanas de campanha, e com o desespero a subir em flecha, surgirão mais, e provavelmente mais deprimentes, demonstrações de que Sócrates não conhece os limites da decência quando em causa está a preservação do poder. Transformou-se num alucinado pelo poder que perdeu por completo qualquer sentido de decência!
Percebeu-se isso claramente quando, no debate com Passos Coelho da passada sexta-feira, recorreu à leitura de passagens de um Relatório do Conselho de Administração integrante do Relatório e Contas de uma empresa onde, pelos vistos, o agora candidato do PSD exercia funções de administração.
Esse relatório, peça do modelo de prestação e apresentação de contas das sociedades anónimas, sendo um documento público não é mais do que isso: um documento de apresentação de contas de uma empresa privada! É um relatório institucional que segue um modelo e uma estrutura convencional, onde um dos capítulos se dedica precisamente à caracterização do meio institucional e macroeconómico, aquilo que constitui o contexto em que a empresa desenvolveu a actividade cujas contas estão em apresentação.
É um documento do foro empresarial subscrito por um colectivo, um órgão colegial de gestão de uma empresa. Não é um texto de opinião! Nem é um manifesto!
Percebendo isto, toda a gente percebe que não se encontra qualquer explicação, que não o desespero de Sócrates, para ir procurar a um documento destes aquilo que pretendia transformar numa defesa da sua tese de responsabilização da crise internacional, para a sua própria desresponsabilização. Não é sério, não é decente, nem é aceitável!
Não deve nem pode valer tudo, e eu acho muito estranho que nenhuma comunicação social se preocupe com isto. Não é aceitável que os media não tenham feito eco da ilegitimidade e da indecência da utilização daquele truque!
Mas Sócrates não perdeu tempo e voltou rapidamente a mais demonstrações de que, para ele, vale mesmo tudo. O fim-de-semana foi em cheio. Já não bastava o que tinha feito com as Novas Oportunidades, com o arregimentar de centenas de pessoas para utilizar como figurantes em comícios da especialidade. Agora, não sei se por descuido, se por total cegueira – o desespero cega – não houve pejo em encher ontem a Praça do Giraldo, em Évora, ou hoje a Praça da Câmara Municipal em Castelo Branco, com indianos, africanos e chineses – em boa parte vestidos a rigor com os seus trajes naturais, para que não subsistissem dúvidas – que nem português falavam.
Com tão flagrante exotismo era impossível que a Comunicação Social não desse nota desta tão desavergonhada quão deprimente prova de que para Sócrates vale tudo. Esta, ao contrário da anterior, não passou em claro. Todos tivemos oportunidade de ver até onde Sócrates consegue ir. E, quem não sabia ficou a saber, que Sócrates acha mesmo que somos todos burros…
Não lhe basta deixar um país de pobres e desempregados de mãos estendidas à esmola e à caridade do mundo. Não, como se tudo isso não chegasse, ele acha ainda que nos transformou num país de burros. Tão burros que, acredita, não somos capazes de perceber que não vale tudo!
sábado, 22 de maio de 2021
Há 10 anos
Arranca hoje oficialmente a campanha eleitoral!
Até parece que não temos estado em campanha eleitoral – em boa verdade em Portugal está-se permanentemente em campanha eleitoral – com debates televisivos e tudo. Fiz um esforço para entender o que é que muda com a abertura oficial e, depois de passar em revista debates, comícios, arruadas, piqueniques, mercados e feiras, encontrei na campanha oficial uma única coisa nova: os tempos de antena! Essa coisa a que ninguém liga, que ninguém ouve nem vê, que vive como parasita da campanha oficial, que não serve para nada mas que custa uma pipa de massa!
Ora aí está o único valor acrescentado da campanha eleitoral oficial: uma coisa que não serve para nada mas custa dinheiro, e muito!
Estava eu, empurrado por aquele meu esforço para perceber estas coisas, mergulhado na desilusão deste resultado quando, de repente, descobri que, afinal, algo de novo nascia com a campanha oficial: os outdoors do PS!
Isso mesmo, os outdoors que o PS tinha prometido não usar nesta campanha e que representam uma das maiores fatias deestes orçamentos! Isto sim, isto é que é campanha eleitoral a sério! Se toda a gente diz que as campanhas eleitorais servem para prometer o que se não vai fazer, o PS mostra que não, que também servem precisamente para o inverso: fazer o que prometeu não fazer!
Estava todo este meu processo reflexivo a correr tão bem quando, de repente, alguém vem estragar tudo. Tinha de ser!
Vejam bem: um – um único – outdoor por círculo eleitoral! E valia pena quebrar uma promessa, que era bem mais que uma promessa eleitoral – essas esquecem-se facilmente porque há 4 anos para as cumprir - era uma promessa de campanha, escrutinável em apenas duas semanas?
Eu acho que não. Que não havia necessidade, tanto mais que os outdoors são para o PS como a boca para o peixe: olhem para aquele, lá em cima, dos 150 mil empregos!
sexta-feira, 21 de maio de 2021
Confrangedor, deprimente e doloroso
Afinal a internet não falhou, e Nuno Vascocellos, talvez a principal criação de Ricardo Salgado, passou pela Comissão de Inquérito para arrebatar o oscar do confrangimento, a mais disputada das categorias nesta gala do "bescândalo".
De tal modo confrangedor que a menos confrangedora das suas afirmações foi "eu não devo nada ao Novo Banco, quem deve é a Ongoing". O resto foi tudo daí para cima, a gozar com todos nós e com os deputados, protegido pela distância, pelas câmaras e pela impunidade. A deputada Mariana Mortágua, a primeira a lançar a interpelação, recusou-se a dar palco à palhaçada e o deputado Fernando Negrão, presidente da comissão, acabou com o "espectáculo".
É até doloroso lembrar que achamos que Luís Filipe Vieira e Botelho Moniz tinham sido insuperavelmente deprimentes...
quinta-feira, 20 de maio de 2021
Há 10 anos
Era o que faltava: o golo ter cara!
Mas tem! O futebolês encarregou-se disso!
Tem cara, mas mais, tem vergonha na cara. É de resto por isso que aparece pouco, que é reservado e se dá pouco a ver. Daí que seja comum dizer-se que os golos estão pela hora da morte, o que faz com que, pela hora da morte, estejam também os seus progenitores: isso, os fazedores de golos! Os tais que são – eles próprios – não a cara do golo mas o rosto do golo. Sim rosto do golo, para não se confundir com a cara do golo!
O mais bonito desses rostos é, sem dúvida, esse colombiano com nome de brasileiro – Falcão - que a Divina Providência (na verdade foi apenas o Papa) se encarregou de desviar da Luz para o Dragão. Como, de resto, já acontecera com outro anterior belo rosto do golo: Jardel!
Por incrível que pareça essa foi uma perda altamente traumática. Tanto que não mais na Luz se esqueceu Jardel, não mais sendo dado descanso a quem respondesse por tão mítico nome. Foi um irmão, foi o próprio original já fora do prazo de validade e, agora, este que a Divina Providência (na verdade e desta feita, foi apenas Jesus) achou que seria o substituto do David Luiz.
Já percebemos que em futebolês cara do golo não é sinónimo de rosto do golo. São coisas bem distintas!
Mas se já percebemos o que é o rosto do golo – até já arranjamos dois, dando nome aos dois maiores rostos do golo que por cá passaram nos últimos quinze anos – o que é então a cara do golo?
Pois é, a cara do golo não existe! É apenas uma condição, uma condição circunstancial: não se é a cara do golo, está-se na cara do golo! Não se pergunta o que é a cara do golo mas sim quando é que se está na cara do golo.
E, agora sim, posso dar a resposta: estar na cara do jogo é estar em frente à baliza adversária (a baliza não é adversária, quando muito será adversa - é do adversário - mas o futebolês tem destas coisas e, evidentemente, aqui temos de segui-las), com a bola à disposição e apenas guarda-redes pela frente. É estar naquela situação em que tudo parece fácil, por mais que se diga que é sempre o mais difícil: é só empurrá-la lá para dentro! É estar como estava o Mossoró na última quarta-feira, logo a abrir a segunda parte daquela grande epopeia lusa: sozinho, sem mais ninguém à volta, a bola ali à mão (no caso ao pé), o Helton à frente e as redes logo ali, à espera do beijo que a bola lhe prometia. E a taça da Liga Europa ali mesmo á frente…
Agora é claro: estar na cara do golo nem sempre quer dizer golo. Como o inverso também é claro: para marcar golo não é condição necessária estar na cara do golo. É a diferença do futebol para os toiros: enquanto na pega é obrigatório enfrentar a cara do toiro, no futebol pode chegar-se ao golo sem lhe ver cara. Foi o que, mais uma vez, aconteceu na tal final portuguesa de Dublin: o Porto não esteve, ao contrário do Braga, uma única vez na cara do golo. Mas tinha Falcão, o verdadeiro rosto do golo, que, para marcar, não precisa nada de estar na cara do golo. Pura e simplesmente aparece por lá, no sítio certo, pelo chão ou pelo ar, mais alto e mais forte que todos e faz o que os outros, na cara do golo, não conseguem fazer.
E por isso o Porto ganhou! Mas também por isso é bem provável que Falcão vá procurar novas caras para os seus golos noutras paragens. Em clubes de maior dimensão, como aspira o seu colega Rolando que, não sendo o rosto do golo, é a cara da impunidade dentro da área.
Há 10 anos
O debate de ontem, entre Portas e Louçã, não trouxe grandes novidades. Foi um debate morno e cordato, como que sujeito a um pacto de não agressão. Normal e perfeitamente previsível: não havia ali eleitorado em disputa. As preocupações de cada um viram-se para outros lados, os adversários directos não estavam ali à sua frente!
Veio de fora do debate – chamemos-lhe assim – a novidade maior: a reacção de Portas ao anúncio de Passos Coelho de que não contassem com ele para formar governo se não ganhasse as eleições.
Foi forte o ataque que Portas desferiu contra esta posição do líder do PSD, realçando um dos grandes – se não mesmo o maior – paradoxos da actualidade política: para o CDS, o PSD é simultaneamente o seu adversário principal e o seu aliado principal. Esta é uma contradição insanável, com a qual se terá de começar a lidar com pinças.
Disputando o mesmo mercado, e sem que tenham avançado para uma coligação pré-eleitoral – que o próprio sistema eleitoral favorecia – são muitos os conflitos de interesses. E é grande o cuidado exigido na sua gestão!
Esta posição de Passos Coelho é apenas um deles. Quando diz que não será primeiro-ministro sem ganhar as eleições faz (bem) o seu papel, transmitindo ao eleitorado a mensagem clara que, para afastar Sócrates do poder, é preciso votar PSD. Não basta não votar PS, e votar CDS não resolve o problema!
Por isso Portas a ataca. Não pode sentir-se confortável nesta posição do seu parceiro/adversário, e não pode deixar de atacar uma posição que representa um forte obstáculo às suas ambições de crescimento e de alargamento da sua capacidade de influência no futuro governo.
A arma que Portas escolheu para esse ataque é que é deveras interessante, e a maior novidade proveniente do debate de ontem: tem com o isolamento de Sócrates. Passos Coelho já tinha deixado claro que não governaria com Sócrates, posição que Portas não tinha acompanhado claramente. Era mesmo voz corrente, cada vez mais notada, que Portas estaria a jogar nos dois tabuleiros, não deixando de piscar o olho ao PS. Quando, e raramente o foi, questionado directamente sobre isso, Portas refugiava-se no facto de ter sido ele, há um ano atrás, a dizer ao primeiro-ministro para se ir embora. Mas nada mais que isso, ou não fosse ele o mestre da ambiguidade na política nacional!
Pois! Ontem Portas disse, finalmente e com todas as letras, que não governaria com Sócrates. Foi essa a arma que escolheu para desferir o contra-ataque a Passos Coelho, com esta mensagem para o eleitorado que disputa com o PSD: podem votar no CDS sem qualquer receio porque esse voto nunca servirá para dar a mão a Sócrates. Votem à vontade no nosso mérito, nas nossas convicções e na nossa equipa porque, mesmo que o PS ganhe as eleições, Sócrates nunca conseguirá formar governo. E o PSD não tem alternativa - se não ganhar as eleições constituirá maioria connosco. E nem o país nem o presidente lhe perdoariam que não formasse governo!
Voilá…
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Há 10 anos
Chegou enfim o ansiado debate. Promovido como um grande espectáculo este terá sido o campeão das audiências, tal era a expectativa.
Uma expectativa natural – estavam frente a frente os dois candidatos à chefia do próximo governo do país, um país mergulhado numa das mais graves crises de sempre – mas uma grande expectativa em torno das prestações de cada um: de um lado Sócrates, dado como imbatível neste tipo de frentes – um mito, mesmo – e do outro Passos Coelho, dado como o cordeiro às mãos do lobo, com uma trajectória duvidosa neste tipo de desempenhos - que incluía mesmo uma estrondosa derrota perante Paulo Portas – e com o estigma dos tiros no pé, que vinha arrastando particularmente desde o arranque da pré-campanha.
Pariu a montanha um rato?
Não, acho eu! Pareceu-me um bom debate: provavelmente o melhor debate e, ainda provavelmente, o pior moderado. Mas o moderador pouco conta para esta guerra! O que conta é que Passos Coelho, contra todas as expectativas – as atrás enunciadas e mais não sei quantas – ganhou o debate em toda a linha, com uma entrada de leão que o embalou para aquilo que o futebolês chamaria uma primeira parte de luxo!
E caiu o mito da invencibilidade de Sócrates no campeonato do debate político, com a tal primeira parte de rastos, nitidamente no tapete. Tentou reagir a partir do meio do debate recorrendo ao seu único argumento: a cassete. Só que a cassete, de tão gasta, já não funcionou!
Viu-se então um Sócrates desesperado, com uma cara que não escondia a derrota, e já claramente convencido que o seu tempo já passou.
Ah! Se não viu poderá vê-lo aqui...
Decisões desportivamente finais.
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Havia muita coisa para decidir nesta última jornada do campeonato - o acesso à última vaga para uma competição europeia, determinada pelo sexto lugar na classificação, a fuga ao lugar em aberto para a descida, bem como a do desejável ou indesejável, conforme o ponto de vista da classificação, última esperança de manutenção através liguilha, e ... a questão do melhor marcador da Liga. Com tanta coisa em jogo, abrangendo praticamente todos os jogos (à excepção do Tondela-Paços, que se disputou ontem, e do Porto-Belenenses, que abriu a jornada de hoje, foram todos à mesma hora. Todos menos o Sporting-Marítimo, que começou quando todos os outros estavam a acabar. A Liga achou que não havia desportivamente qualquer problema em dar a um dos competidores pela melhor marca de golos a vantagem de iniciar o jogo já sabendo quantos teria de marcar para ganhar.
No Vitória-Benfica, também um clássico, estavam em jogo a primeira e a última daquelas decisões. Ah... e também o título que Jorge Jesus quer que festejemos - o de campeão da segunda volta. Mas estava também em jogo ... a final da Taça, do próximo domingo.
Por isso o treinador do Benfica apresentou uma equipa com sete alterações em relação ao dérbi, de sábado passado. Para poupar física e disciplinarmente a maior parte dos jogadores habitualmente titulares. Pelo que se viu deveria ter poupado mais um - Lucas Veríssimo, que a meio da primeira parte acabou com uma lesão muscular que o afasta da final da Taça, e eventualmente até da estreia na selecção brasileira. Não poupou, não poderia naturalmente poupar Seferovic, com o título de goleador-mor do campeonato para discutir com o sportinguista Pote.
Ao contrário de outras vezes, como no recente jogo com o Nacional, não se notaram todas essas alterações. As segundas escolhas não estiveram nada mal e, mesmo sem realizar uma exibição exuberante, não se pode dizer que a equipa não tenha apresentado um futebol agradável. E menos ainda que não tenha dominado tranquilamente o jogo, provavelmente um dos mais fáceis desta longa série de confrontos em Guimarães.
Mesmo sem ter conseguido marcar, a primeira parte foi de domínio absoluto do Benfica, com três ou quatro ocasiões para marcar. Não marcou na primeira parte, mas marcou logo no início da segunda parte. Por Seferovic, pois claro, a finalizar uma excelente jogada de futebol. E repetiria ainda antes de esgotado o primeiro quarto de hora, agora na sequência de um canto bem trabalhado, com desvio ao primeiro poste para Seferovic concluir no segundo golo. Seu e da equipa. Festejou, claro. Eram dois golos preciosos.
Provavelmente suficientes para repetir o título de há duas épocas. Não há "hat-tricks" todos os dias. Acho que nem tinha havido nenhum neste campeonato.
Com o resultado em 2-0 Jorge Jesus começou a fazer entrar alguns dos principais habituais titulares. E a verdade é que o jogo da equipa começou a piorar. Pouco depois o Vitória marcou, de canto. Há muitos jogos que o Benfica não sofria um golo de canto, parecia até que esse problema que durante tanto tempo tinha atormentado a equipa fazia parte do passado mais negro desta negra época. O Benfica chegou até a perder o controlo do jogo, e permitiu até uma ou duas ocasiões para os vimaranenses empatarem. Valeu então o regressado - para a despedia - Vlachodimos
Nos últimos dez minutos voltou ao comando da partida, e acabou até por marcar o terceiro golo. Mas de Everton, que tinha entrado na tal leva dos titulares, que fez o que tinha de fazer. Quando o jogo acabou tinha praticamente acabado de começar o do Sporting, e o Pedro Gonçalves, Pote, já tinha marcado dois golos, voltando a estar empatado com Seferovic, que era ainda o melhor artilheiro por ter os mesmos 22 golos em menos tempo jogado na competição.
Faltava a Pote o terceiro. E o hat-trick, a tal coisa rara e o primeiro da sua carreira, era já uma inevitabilidade. Chegou por volta da hora de jogo e o assunto fico resolvido. E tornou-se, 25 anos depois de Domingos Paciência, no primeiro português com a melhor marca de golos no campeonato.
Não é só por isso que o Pedro Gonçalves merece nota alta. É porque foi a maior revelação da competição, e o mais influente jogador do Sporting, que marcou o desempenho competitivo do novo campeão nacional. Quando Pote esteve bem, e esteve bem durante grande parte da época, e muito bem no início e no fim, o Sporting esteve bem. Quando se apagou, o Sporting apagou-se. E valeu-lhe Coats.
É pois notável, e merecedora de todos os elogios, esta conquista do jogador que Rúben Amorim lançou para a alta roda do futebol. Mas não foi bonito, nem desportivamente aceitável, terem-lhe dado a vantagem que lhe deram. Nada garante que, com o jogo à mesma hora, o resultado fosse diferente. Mas o jogo em Guimarães teria sido certamente diferente!
O Estado da raspadinha

As dificuldades da vida empurram facilmente as pessoas para sonhos de dinheiro fácil, e sabe-se como muita gente é tentada a fazer da vida um sonho permanente, às avessas da realidade. É este o campo onde medram os jogos de fortuna e azar, especializados em técnicas de viciação para a criação de dependências, que fazem do jogo uma adição. Que não soma, só subtrai.
Há em Portugal um problema sério de dependência do jogo, que se agravou com as lotarias instantâneas, as conhecidas raspadinhas. Têm tudo para a compulsão - o imediatismo do prémio, e o próprio ritual da raspagem - e nada para a travar. E os sinais de alarme já dispararam, com estudos publicados, e alertas de diversas instituições, a chamarem a atenção para grande números de casos de desestruturação financeira e familiar, e de graves problemas de saúde mental entre as camadas mais vulneráveis da sociedade, designadamente as economicamente mais desfavorecidas e as mais idosas.
Seriam razões mais do que suficientes para preocupar o Estado, e levá-lo a tomar medidas de contenção desta chaga social. Mas não são. São, antes, razões que o Estado encontra para incentivar o seu desenvolvimento, alargando a oferta por aí encontrar fontes de financiamento que lhe escasseiam no seu Orçamento e, assim, adormecer também no sonho do dinheiro fácil. De tudo raspar, também se vicia na raspadinha.
A nova "raspadinha do património", que o Estado diz destinar-se a financiar os sectores da cultura, poderá ser uma rapidinha para algumas actividades culturais, mas tem custos sociais de bem longa duração. O Estado deveria ser o primeiro a dar o exemplo que os fins não devem justificar os meios, e que todas as decisões devem medidas à luz do custo que comportam e do seu benefício que produzem.
Mas não. O Estado não é definitivamente pessoa de bem!
Há 10 anos
Acabei de concluir, no post anterior, que o dia de ontem não existiu: ontem foi um jogo de futebol! E, pelo vou vendo, hoje pouco mais é que o dia seguinte ao do jogo de futebol!
Procura-se justificar este absurdo com uma realidade tida como incontornável: a primeira final de uma competição europeia totalmente portuguesa!
O sucesso do futebol português – enquanto actividade de excelência, das poucas que somos capazes de apresentar à Europa e ao Mundo – materializado numa final portuguesa, funcionaria, neste momento de humilhação e de descrença colectiva, como motivo de orgulho nacional e de reforço de uma auto-estima que se encontra pelas ruas da amargura. E isto justificaria a onda de excitação do país que os media procuraram provocar, deitando mãos a todos os recursos, mesmo que desproporcionados e despropositados!
Não me parece que, apesar de não terem olhado a meios nem a custos, o tenham conseguido. Não me parece que, apesar dos esforços, tenham sido bem sucedidos nessa tarefa de pôr o país em festa.
Porque a crise e o desespero tomaram mesmo conta dos portugueses. Mas também porque o cariz regionalista a que entregaram a tarefa (como referi abaixo o lema da Antena 1 era que “a Irlanda é do Norte”, mas houve muitas mais expressões dessa arregimentada divisão regionalista) era em si mesmo paradoxal, se não mesmo inimigo desse desiderato nacionalista.
E na realidade esta final portuguesa teve muito pouco de portuguesa e muito menos ainda de portugalidade. Não tanto pela constituição das duas equipas portuguesas (e do Norte!), com apenas três portugueses cada à entrada (à saída eram ainda menos), que isso não acontece apenas em Portugal, mas pela falta de expressão portuguesa! Na festa, claro! E, essa, fizeram-na os jogadores do Porto, naturalmente… Com os estrangeiros – a enorme maioria, como vimos – embrulhados nas suas bandeiras nacionais. E até, pasme-se, com um dos seus únicos três portugueses em campo, e jogador da selecção nacional, embrulhado na bandeira de Cabo Verde. Bandeira nacional foi coisa que se não viu ontem naquela final portuguesa, de repetição absolutamente improvável. O próprio Falcao, melhor marcador da prova, marcador do único golo da partida e, talvez por isso, na linha habitual da UEFA, distinguido como o melhor jogador da final, que temos visto fazer um notável esforço em Portugal para se expressar em português, respondeu a todas as solicitações em castelhano, sem se lembrar que estava a falar para Portugal e para portugueses.
O cabo-verdiano Rolando falou em português: mas para dizer que se queria ir embora, que tinha aspirações a jogar num clube de maior dimensão! Paradoxos: somos um país de paradoxos!
Há 10 anos
Acaba de chegar ao fim um dia que não existiu. Este dia não existiu, apenas existiu um jogo de futebol.
Ao longo do dia não ouvi nada que não viesse de Dublin: eram programações directas, com dezenas de profissionais lá instalados – não estou a falar dos que estavam afectos ao relato do jogo e às infindáveis narrativas do antes, do durante e do depois do jogo – sem que ninguém perceba o que lá estavam a fazer (era engraçado, por exemplo, serem dadas de lá as notícias sobre o trânsito de cá). Eram entrevistas com os que acabavam de chegar ou com quem já lá estava. Interessantíssimas, como se pode imaginar! E eram os inevitáveis prognósticos …
Depois veio o jogo. E os festejos… Os canais de notícias das televisões (do cabo), todos sem excepção, estavam em directo desde Dublin, do Porto ou de Braga. Durante toda a noite: uma hora, duas horas, três horas depois de o jogo ter terminado!
Que, neste dia que não existiu, se tenha ficado a saber que a taxa de desemprego subiu para 12,4%, não teve qualquer importância. Que tenhamos ouvido o responsável por esta catástrofe de 700 mil desempregados – o primeiro-ministro Sócrates, evidentemente – dizer que isso não tem importância nenhuma, que apenas tem a ver com alterações nas regras de cálculo das estatísticas (é curioso que, de repente, o INE foi obrigado a alterar todos os critérios de cálculo de todas as estatísticas, o que diz bem do que andava a ser escondido debaixo do tapete) e que, com a crise internacional, o desemprego subiu em todos os países. E que a solução para isto são as Novas Oportunidades, a nova cassete com que, como ontem aqui se dizia, Sócrates passa agora martelar os ouvidos do país! Como também não importou nada que tenhamos ouvido o secretário de estado da tutela – o inqualificável Valter Lemos – dizer coisas tão absurdas como que a subida da taxa de desemprego está dentro das expectativas e que “o contributo mais significativo foi de pessoas que não estavam à procura de emprego e que agora estão”.
Na realidade nada disto interessou hoje às televisões. Porque nada disto existe, se bem que tudo isto seja triste. E o nosso fado!
Mas como poderia isto ter existido se nem o dia existiu? Como podia isto ser notícia do dia, se nem houve dia, se apenas houve um jogo de futebol numa inédita e gloriosa final portuguesa da Liga Europa? E nada mais… Se, como dizia a nossa rádio pública – que, de armas e bagagens, e à custa dos nossos impostos, se instalou em Dublin – hoje foi dia da Irlanda … do Norte!
terça-feira, 18 de maio de 2021
Negócio da fruta

Continua o desfile de caloteiros - a expressão é do Ricardo Araújo Pereira - na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Novo Banco, na Assembleia da República. Para esta semana está previsto o de Nuno Vasconcellos - o génio dessa mirabolante On Going - em modo virtual. Porque será via internet, e porque ninguém sabe se acontecerá. Até porque, sabe-se, a internet falha muitas vezes.
Depois do outro, que só tinha um palheiro, este só tem uma mota de água. Origens...
Nem só de caloteiros se faz esse desfile. Por lá também continua a desfilar gente dita de boas contas, o que não quer dizer de bons exemplos. Gente idónea para ser governador do Banco de Portugal. O último, Carlos Costa, passou por lá ontem em registo de vendedor de fruta. Do pregão só se percebe a parte em que diz que não tem culpa nenhuma. De nada.
Tudo aconteceu assim porque o cesto tinha fruta podre, e nunca encontraria cliente suficientemente generoso para pagar a fruta toda ao preço da boa. Por isso teve que fazer descontos... Ficava-lhe bem dizer que foi ele quem deixou a fruta podre no cesto, misturada com a boa. E ainda melhor lembrar-se que nos apresentou o cesto como todo ele fruta boa e rijinha. E que isso é aldrabice!
E que, ou é ignorância ou é dolo, desconhecer que não é preciso muito tempo para que a fruta podre comece a apodrecer a boa. Mas ele espera que a gente lhe perdoe. Afinal o negócio dele não é fruta. É bancos.
E como não percebe que a fruta podre contamina a boa, também percebe que aí já não tem desculpa!
Há 10 anos
Pedro Passos Coelho e Francisco Louçã protagonizaram o melhor dos debates televisivos desta pré-campanha: cordato, educado, sem crispação e com verdadeiro debate de ideias, de muitas ideias. Com Louçã regressado ao seu melhor e com Passos Coelho a deixar melhores perspectivas para o decisivo debate de sexta-feira com Sócrates.
A cereja no topo do bolo surgiria, no entanto, no pós debate: Passos, naquela flash interview à saída do estúdio, declarou-se indisponível para formar governo na condição de não ganhador deste pleito eleitoral. E mais, disse que o PSD tinha a obrigação de ganhar as eleições!
Isto é clareza! É saudável e indispensável clareza!
PPC já dissera que não governaria com Sócrates. Diz agora, concordando com a posição de Sócrates no que respeita à tradição portuguesa, que quem ganha as eleições deve formar governo. Mas diz ainda que tem a obrigação de ganhar as eleições. E assim deixa tudo claro, o que bem contrasta com Sócrates, que aposta em tudo menos na clareza.
Dir-se-á que PPC aposta no tudo ou nada. Sim! É verdade! A clareza também é isso.
Mas na verdade nem tem nada a perder nem poderia fazer de outra forma: PPC sabe que não tem partido desde que não vença as eleições. Portanto não valeria a pena poupar fichas, teria de as colocar todas na mesa!
segunda-feira, 17 de maio de 2021
Diniz de Almeida (1944-2021) no palco central da Revolução

Os militares de Abril vão partindo. Não morrem, já que o seu "acto valoroso da lei da morte" os libertou para sempre (Camões). Permanecem vivos na nossa memória enquanto nós, que dessa lei nos não libertamos, por cá formos ficando.
São já muitos os que partiram. Ontem chegou a vez Eduardo Diniz de Almeida, um dos mais marcantes rostos da Revolução de Abril. Capitão e um dos mais relevantes operacionais do 25 de Abril viria, como comandante do RAL 1, depois RALIS, a tornar-se numa das "estrelas" da Revolução. Foi dele, com 30 anos e cara de miúdo, o papel principal no 11 de Março de 1975, desencadeado com o ataque dos para-quedistas, imortalizado na histórica reportagem do Adelino Gomes.
Transformou o RALIS no quartel general da Revolução. Foi aí que, pela primeira - e única - vez, soldados protagonizaram um juramento de bandeira revolucionário, de braço estendido e punho cerrado, jurando pela pátria, mas prometendo estar "sempre, sempre" ao lado do povo e da classe operária, "pela democracia e poder para o povo, pela vitória da revolução socialista". Ali se deslocaram grandes figuras da intelectualidade europeia, como Jean Paul Sartre e Serge July, para assistir à revolução por dentro.
Acabaria detido em 26 de Novembro, no dia seguinte ao que com tudo acabou. E ainda hoje custa a acreditar como tanto aconteceu em apenas 8 meses. Tantos quanto durou a presença de Diniz de Almeida num dos palcos centrais da revolução portuguesa.
Há 10 anos
Sócrates continua a reclamar uma nova oportunidade, convencido que está – no seu já crónico divórcio da realidade – que a merecerá. Não só não a merece como nem sequer tem legitimidade para a pedir!
Ontem, no debate com Jerónimo de Sousa - um debate onde teve entrada de leão e saída de sendeiro -, talvez na única resposta objectiva e directa a uma pergunta da Clara de Sousa, disse que a tradição política em Portugal manda que o Presidente encarregue o partido mais votado de formar governo. A pergunta era se admitia que, ganhando as eleições, mas com uma maioria parlamentar do PSD e do CDS, o presidente entregasse a governação àqueles dois partidos.
Aquela resposta diz que não! De forma alguma ele aceitará ficar de fora do governo se ganhar as eleições, colocando o que chama de tradição política acima da Constituição. Que, como se sabe, diz que o presidente indigita para formar governo depois de ouvidos os partidos e tendo em consideração os resultados eleitorais. Sócrates não vê como lhe possam negar uma nova oportunidade!
Como hoje foi tema do dia, as Novas Oportunidades – essa coisa a que Sócrates lançou mão para artificialmente melhorar as estatísticas da qualificação dos portugueses – estão a ser utilizadas para lhe dar uma ajuda na sua nova oportunidade. Parece que se trocam diplomas por votos… Se para Sócrates todos os meios servem para sacar dos portugueses uma nova oportunidade, como é que poderiam aí faltar as Novas Oportunidades? Novas Oportunidades que, tivesse ele tido a oportunidade de as lançar uns anos antes, e bem úteis lhe teriam sido... Parece que estou a vê-lo chegar com os projectos daquelas moradias (lembram-se?) debaixo do braço a um CNO qualquer e a receber em troca um diploma de engenheiro civil. Bem, seria mais pacífico que o outro… e teria até evitado a chatice do tal inglês técnico feito ao domingo!
Depois de todo este esforço para que os portugueses lhe dêem mais uma nova oportunidade como é que poderiam ser o presidente e a Constituição a retirar-lha?
Se já tínhamos todas as razões para não votar Sócrates agora temos mais uma: não lhe dar nova oportunidade de se aproveitar das Novas Oportunidades. Nem de pressionar o presidente que, como bem sabemos, reage mal à pressão! Nunca sabemos o que de lá vem quando lhe apertam os calos…
Uma coisa é certa: as Novas Oportunidades chegaram à campanha. E vieram para ficar! Para já é um debate especial no parlamento. E na sexta-feira lá estarão no debate, bem no centro!
domingo, 16 de maio de 2021
Há 10 anos
Dominique Strauss Kahn (DSK) teve azar: numa altura em que a sua primeira preocupação devia ainda ser Portugal tinha logo de viajar para os Estados Unidos! Tivesse ele vindo para Portugal e poderia perfeitamente dar larga às suas – pelos vistos famosas e conhecidas - taras sexuais sem que nada se passasse.
Não seria, evidentemente, detido. A senhora não teria apresentado queixa. Nem isso lhe passaria pela cabeça, mas, se passasse, toda a gente facilmente a convenceria a mudar de ideias: contavam-lhe, por exemplo, este caso, ou ainda este, e rapidamente a senhora percebia que não ganhava nada com o assunto. Que seria ela a sair mal! Ninguém iria acreditar que não fora ela a leviana que, com um sexagenário rico (numa suite de dois mil euros por noite, só podia!) e poderoso (só podia, com o que temos ouvido do FMI e sendo o homem que tinha salvo Portugal - coisa que, como bem se percebe, só está ao alcance de gente com muito poder) ali à mão, se mandara ao homem, coitado!
Não só nunca teria visto o seu futuro político ir por água abaixo, como veria mesmo a sua candidatura presidencial do próximo ano sair daqui reforçada … Com os portugueses em geral a renderem-lhe homenagem (este é que é dos nossos, macho latino danado!) e os políticos, em coro, a dizer que aquilo são coisas do foro privado! E ainda valeria uns bons milhares de votos portugueses em França. Que sempre dão jeito!
Bom, mas como DSK não soube escolher, fica pelo menos uma lição para todos os tarados sexuais com aspirações políticas: se sabem que não conseguem resistir a uma empregada de quarto de hotel, a um inesperado cruzamento com um rabo de saia num corredor, ou a um encontro com uma fêmea desprevenida no elevador não se deixem enganar – escolham Portugal!
sábado, 15 de maio de 2021
Um equívoco grande num grande jogo
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Tour de France - V
Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...
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A situação era insustentável. Todos sabiam do que se passava no Conselho de Arbitragem, mas era impossível dar-lhe a volta. Hoje já não é ...
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Mais uma exibição miserável da selecção nacional. Frente á Colômbia, em Miami, no terceiro e último jogo da fase de apuramento, dificilme...
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O Portugal - Uzbequistão, de novo em Houstan, no Texas, mais que relançar a selecção nacional, levou-a do 8 ao 80. Hoje, Portugal é de nov...
