sábado, 31 de março de 2012

FUTEBOLÊS#120 PÉ ALTO

Por Eduardo Louro


 


Toda a gente sabe o que é um pé grande. Ou pequeno. Ou elegante, como o da Cinderela. Mas, pé alto, só no futebolês!


O que é então um pé alto?


Não! Não é um pé enfiado nestes sapatos de senhora que se usam agora. Tão altos que temos dificuldade em perceber como é que aquilo não se desmancha tudo e vem cá parar abaixo com, pelo menos, uns entorses dos valentes. Nem sequer é o pé do Sarckosy, apostado em trepar os oito centímetros que separam o seu mísero metro e sessenta e oito do imponente metro e setenta e seis da Carla Bruni. Nem o pé alto do copo do vinho, da taça de champanhe ou do candeeiro. 


Pé alto é tão simplesmente quando os jogadores disputam a bola, nas alturas, com os pés. Os inventores do futebol acharam que, sendo jogado com os pés, também podia ser jogado com a cabeça. Mas que, cada macaco no seu galho: à cabeça o que é da cabeça; aos pés o que é dos pés! Nas alturas a bola disputa-se com o peito e com a cabeça. No chão com os pés. Fora disto nada mais é permitido!


Atenção que falamos de disputa da bola, não de jogar a bola. Quando se trata de apenas jogar a bola, sem ter de a disputar directamente com ninguém, cada um joga-a como quer. Melhor, como pode! Se a tanto ajudar o engenho e a arte, pode fazer-se um remate a um metro e oitenta do solo com os pés, num espectacular pontapé de bicicleta, como com a cabeça a um palmo da relva num voo picado arrepiante.


O pé alto é pois uma infracção às leis do jogo penalizada, nos termos das mesmas, com livre indirecto. Sem a chamada punição disciplinar, que já tem lugar se o pé, para além de alto, também for em riste. O pé em riste é um pé alto mas em atrevido, direitinho às pernas – e às vezes mais do que isso – do adversário.


O problema deste pé alto é que, frequentemente, são dois. Na maioria das vezes, quando um jogador levanta o pé para disputar a bola, o adversário faz exactamente o mesmo.


Quem é que o árbitro deve punir? O que o faz em primeiro lugar... Quem é que pune? O jogador do nosso clube, invariavelmente!


Ainda na última jornada do campeonato vimos isso. Isso e muito mais!


O Aimar e um adversário (do Olhanense) disputam uma bola no ar com os pés. Pé alto, de ambos, e livre indirecto. Contra o Benfica, naturalmente, porque quem levantou o pé em primeiro lugar foi o jogador do Olhanense, que não é o meu clube. O meu é o Benfica, via-se logo quem teria de ser o penalizado com o livre indirecto…


O pior foi quando, sem pé em riste nenhum e sem obviamente ter sido o primeiro a levantar o pé ao alto, aparece na mão do árbitro não o cartão amarelo do pé em riste mas o vermelho de uma agressão. De uma das mais estranhas agressões que terão acontecido no futebol. Logo à partida um jogador como Pablo Aimar a agredir um adversário é coisa estranha, de verdadeira ficção. Não cabe na cabeça de ninguém!


Bom, não é bem assim, até porque esta estranha agressão, que teve a particularidade de não ter sido sentida pelo suposto agredido – que se confessou surpreendido com a decisão do árbitro (“foi o que o árbitro entendeu” – foram as suas palavras) –, apenas foi vista por portistas e sportinguistas (e braguistas, que também os há e reclamam voz). Para os sportinguistas - que nestas coisas não gostam de deixar os seus créditos por mãos alheias - foi mesmo uma agressão brutal, que bem poderia ter incapacitado para sempre o jogador do olhanense, pondo mesmo em risco uma das suas principais funções do homem… Que dizer do que a fotografia abaixo documenta, exactamente no mesmo jogo, e que passou em claro? Ao árbitro, aos sportinguistas, às televisões, a toda a gente ...


Quem também não fez a coisa por menos foi a comissão disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que decidiu punir Aimar com dois jogos de suspensão. E que jogos: Braga e Sporting! Quando, em todas as expulsões ocorridas por cartão vermelho directo durante os cerca de 200 jogos do campeonato, a sanção se ficou sempre pelo único jogo de suspensão.


Quer dizer, os senhores que compõem este órgão disciplinar da FPF, não acham apenas que se tratou de uma agressão. Acham que foi a mais violenta agressão que aconteceu em Portugal durante toda esta época!


No que pode dar um simples pé alto ...


 

sexta-feira, 30 de março de 2012

OPTIMISMOS

Por Eduardo Louro


 


No debate quinzenal desta manhã na Assembleia da República, aquela senhora deputada dos Verdes muito quezilenta, refilona e estridente – Heloísa Apolónia de seu nome – às tantas, disse ao primeiro-ministro que ele estava a ficar socrático.


Estamos todos – ou quase – habituados às tiradas desta senhora deputada, sucessivamente eleita às cavalitas do PCP naquela velha coligação de que nunca se percebeu outro objectivo que não fosse o de esconder a foice e o martelo no boletim de voto. Algumas até poderão ter alguma graça – facilmente abafada pela estridência – mas raramente têm conteúdo sustentável. Esta de hoje, porém, deixou-me a pensar…


A razão que a senhora deputada invocava para referir essa linha de tendência tinha a ver com a fuga às questões, com a arte de Sócrates falar sobre o que lhe apetecia deixando sem resposta as perguntas incómodas. Não acompanhei o debate se não exactamente no momento desta tirada, pelo que não faço ideia se a senhora tinha ou não razão para concluir daquela forma.


O que me deixou a pensar, e a dar razão à senhora, não tinha pois nada a ver com o que se tivesse ou não passado no debate. Nem o ponto de contacto entre ambos que aquela tirada me sugeria podia ser a tal habilidade para deixar as perguntas sem resposta. Tem a ver com o optimismo que agora se apoderou do primeiro-ministro!


De repente Passos Coelho virou optimista. O que não é uma má notícia, antes pelo contrário. Já ninguém suportava aquele ar de quem só tinha más notícias para dar, ainda por cima sempre com um certo teor punitivo. Mas pretender fazer crer que as previsões do Banco de Portugal ontem publicadas – que chocam frontal e violentamente com a sua declaração de luz ao fundo do túnel lá para o último trimestre do ano – faz lembrar Sócrates. Lá isso faz!


E, pegar no anúncio da OPA da BRISA para, em vez de perceber ali uma manobra preventiva face à baixa cotação das acções, ver lá sinais de confiança dos investidores, faz lembrar Sócrates. Sinal de confiança dos investidores seria a Bolsa a subir para cotações no mínimo próximas dos valores das empresas cotadas. Se assim fosse, se houvesse confiança dos investidores mesmo a sério, os accionistas da BRISA não precisariam de apresentar esta OPA.


 

quinta-feira, 29 de março de 2012

RECTIFICATIVO

Por Eduardo Louro


 


O governo vai aprovar hoje em conselho de ministros o orçamento rectificativo que, como infirmou o primeiro-ministro na entrevista de ontem à TVI – apresentada, tratada e comentada como entrevista ao primeiro-ministro quando, na realidade, foi uma entrevista ao chefe do governo e ao chefe do PSD, com o congresso em fundo – não trará novas medidas de austeridade. Mas, como também disse que não podia “jurar que não sejam precisas mais medidas”, e porque se mantém o inatingível défice de 4,5%, podemos ficar todos à espera de novos orçamentos rectificativos, lá mais para a frente, com medidas de austeridade cada vez mais insondáveis.


Nunca um governo apresentou um orçamento rectificativo ainda no primeiro trimestre, o que quer dizer, com todas as letras, que nunca um governo revelou tanta incompetência na preparação de um orçamento. O que não será exactamente abonatório para o propalado ministro da competência, Vítor Gaspar. Mas há gente a quem tudo se perdoa…


 

terça-feira, 27 de março de 2012

MAL ENCAMINHADO

Por Eduardo Louro


 


O Benfica perdeu com o Chelsea, o tal adversário escolhido pelo Jorge Jesus. Podia muito bem não ter perdido, mas perdeu! Com queixas da arbitragem - mais uma vez e a provar que não é só por cá, embora cá seja mais frequente e mais grosseiramente (não se pode dizer muito mais porque eles já ameaçam com greve) - que não viu que, às vezes, os jogadores de Abramovich jogavam a bola com a mão, uma delas bem dentro da área. Com queixas da sorte e com queixas (e saudades) do Ramires, o melhor jogador da equipa do magnata russo, que para lá vimos partir, juntamente com David Luiz (que saudades também, agora que não há Garay), a troco de uns (poucos) milhões. E com queixas do Di Mateo, que é italiano. E, de uma forma geral, de todos os jogadores do Chelsea, que não aceitavam os esquemas tácticos do André Vilas Boas mas que, pelos vistos, aceitam bem a táctica de retranca italiana deste anterior adjunto.


O Benfica, sem atingir o brilhantismo, jogou bem, e Gaitan, em particular - isto, quando é para inglês ver, é mesmo outra coisa -  jogou mesmo muito bem. Que jogue assim também no que resta do campeonato nacional, para que, quando no final da época partir para Inglaterra, não deixe cá dívidas.


Podia o Benfica ter ganho, mas não ganhou, o que já se vem tornando hábito. Porque, pela primeira vez em muitos jogos, não marcou na Luz: mais um recorde, pela negativa, destes últimos tempos. A eliminatória está no mau caminho, apesar do Jorge Jesus achar que não. Na próxima quarta-feira há mais, em Londres. Mas a coisa está mal encaminhada!


Antes disso há sábado. Sábado, na Luz, com o novo líder do campeonato. É a prova dos nove!

PAGUE UM E LEVE TRÊS

Por Eduardo Louro


 


 


As rendas da EDP não podem ser mexidas, como toda a gente já sabe. Explicam-nos que é o preço a pagar pelo grande negócio da privatização: os chineses só deram tanto dinheiro porque elas lá estavam. Os tipos compraram a EDP e as rendas que os consumidores estão obrigados a pagar-lhe… Pague um e leve dois!


O que não sabíamos é que, pelo mesmo preço levavam ainda, de brinde, os dividendos do ano anterior. Esqueceram-se de nos explicar é que se tinham enganado no cartaz promocional: afinal é pague um e leve três

segunda-feira, 26 de março de 2012

BRAGA? ACEITAM-SE APOSTAS!

Por Eduardo Louro


 Abram alas ao novo líder (SAPO)


Ora aí está: o Braga já está isolado no comando do campeonato! E, apesar do calendário difícil, no caminho que o pode levar, pela primeira vez, ao título campeão nacional.


Com o Porto a continuar sem jogar nada, e comandado por um adjunto bloqueado e obcecado, e com o Benfica irregular e distraído - e com desgaste da Champions mal planeado – o Braga tem tudo para ganhar o campeonato. É, nesta altura da época, a equipa mais forte, mais competitiva, com mais ideias e com melhor futebol. E, porque afastada muito cedo da Taça de Portugal e da Liga Europa – mal, em ambas as circunstâncias – é, a par do Porto em idênticas condições, uma equipa sujeita a menor desgaste físico e mental.


Tem a simpatia da imprensa e, tanto quanto se tem visto, a dos árbitros. Que normalmente não erram nos seus jogos ou, se erram, fazem-no em seu favor como, por exemplo, no conturbado jogo da primeira volta com o Benfica ou, recentemente, no jogo com a União de Leiria.


No jogo de hoje, que lhe abriu a mais apetecida porta do campeonato, o Braga entrou como deve entrar qualquer equipa com ambição: com uma pressão imensa em todos os espaços do campo e com uma intensidade de jogo verdadeiramente guerreira, sem deixar espaço nem tempo para a Académica respirar. Chegou ao intervalo a ganhar por dois a zero, com o segundo golo a surgir na melhor altura, em cima do apito para o final da primeira parte.


Regressou ao balneário como quem se retira para os aposentos. A segunda parte seria passada no conforto do cadeirão, à espera do adversário para depois sair rapidamente, apanhando-o em contra pé. É assim que joga e é assim que constrói os seus resultados!


Desta vez não resultou, a Académica até fez o papel que lhe estava reservado. Mas fez mais: fez um grande golo – pelo benfiquista David Simão (ontem fora Melgarejo) - e construiu oportunidades suficientes para empatar o jogo (até para ganhar). E de repente o cadeirão ficou muito desconfortável, e o Braga sofreu!


Nos últimos dez minutos não houve jogo. Apenas anti-jogo, sem quebras de energia - é curioso, e por isso de assinalar, que nunca mais houve problemas com a instalação eléctrica daquele estádio - é certo, mas com tudo o que lhe pertence!


As últimas imagens são as que ficam! Por essas não daria muito pelo novo líder da classificação. Não seriam essas que me levariam a correr para a Bwin a apostar no Braga. Mas as da primeira parte também lá estão. Não mentem e contam muito! 

POLÍCIA

Por Eduardo Louro


 


Há a polícia que multa, a polícia que bate e a outra. Da outra não há notícias… Por onde andará?


Não anda: não tem carro!

sexta-feira, 23 de março de 2012

FUTEBOLÊS#119 BLOQUEIOS

Por Eduardo Louro


 


 


O futebolês acaba de enriquecer com mais um léxico: bloqueio. Este é pois bem fresquinho!


Curioso é que este novo nado tenha o pai que tem: nada mais nada menos que o trapalhão treinador do Porto. Como me parece que o adjunto mais adjunto do futebol nacional não tem capacidade natural para tamanha criação, desconfio que este não tenha sido um golpe de génio – que não tem – mas antes o resultado de uma sessão de formação acelerada e mal amanhada, tipo novas oportunidades, ministrada pelo chefe máximo.


Quis a criatura, cuja única especialidade é encontrar culpas alheias e desculpas próprias para o insucesso, matriz de uma casa pouco habituada a ele, encontrar nessa sua invenção a justificação para uma derrota que podia e devia ter sido bem mais expressiva. Mas quis mais – e é duvidando dessa sua capacidade de ver mais além que me parece que a lição tenha sido encomendada – quis, fundamentalmente, intervir no desenrolar do que resta do campeonato através do lançamento de um pseudo-anátema sobre um determinado tipo de lance, de forma a condicionar os árbitros. Nesse tipo de lance como, de uma maneira geral, nas arbitragens que tão bem sabe condicionar e manipular.


Vem nessa linha a reclamação – essa sim já a cargo do boss – de um fora de jogo a Hulk. Que nem existiu nem sequer o jogador estava isolado na cara do guarda-redes em condições de fazer golo, como quis fazer crer.


Bom. Mas isso já não é bloqueio. É querer bloquear os outros!


Quem for leitor habitual do futebolês, e ainda esteja nesta altura a ler esta 120ª edição (já sabem, este tem o número 119 mas o primeiro teve o número 0), estranhará que a prosa já vá aqui sem que tenha sequer sido dado um cheirinho que fosse de uma definição de bloqueio.


A verdade é que eu não sei dá-la. Eu não sei definir o este bloqueio do Vítor Pereira! Porque, bloqueios, tem ele muitos: os mais comuns dão-se na altura das substituições, e são já famosos. Simplesmente porque este, que ele deu à Luz – em sentido literal – não existe. É, mais do que uma invenção, uma desculpa de … mau perdedor. E, como já ficou dito, uma estratégia manhosa!



Confesso que cheguei a admitir que esta estratégia manhosa pudesse vir a transformar-se numa espécie de tiro a sair pela culatra. Ao chamar a atenção dos árbitros para as movimentações dos jogadores do Benfica na área adversária nas bolas paradas, eu tive a ingenuidade de pensar que, com a atenção bem centrada nesses lances, os árbitros passassem a ver todos os agarrões, puxões e empurrões com que os avançados do Benfica são sistematicamente brindados. Pura ingenuidade minha, como confirmaria logo na primeira oportunidade: o jogo de ontem em Olhão!


Afinal o árbitro, apesar da atenção que certamente colocou nesses lances, não viu nada de anormal. Nem os empurrões e puxões a Cardozo e a Javi Garcia. Mas viu, num lance que Aimar e um jogador do Olhanense disputaram – ambos - de pé alto, uma agressão do benfiquista a justificar a expulsão… O mesmo árbitro que já tinha visto razão para expulsar o Cardozo no jogo com o Sporting: é só por isso, porque já o fizera antes, que não posso concluir que tenha já sido o resultado da estratégia de bloqueio lançada na passada terça-feira e desenvolvida ao longo de toda a semana.


A verdade é que esta do bloqueio é apenas uma nuance - e por acaso a mais recente – de uma estratégia mais abrangente e bem mais antiga. E que resulta sempre!


O Benfica não ficou com o caminho para o título bloqueado em Olhão – já se tinham visto bloqueios em Guimarães, Coimbra e na Luz, com aquele golo em fora de jogo - pela manobra da expulsão de Aimar. Já antes havia sinais de algum bloqueamento, mas ela impediu qualquer jeito de ultrapassar os bloqueios da equipa.


E começam a não ficar muitas dúvidas sobre a frequência com a equipa bloqueia nas alturas cruciais.


A época competitiva é longa e exigente? É, mas onde é que está surpresa?


Há algumas disciplinas que fazem parte integrante da gestão de uma equipa de futebol de alta competição: planeamento, gestão da condição física da equipa, distribuição de cargas, curvas de rendimento individual e colectivo, gestão dos índices de motivação, gestão psicológica e mental, etc. Quanto mais competente e criterioso for o uso destas disciplinas menos serão os bloqueios, sejam eles quais forem.


Não sei porquê, mas vem-me frequentemente à cabeça uma famosa frase do Prof. Manuel Sérgio, por sinal dado como assessor de Jorge Jesus. Já a aqui trouxe pelo menos uma vez: “um treinador que saiba muito de futebol, se só sabe de futebol, nem de futebol sabe”!


PS: Não fiz qualquer referência à foto do cabeçalho. Os mais velhos lembrar-se-ão certamente. Para os outros: são imagens de uma célebre Supertaça (Coimbra, 1995) com o Benfica, e eram bloqueios frequentes na década de 90. O árbitro bloqueado é José Pratas!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XIX

Por Eduardo Louro


 


A notícia anda por aí: Vítor Gaspar quer nomear Teixeira dos Santos, o seu antecessor, para a administração da PT em representação da Caixa Geral de Depósitos!


E é fantástica! Ou Vítor Gaspar não está bom da cabeça, coisa que nem é de todo de descartar, ou acha que o seu antecessor não tem nada a ver com a situação em que encontrou o país, o que, por si só, faria de Teixeira dos Santos um dos maiores farsantes da nossa História.


Ao que se diz, o resto do governo, com Paulo Portas à cabeça, não está pelos ajustes e parece que está disposto a medir forças com o grande Vítor Gaspar. Nada que tenha impedido já responsáveis do PSD de dizer que esse é um assunto da CGD e da PT, o que já é um sinal.


Só fica um bocadinho mais difícil de entender como é que o governo, e os partidos que o suportam, podem continuar a acusar o governo anterior de conduzir o país à banca rota. Mas, se esta gente extraordinária é capaz de tudo, também é bem capaz de ultrapassar esta pequena dificuldade!

COLETE REFLECTOR

Por Eduardo Louro


 


 


                                                                                      Foto tirada daqui


  


A carga da polícia, ontem no Chiado, parece que foi exagerada e desproporcionada - como acontece sempre que a polícia bate – mas o único problema é que aquilo foi a eito e nem jornalistas e fotógrafos escaparam. O que também não é exactamente novidade!


Sabe-se que a polícia gosta de molhar a sopa, está-lhe na massa do sangue. Há por ali adrenalina que só encontra saída na ponta do bastão… E muitos valentões que acham muito mais corajoso bater em manifestantes em fuga que enfrentar e perseguir criminosos, de que, não raro, desviam o olhar para que não se lhes fira a atenção nem a consciência.


Os responsáveis pela Polícia, como também sempre acontece, desvalorizam os exageros dos senhores agentes. O problema mesmo é os jornalistas. Aos outros - acham eles e muito mais gente - só se perdem as que caiam no chão


E já resolveram o problema: um colete reflector. Que está na moda e é muito fashion! E, já agora, igual aos dos polícias...

quinta-feira, 22 de março de 2012

COM A DEVIDA VÉNIA

Por Eduardo Louro


 


 


 


Roubado a O OURIÇO!


 


 


Portugal á venda.jpg

GREVE GERAL

Por Eduardo Louro


 


Já nem a greve geral tem o mesmo encanto. Confesso que o que mais me encantava nas greves gerais era a guerra dos números, os 8% de adesão do governo e os 80 dos sindicatos. Aquilo é que era, não havia vergonha. Era mesmo assim!


Nunca ninguém ficava a conhecer a verdade, mas sempre dava para entreter, tipo palavras cruzadas ou sudoku. Uns achavam que fazendo a média aritmética dos dois números se chegaria lá. Outros, mais eruditos na matemáticas, propunham algoritmos mais complexos… Mas a verdade é que essa – a verdade – permanecia incógnita de uma equação irresolúvel.


Até isso nos tiraram. Já nem sei para que é que serve agora uma greve geral…

quarta-feira, 21 de março de 2012

AINDA (N)A PONTE



Por Eduardo Louro


 


Os dados da execução orçamental dos dois primeiros meses do ano vêm cheios de más notícias. Relativamente ao mesmo período do ano passado a receita caiu em 4,3% e a despesa cresceu em 3,5%, o que significa que o défice aumentou quando deveria diminuir. Quase triplicou e a meta dos 4,5% para o ano é cada vez mais uma miragem.


Não há razões para grandes surpresas nestes dados. A quebra nas receitas era esperada: pela recessão, maior que a que o governo quis pôr no orçamento, e porque a política de saque fiscal dá nisto. O aumento na despesa é mais surpreendente, e tanto mais quanto se sabe que as transferências para os principais serviços sociais que cabem ao Estado, principalmente saúde e educação, caíram significativamente.


Com estes resultados temos cada vez mais dificuldade em compreender as últimas declarações do ministro das finanças, em contra ciclo com a realidade. Apenas compreendemos que ele tenha a percepção de estar a meio da ponte, onde já não há apenas duas alternativas. Há uma terceira: mandarmo-nos da ponte abaixo!

terça-feira, 20 de março de 2012

CLÁSSICO

Por Eduardo Louro


Óscar Cardozo acende Luz para a final (SAPO) 


À saída para o intervalo, com o resultado em 2 a 2 e depois de três bolas no ferro - duas bolas do Luisão e uma do Aimar – tantas quantos os remates do Porto - um deles contra o Javi, que desvia a bola para a baliza e dá no primeiro golo – o narrador da SIC pergunta ao comentador Joaquim Rita: resultado justo, Joaquim?


- Sim, é um resultado justo: respondeu o Joaquim!


Melhor que isto só Vítor Pereira. E Pinto da Costa!


O Benfica foi superior em três quartos da primeira parte. No único quarto em que o Porto se superiorizou, quando passou do 1 a 1 para o 2 a 1, chegou a pairar a ideia de que o Benfica voltava a ser vítima da síndrome que ultimamente tem passado pela Luz. Que faz galvanizar o Porto e encolher o Benfica. E que faz com que os remates do Benfica morram nas costas dos jogadores do Porto, enquanto os do Porto batem nas costas dos jogadores do Benfica apenas para encontrar o caminho da baliza e trair o guarda-redes.


Mas foi sol de pouca dura. Rapidamente o Benfica dá a perceber que só com muito mais azar deixaria de ganhar o jogo, tal a superioridade que só o Joaquim não viu.


A segunda parte foi menos intensa e mais repartida e, no fim, um resultado simétrico do do último clássico. Só que com golos legais!


E sem casos, mas com bloqueios nas bolas paradas, segundo o Vítor Pereira. Que perdeu o jogo porque o árbitro marcou muitas faltas, a proporcionar bolas paradas, em que o Benfica é superior pelos tais bloqueios sistemáticos, de que é preciso avisar os árbitros. E porque há um fora de jogo a Hulk.


Ele afinal vê coisas. Mas há coisas que não vê: não vê que a equipa foi abaixo fisicamente, nem vê que não estão a jogar nada. É já um clássico!


Mas Pinto da Costa está a ver. Pareceu-me demasiado nervoso… O que não é um clássico!


 


 

UM PALCO DIGNO, FINALMENTE!

Por Eduardo Louro


 


Finalmente a UEFA decidiu realizar uma final da Champions num palco verdadeiramente digno da prova rainha do futebol de clubes.


Nem mais: na Catedral. Em 2014 a final da Champions League tem lugar marcado para a Luz!

A MEIO DA PONTE

Por Eduardo Louro


 


Quando Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo e Poul Thomsen, até há pouco chefe da delegação do FMI, reconhecem - depois de toda a gente - os erros estratégicos do plano de resgate à Grécia (igualzinho ao nosso), em visita pelos Estados Unidos, o ministro das finanças, Vítor Gaspar, apostado em contrariar essas declarações, quis mostrar a luz ao fundo túnel e afirmou acreditar que Portugal pode sair da crise mais depressa que o previsto. Garantiu “que estamos a aproximar-nos do meio da ponte.


Aqui, acho que tem razão: estamos exactamente aí. No ponto onde não sabemos se seguir em frente ou voltar para trás. No sítio onde voltar para trás é muito complicado - já andamos muito, temos outro tanto para andar e desperdiçamos o esforço de duas viagens, o que sempre nos aterroriza – e onde questionamos o destino. Será que vale a pena continuar em frente?


Vítor Gaspar não poderia ter encontrado melhor frase para expressar o seu insuspeitável optimismo…

SINAIS DE MUDANÇA EM TIMOR



Por Eduardo Louro


 


Contados os votos das eleições presidenciais em Timor, seguem para a segunda volta – ainda sem data marcada - dois ex-companheiros da resistência armada: Francisco Guterres Lu Olo e Taur Mantan Ruak, os dois mais votados.


O ainda presidente - José Ramos Horta - ficou-se pelo terceiro lugar, o que, por si, poderia já ser notícia. Mas não é, e ainda bem que o não é.


Notícia – excelente notícia – é que o presidente que falhou a reeleição, ainda antes da realização do acto eleitoral, tenha dito que o país ficaria bem entregue qualquer que fosse o resultado das eleições. E que na declaração de derrota – que não é nada disso, mas tão só mais um motivo de esperança para Timor – o tenha reafirmado. Que os dois que vão disputar a segunda volta são heróis nacionais e que qualquer deles dará um excelente Presidente da República, razão pela qual não irá dar apoio público a nenhum deles. Irá votar como qualquer timorense, mas sem tornar pública a sua opção.


Excelente notícia é que também Rogério Lobato, candidato que se ficou pelo quinto lugar nestas eleições, com menos de 4% dos votos, se tenha declarado satisfeito com os resultados e, enquanto militante da Fretilin, pronto a apoiar o candidato do seu partido - Francisco Guterres Lu Olo. Rogério Lobato, ex-ministro do interior e ex-vice presidente da Fretilin, esteve envolvido (em 2006) numa das muitas crises políticas e de segurança que têm marcado a História de Timor independente, e condenado a perto de 8 anos de prisão em 2007, de que se livrou por indulto presidencial de 2008.


São estas notícias que nos trazem sinais de mudança em Timor. Estas eleições presidenciais parecem enterrar decididamente o cenário de inviabilidade política do país, confirmar a reconciliação de uma nação e legitimar, finalemnte, a esperança num futuro de paz e desenvolvimento para o povo timorense.


Agora sim, começa a perceber-se que valeu a pena!


 


 


 

segunda-feira, 19 de março de 2012

PARABÉNS, SÁ PINTO

Por Eduardo Louro


 


É impossível analisar este jogo sem falar da arbitragem” – lançou o repórter da TVI a Sá Pinto, na “flash interview”, há momentos, no fim do Gil Vicente – Sporting (2-0). E Sá Pinto – que no final do jogo correu para o relvado para encaminhar os seus jogadores e afastá-los do árbitro - faz a sua análise do jogo, ponderada e lúcida, sem uma referência à arbitragem.


Contrariando o repórter, sedento de sangue e polémica, era afinal possível comentar o jogo e só o jogo. Mas não desistiu: “como comenta os lances dos penaltis e da expulsão?”


Imperturbável, Sá Pinto limitou-se a dizer que precisava de ver os lances na televisão para poder formar uma opinião, deixando no repórter evidente frustração.


Sá Pinto está a surpreender muita gente. Não tanto pelo rasgo e pelo talento – hoje, mais uma vez, não esteve bem nas substituições – mas pela notável forma como superou o seu lado mais frágil.


Parabéns, Sá Pinto!

domingo, 18 de março de 2012

ARRANQUES

Por Eduardo Louro


 


Com a Primavera aí à porta, a sugerir a dinâmica de renovação que atravessa a Natureza, este foi um domingo de arranque de novas épocas. De renovação também!


Arrancou a época da Fórmula 1 - juntando pela primeira vez seis campeões mundiais em pista -com o Grande Prémio da Austrália. E com a Maclaren Mercedes deixar a sensação que este ano vai dar luta à Red Bull Renault. Ganhou Button, Vettel foi segundo e Hamilton completou o pódio.


Arrancou também a época de toiros. Estive lá, em Santarém, na bonita praça Celestino Graça. A meio-gás, com uma corrida murcha, própria de início de época, e com pouco público. Salvou-se uma boa lide de João Ribeiro Telles Jr, no seu segundo, e as pegas, a cargo dos grupos de Montemor e Santarém, com estes últimos uns furos acima.


Mas perdemos um campeão. António Leitão partiu, com apenas 51 anos. Uma partida que não é um arranque. Já não é Primavera!


 

sábado, 17 de março de 2012

É SÓ UMA IMPRESSÃO

Por Eduardo Louro


 


Depois de tanto se especular sobre a demissão de Álvaro Santos Pereira, é agora ele próprio que a anuncia. Quando, na entrevista ao Expresso deste sábado, o Ministro da Economia diz que “há sectores com um nível de protecção inaceitável” e que quer acabar com isso, está a anunciar a sua demissão.


Tenho a impressão que aquela declaração, devidamente traduzida, significa qualquer coisa do tipo: “gostei muito deste bocadinho - isto de ser ministro até tem a sua graça - mas agora, como o meu Secretário de Estado dizia há dias, tenho uns assuntos pessoais e familiares a tratar”!


Pois é, agora é apenas uma questão de tempo: ele só não disse quando.


É só uma impressão!


 

sexta-feira, 16 de março de 2012

FUTEBOLÊS#118 DO NADA

Por Eduardo Louro


 


Do nada não pode sair se não nada! Tirar alguma coisa do nada é uma impossibilidade óbvia. Pois, mas em futebolês não é bem assim: há muita coisa que vem do nada! Até golos, imagine-se. É verdade, há golos que vêm do nada!


Umas vezes porque vêm mesmo do nada, outras porque, não vindo do nada, vindo de alguma coisa, há quem não a veja. Por incapacidade de ver ou por má-fé!


O Porto ganhou o jogo desta noite do Porto na Madeira, no campo do Nacional, com o melhor exemplo do que é um golo vindo do nada. Repare-se: a meio da primeira parte um jogador do Nacional, sem qualquer pressão, na faixa direita do campo, com todo o tempo do mundo e com todos os colegas a posicionarem-se para o início de mais uma jogada ofensiva, resolve chutar a bola com força contra um jogador adversário. Podia ressaltar para qualquer lado; o mais natural seria ressaltar para fora do campo, pela linha lateral ou pela final. Mas não, a bola ressaltou para a frente da sua baliza e, perante a surpresa do seu guarda-redes, direitinha ao novo avançado austríaco do Porto, que já ia a correr para o seu meio campo e só teve de se virar e empurrá-la para a baliza. Não conheço melhor exemplo de um golo vindo do nada!


Porque também se diz que uma equipa ganha com um golo vindo do nada quando, por exemplo, está sujeita a enorme pressão do adversário e, num golpe de sorte qualquer, consegue aproximar-se da grande área adversária e fazer golo. Pois bem, foi o que aconteceu no segundo golo do Porto, já no período de compensação.


Quer dizer, uma equipa que não joga nada – e não sou eu a dizê-lo, ouvi esta semana um dos paineleiros oficiais da agremiação portista gritar bem alto: “o meu Porto não joga naaaadaaa” – mantém-se à frente do campeonato com golos vindos do nada. E de fora de jogo!


Não deixa de ser interessante perceber como é que estas vozes oficiais de Pinto da Costa conseguirão articular esta constatação – “o meu Porto não joga nada” – com o mérito, que têm por inquestionável, da liderança. E até da eventual conquista do campeonato. Já avisaram, de resto, que se o campeão vier a ser a equipa que mais e melhor joga, corresponderá à maior das injustiças!


A equipa não joga nada – como eles dizem e todos nós constatamos – mas merece liderar o campeonato. E merecem ser campeões!


Pensam que há aqui algum problema de consistência? Que falta coerência? Que a bota não joga com a perdigota?


Nada disso. Isto é apenas para que se possa dizer que é um campeão vindo do nada, que têm por mais simpático do que, por exemplo, um campeão da fruta. Ou um campeão das viagens ao Brasil. Ou o campeão da Olivedesportos. Ou o campeão da Sport TV. Ou o campeão do guarda Abel. Ou o campeão do Martins dos Santos, do Calheiros, do Pratas, do Duarte, do Proença, do Xistra...


 

VAI SER ASSIM:

Por Eduardo Louro


 


27 de Março na Luz e 4 de Abril em Londres...

quinta-feira, 15 de março de 2012

"O FUTEBOL É ISTO MESMO"

Por Eduardo Louro


 Sporting "anónimo" afasta estrelas do City (SAPO)


Parabéns ao Sporting! Um apuramento muito sofrido, garantido por Rui Patrício no último segundo dos largos minutos do infindável período de compensação. Mas justíssimo!


Esta vitória do Sporting explica o sucesso do beautiful game. Explica por que o futebol é um desporto que apaixona milhões de pessoas, de todas as condições sociais em todos os cantos do mundo. Quando uma equipa que ainda há pouco mais de uma semana teve o desempenho que teve em Setúbal, sem fio de jogo, sem motivação e sem categoria nem por onde ela passasse, elimina um adversário que tem dominado a mais forte e disputada competição do mundo, com goleadas umas atrás das outras, que acaba de despachar o Porto com um agregado de 6 a 1, com uma equipa onde figuram alguns dos melhores jogadores do mundo, reunidos à volta dos milhões de um príncipe árabe, isso é futebol. Só num jogo como o futebol é possível acontecer uma coisa destas!


Se olharmos para o próprio jogo, que há pouco terminou, lá encontramos mais motivos que explicam o fascínio deste jogo. Durante uma hora, dois terços do tempo total de jogo, o Sporting espantou o mundo da bola, com o absolutamente improvável domínio do jogo e do adversário, marcando dois golos sem sofrer nenhum. Ao fim de uma hora, e a meia hora do fim, com o Sporting a ganhar por dois a zero, o Manchester City estava à insuperável distância de quatro golos do apuramento para os quartos de final da Liga Europa.


Em meia hora, e depois de marcar o primeiro golo, obra de duas das suas maiores estrelas, o City partiu para um domínio asfixiante do jogo, impedindo a equipa do Sporting sequer de respirar. Fez três golos e só não fez os quatro que lhe garantiam o apuramento porque não calhou. E porque, no último segundo, o Rui Patrício desviou com as pontas dos dedos um remate do seu colega guarda-redes do outro lado…


Quando, em Dezembro, os dois colossos de Manchester se viram afastados da Champions e relegados para a Liga Europa, toda a gente viu ali não apenas um inesperado reforço competitivo desta segunda prova da UEFA, mas os dois maiores favoritos da competição. O destino daquele caneco era inevitavelmente Manchester! Caíram ambos nestes oitavos de final, com o United a ser completamente subjugado pelo fantástico Atlético Bilbau…


É por isto, por tudo isto, que, por mais maldades que lhe façam todos os dias, o futebol resiste como o mais apaixonante dos jogos!


 

NÃO LHE CARREGUEM NA IDADE

Por Eduardo Louro


 


Andava por aí toda a gente a festejar os 50 anos da Mafalda quando o seu pai – o argentino Joaquin Lavado Quino - veio dizer que não havia razão para apagar as velas. Nem é este o dia do seu nascimento nem, se o fosse, faria 50 anos!


Mafalda apareceu pela primeira vez em 29 de Setembro de 1964, na revista Primera Plana. Esta menina contestatária não é ainda cinquentona. Ainda bem, digo eu!

COISAS INTRAGÁVEIS VIII

Por Eduardo Louro


 


Para o que lhes havia de dar! Uma marca Salazar… 


Não sei se isto é mau gosto, se é saloiice ou parvoíce. Não sei se isto é ignorância ou chico-espertismo.


Sei que deixou este país muito marcado, não precisa de deixar mais marcas.


Mas, se insistirem, aqui fica uma sugestão para o rótulo...


Não é lá muito sugestivo? Pois... a ideia também não!




 

quarta-feira, 14 de março de 2012

COISAS INTRAGÁVEIS VII

Por Eduardo Louro


 


Não me lembro de muitas comissões de inquérito parlamentares que tenham servido para alguma coisa. Nem me lembro de muitas que tenham sido conclusivas e que tenham servido para esclarecer o que quer que fosse.


A comissão de inquérito ao BPN de há três ou quatro anos não serviu para muita coisa, para além de dar notoriedade a dois ou três deputados (um deles, o Nuno Melo, aproveitou-a bem!). Mas funcionou bem e esclareceu algumas coisas, o que lhe bastou para passar a figurar como exemplo positivo das comissões parlamentares. Sempre que alguém diz mal das comissões parlamentares faz sempre a excepção da do BPN!


Parece que vem aí mais uma (ou mais) comissão parlamentar de inquérito ao BPN para acabar com esse bom exemplo. Ou pelo menos para obrigar a dobrar a língua, obrigando a dizer-se: “a primeira comissão de inquérito ao BPN”. Ou - quem sabe – “a do Nuno Melo”!


 

terça-feira, 13 de março de 2012

DIÁLOGOS CURTOS I

Por Eduardo Louro


 


Eu não mexia no Secretário de Estado.


Pois eu mexia. Ele mexeu onde eu não mexia. Não mexia, não…


 

REGULAÇÕES

 


Por Eduardo Louro


 


Henrique Gomes deixou de ser o Secretário de Estado da Energia e fica como a primeira baixa no governo.


Oficialmente apresentou a demissão por razões pessoais e familiares, mas é do conhecimento público que não é nada disso. São conhecidas as tensões entre Henrique Gomes e os mandões do sector, agora que, pela sua mão, se estava a entrar na parte do Memorando da Troika que trata da energia: umas páginas do Memorando que primeiro-ministro e ministro das finanças gostam de passar depressa, enquanto assobiam para o lado. Como conhecidas são as suas posições contra a política rentista que alimenta e engorda a EDP, à custa de todos nós.


Para o seu lugar foi nomeado, e tomará posse dentro de poucas horas, Artur Trindade. Que ocupava o lugar de director de Custos e Proveitos da Entidade Reguladora do Sector Energético (ERSE)! Dadas as circunstâncias da demissão de Henrique Gomes é fácil de perceber o posicionamento de novo Secretário de Estado. De que lado está…


Há muito que entendemos o papel da regulação em Portugal. Percebemo-lo por esta mesma ERSE, pelo Banco de Portugal, etc. Percebemos e sentimo-lo todos os dias com os combustíveis. Estamos fartos de saber de que lado é que está o regulador!


Não era nada preciso que nos fizessem o desenho…


 

segunda-feira, 12 de março de 2012

GENTE EXTRAORDINÁRIA XVIII

Por Eduardo Louro


 


Carlos Moedas, Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-ministro, no Prós e Contras, da RTP1 : “Privatizar não é vender. É fazer economia, é criar riqueza!”


Também é gente extraordinária, este Carlos Moedas…

domingo, 11 de março de 2012

INVERSÃO DE PRIORIDADES E OUTRAS INCÚRIAS

Por Eduardo Louro


 


A estória que vou contar ouvi-a na passada quinta-feira numa sessão da SEDES, em Leiria, e tem a ver com a directiva que a Comissão Europeia pariu (ou pôs?) sobre o bem-estar animal, na circunstância as galinhas poedeiras.


A directiva é bem conhecida, foi já suficientemente divulgada, e entrou em vigor em Janeiro, impondo, entre outros factores de qualidade de vida (?) para as pobres aves, uma maior área (o triplo) por cabeça, um poleiro, areia e até um dispositivo para afiar as unhas. Condições que obrigam a uma completa reestruturação dos aviários e significativos investimentos.


Os principais produtores europeus de ovos são países do sul: Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia. Os mais prejudicados (sempre os mesmos) e os que passam por maiores dificuldades, como é sabido.


Muitos produtores não estavam em condições de fazer esses investimentos e fecharam as suas unidades. Resultado: diminuição da produção e necessidade de importar – fala-se de 500 mil toneladas – ovos. Da América: Estados Unidos, Brasil e Argentina, principalmente!


Ovos que são produzidos nas mesmas, se não em piores condições. Mas, como diz a outra, isso agora não importa nada. Como não importou nada que a Europa tivesse escancarado as portas a produtos doutras paragens do globo, fabricados a baixo custo à conta dos mais elementares direitos dos trabalhadores.


O governo português, que acaba de aumentar em 10 mil as vagas para idosos em lares, não à custa de novos equipamentos, nem do alargamento da capacidade dos existentes, mas simplesmente da alteração do respectivo licenciamento, reduzindo as áreas per capita dos quartos e demais instalações, foi lesto na transposição desta directiva. Dando a ideia que as galinhas são mais importantes que as pessoas, quando afinal se trata da simples confirmação do bom aluno, bem comportado! Nem que para isso o que pareça é!


A Derovo, uma empresa de Pombal que nasceu da associação de produtores de ovos da região de Leiria – região que, á data, concentrava cerca de 30% da capacidade produtiva nacional – com o objectivo de responder às vicissitudes e oscilações do mercado, e de encontrar uma resposta industrial para os subprodutos derivados transformou-se, em apenas uma dúzia de anos, no líder mundial na transformação de ovos. É um caso de sucesso, estudado internacionalmente e um dos expoentes da inovação nacional.


Desenvolveu novos produtos, adaptando o ovo a cada utilização final. Tem produtos específicos para a restauração ou para a pastelaria. Internacionalizou-se e estabeleceu parcerias para segmentos especializados, como as sobremesas e as bebidas. Desenvolveu produtos, aproveitando as inesgotáveis capacidades alimentares do ovo, para dar resposta a necessidades prementes de doentes com problemas de ingestão e ou digestão de alimentos.


Fez tudo e bem, como poucos fazem em Portugal. Fez o que se exige ser feito para que a economia portuguesa abandone o seu marasmo congénito. Inovou, desenvolveu, internacionalizou-se e exporta. E está agora com grandes dificuldades em matéria-prima para dar resposta à dinâmica que criou!


Porque não acautelou os efeitos desta directiva? Não. Essa é a segunda parte da estória.


A Derovo antecipou esta realidade e, fazendo o percurso inverso ao da sua criação, chamou os produtores e desafiou-os a participar num investimento para um milhão de galinhas nas novas condições exigidas, em Proença-a-Nova. Para que, chegada esta altura, tivesse asseguradas as suas necessidades de matéria-prima. 


 Só que esperou dois anos pela aprovação do projecto de impacto ambiental. Isso mesmo, uma empresa de referência, um projecto PIN, esteve dois anos à espera de um despacho governamental. E não se pense que o líder da empresa, Amândio Santos, esteve durante esses dois anos sentado na sua secretária à espera que o ovo saísse. Não, andou a bater à porta de tudo o que era secretário de estado. E teve todo o apoio do incansável Presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova. Imagine-se se não fosse assim!


Espera agora que, quando em Outubro a unidade abrir as portas para receber as sortudas galinhas, não seja tarde de mais…

TÃO JUNTINHOS ...

Por Eduardo Louro


                                   


Cabem os três num pontinho! Tão juntinhos que estão…


Mas… Na última jornada o Porto ganhou, e o Benfica perdeu, com o golo em fora de jogo. Ontem o Braga ganhou porque ao seu adversário – União de Leiria – foi anulado um golo. Limpo, não havia qualquer fora de jogo!


Ontem o Porto empatou com a Académica. Com um golo marcado através de um penálti que o árbitro assinalou. Bem! Mas já não assinalou outro que houve a favor da Académica. Penáltis que, se a favor do Benfica, os árbitros transformam em falta atacante, por simulação, com o correspondente cartão amarelo. Aconteceu por duas vezes. Hoje, em Paços de Ferreira, Bruno César e Nelson Oliveira, depois de carregados dentro da área, viram o árbitro mostrar-lhes o cartão amarelo ...


Se para deixar os três assim juntinhos foi o que foi, o que é que não será daqui para a frente? Vai ser bonito! Vai, vai…

sábado, 10 de março de 2012

FUTEBOLÊS#117 JOGO JOGADO

Por Eduardo Louro


 



Um jogo é para se jogar, seja lá qual for. Depois de se jogar fica jogado: o jogo jogado!


Bom, em futebolês, não é bem assim. Até porque contraria em absoluto uma ideia que poderia parecer subjacente: a de que o jogo, depois de jogado, teria acabado. Já era, ficava morto e enterrado e não se falaria mais disso! Ideia que por si só liquidaria de vez o futebolês, como é bom de entender.


Para que tudo fique no seu sítio, e para evitar canibalismos desses, o jogo jogado vai bem para além disso. Desde logo porque se o futebolês - uma linguagem sempre tão prática e ainda mais objectiva, sem deixar de ser redonda, sem perder as curvas que lhe dão forma e beleza - entendeu criar este adjectivo para o jogo, é porque, evidentemente, fazia falta. Porque há o jogo jogado e há os outros!


Muitas vezes há uma equipa que, em jogo jogado, é muito superior ao seu adversário. E no entanto perde. Já sei que estão a pensar: pronto, lá vem o árbitro para a conversa!


Não, nada disso. Até porque, quando isso acontece, quando uma equipa é bem superior ao adversário e perde porque o árbitro assim quer, o jogo deixa de ser um jogo para ser uma roubalheira. E ainda ninguém ouviu dizer que o clássico da semana passada foi uma roubalheira jogada!


Normalmente a superioridade em jogo jogado é invocada quando se perde. Ou até quando se ganha, sem que essa superioridade tenha sido assim tão evidente… Se utilizada sem sofismas nem manhas – na sua pureza imaculada - quer simplesmente dizer que a equipa esteve por cima do jogo (mais uma bela expressão), dominou-o ao longo dos 90 minutos (um sinónimo) e superiorizou-se ao adversário nas diferentes variáveis estatísticas (posse de bola, remates, cantos, etc.). Excepto nos golos!


Acontece de vez em quando. Uma equipa que joga, joga e … nada de golos. A bola sai sempre ao lado ou vai aos ferros e, quando vai direitinha para a baliza lá está o guarda-redes, sempre pronto para as defesas mais impossíveis. Quando se percebe que poderiam estar lá uma noite inteira a rematar que a bola não entraria nunca. E, porque o futebolês também tem uma lei – quem não marca sofre – o adversário, na única vez que chega á baliza, marca. Às vezes marca cada vez que lá vai e, ainda às vezes, vai lá muitas vezes!


Claro que, quando assim é, quando o adversário vai lá muitas vezes, essa história do jogo jogado começa a não passar. Passa-se é para uma visão manhosa do jogo!


Foi o que fez Vítor Pereira – o treinador do Porto – no recente jogo com o Manchester City, os mesmos a quem o Sporting ganhou esta semana. O Porto andou por ali, para trás e para o lado, até os jogadores adversários se chatearem com aquilo, roubarem-lhes a bola e irem por ali abaixo, como cão por vinha vindimada, mostrar-lhes como é: fazendo quatro golos e deixando outros tantos por marcar. Quando Vítor Pereira – e não só, porque muita imprensa, vá lá saber-se porquê, lhe deu cobertura – dizia que o resultado era mentiroso queria dizer, mas mal, que, em jogo jogado, tinha sido superior. Porque, resultado mentiroso seria, duas semanas depois, o da sexta-feira da semana passada, na Luz.


Para além do jogo jogado há ainda o jogo falado, transformado em tão ou mais importante que o jogado. E numa indústria muito paralela à do próprio futebol.



Muito do jogo jogado se decide no jogo falado que decorre antes do início do jogo, jogado. Onde muitos são mestres, e outros autênticos desastres, como Jorge Jesus. Como muito da visão póstuma do jogo jogado, é determinado pelo jogo falado que se lhe segue, branqueando umas coisas e apagando outras para, logo a partir daí, determinar muito dos jogos que ainda estão para jogar.


É por isso que os principais clubes tanto investem nos comentadores que espalham por todos os espaços mediáticos, sabendo que aí, no jogo falado, se joga muito do que acontece no jogo jogado, subvertendo a realidade para a adaptarem fielmente aos seus interesses. É também aí, bem longe dos relvados, escolhendo a dedo os seus peões de brega que, pela mão do mestre Pinto da Costa, o Porto se faz sucessivamente campeão!

sexta-feira, 9 de março de 2012

ROTEIROS SEM RUMO

Por Eduardo Louro


 Prefácio do livro “Roteiros VI”


Cavaco lá continua firme na sua rota rumo à desacreditação total. Não há quem o segure…


Há muito que muita gente percebeu que os objectivos de Cavaco se esgotam nele próprio. Para Cavaco, ele é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Tudo o que importa é ele próprio e a sua sobrevivência política. Todas as suas capacidades são postas ao serviço deste desígnio pessoal!


Quando Cavaco, na publicação acima, que reúne as principais intervenções públicas do Presidente no primeiro ano deste segundo mandato, hoje - quando se cumpre esse primeiro aniversário - apresentado, acusa o então primeiro-ministro Sócrates de falta de lealdade institucional, porque não lhe apresentou previamente o PEC IV, – deixando-o, assim, impossibilitado de evitar a crise política que se seguiu - está apenas a fazer – mal, como nele vem sendo hábito, cada vez mais desastradamente – o que sempre faz: pensar nele!


Cavaco pretende, com esta agora, e quando – como a mesma falta de tacto, inteligência e seriedade política – pretende também descolar da acção do actual governo, demarcar-se da governação de Sócrates, com a qual pactuou ao longo de seis anos. Isto é, Cavaco acredita que pode dizer que não tem nada a ver com a situação em que o país se encontra!


E se já não é sério acreditar nisso, nem sequer sinal das melhores condições de sanidade mental, menos sérios são os métodos de que lança mão. Cavaco tem o desplante de dizer que ficou impedido de evitar a crise política quando, toda a gente o sabe, foi ele próprio que – e bem, na opinião maioritária dos portugueses – então carregou no botão. Com o seu discurso de tomada de posse abriu a crise política que encurralou Sócrates. Com a apresentação do tal PEC IV, Sócrates não fez mais esticar a corda, sabendo bem que ela iria partir.


É preciso ser sério, Senhor Presidente. Não basta apregoá-lo!


E, já agora, quando ainda faltam quatro anos para o fim do mandato, e já sem possibilidade de nova recandidatura – já que não aprendeu nada com Mário Soares, que ao menos tenha aprendido isso – veja lá se encontra na sua cabeça um espacinho onde caiba nem que seja só um bocadinho do país!


 

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...