Por Eduardo Louro
Já sei no que estão a pensar. Mas já lá vamos, porque no futebol há muitos incêndios. E nem todos maus, nem todos criminosos! Mas são a excepção, é verdade…
Há jogadores que incendeiam o jogo por dentro. Fazem subir a temperatura do jogo, sabem transformar um jogo morno, daqueles que não atam nem desatam, num jogo explosivo e excitante. Acontece normalmente com jogadores que saltam do banco, como ganas de revolucionar aquilo tudo, de quebrar com o status quo!
Estes são os bons incêndios, como que queimadas regeneradoras.
Mas há também, aqui e ali, jogadores que incendeiam o jogo pelo lado mau do incêndio. São jogadores quezilentos, que fazem do conflito um modo de vida. Picam os adversários, provocam a guerrilha e rapidamente transformam um jogo de futebol numa imensa fogueira, num fogo difícil de controlar e de rescaldo prolongado. E há ainda os que se prestam a incendiar ânimos - geralmente peões de estratégias alheias – para daí incendiar os jogos.
Nesta dimensão os principais incendiários são, no entanto, os dirigentes. Por si e pela legião de paus mandados que distribuem estrategicamente pelo espaço mediático. Autênticos pirómanos!
Tiremos pois os jogadores deste filme e esqueçamos as excepções, que mais não fazem que confirmar a regra. Não há qualquer dúvida que são o melhor que o futebol tem!
Os pirómanos tudo fizeram para incendiar o derby do passado fim-de-semana passada. Não pouparam em tochas, tudo lhes serviu para atear o fogo. Começaram com a rábula dos bilhetes. Depois foi a famosa caixa de segurança – que, como é agora público, foi vistoriada por responsáveis do Sporting em duas ocasiões (a primeira duas semanas antes do jogo e a última algumas horas antes) sem que tenha merecido qualquer reparo – e chegou até, imagine-se, a uma simples entrevista (de vida) de Eusébio à revista Única do Expresso, há três ou quatro semanas. Porque, nessa entrevista, ele disse que há muitos, muitos anos - há mais de 50 -, quando em menino jogava no Sporting de Lourenço Marques, não gostava desse clube – o Sporting de Lourenço Marques – porque era o clube dos racistas…
Os comentadores sportinguistas, a partir das televisões, facilmente trataram de transformar isto em múltiplos tições incandescentes. Depois, os dirigentes fizeram o resto, já em pleno domínio institucional.
Não conseguiram incendiar o jogo jogado. Nas bancadas, adeptos do Sporting cruzavam cachecóis lado a lado com benfiquistas, na mais cívica das convivências. No relvado, os jogadores jogaram à bola, sem outro tipo de preocupações e sem regatear esforços. No final, Domingos Paciência – e não cito Jorge Jesus porque tenho muitas dificuldades em perceber o que ele diz, mais a mais agora que o Prof. Manuel Sérgio lhe deve ter começado a falar num filósofo novo qualquer – dizia que tinha sido um grande espectáculo dado por três excelentes equipas. Parece que agora, uma semana depois, uma delas já não foi tão excelente como isso, mas essa é uma questão de on line. Nem todos têm a felicidade de estar on line!
Mas conseguiram – literalmente – incendiar o estádio! Um acto vândalo e criminoso, premeditado e preparado nas barbas de um vice-presidente da direcção leonina.
Depois, os mesmos que haviam incendiado, continuaram a incendiar propagando mentiras como se fossem labaredas. Com os comentadores a dizerem nas televisões que, para assistirem ao jogo, os adeptos sportinguistas tiveram que se sujeitar a seguir enjaulados até ao estádio e à humilhação de uma outra jaula já lá dentro. Quando sabem, como toda a gente o sabe, que essas são as condições reservadas às claques em todo o lado, porque, infelizmente, com aquela rapaziada não é possível ser de outra forma. Quando, como eles sabem, nas bancadas, adeptos do Benfica e do Sporting, famílias completas, assistiram ao jogo na maior das tranquilidades.
Era já um novo incêndio que preparavam: o do previsível jogo dos quartos de final da Taça, previsto para daí a duas semanas, em Alvalade. Valeu que o Benfica deitou mão da mais eficaz das medidas preventivas: perdeu ontem no Funchal, com o Marítimo. Perdeu a invencibilidade e pôs-se fora da prova. Mais preventivo que a limpeza das matas!
Esperemos que também tenha efeitos preventivos no discurso (?) de Jorge Jesus. É que coisas como o on line, ou as equipas adversárias copiarem o Benfica, ou não jogarem olhos nos olhos não são bonitas de se dizerem. Nem acrescentam coisa nenhuma, antes pelo contrário!
Não, não era uma "jaula" como pejorativamente alguns agitadores ressabiados gostam de referir. Era uma caixa de segurança constituída por redes e fibra de vidro, presente em vários estádios na Europa. O problema é que a caixa não é à prova de derrota para os visitantes, e entre gente chique de sapatos de vela que se diz "diferente" - talvez por agredir bombeiros -, e uma claque, refira-se, legalizada, basta um pequeno rastilho para acender a fogueira do antibenfiquismo primário e das frustrações acumuladas há vários anos.
ResponderEliminarBasta um pequeno rastilho, mas o rastilho utilizado foi bem grande...
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