segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A sorte de resolver antes que outros o pudessem fazer

 Sp. Braga-Benfica, 0-2 (destaques)


 


 


Saiu-se bem, o Benfica, desta visita a Braga, onde se começava a construir uma História preocupante, que se acentuara justamente nos seis anos da última dinastia.


O jogo foi interessante, e foi acima de tudo muito competitivo. Com muita intensidade, duro, mesmo. É certo que, ao contrário do que tem sido habitual nestes últimos anos que construiram um novo clássico, desta vez o Benfica teve a sorte que sempre lhe fugiu. Teve acima de tudo a sorte de resolver o jogo antes que o árbitro - o velho conhecido, Hugo Miguel, que já só não é o último moicano porque já  começam a surgir mais novos moicanos - o conseguisse fazer.


Depois, num jogo que teve momentos em que o Braga pressionou o Benfica como nunca tinha acontecido, há espaço para algumas notas. A primeira é que se confirma que o Rui Vitória gosta de jogar  apenas com um ponta de lança, numa linha de 3. Não se sabe é se é Jonas - entenda-se a qualidade extra do jogador, daqueles que têm de jogar sempre - ou alguém de fora que o impede de colcar a equipa a jogar no seu sistema. A segunda é que o miúdo, o Renato Sanches, já mexe com a equipa: ao vê-lo correr como corre, os outros começaram também a correr. Traz outra dinâmica à equipa, é impossível não o perceber. Quem mais foi contagiado - e é esta a terceira nota - foi Pizzi, que hoje até já pareceu que pode muito bem jogar no Benfica.


Mais uma vez não foi assinalado um penalti a favor do Benfica. Já se lhe perde a conta. Mas não admira, o Sporting tem o monopólio desse produto. Em casa ou fora, sempre que não haja outra forma...

O povo. Soberano, coitado...


 


O povo... Sempre o povo, em nome do povo e da sua vontade. Soberano, coitado... Não é só invocar o nome de Deus em vão que deve ser pecado. O invocar o nome do povo em vão também deveria ser pecado. Não diria mortal, daqueles que se resolvem numa confissão com meia dúzia de padres nossos, mas pecado político, cuja absolvição substituisse uns padres nossos e umas avé-Marias por uma penitência de prolongada abstinência de candidaturas eleitorais.


Foi talvez a pensar nisso que os mestres da demagogia política criaram a célebre retórica interrogativa: "Se isto não é o povo, onde é que está o povo"?. 


A questão desarma qualquer um, e encontra sempre um povo à mão para tudo o que der jeito. Lembrei-me disto tudo ao ouvir Paulo Portas dizer que só sabe que não foi pela vontade do povo que "Assunção Cristas, ontem, era ministra da Agricultura e hoje é deputada da oposição, eu ontem era vice-primeiro-ministro e hoje sou deputado da oposição". 

domingo, 29 de novembro de 2015

Não há Planeta B

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Hoje foi dia de o mundo dizer ao mundo que não há Plano B. Que não há Planeta B. Que só há este, e que temos de parar de o destruir...


Por todo o mundo. Mesmo em Paris, onde já não é proibido proibir, e a partir de amanhã se reúnem os que nele mandam para, sob as mais espectaculares medidas de segurança, fazerem o que sempre têm feito: declarações que nunca passam disso. Assobiar para o lado!

sábado, 28 de novembro de 2015

Primeiro estranha-se, depois entranha-se... Que assim seja!


 


Será certamente insólito. É estranho, e estranha-se. Não sei se chegará a entranhar-se... Se funcionar, se resultar acabará, como tudo o que resulta, por entranhar-se...  


Saturado, e farto de sucessivas ditaduras das maiorias absolutas, da tal estabilidade política que não me parece que nos tenha levado a lado nenhum, acho interessante esta coisa nova, insólita até, de um governo a discutir todas as semanas no Parlamento as leis que tem para aprovar. À sexta-feira, no dia a seguir às convencionais reuniões de conselho de ministros, todas as semanas, o governo vai discutir e negociar com os seus aliados da esquerda aquilo de que se faz a governação.


Toda a gente irá dizer que não resulta. Sei que é romantismo - não tenho dúvida nenhuma -, mas gostaria que resultasse. E que depois de se estranhar se entranhasse. É que a democracia é isto. Não é a ditadura da maioria!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Vida negra

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Como diz a canção, hoje é o primeiro dia do resto da vida ... deste que é o XXI primeiro governo constitucional. Um governo que o Presidente não queria por nada, tudo fazendo para começar a desgastar ainda antes de empossar.


Cada um dos inúmeros episódios destes últimos 50 dias, naquilo que aqui fomos chamando de processo de encanar a perna à rã, não teve outro objectivo que desgastar e desacreditar a solução de governo que resultou das eleições de 4 de Outubro. As ameaças que ontem, no acto de posse do governo, Cavaco deixou no ar não são outra coisa.


Nas poucas semanas que lhe restam em Belém, Cavaco vai continuar a fazer a mesma coisa. Não vai demitir o governo, mesmo tendo esse poder. Mas vai, tanto quanto puder, fazer-lhe a vida negra!


Valha-nos que, mesmo com os poderes intactos - e legitimados pelo voto directo e universal, como fez questão de acentuar - pode pouco. Porque, mesmo que formalmente a mantenha, há muito que perdeu de facto essa legitimição. E hoje não é mesmo mais que o último reduto da direita mais ressabiada e míope.


Já bastam as dificuldades de toda a ordem que este governo vai ter pela frente. Já bastam os equilíbrios de sustentação que tem que gerir, os alçapões da governação destes últimos quatro anos e meio - e até a minagem deste últimos meses - e as enormes dificuldades estruturais que o país tem para vencer. Para ter vida difícil o governo não precisa nada das rasteiras do presidente.


Pelo contrário, ao dedicar-se a fazer a vida negra ao governo em vez de tranquilamente fazer as malas e a limpar as prateleiras, Cavaco só reforçará e prolongará a vida ao governo que detesta!


 


 


 


 


 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Poderes intactos... Mas só isso!


 (Foto: Luís Barra)


 


Sem esconder o desagrado e a impotência para a contrariar, Cavaco lá deu finalmente posse ao novo governo. Visivelmente desgastado pela obstinada tarefa de encanar a perna à rã durante 50 dias, Cavaco resistiu, contrariando as apostas de mais um chilique, mais conhecido pela designação de reacção vagal. E avisou que, à`excepção do da dissolução, mantém intactos todos os poderes.


Se o mesmo se pudesse dizer de todas as faculdades... Talvez não sobrassem tantas ameaças...

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Nem tudo é mau... Salvam-se os oitavos!

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Foi um Benfica muito igual ao que tem sido, aquele que hoje empatou em Astana, no longínquo e asiático Cazaquistão. Sem chama e sem soluções, como tem sido hábito.


De tal forma que o adversário, que entrara encolhido e a deixar a impressão de ser ainda inferior ao que havia mostrado em Lisboa, depressa percebeu que, do temível Benfica, só lá estavam as camisolas. O medo com que entraram só durou um quarto de hora, o tempo suficiente para este Benfica mostrasse que não estava ali para fazer mal a ninguém.


A partir daí, perdido o medo, os jogadores do Astana passaram a correr mais - muito mais - que os do Benfica ( só o miúdo, o Renato Sanches, é que corria, mais ninguém) e, nada a que não estejamos já habituados, a chegarem sempre primeiro às bolas e a ganharem todos os ressaltos. Bastaram-lhe dois ou trê minutos para chegarem pela primeira vez com perigo à baliza de Júlio César. Na segunda, logo a seguir, fizeram o primeiro golo.


E assim continuaram: sempre mais rápidos, sempre a chegarem primeiro. O segundo golo, dez minutos depois, não foi surpresa nenhuma. Não foi surpresa mas foi irregular, num fora de jogo que a péssima arbitragem da equipa francesa, que tinha deixado por assinalar um penalti sobre o Lizandro Lopez, deixou passar em claro. 


E com apenas meia hora de jogo, e com apenas 10 minutos de alguma iniciativa do adversário, o Benfica perdia por dois com a equipa mais fraca do grupo. Que não ganhara a ninguém, e que provavelmente não irá ganhar a ninguém. Quando se temia o pior, o Benfia reagiu e partiu para 10 minutos de bom nível, criando três excelentes oportunidades de golo. À terceira marcou, e reduziu a desvantagem. Faltavam 5 minutos para o fim da primeira parte, e os jogadores deixavam a sensação que queriam empatar ainda antes do intervalo. 


Mas não. E na segunda parte nunca mais repetiu aqueles 10 minutos. E quando o empate chegou, no bis de Jimenez, a 20 minutos do fim, o jogo acabou. Ambas as equipas tinham o que afinal queriam do jogo: o Astana, já sem nada a ganhar, só queria concluir a campanha sem perder em casa; o Benfica, confiando que o empate chegaria - como chegou - para chegar aos desejados oitavos, satisfazia-se com o facto de os adversários também não terem feito melhor.


Fica o apuramento, importantíssimo. Mas fica mais uma exibição lastimável. Colectiva e individualmente muito frouxa, onde apenas o Renato - o miúdo esteve mesmo fantástico - e o Jimenez, com dois golos e muito trabalho, estiveram em bom plano. Mau sinal é que já nem Gonçalo Guedes e Samaris, que têm sido dos melhores, escapem à mediocridade geral.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Não havia necessidade...

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Aí está o XXI governo. Novinho, pronto a entrar em funções logo que Cavaco entenda que ... pronto; acabou-se!


Não fossem Augusto Santos Silva e Capoulas Santos e diríamos que sim. Que era um governo capaz de não defraudar as expectativas. Assim, é mais difícil... São nomes que, por tão perto do pior que o PS lembra, deixam desde logo o PS muito longe do melhor a que está agora obrigado.


Relembrando o diácono Remédios: "não havia necessidade"...

Uma questão de tempo. Ou... várias questões de tempo...

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Cavaco deixou finalmente a rã descansada e indigitou António Costa que, sem resposta do tempo ao tempo que o tempo tem, se entretivera a fazer um governo. É por isso que já há ministros, e que está agora praticamente garantido que, dois meses depois das eleições, o país terá um governo.


No tempo que Cavaco quis. Porque a data das eleições foi a que Cavaco quis que fosse. E porque, depois, mesmo com todos os cenários bem definidos na cabeça, e mesmo com um recatado 5 de Outubro para reflectir sobre o que tinha claro, em vez de agir o presidente preferiu fazer de conta que agia, consumindo 50 dias na árdua e espinhosa missão de encanar a perna à rã.


Coisa que, como se sabe, permitiu ao governo relâmpago de Passos e Portas acabar algumas coisas que tinha deixado começadas como, por exemplo, assinar o acordo de privatização da TAP. Para, como só alguns sabiam e é agora público, dar aos bancos a garantia do Estado pelo pagamento da dívida da companhia que vendeu. Por 10 milhões de euros!


Exactamente assim: foi preciso que o governo de Passos e Portas se aguentasse o tempo necessário para consumar a venda da TAP, por 10 milhões de euros, a um grupo fantoche (fantoche porque tudo é ao contrário do que parece, a começar numa minoria de capital que detém 95% do poder), assumindo a responsabilidade por 770 milhões de euros de dívida!


É também por isso que já ninguém estranha que, no dia em que é notícia a indigitação do novo primeiro-ministro, com o consequente adeus de Passos e Portas, seja também notícia que os novos donos da TAP vão vender os terrenos e a sede junto ao aeroporto…


Pois é... o tempo urge!  

As dúvidas de quem nunca tinha dúvidas

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Diz-se por aí que, quando, mais logo, António Costa vier a sair do Palácio de Belém, atrás dele, a correr, há-de vir aquele senhor pequenino, de óculos, a gritar-lhe: "Espere aí, espere aí... o Presidente tem mais uma dúvida para esclarecer. Mas ainda tem dúvidas sobre qual é a dúvida... Tenha lá paciência..." 


 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

E lá vai mais uma semana...

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As questões que Cavaco decidiu colocar a António Costa sobre os "documentos" "distintos e assimétricos", não passam de mais um episódio da sua obstinação de encanar a perna à rã.


São o que são, e merecem a resposta que têm. Nenhuma!


E servem apenas para confirmar aquilo que há muito aqui tinha sido dito: não podendo fazer nada para impedir a posse deste governo, Cavaco aposta em, primeiro, fritá-lo em lume (pouco) brando. No seu desígnio de lhe minar o futuro...


 

domingo, 22 de novembro de 2015

Tratados por parvos

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Nas suas homilias dominicais na SIC Marques Mendes, no rasto de Marcelo, fala de tudo. “Do leitão às tácticas do futebol” como, com graça, a Marisa Matias se referiu a Marcelo neste fim-de-semana.


Por isso Marques Mendes não podia, como todas as televisões tinham feito, passar ao lado da notícia da semana. A curiosidade era grande: não podia ignorar o tema, que não atingia apenas o seu amigo e sócio Miguel Macedo. Atingia-o também a ele!


Falou da pouca-vergonha da devolução da sobretaxa, mesmo que habilidosamente. Falou de Cavaco, que sem surpresa voltou a defender. Comparou o incomparável, com Jorge Sampaio. E anunciou para amanhã a decisão do presidente, a decisão inevitável, como se esforçou por explicar. Com muitos pedidos de esclarecimento e mais ainda de garantias.


Disse que Elisa Ferreira não aceitou ser ministra do novo governo e, antes de fechar em apoteose com o patético almoço de Sócrates, no alinhamento combinado, lá saiu o tema dos vistos gold e o nome de Miguel Macedo da boca do pivot.                         Verdadeiramente incomodado, mas deixando evidente que não podia deixar de ser assim, Marques Mendes entrou pelo assunto dentro como se de uma penitência se tratasse. Como se a acusação fosse já bem mais que isso, ao ponto de não ter mais por onde se esconder que na exaltação do Estado de Direito... Quando pensávamos que fosse por ali fora e chegar ao seu próprio nome, também envolvido, o pivot tratou do assunto. Parou-o logo ali, lançando-lhe a bóia – “ainda não foi julgado, até lá é inocente” – que Marques Mendes aproveitou para, sem mais – nem mais uma palavrinha – encerrar o assunto. E passar rapidamente para o tema Sócrates…


Marques Mendes – e a SIC – entenderam fazer aquele número. Mais valia que tivessem passado ao lado do assunto. Teria sido mais sério: assim estão apenas a tratar-nos por parvos!


 


 

Acto falhado

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Rui Vitória até poderá ter algum jeito para treinar equipas do meio da tabela, para falar é que não tem nenhum. Não diz coisa com coisa, e quando quer falar grosso até a voz grossa - que jura ter - lhe sai fininha, efeminada. Em completo acto falhado, a espirrar na bola em vez de lhe acertar em cheio, ou como aquele aperto de mão convicto em que, depois, a mão se fica pelos dedos.


Com esta terceira derrota com o Sporting, quase à média de uma por mês, Rui Vitória esgotou os últimos cêntimos do plafond de crédito que os adeptos lhe tinham atribuído. Ao sentar-se na primeira fila das conferências de imprensa depois das derrotas, Luís Filipe Vieira não é um avalista pessoal a correr para lhe reforçar o crédito. Está apenas a a sacudir a água do seu capote directamente para a cara do treinador. Que é para isso que lá está! 


Não quer ser comido de cebolada, mas ainda sobram mil maneiras de o comer...


 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ora aí está!


 


 


De novo. E de novo a não perder...

Coisas intragáveis

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Um ano depois de deixar o governo por envolvimento no caso dos vistos dourados, Miguel Macedo foi esta semana acusado de quatro crimes. No âmbito desse processo, que envolve altos quadros da administração pública, mas ainda noutros, e envolvendo ainda outros altos quadros do ministério que titulava.


É a primeira vez que um ministro de um governo em funções é acusado por crimes - e tantos e de tanta gravidade - no exercício das sua acção governativa. Só por isto, mesmo que nada mais se passasse, é notícia. Tem de ser notícia!


Extraordinário é que não seja. Impressionante é que as televisões tenham passado totalmente ao lado desta acusação do Ministério Público. Que, com a notícia à frente, se tenham desviado dela para nem sequer a encontrarem. Que nem um único comentário tenha merecido a nenhum dos inúmeros comentadores espalhados por essas televisões todas. 


E sabe-se que, em Portugal, se não passa na televisão, não aconteceu... Se ainda havia quem tivesse dúvidas sobre o estado a que isto chegou, ficou esclarecido. De vez!


 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Fraude eleitoral

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Já se sabe - foi a própria Maria Luís Albuquerque a afirmá-lo - que a devolução da sobretaxa de IRS, anunciada em jeito de leilão, a subir a cada dia que se aproximava o 4 de Outubro, até com um simulador logo disponível no site das Finanças, não deu em nada. Não há afinal nada para devolver! 


há muito que se sabia disso, que tudo não passava de mais um embuste eleitoral. A esquerda fartou-se então de avisar que o governo estava a reter indevidamente os reembolsos de IVA às empresas para ficticiamente aumentar a receita da cobrança de impostos, e assim alimentar a burla eleitoral da devolução da sobretaxa, coisa sempre prontamente desmentida pela coligação e o pelo governo. Burla agravada, portanto.


Tão agravada e sem atenuantes quanto Passos, Portas e Maria Luís não vêm dar qualquer explicação para o facto de, de repente, logo a seguir às eleições, a suposta devolução da sobretaxa cair de 35% para 0%. Para nada. A ministra das finanças limitou-se a comunicar que não há nada para devolver. Sem mais nada, como se nada se tivesse passado... Como se não tivesse importância nenhuma.


Depois das mentiras na campanha eleitoral de 2011, Passos Coelho decidiu continuar a mentir em 2015. Mas com maior dolo, fazendo passar a mentira por uma suposta sofisticação técnica, que lhe mascarava dolosamente o ar de lixo tóxico eleitoral, dando-lhe o ar sério que nunca teve.  O próprio suposto enquadramento técnico era fraudulento e sem nexo: remetia para o orçamento de 2016 o que era  do orçamento de 2015.


No meio de tudo isto, entolado até ao pescoço em burlas e fraude eleitorais, é Passos Coelho - pasme-se - quem tem o desplante de dizer que o putativo governo do PS, mais que ilegítimo, é uma fraude eleitoral.


Triste país, se o que merece é gente desta!


 


 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Choremos, não nos resta outra coisa…*

Convidada: Clarisse Louro


 


Na passada sexta-feira, à entrada de um fim-de-semana que será recordado como um dos mais trágicos das últimas décadas, enquanto uma parte do mundo adormecia em sobressalto, outra voltava a acordar para a violência e o terror de gente que, de gente, não tem nada.


Mascarado de fanatismo islâmico, o terrorismo voltou a entrar-nos violentamente pela porta dentro, arrombando-nos a casa, destroçando-nos a intimidade e estilhaçando-nos até as entranhas. Numa sexta-feira feira à noite, depois de uma semana de trabalho, com um fim-de-semana pela frente, numa cidade que chamam do amor, onde tudo pode acontecer…


Fim-de-semana, restaurantes, bares, uma sala de espectáculos, um concerto, um estádio de futebol, um jogo de futebol… Bem ou mal, pouco interessa, é o nosso modo de vida. É a forma como vivemos. Como gostamos de viver, e como temos o direito de poder viver. Livres, sem medo…


É do medo que vivem, é no medo que assentam toda as estruturas de terror que os mantém activos. Por isso não lhes basta matar, às dezenas, às centenas, aos milhares. Mais que violar e matar inocentes eles querem matar-nos a todos, matando a maneira como vivemos.


E lembrarmo-nos como tudo isto começou. Lembrarmo-nos como há quase quarenta anos os Estado Unidos armaram os talibãs, porque do outro lado estavam os soviéticos. Lembrarmo-nos como, atraídos pelo cheiro do petróleo, Bush e Blair, com Asnar e Durão Barroso como acólitos, destruíram um Estado – uma ditadura, sim, uma ditadura como todas as outras da região – e o entregaram, em mão, a estes bandos de terroristas, nascidos no Afeganistão e criados pela ditadura saudita. Essa boa, porque amiga. Lembrarmo-nos como há apenas três anos, os mesmos, sempre os mesmos, como se não tivessem memória, armaram mais e mais terroristas para destruir a Líbia e executar barbaramente Kadhafi. Pouco antes, um amigo, como já fora Sadam… E, como se tudo isto não bastasse, lembrarmo-nos de Assad, na Síria, hoje pátria do terrorismo internacional e sede do poder do auto denominado Estado Islâmico, o mais sanguinário e bárbaro eixo do fundamentalismo islâmico que a monarquia saudita, incólume na sua redoma de petróleo, financia e alimenta ao longo das últimas décadas.


Choramos hoje Paris. Como amanhã choraremos uma outra das nossas cidades que amamos. Choremos os mortos. Choremos os feridos e espoliados. Choremos as famílias desfeitas. Choremos a hipocrisia…


 


 * Publicado hoje no Jornal de Leiria


 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Cada fisgada cada melro

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Quando - vai para trinta anos - a troco de um prato de lentilhas, Cavaco mandou destruir a frota pesqueira nacional, não estava a cometer um crime contra a economia nacional. Estava apenas a revelar uma rara visão de longo prazo, só ao alcance dos eleitos, de homens providenciais. Dos verdadeiros visionários!


Demoramos anos - quase trinta, vejam bem o avanço que nos dá -  a percebê-lo. Perdão, demorou anos a explicar-nos, mas finalmente explicou-o hoje, em plena Pérola do Atlântico, onde cumpria a sua missão de encanar a perna à rã, agora na fase a que pomposamente chamou Roteiro para uma Economia Dinâmica. Um Roteiro que se esgotou nas inaugurações de um centro de design, uma adega e um hotel. E numa visita a uma empresa de piscicultura.


Aí está. Quer dizer, foi aí. Justamente aí, que Cavaco explicou a revelação que o futuro lhe fizera há quase trinta anos atrás. A única forma - revelou hoje - de Portugal, enquanto grande consumidor de peixe, resolver o problema das suas contas externas é " produzir peixe nestas quintas de peixe, fish farms como os ingleses lhe chamam"!


Gostando os portugueses, como gostam, do seu peixinho para que é que o país queria uma frota pesqueira?


Para pescar, responderia o comum dos mortais. Para pescar o peixe de que os portugueses tanto gostam. Para nada, respondeu há trinta anos Cavaco. É que não só não são preciso barcos para apanhar o peixe na farm - talvez fisgas bastem - como essa é a ùnica forma de, por força dessa mania de comermos peixe acima das nossas possibilidades, resolver o problema das nossas contas externas.


E, com os cofres cheios e o problema das contas externas resolvido, qual crise, qual carapuça?


Orçamento? Para quê?


Governo de gestão? Qual é o problema?


Cada tiro - perdão: cada fisgada - cada melro!

Já não há paciência...

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Cavaco, pelos vistos divertidíssimo, continua a brincar com coisas sérias, dando sinais de irresponsabilidade pouco apropriados à função que ocupa no topo da hierarquia do Estado.


Entretidíssimo a encanar a perna a rã, e sem noção do ridículo a que se expõe, vem dizer que ele próprio esteve em gestão durante cinco meses. Percebe-se a intenção: se eu – ele, evidentemente – que sou eu, estive em gestão…


Não admira, sabe-se que se tem em boa conta. Nós, é que não. Já não conseguimos tê-lo em grande conta. Para encanar a perna á rã já não lhe bastava ir para a Madeira. Nem dizer que ainda lhe falta ouvir muita gente, para "recolher o máximo de informação junto daqueles que conhecem bem a realidade social, económica e financeira" do país. Faltava-lhe ainda comparar as circunstâncias de um governo em gestão, em 1987, entre Abril e Agosto – também não são exactamente cinco meses, como 2009 também não é 2011, mas a isso já nem ligamos – a meio da legislatura e no meio do ano, com o orçamento aprovado e em execução, com as da actualidade: com o país acabadinho de sair de eleições, às portas do fim do ano, sem orçamento e com as cadeiras donde a gente da troika levantou o rabo ainda quentes.


Alguém que lhe diga que já não há paciência…Que já não é um presidente - é uma afronta!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Comunicação: "isto anda tudo ligado"!


 


Ontem à noite, no meio de uns zapings, dei com um desses programas de futebol falado, na RTP. Na 3, como agora se chama à que dantes se chamava Informação, depois de já ter sido N, mais de Norte que de Notícias...


Achei estranho que, em cima dos acontecimentos de Paris, com o mundo em choque, e num fim de semana que, de futebol, apenas tinha tido o jogo da selecção - como se sabe coisa pouco dada a este tipo de programas, que vivem da exploração da ignorância e da exacerbação da clubite - a direcção de programas da RTP achasse aceitável colocar em campo o seu Trio de Ataque. Passados que foram os primeiros instantes em declarações de circunstância á volta dos acontecimentos de Paris, o pivot apressou-se a abrir as hostilidades: Carrillo, era o tema!


E lá se mandaram aquelas três alminhas ao ataque, que nem gatos a bofes. Envolvido numa leitura, não ouvi uma única palavra do que disseram. Mas, ainda com as primeiras páginas dos jornais desportivos de véspera na cabeça, não queria deixar de ver até onde haveria de chegar a coragem de prolongar uma coisa daquelas.  


Não chegou longe. Pouco tempo depois alguém se lembrou de os mandar calar, e de repente aquilo acabou, com o pivot, contrariadíssimo e perante o espanto do trio de atacantes, em especial do que desloca de Lisboa e pernoita no Porto, a dizer que os acontecimentos justificavam que se ficasse por ali.


E foi então que resolvi revisitar, e olhar com mais atenção, aquelas primeiras páginas dos jornais desportivos de sábado. Sugiro-lhe, caro leitor, que faça o mesmo, na mesma fonte, mas agora fixando-se apenas nos nossos.


Havia ali qualquer coisa a dizer-me que "isto anda tudo ligado": a verdade é que no programa interrompido só se falava de Carrillo!


E quando me aprestava para a aplaudir a decisão - mesmo que tardia e a más horas - de alguém que mande na estação pública, lá tive eu de voltar atrás para reconhecer que, em comunicação, o Sporting de Bruno de Carvalho não brinca...


 


  

domingo, 15 de novembro de 2015

Encanar a perna à rã. Porquê? Para quê?

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Não foi preciso mais que uma semana para perceber por que, numa altura em que, mais do que nunca, o país precisa de rapidez na decisão e na acção, Cavaco decidiu dedicar-se à infrutífera tarefa de encanar a perna à rã.


Se dúvidas houvesse, o novo (velho) pregador das noites de domingo, encarregou-se de acabar com elas. Marques Mendes acabou de fechar a semana ao jeito dos desígnios de Cavaco, enquanto a rã teima em não põr a perna a jeito. Segue-se ainda mais uma semana, agora com mote dado pela batuta do pequeno maestro.


"O acordo é um queijo suíço", cheio de buracos por todos os lados. Não garante estabilidade nemhuma, e é mesmo uma "provocação ao Presidente da República". E continuam a chamar-lhe coligação, para embrulhar melhor a prenda


 Foi exactamente para isto, para que este tipo de discurso comecasse a ganhar forma, e a engrossar ao ritmo de uma bola de neve, que Cavaco decidiu gastar tempo a ouvir as confederações empresariais do comércio, da agricultura, da indústria, e do turismo, mas também as associações empresariais de tudo e mais umas botas, incluindo a das empresas familiares. E ainda aplicar mais uns dias numa visita às tagarras que há uns anos deixara para trás, e cujas pernas não têm nada a ver com as da rã.


Tem ainda mais uma semana. Esta que vai entrar, já com o discurso devidamente estabilizado e em velocidade cruzeiro para, a 25 de Novembro, como fez questão, anunciar ao país a sua decisão. Uma decisão que, como é já habitual, não terá muito - ou mesmo nada - a ver com o interesse nacional que tanto gosta de apregoar. Apenas com os seus, normalmente mesquinhos. Inviabilizar o governo de António Costa com apoio maioritário na Assembleia da República é o desígnio de Cavaco para este fim de mandato. Um desígnio que parte de uma missão impossível - encanar a perna à rã -, passa por outra de algum grau de dificuldade - não é fácil deixar de dar posse a esse governo - para se concretizar em toda a plenitude na missão de o matar à nasecença. Mais do que empossar ou não o governo de António Costa, o desígnio de Cavaco é minar-lhe o futuro. Para que seja curto e duro!


 

sábado, 14 de novembro de 2015

Candidato?

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Imagem relacionadaPode uma selecção cujos pontas de lança jogam na segunda divisão inglesa dizer-se candidata a ganhar o europeu de França, do próximo ano?


Pode. Não pode é ser levada a sério. Mesmo que a Senhora do Caravagio de Fernando Santos seja a maior que por lá passou...


Do jogo que hoje perdeu (0-1), com a Rússia, uma única boa notícia: depois da estreia do Nelson Semedo ter atirado o miúdo do Benfica para meses de estaleiro, e interrompido o campeonato brillhante que estava a fazer, hoje, na estreia, o Gonçalo Guedes escapou são e salvo. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O regresso do terror

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O terror voltou a Paris. Poucos meses depois, mais assassino ainda... com seis ataques terroristas em simultâneo a levarem a vida a largas dezenas de pessoas. Como nós, impotentes perante um inimigo sem rosto nem alma. Simplesmente terrorista... Num restaurante, num espaço de espectáculos, num jogo de futebol...


Je suis parisien. Nous sommes parisiens!

Destinos... cruzados

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Há quatro anos chegou ao Benfica, dando logo mostras de superior inteligência ao dizer ao que vinha: em trânsito para os maiores da Europa. Ficou logo identificado, colhendo naturalmente as simpatias da nação benfiquista. 


Não rumou à Europa, mas o carimbo encarnado no passaporte valeu-lhe uns petrodolares no prestigiante futebol dos Emiratos. Mas o destino anunciado pelo craque brasileiro era a Europa, Se era na Europa que estava o seu destino, entre os maiores dos maiores, era na Europa que teria de se cumprir...


No Estoril. Não era um dos maiores dos maiores, mas era na Europa, no seu ponto mais ocidental. E o destino tem destas coisas: era o passo atrás, que os dois em frente estavam logo ali, a escassos três meses: o Sporting, em todo o seu explendor. O Sporting do seu homónimo de Carvalho, o maior dos maiores, com uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros!


E assim se cumprem destinos. E logo dois, bem cruzados...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Inadiável, dizem eles


 


Desautorizado, tão desautorizado que está rejeitado pelo Parlamento, o governo acaba de assinar o contrato de privatização da TAP. À pressa, a correr... À noite, mais ou menos às escondidas, como sempre fez, deixando escuro o que tinha de estar claro... Contra tudo e contra todos e contra a vontade da maioria representada na Assembleia da República...


Fica à vista o que seria - ou será? - manter esta gente em governo de gestão: um confronto permanente com a legalidade. Em permanente provocação. A construir inevitabilidades para enfiar o país em pontos sem retorno. Foi assim que fez, é assim que faz, e é assim que quer continuar a fazer...


 


 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Novo tom, novo ar...

 


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Não sei por quê - não é verdade, até sei, mas gosto sempre de deixar algumas reservas - mas gostei de ouvir (entrevista à RTP 3) o provável próximo ministro das finanças. Se, evidentemente, o nosso senhor Presidente da República não decidir passar os próximos três meses a ouvir as tais personalidades, ou - quem sabe? - prolongar a sua estadia na Madeira com uma visita às suas cagarras, certamente carregadas de saudades...


Gostei do tom, contrastante com o que estamos habituados. E gostei do ar, despretensioso. Depois, gostei ainda de não ouvir basófias.  Nem asneiras... Nem certezas absolutas de quem é dono da verdade. Estávamos um bocado fartos disso. Alguns, claro! 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Helmut Schmidt (1918-2015)


 


À porta dos 97 anos, morreu Helmut Schmidt que, conjuntamente com o o seu antecessor, Willy Brandt, mais que o rosto da social-democracia europeia, é o rosto do prestígio da classe política alemã, europeia e mundial.


Outros tempos, outra política, outra gente... Estadistas, como já não há...

Encanar a perna à rã

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Chama-se a isto encanar a perna á rã. Não bastou que, na hora de marcar a data das eleições, não se tivesse preocupado minimamente com o orçamento, mas apenas com os seus interesses eleitorais. Ou os dos seus... Não bastou que no o actual quadro político tenha já queimado um mês. É ainda preciso ouvir sabe-se lá quem e sabe-se lá para quê...


O actual Presidente da República é muito selectivo na urgência e na necesssidade do Orçamento. Agora não tem pressa nenhuma, nem que de Bruxelas clamem por um papelito que seja, mas nem sempre foi assim. Houve tempos de muita pressa, em que não se podia perder tempo com minudências. Prescindiu sempre de exercer o dever de fiscalizar as sucessivas inconstitucionalidades nos sucessivos orçamentos de Passos e Portas, para não perder tempo. Para que o país não corresse nunca o risco de ficar sem orçamento... 


 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Um bocadinho de coerência, se não for pedir muito...

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Com almoços ou com jantares, com ou sem leitão, Francisco Assis tem todo o direito de estar contra a decisão da direcção do seu partido. Tem direito a não perceber do que está a acontecer, e tem direito ao equívoco, como qualquer um. 


Mas os direitos conquistam-se. Estes, de Assis, conquistam-se com com ética e princípios. Com seriedade e coerência. E não é sério, nem coerente, defender agora uma coligação com a coligação de direita quando ainda há pouco, entre outros mimos, proclamava que "não pode haver compromissos com a direita extremista". 

O que fica do que passa

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Não faço a mínima ideia se as coisas vão correr bem. Não estou certo que não surjam pontos de ruptura entre forças políticas que, mais que estarem distantes, não estão habituadas a estar juntas. Não tenho grandes dúvidas que de todos os lados será lançada gasolina logo que se veja o menor indício de combustão. 


Há possibilidade de correr bem e de enterrar de vez a TINA. De mostrar que em democracia há sempre alternativa política. Se isso acontecer, o regime mudou. E se há coisa que o país precisa é de mudar um regime que se esgotou...


Mas, se nada disso acontecer, se tudo correr mal e neste jogo viciado voltarmos à casa de partida, ainda assim, este não foi um tempo perdido. Tanto mais que permitiu ao país perceber - a quem quis ver, há sempre quem não consiga ou simplesmente não queira ver - a comunicação social que tem, as televisões que vê e os jornais que lê. Como orientam e manipulam a informação e como, dessa forma, manipulam e formatam a opinião pública. Permitiu ver como jornalistas que todos apreciavamos pela competência, profissionalismo e isenção são afinal apenas profissionais diligentes nas tarefas que lhe destinam. 


Porque, do resto, já toda a gente sabia. Blogues à medida e perfis falsos do facebook para manipular e  desinformar já eram, há muito, coisa conhecida.


 

domingo, 8 de novembro de 2015

O que tem que ser tem muita força

 


Já há acordo... Também do PC. Como não podia deixar de ser... O que tem que ser tem muita força.


A força do que tem que ser será mesmo a maior força destes compromissos!

Não dêem cabo do colinho!

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O jogo desta tarde na Luz teve o seu quê de crueldade para os adeptos do Benfica. Perante um Boavista que tem História de primeira, mas não tem futebol nem jogadores para isso, o Benfica foi mau de mais; sem velocidade, apático, sem movimento, e sem dinâmica nem rotinas. Nem o resultado - vitória por 2-0 - nem as três vezes que a bola bateu nos ferros, iludem esta realidade que vai dando cabo do colinho.


Hoje não destoou muito daquilo que têm sido a maioria dos jogos nesta época. Só foi mais evidente porque o adversário era muito fraco, fraco de mais para o que deveria ser exigível no primeiro escalão do futebol nacional. Se o adversário se fecha lá atrás - se se apresenta com o bloco baixo, como dizem os entendidos - o Benfica não entra. Se, pelo contrário, o adversário ocupa o campo todo e pressiona na frente, o Benfica não sai. Cruel é que isto tenha ficado evidente perante este Boavistazinho... Cruel é que o Boavista tenha criado dificuldades quando jogou fechado lá atrás na primeira parte, e tivesse sido incómodo quando subiu no terreno, na segunda.


Podem sempre compreender-se as dificuldades de entrar numa defesa muito reforçada e muito fechada. Mais difícil é compreender as dificuldades em sair da pressão. Mas, que uma equipa como o Benfica, que fazia das transições rápidas a sua principal estratégia de jogo, não consiga, depois de ultrapassada a primeira linha de pressão e já com campo aberto pela frente, ligar com sucesso uma única jogada para aproveitar o adiantamento do adversário, é que já não se consegue compreender.


Ou talvez se consiga: uma equipa que falha passes atrás de passes - chega a falhar passes a 5 metros - sem movimentos trabalhados, que não tem dinâmicas de desmarcação, não consegue sair em transição se não em jogadas individuais. Com os jogadores marcados pelos passes errados, sem ninguém a abrir linhas de passe sem risco, só lhes resta correrem com a bola cinquenta ou sessenta metros, permitindo a recuperação dos adversários, que correm sem bola e sem outra preocupação (de posicionamento ou de marcação) que não seja caçar a presa fácil que é o portador da bola. 


Hoje o Benfica foi isto. E, repito, não foi muito diferente do que tem sido. Sem Jonas - que não tem nada a ver com o jogador que foi a época passada - resta apenas a Gaitan e Gonçalo Guedes o papel presas mais difíceis. Mas na maior parte das vezes não deixam de ser também presas! 


Valha que o Carcela voltou a jogar mais 10 minutos. E valha que isso tem sido tempo suficiente para marcar. E vão três... Sem festejos


 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

"Prometedores dias"


 


O Bloco já anunciou que está fechado. Durante o dia de hoje, o mais tardar até amanhã, deverá - terá de - ficar também fechado o acordo com PC. Sem que ponham pés no governo, o que para uns, é bom; para outros, é mau.


É mau para quem tem dúvidas sobre a solidez dos acordos, para quem desconfia das boas intenções da esquerda a que as vozes do regime chamam de extrema: estar na margem não é a mesma coisa que estar no barco, como escreve hoje a Fernanda Câncio num texto tão imperdível quanto romântico. É bom, nem poderia ser de outra maneira, para quem acha que a esquerda tem peçonha.


Como Jorge Coelho, que acha que não pode haver misturas, e que isto só é bom se servir bóia para voltar a trazer o PS á tona, para depois voltar a apanhar a crista da onda. Há gente no PS que ainda não percebeu o que aconteceu!


Há gente que não consegue descortinar estes "tão prometedores dias" que vivemos... Não são amanhãs que cantam, são apenas dias de esperança. De esperança que isto não seja apenas o que tem que ser, por já não poder ser outra coisa. Por simplesmente tudo ter chegado ao ponto de não retorno. Por ninguém poder já recuar...


Que seja finalmente mudança, porque é preciso que alguma coisa mude... Para que nem tudo fique na mesma!


 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O que nasce torto...

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Diz o povo que "o que nasce torto, tarde, ou nunca, se endireita". Não se sabe ainda se chegará a nascer - parece que sim, que acabará por nascer - mas este acordo de sustentação política da maioria de esquerda no Parlamento está com um parto tão difícil que é grande a probabilidade de nascer torto.


O momento histórico da declaração de intenções tarda em confirmar-se na substância do acordo. Ou dos acordos, e aqui a primeira dificuldade: uma maioria não é apenas a soma maior das partes. Construir uma maioria através de acordos separados com o Bloco e com o PCP, mais que enviezado, é torto. Negociar separadamente, sem que todos se envolvam e empenhem nas soluções comuns, é fazer com que o quer que nasça, nasça torto. 


A segunda grande dificuldade está no timing do parto. Sabe-se que todo o parto tem o momento certo: antes, dá prematuro; depois, pode provocar traumas irreparáveis. Se poderá de alguma forma compreender-se que fosse difícil apresentar o acordo - enfim, os acordos - ao Presidente da República antes da indigitação de Passos Coelho, já não é aceitável que se esteja ainda a negociar como se o timing certo seja o da apresentação do programa do governo. 


Neste momento o(s) acordo(s) teria(m) de estar concluído(s) - dando de barato que pudesse(m) não ser público(s) - e os seus subscritores tranquilamente à espera do momento de apresentar a sua moção de rejeição ao programa do governo. Mas não, não é nada disso que estamos a ver. Estamos a ver que o bluff continua no ar, como no ar está ainda a caricata decisão de cada um apresentar a sua própria moção.


Nos últimos dias, apenas uma boa notícia: a Catarina Martins calou-se. De resto, tudo más notícias: o PCP está em claro recuo, e António Costa, com a iniciativa de Assis, cada vez com menos espaço.


Termino como comecei: tem tudo para correr mal, um verdadeiro desafio á lei de Murphy. Se calhar, por isso, Passos também já revogou a sua decisão de não chefiar qualquer governo de gestão!


 


 


 

Crime agravado!

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Assistimos esta noite na Luz a uma das maiores injustiças alguma vez vistas num estádio de futebol quando, a dez minutos do fim, o árbitro expulsou Gaitan do jogo. Mandar sair do jogo quem estava a fazer aquilo que o génio argentino estava a fazer, deslumbrando o mundo com uma exibição que só muito raramente o mundo pode ver, é inscrever na História do futebol uma das suas maiores aberrações.


Roubar ao jogo o seu maior artista é matá-lo. E matar é crime. Sempre!


Acresce que, da maneira que aconteceu, é crime agravado. Com o dolo todo, com todas as agravantes que se quiser. Já que é impossível contar tudo o que de fantástico Gaitan fez neste jogo com os turcos do Galatasaray, vale a pena contar o que o árbitro fez: estava o jogo a aproximar-se do intervalo quando um avançado turco, poucos minutos depois de ter visto um amarelo por ter armado confusão, joga a bola com a mão em clara tentativa de enganar o árbitro. Pelas leis do jogo teria de lhe mostrar o amarelo, que seria o segundo.  Não o fez, em vez disso mostrou-o a Gaitan,  por protestar a sua decisão. Muitos minutos depois, faltavam então 10 para ofim do jogo, o argentino desenha no relvado mais uma jogada do outro mundo, porventura a mais portentosa, deixando de calcanhar para que o Jimenez permitisse uma defesa assombrosa - para canto - ao guarda-redes uruguaio da equipa turca. Da marcação do canto a bola sobra para um adversário, que parte para o contra ataque. Gaitan perseguiu-o, tentou o corte, mas fez falta. Para amarelo. O segundo. Que, para o crime ser hediondo, desta vez o árbitro não poupou.  


Depois disto nada mais do jogo tem qualquer interesse, mesmo com o que vale esta vitória do Benfica. E vale muito. Nem mesmo que o Luisão tenha estado nos três golos, e que tenha exigido respeito!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Deus nos valha...

 


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As inundações deste fim de semana no Algarve determinaram o primeiro acto público do novo governo em trânsito, que revelou ao país um dos seus novos ministros.


Não se pode bem dizer que era de todo um desconhecido. Logo que foi anunciado ficamos a saber que era o ministro que simplesmente não poderia ser ministro. Era já uma questão fé, de crença no Espírito Santo. Na primeira oportunidade, na primeira aparição pública, o ministro tratou de esclarecer que aquele pormenor, que alguns pretenderam transformar em impedimento, não é mesmo nada mais que apenas um lado do triângulo da sua fé de homem da Católica. 


Quando o novo ministro da Administração Interna atribuiu as inundações à “fúria demoníaca da natureza” percebemos o holismo da sua crença e a dimensão da sua fé. Quando João Calvão da Silva acrescentou que " a fúria da natureza não foi nossa amiga", que "Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação" percebemos-lhe a veia pregadora. Mas quando o ouvimos dizer que "em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um act of God, nós temos que traduzir de outra maneira”; ou, sobre a morte que há lamentar, que "era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher, Fátima, ele que era um homem de apelido Viana. Ele entregou-se a Deus, e Deus certamente que lhe reserva um lugar adequado. A família também está determinada em continuar..." ficamos inundados de dúvidas sobre muitas coisas muito sérias. E com uma única certeza: com todo o seu campo político esgotado, a Passos Coelho tudo serviu para ministro!


Deus nos valha...

Imunidade par(a)lamentar

 


Consta que o deputado do PSD, Miguel Santos, quando circulava de moto na madrugada de domingo, às 5 da manhã, em circunstâncias que terão chamado a atenção das autoridades, foi objecto de controlo policial. Pedida a identificação, o deputado não tinha à mão outro documento que não o cartão de deputado da Assembleia da República, coisa que temos de considerar conveniente para aquela hora da madrugada, mas que não foi suficiente para dissipar o bafo de álcool que acompanhava cada palavra do deputado, nem para impedir o agente de confirmar aquele odor etílico através  do corriqueiro teste de alcoolemia.


Era o que faltava. Um deputado da nação sujeito a soprar no balão às 5 da manhã? Nem pensar. Afinal para que serve a imunidade parlamentar?


Nem mais. O senhor deputado pôs o motor da moto a trabalhar e arrancou. Não há notícias se direitinho se aos ésses...


O deputado Miguel Santos não é muito conhecido, por isso tem de se identificar. E para isso não tem melhor que o cartão de deputado.


Será um entre aquelas centenas de deputados que ninguém sabe quem são nem o que fazem? Daqueles que só lá estão para fazer número, para levantar, sentar e bater palmas?


Seria exactamente um desses, se não o tivessemos ficado a conhecer aqui há uns meses, quando se discutia aquele medicamento para Hepatite C que só passou a estar disponível depois de, na Assembleia da República, um jovem ter ameaçado que alguém seria responsabilizado pela morte da mãe, e quando na mesma sala, e nas mesmas circunstâncias, um doente em risco de vida, à espera pelo medicamento há um ano, perguntou ao ministro pelas respostas ás cartas que lhe tinha enviado. É então que se resolve o problema do medicamento, mas é também então que o deputado Miguel Santos passa a ficar a conhecido, quando pede para retirar da sala todos os doentes, que aquilo era um circo...  


Foi este pequeno gesto que o deixou famoso, ao ponto de, aguçada a curiosidade sobre tão nobre personalidade, se ficar a saber que era vice de Luís Montenegro, com quem partilhava a irmandade maçónica na famosa loja Mozart.


Agora que já é conhecido, não razão nenhuma para pôr em causa a sua reação, tão natural e tão acima de qualquer suspeita: 


"Mostrei a única coisa que tinha comigo, que era o cartão de deputado. O agente achou que eu estava de má vontade. Mostrei-me disponível para apresentar os documentos numa esquadra e, como é meu direito, fui-me embora. Eu não tinha bebido álcool, aliás, nem bebo".

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...