sábado, 31 de dezembro de 2011

FAÇA FAVOR DE ENTRAR...


Por Eduardo Louro


 


 Faça favor... pode entrar! Enfim, as recomendações não são as melhores, mas que não seja por isso... Não faça cerimónia, entre e ponha-se á vontade...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

UM VOTO ATÍPICO

Por Eduardo Louro 


 


A chegada do ano novo é sempre tempo de alinhavar novos projectos, de projectar sonhos e desejos. É tempo de esperanças, novas ou renovadas… É tempo de desejar a concretização de sonhos e projectos - novos ou adiados – ou simplesmente de ilusões, daquelas que sabemos que nunca passarão disso!


É tudo isso que estamos habituados a reflectir nas mensagens de ano novo que trocamos, com os votos de um bom, feliz e próspero ano novo!


Não é certamente o caso deste novo ano que nos preparamos para receber. Tendo como certo e adquirido que 2012 vai ser o nosso annus horrbilis, é de admitir que, bom mesmo, seria fazer deste ano o que as Ilhas Samoa fizeram desta sexta-feira, 30 de Dezembro, que a riscaram do calendário para directamente passarem para sábado, 31. Bom mesmo seria que, desta noite de 31 de Dezembro de 2011, passássemos para 1 de Janeiro de 2013. Ou de 2014. Ou de 2015!


Mas parece não ser possível dar esse salto no tempo. O que os samoenses fizeram com um dia não poderemos nós fazer com um ano. Daí que, em vez de desejarmos um bom ano uns aos outros, se justifique desejarmo-nos não apenas um mau ano mas o pior de todos os anos das nossas vidas. Se não conseguimos trocar as voltas este ano novo, se ele vai ser o que se anuncia - e já que, contra crenças, profecias e mitos, o mundo não irá acabar em 2012 - então que seja mesmo o pior. Que não voltemos a ter mais nenhum como este, que seja o da remissão definitiva dos nossos pecados, para que possamos voltar a ter a esperança de anos melhores para todos!


Por isso perdoem-me mas, desta vez, não vou apresentar votos de um bom, feliz e próspero ano novo. Vou precisamente desejar que este seja o pior ano das nossas vidas! E que passe depressa, logo este que, bissexto, ainda é maior!


Porque, contrariando Nostradamus, não será certamente o último... Valha-nos isso!

A PRIMEIRA VEZ

Convidada: Joana Louro *


 


Desde que a minha filha nasceu, sentei-me hoje pela primeira vez ao computador para escrever um texto para esta minha página... E aqui sentada, sem a angústia da página em banco mas tentando organizar as ideias, apercebo-me que ainda não tinha tido tempo para pensar, reflectir e digerir tudo o que me aconteceu nestes últimos meses. Entre mudar fraldas, dar de mamar, pôr a bolçar, vestir, despir, preparar banhos, consolar, dar miminhos, em ciclos que se repetem sucessivamente ao longo do dia e dos dias, sempre cheios que nem um ovo, não sobra tempo para mais nada... Nem sequer tempo para pensar e reflectir sobre este turbilhão de sentimentos e emoções, inéditos e arrasadores, que me enchem a alma, me aquecem o espírito e me preenchem a mente.


Ou talvez me engane. Talvez não seja de tempo que esteja a falar - temos muitas vezes a tendência de confundir tempo com disponibilidade, relativizando-o, como se ter tempo deixasse de ser ter tempo para ser tão só aquilo que fazemos come ele – tempo eu até seria capaz de ter. Na realidade, acho que sobra tempo para mais, muito mais...


Só que nada mais importa, nada mais é tão importante que mereça roubar o tempo que lhe não pertence. O protagonismo é único deste pequeno Ser que, tão pequeno, ocupa todo o Espaço e todo o Tempo: nada é tão grande no mundo nem nada é tão importante na vida. Nada é mais importante que assistir a cada momento seu, a cada conquista, a cada sorriso, a cada olhar. Nada é mais importante que viver este processo de crescimento e de descoberta. Onde o tempo aparece agora no esplendor da relatividade, numa outra dimensão, que parece ter ganho uma nova velocidade, assustadoramente rápida... Onde a Natureza se impôs na magnitude da sua beleza e perfeição...


Desde que a minha filha nasceu que tenho a estranha e a permanente sensação de primeira vez... Sinto que estou a fazer pela primeira vez coisas que já fiz um milhão de vezes. Os mais banais momentos ou as mais triviais situações parecem inéditos. E que pela primeira vez encontro novas soluções para antigos problemas. Afinal tudo mudou. A minha vida mudou... O meu mundo mudou... Eu mudei! Sem qualquer processo de aprendizagem ou de estudo intensivo, a maternidade presenteou-me, natural e instintivamente, com uma nova percepção do mundo e uma nova abordagem da vida. Francamente melhor, seguramente!


Poderia continuar a teclar durante horas, na tentativa de descrever momentos e de traduzir por palavras o que já extravasa do coração... Ou simplesmente a divagar, pelo simples prazer da divagação. Mas o meu tempo tem agora um novo relógio! Aí está o primeiro gemido - que antecipa outro e outro, logo seguido de um choro tímido que rapidamente ganha vigor, para se tornar na emergências das emergências - a interromper-me este momento e trazer-me de volta o verdadeiro prazer da realidade.


Feliz Natal!! Também este o Primeiro!!


 


 


* Publicado no Jornal de Leiria

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

CURIOSIDADES DE FIM DE ANO (II)

Por Eduardo Louro 


 


Continuamos na senda dos balanços e inventários de fim de ano, e ainda no mundo da blogosfera.


O portal Sapo dá conta que nos blogues aí alojados se escreveram 100 milhões de palavras. E elaborou uma lista das 100 cujo uso mais subiu em relação ao ano passado. Que ganharam em 2011 uma relevância que nunca tinham conhecido. No topo dessa lista, com um crescimento – imaginem – de 25038%, está a palavra troika. Nos dois lugares seguintes, mas a enormíssima distância, estão dois nomes: Mubarak e Kadhafi, respectivamente.


É natural. A troika não entrou apenas no nosso quotidiano, veio mexer com a nossa vida e acordar-nos no meio de um pesadelo. O problema é que o pesadelo não acabou com o esfregar dos olhos, acordamos e percebemos que estava a começar!


A troika associamos outra palavra, também pouco usada antes: memorando. E Merkel, a senhora que aprendemos a odiar. Pois bem, se a primeira surge no sétimo lugar da lista, o nome de Merkl surge na 23ª posição, pouco atrás de FMI, no vigésimo lugar.


O triângulo da troika aparece aqui com um só lado - o FMI. Mas entende-se, os restantes dois são, à nossa vista, apenas um: Merkel!


Não há Comissão Europeia, nem Banco Central Europeu: há Merkel. Ponto final.


 


 

SÓ FALTAVA ESTA...

Por Eduardo Louro 


 


Hugo Chavez não tem dúvidas que os Estados Unidos desenvolveram uma tecnologia para induzir individualmente o cancro. Só assim se explica – explica ele – a onda de neoplasias que tem recentemente atingido os líderes sul-americanos!


Por agora isto até poderá parecer estranho – concede – mas daqui por 50 anos ninguém terá dúvidas. Pronto! Até lá vamos todos ter que viver com uma grande dúvida: o que é que será mais difícil de explicar? A tecnologia americana ou mais uma das loucas teorias chavistas?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

CURIOSIDADES DE FIM DE ANO (I)

Por Eduardo Louro 


 


Nesta altura do ano fazem-se balanços e retrospectivas. Inventariam-se acontecimentos e publicam-se estatísticas.


O portal Sapo fez algumas dessas coisas, tendo os blogues por referência. Por exemplo, divulgou o top 20 dos homens e mulheres nacionais mais referidos nos blogues que, como este, utilizam a sua plataforma. Eis essa lista, onde, a vermelho, estão identificados os nomes que nunca passaram aqui pelo Quinta Emenda. Estão assinalados a vermelho mas, pelos vistos, deveriam estar a cor-de-rosa!


         

 



Homens



Mulheres



Posição



 



Nº de posts



 



Nº de posts



1



   José Sócrates



21349



   Manuela Ferreira Leite



591



2



   Passos Coelho



7535



   Júlia Pinheiro



523



3



   Cavaco Silva



5696



   Mariza



463



4



   Jorge Jesus



3628



   Daniela Ruah



451



5



   Hulk



2908



   Fanny



414



6



   Paulo Portas



2184



   Rita Pereira



401



7



   Manuel Alegre



1939



   Judite de Sousa



389



8



   Mário Soares



1693



   Isabel Alçada



378



9



   Coentrão



1601



   Luciana Abreu



358



10



   André Villas-Boas



1553



   Fátima Lopes



321



11



   Fernando Nobre



1552



   Ana Gomes



316



12



   Cristiano Ronaldo



1519



   Assunção Cristas



315



13



   Angélico Vieira



1428



   Teresa Guilherme



301



14



   Alberto João Jardim



1391



   Ana Moura



297



15



   Durão Barroso



1338



   Margarida Rebelo Pinto



294



16



   Teixeira dos Santos



1243



   Simone de Oliveira



250



17



   Salvio



1151



   Assunção Esteves



240



18



   Nolito



1073



   Rita Guerra



233



19



   António Costa



1062



   Ágata



227



20



   Renato Seabra



945



   Cláudia Vieira



223


           

 Quer dizer: a maioria das mulheres dos blogues do Sapo não é a praia do Quinta Emenda!Já para o lado dos homens poderá dizer-se que duas andorinhas não fazem a Primavera... E repare-se como José Sócrates é querido por esta gente: o triplo dos blogues de Passos Coelho e o quádruplo dos de Cavaco!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SEM VERGONHA NA CARA

Por Eduardo Louro 


 Aumento dos impostos vai custar 160 milhões aos madeirenses em 2012 (DE)


Por todo o lado, os responsáveis mais próximos pelos desastres da sua governação foram afastados do poder, sendo já novas as caras que vieram dar a cara pelos sacrifícios exigidos pelos resgates. Por penalização eleitoral, como em Portugal ou em Espanha, ou por imposição externa, como em Itália ou na Grécia!


Por todo o lado excepto na Madeira. Aí é a mesma cara, uma cara sem espaço para a vergonha. Alberto João Jardim – mais uma vez igual a si próprio, sem vergonha na cara - apresentou a factura aos madeirenses como se nada tivesse a ver com aquilo. Com a impunidade de sempre, como ininputável. Como se não tivessem havido eleições há apenas dois meses, e como se, então, nada houvesse que julgar!


Parece-me que ninguém poderá dizer que a culpa seja só dos madeirenses. Há outros com culpas nesta singularidade insular!

A BOTA E A PERDIGOTA

 


Por Eduardo Louro 


 


Durante este ano, segundo o Secretário de Estado das Comunidades - José Cesário - terão emigrado entre 100 e 120 mil portugueses. Não se sabe ao certo nem, segundo diz, é possível sabê-lo. Por aqui se vê a falta que faz a tal agência de que falava o eurodeputado Paulo Rangel: enquanto ia empurrando os portugueses para a fronteira sempre os contava…


Mesmo sem saber exactamente quantos já tiveram que optar por abandonar o país ao longo deste ano, certo é que muita gente está a seguir o conselho do governo: emigrar!


Estranho é que, depois do topo da pirâmide do governo ter reforçado conselho do pioneiro Secretário de Estado da Juventude, venha agora o secretário de estado José Cesário, a propósito destes números, declarar-se preocupado: “…quando vejo emigrar jovens com grande preparação académica e científica, claro que fico preocupado”, referiu ao jornal i e à Antena 1. Como o ouvi ainda salientar que considera que o país está a perder “massa cinzenta”, indispensável aos desafios de crescimento e de internacionalização que se colocam à economia nacional.


Eu também acho! Mas não parece nada que estas preocupações sejam partilhadas por quem tem muito maiores responsabilidades no governo… Parece que a bota não bate com a perdigota


 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CONFIANÇA

Por Eduardo Louro 


 


Na sua mensagem de Natal o primeiro-ministro enfatizou duas ideias: reformas estruturais e confiança!


São – curiosamente, ou talvez não – dois dos grandes calcanhares de Aquiles que são apontados aos seus primeiros seis meses de governação. O governo tem sido acusado de procurar dinheiro e de cortar em tudo o que mexe, sem mexer em nada do que deveria cortar, sem tocar nos intocáveis – PPP, por exemplo – e sem limpar as famosas gorduras do Estado. Ainda recentemente, como aqui se deu nota, depois de criadas expectativas elevadas à volta daquele domingo de trabalho extraordinário, a montanha pariria mais um rato. E, de reformas, ficamos na mesma!


E de, com isso, dizimar a última gota de confiança que eventualmente pudesse resistir. Com isso e com um discurso realista, é certo, mas nada galvanizante, como a mais que badalada e recente tese da emigração. Em apenas seis meses o país passou de um primeiro-ministro que negava e escondia a dura realidade para inventar raios de sol e de esperança, que não olhava a meios para puxar pela auto-estima nacional, para um outro que, com uma narrativa de verdade, é certo, não encontrava outra cor que o preto carregado para pintar o seu discurso.


O país passou de um primeiro-ministro que puxava pelo país e o rebocava alegremente para o abismo, para outro que parecia nada mais  conseguir que observar, impotente, um país a desfazer-se em cacos pela ravina abaixo. A verdade que ambos minaram a confiança, a mola real do desenvolvimento. Um, porque não merecia o mínimo de crédito, nem sequer de respeito, e outro porque, apesar de respeitável, não dá mostras de um rasgo capaz de fazer alguém acreditar que encontre uma solução. Um, um líder desacreditado e ética e moralmente desautorizado. Outro, um líder respeitado mas sem espírito de liderança. Ambos a deixarem o país órfão de liderança. Ora, sem liderança não há confiança e, sem confiança, nem o mundo nem o país pula e avança!


 


 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL!


VÁ LÁ A GENTE PERCEBER ISTO

 


Por Eduardo Louro 


 


O Banco Central Europeu não pôs as rotativas a trabalhar mas foi quase como se pusesse. Colocou uma pipa de massa ao dispor da banca, para injectar liquidez: uma boa notícia!


Os bancos, 522 bancos europeus, correram a esse dinheiro como lobos famintos atrás de um rebanho e sacaram quase 500 mil milhões de euros. Os mercados financeiros, em vez de se tranquilizarem com esta volumosa injecção de dinheiro no sistema, ficaram ainda mais nervosos: acharam que toda aquela fome de dinheiro era mau sinal. Resultado: os juros das dívidas soberanas dispararam e o risco de incumprimento subiu para uma série de países europeus, entre os quais já a Áustria e a França! E a taxa de juro para a Itália voltou para os 7%!


Vá lá a gente perceber isto… Preso por ter cão e preso por não ter!


O que restava da EDP nas mãos do Estado foi parar a mãos chinesas. Dizia-se por aí que seriam os alemães da E-ON, que Angela Merkl tinha dado a volta a Pedro Passos Coelho, o que nem sequer era muito difícil. Mas não, o governo privilegiou o encaixe em detrimento de opções mais naturais, como seriam a alemã ou a brasileira. Terá sido a melhor opção?


Há quem defenda que sim, que para além de receber já mais dinheiro, o governo, com esta opção, favorece as condições de financiamento da EDP. Mas também há quem veja esta opção como de curto prazo, e errada do ponto de vista estratégico. A China não vem acrescentar valor, nem traz quaisquer outros apports sinergéticos!


Mas vá lá a gente perceber isto: então privatizar não é, por definição, entregar a privados? Ora o governo vendeu ao Estado Chinês, a uma empresa pública chinesa! O maior accionista da EDP continua a ser o Estado. Só que o chinês!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

2011 A CAMINHADA DO MEDO

Convidado: Luís Fialho de Almeida


 Graça Morais_Série 2011_A Caminhada do Medo, 201


Depois de outras abordagens à estética da paisagem e à estética das coisas, a estética dos sentimentos é um domínio vasto para os artistas que tem a sensibilidade de lhe dar expressão.


 “A Caminhada do Medo” é o título da obra mais recente da artista plástica Graça Morais, distinguida no passado sábado com o prémio das Artes Casino da Póvoa 2011.


É um conjunto de desenhos e pinturas que reflectem os sentimentos de angústia e preocupação da autora em relação ao presente e ao futuro do país e do mundo, inspirada na reflexão sobre as notícias e imagens transmitidas diariamente pelos órgãos de comunicação social.


Retrata a sensação de medo perante o desconhecido e um futuro cada vez mais incerto - as cenas do quotidiano, os tumultos recentes, os deserdados da sorte, os milhões de pessoas que se deslocam no mundo fugindo das guerras, dos massacres, da fome e da pobreza, procurando um mundo melhor. A temática é de extrema actualidade perante um governo que nos incentiva a emigrar e, simultaneamente, retira os apoios ao ensino de português junto das comunidades de emigrantes. Um governo cujo único programa de governação é a austeridade.


É uma pintura de intervenção política, transformando em arte o grito, a indignação e o repúdio, ao jeito dos massacres de Goya ou da Guernica de Picasso, obras às quais a autora, humildemente, diz não se comparar. Pintar assim, é um acto de cidadania como é também, entre outros, o movimento de cidadãos que exige auditoria às contas públicas.


Já em colecções anteriores - a mesma visão com alma e sentido social – se destacam os traços que a ligam à terra, à natureza, às suas origens e suas gentes. Que Graça Morais leva a tela na forma de rostos marcados pela dureza da vida nas terras do interior transmontano.


Interessante a ligação matrimonial a Pedro Caldeira Cabral, outro expoente da expressão estética, através da interpretação da música medieval e renascentista em instrumentos da época, mas também do barroco, clássico, música ibérica e da guitarra portuguesa.  


Parabéns Graça Morais!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

COISAS DA PUBLICIDADE (I)

 Por Eduardo Louro 


 


Passa por aí um spot publicitário a um determinado produto de um determinado banco, daqueles que não têm dinheiro para pagar a Mourinho ou a Cristiano Ronaldo e que, por isso, lançou mão de três ex-jogadores de futebol, um de cada um dos três grandes, como não podia deixar de ser.


O anúncio, apelando a um trocadilho entre o banco – o banco de suplentes – e o banco itself, assenta na narrativa da solução que está no banco: o jogador suplente que sai (ou salta) do banco para resolver a partida, ou mais do que isso…


É Jorge Couto, o antigo jogador do Porto que diz que, num jogo com o Salgueiros – já foi há muito tempo, ainda havia Salgueiros – saiu do banco e marcou dois golos decisivos. É Paulo Alves, enquanto jogador do Sporting, que diz que, num jogo com o seu Gil Vicente saiu do banco e fez também dois golos. E César Brito, do Benfica, que vai buscar à memória os dois golos que, também saído do banco, marcou ao Porto nas Antas.


Até aqui tudo bem. A narrativa dos três é a mesma, embora se possa questionar se é a mesma a importância dos dois golos de cada um, ou se a dimensão do feito, em razão do jogo e do adversário, é idêntica. Mas cada um só pode contar o que foram os seus feitos e não o que gostaria que tivessem sido!


O busílis da coisa surge na última frase de cada um deles, mesmo no fecho da mensagem. O Jorge Couto e o César Brito terminam – ambos – com  “ganhamos o jogo e … fomos campeões. Já o Paulo Alves termina com um épico “ganhamos por três a zero”!


Parece-me evidente que, mais do que promover o banco e o seu produto, esta criação publicitária tem como objectivo uma provocação ao Sporting. Não diria que pretenda propriamente achincalhar, mas não perdoa uma alfinetadazinha marota!


Logo que vi este anúncio pela primeira vez tive como certa a veemência do protesto sportinguista. A minha dúvida era se a reacção – certamente violenta – partiria do vice, Paulo Pereira Cristóvão, se de Godinho Lopes. Surpreendentemente … nada! Nem de nenhum dos diversos comentadores por aí espalhados pelos jornais, rádios e televisões, sempre tão prontos a denunciar coisas que nem nos passam pela cabeça…  


Ainda admiti que fosse uma questão de tempo. Que andassem tão ocupados a documentar a denúncia pública dos actos graves do presidente do Benfica, no final do último dérbi, que não lhes sobrasse tempo para reagir atempadamente a mais esta provocação.


Pelos vistos, não!

MISTÉRIOS DE UM MEMORANDO

Por Eduardo Louro 


 


Depois da redução - há apenas três meses - da indemnização por despedimentode de 30 para 20 dias  por cada ano de trabalho, o governo apressa-se com uma nova redução: para qualquer coisa entre 12 e 8 dias.


Diz-se que é para aprovar até Março. O melhor mesmo é que aprovem isso depressa: pelo andar da carruagem, lá para Março, a proposta de indemnização andará aí por umas horas por cada ano de trabalho. Isto se não for o próprio trabalhador, no acto de despedimento, a ter que pagar indemnização ao empregador!


Diz-se que, afinal, isto já constava do memorando. Este memorando da troika tem mais suspense que os livros da Agatha Christie e mais mistérios que O Código Da Vinci!


 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A GRANDE REFORMA ESTRUTURAL

 


Por Eduardo Louro 


 


Quer-me parecer que já percebe a trave mestra das reformas estruturais que esperavamos que o governo tivesse anuciado no domingo. Pelo que se ouve do governo não restam dúvidas que é a emigração a mãe de todas as reformas!


Ora aí está: manda-se a maioria dos portugueses, em especial os mais jovens, para fora e o país começa a ser outro. Os outros, os que ficam, irão desaparecendo aos poucos, de morte natural ou por suicídio.


E dentro de duas décadas aí está um país novo, sem défice, sem portugueses, sem nada. Sem nada não, porque ainda há a dívida. Mas, aí, completamente limpo de todos os males e livre do seu mais pesado fardo – os portugueses – os credores aceitam o país como dação em pagamento.


 

MORREU KIM JONG-IL

Por Eduardo Louro 


 


Morreu, aos 69 anos, Kim Jong-il, o filho do grande líder Kim Il Sung, que lhe sucedera. O regime faz questão de mostrar como a Coreia do Norte chora a morte do líder. Começou pela televisão - com a apresentadora a dar a notícia em choro convulsivo - e depressa alastrou indiscriminadamente pela nomenklatura fora, ninguém quis mostrar menos lágrimas derramadas que a senhora da televisão!


Falta saber se foi para prestar honras militares que, em vez de uma salva de morteiro, lançaram um míssil.


 

domingo, 18 de dezembro de 2011

DE MANGAS ARREGAÇADAS

Por Eduardo Louro 


         


A reunião extraordinária (e informal) do conselho de ministros deste domingo faz lembrar as sucessivas cimeiras europeias.


Anunciada como a reunião onde o governo iria tratar (finalmente) das reformas estruturais que haveriam de tirar o país deste marasmo - desta paralisia sem luz ao fundo do túnel - e marcar uma nova época, e de um novo discurso donde, para dar lugar a esperança e rumo, seria definitivamente riscada a palavra austeridade, esta domingueira reunião extraordinária e sem gravata criou no país fortes expectativas. Exactamente como nas cimeiras da UE, sempre decisivas, sempre a última oportunidade que se não deixaria fugir!


Se havia semelhanças nas expectativas, para não as frustrar – as semelhanças, evidentemente – também as conclusões teriam de estar no tom. No mesmo tom! Que é como quem diz, zero. Nada. Nadinha!


Ouvimos o ministro Miguel Relvas dizer que “o governo fez a avaliação das reformas estruturais que Portugal necessita que sejam levadas a cabo para que possamos criar condições em termos de competitividade”. Ou ainda que é necessário reforçar a “articulação entre o Estado e a economia e a criação de mecanismos de confiança que permitam que a economia portuguesa cresça


Mas isto, e muito mais, todos sabemos que Miguel Relvas é capaz de dizer em qualquer momento, todos os dias ou mesmo todas as horas. Isto é nada, é o vazio do discurso político que estamos fartos de ouvir. Para dizer isto não era necessário estar o governo reunido 11 horas num domingo. Pode até dar jeito como instrumento de marketing – isto é que é um governo com vontade de trabalhar, ao domingo e tudo… - mas soa a falso. Porque, sendo estas as conclusões, ou não fizeram nenhum ou não fazem a mínima ideia do que estiveram a fazer, que dá no mesmo!


Não há ponta de substância. Como não a há quando diz que, com as reformas estruturais, “pensamos ser possível combater a maior praga com que a economia portuguesa está confrontada, que é o desemprego”. Mas pior: para que este ar de mangas arregaçadas tivesse uma sustentação mínima, alguma coisa teria que estar à vista através do Orçamento Geral do Estado recentemente aprovado.


E infelizmente não está! Lá apenas brilha a austeridade em todo o seu esplendor. Bom, há sempre a possibilidade das reformas estruturais estarem lá traduzidas por cortes. E da competitividade por redução de salários e aumento de dias e horas de trabalho…


Arregaçar as mangas para cruzar os braços, é o que é!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XIII

 Por Eduardo Louro 


 


            


Pinto da Costa veio hoje pedir às televisões que passassem, sem comentários, não sei quantos penaltis que Duarte Gomes assinalou a favor do Benfica nos últimos anos e o que ontem não terá assinalado sobre o Belluschi, que não teve sequer qualquer influência no resultado. O Porto ganhou – contra dez, mas ganhou – por dois a zero!


Não tenho grandes dúvidas que, pelo menos a Sport TV - mas mesmo a RTP – lhe farão a vontade. Não será é sem comentários!


O que Pinto da Costa não coloca na encomenda é o penalti no Dragão assinalado ao Yebda, que decidiu a vitória do Porto e afastou o Benfica do título. Nem o da Figueira da Foz, no ano passado, que lhe deu a vitória e precioso amparo para o arranque da época, quando o Benfica era empurrado para longe por arbitragens escandalosas. Nem o de Guimarães, no jogo inaugural desta liga, para aproveitar do empate encarnado em Barcelos e repetir a época passada.


Isto sem o mínimo esforço de puxar pela memória, para não tornar este texto ilegível. De tão grande e monótono!


É estranho que Pinto da Costa – notável desta lista de gente extraordinária, onde já bisa – surja agora? Não, não surpreende ninguém. Ele sabe quando e como tem que aparecer. É cirúrgico!


Como também sabe fazê-las sem sequer aparecer. Alguém se lembra que, no mesmo dia do derby, um jornalista da TVI foi ameaçado e insultado por Pinto da Costa e agredido pelos seus capangas?


Provavelmente alguns lembram-se vagamente de qualquer coisa. Porque para comunicação social – e em particular para a desportiva – não se passou nada…


Num dos expoentes do corporativismo, nem mesmo quando a vítima é jornalista!


 


 


 

sábado, 17 de dezembro de 2011

CESÁRIA ÉVORA (1941-2011)

 Por Eduardo Louro 


 


                    


 


Calou-se a voz da morna. Caiu a bandeira que Cabo Verde ostentava no seu mastro mais alto!


A lusofonia fica mais pobre…


Cize morreu em Mindelo - na nha terra de San Nicolau -  onde tinha nascido há 70 anos! Fica a sodade...


 


 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Futebolês #106 INFERIORIDADE NUMÉRICA

Por Eduardo Louro


 


Inferioridade numérica é uma das expressões mais interessantes e cuja origem não consigo encontrar noutro sítio que não seja a linguagem bélica que, como já aqui vimos em muitas outras oportunidades, é uma das principais fontes de inspiração do futebolês. Ou não seja grande a frequência com que se faz do futebol uma guerra!


Foi sempre em inferioridade numérica que conseguimos as mais épicas vitórias militares da nossa História. Foi assim em Aljubarrota, foi assim nas Linhas de Torres, e foi assim em tantas outras. E mesmo quando não foi assim, contaram-nos assim!


O futebolês tem no entanto uma particularidade: é que não há uma, há duas inferioridades numéricas. É verdade!


inferioridade numérica normal, aquela por que passam todos os adversários do Sporting – todinhos, ninguém escapa; desconfio que a coisa possa acabar lá para início do ano e fim da primeira volta, quando o Porto se deslocar a Alvalade – e há a inferioridade numérica nas diferentes zonas do campo.


Por exemplo, os avançados estão sempre em inferioridade numérica em relação aos defesas, o que é dado como uma situação normal de jogo. Por isso é que invariavelmente as defesas se superiorizam aos atacantes, que é a moral que mais vezes os narradores dos jogos tiram da história do jogo. Foi para contrariar este determinismo que se inventaram as transições rápidas e os contra-ataques!


São aspectos da dimensão táctica do jogo. Claro que ninguém gosta da inferioridade, é da vida. É por isso que os treinadores passam noites sem dormir à procura de soluções tácticas que invertam essa nevrálgica condição. Nem todos, bem entendido, o Domingos Paciência dorme descansado… Nota-se até no ar fresco com que aparece nas conferências de imprensa!


É dos livros da táctica que os jogos se decidem no meio campo, essa zona central do terreno onde, dizem, se começam a ganhar os jogos. Daí que se esteja já a ver qual é a chave táctica do jogo: isso mesmo, garantir a superioridade numérica no meio campo, que é a mesma coisa que empurrar o adversário para a inferioridade numérica nessa zona crucial do campo e dimensão vital do jogo.


A outra inferioridade numérica, a tal que não apoquenta o treinador do Sporting, é que já não tem nada a ver com táctica. Embora obrigue a revê-la, mesmo que não requeira grande imaginação: é só baixar o bloco, como agora se diz! Quer dizer, que se lixe o meio campo e o ataque, as coisas decidem-se é na defesa. Toca a defender, todos lá atrás! De tal forma que são muitos os treinadores que dizem ser mais difícil jogar contra dez do que contra onze. Dizem mas não praticam, porque muitas vezes preocupam-se mais em criar condições que levem à expulsão de um adversário do que em ganhar superioridade em certas zonas do campo. Vá lá a gente entendê-los…  


Por aqui se vê que a expulsão de um jogador, empurrando irreversivelmente uma equipa para a inferioridade numérica, não é a melhor das soluções.


Claro que há comportamentos de tal forma graves, ou de tão repetidos, que não podem permitir que o seu autor continue em campo. As circunstâncias que ditam a expulsão não são questionáveis, mas deveria ser permitida a substituição do jogador expulso, devendo a punição cingir-se à suspensão nos jogos seguintes. Uma suspensão agravada de acordo com a gravidade mas também em conformidade com a forma da expulsão: por vermelho directo ou por duplo amarelo.


Creio que esta alteração na dimensão disciplinar do jogo defendia o espectáculo – na vertente estética do jogo e na da ética e do fair play – mas também a chamada verdade desportiva. E, claro, contribuiria para a valorização profissional do Domingos. É que arrisca-se a que digam que só ganha porque joga sempre em superioridade numérica (e às vezes nem assim ganha) e isso penaliza-o, sem dúvida. E ele não merece! Parece-me que até sabe da poda e acho mesmo que, desde que corrija alguns vícios – como, por exemplo, o de olhar para o chão durante os jogos -, poderá - quem sabe, um dia ... - ser campeão nacional!

HOJE SIM! NOTA ARTÍSTICA ... E GOLOS!

 Por Eduardo Louro 


 


Hoje sim, houve nota artística. E golos! Golos como ainda se não tinha visto!


Jorge Jesus havia dito que a equipa estava próximo do óptimo. Quem ouviu e se lembrava das últimas exibições achou que era mais uma das suas… Mais uma tirada daquelas com que trava um duelo particular com o seu rival Vítor Pereira. Que, no campeonato da asneira em comunicação, ainda consegue levar-lhe uns bons pontos de avanço!


A verdade é que – sim senhor – isto hoje esteve mesmo próximo do óptimo. Logo agora, que aí esta originalidade do futebol português que são as férias de Natal. Uma espécie coitus interruptus!

UMA HISTÓRIA PARA CONTAR

 Por Eduardo Louro 


 


É sabido que a blogosfera e as redes sociais desempenham hoje uma importante função social. É claro que, como meios de massas que são, nem tudo o que por lá passa é elogiável e que nem todos fazem destes poderosos meios as melhores das utilizações. Nem sempre para os melhores fins! Mas isso é a vida, como diria o outro.


Sabe-se da influência que têm no mundo de hoje, onde até revoluções fazem.


E sabe-se como as empresas, particularmente as de maior exposição pública, pela sua dimensão ou pela repercussão social que perpassa pelos seus negócios, olham com especial atenção o que por lá se passa e que possa beliscar a sua imagem: corporativa ou pública. Ficou célebre, há uns tempos, uma ocorrência que atingiu a INTEL. Foi a força da blogosfera que resolveu um contencioso entre essa a empresa e uma consumidora que rapidamente saltou dessa esfera para se tornar num problema de cidadania e de liberdade de expressão.


Toda a gente tem más experiências com algumas das grandes empresas com posições dominantes no mercado, que lhe advêm da sua dimensão mas particularmente da natureza dos bens ou serviços que fornecem, hoje de primeira necessidade. Quem não tem histórias para contar de um operador de comunicações, da um fornecedor de energia ou de um banco? Quem não passou já pelas mais inenarráveis e absurdas situações desses malfadados call centers, impessoais e robotizados, que nunca têm resposta para coisa nenhuma e repetem até à exaustão a mesma fórmula acrítica e acéfala?


A blogosfera e as redes sociais desempenham hoje papéis mais importantes na mediação e resolução destes conflitos que qualquer associação de defesa do consumidor. É a forma de essas grandes empresas se aperceberem de problemas que, de outro modo, nunca chegariam ao seu conhecimento, perdidos que ficam na fina e opaca malha dos call centers.


Pois eu tenho uma história destas para contar. Já teve uma primeira parte – que não correu lá muito bem – e entrou hoje na segunda. Precisamente por isso, porque acabo de sair do intervalo de uma primeira parte que não correu bem, e ainda estou um bocado desconfiado, vou esperar pela segunda parte. No fim hei-de trazê-la aqui. Espero que com um final feliz!


 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PONHAM-SE FINOS!

 Por Eduardo Louro 


 


Um tipo qualquer, que parece que é vice-presidente da bancada parlamentar do PS, ameaça os nossos credores: os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida!


Pagar a dívida é coisa de criança – disse o chefe mor – não pagamos é de adolescente!


O chefe – Zorrinho – deu-lhe cobertura, ajustando umas interpretações mal amanhadas. Estarmo-nos nas tintas para os credores é estamo-nos nas tintas para os credores, não é outra coisa. É exactamente Alberto João Jardim!


É já seguro que Seguro não segura este partido tão partido. E cheio de cabeças perdidas. E partidas!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

TALENTOS

 


 Por Eduardo Louro 


 


 


 A Sara e o António, brilhantes no cenário único do nosso Mosteiro!


 



 


 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

TRAUMAS

 Por Eduardo Louro 


 


Teixeira dos Santos, na sessão de abertura da “Conferência Portugal 2012: Os desafios do Orçamento de Estado”, reclamou mais poderes para o Ministério das Finanças.


Traumas do passado, certamente! Há por aí alguém que ache que o actual ministro das finanças, Vítor Gaspar, precise de mais poderes?


 

DÉFICE INTERESSANTE E CURIOSO

 Por Eduardo Louro 


 


O primeiro-ministro anunciou hoje que o défice deste ano ficará aquém dos 4,5% do PIB, muito abaixo dos 5,9% previstos e contratualizados com a troika. Colossal! Melhor só a Alemanha e a Finlândia!


Quer isto dizer que estamos todos de parabéns? Que os enormes sacrifícios a que estamos sujeitos estão a valer a pena e a produzir resultados? Que mudamos a agulha, e que já não se anunciam défices sucessivamente superiores aos previstos e, mesmo assim, corrigidos em alta dois e três anos depois?


Não! Não quer dizer exactamente isto!


Mas também não deixa de ter o seu quê de surpreendente!


É certo que a proeza se deve à transferência do fundo de pensões da banca, aquele bom negócio de que aqui se falava há uma ou duas semanas. Sem essa operação o défice ficaria nos insustentáveis 8%. É certo que isto é batota, porque é trocar receita para este ano por despesa para os próximos. Mas também por receita dos próximos vinte anos porque, neste bom negócio, a banca ganhou exactamente vinte anos de créditos fiscais!


Mas este é o nosso fado, o nosso património orçamental da humanidade. Todos os governos nas últimas décadas têm feito batota, fosse pela desorçamentação que arruinou as empresas públicas e inventou as PPP, pela transferência de outros fundos de pensões (CTT, PT, etc.) - igualmente bons negócios – ou pela venda de património para, a seguir, se tomar de arrendamento, a que a insuspeita Manuela Ferreira Leite, o moralista Bagão Félix ou o excomungado Teixeira dos Santos sucessivamente deitaram a mão.


Não é pois no recurso a esta batota que poderemos encontrar alguma surpresa. Surpresa será se a coisa se repetir nos próximos anos, porque já não se vê a que deitar mão: os anéis já se foram todos.


O que é verdadeiramente surpreendente é encontrar agora o tal desvio colossal que animou o final do Verão passado, que fez as delícias da discussão política e que deixou Vítor Gaspar ainda mais famoso, particularmente com aquela explicação que separava as palavras desvio e colossal. E que deu origem a uma réplica humorística num programa de TV que não resisto a trazer aqui. Mais ou menos isto: Da frase “ a Sónia Araújo, que é uma boa apresentadora, falava com um agricultor que lhe explicava como semeava o milho”, não se pode extrair que “a Sónia Araújo é boa como o milho”!


Pois é, o desvio colossal, três meses depois, deu à costa! Chegou de forma simples: 5,9 - 4,5! Desde sempre se soube que, para atingir o défice dos 5,9% previsto para este ano era necessário recorrer a este expediente. De tal forma que tinha sido a própria troika a autorizá-lo! E havia mesmo muito boa gente a achar que nem assim se lá chegaria.


Ora, o trapalhão desvio colossal foi o argumento para lançar o pacote de Verão (imposto sobre o subsídio de natal, agravamento do IVA da electricidade, etc.), indispensável para cumprir o défice imposto pela troika…


Pode ser que o ministro das finanças venha agora explicar que a frase que passou naquele conselho de ministros era, afinal, mais ou menos esta: contamos com um pequeno desvio da vossa atenção para deixarem passar uma aldrabice colossal!


 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

INTERESSES

 Por Eduardo Louro 


 


Na cimeira europeia David Cameron defendeu os interesses britânicos. Angela Markel e os outros 22 defenderam os interesses alemães!


Conclusão 1: Na Europa só há interesses ingleses e alemães!


Conclusão 2: Nunca a Alemanha teve tanta gente a defender os seus interesses!


Conclusão 3: Não há interesses da União Europeia, logo a União Europeia não existe!

domingo, 11 de dezembro de 2011

DESFECHO CLÁSSICO

 Por Eduardo Louro 


 


O clássico do futebol espanhol – agora com expressão mundial – teve no Barcelona um vencedor de mérito indiscutível, confirmando uma superioridade competitiva sobre o Real Madrid contra a qual Mourinho nada pode fazer, por mais voltas que dê. E que tem dado! Mourinho só se pode queixar da maldita sorte de apanhar com este Barcelona!


O Barcelona chegou ao jogo e, como gente fidalga e de boas maneiras, primeiro ofereceu a sua prenda (estamos no Natal) e só depois se apresentou. Deu um golo de avanço – aos 16 segundos, numa oferta do guarda redes Vítor Valdez - e depois, de imediato, partiu para ganhar o jogo.


O handicap do Real Madrid face a este Barcelona não é de um só golo. É de muito mais!


Poderá Mourinho lamentar-se de falta de sorte, como de resto já o fez, à revelia – mesmo penalizando - da sua imagem de profissional ímpar, para quem nunca as coisas se resumirão a meros factores aleatórios de sorte e azar. O segundo golo do Barcelona, é certo, tem a marca da sorte: aquela bola quis entrar naquela baliza e nada havia que a pudesse contrariar, pegando na imagem feliz de Luís Freitas Lobo. Em circunstâncias idênticas houve uma bola que, ao contrário, não quis entrar na baliza à guarda de Valdez. Recusou-se! E por duas vezes Cristiano Ronaldo poderia ter marcado, falhando o que normalmente não falha!


E isto leva-nos mais uma vez ao confronto directo entre Messi e Ronaldo e ao peso que têm no jogo quando se defrontam. Sai sempre Messi a ganhar - não me lembro sequer de uma excepção – e é este o factor decisivo, muito mais que sorte e azar. Sendo jogadores completamente diferentes, nunca deixarão de ser o pêndulo da exibição das suas equipas. E a verdade é que a confiança que sempre se notou no argentino nunca passou perto do português. Messi nunca se escondeu – como nunca se esconde - do jogo, não deixa para os outros aquilo que lhe compete a ele, toma a iniciativa sem medo e não falha. Cristiano Ronaldo, não se podendo dizer se tenha escondido do jogo, foi muito menos interventivo e mal sucedido em todas as iniciativas mas, acima de tudo, e o que faz toda a diferença, falhou dois golos que não podia falhar. E porque normalmente não falha, não deixará de revelar o condicionamento psicológico que estes confrontos directos com Messi já produzem no CR7.


Ronaldo é certamente o melhor jogador do mundo – deste mundo - porque Messi, esse, é simplesmente um jogador do outro mundo. Mas a superioridade estrutural deste Barcelona nem sequer se esgota neste pormenor. Nem no seu inesgotável tiki taka. É feita de tudo isto mas é, fundamentalmente, feita de crença. Da confiança que um Puyol intransponível e que cresce à medida das exigências do jogo, transporta para toda a equipa. Bem visível na forma como, pouco depois dos 16 segundos de jogo, foi buscar a bola ao fundo das suas redes, pegou nos colegas e os empurrou para o jogo, enquanto Benzema festejava com colegas e adeptos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Futebolês #105 QUEIMAR TEMPO

Por Eduardo Louro


 


Isto começa a cheirar a esturro: incendiar, queimar… É demasiada combustão!


Desta vez não se incendeiam ânimos nem se queimam bancadas. Trata-se hoje de queimar tempo!


Que é coisa que por cá fazemos muito bem. Se há tarefa que desempenhamos bem é essa de queimar tempo. Somos especialistas em perder tempo. Gostamos fazer passar o tempo e até de ajudas para isso. Daí o sucesso dos passatempos!


O tempo queima-se. O tempo arde e desaparece. É, como o amor para o poeta, e ao contrário das cadeiras nos estádios, fogo que arde sem se ver!


Em futebolês, queimar tempo não é muito diferente. Num jogo de futebol queima-se tempo, mas também se joga com o tempo. Joga-se com a bola e com o tempo! E joga-se também contra o tempo! O tempo é umas vezes aliado e outras adversário. E aqui surge um dos muitos paradoxos em que o futebolês é fértil: é quem tem o tempo como aliado que o queima!


Normal seria que queimasse tempo quem o tem como adversário. Mas não! É ao contrário, quem tem o tempo como adversário não quer que lhe falte nada, trata-o com o maior carinho e respeito. Quem o tem do seu lado queima-o!


Correu por aí esta semana um vídeo do último Benfica – Sporting – ainda e sempre no topo da actualidade, mesmo quando a actualidade já lá vai – onde se via, já mesmo na parte final do jogo, uma louca correria de Jorge Jesus ao longo da linha lateral. Não queimava tempo e corria contra o tempo, ele que tinha precisamente o tempo a seu favor. Gesticulava freneticamente, o que nele não é propriamente uma novidade, sem que se percebesse o que estava a acontecer. Percebemos quando o guarda redes Artur, meio a contragosto e muito surpreendido, lá teve que se deitar no chão: pretendia que se queimasse algum tempo! Que se aproveitassem alguns segundos daqueles últimos minutos que, se para o Benfica avançavam a passo de caracol, para o Sporting corriam mais rápido que uma lebre em campo aberto.


É natural, faz parte do próprio jogo, e não tem nada a ver com fair play – para Jesus uma treta, como há muito se sabe – como muita gente quis fazer crer. O que não é normal é o espectáculo dado pelo treinador do Benfica, mas sabemos que a descrição não é o seu forte. Nem o aproveitamento que muita gente quis fazer, esquecendo-se dos seus telhados de vidro. Num desses telhados de vidro vê-se um jogador estendido numa maca, de polegar estendido e piscadela de olho marota, minutos depois de se rebolar na relva, contorcido com dores.


Onde não se queimou tempo foi no jogo de Zagreb na passada quarta-feira, onde a equipa francesa do Lyon marcou seis golos em 28 minutos. Tantos quanto precisava de marcar para se apurar para os oitavos de final da Champions, à custa do Ajax, que o nosso conceituadíssimo Jorge Sousa ajudava a empurrar, anulando-lhe dois golos limpíssimos no jogo de Amsterdão com o Real Madrid. Lembrou-me aquele Argentina - Peru do Mundial de 78, quando a Argentina dos generais - a quem Avelange entregara a organização daquele campeonato do mundo - precisava de seis golos para, em vez do Brasil, seguir até à final que tinha de ganhar, como ganhou.


Não se queimou tempo mas queimaram-se coisas bem mais importantes, como a credibilidade da UEFA e do Sr Platini! Quem não se queimou – raramente se queima – foi a máfia das apostas…


Queimar tempo não é afinal grave. Graves são as outras coisas!


 


 


 

O DIA DAS EMOÇÕES FORTES

 


 Por Eduardo Louro 


 


Chamava-lhe ontem o dia das emoções fortes mas, do grande ataque dos hackers informáticos, nem notícias…


Já de Marselha, da cimeira, as notícias começaram a chegar cedo. Era o tal tratado! O Tratado da governação económica e da constitucionalização do défice, para entrar em vigor até Março próximo. Tudo como estava anunciado...


Saiu vencedora, como não poderia deixar de ser, a posição alemã. E a ideia peregrina de que tudo isto não passa de uma crise de confiança e que, segundo esta mesma ideia mestra da posição alemã, passando os países membros a estar obrigados ao cumprimento de um tecto no défice, acabam-se os desvarios. E com essa garantia, regressa a confiança. E com ela os melhor dos mundos, como se tudo se pudesse resumir a um conto de Natal!


A Alemanha convenceu toda a gente disto. Todos os 17 países da moeda única e todos os restantes dez, menos os ingleses, os eternos desconfiados destas coisas que, mais tarde ou cedo, acabarão por bater com a porta.


Como tantas vezes no passado recente, só daqui por uns tempos é que alguns – sempre os mesmos - começarão a perceber o que perdem. É que as mesmas regras para realidades tão diferentes não dão normalmente bom resultado: em vez de convergências costumam aprofundar assimetrias! Desconfio que na Europa, nesta altura, não é possível confiança sem procurar a convergência… Nem sem solidariedade. Nem, já agora, sem democracia!


De Marselha sai uma Europa ainda menos solidária – os fortes vão ser ainda mais fortes e os fracos mais fracos – e ainda menos democrática, com mais um tratado a passar ao lado dos cidadãos.


 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SÓCRATES

 Por Eduardo Louro 


 


Há algum tempo que não se ouvia falar de Sócrates. No passado domingo morreu Sócrates – Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, de seu nome completo – o Dr Sócrates, que antes de se tornar num dos mais brilhantes jogadores de futebol do mundo, se fez médico.


Morreu no domingo, no preciso domingo em que o seu Corinthians se fez campeão – em 1983 dera uma entrevista onde disse querer morrer num domingo, com o Corinthians a sagrar-se campeão – e desde então que se não falava de mais nada. Do seu jogo de calcanhar – conta-se que um dia, num jogo amigável do seu Corinthians, apostou com os colegas apenas tocar a bola de calcanhar, que ganhou a aposta e até marcou um golo -, do fabuloso Brasil do Mundial de 82 - talvez a melhor equipa de futebol de sempre e seguramente a última grande equipa do futebol romântico que nascia, crescia e vivia no Brasil – que encantou o mundo, do seu empenhamento político - verdadeiramente incomum no mundo do futebol – na luta contra a ditadura brasileira, ou mesmo da vida boémia e da dependência alcoólica que lhe haveria de encurtar a vida.


Só se falava do Dr Sócrates, o que deve ter despertado o ego – enorme, como se sabe – do Engenheiro (?), deixando-o roído de inveja. Vai daí e, desde Paris onde parece que se está a dedicar à Filosofia (apesar de fazer uma vaga – e desastrada – referência a qualquer coisa que teria aprendido em Economia, vá lá saber-se onde), resolve fazer prova de vida.


Primeiro recorrendo a uma espécie de conferência - há umas semanas atrás - onde se salientou por afirmar que pagar dívida é ideia de criança. Quis dizer que o estado de endividamento a que levou o país não tem qualquer problema. Simplesmente não tinha ideia nenhuma de pagar. E isto é verdadeiramente o Sócrates português!  


Depois, perante as ondas de choque que isto provocou por todo o país – já que, pelo que pôde ver no vídeo que documentava tão brilhante ponto de vista, na tal espécie de conferência aquilo até mereceu fortes aplausos – resolve verdadeiramente ressuscitar. Regressar ao seu melhor, esclarecendo exactamente como fazia nos seus tempos áureos: “Refiro-me naturalmente ao pagamento integral e imediato da dívida de Portugal. Dizer que a ideia de pagar imediatamente a totalidade da dívida e fazê-lo no próximo ano parece-me realmente uma ideia infantil”.


Palavras para quê? Sócrates continua um artista português


O que é que aquilo que diz tem a ver com a realidade? Onde é que ele ouviu dizer isso? Por que é que continua a pretender fazer-nos a todos de parvos?


Pagamento integral e imediato da dívida? Se estamos como estamos apenas para conseguir manter o mínimo de controlo sobre o crescimento da dívida – ao contrário do que demagogicamente algumas pessoas dizem (que os sacrifícios são para pagarmos a dívida) não estamos a pagar dívida nenhuma, nem sequer a mantê-la, continuamos a aumentá-la, só que dentro dos limites impostos pela troika – como é que seria possível pagá-la integral e imediatamente?


Ó senhor engenheiro – ou economista, ou filósofo ou o que queira – se não tem vergonha nem juízo, pelo menos deixe-nos em paz! No inferno em que nos deixou, mas não nos apoquente mais!


 

DEZEMBRO 9: UM DIA DE EMOÇÕES FORTES

 Por Eduardo Louro 


 


Por cá promete-se para amanhã um ataque em massa dos hacktivistas AntiSecPT, na sequência dos raides dos últimos dias, e do de hoje mesmo á página do Ministério da Economia.


Em Marselha decorre a cimeira do tudo ou nada. Mais uma, depois de tantas, com a fasquia igualmente elevada, terem sido do nada. Talvez por isso, por todas as anteriores terem sido do nada, acreditamos que desta é que é! Mesmo que já se fale numa outra antes do Natal, é bem provável que esta seja mesmo a do tudo ou nada.


Será a cimeira da paz para o euro. A partir dela, ou finalmente descansará em paz ou irão deixá-lo em paz!


Espera-nos um dia de emoções fortes!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

CINZENTONA

Por Eduardo Louro 


 Vitória dá primeiro lugar aos encarnados (SAPO)


Foi com mais uma exibição cinzenta, mesmo cinzentona – e começam já a ser demais – que o Benfica assegurou o primeiro lugar no seu grupo de apuramento na Champions. Um grupo onde o Manchester United – ou o Manchas Unaite, como diz o Jesus – não conseguiu o apuramento, indo assim, na companhia do Porto e dos seus vizinhos do City, juntar-se ao Sporting e ao Braga na Liga Europa. Quer dizer, fazer a vida negra ao Vítor Pereira, que já pensava em repetir o título naquela segunda divisão da Europa!


Encontrarão também o histórico Ajax, que aí foi parar empurrado pelo Lyon, que alcançou um anormal 7a1 na Croácia, frente ao Dínamo de Zagreb. Anormal e estranho, mas provavelmente apenas isso!


Voltando ao Benfica, foi medonho assistir àqueles últimos minutos com a possibilidade daquela fraquinha equipa romena chegar ao empate, que relegaria o Benfica para o segundo lugar e, por via disso, já a caminho dos insaciáveis Barcelona ou Real Madrid. Ou mesmo do Bayern, ou do Inter. Ou ainda do Chelsea ou do Arsenal, porque aqueles cipriotas que eliminaram o Porto – o brinde do próximo sorteio - não seriam certamente…


Esperemos que esta seja apenas uma fase má e que passe depressa. Parece-me que, para isso, alguém terá de explicar a Jorge Jesus que, ao contrário do que não se cansa de repetir (contará certamente que uma mentira repetida muitas vezes passe a ser verdade) não “estamos a fazer uma época brilhante”. Bem longe disso, estamos no limiar do aceitável! Eu já não me lembro da última vez que a equipa ganhou por mais de um golo. Nem da que marcou mais de dois golos!


Pode ser que, depois de ele ter percebido isso, alguma coisa melhore. Nem que seja a comunicação!


 


 

TAXAS MODERADORAS

 Por Eduardo Louro 


 


Os valores das taxas moderadoras vão genericamente aumentar mais de 100% para o próximo ano.


Há isenções, claro! Ficam isentos de taxas moderadoras aqueles que, por razões óbvias, nunca fariam um seguro de saúde. Ficam obrigados ao seu pagamento todos aqueles a quem não faltarão razões para pensar em fazê-lo. Por exemplo, taxas moderadoras de 20 euros em consultas já são mais caras que na maioria dos seguros de saúde!


Voilá!


Não sei se estas taxas moderadoras ajudam a resolver o problema do financiamento do SNS. Mas sei que ajudam a resolver alguns problemas das seguradoras do ramo!


O ministro vem dessa área, não é? Pois!


As coisas nem sempre são o que parecem… Mas às vezes parece!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SOLUÇÃO: O MAR!

 Por Eduardo Louro 


 


O saudoso Ernâni Lopes não se cansou de apontar o Mar como centro da estratégia de desenvolvimento do país. Foi o Mar que fez Portugal e lhe deu dimensão histórica e é o Mar que nos dá futuro, começando por nos arrancar da periferia para nos colocar no centro do mundo.


Nos últimos tempos interiorizamos a ideia do enorme disparate que foi andar de costas voltadas para o mar durante tanto tempo. Destruímos a indústria de construção e reparação naval, onde éramos dos melhores. Destruímos a marinha mercante. Destruímos as pescas. Até grande parte da costa destruímos!


O reconhecimento dos erros é sempre um bom primeiro passo!


O Mar não nos liberta apenas dos grilhões da condição periférica. O Mar faz-nos grandes: se a União Europeia aprovar – e não se vê por que não – a extensão da Zona Económica Exclusiva, Portugal passa a ter uma extensão idêntica à da Índia. E o Mar pode fazer-nos ricos, e até poderosos! Pelo nosso posicionamento estratégico no coração do Atlântico, no sistema central das rotas marítimas, pelas condições naturais e estratégicas dos nossos portos, e ainda pela imensa gama de recursos naturais que o nosso mar armazena, alguns só recentemente conhecidos.


Há especialistas – na circunstância refiro-me a António Costa e Silva e ao artigo que publicou este fim-de-semana no Expresso - que nos vêm dando estas boas notícias. O nosso mar esconde a maior mancha de sulfuretos polimetálicos do mundo. É rico em níquel, cobalto, ferro, magnésio, cobre, zinco, chumbo, ouro e prata. Mas também petróleo e gás, ao que parece em condições de viabilidade de exploração.


Tudo isto são boas notícias. Excelentes notícias. A má notícia é que não ouvimos o poder político falar disto! E não será certamente por não gostar de dar boas notícias, apesar de termos muitas razões para achar que, de facto, não gosta. Repare-se que ainda ontem corriam mundo imagens da ministra do trabalho do novo governo italiano, comovida e em pranto a anunciar medidas de austeridade (cortes salariais) do seu governo, em contraponto com o à vontade com que o nosso governo, como quem fala de justa punição, nos faz esses anúncios.


Mesmo que gostasse de dar boas notícias, o que parece é que o governo não faz a mínima ideia nem disto nem do que fazer disto. Que não tem tempo nem talento para mais que seja aumentar impostos, cortar nas funções do Estado, e vender os últimos anéis. Que o ministro da economia, de tão preocupado com os altos salários e as poucas horas de trabalho dos portugueses, não tem tempo para falar com quem sabe destas coisas. Já que ele, como bem já percebemos, não sabe!


Não sei se algum dia alguém virá explicar por que razão, quando o país atravessa um dos mais dramáticos períodos da sua História, quando os portugueses precisam como nunca de esperança, ninguém vem dizer que está ali um caminho.  Por que é que não há uma estratégica de mobilização do país para os desafios que esta oportunidade abre? Por que é que não temos uma única ideia para lançar mãos ao mar. Por que é que, no país dos grupos de estudo para as coisas mais disparatadas e inconsequentes, não há uma estrutura que reúna as melhores competências nacionais à volta do mais importante desígnio nacional?


Talvez devêssemos começar a pedir explicações!

SOLUÇÃO: TRATADO NOVO

 


 Por Eduardo Louro 


 Merkel e Sarkozy querem novo Tratado Europeu a 27 ou 17 (DE)


 


Merkel e Sarkozy almoçaram juntos e tomaram a decisão que o momento impõe: um novo tratado, com sanções automáticas à violação da meta do défice. Dada a urgência, o tratado deverá estar prontinho em Março próximo!


E pronto, já se conhece o resultado da tão aguardada cimeira de sexta-feira. E em discussão na cimeira que tudo iria resolver estará se o tratado será a 17 ou a 27. Ou se a obrigação do cumprimento do défice será inscrita nas constituições de cada país membro…


E tudo à volta continuará a arder… E a afundar, como no Titanic!

BOM NEGÓCIO

Por Eduardo Louro 


 


Quem é que diz que já não há bons negócios?


Há! Não há muitos mas ainda os há… Mas que seja o Estado a fazê-los é que é coisa rara. Não estamos habituados!


O Estado, a crer nas palavras do primeiro-ministro – de que não temos razão para duvidar – acaba de fazer um bom negócio: a transferência do fundo de pensões da Banca para o Estado!


Repare-se: manda o défice para cá dos 5,9% - coisa em que já pouca gente acreditava (não confundam, as folgas ou as almofadas que por aí se reclamavam reportavam-se ao orçamento do próximo ano) – e ainda dá para pagar 2 mil milhões de dívidas do Estado. Atrasadas, mas mesmo assim… Também não dá para muito mais que para tapar a cova de um dente, mas mesmo assim…


Com os 6 mil milhões do fundo de pensões que a Banca entregou, o Estado – repito, nas palavras do primeiro-ministro – para além de atingir o seu principal desiderato - o défice -, paga as pensões dos bancários, aplica em capitalização para garantir a responsabilidade pelos pagamentos futuros - tranquilizando os contribuintes - e ainda liberta 2 mil milhões para pagar dívidas.


Pois é! Quando não há rigor nos conceitos  (e nos números) fazem-se grandes negócios!  


Ah! E se houver por aí alguém com dinheiro a receber de algum hospital ou de qualquer organismo público, pode tirar o cavalinho da chuva. Quem vai receber é a banca. Era o que faltava… Esse dinheiro nem chega a sair de lá!

domingo, 4 de dezembro de 2011

INDIGNAI-VOS

 


Convidado: Luís Fialho de Almeida


 


A indignação é um sentimento cada vez mais presente na vida das pessoas, no nosso país e um pouco por todo o mundo. O movimento dos indignados aí está, por todo o lado, como manifestação contra o poder e o mau uso que dele é feito.


A indignação deve ser considerada como um exercício de cidadania activa recomendável numa democracia saudável, baseada na informação plural e séria. Mas a própria democracia começa a estar em causa com a inflexão para outro modelo - “pós-democracia”- arrastados pela influência do eixo franco-alemão e pela supremacia dos especuladores financeiros sobre o poder político dos países, levando nomeadamente à imposição de governos técnicos como na Grécia e na Itália.


Assim, indignai-vos para que não se perca a democracia, tendo a polis como referência e não a empresa, e para que não se percam a liberdade e os direitos conquistados. Indignai-vos, através da atitude individual ou colectiva, com ou sem greves gerais, antes que a revolta dos espíritos se manifeste com rebeliões de cocktail-molotov ou golpes de estado.


Indignai-vos contra aqueles que, pelas suas ações governativas, nos levaram à humilhante identificação de PIGS. Indignai-vos, reclamando o projecto europeu de paz, bem-estar, justiça social e democracia participada, com dimensão ética e ambiental.


Indignai-vos contra partidos, corporações, ordens iniciáticas e afins, que sob um eventual pretexto ou filosofia louvável de serviço público, apenas formatam solidariedades entre pessoas da política e da finança, para benefício próprio e dos seus pares, e não da sociedade.


Indignai-vos contra as organizações e a administração pública, quando valorizam a “excelência” com base em critérios de cor política, de cotas e conveniências, e não do mérito. Indignai-vos contra as cumplicidades com os paraísos fiscais, que responsáveis políticos escondem ou ignoram com natural indiferença.


Indignai-vos contra a comunicação social, que “injustamente” sacrifica figuras públicas com escândalos sociais, morais, de fraude económica e outros, incriminando “gente inocente” - inocência por direito próprio e imaculada pela justiça.


Indignai-vos contra a marcha que nos leva à pobreza e contra a pobreza que nos faz escravos.


Indignai-vos contra tudo o que fere a dignidade e compromete o futuro. Indignai-vos, pela participação activa e contra a indiferença. Podemos ser pacientes mas vigilantes, tolerantes mas não resignados.


“Indignai-vos”, é também, o título de um pequeno livro, espécie de manifesto, de Stéphane Hessel, com prefácio de Mário Soares, e que se lê por impulso. Stéphane Hessel, agora com 93 anos, lutou contra o nazismo, duas vezes evadido de campos de concentração, foi colaborador do general De Gaulle na resistência francesa, diplomata, embaixador vitalício e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos do Homem.


 “A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar”: diz Hessel. Que alerta, para o “facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação como no tempo em que o nacional-socialismo ameaçava o mundo livre”. E especifica: “Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muitos pobres e muitos ricos, o estado do planeta, o desrespeito pelos imigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros.”


A indignação é um valor, a chave do compromisso que deve conduzir à acção política como tomada de consciência, decisão racional, desejo de servir, amor à justiça ou à verdade … A pior das atitudes é a indiferença!


 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Futebolês #104 INCENDIAR

Por Eduardo Louro


 


Já sei no que estão a pensar. Mas já lá vamos, porque no futebol há muitos incêndios. E nem todos maus, nem todos criminosos! Mas são a excepção, é verdade…


Há jogadores que incendeiam o jogo por dentro. Fazem subir a temperatura do jogo, sabem transformar um jogo morno, daqueles que não atam nem desatam, num jogo explosivo e excitante. Acontece normalmente com jogadores que saltam do banco, como ganas de revolucionar aquilo tudo, de quebrar com o status quo!


Estes são os bons incêndios, como que queimadas regeneradoras.  


Mas há também, aqui e ali, jogadores que incendeiam o jogo pelo lado mau do incêndio. São jogadores quezilentos, que fazem do conflito um modo de vida. Picam os adversários, provocam a guerrilha e rapidamente transformam um jogo de futebol numa imensa fogueira, num fogo difícil de controlar e de rescaldo prolongado. E há ainda os que se prestam a incendiar ânimos - geralmente peões de estratégias alheias – para daí incendiar os jogos.


Nesta dimensão os principais incendiários são, no entanto, os dirigentes. Por si e pela legião de paus mandados que distribuem estrategicamente pelo espaço mediático. Autênticos pirómanos!


Tiremos pois os jogadores deste filme e esqueçamos as excepções, que mais não fazem que confirmar a regra. Não há qualquer dúvida que são o melhor que o futebol tem!


Os pirómanos tudo fizeram para incendiar o derby do passado fim-de-semana passada. Não pouparam em tochas, tudo lhes serviu para atear o fogo. Começaram com a rábula dos bilhetes. Depois foi a famosa caixa de segurança – que, como é agora público, foi vistoriada por responsáveis do Sporting em duas ocasiões (a primeira duas semanas antes do jogo e a última algumas horas antes) sem que tenha merecido qualquer reparo – e chegou até, imagine-se, a uma simples entrevista (de vida) de Eusébio à revista Única do Expresso, há três ou quatro semanas. Porque, nessa entrevista, ele disse que há muitos, muitos anos - há mais de 50 -, quando em menino jogava no Sporting de Lourenço Marques, não gostava desse clube – o Sporting de Lourenço Marques – porque era o clube dos racistas…


Os comentadores sportinguistas, a partir das televisões, facilmente trataram de transformar isto em múltiplos tições incandescentes. Depois, os dirigentes fizeram o resto, já em pleno domínio institucional.


Não conseguiram incendiar o jogo jogado. Nas bancadas, adeptos do Sporting cruzavam cachecóis lado a lado com benfiquistas, na mais cívica das convivências. No relvado, os jogadores jogaram à bola, sem outro tipo de preocupações e sem regatear esforços. No final, Domingos Paciência – e não cito Jorge Jesus porque tenho muitas dificuldades em perceber o que ele diz, mais a mais agora que o Prof. Manuel Sérgio lhe deve ter começado a falar num filósofo novo qualquer – dizia que tinha sido um grande espectáculo dado por três excelentes equipas. Parece que agora, uma semana depois, uma delas já não foi tão excelente como isso, mas essa é uma questão de on line. Nem todos têm a felicidade de estar on line!


Mas conseguiram – literalmente – incendiar o estádio! Um acto vândalo e criminoso, premeditado e preparado nas barbas de um vice-presidente da direcção leonina.


Depois, os mesmos que haviam incendiado, continuaram a incendiar propagando mentiras como se fossem labaredas. Com os comentadores a dizerem nas televisões que, para assistirem ao jogo, os adeptos sportinguistas tiveram que se sujeitar a seguir enjaulados até ao estádio e à humilhação de uma outra jaula já lá dentro. Quando sabem, como toda a gente o sabe, que essas são as condições reservadas às claques em todo o lado, porque, infelizmente, com aquela rapaziada não é possível ser de outra forma. Quando, como eles sabem, nas bancadas, adeptos do Benfica e do Sporting, famílias completas, assistiram ao jogo na maior das tranquilidades.


Era já um novo incêndio que preparavam: o do previsível jogo dos quartos de final da Taça, previsto para daí a duas semanas, em Alvalade. Valeu que o Benfica deitou mão da mais eficaz das medidas preventivas: perdeu ontem no Funchal, com o Marítimo. Perdeu a invencibilidade e pôs-se fora da prova. Mais preventivo que a limpeza das matas!


Esperemos que também tenha efeitos preventivos no discurso (?) de Jorge Jesus. É que coisas como o on line, ou as equipas adversárias copiarem o Benfica, ou não jogarem olhos nos olhos não são bonitas de se dizerem. Nem acrescentam coisa nenhuma, antes pelo contrário!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...