quinta-feira, 30 de março de 2017

As contas fazem-se contando...

  


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Ontem, dizia aqui, com a venda do Novo Banco, era o dia de começar a fazer contas. Começamos, a jeito de início de conversa, pelos 7 mil milhões de euros já conhecidos.


Hoje, o ministro das finanças vai apresentar os pormenores e, certamente, abrir pistas para continuarmos a fazer contas. Ainda antes dos pormenores que Mário Centeno nos trará, já muita coisa por aí corre. Por exemplo, que não é verdade que os 25% (de responsabilidades) que ficam no Estado tenham substituído a garantia que a Lone Star sempre exigiu. E que vamos mesmo ter que pagar todos os riscos que o comprador corra. Até aos 4 mil milhões de euros, é connosco!


Entretanto, só em acessorias para vender o Banco, foram gastos 25 milhões de euros. Sem contar com o vencimento daquele senhor que veio do governo de Passos Coelho, que vendia tudo e de que já ninguém fala. Esse... o Sérgio Monteiro, que ganha tanto como a exorbitância que António Domingues exigiu para presidir à Caixa...


 

O dia em que se começam a fazer as contas...

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Com ou sem passagem pelo Parlamento - e sabe-se que se lá chegar a operação será chumbada - está para ser fechada a venda do Novo Banco. De 75% do capital, porque os restantes 25% permanecem nas mãos do Estado, sem valerem nada. Nem para nada que não sejam obrigações. Todas!


Diz-se que a Lone Star compra o banco por mil milhões de euros. É mentira, não paga nada. Isso não é para comprar o banco, isso é o que, depois de o adquirir, investe no banco. Uma coisa é comprar, outra é investir para fazer o que se quiser do que se comprou. E o que este Fundo, que não percebe nada de bancos - seria suposto perceber? -  quer fazer com o Novo Banco é vendê-lo com mais valias. Quantas mais, melhor!


Para trás, às nossas costas, ficam mais 7 mil milhões de euros. Assim, de repente - logo se vê o que ainda nos estará reservado - com uma simples conta de somar: 4,9 mil milhões metidos no banco no acto da resolução - que não tinha custos para o contribuinte, mesmo que o fundo estivesse nu e que, agora, os bancos tenham 30 anos para lá pôr o dinheiro, sem juros - mais 2 mil milhões de obrigações seniores que o Banco de Portugal de lá passou, mais de um ano depois, para o BES, banco mau. E que, como hoje se sabe, deram cabo da confiança no sistema financeiro português, e das taxas de juro da nossa dívida pública. Que nada têm a ver com o diabo...


Não. Não foi a gestão do Novo Banco, não foi nenhuma das suas duas administrações, que destruiu todo este valor que agora temos à perna. Os responsáveis são o Banco de Portugal e a administração de Ricardo Salgado. Esta pelo que destruiu directamente, o Banco de Portugal pelo que lhe permitiu que destruísse, e pela destruição que quis esconder.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Brexit day

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Depois de 9 meses de gestação o Brexit ganha hoje vida em forma de carta. A carta, assinada por Theresa May, segue com data de hoje, e é hoje mesmo entregue ao Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Invoca pela primeira vez o artigo 50º do Tratado de Lisboa e traduz-se no primeiro abandono da União Europeia.


A nós - em particular os da minha geração -. habituados ao logo da  vida a só ver gente a querer entrar, soa-nos a estranho ver gente a querer sair. Tão estranho que tivemos muitas dúvidas que os britânicos quisessem mesmo sair - pareceu-nos sempre que depois do referendo ainda haveria espaço para uma reviravolta qualquer.


Não houve, e hoje resta-nos a ideia que, se o referendo se repetisse, o resultado seria o contrário. E a certeza que os danos só a partir de agora começam a ser avaliados... E a quase certeza que muito mais coisas vão mudar no Reino Unido nos 18 meses de negociações que se seguem, antes do abandono definitivo, daqui a dois anos. Muito provavelmente até a sua própria configuração!

terça-feira, 28 de março de 2017

Causas de capital

 


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A EDP lançou uma OPA para adquirir a totalidade do capital da EDP Renováveis e retirá-la de Bolsa. Oferece 6,8 euros por acção e, evidentemente, as pessoas terão que vender.


Terão que vender à EDP, por 6,8 euros, as acções que lhe compraram há 9 anos por oito. É assim que todos fazem: quando precisam de capital, abrem-no em Bolsa ao preço que querem; quando já não precisam retiram-no de Bolsa. E devolvem aquilo que querem!


Entretanto os chineses levam os dividendos que nos confortavam o défice. E o Mexia põe toda a gente a fazer contas ao que ganha por minuto. É assim. É a vida, como dizia o outro...


 


 

segunda-feira, 27 de março de 2017

As golden shares dos tempos que correm

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Parece que o Estado vai ficar com 25% do Novo Banco. Um quarto dos deveres mas nenhum dos direitos. Um quarto das responsabilidades, mais o dever de as assacar todas sem direito a piar...


Surreal? Não. São as novas golden shares... Agora é assim!

domingo, 26 de março de 2017

Vão... que a gente já lá vai ter...

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Ao assinalar os 60 anos da assinatura do Tratado de Roma, e o nascimento da Europa, os líderes europeus descobriram que, agora, as coisas passarão a andar á vontade do freguês.


Quem quer, vai. Quem não quiser ir,  vai andando...Ou não, simplesmente manda ir os outros: "vão, vão indo... que a gente já lá vai ter!" 


Também é  capaz de ser assim que não se vai a lado nenhum... 

sábado, 25 de março de 2017

Hora de Verão

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Esta noite muda a hora. Vamos ter uma noite mais pequena, para amanhã termos um dia maior...

A selecção lá vai. E a Hungria lá está...

 


 


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A selecção nacional deu esta noite, na Luz, mais um passo a caminho da Rússia. Do Mundial na Rússia, no próximo ano, porque ainda lá estará este ano, em Junho, na condição de campeã europeia a disputar a Taça das Confederações. A Suíça é que também não desarma: com mais ou menos sorte - com mais, mesmo com muita, nos dois jogos mais complicados com que teve de se haver, com a nossa selecção, e com esta mesma Hungria - segue na frente só com vitórias.


Foi uma vitória clara, e de certa forma gorda - três a zero - com uma exibição agradável, aqui e ali com excelentes pedaços de futebol. A verdade é que na primeira meia hora as coisas não correram nada bem, e só o prmeiro golo - então contra a corrente do jogo - o jogo se alterou definitivamente. Aconteceu aos 32 minutos, numa bela jogada de ataque rápido. Quatro minutos depois chegou o segundo, e a partir daí só deu Portugal. Mesmo que só tivesse dado mais um golo!


Fernando Santos voltou a confirmar o seu conservadorismo. Não é novidade que è avesso a inovações, mas também se percebe: uma equipa de selecção não é a mesma coisa que uma equipa de clube, que trabalha junta todos os dias. E os resultados dão-lhe razão.


A selecção da Hungria apenas surpreendeu por apresentar um jogador de pele mais escurinha. Ficamos sem perceber que muro terá saltado para chegar ao país... e à selecção nacional de futebol que o representa. Ou será que quem souber jogar à bola não terá problemas em entrar na Hungria?

sexta-feira, 24 de março de 2017

Dá para cantar os parabéns? Não me parece...

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Assinalam-se hoje os 60 anos do Tratado de Roma, que criou a CEE, com a tal ideia da Europa Unida. Assinala-se a coisa, não creio que se comemore coisa nenhuma. 


Até porque esta Europa é hoje uma sexagenária muito pouco cuidada. Caiu de repente. Ainda há pouco era uma jóvem tão atraente...


Acho que foi de tantos lhe deitarem a mão. Tantos e tão maus... 


Começaram por ser 6. Hoje são 28. Destes todos, há sessenta anos, apenas 12 eram democracias. E é bem possível que, bem vistas as coisas, hoje sejam ainda menos... 

É muita habilidade...

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O défice ficou em 2,1%. Definitivamente. Nunca, em democracia, tinha sido assim...   


Quem ficou muito irritado com isto foi Passos e a sua rapaziada. É só habilidades, dizem eles. 


Devem ter razão. Só podem ter razão. O governo atingiu este défice revertendo as medidas com que eles o garantiam baixar ... sem nunca o terem conseguido. Com medidas que diziam incomportáveis. Para o défice e para os amigos que tinham deixado em Bruxelas...


Andaram quatro longos anos a vender tudo o que havia para vender, a aumentar impostos aos portugueses, a cortar-lhes salários, pensões, direitos e serviços, para cumprir défices que reviam a cada mês, com orçamentos rectifcativos, uns atrás dos outros. Todos os anos orçamentos,tinham de ser rectificados ...E todos eram inconstitucionais. E nem assim, lá chegaram. Nunca!


Empobreceram o país como nunca, mas chegaram a dizer que estava melhor; os portugueses, que humilharam, como agora humilhou o coiso holandês, é que não. E continuaram sem nunca lá chegar... 


O défice é este, e o país hoje está melhor. E os portugueses também. Nota-se-lhes na cara...


Têm razão, Passos e os seus rapazes e raparigas. Há aqui muita habilidade. Eles é que não tiveram habilidade para nada.


Nem têm!

Exploração de mão de obra infantil?

 


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Não é só no futebol que somos bons nas camadas jovens. Nos milagres também!


Cheira-me a exploração de mão de obra infantil. A nossa fama já vem de longe ...

quinta-feira, 23 de março de 2017

Estupidez *

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No dia em que se assinalava um ano sobre os atentados de Bruxelas, que alguém resolveu comemorar praticando um outro em Londres, voltando a deixar a Europa em estado de choque, o país chocou-se com as palermices de um bronco holandês, que ocupa um lugar importante no desgoverno da União Europeia.


O bronco – chamemos-lhe assim porque, se o seu nome era impronunciável por dicção agora é-o também por desprezo – não disse que gastávamos o dinheiro deles em gajas e copos, porque apenas é parvo. Fê-lo porque também é ignorante, misógino, preconceituoso, racista e xenófobo. E fê-lo ainda por achar que seria assim que defenderia o seu tacho. O tacho que perderia por ter sido arrasado nas eleições do seu país, e com isso perder a necessária condição de ministro. Necessária condição que pretendia que o seu padrinho Shauble fizesse tornar desnecessária.


Quando há dias o tenebroso ministro alemão se voltara a meter connosco, a sugerir-nos que pedíssemos um novo resgate, não fez nada que não fosse, mesmo que com todo o despropósito, abrir a boca ao bronco.


Vai bonita esta Europa, com gente desta. Desta e daquele euro-deputado polaco, que acha aquelas coisas todas das mulheres. E que nem assim não chegou a tanto como este bronco, ao dá-las como objecto em que se gasta dinheiro.


Com gente desta a Europa está morta. Nem entendo como os terroristas não percebem que não precisam de ser eles a matar-nos. Bem me parecia que são mesmo estúpidos. Os terroristas também!  


 


* A minha crónica de hoje, na Rádio Cister

Suicídio

  


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Agora foi em Londres, e nem terá sido para comemorar Bruxelas, há um ano. 


Mas nem percebo como é que os terroristas continuam interessados em acabar com a Europa. Ela é bem capaz de fazer isso sozinha!


Estão até cada vez mais parecidos: sem armas de fogo, sem bombas nem granadas... Basta-lhes as pequenas coisas do dia a dia e um terrível apelo suicida!


 

terça-feira, 21 de março de 2017

Por que carga de água teremos de lhe aturar a bebedeira?

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O Sr Dijsselbloem inventou um mestrado que não existia, numa escola que não existia, para compôr o seu curriculo, o que só prova a ideia que tem de si próprio: tão inqualificado que precisou de inventar um simples mestrado para se desqualificar ainda mais.


Escorraçado do governo holandês nas eleições da semana passada, e consequentemente desqualificado para a presidência do eurogrupo achou, ainda assim que, por obra e graça do Sr Schauble, lá deveria permancer. Na dúvida metódica que a sua qualificação de mais "schaublista" que Schauble fosse suficiente para o segurar no lugar, recuou quinhentos anos. Foi parar aos primórdios do protestantismo onde poderá não ter encontrado mulheres, mas bebedeira não lhe faltou.


Continua perdido de bêbado. Nós é que não temos que lhe aturar a bebedeira. Já nos bastam as nossas!


 


  

Poesia na floresta

 


 


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Hoje é dia da poesia. Mas também da floresta, quando ontem, e não hoje como pareceria que devesse ser, chegou a Primavera.


Está tudo próximo, se não mesmo ligado: poesia que se alimenta de Primavera. Que não seria nada do que é sem floresta. Que vive como nunca na Primavera. Para morrer no Verão...


Todos nos lembramos do que dela morreu no último Verão, o mais terrível dos últimos anos, com área ardida como nenhum outro. Também nos lembramos que o governo disse, então, que iria acabar com aquele inferno. Que iria desenvolver um programa de reforma florestal para resolver, a sério e de vez, o drama de todos os verões.


É cedo para sabermos se o programa vai cumprir esse fundamental e decisivo objectivo. Sabemos é que é hoje apresentado. E do pouco que dele ainda conhecemos, sabemos que há medidas que apenas serão implementadas no próximo inverno. Se calhar já um pouco tarde para "impactar" no Verão... E ouvimos já dizer que a produção de eucalipto não é só para continuar, é mesmo para intensificar. Que não através do aumento da área de exploração, mas do índice de produção...


Tenho alguma dificuldade em compaginar plano de reforma florestal com aumento de produção de eucalipto, mas na verdade não percebo nada disso. Sei é que os pequenos proprietários, que há uns anos equilibravam os seus modestos orçamentos com o eucalipto, dizem que agora nem a limpeza pagam...


Mas há-de ser poesia para alguém. Disso não tenho dúvidas! 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Sem mãos a medir

 


 


 


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É estranho que a anterior número 2, e agora cabeça de lista do PSD, pretenda renovar o seu mandato de vereadora à Cãmara de Lisboa, em que sistematicamente falhou as suas obrigações.


Não dará para reconhecer grande vocação autárquica a quem tanto se borrifa para as responsabilidades assumidas na autarquia. É certo que, como já alguém do partido se apressou a vir esclarecer, a senhora não só faltou até agora a 91 reuniões, nem participou apenas em 5 das 27 dos últimos 6 meses, por ter estado de férias nas Caraíbas. Falhou porque tinha funções muito importantes para a país a desempenhar na Assembleia da República.


Esclarecido, portanto. A senhora não tem mãos a medir com tanta obrigação. Só não percebemos por que é que, então, não se deixa a senhora nas suas importantíssimas  - para o país, claro - funções de deputada. Por que é que se há-de continuar a obrigar a senhora a faltar às obrigações para que vai ser eleita?


A natureza é muita injusta para os cordeiros nesta época da Páscoa. E até para os coelhos...

Chegou a prima. A PrimaVera!

 


 


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Já aí está a Primavera...  Chegou um bocadinho envergonhada, demasiado discreta para quem nos últimos dias se tinha feito anunciar com tamanha pompa.


Melhores dias virão ... também na Primavera. E também com ela!

sábado, 18 de março de 2017

O copo, o cântaro e a asa

O Benfica não conseguiu marcar um golo na Mata Real e perdeu dois pontos antes de receber o FC Porto


 


Podemos sempre dizer que o copo está meio cheio. Que o Benfica saiu hoje de Paços de Ferreira com mais um ponto, e que aumentou para dois a vantagem sobre o seu perseguidor. Mas o mais provável é que o copo esteja vazio, nem sequer meio vazio!


O mais provável é que ao fim de 7 meses, e 21 jornadas depois, o Benfica ceda a liderança. O que acontece precisamente na pior altura em que podia acontecer: na jornada que antecede o clássico mais aguardado dos últimos anos, mas a duas semanas desse clássico. É que se fosse logo a seguir... Assim, se o Porto amanhã passar para a frente, chega à Luz depois de duas semanas na liderança. E sabe-se como isso pode criar habituação... quando há um tetra para conquistar...


A verdade é que o empate desta noite na Capital do Móvell nos deixa aquela ideia do cântaro, que tanta vez vai à fonte que um dia terá mesmo de lá deixar a asa. O Benfica estava a ir muitas vezes à fonte, e aconteceu ser hoje o dia de lá deixar a asa.


Quer dizer, os jogos estavam todos a suceder-se igualzinhos, com os adversários sempre a jogar da mesma maneira, lá atrás, muitos fechados, com duas linhas defensivas muito baixas e muito juntas e a disputarem cada bola como se fosse a última, Perante isso, e com o Benfica sempre com a mesma receita, cada adversário tinha sempre uma percentagenzinha de êxito maior que o anterior. Daí que num dia destes a asa lá tivesse de ficar!


Hoje o Benfica asfixiou o adversário, durante toda a primeira parte. O Paços não saiu lá de trás, e nem precisava de saber o que havia de fazer á bola, porque simplesmente nunca a tinha. Nenhuma novidade: tem sido assim contra todos os últimos adversários. Só que, desta vez, nada de golos. Pior, oportunidades de golo, apenas duas, uma delas num remate espectacular ao poste do mais inconformado dos jogadores do Benfica - Eliseu.


Pois é, tanto domínio, tanta asfixia e tanta bola - mais de 75% - não deu para mais que duas oportunidades de golo. E falhar duas oportunidades de golo, acontece. É normal. O que não é normal, nem pode acontecer a quem quer ganhar o campeonato, é desperdiçar todas as oportunidades de golo construídas. 


Na segunda parte o jogo nem pareceu muito diferente. Mas foi. Durante os 10 minutos que mediaram entre os cinco e os quinze o Paços não se remeteu apenas à defesa, e obrigou o Ederson a três defesas - se não estou em erro mais que todas as que o seu colega do outro lado teve de efectuar em todo o jogo -, uma delas enorme e outra enormíssima. E depois disso o Benfica chegou mesmo a jogar mal. Por isso a segunda parte não deu mais que uma clara oportunidade de golo, precisamente no último lance do jogo. Por acaso na única bola parada cobrada com algum jeito!


Aí está. No meio de tanta falta de estrela e de estrelas, com tantos jogadores em baixo de forma - Salvio não é apenas um caso gritante, é também um caso intrigante - tem que se ir buscar aos lances de bola parada as oportunidades que, de outra forma, se não conseguem criar. É verdadeiramente confrangedor o desprezo que a equipa técnica do Benfica revela por estes lances. 


Entre cantos e livres, laterais e frontais - não me lembro de um jogo com tantos livres em zonas com tanto potencial - o Benfica dispôs para aí de vinte lances de bola parada. Todos cobrados por Pizzi. Todos marcados da forma mais óbvia, sempre com o adversário confortável. A excepção foi o útimo lance do jogo, para que esta inexplicável falha ficasse mais fresca na memória do jogo. O segundo - depois de Setúbal, com este mesmo árbitro, a quem desta vez não há nada a apontar - em que o Benfica não marcou!   


 


PS: Só bem mais tarde me apercebi que, no último lance do desafio, o Jonas foi empurrado. O empurrão não o impediu de fazer quase tudo bem - tudo bem seria se a bola tivesse entrado, em vez de subir um tudo nada - mas que não deixou de ser penalti. Na última jogada, como em Setúbal... Há por isso muita coisa a apontar. Ao àrbitro e à Sport TV, como é habitual!


   


   

quinta-feira, 16 de março de 2017

Sim e não!*

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O Ministério público pediu mais 60 dias, pelo menos, para concluir a investigação à Operação Marquês.


No momento em que escrevo ainda não se sabe  - e seria suposto já se saber - se a Procuradora Geral da República vai ou não deferir esse requerimento. Mas sabe-se que não o pode indeferir, sob pena de lançar o Ministério Público no descrédito total, e liquidar de vez o nosso sistema judicial!


Não é pois uma questão de legitimidade, ou de decência. É tão só uma questão de possibilidade. Do que pode ser, e do que não pode ser. Não adianta muito discutir a legitimidade, como pretendem e disso fazem gala, Sócrates e a sua equipa de advogados. Há apenas que perceber que simplesmente não é possível outra coisa.


É aceitável pedir mais 60 dias, depois de se terem esgotado os 180 anteriormente pedidos, já em cima de mais de 3 anos de investigação? É, e não é!


Não é, se olharmos com os olhos dos arguidos. Não é, à luz do que todos gostaríamos que fosse a Justiça. É, se olharmos para as frentes de investigação que estão abertas, e na complexidade de cada uma delas. É, se olharmos para trás, e comparamos com outros processos minimamente comparáveis. Como a Operação Furacão, cuja investigação demorou 10 anos.


Esta dualidade, este sim e não, acaba por ficar como a marca mais profunda deste processo. E o maior perigo que de lá espreita.


Porque se, no fundo, serão muito poucos os portugueses convencidos da inocência de Sócrates, e do sistema que medrou à sua volta, se calhar são ainda menos os que, agora, acreditam que seja possível encontrar provas para produzir uma acusação sólida.


É que, se as cartas rogatórias são fundamentais para acusação - e tudo indica que sejam - se durante dois ou três anos não chegaram respostas da Suíça, de Angola ou de Singapura, será pouco provável que cheguem agora em 60 dias…Ou provavelmente menos!  


 


* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister

Cordeiro pascal

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 Depois das traquinices dos últimos dias de Assunção Cristas, e como se tinha percebido, lá teve Passos Coelho que dar à perna à procura de um candidato para Lisboa. Como não há nada que não lhe aconteça, em vez de um candidato, encontrou um cordeiro da Páscoa. Uma cordeira, que os deuses não fazem descriminação de género!


 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Pontapé de saída

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Foi dado na Holanda o pontapé de saída para um intenso ciclo eleitoral na Europa. Há muito que 2017 estava anunciado como provavelmente o mais decisivo ano político deste século.


Depois do Brexit, e depois da incrível eleição de Trump na América, receava-se uma marcha galopante do ideário populista, nacionalista e xenófobo por esta Europa fora, porventura capaz de fazer abanar seriamente todas as suas estruturas.


Por isso, as eleições na pequena, embora central, Holanda, que noutras circunstâncias não conseguiriam suscitar grandes entusiasmos, ou grandes preocupações tornaram-se de repente no centro das atenções na Europa. Por isso, e especialmente por serem as primeiras, mas também por terem sido apimentadas por Erdogan, o também populista e ditador turco que decidiu estender a sua estratégia de eternização no poder à sua diáspora na Europa.


Afinal a anunciada como inevitável vitória da extrema-direita de Geert Wilders não aconteceu. Nem nada que se parecesse! O primeiro-ministro Mark Rutte, que na campanha eleitoral nem sequer se distinguiu muito do perigoso Wilders, mesmo perdendo muitos eleitores, ganhou. Com 20%, foi o mais votado.


Não sei se a Europa pode respirar de alívio. Quando a alternativa a Wilders – e não digo ao partido de Wilders porque o partido é ele próprio – é uma direita que praticamente replica as suas teses, não dá para grande tranquilidade. Quando o rosto da social-democracia – na Holanda são Trabalhistas, na coligação de governo, e foram os grandes derrotados – é aquele senhor que chefia o euro grupo – e que agora, deixando de ser ministro, vai deixar de chefiar - cujo nome se pode escrever mas não se consegue ler (Jeroen Dijsselbloem), não pode haver razões para grandes optimismos.


Optimismo só mesmo com o voto jovem, fortemente mobilizado. E com a forte participação eleitoral, com números que nos deixam a roer de inveja: 80%. É que facilitar a vida às pessoas na hora de votar também ajuda muito. As pessoas podem votar em qualquer lado, há até assembleias de voto móveis. E houve até uma região com 115% de votantes: isso mesmo, lá votou muito mais gente do que lá vive. É a principal zona de férias da Holanda!        

terça-feira, 14 de março de 2017

Revelações

 


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Assunção Cristas tem andado numa roda viva, absolutamente convencida que importante é dizer, dizer qualquer coisa, dizer sempre, mesmo que não saiba o que diz. Como entretanto, à medida que as bombas vão rebentando, também se convenceu que não é menos importante demarcar-se de toda a gente - de Cavaco, de Passos, de Maria Luís, de Portas e já até de Núncio - acabou transformada em mais uma das mais críticas vozes do governo que integrou. 


Como continua sem saber muito bem o que diz não percebe que isso não faz dela apenas irresponsável, capaz de assinar de cruz tudo o que lhe puserem à frente. Torna-a também em alguém em quem não se pode confiar!


Não se sabe como lidará Passos com isto. Mas é capaz de lhe trazer de volta as dores de cabeça da escolha do candidato para Lisboa... Em contrapartida liberta-o da velha angústia da injustiça de não ser primeiro-ministro, percebendo que apenas lidera um partido da oposição, e não, como estava convencido, o partido mais votado nas últimas eleições.  


 

Fruta da época

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Confesso que me senti claramente em contramão quando aqui defendi que o cancelamento da conferência da rapaziada da Nova Portugalidade e do Jaime Nogueria Pinto - a que juntei o do livro do José António Saraiva, mas esse não é, agora, para aqui chamado - não era um acto de censura.


Recordo que na altura escrevi que ali não havia debate. "Há - ou pode haver - outra coisa qualquer. Que poderá ter desencadeado outra coisa qualquer, eventualmente cheia de coisas condenáveis, mas que não é censura. Arranjem-lhe outro nome, censura é outra coisa"!


São hoje claras as coisas que ali havia. Está hoje claro e provado que se tratou de mais uma campanha de publicidade da mesma extrema direita de sempre, para dar a conhecer um novo nome, a sugerir mais uma organização, como os rapazes da Nova Portugalidade deixaram demonstrado nas redes sociais através das mensagens de parabéns pelo sucesso que trocaram entre si. E é hoje ainda mais claro como, sempre que a oportunidade lhe surge, Jaime Nogueira Pinto deixa que o pé lhe fuja para o chinelo. 


A mensagem que o Director da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova enviou aos docentes, funcionários e alunos esclarece o resto. Inclusive o papel de Jaime Nogueira Pinto, que depois de concordar com a decisão foi a correr para televisões e jornais denunciar o vil acto de censura!


Não me regozijo por, tendo estado em contramão, estar afinal no sentido certo. Mas não posso deixar de salientar a forma como o politicamente correcto tomou conta do debate público à esquerda, torvando-lhe o sentido crítico. Não sei se é fruto da época, se é simplesmente fruta da época...

segunda-feira, 13 de março de 2017

Boa noite Sr Jonas!

 


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Os adeptos benfiquistas reagiram bem à desolação de Dortmund e mostraram à equipa que estão sempre lá, que acreditam nela e que nunca a deixarão sozinha. Numa segunda-feira, lá estiveram mais 54 mil, a passar a barreira do milhão na Luz, nesta época.


Pode dizer-se que também a equipa reagiu bem à derrota pesada, e à eliminação da Champions, mesmo que tenha voltado a levar o interruptor para o campo. É verdade, o Benfica voltou a ligar e desligar o interruptor do jogo.


Entrou muito forte, amarrando o Belenenses lá atrás, sem lhe dar tempo para respirar. Foi assim durante os primeiros vinte minutos, com futebol de grande qualidade. Rendeu um golo, a terminar o primeiro quarto de hora, pelo improvável André Almeida, com um feliz regresso à lateral direita, agora por lesão de Nelson Semedo, mais uma a juntar à infindável e já crónica lista de lesões. Nos 5 minutos seguintes o Benfica continuou à procura do golo, mas depois desligou.


É certo que não permitiu ao Belenenses sequer um remate. E também certo que não há equipa que consiga manter aquele ritmo durante a maior parte do jogo, quanto mais no jogo todo. Mas ninguém gostava do que via, até porque se via que, deixado mais à vontade, o Belenenses sabe jogar à bola.


O início da segunda parte parecia indicar que o interruptor continuava na posição off. O Belenenses entrou bem, a dizer que estava ali para discutir o jogo e vender bem cara a derrota. Durou cinco minutos, e acabou com uma bola no poste da baliza de Ederson. Na resposta o Benfica faz o segundo golo, soberbo, por Mitroglou. E o interruptor voltou a ligar-se, seguindo-se mais vinte minutos de belas jogadas de futebol, quase sempre desperdiçadas por mais um toque, mais um enfeite, mais um pormenor de requinte. Quase sempre de Jonas, mas nem só de Jonas...


Não foram vinte minutos iguais aos primeiros. Foram completamente diferentes, mas com o mesmo resultado - um golo, de novo excelente, por Sálvio. Estranhamente, já com o resultado em 3-0, o jogo partiu-se, deixando admitir que podiam vir aí muitos golos. E podiam ter vindo, oportunidades não faltaram. Nem ao Belenenses!


Acabou por dar apenas um. Mais um bonito golo, finalmente de Jonas. Que deixou uma boas notícia: está de volta. Que seja para ficar até ao final da época!

O win-win de Erdogan

 


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Depois de dominado e controlado tudo o que mexe no espaço limitado pelas suas fronteiras, o projecto de poder de Erdogan olha à volta  e vira-se para a Turquia que respira na Europa. Provavelmente não encontraria melhor oportunidade. Nem melhor forma, numa solução win-win, em que Erdogan sai sempre a ganhar: ganha se lhe permitirem intoxicar os seus súbditos em comícios por esta Europa fora; e ganha se não lhos permitirem. Como bem se está a ver!


Esta gente ganha sempre. Ganha se corre bem, mas também ganha se corre mal, porque também aí corre bem. Corre até bem quando a alguns  cai como... sopa no mel... 


 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Aproveitamento inevitável

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Foi - e continua a ser - notícia a abortada conferência de Jaime Nogueira Pinto, promovida por uns rapazes que se deram a conhecer por Nova Portugalidade.


 


Como então aqui referi, não se tratou, na minha opinião e como me parece fácil de perceber, de qualquer acto de censura. Mas nem por isso foi coisa menos perigosa, como já está à vista.


Por exemplo na crónica do João Miguel Tavares, ontem no Público. Ou na forma como certas notícias não são simplesmente notícia...


 


 


 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Inacreditavelmente assim!

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Dois mil milhões de euros de prejuízos na Caixa Geral de Depósitos, em 2016!


E nem sequer ninguém ficou para explicar... 


É assim... Inacreditavelmente assim!


 

Gente Extraordinária LV

 


 


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O líder parlamentar do PSD escolheu o dia do primeiro aniversário da tomada de posse do presidente Marcelo para o acusar de ter sido indelicado para Teodora Cardoso. Não acerta uma, este Luís Montenegro. Se ao menos tivesse escolhido o dia de ontem...


... E para dizer que se a geringonça cair, não é preciso ir para eleições antecipadas... Como se há um ano não se tivesse dado esta troca de cadeiras...


Gente extraordinária, também este Luís Montenegro!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Desolador

O mais e o menos do Dortmund-Benfica (e um P.S.)


 


 O Benfica saltou fora da Champions. Não conseguiu, desta vez, chegar aos quartos de final, que é mesmo o máximo que o futebol actual permite às melhores equipas que não sejam espanholas ou alemãs. Ou inglesas, vá lá... 


Era esperado. Em boa verdade, se o resultado da primeira mão, na Luz, podia legitimar algumas esperanças, a exibição, não. E mais esperado se tornou quando, logo na abertura do jogo, o Borússia marcou, e anulou a única vantagem que o Benfica trazia.  


Desolador é o resultado, 4-0 é uma derrota pesada. Sem atenuantes, mesmo que o jogo não tenha tido nada a ver com o da primeira mão. Mesmo com aquele golo logo de entrada, o Benfica não foi trocidado, como então tinha sido, dividiu o jogo com o Borússia, e equilibrou até as diferentes variáveis estatísticas do jogo, em particular a posse de bola e os remates. Chegou até a superiorizar-se à equipa alemã em grande parte do jogo, durante os três quartos de hora que mediaram entre o primeiro e o quarto. Aí, à entrada do segundo quarto de hora da segunda parte, em dois minutos o Borússia fez dois golos. De rajada, sem dó nem piedade, como que a apresentar a factura da Luz!


O Benfica acabou por pagar, com juros, a ineficácia de Aubameyang na Luz. Hoje fez três, não perdoou nenhuma. Até em fora de jogo valeu...


Mais desolador que a goleada, é ficarmos com a ideia que, maior que a diferença entre as individualidades, é a diferença para o colectivo. E essa diferença resulta de trabalho táctico, de mentalidade, e de dinâmica de jogo. E isso não custa tantos milhões como os jogadores!


Uma nota para a sensacional remontada do Barça: virou em Barcelona, com 6-1, a derrota de 0-4 de Paris. Nunca tinha acontecido. Mas aconteceu. O impossível aconteceu com três golos aos 88, aos 91 e aos 95 minutos. Mas também com a mão do árbitro, com inequívoca participação no milagre.


Em Dortmund, também se deu pelo árbitro, que poupou a expulsão a Dembèlé, e deixou um penalti por marcar a favor do Benfica. Mas nada que se parecesse com o passou em Barcelona... 


 

terça-feira, 7 de março de 2017

O dia nacional da lata

 


 


 


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Carlos Costa garante que de lá não sai, de lá ninguém o tira. Não diz que fez tudo bem, diz que fez tudo o que podia fazer... E que é, ele próprio, a garantia da independência do Banco de Portugal. Passos Coelho, mais papista que o Papa, não tem dúvidas que Carlos Costa fez tudo bem, com "competência, isenção e profissionalismo". Nem em confirmar a independência de quem fez tudo o que ele próprio e o seu governo quiseram que fosse feito para não atrapalhar a "saída limpa"!


Provavelmente nem um nem outro perceberam que nós, mesmo que não o tenhamos e só o vejamos partir, sabemos o que é o dinheiro. E sabemos que é a única coisa que nunca desaparece. A água consome-se, evapora-se... e desaparece. A floresta arde, abate-se ... e desaparece. Tudo o que se consome ou transforma, desaparece. Menos o dinheiro. Nunca desaparece, apenas muda de mãos. 


 Nós sabemos que das dezenas de milhar de milhões de euros que, à frente dos olhos do independente e competente Carlos Costa, desapareceram do sistema financeiro, de cada um dos bancos, não houve um único cêntimo que não tenha aparecido no bolso de alguém. 


Em vez do dia internacional da mulher, hoje, quando já se sabe que as declarações misteriosamente desparecidas do sistema fiscal correspondem a transferências do BES para o Panamá, deveria assinalar-se o dia nacional da lata. Da cara de pau. Ou da falta de vergonha!


 

Censura - dizem eles...

 


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A agenda do dia está marcada por duas notícias "configurantes" de censura: o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto à volta do  Populismo, do Brexit, de Trump e de Le Pen, na Universidade Nova de Lisboa e a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de fazer recolher todos os exemplares do livro "Eu e os políticos", de José António Saraiva.


Quando escrevi "configurantes" quis dizer que "podem" configurar censura. Podem, e muita gente - mais no primeiro caso, naturamente - está exactamente e denunciá-la. De resto é esse o único ponto de contacto entre os dois casos, é isso justamente que os junta. 


A Conferência cancelada, promovida por um grupo designado de "Nova Portugalidade", anunciava-se assim: "Populismo ou democracia? O Brexit, Trump e Le Pen em debate". "Em debate"... Todavia um debate com um único orador: Jaime Nogueira Pinto.


Pessoalmente tenho grande admiração e respeito pela dimensão intelectual do palestrante, mesmo que nenhuma simpatia pelas ideias que perfilha. A sua capacidade intelectual é estimulante para o debate - sigo sempre que posso a interessante conversa que mantém semanalmente na Antena 1, com Rúben de Carvalho - mas o debate pressupõe contraditório. Sem parte contrária não há nem debate, nem estímulo... Há - ou pode haver - outra coisa qualquer. Que poderá ter desencadeado outra coisa qualquer, eventualmente cheia de coisas condenáveis, mas que não é censura. Arranjem-lhe outro nome, censura é outra coisa!


Também, quando o Tribunal da Relação de Lisboa manda recolher todos os exemplares do livro do José António Saraiva, e retirar das novas edições os dois párágrafos que considerou "uma evidente invasão da zona da vida privada da requerente, e nesta, parcialmente, na sua esfera íntima”, - a requerente é Fernanda Câncio - não é de censura que se trata mas tão só, como os próprios os juízes salientaram, pôr "na balança a liberdade de expressão e o direito à privacidade". É um confronto de liberdades. E de direitos!


Curioso é que o autor entenda “que se trata de um livro de memórias, à partida de circulação restrita, e quem deu publicidade a certas passagens foram os que o atacaram”. E que assim, meio em segredo, já possa publicar o que quiser sobre a vida privada de quem quiser.


Não pode. E impedi-lo não é censura. Nem censurável!


 


 

segunda-feira, 6 de março de 2017

Grandes negócios

 


 


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O grupo PSA (Peugeot/Citröen) adquiriu a General Motors Europa (Opel - Vauxhall para os britânicos, que têm que ser sempre diferentes, não lhes basta conduzir pela esquerda) e tornou-se no segundo construtor do competente sector automóvel da Europa. 


Quer isto dizer que é português o líder do segundo construtor automóvel europeu. O mesmo que estava indigitado para a administração da Caixa Geral de Depósitos do famigerado António Domingues. O BCE, sem que o tivesse mandado estudar, como fez aos outros, rejeitou seu  nome  - em comum, entre automóveis e bancos, só vejo as emissões de co2  -,  a política rejeitou o de António Domingues e Carlos Tavares lá ficou disponível para ir às compras.


E, com a carteira cheia, ou sem grandes problemas de plafond no cartão de crédito, foi... gastar... 2,2 mil milhões de euros, ao que se diz!


Não é a primeira vez que grupo francês vái às compras à América. Já no mesmo no finalzinho da década de 70 tinha comprado o negóco europeu da Chrysler. E não correu lá muito bem. Mas os tempos são outros. E a Opel também...

sábado, 4 de março de 2017

Um jogo selvagem


 


Muito difícil, este jogo do Benfica em Santa Maria da Feira. Esperavam-se dificuldades, mas não tantas como as que o jogo apresentou. Pelo campo, que é sempre difícil, a que a chuva trouxe ainda mais dificuldades, e pela própria equipa do Feirense, muito bem trabalhada pelo seu jovem treinador. Nuno Manta é certamente mais um valor a despontar no futebol nacional, na linha de Marco Silva, e de mais um ou dois que por cá vamos tendo oportunidade de apreciar.


Comecemos por aí, para dizer que, à parte a motivação extra que sempre representa defrontar o Benfica, os jogadores do Feirense correram como poucos, jogaram no campo todo, raramente se remetendo à exclusiva defesa da sua área, e fizeram tudo isso com grande qualidade, individual e colectiva.


A equipa do Feirense tornou o desafio num jogo selvagem, completamente indomável. Um jogo que nunca se deixou controlar, porque só se consegue controlar um jogo depois de controlar o adversário. E o Feirense nunca se deixou controlar, mesmo com o Benfica a ter a bola em na sua posse durante dois terços do tempo de jogo.


Se a tudo isto juntarmos, mais uma vez, as muitas ausências - desta feita faltaram o maior desiquilibrador (Nelson Semedo), o maior equilibtrador (Fejsa) e o de maior classe (Jonas), que só entrou na parte final - temos o quadro completo das enormes dificuldades que hoje o Benfica encontrou.


Na primeira parte nem o Benfica foi superior ao Feirense, nem teve muito mais oportunidades de golo. Ao contrário do adversário o Benfica proveitou, com o golo de Pizzi já perto do intervalo, uma das duas ou três oportunidades que criou. 


Na segunda parte, à excepção de cerca de 10 minutos ali pelo meio, a superioridade do Benfica foi clara, mesmo que nunca lograsse o domínio absoluto do jogo. O Feirense não dispôs de mais que uma oportunidade de golo, naquele canto que levou a bola até ao pé esquerdo do Ederson, que só a segurou depois de já a ter procurado dentro da baliza, enquanto o Benfica despediçou uma enorme séria de oportunidades claras. Três ou quatro, só à conta de Mitroglou.


Se a primeira parte deu ao jogo o golo de que se fez a vitória, a segunda deu-lhe os argumentos para a justificar.


O que se não justifica, não se aceita, nem se desculpa, é o comportamento de alguns adeptos que estavam atrás da baliza do Feirense na primeira parte. Envergonha-nos a todos, Envergonha-me a mim!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Mais outra dívida impagável*

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Volto ao tema da semana passada, porque não perdeu actualidade. Pelo contrário, ganhou ainda mais, com o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais à data dos acontecimentos a dizer, no Parlamento, tudo e o seu contrário, e a meter os pés pelas mãos. Depois de ter começado por dizer que a publicação das estatísticas das transferências para as offshores era da responsabilidade da Autoridade Tributária, e não dele, Paulo Núncio, Secretário de Estado, acabou a referir que tomou a decisão de não as publicar para, nas suas próprias palavras, "não beneficiar o infractor". Trapalhada mais trapalhona não há!


Esta é de resto uma trapalhada com muito de pescada: antes de o ser já o era.


Quando foi chamado por Paulo Portas para o governo de Passos Coelho, Paulo Núncio ganhava a vida a tratar da vida das offshores. Quando saiu do governo regressou, naturalmente, ao seu modo de vida. Pelo meio, no governo, dificultou-lhes a vida, deixando de publicar a informação dos montantes que levavam do país, e deixando fechados numa gaveta durante anos – tantos quantos durou a sua missão no governo – sem resposta, os pedidos de despacho dos serviços da Autoridade Tributária para a respectiva publicação. Porque, veja-se bem, publicá-las seria ajudar os fraudulentos…


Se a isto juntarmos a famosa lista VIP, que o senhor também começou por desmentir, criada para que gente importante, e certamente de bem, não fosse sequer incomodada com uma consulta ao seu cadastro fiscal, percebemos a verdadeira dimensão de quanto o país deve ao Senhor Núncio, como a Senhora Cristas anunciou.


Impagável. A dívida e a Senhora Cristas!


 


* Crónica de hoje, na Rádio Cister

quarta-feira, 1 de março de 2017

Siga a dança!

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Até parecia que o calendário estava um mês adiantado. Ontem, 1 de Março, só se falou de mentiras...


Começou com as mentiras e trapalhadas de Paulo Núncio - a quem, por sentença de Cristas, o país tanto deve - no Parlamento, e acabou com as de Carlos Costa, o ainda governador do Banco de Portugal, que a reportagem da SIC mostrou ao país. Nada que não se soubesse já, dirão. Mas... assim? Com tudo documentadinho, preto no branco? 


Pronto, agora que já sabemos, podemos continuar a fingir que não sabemos que o Sr Carlos Costa foi lá posto para aquilo mesmo: para (não) fazer o que (não) fez. Ele vai continuar a fingir que é o governador do Banco de Portugal, com idoneidade para dar e vender no sistema bancário. O poder político vai continuar a fingir que está a reestruturar o sistema financeiro. E os poder judicial vai fingir que não viu nem ouviu nada... Ou - sabe-se lá? - vai acrescentar o Sr Carlos Costa à lista de arguídos da Operação Marquês...


E siga a dança!

Coisas (fantásticas) do marketing

 


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Sabemos que o marketing recorre muitas vezes ao revivalismo para relançar produtos e marcas decadentes. São muitas e variadas as experiências, e partem sempre da mesma base: o ícon. Se os produtos ou as marcas não tiverem sido suficientemente icónicos não passam na prova de ressurreição.


Vemos isso na indústria da moda, mas vêmo-lo de maneira particularmente flagrante, e com muito sucesso, na indústria automóvel. A Wolkswagen - provavelmente a menos bem sucedida de todas - como não tinha uma marca associada ao modelo, recriou o Carocha (designação popular baseada na forma, e nunca designação oficial do modelo, susceptível de fazer vida de marca) no New Beatle. A FIAT foi e continua a ser bem sucedida  com a sigla 500, como a Citroen começa a sê-lo com a DS, mesmo sem recriar o fabuloso Boca de Sapo. A BMW fez diferente, e aproveitou a sua "excursão" à British Leyland para de lá trazer o Mini, transformá-lo em marca e no maior sucesso comercial de todos. E naquele que provavelmente mais rompe com o conceito de nicho de mercado normalmente associado ao fenómeno. 


Não imaginaríamos que o marketing tentasse fazer o mesmo na novíssima e revolucionária indústria dos smart phones. Mas foi por aí que a finlandesa Nokia se lançou para renascer das cinzas. Varrida da face da terra pela revolução digital nas comunicações móveis, aquela que era a bandeira da Finlândia, prepara-se para ressuscitar agarrada ao ícon que foi o seu 3310.


A princípio estranha-se. Teclado é coisa de que muita gente já nem se lembra. Depois percebe-se que não lhe falta nada. E por fim a cor faz o resto... Não tenho grandes dúvidas que estamos perante o mais intressante e arriscado desafio do "marketing revivalista". E muito poucas que houvesse outra forma de trazer uma vez mais a Nokia de volta.  


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...