sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Futebolês #104 INCENDIAR

Por Eduardo Louro


 


Já sei no que estão a pensar. Mas já lá vamos, porque no futebol há muitos incêndios. E nem todos maus, nem todos criminosos! Mas são a excepção, é verdade…


Há jogadores que incendeiam o jogo por dentro. Fazem subir a temperatura do jogo, sabem transformar um jogo morno, daqueles que não atam nem desatam, num jogo explosivo e excitante. Acontece normalmente com jogadores que saltam do banco, como ganas de revolucionar aquilo tudo, de quebrar com o status quo!


Estes são os bons incêndios, como que queimadas regeneradoras.  


Mas há também, aqui e ali, jogadores que incendeiam o jogo pelo lado mau do incêndio. São jogadores quezilentos, que fazem do conflito um modo de vida. Picam os adversários, provocam a guerrilha e rapidamente transformam um jogo de futebol numa imensa fogueira, num fogo difícil de controlar e de rescaldo prolongado. E há ainda os que se prestam a incendiar ânimos - geralmente peões de estratégias alheias – para daí incendiar os jogos.


Nesta dimensão os principais incendiários são, no entanto, os dirigentes. Por si e pela legião de paus mandados que distribuem estrategicamente pelo espaço mediático. Autênticos pirómanos!


Tiremos pois os jogadores deste filme e esqueçamos as excepções, que mais não fazem que confirmar a regra. Não há qualquer dúvida que são o melhor que o futebol tem!


Os pirómanos tudo fizeram para incendiar o derby do passado fim-de-semana passada. Não pouparam em tochas, tudo lhes serviu para atear o fogo. Começaram com a rábula dos bilhetes. Depois foi a famosa caixa de segurança – que, como é agora público, foi vistoriada por responsáveis do Sporting em duas ocasiões (a primeira duas semanas antes do jogo e a última algumas horas antes) sem que tenha merecido qualquer reparo – e chegou até, imagine-se, a uma simples entrevista (de vida) de Eusébio à revista Única do Expresso, há três ou quatro semanas. Porque, nessa entrevista, ele disse que há muitos, muitos anos - há mais de 50 -, quando em menino jogava no Sporting de Lourenço Marques, não gostava desse clube – o Sporting de Lourenço Marques – porque era o clube dos racistas…


Os comentadores sportinguistas, a partir das televisões, facilmente trataram de transformar isto em múltiplos tições incandescentes. Depois, os dirigentes fizeram o resto, já em pleno domínio institucional.


Não conseguiram incendiar o jogo jogado. Nas bancadas, adeptos do Sporting cruzavam cachecóis lado a lado com benfiquistas, na mais cívica das convivências. No relvado, os jogadores jogaram à bola, sem outro tipo de preocupações e sem regatear esforços. No final, Domingos Paciência – e não cito Jorge Jesus porque tenho muitas dificuldades em perceber o que ele diz, mais a mais agora que o Prof. Manuel Sérgio lhe deve ter começado a falar num filósofo novo qualquer – dizia que tinha sido um grande espectáculo dado por três excelentes equipas. Parece que agora, uma semana depois, uma delas já não foi tão excelente como isso, mas essa é uma questão de on line. Nem todos têm a felicidade de estar on line!


Mas conseguiram – literalmente – incendiar o estádio! Um acto vândalo e criminoso, premeditado e preparado nas barbas de um vice-presidente da direcção leonina.


Depois, os mesmos que haviam incendiado, continuaram a incendiar propagando mentiras como se fossem labaredas. Com os comentadores a dizerem nas televisões que, para assistirem ao jogo, os adeptos sportinguistas tiveram que se sujeitar a seguir enjaulados até ao estádio e à humilhação de uma outra jaula já lá dentro. Quando sabem, como toda a gente o sabe, que essas são as condições reservadas às claques em todo o lado, porque, infelizmente, com aquela rapaziada não é possível ser de outra forma. Quando, como eles sabem, nas bancadas, adeptos do Benfica e do Sporting, famílias completas, assistiram ao jogo na maior das tranquilidades.


Era já um novo incêndio que preparavam: o do previsível jogo dos quartos de final da Taça, previsto para daí a duas semanas, em Alvalade. Valeu que o Benfica deitou mão da mais eficaz das medidas preventivas: perdeu ontem no Funchal, com o Marítimo. Perdeu a invencibilidade e pôs-se fora da prova. Mais preventivo que a limpeza das matas!


Esperemos que também tenha efeitos preventivos no discurso (?) de Jorge Jesus. É que coisas como o on line, ou as equipas adversárias copiarem o Benfica, ou não jogarem olhos nos olhos não são bonitas de se dizerem. Nem acrescentam coisa nenhuma, antes pelo contrário!


 

2 comentários:

  1. Não, não era uma "jaula" como pejorativamente alguns agitadores ressabiados gostam de referir. Era uma caixa de segurança constituída por redes e fibra de vidro, presente em vários estádios na Europa. O problema é que a caixa não é à prova de derrota para os visitantes, e entre gente chique de sapatos de vela que se diz "diferente" - talvez por agredir bombeiros -, e uma claque, refira-se, legalizada, basta um pequeno rastilho para acender a fogueira do antibenfiquismo primário e das frustrações acumuladas há vários anos.


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Basta um pequeno rastilho, mas o rastilho utilizado foi bem grande...

      Eliminar

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...