O Ministério público pediu mais 60 dias, pelo menos, para concluir a investigação à Operação Marquês.
No momento em que escrevo ainda não se sabe - e seria suposto já se saber - se a Procuradora Geral da República vai ou não deferir esse requerimento. Mas sabe-se que não o pode indeferir, sob pena de lançar o Ministério Público no descrédito total, e liquidar de vez o nosso sistema judicial!
Não é pois uma questão de legitimidade, ou de decência. É tão só uma questão de possibilidade. Do que pode ser, e do que não pode ser. Não adianta muito discutir a legitimidade, como pretendem e disso fazem gala, Sócrates e a sua equipa de advogados. Há apenas que perceber que simplesmente não é possível outra coisa.
É aceitável pedir mais 60 dias, depois de se terem esgotado os 180 anteriormente pedidos, já em cima de mais de 3 anos de investigação? É, e não é!
Não é, se olharmos com os olhos dos arguidos. Não é, à luz do que todos gostaríamos que fosse a Justiça. É, se olharmos para as frentes de investigação que estão abertas, e na complexidade de cada uma delas. É, se olharmos para trás, e comparamos com outros processos minimamente comparáveis. Como a Operação Furacão, cuja investigação demorou 10 anos.
Esta dualidade, este sim e não, acaba por ficar como a marca mais profunda deste processo. E o maior perigo que de lá espreita.
Porque se, no fundo, serão muito poucos os portugueses convencidos da inocência de Sócrates, e do sistema que medrou à sua volta, se calhar são ainda menos os que, agora, acreditam que seja possível encontrar provas para produzir uma acusação sólida.
É que, se as cartas rogatórias são fundamentais para acusação - e tudo indica que sejam - se durante dois ou três anos não chegaram respostas da Suíça, de Angola ou de Singapura, será pouco provável que cheguem agora em 60 dias…Ou provavelmente menos!
* Da minha crónica de hoje na Rádio Cister
Sem comentários:
Enviar um comentário