sábado, 31 de agosto de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


O dérbi deu empate, a um golo. Mas nem devia valer que aqueles dois golos valessem a mesma coisa.


Por isso o resultado é injusto. Mas não é só por isso. É também injusto porque o Benfica teve mais oportunidades de golo, foi mais assertivo no jogo e foi melhor que o Sporting durante mais tempo. E quando foi melhor, foi melhor que o Sporting quando foi melhor!


À parte disto tudo parece-me que foi um jogo marcado por um factor muito importante, em tudo na vida, mas particularmente no futebol. Não, não é de sorte que estou a falar. É de confiança!


A confiança que Artur roubou à sua equipa e que simultaneamente deu ao adversário. E a confiança que Jorge Jesus não tem nos jogadores que estão sentados ao seu lado no banco.


Quando tanto se falou das opções de Jesus para a baliza, achando uns que entregar a titularidade a Júlio César seria um risco desnecessário e, outros, que Artur passa rapidamente de herói a vilão, ou que terá mais aptidões para vilão que para herói, o treinador do Benfica optou pela decisão mais confortável, esperando que fosse o número 1 a resolver-lhe o problema. Pena que ao resolver-lhe o problema tenha resolvido também o resultado!


Depois, Jorge Jesus deixou claro que não tem grande confiança nos jogadores que não escala directamente para o onze inicial. Só isso explica que tenha feito uma única substituição, e aos 86 minutos, quando tirou o Talisca para entrar o Derlei.


Mas tem toda a confiança justamente no jogador que substituiu, que insiste em manter como segundo avançado, perdendo uma boa opção para o meio campo para não ganhar um segundo avançado e acabar a perder a única opção a que deita mão: Lima. Talisca é mesmo o mais estranho caso na actual equipa do Benfica. Percebe-se que tem dois grandes atributos: a capacidade de passe à distância, e a altura, fora do comum. Ao usá-lo como segundo avançado perde-se por completo o seu maior atributo técnico, a capacidade de passe, e ao utilizá-lo na marcação das bolas paradas, em especial nos cantos e livres laterais, perde-se a possibilidade de usar a sua elevada estatura. Parece-me, não sei…


O Sporting foi Rui Patrício, que salvou o empate. E Wiliam Carvalho. E não foi Nani, mas pode ser que ainda venha a ser!


E o árbitro tinha de ser o Pedro Proença. Não havia volta a dar, depois do que se vira nas duas primeiras jornadas… Não foi tão mau como de costume, e não foi por ele que o Benfica deixou de ganhar o jogo. Mas, e apenas por exemplo, os dois centrais do Sporting conseguiram chegar ao fim do jogo sem um único amarelo, quando um aos 8 minutos já podia estar com o segundo, e o outro, um armário descomunal, passou o jogo todo a atropelar quem lhe aparecesse à frente.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Fim de linha?


O capitão do Moreirense escolheu o campo, neste Moreirense - Benfica, que inaugurou a quarta jornada deste campeonato. O Benfica ficou com a saída de bola, e não a largou durante três minutos, empurrando o adversário  para junto da baliza. Quando a perdeu o Moreirense saiu de imediato para a frente, e criou a primeira ocasião para marcar. E só o não conseguiu porque o avançado deu um toque a mais na bola e adiantou-a a ponto de Trubin a poder recolher com alguma tranquilidade.


Estava dado o mote do jogo: o Benfica com bola, em cima da área adversária, e o Moreirense a contra-atacar a toda a velocidade logo que a recuperava. E não havia novidade. Tem sido assim!


Há muito tempo que é assim. Sem alas rápidos e desequilibradores (apenas Di Maria faz alguma coisa parecida), sem criatividade, sem ideias, sem rotinas e, agora, sem Rafa para as transições rápidas, que no ano passado resolviam a maior parte dos problemas, o Benfica não consegue outra coisa que não seja jogar para o lado e para trás.


Na primeira parte o Benfica teve a bola em quase 70% do tempo. E no entanto não criou uma única oportunidade de golo. Nem por uma única vez a bola chegou a Pavlidis em condições. Nesse entretanto o Moreirense teve esse primeiro lance, obrigou Trubin a uma boa defesa e marcou um golo, já em cima do intervalo, que viria - e bem - a ser anulado pelo VAR, por falta (pisadela no Barreiros) do marcador no início da jogada.


Ao intervalo Schmidt deixou Florentino (amarelado) no balneário - substituiu-o por Renato Sanches -, desfez a dupla de médios defensivos de que faz imagem de marca, e o Benfica conseguiu uns minutos de um mínimo de qualidade aceitável. Durou o primeiro quarto de hora, resultou em duas oportunidades de golo, ambas desperdiçadas, e acabou. A última meia hora foi tão má quanto toda a primeira parte. E no mesmo registo de uma equipa desmotivada, sem atitude, desorganizada e perdida em campo.


Ainda assim o Moreirense não conseguiu tantas saídas como na primeira parte. Assustou com um remate de cabeça de Maracás, na sequência de um livre lateral, logo que se fechou esse primeiro quarto de hora. E chegou ao golo mais de 20 minutos depois, e já perto dos 90, depois de um passe defeituoso de Carreras, em mais uma transição falhada, que acabou num remate que desviou na perna de António Silva, enganando Trubin.


As pernas dos adversários servem evitar que a bola entre na sua baliza. As dos jogadores do Benfica servem exactamente para o contrário - para a encaminhar para a própria baliza.


Pelo momento do jogo, e pelo que (não) havia jogado, a segunda derrota, ao segundo jogo fora de casa, era praticamente inevitável. Só não foi porque já a meio dos 6 minutos de compensação surgiu um penálti, que Marcos Leonardo (entrara para substituir Prestianni) converteu no golo do empate.


Na véspera do clássico de amanhã em Alvalade, o Benfica deita fora o quinto ponto, em quatro jogos. Se nada for feito, agora que o campeonato é interrompido pelo calendário das selecções, a distância para os dois rivais não vai parar de aumentar. E a participação na Champions será um suplício. É que continuar a fazer as mesmas coisas, e esperar resultados diferentes, é insanidade. Nem é preciso ser Einstein a dizê-lo!

Há 10 anos

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A entrevista de Judite de Sousa a Cristiano Ronaldo foi, sem qualquer dúvida, o acontecimento televisivo da semana. E mais um grande êxito para a TVI!


O entrevistado é garantia de sucesso de audiências, sem dúvida, mas a entrevistadora, neste momento, não o seria menos. O regresso de Judite de Sousa aos ecrãs, depois do drama pessoal por que passou, e que encheu páginas e páginas das revistas que vivem da exploração sem limites de tudo o que envolva figuras públicas – quanto mais públicas, e quanto mais extremas as circunstâncias que as envolvam, melhor – seria sempre um grande sucesso de audiências. Estou convencido que o entrevistado passaria sempre para segundo plano, fosse quem fosse. Não tenho grandes dúvidas que o sucesso de audiências seria igualmente garantido se o regresso acontecesse nas conversas de domingo com Marcelo Rebelo de Sousa. As pessoas queriam vê-la e ouvi-la – como está vestida, como se apresenta, se está abatida, se a voz lhe treme… – a ela, o entrevistado viria a seguir.


Só que Cristiano Ronaldo não é uma figura qualquer. É, na circunstância, uma vedeta de primeira grandeza mundial e acrescentaria sempre mais que qualquer outro entrevistado. Nestas circunstâncias, juntar à entrevistadora Judite de Sousa o entrevistado Cristiano Ronaldo era simplesmente a combinação perfeita. Uma combinação que, confesso, me surpreendeu.


Ouvi hoje dizer que foi o próprio Cristiano Ronaldo que, virando as coisas do avesso, tratou de procurar a jornalista da TVI e de se lhe oferecer para este regresso … e isso já não me surpreendeu nada.


Acredito que assim tenha sido. Não vejo, de resto, melhor razão para esta combinação perfeita!


Mais que a entrevista, e mais que alguns pormenores de biblioteca, nada inocentes – porque com o valor comercial da imagem de CR7 ninguém brinca, é tudo a sério –, o que mais me impressiona é esta capacidade que Cristiano Ronaldo tem para engrandecer a sua dimensão.


Não é apenas o melhor jogador do mundo. É muito mais que isso! 

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Esta seita é duma pobreza criativa confrangedora. Não conseguem ter imaginação para mais, então põem os jornais todos a anunciar aumentos de impostos no orçamento rectificativo para, depois, a notícia ser que não aumentaram os impostos!


O CDS vem e diz, alto e bom som, que não houve aumento de impostos, com aquela cara de quem, baixinho e de indicador espetado em direcção ao esterno, diz: fomos nós, fomos nós… se não fôssemos nós eles tinham aumentado os impostos. O PSD não lhe fica atrás e, pela voz de um Marco António triunfante, como se acabadinho de chegar de mais uma vitoriosa campanha de conquistas do império, ficamos a saber que há uma muito boa notícia: “não há aumento de impostos”!


Uma vez ainda teria graça, e até se poderia dizer que havia ali alguma imaginação. Agora, assim, tão repetido… E sem se rirem...


Que pobreza!

Há 10 anos

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Ao Benfica, no sorteio dos grupos da Champions, não saiu a fava. Sairam as favas todas!


No pote 1, como o Porto -não deixa de ser curioso que, no pote dos mais fortes nos critérios da UEFA, com apenas quatro países representados, Portugal tenha dois clubes, tantos quanto a Inglaterra, menos um que Espanha e mais um que a Alemanha - o Benfica não foi feliz, ao contrário do Porto, e especialmente do Sporting, que integrava o pote 3, e a quem, do pote 1 saiu em sorte o Chelsea.


Do pote 2 saiu o Zénite para o Benfica, o Shakhtar Donetsk ao Porto e o Schalke 04 ao Sporting. Do pote 3, do Sporting, saiu o Bayer Leverkusen ao Benfica e o Athletic Bilbao ao Porto. E do pote 4, dos mais fracos de todos, saiu o Mónaco - que só lá podia estar por engano - ao Benfica, enquanto a Porto e Sporting saíam duas das pêras doces do pote, respectivamente o Bate Borisov e o Maribor.


O grupo do Porto é talvez o mais acessível de todos, e em dúvida está apenas quem o acompanhará no apuramento para os oitavos. É apenas por falta de história que o Sporting poderá não ter a obrigação de acompanhar o Chelsea, de Mourinho, no apuramento. Mas até por isso, por ausência de pressão, tem a vida facilitada e mesmo que tudo lhe corra muito mal tem garantida a presença na Liga Europa. Já no grupo do Benfica qualquer uma das qautro equipas pode aspirar ao apuramento. Mas toda a gente sabe do poderio do milionário Zenite de Vilas Boas, este ano ainda mais reforçado e cheio de jogadores que nos últimos anos brilharam no Benfica - Witsel, Javi Garcia e Garay. Ou do igualmente milionário Mónaco, de Leonardo Jardim, já desfalcado de James Rodriguez, mas reforçado pelo regresso de Falcão e ... por Bernardo Silva. E o Bayer Leverkusen é apenas, actualmente, a segunda melhor equipa alemã!


Quer dizer, os pontos que valem milhões estão muito caros para o Benfica e ao preço da uva mijona para o Porto... Mas parece que os jogadores também!

O poder não é apenas afrodisíaco

Mau e incorrigível": Maria Luís Albuquerque arrasa OE2018 mas PSD tem 75  propostas de alteração


Maria Luís Albuquerque - que conhecemos há dez anos, e de quem não nos esquecemos - foi a escolha de Luís Montenegro para a sempre apetecível vaga na Comissão Europeia reservada ao nosso país. Foi o rebuçado de Montenegro ao "passismo" - é a isto que se chama "o cimento" do poder.


O poder não serve só de afrodisíaco, serve acima de tudo para reforçar quem o tem!


 


 

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Há 10 anos

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O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) achou que tinha finalmente chegado a hora de dar contas da avaliação do desempenho da selecção nacional no Mundial do Brasil. Dois meses depois!


A conclusão foi óbvia, e tem seguramente a vantagem de pôr toda a gente de acordo: incompetência, disse ele. A péssima prestação da selecção nacional foi fruto da incompetência. Incompetência de quem? Incompetência onde?


Isso não interessa nada. Incompetência (ponto).


A deslocação aos Estados Unidos foi uma decisão competente. Como Campinas, e o timing de chegada ao Brasil, foi competente. O seleccionador Paulo Bento foi, é e será mais que competente. Tão competente que até lhe foram reforçados os poderes. Foi promovido e deverá ser já o DDT (dono daquilo tudo). Fernando Gomes não pode ser juiz em causa própria, mas é seguramente competente. Tão competente que tinha renovado o contrato milionário do competente seleccionador nacional pouco tempo antes da partida para o Brasil, para que nada lhe faltasse. Nem a tranquilidade, a sua imagem de marca...


Houve portanto incompetência sem que tenha havido incometentes. Houve incompetência, mas não houve agentes dessa incompetência, o que, sendo uma originalidade nacional, já nem sequer é muito original.


Quem não acredita nestas originalidades ainda é levado a pensar que incompetentes foram os jogadores. Mas logo afasta essa ideia quando, sobre eles, nem uma palavra... Fernando Gomes falou de necessidade de renovação, mas isso não é falar de jogadores. E, com toda a certeza, a próxima convocatória de Paulo Bento, que está por dias, será mais do mesmo. Dos mesmos!


Ah! O médico Henrique Jones foi despromovido. Aí está... o incompetente. Bem me parecia!


Gente extraordinária este Fernando Gomes e esta da FPF... 

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Corre sempre tudo bem

Sismo registado ao largo da costa portuguesa sentido em Espanha - Portugal  - Correio da Manhã


Não faltaram reacções ao sismo desta madrugada, de 5,3, 5,4 ou 5,9 na escala de Richter. Intensidades para todos os gostos (Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Serviço Geológico dos Estados Unidos, ou Centro de Sismologia Euro-Mediterrânico), como as reacções. Também para todos os gostos.


Para o meu, a que mais apreciei, foi a do Paulo Rangel, o MNE nas vezes de Primeiro Ministro, que o próprio está de férias. Disse ele que o sismo foi um "teste real às nossas capacidades". Que correu muito bem ... porque não foi preciso fazer nada. Só haveria qualquer coisa a accionar se a intensidade fosse superior a 6,1


Então é assim: há um sismo daqueles em que não é preciso fazer nada, e por isso nada foi feito. Mas foi um teste e correu bem. 


Ainda bem. É que, na Madeira, o chefe do governo foi para férias em Porto Santo enquanto tudo ardia, para depois vir dizer que tudo tinha corrido bem. Só nos faltava agora que, com o chefe do governo da República de férias, no Brasil, um terramoto no continente não corresse bem.

Sven-Göran Eriksson (1948-2024)

Antigo treinador do SL Benfica, Sven-Göran Eriksson, revela que só lhe  deram mais um ano de vida


Eriksson foi o melhor treinador que me lembro de ter passado pelo Benfica, e um gentleman único. Nunca houve outro assim. Nenhum outro sentiu a maldade e a impunidade como ele - foi na sua segunda passagem pelo Benfica, para quem não se lembra, que o "Far West" e a Sicília entraram na geografia do futebol português. Nem assim, nem nesse futebol sem lei, Erickson alguma vez perdeu a elegância.


É e será para sempre um de nós. Como lhe dissemos há pouco mais de quatro meses quando, felizmente, tivemos a oportunidade de nos despedir dele.

domingo, 25 de agosto de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


A espécie de polémica criada – ou pelo menos criada de forma tentada – à volta do sintético do Bessa, levou o Petit a apresentar alguns argumentos de defesa: a aprovação com classificação máxima pela FIFA e, o mais relevante, que durante os dois anos que lá jogou como jogador-treinador do Boavista não teve conhecimento de qualquer lesão grave.


Pareceu premonitório. Bastou que por lá passasse Ruben Amorim… O azarado jogador do Benfica, a quem as sucessivas lesões cortaram certamente as asas de uma carreira de nível mundial, não resistiu mais de meia hora: rotura completa de ligamentos … e mais sete ou oito meses de calvário!


Força Ruben. Vá campeão, já venceste tantas, vence mais esta… por nós e por ti!

Há 10 anos

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O governo está reunido, dizem que à volta do orçamento rectificativo, o segundo do ano.


Os jornais anunciavam novo aumento do IVA, agora subindo a taxa máxima para 24%. A notícia foi ganhando vida, e a decisão seria tomada no conselho de ministros extraordinário de hoje.


O CDS, sempre a querer fazer-se passar pelo governo bom, é contra. Mas também se sabe que para Portas já não há linhas vermelhas… Passos não se importa muito de ser a cara do governo mau, convencido que isso facilmente se converte na cara de mau do governo que, bem trabalhada, com muito fotoshop, até dá para ficar bem na fotografia. E lá vai dizendo que por agora não há nenhum aumento de impostos, mas que para o ano não pode prometer nada…


Saia o que sair, a culpa será sempre do Tribunal Constitucional. Que, já descontando a interrupção no corte de salários, a despesa continue a subir, como ontem se ficou a saber, não é da conta do governo. Nem do bom, nem do mau. E que isso decorra do descontrolo nos gastos de funcionamento dos ministérios é pormenor que não interessa para nada…


Por exemplo, os jornais ainda ontem davam conta da despesa de um milhão de euros na frota de automóveis para os chefes de gabinete ... do governo bom e do governo mau. Mas isso certamente que já tinha dotação orçamental!

sábado, 24 de agosto de 2024

Na mesma, como a lesma!


À terceira jornada - e segunda consecutiva em casa - tudo continua na mesma no Benfica. A casa continua a encher - perto de 60 mil novamente na Luz -, os adeptos, já sem João Mário para assobiarem, continuam a assobiar o treinador, e a equipa, mais que continuar a não empolgar, continua longe do futebol que tem a obrigação de apresentar, e longe de exibições e resultados que lhe tragam, a ela própria, e às bancadas, a crença e a tranquilidade.


O Estrela da Amadora, que há cinco dias, no último jogo, levou um "banho de bola" do Famalicão, e perdeu em casa por 3-0, pareceu hoje, na Luz, uma equipa intransponível, de jogadores com três pernas e dois metros e meio de altura. Ora, teremos todos uma enorme dificuldade em achar que isto seja mérito próprio. 


O Benfica não jogou mal. Já o disse noutras ocasiões que não é frequente jogar mesmo mal. Os jogadores correm, e não se negam a esforços. Nem são toscos, é evidente a sua qualidade individual. Só que isso não basta. Apenas com isso encontrarão sempre uma perna a mais à frente da bola na hora do remate, um pé a mais a interceptar o último passe ou o cruzamento decisivo. As cabeças dos adversários chegarão sempre mais alto e primeiro às bolas cruzadas. Sem dinâmicas instaladas, sem rotinas estabelecidas, sem estratégias acertadas, os adversários têm sempre jogadores com três pernas e dois metros e meio de altura. Os jogos nunca estão controlados, nem os adversários realmente dominados. 


Não jogar mal não é jogar bem, como diz Roger Schmidt no final de cada jogo. Tal como o problema, como quis fazer crer no final deste, também não é apenas a finalização.


Hoje o golo (Kokçu - o melhor em campo -, assistido por Pavlidis) até surgiu relativamente cedo, ainda antes do meio da primeira parte. Mas nem isso mudou nada, e as bancadas permaneceram inquietadas até ao fim do jogo, até com a sensação que, se o Brígido não tivesse dado aquele meio frango, o Benfica não teria conseguido ganhar o jogo.


Uma nota para as lesões de Aursenes (uma lesão muscular, mais uma, agora num jogador que jogava sempre, e em todo o lado) e de Tiago Gouveia. Não são também boas notícias. E outra para a estreia de Renato Sanches, que também não é boa notícia. Poderá vir a ser o transportador de bola que a equipa precisa, mas hoje percebeu-se que isso está ainda muito longe. Em tempo e em peso.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Há 10 anos

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A primeira intervenção pública de Passos Coelho, depois do Pontal, fez ontem uma semana, confirmou o acentuar do rumo populista para que apontou a agulha de final de mandato, virado para as eleições que aí vêm. Está lançado o mote!


Há pouco, em Valpaços, numas daquelas inaugurações que vêm mesmo a calhar, e que só servem mesmo para isso, enchia o seu discurso com conversa de igualdade de oportunidades e de tratamento.


Dizia que o Estado tem que olhar para todos de igual forma, sem previlégios sempre para os mesmos. E que os bancos não podem apoiar os conhecidos em desfavor dos que ninguém conhece... Que têm que olhar é para as ideias e para os projectos, e não para quem os apresenta. 


Pois... Quem diz isto não é só o chefe do governo que mais acentuou a desigualdade em Portugal, que mais retirou ao mais pobres, desde apoios sociais a serviços básicos, que mais favoreceu as grandes empresas e mais penalizou as pequenas...  Que num dia agradece a pipa de massa a Durão Barroso e no outro lhe coloca o filho no Banco de Portugal... É, para lá de tudo isso, ainda o tipo que na Tecnoforma abria as portas todas... 


 

Esclarecedor

Trump ou Kamala? Hugo Soares diz que “teria muita dificuldade” em escolher  - Expresso


No dia em que Kamala Harris - no encerramento da convenção democrata, em Chicago - fez um discurso de aceitação verdadeiramente histórico, ficamos a saber que o Secretário-Geral do do PSD, líder da bancada parlamentar, e braço direito de Luís Montenegro, tem muitas dúvidas em escolher entre Donald Trump e Kamala Harris.


Agradecemos o esclarecimento.


 

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Há uma certa dificuldade em perceber por que é que os activos do BES, estejam eles no banco bom (bom para quem? – é a pergunta que se começa a fazer) ou no mau, haverão de ser vendidos em saldo. Ou, pior ainda, sem total transparência...


Depois da OPA manhosa dos mexicanos da Angeles sobre o negócio da saúde, agora é a Tranquilidade a ser entregue aos americanos da Appolo Global Management por 50 milhões de euros.


A continuar assim vai tudo por lindo caminho. Vai...vai!

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Com o BPN foi o que se sabe, por muito que queiram fazê-lo esquecido. Agora com o BES é o que vê: participação directa no embuste, proclamando a almofada financeira. E silêncio absoluto, depois do desastre que, como diz hoje Miguel Cadilhe em entrevista ao Diário Económico, deixou Portugal de luto.


Não há escândalo financeiro em que o Presidente da República não veja o seu nome envolvido. O grupo Espírito Santo, enquanto tal mas também individualmente, foi o grande financiador das suas campanhas... 


Já nem à crítica do seu antigo ministro das finanças, e durante tanto tempo seu fiel escudeiro, escapa: "a elite portuguesa política, empresarial e institucional está toda posta em causa”. Como em causa estão "o regime e a estrutura da República, as instituições da República”. Sempre com a conivência de Cavaco Silva, permite concluir...

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Já se sabia que o próximo seria o Montepio, como também já toda a gente reparou que a informação solta que vai caindo aqui e ali, não passa de preparação da opinião pública para mais um escândalo. Começou com os 150 milhões enterrados no GES, e logo a seguir com a auditoria forense...


Também já se sabia que eles são todos iguais, repetem todos as mesmas coisas. Mas já deviam saber que, se há hoje frases proibidas, a dos clientes podem estar descansados é a mais proibida de todas. Já toda a gente sabe o que vem a seguir... 


Por exemplo, logo a seguir começa a dizer-se que o banco tem 2 mil milhões de crédito concedido sem garantias. Que até pode nem ser bem assim, mas quando é o mesmo Tomás Correia, logo a seguir, a dizer que é normal e totalmente seguro ter crédito sem garantias, descansados é que os clientes não ficam...


Nem os outros!

Vuelta 2024 - "Fiesta em Portugal"


Créditos: Luis Angel Gomez/SprintCyclingAgency


Aí está a 79ª edição da Vuelta. Aqui está, porque este ano começou em Lisboa, e andou por aqui. Tão por aqui que me passou, ontem, à porta.


Foram três etapas em Portugal, e foi o melhor ciclismo do mundo a passar por cá, em festa. Por todo o lado. Começou no sábado em Lisboa, no prólogo, num contra-relógio de 12 quilómetros, até Oeiras. Passou ontem por aqui, na segunda etapa, de Cascais a Ourém, e acabou hoje em Castelo Branco, na terceira, com partida da Lousã. Ambas com mais de 190 quilómetros.


A caravana parte hoje de Portugal para amanhã prosseguir com a quarta etapa, na Estremadura, com partida de Plasencia (província de Cáceres) e chegada ao Pico de las Villuercas, o pico mais alto da Serra de Guadalupe. Já uma etapa de alta montanha, onde certamente começarão construir-se as primeiras definições do que será esta Vuelta.


Van Aert sai de Portugal de vermelho, depois do terceiro lugar no contra-relógio, e do segundo em Ourém (que lhe valeram o primeiro lugar da geral, e da vitória de hoje em Castelo Branco, a primeira numa grande competição em dois anos, um longo e estranho jejum para o ciclista belga.


O norte-americano Brandon McNulty, colega de João Almeida (10º no prólogo onde, para os favoritos, apenas perdeu para Roglic, por dois segundos) na UAE Team Emirates venceu o contra-relógio. O australiano Kaden Groves (Alpecin-Deceuninck) ganhou em Ourém.


A Vuelta é, das três maiores Voltas do ciclismo mundial, sempre a mais aberta à competição. Este ano, sem qualquer dos três monstros do ciclismo actual - Pogacar, Vingegard e Evenepoel - sê-lo-á mais ainda. Candidatos há muitos, apostas há para todos os gostos, mas ninguém poderá apontar, neste momento, o principal favorito.


Seria um uma surpresa enorme que o vencedor em Madrid não saísse deste grupo de principais candidatos: Sepp Kuss, o americano da Visma, e vencedor no ano passado; João Almeida, o melhor do ano a seguir aos três monstros; Adam Yates, o britânico e seu colega da UAE; Roglic, o esloveno da Red Bull, à procura da sua quarta vitória na Vuelta (três vitórias consecutivas 2019, 2020 e 2021, os seus anos de ouro); o seu colega de equipa, o colombiano Daniel Martinez; Ben O’Connor, o australiano da AG2R; Richard Carapaz, o equatoriano colega de Rui Costa na Education First; Carlos Rodriguez, o espanhol da Ineos; Mikel Landa, também espanhol da Soudal Quick-Step; ou Lennert van Eetvelt, o jovem belga que é apontado como uma estrela em rápida ascensão.


Se nada de anormal acontecer ao longo destas três semanas a nenhum destes 10 ciclistas apostaria que este será o top ten. Claro que nem todos têm a mesma probabilidade de ganhar, uns têm bem mais que outros.


João Almeida estará certamente entre os que têm as maiores. Tem uma boa equipa, e a vantagem de nela não estar Ayuso. Adam Yates também tem aspirações, mas não só não tem o comportamento do jovem espanhol, como deve a João Almeida a vitória na Volta à Suíça. Mas não se sabe o que o brilhante Tour que fez lhe pesa nas pernas nesta altura.


Sep Kuss é entre os candidatos o que tem obrigação de estar mais fresco. Não esteve no Tour, e isso poderá contar. E conta também com uma boa equipa.


Roglic é uma incógnita. Praticamente não participou no Tour, que cedo abandonou por queda. Depois, também, da queda no País Basco. Se as primeiras montanhas lhe não saírem bem poderá ficar obrigado a trabalhar para Daniel Martinez, que agradecerá.


Carapaz terminou o Tour em grande estilo, e as montanhas desta Vuelta são ao seu jeito.


Mikel Landa e Carlos Rodriguez são espanhóis. E em Espanha isso conta.


Depois destes dias de festa do ciclismo, esta Vuelta seria mesmo a "fiesta" de Portugal se fosse a da primeira vitória do João Almeida. Que isto não lhe pese sobre os ombros. Nas pernas e na cabeça sabemos que não!

domingo, 18 de agosto de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Se bem me lembro (saravá grande Vitorino Nemésio!) tudo isto começou com a crise do sub-prime, nos Estados Unidos. Que foi uma coisa que teve a ver com a bolha imobiliária, que levou o mercado a vender casas a quem não as podia comprar, e os mercados financeiros a esfregar as mãos com a oportunidade de enganar muita gente durante muito tempo, através de produtos financeiros cada vez mais complexos que tinham simplesmente na origem esse crédito concedido a quem nunca o poderia pagar. Depois, sabe-se como foi: começou tudo a cair que nem um baralho de cartas, faliu o Lehman Brothers e a coisa espalhou-se pelo mundo mais rapidamente que o ébola…  


Vieram as crises das dívidas soberanas, a crise do euro e, para cá, a troika e o Passos. Mas por que é que estarei a ir agora desenterrar isto, perguntará o leitor. Não o vou deixar mais tempo na expectativa…


É porque, por cá, não houve nenhuma crise de sub-prime, nem exactamente bolha imobiliária, apesar de lá ter andado perto. E no entanto, percebemos agora, a banca não deixou de, passados estes anos todos, ficar também encharcada em produtos tóxicos. Só que em vez de terem origem em crédito a maltrapilhas têm-na em crédito aos mais ricos de todos. Em vez de resultarem de imparidades de quem não pode pagar, resultam de imparidades de quem não quer pagar!


Por isso faliu agora o nosso Lehman Brothers, arrastando consigo dezenas de milhares de milhões de euros roubados à economia, muitas empresas e até, sabe-se lá, outros bancos. Mas, como se tudo isto não fosse já suficientemente grave, ainda vai sobrar agora o nosso sub-prime.


Não porque tenhamos tido de regresso qualquer bolha imobiliária – coitada da indústria, que já leva longos anos de agonia. Nem porque a banca tenha desatado a abrir os cordões à bolsa para crédito imobiliário, longe vão esses anos. Apenas e só em resultado da revolução fundamentalista que Passos Coelho determinadamente levou a cabo no país, uma espécie de lavagem de alma, de purificação dos portugueses mergulhados no pecado capital de viverem acima das suas possibilidades, que ficará conhecido como o maior processo de empobrecimento alguma vez imposto a um povo.


A vasta carteira de crédito à habitação da banca portuguesa é hoje um imenso sub-prime. O mercado imobiliário caiu mais de 50% e as casas objecto de crédito valem hoje, em muitas das vezes, menos de metade do valor em crédito. E os devedores, que á data da contratação do crédito tinham rendimentos que garantiam a sua sustentabilidade, estão hoje desempregados ou com cortes de 30 ou 40% no rendimento.


Quer dizer, depois destes anos todos, voltamos ao início de tudo! 

Alain Delon (1935-2024)

Le samourai


A lenda do cinema francês.

sábado, 17 de agosto de 2024

Substituições: resolveram ou adiaram?

Benfica-Casa Pia (EPA)


Cheguei bem mais cedo ao Estádio que o habitual, faltava pouco menos de uma hora para o início do jogo. Estava pouca gente, visivelmente menos de 10% da capacidade, quando foi pela primeira vez anunciado o onze inicial. Ao nome de João Mário saíram das bancadas uns mal notados assobios, logo apagados quando o "speaker" prosseguiu. A ordem era a numérica, e o 20 era logo o quinto. No fim, ao rematar com "e o nosso treinador é ...", os assobios daqueles cinco ou seis mil pareceram de quase 60 mil, que menos de uma hora depois enchiam as bancadas da Luz. Sem grande diferença dos que se ouviram à saída para o intervalo. Ou nas substituições, aos 65 minutos, quando foi anunciada a saída de Prestiani, um dos poucos jogadores com prestação aceitável para aqueles 60 mil.


Se dúvidas existissem sobre o ambiente de hostilidade a Roger Schmidt ficaram logo esclarecidas. O "speaker" teve o bom senso de não voltar a referir o seu nome, e as bancadas - visivelmente com muitos emigrantes, alguns deles com a infelicidade de ter a claque por vizinhança, o que quer dizer petardos, bombas e desacatos - quiseram poupar os jogadores (à excepção, mais uma vez, de João Mário) ao seu desagrado com aquele futebol. Pobre, cristalizado no passe para o lado e para trás na zona central do terreno.


Sem largura, sem alas e sem profundidade. Com dois médios centro - Florentino e Barreiro - de tracção traseira, e mais dois a fazerem de alas, que não são. Quatro, portanto. Como Prestiani também anda por ali, atrás de Pavlidis, a fazer de 10, é meia equipa que fica ali emperrada.


São os laterais que dão abertura, pensará Schmidt. Mas não dão, como se viu. Nunca vão à linha de fundo, e não criam desequilíbrios. Bah nunca o fez durante toda a primeira parte. Beste ficou logo de início fora de combate, com uma lesão muscular, justamente quando corria para uma solicitação pelo corredor. Entrou Carreras, que acabou por mexer mais com o jogo.


A equipa não funciona, como toda a gente vê. O primeiro remate do Benfica surgiu apenas aos 26 minutos, obra de João Mário e objecto de uma boa defesa do guarda-redes Patrick Sequeira. Passou-se a primeira parte nisto, com o Casa Pia a ir assustando aqui e ali, como aos 37 minutos, com Obeng a ter a possibilidade de marcar, depois de um bom cruzamento de Larrazabal.


Ao intervalo a equipa partiu para o balneário sob gigantesca assobiadela. De lá regressou na mesma, sem uma alteração, apenas mais mexida, muito por obra de Carreras e Prestiani, o único a continuar a tentar agitar o futebol da equipa. O tempo passava, e percebia-se que não seria assim que o Benfica conseguiria ganhar o jogo a um adversário muito fraco, que defendia com nove jogadores, queimava tempo e enervava ainda mais as bancadas.


É então que Schmidt faz algo de realmente raro: três substituições de uma vez, a vinte e cinco minutos do fim!


Retirou os redundantes Barreiro e João Mário, e Prestiani, o jogador que mais queimado estará a ser por esta estranha obsessão de Schmidt por quatro médios-centro. Entraram Tiago Gouveia, para a ala esquerda, Kokçu para a construção, e Marcus Leonardo para se aproximar de Pavlidis, a permitir-lhe dedicar-se a procurar espaços e bola. E o jogo mudou finalmente!


Cinco minutos depois da substituição já Tiago Gouveia assistia para o golo de Pavlidis, na primeira explosão da Luz (as outras daquela rapaziada do topo que gosta mais de pirotecnia que de futebol não entram nestas contas). Dez minutos depois era o próprio Tiago - naturalmente o homem do jogo - a marcar, numa jogada onde fez tudo: recuperou a bola, atravessou com ela meio campo, tabelou com Aursenes e marcou. E mais dez minutos depois, já em cima dos 90, Aursenes, depois de um grande passe de Kokçu, fez o terceiro.


Schmidt salvou-se nas substituições. Falta saber se é uma verdadeira salvação, ou se apenas resistência fortuita a uma condenação inevitável. Falta saber se percebeu o que mudou aos 65 minutos.


Se calhar não percebeu. Como também não terá percebido que a última substituição, que reservou para os 87 minutos para fazer entrar Otamendi e sair Tomás Araújo, depois do Renato Sanches ter passado, por duas vezes, largos minutos em aquecimento, não cai bem. Se havia algum sentido em lançar alguém para jogar 3 minutos, naquelas circunstâncias, teria de ser Renato Sanches. Mas Schmidt preferiu aproveitar para mandar o Tomás Araújo para o banco, e prestar vassalagem ao capitão.


 

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Aí está o campeonato. O campeonato do regresso do Boavista, agora certamente Boavistinho, que isto já não dá para Boavistões. E também o campeonato da Liga sem patrocínios, bem estampado na monocromia dos painéis expostos na zona das entrevistas rápidas. Preocupante, sem dúvida!


O Benfica contrariou a regra de não entrar a ganhar. Desta vez arrancou com uma vitória que, valendo os mesmos três pontos de qualquer outra, tem o seu quê de especial. Desde logo por quebrar um enguiço que quem assistiu ao início do jogo apostaria estar aí para durar…


Porque o Paços de Ferreira, marcado pelo regresso – com toda a dignidade, é de salientar – de Paulo Fonseca, entrou muito bem, superiorizando-se no meio campo e assegurando a partir daí o controlo do jogo, mas também porque desde logo se percebeu que Cosme Machado estava ali por encomenda. Bem se esforçou para que a tradição se mantivesse, começando por amarelar logo a abrir o Enzo Perez para, pouco depois, inventar um penalti contra o Benfica. Depois, e até ao fim, foi sempre igual a si próprio, ele que é um velho conhecido…


O Benfica não jogou especialmente bem, durante muito tempo faltou-lhe velocidade e dinâmica, com os jogadores muitas vezes sem profundidade. Mas passados os primeiros vinte minutos, em que o Paços foi claramente superior e em que Artur, apostado em vender caro o lugar, segurou o jogo quando defendeu o penalti, e alcançado o golo inaugural numa combinação de excelências – o excelente toque do excelente Gaitan para a excelente desmarcação, com o não menos excelente remate do excelente Maxi (o homem do jogo) –, o Benfica assegurou definitivamente o domínio do jogo.


Os problemas que o jogo pôs, para além dos postos pelo Paços, tiveram a ver com Enzo, que nunca se encontrou com o jogo, o que só por isso não é tão estranho como a sua saída, ainda na primeira parte, e que deverá querer dizer algo de muito parecido com adeus. E com Talisca, que sendo evidentemente jogador, não é um avançado... Por isso Jorge Jesus teve de andar às voltas com aquele meio campo, que só verdadeiramente estabilizou com André Almeida e Rúben Amorim. 


No fim de contas valeram os dois golos da ala direita, porque também o segundo, do Salvio, foi excelente. E valeu que Luisão voltou a mostrar por que é que não pode sair para lado nenhum! 


E parece que afinal, porque saiu quem saiu e virá a sair quem vier ainda a sair, Jara vai mesmo ficar no plantel. E hoje até jogou qualquer coisa... Se o Jesus vier a fazer dele jogador será certamente a cereja no topo do bolo. Não acredito, mas cá estarei para, com todo o gosto, dar a mão à palmatória.

Alternância sem alternativa

No Pontal, Montenegro vestiu-se de PS: seis pistas para uma aproximação (ou takeover)


Ainda não há muito tempo dizia-se que António Costa canibalizara o PSD, que lhe invadira o terreno e o secara com a ocupação do centro. Agora, diz-se o contrário. Montenegro faz o que Costa fez!


Há pouco tempo Montenegro chamava a isso propaganda. Agora copia tudo, e chama-lhe "governar para os portugueses".


Há pouco tempo, Costa fazia tudo para antecipar eleições. Agora, Montenegro faz o mesmo.


Nem se sabe bem quem faz melhor. Fazem o mesmo, e exactamente da mesma forma. 


É alternância, sem dúvida. Não é, também sem qualquer dúvida, alternativa.


Apenas fazem o mesmo - ou até pior - convencendo o pagode que é melhor. E como o conseguem não há alternativa. Apenas alternância! 


 


 

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


A semana que está a terminar marca o regresso dos bombardeamentos americanos ao Iraque. Hoje mesmo, logo depois da meia-noite, os caças-bombardeiros norte-americanos lançaram o maior dos ataques até ao momento contra posições dos jihadistas do Estado Islâmico (EI), depois de umas primeiras notícias que davam conta da estratégia americana de armar os curdos, para lhes entregar as tarefas de combate ao fundamentalismo islâmico a quem os deslumbrados, ignorantes e irresponsáveis Bush, Blair, Asnar e Barroso entregaram o Iraque.


É difícil remediar o irremediável, e  na política externa americana tem sido frequente que a emenda saia pior que o soneto. O próprio Iraque, e Sadam, foram exemplo disso, e da última vez que decidiram armar uns para combater outros deu no que deu no Afeganistão…


Já nada consegue remediar os disparates aventureiros de Bush, o Iraque jamais voltará a ser o tampão que era ao crescimento do jihadismo e o mundo nunca mais será tão seguro como era até 2003, mas seria talvez tempo de aprender alguma coisa com a História.


Por isso, e porque não é bonito mandar limpar aos outros a porcaria que fizemos – mas esse é o lado para os americanos dormem melhor –, é bom que, se forem capazes, resolvam agora o problema, sem voltar a mexer em mais um enxame…

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Não poderei dizer que estou a ouvir o chamado discurso do Pontal de Passos Coelho. Falta-me paciência para isso…


Mas cada vez que olho para a televisão ouço um tipo a falar de coisas que tem para fazer, que estão mal e têm de ser mudadas… Como se não fosse primeiro-ministro há mais de três anos e não estivesse a meses de concluir o mandato. Ou talvez precisamente por isso! 


As rentrées este ano serão assim, a olhar para o ano que vem... À excepção do PS, que não tem rentrée. Não sei se por não terem férias se por, a fazê-la, ter de fazer duas...


Ah... E ouvi falar de maioria silenciosa. Mas deveria ser a brincar, porque já nem o Pontal existe...

Pouco mais para contar

Queda do BES: dez anos depois, o cenário podia repetir-se?


Dez anos depois do "BEScândalo", que aqui temos vindo a recordar, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) divulgou, no início da semana, o respectivo "balanço":


- 7 processos centrais;


- 671 crimes praticados, dos quais 119 imputados a Ricardo Salgado;


- 2 condenações;


- 18 mil milhões de euros de vantagens obtidas na prática dos crimes.


Os prejuízos para a economia nacional não estão apurados, nem poderiam naturalmente ser apurados pelo DCIAP. Tal como os dos "lesados directos", os chamados lesados do BES.


Das duas condenações, uma refere-se a Ricardo Salgado, mas retirada da Operação Marquês, que determinou, em primeira instância, uma pena de prisão de seis anos, agravada para oito depois do recurso para a Relação de Lisboa, e já confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça mas, como se sabe, pendente de execução (pela alegada doença de Alzheimer). A outra a Manuel Pinho,  condenado a 6 anos e 3 meses de prisão em primeira instância, mas em fase de recurso.


Fora deste processo judicial, Ricardo Salgado foi condenado pelo Banco de Portugal e pela CMVM em coimas de cerca de 11 milhões de euros, que continuam por pagar.


Dez anos depois, é isto que há para contar. Tanto tempo com tão pouco!


Daqui a pouco mais tempo haverá mais para contar. Mas pouco mais que prescrições!

terça-feira, 13 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Posso estar enganado, mas creio bem que era mais aguardada a entrevista de Luís Filipe Vieira que a decisão do Tribunal Constitucional, os dois happenings do dia.


E Luís Filipe Vieira não desiludiu, não frustrou as expectativas e foi igual a ele próprio. O que quer dizer que disse o mesmo de sempre – mesmo quando o que há para dizer é diferente – e convenceu os mesmos de sempre, que era aliás o seu objectivo. O tempo se encarregará de o desmentir, mas isso depois já não conta para nada. Porque a memória é sempre curta, e quando o não for é sempre possível um refresh: voltar a tirar o mesmo coelho da cartola!


O entrevistador - Hélder Conduto - foi, como sempre, sério e a entrevista foi profissional, o que tanto o honra a ele como à BTV. A entrevista correu como têm corrido todas as que o presidente do Benfica tem dado a todas as outras estações. O Helder Conduto aceitou as explicações das saídas de Oblak e de Garay, e não questionou a inevitabilidade subjacente. Não perguntou, por exemplo, por que o contrato de Oblak não foi revisto logo no final da época, com a consequente revisão da cláusula de rescisão. Nem por que carga de água, estava tão zangado com o jogador, que elevou à categoria de vilão, e nada incomodado com a atitude do Atlético de Madrid, ao ponto de, quando tinha tanto por onde, lhe não colocar nenhuma dificuldade. Nem se não teria sido um bom negócio para o Benfica renovar atempadamente com o Garay, ou mesmo em última instância no início do ano, então já mesmo que à custa de um salário proibitivo. Mas temporário e perfeitamente justificável... Mas também nunca vi nenhum outro jornalista esmiuçar coisas deste tipo. Ao presidente do Benfica ou a qualquer outro!


O resto é coisa de tempo. De pouco, ou mesmo de muito pouco tempo!

Pesadelo

Trump reaparece no X e anuncia entrevista ao vivo com Elon Musk


Elon Musk, o mais rico do mundo e dono da rede social X, o antigo Twitter - que comprou, e que em tempos banira Trump - entrevistou, ele próprio, o próprio Trump. A coisa não começou lá muito bem - por problemas técnicos decorrentes de um cyberataque, na versão de Musk - mas acabou em missão cumprida: elogios recíprocos,  Musk a "vender" Trump aos mais de 194 milhões de seguidores que tem na sua taberna mal frequentada, e Trump de novo em força de barriga encostada ao balcão.


 

segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Já foi há uns anos – há já seis, o tempo realmente voa – mas todos nos lembramos deste Presidente da República interromper as suas férias na casa da Coelha para se dirigir ao país sobre um tema de alta relevância nacional que, se bem nos lembrarmos, trazia o país em alvoroço: o Estatuto de Autonomia dos Açores. Ninguém se lembra se o país ardia, e provavelmente ardia, tem ardido todos os anos excepto neste (neste momento larguei o teclado e desatei a bater na mesa: lagarto, lagarto, lagarto…) 2014 mal amado pelo Verão. Mas toda a gente se lembra da cara dos portugueses nas ruas, nas praias, nas esplanadas… angustiados com o Estatuto de Autonomia dos Açores!


Lembramo-nos também que, apesar da diligência patriótica de Cavaco, a coisa não ficou melhor depois da comunicação do Presidente, mas isso já é habitual em Cavaco… Deu-se à maçada de interromper as férias mas nem assim nos tranquilizou, antes pelo contrário, avisou como só ele sabe avisar, dos enormes perigos que espreitavam o país a partir dos Açores!


Andávamos todos preocupadíssimos por Cavaco não interromper as férias, nem que por momento fosse, para dizer alguma coisa sobre o BES, cuja saúde cheia de almofadas proclamara ao país uma semana antes do banco estoirar. Já não digo que fosse para pedir desculpas a todos que poderá ter levado ao engano, e que provavelmente fiando-se na sua insuspeitável opinião de Chefe de Estado e acreditando na sua valiosíssima opinião de Professor de Economia, foram comprar acções do banco. Mas ao menos para manifestar a sua preocupação com o desaparecimento de um momento para o outro do maior banco privado, do principal financiador das PME´s. Com o rombo que provoca na economia nacional ou com as consequências disto tudo na confiança. Na confiança dos portugueses nas instituições, mas também da confiança dos investidores, especialmente os internacionais, no país…


Esperamos dias a fio que Cavaco, já que não é possível apanhá-lo a caminho da praia, como sucede com o primeiro-ministro, pelo menos emitisse um comunicadozinho, uma coisinha simples que fosse, nem que fosse para repetir que não vai sair um cêntimo dos bolsos dos portugueses. Mas nada!


Até que hoje Cavaco decidiu mesmo interromper as férias e emitir um comunicado a lamentar a morte de Emídio Rangel e a salientar o seu «largo percurso profissional» e a sua «participação de cidadania».


Nada, evidentemente, contra Emídio Rangel. Que descanse em paz!


Ou deveria ter utilizado o plural?

José Manuel Constantino (1950-2024)

Faleceu José Manuel Constantino • FPA


Era o Presidente do Comité Olímpico de Portugal, desde 2013. Com ele estivemos no Rio, em 2014, em Tóquio, em 2021 e em Paris. Esperou pelo último dia dos Jogos Olímpicos para partir, como se fossem os Jogos a agarrá-lo à vida. A vida apagou-se-lhe com a chama olímpica!


Deixa a imagem de um Senhor. Um Senhor que foi um dos grandes pensadores do desporto em Portugal.

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Maria Luís Albuquerque está, agora no caso da resolução do BES, a repetir a figura que fez no caso dos Swaps. Só que agora mais amadurecida pelo sol do poder e mais confiante pela condição de estrela a que foi levada pelos mesmos do costume. O que simplesmente quer dizer muito mais arrogante. Vou repetir devagarinho: muito mais arrogante…


 

domingo, 11 de agosto de 2024

Sal para cima das feridas


Foi mais do mesmo. A estreia do Benfica no campeonato, em Famalicão, foi mais do mesmíssimo Benfica do campeonato anterior.


Tendo por paralelo a última deslocação a Famalicão, naquele jogo em que o Benfica entregou o título ao Sporting, pode até dizer-se que foi pior. Quando os jogadores adversários têm sempre as melhores soluções para os problemas que o jogo levanta, há qualquer coisa de muito errado.


Os jogadores do Famalicão foram sempre melhores a tapar espaços, ou a abri-los. No passe longo, ou no curto. No drible. Na pressão, onde quer que fosse preciso. E quando os jogadores do Famalicão são melhores que os do Benfica o mundo gira ao contrário.


O Famalicão marcou logo aos 12 minutos, por Sorriso, quando já era visível que o Benfica nunca se entendia com aquela pressão, nem com aquela intensidade. Nunca se entendeu, de resto. 


Com Roger Schmidt a lançar o onze afinado na pré-época - sem olhar a nomes, diríamos ao conhecê-lo - o primeiro remate (João Mário) do Benfica aconteceu aos 58 minutos, à beira da hora de jogo. Quando perdia desde o minuto 12!


Só isso diz tudo. Isso e que apenas num curto período da segunda parte, já depois das substituições, e depois da entrada de Di Maria, quando o Famalicão se deixou empurrar para dentro da sua área, conseguiu - mesmo sem largura no jogo, mesmo sem linha final, sem automatismos e mesmo sem nada que desse certo - duas ou três oportunidades para empatar o jogo. Mas antes de marcar o segundo golo, aos 90 minutos, de novo por um tal Zaydou, como no último jogo, já o Famalicão desperdiçara duas claras oportunidades para marcar, em lances em que fez gato sapato dos adversários.


Poderíamos queixar-nos que o guarda-redes adversário não nos ofereceu um golo. Que nem o árbitro nem o VAR - e bem podia - conseguiram arranjar-nos um penaltizinho. Bastava um, nem era preciso dois. Nem uma expulsão, sequer. O guarda-redes defendeu o pouco que teve para defender, e o Fábio Veríssimo só tinha amarelos para oferecer, a torto e a direito. Mas só temos de nos queixar de uma equipa que não teve nada a ver com o que mostrou nos jogos de pré-época. E de um treinador que dissera que a equipa estava pronta para arrancar o campeonato, e depois não teve explicação para o que aconteceu.


Esta entrada do Benfica não é só a Lei de Murphy. É uma tonelada de sal despejada sobre as feridas da época passada!


 

sábado, 10 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Os que se encarregaram glorificar a resolução do BES, porque eles próprios não acreditavam que fosse uma boa solução, e muito menos a melhor, foram os mesmos que, pouco a pouco, começaram a soltar notícias que deram para perceber que a solução do governo e do Banco de Portugal não era afinal nem do governo nem do Banco de Portugal – era do Banco Central Europeu (BCE).


Sabe-se por isso hoje que, mais uma vez, fomos enganados e que governo e Banco de Portugal andaram afinal a assobiar para o lado, e mais não fizeram do que aquilo que o BCE exactamente mandou. Nada assim de tão estranho, porque não tem sido outra coisa que o governo tem feito: obedecer a ordens do exterior, custe o que custar, e não tomar iniciativa nenhuma!


Mas não se pode deixar de denunciar a hipocrisia que reina no país. Creio não correr grandes riscos de errar se afirmar que nunca na História de Portugal se viveu num clima de tamanha hipocrisia.


Repare-se: O Banco de Portugal apresenta uma solução que, num momento, acaba com a maior marca da banca privada que, poucos dias antes, dava como um banco garantidamente seguro e solvente. Que dois dias antes tinha apresentado resultados catastróficos – que toda a gente entendeu como consequência de uma estratégia ultra defensiva da nova administração, decidida a, olhando fundamentalmente para o seu próprio interesse, criar provisões sobre tudo o que mexesse – mas, ainda assim, com capitais próprios de 3,2 mil milhões de euros. O governo, que criou toda a legislação relâmpago para o efeito, começou por se pôr de lado, como se nada tivesse a ver com aquilo. Só depois de ter colocado todo o exército em acção nas televisões e nos jornais, a preparar o terreno, é que apareceu. Depois da contestação começar a surgir e de se terem começado a pôr a nu as fragilidades da solução, começam a soltar-se informações para sacudir a água do capote e salpicar o BCE. Que na comunicação de Carlos Costa ao país, fez ontem uma semana, tinha apenas cortado o crédito ao BES e, com isso, obrigado o Banco de Portugal à solução anunciada. Quando, uma semana depois, ontem mesmo, se vem a ter conhecimento que, de acordo com a Acta da reunião desse mesmo dia do Conselho de Administração do Banco de Portugal, o BCE tinha ainda obrigado o BES a devolver os 10 mil milhões de euros de crédito concedido, e que isso tinha obrigado o banco central a entregar ao BES, quer dizer, a meter no buraco 3,5 mil milhões. Acta que é divulgada por uma sociedade de advogados!


Para compôr este inacreditável ramalhete, Marcelo Rebelo de Sousa dizia ontem, na sua tribuna dominical, que a inside information - cuja suspeita se levantou aqui desde a primeira hora - teria origem nas instituições europeias...


Não há memória de tanta hipocrisia e de tanta aldrabice. Mas também de tanta incompetência!

Balanço fechado. Ou por abrir?

Ciclistas Iúri Leitão e Rui Oliveira conquistam medalha de ouro em Madison Foto: José Sena Goulão/Lusa


Os Jogos Olímpicos só acabam amanhã, mas o balanço da participação portuguesa já ficou hoje fechado. E com chave de ouro!


Depois do bronze de Patrícia Sampaio, no judo, logo no início dos Jogos, da prata de Iuri Leitão (com lição de desportivismo) no ciclismo de pista (no Omnium), anteontem, e da prata de Pedro Pichardo, ontem, a 2 centímetros do ouro, hoje o hino nacional ouviu-se finalmente em Paris


Esperava-se - com tudo o que de contingencial marca as competições olímpicas - que o ouro pudesse ter chegado ontem, com Pedro Pichardo a entrar na curtíssima lista dos atletas com duas medalhas de ouro em dois Jogos consecutivos. Ou hoje, com o super campeão Fernando Pimenta que, apesar de tudo ter feito para a conseguir, não conseguiu evitar um dia infeliz, e acabou em sexto.


Não se esperava - até porque se antes da quinta-feira passada ninguém sabia o que era o Omnium, e poucos saberiam quem era Iuri Leitão, hoje ninguém sabia o que é a Madison - que fossem Iuri Leitão e Rui Oliveira, e o ciclismo de pista, a conquistarem a primeira medalha de ouro para Portugal. Destes Jogos Olímpicos, mas também de uma modalidade que não o atletismo.


Com quatro medalhas Portugal igualou o melhor resultado da História, obtido nas últimas olimpíadas - Tóquio 2020 - disputadas em 2021 (Ouro para Pedro Pichardo, no triplo salto, como na prata de Patrícia Mamona, e bronze de Jorge Fonseca, no judo, e Fernando Pimenta,  na canoagem. Melhorou-o ligeiramente, trocando bronze por prata. Mas continua muito longe do desempenho médio dos seus pares europeus, e na cauda da União Europeia. 


Apenas o Luxemburgo, Chipre, Malta e os países bálticos não fazem melhor que Portugal. As culpas são múltiplas, e históricas. A mais fácil, e que não choca ninguém, é a do futebol. Este é um país que só liga ao futebol!


O balanço das medalhas está fechado. O desta realidade está por fechar. Ou até por abrir.


 

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Foi um jogo de sentimentos contraditórios, um jogo de sinais contrários, como que um jogo de espelhos.


O Benfica jogou bem e criou muitas oportunidades de golo. Mas falhou-as sucessivamente, umas atrás das outras, e sabe-se que haverá poucos jogos com metade das oportunidades hoje criadas. O que quer dizer que, com esta taxa de eficácia, não se ganham jogos. E viu-se que não é com Talisca que se marcam golos. E esperar que sejam os defesas adversários a fazê-lo… Bom, foi até Jardel quem mais perto esteve disso…


Jogou bem, e Enzo e Gaitan fizeram a diferença. Mas sabe-se que qualquer deles, ou mesmo ambos, poderão sair até ao fim do mês. 


Jogou bem, a equipa mostrou rotinas. Mas também só no prolongamento teve mais que dois jogadores chegados esta época. E lá vem o copo: meio cheio ou meio vazio. Meio vazio porque o Enzo já disse adeus, e o copo fica logo vazio. Meio vazio porque já não houve banco…


Meio cheio para os militantes do optimismo, porque só falta a finalização... E como vem aí o tal avançado...


Mas também o próprio jogo foi todo ele feito de uma coisa e do seu contrário. O Benfica só atacou, mas não conseguia marcar, e o Rio Ave, que só defendeu, não podia. O inevitável prolongamento parecia ser mais penalizante para a equipa de Vila do Conde, que jogara a pré-eliminatória para a Liga Europa na passada quinta-feira, quando o Benfica tinha feito o último jogo há uma semana. Mas também poderia ser ao contrário: o Rio Ave está muito mais adiantado na preparação, e no Benfica três jogadores chave – a dupla de centrais e Enzo – jogaram pela primeira vez nesta época. E foram mesmo os jogadores do Benfica que mais acusaram o esforço do prolongamento. Sem golos, evidentemente. Porque o Benfica continuou a falhar e porque o Jardel falhou o auto-golo.


Chegaram os penaltis, e aí o favoritismo ia todo direitinho para o Rio Ave. De um lado estava um guarda-redes moralizado, que tinha defendido tudo, e ainda sem sofrer um único golo nos três jogos oficiais. Do outro estava o super causticado Artur, um dos réus da pré-época e inclusivamente posto de fora por toda a imprensa da especialidade.


E foi precisamente o Artur a resolver, defendendo não um, não dois, mas três penaltis…


No meio disto tudo, se calhar o menos importante é que a supertaça tenha voltado às vitrinas do museu do Benfica. Sempre me pareceu que a supertaça não tinha grande importância. O que importa é o que ela diz, o que em cada momento simboliza… Se calhar é por isso que logo se fez em cacos!

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Henrique Granadeiro, mais de um mês e de muitos milhões euros depois, apresentou a demissãoNão que tivesse alguma coisa a ver com a operação que mandou 900 milhões de euros pelo buraco do GES abaixo. Não sabia de nada e ficou até muito surpreendido!


 Os brasileiros da OI também não sabiam de nada mas, logo que souberam, trataram de corrigir os números da fusão, baixando o peso da PT de 37 para 25%. Zeinal Bava, esse também não sabia de nada. E também deixou a administração da PT, para se dedicar em exclusivo à OI, que comunicou a ocorrência da forma curiosa que se pode ler no comunicado: "Zeinal Bava, diretor presidente da Oi, deixará de exercer o cargo de presidente do conselho de administração da nossa controlada PT Portugal SGPS e os cargos de administração que exerce em determinadas sociedades detidas por esta empresa". Quer dizer, a PT deixou de ser parceira de fusão para ser agora uma empresa controlada pelos brasileiros.
E no meio disto tudo, segundo conta hoje o Expresso, haverá mails de Ricardo Salgado que sugerem que os administradores brasileiros, e o próprio Zeinal Bava, tinham conhecimento da operação. Mas logo apareceu quem disesse que poderão ter sido forjados... e que portanto é possível que uma empresa em Portugal aplique 900 milhões de euros sem conhecimento da sua administração.


É este o maravilhoso mundo dos negócios... A alta finança à portuguesa!

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Há 10 anos

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A pré-época de 2014/15 não ficará apenas como aquela em que no Benfica se destruiu um plantel ganhador e capaz de mudar um ciclo do futebol nacional. Não ficará apenas como aquela em que Luís Filipe Vieira, a troco não se sabe de quê, matou o projecto de ilusões que andou a vender aos benfiquistas…


Ficará ainda, e ainda mais incompreensivelmente, como aquela em que no Benfica se matou a formação, e com ela o sonho de dezenas ou centenas miúdos... Mas também o de milhões de benfiquistas voltarem a ver novos Ruis Costas! E aí não é o rosto de Vieira, que a BTV promove à norte-coreana, o mais nítido da fotografia…É o de Jorge Jesus!


Que em vez de ser lembrado como o treinador que, com alguns dos melhores plantéis de sempre, ganhou dois campeonatos em 5 anos, ficará na História do Benfica como o treinador que em dois dias deitou fora Nelson Oliveira, Bernardo Silva, João Cancelo, Ivan Cavaleiro, Rafael Ramos e Estrela. Sem tempo para nascerem dez vezes…


Não sei se a isto se pode chamar gestão danosa. Por isso chamo-lhe ruinosa!

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


Se cada hora passasse a ter mais 10 minutos, o dia ganharia 4 horas... E com cada dia com 28 horas cada português podia trabalhar mais 3 horas e ainda descansar mais uma... 


Disparates, não é? 


Pois, é o que faz o Tribunal de Contas, do mui respeitável Guilherme Oliveira Martins. Se as consultas dos médicos de família tiverem a duração de 15 minutos, feitas as contas, todos os portugueses passariam a ter médico.


Brilhante. Gente extraordinária, também esta do Tribunal de Contas!

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Jogos Olímpicos Paris 2024


Ontem foi o último dia das competições de ginástica nos Jogos Olímpicos. O dia do adeus de Simone Biles, talvez o dia por que esperava. Se é verdade que surgiu em Paris na sua plenitude, também não deixa de o ser que pareceu aliviada por ter acabado. A fazer parecer que, afinal, Tóquio não ficou assim tão definitivamente enterrado como parecia. Os 'twisties' poderão ter ficado em Tóquio, mas a saturação competitiva, o desgaste da tensão e da pressão, talvez não.


Falhou a medalha na trave, e perdeu no solo o ouro para a também fantástica brasileira Rebeca Andrade (a menina que veio da favela), mas saiu de Paris à altura da sua condição de estrela principal dos Jogos, com quatro medalhas.


O atletismo continua - e vai continuar até ao último dia, a maratona fica sempre para o fim - mas ontem foi também o último dia da competição no salto à vara, o da consagração do sueco (nasceu americano, mas optou pela nacionalidade da mãe) Armand Duplantis como uma lenda das olimpíadas. Aos 24 anos!


Deixou que os adversários competissem entre si, até o norte-americano Sam Kendricks, campeão mundial de 2017 e 2019, superar a fasquia a 5,95 para ficar com a medalha de prata, e deixar o bronze para o grego Emmanouil Karalis, com 5,90. Já sozinho "limpou" a fasquia a 6,00, em ritmo de passeio. Depois quis bater o o recorde olímpico de 6,03 metros, estabelecido por Thiago Braz nos Jogos do Rio 2016, e elevou a fasquia para os 6,10. 


Garantido o título e o recorde olímpico, 80 mil pessoas nas bancadas do Stade de France pediam o recorde mundial. Que o próprio Duplantis já estabelecera por oito vezes, até o deixar em em 6,24 metros, em Abril, em Xiamen, na China.


Falhou as duas primeiras tentativas aos 6,25. Esperou, e fez esperar pela última. Talvez um quarto de hora. Ninguém arredou pé. Elevou-se na vara, saltou e caiu do outro lado, deixando a fasquia imóvel lá no alto dos 6 metros e 25. E as bancadas em êxtase.


Com dois ciclos olímpicos pela frente, ainda é difícil de perceber os limites deste rapaz. A quem já chamam o atleta do século. 


 


 

Há 10 anos

Olhe pra trás para conseguir olhar pra frente - hubpme - portal de negócios  do Noroeste Paulista


A Bolsa caiu para mínimos de 2013 e a Comissão Europeia volta a colocar o país no ponto mira. O governo está de férias, que só interrompeu para mandar mais uns foguetes sobre a brilhante solução encontrada para o BES, com as caras de Portas e de Maria Luís Albuquerque, mais ou menos a assobiar para o lado, se descontarmos aquela aparição de Passos, a caminho da praia, em circunstâncias dificilmente coadonáveis com a gravidade da situação.


Finalmente lá apareceu hoje o ministro da Economia, já sem canas nem foguetes na mão, a manifestar-se preocupado com estas coisas. Diz Pires de Lima que o que se vive no mercado de capitais "espelha a grande desilusão com a situação do BES e também aquilo que é a desfaçatez verificada na PT". Que “os investidores, naturalmente depois de terem percebido ao longo dos últimos meses a evolução do caso do BES e terem verificado as atitudes que se verificaram ao nível da administração da PT, reagem negativamente". Ou que "os receios dos investidores estão lá, por isso é que os mercados caíram, porque houve, de facto, acontecimentos relevantes em Portugal, ao nível do BES como ao nível do comportamento da administração da PT que são inexplicáveis para qualquer investidor, nomeadamente investidores estrangeiros que investiram em Portugal e no mercado de capitais português convencidos que o mercado português não viveria situações como estas”. 


Nada do que diz é falso. Mas é falacioso, mais rigorosamente enganoso!


Porque tudo converge numa palavra mágica: confiança. Que simplesmente desapareceu!


Claro que a confiança desaparece quando uma marca centenária como a do BES, ela própria marca de confiança, de repente desaparece. Às mãos de quem mais a deveria defender, à conta de gestão criminosa, mas também pelas mãos de quem deveria ter velado pela sua defesa. Claro que a confiança se esvai quando numa empresa como a PT, a administração aplica uma parte significativa do seu valor em financiamento directo a uma outra empresa, por acaso de risco. 


Mas a confiança perde-se de forma dificilmente recuperável quando o país, quando os seus orgãos de regulação e supervisão, promovem a subscrição de um aumento de capital de um banco, do seu maior banco privado e, um mês depois, com a resolução - eufemismo de falência - do Banco, se apropriam de todo o capital. Confiscam tudo!


A confiança perde-se, e dificilmente se recuperará, quando se percebe que o governo e o Banco de Portugal, como agora se percebe pela legislação publicada, estiveram a preparar a resolução do Banco sem disso dar conta à CMVM, permitindo que as acções continuassem a ser negociadas em Bolsa, e permitindo, com isso, situações de inside trading, sobre o que hoje já ninguém tem grandes dúvidas.


E quando se não pode confiar num Presidente da República (que garante toda a confiança num Banco que desaparece uma semana depois), num governo que nunca é claro, especialista em enganar o país, em que tudo lhe serve para festa, nem nos órgãos de regulação e de supervisão, não se pode confiar no país!


Lembrando aquela célebre expressão da campanha de Clinton, daria vontade de responder da mesma maneira a Pires de Lima: É a confiança, estúpido...

domingo, 4 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Falara aqui de suspeitas de inside trading.  Hoje sabe-se que o Goldman Sachs vendeu - também - boa parte das acções que tinha no BES. Não vendeu tudo, vendeu provavelmente o que pôde... E que a PT deixou as contas limpas...


Começa a ser difícil disfarçar!


Ah... E os outros banqueiros não estão nada dispostos a dizer amen ao governo e ao Banco de Portugal...

sábado, 3 de agosto de 2024

Há 10 anos

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Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, acabou por confirmar aquilo que se sabia e que aqui fora dado conta ontem. Nada de novo, tudo como se vinha sabendo, apenas com a precisão em 4,9 mil milhões de euros do fundo de capital que o Estado põe à disposição do Novo Banco – espero que ao menos lhe arranjem um novo nome!


O que desde logo levanta uma primeira – e bem grave – questão de sigilo. É agora público e notório que houve muita gente que teve acesso a esta decisão muito antes de ser tornada pública. É agora público e notório que houve quem dela fez uso, em nítido crime de inside trading.


Disso nos apercebemos quando o Banco de Portugal tomou na passada quinta-feira, último dia de Julho, decisões – impedimentos de órgãos sociais e de fiscalização externa que, em boa verdade, só caberiam na decisão hoje anunciada – que prenunciavam o esvaziamento do capital do BES, na realidade o anúncio da sua falência.


Assim se percebe o súbito aumento do volume de vendas de acções do BES no fecho do mercado, na última meia-hora, da última sexta-feira, que levou à queda vertiginosa, num ápice de mais de 40%, das cotações. Assim se percebe que, por exemplo, o brasileiro Bradesco tenha desaparecido das listas de accionistas nos últimos dias…


 Por isso, depois de ainda tanto haver para contar, e de, depois, já não haver assim tanto para contarpassem a haver agora outras coisas para contar… É que, depois de tantos crimes na administração do BES, é bem capaz de haver mais uns tantos na supervisão!

Há 10 anos

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Já se começa a conhecer aquela que será a solução a comunicar hoje pelo governo e pelo Banco de Portugal. Tanto quanto se vai sabendo é uma solução que passa pelo Fundo de Resolução da Banca, uma entidade criada em 2012 e que é financiada pelos bancos portugueses e pelas receitas da contribuição especial que o sector paga ao Estado.


Este fundo tomará já amanhã conta da totalidade do capital do BES, que assim sairá de bolsa, sem qualquer indemnização para os actuais accionistas, que ficarão com o bad bank, a criar com a totalidade da exposição ao GES.


Como este Fundo de Resolução da Banca não tem fundos suficientes – na realidade é, na circunstância, um veículo e não um fundo, porque tem fundos insignificantes, ao que se sabe na ordem dos 180 milhões de euros – a capitalização do novo BES será feita a partir de um empréstimo estatal com recurso a 4 dos 6 mil milhões ainda disponíveis do fundo de recapitalização da banca definido pela troika, que na altura, ao contrário do BCP e do BPI, Ricardo Salgado recusou utilizar. Empréstimo a pagar em 6 meses, o prazo para vender em bolsa o novo BES, limpinho e desinfectado, e por isso apetecível.


Nada se sabe por enquanto sobre o que irá exactamente acontecer a milhares de pequenos aforradores que, com conhecimento ou não, têm poupanças investidas em papel comercial do grupo que, evidentemente, ficará no bad bank. Que, por essas e por outras, não poderá ficar ao Deus dará!


Esperemos que assim seja, que esta seja uma solução e que não voltemos tão depressa a ter surpresas. E que, da banca nacional, ninguém seja tentado a entrar em novas loucuras para ficar com o banco verde…  

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

A partir de agora é a sério

Benfica sofre primeira derrota da pré-época frente ao Fulham, de Marco Silva


Sabia-se que o Fulham, de Marco Silva, seria o adversário mais forte que o Benfica encontraria nesta pré-época. Uma equipa do meio da tabela da Premier League é sempre um adversário forte para qualquer equipa. 


A primeira parte do jogo que acabou de terminar no Estádio do Algarve - cheio (tanto quanto foi permitido) de benfiquistas - deixou a ideia que a equipa londrina é mesmo mais forte que a do Benfica, que nos deixara eufóricos com aquela exibição e aqueles 5-0 perante o Feyenoord, no domingo passado. Tudo é relativo, como se sabe. Mesmo no futebol.


Por isso, na primeira parte, vimos um Fulham com uma defesa intransponível e com um contra-ataque demolidor. Marcou o golo num lance (que começa com uma falta não assinalada sobre o Bah) em que chegou à área de Trubin com quatro para dois, e teve ainda mais duas oportunidades em que poderia ter marcado. E um Benfica com bola, mas sem argumentos para contrariar o poderio do adversário. Sem conseguir sequer uma única ocasião de golo, um único remate digno desse nome. 


O Benfica da segunda parte provou que o Fulham nem é assim tão forte, nem é sequer mais forte. Que a sua defesa é ultrapassável em movimento, e que o contra-ataque é anulado com a pressão certa e o posicionamento correctos.


Com os mesmos jogadores - as trocas de Tomás Araújo (que fizera uma boa primeira parte, os erros tinham vindo de Morato que, bem, Roger Schmidt manteve em campo) por António Silva, e de Beste por Carreras não mexeram no essencial, nem na estrutura, da equipa - foi outro Benfica que entrou para a segunda parte. Dominou o jogo, criou uma mão cheia de oportunidades para marcar, e apresentou belos nacos de futebol. Que só não foram mais constantes e prolongados pelas sucessivas interrupções do jogo. Juntando a pausa para hidratação às da inúmeras substituições, nunca houve 10 minutos seguidos de futebol.


Por isso, no fim, prevaleceu o golo que Iwobi marcou na primeira metade da primeira parte. Por isso e porque Prestianni - mais uma belíssima exibição - voltou a não ter uma pontinha de sorte (num dos remates a bola bateu num poste, foi bater no outro, e não quis entrar), porque o árbitro não viu um penálti sobre o Bah, Leno defendeu tudo (os remates de kokçu e Matim Neto eram de golo), e quando foi ultrapassado (por Aursenes) teve um companheiro de defesa a tirar a bola de entro da baliza.


No último jogo da pré-época, a primeira derrota. E o primeiro jogo sem marcar. Mas a confirmação que há ovos. Muitos, e bons, para fazer boas e variadas omeletes. De um chef  não se pode falar de falta de dedo para a cozinha!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...