sábado, 31 de maio de 2014

Vê-mo-nos gregos com(o) eles

Por Eduardo Louro


 Apostas de Bento sem solução contra a Grécia


 


A selecção até entrou bem no jogo. Depois foi caindo… caindo… até praticamente desaparecer, no último quarto de hora. Cantos, muitos cantos, todos da mesma maneira e a valer o mesmo: zero.


Sem Cristiano Ronaldo nem sequer há quem bata os livres, as célebres bolas paradas. Percebeu-se que há o Miguel Veloso, mas não serve. Que também não serve para ser o transportador e organizador de jogo que Paulo Bento hoje quis que fosse. À falta de melhor, vê-se a falta que o Danny faz...


Sem Cristiano Ronaldo, a selecção é uma equipa vulgar. Pouco menos vulgar que a selecção da Grécia, que não passa daquilo. Com Rehagel ou com Fernando Santos, o futebol é o mesmo. Pobre, muito pobre, como o país… Mas mesmo assim acima das nossas possibilidades. Nem vendo-nos gregos lhe ganhamos!

Coisas intragáveis

Por Eduardo Louro


 


 


A Web é provavelmente uma das maiores e mais fascinantes ferramentas que o Homem construiu. Mas presta-se a tudo e presta para tudo. E presta-se muitas vezes, vezes de mais, para o que não presta…


Desta vez prestou-se para mais um boato que, diz-se, é um vírus. Como se o boato não fosse já o maior dos vírus…  

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tentação irresistível

Por Eduardo Louro


 


Como se sabia, o orçamento em vigor, como sucedera nos anteriores, contém diversas inconstitucionalidades. Faltava apenas que o Tribunal Constitucional as confirmasse…


Conforme se esperava confirmou hoje três delas – outras, como por exemplo a CES, ficam ainda à espera – entre as quais os cortes salariais na função pública.


O primeiro-ministro, ameaçando o Tribunal Constitucional e pelo caminho todos nós, garantira que iria aumentar impostos. Com o IRS a bater no tecto, já só o IVA está à mão… Rebenta com a minúscula réstia de esperança na espécie de crescimento que alimenta o milagre económico que o Pires de Lima anda a vender… Traz de volta a recessão, que não fora embora sem deixar na porta um Volto Já


Resta a Passos e Portas a tentação enorme, tão enorme quanto o enorme aumento de impostos do sucesso da sua governação, de tirar partido imediato da situação no PS. Uma tentação que Seguro, hoje no mais desastrado dos seus dias de uma semana miserável - que, depois de completamente perdido no meio da moção de censura do PC, culminaria na patética reacção à decisão do Tribunal Constitucional – torna certamente irresistível.

Coisas intragáveis

Por Eduardo Louro


 


Legisla-se por tudo e por nada. E para tudo e para nada, engordando a burocracia e o funcionalismo, cada vez mais zeloso da coisa. Nascem e crescem interesses ilegítimos, que alimentam poderes obscuros. Que tecem as teias que capturam nobres iniciativas e se enchem de boas intenções.


Algumas (iniciativas) fogem da teia e avançam. Dê por onde der, e já que estão na clandestinidade, não encontram limites nem barreiras. Acabam a crescer à margem de tudo, e ao arrepio do interesse colectivo. Justamente do que as leis, a burocracia e os funcionários zelosos, em vão, se dizem guardiões…


É sempre assim. O Estado penaliza sempre os que se dispõem a cumprir … E acaba sempre por beneficiar quem não hesita em passar ao lado das dificuldades que ele próprio cria. Acaba sempre por regularizar o irregular, sempre em benefício do infractor… 


É também disto, ou fundamentalmente disto, que se faz o endémico atraso do país…

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A dimensão de um imperativo

Por Eduardo Louro


 


Quando, em cima da hora, aqui dei a notícia da decisão de António Costa chamei a atenção para a importância de se tratar de um imperativo de responsabilidade e não do simples aproveitamento da melhor, e talvez última, oportunidade de chegar ao poder.


Provavelmente nunca se saberá da verdadeira motivação de António Costa.


Admito que muitos julguem que isso não é importante, que ao presidente da Câmara de Lisboa se abriu o melhor de dois mundos, e que apenas teve de se limitar a juntar o útil ao agradável. Mas não me parece que seja bem assim, não me parece que perceber a situação política em que o país mergulhou, e agir em conformidade em função do interesse do país seja a mesma coisa que simplesmente somá-la às restantes condições que fazem deste momento político uma oportunidade única e irrecusável.


Pode admitir-se que o imperativo de António Costa tenha surgido da súbita perturbação que Guterres tenha introduzido na tranquilidade com que, sentado na cadeira da Câmara da capital, esperava pelas presidenciais. Mas ao fazê-lo não resta outra alternativa que não seja perceber que tudo fica na mesma, que não é aberta nenhuma janela de oportunidade para sanear um regime que, como tenho vindo a dizer, se encontra esgotado e bloqueado.


O crescente divórcio dos portugueses com o sistema partidário instalado traduz-se numa abstenção que já ultrapassou todos os limites, na pulverização do voto de protesto dos que ainda não desistiram e, com isso, no esgotamento do espaço eleitoral capaz de gerar soluções governativas. Chegamos ao momento em que resta apenas o bloco central como espaço de solução de governo. O PSD e o CDS, como quer a governação destes três anos quer estes resultados eleitorais demonstram, já não preenchem esse espaço. O PS, como se outras evidências não houvesse também estes resultados eleitorais demonstram, não tem igualmente condições para isso. Não há mais condições para manter a roda do regime: derrota, mudança de líder – cada vez mais fraco, mais jota e mais plástico – vitória, derrota…


O bloco central em que o regime acabou por desembocar, e que o Presidente da República - curiosamente o coveiro da única experiência que o país conheceu - deseja, não é solução. Quer dizer, é. Mas é justamente a solução final. Tapa a última válvula de escape do regime, e a partir daí é a explosão!


Por isso seria muito importante – decisivo mesmo – que o imperativo de António Costa seja de verdadeira responsabilidade e não de mera oportunidade. Que resulte, se não exactamente desta avaliação, de qualquer coisa não muito distante. Sem que seja o Messias, o salvador do regime e muito menos da Pátria, António Costa poderá ter condições para, enquanto abre novas pontes para o regime, ou simplesmente frestas por onde entre algum ar respirável, se não refundar o partido, pelo menos quebrar as velhas lógicas.


Sendo certo que, sendo bem sucedido no PS, o PSD não poderá – nem quererá – ficar para trás!


Não deixa de ser curioso reparar que quando se ouve falar de António Costa no PS se ouve, de imediato, falar de Rui Rio para o PSD. Não quer dizer que seja, também ele, o Messias do PSD e a outra chave do desbloqueamento do regime. Nada disso, mas enquanto um duelo Costa/Rio pode sugerir o adjectivo estimulante o equivalente para Seguro/Passos não passa de penoso!


Tão dificilmente este passo de António Costa será tudo como será nada. Se nem nesta altura Seguro estiver à altura das responsabilidades e insistir em esconder-se, desta vez atrás das suas tropas, é que nunca conheceremos a dimensão deste imperativo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O caso típico da falta de jeito

Por Eduardo Louro


 


António José Seguro lembra um daqueles miúdos a quem a natureza negou de qualquer jeito para a bola mas que meteu na cabeça que havia de ser jogador de futebol. Não fez mais nada desde pequenino, sempre com a bola debaixo do braço. Quando chega a um jogo a sério não sabe parar uma bola, não sabe fazer um passe, não há um drible que engane ninguém, e quando vai para rematar só encontra atmosfera… Não percebe que tem de ser substituído e grita que é o dono da bola…  

Divisão na(s) família(s)

Por Eduardo Louro


 


Que o aparelho socialista iria reagir ao avanço de Costa, já todos sabíamos. Que Seguro não estivesse disposto a entregar o piano depois de o ter carregado até aqui, também se poderia dar por certo. Que isto fosse dividir a família socialista, era inevitável. O que talvez não se esperasse é que tivesse dividido também a própria família Soares!


Curioso é que o miúdo fale de egos ...

terça-feira, 27 de maio de 2014

Espírito Santo ... de orelha

Por Eduardo Louro


 


Com o arranque da negociação dos direitos de subscrição é dado hoje o pontapé de saída no processo de aumento de capital do BES que decorre das dificuldades financeiras do grupo que têm vindo a público.


A este aumento de 1045 milhões de euros no capital do Banco, juntam-se outros, em particular no capital da holding dos negócios não financeiros do grupo – Rio Forte. Tudo somado são 2745 milhões de euros, que o grupo terá de ir captar ao mercado nacional e internacional no mais curto prazo de tempo para evitar males maiores, incluindo ter de recorrer ao fundo de capitalização da banca – de que o BES fizera ponto de honra em afastar-se –, onde ainda restam 6 mil milhões. E junta-se a alienação de activos imobiliários em Portugal e no estrangeiro, especialmente no Estados Unidos.


As dificuldades financeiras do grupo poderão até ser resolvidas com estas medidas de emergência em curso. Mas o banco – e o grupo – não atravessa apenas dificuldades financeiras… Acrescem sérias dificuldades de reputação … E a essas não há capital que acuda!


Foi multado em Espanha por problemas de branqueamento de capitais, e está a ser investigado no s Estados Unidos por infracções idênticas. O próprio Ricardo Salgado também passou por problemas com as suas declarações fiscais, para o que contou, como de resto é costume, com a complacência da administração fiscal…


A forma como o grande público tomou conhecimento do descalabro financeiro também não abona. Foi o próprio Ricardo Salgado, cabisbaixo e longe daquela pose altiva com que fazia recomendações ao poder político e dava opiniões de governação que, obrigado a esclarecimentos no quadro da operação de aumento de capital,  veio a público prestar a informação e  – pasme-se – culpar o contabilista. Não foi porque os reguladores, o Banco de Portugal – que inclusivamente havia pedido a auditoria externa que detectou "irregularidades materialmente relevantes" que esconderam 1200 milhões de dívidas nas contas de 2012 - e a CMVM, tivessem cumprido com a sua obrigação de informar…


Não admira por isso que, quando tudo isto acontece num grupo que é o expoente máximo do regime, de onde ao longo dos últimos 30 anos têm saído deputados, ministros, dirigentes de políticos de toda a espécie e administradores de empresas e demais orgãos do Estado, a única demissão tenha sido a do contabilista… E que quase só por espírito santo de orelha se fosse sabendo destas coisas!

António Costa, pois claro...

Por Eduardo Louro


 


António Costa chegou-se à frente. Deu o passo que faltava, não podia ser de outra forma... 


Mas o país precisa que tenha sido um imperativo de responsabilidade e não o simples aproveitar da melhor oportunidade. Que António José Seguro potenciou com o patético discurso e os absurdos festejos de domingo à noite, a fazer lembrar aquele ministro dos negócios estrangeiros de Sadam!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

À procura de um fundo...

Por Eduardo Louro


            


Ontem, com os resultados das eleições ainda quentes – em boa verdade as projecções, porque os resultados, por força de mais uma das muitas aberrações que por aí se vêm, ficaram congelados durante horas, pelo que já estavam bem frios quando apareceram – olhei-os à procura de surpresas e novidades. Hoje olho-os como um túnel, lá para o fundo, à procura da luz …


A coligação no governo, mesmo com o pior resultado de sempre, acha que não foi mau. Perderam por poucos, disseram. E isso deixou-os felizes e satisfeitos, prontos para voltar hoje ao trabalho, cheios de coragem e motivação.


Na verdade não perderam por poucos. O pior resultado de sempre não dá para perder por poucos… Apenas olham muito curto, só ali para o lado. Para o adversário que é também parceiro … de partilha do poder!


Pretendem ignorar a derrota escrita nos 28% dos votos, e procurar a vitória nos escassos 4 pontos de vantagem do PS, S de Seguro. Que por sua vez pretende fazer crer que são suficientes para reclamar legitimidades que não se vislumbram e para os festejos patéticos a que assistimos. Realça o pior resultado de sempre da direita, mas quer ignorar que, sobre o ponto mais baixo de sempre do adversário/parceiro, não conseguiu mais que uns escassos 4 pontos, menos do que os 5 que perdeu desde as autárquicas, há apenas 8 meses. E que o resultado que lhe assegura esta vitória está praticamente ao nível do que, há cinco anos, com Sócrates, se traduzira numa das maiores derrotas do partido.  


Quer isto dizer que em boa verdade ambos – e este é um caso de ambos os três – perderam! Uns, perderam perdendo. Outro, perdeu mesmo ganhando!


Estes três partidos que têm dividido entre si o poder, e que por isso se intitulam do arco da governação, ficaram pela primeira vez aquém dos 60% dos votos. Há razões para acreditar que a coligação salvou Portas e o CDS de serem varridos do mapa político, e isso não vai passar despercebido.


Quer isto dizer que a única razão para que a coligação se mantenha para as legislativas do próximo ano é levar o governo até ao fim da legislatura. Se, e quando, Portas perceber que não há coligação faz cair o governo, disso não há qualquer dúvida.


Porque se percebe que a mudança, mesmo que lenta, está em curso e que os portugueses começaram mesmo a responsabizlizar estes três partidos pela destruição do país. PSD e CDS já não são capazes de garantir fórmulas governativas maioritárias, o que devolve o mais pequeno à marginalidade. É agora inevitável que o próximo governo saia do bloco central, e que Portas se torne descartável. A partir de agora, no ponto a que chegou o processo de erosão do campo da governação, apenas PSD e PS juntos conseguem formar soluções governativas maioritárias. Tanto destruíram, cada um para seu lado, que foram ficando sem espaço. Resta-lhes agora um pequeno reduto onde, para sobreviver, ambos, bem juntinhos, se vão acantonar.


Com Seguro e Passos juntos num governo também esse pequeno reduto será rapidamente destruído. Só então se verá o fundo do túnel em que estamos metidos. Se ainda houver país, pode ser que lá esteja alguma luz...

domingo, 25 de maio de 2014

Poucas novidades e menos surpresas ainda

Por Eduardo Louro


 


 


Não há grandes novidades nos resultados eleitorais de hoje. Os partidos que dominam o regime foram bem menos penalizados do que seria necessário. Mas isso já não é novidade…


Como também não é novidade o resultado da coligação de governo levada até às europeias. E que por aí se deve ficar… Novidade é que a conjugação da obrigatória penalização do governo com a miserável campanha que fizeram não tenha dado ainda piores resultados. Porque não é novidade que muita gente continua a votar como se o partido fosse um clube.


O Bloco caiu para metade dos votos e para um terço dos deputados das últimas europeias, há cinco anos. Mas na verdade a queda não foi assim tão abrupta, porque há muito que está em queda livre. Sabe-se bem porquê, e por isso não é também novidade.


Novidade mesmo é o resultado de Marinho Pinto. Que não totalmente surpreendente, a sua eleição era esperada. Porque estas eleições prestam-se a alguns epifenómenos. Porque se trata de uma figura bem conhecida do grande público, por força de uma duradoura e intensa exposição mediática, mas também porque tem um estilo muito próprio, que vai bem com o mercado do voto de protesto. Um estilo apoiado numa imagem de uma certa exuberância salpicada de veemência e frontalidade, que facilmente se pode designar de populismo. Mas que não deixa por dizer as verdades que têm de ser ditas e que o regime esconde. Se a sua eleição não é por isso uma grande surpresa, o mesmo já não se pode dizer da expressão eleitoral que atingiu. O extraordinário score que torna o MPT na quarta força política destas eleições, bem acima do Bloco de Esquerda é, esse sim, a verdadeira surpresa e a grande novidade. Quiçá a única!


Porque nem a abstenção é novidade, está mesmo abaixo dos 70% que chegaram a ser esperados, e dentro da média europeia, nem a meia vitória do PS deixa de ser o que se esperava. Porque Seguro até pode ter ficado seguro, mas não dá para mais que isso. É bom que as bases do PS o percebam, porque a cúpula não está nada preocupada com essas coisas.


O PS vence mas não convence. Não há nenhuma grande vitória, não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira... Mesmo com PSD e CDS – juntos não fazem mais que 28% – no pior resultado de sempre! 

sábado, 24 de maio de 2014

La décima

 


Por Eduardo Louro


Real Madrid celebra a "décima" com reviravolta histórica


 


Quem puder comparar esta segunda final da Champions de Lisboa, agora no Estádio da Luz, com a pimeira, de há 47 anos no Estádio Nacional, fica com uma ideia do que é o negócio de futebol. A UEFA - como a FIFA, nisso são a mesma coisa - mostrou em Lisboa o extraordinário negócio em que transformou o futebol. E a excelência dos recursos que coloca ao serviço da promoção dos grande eventos de futebol que gere.


Repare-se que da infindável publicidade estática do Estádio da Luz nem uma única sombra restou. Dir-se-á que não podia ser de outra maneira, mas então o que dizer quando as próprias garrafas de água que os jogadores utilizaram não tinham sequer rótulo?


Mas essa é a dimensão do negócio a que o futebol chegou. O fantástico evento que a UEFA criou e a que chamou Lisbon 2014 foi muito mais que o jogo de futebol. Mais que um jogo em que o hino da Champions foi cantado ao vivo, pela voz da Marisa, de que poucos terão dado conta. E muito mais que um jogo que ficará na História do futebol europeu e mundial. Porque, sem que tenha sido um grande jogode futebol, foi uma dramática e emocionante final. Porque foi a primeira, e dificilmente repetível, final da prova máxima do futebol de clubes disputada num derbi. Mas porque acima de tudo é lá décima. A há muito ansiada e e há muito adiada décima Taça dos Campeões Europeus desse colosso do futebol mundial que se chama Real Madrid!


Até aos 93 dos 95 minutos que o jogo teve, o Atlético de Madrid esteve na frente do marcador, aproveitando um erro indesculpável de Casillas quando faltavam 10 minutos para o intervalo. Defendeu essa vantagem como pôde, usando na perfeição o fantástico trunfo de Simeoni: uma equipa com 11 Simeonis, uma equipa toda de jogadores à imagem do jogador que foi. No bom e no menos bom...


Acontece que no futebol as melhores equipas serão sempre as que tiverem os melhores jogadores. E quando são os melhores dos melhores... O Atlético de Madrid foi, durante toda a época, mais equipa que o seu rival de Madrid. E mais equipa do que o Barcelona, mas não é melhor equipa que o Real Madrid. Nem que o Barcelona.


E por falar em melhores, dos três portugueses em campo, o Tiago foi o melhor, mesmo que CR 7 tenha feito mais um golo - o quarto e último - e fechado a sua participação nesta edição da Champions com a fantástica e porventura inultrapassável marca de 17 golos. Mas não foi o melhor dos também três ex-Benfica, esse foi Di Maria... Que foi mesmo o melhor de todos, the man of the match!  


Por maior que seja a simpatia para com uma equipa que de simpática não tem nada, mas que tem sempre aquele plus do encanto dos que com menos fazem mais, foi com toda a justiça do futebol que o Real Madrid ganhou la décima. Foi melhor em duas das três partes do jogo: bem melhor na segunda parte e muito melhor no prolongamento!

Uma mensagem de esperança

Por Eduardo Louro



 


Não há que desesperar, o momento de glória acaba sempre por chegar... Pode ser um simples minuto, ou todo um dia... O do aeroporto de Beja chegou hoje!


 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

O valor do voto

Convidado: Luís Fialho de Almeida


Los caprichos (1799)


 


Segundo os resultados do Eurobarómetro as eleições de 25 de Maio deverão registar uma abstenção histórica, dada a insatisfação dos portugueses com a democracia e com a União Europeia. Esta insatisfação não tem sido contrariada e tem vindo a aumentar, registando-se uma abstenção de 59.7% nas eleições europeias de 1999, 61.3% em 2004 e 63.2% em 2009.


Uma forte abstenção, sinal do desinteresse pelas promessas e programas propostos ao eleitorado, poderia ser uma vergonha para os que se candidatam à governação, mas vergonha é sentimento que estes actores políticos não têm. A abstenção será lamentada após as eleições, mas rapidamente deixa de preocupar, porque reformar o sistema politico e partidário, tendo em vista a sua credibilidade, é algo que mexe com os interesses instalados.


Os eleitos, uma vez no poder, passam para segundo plano a vontade dos eleitores, expressa nas promessas feitas. Em primeiro lugar está a satisfação das clientelas partidárias ávidas de benesses, bem como a satisfação dos financiadores partidários quais sócios capitalistas da empresa política. O eleitor só manda no dia das eleições, só nesta data é decisor, mas deixa de mandar nos eleitos, passando a estes um cheque em branco para que nos governem e, com o nosso voto e em nosso nome, façam o que entenderem.


Ganhas as eleições, só novo sufrágio poderá retirar os ganhadores ou uma excepcional dissolução da Assembleia, caso haja um Presidente da Republica competente e ousado. Até lá, é espoliar a bem da família política até ao descrédito final, dando tempo para que os anteriores perdedores e predadores sejam perdoados, porque nestas coisas a memória é curta e o ciclo repete-se.


A verdade reveste-se de duas facetas, antes e depois das eleições. Antes, no período de campanha eleitoral, promete-se que deixará de haver aumento da carga fiscal e haverá a reposição de benefícios sociais. Depois, tudo se mantem ou se agrava, sob a desculpa que afinal a verdade das contas publicas era outra, porque desconheciam, porque andaram entretidos com as intrigas politico palacianas em S. Bento, e a olhar para os extratos bancários confirmando que a austeridade não os atinge.


Da Europa, e das necessárias reformas das instituições, e da política europeia face ao mundo envolvente em ebulição, pouco se falou nesta campanha eleitoral. É reconhecido o papel marginal que temos em influenciar os determinismos e as orientações da política europeia, mesmo tendo um português à frente da Comissão, e os nossos exemplos de rigor e atitude não melhoram a nossa credibilidade. Segundo Luísa Meireles (Expresso/Atual, 17.05.2014) o futuro de países intervencionados como Portugal passou para as mãos de outros e, por outro lado, como ironia da crise: “A União Europeia, criada para manter sob controlo o poder alemão, acabou por colocar o poder da Europa nas mãos da Alemanha…” Talvez, por isso, nestas eleições se tenha falado como se de eleições legislativas se tratasse. Ficamos assim, mais uma vez, longe da Europa, submissos e contentes…   


Não será fácil neste desgoverno escolher quem governará melhor, mas a nossa habitual tolerância e indiferença, a nossa não acção contra esta gente que nos leva à pobreza e à humilhação internacional, tornam-nos cúmplices dessa mesma pobreza e dessa humilhação. Terminada a 3ª intervenção financeira internacional desde de 1977, a troika sai deixando-nos sob observação e deixando-nos um atestado de menoridade difícil de reparar. Sem as reformas necessárias para termos políticas e políticos credíveis, tenha o voto o valor que tiver, é sempre melhor mostrar o sinal de quem não dorme, e não se resigna com todas as vilanagens.


O desinteresse pelo acto eleitoral reverte em benefício dos que dele se aproveitam. Enquanto a razão dorme, outros atacam. Ocorre-me adaptar a inscrição de Goya no seu quadro de 1799, “o sono da razão produz monstros” (quadro acima).


Vamos votar!

Coisas esquisitas

Por Eduardo Louro


 


Enquanto uma reportagem televisiva dava conta de polícias a abordar turistas em Lisboa questionando-os sobre a satisfação na sua estadia, aconselhando-os sobre cuidados a ter na sua protecção e – pasme-se – prontificando-se a carregar na máquina fotográfica para que nenhum ficasse de fora, uma outra contava-nos que a direcção da PSP tinha trinta outros polícias fechados num armazém da Abel Pereira da Fonseca, a separar por cores tampinhas de plástico para a construção de uma mega bandeira de Portugal para mais um record para o Guiness, que irá servir de promoção à selecção nacional de futebol.


Digam-me lá se isto não é um país de contrastes, capaz das coisas mais inimagináveis?


Até capaz de esperar à porta de um tribunal para ver chegar e aplaudir um criminoso fugido da Justiça que, mesmo sujeito a pulseira electrónica, assassinara duas mulheres e tentara assassinar outras duas - a mulher e a filha…


 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Tempo de fim de festa

Por Eduardo Louro


 


Não admira que à medida que esta campanha eleitoral se está a aproximar do fim se encha cada vez mais de balelas, de guerras de alecrim e manjerona. Não é apenas porque Paulo Rangel se presta a isso, um verdadeiro mestre dessa arte, capaz de, num abrir e fechar de olhos, virar um discurso do avesso, passar de agressor a vítima, de vilão a herói... Sempre empolgado e empolgante, arrebatador. Nem que, como ontem dizia o Joaquim Vieira, esteja apenas a contar o que comeu ao pequeno-almoço… É de resto disto que os media gostam, é a isto que chamam de capacidade política!


É porque a máscara da festa do governo está a cair todos os dias, e é preciso que as pessoas não reparem nisso. Pelo menos por mais três dias, que é também preciso que passem depressa. E com muitas luzes e muito barulho...


O PIB caiu no I trimestre. A dívida pública – soube-se hoje – está já nos 132,4% do PIB, continua a crescer e já não há peneira para tapar o sol da sua sustentabilidade. Os juros estão a subir. Ontem, ir ao mercado, já saiu mais caro. Estão a chegar decisões do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento em vigor. Sabe-se já que uma das inconstitucionalidades é o corte dos salários da função pública, que deverão ter de ser repostos nos níveis de 2010. E sabe-se, como o primeiro-ministro ameaçou, que tudo isso – cerca de mil milhões de euros – será coberto com mais impostos… 


O tempo é de fim de festa. A festa está a dar as últimas, mas é preciso que se aguente até domingo!


 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Charlatães

Por Eduardo Louro


 


Marcelo Rebelo de Sousa – (por)que quer ser presidente – para se esconder desta que sabe ser uma governação maldita, e destes candidatos da coligação vazios, demagogos e trapalhões, aponta a escolha de Juncker para primeiro-ministro da União Europeia como razão para votar na lista PSD/CDS.


Afinal o mais bem informado do país e arredores, o homem que sabe tudo e de tudo, não sabe que Merkel disse que já escolheu… Que estas eleições não contam para nada disso, e que nós também já sabemos...


Coitado, até dá pena... Se é que os charlatães são dignos disso!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Democracia europeia

Por Eduardo Louro


 


Andaram a convencer-nos que estas eleições europeias serviriam também para, pela primeira vez, escolher o presidente da Comissão Europeia. O Senhor Schultz e o Senhor Juncker têm até andado por aí – nem sempre muito felizes, o primeiro numas selfies pouco bem sucedidas, e o segundo em alardes de ignorância – também eles convencidos que eram os candidatos. Ou então – quem sabe? - actores de mais um enorme embuste, nada a que esta Europa não nos tenha habituado…


Pois é. A Senhora Merkel veio hoje dizer que o governo europeu, a Comissão Europeia, não tem que ter nada a ver com eleições. E que até já o escolheu, no que tem o apoio do SPD, o seu parceiro de coligação e …  partido do Sr Schultz. E que o presidente será uma presidenta: Christine Lagarde!


Aposta de diplomatas europeus, dizem... É esta a democracia na Europa. E a Senhora Merkel já nem se preocupa em esconder o que quer que seja: tomou o poder e exerce-o, sem restrições nem limites. Foi aqui que chegamos, foi a isto que Durão Barroso conduziu a Europa.


Nada que preocupe os nossos candidatos, que preferem andar entretidos em jogos florais de supostas ofensas e pedidos de desculpa. Não merecem a abstenção de 70%. Merecem 100% de desprezo!

Mais plástico, muita gelatina...

Por Eduardo Louro


 


Surpreende-me a enorme decepção que Paulo Rangel está a representar. Nem a boa imprensa, que indiscutivelmente tem, o salva das gritantes fragilidades políticas que não consegue disfarçar.


Rangel, que na candidatura à liderança do PSD tinha deixado a ideia de solidez, política e de carácter, está a revelar-se um político de plástico igual a todos os outros que por aí andam. Mesmo que com menos alguns quilos e menos uns centímetros de perímetro abdominal, está muito mais gelatina do que então parecia!


Pode até parecer uma máquina de campanha, pode até sugerir aos mais descuidados uma boa capacidade de empolgamento de massas, mas não tem qualquer substância. Como de resto já se desconfiava da sua apagada passagem pelo Parlamento Europeu, nos últimos quatro anos...


É por isso que se lhe não ouve uma ideia sobre a Europa, nem se lhe percebe uma reflexão sobre os grandes problemas que hoje afligem e ameaçam os europeus, e os portugueses em particular. Foca-se nas questiúnculas internas e efabula sobre o despesismo socialista, na retórica fácil para esconder o absoluto vazio de ideias. Mas também para desvalorizar a sua responsabilidade no resultado eleitoral que aí vem, e acentuar a de Passos Coelho. Escondido atrás do discurso populista do despesismo, de aparente solidariedade com o governo, Paulo Rangel não está a fazer mais nada que a sacudir a água do capote!


E, claro, quanto mais abébias – como a de Manuel Alegre – o PS lhe der, melhor. Essa é a sua praia!


 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Os 23 para o Brasil

Por Eduardo Louro


 


 


Aí estão os convocados para o Brasil. De fora – de fora dos trinta pré-convocados, naturalmente – ficaram o guarda-redes Anthony Lopes, os defesas Antunes e Rolando, André Gomes e João Mário, do meio campo e, da frente, Ivan Cavaleiro e Quaresma.


Entre os que vão, lá estão Hugo Almeida. Porque sim, e não por outra razão qualquer. E, claro, Hélder Postiga, porque Paulo Bento não passa sem ele. E Nani, vá lá saber-se porquê. E Vieirinha, por quem Paulo Bento é perdido de amores. E Rafa, porque não sendo Paulo Bento muito dado a surpresas, às vezes acha que surpreende…Cinco, são os cinco que há alguma dificuldade em explicar …Tanta como em explicar porque fora dos trinta já havia ficado Danny e Adrien!


Mas pronto, a partir de agora são estes os nossos:


Guarda-redes: Beto (Sevilha), Eduardo (Sp. Braga) e Rui Patrício (Sporting); 
Defesas: André Almeida (Benfica), Bruno Alves (Fenerbahçe), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valência), Neto (Zenit), Pepe (Real Madrid), Ricardo Costa (Valência)  
Médios: João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (D. Kiev), Raul Meireles (Fenerbahçe), Rúben Amorim (Benfica) e William Carvalho (Sporting); 
Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (Sp. Braga), Hélder Postiga (Lazio), Hugo Almeida (Besiktas), Nani (Manchester United), Rafa (SC Braga), Varela (FC Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo).

Ignorância à solta na campanha

Por Eduardo Louro


 


 


O mote do despesismo socialista que, em modo de pouca imaginação e de muita demagogia e parcialidade, Paulo Rangel elegeu para motor da campanha eleitoral da coligação que suporta o governo, revelou-se fatal para o seu homem que a direita europeia apoia para substituir Durão Barroso – Jean-Claude Juncker.


 “Eles lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão Colombo. Quando partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava, e era o contribuinte que pagava a viagem. É desta forma que procedem os socialistas dos nossos dias”, disse Juncker.


 Na ânsia de dar gás ao motor de Rangel, e de o articular com os (de)feitos históricos portugueses, o conservador e ex-primeiro ministro luxemburguês revelou, para além de enorme deselegância e ainda maior ignorância, muito pouco respeito pela História dos povos que deram novos mundos ao mundo!


Que não saiba que Colombo é genovês e não português, que foi a Espanha, e não a Portugal, que prestou os seus serviços, e ignorar que as viagens de Colombo foram o investimento mais rentável da História dos país europeus, é muita ignorância. Mas pegar num dos maiores feitos da Humanidade protagonizado pelos dois povos ibéricos, que hoje tanto desprezam, para alinhar na chicane política é uma deselegância inqualificável!

domingo, 18 de maio de 2014

Um novo léxico:Triplete

Por Eduardo Louro


 Benfica ganha Taça de Portugal


 


Há um novo léxico no futebolês: triplete!


Não nasceu do Acordo Ortográfico. Tem o Benfica como progenitor, o que desde logo lhe dá uma importância ímpar!


Há a partir de agora uma nova referência, um novo standard a desafiar objectivos ambiciosos. A fasquia mais alta que o Benfica estabeleceu para o futebol nacional!


Dito isto, parabéns ao Benfica. Parabéns àqueles jogadores, esgotados mas cheios de alma benfiquista. E parabéns ao Rio Ave, aos seus jogadores e ao seu treinador. Porque foram grandes e dignos. Porque nos fizeram sofrer. Porque valorizaram como ninguém admitiria esta primeira conquista tripla no futebol português. Porque foram, no campo - onde o futebol se joga - o maior adversário que o Benfica encontrou nesta época em Portugal!

sábado, 17 de maio de 2014

Bonito de ver!

Por Eduardo Louro


 


As últimas jornadas da liga espanhola foram tão estranhas quanto espectaculares, com os três da frente a perderem sucessivamente pontos onde menos se esperava. Às vezes até parecia que em vez de um campeonato de futebol aquilo era uma daquelas corridas de ciclismo onde, à beira do sprint todos se escondem e ninguém quer atacar, se bem que todos queiram ganhar. O Real Madrid esteve fora do título, de repente voltou a entrar – e até chegou a parecer dispor das melhores condições – para, na vertigem dos resultados surpreendentes da ponta final, ficar definitivamente de fora. O Barcelona passou por algo semelhante, mas conseguiu chegar à ultima jornada em condições de discutir o título, em casa, com o extraordinário Atlético de Madrid. Que, sempre mais regular que os adversários, mas não conseguindo fugir à onda dos resultados surpresa da ponta final, chegou à última jornada com a curta vantagem de três pontos que perderia se perdesse o jogo.


No Camp Nou, cheio como sempre, o Barça contava com o apoio de mais de cem mil para ganhar o jogo e revalidar o título. Que nunca lho regatearam durante todo o jogo, mas que, quando ao minuto 93 o árbitro apitou pela última vez sem que a sua equipa tivesse conseguido vencer a brilhante equipa que Simeone construiu e dirige (nunca o conseguiu, nos quatro jogos desta época o que lhe custou também o afastamento da Champions), passou de imediato a aplaudir os novos campeões nacionais.


Bonito de ver!


Tão bonito como ver os colchoneros suplantar os dois colossos de Espanha e do mundo e, 18 anos depois, voltarem a ser campeões. E tão bonito como ver que neste futebol de hoje ainda é possível que ganhe quem não tem mais dinheiro... E que há treinadores que conseguem moldar um colectivo à medida do que foram com jogadores, e assim fazer campeões...


De hoje a uma semana aqui estarão, na Luz, para voltar a mostrar o querer mais bem organizado que o futebol até hoje conheceu!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Nunca mais...

Por Eduardo Louro


 


Em Portugal nascem Manifestos e Petições por tudo e por nada. Até parece que somos uma sociedade civil activa e participativa. Não somos, como bem sabemos… Somos é muito dados a formalidades … E, agora, de tecla fácil!


Servem para pouco, ou mesmo para nada. O último com grande notoriedade foi o dos setenta – depois passaram a 74 – que lançou o tema da reestruturação da dívida. Deu discussão, o que já não é mau. Mas não deu para mais nada!


Acaba de surgir outro – já chamado dos 17 mas que os 17 chamam de “Nunca Mais” – que, mais que não servir para nada, como todos os outros, nem sequer se entende. Entende-se o 17, que é hoje, o dia... Dia de festa marcado pelo relógio, mesmo que o do relógio ande amuado, como se esperava. E de conselho de ministros em festa... Entende-se até que sirva para reforçar a narrativa oficial do sucesso da execução do programa dito de ajustamento e para entrar no comboio das festividades da saída limpa, mas para isso deveriam ter procurado outro veículo. Manifesto é capaz de não ter sido a melhor escolha…


A não ser em oposição ao outro, o da dívida. Ou para que se fale de certas pessoas que gostam de ser faladas… Se calhar é mesmo - e só - para isso!


Nunca mais ... isto muda...

A perna curta da mentira

Por Eduardo Louro


 


Afinal o milagre económico não aconteceu, como toda a gente que não corre atrás de canas de foguete sabia, e o anémico crescimento foi interrompido logo no primeiro trimestre deste ano. Como sempre aqui se disse a interrupção da recessão resultou mais de comportamentos da física do que da economia: simplesmente nalgum ponto deixa de se cair, é quando se toca no fundo.


O governo, este governo agora sempre em festa, reagiu aos dados do INE que agora lhe não davam jeito nenhum. Não deixou de ser curioso que a conta tenha sobrado para o ministro Marques Guedes. O primeiro-ministro Passos Coelho, o vice Portas ou o ministro da economia, Pires de Lima continuam entretidos, e embriagados, com a festa. Não podiam deixar que os números a viessem agora estragar…


Não menos curiosa é a explicação apresentada para o regresso ao crescimento negativo, como agora se diz. Para não estragar a festa o ministro Marques Guedes veio descansar os portugueses, dizendo que não havia qualquer razão para alarme porque a quebra do PIB no I trimestre resultava apenas de uma quebra nas exportações provocada por uma situação irrepetível durante o ano – o encerramento para manutenção da refinaria da GALP em Sines. Não é apenas curioso que no mesmo período não tenham diminuído as importações de petróleo. É mais curioso ainda que o governo vá pegar exactamente no ponto que sempre foi utilizado para negar a verdade do governo no sucesso da economia e das exportações. Toda a gente se lembra que o governo fazia assentar o seu sucesso económico no aumento exponencial das exportações quando muita gente, entre as quais este modesto escriba, alertava exactamente para o facto de estarem a crescer sim, mas à custa da exportação de refinados de petróleo coisa que, para quem não é infelizmente produtor daquele ouro negro, não tem grande significado porque justamente não tem valor acrescentado.


Não é ironia do destino, é simplesmente a perna curta da mentira. O governo vai buscar para explicar a diminuição exactamente aquilo que sempre negou que explicasse o aumento!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Se isto pega...

Por Eduardo Louro


 


 


Há dois mil anos, segundo os evangelhos, foi com um beijo que Judas identificou Jesus Cristo aos soldados que o prenderam. Ontem, a UEFA recorreu ao mesmo método para identificar o melhor em campo…


O Carriço não será Judas – nunca enganou ninguém e, como se sabe, não traiu os seus – mas arrisca-se a que o seu beijo não fique menos famoso. Não consta que Judas Iscariotes tenha levado a coisa tão a sério!


Se isto pega...

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...