sábado, 30 de novembro de 2019

Belo regresso ao quentinho

Resultado de imagem para benfica marítimo"


Havia uma certa expectativa à volta deste jogo de hoje na Luz, de relva nova. Também por isso, pela nova relva, mas por ser o regresso ao campeonato, três semanas depois, por suceder ao jogo da Champions - mito, ou não, estes jogos têm fama de ser complicados -, com menos de 72 horas de recuperação; porque o Marítimo vinha de treinador novo, com três semanas (quase uma pré-época) para preparar o jogo e, the last, not the least, porque o jogo era arbitrado pelo Fábio Veríssimo. Palavras para quê?


Creio que nem nas melhores expectativas caberia um jogo de tanta qualidade. Na primeira parte assistimos a um belo jogo de futebol. A segunda só não foi igual, ou até melhor, porque cedo - aos quinze minutos - Fábio Veríssimo pôs o Gabriel na rua e o Benfica ficou a jogar com dez. E naturalmente não poderia ser a mesma coisa.


Deve dizer-se que o Marítimo tem muito a ver com a qualidade que o jogo teve. Pela própria qualidade que lhe emprestou mas, acima de tudo, porque surgiu na Luz para jogar futebol. Querendo apenas jogar futebol, como que desafiou o Benfica a fazer o mesmo. E o Benfica aceitou o repto!


E o que se viu foi bonito de ver. O Marítimo entrou a jogar à bola - já com o dedo de José Gomes bem à vista - e não quis perder tempo. E o Benfica respondeu de imediato. Logo no primeiro minuto duas oportunidades, uma para cada lado. A dar o mote. E aos 8 minutos, na segunda oportunidade, o Benfica marcou, pelo goleador Pizzi.


Pareceu que o jogo foi de imediato para intervalo. Mas não foi - aconteceu apenas que o VAR demorou quase 5 minutos a confirmar o golo. No reinício parecia que não seria possível retomar o ritmo que o jogo trazia, mas depressa tudo voltou ao normal.


Aos trinta minutos o Benfica já ganhava por 3-0, com mais dois golos de Vinícius e, ao intervalo, para que o resultado espelhasse o que se tinha passado, teria de ter no placard qualquer coisa como 6-1.


A segunda parte iniciou-se no mesmo ritmo, e com apenas 10 minutos jogados já Vinícius tinha feito o hat-trick, deixando na Luz a certeza que aquilo não ficaria aquém dos 6-0 das duas últimas épocas.


Só que a expulsão de Gabriel mudou os dados do jogo. Mas não acabou com a exibição do Benfica. Mesmo com dez a equipa jogou bem, nunca permitiu qualquer superioridade ao adversário, e criou mais três ou quatro claras oportunidades de golo. De tal modo que, no fim, o melhor que aconteceu ao Marítimo foi mesmo o resultado. 


Foi o regresso ao campeonato, ao quentinho cá de casa - na Europa, o frio é muito -, é certo. Mas foi um regresso uns bons furos acima daquilo que vinha acontecendo, mesmo que aqui e ali com sinais de retoma nalguns dos últimos jogos. 


A dúvida que agora fica para esclarecer é se esta exibição resulta do desafio proposto pelo adversário, ou da decisiva retoma exibicional da equipa. Se, com adversários mais fechados, com marcações cerradas, e que levem o jogo para o confronto físico, não voltam as dificuldades.


Nada no entanto apaga o que se viu hoje. Uma bela exibição colectiva, com todos os jogadores em grande nível, mesmo que Taarabt, e inevitavelmente Vinícius, tenham estado ainda um pouco acima. Domingos Piedade teria gostado. Pena que a expulsão de Gabriel tivesse impedido mais um resultado memorável. E que tenha impedido a integração de RDT com a equipa completa e naquele ritmo. Marcaria certamente, não haveria como não o fazer! 

Domingos Piedade (1944-2019)

Resultado de imagem para domingos piedade morreu"


 


Quem gosta de automóveis tinha de gostar de Domingos Piedade, conhecendo-o pessoalmente, como foi meu previlégio, ou apenas através dos media. Um grande senhor, e uma grande figura da fórmula 1 e do automobilismo mundial!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Uma história de cofres

Resultado de imagem para cofres antigos"


 


Carlos Santos Silva, o amigo que todos gostariam de ter, vai confirmando ao juiz Ivo Rosa as teses de Sócrates, por mais inverosímeis que sejam, como são. Se os amigos são para as ocasiões, este vai confirmando que é para todas as ocasiões.


A casa de Paris é dele, e o dinheiro era todo dele. E saiu todo de um cofre muito grande que tinha lá em casa, igualzinho ao da mãe de Sócrates. Algum saiu do cofre para negócios em Angola, donde veio para sair para a Suíça, para onde foi para fugir a impostos...


Enquanto nós, pobres cidadãos encharcados em impostos, vivemos aterrorizados com a monstruosa máquina fiscal, Carlos Santos Silva diz-nos que isso é para meninos. Que se lixem as acusações de fraude fiscal. As de corrupção e de toda a espécie de vigarice é que não!


Por isso é que esta é cada vez mais uma história de cofres.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Desilusão

Resultado de imagem para 3 novos partidos na assembleia da republica"


 


Há menos de dois meses, aqueles de nós que se preocupam com estas coisas, saudamos a chegada  de novos partidos à Assembleia da República como manifestação de revitalização da nossa democracia. Como um acerta pedrada no charco partidário em que vivíamos.


Hoje, à excepção de uns quantos que não se cansam de garantir que só no primeiro mês o Chega teria duplicado a votação, e de outros tantos que festejam a notícia - e que não integrarão exactamente o grupo identificado como ponto de partida - o sentimento é bem diferente. Apenas dois meses depois começamos a perceber que, afinal, o que de novo trouxeram não é assim tão novo. E - pior - não estão a trazer nada que acrescente valor à nossa democracia. Antes pelo contrário.


O que temos visto destes novos partidos é que têm ocupado o centro do espaço mediático através do fait divers, e que, sem qualquer contributo para o saneamento do xadrez partidário, e com a introdução de ar tóxico em vez de puro e respirável, nos deixam a ideia que, como diz a cantiga,  pra pior já basta(va) assim.


Entre o Livre, em autêntica emulação pública, e o Chega engolido pelo Ventura, entretido a lançar foguetes e a apanhar as canas, fica o (ou a?) Iniciativa Liberal, que começa com a demissão do líder e acaba a propor que nos recibos dos vencimentos passe a constar a contribuição da entidade patronal para a Segurança Social.


Se isto não parece brincadeira de crianças ... 

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Se ...

Benfica ainda sonhou em Leipzig, mas viu as aspirações caírem por terra nos descontos


 


Esteve quase. Mas não chegou.


O Benfica teve o pássaro na mão mas deixou-o fugir. Os minutos finais foram fatais. Ao minuto 90, num penalti esquisito, o Leipzig reduziu. E ao 96 (o árbitro deu, justificadamente, 9 minutos de compensação) empatou.


Mas não foi hoje, em Leipzig, que o Benfica foi afastado da Champions. Foi em Lisboa, na primeira jornada, com este mesmo adversário. Foi em S. Petersburgo e em Lyon. Foi nesses jogos, quando Bruno Lage teve opções inexplicáveis, deixando de fora boa parte dos melhores jogadores.


O Benfica não fez hoje uma exibição memorável, longe disso. Mas foi uma equipa solidária e certinha, na maior parte do tempo. Podia e devia ter ganho o jogo, e podia até ter marcado os dois melhores golos desta edição da Champions. Primeiro, já depois do primeiro golo (Pizzi, aos 20 minutos), numa fantástica jogada de Pizzi, que a concluiu com um remate sensacional que levou a bola a bater na quina do poste com a barra da baliza adversária. E depois, na segunda parte, quando já ganhava por 2-0 (golo de Carlos Vinícius, aos 59 minutos), num fabuloso chapéu de RDT, ainda atrás da linha de meio-campo, que o guarda-redes conseguiu in-extremis desviar para canto. 


Agora resta ganhar ao Zenit (que, no entanto, ganhando, assegura a participação nos oitavos de final) no último jogo, na Luz, daqui a duas semanas. O que pode até nem evitar o último lugar do grupo. Mas pode também deixar as contas da classificação numa embrulhada dos diabos. É que, na eventualidade do Lyon perder o seu jogo (em casa) com o Leipzig, ficariam as três equipas com 7 pontos. E se calhar com contas complicadas de fazer... 


Mas isso são os ses do futuro. Os do passado - se o Benfica tivesse sempre jogado com os melhores; se hoje a bola do Pizzi tivesse ido três centímetros mais dentro, se a equipa tivesse tido a classe necessária para se opor à cavalgada final dos tipos da Red Bull -  esses é que já não contam!


 


 


 

Mais uma voltinha ...

Resultado de imagem para andré ventura candiatura presidencial"


 


Diz hoje o jornal i que André Ventura prepara candidatura a Belém. É bem capaz de ser verdade, e não é sequer grande surpresa. A exposição mediática que uma candidatura presidencial sempre promove não é negligenciável. É mais uma oportunidade para lavrar terreno fértil para o populismo que personifica e para o terrorismo verbal que adoptou como forma de fazer política. E para germinarem as ideias que não tem (não tem uma única ideia estruturada), mas que toda a gente acha que tem.


É uma espécie de "mais uma voltinha, mais uma viagem"...


 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A pobreza e os números

Resultado de imagem para pobreza INE 2018"


 


A erradicação da pobreza é o mais saudável objectivo de qualquer projecto de governação. Há dois instrumentos políticos para o perseguir: a política de rendimentos e  as políticas sociais. E duas receitas, ou três, considerando a combinação das duas: redistribuir melhor o rendimento, aumentando o dos extractos mais baixos à custa do dos mais altos,  e subsidiar, através de apoios sociais, os que, pelas razões mais diversas, não tendo outras fontes de rendimento, não tenham acesso ao trabalho.


Há sempre forma de mitigar esse objectivo. Substituem-se os instrumentos políticos por instrumentos de linguagem e chega-se lá perto. Pega-se na definição de pobreza e dá-se-lhe as voltas que forem precisas até acabar com ela.


O valor de 501 euros mensais, este ano fixado em Portugal para que os pobres deixassem de ser pobres, é uma forma de fazer isso. E de, ainda assim, chegar aos 17,2% da população em risco de pobreza, menos uma décima percentual que os 17,3% do ano passado.


 


 

O balão a encher

Resultado de imagem para jorge jesus condecorado"


 


Jorge Jesus continua em alta, e sabe-se no que normalmente isso dá.  O ego enche, enche, e... 


Em dezasseis finais disputadas ganhou dezassete e perdeu dez. Não faz a coisa por menos.


Em Portugal também ganhou títulos, mas nunca foi condecorado pelo Estado português. Não compreende por que foi preciso ir para o Brasil para ser condecorado, mas aí parece que nem está sozinho. Está até muito bem acompanhado. Para o efeito, melhor era mesmo impossível.


Evidentemente que a conquista da Libertadores pelo Flamengo é um feito relevante para o nosso país. Só por má formação se não percebe isso!

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Problemas de comunicação

Resultado de imagem para comunicado do livre"


 


Depois da tempestade que se sucedeu à abstenção da deputada do Livre  na "condenação da nova agressão israelita a Gaza", votada na sexta-feira na Assembleia da República, veio a bonança, com tudo a ficar-se por um problema de comunicação: "A Assembleia do Livre reconhece que todos os nossos membros, apoiantes e eleitores olham para as declarações dos últimos dias com perplexidade. Assumimos as dificuldades de comunicação ... que estamos a trabalhar em conjunto para resolver".


A "perplexidade" extravasa agora os "membros, apoiantes e eleitores" do Livre. É que, até agora,  os problemas de comunicação da Joacine circunscreviam-se à emissão. Mas afinal não são menores na recepção. Nem no armazenamento... E a isso já não se chama gaguez... 

domingo, 24 de novembro de 2019

Jesus Deus

Resultado de imagem para jorge jesus flamengo libertadores"


 


Foi épica a vitória do Flamengo na Libertadores!


A dois minutos dos 90 tudo parecia perdido, com a equipa de Jorge Jesus a revelar uma completa incapacidade de desfeitear um adversário incómodo, que não deixava jogar e inultrapassável quando o permitia.


O River, que fizera o primeiro golo da final a meio da primeira parte, numa gritante falha defensiva da equipa do Flamengo, mostrou-se sempre capaz de anular o futebol dos brasileiros, com uma atitude sempre muito pressionante e vigorosa, recorrendo a todos os métodos para meter areia na engrenagem da máquina de futebol de JJ, que em muitos períodos do jogo pareceu ter gripado. Para, depois, lançar contra-ataques sempre perigosos.


A dois minutos do fim a imagem do jogo era a de um Flamengo impotente perante um adversário mais (ma)duro, que já só esperava pelo apito final para fazer a festa do terceiro título continental consecutivo. Aí, na primeira vez que o ataque brasileiro conseguiu iludir a defesa argentina, Gabriel Barbosa, finalmente a fazer jus à alcunha, fez o empate abrindo a porta do prolongamento como redenção inevitável.


Só que haveria de chegar também a redenção do minuto 90+2, tantas vezes fatal para as equipas de Jorge Jesus. E o que três minutos antes parecia impossível tornou-se na consagração máxima do treinador português, a passar de Jesus a Deus. Que, sem dúvida, é brasileiro!


As virtudes do treinador português são conhecidas. Os defeitos também. Nestas alturas, naturalmente, lembram-se as primeiras e esquecem-se os segundos. Quem acompanha a carreira de Jorge Jesus sabe que no seu trabalho as virtudes vêm sempre primeiro. Os defeitos vêm depois, é uma inevitável questão de tempo!


Nunca é tarde para aprender. Aos 65 anos Jorge Jesus tem a oportunidade de agarrar a chave do sucesso. Basta-lhe saber impedir que o tempo faça o seu trabalho, e lhe lixe o seu próprio. Há - e houve - quem soubesse fazer isso. Quem não se lembram de Trapattoni?


PS: Já depois de ter publicado este texto, o Flamengo, mesmo sem jogar, garantiu o aguardado título no brasileirão. Dois títulos, e logo os dois mais importantes que havia para conquistar, em dois dias consecutivos, é obra. Obra de Jorge Jesus!

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

"É uma coisa que me chateia"


(Foto Tiago Miranda)


 


Sentia-se uma certa tensão no ar, e as barreiras de protecção à escadaria de S. Bento, em versão peso-pesado, deixavam evidente a preocupação do governo e das forças de segurança em exercício. A ideia da reedição do clássico de polícias contra polícias não é simpática, e muito menos tranquilizadora.


Mas acabou tudo em bem. E mais cedo, dizem. Porque o semi-clandestino movimento zero - mais um movimento inorgânico nascido nas redes sociais, e agora no coração de uma das mais determinantes funções do Estado - tomou conta da ocorrência, e André Ventura do palco. E porque os organizadores da manifestação, para além de não gostarem do que viam, são gente de bom senso.


No fim lembrei-me de Pinheiro de Azevedo, quando às portas do 25 de Novembro, governo e deputados constituintes ficaram cercados, também em S. Bento, por operários da construção civil. Bem sei que o que dele é lembrado da altura  é o "vão bardamerda mais o fascista"; mas também disse: "não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia". É que eu também não gosto da ideia que a defesa das forças de segurança é coisa da direita mais extremista, como André Ventura e Telmo Correia (nitidamente a reboque) pretendem fazer crer. É também "uma coisa que me chateia"!

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Crime com assinatura

Resultado de imagem para pedir esmola"


 


Uma mulher, ainda jovem mesmo que o não pareça, sem abrigo, pede uma esmola a um transeunte. De volta recebe um tiro, e cai morta.


Abeirara-se do transeunte, e pedira-lhe um real, para comprar pão. O assassino meteu a mão à mala mas, em vez da moeda pedida, tirou de lá a pistola que de imediato disparou friamente sobre a pobre jovem mulher. E seguiu caminho, como se nada mais tivesse acontecido que livrar-se de uma mosca incómoda que se lhe atravessara à frente. É um comerciante estabelecido na zona, e tem a porta do estabelecimento para abrir...


Aconteceu ontem, em Niterói, ali ao lado do Rio de Janeiro.  No Brasil, de Bolsonaro. 


Poderia não ser mais que mais um assassínio, num país em que acontecem a toda hora. Mas não é. Este é um crime com assinatura. Este é o tipo de crimes onde não é possível apagar o nome de Bolsonaro. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Ó pá...

Capa Jornal de Negócios


 


Ontem tinha deixado aqui duas perguntas. À primeira não obtive resposta, mas a segunda é respondida hoje em boa parte dos jornais. 


O Jornal de Negócios dá-a na capa:


Joaquim Oliveira - 3.06 milhões;


José Guilherme - 4.28 milhões;


José António Santos - 14.6 milhões.


Para além de - todos - amigos de Luís Filipe Vieira (que também garante já 3.8 milhões, mas isso é "pinners", como dizia o outro) parece-me que se vê por ali outro traço comum. Ó pá... 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

OPA? Ó PÁ...

Resultado de imagem para opa slb"


 


Há por aí alguém que me consiga explicar por que é o Benfica, que detém tranquilamente a maioria (mais de 67%) do capital social da SAD, quer comprar mais 28% desse capital, para chegar aos 95%?


E por que é que, para isso, é preciso pagar um prémio de 81%?


E, para a hipótese negativa, isto é, se não houver quem me consiga explicar, será que haverá por aí alguém que me consiga dizer quem é que vai tirar a barriga de misérias e fazer uma pipa de massa com tão inexplicável prémio para a operação?


Só hoje, quem estivesse mais apertado, ou quem não quisesse aparecer referenciado na operação, já terá aberto umas garrafas de champanhe para celebrar uma mais valia superior a 70%.


Mas o que é isto? Está tudo cego? Ó pá...


 

José Mário Branco (1942-2019)

Resultado de imagem para josé mário branco"


 


Deixou-nos um dos grandes da música e da cultura portuguesa. Veio de longe, em permanente inquietação, e partiu para longe...

Aproximação a zona de turbulência

Resultado de imagem para tap"


 


Desde que Antonoaldo Neves assumiu as rédeas da gestão, a TAP passou a acumular prejuízos ao ritmo dos seus piores tempos. Nos primeiros nove meses do ano somam já 111 milhões de euros, em cima dos 118 milhões do ano passado. Em dois anos os prejuízos subirão bem para lá dos 250 milhões de euros.


Mas, ouvindo o compatriota e sucessor de Fernando Pinto, está tudo bem. Não há problema de qualquer espécie, até porque, como não se cansa de repetir, quem sabe daquilo é ele. É ele o único especialista naquela ciência oculta que é o negócio da aviação, e tem sempre explicação para tudo. 


E explica que o prejuízo deste ano se deve a "variações cambiais sem impacto na tesouraria" -  deve ser por isso, por não terem impacto na tesouraria, que já aí está o segundo empréstimo obrigacionista do ano, no valor de 300 milhões de euros, depois dos 400 milhões que recolheu em idêntica operação no primeiro semestre -, como os prejuízos do ano anterior haviam sido explicados por situações não recorrentes. Ou excepcionais, que na TAP mais costumam ser regra, como indemnizações por atrasos, por exemplo. 


Valha que, mesmo com rating de lixo - a TAP só não tem o pior rating das companhias de aviação porque o genial David Neelmam (outro charlatão que este país transforma em génio) tem mais três empresas no sector e todas em pior estado - o Sr Antonoaldo ainda vai encontrando quem lhe empreste dinheiro para financiar os resultados da sua brilhante gestão. 


A aproximação a zonas de forte turbulência está a fazer-se a grande velocidada. E, como no Titanic, a orquestra toca...


 


 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Espectáculo garantido

Resultado de imagem para julgamento alcochete em monsanto


 


Começa hoje o julgamento do ataque à Academia do Sporting, em Alcochete. O circo está montado em Monsanto, e o espectáculo promete. Pela lista de testemunhas arroladas por Bruno  de Carvalho, que inclui as duas mais altas figuras do Estado, que anunciara processar por o terem condenado na praça pública e, aos olhos da opinião pública, terem feito dele culpado. Pela reconstituição, que já solicitou, mas acima de tudo pelo seu próprio potencial de encenação.  


Nestas coisas Bruno de Carvalho raramente falha. É espectáculo garantido... Começa hoje,  e só se sabe que não irá acabar tão cedo...

domingo, 17 de novembro de 2019

Apuramento de credo na boca

Resultado de imagem para luxemburgo - portugal


 


À última da hora, e com o credo na boca, a selecção nacional acabou por se apurar para o europeu do próximo ano, depois da vitória (2-0) de hoje no Luxemburgo, com mais uma pobre exibição, desta vez justificada pelo estado do lamaçal onde a partida se disputou.


A exibição  da passada quinta feira, com a Lituânia no Estádio do Algarve (6-0), uma das poucas deste apuramento condizente com o valor individual dos jogadores portugueses, pese embora a fraca valia do opositor, não era obviamente repetível naquele batatal luxemburguês, mas também não é aceitável tão fraco desempenho, com um resultado feliz e muito melhor que a exibição. A selecção do Luxemburgo foi inclusivamente, em largos períodos jogo, especialmente na primeira parte, até superior à portuguesa.


Chegou ao fim uma fase de apuramento que não começou bem e que não esteve longe de acabar mal. Na realidade, e descontando a exibição neste penúltimo jogo com a Lituânia, último classificado do grupo, apenas no jogo da Sérvia a selecção nacional esteve ao nível do estatuto que já alcançou.


A continuar assim, com estratégias de contenção de danos, pouco ambiciosas e ronaldocentradas, dificilmente a selecção nacional fará boa figura na fase final do Europe, em versão all over the Europe. Porque... há milagres, mas não é todos os dias. E nunca duas vezes seguidas! 

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Coisas que nos envergonham*

Resultado de imagem para bebé encontrado no lixo em santa apolónia"


 


Foi notícia na passada semana o caso do recém-nascido deitado ao caixote do lixo. Não podia deixar de o ser, porque é objectivamente notícia.


O mesmo se não pode dizer da histeria mediática que se seguiu. Dias e dias a fio sem se falar de outra coisa nas televisões e nas redes sociais, os tribunais plenários dos nossos dias, com inqualificáveis abusos de toda a ordem, numa espécie de peditório para que o nosso Presidente da República também deu alguma coisa. Como frequentemente lhe acontece, porque não é fácil aparecer nos peditórios todos sem deixar contribuição.


Ninguém parou para pensar num parto, na rua, em Novembro, em 2019, de uma jovem com pouco mais de 20 anos, sozinha. Ninguém parou para pensar que tipo de responsabilidades poderão ser atribuídas a uma pessoa nestas circunstâncias.


Talvez o juiz que lhe decretou a prisão tenha pensado nisso. E talvez tenha pensado que, à falta de Estado (social) para responder a estes dramas, o melhor seria convocar o Estado (repressivo) para lhe dar resposta imediata. Melhor a prisão que mantê-la na rua.


Pode ser que sim. Não há pior prisão que a da rua, de lá nunca ninguém sai. Mas é um inqualificável atropelo ao Direito. Como bem claro deixou o grupo de advogados que requereu a sua libertação junto do Supremo Tribunal de Justiça. Que foi rápido a negá-la.


E que, talvez para ser tão rápido, nem perdeu tempo a enunciar um - um, só um que seja – dos requisitos da prisão preventiva nesta triste ocorrência que nos enche de vergonha.


* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Sem preconceitos

Resultado de imagem para muçulmana impedida de jogar


 


Foi notícia em todo o lado, com reportagens em todas as televisões, o impedimento de uma miúda de 13 anos - nascida no Paquistão e residente em Tavira - participar num jogo de basquetebol, em Albufeira. Tudo porque, sendo muçulmana e usando hijab, usava por baixo do equipamento oficial peças de roupa que lhe cobriam as pernas e os braços, coisa que a equipa de arbitragem entendeu violar os regulamentos.


Parece no entanto que não. Os regulamentos da Federação Internacional de Basquetebol prevêem, desde há dois anos, a possibilidade de jogadoras muçulmanas cobrirem a cabeça e o corpo. Daí que apenas sobrem razões de ordem estética (que não podem, evidentemente, depender do critério da equipa de arbitragem, mas deixemos isso de lado), até porque não foi pela cobertura das pernas - com uns comuns collants, por muitas dúvidas estéticas que os calções também levantem - que o impedimento foi invocado. Foi pela cobertura dos braços, com uma inestética (mesmo assim menos que os calções) camisola de manga comprida por baixo da camisola de alças do equipamento usado comummente na modalidade. 


Tudo apontaria para que aí estivesse mais um dos infindáveis casos de preconceito dos nossos dias. Não me parece. Parece-me mais qualquer coisa que se resolva com facilidade numa visita a uma loja da Nike. Que certamente já pensou nisto! 


 

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Faz de conta

Resultado de imagem para pequenos partidos debate


 


Por alma sabe-se lá de quê, os partidos da esquerda parlamentar entendiam que os deputados únicos dos novos partidos que chegaram à Assembleia da República não deveriam usar da palavra no debate quinzenal com o primeiro-ministro, que esta tarde vai para o ar.


Depois da indignação geral recuaram em dois mortais à retaguarda, com o contacto com o solo a ficar longe de ser perfeito. E lá se retomou a prática usada na última legislatura com o PAN...


Os novos partidos unipessoais terão, assim, direito a ... minuto e meio. Que para a deputada do Livre, como já se percebeu, nem dá para arrancar... 


É preciso muita imaginação para conseguir fazer uma intervenção minimanente aceitável no Parlamento num minuto e meio. Mas não é precisa uma grande dose de capacidade imaginativa para adivinhar as frases mais batidas dessas intervenções:


- "Queira terminar senhor deputado";


- "Termino já, Sr Presidente"!


Faz de conta... 

terça-feira, 12 de novembro de 2019

A decisiva questão da confiança

Resultado de imagem para lítio montalegre"


 


É nestas alturas, quando os desafios do desenvolvimento ficam perante encruzilhadas, que mais sentimos a falta que faz a confiança no Estado.


A prospecção e a exploração de gás natural, ou de lítio, agora na ordem do dia, representam sem qualquer dúvida duas grandes oportunidades para o desenvolvimento do país. Se o gás natural é uma das principais fontes de energia limpa, com impacto importantíssimo na urgente e imperativa descarbonização, o lítio é, à luz do conhecimento actual, provavelmente o mais importante metal da economia do futuro.  


Portugal dispõe da sexta maior reserva mundial de lítio. E, tudo o indica, de importantes reservas de gás natural. Ninguém achará que os deva desperdiçar, de todo. Como provavelmente ninguém achará que devam ser explorados a qualquer preço. E ninguém tem dúvidas, nem ilusões, sobre os interesses que se movimentam entre estas opções.


A falta de confiança dos cidadãos nas instituições - no Estado, que uma vez dizemos ser todos nós, mas noutra apenas nos representa - leva-nos a suspeitar que as decisões serão sempre tomadas em favor dos mais fortes desses interesses. E que todos os estudos, de impacto ambiental ou de quaisquer outros, em vez de isentos, sérios e independentes, terão apenas como objectivo almofadar essas decisões.


Pode nem sempre ser assim. Mas é assim que tendemos a ver estas coisas. Por falta de confiança. Porque desconfiamos sempre...


A confiança e a credibilidade são o verdadeiro cimento das sociedades. É nestas alturas, quando sabemos que há opções fundamentais a fazer, e oportunidades de futuro a não desperdiçar, que mais sentimos falta de um Estado em que possamos cegamente confiar. Sem qualquer tipo de reservas!

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O beco de Sanchez e Iglesias

Resultado de imagem para eleições españa sanchez e iglesias"


 


Na eleições em Espanha, as quartas em quatro anos e as segundas em 6 meses, apenas a extrema direita ficou com razões para rir, mesmo que o PP, agora de Pablo Casado tenha, do segundo pior resultado da sua história, feito  uma festa. 


Não clarificaram nada e complicaram tudo. À primeira vista dir-se-ia que o sistema político espanhol está definitivamente esgotado e incapaz de assegurar a governabilidade ao país. Provavelmente estará.


Resta uma única saída para o "El Bloqueo": que, agora bastante mais fragilizados e ainda mais ameaçados, Pedro Sanchez e Pablo Iglesias se entendam. E que, depois de se entenderem, sejam capazes de fazer pontes com os partidos autonómicos para garantir os 20 deputados que, ainda assim, lhes faltam agora para assegurar a governação. E que não lhes faltavam no anterior quadro parlamentar saído das eleições de Abril...


Se foi este o beco que escolheram, encontrem-lhe agora a saída.

sábado, 9 de novembro de 2019

Recaída em plena convalescença

Resultado de imagem para santa clara - benfica"


Era grande a expectativa para este jogo nos Açores, em que o Santa Clara decidiu homenagear as vítimas do recente temporal com os nomes das ilhas do arquipélago nas camisolas, na vez dos dos jogadores. São apenas 9 ilhas, mas a diáspora e a resistência insular fizeram o resto.


A grande expectativa estava precisamente em perceber os efeitos do temporal de Lyon na convalescença do Benfica, que as melhoras evidenciadas nos dois últimos jogos prometiam segura. E o que se pode dizer é que dos Açores não vieram boas notícias: a convaslença está bem mais atrasada do havia sido prometido nos dois último jogos na Luz, com o Portimonense e com o Rio Ave. O temporal de Lyon provocou recaída!


O Benfica nem entrou muito mal no jogo, os primeiros minutos até mostraram a equipa querer pegar e mandar no jogo. Sem uma qualidade por aí além, é certo, mas a transmitir alguma confiança, Não deu para muito, mas ainda deu para uma grande oportunidade de golo, num remate de Seferovic ao poste, numa jogada que seria anulada por fora de jogo muito duvidoso do avançado encarnado, mas vestido com aquela camisola cinzenta muito pouco bonita. 


Só que, no minuto seguinte, no fim do prmeiro quarto de hora, na primeira vez que saiu e chegou à baliza de Odysseas, o Santa Clara marcou. E a partir o Benfica acabou. Os jogadores voltaram a parecer agarrados por estacas ao relvado - também em muito mau estado - e as linhas de passe desapareceram. E em vez de passes seguros, os jogadores, e principalmente Gabriel - o mestre da arte - passaram a recorrer ao passe comprido, de maior risco e invariavelmente falhado, e a equipa afundou-se. 


O Santa Clara estava no jogo como peixe na água. Corria mais, chegava primeiro à bola, ia já queimando tempo e, sempre que podia, saía rápido para o contra-ataque, e acabou por criar uma nova oportunidade para marcar. O Benfica acabaria por fazer o primeiro remate à baliza já no mesmo no fim dos quatro minutos de compensação da primeira parte. É certo que deveria ter feito outro, aos 38 minutos, quando o árbitro Soares Dias não quis assinalar um penalti sobre Cervi. Mas isso, como se diz, faz parte do jogo. E de Soares Dias...


Mas o que realmente ficava para trás era uma primeira parte muito fraquinha, e uma última meia hora muito má. Do pior que se tem visto, e tem-se visto muita coisa má.


Para a segunda parte entrou Carlos Vinícius, para o lugar do trinco Fiorentino, também ele muito mal no jogo. Pensou-se então que, com mais presnça na área, donde Chiquinho esteve sempre muito afastado, as coisas pudessem melhorar. 


Só que os primeiros cinco minutos não ajudavam nada nessa ideia. E a equipa açoreana acabou por fazer nessa entrada para a segunda parte tanto quanto tinha feito em toda a primeira: outras duas oportunidades para marcar. Acabaria no entanto aí, e só voltaria a repetir a graça já mesmo no fim, ao minuto 92.


Ao sexto minuto, finalmente a primeira oportundidade para o Benfica, com uma defesa por instinto e com muita sorte do guarda-redes da equipa açoreana, num remate de Rúben Dias, na sequência de um canto. Desta vez nem as bolas paradas resultavam, mas logo a seguir, na primeira jogada construída com qualidade, com assistência de Pizzi, Carlos Vinícius marcou o golo do empate.


Seguiram-se então uma dúzia de minutos de melhoria, com o Benfica a pressionar e a encostar o adversário à sua baliza, nunca lhe permitindo sair lá de trás. Esgotado esse período, o jogo voltou ao mesmo, com o Santa Clara nas suas sete quintas. Não incomodava, mas também não se sentia incomodado.


Estávamos nisto quando, já perto dos 80 minutos, depois de uma recuperação de bola, Seferovic assistiu Pizzi para, bem desmarcado, aparecer na cara do guarda-redes a fazer o segundo. E a garantir uma vitória com tanto de importante como de feliz. A lembrar Moreira de Cónegos, e Tondela.


Pode até ser com vitórias destas que se ganhem campeonatos. Mas com muitos jogos destes, não é fácil ganhá-los!

O muro ruiu há 30 anos

Resultado de imagem para muro de berlim"


 


O muro caiu há 30 anos. E com ele caiu meio mundo, e um mundo inteiro de coisas más. E levantou-se outro, mais vazio de coisas boas. 


Trinta anos depois, se calhar, meio mundo ficou melhor. A outra metade, se calhar não...

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O negócio dos negócios*

Resultado de imagem para contrato do estado português com a web summit"


 


Esta foi a semana da Web Summit, que ontem chegou ao fim. Assim é há quatro anos, e assim será por mais nove. Pelo menos!


Não tenho dúvidas sobre a importância deste mega-acontecimento para o país. Acredito que o seu impacto económico directo cubra o investimento público que representa, sem sequer haver necessidade de fazer contas aos ganhos indirectos de imagem e de reputação para o país.


Nada do que diga a seguir colocará em causa o que acabei de dizer.


Dito isto, parece-me inegável que o maior certame mundial de tecnologia e empreendedorismo é, antes de mais, um negócio fabuloso do Sr Paddy Cosgrave e a redenção máxima do empreendedorismo moderno, na sua receita de visão de negócio e inovação, temperadas a preceito – qb - com um fiozinho de pantominice, preparada à parte.


O Estado português entrega-lhe as melhores instalações. Paga-lhe 11 milhões de euros por espectáculo, e oferece-lhe ainda milhares de voluntários, tantos quantos os necessários, ou mais ainda para, de borla, o servir uma plateia de 70 mil almas de todo o mundo, que pagaram pelo bilhete entre 8.500 e 25 mil euros. Acrescente-se-lhe o merchandising, com uma simples camisola fabricada na Irlanda a ser vendida por 850 euros. E uma promoção assegurada pelas caras que contam de todos os cantos do mundo e garantida, de borla, pela cobertura ao minuto de toda a comunicação social, ávida também ela de ser parte daquele todo que a deslumbra.


E tudo isto garantido por 10 anos!   


Alguém consegue imaginar melhor negócio?


E o produto? O espectáculo, é de qualidade?


É verdade que tem aqui e ali alguma qualidade, como a abordagem à inteligência artificial e à humanização dos robots, ou aos riscos do desigual poder dos gigantes digitais. Mas na sua maioria é vulgar como a banha da cobra, com pouco mais que tentativas dar rótulo e embalagem de negócio às mais comuns das mais comuns ideias, em encenações a meio caminho entre um festival de Verão, com muita ganza, e uma assembleia evangélica em êxtase.


É assim, o negócio dos negócios… Parabéns Mr Cosgrave!


 


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Uma questão de salvação

Resultado de imagem para bebé encontrado no lixo em santa apolónia"


 


Enquanto no Parque nas Nações escorre glamour entre contos de fadas a rebentar de sonhos e milhões, logo a seguir, em Santa Apolónia, um recém nascido ainda agarrado ao cordão umbilical era deitado ao caixote do lixo.


Pelas notícias, o bebé - encontrado por um sem abrigo, para que o contraste com o glamour não possa ser maior,  e entregue aos cuidados do Hospital Dª Estefânia - salva-se. O mesmo se não poderá dizer de uma sociedade destas... 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Sophia - 100 anos

Resultado de imagem para sophia de mello breyner andresen filhos"


 


Sophia faria hoje 100 anos. E o país, de norte a sul, por todo o lado, nas mais diversas iniciativas, assinala este centenário e celebra o génio e a arte de Sophia de Mello Brayner Andresen. 

terça-feira, 5 de novembro de 2019

O que interessa é o Santa Clara


 


O Benfica assinou hoje a guia de marcha da Liga dos Campeões, ao perder em Lyon o jogo que não podia perder. E mesmo o apuramento para a Liga Europa só não ficou em cheque porque o Leipzig tratou de mostrar que o Zénite só mesmo ao Benfica consegue ganhar.


É mais uma enorme frustração para o benfiquismo, maior ainda depois de se ter dado a retoma por adquirida nos últimos dois jogos. Sabemos que o Benfica não tem equipa para a Champions. Constatamos até que o jogo que por cá se faz não tem grandes hipóteses de sucesso nos níveis mais evoluídos do futebol europeu. 


É por isso ainda mais difícil perceber que o Benfica tenha prescindido dos seus melhores jogadores em todos os quatro jogos que disputou. Se com os melhores disponíveis seria difícil, assim é impossível.


Hoje voltou a acontecer o mesmo, e a ficarem demonstradas as limitações do Benfica. Bruno Lage deixou de fora Pizzi e André Almeida, para lançar para os seus lugares Gedson e o miúdo Tomás Tavares. Não deixou apenas de fora os melhores, deixou mesmo de fora a alma da equipa. Manteve Carlos Vinícius, justificadamente, à luz das últimas exibições. Mas que, chegado ao exigente palco da Champions, simplesmente desapareceu. A entrada de Seferovic apenas serviu para amplificar essa evidência.


Para um jogo que tinha obrigatoriamente de ganhar, o Benfica não partia apenas sem os seus melhores jogadores. Partia também sem ambição de o ganhar. Talvez por isso o jogo se tenha encarregado de castigar as opções de Bruno Lage, dando logo aos 4 minutos o golo ao Lyon, a penalizar a passividade com que os jogadores do Benfica entraram em campo. Afastando Ferro do jogo, logo a seguir, lesionado num choque com Odysseas, e garantindo o segundo golo à equipa francesa, no segundo remate à baliza, depois de mais uma série de maldades ao Tomás Tavares. Que fez todos os jogos da Champions!


A partir daí o jogo foi o que o Lyon quis que fosse. A sorte é que talvez tenha entendido que não podia querer de mais.


Mas pronto. O que interessa é o Santa Clara. Já percebemos...


Mas atenção. Este discurso já é intolerável!

Amplitude da ética

Resultado de imagem para ceo"


 


Uma publicação da PWC, onde há quatro décadas comecei a minha carreira profissional, conclui com alguma surpresa que, em 2018, a maioria das causas de despedimento nas lideranças das empresas teve razões éticas. Pela primeira vez foram despedidos mais CEO´s por falharem no comportamento ético do que por falharem objectivos e resultados ou por lutas de poder.


É um sinal dos tempos, e não tenho grandes dúvidas que esta é uma tendência que se irá manter. Tenho dúvidas é sobre a amplitude da ética...


Há poucos dias lia - já não me recordo onde - que o apoio de Peter Handke às atrocidades do nacionalismo sérvio no último grande conflito balcânico, não constituiu qualquer obstáculo para a Academia Sueca lhe entregar o Nobel da Literatura. Já tudo teria sido diferente se agora se soubesse que há trinta anos ele tinha passado a mão pelo rabo da secretária. 


Ainda ontem foi notícia que o CEO da McDonald´s foi sumariamente despedido depois de ter sido conhecido o seu envolvimento com uma "colega de trabalho". Veio a correr confessar que foi um erro, o que não lhe valeu de nada.  E que provavelmente "a colega" não terá apreciado muito... 


No mundo ideal a ética deveria ser a principal fonte de regulação dos negócios, e não poderia de maneira nenhuma ficar-se pelo fait divers do rabo de saia.  Mas isso é no mundo ideal. Aí também o despedido presidente da McDonald´s não teria confessado um erro mas enfatizado uma opção. E talvez nem as acções da companhia tivessem caído...


 

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Aí está!

Resultado de imagem para web summit"


 


Montada a tenda - literalmente - aí está a Web Summit, dez anos depois da primeira edição, em Dublin, donde partiu. Pelo quarto ano consecutivo em Lisboa, e no primeiro dos próximos dez anos.


Abre hoje, e mantém Lisboa na passerelle tecnológica até à próxima quinta feira. E abre com Edward Snowden, mesmo sem sair de Moscovo. E com números gigantes: setenta mil participantes, dos quais mil e oitocentas startups, mil e quinhentos investidores e dois mil jornalistas.


 

sábado, 2 de novembro de 2019

As chaves apareceram


(Foto de A Bola)


Há uns tipos que passam uma vida a apitar jogos com o único objectivo de infernizarem a vida ao Benfica. Sempre que lhes surja a oportunidade de apitar um jogo do Benfica o foco fica logo fixado. Carlos Xistra, o árbitro do jogo hoje, desta décima jornada que fecha o primeiro terço do campeonato, é um deles. Fábio Veríssimo é outro. E Tiago Martins outro ainda. Como era há vinte e há trinta anos Jorge Coroado.


Poderão estar a pensar que me estou a esquecer de Pedro Proença. Não estou, esse era de outro calibre. Era mais cirúrgico, sem muito alarido atingia no sítio certo à hora certa. Não fazia a vida do Benfica num inferno, como estes. Mandava-o para o inferno directamente.


Acharão estranho que num jogo que marca o regresso do Benfica desaparecido, com uma grande exibição, do melhor que se tem visto, tenha começado a falar do árbitro. Pois é... só que Carlos Xistra fez tudo para que esse regresso não acontecesse.


Logo no primeiro minuto disse ao que vinha, anulando uma jogada de golo ao assinalar jogo perigoso num lance em que o Vinícius simpelsmente picou a bola sobre o adversário. Logo a seguir um defesa do Rio Ave, no chão, cortou com a mão uma bola do Cervi, e Xistra nada. Nada? Não, mostrou o amarelo ao jogador do Benfica, que  apenas levantou o braço a assinalar a mão do adversário. Logo a seguir não assinalou uma falta claríssima de um defesa vilacondense sobre o Chiquinho, deixando que daí surgisse um contra-ataque perigoso para a baliza do Odysseas. E imediatamente depois não viu, nem quis ir ver as imagens, depois de alertado pelo VAR, um penalti sobre o André Almeida. O que é verdadeiramente singular: se o VAR interveio é porque considerou lance de penalti. O VAR não teria intervindo para lhe dizer que tinha dúvidas se aquilo não seria penalti, porque não é isso que está definido. Ora, mesmo com o colega a garantir-lhe que havia penalti, Xistra não quis ir ver as imagens, e ignorou o penalti.


Aconteceu que do canto com que Xistra mandou seguir o jogo surgiu o golo, numa grande cabeçada do Rúben Dias. Mais um, numa nova especialidade que se saúda. O relógio marcava 32 minutos. Mais que a resistência do Rio Ave, quebrou-se aí a resistência de Carlos Xistra!


E o Benfica estava finalmente lançado para uma grande exibição.


Para trás ficava um terço do jogo, sempre com aqueles condicionalismos. Na primeira metade desse período, no primeiro quarto de hora, estava aquilo a que Quinito chamava um jogo entretido, em que o Rio Ave esteve até ligeiramente por cima, pelo menos com mais bola. Jogava-se benzinho, de parte a parte. Sem colocar intensidade no jogo o Benfica permitia ao Rio Ave jogar o que sabe, e como gosta.


Parece que rapidamente o Benfica percebeu isso, e à entrada do segundo quarto de hora, com maior intensidade e maior pressão sobre a saída e a circulação do Rio Ave - o Filipe Augusto, que mexia todos os cordelinhos da equipa, deixou de gozar da liberdade dos primeiros 15 minutos - tomou definitiva e incontestavelmente conta do jogo. E foi construindo uma exibição de grande categoria, que atingiria momentos de grande fulgor durante toda a segunda parte.


O segundo golo chegou logo no início da segunda parte, numa grande jogada de futebol, concluída de forma soberba por Pizzi (na imagem). Mas poderia ter chegado ainda antes. Como o terceiro poderia ter chegado por tantas vezes e acabou por nunca acontecer, deixando no marcador uma expressão muito limitada do que foi esta exibição do Benfica.


Há três dias, com o Portimonense, o Benfica tínha-nos deixado um sabor adocicado na boca. Hoje é um doce forte que nos enche toda boca. Com todos os jogadores a confirmarem a subida de forma, os que na quarta-feira tinham marcado a diferença voltaram a mostrar que fazem mesmo a diferença. Chiquinho e Grimaldo (esperemos que a lesão não seja nada, porque seria demasiado azar) estão num grande momento. Pizzi regressou ao seu nível. Florentino já lá está, no ponto. A defesa está tranquíla e perfeita. E Cervi está a fazer a ressurreição que faz a imagem de marca de Bruno Lage. Estava fora dos planos, como no passado estavam Taarabt e Samaris. E está a ser importante, como importantes tinham sido aqueles na última época.


"Perdemos as chaves de casa, andamos ali aos gritos à procura das chaves, e de repente as chaves apareceram" - disse Bruno Lage na conferência de imprensa. É isto, até o treinador do Benfica regressou!

Tour de France - V

  Espectacular, esta 21ª, e penúltima etapa do Tour! Era a etapa rainha, neste segundo dia dos Alpes, e não desiludiu. Começou com Nelson Ol...