sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Fim de linha?


O capitão do Moreirense escolheu o campo, neste Moreirense - Benfica, que inaugurou a quarta jornada deste campeonato. O Benfica ficou com a saída de bola, e não a largou durante três minutos, empurrando o adversário  para junto da baliza. Quando a perdeu o Moreirense saiu de imediato para a frente, e criou a primeira ocasião para marcar. E só o não conseguiu porque o avançado deu um toque a mais na bola e adiantou-a a ponto de Trubin a poder recolher com alguma tranquilidade.


Estava dado o mote do jogo: o Benfica com bola, em cima da área adversária, e o Moreirense a contra-atacar a toda a velocidade logo que a recuperava. E não havia novidade. Tem sido assim!


Há muito tempo que é assim. Sem alas rápidos e desequilibradores (apenas Di Maria faz alguma coisa parecida), sem criatividade, sem ideias, sem rotinas e, agora, sem Rafa para as transições rápidas, que no ano passado resolviam a maior parte dos problemas, o Benfica não consegue outra coisa que não seja jogar para o lado e para trás.


Na primeira parte o Benfica teve a bola em quase 70% do tempo. E no entanto não criou uma única oportunidade de golo. Nem por uma única vez a bola chegou a Pavlidis em condições. Nesse entretanto o Moreirense teve esse primeiro lance, obrigou Trubin a uma boa defesa e marcou um golo, já em cima do intervalo, que viria - e bem - a ser anulado pelo VAR, por falta (pisadela no Barreiros) do marcador no início da jogada.


Ao intervalo Schmidt deixou Florentino (amarelado) no balneário - substituiu-o por Renato Sanches -, desfez a dupla de médios defensivos de que faz imagem de marca, e o Benfica conseguiu uns minutos de um mínimo de qualidade aceitável. Durou o primeiro quarto de hora, resultou em duas oportunidades de golo, ambas desperdiçadas, e acabou. A última meia hora foi tão má quanto toda a primeira parte. E no mesmo registo de uma equipa desmotivada, sem atitude, desorganizada e perdida em campo.


Ainda assim o Moreirense não conseguiu tantas saídas como na primeira parte. Assustou com um remate de cabeça de Maracás, na sequência de um livre lateral, logo que se fechou esse primeiro quarto de hora. E chegou ao golo mais de 20 minutos depois, e já perto dos 90, depois de um passe defeituoso de Carreras, em mais uma transição falhada, que acabou num remate que desviou na perna de António Silva, enganando Trubin.


As pernas dos adversários servem evitar que a bola entre na sua baliza. As dos jogadores do Benfica servem exactamente para o contrário - para a encaminhar para a própria baliza.


Pelo momento do jogo, e pelo que (não) havia jogado, a segunda derrota, ao segundo jogo fora de casa, era praticamente inevitável. Só não foi porque já a meio dos 6 minutos de compensação surgiu um penálti, que Marcos Leonardo (entrara para substituir Prestianni) converteu no golo do empate.


Na véspera do clássico de amanhã em Alvalade, o Benfica deita fora o quinto ponto, em quatro jogos. Se nada for feito, agora que o campeonato é interrompido pelo calendário das selecções, a distância para os dois rivais não vai parar de aumentar. E a participação na Champions será um suplício. É que continuar a fazer as mesmas coisas, e esperar resultados diferentes, é insanidade. Nem é preciso ser Einstein a dizê-lo!

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